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INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

INDUSTRIAIS –
ELETROTÉCNICA
AULA 2

Prof. Samuel Polato Ribas


CONVERSA INICIAL

Neste encontro realizaremos um estudo sobre curto-circuito em


instalações elétricas. Sabe-se que as correntes de curto-circuito influenciam
diretamente no sistema de proteção de qualquer instalação, mais ainda nas
instalações industriais, pois elas possuem vários equipamentos que contribuem
para a composição das correntes de curto-circuito.
Esta aula está dividida de maneira que seja possível analisar as correntes
de curto-circuito existentes em uma instalação elétrica industrial, bem como
dimensionar os circuitos alimentadores e fazer sua proteção.
A análise começará a partir do estudo das causas e consequências dos
curtos-circuitos nas instalações. Depois, serão apresentados os tipos de curtos-
circuitos que podem existir em um sistema trifásico, já que este é o mais utilizado
na indústria. Na sequência, abordaremos o cálculo das correntes de curto-
circuito – estes valores são extremamente importantes, já que irão influenciar na
escolha e no dimensionamento do sistema de proteção utilizado. Depois, serão
estudados os critérios para dimensionamento de alimentadores. E, por fim,
veremos como realizar a proteção de circuitos alimentadores nas instalações
industriais, como é feita essa proteção, quais os componentes utilizados e como
cada um deles contribuirá para a proteção dos alimentadores.

TEMA 1 – CURTO-CIRCUITO EM INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS: CAUSAS E


CONSEQUÊNCIAS

Em uma instalação elétrica, são várias as causas que levam a um curto-


circuito, e suas consequências podem ser desprezíveis ou extremamente sérias.
A seguir, listaremos algumas das causas desses acidentes e suas respectivas
consequências.
Os curtos-circuitos são correntes extremamente elevadas, que duram por
frações de circuitos. Seus valores de pico variam de acordo com as fontes que
contribuem para o aumento da corrente de curto-circuito e da impedância do
sistema. Entre as fontes que contribuem para a corrente de curto-circuito em
uma instalação elétrica industrial, também chamada de corrente de falta, estão
os motores de indução, condensadores síncronos e geradores, diferentemente
dos transformadores, que não são equipamentos que ocasionam aumento da
corrente de curto-circuito.

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Por meio de ensaios específicos, é possível determinar a corrente que
circulará por seus enrolamentos, mas não significa que essa corrente
influenciará na corrente de curto-circuito da instalação como um todo. Em caso
de uma corrente de falta, os transformadores serão vistos como grandes
impedâncias para a instalação e para o sistema elétrico que fornece energia.
De maneira geral, o curto-circuito ocorre devido à perda de isolamento de
algum dispositivo ou elemento da instalação. Entre as causas de curtos-circuitos,
pode-se citar o desgaste natural de equipamentos, que pode ser evitado por
meio de manutenções preventivas.
Outro fator que pode levar a um curto-circuito é o mau dimensionamento
de sistemas de proteção. Como sua principal função é agir imediatamente após
ocorrer um curto-circuito, evitando a propagação da corrente de falta, um mau
dimensionamento pode levar à demora de atuação do sistema de proteção, ou,
até mesmo, à não atuação da proteção.
Pode-se também citar a falha humana como uma causa de curto-circuito.
Em paradas programadas para manutenção, por exemplo, deve-se certificar que
todo o sistema que passará por manutenção está desenergizado. Caso a
desenergização não esteja feita, a pessoa que iniciar os trabalhos em um
ambiente energizado, pensando estar totalmente desenergizado, com certeza
estará sujeita a graves acidentes.
Outra causa de curto-circuito por falha humana é a utilização de mão de
obra não capacitada. Por exemplo, considere que um motor de indução de
grande porte precisa ser retirado de seu local de instalação para manutenção
mecânica. Esse motor não possui placa de identificação, e, ao desconectar os
terminais do motor, a pessoa responsável não fez a devida identificação dos
terminais. Para quem tem experiência nessa área parece algo óbvio, mas a falta
dela ou o excesso de confiança podem levar a essa situação. No momento de
religar o motor, a pessoa pode ter dificuldades em identificar corretamente os
terminais do motor, ocasionando um curto-circuito e gerando riscos que
poderiam ser evitados.
Entre as consequências causadas por curtos-circuitos em instalações
elétricas industriais, estão danos em elementos e componentes, como queima
de fusíveis. Além disso, as correntes podem causar danos de natureza mecânica
– danificar barramentos, chaves secionadoras e condutores, resultando em
rompimento – ou deformações na estrutura de quadros de distribuição.

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As consequências relacionadas a curtos-circuitos estão diretamente
relacionadas ao sistema de proteção. No instante em que passa a existir uma
corrente de curto-circuito na instalação elétrica industrial, o sistema de proteção
deve atuar, extinguindo a corrente de curto-circuito o mais breve possível. Por
isso, é importante o dimensionamento correto dos equipamentos de proteção.
É importante ressaltar que um curto-circuito pode percorrer o corpo de
uma pessoa, causando grandes queimaduras, e pode inclusive levar a óbito.
Para prevenir curtos-circuitos, então, devem ser realizadas manutenções
periódicas em equipamentos elétricos e instalações, além do dimensionamento
correto dos dispositivos de proteção.
Ainda falando de instalações elétricas industriais, por serem sistemas
trifásicos, há diversas possibilidades de curtos-circuitos, cada qual com suas
características, que veremos no tema a seguir.

TEMA 2 – TIPOS DE CURTOS-CIRCUITOS

As correntes de curto-circuito geram danos significativos à instalação.


Sendo assim, é importante conhecer quais são os tipos de curtos-circuitos e
analisar as correntes para conhecer suas características e comportamento.
As correntes de curto-circuito serão analisadas do ponto de vista de seu
comportamento em função do tempo, ou seja, como será a forma de onda da
corrente de curto-circuito ao longo do tempo.
Existem basicamente dois tipos de correntes de curto-circuito, simétricas
ou assimétricas. As correntes de curto-circuito simétricas possuem simetria entre
o semiciclo positivo e negativo da corrente, ou seja, ao longo do tempo, os
valores instantâneos do semiciclo positivo e negativo são os mesmos, resultando
em um valor médio igual a zero. Veja a seguir:

Figura 1 – Exemplo de corrente de curto-circuito simétrica

Fonte: Mamede Filho, 2018.

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As correntes de curto-circuito assimétricas possuem diferença entre os
semiciclos positivo e negativo ao longo do tempo, gerando um valor médio
resultado dessa diferença. Em outras palavras, pode-se dizer que esse tipo de
corrente possui uma componente alternada e uma componente contínua, que
desloca a parcela alternada gerando um desequilíbrio entre os dois semiciclos.
Essa corrente pode ser totalmente assimétrica, como mostrado na Figura 2:

Figura 2 – Exemplo de corrente de curto-circuito totalmente assimétrica

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Pela análise da Figura 2, todo semiciclo negativo é deslocado para cima,


resultando em uma corrente de curto-circuito contínua, com valor alternado, de
tal forma que a amplitude desse valor alternado não ultrapasse o eixo do tempo,
o que caracterizaria uma corrente de curto-circuito parcialmente assimétrica,
como mostrado na Figura 3:

Figura 3 – Exemplo de corrente de curto-circuito parcialmente assimétrica

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Nesse caso, a corrente de curto-circuito alternada possui uma


componente contínua, mas não é o suficiente para que a corrente de curto-
circuito se torne totalmente assimétrica.

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O terceiro tipo de corrente assimétrica é aquela que, a partir do instante
do curto-circuito, se comporta como uma corrente assimétrica e, ao longo do
tempo, se torna uma corrente simétrica, conforme mostrado na Figura 4:

Figura 4 – Exemplo de corrente de curto-circuito assimétrica e simétrica

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Note que na Figura 4, a corrente de curto-circuito inicia com um


comportamento de corrente assimétrica, e, ao percorrer o eixo do tempo, a
componente contínua da corrente diminui, passando a ser uma corrente
parcialmente assimétrica, e finalmente se tornando uma corrente simétrica. Essa
alteração no comportamento da corrente se dá devido a fatores atenuantes que
a corrente de curto-circuito encontra durante seu percurso.
Apresentado o comportamento das formas de onda das correntes de
curto-circuito, parte-se para os tipos de curtos-circuitos, que podem ser franco
ou de arco. Os do tipo franco ocorrem quando há contato direto entre dois ou
mais condutores, ou entre a fase e uma parte metálica que esteja aterrada, por
exemplo. Em outras palavras, ocorrem quando há contato físico entre um
condutor-fase e outros condutores, ou entre o condutor-fase e qualquer outra
parte da instalação que ocasione um curto-circuito.
Já os curtos-circuitos do tipo arco são quando a corrente elétrica forma
um arco elétrico entre uma parte energizada e outra não energizada. Por
exemplo, quando ocorre um arco elétrico entre condutores fase e terra, ou entre
fases. Nesse caso, há o rompimento da rigidez dielétrica do meio que separa os
condutores, transformando um meio isolante em um meio condutor. Um exemplo
de curto-circuito do tipo arco é mostrado na Figura 5.

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Figura 5 – Exemplo de curto-circuito do tipo arco

Fonte: Dicas em eletricidade, 2015. Disponível em: <http://dicasemeletricidade.blogspot.com/20


15/07/o-que-e-arco-eletrico.html>. Acesso em: 26 set. 2019.

Desses dois tipos de curto-circuito, o mais recorrente é o do tipo franco.


Considerando um sistema trifásico a três fios e condutor de proteção, esse tipo
de curto-circuito pode ser trifásico, bifásico e entre fase e terra, os quais serão
estudados a seguir.
Um curto-circuito trifásico ocorre quando há contato direto entre as três
fases, conforme mostrado na Figura 6, em que ICS é a corrente eficaz simétrica
de curto-circuito.

Figura 6 – Curto-circuito trifásico

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Entre os tipos de curtos-circuitos, este é o que normalmente possui o


maior valor. Esse valor é importante principalmente para o dimensionamento dos
sistemas de proteção, tais como relés e disjuntores, bem como para o
dimensionamento de condutores.
O curto-circuito bifásico ocorre quando há contato entre duas fases, o que
é mostrado na Figura 7, sendo Icb a corrente de curto-circuito bifásica, e Icbt a
corrente de curto-circuito bifásica para a terra.

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Figura 7 – Curto-circuito bifásico e entre duas fases e terra

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Por fim, tem-se o curto-circuito entre fase-terra, que pode ocorrer entre
uma fase e terra ou entre duas fases e terra. Nesse caso, diferentemente do
curto circuito bifásico, em que as duas fases estão em curto, no curto-circuito
fase-terra com duas fases, o contato entre elas e a terra se dá separadamente,
como mostrado na Figura 8, sendo Itb a corrente de curto-circuito fase-terra.

Figura 8 – Curto-circuito fase-terra simultâneo

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Já na Figura 9, é apresentado o curto-circuito fase-terra de uma fase com


a terra. Entre as importâncias para determinação da corrente de curto-circuito
entre fase e neutro, está o dimensionamento do condutor de malha de
aterramento e de reatores de aterramento.

Figura 9 – Curto-circuito fase-terra

Fonte: Mamede Filho, 2018.

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TEMA 3 – CÁLCULOS DE CORRENTES DE CURTO-CIRCUITO

Neste tema, trataremos dos cálculos das correntes de curto-circuito. Não


são cálculos simples, pois possuem um grande número de variáveis envolvidas
e dependem dos equipamentos que fazem parte da instalação. Além disso, o
local da instalação onde ocorre o curto-circuito também influencia no valor das
correntes. Sendo assim, veremos primeiramente a localização do curto-circuito.
Dois casos são os mais relevantes. Quando o curto circuito ocorre próximo
ou distante dos terminais de geradores. Este segundo caso é o mais comum,
pois o primeiro somente se aplica quando a planta industrial está próxima da
fonte geradora, o que é bastante raro de acontecer. Já a principal forma de
geração é por meio de usinas hidrelétricas.

3.1 Curto-circuito próximo dos terminais do gerador

Quando ocorre um curto-circuito em um gerador síncrono, a corrente


inicial começa em um valor elevado e depois vai diminuindo até estabilizar em
determinado valor. Assim, a reatância do gerador é variável no início do curto-
circuito e depois atinge um valor final. Portanto, para entender o que ocorre no
gerador a partir do instante do curto-circuito, é necessário saber como essas
reatâncias se comportam quando ocorre a falta, pois são elas que irão limitar a
corrente de curto-circuito do gerador. Nesse caso, as reatâncias do estator são
referidas ao rotor e chamadas de reatância de eixo direto. Vejamos os três tipos.
A primeira reatância é a subtransitória, representada por X’’d, e formada
pelas reatâncias de dispersão do rotor e do estator. Essa reatância também sofre
influência do enrolamento de amortecimento e da parte maciça do rotor, que
acabam por limitar a corrente no instante em que o curto-circuito ocorre. O valor
da reatância é o mesmo para as faltas trifásica, monofásica e entre fase e terra.
A segunda reatância, chamada transitória, X’d, é formada pelas reatâncias
de dispersão dos enrolamentos do estator e do rotor, o que limita a corrente de
curto-circuito, depois que os efeitos da corrente subtransitória deixam de existir.
As duas reatâncias, transitória e subtransitória, possuem valores que
variam de acordo com o tipo de gerador. Para geradores hidráulicos, a reatância
subtransitória varia de 18 a 24% na base da potência e tensão nominais em
geradores que têm enrolamento de amortecimento. Já em turbogeradores
(geradores de usinas termoelétricas), seu valor varia de 12 a 15% na base da

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potência e tensão nominal. Já a reatância transitória varia de 18 a 24% em
geradores de hidrelétricas, nas mesmas condições de base da reatância
subtransitória, e, em turbogeradores, de 12 a 15% nas mesmas condições.
A terceira reatância é chamada de reatância síncrona, Xd. Ela é formada
pela reatância total dos enrolamentos do rotor do gerador e começa a atuar após
a reatância transitória não surtir mais efeito. A partir do instante em que a
corrente de curto-circuito passa a ser limitada pela reatância síncrona, não há
mais variação. A reatância síncrona pode variar de 100 a 150% na base da
potência e tensão nominais, para geradores de hidrelétricas, e de 120 a 160%
para turbogeradores.
Como o próprio nome das reatâncias sugere, a subtransitória e a
transitória atuam durante o regime transitório da corrente de curto-circuito, e a
reatância síncrona atua no regime permanente da corrente de curto-circuito. A
Figura 10 mostra o comportamento da corrente de curto-circuito levando em
consideração a atuação de cada reatância.

Figura 10 – Corrente de curto-circuito nos terminais de um gerador

Fonte: Mamede Filho, 2018.

3.2 Curto-circuito distante dos terminais do gerador

Neste caso, que retrata a maioria das situações de curto-circuito, existem


impedâncias das linhas entre o gerador e a origem do curto-circuito. A
impedância da linha é muito maior que a impedância do gerador, praticamente
eliminando a influência de suas reatâncias. Sendo assim, a corrente de curto-
circuito possui uma componente simétrica acrescida de um valor de corrente
contínua. Nesse tipo de situação, a corrente de curto-circuito permanece
constante ao longo dos períodos da forma de onda.

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Devido à presença da componente de corrente contínua, a corrente de
curto-circuito possui uma componente assimétrica e uma simétrica. A
componente assimétrica se deve à adição da componente de corrente contínua.
Com o passar do tempo, a parcela contínua começa a diminuir, ao ponto que a
corrente passa a ser apenas senoidal, tornando-se simétrica. É possível ver a
forma de onda que representa essa situação na Figura 11. Ela expressa algumas
grandezas fundamentais para envolver a situação de curtos-circuitos distantes
dos geradores, que serão vistos a seguir.

a. Corrente de curto-circuito simétrica: é a componente simétrica da corrente


de curto-circuito.
b. Corrente de curto-circuito simétrica eficaz: é o valor eficaz da corrente de
curto-circuito simétrica.

Figura 11 – Corrente de curto-circuito distante dos terminais de um gerador

Fonte: Mamede Filho, 2018.

c. Corrente inicial de curto-circuito simétrica eficaz: é a corrente eficaz no


momento em que ocorre a falta.
d. Impulso da corrente de curto-circuito: é o valor de pico da corrente no
instante em que ocorre o curto-circuito.
e. Potência de curto-circuito simétrica: é a potência resultante da corrente
de curto-circuito simétrica com a tensão de fase do local onde ocorre o
curto-circuito.

3.3 Redução das correntes de curto-circuito

As correntes de curto-circuito são limitadas pelas impedâncias existentes


no sistema. Dessa forma, quando as impedâncias são muito pequenas, a
tendência é que as correntes de curto-circuito assumam valores considerados

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muito elevados para determinadas situações. Esses valores muito elevados
costumam danificar não somente a parte elétrica das instalações, mas também
a parte mecânica, como os barramentos. Sendo assim, é conveniente encontrar
formas de reduzir as correntes de curto-circuito.
Em caso de curtos-circuitos trifásicos, a forma mais comum de redução
da corrente é por meio da introdução de reatores série com o valor da
impedância, de modo que se tenha a corrente de curto-circuito desejada. No
caso de curtos-circuitos fase-terra, são utilizados resistores de aterramento.
Esses resistores são ligados em série com o neutro do transformador e também
podem ser substituídos por reatores de aterramento.
Falando especificamente de transformadores, é possível controlar a
corrente de curto-circuito tomando algumas medidas bastante simples que
podem resultar em melhora significativa na redução da corrente de curto-circuito.
Uma dessas medidas consiste em dimensionar os transformadores com uma
impedância percentual elevada. Assim, a corrente de curto-circuito encontrará
um caminho com maior impedância, o que limita o seu valor.
Outras medidas que podem ser adotadas são: dividir a carga da instalação
em circuitos parciais alimentados a partir de vários transformadores ou reduzir a
corrente por meio de reatores de aterramento, como já foi mencionado. O grande
problema dessa forma de redução da corrente é que o fator de potência da
instalação como um todo é reduzido, necessitando de correção.

3.4 Sistemas de base por unidade (pu)

O sistema por unidades é uma ferramenta bastante importante no cálculo


de correntes de curto-circuito, pois nesse tipo de cálculo, os valores com que se
trabalha são elevados, o que torna os cálculos mais complexos, devido à grande
quantidade de elementos em um valor.
No cálculo por unidade, chamado de pu, os valores são normalizados
tomando como base um valor de referência para cada grandeza utilizada. Assim,
todos os valores determinados são calculados em função dessa base.
No caso de circuitos elétricos, as principais grandezas envolvidas nos
cálculos são potência, tensão, corrente e impedância. Dessa forma, é importante
definir valores de base para essas grandezas, a fim de determinar os demais
valores do circuito em valores em pu, ou seja, valores por unidade.

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Como em instalações elétricas industriais a grande maioria dos elementos
envolvidos é alimentada por um sistema trifásico, os cálculos apresentados terão
como foco esse tipo de sistema. Será apresentado como determinar a tensão, a
potência, a corrente e a impedância de base.
Primeiramente, deve-se determinar a potência e a tensão de base. Ambas
são definidas levando em consideração apenas uma escolha, ou seja, o valor
que for desejado para a tensão de base e para a potência de base. Costuma-se
escolher como tensão de base uma tensão na faixa de kV e uma potência na
faixa de kVA ou MVA.
Uma boa escolha é tomar como valores de base a tensão e a potência de
um transformador. Após escolhidas, definem-se a corrente de base e a
impedância de base por meio de cálculos tendo como parâmetros a tensão e a
potência de base. Assim, a corrente de base a impedância de base depende de
valores predeterminados.
Como exemplo de determinação de valores de base, considere um
transformador de 8000 kVA, com tensões de 69/13,8 kV e impedância do lado
de alta tensão de 1 kΩ. Obviamente existem duas tensões em lados diferentes
do transformador, a tensão do primário e do secundário. Dessa forma, haverá
valores de base diferentes, dependendo do lado do transformador que está
sendo considerado. Para o lado de alta tensão, será considerado como potência
de base, Sb, igual a 8000 kVA, e tensão de base, Vb, igual a 69 kV. Sendo assim,
a tensão do lado de alta do transformador, Vpu1 = 1 pu, equivale a 69 kV, e a
potência Spu = 1 pu, equivale a 8000 kVA. A impedância de base no lado de alta
tensão será dada por:

V
Z b1  b 
2

69  10 3 2

 595,125  (1)
S b 8000  10 3

Em pu, o valor da impedância será:

Z 1 1  10 3 (2)
Z pu1    1,68 pu
Z b1 595,125

Para o lado de baixa tensão, pode-se repetir os cálculos das equações (1)
e (2), ou referenciar o valor da impedância do lado de alta tensão para o lado de
baixa tensão. Para isso, é necessário definir um valor de base para o lado de

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baixa tensão, que, neste caso, será de 13,8 kV. Assim, tem-se que a impedância
do lado de baixa tensão será;

2 2
V   13,8  10 3  (3)
Z 2   b 2   Z 1   3 
  1  10 3  40 
 b1 
V  69  10 

Definida a impedância do lado de baixa tensão, define-se agora o valor da


impedância de base, que será:

Z b2
V
 b2 
2

13,8  10 3 
 23,805 
2

(4)
Sb 8000  10 3

Por fim, determina-se o valor da impedância do lado de baixa tensão:

Z 2 40 (5)
Z pu 2    1,68 
Z b 2 23,805

Perceba que os valores de impedância em pu para os dois lados do


transformador são iguais, o que facilita os cálculos. Para determinar as correntes
de base do lado de alta tensão e de baixa tensão, tem-se respectivamente:

Sb 8000  10 3 (6)
I b1    66,94 A
3  Vb1 3  69  10 3
e
Sb 8000  10 3
I b2    334,69 A (7)
3  Vb2 3  13,8  10 3

Perceba que os valores das correntes de base são os valores das


correntes nominais do transformador. Portanto, se o transformador operar a
plena carga, os valores das correntes do lado de alta tensão e do lado de baixa
tensão serão iguais a 1 pu, conforme as equações a seguir:

I 1 66,94 (8)
I pu1    1 pu
I b1 66,94
e
I 2 334,69
I b2    1 pu (9)
I b2 334,69

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Além de trabalhar com números menores, facilitando os cálculos, a
representação de grandezas utilizando o sistema por unidades tem outras
vantagens:

 Os transformadores são considerados com relação 1:1;


 O valor da impedância dos transformadores é o mesmo quando
representado em pu;
 A potência de base é a mesma para todo o sistema;
 A tensão de base é escolhida de acordo com uma tensão conhecida do
sistema;
 Quando há transformadores, após escolher a tensão de base de um dos
lados, é possível determinar a tensão de base do outro lado utilizando a
relação de transformação;
 Na maioria dos casos, a escolha das tensões e da potência de base do
sistema é feita de acordo com os dados do transformador.

3.5 Cálculo das correntes de curto-circuito

Como a corrente de curto-circuito tem uma forma de onda senoidal,


obviamente deve possuir uma função seno. O valor instantâneo de uma corrente
de curto-circuito é dado por:

 
I CC t   2  I cs  sent       et Ct  sen    (10)

Na equação (10), ICC(t) representa o valor instantâneo da corrente de


curto-circuito; Ics é o valor eficaz da corrente simétrica de curto-circuito; t é o
tempo em que ocorreu o curto-circuito; ωt é o ângulo de tempo; β é o
deslocamento angular em rad; e θ é o ângulo da impedância do sistema, dado
por:

X (11)
  arctg  
R

sendo X a reatância entre a fonte geradora e o ponto onde ocorreu o curto-


circuito, e R a resistência entre a fonte geradora e o ponto onde ocorreu o curto-
circuito. Por fim, a variável Ct é a constante de tempo dada por:

15
X (12)
Ct 
2   f  R

sendo f a frequência do sistema.


A equação (10) permite o cálculo da corrente de curto-circuito em qualquer
instante de tempo, porém sabe-se que a corrente de curto-circuito em seus
primeiros ciclos possui uma componente alternada e uma componente contínua
cujo efeito diminui ao longo do tempo. Portanto, é factível que a equação (10)
possa ser dividida em duas partes, sendo uma delas referente ao valor contínuo,
e a outra referente ao valor simétrico.
O primeiro termo da equação (10):

2  I cs  sent      (13)

refere-se ao valor simétrico, ou seja, ao valor alternado da corrente de curto-


circuito. Já o termo

2  I cs  e t Ct  sen    (14)

refere-se à componente contínua da corrente de curto-circuito, que tende a zero


com o passar do tempo.
No cálculo da corrente ICC(t), ocorrem duas situações específicas em
circuitos de alta reatância indutiva que merecem atenção. A reatância é tão alta
que a resistência do circuito pode ser considerada muito próxima de zero, se
comparada à reatância. Nessa situação de alta reatância, estuda-se o
comportamento quando o curto-circuito ocorre no instante em que a tensão é
zero e no instante em que a tensão é máxima.
Se o curto-circuito ocorrer no instante em que a tensão é zero, o
deslocamento angular entre a tensão e a corrente de curto-circuito assimétrica é
zero, β é zero, pois é nesse instante que surgirá a corrente de curto-circuito.
Além disso, como a reatância é muito maior que a resistência, então o ângulo θ
também será zero. Sendo assim, a equação (10) fica escrita na forma:

 
I CC t   2  I cs  sent  0º90º   e t Ct  sen0º90º 
(15)

I CC t   2  I cs  sent  90º   e t Ct 

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Como e-t/Ct permanece na equação e t é igual a zero, o resultado desse
elemento será igual a 1, o que significa que teremos o valor máximo da parcela
contínua da corrente de curto-circuito, como ilustrado na Figura 12.

Figura 12 – Corrente de curto-circuito assimétrica quando a falta ocorre na


tensão igual a zero

Fonte: Mamede Filho, 2018.

A outra situação é quando o curto-circuito ocorre no instante em que a


tensão está no valor máximo. Nesse caso, haverá um deslocamento de 90º entre
a tensão e a componente contínua da corrente de curto-circuito, ou seja, β igual
a 90º. Como o valor de θ continua em 90º, a equação (10) fica na forma:

 
I CC t   2  I cs  sent  90º90º   e t Ct  sen90º 90º 
(16)

I CC t   2  I cs  sent 

De acordo com o resultado da equação (16), não haverá componente


contínua na corrente de curto-circuito, o que resulta em uma corrente de curto-
circuito totalmente simétrica. Essa situação é ilustrada na Figura 13.

Figura 13 – Corrente quando a falta ocorre no valor máximo da tensão

Fonte: Mamede Filho, 2018.

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É importante lembrar que em instalações elétricas industriais sempre se
trabalha com sistemas trifásicos, nos quais as tensões estão defasadas de 120º.
Assim, quando uma delas está em zero, as outras duas tensões estarão com
uma amplitude de 86,66% do valor de pico. A corrente, então, não será
totalmente simétrica no início do curto-circuito, sendo necessário analisar em
que ponto da tensão ele ocorreu.
Considerando as duas situações anteriormente mencionadas, de curto-
circuito próximo aos terminais do gerador e distante dos terminais do gerador,
no primeiro caso, quando a falta ocorrer próxima aos terminais do gerador, se
uma das tensões estiver em zero no momento do curto circuito, o defasamento
entre a tensão e a corrente de curto-circuito poderá chegar a 90º e a impedância
que limitará a corrente de curto-circuito será a própria reatância de dispersão dos
enrolamentos do gerador. Se o curto-circuito ocorrer distante dos terminais do
gerador, a impedância do sistema passa a influenciar o defasamento entre a
tensão e a corrente de falta.
Quando tratamos de um curto-circuito trifásico, deve-se determinar as
condições de curto-circuito para uma das fases. Considerando que as fases
sejam iguais, essa situação pode ser estendida a elas. Evidentemente,
dependendo da carga que estiver conectada a cada uma, as condições podem
variar.
Para determinar o valor eficaz das correntes de curto-circuito
assimétricas, devem ser conhecidos os valores de reatância e resistência entre
a fonte de alimentação e o ponto no qual o curto-circuito ocorre. Fazendo uso do
fator de assimetria, tem-se que:

I ca t   I cs  1  2e 2t Ct 
(17)

sendo Ica a corrente eficaz assimétrica de curto-circuito, e Ics a corrente eficaz


simétrica de curto-circuito. O fator de assimetria é dado por:

(18)
1  2e 2t Ct 

O valor desse fator pode ser determinado a partir da Tabela 1, para vários
valores da constante de tempo Ct, considerando t = 0,00416s, valor de tempo ¼
do ciclo da senoide de 60 Hz e levando em consideração a relação X/R.

18
Tabela 1 – Fatores de assimetria para ¼ de ciclo para frequência de 60 Hz

Relação Fator de Relação Fator de Relação Fator de


X/R assimetria X/R assimetria X/R assimetria
0,40 1,00 3,80 1,37 11,00 1,58
0,60 1,00 4,00 1,38 12,00 1,59
0,80 1,02 4,20 1,39 13,00 1,60
1,00 1,04 4,40 1,40 14,00 1,61
1,20 1,07 4,60 1,41 15,00 1,62
1,40 1,10 4,80 1,42 20,00 1,64
1,60 1,13 5,00 1,43 30,00 1,67
1,80 1,16 5,50 1,46 40,00 1,68
2,00 1,19 6,00 1,47 50,00 1,69
2,20 1,21 6,50 1,49 60,00 1,70
2,40 1,24 7,00 1,51 70,00 1,71
2,60 1,26 7,50 1,52 80,00 1,71
2,80 1,28 8,00 1,53 100,00 1,71
3,00 1,30 8,50 1,54 200,00 1,72
3,20 1,32 9,00 1,55 400,00 1,72
3,40 1,34 9,50 1,56 600,00 1,73
3,60 1,35 10,00 1,57 1000,00 1,73
Fonte: Mamede Filho, 2018.

Perceba que a Tabela 1 não traz valores de fator de assimetria para todas
as relações X/R entre 0 e 1000. Assim, basta utilizar a equação da constante de
tempo (12) e o fator de assimetria dado na equação (18) para determinar o fator
de assimetria para qualquer valor correspondente à relação X/R.

3.6 Contribuição de motores de indução nas correntes de curto-circuito

Nas instalações elétricas industriais, a maioria das cargas é composta por


motores de indução. Dependendo de suas características, um motor pode
contribuir para a corrente de curto-circuito de forma relevante.
A partir do instante em que ocorre um curto-circuito, a tendência é que o
motor pare de girar, pois a tensão tende a zero. Entretanto, existe a inércia do
rotor, que mantém o movimento de rotação por mais algum tempo. Durante esse
tempo, o motor funciona como um gerador, devido ao magnetismo do núcleo,
fazendo com que injete corrente no sistema em vez de absorvê-la, mesmo sendo
uma corrente com duração bastante reduzida.
A maior influência na corrente de curto-circuito é de motores de grande
porte com tensões elevadas, normalmente acima de 660V. Nesses casos, cada
motor deve ser tratado individualmente como uma fonte que contribui para a
corrente de curto-circuito.

19
A Figura 14 mostra vários motores de baixa potência ligados a uma
mesma fonte.

Figura 14 – Representação de motores de pequena potência e baixa tensão em


um curto-circuito

Fonte: Mamede Filho, 2018.

Quando há motores de baixa potência e baixa tensão, igual ou abaixo de


440V, é mais viável considerar todos como uma única reatância equivalente,
como na Figura 15, que apresenta o grupo de impedâncias dos motores.

Figura 15 – Representação de motores de pequena potência e baixa tensão por


um grupo de impedâncias

Fonte: Mamede Filho, 2018.

TEMA 4 – CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO DE ALIMENTADORES

Neste tema estudaremos os dimensionamentos de três tipos de


condutores: de baixa tensão, de média tensão e de barramentos. Tendo em vista
que os três tipos de condutores são largamente empregados em instalações
elétricas industriais, nada mais conveniente do que conhecer o seu
dimensionamento.

20
4.1 Circuitos de baixa tensão

Para o dimensionamento de circuitos de baixa tensão, serão utilizados os


critérios da norma NBR 5410/2004. Embora ela quase sempre seja associada a
instalações elétricas residenciais, o método de dimensionamento de condutores
é aplicado a qualquer tipo de instalação em baixa tensão.
Dimensionar corretamente os condutores de um circuito significa
determinar a seção dos condutores que irão alimentar as cargas da instalação.
Para isso, é possível considerar os seguintes critérios:

 Capacidade condução de corrente: limite de temperatura dos cabos em


função da corrente;
 Limite de queda de tensão: escolha da proteção contra correntes de curto-
circuito;
 Verificação da bitola mínima estipulada pela NBR 5410/2004 para os
circuitos.

O critério da capacidade condução de corrente se aplica ao


dimensionamento da seção dos condutores-fase, os quais servirão de base para
o dimensionamento das seções dos condutores neutro e de proteção (terra). Em
condições de funcionamento normal, a temperatura de um condutor, isto é, a
temperatura da superfície de separação entre o condutor propriamente dito e a
isolação, não pode ultrapassar a temperatura máxima de operação. A Tabela 2
indica os valores desses limites para diversas condições.

Tabela 2 – Temperaturas características dos condutores

Temperatura máxima (ºC)


Material Regime Curto-
Sobrecarga
contínuo circuito
PVC de polivinila até 300 mm 2 70 100 160
PVC de polivinila acima de 300 mm 2 70 100 140
EPR – borracha etileno-propeno 90 130 250
XLPE – polietileno reticulado 90 130 250
Fonte: Mamede Filho, 2018.

A temperatura no condutor em regime permanente é a temperatura


alcançada em qualquer ponto em condições estáveis de funcionamento. A
temperatura do condutor em regime de sobrecarga é estabelecida para um
regime não superior a 100 horas em 12 meses consecutivos e de modo que
nunca supere 500 horas. A temperatura do condutor em regime de curto-circuito

21
deve ser considerada de tal forma que, para cabos de potência, a duração
máxima de um curto-circuito seja de 5.segundos. Durante esse período, o
condutor suporta as temperaturas máximas para as quais foi construído.
Pelo critério da capacidade de corrente, para determinar o condutor e a
proteção a serem utilizados, os seguintes fatores devem ser determinados,
segundo a norma NBR 5410/2004:

a. Maneira de instalar: a Tabela 3.4 do livro Instalações elétricas industriais,


de João Mamede Filho, traz os tipos de linhas elétricas, define as diversas
maneiras de instalação dos condutores, codificando-as com letras e
números, conforme a Tabela 3.3 do mesmo livro. Isso é importante, pois
o meio no qual os condutores serão colocados influenciará na troca
térmica entre o cabo e o ambiente e, consequentemente, na capacidade
de condução de corrente do condutor, IZ. Se em um percurso houver
variação na maneira de instalar, deve-se considerar o percurso que
apresentar as condições mais desfavoráveis de troca térmica.
b. Corrente de projeto (IP): é a corrente que circulará pelo circuito em
condições nominais; pode ser calculada pelas equações (19) e (20). A
equação (19) mostra como determinar a corrente de cargas monofásicas,
e a equação (20) mostra como determinar a corrente de cargas trifásicas:

PN (19)
IP 
V N  cos 

PN
IP  (20)
3  V N  cos 

sendo IP a corrente de projeto em A, VN é tensão nominal para sistemas


monofásicos, e a tensão de linha para sistemas trifásicos, em V, cos φ é
o fator de potência da carga.
c. Tipo de condutor: deve ser determinado qual condutor será usado, PVC,
EPR ou XLPE, e se será unipolar ou multipolar.
d. Número de condutores carregados: deve corresponder ao esquema de
condutores vivos do circuito. A Tabela 3.20 do livro Instalações elétricas
industriais mostra como determinar o número de condutores carregados.
e. Fator de correção de temperatura (FCT): pode ser obtido a partir das
Tabelas 3.12 e 3.13 do livro Instalações elétricas industriais, sendo
determinado em função da isolação do condutor, da temperatura

22
ambiente ou da temperatura do solo de acordo com a maneira de instalar
previamente determinada.
f. Fator de correção da resistividade do solo (FCRS): normalmente é
utilizado para a maneira de instalar “D”. É aplicado apenas quando a
resistividade do solo for um fator considerável na instalação dos
condutores; caso contrário, o considera igual a 1. Os valores de fator de
correção de resistividades do solo são apresentados na Tabela 3.14, do
livro Instalações elétricas industriais.
g. Fator de correção de agrupamento (FCA): é determinado em função do
trecho mais crítico do circuito. As Tabelas 3.15, 3.16, 3.17, 3.18 e 3.19,
do livro Instalações elétricas industriais, permitem a escolha do FCA,
conforme o tipo de agrupamento e outros fatores apresentados nessas
tabelas. Se elas não fornecerem uma situação específica, o cálculo do
fator de correção de agrupamento pode ser feito pela equação:

1 (21)
FCA 
n

sendo n o número de circuitos ou cabos multipolares.


h. Corrente corrigida (IC): é calculada levando em consideração os fatores
de correção pela seguinte equação:

IP (22)
IC 
FCT  FCA  FCRS 

i. Seção transversal do condutor: possuindo o valor da corrente corrigida, o


tipo de cabo e a maneira de instalar previamente determinados, a seção
transversal do condutor pode ser obtida a partir das Tabelas 3.6, 3.7, 3.8
e 3.9 do livro Instalações elétricas industriais, levando em consideração
os seguintes aspectos:
 Condutor com isolação de PVC, EPR ou XLPE;
 Condutores de cobre ou alumínio;
 2 ou 3 condutores carregados;
 Temperatura ambiente de 30ºC;
 Temperatura no solo de 20ºC;
j. Seção mínima dos condutores: a NBR5410/2004 estabelece que as
seções mínimas dos condutores-fase em corrente alternada e dos

23
condutores vivos em corrente contínua não devem ser inferiores às
indicadas na Tabela 3.10 do livro Instalações elétricas industriais.
k. Proteção: o condutor não pode ser dito corretamente até que seja
verificada sua proteção. Apenas para ilustrar, na proteção de um condutor
pode ser utilizado um disjuntor, cujo valor de corrente nominal deve estar
compreendido entre o valor da corrente de projeto corrigida e o valor da
corrente suportada pelo condutor.

A partir de agora serão mostrados os critérios para o dimensionamento de


condutores seguindo o critério do método da queda de tensão. Os aparelhos de
utilização de energia elétrica são projetados para trabalhar a determinadas
tensões, alguns deles com maior tolerância à variação de tensão que outros.
Sendo assim, diferenças de tensão entre a fonte e a carga podem danificar o
equipamento ou fazer com que não funcione adequadamente.
Essa diferença de tensão é chamada de queda de tensão. As quedas de
tensão são em função da distância entre a carga e a fonte, e a potência da carga.
As quedas de tensão admissíveis são dadas em percentagem, e seus valores
admissíveis são definidos pela NBR 5410, não devendo ser superiores aos
seguintes valores, em relação às tensões nominais da instalação:

a. 7%, a partir dos terminais do secundário do transformador de média ou


baixa tensão, no caso de transformadores da unidade consumidora;
b. 7%, a partir dos terminais do secundário do transformador de média ou
baixa tensão, da concessionária de energia, quando este for o ponto de
entrega de energia;
c. 5%, a partir do ponto de entrega de energia, no caso de fornecimentos em
tensão secundária de distribuição;
d. 7%, a partir dos terminais de saída do gerador, quando houver gerador
próprio;
e. No caso de motores elétricos, durante a partida, a queda de tensão não
pode ser superior a 10% de sua tensão nominal.

Para sistemas monofásicos, a seção transversal do condutor é calculada:

200     LC  I C  (23)


SC 
VC  V N

24
Em que ρ é a resistividades do material do condutor, no caso do cobre
vale 1/56 Ω.mm 2/m; LC é a distância da fonte até a carga; IC é a corrente corrigida
do circuito; e ∆VC é a queda de tensão máxima admitida, em %.
Para sistemas trifásicos, as variáveis são as mesmas, com VN sendo a
tensão nominal de linha. Ainda há a inclusão do termo raiz de 3, multiplicando a
equação, por se tratar de um sistema trifásicos. A equação fica na forma:

100  3     LC  I C  (24)


SC 
VC  V N

Como já mencionado, os critérios de dimensionamento de condutores de


baixa tensão são destinados ao dimensionamento de condutores-fase. A Tabela
3.23, do livro Instalações elétricas industriais, de João Mamede Filho, estabelece
a seção transversal de condutores neutro. Para dimensionar condutores de
proteção, a norma traz a Tabela 3.25, do mesmo livro, que estabelece a seção
mínima dos condutores de proteção, em função do condutor fase.
Dois casos particulares no dimensionamento de condutores de baixa
tensão são quanto aos motores elétricos e ao banco de capacitores.
Em motores elétricos, o cálculo da corrente deve levar em consideração
o rendimento do motor, η, e o fator de serviço, FS, sendo que a equação (20)
passa a ser determinada como:

FS  PN
IP  (25)
3  V N  cos   

Em banco de capacitores, deve-se considerar a corrente com um


acréscimo de 35%, ou seja, a equação para cálculo fica:

1,35  PN (26)
IP 
3  VN

4.1 Circuitos de média tensão

Os condutores de média tensão são calculados de acordo com os critérios


da norma NBR 14039/2003. Eles são basicamente os mesmos em relação ao
dimensionamento de condutores de baixa tensão, mas levando em consideração
as particularidades dos condutores de média tensão.

25
Para o dimensionamento de condutores de média tensão, é necessário o
conhecimento dos tipos de linhas elétricas, que são fornecidos na Tabela 3.26,
do livro Instalações elétricas industriais. No item 6.2.5.1 da norma NBR 14039,
são estabelecidos os métodos de referência apresentados na Tabela 3.27 do
mesmo livro. Para melhorar o entendimento desses métodos, deve-se levar em
consideração os seguintes aspectos:

a. Nos métodos A e B, o condutor é instalado com convecção livre, com


distância de qualquer superfície adjacente de no mínimo 0,5 vez o
diâmetro externo do cabo, para condutor unipolar, e no mínimo 0,3 vez o
diâmetro externo do condutor para condutor tripolar.
b. Nos métodos C e D, o condutor é instalado em canaleta fechada com
dimensões de 0,5 x 0,5 m, de largura e profundidade, com distância de
qualquer superfície adjacente de no mínimo 0,5 vez o diâmetro externo do
cabo, para condutor unipolar, e no mínimo 0,3 vez o diâmetro externo do
condutor para condutor tripolar.
c. No método E, o condutor é instalado em eletroduto de material não
condutor, e a distância de qualquer superfície adjacente não deve ser
inferior a 0,3 vez o diâmetro externo do condutor, desprezando os efeitos
da radiação solar incidente.
d. No método F, os condutores unipolares são instalados em eletrodutos de
material não condutor, e os condutores tripolares em eletroduto metálico
não condutor, no solo com resistividade térmica de 2,5 K.m/W e
profundidade de 0,9 m.
e. No método G, os condutores unipolares são instalados em eletrodutos de
material não condutor espaçado do duto adjacente, de uma vez o
diâmetro externo do duto no solo com resistividade térmica de 2,5 K.m/W
e profundidade de 0,9 m.
f. No método H, o condutor é instalado diretamente no solo, com
resistividade térmica de 2,5 K.m/W e profundidade de 0,9 m.
g. No método I, o condutor é instalado diretamente no solo, com resistividade
térmica de 2,5 K.m/W e profundidade de 0,9 m, e o espaçamento mínimo
entre os condutores não deve ser menor que seu diâmetro externo.

É possível estabelecer a seção transversal do condutor com base no


cálculo da corrente do circuito. Isso chama-se método de instalação, que está
disponível nas Tabelas 3.28, 3.29, 3.30 e 3.31 do livro Instalações elétricas

26
industriais. Os métodos de instalação levam em consideração cabos com
isolação em EPR ou XLPE, 2 ou 3 condutores carregados, uma temperatura no
condutor de 90ºC a 105ºC, e temperaturas ambiente de 30ºC e 20ºC, para
condutores subterrâneos e se são condutores de alumínio ou de cobre.
Para temperaturas ambiente e do solo, diferentes de 20ºC e 30ºC,
respectivamente, a corrente calculada deve ser submetida ao fator de correção
de temperatura, estabelecidos pela Tabela 3.31 do livro Instalações elétricas
industriais. Para o fator de correção de agrupamento de cabos, deve-se levar em
consideração os valores e condições estabelecidas nas Tabelas 3.32, 3.33, 3.34,
3.35 e 3.36 do mesmo livro, se as condições não se aplicarem àquelas das
tabelas referentes aos métodos de instalação.
O fator de correção referente à resistividade do solo é utilizado quando a
resistividade térmica do solo for diferente de 2,5 Km/W. Caso a resistividade
térmica do solo possua um valor diferente, devem ser aplicados os fatores de
correção estabelecidos pela Tabela 3.37 do livro Instalações elétricas industriais.

4.3 Dimensionamento de barramentos

Os barramentos são elementos condutores responsáveis por centralizar


a corrente da fonte de alimentação e distribuí-la aos alimentadores. Podem ser
em formato retangular ou circular, construídos em cobre ou alumínio. Seu
dimensionamento é feito diretamente a partir da forma construtiva e da aplicação.
Eles podem ser pré-fabricados ou de fabricação específica, sendo estes
de construção e aplicação específica, normalmente aplicados à alimentação de
painéis elétricos e subestações blindadas abrigadas. Já os pré-fabricados
possuem alta capacidade de condução de corrente e podem ser utilizados para
a alimentação de centro de controle de motores, por exemplo. De maneira geral,
os barramentos são utilizados para instalações de média e baixa tensão, sendo
inviável a aplicação de condutores para a condução de corrente. Eventualmente
os barramentos também podem ser aplicados a sistemas de alta tensão.
Os tipos de barramentos mais utilizados são os de barras retangulares de
cobre, de barras circulares de cobre e barramentos blindados de cobre. As
dimensões desses tipos de barramento são tabeladas em função da capacidade
de condução de corrente dadas, respectivamente, pelas tabelas 3.38, 3.39 e 3.40
do livro Instalações elétricas industriais.

27
TEMA 5 – PROTEÇÃO DE CIRCUITOS ALIMENTADORES

Assim como o dimensionamento dos alimentadores das instalações


elétricas é de extrema importância, a sua proteção também é, para que as cargas
e os próprios alimentadores não sofram danos no caso de falhas na instalação,
que resultem em correntes de sobrecarga ou de curto-circuito. As proteções mais
utilizadas para alimentadores são fusíveis e disjuntores.
Os disjuntores protegem alimentadores e cargas contra correntes de
sobrecarga e curto-circuito, e podem ser de alta, média ou baixa tensão. A Figura
16 apresenta um disjuntor de alta tensão, utilizado em subestações.

Figura 16 – Disjuntor de alta tensão

Crédito: CHAIYA/Shutterstock.

A Figura 17 apresenta um disjuntor de média tensão, e a Figura 18, um


disjuntor de baixa tensão. Alguns disjuntores de média tensão podem ter seu
fechamento por meio de motores elétricos, como é o da Figura 17. Esses
disjuntores são chamados de motorizados.
A proteção de alimentadores de baixa tensão, como barramentos e
condutores, é feita por meio de disjuntores de baixa tensão, como os da Figura
18, por exemplo. Esse tipo de disjuntor atua de acordo com uma curva, que
relaciona o nível de corrente com o tempo de atuação do disjuntor.

28
Figura 17 – Disjuntor de média tensão motorizado

Fonte: Weg, S.d.

Figura 18 – Disjuntor de baixa tensão

Crédito: Vietnam stock photos/Shutterstock.

Obviamente, quanto maior a intensidade de corrente, menor será o tempo


de atuação.
Já os fusíveis utilizados para proteção também podem ser de alta, média
ou baixa tensão. Em se tratando de alimentadores de baixa tensão, os fusíveis
mais utilizados são do tipo diazed (ou diametral) e do tipo NH. A Figura 19
apresenta um exemplo de fusível diazed e a Figura 20, um exemplo de fusível
do tipo NH.
Assim como os disjuntores de baixa tensão, os fusíveis atuam com base
na corrente que passa por eles. Quanto maior a intensidade de corrente em
relação à sua corrente nominal, menor será o tempo de fusão do elo.

29
Figura 19 – Exemplo de fusível diazed

Crédito: Siemens Brasil, S.d.

Figura 20 – Exemplo de fusível NH

Crédito: Siemens Brasil, S.d.

Os fusíveis do tipo NH também podem ser instalados na seccionadora-


fusível. Esse tipo de equipamento consiste em uma chave seccionadora na qual
são colocados os fusíveis NH, conforme mostrado na Figura 21. Nessa situação,
a seccionadora, que é um dispositivo apenas de manobra, passa também a
proteger os circuitos, devido à existência de fusíveis em seu interior, por onde a
corrente irá passar, obrigatoriamente.

Figura 21 – Exemplo de fusível seccionadora-fusível

Crédito: Siemens Brasil, S.d.

FINALIZANDO

Esta aula teve como objetivo estudar os curtos-circuitos em instalações


industriais. Além disso, foi visto como dimensionar condutores e barramentos

30
para instalações elétricas industriais, bem como os principais dispositivos de
proteção para eles.

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REFERÊNCIAS

MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma


brasileira NBR 5419/2015. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018.

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