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Introdução ao Direito

Teórica
Introdução ao Direito

Fonte das Obrigações

1. Contratos

Quando há contrato estamos perante uma relação jurídica.

1.1. Tipos de contratos

Nominativos ou típicos: aqueles contemplados no código civil (art.840 a 1250)

Inominativos ou atípicos: aqueles que são celebrados ao abrigo da liberdade contratual e


dentro dos limites da lei.

Ex.: dividir tarefas domésticas, contrato de jardinagem, etc.

Contratos mistos: junção dos princípios e normas dos contratos normativos e da liberdade
contratual e os limites da lei fixados no art.280.

Ex.: Contrato de hospedagem  casa mobilada

Arrendamento Aluguer

1.2. Contrato de trabalho

É aquele pelo qual uma pessoa singular se obriga, mediante retribuição, a prestar a sua
atividade a outras pessoas, no âmbito de organização e sob autoridade destas (art.11 CT).

Regra geral os contratos de trabalho têm liberdade de forma, todavia alguns são obrigados
a serem feitos por escrito (documento particular):

 Contrato de trabalho a tempo parcial (art.151 CT)


 Contrato de trabalho intermitente (ast.158 CT)
 Contrato de trabalho de prestação subordinada (art.156 CT)
 Contrato de trabalho em comissão de serviço (art.156 CT)
 Contrato de trabalho temporário (art.181 CT)
 Contrato de trabalho com menor (art.9 CT)
 Contrato pré-reforma (art.290 CT)
 Contrato de trabalho com estrangeiro (art.5 CT)
 Contrato de promessa de trabalho (art.103 CT)
 Contrato de trabalho a termo (art.141 CT)  se não for feito por escrito torna-se
permanente (“efetivo” – art.147 nº1 CT)
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Nota: Entidade patronal é responsável pela elaboração do contrato. O vínculo não exige
assinar um contrato. É um contrato normativo, mas tem regime próprio.

Contrato de trabalho (art.1152) ≠ Prestação de serviços (art.1153)

1.3. Contrato de promessa

O contrato de promessa visa salvaguardar algo, ou seja, garantir a realização de um contrato


definitivo. É caracterizado como um contrato provisório.

Sempre que haja um contrato de promessa, especialmente de compra e venda, há,


obrigatoriamente, um sinal de 50% (art.442). Sempre que for entregue o sinal e não se realizar
a venda, o vendedor tem de pagar o sinal em dobro. Se o comprador desistir perde o sinal.

Há contrato de promessa de venda de bens futuros desde que o vendedor tome todas as
diligências para adquirir o bem (art.880).

Nota: Para identificar os contratos, primeiro é necessário identificar o objeto, porque quando
o objeto muda, a forma do contrato também pode mudar.

Sempre exista uma lei geral e uma lei especial, aplica-se a lei especial. Isto porque, o legislador
entendeu, ao criar uma lei especial, que este contrato tem características próprias.

Independentemente de a lei não exigir liberdade de forma, convém fazer sempre todos
contratos por escrito.

1.4. Casamento

O casamento é um contrato nominativo.

Tipos de casamentos:

 Comunhão geral: Bens são comuns antes e depois do casamento, mas existem bens
próprios (art.1723 f)).
 Comunhão de adquiridos: É imposto por lei. Os bens são próprios antes do casamento
e comuns após o casamento. O salário é um bem comum (art.1721 e art.1724).
 Regime de separação de bens: Bens próprios
 Regime Imperativo de separação de bens: Pessoa nova casa com alguém mais velho
(art.1720)

Sanção do Incumprimento: divórcio


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Deveres conjugais:

 Respeito;
 Fidelidade;
 Assistência;
 Cooperação;
 Coabitação: débito conjugal (art.1772) – manter relações sexuais.

Direito conjugal: igualdade dos deveres

2. Contrato Jurídico Unilateral (1 pessoa)

Esta pessoa vincula-se perante outra pessoa qualquer voluntariamente.

Nos Negócios Jurídicos Unilaterais não conhecemos a outra parte, só conhecemos uma parte
que voluntariamente e sem ninguém pedir, decide impor, a si própria, obrigações.

2.1. Promessa de cumprimento e reconhecimento (art.458)


2.2. Promessa pública (art.459 a 462)

2.3. Concurso público (art.463)

O concurso público exige uma legislação avulsa, por isso só há um artigo no código civil.

Características:

 Não conhece a pessoa;


 Tem critérios;
 Quando há candidatos fica vinculado.

Pode ser feito por um organismo público ou empresa privada.

Sempre que há um concurso público, o candidato deve ver:

 Ata de nomeação do júri;


 Ata de estipulação dos critérios a serem avaliados;
 Ata de abertura de concurso;
 Lista de candidatos.

O que acontece na realidade? O Público faz a ata dos critérios depois de conhecer os
candidatos.
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3. Gestão de Negócios (pessoal)

Quando alguém tem um negócio e gere o seu próprio negócio, essa pessoa é o dono do
negócio.

Gestão de negócio por terceiros é quando alguém gere o negócio de outrem.

3.1. Tipos de gestão por terceiros


 Voluntária

O dono do negócio transfere poderes representativos a uma terceira pessoa por si escolhida.
Os poderes são transferidos pelo contrato de mandato (art.1157) e procuração (art.262).

 Legal

O dono do negócio não transfere poderes representativos a ninguém. Todavia, a gestão do seu
negócio necessita, por qualquer causa, de um gestor e alguém com interessa nessa gestão
pede ao tribunal poderes representativos.

o Curadoria provisória;
o Curadoria definitiva;
o Morte presumida.
 Propriamente dita

O dono do negócio não transfere poderes representativos a ninguém. Todavia, um terceiro


qualquer decide assumir a direção do negócio alheio. Atua na convicção de um interesse real e
presumível do dono, ou seja, atua sem autorização de ninguém e convicto da necessidade e
utilidade para o dono do negócio.

4. Enriquecimento sem causa

A gestão de negócios está intimamente relacionada com a última fonte das obrigações –
enriquecimento sem causa.

O enriquecimento sem causa utiliza-se em última instância, quando não se pode recorrer a
outro instituto.

Garantias Patrimoniais
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Art.601 – “bens suscetíveis de penhora”

Código de Processo Civil

 Bens absoluta ou totalmente impenhoráveis (art.736)

 Bens relativamente impenhoráveis (art.737)

 Bens parcialmente penhoráveis (art.738)

Extinção da Obrigação

Numa relação jurídica, a obrigação extingue-se (art.406 – Eficácia dos contratos):


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 Pelo cumprimento (art.762);


 Pelo acordo.

Casos
Práticos
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1. A empresa Belmiro, Lda. foi contratada pela empresa Supermercados, Lda. para
realizar determinadas tarefas. Acordaram o horário a cumprir, 8h-17h, e a mensalidade que
Belmiro, Lda. iria receber.

Estamos perante um contrato de prestação de serviços (art.1154), porque é entre 2 pessoas


coletivas e apenas é dita a tarefa pretendida, e não como fazê-lo.

2. António celebrou um contrato com Supermercados, Lda. para prestar serviços de


repósitos com horário das 8h-17H e uma mensalidade de 650€.
Estamos perante um contrato de trabalho (art.1152), porque é entre uma pessoa singular e
outra coletiva, o horário e a remuneração são fixados e vi fazê-lo sob direção e autoridade da
empresa.

3. António vendeu as portas da cidade.


Trata-se da venda de um bem alheio, logo o negócio é nulo (art.892).

4. António prometeu vender, a Francisco, as portas da cidade.


Estamos perante um contrato de promessa (art.830 e art.410), uma vez que António prometeu
vender uma coisa futura (art.211).
Para a venda se realizar, António tem de comprar primeiro o bem ao Estado e depois vender a
Francisco (art.880)

5. Realizei um contrato de promessa de compra e venda com António e fixei o preço de


150 000€ pela casa. António pagou de imediato o sinal de 20 000€. Acordámos que a
escritura devia ser feita no prazo de um ano. Passado um ano, desisti da venda. No entanto,
no contrato tinha a cláusula: “EM caso de incumprimento do vendedor esse é obrigado a
pagar o sinal em dobro e/ou o comprador pode requerer a execução específica”.
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O comprador pode optar por ficar com a casa pagando o restante do valor acordado em falta,
mesmo contra a vontade do vendedor (art.442 nº3).

6. João, empresário de construção civil, comprou a Pedro cimento e a Francisco uma


casa antiga, bem como vendeu a Emanuel uma máquina de fazer cimento que tinha uma
peça partida, não permitindo a feitura (realização) de cimento e, ainda, vendeu um quadro
pintado pela mulher. Caso Emanuel gostasse do quadro, este poderia ser pago em 6
prestações.
Passados alguns meses, João decidiu doar a Francisco todo o dinheiro, caso ganhasse o
Totoloto. Entretanto, Beatriz, mulher de João, celebrou 3 contratos com Carlos. Deste modo,
porque Beatriz ia de férias para o Algarve, arrendou um carro, alugou uma casa no Algarve e,
finalmente, cedeu a Carlos uma garagem a custo zero.
Joana, filha de Beatriz, pediu emprestado a Eduardo 50€ e a Ricardo 250 000€ para a
construção de uma casa. Para o efeito, celebrou um contrato com Josefina para a realização
da planta da casa, com Carolina para ser sua mordoma, com Luís para a representar em
todos os atos, com Graça para guardar no seu armazém todo o material da obra e,
finalmente, com Paulo, Lda. para contruir a casa.

Identifique todos os contratos.


6.1. João comprou a Pedro cimento  Contrato de contra e venda de uma coisa
móvel (art.874)

6.2. João comprou a Francisco uma casa antiga  Contrato de compra e venda de
uma coisa imóvel (art.875).

6.3. João vendeu a Emanuel uma máquina de fazer cimento que tinha peça
partida, não permitindo a feitura do cimento  Contrato de compra e venda de uma coisa
defeituosa (art.913). Ter em atenção art.916.

6.4. João vendeu um quadro pintado pela mulher. Caso Emanuel gostasse, este
poderia ser pago em 6 prestações  Contrato de contento (art.923) – não é um contrato de
promessa de compra e venda.
 Contrato de venda a prestações (art.934)
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6.5. João decidiu doar a Francisco todo o dinheiro, caso ganhasse o Totoloto 
Contrato de doação (art.940) – Como o João ainda não tem o dinheiro, de acordo com o
art.942 nº1, não é possível doar bens futuros.

6.6. Beatriz arrendou um carro  Contrato de locação (art.1022) de uma coisa


móvel, nomeadamente um aluguer (art.1023).

6.7. Beatriz alugou uma casa no Algarve  Contrato de locação (art.1022) de uma
coisa imóvel, nomeadamente de um arrendamento (art.1023).
6.8. Beatriz cedeu a Carlos uma garagem a custo zero  Contrato de comodato
(art.1129). Não é um contrato de locação, pois este exige sempre um pagamento, seja
arrendamento ou aluguer.

6.9. Joana pediu emprestado a Eduardo 50€ e a Ricardo 250 000€  Contrato de
mútuo (art.1142).

Situações de contrato de mútuo

 António emprestou a Francisco 50€  Existe liberdade de forma, o seja, não precisa
ser escrito.
 António emprestou a Francisco 2500€  Existe liberdade de forma, o seja, não precisa
ser escrito.
 António emprestou a Francisco 2501€  Não há liberdade de forma, tem de ser por
escrito (documento particular).
 António emprestou a Francisco 25 001€  Não há liberdade de forma, tem de ser por
escrito (escritura pública).

6.10. Joana celebrou um contrato com Josefina para a realização da planta da casa
 Contrato de prestação de serviços (art.1154), porque apenas exige um resultado.

6.11. Joana celebrou um contrato com Carolina para ser sua mordoma  Contrato
de trabalho (art.1152), porque exige direção e autoridade.

6.12. Joana celebrou um contrato com Luís para representá-la em todos os atos 
Contrato de mandato (art.1157) implica, obrigatoriamente, uma procuração (art.262).
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6.13. Joana celebrou um contrato com Graça para guardar no seu armazém todo o
material da obra  Contrato de depósito (art.1185).

6.14. Joana celebro um contrato com Paulo, Lda. para a construção da casa 
Contrato de prestação de serviços (art.1152), porque espera um resultado. No entanto, como
se trata de uma obra (construção), o contrato é de empreitada (art.1207). Ter em atenção o
art.1220.

7. António tem um litígio (conflito) com Beatriz, em tribunal António pede uma
indemnização de 5000€. Todavia, no dia da audiência, o advogado de Beatriz e o advogado
de António chegaram a um acordo: Beatriz pedia desculpas e pagava somente 3000€. Ambos
concordaram com este acordo. Que tipo de contrato foi celebrado?

Estamos perante um contrato de transação (art.1248), pois existem cedências mútuas entre as
partes e ser feito judicialmente ou extrajudicialmente.

A transação visa terminar com um litígio (conflito), todavia apesar da lei não exigir um
requisito de forma, ou seja, a transação pode ser verbal, mas aconselha-se que seja feito por
escrito.

8. Francisco aposta 500€ com o seu mecânico, Ricardo, em como este não consegue
matar Beatriz. De facto, não conseguiu. Consequentemente, Francisco exige o pagamento da
aposta, Ricardo alega que não tem nenhuma obrigação civil, mas apenas uma obrigação
natural. Francisco contra-alega dizendo que dois fizeram um contrato no termo do art.405,
consequentemente, Ricardo terá de cumprir a obrigação ponto por ponto acordado no
art.406, sob pena de violar o princípio da boa fé do art.227 e cair no incumprimento.

A aposta (aart.1245) não é uma obrigação civil. Como o ato não é lícito, também não se trata
de uma obrigação natural (art.402).

Se não é uma obrigação civil, não há lugar a contrato.

9. António devia a Francisco 5000€. Certo dia, António chegou perto de Francisco e
disse: “- Eu para a semana vou-te pagar os 5000€ que te devo!”. Esta afirmação foi proferida
na presença de duas testemunhas, João e Joana. Passado uma semana António não pagou.
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Passou um mês, dois meses e António nada pagou. Francisco está farto e decide avançar
para tribunal, uma vez que tem uma prova desta dívida. A ação intentada por Francisco terá
viabilidade?

Estamos perante uma fonte das obrigações, nomeadamente um negócio jurídico unilateral,
pela existência de uma promessa de cumprimento e reconhecimento da dívida.

Segundo o art.458, a promessa e reconhecimento deveriam constar por escrito (documento


particular).

Não é viável.

10. António, certo dia, decidiu oferecer 500 de alvíssaras (recompensa) a quem
encontra-se o seu cão. Dois dias depois, compareceram, em casa de António, Francisco e
João, ambos viram as alvíssaras no Jornal Açoriano Oriental e, como encontraram o cão,
reclamam para si os 50€.

Estamos perante uma fonte das obrigações, nomeadamente um negócio jurídico unilateral,
pela existência de uma promessa pública (art.459).

De acordo com o art.462 nº2, o valor deve ser dividido equitativamente, de acordo com a
colaboração, pelo dois.

Têm direito a receber.

11. António, certo dia, decidiu publicar um anúncio no jornal em que oferecia 500€ em
alvíssaras a quem encontra-se o seu gato. Todavia, dois dias depois, o gato apareceu. Assim,
António, de imediato, foi ao café da esquina e colocou um anúncio colado na parede,
dizendo o seguinte: “Revoga-se as alvíssaras de 500€ pelo gato X”. No terceiro dia, Francisco
e João encontravam-se a passear quando viram o gato e, dois dias depois, leram no jornal
que havia alvíssaras de 500€. Como encontraram o gato, ambos reclamaram as alvíssaras.
António não quer pagar, porque alega que revogou a recompensa.

Estamos perante uma fonte das obrigações, nomeadamente um negócio jurídico unilateral,
pela existência de uma promessa pública (art.459).

A revogação deve ser feita no mesmo local onde foi anunciado (art.461 nº2), logo a revogação
não é eficaz, por isso terá de pagar. No entanto, mesmo que não tivessem conhecimento das
alvíssaras, teriam o direito a recebê-las.
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12. António decidiu publicar no jornal alvíssaras de 5000€ a quem encontra-se o seu
relógio da marca Rolex. Dois dias depois, compareceram, em casa de António, Francisco com
os ponteiros, Pedro com a bracelete e Maria com o mecanismo. Todos reclamaram as
alvíssaras por inteiro

Estamos perante uma fonte das obrigações, nomeadamente um negócio jurídico unilateral,
pela existência de uma promessa pública (art.459).

O relógio é uma coisa móvel (art.205) e composta (art.206), mas não divisível (art.209), logo
tem destino unitário.

Não teria de pagar.

13. António está casado em regime de separação de bens com Beatriz. António é
proprietário de um vinha, cujo as uvas precisam de ser apanhadas no prazo de 15 dias, sob a
pena de António ter um prejuízo de 5000€. Certo dia, António foi beber café e nunca mais
voltou. A esposa não sabe o que fazer. Todavia, não tem legitimidade para contratar
ninguém em nome de António. Como poderá Beatriz atuar?

Gestão de negócios por terceiros legal  Beatriz poderá ir a tribunal através da curadoria
provisória (art.89).

A providência cautelar (art.91) é um processo rápido em que o juiz decide sem respeitar o
princípio do contraditório (ouvir a outra parte). Com base no facto alegados, se achar que
existe necessidade e utilidade, decide de imediato. Para o juiz decidir a curadoria provisória,
exige uma caução (art.93) que serve para garantir que o curador provisório nomeado irá
desempenhar corretamente a sua gestão e sempre em benefício do dono do negócio (art.95 e
art.98). Na curadoria o trabalho não é remunerado (art.96).

Neste caso Beatriz tem legitimidade.

14. António está casado em regime de separação de bens com Beatriz. António é
proprietário de um vinha, cujo as uvas precisam de ser apanhadas no prazo de 15 dias, sob a
pena de António ter um prejuízo de 5000€. Certo dia, António foi beber café e nunca mais
voltou. António está desaparecido há mais de 2 anos. A esposa não sabe o que fazer.
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Todavia, não tem legitimidade para contratar ninguém em nome de António. Como poderá
Beatriz atuar?

Em vez da curadoria provisória, Beatriz pode pedir a curadoria definitiva (art.99). A curadoria
provisória termina de acordo com o art.112.

Curadoria provisória  até 2 anos  não existe partilha

Curadoria definitiva  2 a 5 anos  há partilha e também fica obrigado a pagar caução

15. António está casado em regime de separação de bens com Beatriz. António é
proprietário de um vinha, cujo as uvas precisam de ser apanhadas no prazo de 15 dias, sob a
pena de António ter um prejuízo de 5000€. Certo dia, António foi beber café e nunca mais
voltou. António tem 80 anos. A esposa não sabe o que fazer. Todavia, não tem legitimidade
para contratar ninguém em nome de António. Como poderá Beatriz atuar?

Beatriz pode pedir a morte presumida (art.114). No entanto, ela continuará casada (art.115),
mas pode casar novamente. Se António regressar, tem de entregar todos os bens (art.119).

16. António é credor de Bento, logo Bento é devedor, todavia não sabe quais os bens
que pode “atacar” para satisfazer o seu crédito.

Art.601 – “bens suscetíveis de penhora”

Código de Processo Civil

 Bens absoluta ou totalmente impenhoráveis (art.736)


 Bens relativamente impenhoráveis (art.737)
 Bens parcialmente penhoráveis (art.738)

17. Contudo é de sublinhar que Bento não tinha intenção de pagar a dívida a António,
pelo que combinou com o seu filho Pedro que venderia a casa por 150 000€ quando na
realidade deu-a (gratuitamente). António tomou conhecimento do facto e não sabe o que
fazer.

Trata-se de uma simulação do negócio, logo é nulo (art.240). Assim, António pode pedir a
declaração de nulidade (art.605).
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Normal
Doação
Modal Existem encargos para quem recebe

18. Em simultâneo, Bento decidiu doar a Francisco, seu amigo, um apartamento mesmo
sabendo que está em dívida com António. António está fulo e não sabe o que fazer.

Trata-se de uma doação (art.940), deste modo António pode recorrer à impugnação pauliana
(art.610) para anular o negócio.

19. Por tudo isto, António tinha justo receio que Bento pretendesse desfazer-se de todo
o património que possuía para não pagar a dívida. Uma vez mais não sabe o que fazer.

Nesta situação, António pode pedir um arresto (art.619), uma providência cautelar. 
Congelar as contas e os bens

É um processo provisório, em que o juiz decide sem ouvir a outra parte. São decisões muito
rápidas, porque não existe o contraditório da pessoa visada. A pessoa que pede (credor) o
arresto é obrigada a prestar caução.

20. José, amigo de Bento, foi acusado e condenado por um crime, contudo encontra-se
em liberdade, até porque o juiz que exigiu o pagamento de uma caução. Infelizmente, não
sabe como irá pagar, pois não tem bens, apenas uma pedra preciosa deixada pela mão e se a
vender perderá muito dinheiro.

Ele pode pagar a caução com qualquer coisa (art.623).

21. Alguns meses mais tarde, José precisava de dinheiro e pediu à Joana, sua amiga, que
fosse sua fiança. Esta concordou, porém não sabe quais são os seus direitos e obrigações.

Direito de regresso (art.524)

A fiança é uma garantia patrimonial pessoal. Quando o devedor principal não paga, o fiador,
regra geral, passa a ser o devedor secundário.

Todo o fiador só passa a ser devedor secundário em caso de incumprimento do devedor


principal, se tiver renunciado ao benefício de excussão. Se não tiver renunciado, o fiador tem
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sempre a faculdade de dizer que não paga nada enquanto não esgotarem todo o património
penhorável do devedor principal (art.638).

22. José estava aflito e, para salvaguardar o seu crédito, exigiu a Manuel (devedor) que
entregasse em garantia um carro no valor de 1000€, bem como um terreno. Manuel não
sabe como fazer isso.

Penhor (art.666): é uma garantia de pagamento que incide sobre coisas móveis. O bem móvel
fica empenhado (entregue voluntariamente) ou penhorado (entregue coercivamente –
tribunal).

Hipoteca (art.686): é uma garantia de pagamento que incide sobre as coisas imóveis. Esta
pode ser (art.703):

 Legal – quando existe um empréstimo para aquisição de casa


 Judicial – obrigado pelo tribunal, como garantia de cumprimento
 Voluntária – quer dar o bem como garantia

23. Em conversa com os funcionários das Finanças, estes afirmaram a José que em caso
de insolvência as Finanças recebem sempre em primeiro lugar. José não entende porquê.

Privilégios creditórios (art.733):

1.º) Estado (Finanças, Segurança Social, etc.)


2.º) Restantes credores

24. José mandou vir da China umas estátuas em mármore. Porém, como não tinha
dinheiro para pagar, a transportadora não quis entregar a mercadoria apesar desta já se
encontrar em Portugal.

Direito de retenção (art.754) é uma faculdade que os credores têm em reter a mercadoria,
enquanto não for pago.

25. António foi ao Mercado da Graça e pediu 1kg de bananas, 1kg de laranjas e 1kg de
kiwis, tudo no valor de 10€. Pedro, o vendedor, coloca dentro do saco 1kg de bananas, 1kg
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de laranjas e 1kg de maçãs, por 12€. Entregou o saco a António, António olhou para dentro
do saco, pagou e foi embora.

1ª parte do art.406 não foi cumprida, porque não foi entregue a fruta pedida corretamente.

2ª parte foi cumprida, porque ele viu o que tinha no saco e concordou ao pagar a conta
(art.837)

Estamos perante uma declaração negocial tácita (art.217): quem cala consente.

26. António é senhorio de Francisco. António não gosta de Francisco aliás, quer que
Francisco saia lá de casa. Para o efeito, António idealiza um plano diabólico para que
Francisco caísse sempre no incumprimento na altura do pagamento da renda. Deste modo,
sempre no dia acordado para pagamento da renda António desaparecia. Imagine que
Francisco não consegue pagar a sua renda por qualquer um dos meios conhecidos
(transferência, cheque), como poderá extinguir a sua obrigação para evitar uma ação de
despejo.

Francisco poderá fazer uma consignação em depósito (art.841) – é uma exceção. Esta permite
que o inquilino deposite a renda em qualquer banco. Todos os bancos têm um formulário
próprio em triplicado, um para o banco, outro para o inquilino e o último para o senhorio, caso
esse venha levantar a renda.

Esse depósito é feito à ordem do banco com a identificação do imóvel e do senhorio. O mais
importante é que o inquilino escreva no formulário a razão de fazer esse depósito.

Após o depósito, é obrigação do inquilino tentar notificar o senhorio que as rendas estão a ser
depositadas no banco.

27. António deve a Francisco, numa relação jurídica, quaisquer 20€. Por sua vez,
Francisco deve a António, noutra relação jurídica, quaisquer 10€. Para extinguir a obrigação
de António. Terá António de pagar os 20€ e Francisco os 10€?

Deverão fazer um acerto de contas, ou seja, António pagava a Francisco os 10€ de diferença.
Compensação (art.847)
Introdução ao Direito

28. António decidiu fazer um empréstimo bancário para aquisição de uma casa. Ficou
acordado com a instituição bancária o pagamento mensal de 500€ pelo crédito. Mais tarde,
António precisa novamente de fazer um empréstimo bancário para a realização de algumas
obras em casa. Ficou acordado com a instituição bancária o pagamento de 500€.
Considerando as duas relações jurídicas distintas, existe alguma possibilidade de António
pagar uma única prestação que inclusive pode ser mais baixa?

António pode fazer uma renegociação da dívida  Novação (art.857)

29. António é católico, um devoto profundo, que acreditava no perdão. Assim, certo dia,
perdoou z dívida que Francisco tinha para consigo. Pergunta-se, será que a obrigação se
extinguiu?

Remissão (art.863)  A obrigação extinguiu-se, porque foi vontade dos dois. No entanto, deve
pedir por escrito, apesar da liberdade de forma, para mais tarde se poder comprovar.

30. António era inquilino de Francisco e pagava mensalmente500€ de renda. Certo dia,
António recebeu, por legado, a referida casa. Pergunta-se, baseado num contrato de
arrendamento, terá António que pagar renda?

A obrigação extinguiu-se  Confusão (art.868)

31. António foi almoçar a um restaurante, no dia 1/01/2019, comeu e bebeu do melhor,
porém como era amigo do dono, Sr. Francisco, saiu sem pagar os 60€. Sr. Francisco notificou
várias vezes António a fim deste pagara fatura, a 2 fevereiro fez a 1ª notificação, a 3 março a
2ª e 4 abril a 3ª. Todavia, como tinha outros assuntos a tratar esqueceu-se de notificar
António. Voltou a notificá-lo em dezembro. Em dezembro, António afirma que já não paga
nada até porque a dívida está prescrita, porque já passou 12 meses e não tem uma
obrigação civil, mas natural.

Neste caso, a obrigação prescreve 6 meses após a última notificação (art.316).

Para prescrever o devedor tem de invocar a prescrição judicialmente (art.303).

O credor tem o direito de a interromper (art.323), notificando.


Introdução ao Direito

Em dezembro volta a contar mais 6 meses.

Não sendo invocada a prescrição judicialmente, o credor pode notificar o devedor até ao
máximo de 20 anos.

Trata-se de uma obrigação civil, após os 6 meses e não tendo sido invocada a prescrição.