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Mercado de Créditos e de Capitais

Capitulo 1 - Mercado de Crédito

 Onde ocorre operações de captação de recursos via emprestimos,


financiamento e emissão de títulos representativos de dívidas.
 O sistema financeiro está fundamentado no condição de desequilibrio
entre os níveis de poupança e o consumo.
Intermidiação financeira do mercado de crédito
 O sistema financeiro é a parte da economia na qual os agentes
economicos (empresas, familias, governo), por intermedio de instituições
financeiras, realizam 4 tipos de transações:
 Pagamento e recebimento relativos a operações do cotidiano;
 Alocação de recursos em aplicações financeiros (quando a renda
supera os gastos);
 Empréstimos de recursos em situações em que eles precisam
adiantar despesas futuras;
 Transferências de riscos indesejáveis relacionados a situações em
que eles precisam preservar seu patrimônio, ou seja, seguros;
 Portanto, considerando essas 4 transações básicas, a estrutura do
sistema financeiro conta com instituições especializadas (bancos,
financeiras, seguradoras, etc) em oferecer operações de modo a atender
essas necessidades.
 O sistema dividi-se em segmentos no quais as operações são
realizados.
1. Mercado monetário
2. Mercado de crédito
3. Mercado de capitais
4. Mercado de câmbio
Mercado monetário
 Onde as transações cotidianas, de empresas, famílias, governo e
instituições financeiros ocorrem.
 Para economia funcionar, é necessario a moeda em circulação.
 A moeda pode ser fisica ou em depositos a vista ou a prazo nas
instituições financeiras.
 O governo é responsável pela moeda.
 Para controle das moedas existem os bancos centrais.
 Um banco central controla e fiscaliza a moeda.
 O BCB é o responsável pelo controle da inflação no país. Ele regula a
quantidade de moeda na economia, e regula e supervisona as
instituições financeiras.
 Uma instituição bancária tem como uma de suas atividades “Comprar” e
“Vender” dinheiro.
Bancos e o efeito multiplicador
 A prática bancaria de comprar e vender dinheiro gera resultados
financeiros porque o banco remunera os despositos por uma taxa de
juros inferior àquela cobrada quando ele realiza um empréstimo.
 No sistema bancário, os emprestimos geram novos depositos, criando
mais moeda em circulação.
 Digamos que o banco “A” recebe seu depósito e a partir dele faz o
seguinte: mantém R$100,00 em reserva 10% do valor e empresta, no
caso, R$900,00. O efeito multiplicador pode ser entendido na tabela a
seguir:
BANCO DEPÓSITO RESERVAS EMPRÉSTIMOS
A R$ 1.000,00 R$ 100,00 R$ 900,00
B R$ 900,00 R$ 90,00 R$ 810,00
C R$ 810,00 R$ 81,00 R$ 729,00
D R$ 729,00 R$ 72,90 R$ 656,10
N ... ... ...
TOTAL R$ 10.000,00 R$ 1.000,00 R$ 9.000,00
 O “efeito multiplicador” é determinado matematicamente pela expressão
de cálculo: 1/R, em que R indica o percentual de reservas mantido pelos
bancos.
 Assim, no exemplo, temos que o coeficiente de expansão ou efeito
multiplicador seria igual a 10 vezes (1/0,1). Se aumentamos para 25%, o
coeficiente de expansão será de 4 vezes (1/0,25); Caso o nível de
reservas diminuam para 5%, o coeficiente de expansão será de 20
vezes (1/0,05). O efeito prático dessa mudança é a alterar a quantidade
de recursos monetario no sistema.
Mercado de crédito
 Onde um agente economico que nao dispõe de recursos, poderá obtê-
los.
 A presença do intermediário financeiro viabiliza a operação na medida
em que ele capta recursos poupados e os empresta.
Mercado de capitais
 Operações de captação de recursos por empresas a partir de títulos
públicos.
 Com a venda dos títulos ao público, a empresa levanta os fundos
necessarios aos seus projetos.
 Existem dois tipos de títulos emitidos pelas empresas:
 Debêntures, commercial papaers, etc: Representativos de dívidas;
 Ações: Representativos de participação societária;
Mercado de câmbio
 É o segmento no qual são realizados operações de compra e venda de
moeda estrangeira que viabilizam transações financeiras e comerciais
realizadas fora do país.
Empréstimos de curto e médio prazos
 O papel exercido pelas instituições financeiras no processo de alocação
dos recursos de poupança em crédito e de interposição na relação entre
os poupadores e os tomadores.
 As instituições financeiras assumem os riscos dos tomadores de recurso
perante seus poupadores.
 O mercado de crédito funciona para atender as demandas de recursos
de curto e médio prazo dos agentes econômicos.
 As instituições financeiras oferecem uma série de modalidades de
operação visando atender as caracteristicas da necessidade de
recursos. Podemos dividi-los de acordo com as seguintes variáveis:
 Tempo (t);
 Volume (V);
 Destinação dos recursos (D);
 Forma de armotização (A);
 Há diversas modalidades de operações de crédito disponiveis nas
instituições financeiras. Essas operações estão divididas em dois
grupos, de acordo com a regulamentação estabelecida pelo BCB para
destinação dos recursos pro parte das instituições bancárias, recursos
de destinação livre e recursos com destinação vinculada.
Formação do spread bancário
 No processo de captação e empréstimos, a instituição cobra uma taxa
de juros do tomador no mercado de crédito e repassa parte dessa
remuneração para o poupador. O restante fica com a instituição para
cobrir seus custos e remunerar suas atividades.
 A diferença entre a taxa de juros cobrada do tomador de empréstimo e a
taxa de juros paga pela instituição ao cliente detentor do depósito a
prazo é o chamado “spread bancário”.
 A formação da taxa de juros a ser cobrada nas operações de crédito
está associada ao custo de captação e sua margem de lucro.
 Spread representa também a diferença entre o preço de compra e de
vendo de título ou moeda.
 Na composição de diferencial entre a taxa de juros cobrados pelo banco
de tomador e paga ao poupador, temos os seguintes itens:
I. Lucros – margem de remuneração para a atividade de captação
em empréstimo.
II. Impostos diretos (CSLL e IR) – incidência tributária sobre a
atividade.
III. Depositos compulsórios e FGC.
IV. Custo administrativo – despesas com pessoal e manutenção de
estrutura operacional.
V. Inadimplência – perdas com créditos não pagos.
Operações de open market (Mercado aberto)
 São instrumentos de politica monetária utilizada pelo BCB para controle
do volume de recursos em circulação.
 O BCB deve presercar o liquidez do sistema economica e mantém a
solidez das instituições financeiras.
 Para alcançar esses objetivos, o BCB dispõe de 4 instrumentos de
controle monetário.
 As operações de open market;
 Os depositos compulsorios;
 Operações de redesconto;
 Controle e seleçãp de crédito;
 As operações de open market são um dos instrumentos mais rápidos
para efetuar o processo de controle sobre os recursos de circulação.
 O mecanismo consiste em promover operações de venda ou recompra
de títulos públicos, em leilões promovidos pelo BCB junto com outras
instituições financeiras. Para retirar recursos de circulação o BCB vende
títulos públicos. Ao comprar os títulos, as instituições diminuem suas
reservas. Quando o BCB precisa injetar recursos no sistema, ele realiza
operações de recompra de títulos.
 As operações acontecem envolvendo a mesa de operações do BCB
para canalizar as ofertas de compra e venda de títulos dependendo do
tipo de operação a ser realizada.
 Essas instituições são conhecidas com dealers do BC para o mercado
aberto.
 O Departamento de Operações de Mercado Abertp (Demab) é o
responsável por estabelecer o credenciamento das instituições no
siste,a de dealers.
 Exemplo: Em determinado dia o BC, em razão de eventos da
macroecônomia, precisa reduzir o volume de recursos do sistema
economico. O Demab realizará um leilão para retirar, digamos R$50
bilhões de circulação, e avisa o mercado, por meio dos dealers,
indicando os detalhes do leilão de venda de títulos.
 Cada um dos dealers faz uma proposta de taxa de juros para adquirir os
títulos públicos.
 Atualmente, o Demab mantém 12 instituições financeiras cadastradas
com dealers no mercado aberto.
 Apenas os dealers fazem propostas de taxas de juros para os leilões,
assim, para participar do leilão as demais instituições financeiras devem
escolher a taxa de juros desejada a partir das propostas dos dealers.
 Se o BCB precisar injetar recursos na economia, será realizada uma
proposta de recompra de títulos em circulação. O processo de coleta de
ofertas será feita do mesmo modo pelo dealers e os demais
participantes.
 A eficácia do mecanismo de venda e recompra de títulos está na sua
rapidez e em objetividade. Com ele, o BCB é capaz de alterar o volume
de recursos em circulação em pouco tempo, o que torna o isntrumento
uma ferramenta de uso diário por parte da autoriade monetária.
Capitulo 2 – Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e Central
de Custódia e Liquidação de Títulos Cepit (Cepit)
 O estoque de poupança do sistema financeiro está dividido em diversis
tipos de aplicação financeira. De forma geral, cada aplicação tem um
lastro, ou seja, um título emitido como garantia para os recursos.
 Os títulos sao mantidos no mercado financeiro em contas de custódia.
 A custódia dos títulos significa a sua guarda.
 Atualmente, sistemas centralizados de custódia contabolizam as
operações realizadas e mantêm as posições relativas às aplicações
financeiras em bancos de dados.
 Os títulos emitidos por instituições financeiras e empresas não
financeiras com o objetivo de captar recursos dos poupadores estão
“guardadas” nesses sistemas.
Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic)
 É um sistema desenvolvido para abrigar o registro e a custódia (guarda)
das operações que envolvem títulos públicos.
 Criado em 1979 eplo BCB e a Associação Nacional das Instituições do
Mecado aberto (Andima).
 Naquela época, o mercado de títulos era formado por transações diárias
com papeis em forma física (cautelas).
 Os títulos lançados pelo governo e as de instituições financeiras e
empresas eram ao portador, ou seja, não continham o nome de seu
proprietário e eram passíveis de extravio e falsificações.
 O sistema de controle de quem os possuía era precário e
descentralizado.
 Portanto, a criação do sistema tinha por objetivo melhorar as condições
de segurança, controle e credibilidade das operações.
 A Selic é um computador central, por isso o termo sistema, em que cada
transação realizada pelas instituições, autorizadas a negociar títulos
públicos, é registrada.
Títulos públicos
 Esferas governamentais captam recursos no mercado emitindo títulos
reprentativos de dívida pública.
 São um meio usado pelo governo para levantar recursos e cobrir as
contas do seu caixa (orçamento).
 A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), orgão ligado ao ministerio da
fazenda, administra a dívida pública federal por meio da emissão de
títulos públicos.
 Ao BCB, confere a tarefa de realizar a colação (venda) desses títulos
junto ao sistema financeiro.
Taxa Selic meta
 1999, implatação do sistema de metas de inflação .
 CMN estabeleu metas para inflação e o BCB com a politica monetaria é
responsável para atingir as metas estabelecidas.
 A taxa de juros é um dos instrumentos utilizados pelos bancos centrais
para controlar a inflação.
 O papel do BCB é estabelecer uma meta para a taxa primária de juros
na economia, de forma a influenciar as decisões dos agentes
economicos de poupar ou consumir seus recursos.
 No caso do regime de metas de inflação adotada pelo governo
brasileiro, a taxa básica de juros, Taxa Selic, foi definida com
instrumento para condução da politica monetária.
 O funcionamento do mecanismo de metas para taxa Selic tem inicio com
a decisão do COPOM.
 Após a definição da meta, a mesa de operações do mercado aberto do
BCB conduz as operações de modo a atingir a meta da taxa Selic
definida pelo COPOM.
 Portanto, a meta para a taxa Selic não é necessariamente a taxa de
juros praticado pelo mercado e operado diariamente pelo sistema Selic.
 O valor efetivo da taxa Selic diária pode variar em relação à meta
estabeleciada.
Formação da taxa Selic over e utilização
 A taxa Selic over é a denominação dada à taxa de juros derivada das
operações de mercado aberto.
 Diariamente o BCB compra e vende títulos públicos a instituições
financeiras para regular o volume de moeda em circulação (reservas).
 Diversos eventos ocorrem diariamente na econômia e afetam o volume
de recursos em circulação.
 Para manter um volume adequado de recursos, o BCB utiliza as
operações no mercado aberto.
 Essas operações são de curtissimo prazo (um dia útil) e por essa razão
são denominados operações de overnight ou apenas over. Assim a taxa
derivada é a taxa over, ou seja, taxa para um dia útil.
 É comum a sua utilização como parâmetro de correção de outras
operações financeiras. Desse modo, a taxa Selic over corrigi valores de
títulos públicos, como as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) ou
Tesouro Selic, valores dividos ou a receber ou tributos como imposto de
renda e outros tipos de aplicações financeiras.
Definição e objetivo da Cepit
 O sistema Cepit começou a ser elaborado nos anos de 1980 e em 3 de
março de 1986 entrou em operação com o objetivo de gerar segurança
para as operações, liquidações e guarda (custódia) de títulos emitidos
pela iniciativa privada (Instituições financeiras e empresas).
Participantes
 Os participantes do Cepit são classificados por categoria.
 Utilizam o sistema atualmente, segundo dados da Cepit, todos os
bancos brasileiros, corretoras, distribuidoras, fundos de investimentos,
seguradoras, fundos de pensão privados e empresas não financeiras
emissoras de valores mobiliarios.
 O sistema é utilizado para registro de operações com títulos, custódia e
controle de posições de ativos financeiros.
Custódia e Liquidação
 Os participantes registram e liquidam suas operações no Cepit. As
posições são automaticamente transferidas e o valor financeiro
envolvido na operação é liquidado entre as partes.
 A natureza das operações registradas, custodiadas e liquidadas no Cepit
são compras e vendas de títulos privados emitidos por empresas não
financeiras; títulso emitidos por instituições financeiras; certificados de
depositos financeiros (CDIs) transacionados nas operações exclusivas
entre bancos no mercado interbancario e contratos derivativos, como
swaps.
Formação da taxa DI over
 O mercado interbancario é o segmento no qual as instituições realizam
entre si empréstimos de curtíssimo prazo. Essas operações tem como
lastro (garantia) um título emitido exclusivamente pelos bancos, que é o
certificado de depósito interfinanceiro (CDI).
 As taxas de juros praticadas pelas instituições envolvidas na operação é
conhecida como taxa DI e o resgistro da transação acontece no sistema
Cepit.
 O Cepit, responsável pelo registro das operações interbancárias, elabora
as estatísticas dessas transações e divulga diariamente a taxa de juros
média dos negócios registrados. Essa taxa é conhecida como taxa DI
over.
 O termo over decore do fato das operações serem de curtíssimo prazo,
geralmente um dia útil.
Fusão da BM&Fbovespa e a Cepit: a criação da B3
 No Brasil, seguindo a tendência mundial, as instituições auxiliares do
sistema financeiro nacional, Bovespa, BM&F e Cepit, realizaram o
processo de demutualização, tornado-se empresas com fins lucrativos.
 Operando como sociedades anônimas (S.A.s), as empresas Bovespa e
BM&F realizam seus IPOs em 2007 e, no ano seguintem um processo
de fusão. A partir dessa fusão, constituiram uma nova empresa
denominada BM&Fbovespa.
 Os associados da Cepit aprovaram em 2008 a proposta de
desmutualizacao, que foi concretizado em 1º de julho de 2008.
 No ano de 2009 a Cepit vendeu 32% do seu capital social para a Advent
Depository, uma empresa de private equity (empresas constituídas por
investidores de grande porte, com o objetivo de investir recursos em
companhias com potencial de crescimento) e realizou um IPO no
mesmo ano.
 Com sinergias improtantes na área de registro e custódia de títulos
privados, o Cepit passou a interessar aos proprietarios da BM&Fbovespa.
A proposta de fusão ocorreu em 2016 e concretizou-se em 2017.
 Nesse contexto a B3 S.A. tornou-se a única bolsa de valores em operação
no Brasil e também a maior empresa depositaria de títulos (custódia) da
America Latina.
 Embora exista interesse de empresas estrangeiras concorrer com a B3, o
fato de a estrutura da empresa deter a central depositaria de títulos e
valores mobiliarios usado para liquidaras operações, dificulta a entrada de
empresas concorrentes.
 No entando, a manutenção da condição monopolista da B3 enfrenta
questionamentos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE), que estuda solucionar a questão com possiveis interessados em
concorrer com a B3.
 A fusão entre as empresas foi aprovada pelo CADE, mas contém retrições
relacionadas a barreiras à entreda de concorrentes. Segundo o orgão, o
acesso a infraestrutura de custódia e liquidação de título impede o
processo.

Capitulo 3 – Títulos bancários de renda fixa


 A origem do sistema financeiro está fundamentada no desequilibrado
entre os níveis de poupança e as necessidades de consumo e
investimento. Nesse sentido, todos os recursos poupados têm como
lastro ativos reais ou ativos financeiros.
 Ativos reais são aqueles com características tangível, ou seja, existem
materialmente. Ex.: Uma compra de um imóvel, ou qualquer bem físico
que possa ser revendido.
 Ativos financeiros são intangíveis, na medida em que representam
recursos alocados em “papeis” com promessa de retorno, sejam eles
retornos fixos ou variáveis.
 No sistema financeiro, no qual se negociam os ativos financeiros,
podemos classifica-los em duas características:
 Ativos de renda fixa: aqueles cujo, retorno obtido é positivo, ou seja,
o valor final é superior ao valor inicialmente investido. Ex.: Títulos
públicos, os certificados de depósitos bancário, etc.
 Ativos de renda variável: aqueles cujo retorno obtido pode ser
positivo, nulo ou negativo em relação ao valor inicial. Ex.: Ações,
moedas, commodities, etc.
Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Recibo de Depósito Bancário (RDB)
 O CDB e RDB são ativos financeiros emitidos por instituições financeiros
para captar recursos de médio e longo prazos junto a investidores.
 O RDB pode ser emitido também, além de bancos, por sociedade de
crédito, financiamento e investimento financeiros – e por cooperativas de
crédito.
 A diferença básica entre o CDB e o RDB é a possibilidade de regate
antecipado da aplicação pelo investidor. No caso de CDBs o resgate
antes do vencimento é possível, mediante anuência da instituição
financeira ou então transferir a titularidade a outro investidor. Os RDBs,
por sua vez, são recibos que somente poderão ser resgatadas em
carácter excepcional, em acordo com a instituição emissora.
 As condições de liquidez do CDB em relação ao RDB tornam-no um
ativo com maior preferência por parte dos investidores.
 Podem ser pré-fixados ou pós-fixados.
 Com relação à tributação, ambos incide imposto de renda na ocasião do
resgate da aplicação, sobre o ganho de capital. As alíquotas do IR são
regressivas em relação ao prazo da aplicação.
PRAZO DA APLICAÇÃO ALÍQUOTA DE IMPOSTO DE RENDA
SOBRE O GANHO DE CAPITAL
1 a 180 dias 22,5%
181 a 360 dias 20%
361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Certificado de Depósito Interbancário (CDI)


 É um ativo financeiro emitido exclusivamente pelos bancos como lastro
para as operações de empréstimo efetuados no mercado interbancário.
 O mercado interbancário é um segmento financeiro em que os bancos
realizam operações de empréstimo de curto prazo.
 O ativo financeiro estabelecido como garantia para a operação é o CDI.
Assim, a instituição tomadora dos recursos emite um CDI e transfere
para a instituição doadora dos recursos.
 O prazo das operações é normalmente de um dia útil, embora possam
ocorrer em prazos maiores, no máximo em cindo dias úteis.
 A taxa de juros de operação é uma taxa de juros de base anual em dias
úteis (252 dias úteis) e o registro das operações é realizado na Cepit.
 As estatísticas apuradas de acordo com o volume e as taxas de cada
operação servem como base para e formação da taxa DI, ou dos
Depósitos Interfinanceiros.
 Trata-se de uma taxa de juros de curto prazo, apurada nas operações
ocorridas entre os bancos, para ajuste de posição de caixa ao longo do
dia. Desse modo ela se torna um referencial para correção de outras
operações financeiras, ou seja, um benchmark.
Letra Hipotecária (LH)
 É um ativo financeiro de renda fixa emitido por instituições financeiras
autorizadas a conceder crédito hipotecários com recursos oriundos do
Sistema Financeiro da Habilitação.
 Instituído em 1988 pela Lei 7.684/88.
 Produtos de captação para determinação de recursos em operações de
crédito imobiliário.
 As instituições emissoras são os bancos múltiplos com carteira de
crédito imobiliário, a sociedade de crédito imobiliário e a caixa econômica
federal.
 Prefixados ou pós fixados.
 São isentas do imposto de renda para pessoa física.
 Para empresas jurídicas, há incidência de impostos sobre o ganho de
capital com alíquotas decrescente em relação ao prazo.
 O Prazo mínimo de emissão para uma LH depende do tipo de
remuneração:
 Remuneração pós-fixada com base na TJLP (taxa de juros de longo
prazo), tem no mínimo de um mês;
 Remuneração pós-fixada com base TBF (Taxa básica financeira) é de
2 meses;
 Remuneração pós-fixada em TR (taxa referencial) ou pré-fixada é de
180 dias.
 Nesses casos, se o investidor quiser resgatar o valor aplicado antes do
vencimento, será devolvido o valor aplicado sem a remuneração.

Letra de Câmbio (LC)


 É um ativo financeiro de renda fixa emitido com base em uma transação
comercial.
 É um instrumento de captação de recursos utilizado especificadamente
pelas financeiras ou sociedades de créditos, financiamento e
investimento, nas quais o objetivo é viabilizar uma operação de
empréstimo.
 A emissão de uma LC por uma financeira ocorre do seguinte maneira:
um consumidor precisa de recursos para adquirir um bem em um
estabelecimento comercial, que tem parceria com uma financeira, e esta
concede o crédito ao comprador mediante um contrato de empréstimo e,
com base no valor emprestado, emite um título de crédito, a LC, para
captar recurso com um investidor.
 Pré-fixado ou pós-fixada.
 Prazo mínimo de 60 dias e o máximo de 180 dias.
 Imposto de renda sobre o ganho de capital com alíquotas regressivas.
Certificado de Célula de Crédito Bancário (CCB)
 É um título de crédito privado representativo de um conjunto de CCBs
criado por uma instituição financeira para alocar recursos de fundos de
investidores em direitos creditórios,
 Emitido por pessoa física ou jurídico, em favor de instituição financeira ou
entidade equiparada, representando promessa de pagamento em
dinheiro, decorrente de operações de crédito, de qualquer modalidade.
 A instituição deve integrar o SFN, sendo admitida a emissão de CCB em
favor de instituição domiciliar no exterior, desde que a obrigação esteja
sujeita exclusivamente à lei e a foro brasileiro.
 A CCB em favor de instituição domiciliar no exterior poderá ser emitido
em moeda estrangeira.
 CCB é um título composto por um conjunto de CCBs.
 Trata-se, portanto, de título emitido com objeto de facilitar a recuperação
de crédito bancários, tendo como lastro crédito bancário comercializados
e que permitam ao investidor receber o pagamento pelo título
independentemente da situação financeira do banco que o gerou.

Fundo Garantidor de Crédito (FGC)


 Foi constituído em 1995 pela resolução nº 2.197 e atualizado pela
resolução nº 4222 com uma entidade privada.
 Sem fins lucrativos, destinada a administrar mecanismo de proteção a
titulares de créditos contra instituições financeiras e a realizar com tais
instituições operações de assistência e suporte financeiro.
 Portanto, o FGC é um condomínio no qual são associadas as
instituições participantes do sistema financeiro nacional que:
I. Captem depósitos à vista, a prazo ou em contas de poupança;
II. Efetuem aceite em LC;
III. Captem recursos por meio da emissão de Letras imobiliárias,
Hipotecas, de crédito imobiliário, de crédito do agronegócio.
IV. Realizem operações compromissadas para captar recursos.
 Estão fora do escopo do FGC as cooperativas de crédito e as seções de
crédito dos cooperativos.
 Os beneficiários desse fundo são os depositantes e os investidores que
têm seus recursos até determinado limite nessas instituições financeiras.
 Atualmente, o limite para cada investidor, por CPF ou CNPJ, contra uma
instituição ou um conjunto de instituições do mesmo conglomerado
financeiro, é garantido até o valor máximo de R$250.000,00.
 O FGC pode ser acionado nas hipóteses de o BCB decretar a
intervenção e liquidar extrajudicialmente a instituição associada e nos
casos onde há o reconhecido estado de insolvência da instituição
financeira.
 As garantias do FGC são dadas ao seguintes tipos de operações
financeiras.
I. Depósitos à vista
II. Depósitos a prazo (CDBs e RDBs)
III. Letras de Câmbio
IV. Letras Hipotecárias
V. Letras de Crédito Imobiliário
VI. Letras de Crédito do Agronegócio
VII. Operações Compromissadas com lastro em títulos da instituição
em questão.
Letras de Crédito Agrícolas (LACs) e Imobiliários (LCIs)
 São ativos financeiros emitidos por bancos e instituições financeiras
autorizadas pelo BCB com o objetivo de captar recursos para o
agronegócio, no caso dos LCAs e empreendimentos imobiliários, no
caso dos LCIs.
 BCB é responsável pela fiscalização das instituições emissoras.
 O registro e à custódia são obrigados no Cepit.
 São isentos de imposto de renda sobre o capital ganho.
 Pré ou pós-fixadas com garantia do FGC.
Certificado de Recebíveis Agrícolas (CRA) e imobiliários (CRI)
 São títulos de crédito emitidos por empresas securitizadas.
 Uma securitizadora é uma empresa não financeira que compra crédito e
recebíveis de empresas e os transforma em títulos negociáveis no
mercado financeiro.
 Os títulos originários desse tipo de operação são conhecidos como
títulos de securitização.
 Uma CRA inclui um conjunto de crédito a receber de empresas
agrícolas, enquanto um CRI inclui de empresas do setor imobiliário.
Capitulo 4 – Mercado de capitais
Mercado de capitais: definição e sua importância
 Há varias alternativas para captação de recursos por uma empresa. De
forma geral, podemos dividi-las em duas categorias.
 A primeira é dada pelas operações financeiras de crédito, obtidos
com as instituições financeiras. Empréstimos e financiamentos são
formas de captar recursos via mercado de crédito.
 A segunda é formada por operações de emissão de títulos, ou
valores imobiliários, pela empresa no mercado de capitais.
 É um segmento no qual há, de um lado, as empresas em busca de
recursos financeiros de médio a longos prazos, e de outros, poupadores
aplicando seus recursos de forma direta nos títulos emitidos pelas
empresas.
 Nesse caso, as instituições financeiras assumem o papel de distribuir o
título da empresa junto aos poupadores e, assim, viabilizar a captação.
 As remunerações das instituições decorrem do pagamento de
comissões pela empresa de acordo com o volume de recursos obtidos
junto aos poupadores.
 No Brasil, todo processo de emissão de títulos é regulamentada e
fiscalizada pela CVM.
 A etapa do processo de emissão de títulos por empresas é definida pela
instrução normativa nº 400 da CVM.
 O mercado de capitais é importante no desenvolvimento da economia
por estimular a canalização e a participação de poupança em
investimento de natureza produtiva.
Mercado acionário
 As ações são valores mobiliários representativos de participação em
uma sociedade anônima.
 O proprietário de ações é um sócio da empresa.
 As ações emitidas por uma empresa podem ser ordinárias (ON) e
preferenciais (PN).
CARACTERÍSTICA\TIPO DE AÇÃO ORDINÁRIAS PREFERENCIAIS
Direito de voto (voz de gestão) Sim Não
Subordinada, quando
Preferencial em relação às
Distribuição de resultados existirem, as ações
ações ordinárias
preferenciais
Composição máxima no capital social
1/3 2/3
da CIA

 Assim o capital social de uma sociedade por ações pode ser constituído
de duas formas:
1ª Apenas com ações ON representa o capital social.
2ª Com parte das ações ON e parte PN.
 Os acionistas de ações PN financiam a empresa, na medida em que as
ações PN renunciam ao direito de voto na administração da empresa em
detrimento de receber uma parcela maior dos resultados distribuídos.
- Definição e características
 A circulação de ações, caracterizada pelas negociações diárias nas
bolsas de valores, é precedida um processo no qual as empresas fazem
a emissão pública de seus papeis. Esse processo é conhecido como
colocação primaria de ações.
 Encerrada a colocação primária das ações, os investidores podem
negociar os papéis, registrados em bolsa de valores, nos pregões
diários. Assim acontecem as operações do chamado mercado acionário
ou mercado secundário.
 Na Bolsa de Valores de São Paulo, atualmente B3 S.A. existem 343
empresas listadas, com ações admitidas a negociação no pregão, que
acontece diariamente em sessão continua, sem interrupção das 10hs às
17hs.
 As negociações na bolsa de valores são secundárias, pois nesse caso
apenas as ações em circulação são negociadas entre os investidores.
 A formação das cotações ou preços das ações ocorre de acordo com a
oferta e demanda.
 Existem fatores internos e externos que afetam os preços das ações.
Internos estão associados ao comportamento e as expectativas dos
negócios da empresa e os externos, ao contexto macroeconômico em
que a opera a empresa.
 Nas negociações das ações existe apenas uma troca de proprietário das
ações. Não há nesse caso, qualquer tipo de ingresso ou sápida de
recursos das empresas. A precificação dada pela negociação apenas
confere a possibilidade de avaliar se a estimativa de valor de mercado
da empresa.
 O valor de mercado de uma companhia é obtido multiplicando-se a
quantidade total de ações da empresa, representada em seu capital
social pela respectiva cotação.
 O ambiente de negociação é por meio de plataformas eletrônicas.
 As ofertas de compra e venda de ações são inseridos em terminais de
computadores dos participantes do mercado.
 As ofertas são colocadas em ordem de entrada no sistema e a
informação dos negócios realizados é atualizada em tempo real.
 O livro de oferta contém as seguintes informações:
I. Cotação do último negócio realizado, quantidade e horário da
operação;
II. As ofertas de compra organizadas em ordem decrescente de
preço e suas respectivas quantidades.
III. As ofertas de venda organizadas em ordem crescente de preço e
suas respectivas quantidades.
EMPRESA BANCO DO BRASIL – ON
Último nég. R$ 30,00 600 ações 01/06/2018 14:35
OFERTAS DE COMPRA OFERTAS DE VENDA
PREÇO QUANTIDAD CORRETOR PREÇO QUANTIDAD CORRETOR
E A E A
R$ 29,80 100 Alfa R$ 30,10 800 Iota
R$ 29,70 2.100 Beta R$ 30,15 700 Lambda
R$ 29,60 1.200 Gama R$ 30,16 1.500 Omicron
R$ 29,00 700 Zeta R$ 31,00 200 Alfa

 As negociações são divulgadas pela Bolsa de Valores de duas formas:


1º. É direta aos participantes do mercado, com acesso a terminais de
negociação ligados ao computador central da bolsa de valores.
2º. São por meio de vendors, empresas de mídia financeira autorizadas
pelas bolsas a difundir as informações ao público geral (assinantes de
serviços e outros grupos de mídia).
Proventos e aquisições de ações: dividendos, juros sobre capital próprio,
bonificações, desdobramentos, grupamento e subscrição de novas ações.
 Os títulos de ações, sejam elas ON ou PN, tem garantido diretos
representados por proventos. De forma geral, os proventos têm por
objetivo:
I. Remunerar os acionistas (dividendos e juros sobre capital
próprio);
II. Melhorar as condições de liquidez das ações (bonificações,
desdobramentos e grupamento de ações);
III. Garantir a possibilidade de aumento de participação societária
nos casos de captação de novos recursos (direito de subscrição).
 Todos os proventos são propostos e aprovados em assembleias gerais
de acionistas ou pelo conselho de administração da empresa.
- Dividendos e Juros sobre Capital Próprio
 Os dividendos são a parcela do lucro líquido distribuída aos acionistas.
Assim, seu uma empresa apurou R$100 milhões de lucro líquido nas
demonstrações financeiras de um determinado ano e decide distribuir
30% desse valor na forma de dividendos termos dividendo total de R$30
milhões. Supondo um capital social representado por 7.500.000 ações
ON, o dividendo por ação será de R$4,00/ação (R$30 milhões /
7.500.000).
 Juros sobre Capital Próprio (JSCP) foram introduzidos pela Lei 9.249/95.
Ele efetua pagamento aos sócios de forma similar ao dividendo. A
diferença está relacionada ai tratamento contábil e fiscal.
 Dividendos são pagos com base do valor liquido da empresa, já
descontados os impostos, já o JSCP é lançado como despesa financeira
na demonstração de resultados da empresa, ou seja, o imposto de
renda é pago pelo acionista em alíquota única de 15%.
- Bonificação
 Consiste na distribuição de recursos financeiros ou novas ações aos
acionistas com base na incorporação de reserva de capital.
 É mais comum a bonificação em novas ações.
 A bonificação em dinheiro, menos comum, é semelhante ao dividendo,
a diferença é que o valor distribuído é oriundo das reservas de capital.
 A bonificação em ações é um processo que funciona da seguinte forma:
a empresa incorpora ao patrimônio líquido recursos de sua reserva de
capital e distribui o valor equivalente em ações. Os acionistas recebem
novas ações na proporção bonificada.
 Em geral, as reservas são incorporadas na forma de bonificação por
reduzir as cotações de ações sem afetar o valor de mercado da
empresa.
 Esse processo melhora as condições de liquidez, na medida em que os
custos de negociação diminuem, atraindo um numero maior de
investidores para comprar e vender os papéis (giro).
- Desdobramentos
 Consiste em aumentar a quantidade de ações representativas de capital
social da empresa sem a incorporação de reservas.
 Melhora as condições de liquidez.
 Desdobrando a quantidade de ações proporcionalmente reduz sua
cotação e aumenta a negociabilidade das ações.
- Grupamento
 É um provento utilizado pelas empresas para aumentar o valor unitário
das ações e reduzir as oscilações das cotações.
 Ele consiste em reduzir a quantidade total de ações mediante o
grupamento de papéis.
- Subscrição de novas ações (ou direito de subscrição)
 É um provento com o qual é oferecido ao acionista o direito de
subscrever (comprar) mais ações da empresa.
 O objetivo é capitalizar a empresa por meio dos atuais sócios. Eles têm
a preferência em subscrever as ações oriundas do aumento de capital.
 A proporção de novas ações a serem subscritas é proporcional à
quantidade da qual o acionista é titular.
 Caso esse acionista não tenha interesse em subscrever, pode negociar
os direitos de subscrição no mercado.
 Quanto valeria o direito de subscrição? O valor de negociação do direito
depende da cotação das ações. Se as ações, por exemplo, estiverem
cotadas no mercado a preço de R$20,00/ação e o preço de subscrição
for R$15,00, o valor máximo seria R$5,00.
Mercado primário
- Underwriting
 O mercado primário é a fase inicial no qual a companhia oferta ao
público suas ações. As operações intituladas como underwriting ou
“subscrição”, equivalem às ofertas públicas iniciais ou subsequentes
realizadas pelas empresas no mercado de capitais.
 Uma oferta pública inicial ou IPO (Initial Public Offring) é a operação em
que uma companhia de S.A., realiza a oferta de ações ao público pela
primeira vez, ou seja, nesse caso, a empresa não possui ações em
circulação e vende em oferta pública.
 Essa oferta pode ser de novas ações, oferta pública inicial primária e
nesse caso, constitui aumento do capital social da empresa.
 Outra possibilidade é a venda de ações pertencentes aos atuais sócios
da empresa, caso que há uma oferta pública inicial secundária.
 Os recursos obtidos pela venda das ações em IPO secundário não são
da empresa, mas sim dos sócios participantes da oferta secundária.
 O IPO é regulamentado pela CVM com base na instrução normativa nº
400.
- American Depository Receipts (ADR)
 São recibos de ações de empresas estrangeiras emitidos no mercado
americano com lastro em ações das companhias emissoras.

 Existem três níveis de emissão de ADRs:


 Nível 1: Os recibos são emitidos com base em ações em circulação
e são negociados apenas no mercado de balcão;
 Nível 2: Composto por recibos emitidos com base em ações em
circulação, mas negociados nas bolsas de valores;
 Nível 3: Emitido com base em novas ações e negociadas em bolsa
de valores;
Brasilian Depository Receipts (BDR)
 São recibos ações de empresas estrangeiras emitidas e negociadas no
mercado brasileiro.
 De forma similar aos ADRs, os recibos são emitidos com lastro em
ações de empresas estrangeiras no mercado brasileiro.
 No Brasil, a regulamentação dos BDRs está definida na instrução CVM
332/2000. Nele, há uma classificação em níveis. Nível 1 não necessita
de registro na CVM e é negociado apenas no mercado de balcão. Os
níveis 2 e 3 exigem registro da companhia emissora na CVM.
 Além disso, os BDRs podem ser patrocinados ou não. Os patrocinados
são aqueles instituídos por uma única instituição financeira depositaria,
contratada pela empresa emissora. Os não patrocinados não possuem
acordo com a companhia estrangeira emissora e somente podem ser
emitidos no nível 1.
- Tipos de oferta: emissões subscritas e melhores esforços
 Na relação entre uma companhia emissora de valores mobiliários e as
instituições financeiras participantes do processo de colocação pública
das ações, são estabelecidos critérios relacionados às condições de
garantia do êxito da operação.
 Existem dois tipos de garantia possível no processo: A “garantia firme”,
ou “emissão subscrita”, e os “melhores esforços”.
 Na garantia firme, as instituições contratadas pela empresa emissora
estabelecem a garantia plena de oferta, ou seja, nesse caso, se a oferta
não for subscrita integral ou parcialmente pelo público, a instituição
subscreve a quantidade de ações não subscritas.
 Esse tipo de garantia normalmente é mais aplicado nas colocações de
obrigações, como debêntures, pois são títulos de renda fixa mais
aceitáveis em situações em que a operação não é bem-sucedida.
 Em condições de garantia por melhores esforços, as instituições
participantes procuram fazer o melhor trabalho possível, juntos aos
potenciais investidores, para que a operação tenha êxito. No entanto,
nesse caso, não há compromisso de garantia de subscrição à empresa
emissora.
Capitulo 5 – Mercado Secundário
 Depois de finalizada a emissão primária das ações, uma empresa está
habilitada a manter seu registro na bolsa de valores, permitindo aos
acionistas negociar a parte do capital em circulação, isso é o mercado
secundário.
Estrutura da B3 e nível de governança
 Uma bolsa de valores é uma associação constituída por corretores ou
uma empresa cujo objetivo principal é manter um ambiente de
negociação para ações de empresas de capital aberto.
 No Brasil, a B3, resulta da fusão de BM&FBOVESPA S.A. com a Cepit,
é atualmente a única bolsa de valores em operação.
 Sua estrutura conta com ambiente de negociação abrigado em sistemas
eletrônicos de negociação desenvolvida pela própria bolsa.
 O Puma Tranding System é atualmente a plataforma de negociação da
B3. Ela fornece um ambiente de negociação com ações, derivativos e
títulos de dívida nos mercados de bolsa e balcão organizado.
 Fazem parte da B3, atualmente, as seguintes empresas:
 Banco B3 S.A.: Compensação e liquidação financeira de operações.
 BM&F(USA) Inc.: Subsidiária da B3 no mercado internacional.
 BF&FBOVESPA(UK) Ltd.: Subsidiária para promover a B3 junto a
investidores institucionais no mercado internacional.
 Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ): Espaço físico para
promoção de eventos.
 A B3 criou segmentos específicos de acordo com os aspectos de
governança corporativa.
 Segundo a CVM, o alinhamento das companhias brasileiras ao principio
e boas práticas de governança corporativa conduziu a BM&FBOVESPA
a desenvolver segmentos de listagem destinados à negociações de
empresas que comprometessem, voluntariamente, a adotar boas
praticas de governança corporativas e disclouse (transparência) –
adicionais em relação ao exigido pela legislação brasileira.
 Portanto, as regras estabelecidas nos segmentos diferenciados de
governança corporativa atendem aos interesses dos acionistas em
questões não amparadas pela lei das S.A.s.
 Atualmente, os segmentos de listagem são os seguintes:
I. Novo mercado
II. Nível 2
III. Nível 3
IV. Bovespa mais
V. Tradicional
SEGMENTOS NOVO NÍVEL 2 NÍVEL 1 BOVESPA TRADICIONAL
CARACTERÍS MERCADO MAIS
TICAS
Ações emitidas Somente ações Ações Ações Somente ações Permite a
ordinárias ordinárias e ordinárias e ordinárias existência de
preferenciais preferenciais podem ser ordinárias e
com direitos alinhadas à emitidas, mas é preferenciais
adicionais legislação permitida a alinhadas à
existência de legislação.
preferenciais
Percentual 25% 25% de free Não há regra
o
mínimo de free float até o 7
float (ações em ano de listagem
circulação) ou condições
mínimas de
liquidez
Distribuição Esforços de dispersão acionária Não há regra
pública de
ações
Vedação a Limitação de voto inferior a 5% do Não há regra
disposições capital, quórum qualificado e
estatutárias “cláusulas pétreas”
Composição do Mínimo de cinco membros, dos Mínimo de três membros (conforme legislação)
Conselho de quais pelo menos 20% devem ser
Administração independentes, com mandato
unificado de até dois anos
Vedação à Presidente do conselho e diretor-presidente ou Não há regra
acumulação de principal executivo pela mesma pessoa (carência de
cargos três anos a partir da adesão)
Obrigação do Manifestação sobre qualquer oferta Não há regra
Conselho de pública de aquisição de ações da
Administração companhia
Demonstrações Traduzidas para o inglês Conforme legislação
financeiras
Reunião Obrigatório Facultativo
pública anual e
calendário de
eventos
corporativos
Divulgação Política de negociação de valores mobiliários e código Não há regra
adicional de de conduta
informações
Concessão de 100% para 100% para 80% para 100% para as 80% para as
Tag Along ações ações ações ações ações
ordinárias ordinárias e ordinárias em ordinárias ordinárias em
preferenciais linha com a linha com a
legislação legislação
Oferta pública Obrigatoriedad Conforme Obrigatoriedad Conforme Oferta pública
de aquisição de e em caso de legislação e em caso de legislação de aquisição de
ações no fechamento de fechamento de ações no
mínimo pelo capital ou saída capital ou saída mínimo pelo
valor do segmento do segmento valor
econômico econômico
Adesão à Obrigatório Facultativo Obrigatório Facultativo Adesão à
câmara de câmara de
arbitragem do arbitragem do
mercado mercado

 * Tag Along é o mecanismo que garante aos acionistas direitos de


ressarcimento quando o controle da companhia é negociado pelos
acionistas majoritários em um processo de venda da empresa.
Dinâmica das operações à vista
 As operações realizadas no mercado secundário são divididas em
quatro segmentos ou tipos:
1. As operações no mercado à vista, em que acontecem compras e
vendas finais de ações e operações de day trade;
2. As operações do mercado a termo, com a compra e venda de ações
para pagamento a prazo;
3. As operações do mercado de opções de compra e venda nas quais
são negociados direitos de comprar ou vender, nos quais são
negociados direitos de comprar ou vender uma determinada ação em
data futura por um preço preestabelecido.
4. As operações do mercado futuro de ações, que negocia, em
contratos padronizados, ações para liquidação futura.
 A dinâmica das operações no mercado à vista é caracterizada pelos
negócios com ações listadas durante a sessão do pregão.
 Os investidores enviam suas ofertas de compra e venda aos sistemas
de negociação pelas corretoras nas quais tem conta, e estas são
registradas nos livros de ofertas de ações. As transações de compra e
venda ocorre com o fechamento das ofertas no sistema eletrônico.
 A formatação da cotação de uma determinada ação é dada pela oferta e
procura de papéis, refletida no livro de ofertas.
Título objeto
 É uma ação transacionada entre o comprador e o vendedor.
 Pode ser uma ação ON ou uma ação PN.
 São identificadas por um código alfa numéricas com a seguinte
característica de formação: Nome da empresa e tipo de ação.
 Ex.: As ações ON do Banco do Brasil S.A. são identificadas por: BBAS3
(em que BBAS constitui o nome da empresa e o 3 identifica o tipo de
ação, no caso, ON).
Formação de preço e negociação
 Podemos descrever a formação do preço das ações ao longo do dia em
determinado pregão de acordo com o fluxo de ordens de compra e
venda inseridos no sistema de negociação.

Liquidação
 As liquidações físicas e financeiras das ações negociadas no sistema
eletrônico são processadas pelos sistemas de compensação e
liquidação de títulos e valores mobiliários. Esse processo é realizado
pelas Câmeras de Compensação e Liquidação (CCL).
 As CCL são parte do sistema de pagamentos brasileiro (SPB), que
garante a entrega do ativo e seu respectivo pagamento, reduzindo os
riscos operacionais e dando segurança aos sistemas de negociação.
 A compensação das operações de um determinado participante é dada
pela consolidação de suas obrigações (pagamentos e/ou entrega de
títulos) ou direitos (recebíveis financeiras e/ou ativos), de acordo com o
conjunto de operações realizadas.
 A liquidação refere-se ao processo final de extinção das obrigações ou
direito definido pelo processo de compensação. Ambos, compensação e
liquidação, são integrados para viabiliza o fluxo das operações.
Custos de transações
 O custo das transações para um investidor no mercado secundário de
ações é dividido em duas partes:
 Corretagem, pago pelo investidor à corretora;
 Emolumentos, pagos para a bolsa de valores onde a operação foi
registrada.
 Os dois custos são determinados no documento chamando nota de
corretagem, onde contém o recurso das operações realizadas pelo
investidor em determinado pregão e os calores financeiros envolvidos.
Riscos do mercado de ações
 A análise do risco do mercado de ações divide-se em riscos sistemáticos
e não sistemáticos.
 Os riscos sistemáticos são entendidos como os relacionados aos
aspectos macroeconômicos, como taxas de juros, taxa de câmbio, níveis
de preço, produção e emprego na economia que a empresa atua.
 Os riscos não sistemáticos são aqueles associados de forma direta ao
modo como a empresa é gerenciada. As decisões de natureza financeira
e de gestão estratégica dos negócios, além das considerações acerca
do comportamento do mercado especificam onde ele atua a companhia,
são fatores de risco.
 Um investidor, a partir da diversificação de seus investimentos, pode
mitigar parte dos riscos envolvidos nas aplicações em ativos financeiros.
 A avaliação de um portfolio de investimentos em ações envolve três
grandes fases de estudo:
 A análise dos títulos, que trata dos fundamentos de avaliação e da
definição do valor intrínseco dos ativos.
 A análise de carteira, ou portfolios, cujo objetivo é proteger o retorno
esperado e o risco de um conjunto de ativos.
 A seleção das carteiras, em que se estuda a melhor combinação de
alocação de recursos que maximiza o retorno e reduza o risco.
 Modelo de Markowitz – Capital asset princing mode (CAPM):
 Avalia o retorno de ações dadas pela seguinte equação:
K = RF + β . (RM - RF)
K = Retorno esperado para ação.
RF = Taxa de retorno para um ativo livre de risco.
β = Coeficiente beta, mede a correlação entre o retorno da ação e o
retorno do mercado de ações.
RM = Retorno esperado do mercado de ações.
Capítulo 6 – Índices do mercado acionário
 Os índices de ações são a principal estatística produzido ambiente de
negociação de bolsa de valores.
 Os índices são a ferramenta estatística usada para, a partir de um único
número, descrever o comportamento de um conjunto de valores.
Significado dos índices e suas propriedades
 Índices são ferramentas estatísticas com que, a partir de um único
número, medimos o comportamento de um conjunto de informações.
 Aplicamos, na construção de um índice de ações, o conceito estatístico
dos números-índices.
 Um número índice é uma medida estatística idealizada para mostrar as
variações de uma variável, ou de um grupo de variáveis,
correlacionadas ao tempo, à localização geográfica, ou a outras
características, como rendimento, profissão, etc. Como coleção de
números-índices de diversos anos, localidades, etc., é frequentemente
denominada série de índices.
 Esse tipo de ferramenta é usado para indicar uma variação relativa no
preço, na quantidade ou no valor de um conjunto de ações.
 Os números-índices estão divididos em dois grupos:
I. Números-índices simples
II. Números-índices compostos
 Os simples servem para avaliar a variação relativa de um único item, ou
variável econômica entre dois períodos.
 Os compostos, servem para indicar a variação relativa no preço, na
quantidade ou no valor de um grupo de itens.
 Os números-índices simples são comparações de valores em dois
diferentes períodos, conceitualmente denominados de relativo (relação).
Calculo:
P(0,t) = Pt / P0 x 100
P(0,t): Relativo de preço de período “t”, tomando-se com base o período
“0”;
Pt: Preço do período “t”;
P0: Preço do período “0”;
 Ex.: Se o preço de uma determinada ação no fechamento do pregão de
11/08/2016 foi igual a R$34,50 e no pregão de 15/05/2018 a cotação foi
igual a R$44,80, o relativo de preço da cotação em 11/08/2016, tomando
como base 15/05/2018, será:
P(15/05/2018,11/08/2016) = 44,80 / 34,50 x 100 = 129,86
 O relativo de 129,86 significa, se consideramos a cotação em
11/08/2016, data base, como equivalente a 100,00, a cotação em
15/05/2018 seria de 129,86.
 Na forma de números relativos, a identificação da variação percentual no
período é mais simples. Nesse caso, o preço da ação variou +29,86%
no período (129,86 – 100,00).
 Valor percentual seria:
∆%(11/08/2016,15/05/2018) = [(R$44,80 – R$34,50) / R$34,50] x 100 = 29,86%
 Na construção de índices do mercado de ações, a metodologia aplicada
é a dos números-índices compostos.
 Isto acontece, porque a maioria dos índices econômicos, e neles
incluímos os índices de ações, envolve a avaliação simultânea de
variações de preço ou de quantidades de mais de um item.
 Nesse sentido, há varias formas de avaliação da variação de preços
entre os dois diferentes períodos, temos:
 Os índices agregativos simples utilizam-se de critérios de média para
definir o valor do índice. Assim, pode-se calcular o inicio usando uma
média aritmética, harmônica, ou geométrica do conjunto de relativos
simples.
 Os índices agregativos ponderados tomam critérios de ponderação
para os itens de sua composição, nesse caso, cada item tem um
peso aplicado ao relativo simples.
 Matematicamente, os números-índices têm quatro propriedades:
a. Identidade;
b. Reversibilidade no tempo;
c. Propriedade cíclica;
d. Propriedade cíclica modificada;
 Quando a construção é simples, ou seja, observa-se o comportamento
temporal de um único item, o relativo atende a todas as propriedades
matemáticas.
 No entanto, quando se trata de número-índices compostos, as
propriedades não são plenamente atendidas.
 Pois, não existe um índice considerado perfeito, ou uma forma definitiva
para quantificar, de modo inequívoco e exato, as variações de preço e
de quantidades, especialmente quando os índices se referem não a um,
mas a um conjunto de bens.
 Quanto aos índices de ações, as principais metodologias ponderadas
estão descritas no quadro a seguir:

 Considerando-se esse aspecto, há uma variedade de metodologias


aplicados na construção dos índices compostos.
Ibovespa
 Desde 1968, é o indicador tradicional da lucratividade média do
mercado, utilizado, para tanto, uma carteira teórica de ações, composta
pelos papéis de maior representatividade em termos de volume e
número de negócios, na B3.
 O modo de seleção das ações leva em consideração apenas aquela
que, em conjunto, representam 80% do volume negociado à vista na
Bolsa, nos 12 últimos meses, e tenham presença mínima em pelo
menos 80% de seus pregões.
 Estabelecidas as ações componentes da carteira, define-se a
participação relativa (peso) de cada uma, com base em seu volume
negociado nos 12 meses anteriores.
 Com a participação relativa de cada ação, determina-se a quantidade
teórica que permanecerá inalterada durante todo quadrimestre, salvo na
hipótese de distribuição de proventos – dividendos, bonificação e
subscrição.
 Nesse caso, ajusta-se a quantidade teórica, mantendo o mesmo valor
aplicado na ação.
 O procedimento, por conseguinte, equivale a vender as ações com
direito e aplicar a totalidade dos recursos nas mesmas ações, porém,
sem o direito. Dessa maneira, o procedimento não modifica o peso de
uma ação no índice.
 Para manter a consistência do índice, a cada quatro meses é realizado
uma revisão da carteira, sempre com base no volume e na quantidade
de negócios efetuados nos 12 meses precedentes. Nesse procedimento,
são revistas não só as ações componentes dos índices, como também a
participação relativa de cada uma.
 Desse modo, considera-se que todo a carteira é vendida no mercado, no
último dia de cada quadrimestre, e com os recursos obtidos são
compradas novas ações. Portanto, o percentual de recursos a serem
aplicados em cada ação deve ser exatamente igual à nova participação
relativa estabelecida.
 As novas quantidades teóricas são determinadas dividindo-se o valor
investido em cada ação pela última cotação praticada.
 Embora ocorre a reconstituição da carteira a cada quatro meses, no
curto prazo, não é observados modificações radicais em sua
composição, seja quanto às ações, seja quanto as suas participações
relativas.
 Por fim, a partir de 2012, a BM&FBovespa criou um grupo de trabalho
para estudar modificações na metodologia de cálculo da Bovespa. As
principais modificações introduzidas foram:
 Forma de ponderação, que passou a ser realizada pelo “free float”
com cap de liquidez de duas vezes.
 O calculo do Índice de negociabilidade (IN) passou a considerar 1/3
da participação no número de negócios e 2/3 da participação de
volume financeiros.
 O corte IN, para efeito de seleção de outros para carteira de índice,
foi elevado de 80% para 85%.
 Exigência de presença mínima nos pregões foi de 80% para 95%.
 Foi incluída previsão de inclusão antecipada de ativos de emissão de
empresas listadas durante o período de vigência das suas carteiras
anteriores à vigência.
 Foi incluída a determinação de não inclusão de ativos classificados
com “Penny Stock” (cotação em centavos).
 Foi incluída previsão de exclusão quando o ativo estiver classificado
acima dos 90% do IN na ocasião das avaliações periódicas.
 Foram explícitos os critérios de inclusão de permanência na carteira
um caso de suspensão de negociação de ativo.
 Foi introduzido um limite de participação por empresa na carteira.
IBrX100
 Um índice amplo.
 Índice constituído com base na cotação dos 100 ativos com maior
negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro.
 O objetivo é indicar o desempenho das principais empresas negociadas
na B3.
 São negociados na B3 e não estão incluídas empresas em regime de
administração temporária especial, em recuperação judicial ou
extrajudicial e também os BDRs.
IBrX50
 Um índice amplo.
 Seu objetivo é indicar o desempenho das 50 principais empresas
negociadas na B3.
 É um indicador do mercado de ações de um grupo menor e mais
simples de ser replicado pelos administradores de fundos de
investimentos.
 Assim como o Ibovespa e o IBrx100, são benchmarks úteis para
montagem de carteiras de investimentos.
Itag
 Atualmente a B3 calcula e divulga índices em sete categorias diferentes.
São índices amplos, de governança, de segmentos, de sustentabilidade,
setoriais, de mercado, entre outros.
 Tag Alone Diferenciado (Itag) é um dos principais índices de
governança.
 O Tag Along é uma pratica de tratamento diferenciado para proteger os
acionistas minoritários nas empresas.
 Normalmente, acionistas de companhias com controle acionário dividido
em majoritário (grupo de controle) e minoritário (público) enfrentam
problemas relacionados principalmente à extensão de direitos quando a
empresa muda de controle.
 Nas regras de adesão aos critérios de governança corporativa existentes
no mercado de ações é mantidas pela B3, algumas empresas oferecem
tratamento diferenciado aos seus sócios minoritários. Essas empresas
são elegíveis, pela questão de governança, a fazer parte do Itag.
ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial)
 Pioneira na América Latina de mensurar empresas com práticas
sustentáveis.
 Ele mede o desempenho de empresas listadas na B3 sob o aspecto de
práticas de sustentabilidade corporativa, eficiência econômica, justiça
social, governança corporativa e equilíbrio ambiental.
 A iniciativa de criação desse índice é fruto de uma parceria entre o
Internacional Finance Corporation (IFC) braço financeiro do banco
mundial, entidades de mercado de capitais e a Fundação Getúlio Vargas
(FGV), a partir do Centro de Estudos sobre Sustentabilidade.
 A composição da ISE é definida pelo conselho de liberativo, que
seleciona no máximo 40 empresas.
Capítulo 7 – Debêntures e Commercial paper
 As fontes de recursos financeiros para uma empresa podem ser:
 Recursos próprios: advêm de capitais dos sócios e recursos
mantidos sob a forma de reservas nas empresas.
 Recursos de terceiros: podem ser obtidos via instituições financeiras,
na forma de empréstimos e financiamento ou oriundos de emissão
própria de títulos representativos de dívidas.
 Recursos de instituições financeiras exigem garantias das empresas
tomadoras, tornando assim limitadas. Além de prazos menores em
relação à emissão própria de títulos de dívida no mercado de capitais.
 No mercado de capitais brasileiro, os dois principais instrumentos de
captação utilizados pelas empresas são as debêntures e os commercial
papers (notas promissórias).
Conceito de debêntures
 Uma debênture (obrigação) é um título emitido por uma empresa S.A.
para captar recursos financeiros de longo prazo.
 É um compromisso de pagamento junto ao seu proprietário denominado
debenturista, do valor financeiro principal acrescido de uma
remuneração durante o tempo de duração do título.
 Pode ser pré-fixada ou pós-fixada.
 O titular (debenturista) tem um crédito contra a empresa emissora, por
essa razão, a debênture é classificada contabilmente como um passivo
não circulante – capital de terceiros -, viabilizando o planejamento
financeiro do longo prazo da empresa.
 As principais destinações dos recursos captados pelas empresas com
emissão de debêntures são:
 Investimentos de longo prazo;
 Fusões e aquisições;
 Alongamento do perfil do endividamento;
 Redução de custo médio ponderado do capital;
 Aumento do capital de giro;
 No Brasil, as debêntures, segundo estatísticas da CVM, são o principal
valor mobiliário utilizado pelas empresas para captar recursos.
Características das debêntures
 As debêntures são ativos financeiros classificados como valores
mobiliários e têm características de emissão, remuneração, garantias e
negociação secundária, similares a outras instituições financeiras, como
os CDBs, os RDBs, etc.
 São títulos de baixa liquidez em negociações secundárias.
 Seu prazo de emissão é longo, ou seja, superior a três anos, podendo
chegar até 15 anos ou 20 anos.
 A debênture é configurada por um contrato de mútuo pactuado pela
companhia emissora e os compradores.
 Esse contrato é denominado escritura da debênture, sendo registrado
em cartório e contendo todas as informações sobre os direitos e
obrigações das partes na operação de empréstimo.
 Existem debêntures emitidas com garantia ou sem garantia.
 Com garantia podem ser:
 Com garantia real: quando a empresa oferece um ou mais ativos
como garantia, caso não efetue o pagamento o ativo pode ser
vendido. Nesse caso, os ativos não podem ser alienados pela
empresa sem a aprovação dos debenturistas. A garantia real é
vinculada à debênture.
 Com garantia flutuante: quando a empresa oferece um ou mais
ativos como garantia, porém eles pedem ser alienados pela
empresa sem aprovação dos debenturistas. Nesse caso, outro
ativo deve ser colocado como garantia em substituição ao
vendido.
 Sem garantia temos:
 Debêntures quirografárias: aqueles cujo montante total de
emissão não pode ultrapassar o valor do capital social da
empresa.
 Debêntures subordinadas: aquelas cujo montante total de
emissão não tem limite estabelecido.
 No caso da empresa possuir debêntures quirografárias e subordinadas e
não honrar seus compromissos financeiros, as quirografárias têm
preferência de recebimento em relação às subordinadas.
 As debêntures podem ser também:
 Simples: quando preveem apenas o pagamento de principal
acrescido de juros.
 Conversíveis: quando podem ser convertidas em ações da empresa
ou de empresas coligadas, por regras definidas na escritura de
emissão.
Emissão
 Segue as seguintes etapas:
I. Aprovação em Assembleia Geral de Acionistas ou pelo conselho
de administração da empresa sobre a emissão de debêntures.
II. Contratação de instituição financeira para coordenar o processo
de oferta pública de debêntures.
III. Envio de documentação sobre a emissão para o órgão regulador
do mercado de capitais (CVM) para aprovação.
IV. Contratação de uma empresa de classificação de risco pra
estabelecer o rating das debêntures.
V. Divulgação da operação aos participantes do mercado de capitais
pela publicação do prospecto de emissão.
VI. Liquidação Financeira da operação e definição do agente
fiduciário responsável pelos interesses dos debenturistas junto à
empresa.
 Após finalização do processo, as debêntures passam a fazer parte do
estoque de valores mobiliários em circulação e podem ser negociados
no mercado secundário pelos investidores.
Cálculos de debêntures
 A definição dos critérios de remuneração é estabelecida em
metodologias na escritura de emissão.
 Por ser um título de crédito de longo prazo, normalmente há correção
monetária por indexador acrescido de juros.
 As metodologias de remuneração podem ser divididas em duas
categorias:
 A remuneração por um percentual de determinado benchmark como
a taxa DI (Depósitos Interfinanceiros);
 A correção monetária da debênture acrescida de taxa de juros fixa.
 Na primeira metodologia podemos considerar o seguinte exemplo, uma
empresa emite uma debênture, com prazo de vencimento de 5 anos,
com um valor nominal de emissão de R$10.000,00 por debênture e
remuneração de 115% da Taxa de DI apurado diariamente.
 Nesse caso, o investidor vai receber 15% além da taxa DI observado no
período de cinco anos.
 Supondo que durante os cincos anos a taxa acumulada DI acumulado
seja de 50% no período:
Valor de regaste = Valor nominal de emissão * {1+[(DIacm/100) *
(PercentualDi/100)]}
Ex.: Valor de resgate = R$ 10.000,00 * {1+[(50/100) * (115/100)]} = R$
15.750,00
 Nesse caso, como a remuneração e de 115% da taxa DI acumulado, o
valor de remuneração é de R$5.750,00 (50% = R$ 5.000,00 + 15% = R$
750,00).
 Na segunda metodologia de calculo, temos uma taxa de juros fixa.
Valor de regaste = valor nominal de emissão * (1 + i)^n * (1 +
Indexadoracm)
 Como exemplo, teremos uma debênture de 4 anos, com valor nominal
de emissão de R$100.000,00 e remuneração fixa de juros de 10% ao
ano com correção monetária pelo IPCA acumulado no período. Vamos
dizer que o IPCA acumulado foi de 25%.
Valor de resgate = R$100.000,00*(1+0,10)^4 * (1+0,25) = R$183.012,50
 As debêntures podem ser negociadas pelos investidores antes de seu
vencimento no mercado secundário.
 Essas negociações entre investidores não altera o compromisso da
empresa, apenas ocorre à troca de titularidade da debênture.
 As condições de valor para essa troca estão atreladas aos níveis de
taxas de juros vigentes no mercado.
 Se as taxas de juros e outros fatores, como risco da empresa, sofrerem
alteração em relação ao momento de emissão do título, o valor de
debênture será diferente daquele indicado pela sua remuneração.
 As debêntures têm um valor dado pela sua remuneração denominada
“preço de curva” e outro valor obtido das taxas de juros praticadas no
mercado no qual elas podem ser negociadas denominado “preço de
mercado”.
 As carteiras de investidores, com aplicações em diversos ativos, entre
eles as debêntures, utilizam os conceitos de “preço de curva” e “preço
de mercado” na contabilização do valor desses ativos, ou seja, o
procedimento denominado “marcação a mercado”.
Commercial paper
 É uma denominação oriunda dos mercados financeiros internacionais
dada a um título de dívida, conhecida no Brasil como nota promissória
ou nota comercial.
 Ele é emitido por empresas constituídas na forma de S.A. abertas e
fechadas e sociedades limitadas.
 As principais motivações para emiti-los estão relacionados ao
planejamento financeiro de curto prazo, pois esse tipo de título de dívida
é emitido para prazos inferiores a 360 dias (1 ano).
 Exige aprovação da CVM e segue o mesmo roteiro de etapas de uma
debênture.
Conceito de comercial paper
 É um valor mobiliário, representativo de dívida, emitido por companhias
constituídas como S.A.s ou sociedades limitadas, nas quais seu
proprietário tem crédito contra a empresa emissora.
 Embora, em geral, apenas as companhias de maior porte, com ações e
bolso de valores, tenham acesso a esse tipo de recurso, as estatísticas
da CVM, contidos no boletim de mercado nº 56, apontam pra estoque
em 2017 de R$ 22 bilhões.
Aspectos legais
 O commercial paper é regulamentado pela lei 6.385/76, que criou a CVM
e disciplinou o mercado de capitais no Brasil.
 A instrução CVM nº 566, de 31/07/2015, estabeleceu as normas e os
procedimentos para emissores de commercial papers.
 Em resumo, a instrução define os parâmetros sobre os prazos de
emissão, características das informações contidas no prospecto de
emissão, atuação dos agentes financeiros participantes, etc.
Capitulo 8 – Securitização
 Consiste na emissão de títulos – debêntures, CRAs, CRIs, fundos de
investimentos em direitos creditórios (FIDC), etc – com lastro em fluxo
de caixa das contas a receber das empresas que são origem aos títulos.
 Por causa das restrições impostas pelo mercado de crédito bancário e
das altas taxas de juros, as operações de securitização são a forma
alternativa de as empresas otimizarem sua gestão financeira e captarem
recursos.
 No Brasil, a securitização de recebíveis apresenta crescimento
consistente desde os anos 1990 e várias empresas têm recorrido a esse
tipo de operação.
 Antes restritiva a empresas não financeiras, atualmente, a liquidação
brasileira foi alternada, permitindo-se às instituições financeiras vender
parte de seus ativos em operações de securitização de recebíveis.
 Nesse contexto, com a securitização, por um lado, temos a possibilidade
de redução de risco de crédito pelo processo de diversificação de uma
carteira de recebíveis de uma empresa e, por outro, uma nova
alternativa de aplicação de recursos por investidores.
Securitização de recebíveis
 Um recebível é qualquer título que represente um direito de crédito
originário de uma venda a prazo de imóveis, serviços ou bens de
consumo.
 Derivado da língua inglesa securities, cuja tradução é título ou valor
mobiliário.
 É a emissão de um título cujo lastro são fluxos de caixa de contas a
receber.
 Ex.: Uma empresa não financeira, por exemplo, uma loja de
departamentos, tem uma série de créditos a receber oriundos de vendas
a prazo. Isso significa um volume financeiro de recursos alocados em
um ativo circulante denominado “contas a receber”. Para financiar esse
ativo, são necessárias recursos, ou seja, capital próprio ou capital de
terceiros.
 A capacidade de expandir suas vendas a prazo está limitada ao volume
de recursos existentes em sua estrutura. Se ela quiser expandi-las,
precisara de mais recursos.
 Esses recursos podem ser obtidos de modo tradicional, de duas
maneiras:
I. Via aportes de capital dos proprietários;
II. Com captação de recursos junto ao sistema financeiro em
operação de empréstimo ou emissão de títulos de dívida.
 Nas duas situações, a empresa, representará o risco para os credores.
Isso porque os recursos, tanto próprios como de terceiros, foram
cedidos à empresa.
 Assim, a securitização é uma alternativa para gerenciar essa
necessidade de captação de recursos (funding) da empresa.
 Para isso, a loja de departamento cria uma empresa para fazer a
securitização, ou seja, uma Sociedade de Propósito Especifica (SPE).
Nesse caso, o propósito especifico é a transformação dos fluxos de
caixa a receber da empresa (recebíveis) em títulos de crédito e a sua
posterior venda a investidores no mercado de capitais.

 Em resumo, a loja de departamento levanta recursos com a venda de


seus ativos para a empresa securitizadora. Esta vende esses ativos na
forma de um valor mobiliário, cujo risco de crédito são os clientes da
originadora – dispersos em uma carteira de crédito – para investidores.
 Os agentes e as terminologias envolvidas na securitização de
recebíveis.
I. Originador dos créditos – empresa que vende seus recebíveis
(carteira de crédito) à Sociedade de Propósito Especifico (SPE).
II. Sociedade de Propósito Especifico (SPE) – empresa criada para
comprar os créditos e transforma-los em valores mobiliários.
III. Valor mobiliário – ativo financeiro emitido pela SPE para captar
recursos com investidores.
IV. Fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) – são
fundos constituídos com a mesma finalidade das SPEs; nesse
caso, emitem cotas lastradas nos recebíveis.
V. Servicer – empresa especializada em classificação de risco
(rating), auditoria e administração dos recebíveis de
securitizadora.
VI. Agente fiduciário (trustee) – responsável pelo gerenciamento do
caixa do SPE ou do FIDC.
 Os tipos de ativos de empresas mais securitizáveis são:
 Vendas a crédito;
 Faturas de cartão de crédito;
 Carteiras de crédito de instituições financeiras;
 Mensalidades escolares;
 Contas de serviços públicos (água, luz, etc.), quando geradas e
administradas por empresas privadas;
 Exportações;
 Pedágios de rodovias;
 Contratos de locação ou de venda de imóveis.
]
Securitização Imobiliária
 É o processo de emissão de valores mobiliários com lastro em
hipotecas.
 As hipotecas são transferidas para uma SPE ou em FIDC criado para
assumir os créditos hipotecários e emitir valores mobiliários com o
mercado de capitais. Dessa forma, obtém o funding para expandir as
operações no segmento imobiliário.
 O marco regulatório brasileiro sobre a securitização no segmento
imobiliário tem inicio com a lei nº 9.514/97, que institui as companhias
securitizados de crédito imobiliário e com a resolução nº 2.907 do CMN,
que autoriza a constituição dos FIDC.
 O valor mobiliário emitido pelas companhias securitizadoras de crédito
imobiliário é o CRI, regulado pela ICVM nº 414/04.

 Atualmente, os CRIs têm sido atrativos aos investidores pessoas físicas


pela isenção tributarias:
 Podem ser pré-fixadas ou pós-fixadas com base na taxa DI ou na
variação de indicadores de preço acrescidos de juros fixos.
 Não são permitidas as emissões com remuneração vinculada à
variação cambial.
Fundos Imobiliários (FII)
 A lei nº 8.668/93 e a Instrução normativa da CVM nº 472 e suas
atualizações regulamentam os fundos de Investimento Imobiliários (FII)
no Brasil.
 Esses fundos são uma modalidade de investimento na qual os recursos
obtidos com a venda das cotas representativas de valores mobiliários
são investidos em empreendimentos imobiliários.
 Os FII podem adquirir os seguintes ativos:
 LH
 Direitos reais sobre bens imóveis
 Ações, debêntures, notas promissórias e outros valores mobiliários
registrados na CVM com atividades relacionadas ao setor imobiliário.
 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac).
 CRI
 Cotas de FIDC
 LCI
 Letras imobiliárias Garantidas (LIG)
 Cotas de outros FII
 Uma das principais vantagens do FII é a possibilidade de investir valores
relativamente pequenos no mercado imobiliário. Isso é passível, pois o
fundo investe em ativos imobiliários, sem a parte burocrática tradicional
das transações com imóveis físicos, transformando-se em uma
aplicação financeira com risco pulverizado.
 A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de
Capitais (ANBIMA) desenvolveu uma classificação para caracterizar os
FII. A Classificação está dividida em duas categorias, de acordo com os
critérios de alocação – denominados mandato – e de tipo de gestão.
 Com relação aos critérios de alocação (mandato), os FII podem ser
classificados como:
a. FII de desenvolvimento para renda – aqueles que investem acima 2/3
de seu patrimônio em imóveis físicos em fase de projeto ou
construção com proposito de gerar renda futura aos cotistas.
b. FII de desenvolvimento para venda – investem acima de 2/3 de seu
patrimônio na aquisição de empreendimentos para posterior
alienação.
c. FII de renda – investe acima de 2/3 de seu patrimônio na aquisição
de empreendimentos construídos para geração de renda com
locação ou arrendamento.
 Em relação ao tipo de gestão, temos:
I. Fundos de gestão passiva – aqueles que têm por objetivo
performar a partir de um determinado benchmark ou que
especificam em seus regulamentos qual a composição de sua
carteira de imóveis.
II. Fundos de gestão ativa – todo e qualquer fundo que não tenha
gestão passiva.