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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 3.0

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CURSO DE
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA

MÓDULO I

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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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SUMÁRIO

MÓDULO I
1 HISTÓRIA DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
1.1 NORMATIZAÇÃO E REGULAÇÃO DO SAMU
2 SISTEMA DE ASSISTÊNCIA ÀS EMERGÊNCIAS
2.1 O SOCORRISTA
2.1.1 Atribuições e Responsabilidades dos Socorristas
3 PRECAUÇÕES UNIVERSAIS
3.1 NOÇÕES FUNDAMENTAIS
4 INTRODUÇÃO A ANATOMIA E FISIOLOGIA
4.1 SISTEMAS DO CORPO HUMANO
4.1.1 Sistema Musculoesquelético
4.1.2 Sistema Nervoso
4.1.3 Sistema Cardiovascular
4.1.4 Sistema Respiratório
4.1.5 Sistema Digestório
4.1.6 Sistema Urinário
4.1.7 Sistema Reprodutivo
4.1.8 Sistema Endócrino
4.1.9 Sistema Tegumentar

MÓDULO II
5 FERIDAS
5.1 FERIDAS FECHADAS
5.2 FERIDAS ABERTAS
5.3 FERIDAS PERFURANTES
5.4 AVULSÕES
5.5 AMPUTAÇÕES TRAUMÁTICAS

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5.6 EVISCERAÇÃO
5.7 LESÕES OCULARES
5.8 ESMAGAMENTO
6 AVALIAÇÃO DA VÍTIMA
6.1 EXAME DA CENA
6.1.1 Segurança
6.1.2 Mecanismo do Trauma
6.1.3 Número de Vítimas
6.2 AUTOPROTEÇÃO
6.3 EXAME DA VÍTIMA
6.3.1 Nível de Consciência
6.3.2 Avaliação da Vias Aéreas com Estabilização Cervical
6.3.3 Respiração
6.3.4 Circulação
6.4 DECISÕES CRÍTICAS E DE TRANSPORTE
6.5 EXAME SECUNDÁRIO
7 RESPIRAÇÃO
7.1 ABERTURA DAS VIAS AÉREAS
7.1.1 Abertura da Boca
7.1.2 Inclinação da Cabeça e Elevação do Queixo
7.1.3 Elevação da Mandíbula
7.1.4 Elevação da Mandíbula Modificada
7.2 RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL
7.2.1 Ventilação Boca a Boca
7.2.2 Ventilação Boca-Nariz
7.2.3 Ventilação Boca-Máscara
7.2.4 Ventilação Bolsa-Máscara (Ambú)
8 OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
8.1 VÍTIMAS CONSCIENTES
8.2 VÍTIMAS INCONSCIENTES
9 CIRCULAÇAO
9.1 PARADA CARDÍACA

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9.2 RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR
9.2.1 Compressões Torácicas
9.3 TÉCNICAS DE RCP PARA BEBÊS E CRIANÇAS
9.4 DESFIBRILADOR SEMIAUTOMÁTICO
9.4.1 Operação do Desfibrilador Semiautomático
10 AFOGAMENTOS E ACIDENTES DE MERGULHOS
10.1 CLASSIFICAÇÕES DO AFOGADO
10.2 ABORDAGEM E CONDUTA
11 TRAUMAS
11.1 TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO (TCE)
11.1.1 Lesões no Couro Cabeludo
11.1.2 Fraturas de Crânio
11.1.3 Lesões Cerebrais
11.1.4 Avaliação e Abordagem da Vítima
11.1.5 Escala de Coma de Glasgow
11.2 TRAUMATISMO DA COLUNA VERTEBRAL
11.2.1 Mecanismos Específicos de Lesão
11.2.2 Avaliação e Abordagem da Vítima
11.2.3 Imobilização da Coluna Vertebral
11.3 TRAUMATISMO DE TÓRAX
11.3.1 Fratura de Costelas
11.3.2 Tórax Instável
11.3.3 Contusão Pulmonar
11.3.4 Pneumotórax Hipertensivo
11.3.5 Pneumotórax Aberto
11.3.6 Contusão Cardíaca
11.3.7 Tratamento e Condutas
11.4 TRAUMA DE ABDOME
11.4.1 Traumatismos Fechados
11.4.2 Traumatismos Penetrantes
11.4.3 Abordagem e Condutas
11.5 TRAUMA MUSCULOESQUELÉTICO

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11.5.1 Fraturas Abertas e Fechadas
11.5.2 Luxações
11.5.3 Entorses
11.5.4 Distensões
11.5.5 Amputações Traumáticas
11.5.6 Abordagem e Condutas (Gerais)
11.5.7 Condutas nas Amputações
12 IMOBILIZAÇÕES
12.1 EQUIPAMENTOS DE IMOBILIZAÇÃO
12.1.1 Colar Cervical e Imobilizador Lateral
12.1.2 Prancha Longa
12.1.3 KED
12.2 TÉCNICAS DE IMOBILIZAÇÃO
12.2.1 Rolamento de 90 Graus
12.2.2 Rolamento de 180 Graus
12.2.3 Elevação a Cavaleiro
12.2.4 Imobilização com a Vítima Sentada
13 PARTICULARIDADES NO ATENDIMENTO DE BÊBES E CRIANÇAS

MÓDULO III
14 HEMORRAGIA
14.1 CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS
14.1.1 Hemorragias Externas
14.1.2 Hemorragias Internas
14.2 CONSEQUÊNCIAS DAS HEMORRAGIAS
14.3 RECONHECIMENTO DAS HEMORRAGIAS
14.4 ABORDAGEM DA VÍTIMA E CONDUTAS (HEMORRAGIAS EXTERNAS)
14.5 CONTROLE DAS HEMORRAGIAS INTERNAS
15 CHOQUE
15.1 CHOQUE HIPOVOLÊMICO
15.2 CHOQUE CARDIOGÊNICO

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15.3 CHOQUE ANAFILÁTICO
15.4 CHOQUE NEUROGÊNICO
15.5 CHOQUE SÉPTICO
15.6 TRATAMENTO DO CHOQUE
15.6.1 Transfusões
15.6.2 Soluções Cristaloides
15.6.3 Soluções Coloides
15.7 ACESSO VENOSO
15.7.1 Técnica de Punção Venosa
16 QUEIMADURAS
16.1 CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS
16.1.1 Quanto à Profundidade
16.1.2 Quanto à Extensão
16.1.3 Quanto à Localização
16.2 QUEIMADURAS TÉRMICAS
16.2.1 Conduta
16.3 QUEIMADURAS QUÍMICAS
16.3.1 Condutas
16.4 QUEIMADURAS ELÉTRICAS
16.4.1 Condutas
17 EMERGÊNCIAS AMBIENTAIS
17.1 EMERGÊNCIAS CAUSADAS PELO CALOR EXCESSIVO
17.1.1 Insolação
17.1.2 Intermação
17.2 EMERGÊNCIAS CAUSADAS PELO FRIO
17.2.1 Hipotermia
17.2.2 Congelamento

MÓDULO IV
18 DIMINUIÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA
18.1 ABORDAGEM E CONDUTA

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19 SÍNCOPE
20 CONVULSÃO E EPILEPSIA
20.1 ABORDAGEM E CONDUTA
21 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE)
21.1 CAUSAS DO AVE
21.2 FATORES DE RISCO
21.3 SINAIS E SINTOMAS DO AVE
21.4 ABORDAGEM E CONDUTA
22 ANGINA DE PEITO
23 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM)
23.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
23.2 ABORDAGEM E CONDUTAS
24 O PACIENTE DIABÉTICO NA EMERGÊNCIA
24.1 O DIABÉTICO NA EMERGÊNCIA COM INFECÇÃO
24.1.1 Pneumonia na Comunidade
24.1.2 Infecção Urinária
24.1.3 Infecção de Partes Moles
24.2 DESCOMPENSAÇÃO DIABÉTICA
24.3 DIABÉTICO COM DISTÚRBIO NEUROLÓGICO
24.3.1 Com Déficit de Consciência
24.3.2 Sem Déficit de Consciência
24.4 DIABÉTICO COM DISTÚRBIO CARDÍACO
24.5 DIABÉTICO COM UREMIA NA EMERGÊNCIA
25 O PACIENTE ALCOOLISTA NA EMERGÊNCIA
25.1 CARACTERÍSTICAS E FARMACOCINÉTICA DO ETANOL
25.2 PACIENTE ETILISTA COM PROBLEMAS NEUROLÓGICOS NA
EMERGÊNCIA
25.3 PACIENTE ETILISTA COM PROBLEMAS CARDIOVASCULARES NA
EMERGÊNCIA
25.4 PACIENTES ETILISTA COM SINTOMAS GASTROINTESTINAIS NA
EMERGÊNCIA
25.5 PACIENTE ETILISTA COM SINTOMAS RESPIRATÓRIOS NA EMERGÊNCIA

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25.6 SINTOMAS E SINAIS ASSOCIADOS AO USO DE ETANOL

MÓDULO V
26 INTOXICAÇÕES
26.1 INTOXICAÇÕES POR INGESTÃO
26.2 INTOXICAÇÃO POR INALAÇÃO
26.3 INTOXICAÇÃO POR ABSORÇÃO (CONTATO)
27 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS
27.1 ENVENENAMENTO OFÍDICO
27.1.1 Micrurus (Corais)
27.1.2 Crotalus (Cascavéis)
27.1.3 Bothops (Jararacas)
27.1.4 Lachesis (Surucucus)
27.1.5 Condutas
27.2 ACIDENTES COM ARANHAS
27.3 ACIDENTES COM ESCORPIÃO
27.3.1 Reconhecimento
28 RAIVA
28.1 CONDUTAS
29 TRIAGEM E SITUAÇÕES ESPECIAIS
30 RESGATE E TRANSPORTE
30.1 EXTRICAÇÃO
30.1.1 Indicações
30.1.2 Técnica de Extricação
30.2 TRANSPORTE DE EMERGÊNCIA
30.2.1 Técnicas com um Socorrista
30.2.2 Técnicas com Dois ou Mais Socorristas
30.2 EQUIPAMENTOS DE EXTRICAÇÃO E TRANSPORTE
31 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MÓDULO I

1 HISTÓRIA DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

O atendimento de emergência surgiu da necessidade da retirada e


assistência de combatentes feridos em campos de batalha. Foi a partir das guerras
que desenvolveu e iniciou-se o emprego de transporte de tração animal, e
atualmente o emprego de sofisticados aparelhos e veículos de locomoção aérea ou
terrestre. Nos dias de hoje, este tipo de assistência é de grande importância no
atendimento à população, carente de cuidados imediatos, no transcorrer do seu
cotidiano.
Atendimento pré-hospitalar (APH) é definido como o conjunto de
procedimentos técnicos realizados no local da emergência e durante o transporte,
com objetivo de manter a vida da vítima, até a chegada em uma unidade hospitalar.
E emergência é uma situação crítica, acontecimento perigoso ou fortuito incidente.
No Brasil, os primeiros registros acerca do serviço de atendimento pré-hospitalar
datam de 1893, quando o Senado da República aprovou uma lei que pretendia
estabelecer o socorro médico de urgência na via pública, no Rio de Janeiro, no
momento capital do país.
Em 1899, o Corpo de Bombeiros (CB), pertencente à capital do país,
colocava em ação a primeira ambulância (de tração animal) para realizar o
atendimento de urgência, fato este que caracteriza sua tradição na prestação desse
serviço. Em meados de 1950, instala-se o Serviço de Assistência Médica Domiciliar
de Urgência (SAMDU), na cidade de São Paulo, órgão da então Secretaria Municipal
de Higiene.
A partir da década de 80, o atendimento pré-hospitalar passou a ser aplicado
de forma mais sistematizada pelo Corpo de Bombeiros, os quais deram início à
estruturação dos Serviços de Atendimento Pré-Hospitalar (SvAPH). Paralelamente
aos Serviços de Atendimento Pré-Hospitalar, foi iniciado em 1988, pelo Corpo de

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Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, o socorro extra-hospitalar aeromédico.
Outro modelo proposto pelo Ministério da Saúde (MS) consiste no Sistema
Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (SIATE), implantado
inicialmente em 1990, o atendimento era realizado pelos socorristas do Corpo de
Bombeiros e médicos dentro do sistema regulador. O SIATE serviu de modelo para
uma reestruturação do atendimento pré-hospitalar em nível nacional.
Iniciou a partir de 1990 com a criação do Programa de Enfrentamento às
Emergências e Traumas (PEET) pelo Ministério da Saúde, cujo objetivo era a
diminuição da incidência e morbimortalidade por agravos externos por meio de
intervenção nos níveis de prevenção, atendimento hospitalar, atendimento pré-
hospitalar e reabilitação.
Em meados de 1995, iniciou-se a implantação do SAMU. Este serviço pré-
hospitalar desenvolvido no Brasil tende-se a basear no modelo americano ou
francês. O SAMU do sistema francês foi criado por anestesistas e intensivistas
devido à necessidade da assistência pré-hospitalar dos pacientes que chegavam ao
hospital com agravo do caso ou mesmo mortos, por não receberem atendimento
precoce e adequado.
Esse sistema tem como referencial o médico, tanto na regulação do sistema,
como no atendimento e monitorização do paciente, até a recepção hospitalar. É um
serviço ligado ao Sistema de Saúde, hierarquizado e regionalizado, possuindo
comunicação direta com os Centros Hospitalares. Já o sistema norte-americano
trabalha com paramédicos, os quais passam por um período de formação de três
anos após o segundo grau. A implantação de serviços pré-hospitalares no Brasil,
seja municipal ou estadual, segue o modelo metodológico de cada sistema de
acordo com suas realidades, demandas, perfis, morbimortalidade, recursos técnicos,
tecnológicos e financeiros.

1.1 NORMATIZAÇÃO E REGULAÇÃO DO SAMU

O Atendimento Pré-Hospitalar no Brasil surgiu sem muito sucesso, mas, hoje

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é considerado um serviço primordial e tem demonstrado importantes resultados para
a sociedade. A Portaria nº 2048/MS, em 5 de novembro de 2002, normatiza a
implantação do SAMU e considera que a área de Urgência e Emergência constitui-
se em um importante componente da assistência à saúde. E, de acordo com o § 2º,
este regulamento é de caráter nacional, devendo ser utilizado pelas Secretarias de
Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios na implantação dos
Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência, com ou sem vínculo com a
prestação de serviços aos usuários do Sistema Único de Saúde.
Como descreve a Portaria citada acima, a área de urgência e emergência
constitui-se em um importante componente da assistência à saúde. A expansão de
serviços nesta área nos últimos anos tem contribuído decisivamente para a
sobrecarga dos serviços de urgência e emergência disponibilizados para o
atendimento da população, conforme ressalta o Ministério da Saúde:
O Ministério da Saúde, ciente dos problemas existentes e em parcerias com
as Secretarias de Saúde dos estados e municípios tem contribuído para reversão
deste quadro amplamente desfavorável à assistência da população. O sistema
estadual de urgência e emergência deve se estruturar a partir da leitura ordenada
das necessidades sociais em saúde e sob o imperativo das necessidades humanas
nas urgências.
O diagnóstico dessas necessidades deve ser feito a partir da observação e
da avaliação dos territórios sociais com seus diferentes grupos humanos, da
utilização de dados de morbidade e mortalidade disponíveis e da observação das
doenças emergentes. Atendendo a necessidade do atendimento emergencial foi
implantado pelo governo federal o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
(SAMU-192), um serviço de socorro pré-hospitalar móvel que chega rapidamente às
pessoas, em qualquer lugar ou qualquer problema de saúde urgente que possa levar
ao sofrimento ou até mesmo a morte.
São feitos atendimentos por equipes de profissionais de saúde, que recebem
as chamadas gratuitas, feitas pelo telefone, e como resposta envia uma ambulância,
com técnico de enfermagem ou com enfermeiro e médico, ou mesmo uma simples
orientação. O Ministério da Saúde considera como nível pré-hospitalar, na área de
urgência e emergência, aquele atendimento que procura chegar à vítima nos

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primeiros minutos. Após ter ocorrido o agravo à saúde, agravo este que possa levar
à deficiência física ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe
atendimento adequado e transporte a um hospital devidamente hierarquizado e
integrado ao Sistema Único de Saúde.
A equipe de atendimento pré-hospitalar realiza procedimentos de
reanimação cardiorrespiratória, oxigenoterapia, contenção de hemorragias,
imobilizações, intubação, punção venosa com reposição de volume e medicação,
entre outros. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) deve ser
composto por uma equipe multiprofissional oriundos da área de saúde, sendo o
coordenador do serviço, responsável técnico (médico), responsável de enfermagem
(enfermeiro), médicos reguladores, médicos intervencionistas, enfermeiros
assistenciais, auxiliares e técnicos de enfermagem.
Além dessa equipe de saúde, em situações de atendimento às urgências
relacionadas às causas externas ou de pacientes em locais de difícil acesso, deverá
haver uma ação integrada com outros profissionais, com bombeiros militares,
policiais militares e rodoviários e outros. Essa equipe deve trabalhar em conjunto,
visando um só objetivo, ou seja, o atendimento sistematizado, dinâmico e com
qualidade ao cliente e sua família.
A portaria 824/99, adaptada pelo Ministério da Saúde, define que o sistema
de atendimento pré-hospitalar é um serviço médico, sua coordenação, regulação e
supervisão direta é a distância e deve ser efetuada unicamente por médico, tem na
Central de Regulação Médica o elemento ordenado e orientador da atenção pré-
hospitalar, sendo o médico regulador o responsável pela decisão técnica em torno
dos pedidos de socorro e decisão gestora dos meios disponíveis.
Diversos pontos de interesse no atendimento pré-hospitalar são discutidos
por organizações médicas, como por exemplo, a Sociedade Brasileira de
Cardiologia, que desde julho de 1999 define as “Diretrizes sobre o Tratamento de
Infarto Agudo do Miocárdio”. E, ainda, aborda em parte o atendimento pré-hospitalar
no infarto agudo do miocárdio, demonstrando que um melhor preparo das equipes
de atendimento pré-hospitalar, a eficiência dos treinamentos, o uso de algumas
drogas, a assistência via telefonia, colocação rápida da ambulância junto à vítima e
a conscientização da população possivelmente reduzirão os óbitos por mal súbitos.

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2 SISTEMA DE ASSISTÊNCIA ÀS EMERGÊNCIAS

Milhões de vidas são salvas a cada ano pelo atendimento médico. Os


avanços no campo da saúde, nos últimos 50 anos, foram significativos. No século
passado, a maioria dos pacientes de emergência que entravam nos hospitais,
acabava morrendo. Hoje se observa que, em grande parte, os pacientes conseguem
recuperar-se e retornam a uma vida normal.
Mal súbito, doenças graves e os traumas produzidos pelos acidentes podem
ocasionar a morte, antes mesmo de o paciente chegar ao hospital. O sistema de
saúde procura prevenir tais mortes, ampliando o seu campo de atuação. A
assistência começa no local da emergência e continua durante o transporte ao
hospital. Após o transporte, efetuado pelo serviço de emergência, ocorre a
transferência do paciente para o pronto-socorro, assegurando a continuidade do
atendimento.
Essa assistência profissional é acompanhada por uma cadeia de recursos
humanos, que trabalhando em conjunto, formam o Sistema de Assistência às
Emergências em Saúde (SAES). A base da organização do Sistema de Assistência
às Emergências é o hospital ou outro estabelecimento de saúde. Médicos,
enfermeiros e outros profissionais estão aptos a oferecer a assistência integral ao
paciente. A falta de pessoal suficientemente treinado para o atendimento às
emergências, antes da chegada do serviço de atendimento pré-hospitalar,
representa o elo mais fraco na organização do SAES. Acredita-se que o treinamento
de socorristas pode contribuir para a diminuição deste problema.

2.1 O SOCORRISTA

O socorrista é um cidadão, que foi treinado para prestar primeiros-socorros e


auxiliar o pessoal do atendimento pré-hospitalar, no local da emergência. É
normalmente a primeira pessoa treinada a entrar em contato com o paciente. Nos

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Estados Unidos foi criado um programa de treinamento de socorristas, onde
centenas de pessoas completaram os cursos formais e auxiliam na assistência às
emergências e a manutenção da vida. Em quase todas as regiões dos EUA, os
socorristas tornaram-se parte importante do sistema de saúde e os cuidados, por
eles prestados, reduziram o sofrimento, diminuíram sequelas adicionais e salvaram
muitas vidas.

2.1.1 Atribuições e Responsabilidades dos Socorristas

A primeira atribuição do socorrista, no local da emergência, é com a


segurança pessoal. O desejo de ajudar as pessoas que têm necessidade de
atendimento pode favorecer o esquecimento dos riscos no local. O socorrista deve
ter segurança ao aproximar-se da vítima e permanecer em segurança, enquanto
presta o atendimento.
Parte das preocupações do socorrista com a sua segurança pessoal está
relacionada com a própria proteção contra as doenças infecciosas. Ao avaliar ou
prestar atendimento às vítimas, deve evitar contato direto com o sangue do paciente,
fluidos corpóreos, mucosas, ferimentos e queimaduras. O socorrista tem quatro
deveres relacionados aos pacientes, que devem ser cumpridos no local da
emergência. Estes deveres são:
1. Ter acesso ao paciente, com segurança e utilizando instrumentos
manuais, quando necessário;
2. Identificar o que está errado com o paciente e providenciar a assistência
de emergência necessária;
3. Elevar ou mobilizar o paciente apenas quando for preciso e realizar tal
procedimento sem ocasionar lesões adicionais;
4. Transferir o paciente e as informações pertinentes para os profissionais do
serviço de emergência.
As responsabilidades do socorrista no local da emergência incluem o
cumprimento das seguintes atividades:

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• Controlar o local do acidente de modo a proteger a si mesmo, ao paciente
e prevenir outros acidentes;
• Ter certeza de que a central do sistema de emergência foi notificada,
permitindo a chegada dos profissionais no local da ocorrência, com o menor tempo
possível;
• Identificar o que está errado com o paciente, utilizando-se das
informações obtidas no local e pelo exame físico do paciente;
• Fazer o melhor possível, dentro de sua capacidade;
• Obter ajuda do pessoal presente no local da emergência e controlar suas
atividades;
• Transferir as informações pertinentes, sobre a ocorrência, para os
profissionais do serviço de emergência;
• Auxiliar os profissionais do serviço de emergência no local da ocorrência
e trabalhar segundo sua orientação.

3 PRECAUÇÕES UNIVERSAIS

Existem situações em que o profissional de emergência sofre risco de


contaminação de doenças infecciosas. Por isso, é importante estar ciente dos riscos
decorrente da sua atuação, conhecer estas doenças e seguir as normas sanitárias
de controle de infecção. A maioria das pessoas preocupa-se mais com a
possibilidade de contrair AIDS do que entrar em um edifício em chamas.
Não há dúvida em que doenças infecciosas são realmente perigosas para os
profissionais. Contudo, o aprendizado, o uso de procedimentos de segurança e de
equipamentos de proteção individual diminuirá consideravelmente estes riscos.

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3.1 NOÇÕES FUNDAMENTAIS

Infecções são doenças causadas por organismos que penetram o corpo.


Doença contagiosa é aquela que pode ser transmitida de uma pessoa para outra. A
contaminação pode ocorrer pelo ar ou contato com sangue ou outros fluidos
corporais. Lesões pequenas, às vezes, despercebidas nas mãos, face ou partes
expostas ou mucosas, como nariz e olhos. Até pequenas lesões encontradas em
volta das unhas podem ser porta de entrada. Partículas disseminadas por via aérea
podem ser transmitidas pela tosse, respiração ou espirros do paciente. As partículas
podem ser inaladas ou entrar em contato com as mucosas.
É impossível saber se os pacientes são portadores de doenças contagiosas
apenas com a inspeção visual. O sangue e certos fluidos corporais devem ser
encarados como infectantes em potencial. A esta conduta se dá o nome de
Precauções Universais. O profissional de emergência deve sempre utilizar
dispositivos de barreira para entrar em contato com a vítima. Os equipamentos de
proteção individual (EPI) são as luvas, máscaras ou protetores faciais, protetor
ocular, avental e gorro.
As doenças que podem ser adquiridas pelos professorais de emergência
são:
• Sangue: SIDA, Hepatite B, Hepatite C;
• Respiração: Tuberculose, Meningite Meningocócica, Gripe, Resfriado
comum e algumas viroses;
• Pele: Herpes e escabiose, Impetigo e Pediculose;
• Mucosas: Herpes e Conjuntivite;
• Fezes: Hepatite A e Diarreia infecciosa.

Devido estas doenças, as normas sanitárias estabelecem os procedimentos


denominados de “Precauções Padrão” ou “Precauções Universais” ou ainda
“Normas de Biossegurança”, como um meio de proteção ao contato de secreções
corporais. Estes padrões atualmente são adotados no mundo inteiro. Os
procedimentos de proteção devem ser usados com todos os pacientes.

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As recomendações que podem auxiliar a diminuir os riscos de doenças
transmissíveis, principalmente nos ambientes de trabalho, são:

1. Providenciar vacinação contra hepatite B – um procedimento rotineiro e


seguro, que protege contra a infecção do Vírus da Hepatite B;
2. Ensinar os meios de transmissão das doenças infecciosas pelo sangue e
treinar as práticas de segurança, incluindo o uso de equipamento de proteção
individual;
3. Estabelecer procedimentos de segurança no local de trabalho;
4. Abastecer o local de trabalho com equipamentos de proteção individual
tais como: luvas, aventais, máscaras e protetor ocular do tamanho certo e
equipamento de ressuscitação cardiopulmonar, incluindo a máscara facial de bolso;
5. Instalar recipientes especiais para descarte de agulhas e outros materiais
perfurocortantes, higienização das mãos e rótulos para os recipientes com material
contaminado;
6. Providenciar um local para limpeza do equipamento, separado das áreas
destinadas para o preparo de alimentos;
7. Assegurar que há recipientes de descarte apropriados e disponíveis de
acordo com a regulamentação;
8. Implementar um protocolo de seguimento das ocorrências de acidentes
perfurocortantes com os profissionais, de modo a identificar as causas do incidente,
documentar o evento e registrar a evolução dos funcionários.
O programa de controle de infecção somente funcionará se os profissionais
aprenderem e seguirem corretamente os procedimentos. Estes profissionais têm a
obrigação de manterem-se fiéis às práticas seguras de trabalho em relação à própria
proteção, de suas famílias e do público, lavando as mãos regularmente, usando
luvas e outros itens do equipamento de proteção individual e tornando um hábito as
práticas seguras no trabalho. Os profissionais que praticam o controle de infecção
podem sentir-se confiantes, pois não estão arriscando suas vidas.

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4 INTRODUÇÃO A ANATOMIA E FISIOLOGIA

A anatomia é o estudo da estrutura do corpo humano e a fisiologia é o


estudo de seu funcionamento. As estruturas de uma estrutura do corpo humano com
a outra são descritas pelo uso de termos anatômicos. Estes termos são sempre
aplicados imaginando-se o corpo em posição anatômica, ou seja, posição em que o
indivíduo está de pé, com os pés juntos paralelos e braços estendidos junto ao
corpo, com as palmas das mãos para frente.

FIGURA 1 – DESCRIÇÕES DO CORPO HUMANO

FONTE: Disponível em: <http://www.sogab.com.br/floresdias/1homeostase5a.jpg>.


Acesso em: 20 set. 2010.

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O corpo humano se divide em quatro regiões: cabeça, pescoço, tronco e
membros. E possui cavidades onde os órgãos se situam.

4.1 SISTEMAS DO CORPO HUMANO

Quando várias células que executam uma função específica são agrupadas
em conjunto, um tecido é formado. Um órgão é uma estrutura composta por vários
tipos de tecidos para executar uma finalidade específica, por exemplo, o intestino
contém vários tipos de tecido que permitem que ele execute as funções relacionadas
à digestão. Um sistema reúne vários órgãos para executar uma função complexa. A
seguir estão enumerados os sistemas que compõem o corpo humano.

4.1.1 Sistema Musculoesquelético

Sistema formado pelos ossos (em um total de 206), articulações, músculos


esqueléticos e tendões. Tem como funções a sustentação e conformação do corpo;
a proteção de órgãos internos; o armazenamento de Ca (Cálcio) e P (Fósforo); a
produção de células sanguíneas (na medula óssea) e sistema de alavancas que
movimentadas pelos músculos permitem deslocamento do corpo.
O tecido muscular compreende de 40 a 50% de peso do corpo. Os músculos
esqueléticos são controlados voluntariamente. Eles obedecem aos estímulos
nervosos. Uma vez estimulados, podem rapidamente contrair-se e depois relaxar,
prontos para uma nova contração. O sistema dispõe de 501 músculos esqueléticos,
necessários para a realização dos movimentos, coordenação da postura corporal e
produção de calor. A ligação entre os músculos e os ossos é feita pelos tendões.

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4.1.2 Sistema Nervoso

O sistema nervoso inclui o cérebro, a medula espinhal e os nervos. Essas


estruturas são classificadas topográficas e funcionalmente como: Sistema Nervoso
Central (SNC), Sistema Nervoso Periférico e Sistema Nervoso Autônomo. O Sistema
Nervoso Central é constituído pelo cérebro e medula espinhal. Os nervos sensoriais
(entrada dos estímulos) e os nervos motores (saída das respostas) compõem o
Sistema Nervoso Periférico.
Os nervos do Sistema Nervoso Autônomo estão dispostos paralelamente à
medula espinhal, sendo involuntária a estimulação. Os impulsos nervosos são
gerados no Sistema Nervoso Central, eles podem estimular ou inibir determinadas
atividades.

4.1.3 Sistema Cardiovascular

O sistema circulatório é composto pelo coração, pelos vasos sanguíneos e


pelo sangue, que é o fluido movimentado sob pressão. O coração é um órgão
muscular que tem como função bombear através das artérias. Está localizado no
tórax protegido anteriormente pelo esterno e posteriormente pela coluna. A parede
do coração possui três camadas: o epicárdio, que é a porção externa, o miocárdio, a
camada média muscular e o endocárdio que é a camada interna.
É envolvido pelo pericárdio, que possui uma camada interna (visceral) e uma
camada externa (parietal). Entre estas camadas existe uma pequena quantidade de
líquido pericárdio que tem função lubrificante. Existem três tipos de vasos
sanguíneos: as artérias, as veias e os capilares. As artérias transportam o sangue
para fora do coração, dando origem a múltiplas ramificações, que diminuem de
tamanho, até formarem vasos sanguíneos microscópicos denominados capilares,
onde ocorrem as trocas entre o sangue e as células.
Os capilares dão origem a pequenas veias, que são os vasos sanguíneos

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que transportam o sangue em direção ao coração, às veias vão-se unindo e
aumentando de tamanho até chegar ao coração.

FIGURA 2 – SISTEMA CARDIOVASCULAR 1

FONTE: Disponível em:<http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/veia-


arteria-capilar.jpg>. Acesso em: 20 set. 2010.

FIGURA 3 - SISTEMA CARDIOVASCULAR 2

FONTE: Disponível em:


<http://4.bp.blogspot.com/_5LadX6BIwII/TEpcDACvRGI/AAAAAAAAACw/nRtrJVrgLyg/s1600/6.jpg>.
Acesso em: 20 set. 2010.

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4.1.4 Sistema Respiratório

Sistema composto pelos pulmões e vias aéreas. Tem como função captar e
efetuar as trocas de oxigênio e gás carbônico entre o corpo humano e a atmosfera.
As estruturas que compõem as vias aéreas são: nariz, laringe, traqueia, brônquios e
árvore brônquica. Os pulmões são dois órgãos cônicos que possuem brônquios,
bronquíolos e alvéolos. Cada pulmão é dividido em lobos: o pulmão direito com três
lobos e o esquerdo com dois lobos.

4.1.5 Sistema Digestório

O sistema Digestório é formado pelo trato digestório e por várias estruturas


de apoio e glândulas acessórias. O trato inicia na cavidade oral com a participação
efetiva dos dentes e da língua; as glândulas salivares excretam saliva na cavidade
bucal, ajudando na digestão dos alimentos. A partir desta cavidade, o bolo alimentar
passa pelo esôfago, esfíncter da cárdia e estômago. No estômago o bolo sofre ação
dos ácidos e enzimas gástricas formando o quimo.
Este passa para o intestino delgado através do esfíncter pilórico. Enzimas
digestivas provenientes do pâncreas e a bile, produzida pelo fígado, são adicionadas
ao quimo. O processo de digestão e absorção é completado no intestino delgado.
Os movimentos peristálticos transportam os resíduos dos alimentos digeridos e pela
válvula ileocecal entram no intestino grosso. Por fim, ao chegarem ao reto, os
resíduos são excretados pelo ânus.

4.1.6 Sistema Urinário

Têm a função de filtrar o sangue e eliminar o excesso de água, sal e outras

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excretas sob a forma de urina. Os rins filtram o sangue e reabsorvem substâncias
essenciais, formando a urina. A urina é transferida pelos ureteres até a bexiga onde
é estocada para ser eliminada. A bexiga é esvaziada durante o ato de urinar. A
uretra é o caminho de Aída da urina vinda da bexiga.

4.1.7 Sistema Reprodutivo

Os órgãos reprodutivos masculinos são os testículos, localizados no escroto.


Os testículos produzem os espermatozoides, que vão até a próstata, onde se
misturam às secreções e formam o sêmen que é ejaculado através da uretra. Os
órgãos femininos localizados na pelve são os ovários, as trompas de falópio, o útero
e a vagina.

4.1.8 Sistema Endócrino

O sistema endócrino é também um sistema regulatório. As glândulas


secretam substâncias químicas chamadas hormônios, que influenciam funções do
corpo a distância. São exemplos de hormônios as insulinas, que controlam o
metabolismo da glicose, e a noradrenalina, produzida na suprarrenal, que é liberada
em situações de estresse.

4.1.9 Sistema Tegumentar

Tem a função de recobrir o corpo, protegendo-o do meio ambiente. É


composto pela pele, anexos (pelos e unhas) e tecido subcutâneo. A pele e suas
estruturas associadas compõem o maior órgão do corpo humano. Serve como uma

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barreira à invasão de bactérias e impede a perda de água e calor, permitindo as
sensações de tato, dor, pressão e temperatura.

--------------------FIM DO MÓDULO I---------------------

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