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O estudante de filosofia e a

confusão nos conceitos: o caso


Eutidemo
Para o terceiro semestre de seu curso o estudante de filosofia se deparou com a
disciplina “Introdução à Lógica” sem sobra de dúvidas uma das mais importantes do
curso.
Ele achou bem interessante o segundo vídeo da primeira aula (Lógicas: Definições
e Princípios) e o transcreveu para melhor análise:

Vamos aprofundar um pouco mais essa questão de filosofia, precisar de um


conhecimento lógico… será que o filósofo precisa desse saber? O quê que ele faz
efetivamente?

Platão – lá num diálogo muito interessante chamado Eutidemo nos oferece uma
definição para a filosofia e ele diz que “a filosofia é o uso do saber em proveito do
próprio homem.

E não seria útil possuir a capacidade de transformar pedras em ouro se não pudermos
nos valer do ouro.

É necessária uma ciência em que coincidam fazer e saber valer-se daquilo que se faz,
e esta ciência é a filosofia (Eut, 288-290,d)

Então nesta definição de Platão ele está mostrando para a gente em que essa filosofia
tem uma utilidade para a nossa vida, para o nosso ser e ela precisa estar nessa
utilidade porque senão não teria razão de nós usarmos o pensamento, de
trabalharmos o pensamento.

E dessa ideia de Platão a gente pode extrair dois elementos:

1. A filosofia é a posse ou aquisição de um conhecimento;

2. O uso desse saber em benefício do ser humano.

A partir da transcrição da vídeoaula gravada podemos retirar as seguintes


proposições:
1. A filosofia é o uso do saber em proveito do próprio homem.
2. E não seria útil possuir a capacidade de transformar pedras em ouro se não
pudermos nos valer do ouro.
3. É necessária uma ciência em que coincidam fazer e saber valer-se daquilo que se
faz, e esta é a filosofia.
4. A filosofia é a posse ou aquisição de um conhecimento.

Como não conhecia o texto-base mencionado na videoaula (Eutidemo, dos


números 288 até 290d) nosso estudante abriu um dos livros de Platão que havia adquirido
para transcrevê-lo e proceder a uma análise ainda mais minuciosa.

“É claro que cometi um grande erro” eu disse “por conta de minha própria estupidez.
Ou talvez não tenha sido um erro e eu estaria certo de dizer o que disse, isto é, que
frases tem intenção. Dirias que eu estava errado ou não? Se não estava, não me
refutarás, a despeito de toda tua sabedoria, e estarás perdido quanto a como lidar com
o argumento; se, pelo contrário, eu estava errado, incorres no erro pois afirmas que
não existe uma coisa que é cometer um erro; e o que eu digo não visa ao que disseste
o ano passado.”

“Mas me parece”, continuei meu discurso, “Dionisodoro e Eutidemo, que nosso


argumento permanece exatamente no ponto em que se encontrava, e ainda padece
aquele velho problema de tombar ele próprio durante o processo de nocautear os
outros. E mesmo vossa arte ainda não descobriu um meio de evitar esse malogro, isso
apesar de vosso espantoso espetáculo de precisão com as palavras.”

Nesse ponto Ctesipo exclamou: “Vossa maneira de discursar é certamente


espantosa, homens de Turios ou Quios, ou seja lá de onde for, ou de que modo for
que preferis serdes chamados. Mas o fato é que não tendes escrúpulos quanto a
tagarelar como tolos.”

Receei naquele momento pela vinda de palavras ultrajantes, de modo que procurei
acalmar Ctesipo mais uma vez, dizendo: “Ctedipo, repito a ti o que declarei a Clinias
há pouco, ou seja, que não percebes o quão notável é a natureza da sabedoriai de
nossos visitantes. O único problema é que não se mostram desejosos de nos
proporcionar uma exibição efetivamente séria dela, mas se limitam a nos oferecer
truques de prestigiadores, imitando o sofista egípcio Proteuii. Portanto, imitemos por
nossa vez, Menelau e não deixemos que esses homens nos escapem enquanto não
nos apresentarem uma visão de sua atividade séria. Acredito que algo magnífico deles
virá tão logo se proponham a ser sérios. Vamos lá, imploremos a eles, os exortemos e
lhes supliquemos que permitam que sua luz brilhe. Quanto a mim, disponho-me
novamente a assumir a dianteira e mostrar que tipo de pessoas – eu o espero
encarecidamente – venham a se revelar – começando onde me detive antes, tentarei
o melhor que puder, examinar o que se segue com o intuito de despertá-los para a
ação e fazer com que – com misericórdia e comiseração diante dos meus sérios
esforços – sejam eles próprios sérios.

“Poderias tu Clinias”, indaguei, “lembrar-me do ponto em que nos detivemos? Pelo


que posso me recordar, era mais ou menos o seguinte: findamos por concordar que se
deve buscar a sabedoria, não foi?

“Sim”, ele disse.


“Ora, essa busca da sabedoria é uma aquisição de conhecimento, não é?!”1

“Sim”, ele disse.

“Bem, que tipo de conhecimento adquiriremos na hipótese de o adquirirmos


corretamente? Não é absolutamente claro que deve ser aquele conhecimento que nos
trará benefício?”

“Certamente”, ele disse.

“E nos beneficiaria de algum modo a sabermos como caminhar e descobrir onde se


encontram sob a terra as maiores jazidas de ouro?”

“Provavelmente”, ele disse.

“Mas, no entanto,” prossegui,”refutamos essa primeira proposição, concordando que


mesmo que sem qualquer problema ou [necessidade de] cavar a terra, obtivéssemos
todo o ouro do mundo, não teríamos benefício algum – de modo algum, nem mesmo
se soubéssemos como transformar pedras em ouro, não sendo esse conhecimento de
nenhum valor. De fato, a menos que soubéssemos como utilizar o ouro, não
encontraríamos nenhuma vantagem nele. Não te lembras disso?”, perguntei.2

“Decerto que me lembro”, ele disse.

“Tampouco parece haver qualquer valor em qualquer outra forma de conhecimento,


seja o do ganho de dinheiro, o da medicina ou qualquer outro que possibilite a
produção de coisas, a não ser que se saiba como utilizar as coisas produzidas. Não é
assim?”

Ele concordou.

“E nem sequer se houvesse um conhecimento que capacitasse alguém a tornar os


seres humanos imortais, nem isso – na falta do nosso conhecimento de como usar a
imortalidade – pareceria trazer qualquer proveito, se é que nos cabe inferir alguma
coisa dos pontos que já estabelecemos”3.

Concordamos com isso.

1
Essa frase está relacionada diretamente com a proposição 4 (A filosofia é a posse ou aquisição de
conhecimento) e indiretamente com todas as outras. Este texto é um dos diálogos onde Platão
apresenta críticas robustas aos sofistas (conhecidos assim por serem sábios). Assim, quando Sócrates
argumenta sobre o fato de a busca da sabedoria estar relacionada à aquisição de um conhecimento ele
não está se referindo à filosofia, como interpretou equivocadamente à professora na videoaula, mas sim
a sofística. Ora, a sofística não é igual à filosofia principalmente no que se refere aos seus objetivos (ou
seja, às suas finalidades, àquilo que ela busca alcançar), como veremos nos próximos parágrafos.
2
Esse parágrafo está diretamente relacionado à proposição 2 (E não seria útil possuir a capacidade de
transformar pedras em ouro se não pudermos nos valer do ouro). O interessante notar nessa proposição
que busca resumir o parágrafo são as trocas de termos e interpretações – no caso da mudança do
termo benefício por utilidade. Essa troca de termos gera um equívoco tão grande que muda
completamente o conceito de valor proposto por Platão, como veremos adiante.
3
Nesta afirmação Platão eleva ao máximo seu conceito de benefício/proveito/vantagem de algum
conhecimento. Após desdenhar o conhecimento das jazidas de ouro, de transformar pedras em ouro, da
medicina, da produção de coisas (proposição 3) do ganho do dinheiro, da medicina ele coloca a
imortalidade (ou seja, que um homem se tornasse um deus), “nem isso – na falta do conhecimento de
como usar a imortalidade – pareceria trazer qualquer proveito”.
“Então o tipo de conhecimento de que necessitamos, belo jovemiii,” eu disse, “é
aquele no qual estejam combinados o produzir e o conhecer a coisa produzida.”

“É o que parece”, ele disse.

“Por conseguinte, devemos, pelo que parece, almejar algo muitíssimo diferente de
ser fabricante de liras ou possuir esse tipo de conhecimento. Com efeito, nesse caso,
a arte produtora e a arte da utilização são completamente distintas, ocupando-se
isoladamente com a mesma coisa, de fato, há uma enorme diferença entre a arte de
fabricar liras e aquela de tocá-las. Não é assim?”

Ele concordou.

“Tampouco, obviamente, necessitamos de uma arte de fabricação de flautas, uma


vez que se trata de uma outra arte de tipo idêntico.”

Ele assentiu.

“Agora seriamente”, perguntei, “se nos dispuséssemos a aprender a arte de


elaboração dos discursos, seria essa a arte que deveríamos adquirir para sermos
felizes?”4

“Não penso que seja”, foi a resposta de Clinias.

“E com fundamento em que afirmas isso?” perguntei.

“Vejo”, ele disse, “certos elaboradores de discursosiv que desconhecem como usar os
particulares discursos elaborados por eles mesmos, tl como os fabricantes de liras no
tocante às sua liras. No primeiro caso, inclusive, há outras, há outras pessoas que se
mostram capazes de utilizar o que os elaboradores de discursos elaboraram, mas que
são, elas próprias, incapazes de elaborar discursos. Porttanto, fica claro que também
no caso de discursos, há uma arte produtora e uma outra de utilização.”5

“Penso que demonstraste suficientemente” eu disse “que não é possível que essa
arte dos elaboradores de discursos seja aquela cuja aquisição faria alguém feliz.6 E,
não obstante, eu imaginava que em algum ponto a essa altura surgiria o conhecimento

4
Nessa última frase (“Agora seriamente”, perguntei, “se nos dispuséssemos a aprender a arte de
elaboração dos discursos, seria essa a arte que deveríamos adquirir para sermos felizes?”) fica bem
clara a confusão de conceitos feita na interpretação do texto da disputa entre Eutidemo e Sócrates.
Pois, desde o início do diálogo a terminologia apresentada nas proposições utilizadas pela professora
na sua apresentação de “o que seria a filosofia” coloca-a em como o uso/utilidade/aquisição de um
saber/conhecimento que, coincidindo com uma ciência que possa unir este saber ao fazer. Este foi o
entendimento da professora, de acordo com as proposições apresentadas e os verbos utilizados. Porém
esses verbos (sabedoria/conhecimento/aquisião a Eutidemo), são utilizados para o sofista Eutidemo. Já
o filósofo Sócrates, revela nessa frase “(…) seria essa a arte que deveríamos adquirir para sermos
felizes?”). Porque para um filósofo a filosofia deve buscar a felicidade, e não o uso/utilidade/aquisição
de algo. É como diz o velho adágio popular “o dinheiro não traz felicidade”. Quanta sabedoria filosófica
não traz essa pequena frase! Assim podemos ver que as ciências (ou as ‘artes’, como estão aqui
retratadas por Sócrates) nos são úteis para conseguir uso/utilidade ou aquisição de coisas. Nesse
aspecto a filosofia é totalmente inútil, já que ela deve buscar algo totalmente diferente.
5
Aqui corretamente Clinias visualiza a separação há separação entre o saberes aludidos por Sócrates
em sua parábola: o sofístico (ou seja, as diversas ciências que nos dão acesso ao conhecimento) e o
saber filosófico (que busca a felicidade de poder utilizá-lo). Sócrates buscava essa felicidade através do
conhecimento e prática da virtude, como veremos adiante. Neste diálogo o sofista Eutidemo pratica uma
modalidade de retórica que Aristóteles posteriormente classificaria como erística (aqueles que se valem
do discurso com o fim único de obter a vitória a qualquer custo).
6
Nova referência textual ao objetivo final da filosofia para Sócrates.
que estivemos buscando por todo esse tempo. De fato, não só esses elaboradores de
discursos eles próprios me impressionam como extraordinariamente hábeis, quando
em minha presença, Clinias, como também sua própria arte parece tão excelsa a
ponto de ser quase inspirada. Contudo, isso não deve nos surpreender, já que possui
parte da arte do encantador, e apenas ligeiramente interior a essa. A arte do
encantador é o encantamento de víboras, tarântulas e escorpiões, além de outros
animais selvagens, e a cura de doenças, ao passo que a outra consiste [ elaboração
de discursos] consiste precisamente no encantamento e na persuasão de juris,
assembleias, multidões, etc. Ou isso te impressionou diferentemente?” perguntei7

“Não, a mim parece”ele respondeu, “que é como dizes.”

“Para que caminho então”, eu disse, “que nos voltaremos agora? Para que arte?”

“No que me diz respeito”, ele disse, “nada tenho a sugerir.”

“Ora, parece que descobri eu mesmo”, eu disse.

“E qual é?” perguntou Clinias.

“A arte do comando militar”, respondi, “impressiona-me como a arte cuja aquisição,


acima de todas as outras, faria de alguém uma pessoa feliz.”

“Não penso assim.”

“E por que não?” perguntei.

“Num certo sentido, essa é uma arte que consiste em caçar seres humanos.”

“E daí?” redargi.

“Nenhuma parte da caça real”, ele respondeu, “vai além do domínio da perseguição e
da captura, e uma vez capturada a criatura que é caçada, os caçadores se mostram
incapazes de utilizá-la, tendo tanto caçadores quanto pescadores que entregar a
criatura capturada aos cozinheiros, o mesmo acontecendo com os geômetras, os
astrônomos e os calculadores, pois estes, à sua maneira, também são caçadores; de
fato, nenhum desses produzem seus diagramas, mas descobrem as realidades das
coisas e, assim, ignorando como usar sua presa, mas nelas como caçar, transmitem
suas descobertas aos dialéticos, para que estes as utilizem apropriadamente, ao
menos àqueles que não são completos idiotas.”

“Excelente”, eu disse, “belíssimo e engenhosíssimo, Clinias. E será realmente esse o


caso?”

“Decerto que é. E o mesmo se aplica aos comandantes militares”, ele disse. “Após
terem capturado uma cidade ou um exército, entregam-no aos políticos, uma vez que
eles próprios ignoram como usar o que capturam – tal como caçadores de cordomizes.
“Se, portanto”, ele prosseguiu, “estamos procurando aquela arte que, por si mesma,
sabe como usar o que por ela foi adquirido por meio do produzir ou do perseguir, e se
uma arte dessa espécie que nos tornará venturosos, temos que rejeitar a arte do
comando militar”, ele disse, “e procurar uma outra”
7
A figura do encantador que faz “o encantando víboras, tarântulas e escorpiões além de outros animais
selvagens” apresenta a nós o tema central deste diálogo de Platão: a retórica. Se contextualizarmos o
texto no espaço de tempo onde aconteceu veremos qua ali Sócrates contava co 68 ou 69 anos, portanto
estava bem próximo do fim o processo movido pelos sofistas (os encantadores) que viria a culminar com
sua morte por cicuta.
Criton Como, Sócrates? Um discurso desses proferido por aquele adolescente?

Sócrates Não acreditas que é dele, Criton?

Criton Por Zeus, não posso acreditar que seja, pois estou certo de que se ele
discursou assim, não tem necessidade de educação de Eutidemo ou da de qualquer
outra pessoa.

Sócrates Por Zeus, pode ser que tenha sido Ctesito que disse isso e minha memória
esteja me traindo.

Dessa forma ficou claro para o estudante de filosofia o equívoco feito referente ao
texto apresentado, que gerou uma inversão nos discursantes e uma posterior confusão
nos conceitos de discurso filosófico e discurso erístico.
Enquanto fazia uma última reflexão sobre sua interpretação daquele texto nosso
estudante se lembrou do texto de Platão intitulado Apologia de Sócrates, onde é
apresentado o discurso de Sócrates antes de sua condenaçãov. Neste texto o filósofo
revela a sua visão de filosofia e sua vocação.

E, assim, mesmo na hipótese de me absolverdes agora e não serdes convencidos por


Anito, que afirmou que ou não devia eu simplesmente ter sido submetido a um
julgamento, ou, se fui, tenho que ser executado, uma vez que, se eu for absolvido
vossos filhos serão todos inteiramente arruinados por se dedicarem a praticar o que eu
ensino – se me disserdes à guisa de resposta a isso: “Sócrates, nesta oportunidade
não agiremos segundo o que diz Anito, mas te deixaremos ir sob a condição de que
não despendas mais teu tempo nessas investigações e não te devotes mais à
filosofia, sendo que se fores pego em flagrante assim fazendo, morrerás”; se me
absolvêsseis sob tal condição, declararia a vós: “Homens de Atenas, contais com o
meu respeito e minha amizade, mas acatarei ao deus, de preferência a vós, e por
quanto durar a minha existência e for eu capaz de prosseguir, jamais renunciarei à
filosofia e cessarei de vos exortar, e de meu modo costumeiro com qualquer um de
vós que venha a topar no meu caminho salientar: “Homem excelente, sendo como és,
um cidadão de Atenas, a maior das cidades-Estado e a mais notória por sua sabedoria
e poder, não te sentes envergonhado por te preocupares com a aquisição de riquezas,
reputação e honras, enquanto não te importas e nem atentas para a sabedoria, a
verdade e o aperfeiçoamento de tua alma?” E então, se qualquer um de vós contestar
o teor de minhas palavras, e afirmar que realmente se importa, não permitirei que vá
embora imediatamente, e tampouco eu irei embora, dispondo-me sim a interrogá-lo,
examiná-lo e submetê-lo a testes… e se apurar que não é detentor da virtude, a
despeito de afirmar que é, o censurarei por desprezar as coisas de máxima
importância, enquanto se importa com coisas secundárias. Assim agirei com todo
aquele que encontrar, jovem e velho, estrangeiro e concidadão, porém mais
especialmente com os concidadãos porquanto sois ligados mais estreitamente a mim.
i Significa tanto sabedoria quanto habilidade. Platão joga com a extrema e sutilironia de Sócrates,
que exibe durante todo o diálogo um comportamento caracterizado pela cortesia e supostamente
subalterno e até humilde, mas eventualmente marcada pela cobrança enfática daquilo que foi
prometido pelos interlocutores sofistas. No fundo, decerto, Sócrates e Platão tem certamente os
sofistas na conta de muito hábeis, mas pouco sábios. A arrogância de Dionisodoro e Eutidemo e,
sobretudo seu brilhante mas improdutivo formalismo no tratamento da questão, produzido pela
suma destreza no manejo das palavras, parecem atestar, na crítica de Platão, a falácia de suas
promessas de ensinar impecavelmente com ser sábio e virtuoso.

ii A despeito de aparentemente nomear um pretenso sofista egípcio, Platão alude à divindade marinha
Proteu (Homero, Odisseia, Canto IV, 456 ss), que se nega a revelar sua verdadeira forma, mostrando-se
como um leão, um dragão, uma pantera, um enorme javali, água e uma árvore.

iii Literalmente belo menino.

iv É de se presumir que Clinias se refira precisamente a Dionisodoro e Eutidemo.

v Platão, Apologia de Sócrates, 2ª ed., São Paulo, Edipro, 2015, Clássicos Edipro, p.154-155 (29c a 30a).