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CORPOREIDADE E MOTRICIDADE HUMANA

A CORPOREIDADE NA EDUCAÇÃO FÍSICA

Olá meus queridos, sejam bem vindos à nossa aula de corporeidade e motricidade humana.

Nesta aula vamos dar continuidade no que estávamos estudando, principalmente sobre a importância de entendermos o contexto
histórico e filosófico da disciplina de corporeidade e motricidade humana na educação física.

Para isso, vamos iniciar descrevendo as ideias de Michel Foucalt fazendo uma transposição na educação das crianças.
CORPOREIDADE E MOTRICIDADE HUMANA

O QUE SERIAM OS CORPOS DÓCEIS?

Foucalt apresenta a imagem do soldado:


- corrigir posturas
- moldar o corpo
- automatismo de ações esperadas

Corpo que se manipula, que se modela, se


treina, que obedece, que responde, que se
torna hábil e que as forças se multiplicam

Assim como descrito por Michel Foucault no capítulo "Corpos Dóceis", de Vigiar e punir, houve, na segunda metade do século XVIII, a
necessidade de fabricar um soldado ideal; isso seria possível por um processo gradual, sutil e continuo de coação que visava corrigir
posturas mediante o domínio corporal como um todo, moldando o corpo, condicionando-o, manipulando-o, viabilizando-lhe o
automatismo de ações esperadas; essa submissão foi denominada por Foucault “corpos dóceis”; concretizava-se pela disciplina.
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CONTROLE E DISCIPLINA

A prática docente:

Metodologias, estratégias e sistema de avaliação

"Aluno Ideal"

A prática docente na infância em suas metodologias, estratégias e sistema de avaliação visa “produzir” um tipo ideal de aluno, com
comportamentos padronizados e aceitáveis socialmente, inviabilizando de certo modo a autonomia infantil, tornando-o submisso e
comprometendo a criatividade, que é extremamente necessária para o aprendizado do aluno, criando um ambiente de controle e
docilidade.

Essa docilidade do corpo da criança não permite que se desenvolva na criança a busca ativa para solucionar problemas; pelo contrário,
habitua a criança a não se posicionar em momentos em que deveria expressar seu posicionamento diante das situações, refletindo
diretamente no futuro.
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A DOCILIZAÇÃO DO CORPO DA CRIANÇA PEQUENA

Em grande parte das instituições de ensino, sobretudo de Educação Infantil, é muitas vezes oferecida uma educação que visa moldar a
criança. Segundo Michel Foucault, esse molde se dá pela aplicação da disciplina, que, ao invés de formar seres pensantes e autônomos,
molda-os conforme a sociedade espera que as crianças sejam. É comum ver sinais da imposição de poder porque tal imposição tem
ligação direta com a manipulação e o treinamento e visa à docilização do corpo da criança para exercer domínio e controle sobre ela.
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A DOCILIZAÇÃO DO CORPO DA CRIANÇA PEQUENA

Então, no centro desses sinais reina a noção de “docilidade” que une ao corpo analisável o corpo manipulável. É dócil um corpo que
pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado.

Visando atender uma expectativa social e até mesmo econômica, na escola, já desde a Educação Infantil, há a produção de corpos
dóceis, transformando as crianças em seres submissos, moldados e minuciosamente controlados para que se adéquem ao que é
esperado pela sociedade e para que se submetam por obediência às ordens dadas, não permanecendo a vontade própria e sim algo
que lhe foi instruído fazer. Isso dá-se pela disciplina, que vai desde a forma como são levados a sentar até os combinados (regras)
apresentados a elas desde o primeiro dia de aula.
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A DOCILIZAÇÃO DO CORPO DA CRIANÇA PEQUENA

Esse tipo de prática vai contra os princípios de autonomia, que filosoficamente se mistura com liberdade, pois tira da criança o direito de
escolha; ela passa a acreditar no que dizem e a reproduzir o que lhe foi ensinado sem interpretação crítica, tendo uma visão reducionista
da realidade na qual está inserida, visto que, como Foucault afirma, por meio da disciplina os mecanismos tornam o indivíduo tanto mais
obediente quanto útil.
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A DOCILIZAÇÃO DO CORPO DA CRIANÇA PEQUENA

As crianças devem desenvolver, desde os anos escolares iniciais, sua autonomia responsável para a construção de uma personalidade
sadia, mas para isso deve ter respeitadas suas individualidades; condicioná-las a um processo de docilização é fazer com que ela
cresça sendo alguém submisso e limitado, disposto apenas a seguir ordens, algo que está muito longe de uma educação com liberdade
e autonomia – que é o defendido por inúmeros estudiosos da Educação, inclusive pelo Referencial Curricular Nacional para Educação
Infantil,
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A DOCILIZAÇÃO DO CORPO DA CRIANÇA PEQUENA

Ao ignorar as individualidades das crianças, os professores, que muitas vezes não se autoavaliam quanto a suas práticas, reproduzem
até mesmo o que lhes foi oferecido, porque os docentes também passam pelo processo de docilização, transformando o processo em
um looping eterno, em que se reproduz aquilo que aprendeu sem ao menos problematizar as ações, os porquês e as consequências.
Paulo Freire nomeia tais ações como "concepção bancária"; nela o educador tem o papel de depositar nas crianças o conhecimento já
adquirido por ele. "Quanto mais se deixam docilmente ‘encher’, tanto melhores educandos serão".
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

O objetivo principal é trabalhar com os pequenos da Educação Infantil com uma proposta que lhes ofereça autonomia e construção do
pensamento crítico.

Para isso é necessário que o ambiente favoreça a cooperação da criança para seu desenvolvimento cognitivo. As estruturas do
ambiente precisam estar ao alcance da criança e de forma segura também, para que seja permitido o acesso dela a todo local.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

Nessa fase da vida, a criança leva dentro de si uma curiosidade sem tamanho, e é nesse momento que essa curiosidade deve ser
estimulada ainda mais, deve-se atrair o interesse delas para algo que vá enchê-la de informações necessárias para seu crescimento
como aluno atuante. Pedir a opinião, a colaboração e dar oportunidade para ela agir e interagir no seu ambiente irá presentear o
raciocínio dessa criança, tornando-a livre de ser um corpo dócil.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

É muito importante que durante esse processo o tempo da criança seja respeitado, tanto no que se refere ao momento do cumprimento
da atividade – que na verdade não tem que ter um tempo estipulado, mas que seja permitido à criança viver aquilo enquanto lhe causa
prazer, sem interferências – quanto no que diz respeito a esperar o tempo de reação de cada um, levando em consideração que cada um
tem o seu tempo para aprender. Dar liberdade de escolher o ambiente em que deseja estar, seja na sala de leitura, seja na sala de vídeo
ou no pátio. Permitir que aos poucos ela mesma crie seu momento de aprender; permitir que aprenda brincando. Fazer com que ela se
sinta capaz de opinar e dar ideias.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

Considerar suas escolhas quanto às brincadeiras; dar voz às crianças, reorganizando um lugar no qual prevalece a centralidade do
professor e atentar aos pontos de vista dos pequenos representam à Pedagogia da Infância práticas vinculadas aos direitos das crianças
e capazes de devolver-lhes as linguagens que lhes foram roubadas. Raramente isso encontra lugar no campo estudado, embora seja
declarada a experiência lúdica como critério pedagógico e o movimento como expressão central das crianças.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

Ouvir as crianças em suas múltiplas linguagens e respeitá-las em sua condição não significa eximir-se do trabalho de mediação
pedagógica. Se a ludicidade é critério pedagógico e o corpo como território das paixões e dos desejos é controlado em nome da
civilização, é preciso, para rivalizar com esse estado de coisas, organizar e planejar, mas também escutar as experiências corporais que
propiciem a descoberta de novas portas de comunicação, tendo em vista a participação criativa das crianças – pelas quais somos
responsáveis – no mundo. Interessa para a educação, no entanto, criticar a desmesurada dominação do corpo, que significa a anulação
de si.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

Descobrir outras linguagens, estabelecer formas não danificadas de interação com as crianças e recriar o tempo e o espaço dos
ambientes educacionais são desafios postos para a educação dos pequenos (Richter; Vaz, 2005, p. 84).
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

A forma como é aplicada a didática nas instituições de ensino se assemelha a medidas que eram realizadas em conventos e exércitos,
onde se deu início ao processo de docilização dos corpos a partir da segunda metade do século XVIII, sem a autonomia e com regras
impostas; o que se reproduz são alunos passivos e obedientes, ao invés de ativos, formadores de opinião. Alunos com os corpos
submissos, que têm que se enquadrar nas normas e reproduzir apenas o que lhe foi ensinado e imposto.
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

“muitos processos disciplinares, nos conventos, no


exército ou nas oficinas, já faziam parte do
cotidiano, porém no decorrer dos séculos XVII e
XVIII as disciplinas se tornaram fórmulas gerais de
dominação, tornando submissos os corpos. Esse é o
tempo disciplinar que se impõe aos poucos. E que
torna possível a formação de “uma espécie de
máquina de peças múltiplas que se deslocam em
relação umas às outras para chegar a uma
configuração e obter um resultado específico”.

O filósofo Michel Foucault, em seu texto “Os corpos dóceis”, de Vigiar e Punir, afirma que:
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O RESPEITO COMO PRINCIPAL AGENTE LIBERTADOR

Freire reafirma a necessidade de os educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte
de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro, porque ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Segundo o autor, essa linha de raciocínio
existe por sermos seres humanos e, dessa maneira, temos consciência de que somos inacabados; essa consciência é que nos instiga a
pesquisar, perceber criticamente e modificar o que está condicionado, mas não determinado, passando então a sermos sujeitos e não
apenas objetos da nossa história.

Todos devem ser respeitados em sua autonomia; portanto, a autoavaliação é excelente recurso para ser utilizado na prática pedagógica.
Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e, em decorrência disso, a busca para chegar ao
conhecimento.

O bom senso requer que sejamos coerentes, diminuindo a distância entre o discurso e a prática, julgando se a sua autoridade na sala de
aula é ou não autoritária, pois ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a
compreensão da realidade.

Ensinar requer a plena convicção de que a transformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não
como um determinismo moldado, pronto e inalterável. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância; é
preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças.

O educador não deve barrar a curiosidade do aluno, pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação, intuição, senso
investigativo, enfim, à sua capacidade de ir além.

A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos, não
obstante transmitindo saberes, mas dando significados, construindo e redescobrindo-os, pois fomos programados para aprender e, por
consequência, para ensinar, intervir e conhecer.

Com isso, foi diagnosticada a importância de aprimorar as formas de o profissional da Educação exercer suas habilidades, viabilizando
outros meios que priorizem o direito de a criança ter infância.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos concluir, que a Educação, assim como outros ambientes sociais, desde o século XVIII vem sofrendo um processo de
manipulação e controle, pela disciplina e pelos exercícios constantes, cujo objetivo é criar um tipo ideal, que no caso e nosso objeto de
estudo é o aluno (criança) ideal, obtendo assim controle de seu corpo numa fusão do corpo analisável e manipulável, tornando-o
totalmente treinável e passivo de aperfeiçoamento para determinado interesse social e até mesmo econômico, já que quanto mais
obediente (dócil) for o corpo, mais útil ele será.

Sendo assim é necessária uma ruptura com o que Foucault chama de “Pedagogia Analítica” pela qual a decomposição dos elementos e
a hierarquização dos graus e processos dão conta de uma minuciosidade que leva justamente à docilização, pleno controle das
operações corporais, classificação de uma forma que transcende o individual, ou seja os métodos aplicados “docilizam” coletivamente,
tornando mais eficiente essa dominação e alienação. Portanto, é necessária uma prática pedagógica libertadora que respeite as
individualidades das crianças, seu tempo, conferindo-lhe a autonomia, o prazer em aprender, a convivência social saudável e o
crescimento e desenvolvimento do corpo holisticamente, tornando a ludicidade e os princípios de liberdade o caminho para o
desenvolvimento infantil, abandonando a necessidade de manipulação e controle, criando na criança seu pensamento crítico,
estimulando sua curiosidade epistemológica e o pleno exercício de sua capacidade de iniciativa e criativa.