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PARÂMETROS DE AQUISIÇÃO E RECONSTRUÇÃO DAS

IMAGENS

INTRODUÇÃO
A tomografia trabalha com tubos de raios X de alta potência dispostos no interior do corpo do
equipamento e apresenta um movimento de rotação de forma justaposta a um conjunto de
detectores, que são os elementos responsáveis pela coleta do feixe transmitido pelo paciente. A
tomografia computadorizada (TC), fundamentalmente, é um método de medida da atenuação
dos raios X que atravessam o paciente, pelo plano de secção transversal de espessura fina do
corpo, sensibilizando um conjunto de detectores que transformam essas medições do poder de
penetração da radiação em uma imagem digital de secções axiais do corpo por meio de um
processo matemático.
Para a aquisição dos dados, dois métodos são comumente empregados: corte a corte ou
aquisição axial (giro e coleta de dados de cada corte transversal), e aquisição de volume (espiral
ou helicoidal). No corte a corte, é realizado um único movimento circular em torno do paciente,
gerando uma imagem tomográfica, seguido do movimento da mesa; já na aquisição
volumétrica, o paciente move-se de forma contínua para dentro ou para fora do aparelho
enquanto o tubo de raios X e os detectores realizam um movimento circular de 360°, e a
resultante dos movimentos é equivalente a uma aquisição helicoidal.
Uma medição da atenuação quantifica a fração da radiação removida ao passar por uma
determinada quantidade de um material específico de espessura X e, para que a imagem possa
ser interpretada como uma imagem anatômica, múltiplas projeções são feitas a partir de
diferentes ângulos. O computador, de posse dos dados obtidos nas diferentes projeções,
reconstrói uma imagem digital em forma de matriz de elementos individuais (pixels) de 512
512 ou 1.024 1.024. Cada elemento de imagem da matriz (pixel) se apresentará com um tom de
cinza correspondente à sua densidade, que indica o coeficiente de atenuação linear médio do
tecido em questão. O coeficiente de atenuação linear médio é baseado nos coeficientes da
água, do ar e dos ossos. Estruturas com alta densidade radiológica, por exemplo, os ossos, se
apresentam “claras” ou “hiperatenuantes” na imagem tomográfica, e o ar, pela sua baixa
densidade, se apresenta “escuro” ou “hipoatenuante”. A água encontra-se no centro da escala,
sendo utilizada como referência. A escala de densidades é conhecida como escala de Hounsfield
e associa as densidades das diferentes estruturas anatômicas a um valor específico na escala de
cinza.

MATRIZ
A matriz é composta de pixels (ou elementos de área) dispostos em colunas e linhas. Uma
matriz de alta resolução apresenta pixels de pequenas dimensões, com maior resolução da
imagem formada. A espessura do corte forma a terceira dimensão e está relacionada à
profundidade do corte. O volume formado pelo pixel e pela profundidade do corte é
conhecido por voxel. O voxel representa o elemento tridimensional da imagem. O pixel é o
elemento pictórico quadrado individual que compõe a matriz, sendo bidimensional. O tamanho
do pixel, em geral, fica entre 0,1 e 1 mm e pode ser determinado da seguinte forma:
Campo de visão( mm)
Tamanho do pixel=
Tamanho da matriz
A cada pixel é atribuído um valor numérico denominado de número de TC, que está
relacionado ao coeficiente médio de atenuação linear específico (μ) do voxel do tecido que ele
representa. A escala de Hounsfield é utilizada para representar o número de TC (Figura 1). Cada
voxel representa a unidade de volume da imagem, considerando a espessura do corte.
Nos tomógrafos mais modernos, a obtenção dos dados para a formação da imagem permite
uma reconstrução isotrópica, Ou seja, com a mesma qualidade de imagem em qualquer plano
(axial, sagital e coronal). Isso é possível porque o voxel adquirido tem a mesma dimensão nos
três eixos (X, Y e Z), formando um cubo, e, assim, permite qualquer reconstrução volumétrica
com a mesma resolução da imagem axial.

FIGURA 1: Imagem axial em tomografia. Cada pixel representa a atenuação de raios X em um pequeno voxel que se estende pelo
tecido. Neste exemplo, o tamanho do pixel é aumentado. Em adição, em uma imagem real, todos os tecidos dentro de um único
pixel devem ter o mesmo tom de cinza.

ESCALA DE HOUNSFIELD
A tomografia é um método que avalia a densidade entre os diferentes tecidos e, para isso,
adota uma escala de densidades conhecida como escala de Hounsfield, em que a cada tom de
cinza na composição da imagem é atribuído um valor numérico, o qual é calculado em relação
ao coeficiente de absorção linear da água (Tabela 1). A água é usada como referência, tendo
valor igual a zero unidades Hounsfield (UH). Tecidos com densidade maior que água assumem
valores positivos e os de densidade menor que a água, valores negativos. A escala de
Hounsfield assume valores de –1.000 (ar) até +1.000 (chumbo).
Números de TC: K = 1.000 (atual) unidades Hounsfield (UH)
µ tecido−µ água
Número de TC= K
µ água
TABELA 1 Valores da escala de Hounsfield
Tecido Coeficiente Hounsfield
Ar -1000
Pulmão -900 a -400
Gordura -110 a -65
Água 0
Rim 30
Sangue normal 35 a 55
Sangue coagulado 80
Músculo 40 a 60
Fígado 50 a 85
Ossos 130 a 1000
Meio de contraste 100 a 1000

PARÂMETROS DE RECONSTRUÇÃO
A TC mede a intensidade da radiação transmitida após a interação de um feixe com um órgão,
sensibilizando um detector. A intensidade de radiação transmitida compreende a radiação
incidente menos a radiação absorvida/espalhada pelo objeto e é dada pela equação:
I = I0 e-(µ) x
Em que:
I = intensidade de radiação transmitida;
I0 = intensidade de radiação incidente;
e = base do logaritmo natural (2.718);
μ = coeficiente de atenuação linear;
x = espessura do objeto.

A imagem tomográfica é formada por pequenos blocos de imagem correspondentes a cada


voxel da matriz, tornando a equação mais complexa à medida que as matrizes apresentam
melhor resolução. Em um equipamento que trabalha com matriz 512*512, a equação
representada seria:
I = I0 e – (µ1 + µ2 + µ3 + µ4 +... µ512) x
O número de equações para reconstrução de uma imagem aumenta em função do número de
detectores e do número de projeções utilizadas na construção da imagem, sendo necessário o
emprego de 200 mil equações para a reconstrução de uma única imagem nos equipamentos
com matriz de alta resolução (atuais), requerendo um sistema de computação de alta
performance.
Entre os algoritmos de reconstrução ou métodos matemáticos utilizados na reconstrução das
imagens, estão a retroprojeção, o método interativo e o método analítico.

Retroprojeção
É um método que consiste basicamente na obtenção de imagens em diferentes projeções, com
a correspondente somatória dos resultados obtidos em cada projeção. O resultado final
apresenta a imagem real do objeto, contaminada por artefatos pelo efeito das inúmeras
projeções.
Método interativo
Considera um valor médio de atenuação para cada coluna ou linha da imagem, compara os
resultados obtidos com a média previamente estabelecida e faz os ajustes necessários
adicionando e subtraindo valores em densidades para cada elemento da imagem, até a sua
reconstrução final. É parecido com o método da retroprojeção, eliminando as “contaminações” e
apresentando imagens mais nítidas.4
Método analítico
É utilizado em quase todos os equipamentos comerciais, sendo dividido em dois métodos
conhecidos entre os matemáticos: a análise bidimensional de Fourier e a retroprojeção filtrada.
A análise bidimensional de Fourier consiste em analisar funções de tempo e de espaço pela
soma das frequências e amplitudes correspondentes, sendo um método complexo para os
nossos conhecimentos. A vantagem do uso do método analítico pela análise bidimensional de
Fourier é o fato de o computador poder trabalhar com maior velocidade.
A retroprojeção filtrada é um método similar ao de retroprojeção, em que são eliminados os
borramentos por contaminação, tornando a imagem mais nítida. É utilizado em alguns
equipamentos comerciais.

PARÂMETROS DE AQUISIÇÃO
Kilovoltagem
A kilovoltagem (1 kV = 1.000 volts) representa a diferença de potencial entre o polo negativo
(cátodo) e o positivo (ânodo) do tubo de raios X.
A kV determina a proporção do feixe de raios X que penetra no paciente e, quanto maior a kV,
mais rapidamente os elétrons se movimentam, mais energético é o feixe de raios X produzido e
mais uniforme a dose é distribuída ao paciente. Aumentar a kV reduz o contraste dos ossos com
relação aos tecidos moles e produz um fluxo alto de radiação no detector, melhorando a
resposta do detector e reduzindo artefatos. 3,5
Miliampères
Miliampères (mA) é a corrente do tubo e, portanto, o número de elétrons que vão do cátodo ao
ânodo (quantidade de radiação), sendo uma corrente anódica. Aumentar a amperagem significa
aumentar a quantidade de elétrons acelerados dentro do tubo e, portanto, a intensidade do
feixe de raios. Equipamentos modernos possuem controle automático de exposição (AEC) que
modulam a corrente (mA) conforme a espessura da fatia irradiada. Situações de alto contraste,
como tórax e pelve, permitem uma redução do mA, mantendo a qualidade da imagem aceitável;
portanto, deve-se variar o mA conforme o tamanho do paciente e/ou a parte do corpo a ser
escaneada.3,5
A modulação automática da corrente do tubo é realizada por um programa que
automaticamente ajusta a corrente do tubo com base na atenuação estimada do paciente em
uma determinada área. Ele ajusta o mA durante cada rotação do tubo para compensar uma
larga variação na atenuação dos raios X, como em sequências que vão desde os ombros até o
resto do tórax. O tipo de programa varia de acordo com o fabricante, mas em um dos métodos
as estimativas são derivadas dos escanogramas feitos em posições anteroposterior e lateral. A
partir disso, o mA é calculado de acordo com o total de varredura da programação. Essas
técnicas de modulação automática podem reduzir a dose de radiação que vai de
15 a 40%, o que diminui a dose de radiação no paciente.
Tempo de rotação
É o tempo que o conjunto de emissores e detectores de raios X leva para dar uma volta
completa ao redor do objeto estudado em uma única rotação. Quanto maior o tempo de
rotação, maior a quantidade de radiação deflagrada em uma área. 5
Miliampères por segundo
O miliampères por segundo (mAs) é obtido multiplicando-se o mA pelo tempo de rotação do
tubo. Ele controla a intensidade do feixe e, portanto, a dose de radiação. O mAs pode ser obtido
por várias combinações entre mA e parâmetros de tempo de aquisição, reduzindo o mAs
enquanto mantém-se o kV constante.
Pitch
Pitch é a relação entre a velocidade de deslocamento da mesa (mm/segundo) e a espessura do
corte (mm). Quanto maior o pitch, mais rápido a mesa se deslocará e mais rápida será a
aquisição de dados, porém, menor a resolução das imagens. Nas aquisições helicoidais em
equipamentos single-slice com pitch de 1, o deslocamento da mesa é o mesmo da espessura
do corte (em aquisições com cortes de 10 mm, para cada imagem, a mesa se deslocará 10 mm a
cada rotação do tubo). Se o pitch for alterado para 2, a velocidade da mesa será duas vezes
maior que a espessura de corte (em aquisições com cortes de 10 mm, para cada imagem, a
mesa se deslocará 20 mm por rotação). Pitchs maiores que 1 reduzem a dose de radiação e a
resolução da imagem; em pitchs menores que 1, há sobreposição do feixe (interpolação de
imagens), resultando em maior dose de radiação e aumento da resolução da imagem.
Com a introdução dos equipamentos multidetectores, o conceito de pitch mudou, tornando-se
mais complexo. O beam pitch (feixe) distinguiu-se do detector pitch (detector), e ambos são
definidos por:
mm
Deslocamento da mesa( )
 rotação
Beam pitch : pitchX=
Largura do feixe de raios− X (mm)
A distância coberta em um escaneamento helicoidal pode ser calculada usando a equação a
seguir:

mm
Deslocamento da mesa( )
 rotação
Detector pitch : pitchD =
Largura do detector ( mm)
O feixe de raios-X é colimado pela largura do detector e a relação entre o feixe e a colimação é
dada por:

PitchD
Beam pitch : pitchX=
N
A distância coberta em um escaneamento helicoidal pode ser calculada usando a equação a
seguir:
tempo total de aquisição
pitch= =total de cobertura anatômica
tempo de rotação x
( espessura de corte x cortes por rotação )
Na Figura 2, há uma demonstração dos detectores single-slice e multislice.

FIGURA 2: Diagrama mostrando a diferença entre equipamentos com detector single-


slice e detector multislice

Por exemplo: em uma sequência em que o pitch é 1,5, o tempo de aquisição é de 20 segundos,
com 1mm de espessura de corte, 4 cortes por rotação, e a rotação do gantry é de 0,5 segundo,
então haverá 240mm de cobertura.

Field of view
O field of view (FOV) é o campo de visão e representa o tamanho máximo do objeto de
estudo no plano X-Y. Ele determina a área, dentro do gantry, onde os dados serão adquiridos.
Os dados são sempre adquiridos em volta do isocentro do gantry. Quanto maior o FOV, menor
é a qualidade da imagem obtida, pois em uma matriz fixa o tamanho dos pixels também
aumenta, deixando a imagem mais granulada. Quanto menor o FOV, melhor a resolução da
imagem e a visualização dos menores detalhes. O display field of view (DFOV) determina em
que espaço dos dados coletados a imagem é criada.
Espessura de corte
Menores espessuras de corte apresentam maior detalhamento na imagem. A espessura de corte
não afeta a dose de maneira direta, porém, as fatias finas são reconstruídas a partir de menos
dados do que as fatias mais grossas e tendem a ter mais ruído. Em geral, reduzir a espessura de
corte exige o aumento da dose de radiação para reduzir o ruído na imagem.
Algoritmos de reconstrução
Os algoritmos de reconstrução determinam como os dados serão filtrados no processo de
reconstrução. Os filtros modificam a imagem em relação a resolução, as bordas e os contornos,
deixando a imagem mais ou menos granulada, tendo como finalidade melhor resolução
espacial. Alguns filtros ajudam a amenizar artefatos, reduzindo a diferença entre pixels
adjacentes, mas ao mesmo tempo diminuem a resolução espacial. Esses são normalmente os
filtros de suavização (smoothing). Outros acentuam a diferença entre pixels vizinhos para
otimizar a resolução espacial, mas diminuem a resolução de baixo contraste. Esses são
comumente chamados de ósseos ou detalhados.3
Janelas
São recursos computacionais que permitem a manipulação das imagens na escala de
tonalidades de cinza pelo uso de números de TC conforme a necessidade de visualização de um
determinado tipo de tecido. O nível da janela (WL) é o ponto central de uma faixa de números
de TC selecionada e a largura da janela (WW) é a faixa de números de TC ao longo da qual a
faixa de tons de cinza será exibida.5
Resolução espacial
Resolução detalhada, também chamada de resolução espacial, é a capacidade do sistema de
definir, de forma separada, pequenos objetos colocados muito juntos. Um exemplo que
depende da resolução espacial é quando existem vários fragmentos de osso perto de um osso
fraturado. Há dois métodos para mensurar a resolução espacial: diretamente usando um
phantom com pares de linhas ou analisando a informação espalhada dentro do sistema. Isso é
conhecido como função de transferência de modulação. Quando comparada à radiografia
convencional, a TC tem a pior resolução espacial. É a resolução de contraste que distingue a TC
de outras modalidades clínicas. A resolução espacial em TC pode ser descrita em duas
dimensões: a resolução da direção X-Y é chamada resolução em plano; a resolução na direção Z
é chamada resolução longitudinal.
Resolução de contraste
É a capacidade de diferenciar uma estrutura cuja densidade varia ligeiramente em relação à
densidade do meio ao seu redor. Também pode ser definida como a sensibilidade do sistema e,
portanto, o termo “resolução de baixo contraste” pode ser empregado. Ela pode ser mensurada
usando phantoms que contêm objetos tipicamente cilíndricos de tamanhos variados e com
uma pequena diferença de densidade do fundo. A diferença entre um objeto e o fundo pode
ser pequena, e o ruído exerce um papel importante na resolução de baixo contraste. 6
Resolução temporal
A resolução temporal de um sistema define o quão rapidamente os dados são adquiridos. É
controlada pela velocidade de rotação do gantry, pelo número de fileiras de detectores e pela
velocidade com que o sistema pode gravar sinais modificados. Tipicamente, é demonstrada em
milissegundos. Uma alta resolução temporal é de extrema importância para evitar movimento
na imagem e para estudos dependentes de fluxo dinâmico de meio de contraste iodado. 6 A
Tabela 2 traz um resumo com a interação dos parâmetros de aquisição de imagem em TC.

TABELA 2 Interação dos parâmetros de aquisição de imagem em TC


Parâmetros de aquisição Comparação dos efeitos na imagem
Parâmetros primários
kV Alto Melhor penetração dos fótons de raios X, otimizando o ruído em pacientes obesos ou próteses
metálicas, reduzindo artefatos
Baixo Melhor contraste (especialmente com o meio de contraste iodado), sendo utilizado em pacientes
pediátricos e magros
mA Alto Menos ruído, melhor resolução do contraste da imagem; maior dose
Baixo Mais ruído na imagem, diminuição dos pequenos detalhes de baixo contraste; menor dose
Tempo de exposição Longo Varreduras longas, mais artefatos de movimento, mais meio de contraste requerido
Curto Varreduras curtas, melhora a resolução temporal, diminuição dos artefatos e menos meio de
contraste requerido
Pitch Alto Rápida cobertura ou melhor resolução do eixo Z. Menor dose
Baixo Menos artefatos espirais e maior dose com melhor qualidade de imagem
Varredura Longa Maior cobertura e maior duração do exame
Curta Cobertura curta e duração menor do exame
Parâmetros secundários
FOV Grande Menor qualidade de imagem para visualização de objetos pequenos
Pequeno Melhor resolução espacial máxima
Espessura de corte Grande Menos ruído, melhor resolução de baixo contraste, mais efeitos parciais de volume
Pequena Menos efeitos parciais de volume, melhor resolução no eixo Z, mais ruído
Intervalo de Grande Menos imagens, mais lesões podem ser perdidas
reconstrução Pequeno Mais imagens, melhor representação MPR/3D, mais lesões detectadas
Algoritmo de Suave Menos ruído e dose requerida, resolução espacial de baixo contraste, melhor 3D
reconstrução Alto Ruído aumentado substancialmente e melhor resolução espacial

FLUOROSCOPIA POR TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA


A fluoroscopia é uma aplicação que produz uma imagem contínua da TC em tempo real, que
combina imagens armazenadas, a taxas de 3 a 6 imagens por segundo, com exposições
dinamicamente controladas. É utilizada para guiar procedimentos invasivos em TC. 3
QUALIDADE DA IMAGEM TOMOGRÁFICA
Em um nível mais fundamental, a qualidade da imagem é uma comparação da imagem com o
objeto em estudo. No entanto, o verdadeiro teste de qualidade de uma imagem específica é
como ela atinge os eu propósito. Muitos fatores influenciam em quão bem uma imagem
representa um objeto a ser estudado. A acurácia da imagem é também a fidelidade da imagem.
Os dois parâmetros principais que garantem a qualidade da imagem (que pode ser medida) são
a resolução detalhada (ou high contrast) e a resolução de contraste.
A resolução detalhada é a habilidade de solucionar (como objetos separados) objetos pequenos
e próximos entre si, de alto contraste. A resolução de contraste é a habilidade de diferenciação
entre objetos com densidades similares entre si.
Contraste é variação entre branco e preto em determinada região; aumentar as diferenças entre
escuro e claro, aumenta o contraste. A capacidade de discriminar diferenças de densidade entre
os tecidos na TC é superior à dos raios X simples, e a resolução do contraste em situações de
baixo contraste é afetada por: fluxo de fótons que atinge o detector, espessura de corte,
tamanho do paciente, sensibilidade do detector, algoritmo de reconstrução, registro e exibição
da imagem.3
O ruído é o aspecto granulado da imagem e é determinado pelo desvio-padrão dos números
de TC sobre a região de interesse em um material homogêneo, sendo inversamente
proporcional ao número de fótons. Depende da eficiência dos detectores e da quantidade de
fótons que o atinge (relação com a tensão aplicada no tubo, corrente, tempo de rotação, filtros,
espessura do corte, composição da região do corpo em estudo e pelo algoritmo de
reconstrução). Elevando a dose ao dobro, reduz-se cerca de 40% do ruído.
Em um equipamento multislice, o ideal é que o valor do incremento seja 30% da espessura de
corte, o que reduz o efeito de volume parcial e auxilia na melhoria da qualidade da imagem. 3
Ao elevar a kV e o mAs, o ruído da imagem diminui; elevar a espessura reduz o ruído da
imagem e reduzir a espessura o eleva; elevar ou reduzir o ângulo do gantry pode ajudar a
reduzir artefatos e dose em órgãos sensíveis (p.ex., cristalino); reduzir o FOV eleva o tamanho da
imagem; e elevar o zoom pode distorcer a imagem, com consequente perda de nitidez. Elevar o
incremento reduz a dose final, e aumentar o range eleva a dose final

COMPROMISSO COM A QUALIDADE DE IMAGEM E ASPECTOS


DE SEGURANÇA EM TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
Os artefatos são representações na imagem que não se originam do objeto e podem ser
causados pelo paciente, pelo processamento (da TC) ou pelo equipamento. Os artefatos podem
ser decorrentes de:
• movimentos voluntários e involuntários do paciente, representados por faixas na imagem ou
em forma de anel, que podem estar relacionados com problemas nos detectores, indicam que
os detectores necessitam de calibração (a maior parte dos equipamentos modernos necessita
de uma única calibração diária);
• objetos metálicos (materiais de alta densidade como as obturações dentárias, projéteis de
bala, entre outros) e materiais de alto número atômico produzem artefatos de alta densidade
(strike) e podem ser atenuados a partir do uso de feixe de alta energia (120/140 kV), mas não
podem ser evitados, e os meios de contraste positivos, como o iodo e o bário em altas
concentrações, devem ser evitados ou usados com critério. 3,4
O voxel pode ser representado em uma tonalidade de cinza não correspondente ao tecido que
representa. Isso pode acontecer quando um voxel representa a imagem de um material de
baixa densidade e parcialmente a imagem de um material de alta densidade, ou seja, duas
densidades diferentes ficam localizadas em um único voxel e a média das duas é exibida na
tela; sendo assim, objetos com pequenas diferenças de densidade podem não ser percebidos,
causando um artefato de imagem conhecido por efeito de volume parcial, o qual tende a ser
reduzido nas matrizes de alta resolução.
O equipamento de tomografia opera com raios X e por isso requer os cuidados comuns de
proteção radiológica previstos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O tubo de
raios X deve ser aquecido após 2 horas de inatividade (warm-up), para prolongar a sua vida
útil, e deve ser feita a calibração dos detectores (rastreamento de ar ou testes com fantomas),
evitando artefatos em forma de anéis na imagem. Essa calibração leva em conta as variações da
intensidade do feixe ou da resposta do detector para obter homogeneidade no FOV e precisão
no número de TC. Se o equipamento apresentar problemas de software, deve ser desligado
(shutdown) e religado (startup) para verificar se o problema foi solucionado; se não for
solucionado, deve-se contatar o fabricante. Assim, deve-se realizar um controle de qualidade
periódico no equipamento, utilizando fantomas específicos para esse fim.
CONCLUSÃO
Existem vários parâmetros de aquisição que causam impacto na qualidade da imagem e na dose
de radiação. Entender cada parâmetro de aquisição – sua influência na formação da imagem, na
interação com outros parâmetros e na comparação entre qualidade de imagem, dose e conforto
do paciente – ajuda na otimização dos protocolos para atingir a qualidade de imagem ideal
com dose de radiação mínima.