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ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Departamento de Engenharia Naval e Oceânica

Apostila:

TECNOLOGIA E MATERIAIS PARA A


CONSTRUÇÃO DE VELEIROS

PROF. DR. ANDRÉ LUIS CONDINO FUJARRA

Material de apoio fornecido aos alunos da

Disciplina de PNV-0501

2005
Tecnologia e Materiais para a Construção de Veleiros

Apostila:
TECNOLOGIA E MATERIAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE VELEIROS
Dept./Unidade Data Autor
PNV/EPUSP 2005 Prof. Dr. André Luís Condino Fujarra

Av. Prof. Mello Moraes – 2231 – 05508-900 – São Paulo – SP – BRASIL


TEL.: 55 11 3091-5350 – FAX: 55 11 3091-5717
Tecnologia e Materiais para a Construção de Veleiros

ÍNDICE

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1. Programa da Disciplina

Créditos: 4
Oferecimento: 2º. Semestre letivo

SEMANA DATA TÓPICOS


02/08 e Aula introdutória: cronograma e critério de avaliação
1
04/08 Materiais para a construção náutica, com foco no FRP
09/08 e Introdução à Norma ISO 12215-5.2
2
11/08 Estimativas para as propriedades mecânicas do FRP
16/08 e Carregamentos de projeto
3
18/08 Dimensionamento de painéis simples
23/08 e Laminados em sandwich
4
25/08 Dimensionamento e Painéis em sandwich
30/08 e Reforçadores longitudinais e transversais
5
01/09 Dimensionamento dos reforçadores
13/09 e P1: Dimensionamento estrutural
6
15/09 1ª. Apresentação do projeto: dimensionamento estrutural completo
20/09 e Apresentação e discussão do trabalho prático
7
22/09 Fibras de reforço, aula 1
27/09 e Fibras de reforço, e Resinas, aula 1
8
29/09 Resinas aula 2
04/10 e Outros materiais: desmoldante, gelcoat, skin coat, fillers, etc...
9
06/10 Outros materiais exóticos
11/10 e Métodos de Construção, aula 1
10
13/10 Métodos de Construção, aula 2
18/10 e Processos de laminação, aula 1
11
20/10 Processos de laminação, aula 2
25/10 e 2ª. Apresentação do projeto: dimensionamento dos apêndices
12
27/10 Participação no Boat Show de São Paulo
01/11 e Participação no Boat Show de São Paulo
13
03/11 Visita do Jorge Nasseh (?)
08/11 e Ensaios em laboratório
14
10/11 Ensaios em laboratório
15 17/11 Apresentação e entrega do trabalho prático
22/11 e Outras Estruturas do Barco: Dimensionamento e Seleção dos estais
16
24/11 Dimensionamento e Seleção da mastreação
Dimensionamento e Seleção da quilha e do leme
29/11 e
17 3ª. Apresentação final do projeto do veleiro: dimensionamento básico
01/12
completo

Critério de Aproveitamento: (P1 + 2*T + 2*MA) / 5, onde:


P1 – Prova
T – Trabalho Prático
MA – Média das Apresentações
Bibliografia Recomendada:
• Greene, E. “Marine Composites”, 2nd edition.
• Nasseh, J. “Manual de Construção de Barcos”, 1a edição, Rio de Janeiro:
Booklook, 2000.
• Larsson,L. & Eliasson, R.E. “Principles of Yacht Design”, International Marine,
1994.

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2. Materiais para a Construção Náutica

A seleção do material para a construção náutica não é tarefa fácil por inúmeros
motivos, dentre os quais:

• Variedade de materiais: compósitos, alumínio, madeira, aço, ferro-cimento,


etc...

• Informações pobres e em pouca quantidade quanto as propriedades dos


materiais (principalmente os não metálicos).

Ainda assim, alguns fatores podem determinar a escolha:

• Preferência e experiência pessoal.

• Custo do material.

• Disponibilidade do material.

• Local onde a construção vai se realizada.

• Tipo de projeto:

o Barco de recreio ou passeio (vela ou motor), navegação típica de


mares abrigados.

o Barco de cruzeiro, caracterizado por viagens longas em condições de


mar mais severas.

o Barco de regata, prioridade para a velocidade e performance também


em condições severas de mar.

• Freqüência de utilização:

o Lancha de recreio, cabinada, 200 horas/ano.


o Lancha para pesca esportiva, 800 horas/ano.≅

o Lanchas comerciais, 6000 horas/ano, implicando na necessidade de


análises quanto à resistência à fadiga.

Neste contexto, os materiais compósitos são a seleção mais difundida, visto que:

• Mais barata.

• Baixa depreciação ao longo do tempo, implicando em boa


capacidade revenda.

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• Velocidade na construção.

Independente de o material selecionado ser bom ou ruim é importantíssimo que sua


seleção esteja baseada em um projeto bem feito.

No início da década de 50, a utilização de materiais compósitos era baseada na


“tentativa e erro”.

Hoje, no entanto:

• As construções de sucesso envolvem especialistas de inúmeras áreas.

• Os barcos são mais leves, implicando em melhores desempenho, velocidade


e custo.

• As construções são realizadas em menor tempo e de maneira mais eficiente.

• E tem havido desenvolvimento constante de novos materiais e novas técnicas


de construção.

É comum, portanto, a utilização de matrizes de decisão do tipo:

Fonte: www.barracudatec.com.br

Um aspecto importante a se ressaltar é o seguinte:

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Fazer

Diferença
Bem Feito Mal Feito
de custo
não é tão
• tempo
• custo de material
Planejamento e Supervião • custo de mão-de-obra

A acentuada aceitação dos materiais compósitos na construção náutica se deve às


seguintes vantagens:

• Variedade estrutural conseguida com a diversidade de combinações entre


fibras e resinas, valendo-se, inclusive, da ortotropia das combinações obtidas:

o Considerável facilidade de utilização.

o Leves.

o Facilmente reparáveis.

o Resistentes à abrasão e corrosão, portanto, às intempéries marinhas.

Fonte: “Marine Composites”, Eric Greene.

www.marine.composites.com

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• Excelente relação resistência/peso.

• Excelente relação rigidez/peso

Fonte: www.barracudatec.com.br

Atualmente, materiais compósitos são aplicados nas seguintes partes de


embarcações:

• Cascos.

• Conveses.

• Peças do interior.

Para tanto, levam em consideração os seguintes aspectos:

• Auxílio de moldes.

• Formas complicadas.

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Portanto, mais duas vantagens dos materiais compósitos são:

• A maior liberdade quanto às formas.

• A facilidade de estocagem (prescinde de variedades de formas e dimensões,


como é o caso dos metais e da madeira).

Contudo, algumas desvantagens ainda impõem ou exigem maiores cuidados na


utilização dos materiais compósitos:

• Dificuldade na predição do modo de falho.

• Incertezas quanto à corrosão em meios combustíveis, lubrificantes e ricos em


produtos químicos.

• Processos manuais imperam, o que implica em embarcações mais caras e de


construção mais lenta.

• Relutância à larga utilização, implicando em menor quantidade de


conhecimento acerca dos comportamentos e propriedades.

Comparando materiais compósitos e metais

o Materiais compósitos podem apresentar resistência e rigidez muito


menores que as do aço e do alumínio.

o No entanto, relacionando-se estas propriedades com as respectivas


densidades, percebe-se que os materiais compósitos chegam a valores
muitas vezes maiores que os dos metais.

Fonte: “Marine Composites”, Eric Greene.

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o Danos e modos de falha para os materiais compósitos diferem


daqueles apresentados pelos metais.

o Metais apresentam passagem uniforme do regime elástico para o


plástico, até o colapso completo.

o Materiais compósitos: perda de resistência e rigidez com a gradual


falha de cada camada que compõe a estrutura.

o Propagação de trincas, comuns em metais, nos compósitos são muito


menos freqüentes.

o Em contrapartida, falhas interlaminares, quase inexistentes em metais,


são comuns em compósitos.

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Panorama Geral dos Materiais mais comuns utilizados na construção Náutica:

Fonte: “Marine Composites”, Eric Greene.

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