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XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

“Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações”
Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019.

CUSTEIO E FORMAÇÃO DO PREÇO DE


VENDA DE UM PRODUTO DE UMA
MARMORARIA: ESTUDO DOS CUSTOS
PELO MÉTODO DE CUSTEIO POR
ABSORÇÃO
Nathalia Moura Silva
nathalia.moura94@yahoo.com.br
Daiene Windenberg Amaral Costa
daienewindenberg@yahoo.com.br
Lúcio Flávio Bicalho
luciofb00@gmail.com
Nathalia Leles Ribeiro
lelesnathalia@gmail.com

O presente estudo tem como objetivo analisar o atual modelo de


formação de preços, e propor um método de sistema de custeio e
formação de preço de venda numa marmoraria situada na região
metropolitana de Belo Horizonte, na cidade de Santa Luzia. Para tal
estudo, foi necessária uma revisão bibliográfica, e a identificar o
método que será mais viável para a implantação. O método
identificado, de forma a auxiliar foi o método de custeio por absorção,
foi classificado como qualitativo e descritivo. Utilizou-se a observação
sistemática e não participante e, entrevista para a coleta de dados.

Palavras-chave: Custos. Formação de preço. Métodos de custeio.


XXXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
“Os desafios da engenharia de produção para uma gestão inovadora da Logística e Operações”
Santos, São Paulo, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2019.

1. Introdução

A atual crise política e econômica do Brasil vem causando preocupações às empresas e à


população brasileira, e o sonho da casa própria o setor civil foi crescendo, porém com a crise
econômica o setor econômico foi abalado, (LEAL 2017). Além disso, o mercado imobiliário
está cada dia mais competitivo, com produtos e serviços inovadores, no qual os clientes
buscam qualidade e preços acessíveis. Diante disso é necessário inovar, aperfeiçoar os
processos e diminuir os custos para estar sempre competitivo no mercado.

Como o presente estudo tratará de uma empresa que atua no ramo de industrialização, é
importante esclarecer que a matéria-prima se trata de pedras de granito. Assim, o potencial da
marmoraria tende a promover a industrialização do granito bruto fornecido pelas pedreiras e
destina-los em sua maioria, em peças para serem utilizadas pelo setor da construção civil.

Assim, essa pesquisa tem como finalidade o estudo dos custos pelo método de custeio por
absorção.

O custeio por absorção é aquele que faz debitar ao custo dos produtos
todos os custos da área de fabricação, sejam esses custos definidos
como custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura, ou
operacionais. O próprio nome do critério é revelador dessa
particularidade, ou seja, o procedimento é fazer com que cada produto
ou produção (ou serviço) absorva parcela dos custos diretos e
indiretos, relacionados à fabricação. (LEONE, 2000, p.242)

Diante do exposto, pode-se indagar sobre a necessidade e importância de realizar um estudo


para a elaboração do preço final de um produto em uma marmoraria levando em consideração
o atual cenário econômico. Hoje a empresa apresenta um sistema próprio para elaboração do
seu preço de venda.

O objetivo do trabalho em questão é identificar os custos da empresa e propor outra


metodologia de formação de preços, comparando os resultados obtidos com o sistema usado
atualmente no empreendimento. A proposta foi de apurar dados financeiros de compra da
matéria prima e materiais para uso e consumo, o valor dos impostos cobrados e o valor da
mão de obra paga, analisar o sistema atual do preço de venda, e realizar um estudo
comparativo com os valores apurados entre a metodologia atual e a proposta e de melhoria.

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2. Contabilidade dos Custos

Leone (2011) diz que, na Contabilidade de Custos há uma variedade de custos diferentes que
foram criados para atender as necessidades das empresas nas suas tomadas de decisões. É
necessária uma apuração desses custos, coletando todos os dados da empresa, desde o
planejamento da coleta dos dados até o fornecimento da informação gerencial de custos.

3. Classificação dos Custos

Segundo Wernke (2004) os custos podem ser classificados de três formas: Quanto à tomada
de decisão, eles podem ser relevantes e não relevantes; quanto ao volume de produção, eles
podem ser fixos ou variáveis quanto a identificação, eles podem ser custos diretos ou
indiretos, e se distingue da seguinte forma:

3.1. Custos Relevantes e Não Relevantes

A tomada de decisões classifica os custos como relevantes quando se alteram dependendo da


decisão escolhida, e os não relevantes são aqueles que não dependem da decisão a ser feita.

3.2 Custos Variáveis e Fixo

Quanto ao volume de produção, o autor afirma que custos variáveis variam o valor de acordo
com a produção ou venda que está sendo realizada. Quanto maior for o volume de produção,
maior será o custo variável. Já os custos fixos, não dependem do volume da produção, assim
permanece o mesmo valor, tendendo sempre a manter os gastos constantes,
independentemente se a empresa está funcionando ou não.

3.3 Custos Diretos e Indiretos

Custo direto é todo custo capaz de ser identificado diretamente ao produto sem alguma
comparação, e é possível identificar com aqueles que estão diretamente ligados a um
determinado produto e não é necessário nenhum critério de rateio. Os custos indiretos não são
identificados diretamente nos produtos ou serviços. São custos que precisam de algum padrão
para alocação dos produtos.

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4. Método de Custeio

Aplicar e identificar corretamente qual método de custeio será utilizado pela empresa é
bastante importante, pois assegura a forma correta de formulação do preço final de um
produto.

4.1 Custeio por Absorção


De acordo com Wernke (2004, p.20), o método é utilizado quando se deseja conceder um
valor de custos ao produto. Para o autor, o Custeio por Absorção “consiste na apropriação de
todos os custos de produção aos produtos, de forma direta e indireta, mediante critérios e
rateios”.

4.2 Formação de Preço de Venda

Bruni e Famá (2004), cita que as decisões associadas à gestão empresarial de uma empresa
devem sempre preocupar-se com custos e preços. Uma empresa somente poderá prosperar se
praticar preços superiores aos custos de despesas, caso o valor do preço final seja inferior, a
empresa poderá ir ao fracasso. Por isso é necessário analisar o valor percebido ao que o
mercado exige e formar preços adequados.

5. Análise dos resultados

De acordo com Rohenkohl (2014), é necessário a descrição do processo de produção, o


cálculo do custo diretos da produção e a apuração dos custos indiretos, para o cálculo do custo
total e formação do preço de venda. Diante desse método, foi realizado os cálculos na
empresa estudada.

5. 1 Descrição dos processos de produção


No gráfico abaixo, estão representadas as fabricações dos produtos da empresa estudada no
mês de março de 2018.

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Figura 1 – Fabricação Março 2018

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

A formulação do preço será dos dois produtos na linha de produção que mais são vendidos no
período estudado, à produção de pias e bancados para cozinha, peitoris e soleiras.

5.2 Fluxograma do processo de produção de pia ou bancada


Abaixo é apresentado o fluxograma do processo referente à produção de pia.

Figura 2 – Fluxograma processo de produção de pia ou bancada

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

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5.3 Fluxograma do processo de produção de soleira ou pingadeira


Segue abaixo o fluxograma do processo referente à produção de soleiras ou peitoris.

Figura 3 – Fluxograma processo de produção de soleira ou pingadeira

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

5.4 Levantamento dos custos diretos da produção

Os custos diretos são aqueles que estão diretamente ligados ao produto no qual foi constatado
na empresa estudada, que são a mão de obra direta e a matéria-prima

5.5 Custo com matéria-prima


A marmoraria conta com diversas variedades de granitos e mármores, que são comprados no
m². Cada produto é vendido a um preço no qual é definido através do tipo de pedra escolhido
pelo cliente, e as chapas são compradas no Espirito Santo, Bahia e em Belo Horizonte.

5.6 Custo com mão de obra direta


Para o total do custo de mão de obra foi preciso contato com a contabilidade, onde foram
apuradas as informações dos salários e encargos dos funcionários na folha de pagamento.

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Tabela 1 – Total de mão de obra direta

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

Conforme a tabela 1 foi considerada apenas os funcionários que trabalham diretamente


ligados ao processo de fabricação do produto. Foi realizado o cálculo referente a área de corte
e acabamento da empresa. Na área de corte trabalham dois serradores e um ajudante, e na área
de acabamento trabalham um funcionário como acabador I, dois funcionários como acabador
II e um ajudante, totalizando o valor de sete funcionários de mão de obra direta. O cálculo
para o custo total do empregado foi feito através dos salários dos marmoristas vigente naquele
mês. Verificou-se que não houve hora extra e adicional noturno no mês, e foram aplicadas as
porcentagens sobre os encargos em cima do valor mensal bruto. Os resultados apresentados
foram de R$4.765,75 de mão de obra direta da área de corte, e R$11.739,85 de mão de obra
direta da área de acabamento.

A empresa conta com uma variedade de acabamentos e serviços, e cada um deles demanda
um preço diferente que corresponde ao tempo gasto para confecção de cada um deles. Após o
cálculo de mão de obra direta, foi realizada uma apuração dos dados, e foram realizadas três
medições e calculado o tempo médio necessário para a produção de cada processo da área de
acabamento e corte.
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Tabela 2 – Tempo necessário para cada processo de produção

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

Foi realizado o tempo médio conforme cada processo produtivo para a confecção dos
produtos, dentre eles: corte na chapa do material, corte na serra do material, transporte da
pedra da serra para o acabamento, marcação de medidas para corte e furação do bojo, corte e
colagem do bojo, marcação do corte e furação para a colocação da torneira, acabamentos
simples em testeiras e rodobancas, acabamento 45º e colagem da testeira, acabamento no furo
do bojo, arremate nas quinas, limpeza da peça e aplicação da cera, nivelamento e conferência
com esquadro, marcação e furo de fogão, retirada da peça da produção e transporte para o
estoque, retirada da peça do estoque e posicionamento no veículo, acabamento simples e
acabamento abaulado. Foi calculado e especificado a quantidade de minutos gastos para a
fabricação de cada um deles de acordo com o metro linear, metro quadrado ou unidade.

Após a apuração dos custos totais com a mão-de-obra, foi necessário o cálculo do custo da
mão-de-obra por minuto

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Tabela 3 – Cálculo de custo de mão de obra direta por minuto

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Na tabela 3, foi realizado o cálculo através dos dias dos funcionários disponíveis para o
empregador, exceto os dias que não foram trabalhados como os sábados, domingos e feriados,
totalizando 21 dias. Após, foi feito o levantamento das horas que eles trabalham diariamente e
multiplicado pelos dias disponíveis, totalizando o valor de 184,8 horas durante o mês de cada
funcionário. Após o cálculo, foram transformadas as horas para minutos, concluindo o valor
de 11.088 minutos por mês de cada funcionário. Para achar o valor em minutos que
correspondente a cada área, foi multiplicado pela quantidade de funcionários de cada setor,
totalizando o custo por minuto do setor da área de corte R$0,14 e R$0,26 do setor de
acabamento. Com isso, foi necessário a separação desses custos para cada processo da
empresa.

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Tabela 4 – Valor da mão de obra direta de cada processo

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Na tabela 4 foi feita a separação de cada processo quanto a sua área, identificando se
corresponde a área de corte ou do acabamento, e posteriormente foi colocado o custo da MOD
de cada um deles.

5.7 Levantamento custos indiretos


Os custos indiretos foram analisados através de rateio para alocação dos mesmos no preço do
produto final, pois eles não estão associados diretamente ao produto especifico.

5.7.1 Cálculo de depreciação

Foi feito o levantamento das máquinas, ferramentas e veículo que a empresa possui para o
cálculo de depreciação. O cálculo de depreciação, foi feito com base na Instrução Normativa
SRF n° 162, de 31 de dezembro de 1998, aplicando a taxa exigida nos bens do ativo
imobilizado da empresa

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Tabela 5 – Cálculo de depreciação

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Foi constatado que a depreciação da máquina de serra é R$350,00, da máquina de polimento
R$68,65, do automóvel R$452,00 e da ferramenta manual é R$0,98.

5.7.2 Cálculo dos materiais indiretos

Foi realizada a apuração dos materiais utilizados no processo produtivo que não são
facilmente destinados aos produtos produzidos na empresa, estes foram destinados como
materiais indiretos

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Tabela 6 – Materiais Indiretos

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Na tabela 6 foram descritos todos os materiais utilizados no mês de março. Foram verificadas
em todas as notas fiscais as quantidades e preços comprados de acordo com cada produto.
Após esse procedimento foi multiplicado o valor do preço unitário com a quantidade
comprada, no qual totalizou o gasto de R$4.743,47 com materiais indiretos

5.7.3 Mão de obra indireta

Foi feito o levantamento do salário do supervisor da área de produção, e na tabela 7 abaixo


mostra o cálculo da mão de obra indireta do supervisor da área, totalizando o cálculo do
salário juntamente com os encargos no valor de R$4.759,40

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Tabela 7 – Apuração dos custos com mão de obra indireta

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

5.7.4 Cálculo total do custo indireto


Para a realização do cálculo total dos custos indiretos, foi realizado um rateio e descrito todos
os custos indiretos estudados.
Tabela 8 – Cálculo custo total indireto

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Foi realizado o somatório de todos os custos indiretos, sendo eles mão de obra indireta,
aluguel, depreciações, manutenção de equipamentos, luz, água, telefone e materiais indiretos.
Assim, obteve o total do custo que foi no valor de R$13.702,50, no qual foi dividido por
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77616 minutos que corresponde aos minutos disponíveis de todas as áreas. Com esse cálculo,
foi possível chegar ao valor total de custos indiretos por minuto, totalizando o valor de
R$0,18.

5.7.9 Cálculos do custo total através do método de absorção.

Foi realizado o estudo dos pedidos de acordo com as medidas solicitadas pelo cliente. Para o
cálculo de custo, foi exemplificado dois pedidos de compra, conforme medidas e pedras de
acordo com a necessidade do produto solicitado pelo cliente.

Para a obtenção do custo total por esse método, todos os custos fixos e variáveis são
envolvidos na formulação do cálculo. Os exemplos abaixo são referentes a fabricação de uma
pia com bancada e uma soleira no granito Preto São Gabriel, no qual o valor de compra do
metro quadrado em relação ao mês de março era de R$110,00:

5.7.9.1 Custo total de uma pia com bancada


O produto solicitado possui as medidas de 1,50x0,60m de pia com rodopia de 0,12m e faixa
de 0,10m e 1,00x0,60m de bancada para fogão cooktop com rodobanca de 0,10m e testeira de
0,10m, conforme o desenho abaixo

Figura 4 – Pia com rodopia

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

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Para o cálculo foi necessário 2,16m² de corte granito, 3,10m de acabamento simples, 1,60m
de corte de 45º e colagem da testeira, 1,50m de colagem da faixa da pia e acabamento na
mesma, marcação e um corte de furo de fogão, marcação do bojo, um furo e acabamento do
recorte do bojo, marcação do furo da torneira e furação, e uma colagem de bojo. O bojo e as
medidas do fogão foram fornecidos pelo cliente. Para a obtenção do custo total, foi realizado
o cálculo dos processos, minutos e valores envolvidos
Tabela 9 – Cálculo custo total direto da pia com bancada

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Foram analisados todos os procedimentos conforme descritos no quadro que envolvesse a
área do corte e do acabamento para a fabricação do produto. Para o cálculo foi necessário
multiplicar a metragem gasta ou unidade para a fabricação, pelo tempo médio gasto para a
produção, totalizando o tempo médio gasto no processo, no qual foi de 83,32 minutos para a
área da serra e 153,22 para a área de acabamento. Com esse resultado foi multiplicado o valor
da mão de obra direta de cada setor pelos minutos e assim foi obtido o valor total do custo
direto, totalizando o valor de R$51,50.
Tabela 10 – Cálculo custo total indireto da pia e bancada

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018).

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O resultado obtido anteriormente pelos minutos totais gastos para a fabricação do produto,
foram de 236,54. Esse tempo gasto foi multiplicado pelo valor do custo indireto de R$0,18,
totalizando o valor de R$42,58.

Diante aos valores calculados no qual totalizou o valor de R$51,50 de custos diretos e
R$42,58 de custos indiretos, foi realizado a soma que totalizou o valor de R$94,08. Para o
custo total, foi somando o valor de R$94,08 mais o valor da pedra que foi multiplicada pelo
metro quadro, totalizando o valor de R$237,60. Assim podemos afirmar que o custo total da
pia e da bancada foi de R$331,68.

5.7.9.2 Custo total de uma soleira ou peitoril

O produto solicitado foi uma soleira de 1,00x0,20m com acabamento em um lado maior,
conforme imagem abaixo:

Figura 5 – Soleira

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018).

Para a fabricação da soleira foi necessário 0,20m² de granito e 1,00m de acabamento simples.
Para a obtenção do custo total, foi realizado o cálculo dos processos, minutos e valores
envolvidos.

Tabela 11 – Cálculo custo total direto da soleira ou peitoril

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Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)


Na tabela 11 foi realizado o mesmo procedimento para o cálculo da pia com bancada. Foi
realizada uma análise e separação dos processos envolvidos para a fabricação da soleira, e foi
observado o tempo médio de 5,4 minutos gasto no processo para a área de corte e 5,4 para a
área de acabamento. Assim, foi multiplicado o valor da mão de obra direta de cada setor, o
resultado do valor total dos custos direto foi de R$2,16.
Tabela 12 – Cálculo custo total indireto da soleira ou peitoril

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018).

Foi repetido o mesmo cálculo para a apuração do custo indireto da pia e da bancada. O valor
total em minutos gastos para a fabricação da soleira, que foram de 10,80, foi multiplicado
pelo valor do custo indireto de R$0,18, totalizando o valor do custo total indireto de R$1,94.

Com os resultados já calculados dos valores dos custos diretos que foi de R$2,16 e R$1,94
dos custos indiretos, foi realizado a soma que totalizou o valor de R$4,10. Para o custo total,
foi somando o valor de R$4,10 mais o valor da pedra que foi multiplicada pelo metro quadro,
resultando o valor de R$22,00. Assim podemos afirmar que o custo total da soleira foi de
R$26,10.

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5.7.10 Formulações do preço de venda.


Inicialmente foi feito o cálculo dos custos totais pelo método de absorção, o valor desse
resultado juntamente com a técnica utilizada do mark up, foi aplicado para a formação do
preço de venda.
5.7.10.1 Técnica mark up
Para aplicação da técnica foi realizada a soma do lucro determinado pelos diretores da
empresa, juntamente com os impostos, as despesas e as perdas de material. No quadro abaixo,
observa-se os valores e a porcentagem em relação a cada um deles:
Tabela 13 – Cálculo do mark up

Fonte: Informações coletadas na empresa estudada (2018)

Para a obtenção do valor do lucro acima, foi realizada uma entrevista com os diretores no qual
foi constatada a necessidade de o lucro ser de 40%. A marmoraria é uma microempresa no
qual o imposto pago no mês apurado, foi de 7,34% através da arrecadação do Simples
Nacional. Em relação a perdas, foram realizadas análises durante os cortes na serra na
fabricação de pias, bancadas e soleiras, com o objetivo de analisar as perdas das pedras das
chapas. Foi realizada a medição das perdas e posteriormente foi subtraída à metragem
quadrada da chapa inteira cortada, no qual foi constatada uma média de 0,095% ao dia de
perda de material, em que foi multiplicado por 21 que corresponde aos dias disponíveis dos
trabalhadores, resultando o valor de aproximadamente 2% ao mês. Em relação às despesas,
para obter a porcentagem, foram somados todos os custos administrativos, totalizando o valor
de R$7.369,77 e dividido pelo valor do faturamento no valor de R$88.185,24, que
correspondeu o valor de %0,08. Após o levantamento das porcentagens, foi realizado o
somatório no qual totalizou o valor de 57,34% ou 0,57. Para a obtenção do divisor do mark up
para o cálculo da fórmula abaixo, foi necessário a subtração de 100% menos o valor de 57%
encontrado anteriormente, no qual resultou o valor de 43% ou 0,43.

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Fórmula: Cálculo:

5.7.10.2 Cálculo do preço de venda


Para o cálculo foi necessário o valor do custo total adquirido através do método de absorção, e
o valor do denominador da fórmula. Para a obtenção do resultado, é calculado dividindo o
valor do custo total por 0,43. Conforme o cálculo abaixo, podemos concluir o cálculo do
preço final de cada produto:
Cálculo do preço de venda da pia com bancada:

Cálculo do preço de venda da soleira:

5.7.10.3 Comparação do preço formulado com o atual.


Na marmoraria há um preço já formulado para cada acabamento e serviço referente à
formulação do preço final. Para os produtos estudados os valores calculados para o mês de
março foram: valor do metro do acabamento da faixa da pia e da testeira da bancada R$45,00
o metro linear; R$5,00 o preço do metro linear do acabamento simples nas rodobancas,
rodopias, peitoris e soleiras; R$40,00 o valor do furo do fogão; R$55,00 o furo da torneira, do
bojo e colagem do bojo. Com o cálculo do valor da pedra somado com os valores calculados
para os acabamentos, as medidas da pia e bancadas usadas como exemplos acima, é vendida
no valor de R$748,00, e a soleira no valor de R$51,00. O preço calculado através do método
utilizado no trabalho ficou em R$771,35 para a pia com bancada e R$60,70 para a soleira.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do cenário brasileiro cujo desemprego atingiu 13,3% no primeiro trimestre de 2017
(IBGE) além da interrupção de grandes obras, as reformas também se apresentam em queda
afetando, desse modo, não somente o ramo da marmoraria, mas como também setores
interligados. Com isso, o setor de marmorarias cada vez mais teve que se adequar fazendo
sistemas que facilitem o processo de venda, tendo em vista as atividades que não agregam

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sejam eliminadas do processo, mantendo assim apenas as que aumentam o valor agregado dos
bens e serviços.

O estudo teve como objetivo geral analisar o modelo de formação do preço de venda do
produto industrializado em uma marmoraria, desde a apuração dos custos diretos e indiretos,
fixos e variáveis com a produção, análise dos resultados até o efetivo cálculo de formação do
preço de venda, o qual foi plenamente alcançado no final da pesquisa.

Foi observado que houve uma divergência no preço vendido e no valor do preço formulado.
Em relação à pia, foi observada uma diferença de R$23,35 e da soleira no valor de R$ 9,70, o
que corresponde abaixo do valor dos cálculos realizados. Foi constatado que estáo sendo
perdidos 3% na venda da pia com bancada e 16% na venda de soleira, comprometendo o lucro
desejado. Ou seja, a empresa não está vendendo de acordo com os custos totais, as despesas
coletadas e a margem de lucro esperada. Para que as metas sejam alcançadas, será necessário
que a empresa reveja seus preços e faça os ajustes de acordo com o estudo apresentado acima.

Estudar e pesquisar sobre a formação de preços e formas de custeio, foi de grande valia para
esse setor na marmoraria que consentiu o estudo e todas as informações necessárias visando a
importância dos custos para o gerenciamento de uma empresa. Foi de grande importância
também para nós que adquirimos experiências e a oportunidade de desenvolvimento dessa
aplicação.
As referências devem aparecer em ordem alfabética e não devem ser numeradas. Todas as
referências citadas no texto, e apenas estas, devem ser incluídas ao final, na seção
Referências.

REFERÊNCIAS

BOMFIM, Eunir de Amorim; PASSARELLI, João. Custos e formação de preços. 6.ed São Paulo: IOB, 2009.

BRUNI, Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de Custos e Formação de Preços: Com Aplicação na
Calculadora HP 12C e Excel. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 2004.

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