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G uará Indexada na base de dados CAB ABSTRACTS (Inglater ra) ISSN 1413-571X

E D i TO R A

Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 - R$ 13,00

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Age ttambém
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o coração
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arrapatos.

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Pfizer
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Saúde
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Animal
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Índice Saúde pública - 34

Fabiana Augusta Ikeda-Garcia


Métodos de diagnóstico da leishmaniose visceral canina
Diagnostic methods of canine visceral leishmaniasis
Métodos de diagnóstico de la leishmaniasis visceral canina

Saúde pública - 44
Aspectos epidemiológicos da
leishmaniose visceral urbana no Brasil
Epidemiological aspects of visceral leishmaniasis in Brazil
Aspectos epidemiológicos de la leishmaniasis visceral urbana en Brasil
Fotomicrografia de exame citológico
Saúde pública - 50 de linfonodo de cão; observar a pre-
Juliana G. Machado

Imunopatologia da leishmaniose visceral canina sença de formas amastigotas de


Immunopathology of canine visceral leishmaniasis Leishmania. Panóptico rápido, 100x
Inmunopatología de la leishmaniasis visceral canina

Saúde pública - 60
Caracterização histopatológica e imunoistoquímica

Francisco Assis L. Costa


da nefropatia da leishmaniose visceral experimental
Imprint do baço de hamster sírio dou-
rado (Mesocricetus auratus) infectado
em hamster
experimentalmente com L. chagasi Histopathological and immunohistochemical characterization of the
nephropathy due to experimental visceral leishmaniasis in hamster
Caracterización histopatológica e inmunohistoquímica de la
nefropatía de leishmaniasis visceral experimental en hámster

Saúde pública - 66
Leishmaniose visceral canina: aspectos Rim. Hamster. 90 dias pós-in-
de tratamento e controle fecção. Depósito de amilóide no
Treatment and control aspectsof canine leishmaniasis mesângio e membrana basal dos
Leishmaniasis visceral canina: aspectos de tratamiento y control capilares glomerulares. 140x

Saúde pública - 78
Vitor Márcio Ribeiro

Aspectos clínicos de cães naturalmente infectados


por Leishmania (Leishmania) chagasi na região
metropolitana do Recife
Clinical aspects of dogs naturally infected by Leishmania
(Leishmania) chagasi in the metropolitan region of Recife
Aspectos clínicos de perros naturalmente infectados por Leishmania
(Leishmania) chagasi en la región metropolitana de Recife

Detalhe da coleta de material para Saúde pública - 82


realização de imunohistoquímica Leishmaniose tegumentar americana: uma visão
da epidemiologia da doença na Região Sul
American tegumentary leishmaniasis: epidemiological vision about this disease in south region
Leishmaniasis cutánea: una visión epidemiológica de la enfermedad en la región sur

Saúde pública - 86
Leishmaniose visceral canina: aspectos
de saúde pública e controle
Canine visceral leishmaniasis: aspects of public health and control
Leishmaniasis visceral canina: aspectos de salud pública y control

Seções
Editorial - 5 • 7º CONPAVEPA 18 Pesquisa - 100
• Pet South America 2007 20
Teste rápido para diagnóstico da leptospirose
Opinião - 6 • Congresso destacou a importância do
médico veterinário na promoção da saúde 26
Notícias - 10 Lançamentos - 102
• Centro de esterilização e educação é
Bem-estar Negócios e
inaugurado no RJ 8 oportunidades - 104
• UFRGS deixa de usar animais nas animal - 94 Ofertas de produtos e equipamentos
aulas práticas de medicina 10 Experiências de comuni-
• Faculdade de Medicina do ABC é a 1ª no País cação no Elephant Nature Park Serviços e
a proibir experimentação com animais vivos 10 especialidades - 105
Gestão, marketing e
• LAVC 2007 12 Prestadores de serviços para
• Reabilitação animal 12 estratégia - 96 clínicos veterinários
• Dermatologia em destaque 12 Posicionamento profissional? Onde?
• 12º Nestlé Purina Nutrition Forum 12
Quando? Como? Agenda - 112
• Organnact adquire Fitovet 14 Livros - 98
• Empresas brasileiras marcam presença no Preparação pedagógica aplicada à
congresso da WSAVA 16 medicina veterinária

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 3


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CONSULTORES CIENTÍFICOS
SCIENTIFIC COUNCIL

Journal of continuing education for small animal veterinarians


Adriano B. Carregaro Flavia Toledo Lucy M . R. de Muniz Norma V. Labarthe
Revista de educação continuada do clínico veterinário de pequenos animais
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Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). ou do Index Medicus. (www.nlm.nih.gov/ Dominguita L. Graça José Luiz Laus Moacir S. de Lacerda DCV/CCA/UEL
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Tilde Rodrigues Froes Paiva
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ratura, mesmo que seja indicada a fonte. Imagens fotográficas devem possuir edgarsommer@sti.com.br pachaly@uol.com.br vicky@uel.br
Valéria Ruoppolo
indicação do fotógrafo e proprietário; e quando cedidas por terceiros, deverão ser Eduardo A. Tudury Karin Werther Nadia Almosny International Fund for Animal Welfare
obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação. DMV/UFRPE FCAV/Unesp/Jaboticabal FMV/UFF
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Elba Lemos Vamilton Santarém
números, que corresponderão à listagem ao final do artigo, evitando citações de Leonardo Pinto Brandão Nayro X. Alencar
FioCruz-RJ Unoeste
autores e datas. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as Merial Saúde Animal FMV/UFF
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normas atuais da ABNT e elas devem ser numeradas pela ordem de apareci-
Fabiano Montiani-Ferreira Leucio Alves Nilson R. Benites Wagner S. Ushikoshi
mento no texto. FMV/UNISA e FMV/CREUPI
Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão FMV/UFPR FMV/UFRPE FMVZ/USP
fabiomontiani@hotmail.com leucioalves@gmail.com benites@usp.br wushikoshi@yahoo.com.br
considerar as normas do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal).
Fernando C. Maiorino Luciana Torres Nobuko Kasai William G. Vale
FEJAL/CESMAC/FCBS FMVZ/USP FMVZ/USP FCAP/UFPA
Revista Clínica Veterinária / Redação fcmaiorino@uol.com.br lu.torres@terra.com.br nkasai@usp.br wmvale@ufpa.br
Caixa Postal 66002 CEP 05311-970 São Paulo - SP Fernando Ferreira Luciane Biazzono Noeme Sousa Rocha Zalmir S. Cubas
e-mail: cvredacao@editoraguara.com.br FMVZ/USP DCV/CCA/UEL FMV/UNESP-Botucatu Itaipu Binacional
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4 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Editorial
stamos encerrando este ano com uma edição especial sobre leishmaniose – uma questão que, infelizmente,

E ainda constitui grave problema para boa parte da população mundial. Apesar dos esforços contínuos de
pesquisadores e agentes de saúde em todo o mundo, esse mal continua afetando principalmente parcelas
da população imunologicamente comprometidas – como crianças, idosos e imunossuprimidos, com especial
atenção aos portadores de coinfecção com o vírus da aids, – e vem hoje recrudescendo com intensidade preo-
cupante em algumas regiões do planeta, como em nosso País.
Os problemas gerados pela enfermidade atingem proporções assustadoras, pois envolvem não somente os
doentes mas toda a comunidade, em decorrência dos aspectos relacionados à sua transmissão. Causada por pro-
tozoários do gênero Leishmania, ela tem como principais vetores mosquitos da família dos flebotomíneos. Até
recentemente não havia vacinas que pudessem ser utilizadas com sucesso contra protozoários e, embora final-
mente tenhamos uma disponível, ainda levará algum tempo para que venha a ser amplamente empregada não
somente no nosso país, mas em todo o mundo. As dificuldades com o controle dos vetores são imensas, princi-
palmente em países quentes e grandes como o nosso, com condições de reprodução facilitadas e poucos recur-
sos humanos e financeiros para lidar com extensos territórios. Outro aspecto da maior importância são os reser-
vatórios. Cães têm sido exaustivamente eliminados em todo o planeta, na tentativa frustrada de controlar a
doença. Há muitos fatores relacionados a esse insucesso, desde a dificuldade de obter métodos de diagnóstico
de desempenho ótimo que apresentem, principalmente, altas sensibilidade e especificidade, rapidez e custo
acessível, até a carência de conhecimentos sobre guarda responsável e mesmo a imediata reposição de cães,
entre outros, sem contar com os reservatórios silvestres, cujo controle é ainda mais difícil.
O aumento e a melhor divulgação do conhecimento sobre essa enfermidade e seus muitos aspectos tem con-
tribuído para o surgimento e implementação de alternativas de controle, como a utilização de bloqueadores quími-
cos e físicos contra os vetores, e a própria vacina, bem como o cuidado e o destino dos reservatórios.
Uma das maiores e mais atuais polêmicas sobre o assunto está relacionada ao tratamento de cães positivos.
Por um lado, os cães são vítimas e merecem respeito e cuidados, sendo imprescindível uma nova abordagem no
relacionamento entre os homens e as demais espécies. Por outro lado, é preciso conhecer muito bem e controlar
criteriosamente as condições do tratamento dos cães, que se mantêm como reservatórios e podem ajudar a man-
ter crescente o número de vítimas humanas e animais afetadas por esse mal.
Ao médico veterinário, um dos principais agentes envolvidos nessa polêmica, cabe conhecer – o mais ampla-
mente possível – todos os aspectos referentes ao assunto, para poder formar sua opinião e se conscientizar dos
riscos implicados em suas atitudes.
A importância que animais como o cão têm hoje na vida das pessoas é indiscutível e, felizmente, suas vidas
têm sido valorizadas. Não obstante, o médico veterinário precisa estar atento para orientar profundamente seus
clientes a respeito dos riscos a que os próprios familiares estão expostos, principalmente as crianças e os imunos-
suprimidos, para evitar que futuramente venha a se envolver em problemas, incluindo processos jurídicos decor-
rentes da transmissão dessa enfermidade a partir de animais em tratamento.
Com esse intuito, nesta edição oferecemos aos leitores trabalhos de diversos pesquisadores brasileiros, reno-
mados por sua experiência e competência no trato dessa enfermidade.
Boa leitura.
Maria Angela Sanches Fessel

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 5


Opinião

A opção de ser um aliado da comunidade


Por Arthur Barretto - editor - revista Clínica Veterinária

A
integração das atividades veteri- em cidades pequenas, é a falta de inte- conceitos aplicados, a abordagem de
nárias aos serviços de promoção resse no assunto pelos gestores, pois a cães e gatos nas ruas perde o aspecto
da saúde à população é funda- impopularidade da ação não agrega cruel e, aos poucos, conquista-se o apoio
mental para a prevenção e controle de votos. Pelo contrário, pode até tirar. da comunidade para o sucesso das ações
zoonoses. Para isso acontecer é funda- Em todo o Brasil, os serviços de con- de prevenção, que passa a reconhecer
mental que o bem-estar animal seja pre- trole de zoonoses não atingem 50% da e a confiar no Oficial de Controle
conizado, pois sem ele é difícil contar com população. Animal.
a participação e apoio da comunidade. A partir de 2005, esse panorama vem Outro ponto fundamenteal para o
As marcas de balas e pedras em via- mudando. Com iniciativa do Instituto de bem-estar animal é a eutanásia. Ela
turas de captura de cães e gatos, as "car- Tecnologia em Educação e Controle somente poderá ser chamada de eutaná-
rocinhas", mostram bem como a comu- Animal (ITEC), já foram formados sia se, por exemplo, o cão que receberá
nidade revoltada recebe o serviço. Uma mais de 500 Oficiais de Controle a injeção letal tiver sido capturado com
das conseqüências disso, principalmente Animal (OCAs). Cada agente de saúde tranqüilidade. Caso contrário, o cão,
formado pelo desde a captura, estará estressado e in-
Curso FOCA seguro em função de não saber os pro-
Arquivo ITEC

recebe aulas téo- cedimentos que o esperam.


ricas e práticas O mais interessante na implantação
sobre manejo dos conceitos preconizados durante o
etológico, pas- Curso FOCA é a observação na mudança
sando a reconhe- de postura de alguns agentes de saúde,
cer os sinais que que de cruéis ou exibidos mudaram para
os animais po- Oficiais de Controle Animal exemplares.
dem apresentar, Confira. Veja o filme do Curso FOCA
principalmente que está on line (www.itecbr.org). É
Arquivo ITEC

os que envolvem possível mudar e isto faz a diferença.


a agressão, e de Principalmente, para diminuir os casos
bem-estar ani- de agressão por cães e a matança desne-
Técnicas cruéis e inadequadas de manejo fazem com que a comunidade
hostilize os agentes da saúde mal. Com esses cessária de cães, entre outros benefícios.

Arquivo ITEC
Arquivo ITEC
Arquivo ITEC

As mudanças de linguagem, de postura e de atitude são fundamentais para interação positiva com
a comunidade. Acima, os estrangeiros Jo-Anne Roman e Rigoberto Neira demonstrando, durante
Curso FOCA, a tranqüilidade na abordagem de qualquer cão

Assista ao filme
sobre o curso
FOCA
www.itecbr.org
Arquivo ITEC

Arquivo ITEC

Arquivo ITEC

Oficial de Controle Animal agindo com tranqüilidade. Uma grande mudança

6 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Centro de esterilização e educação é inaugurado no RJ
F oi inaugurado no Rio de Janeiro, em
12 de setembro de 2007, o Centro
de Esterilização e Educação (CEE).
O CEE está funcionando de segunda
a sexta-feira, das 8 às 17 horas, na rua
Doutor Manoel Cotrim, 61 - bairro do
Trata-se da primeira clínica veterinária Riachuelo, Rio de Janeiro, RJ, e realiza
no país especializada em cirurgias de as cirurgias mediante agendamento pré-
esterilização de cães e gatos e em pro- vio. O centro conta com uma equipe de

Divulgação
gramas educativos para o respeito a toda profissionais com capacidade para ope-
forma de vida. O CEE é um projeto de rar diariamente dez animais. Futura-
cunho social, criado pela associação mente estima-se atuar com duas equi-
"Defensores dos Animais", que possui, pes/dia, podendo dobrar e até mesmo
em seu quadro diretor, dois médicos triplicar o número de cirurgias.
veterinários, uma psicóloga, uma advo- O programa educativo, desenvolvido

Divulgação
O Centro de
gada, uma pedagoga e uma engenheira. para difundir o respeito aos animais e os Esterilização
A instalação do CEE foi possível com o conceitos mais modernos de bem-estar e Educação
patrocínio da WSPA - Sociedade animal, inclui palestras e vídeos educa- possui sala
de educação
Mundial de Proteção Animal. tivos para os proprietários de animais, (ao lado), sa-
O projeto do CEE tem três objetivos seminários para públicos diversos e cur- la administra-
básicos: a) esterilizar, com o menor cus- sos técnicos dirigidos a profissionais tiva, sala de
to e com qualidade, o maior número de que trabalham com animais. Acadêmicos exames pré-
cirúrgicos, sa-
cães e de gatos; b) educar, para a guarda e médicos veterinários também podem la de preparo
responsável e para o respeito a toda for- procurar o CEE para atualização profis- cirúrgico, sa-
ma de vida, o maior número de pessoas; sional. la de cirurgia
(acima), sala
e c) servir de modelo humanitário e efi- CEE: (21) 2582-6646 de recuperação, sala de paramentação e sala
ciente para o controle desses animais. www.defensoresdosanimais.org.br de esterilização de material

8 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


UFRGS deixa de usar animais nas aulas práticas de medicina
A direção do curso de medicina da Uni-
versidade Federal do Rio Grande
do Sul montou um laboratório diferente
direção do curso era acabar com o pro-
blema que sempre existiu nas universi-
dades e mexe com o senso moral de
Suturas dos intestinos grosso e delga-
do, que são mais complexas, também
podem ser feitas no material que simula
para as aulas práticas de técnicas opera- muitas pessoas: “Algumas universida- os órgãos, onde até a mucosa e a textu-
tórias, que antes utilizavam animais vivos. des criam os animais para usá-los nas ra são semelhantes às do corpo humano.
O local conta com simuladores plás- aulas, ainda vivos. Mas, e depois, o que Professor adjunto de urologia e um dos
ticos de braços e pedaços de pele usados se faz com eles? Uma eutanásia provo- coordenadores do Laboratório de Técni-
para fazer incisões e suturas, e um torso cada? Alguém vai passar a cuidar de- ca Operatória e Habilidades Cirúrgicas,
onde os alunos poderão fazer punções e les? (...) Nos víamos, então, diante da Milton Berger é um entusiasta da idéia.
colher sangue artificial. questão: acabar com a vida para pre- Segundo ele, o método tranqüiliza os
Para o diretor da faculdade de medici- servar a vida. Por isso, passamos a nos alunos, que se sentem mais seguros para
na Mauro Czepienewski, a intenção da dedicar a uma alternativa”. aprender.

Faculdade de Medicina do ABC é a primeira no País a


proibir experimentação com animais vivos na graduação
A Faculdade de Medicina da Funda-
ção do ABC proibiu o uso de qual-
quer animal vivo nas aulas de gradua-
A substituição de animais por méto-
dos alternativos chega a 71% em insti-
tuições de ensino superior da Itália.
professora da FMABC e membro do Co-
mitê de Ética em Experimentação Animal.
Para a dra. Odete Miranda, a con-
ção. Portaria em vigor desde 17 de Além disso, 68% das escolas médicas tinuidade da experimentação animal no
agosto coloca a instituição como pri- norte-americanas não usam animais em País tem como principais motivos tradi-
meira no País a abolir completamente cursos de farmacologia, fisiologia ou ção e resistência a mudanças, desconhe-
essa prática, que agora fica liberada so- cirurgia. “Usar animais vivos é prática cimento de métodos substitutivos e atra-
mente para pesquisas inéditas, com rele- cruel e desestimula o aluno”, acrescen- so tecnológico: “O Brasil está quase
vância científica e previamente aprova- ta a professora da FMABC e membro dois séculos atrás de países europeus e
das pelo CEEA - Comitê de Ética em do CEEA, dra. Odete Miranda. dos Estados Unidos”, garante. Em rela-
Experimentação Animal da FMABC. As alternativas para substituição de ção à economia, a dra. Nédia Maria
Apesar de comum em faculdades e animais vivos incluem, por exemplo, Hallage considera mito achar mais bara-
universidades com graduações em saú- softwares, animais quimicamente pre- to a morte de animais: “É comum pen-
de, a experimentação animal é proibida servados e incorporação dos cursos bá- sar que matar animais sai mais barato
por lei sempre que existirem recursos sicos à prática clínica, quando o aluno que investir em tecnologia alternativa.
alternativos. Nos Estados Unidos, insti- passa a aprender com casos reais, em Para utilizar animais no ensino é neces-
tuições de renome como Harvard, Yale, seres humanos. “Nossa missão é formar sária a manutenção ética, que implica
Stanford e Mayo Medical School há médicos humanos, mais envolvidos com em alimentação digna, funcionários
tempos não utilizam animais no ensino o paciente e sensíveis à dor do próximo. habilitados, controle de zoonoses e es-
médico. “Existe movimento mundial Evitar que o aluno seja coadjuvante da trutura própria no biotério para cada
para substituição do uso de animais na morte ou do sofrimento de animais me- espécie. No caso do investimento em
graduação por outros modelos. Atende- lhora o aprendizado, pois elimina o bonecos ou softwares, são todas técni-
mos solicitações de diversos docentes e estresse do sentimento de culpa, além cas duráveis, que abrangem maior nú-
alunos e resolvemos tentar, para poste- de incentivar a valorização e o respeito mero de alunos e que substituem ani-
riormente termos opinião definitiva”, por toda forma de vida. Isso certamente mais em diversos temas de aulas”, com-
explica o diretor da Faculdade de Medi- será refletido na relação médico/pa- pleta a dra. Hallage.
cina do ABC, dr. Luiz Henrique ciente após a formação acadêmica”, Faculdade de Medicina do ABC:
Paschoal. completa a dra. Nédia Maria Hallage, www.fmabc.br

DVD Não Matarás - os animais e os homens


nos bastidores da ciência - 65 minutos

Menus interativos em
português, inglês, espanhol e francês

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10 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


LAVC 2007 Dermatologia 12º Nestlé Purina
em destaque Nutrition Forum
D e 19 a 21 de outubro aconteceu, em
Botucatu, SP, o curso de atualiza-
ção em dermatologia de cães e gatos,
A Nestlé Purina do Brasil levou a
dra. Márcia Mery Kogika, profes-
sora de clínica médica na FMVZ/USP e
que detalhou diversos temas da espe- o dr. Archivaldo Reche Junior, especia-
cialidade. O evento foi organizado pelos lista em clínica médica de felinos, para
docentes e residentes do Serviço de participar da 12ª edição do Nestlé
Jorge Guerrero (à esquerda), presidente da Dermatologia Veterinária da FMVZ- Purina Nutrition Forum, um dos maio-
North American Veterinary Conference (NAVC), Unesp campus de Botucatu, com a par- res congressos de nutrição de animais
em companhia da comitiva brasileira ticipação de Carlos Eduardo Larsson de estimação, realizado em setembro,

A Conferência Latino-Americana de
Medicina Veterinária (LAVC), rea-
lizada em outubro, em Lima, no Peru,
(USP), Marconi Rodrigues de Farias
(PUC/PR) e Luiz Henrique de Araújo
Machado (Unesp/Botucatu).
em St. Louis, Missouri (EUA). A cidade
sedia um dos três centros de pesquisa da
Nestlé Purina.
contou com a participação de grupo de A pauta deste ano foram os felinos e
brasileiros, que levaram trabalhos para suas particularidades fisiológicas, meta-
apresentar. Também houve a participa- bólicas e nutricionais, bem como pato-
ção de Norma Labarthe (UFF) como mo- logias inerentes a esta singular espécie.
deradora das conferências apresentadas “Tópicos absolutamente atuais recebe-
pela dra. Jennifer Devey (Universidade O curso de atualização em dermatologia de ram especial atenção, como nutrição
cães e gatos realizado em Botucatu, SP, contou
de Guelph). com aproximadamente 240 participantes, sen- nas doenças renais crônicas de gatos,
do a maioria de profissionais, dos mais varia- prevenção de urolitíases em felinos, ma-
Reabilitação animal dos estados, contando, inclusive, com uma
participante da Argentina
nejo nutricional da doença intestinal in-
flamatória e muitos outros”, enfatizou
Foram abordados os seguintes temas: Reche Junior.
neoplasias cutâneas, dermatoses psico- “Além das palestras, os trabalhos
gênicas, dermatofitoses, micoses úlce- científicos também tiveram destaque
ro-gomosas, complexo granuloma eosi- pela apresentação de temas de grande
nofílico, dermatozoonoses, charadas interesse para a nutrição de felinos, co-
dermatológicas, terapêutica tópica, sín- mo também o workshop sobre ‘Comuni-
dromes paraneoplásicas cutâneas, der- cação na medicina veterinária’, assun-
O primeiro curso promovido pela Chattanooga matite atópica, dermatite trofoalérgica, to este em que a importância vem sendo
para médicos veterinários teve o privilégio de
ser formado por um grupo 100% brasileiro
dermatite actínica. cada vez mais focalizada para melhor
No início de novembro, a dermatolo- aplicação dos conhecimentos, como
gia também foi destaque em Porto também pelo melhor desempenho pro-
A Chattanooga Group, empre-
sa que lançou no começo do
ano o exclusivo aparelho veteri-
Alegre, RS, durante o Simpósio Interna-
cional de Dermatologia Veterinária reali-
fissional do médico veterinário”, desta-
cou Kogika.
nário para reabilitação animal, o zado pela Patronalvet/RS. Médicos veterinários, nutricionistas,
Intelec Vet, promoveu, em agosto Ainda em 2007, através de iniciativa pesquisadores e professores universitá-
de 2007, seu primeiro curso para da Sociedade Brasileira de Dermato- rios de várias nacionalidades assistiram
médicos veterinários para um logia Veterinária (SBDV), a especiali- a palestras ministradas por renomados
grupo formado por brasileiros. dade irá aparecer mais uma vez em profissionais sobre requerimentos mine-
Para os interessados na área, nos dias destaque. De 14 a 16 de dezembro ocor- rais, obesidade felina, doença renal, uro-
24 e 25 de novembro de 2007, ocorrerá, rerá a Jornada Hispano-Brasileira de litíase, hipertireoidismo, entre outras.
em São Paulo, SP, o III Simpósio Dermatologia. O evento será realizado Um banquete em homenagem aos
Internacional de Fisioterapia Veterinária em São Paulo, SP, na FMVZ/USP. Os doutores James G. Morris e Quinton R.
(www.anfivet.com.br). assuntos programados são: leishmaniose Rogers, da Universidade de Davis-CA,
David Levine, autor de um – formas cutâneas atípicas; disfunção pioneiros no estudo da nutrição de feli-
dos mais importantes livros adrenal e alopecia – terapia com trilos- nos, encerrou as
de reabilitação animal, es- tano; atopia – terapia com cilosporina e atividades.
pecialista de referência na
área, e Eliane Gonçalves, esteróides tópicos; otite externa –
médica veterinária do Vet desafio contínuo; complexo eritema Luciana Brandi
Spa (www.vetspa.com.br) e multiforme; dermatofitose – causas de (Nestlé Purina Brasil),
organizadora do grupo brasileiro. “O foco do Márcia Mery Kogika
curso ministrado por Levine foi a eletroterapia
resistência à terapia. Mais infor- (FMVZ/ USP) e
(todas as correntes, TENS, FES, US e laserte- mações podem ser encontradas Archivaldo Reche
rapia)”, destacou Gonçalves no endereço www.sbdv. com.br. Junior (FMVZ/USP)

12 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, setembro/outubro, 2007


Organnact adquire Fitovet e amplia atuação em produtos
naturais e ecologicamente corretos para animais
A Organnact, empresa sediada em
Curitiba (PR) e especializada na
fabricação de suplementos probióticos
animais, eqüinos, bovinos e suínos, a
partir do uso de leveduras vivas. Enten-
demos que o segmento de produtos na-
de distribuição da Organnact, que pos-
sui sessenta pontos de distribuição
espalhados por todas as regiões brasi-
para animais de produção e de compa- turais e ecologicamente corretos tem leiras, será decisiva”, destacou Bacila.
nhia, adquiriu o controle acionário da extremo potencial e, cada vez mais, No momento, há doze produtos regis-
gaúcha Fitovet, laboratório de produtos atrai proprietários de animais e cria- trados pela Fitovet e a equipe técnica da
fitoterápicos para saúde animal. dores. Essa filosofia, que representa a Organnact/Fitovet investe em pesquisas
Com o negócio, estimado em R$ 1,2 base de atuação e da própria existência para desenvolver novos itens, fortale-
milhão, a Organnact dá um sólido passo da Organnact, leva a empresa a crescer cendo e complementando a linha.
em sua estratégia de oferecer a peque- em novos produtos e aquisições de A Organnact é uma empresa de capi-
nos, médios e grandes animais soluções organizações com perfis complementa- tal nacional, sediada em Curitiba (PR) e
naturais, sem aditivos químicos. res, como é o caso da Fitovet”, explica com atuação concentrada no desenvol-
A aquisição da Fitovet foi uma deci- o médico veterinário Antonio Roberto vimento de suplementos probióticos, vi-
são lógica para a Organnact, empresa Bacila, diretor-presidente da Organnact. tamínicos minerais e aminoácidos. A or-
com doze anos de atuação no mercado “A marca Fitovet, reconhecida pela ganização conta com mais de três deze-
brasileiro, focada em produtos nutra- qualidade dos seus produtos fitoterápi- nas de produtos, número que deve do-
cêuticos, ou seja, desenvolvidos para cos, não será descontinuada. O objetivo brar a curto prazo, a partir da decisão es-
atuar em necessidades específicas dos da Organnact é fortalecê-la ainda mais, tratégica de aumentar consistentemente
animais. levando-a da região Sul, onde está ba- as opções em produtos nutracêuticos ou
“A Organnact desenvolve insumos seada e onde tem seu principal mercado, funcionais.
para fases específicas dos pequenos para todo o País. Para isso, a estrutura Organnact: www.organnact.com.br

14 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Pela terceira vez consecutiva, empresas brasileiras marcam
presença no congresso mundial de clínicos
veterinários de pequenos animais (WSAVA)
por Ronald Glanzmann

D
esde 2004, a APEX, agência de
promoção a exportações vincu- Ronald
Glanzmann,
lada ao Ministério do Desenvol- à frente da
vimento, Indústria e Comércio, subsidia Centralvet,
a presença de pavilhões brasileiros nas empreendimen-

Centralvet
to que oferece
mais importantes feiras e congressos assessoria às
ligados à medicina veterinária e aos pe- empresas
quenos animais. brasileiras na
Centralvet

exportação de
A ação é liderada pela AnfalPet - seus produtos.
Associação Nacional dos Fabricantes de A iniciativa é
Alimentos para Pequenos Animais, e Produtos das empresas brasileiras despertam promissora e
interesse nos congressistas, pois associam no congresso
engloba todo e qualquer produto ou em- qualidade e preços competitivos da WSAVA,
presa destinado aos pequenos animais na Austrália, pode-se constatar o crescente
ou veterinários de pequenos animais. Este ano, notou-se a presença mar- aumento do interesse de empresas de países
Estivemos presentes no México em cante da grande tendência de aprimora- estrangeiros pelos produtos brasileiros
2005 com sete empresas brasileiras, na mento no mundo da nutrição, através de Bayer, Intervet, Virbac, Fort Dodge,
República Tcheca em 2006 com doze novos alimentos lançados, indicados Merial, Hill´s, Eukanuba, Nestlé Purina
empresas e agora na Austrália com a como preventivos ou coadjuvantes ao e Royal Canin também realizaram lan-
Vetnil Group (três empresas) e a Cen- tratamento de doenças, assim como çamentos de novas moléculas e produ-
tralvet, novo empreendimento do ex- nutracêuticos. tos, com destaque à Fort Dodge, com o
vice-presidente da Vetnil, Ronald Nota-se também o aumento crescente antipulgas Promeris, e à Virbac, com
Glanzmann, que tem como um de seus da disponibilização de equipamentos ampliação da linha de uso odontológico.
objetivos assessorar empresas brasilei- cada vez mais sofisticados e totalmente

Divulgação
ras na exportação de seus produtos. customizados para o uso em medicina
Nesta primeira participação da veterinária, tanto para a área diagnóstica
Centralvet conseguiu-se a adesão de de procedimentos cirúrgicos, clínicos e
sete empresas: Ibasa, Duprat, Brasmed, odontológicos, como de acompanha-
Pet Minato, Sanol Dog, Organnact e mento do paciente crítico.
Bionext. A expectativa da nova empresa A vedete do evento ficou com o la-
é a adesão de pelo menos mais três boratório Belga Janssen, pertencente à
empresas ainda este ano. Johnson & Johnson, com foco total em
Notamos que as sementes plantadas inovação, lançando no mercado o
desde 2004, através do projeto Brasil Yarvitan, produto indicado para promo-
Pet Products, começaram a propiciar os ver a perda de peso de cães obesos em O novo lançamento internacional da Fort Dodge,
o antipulgas Promeris, possui site próprio, com
primeiros frutos. Importadores e médi- oito semanas. O produto promete 10% detalhes do mecanismo de ação do produto -
cos veterinários visitaram e registraram de perda neste período de uso. A pre- www.promeris.com
o fato de terem interesse nos produtos visão de lançamen-
Divulgação

de nosso país, devido à qualidade, alia- to no Brasil é para o


da ao preço competitivo dos mesmos. congresso mundial
Durante o congresso, prospectamos da WSAVA de
contatos interessados em importar pro- 2009, que será em
dutos de todas as linhas, especialmente São Paulo, SP.
porque a presença nos mundiais tem Será o primeiro em
indiretamente auxiliado na promoção de território brasileiro
nosso país, que será sede do Congresso e o segundo no con-
Mundial de Clínicos de Pequenos tinente latino-ame-
Animais de 2009 (WSAVA 2009). ricano.
Nenhum projeto de exportação de outro Demais empre-
país tem presença nos mundiais. O sas multinacionais
único país a ter este tipo de ação nestes conhecidas no Bra- Resultado rápido e visível em 8 semanas é o que promete Yarvitan, produto
eventos é o Brasil. sil como, Pfizer, para o controle da obesidade lançado pela Jannsen - www.yarvitan.eu

16 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, setembro/outubro, 2007


Aquilo que você sempre pensou já existe!

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Conhecemos seu dia-a-dia. E sabemos como seria bom você poder contar com uma instituição veterinária otimamente
estruturada, para você exercer com tranqüilidade e eficácia a nobre arte de salvar, curar e proteger nossos amigos de patas.
Nascemos em 02/01/2007 com esta finalidade: dar ao médico veterinário a real dimensão da qualidade em medicina,
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Nossa estrutura hospitalar disponibiliza todo equipamento necessário para dar ao nosso parceiro a certeza que seu
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• raios X, ultra-som, ECG e eco; • radioterapia (2)

(1) - Previsão de entrada em dezembro de 2007


(2) - Em 15/10/2007 foi adquirido um aparelho de radioterapia. Ele deverá estar em funcionamento em 120 dias, pois
necessita de uma planta específica elaborada por um físico nuclear com credenciamento na Agência de Energia Atômica.
Com esse equipamento nosso instituto será o mais completo Hospital Veterinário Particular da América Latina.

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De mãos dadas com os veterinários em prol da excelência médica animal
institutodogbakery@terra.com.br
7º CONPAVEPA - Muito mais que evento científico
desse porte, sem sofrer ingerências gover-

A
alta qualidade da programação
científica do CONPAVEPA vem namentais, mas que esteja aberto ao uso
sendo comprovada há anos, e por este órgãos, o que seria desejável
esta sua sétima edição não poderia ser (CCZs, prefeituras, Ongs etc). A
diferente. Diversas áreas, como odon- essência do microchip é esta; porém,
tologia, dermatologia, oftalmologia, o que importa é que o animal seja ca-
comportamento, cardiologia, entre ou- dastrado no banco de dados. Chipar
tras, foram contempladas com palestras e não exigir o cadastro é jogar di-
por profissionais de renome. Importante nheiro fora e
contribuição também foi dada por talvez imperí- Alain Van Weert, da empresa suíça
Data Mars (www.datamars.com) veio
Michael M. Pavletic, do Angell Animal cia ou impru- especialmente ao Brasil para falar da iden-
Medical Center de Boston, que mi- dência do mé- tificação por radiofreqüência (RF-ID)
nistrou diversas palestras sobre cirurgia. dico veteriná- “A implantação de
rio”, destaca microchips é um
Gioso. procedimento útil
para os proprietá-
A implan- rios, para os mé-
tação de mi- dicos veterinários
crochips é um e para o sistema
de saúde pública”,
procedimento enfatizou Marco A.
útil para os Gioso, presidente
da Anclivepa-SP

A exposição de trabalhos científicos ocorreu na


mesma área da Pet South America, no pavilhão
de exposição do Hotel Transamérica. Essa dis-
posição ajudou a integrar o ambiente do con-
gresso ao da feira

Além do pré-congresso de oncologia


e do pós-congresso de homeopatia, a
Anclivepa-SP incluiu dois pontos de
extrema importância para a atividade
profissional: a apresentação do sistema
Pet Link de identificação animal e a par-
ticipação política dos médicos veteriná-
rios nas legislações em face do anda- A versão em português do sistema Pet Link pode ser consulta-
mento de leis e projetos de lei que são do no endereço eletrônico: www.petlink.net/brasil. A versão Durante a Pet South America,
diretamente pertinentes à classe médi- internacional do sistema também está disponível no endereço médicos veterinários puderam
co-veterinária. www.petlink.net conhecer de perto a funciona-
lidade do sistema Pet Link
Sistema Pet Link proprietários, para os médicos veteriná- esta parceria com a empresa suíça
Com auditório lotado, Marco Anto- rios e para o sistema de saúde pública, Datamars exatamente porque o comér-
nio Gioso, presidente da Anclivepa-SP, desde que siga os padrões ISO 11.784 e cio dos microchips será feito concomi-
apresentou a versão brasileira do siste- 11.785. Por isso, é fundamental que o tantemente com a obrigatoriedade do
ma Pet Link (www.petlink.net/brasil), procedimento seja feito por um médico registro no banco de dados Petlink. As
que funciona totalmente integrado no veterinário consciente da existência empresas envolvidas estão comprometi-
mundo todo (www.petlink.net). “A desses padrões, evitando-se a utilização das com esta regra mundial que será
Anclivepa-SP acredita que o Brasil ne- de microchips em desacordo com as controlada pela Datamars e pela
cessita ter um banco de dados único, normas ISO. Anclivepa-SP. A empresa que comercia-
moderno e eficiente e que, acima de tu- O sistema Pet Link Brasil foi resulta- lizará o chip, chamada New Image, de
do, seja gerido por uma associação de do de dois anos de negociação entre a São Paulo, não venderá chip, mas um
clínicos idônea. Os clínicos de peque- Anclivepa-SP e a Datamars, empresa sistema de reencontro entre animal e
nos animais de todo o Brasil merecem e suíça de microchips. dono! A Anclivepa-SP pesquisou cole-
precisam usufruir de um banco de dados “A Anclivepa-SP somente aceitou gas que chiparam animais e nem sabem

18 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


onde está o cadastro, se é que ele foi fiscalização, ajudando a controlar o au-
feito. Já ocorreu de um proprietário mento da população canina.
aparecer com um saquinho transparente Infelizmente, a lei do vereador Tripo-
com um microchip (não estéril) dentro, li não proibiu o comércio de cães e ga-
pedindo para que um veterinário o tos em lojas e pet shops. Muitos animais
implantasse! Isso mostra claramente passam muitos dias em uma pequena
O Projeto de Lei 700/2007 e a Lei 14.483/2007
que precisamos informar melhor os foram alvo de discussão durante o 7º CONPAVEPA
gaiola até que chegue o comprador que
colegas. A maioria não sabe ainda o irá livrá-lo do sofrimento causado pelo
que é transponder ou microchip”, escla- O ponto mais polêmico dessa lei é a estresse da clausura. Esta poderia ter
rece Gioso. exigência da castração, aos 2 meses de sido uma ótima opção para coibir o au-
Além disso, Gioso destaca que “este idade, de todo filhote que não for sele- mento da população de cães e gatos,
é o papel da Anclivepa-SP: levar infor- cionado pelo criador como reprodutor, pois suprimiria a venda por impulso,
mação precisa aos associados e demais pois com essa idade o criador não tem praticada, principalmente, pelo mau
colegas. O que nos importa mais como parâmetros para selecionar o filhote co- criador. O consumidor que realmente
associação é que o colega use um servi- mo reprodutor. Isto somente pode ser quisesse comprar um cão ou gato, preci-
ço idôneo, com material descartável e feito quando o animal atinge a fase saria fazê-lo dirigindo-se a canis ou
estéril, mas principalmente que o ani- adulta. Em muitas raças a comprovação gatis particulares, ou até municipais,
mal microchipado seja cadastrado. da ausência de displasia coxofemoral é procurando pela adoção.
Todavia, o sistema Pet Link oferecerá indispensável para a seleção. O Projeto de Lei 700/2007 do depu-
outros serviços, isto é, o veterinário po- Edgar Sommer, especialista em ra- tado estadual Feliciano Filho também
derá deixar on line outras informações diologia, ao ser entrevistado pela revista foi discutido, e o próprio deputado reco-
do animal. Por exemplo, dia da imuni- Clínica Veterinária esclareceu que: nheceu erros no projeto e declarou pu-
zação, se ele é diabético ou cardiopata, “Todos os cães das raças grandes e blicamente que tomaria as providências
suas medicações diárias e quaisquer gigantes deveriam ser submetidas ao para a elaboração do substitutivo ao
outros dados essenciais. Caso um médi- diagnóstico radiográfico da displasia Projeto de Lei em questão.
co veterinário de outra cidade, Estado coxofemoral. Infelizmente não é o que O principal tema polêmico do projeto
ou mesmo outro país precise dessas in- acontece na prática. As raças que são proposto pelo deputado é a proibição da
formações, elas poderão estar lá, de- mais comumente submetidas ao referido eutanásia e a permissão da mesma so-
pendendo apenas do colega querer ou diagnóstico, além do pastor alemão e mente com o aval de um médico veteri-
não registrá-las. O Pet Link ainda en- do rottweiler, são o labrador retriever, o nário ligado à proteção animal.
viará automaticamente e-mails, caso o golden retriever e, mais recentemente, o Muitos questionamentos foram fei-
animal seja encontrado, e o próprio bernese mountain dog. Outras raças tos, inclusive por médico veterinário do
dono poderá entrar no website, colocar grandes e gigantes menos freqüente- próprio CCZ de Campinas, onde o
uma foto e avisar que seu animal foi mente radiografadas são bull mastiff, mesmo Projeto de Lei que está sendo
perdido. Existem estatísticas na Europa mastiff inglês e chow-chow e, de médio proposto para a esfera estadual já existe
e nos EUA que mostram que muitos ani- porte, bulldog inglês e cocker spaniel. O na âmbito municipal. Muitos cães da ra-
mais (milhões!) vêm sendo roubados diagnóstico definitivo, segundo as nor- ça pit bull, sem condições de serem
dos seus lares. O sistema ajudará muito mas do Colégio Brasileiro de Radio- encaminhados para a adoção, têm que
no reencontro desses animais. Alguns logia Veterinária, é feito a partir dos 24 ser mantidos por tempos muito longos
países já têm delegacias de polícia que meses completos de idade”. em áreas de isolamento, causando tal
possuem leitoras disponíveis para o Com relação ao procedimento cirúr- sofrimento aos animais que estes che-
caso de encontrarem animais perdidos”. gico realizado em tenra idade, vale gam a destruir o canil. Outro problema é
ressaltar que há diversas informações o prolongamento do sofrimento de cães
Polêmicas em leis e projetos de lei na literatura que viabilizam o procedi- em fase terminal ou politraumatizados,
As polêmicas oriundas do Projeto de mento precoce. A revista Clínica que são mantidos vivos até a chegada do
Lei 700/2007, do deputado estadual Fe- Veterinária, por exemplo, publicou, na médico veterinário ligado à proteção
liciano Filho, e da Lei nº 14.483/ 2007, sua edição n. 13, revisão de literatura animal para que seja autorizada a euta-
do vereador Roberto Tripoli, fizeram sobre o tema. násia. Em ambos os exemplos, os esfor-
com que a Anclivepa-SP aproveitasse o A médica veterinária Cláudia Paula ços para a proteção animal causam
ensejo do 7º Conpavepa e abrisse espa- Ferreira da Costa, criadora de cães da sofrimento aos animais.
ço na programação para discuti-los. raça pastor alemão, pronunciou-se con- Como ainda será apresentado um
Em vigor desde o dia 17 de julho de tra a lei, pois argumentou a inviabiliza- substitutivo ao Projeto de Lei 700/2007,
2007, a Lei nº 14.483, de 16 de julho de ção da seleção de reprodutores. opiniões, críticas e sugestões podem e
2007, dispõe sobre a criação e venda, no Por outro lado, Luciana Hardt Go- devem ser enviadas ao deputado. Para
varejo, de cães e gatos por estabeleci- mes, médica veterinária sanitarista, en- os que desejarem contribuir, o deputado
mentos comerciais no município de São xerga a lei com bons olhos, pois ela in- possui um formulário para envio de
Paulo, bem como sobre doações, em viabiliza a atividade do mau criador, mensagens em sua página na internet:
eventos, de animais. tanto por meio da denúncia quanto pela www.felicianofilho.com.br.

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 19


Pet South America 2007 - mais de 20 mil visitantes e 250 expositores

A Royal Canin,
além de apre-
sentar seus no-
vos alimentos,
Pro Plan Puppy com Optistart Plus foi o principal des-
Acima mobiliário como por exem-
taque da Nestlé Purina. Todo o portfólio de alimentos
para clínica plo, os especí-
para cães e gatos das marcas Dog Chow, Cat Chow,
veterinária sortea- ficos para as
Friskies, Beneful e Snacks também estiveram em
do durante a feira. raças bulldog e
exposição. A empresa também foi patrocinadora ofi-
Ao lado, o felizardo boxer (ao lado),
cial do 7º Conpavepa
contemplado com a organizou cir-
promoção: o médico cuitos de palestras técnicas (acima)
veterinário José
Gannan

Além da tradicional linha Bravo, a Supra levou


a linha Frost High Premium, alimento para cães
e gatos de alta digestibilidade
Alltech, que marcou presença no evento,
tornou-se referência mundial no uso da
biotecnologia no setor de nutrição animal

Visitantes pu-
deram conhe-
cer etapas do
processo de
fabricação
dos alimentos
que levam a A Premier Pet, consolidada no segmento de pet
marca food com excelentes alimentos para cães e
Pedigree gatos, comemora seus 10 anos de atividade

A Ouro Fino Pet, que avança com sucesso


A marca Pedigree também esteve presente no no mercado de pet food, também aproveitou
stand da Arca Brasil. No local, foi divulgado a o evento para divulgar seu novo lançamento,
campanha Adotar é tudo de bom, que leva o o AziCox-2, associação de azitromicina e
opoio da marca Pedigree, que tem o objetivo meloxicam
de incentivar a adoção responsável e conscien-
te, ao invés da compra ou adoção por impulso

A Anfal Pet (Associação


dos Fabricantes de Ali- A Total Alimentos apresentou toda a
mentos para Animais de sua linha de alimentos para cães e
Estimação) divulgou o gatos, com destaque para os lança-
Programa Integrado de mentos da linha super Premium:
Qualidade Pet (Piq Pet), Equilíbrio Gatos Castrados, Equilíbrio
que tem o objetivo de Mature Active e Supreme Cães
contribuir para evolução Sensíveis. Além disso, a empresa
da qualidade dos alimen- realizou a premiação do 2º Prêmio de
tos oferecidos para os Incentivo à Pesquisa em Nutrição de
animais de companhia Cães e Gatos

20 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


A Bayer apresentou sua campanha interativa
Fenzol Pet (fembendazol) e Agemoxi CL (antibacte- contra os parasitas transmissores de doenças
riano de largo espectro), lançamentos da Agener para os cães e à família
União, foram foco da empresa no evento A Intervet focou a divulgação da sua grande
novidade: o site em português da coleira de
deltametrina Scalibor: www.scalibor.com.br

A Centagro, que até 30 de dezembro está de-


senvolvendo a promoção 20 anos de Centagro,
esteve presente com sua linha de ectoparasiti- Bravet participou da feira mostrando novas
cidas, medicamentos, higiene e beleza Além de mostrar suas linhas de produtos para
apresentações de produtos da sua linha pet
o segmento pet, a Biovet mostrou sua maturi-
dade na indústria veterinária brasileira: 50 anos

Os produtos fitoterápicos da FitoGuard atraíram


A campanha “Proteção plus Frontline” desta-
a atenção dos que buscam produtos naturais
cou-se no evento pelos benefícios que oferece

O importante trabalho de conscientização para o


tratamento e alívio da dor que a Schering-Plough
vem desenvolvendo, desde o lançamento de
Zubrin, no ano passado, perpetuou durante o
evento desse ano

Laboratórios Duprat, empresa genuinamente


brasileira e com grande prospecção no mercado
A atraente campanha “Revolution - só ele
despulga!” foi o foco da Pfizer

A apresentação injetável de sulfato de condroi-


tina para cães e gatos (Condroitín) foi um dos
produtos da Labyes que despertou o interesse A amici esteve presente expondo as novidades
A König atraiu visitantes que buscavam, por do público que visitou o seu stand das linhas allegri, profissionale e dottori
exemplo, a praticidade e a qualidade encontra-
das no antihelmíntico basken plus
22 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007
Avitrino e Coprovet, destaques da Coveli

Luca Mifano (à esquerda), presidente da Virbac, A Intervet focou a divulgação da sua grande
esteve pessoalmente no evento. A empresa, novidade: o site em português da coleira de
que comemora 20 anos de Brasil, levou ao deltametrina Scalibor: www.scalibor.com.br
evento toda sua linha de produtos.
Vitaminthe, suplemento vitamínico mi-
neral, altamente calórico, é
indicado para cães e gatos,
em todas as condições de
alta exigência nutricional

Muitos bons negócios


no stand da Vetnil e Na Organnact, além de lançamentos da empresa,
música muito boa tam- a divulgação da incorporação da empresa Fitovet
bém. O happy hour
promovido pela em-
presa contou um ex-
celente forró propor-
Toing, ao centro, um dos brinquedos cionado pelo Trio Vir-
duráveis da Buddy Toys gulino. O trio, no co-
meço de sua carreira,
alegrou diversas fes-
tas juninas da FMVZ/
USP

Solv Cat, a areia para gatos que diagnostica,


foi uma das novidades que a Marco Polo apre-
sentou na feira
A Sanol demonstrou no local os benefícios
de sua linha de higiene e embelezamento

A participação da Fort Dodge foi Revolution, prático sistema de


ampla. Dedicou-se ao atendimento dos anestesia veterinário em
clientes na feira e trouxe para o exposição no stand Oxigel
Conpavepa dois palestrantes interna- Central Vet, bons negócios no
A Amicus, empresa mineira que apresentou cionais: Cesar Torrano e Bonnie Brasil e exterior
ano passado a coleira anti-latido, inovou mais Barclay, que falaram sobre importantes
uma vez lançando a Cerca Virtual Stop temas da vacinação animal

Cresce linha
pet da Vansil.
Durante o
evento, uma
das novida-
des apresen-
tadas foi o
Pró-Artro 500
(sulfato de
condroitina) Na Brasmed e na Med-Sinal, diversas ofertas para clínicas e hospitais veterinários

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 23


Dirigentes e especialis-
tas do Provet marcaram
presença no stand da
empresa, onde recebe-
ram novos e antigos
O Sysmex pocH-100iV, equipa- clientes A Control Lab repetiu
mento específico para hemato- sua presença no even-
logia veterinária, foi destaque to, oferecendo serviços
Diversos clientes procuraram o da Roche Diagnóstica específicos em controle
laboratório Hermes Pardini, que de qualidade
pela 1ª vez participou da feira

Lab Pack, outra em-


presa da área médi-
ca, que está atuante
no segmento de
equipamentos
Ecafix Pet, equipamentos específicos para O BET Laboratories esteve presente divul- A Bio Brasil, distribuidora no Brasil da para
cardiologia veterinária (oxímetros, eletrocar- gando sua linha de exames focados no Idexx Laboratories, participou com diversas diagnóstico
diógrafos e monitores multiparamétricos) segmento da endocrinologia veterinária opções de equipamentos para diagnóstico veterinário
Congresso em Fortaleza destacou a importância do
médico veterinário na promoção da saúde por Arthur Barretto

objetivo de congregar os médicos vete-


rinários que atuam no campo da saúde
pública veterinária no Brasil ou que se
interessam pela área, bem como os es-
tudantes de medicina veterinária que
olham com atenção a especialização do
segmento.
Os temas que compuseram a
programação científica do congresso
Pronunciamento do Governador do Estado do
foram muito bem escolhidos e propí- CE sobre os investimentos no setor da saúde
cios, não somen- lotou o auditório no II CNSPVET
O II Congresso de Saúde Pública Veterinária contou te para a região, Casos de raiva canina de janeiro Trabalhos científicos escolhidos como
com mais de 1.000 inscritos, favorecendo a troca de mas para todo o a setembro de 2007 os melhores entre os 592 apresentados
experiências e conhecimento. Além de um grande Brasil. Lúcia Re- BA 3 casos no II CNSPVET, em suas respectivas
número de palestras com temas atuais, o evento con- MA 3 casos categorias
tou com a apresentação de trabalhos científicos, que gina Montebello
RN 2 casos • Experiência bem-sucedida:
foram feitas por meio de apresentações orais e de Pereira, do Mi- Edinaidy Suianny Rocha de Moura - Im-
mais de 500 pôsteres abrangendo assuntos como o MG 1 caso
nistério da Saúde plantação do Programa de Controle de
controle de zoonoses, as políticas de saúde, a vigi- MT 2 casos
lância sanitária e a vigilância à saúde
- Serviço de Vigi- MS 4 casos
Roedores no Município de Mossoró/RN:
uma ação intersetorial bem sucedida.
lância em Saúde PA 27 casos • Apresentação oral:

D
e 8 a 11 de outubro de 2007, (MS/SVS), mos- PE 13 casos Ana Lys Bezerra Barradas Mineiro - Flu-
Fortaleza, CE, sediou o II trou importantes RO 2 casos tuação mensal da população de
Congresso de Saúde Pública dados da situa- RS 1 caso Lutzomyia longipalpis em Timon, MA,
Veterinária, que teve como tema "O ção da raiva ur- TO 1 caso 1998 – 2006
Total 59 casos • Pôsteres
médico veterinário na promoção da bana, que está
Fonte: SVS - Secretaria de Alberto L. Begot - Situação epidemioló-
saúde", evento promovido pela Associa- presente em 11 Vigilância em Saúde gica da raiva após os surtos de raiva hu-
ção Brasileira de Saúde Pública Veteri- Estados do Bra- mana transmitidos por morcegos.
nária (ABSPV - www.abspv.org.br). A sil, e destacou o Estado do Pará. 2006 e 2007
iniciativa da associação busca preencher Wanessa de Andrade Pacheco - Ex-
Estado de Pernambuco, onde o registro creção de Brucella Abortus, estirpe
uma antiga lacuna relativa à dispersão do número de casos de raiva aumentou, B19 pelo leite/urina de fêmeas bovinas
dos vários segmentos que atuam na também porque houve intensificação das de diferentes faixas etárias vacinadas
saúde pública veterinária no país, ações de vigilância. contra brucelose como potencial zoo-
nótico.
favorecendo o fortalecimento da identi- Outro tema de enorme interesse,
dade do médico veterinário com atuação abordado na programação científica, foi imposição da eutanásia tem feito com
em saúde pública. A Associação a leishmaniose visceral canina (LVC), que proprietários levem seus cães soro-
Brasileira de Saúde Pública Veterinária enfermidade que a partir do início da positivos para outras áreas que não te-
(ABSPV) foi fundada em 2 de março de década de 80 deixou de estar restrita ao nham o inquérito sorológico, promo-
2005, na cidade de Brasília, DF, com o meio rural, passando a ser encontrada vendo, com a fuga, a expansão da enfer-
em grandes centros urba- midade, como aconteceu nas regiões de
nos, muitas vezes associada Bauru e Araçatuba. No Estado de Minas
à pobreza e à desnutrição. Gerais, proprietários ganharam na justi-
Adicionando-se a essa preo- ça o direito de tratar seu cão soropositi-
cupante situação o fato de a vo para leishmaniose visceral canina. E
leishmaniose visceral ser mais recentemente, os proprietários de
uma das doenças conside- cães em Campo Grande, MS, ganharam o
radas como negligenciadas direito a mais um exame diagnóstico para
é muito difícil que a popu- leishmaniose visceral canina, antes da
lação aceite facilmente a in- indicação da eutanásia. Enfim, sem o
dicação de eutanásia para apoio da população e da Anclivepa, ter a
os casos de cães que sejam eutanásia como a principal forma de
A Biblioteca Virtual em Saúde Ani-
soropositivos para leishma- controle da leishmaniose visceral cani-
mal - BVS -(bvs.panaftosa.org.br), niose visceral, sendo que na pode acarretar o insucesso da ação.
foi um dos destaques divulgados pode haver outra opção pa- A participação da população nas
aos congressistas pela Organiza- ra eles. Aliás, há anos que a ações é fundamental, possível e atual.
ção Pan-Americana de Saúde
(OPAS)
Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007
Inclusão do médico veterinário nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF)
Uma importante moção foi votada, por unanimidade, na Assembléia Geral da ABSPV no II Congresso Nacional de
Saúde Pública Veterinária, realizado de 8 a 11 de outubro de 2007, em Fortaleza/CE. Tal moção trata da inclusão do
médico veterinário nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), ao lado de outras profissões do campo da
saúde. Com base em razões técnicas, foi aprovado o encaminhamento pelo Conselho Federal de Medicina
Veterinária, ao Ministério da Saúde, para que seja procedida a inclusão do médico veterinário no NASF.

Essa moção se justifica pela necessidade de qualificação e redirecionamento de estratégias de Saúde da Família,
atenção integral, exercício do controle social, territorialização, ocupação e manejo dos espaços, promoção a saúde
e prevenção de agravos, incluindo aqueles causados por animais e, principalmente, no que se refere às doenças
emergentes e reemergentes, que em sua larga maioria têm procedência animal. Justifica-se também, e fundamental-
mente, pelo que representa na defesa e no fortalecimento do SUS.

Em atendimento a essa deliberação da Assembléia, foi encaminhado pelo Presidente da ABSPV o Ofício
Nº56-ABSPV, de 10/10/2007, para o dr. Luis Fernando Rolim Sampaio, diretor do Departamento de Atenção Básica
do Ministério da Saúde.

É fundamental que todos os associados se empenhem em divulgar essa demanda pela inclusão dos médicos
veterinários nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), agindo junto aos Conselhos Regionais e as represen-
tações de deputados e senadores de seus estados, para que se obtenha apoio dos parlamentares no encaminhamen-
to desse pleito ao Ministério da Saúde.

A mobilização de todos é muito importante!

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 27


Isso foi claramente apresentado no cur-
so de controle de população em zonas
urbanas, coordenado por Luis Fernando
Leanes, da Organização Pan-Americana
de Saúde (OPAS), e ministrado por
Adriana M. L. Vieira (CCZ/SP), Fer-
nando Ferreira e Rita de Cássia Garcia,
Luis Fernando Leanes, Rita de Cássia Garcia, Adriana M. L. Vieira e Fernando Ferreira dedicaram um dia os dois últimos da Faculdade de Medici-
inteiro para ministrar curso sobre o controle da população animal em zonas urbanas na Veterinária e Zootecnia da Universi-
DVD Oficial de dade de São Paulo.
Controle Ani- Impor medidas, principalmente drás-
mal - Um alia- ticas, é uma opção que não gera adesão.
do da comu-
nidade Por outro lado, fácil adesão pode ocor-
rer com a reunião da comunidade e a
avaliação das suas reais necessidades.
Isso está sendo feita na região de Var-
gem Grande, periferia de São Paulo. A
coordenação do projeto é o trabalho de
doutorado da palestrante Rita de Cássia
Garcia. Adriana M. L. Vieira, do CCZ/SP,
e reforça a necessidade da abordagem
coordenada da comunidade. E para o
sucesso na ação Vieira enfatiza a impor-
O Programa de Controle de Populações de tância da necessidade de agir fazendo-se
Cães e Gatos no Estado de São Paulo, su-
plemento 5 do Boletim Epidemiológico Pau-
a integração da saúde pública com o
lista - volume 3 (www.cve.saude.sp.gov.br) e o bem-estar animal. “Por que um agente de
DVD Oficial de Controle Animal - Um aliado saúde que laçar um cão precisa exibi-lo
da comunidade são algumas opções que aju- pendurado pelo pescoço e depois jogá-lo
dam a capacitar profissionais que lidam com
a prevenção da saúde da comunidade. na viatura?” Adriana citou o exemplo
Para a abordagem das crianças, o Núcleo de Controle de Zoonoses de Itajaí/SC (ncz.sms@itajai.sc.gov.br), tem do município de Jacareí, que para
a ajuda de Peixerinho, personagem de gibi que foi criado para transmitir conceitos de guarda responsável

Leishmaniose: STJ exige que a eutanásia de cães seja mais criteriosa


O processo de número 2007.015237-9, comprobatório, ou pela utilização combina- recusa deste consentimento e de responsa-
julgado pelo Tribunal de Justiça de Mato da dos exames I.F.I. e E.I.E., ou após auto- bilidade pelo tratamento do animal, sob su-
Grosso do Sul (TJ-MS), teve a seguinte rização, por escrito, do proprietário do ani- pervisão do veterinário responsável. Inti-
conclusão do despacho de f. 199/200: "(...) mal; 2) determinar que o CCZ/CG elabore mem-se os agravados para, querendo,
concedo, parcialmente, o pedido de anteci- e utilize, obrigatoriamente, instrumentos apresentarem contra-minuta no prazo de
pação da tutela pleiteada, para: 1) sus- legais de formalidade e controle de seus 10 (dez) dias. (...). P.I. Esta medida imposta
pender a eutanásia de animais: diagnosti- atos tais como: a) Termo (Auto) de consen- pelo TJ-MS foi mantida pelo STJ (Superior
cados com leishmaniose visceral canina timento livre e esclarecido para adentrar Tribunal de Justiça), que não aceitou o pe-
quando se utiliza, isoladamente, os méto- nas residências (art. 5o, inciso XI, da CF); dido de suspensão de liminar (https://ww2.stj.
dos de Imunofluorescência (I.F.I.) ou méto- b) Termo (Auto) de cientificação de animais gov.br/revistaeletronica/REJ.cgi/MON?seq
do Imunoenzimático (E.I.E.), sendo somente sorologicamente positivos; c)Termo (Auto) =3394759&formato=PDF), instruindo o mu-
permitidas aquelas eutanásias cujos resul- de consentimento livre e esclarecido para nicípio de Campo Grande (MS) a ter mais ri-
tados tenham sido comprovados mediante realização de eutanásia em animais porta- gor antes de realizar a eutanásia dos cães
a execução simultânea de outro exame dores de doenças graves ou termo de portadores de leishmaniose visceral canina.
infecta mais de 300 milhões e mata 1 milhão de capacidade técnica para suprir a necessidade
Doenças negligenciadas* pessoas a cada ano. A tuberculose, para a qual de gerar novos medicamentos de combate a
não se lança um novo medicamento há 30 elas.
Cerca de 90% dos recursos para pesquisa anos, ceifa 2 milhões de vidas por ano. Só no Segundo ele, com vontade política, parce-
e desenvolvimento no setor de fármacos são Brasil, 46 mil pessoas morrem anualmente rias junto ao setor privado e uma política mais
destinados para medicamentos contra com doenças infecciosas. robusta de ciência e tecnologia – que favore-
doenças que atingem 10% da população Para o professor Carlos Morel, diretor do cesse a inovação – o país poderia aproveitar
mundial, como hipertensão e diabetes. Centro de Desenvolvimento Tecnológico em uma oportunidade única de se tornar um pro-
Enquanto isso, a dengue atinge cerca de 50 Saúde (CDTS) da Fundação Oswaldo Cruz dutor de medicamentos para essas doenças,
milhões de pessoas em mais de cem países. A (Fiocruz), o Brasil, ao contrário da maioria dos melhorando sua infra-estrutura industrial e
malária, para a qual não há medicamentos, países que sofrem com essas doenças, tem beneficiando a população com menos recursos.
*Fonte: Por Fábio de Castro - Agência Fapesp - http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=7850
mudar drasticamente a postura cruel entender os conceitos preconizados é ocorra”, explicou Ferreira.
com animais trocou seus agentes, que assistindo ao documentário institucional Todas essas ações, na prática, estão
antes eram homens, por mulheres. do FOCA. Ele conta com os depoimen- integradas com as atividade de promo-
Mais de uma centena de municípios tos de membros da comunidade e de ção da saúde. Porém, é importante que
tem procurado mudar essa postura dos “ex-laçadores” de cães que passaram a isso seja reconhecido em todos os seto-
seus centros de controle de zoonoses. E exercer, com satisfação e orgulho, a res. Exemplo dessa necessidade é o não
seus agentes de saúde, agora conhecidos posição de Oficiais de Controle Animal. reconhecimento pelo MEC da residên-
como Oficiais de Controle Animal, traba- Para assisti-lo, basta acessar o endereço cia em medicina veterinária, sendo que
lham com mais segurança, integrando-se www.itecbr.org. já foram avaliados pela Comissão Na-
com a comunidade e, o mais impor- Outro assunto fundamental apresen- cional de Residência Médico-Veterinária
tante, reconhecidos pela competência, tado no curso foi o dimensionamento (CNRMV) do Conselho Federal de Me-
amabilidade e respeito com os animais. dos efeitos da eutanásia e da castração dicina Veterinária (CFMV) 30 programas
A difusão dessa postura ética e eficaz na população de cães. Ficou evidente, de residência em medicina veterinária e
tem sido possível graças ao curso de após a apresentação de Fernando Ferrei- que já existe, entre outras sub-áreas, a re-
Formação de Oficiais de Controle Ani- ra, que praticar a eutanásia e/ou a cas- sidência em saúde pública. Felipe Wouk
mal, popularmente conhecido por FOCA, tração como medida de controle popula- e Júlio C. Cambraia Veado, membros da
desenvolvido pelo Instituto de Tecno- cional, sem possuir baixas taxas de CNRMV/CFMV, estiveram em Fortale-
logia em Educação e Controle Animal abandono, não é eficaz. “Esterelizando- za, juntamente com Mauro M. de Arru-
(ITEC). se 10% da população animal por ano da, do Ministério da Saúde, discutindo o
Os participantes do curso de controle consegue-se redução de 20% da popu- tema, que merece atenção e participação.
de população animal em zonas urbanas lação em 20 anos. Incrementando-se a
puderam conhecer bem a proposta do taxa de esterilização para 20%, a popu- Leishmaniose - situação atual
FOCA, mas a forma mais fácil de lação, em 20 anos, pode ter redução de Tratamento da leishmaniose visceral
até 40%. Porém, desde que não haja o canina
abandono. Esses modelos são úteis Ana Nilce Silveira Maia Elkhoury
para que se possa subtituir análises (MS/SVS), em sua apresentação sobre
subjetivas da população animal por leishmaniose, destacou o resultado de
quantitativas. Além disso, é preciso ter reunião promovida pelo Ministério da
consciência da impossibilidade de prati- Saúde: "mesmo a despeito da defesa e
car a eutanásia em 100% da população, do interesse da Anclivepa-MG, repre-
pois as estruturas do serviço de saúde e sentada por Vitor Márcio Ribeiro e
das comunidades não permitem que isso Manfredo Werkrauser, em realizar o tra-
tamento de cães com leishmaniose vis-
ceral e, conseqüentemente, evitar a eu-
Acima, jogos criados tanásia, a instituição manterá a contra-
para a educação e pre-
venção de zoonoses, indicação do tratamento de cães in-
que são utilizados no fectados e/ou doentes no Brasil, tendo
Programa de Saúde em vista o risco para a saúde humana
Ambiental, no Recife,
PE. À esquerda, mo- Bromy, novo produto da Biovet para o controle de
que tal conduta acarreta. Estará proibi-
delo de sacola para ratos e camundongos, em exposição no stand da do o tratamento canino no Brasil, até
recolhimento de fezes Rodagro (www.rodagro.com), não pôe em risco a que novas evidências científicas possam
de cães, outra cam- vida dos pets. Para um cão de 15 quilos, Bromy estar contribuindo para que se tome
panha municipal que Isca Fresca só ofereceria risco, por exemplo, a
faz parte do programa partir da ingestão de 3 kg (300 sachês) uma nova decisão por meio de discussões

parceria permitirá expandir o apoio da empre-


Fiocruz e Genzyme assinam parceria* sa às atividades de pesquisa e desenvolvi-
mento no Brasil e na América Latina.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a comercialmente, a fundação brasileira ficará Com o programa Assistência Humanitária
empresa norte-americana de biotecnologia isenta do pagamento de royalties. em Doenças Negligenciadas, a empresa faz
Genzyme Corporation anunciaram, em julho A parceria se concentrará inicialmente na um trabalho sistemático de identificação, ava-
último, uma parceria em pesquisa e desen- pesquisa de novos tratamentos contra a doen- liação e gerenciamento de projetos científicos
volvimento de novos tratamentos contra ça de Chagas. Um dos estudos testará um tra- e parcerias focadas nessas enfermidades.
doenças consideradas negligenciadas, como tamento que neutraliza a proteína causadora de As doenças negligenciadas atingem cente-
malária, leishmaniose e mal de Chagas. problemas cardíacos nos pacientes chagásicos. nas de milhões de pessoas em todo o mundo.
Com o acordo, cientistas da Fiocruz e da Com sede em Boston, a Genzyme desen- Mas os tratamentos e diagnósticos para elas
Genzyme trabalharão em conjunto nos labo- volveu nos últimos anos produtos contra não costumam receber grandes investimen-
ratórios das duas instituições. Caso sejam doenças genéticas raras, imunológicas, insu- tos, uma vez que atingem predominante-
feitas descobertas que possam ser exploradas ficiência renal e câncer. Segundo a Fiocruz, a mente indivíduos de baixo poder aquisitivo.
*Fonte: Agência Fapesp - http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=7490
técnicas e científicas". As justificativas Além das vá-
para tal conduta foram: rias justificativas
“- cães assintomáticos permanecem co- apresentadas por
mo fonte de infecção para o vetor e que Elkhoury para
são responsáveis pela expansão da proibir no Brasil
doença; o tratamento da
- não há, até o momento, nenhum fár- leishmaniose vis-
maco ou esquema terapêutico que ga- ceral canina esta-
ranta a eficácia do tratamento canino, rem sendo contes-
bem como a redução do risco de trans- tadas por diver-
missão; sos especialistas,
- há risco de cães em tratamento man- há a falta de dis- Ana Nilce Silveira Maia Elkhoury (MS/SVS), Leucio Alves (UFRPE) e Egon
terem-se como reservatórios e fonte de cussão do tema. Vieira da Silva (MAPA), que juntamente com Carlos Henrique Nery Costa
(UFPI), participaram da seção de leishmaniose apresentada no congresso.
infecção para o vetor; A reunião no Mi- Alves ressaltou a importância do ciclo silvestre e das ações ambientais para
- não há evidências científicas da re- nistério da Saúde o controle da leishmaniose visceral, salientando que elas podem levar a
dução ou interrupção da transmissão; (MS), citada por melhores resultados que qualquer outra medida
- há extrema dificuldade da realização Elkhoury, para a
de tratamento e acompanhamento a discussão do tratamento da leishma- cional de Leishmaniose Visceral 2008 o
longo prazo; niose visceral canina, não foi aberta, e sacrifício animal como forma de contro-
- não existem medidas de eficácia com- todos os convidados, com exceção dos le da leishmaniose visceral canina. Es-
provada que garantam a não infectivi- dois clínicos veterinários de pequenos pera-se que o MS participe e que, em
dade do cão em tratamento; animais, eram favoráveis à mesma con- conjunto com a comunidade científica e
- há risco de indução de seleção de ce- duta, ou seja à proibição do tratamento. os clínicos veterinários de pequenos
pas resistentes aos medicamentos dis- Além dessa reunião desigual, o MS, por animais, sejam esclarecidos mitos e ver-
poníveis”. exemplo, mesmo convidado, não en- dades sobre o tema.
viou representante ao Simpósio Interna- Outro palestrante que abordou a
cional de Leishmaniose Visceral Cani- leishmaniose foi Carlos Henrique Nery
na, que ocorre anualmente em Belo Ho- Costa, especialista que possui doutorado
rizonte, que pudesse discutir a questão em Saúde Pública Tropical (Harvard
do tratamento canino, ou seja, esquivou- University), e é professor da Universi-
se das discussões técnicas e científicas e dade Federal do Piauí, médico do Go-
substituiu um documento redigido em verno do Estado do Piauí e Coordenador
conjunto pela Anclivepa e por técnicos Executivo da Rede Nordeste de Biotecno-
do MS, que normatizaria o tratamento logia. Costa destacou que não existe na
da leishmaniose visceral canina, por um literatura evidência direta de que os
outro que o proíbe por completo. Pri- cães representam um risco para os seres
mando pelas discussões científicas, a humanos adquirirem leishmaniose vis-
A Intervet esteve presente no congresso pro- Anclivepa-MG, em desacordo com essa ceral. “As evidências indiretas, através
movendo a coleira Scalibor, produto reconheci- postura atual do MS, programou como da retirada de animais, são conflitantes
do pela OMS como eficaz na prevenção da
leishmaniose visceral canina tema principal para o Simpósio Interna- e incompletas. Além disso, a metodologia

Scalibor passa a ter site também em português: www.scalibor.com.br


A versão em português do site da coleira transmissores, evitando a contaminação de cães
Scalibor foi lançada recentemente. Nela cons- e, conseqüentemente, dos seres humanos.
tam informações e um vídeo explicativo sobre Evidenciando sua importância, na Europa,
o uso e propriedades da coleira inseticida que igualmente sofre com o problema, o escri-
Scalibor, desenvolvida com tecnologia exclusi- tório regional da Organização Mundial de
va pela Intervet. Também são encontrados da- Saúde recomenda o uso deste tipo de coleira,
dos sobre a situação da doença em humanos produzida com exclusividade pela Intervet,
no Brasil, explicações sobre a enfermidade em para a proteção dos cães.
cães, sobre o inseto, como combater este e No Brasil seu emprego vem crescendo,
outros problemas, além de um divertido jogo por exemplo, ao ser adotada em programas
interativo. Técnicos poderão ler artigos científi- de combate à leishmaniose visceral canina de
cos em área de acesso restrito, que estará li- prefeituras como as de Campo Grande e Três
berada após cadastro feito no próprio site. Lagoas, ambas no Mato Grosso do Sul.
A coleira Scalibor constitui-se num dos Além de ajudar a controlar os insetos veto-
instrumentos para controlar a disseminação da res, a coleira possui boa eficácia contra outros
leishmaniose por repelir ou matar os insetos parasitas externos como o carrapato.
de triagem faz com que muitos cães • existem várias maneiras de diferenciar
sadios sejam mortos, sendo eliminados cães doentes infectados de vacinados:
inutilmente, mediante argumentos de 1- cães vacinados têm atestado de vaci-
baixíssimo suporte científico. Final- nação em duas vias, com assinatura do
mente, retirar um cão e deixar insetos médico veterinário e do proprietário,
infectados pode estar desviando repas- além de endereço, telefone, datas de va-
tos infectantes para pessoas suscetí- cinação etc.; 2- existem vários testes
veis. As gerações futuras vão se referir parasitológicos que provam a infecção,
a isto como atitudes de uma era ignoran- como o citológico direto e a imunocito-
te e brutal”, conclui o especialista. química de pele. Para saber se são
infectantes, há o PCR de medula óssea
Vacinação como prevenção da ou de linfonodo, ou até a cultura, mais
leishmaniose visceral canina demorada mas muito sensível. Também
Com relação à vacina contra a existe na literatura provas de que kits de
leishmaniose visceral canina, Elkhoury diagnóstico por ELISA, que utilizam an-
salientou que “não existem, ainda, evi- tígenos recombinantes, mostram resul-
dências adequadas e suficientes que tados negativos nos cães vacinados e
comprovem: a eficácia vacinal para positivos em animais doentes;
prevenção da infecção canina; a eficá- • existe, no Brasil, kit comercial ELISA,
cia em termos da competência do cão com antígenos recombinantes, diferente
Cães da comunidade da praia de Canoa Que-
vacinado como fonte de infeção para o do kit com antígeno bruto utilizado brada, que pertence ao município de Aracati, CE,
flebotomíneo; o bloqueio da trasmissão pelo serviço público. área endêmica de leishmaniose visceral canina
através de flebotomíneos infectados Egon Vieira da Silva, do MAPA, ao
para cães vacinados; e que comprovem abordar o tema Registro e controle de
a existência de testes de diagnósticos imunógenos de uso veterinário também
válidos que discriminem cães vacinados defendeu a vacina Leishmune: “é uma
de cães naturalmente infectados. Por ferramenta que não deve ser descarta-
isso, o MS ainda não recomenda a vaci- da. A febre aftosa, doença de grande
na como medida de vigilância e con- importância para a economia brasilei-
trole”, finalizou Elkhoury . ra, é controlada basicamente através de
No evento não havia representantes um programa de vacinação”. Além
da Fort Dodge, fabricante da vacina disso, criticou o descaso com o trânsito
contra leishmaniose que está no merca- de cães de uma região contaminada para
do, a Leishmune, mas Ingrid Menz, outra. “Ele somente deveria ser permiti-
médica veterinária da empresa, rebate do a partir do momento em que o ani-
as colocações da palestrante com as mal portasse laudo negativo para
seguintes informações: leishmaniose”.
• existem trabalhos que comprovam a
eficácia vacinal em cães, de 76 a 80% Perspectivas para o controle da
(proteção de 92 e 95%) em área endê- leishmaniose visceral canina
mica. Estes trabalhos, além de vários Não há dúvida de que a prevenção da
outros, serviram para o registro no leishmaniose visceral canina é a melhor
MAPA em junho de 2003; forma de lidar com a enfermidade, tanto
• existem, até o momento, dois traba- através de ações no ambiente quanto na
Folheto educativo elaborado e distribuído pela
lhos científicos publicados em 2005 população canina. O detalhe fundamen- Clínica Veterinária Santo Agostinho, de Belo
na revista Vaccine (The FML-vaccine tal é a hora certa de iniciar a prevenção. Horizonte, MG, que explica sobre a gravidade da
(Leishmune) against canine visceral O que está sendo constatado atualmente leishmaniose e como fazer a prevenção
leishmaniasis: a transmission blocking é que a prevenção, quando é
vaccine, de Saraiva et al. e Leishmune preconizada, limita-se ape-
vaccine blocks the transmission of nas às áreas endêmicas. E,
canine leishmaniasis. Absence of enquanto isso, a enfermida-
leishmanis parasites in blood, skin and de ganha espaço no território
lymph nodes of vaccinated exposed brasileiro e cães circulam li-
dogs, de Nogueira et al.), e mais um, vremente entre as áreas endê-
pelo menos, que está em publicação, micas e não endêmicas, seja
que comprovam que cães vacinados não em companhia de seus pro-
são transmissores; prietários ou para participação Durante o encerramento do congresso, ficou evidente o cresci-
mento da medicina veterinária na saúde pública. O trabalho da
Associação Brasileira de Saúde Pública Veterinária - ABSPV
(www.abspv.org.br) tem sido fundamental para isto
de exposições promovidas pelas enti- Saúde trabalhar de forma integrada com outros, por exemplo, dedicam-se a pa-
dades de cinofilia. os clínicos veterinários de pequenos ani- lestras em comunidades e igrejas.
Uma medida que contribuiria muito mais, pois no exercício de suas ativida- Outra medida bastante louvável seria
para o controle, não somente da leishma- des eles exercem papel crucial na pre- facilitar o acesso da população aos pro-
niose, mas de diversas zoonoses, é a apli- venção de diversas zoonoses. No caso dutos utilizados na prevenção, não so-
cação dos conceitos de bem-estar animal da leishmaniose visceral canina, não são mente da leishmaniose, mas de todas as
no gerenciamento das atividades dos cen- poucos os clínicos que se dedicam ao zoonoses, através da isenção total de
tro de controle de zoonoses. Isso foi cla- esclarecimento da população: alguns impostos. E isso não depende de estu-
ramente apresentado no curso de controle investem em folhetos educativos como dos científicos, apenas de vontade polí-
da população animal em zonas urbanas. mais uma forma de despertar o interesse tica. Enquanto isso, a LVC ronda a
Outra medida vital é o Ministério da dos proprietários para a prevenção e cidade de São Paulo...

Mais saúde, menos sonegação* Para o professor, a carga tributária do país


não pode ser considerada elevada. “Essa
O problema do sistema de saúde brasileiro Eliminar fraudes e irregularidades, criar a carga de 35% que se apregoa não é correta,
não é a gestão, é a falta de recursos. Para programação integrada, estimular a organiza- porque ela é calculada sobre o [Produto
aumentar recursos e superar a crise no setor, ção dos municípios em consórcios intermuni- Interno Bruto] PIB oficial, mas o PIB real é
o país precisa diminuir a concentração de cipais, de acordo com o ex-ministro, são ou- 20% a 30% maior”, disse.
renda por meio de uma reforma tributária. tros exemplos de gestão bem-sucedida. Além disso, a fatia da previdência social,
A idéia foi defendida pelo ex-ministro da O Programa de Saúde da Família, segundo de 15% da arrecadação federal, não deveria
Saúde Adib Jatene, do Hospital do Coração, ele, também foi fruto de gestão. Como uma ser considerada como recurso tributário do
durante o 3º Simpósio Avanços em Pesquisas grande massa da população mora em lugares governo, de acordo com Jatene.
Médicas, ocorrido em 27 de setembro de 2007, onde os profissionais de saúde não querem “Previdência é recurso dos aposentados.
em São Paulo, SP. O evento foi promovido pelo morar, não se podia montar um sistema de Isso não pode servir para dizer que a carga
Hospital das Clínicas da Faculdade de atenção básica centrada no médico. A estraté- tributária é alta. Na verdade, ela só é alta para
Medicina da Universidade de São Paulo (USP). gia foi centrá-lo no agente comunitário de quem ganha pouco, porque no Brasil o sis-
Traçando um diagnóstico do setor de saúde. tema é baseado na taxação de produtos, bens
saúde, Jatene defendeu enfaticamente que a O agente, explicou Jatene, mora na comu- e serviços, atingindo o consumidor”, explicou.
gestão do sistema, embora tenha problemas, nidade e acompanha de perto um núcleo de Nesse contexto, diz o professor, a arreca-
é bastante eficiente em relação aos recursos 100 a 200 famílias, atuando em prevenção. A dação do governo é pequena e não consegue
de que dispõe. cada cinco agentes são agregados, num posto atender às necessidades de uma população
“A área econômica do governo e parte do de saúde, um médico em tempo integral, uma que se urbanizou em grande velocidade.
setor empresarial procuram impor à popu- enfermeira e um auxiliar de enfermagem. “Isso “Temos que fazer uma reforma tributária,
lação a idéia de que não nos faltam recursos teve um impacto dramático na redução da mas isso é uma grande encrenca, porque
e sim gestão. Dizem que a carga tributária é mortalidade infantil e no aumento da expecta- quem deve fazê-la é o Congresso. E quem o
elevada e o volume de recursos à disposição tiva de vida”, afirmou. elege não é quem vota e sim quem financia
do setor é muito grande. Isso é uma completa Segundo Jatene, hoje há 200 mil agentes e campanhas e tem interesse em manter a con-
falácia”, disse Jatene à Agência FAPESP. 30 mil equipes de saúde da família cuidando centração de renda”, disse.
De acordo com ele, a Constituição esta- de cerca de 80 milhões de pessoas. “Mas isso O ex-ministro utilizou o caso da CPMF para
belece que a saúde deveria receber 30% do não chega à metade da população brasileira. ilustrar a profundidade do problema fiscal. De
orçamento da seguridade, que é de R$ 370 bi- O programa não pode se esgotar nesse mo- acordo com ele, quando foi regulamentada, a
lhões em 2007. O valor seria de R$ 110 bi- delo, que funciona bem, mas não tem como contribuição foi acompanhada de um artigo
lhões, mas o orçamento do Ministério da ser expandido. São necessárias equipes de que proibia que a Receita Federal usasse
Saúde não passa de R$ 44 bilhões, incluindo especialistas para dar cobertura às equipes de seus dados para fiscalizar o pagamento de
a parte contingenciada. saúde da família. Evidentemente é preciso imposto de renda, encobrindo a sonegação.
“É ruim uma gestão que consegue, com aumentar os recursos.” Quando se permitiu o cruzamento de infor-
esses recursos, internar 11,5 milhões de pes- mações, de acordo com ele, a arrecadação
soas, financiar todos os transplantes de órgãos, Concentração de renda e sonegação Federal passou de R$ 6,5 bilhões por mês
mais de 70% das cirurgias cardíacas, quase O ex-ministro afirmou que a deficiência da para mais de R$ 20 bilhões por mês. Dos cem
toda a hemodiálise e medicação para análise, e infra-estrutura é desproporcional à riqueza do maiores contribuintes da CPMF, 62 nunca ti-
fazer uma vacinação em larga escala que é a país. O problema do financiamento da saúde, nham pago imposto de renda.
melhor do mundo?”, questionou o professor. de acordo com ele, está relacionado à má dis- “Quando cruzamos informações a arreca-
A organização do sistema único de saúde tribuição de renda, que tem base em várias dação triplicou e isso não quebrou ninguém,
num país sem tradição democrática foi, de formas de elisão e evasão fiscal. as exportações vão bem e as reservas se
acordo com Jatene, uma demonstração de “Somos o país de maior concentração de mantêm. Mas, além da CPMF, a legislação
boa gestão. “É uma engenharia complexa renda do mundo. Isso acontece por uma única ainda tem muitos outros mecanismos de
articular decisões numa Federação, contando razão: quem gera a renda se apropria dela. Só elisão, de não-pagamento de tributos, de
com Conselhos em três níveis de governo, existe uma maneira de se fazer isso: sonegan- evasão de recursos por multinacionais e
com participação popular.” do”, disse. isenção de toda ordem”, declarou.

*Fonte: Por Fábio de Castro - Agência Fapesp - http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=7815


Métodos de diagnóstico da Fabiana Augusta Ikeda-Garcia
MV, mestre, doutoranda
FCAV/Unesp-Jaboticabal
leishmaniose visceral canina fabikeda@bol.com.br

Mary Marcondes
MV, profa. ass. dra.
Diagnostic methods of canine CMV/Unesp-Araçatuba
marcondes@fmva.unesp.br

visceral leishmaniasis
Métodos de diagnóstico de la infectado e subseqüente inoculação de
formas promastigotas do parasito na
leishmaniasis visceral canina corrente sangüínea de um novo hospe-
deiro vertebrado. As formas infectantes
Resumo: Protozoários do gênero Leishmania são os agentes causais da leishmaniose visceral. Leishmania (Leishmania)
são liberadas na epiderme do hospedei-
chagasi (CUNHA & CHAGAS, 1937) é a espécie encontrada no Brasil. A doença acomete o homem e outras espécies ro e fagocitadas por células do sistema
animais, principalmente os cães. A transmissão entre hospedeiros vertebrados ocorre por meio da picada de flebotomíneo. O
diagnóstico clínico da leishmaniose visceral canina é difícil de ser realizado devido à variedade de sintomas da doença. Os
mononuclear fagocitário. No interior
achados clínicos não são patognomônicos, à semelhança do que ocorre em outras enfermidades infecciosas. A confir- dos macrófagos diferenciam-se em for-
mação do diagnóstico da leishmaniose visceral deve se basear em métodos parasitológicos, sorológicos ou moleculares,
desde que conhecidas as limitações de cada método diagnóstico utilizado. A presente revisão procura abordar a etiopatoge-
mas amastigotas, que se multiplicam in-
nia, os sintomas e os diferentes métodos de diagnóstico da doença. tensamente por divisão binária. Os ma-
Unitermos: Cães, Leishmania chagasi, zoonose
crófagos, repletos de amastigotas, tor-
nam-se desvitalizados e rompem-se li-
Abstract: Protozoa of the genus Leishmania are the causal agents of visceral leishmaniasis. Leishmania (Leishmania) chagasi
(CUNHA & CHAGAS, 1937) is the species found in Brazil. The disease affects humans and other animal species, but mainly berando essas formas, que serão fagoci-
dogs. The transmission between vertebrate hosts occurs through the bite of a phlebotomine. Clinical diagnosis of canine tadas por novos macrófagos em um pro-
visceral leishmaniasis is difficult due to the variety of clinical manifestations that the disease may present. The clinical signs are
not pathognomonic, bearing similarities to other infectious illnesses. Diagnosis confirmation is usually based on molecular, cesso contínuo. Ocorre então a dissemi-
serological and parasitological methods, once the limitations of each method are known. The current review attempts to nação hematogênica e linfática para ou-
approach the etiopathogenesis, the symptoms and the different diagnostic methods of the disease.
Keywords: Dogs, Leishmania chagasi, zoonozis tros tecidos ricos em células do sistema
mononuclear fagocitário 2,6,10,14.
Resumen: Los protozoarios del género Leishmania son los agentes causales de la leishmaniasis visceral. Leishmania A infecção dissemina-se para os lin-
(Leishmania) chagasi (CUNHA & CHAGAS, 1937) es la especie encontrada en Brasil. La enfermedad afecta el hombre y otras
especies animales, principalmente los perros. La transmisión entre huéspedes vertebrados ocurre a través de la picadura de
fonodos, o baço e a medula óssea den-
flebotomos. El establecimiento de diagnóstico de leishmaniasis visceral canina es difícil por la gran diversidad de síntomas de tro das primeiras horas. As principais
la enfermedad. Los aspectos clínicos no son patognomónicos, a semejanza de otras enfermedades infecciosas. La confirmación
del diagnóstico de leishmaniasis visceral es normalmente basada en métodos moleculares, serológicos y parasitológicos,
células responsáveis pela resposta imu-
desde que conocidas las limitaciones de cada método de diagnóstico usado. Esta revisión describe la etiopatogénesis, los ne à infecção são as células natural
síntomas y los diferentes métodos de diagnóstico de la enfermedad.
Palabras clave: Perros, Leishmania chagasi, zoonosis
killer 15. Em camundongos, demons-
trou-se que os macrófagos, as células
Clínica Veterinária, n. 71, p. 34-42, 2007 dendríticas e as células de Langerhans
infectadas por parasitos atuam como
células apresentadoras de antígenos, ati-
INTRODUÇÃO por Leishmania sp. 2,3,6,8,10. Entretanto, em vando linfócitos (CD4+) Ta1 ou Ta2 5,11.
A leishmaniose visceral é uma en- áreas endêmicas, os cães são de grande Após a ativação por células Ta1 ocorre
fermidade causada por protozoário importância na manutenção do ciclo da a produção de citocinas pró-inflamató-
pertencente à ordem Kinetoplastida, doença, constituindo o principal elo na rias tais como o interferon gama (IFN-a),
família Trypanosomatidae e gêne- cadeia de transmissão da leishmaniose o fator de necrose tumoral (TNF) e a in-
ro Leishmania 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10. No Brasil visceral 10,12,13. terleucina 2 (IL-2), as quais aumentam
o agente etiológico é Leishmania a eficiência das células fagocíticas e de
(Leishmania) chagasi (CUNHA & PATOGENIA linfócitos citotóxicos. Os macrófagos
CHAGAS, 1937) 1,2,3,4,6,7,8,10,11. Os para- Durante o repasto sangüíneo em um ativados, por sua vez, produzem radi-
sitos são transmitidos pela picada de hospedeiro vertebrado infectado, o fle- cais livres dependentes de oxigênio, tó-
insetos denominados flebotomíneos, botomíneo ingere macrófagos parasitados xicos para os parasitos e que podem
que veiculam as formas promastigotas por formas amastigotas de Leishmania promover o controle do parasitismo, com
do parasito de animais infectados para sp. 2,6,7,10,14. Estas sofrem divisão binária, eliminação da infecção 5,7,11,16. Em con-
animais susceptíveis, ou para o ho- multiplicação e diferenciação em for- traste, quando a infecção está associada
mem. Esses vetores pertencem a várias mas paramastigotas, as quais colonizam com a indução de linfócitos Ta2, tem-se
espécies do gênero Lutzomyia, dentre o esôfago e a faringe do vetor, onde per- a produção de citocinas anti-infla-
as quais a L. longipalpis e a L. cruzi manecem aderidas ao epitélio pelo fla- matórias como a interleucina 4 (IL-4), a
são encontradas no Brasil 6,8,10. gelo. Diferenciam-se em formas pro- interleucina 5 (IL-5) e a interleucina 10
Muitas espécies de mamíferos, como mastigotas metacíclicas, que são as for- (IL-10), e a proliferação de células B
cão, gato, canídeos silvestres, marsupiais mas infectantes. O ciclo biológico com- com a subseqüente produção de anti-
e roedores são naturalmente infectadas pleta-se com a picada do flebótomo corpos. A produção de imunoglobulinas

34 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


é intensa, embora tenha pouca efetivi- Diagnóstico parasitológico

Fabiana Augusta Ikeda-Garcia


dade na resposta imune efetiva contra o Apesar de discordâncias entre alguns
parasito 5,7,11,15,16,17. autores, o exame parasitológico é conside-
rado, ainda, o teste ouro para o diagnós-
ASPECTOS CLÍNICOS tico da doença 27,31,32. Podem ser obser-
A infecção usualmente causa doença vadas formas amastigotas do parasito
sistêmica crônica 11. Classicamente, a em esfregaços de linfonodos (Figura 1),
leishmaniose em cães manifesta-se por medula óssea (Figura 2), aspirado
febre, perda de peso, linfadenomegalia esplênico, biópsia hepática e esfregaços
localizada ou generalizada, lesões der- sangüíneos corados com corantes de ro-
matológicas, diarréia, falência renal, tina, tais como Giemsa, Wright e Panó- Figura 1 - Fotomicrografia de exame citológico
de linfonodo de cão; observar a presença de
lesões oftálmicas, epistaxe, anemia e tico 6,18. Alguns pesquisadores têm suge- formas amastigotas de Leishmania. Panóptico
onicogrifose. Ocasionalmente são rido o aspirado esplênico ao invés do as- rápido, 100x, Araçatuba - SP
observadas alterações locomotoras, he- pirado de linfonodo como de escolha

Fabiana Augusta Ikeda-Garcia


páticas, respiratórias, cardíacas e/ou para o diagnóstico parasitológico 33. A
neurológicas 1,4,5,7,9,10,11,16,18,19,20,21,22,23,24,25. citologia aspirativa é um método de
fácil execução, amplamente utilizado no
DIAGNÓSTICO diagnóstico, especialmente em clínicas
Diagnóstico clínico veterinárias. A técnica caracteriza-se
O diagnóstico clínico da leishmanio- pela rapidez de execução e baixa
se visceral canina é difícil de ser reali- agressão tecidual 18. A especificidade
zado devido à variedade de sintomas da desse método é virtualmente elevada
doença 18,26. Os achados clínicos são mas, dependendo do tempo despendido Figura 2 - Fotomicrografia de exame citológico
de medula óssea de cão; observar a presença
comuns a outras enfermidades, tornan- procurando o parasito, a sensibilidade de formas amastigotas de Leishmania. Panóp-
do o diagnóstico laboratorial ou para- passa a ser de no máximo 80% em cães tico rápido, 100x, Araçatuba - SP
sitológico necessários para a confir- sintomáticos, e ainda menor em cães

Fabiana Augusta Ikeda-Garcia


mação da suspeita 23,27. Por outro lado, assintomáticos 4,6. A sensibilidade de-
enquanto a prevalência da infecção em pende do grau de parasitemia, do tipo de
cães em áreas endêmicas pode chegar a material biológico coletado e do tempo
50% ou mais, a prevalência da doença de leitura da lâmina 6. Em alguns pacien-
clínica ocorre entre 3% e 10%, demons- tes, a visualização de parasitos é muito
trando que a maioria dos cães infectados laboriosa e os resultados negativos não
não desenvolve sintomas, o que dificul- são incomuns, especialmente nos casos
ta sobremaneira o diagnóstico 28. Os ani- crônicos 13,34. Ocasionalmente, também
mais podem permanecer assintomáticos se observam parasitos em impressões Figura 3 - Fotomicrografia de pele de cão natu-
por toda a vida ou desenvolver sintomas citológicas obtidas abaixo de crostas e ralmente infectado por Leishmania sp.; obser-
após períodos que variam de três meses escamas cutâneas, ou através de aspira- var marcação antigênica em castanho escuro,
sem interferência de marcações inespecíficas.
a alguns anos 29,30. ção de nódulos cutâneos 1,6. Também é LSAB, AO 40x, Araçatuba - SP
As alterações laboratoriais encontra- possível realizar biópsias de pele cole-
das no hemograma, ou nos exames de tadas de áreas macroscopicamente nor- Técnicas de imuno-histoquímica ou
função renal ou hepática, são inespecífi- mais. O local mais recomendado é a imunocitoquímica são métodos alta-
cas 26. As alterações histopatológicas tam- parte superior do focinho, a área prefe- mente sensíveis e específicos para a de-
bém são inespecíficas e as lesões são rencial dos vetores 35. As formas amasti- tecção do antígeno de Leishmania em
semelhantes àquelas observadas em ou- gotas são reconhecidas pela sua forma tecidos 38. Nessas técnicas, imunoglobu-
tras doenças infecciosas e imunome- esférica a ovóide, medem 2-5µm e con- linas conjugadas a enzimas são utiliza-
diadas. Até o momento, não está disponí- têm núcleo arredondado e um cineto- das para identificar antígenos em cortes
vel teste diagnóstico que apresente 100% plasto alongado 4. O encontro de parasi- histológicos parafinados ou congelados,
de especificidade e sensibilidade para a tos no material examinado depende do exames citológicos e esfregaços sangüí-
doença 18,26. Em virtude da necessidade de número de campos observados, e sua neos 36. As vantagens das técnicas de
notificação compulsória da doença, o identificação não é difícil se os parasitos imuno-histoquímica são a sensibilidade,
diagnóstico da leishmaniose visceral são numerosos 6. Contudo, em muitos a especificidade e a simplicidade de exe-
deve ser feito da forma mais precisa pos- casos, especialmente em animais assin- cução. O alto grau de contraste obtido
sível. Para tanto, é importante que se tomáticos, nos quais poucas formas entre os parasitos e as células hospedei-
conheça o método utilizado, as suas li- amastigotas estão presentes, ou em ras permite rápido diagnóstico da in-
mitações e interpretação clínica 6,18. amostras hemodiluídas, podem ocorrer fecção, mesmo quando o número de para-
A confirmação do diagnóstico da resultados falso negativos. Esse proble- sitos é baixo 36,37,38. Para tanto são utiliza-
leishmaniose visceral pode se basear em ma pode ser solucionado com a utiliza- dos vários tecidos, sendo os mais utili-
métodos parasitológicos, sorológicos e ção de técnicas mais sensíveis, como a zados a pele (Figura 3), o fígado e os ór-
moleculares 18,31. imuno-histoquímica 18,29,36,37. gãos linfóides 36,37. A imuno-histoquímica

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 35


possui uma grande vantagem em tais como Dot-ELISA, FML-ELISA, antígenos de Leishmania de diferentes
relação às técnicas de imunofluorescên- Fast-ELISA, BSM-ELISA, slide- fontes. Esses métodos são atrativos de-
cia, porque os tecidos podem ser exa- ELISA), imunoprecipitação em gel e vido à simplicidade de uso e à rápida
minados por meio de microscopia de luz Western blot 1,7,30,41,42,43,44,45,46,47. As técnicas resposta, cerca de dez minutos 26. A ava-
convencional 39. sorológicas recomendadas atualmente liação da eficácia de kits para a detecção
pelo Ministério da Saúde para o inquéri- de leishmaniose visceral canina de-
Diagnóstico sorológico to canino são a imunofluorescência in- monstrou especificidade entre 61 e
A detecção de anticorpos anti-Leishma- direta (RIFI) e o ELISA 6. A RIFI ainda 100%, e sensibilidade variando de 35 a
nia circulantes utilizando técnicas so- é o teste de eleição para ser utilizado em 100% 12,13,26,53,54.
rodiagnósticas constitui instrumento inquéritos epidemiológicos por reunir A avaliação das subclasses de IgG
importante no diagnóstico da leishma- uma série de vantagens, como fácil exe- tem sido sugerida como indicador
niose visceral canina 7,18. Animais doen- cução, rapidez, baixo custo e sensibili- confiável da doença comparativamente
tes desenvolvem resposta imune humo- dade e especificidade adequadas quan- às dosagens de IgG total 16,65,66,67,68,69,70.
ral e produzem altos títulos de IgG anti- do comparada a outras técnicas 44. Existem contradições na literatura
Leishmania 18,28. A soroconversão ocorre A reação de imunofluorescência indi- quanto à associação entre IgG1 ou
aproximadamente três meses após a in- reta (RIFI) apresenta sensibilidade que IgG2 e o desenvolvimento ou não de
fecção e os títulos permanecem eleva- varia entre 68 e 100% e especificidade sintomas. Determinados estudos asso-
dos por, pelo menos, dois anos 28. En- variando de 74% a 100% 13,44,45,46,47,48,49,50. ciam a elevação de IgG2 a infecções
tretanto, os testes sorológicos devem ser A especificidade é prejudicada devido à assintomáticas, e a IgG1 a sintomas clí-
interpretados com cautela, uma vez que ocorrência de reações cruzadas com nicos 65,66. Contrariamente, investigações
não são 100% sensíveis. Os testes doenças causadas por outros tripanosso- similares não têm sido capazes de de-
podem falhar em detectar cães infecta- matídeos e outros microrganismos 13,41,47. monstrar essa relação entre as subclasses
dos no período pré-patente e antes da Portanto, seus resultados não devem ser de IgG e a presença ou não de manifes-
soroconversão, em animais que nunca utilizados como indicadores de infecção tações clínicas nos animais 67,70,71,72,73,74,75,76.
farão soroconversão e ainda em cães so- leishmaniótica específica 44,51. Estudos recentes sugerem a avaliação
ropositivos que se convertem em soro- O teste de ELISA apresenta sensi- de quatro subclasses de IgG (IgG1,
negativos, mas ainda permanecem in- bilidade que varia entre 71% e 100%, IgG2, IgG3 e IgG4) uma vez que, em
fectados 30,31. Animais com menos de três e uma especificidade entre 85% e contraste com estudos anteriores, os re-
meses de idade não devem ser avaliados 100% 13,41,42,43,46,47,48,49,52,53,54. A sensibilida- sultados sugerem que IgG2 deva ser re-
por métodos sorológicos, pois podem de e a especificidade desse método de- gulada de forma diferente, e que as sub-
apresentar resultados positivos pela pre- pendem do tipo de antígeno empregado classes IgG1, IgG3 e IgG4 sejam os
sença de anticorpos maternos 40. Uma (espécie ou forma evolutiva do parasito) melhores marcadores para a resistência
possível associação entre os títulos de e de mudanças no protocolo experimen- ou a susceptibilidade de cães à leishma-
anticorpos anti-Leishmania e a severi- tal padrão (tempo de incubação ou tipo niose visceral 69. Embora a avaliação das
dade dos sintomas da doença ainda é de microplacas utilizadas) 53. As técnicas subclasses de imunoglobulinas ainda
controversa 7,30. que utilizam antígenos totais são limi- não se constitua no método de escolha
A colheita de material biológico para tadas em termos de especificidade, para o diagnóstico da doença, pode ser
o diagnóstico sorológico pode ser reali- apresentando reações cruzadas não so- de extrema importância para diferenciar
zada utilizando soro sangüíneo, ou por mente com outras espécies da família animais vacinados de animais natural-
meio da obtenção de um eluato (sangue Trypanosomatidae, mas também com mente infectados 77.
eluído), método no qual amostras de outros organismos filogeneticamente
sangue são colhidas por punção da veia distantes 12,13,55,56. A utilização de antíge- Diagnóstico molecular
marginal auricular do cão com o auxílio nos recombinantes ou purificados, Dentre os métodos moleculares, a rea-
de microlancetas descartáveis, e trans- como as glicoproteínas de membrana ção em cadeia da polimerase (PCR) per-
feridas por capilaridade para papel filtro gp63, gp72 e gp70 específicas do gêne- mite identificar e ampliar seletivamente
padronizado 6. O sangue obtido no papel ro Leishmania, melhoram a sensibili- seqüências de DNA do parasito 4,5,18. A
filtro é posteriormente ressuspendido dade e a especificidade da técnica de detecção do DNA do parasito é possível
em solução salina tamponada com fos- ELISA. Entretanto, ainda podem ocor- em uma variedade de tecidos, incluindo
fato. Os resultados obtidos com o elua- rer reações cruzadas com outros tripa- medula óssea, biópsias cutâneas, aspira-
to devem ser analisados com cautela, nossomatídeos 43,44,57,58. Alguns antígenos dos de linfonodos, sangue, cortes his-
pois quando comparados com técnicas recombinantes, como o rK39, rK9 e tológicos de tecidos parafinados, e tam-
realizadas no soro apresentam sensibili- rK26, parecem conferir grande sensibi- bém no vetor 18,78,79,80,81. Nas amostras de
dade inferior 40. lidade quando da realização do teste sangue a sensibilidade é baixa, prova-
Muitos testes sorológicos estão dis- sorológico 43,44,59,60. velmente devido ao número de parasitos
poníveis, tais como fixação de comple- Existem ainda testes comerciais de presentes no sangue periférico 18,82.
mento, hemaglutinação indireta, aglutina- imunocromatografia, utilizados em hu- Amostras obtidas de medula óssea têm
ção em látex, aglutinação direta, imuno- manos e animais 26,53,61,62,63,64, que consis- apresentado menor sensibilidade do que
eletroforese, imunofluorescência indire- tem de métodos que empregam anticor- as de pele para a detecção do DNA do
ta, ELISA (com diferentes modificações pos monoclonais anti-IgG de cão e parasito 31,80,83. Um resultado positivo

36 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


obtido a partir de amostra de medula transformam-se em formas promastigo- REFERÊNCIAS
óssea evidencia a disseminação do para- tas. Porém, seu crescimento leva pelo 01-GENARO, O. Leishmaniose visceral canina
experimental. Belo Horizonte, 1993. 202p. Tese
sito para os órgãos internos após a ino- menos de três a cinco dias. O clássico (Doutorado) - Universidade Federal de Minas
culação da pele 31. A principal desvanta- meio de NNN (Novy, Mc Neal e Gerais.
gem das técnicas moleculares é que Nicolle) é o mais comumente emprega- 02-RIBEIRO, V. M. Leishmanioses. Revista do
estas requerem laboratórios bem equi- do, seguido de outros meios como Conselho Federal de Medicina Veterinária,
ano III, n. 11, p. 13-14, 1997.
pados e habilidade técnica 6,18. RPMI-1640 e HO-MEM 6,14,18. Esses
03-SANTA ROSA, I. C. A. ; OLIVEIRA, I. C. S.
Durante infecções naturais, recomen- meios de diagnóstico têm baixa sensi- Leishmaniose visceral: breve revisão sobre uma
da-se que múltiplos métodos diagnósti- bilidade, especialmente nos estágios ini- zoonose reemergente. Clinica Veterinária, ano
cos sejam utilizados, tendo em vista que ciais da doença, nos quais a carga para- II, n. 11, p. 24-28, 1997.
o uso isolado de determinada técnica sitária é pequena. Embora as culturas 04-SLAPPENDEL, R. J. ; FERRER, L.
Leishmaniasis. In: GREENE, C. E. Clinical
pode não identificar todos os animais sejam úteis para o isolamento e a identi- Microbiology and Infectious Diseases of the
infectados 28,84. ficação do parasito, elas são pouco uti- Dog and Cat. Philadelphia: W. B. Saunders Co.,
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A intradermo-reação, teste de leishma- Inoculação experimental
06-BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de
nina ou teste intradérmico de Montene- A inoculação experimental em hams- Vigilância em Saúde. Departamento de
gro 85 é um teste cutâneo que avalia a ters com amostras de tecidos de pacien- Vigilância Epidemiológica. Manual de vigilân-
resposta imune celular, mediante reação tes com suspeita de leishmaniose visce- cia e controle da leishmaniose visceral.
Brasília: Ministério da Saúde, 2003.120p.
de hipersensibilidade do tipo tardia, e ral não tem valor prático no diagnóstico
07-CIARAMELLA, P. ; CORONA, M. Canine
tem se mostrado método auxiliar no da doença devido ao seu longo tempo de leishmaniasis: clinical and diagnostic aspects.
diagnóstico da leishmaniose tegumentar positividade, que pode chegar a seis Compendium on Continuing Education for the
nas suas formas clínicas cutânea e cutâ- meses 4,6,14,18,64. Além disso, podem ocor- Practicing Veterinarian, v. 25, n. 5, p. 358-368,
2003.
nea-mucosa 1. A leishmanina utilizada rer resultados falso negativos 52.
08-SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da
como antígeno consiste de promastigo- Saúde. Leishmaniose Visceral Americana: II
tas cultivadas in vitro, lavadas e diluídas Xenodiagnóstico Informe Técnico. São Paulo: Secretaria de
em solução salina, para a obtenção de A técnica de xenodiagnóstico é utili- Estado da Saúde, 2003. 48p. Disponível em:
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servados. Amostras de solução salina patógenos utilizando seu vetor natural. 09-BANETH, G. Leishmaniasis. In: GREENE, C. E.
devem ser usadas como reagente con- Esse método não tem sido proposto Clinical Microbiology and Infectious Diseases
trole. A suspensão é homogeneizada e como técnica diagnóstica de rotina, uma of the Dog and Cat. Philadelphia: Elsevier Inc.,
aplicada por via intradérmica, e a leitu- vez que requer a formação de colônias 2006. p. 685-695.
10-SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da
ra é realizada após 48 a 72 horas. Em se- de vetores 26,92. O xenodiagnóstico tem Saúde. Superintendência de Controle de
guida, o local é palpado para aferir o ta- sido empregado para investigar aspectos Endemias - SUCEN e Coordenadoria de
manho da reação granulomatosa 72,86. Ao epidemiológicos com relação ao estado Controle de Doenças - CCD. Manual de Vigi-
contrário do que ocorre na leishmanio- clínico, o tratamento de cães com leishma- lância e Controle da Leishmaniose Visceral
Americana do Estado de São Paulo. São Paulo:
se tegumentar, na forma visceral huma- niose visceral e à infectividade dos ve- A Secretaria, 2006. 158p.
na a intradermo-reação é sempre nega- tores 93,94. Disponível em: ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_
tiva durante o curso clínico da doença. tec/zoo/lva06_manual.pdf Acesso em 10 de jun.
No entanto, pode ser positiva em indi- CONSIDERAÇÕES FINAIS de 2006.
11-FEITOSA, M. M. ; IKEDA, F. A. ; LUVIZOT-
víduos assintomáticos ou após a cura Apesar da introdução de novas técni- TO, M. C. R. ; PERRI, S. H. V. Aspectos clínicos
clínica 14. Para a utilização em huma- cas e do melhor desempenho dos méto- de cães com leishmaniose visceral no município
nos, já há padronizações quanto às con- dos clássicos de diagnóstico da leishma- de Araçatuba - São Paulo (Brasil). Clínica
centrações de promastigotas e às ca- niose visceral canina, não está disponí- Veterinária, ano V, n. 28, p. 36-44, 2000.
12-MELO, M. N. Leishmaniose visceral no Brasil:
racterísticas das preparações de leishma- vel teste que, isoladamente, reúna todas desafios e perspectivas. In: XIII CONGRESSO
ninas. Já em cães, poucos estudos fo- as características consideradas desejá- DE PARASITOLOGIA VETERINÁRIA & I
ram conduzidos sobre a doença, e veis para o diagnóstico, quais sejam: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO DE
ainda não existe padronização do mé- fácil execução, custo acessível, rapidez RICKETISIOSES, Ouro Preto, MG, 2004.
todo 14,72,87,88,89,90,91. e alta especificidade e sensibilidade 26. 13-ZANETTE, M. F. Comparação entre os méto-
dos de ELISA, imunofluorescência indireta e
O diagnóstico da infecção pode se imunocromatografia para o diagnóstico da
OUTROS MÉTODOS basear em vários testes. Entretanto, leishmaniose visceral canina. Araçatuba, 2006.
DE DIAGNÓSTICO recomenda-se que o diagnóstico da 89p. Dissertação (Mestrado) - Universidade
Estadual Paulista - UNESP, Faculdade de
Cultivo parasitológico doença seja realizado com base nos sin- Odontologia - Curso de Medicina Veterinária.
O diagnóstico também pode ser esta- tomas clínicos, nas condições epidemi- 14-CASTRO, A. G. Controle, diagnóstico e
belecido visando a detecção do parasito ológicas da região e nos exames subsi- tratamento da leishmaniose visceral. (Cala-
por cultivo em meios específicos. For- diários laboratoriais (sorológicos, citoló- zar) 2. ed. - Normas Técnicas. Brasília: Funda-
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42 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Clínica Veterinária, Ano XIX, n. 109, março/abril, 2014
Aspectos epidemiológicos Cláudia Souza e Silva Boraschi
Médica veterinária, pós-graduanda
UNESP-Araçatuba
da leishmaniose visceral clauril@terra.com.br

Caris Maroni Nunes


urbana no Brasil Médica veterinária, dra.
DMV/UNESP-Araçatuba
caris@fmva.unesp.br

Epidemiological aspects of visceral


leishmaniasis in Brazil

Aspectos epidemiológicos de la
leishmaniasis visceral urbana en Brasil
Resumo: A leishmaniose visceral encontra-se em expansão no Brasil, especialmente no meio urbano. Como a urbanização no aparelho bucal do vetor, e a forma
da doença é um fenômeno recente, são escassas as informações sobre a epidemiologia e as relações entre os componentes amastigota se multiplica em células do
da cadeia de transmissão nesse novo cenário. O presente estudo procurou revisar os principais aspectos epidemiológicos rela-
cionados à infecção dos animais domésticos e do homem, bem como os que favorecem a manutenção da população do vetor sistema mononuclear fagocitário do
da leishmaniose visceral. Como resultado desta revisão, foi observado que medidas voltadas ao meio ambiente e ao hospedeiro vertebrado. Uma vez que o
peridomicílio com o objetivo de diminuir a densidade populacional de vetores, retirar possíveis fontes de alimento ou de cria-
douros destes, bem como controlar a invasão das áreas urbanas por animais silvestres em busca de alimentos, podem ser vetor entra em contato com a forma
adotadas pela comunidade, diminuindo o elo existente entre os ciclos urbanos e silvestres. amastigota através da picada no hos-
Unitermos: Epidemiologia, Leishmania, peridomicilio
pedeiro vertebrado, esta forma modifi-
Abstract: The occurrence of visceral leishmaniasis is currently increasing in Brazil, especially in urban areas. Since the ca-se no interior do aparelho digestivo
urbanization of this disease is a recent phenomenon, not much is known about its epidemiology and the relationship between até chegar à forma infectante, que pode
the components of its transmission chain in this new scenario. In this study we reviewed the epidemiological aspects related to
the infection of humans and domestic animals, as well as those that favor the maintenance of the visceral leishmaniasis vector ser inoculada em outro hospedeiro ou
population. As result of this review we suggest that measures intended to reduce the vector population density in the reservatório 2,4,5.
environment and peridomestic area can help reduce the link between urban and wild cycles of the disease. These include
avoiding the creation and maintenance of food sources or vector breeding, as well as controlling the invasion of the urban area A leishmaniose visceral (LV), inicial-
by wild animals searching for food. mente descrita como doença de ambien-
Keywords: Epidemiology, Leishmania, peridomestic area
te silvestre ou rural, na atualidade é
Resumen: La leishmaniasis visceral está en expansión en Brasil, sobre todo en la zona urbana. Como la urbanización de esta apontada como doença reemergente,
enfermedad es un fenómeno reciente, poco se sabe sobre su epidemiología y la relación ente los componentes de su cadena com incidência crescente e em franco
de transmisión en este nuevo panorama. En este estudio se revisan los aspectos epidemiológicos relacionados con la
infección del hombre y de los animales domésticos, así como los que pueden favorecer el mantenimiento de la población del processo de urbanização 3,7. No Brasil, a
vector de la leishmaniasis visceral. Como resultado de esta revisión observamos que las medidas direccionadas al ambiente LV encontra-se em expansão desde
y al espacio peridoméstico, intentando la reducción de la densidad demográfica del vector, retirando fuentes de alimento o de
cría del vector y también controlando la invasión del área urbana por animales salvajes que buscan alimento, pueden ser 1999. Estima-se que, dos 27 estados
adoptadas por la comunidad reduciendo la ligazón existente entre los ciclos urbanos y salvajes. brasileiros, 19 já apresentaram casos de
Palabras clave: Epidemiología, Leishmania, peridomicilio
leishmaniose visceral. Os ciclos urba-
nos têm sido responsáveis pela expan-
Clínica Veterinária, n. 71, p. 44-48, 2007
são nos estados das regiões centro-oeste
e sudeste. Os principais responsáveis
pelos níveis epidêmicos da LV nos
Generalidades da epidemiologia da Brasil 3,4, ocorre em dois hospedeiros: o grandes centros são o estreito convívio
leishmaniose vetor e um hospedeiro vertebrado. O entre o homem e os reservatórios, o au-
As leishmanioses, doenças endêmi- vetor é representado por insetos dípteros mento da densidade do vetor, o desma-
cas registradas em 66 países do Velho conhecidos como flebotomíneos, tendo tamento acentuado e/ou o constante pro-
Mundo e 22 países do Novo Mundo, são como principal representante no Brasil a cesso migratório 1,4.
consideradas importantes pelo impacto Lutzomyia longipalpis (L. longipalpis), O controle da LV tem objetivado
que produzem na saúde pública, notada- embora mais recentemente a Lutzomyia interromper a cadeia de transmissão nos
mente pela alta incidência, letalidade e cruzi também tenha sido incriminada diferentes níveis. No Brasil, o Ministé-
implicações econômicas, constituindo- como vetor no Estado do Mato Grosso rio da Saúde tem preconizado o diagnós-
se em sério problema sanitário e econô- do Sul 2,3,4,5. Outros possíveis vetores tico precoce e o tratamento do paciente
mico-social pela depleção da força de para a L. chagasi no Brasil são a L. humano, a redução do contato homem/
trabalho. O Brasil está entre os países da intermedia e a L. whitmani 6. vetor pelo uso de telas, mosquiteiros,
América Latina que apresentam cerca Os hospedeiros vertebrados são re- repelentes tópicos e borrifação ambien-
de 90% dos novos casos anuais 1,2,3. presentados pelo homem e pelos mamí- tal, e a identificação e a eliminação do
A transmissão da Leishmania cha- feros domésticos ou silvestres 2,4,5. A reservatório doméstico 7.
gasi (L. chagasi), principal agente etio- forma flagelar infectante de L. chagasi, As medidas empregadas, embora
lógico da leishmaniose visceral no denominada promastigota, é encontrada teoricamente adequadas, não têm sido

44 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


NOTÍCIAS

totalmente efetivas, uma vez que desordenado das cidades, houve a des- possíveis abrigos e criadouros para o
doenças transmitidas por vetores bioló- truição de ecótopos silvestres. A mu- vetor 3.
gicos associados a reservatórios domés- dança no contexto da doença foi desen- A L. longipalpis pode ser encontrada
IV Simpósio Agener União – Neurologia Veterinária
ticos e a aspectos ambientais são reco-
nhecidamente de difícil controle. Além
cadeada pela adaptação de vetores à
nova realidade. A devastação de áreas
durante toda a noite, em todos os meses
do ano, próxima às habitações de ani-

A
disso, como a urbanização da LV é um silvestres fez com que os vetores e os mais domésticos e do homem. De ma-
fenômeno Agenernovo, não União realizou
estão nos dias hospedeiros silvestres migrassem para o
completa- neira geral, há um aumento na densi-
21 e 22 de
mente esclarecidas setembro
todas de 2013
as nuances da o peridomicílio humano em busca de ali- dade populacional de flebótomos nas
epidemiologia IV Simpósio
nos focos Agener urbanos.União Adi- – mento 10. O entendimento das interações épocas de altas temperaturas e alta umi-
NeurologiaasVeterinária,
cionalmente, relações entre comos o prof.
com-dr. entre as mudanças do meio ambiente dade relativa do ar, que coincidem com
Ronaldo
ponentes da Casimiro
cadeia dedatransmissão
Costa (MV,nos MSc, urbano e os flebótomos é fundamental, o maior período de transmissão da in-
PhD,urbanos
centros Dipl. ACVIM – Neurologia).
mostram-se bem maisFo- visto que a L. longipalpis é uma espécie fecção da LV, que ocorre predominante-
ram 16 horas
complexas dedicadas
e variadas do aque vasto
noconteú-
am- sinantrópica, com alta adaptabilidade a mente durante as estações chuvosas,
do sobre
biente rural 4.importantes tópicos da neuro- ambientes domésticos, e considerada quando os insetos invadem os domicí-
logia
Os veterinária
abrigos presentes
de animais tanto no um dos fatores mais importantes na
domésticos lios à noite para se alimentar do sangue
atendimento
próximos clínico quanto
às habitações, cirúrgico.
a ausência de cadeia da transmissão da leishmaniose de seres humanos e de cães 3,5,8,10,12,13. Os
O dr. Ronaldo
boas condições Casimiro
de higiene e osdacapões
Costa é visceral . 3,4
flebotomíneos são encontrados em
de professor
mata nativa e chefe do Serviço
próximos de Neuro-
às moradias No peridomicílio, os ambientes pro- todos os horários, embora com maior
sãolofatores
gia e Neurocirurgia
que favorecemVeterináriaa concen-da pícios para a população de vetores são freqüência entre as 19 e as 23 horas. As
Thede
tração Ohio State University,
flebótomos em Colum- aqueles com presença de lixo, abrigo de
e de reservatórios diferenças de horário tendem a variar de
bus, EUA,
mamíferos e referência
próximos ao homem mundial
8
. em animais, galinheiros, estábulos, arbori- acordo com as condições locais da área
neurologia
Diante desseveterinária,
cenário, ministrando
procurou-sepa- zação abundante, proximidade de domi- e o comportamento das populações do
lestras
revisar em congressos
os principais aspectos internacionais,
da epide- cílios e ambientes de criação de ani- flebótomo 13.
como da
miologia ocorreu no Congresso
leishmaniose visceral, docomColé- mais, lagos, rios ou matas caducifólias Os flebotomíneos, assim como mui-
gio Americano
o intuito de fornecer de Cirurgiões
subsídios para Veteri asná- ouProf.caatinga 5,10,11
. Em
dr. Ronaldo Casimiro estudo realizado tos outros dípteros hematófagos, neces-
açõesriosde(ACVS),
controleem nooutubro
homem,denos 2013,
ani-no emdaMontes Claros,
Costa no IV Simpósio MG, foi identificada sitam de suprimentos de carboidratos
mais Texas,
e nosEUA.
vetores. L.Agener
longipalpisUnião com maior predominân- que, na natureza, adquirem diretamente
No IV Simpósio Agener União, o cia no peridomicílio (65,3%) do que no da seiva de plantas, do néctar, de secre-
professor começou sua
Fatores epidemiológicos apresentação intradomicílio
relacionados vocado. De nada (4,7%) adianta
3
. Noter Maranhão, ções de afídeos e de frutas maduras.
aosfrisando
vetores conceitos básicos da neurolo- 84% o melhor
das fêmeas recurso de L.diagnósti-
longipalpis foram Para as fêmeas, esses nutrientes são
gia veterinária:hábitats
Consideram-se “É comum ouvir
naturais dadizer
L. co possível
encontradas no (por exemplo,e 16% no
peridomicílio, complementados pela alimentação san-
que neurologia
longipalpis as fendas é muito
de rochas,difícilase ca-
com- intradomicílio
ressonância14. Em magnética)
estudos epidemio- güínea, que possibilita a maturação dos
plicada.
vernas Este úmido
e o solo dogma rico tem emse dissemina-
matéria quando
lógicos danãodoençase sabe há a região
necessidade de ovários. A maior parte dos dados dispo-
do e talvez
orgânica vegetal porouisso a neurologia
animal em decom- é fre- seaanalisar
ser examinada.
a densidade Portanto,
vetorial e cor- níveis na literatura mostra que o caráter
quentemente
posição, os quaisdeixada por último plano
são encontrados em para que se
relacioná-la com obtenha suces-
os aspectos ambientais oportunista parece predominar na alimen-
nos currículos
abundância em matas acadêmicos.
5,8,9
. Com a açãoO fato do é dosoperidomicílio,
no diagnóstico e trata-
tais como presença de tação desses insetos, que podem sugar
homemque ano neurologia não é mais
meio ambiente, difícil ou vegetação,
secundária mento deraízes,problemas troncos neuro-
de árvores e ampla variedade de vertebrados. Assim,
"Durante a
aosmais fácil que outras
desmatamentos, e o especialidades,
crescimento lógicos
matéria é fundamental
orgânica que
no solo, representando oabordagem
conhecimento dos hábitos alimentares
mas requer, diferentemente de outras o processo se inicie pela localização clínica de
áreas, que se aborde o paciente inician- das lesões”. pacientes
Curso de clínica
do pelo e cirurgia fundamento
mais importante Curso de atualização O simpósio em cirurgia,
foi realizado noCurso Hotel decom sinais Curso de
dosda gatos
neurologia clínica que éanestesia
domésticos a localiza- e ortopedia
Blue Tree Morumbi, em São Paulo, SP, neurológicos dermatologia
endocrinologia
ção de lesões.
2 e 16 de dezembro Quando se aborda o e pode-se afirmar que foi mais um
16 e 17 de fevereiro; 1, 2, 15, 16, 29 e 30 de março; 12, 17 e 24 de fevereiro; é muito importante avaliar a
2 e 9 17 de fevereiro; locomo-
2, 16 e 30
paciente
horário: das 8hsuspeito
às 17h de ter um13,problema evento
26 e 27 de abril; 3, 4, 17de sucesso
e 18 de maio; realizado
1, 15 e 29pela
de Agener
de março; de ção do animal.deEla
2008 é normal
março; de 2008ou anor-
neurológico usando um exame junho;rápido e de julho
13 e 27 União,de 2008
pois contou com a participação horário: das mal?
8h às 12h horário: quais
Se anormal, das 8h às 12h
membros
Palestrante:
tentando Profª
estabelecer
Heloisa logo de horário: daso8h àsde
início 17h500 veterinários de todo o Brasil e estão afetados? Pélvicos, todos, ipsi-
Justen M. de Souza
diagnóstico ou possíveis diagnósticos,
Palestrantes: Profº obteve
Newtonalto Nunes; índice
Aline de
M. desatisfaçãoPalestrante:
dos laterais?", destacou Palestrante:o prof. dr.
muitas vezes o diagnóstico final Zoppa; é equi- participantes:
João Guilherme Padilha 95%. Profª dra. Deise
Ronaldo Profª da
Carla Casimiro AnaCosta
Claudia Balda
Lipidose hepática; alimentação Almeida Leite Dellova
enteral; desobstrução uretral; Anestesia: pré-anestesia; anestesias gerais injetáveis e Dermatologia; semiologia
doenças do trato respiratório; inalatórias; anestesias locais e regionais; Hipotireoidismo; terapia hor- dermatológica; dermatites
hipertiroidismo; distúrbios com- Cirurgias: da cabeça e do pescoço; das cavidades monal; diabetes; emergên- parasitárias e alérgicas; der-
portamentais; doença renal poli- torácica e abdominal; do trato genito-urinário; cias; insulinoma; hiperadreno- matofitoses e dermatomi-
cistica autossômica; FIV/FeLV; pe- da região perineal; da pele; miscelâneas cirúrgicas; corticismo; papel dos hormô- coses; piodermites; derma-
ritonite infecciosa; emergências Ortopedia: exames; redução de fraturas; implantes e nios na insuficência renal toses auto-imunes
gastrintestinais placas; luxações; displasias; osteocondrite dissecante
Local: Instituto Biológico* Local: 21º Depósito de Suprimentos** Local: Instituto Biológico* Local: Instituto Biológico*
Realização
Informações e inscrições: * Instituto Biológico ** 21º Depósito de Suprimentos
Rua Conselheiro Rodrigues Alves 1252 - 4º andar -
fone: (11) 6995-9155 • fax: (11) 6995-6860 Vila Mariana - São Paulo - SP Rua Raimundo Pereira de Magalhães, 147
juna.eventos@uol.com.br - www.junaeventos.com (próximo a estação Ana Rosa do metrô) Lapa - Vl. Anastácio - São Paulo - SP

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 45


44 Clínica Veterinária, Ano XVIII, n. 107, novembro/dezembro, 2013
de espécies de flebotomíneos e de suas como importante elo na transmissão da no ciclo da leishmaniose 4,10,21,22,23.
fontes sangüíneas tem contribuído para doença para o homem 3. A prevalência A principal espécie de roedores en-
o entendimento da epidemiologia da de leishmaniose em cães é alta em áreas volvida na leishmaniose é o Rattus rattus.
leishmaniose 14. endêmicas, podendo acometer 20 a 40% Estes roedores sinantrópicos são comuns,
Na Colômbia, demonstrou-se que a da população 19. A maior incidência da capturados dentro de habitações huma-
L. longipalpis não é altamente antropo- LV em cães parece estar associada a nas em vários municípios, apresentando
fílica e nem tem grande atração pelos moradias próximas de matas e ao com- positividade para L. chagasi 14,24.
cães 15. No Brasil, em estudo conduzido partilhamento do peridomicílio com ga- O impacto dos animais domésticos
no Rio de Janeiro, as fêmeas foram en- linhas, porcos e gambás 11,20. como reservatórios da doença, incluin-
contradas alimentando-se principal- Os cães possuem maior risco de se do bovinos, eqüinos, asininos, caprinos
mente em roedores e, secundariamente, infectar após o primeiro ano de vida. e principalmente suínos, ainda não foi
em aves, cães e humanos 16. No Mara- Refere-se que há maior prevalência da completamente elucidado. No entanto, é
nhão, estudo similar mostrou 87,9% dos doença em cães de pelagem curta, con- consenso que as espécies domésticas
flebotomíneos alimentando-se em aves, dição provavelmente relacionada à bar- são importantes para a manutenção da
e o restante em outros vertebrados como reira mecânica oferecida pela pelagem população de vetores, pois há vários
roedores, humanos, cães, gambás e longa ao vetor 11. estudos mostrando a soropositividade
eqüinos 14. Outro estudo demonstrou a Hospedeiros silvestres como a raposa para leishmaniose em vilas onde está
alimentação de L. longipalpis em ra- (Lycalopex vetulus e Cerdocyon thous) arraigado o hábito de manter criatórios e
posas identificadas como Lycalopex e o gambá (Didelphis albiventris) são instalações de animais domésticos pró-
vetulus e Cerdocyon thous 6. animais com hábitos sinantrópicos ximos às moradias humanas 11.
Em cães, estudo experimental ava- que podem propiciar elo epidemiológi- A participação das aves domésticas
liou a transmissão de L. chagasi pela co entre os ciclos silvestres e domésti- na peridomiciliação de L. longipalpis,
pulga Ctenocephalides felis felis e pelo cos 4,14,20,21 assim como na epidemiologia da leishma-
carrapato Rhipichephalus sanguíneus. Os hospedeiros silvestres que repre- niose, tem sido motivo de reflexão. A
Os resultados demonstraram que os car- sentam maiores riscos de infecção para existência de flebótomos infectados no
rapatos podem se infectar com o proto- os cães ou humanos têm sido os didelfí- peridomicílio depende da presença de
zoário, indicando a possibilidade de deos ou gambás (Didelphis marsupiallis reservatórios sinantrópicos como a ra-
estes invertebrados atuarem como veto- e Didelphis albiventris), de ampla dis- posa, o gambá, os roedores e outros ani-
res alternativos para a transmissão de L. tribuição geográfica nas Américas, e de mais susceptíveis à infecção, como o
chagasi entre os cães 17. grande atração pelo ambiente domici- cão, que representa importante reserva-
liar 14. Os gambás são apontados como tório doméstico. Sugere-se, portanto,
Animais domésticos, selvagens e os primeiros mamíferos não-canídeos que a presença de galinheiros no perido-
sinantrópicos como reservatórios encontrados naturalmente infectados micílio aumenta os riscos de transmis-
A epidemiologia das leishmanioses com L. chagasi no continente america- são da LV, uma vez que permite a manu-
no Novo Mundo é extremamente com- no 4,18. Assume-se que a presença desse tenção da população de vetores 11,14,25.
plexa, envolvendo grande variedade de animal no peridomicílio aumenta o risco Adicionalmente, estudo realizado em
flebotomíneos como vetores, e mamífe- da infecção 20,21. galinheiros observou a presença de uri-
ros como reservatórios. A identificação No Brasil, na região da Amazônia, na e fezes de raposas no local onde fo-
de hospedeiros naturais das leishmânias grande número de D. marsupialis foi ram capturados L. longipalpis 6.
é de fundamental importância para de- capturado nos quintais ou domicílios de A leishmaniose visceral é uma
terminar o ciclo natural do parasito e, pacientes com leishmaniose visceral doença complexa, cujas circunstâncias
conseqüentemente, para o reconheci- americana 6. No Maranhão, em áreas en- de transmissão são continuamente mo-
mento da epidemiologia da doença 18. dêmicas, os animais sinantrópicos mais dificadas pois sofrem interferência do
O vetor L. longipalpis já foi observa- citados pela comunidade como freqüen- meio ambiente e das regiões geográfi-
do alimentando-se em grande variedade tadores do peridomicílio foram o gambá cas, notadamente com nuances biocli-
de vertebrados, incluindo bois, cavalos, (39,3%), o rato (37,9%), o morcego máticas, variedade de espécies animais
macacos, galinhas, porcos, cachorros do (14,2%), o guaxinin (3,6%) e a raposa e vetores susceptíveis, bem como fato-
mato, gambás e roedores 10. No entanto, (Cerdocyon thous) (2,1%) 14. res do comportamento humano 2,26 que
no ambiente doméstico, os cães (Canis A raposa, animal onívoro de hábitos alteram a estabilidade e a harmonia dos
familiaris) têm maior importância epi- noturnos e crepusculares encontrada na ecossistemas.
demiológica, pois essa espécie domésti- fronteira entre os Estados de São Paulo
ca convive e compartilha o domicílio e Mato Grosso do Sul e no Nordeste, foi Considerações finais
com o homem 3,4,10. Os cães também pos- descrita como naturalmente infectada por O estudo da epidemiologia é fator
suem elevada ocorrência de infecções L. chagasi 4,22,23. No Nordeste há alta ocor- decisivo para o planejamento efetivo de
inaparentes 3,19 e, nos casos oligossinto- rência de raposas C. thous infectadas nos estratégias para o controle da LV. Novas
máticos, podem apresentar intenso para- focos de LV 6. Outras raposas (Dusicyon medidas de controle da leishmaniose
sitismo cutâneo 3. Assim, o cão re- vetulusi, Lycalopex vetulus), encon- visceral através de ações sobre a popu-
presenta uma fonte de infecção prefe- tradas somente no Brasil central, tam- lação canina, que substituam a elimi-
rencial para o vetor, e é reconhecido bém têm sido citadas como envolvidas nação do reservatório canino, têm sido

46 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


propostas e tendem a ser mais efetivas 07-ALVES, W. A. ; BEVILACQUA, P. D. Reflexões LINARDI, P. M. Participation of Rhipicephalus
sobre a qualidade do diagnóstico da leishmaniose sanguineus (Acari: Ixodidae) in the
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teínas purificadas (Fucose-Manose- 08-TEODORO, U. ; SILVEIRA, T. G. V. ; SANTOS, visceral leishmaniasis in the State of Bahia,
D. R. ; SANTOS, E. S. ; SANTOS, A. R. ; Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz,
Ligant), esta última ainda não recomen- OLIVEIRA, O. ; KUHL, J. B. ; ALBERTON, D. v. 91, p. 671-683, 1996.
dada pelo Programa de Controle da LV Influência da reorganização, da limpeza do 19-IKEDA, F. A. ; LUVIZOTTO, M. C. R. ;
no Brasil, podem ser alternativas bas- peridomicílio e a da desinsetização de edifi- GONÇALVES, M. E. ; FEITOSA, M. M. ;
cações na densidade populacional de flebotomí- CIARLINI, P. C. ; LIMA,V. M. F. Perfil hema-
tante úteis em regiões com alta endemi- neos no município de Doutor Camargo, Estado tológico de cães naturalmente infectados por
cidade para a LV, embora de custo ele- do Paraná, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Leishmania chagasi no município de Araçatuba -
vado para serem adotadas em larga v. 19, n. 6, p. 1801-1813, 2003. SP: um estudo retrospectivo de 191 casos.
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Propõe-se que as ações de controle e
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ecossistemas estáveis, ou qualquer fator 10-BARATA, R. A. ; SILVA, J. C. F. ; MAYRINK, Cadernos de Saúde Pública, v. 21, n. 1, p. 324-
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peridomiciliares por animais silvestres SREENIVASAN, M. ; LOPES, N. L. ; 22-CERQUEIRA, E. J. L. ; SILVA, E. M. ;
em busca de alimentos, diminuindo BARRETO, R. B. ; CARVALHO, L. P. ALEGRE, A. F. M. ; SHERLOCK, I. A.
assim o elo existente entre os ciclos Peridomestic risk factors for canine Considerações sobre pulgas (Siphonaptera) da
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48 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Imunopatologia da Juliana Giantomassi Machado
MV, doutoranda
FM-Unesp-Botucatu
leishmaniose visceral canina julianamachado2002@yahoo.com.br

Juliano Leônidas Hoffmann


MV, mestrando
Immunopathology of canine FMVZ-Unesp-Botucatu
hoffmann1804@yahoo.com.br

visceral leishmaniasis Helio Langoni


MV, prof. tit.
Depto. Hig. Vet. S. Púb. - FMVZ-Unesp-Botucatu
Inmunopatología de la Pesquisador científico do CNPq
hlangoni@fmvz.unesp.br
leishmaniasis visceral canina
Resumo: A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma zoonose com ampla distribuição mundial, cujos sinais clínicos têm vertebrados (canídeos, roedores ou hu-
sido associados com alterações imunológicas. A resposta imune celular direcionada para células Th1 predomina nos cães
assintomáticos e tem sido relacionada à possível resistência à doença. Embora o papel das citocinas de células Th2 nos casos manos) e invertebrados (dípteros hema-
sintomáticos seja ainda controverso, há evidências de sua correlação com a progressão da doença. As alterações patológicas tófagos da família Phlebotomidae), que
na LVC são causadas tanto pela ação direta do parasito nos tecidos – levando à formação de lesões inflamatórias não
supurativas –, quanto pela deposição de imunocomplexos em vários órgãos e tecidos, principalmente no baço, no fígado e nos pertencem ao gênero Phlebotomus,
rins. O estudo da resposta imune hospedeiro-parasita como fator de desencadeamento e severidade das lesões clínicas é com várias espécies vetoras no Velho
essencial para melhor compreensão e caracterização da doença.
Unitermos: Cão; Leishmania chagasi; imunologia Mundo, e ao gênero Lutzomyia, com a
espécie Lutzomyia longipalpis, no novo
Abstract: Canine visceral leishmaniasis (CVL) is a zoonosis with worldwide distribution. The clinical signs of this disease have mundo. Recentemente, foi evidenciada
been associated to immunological alterations. The cellular immune response directed to Th1 cells is predominant in a possibilidade de outras espécies de
asymptomatic dogs and has been for this reason related to a potential resistance to the disease. Although the role of cytokines
from Th2 cells in symptomatic cases is still controversial, there is evidence of a relation to CVL progression. Pathological Lutzomyia, tais como a Lutzomyia
alterations of CVL are caused either by the direct damage of tissues caused by the parasite, which leads to the formation of evansi e Lutzomyia cruzi, servirem
non suppurative inflammatory lesions, or by immune complex deposition in several organs and tissues such as the spleen, liver
and kidneys. The study of host-parasite responses as triggers and severity factors of clinical lesions is essential for a better como vetores 7,8.
comprehension and characterization of this disease. Ocorrem dois ciclos epidemiológicos
Keywords: Dog; Leishmania chagasi; immunology
no calazar: o ciclo silvestre, cujos reser-
vatórios são as raposas, e o ciclo domés-
Resumen: La leishmaniasis visceral canina (LVC) es una zoonosis de amplia distribución mundial, cuyos señales clínicos han
sido asociados a alteraciones inmunológicas. La respuesta inmune celular dirigida para células Th1 predomina en los perros tico ou peridoméstico, no qual o cão
asintomáticos y ha sido relacionada a la posible resistencia a la enfermedad. Aunque el papel de las citoquinas de células Th2 (Canis familiaris) é o principal reserva-
en los casos sintomáticos todavía sea discutible, hay evidencias de su correlación con la progresión de la enfermedad. Las
alteraciones patológicas en la LVC son causadas tanto por la lesión directa del parásito en los tejidos, llevando a formación de tório, provavelmente devido ao maior pa-
lesiones inflamatorias no supurativas, cuanto por la deposición de complejos inmunes en varios órganos y tejidos, rasitismo cutâneo, segundo estudos con-
principalmente en bazo, hígado y riñones. El estudio de la respuesta inmune hospedero-parásito como factor de desarrollo y
severidad de las lesiones clínicas es esencial para una mejor comprensión y caracterización de esta enfermedad. duzidos na Europa e nas Américas. No
Palabras clave: Perro; Leishmania chagasi; inmunología Brasil, a espécie encontra-se infectada em
quase todos os focos de calazar humano.
Clínica Veterinária, n. 71, p. 50-58, 2007 No homem e nos animais vertebra-
dos, o ciclo apresenta uma fase intra-
celular e outra extracelular. Na fase in-
Introdução três espécies envolvidas na etiologia da tracelular, formas amastigotas parasi-
As leishmanioses têm como agentes doença: Leishmania (Leishmania) tam o interior de células do sistema mo-
etiológicos, protozoários tripanosso- donovani 2 e Leishmania (Leishmania) nonuclear fagocitário (SMF), principal-
matídeos do gênero Leishmania. São infantum 3 no Velho Mundo e Leishmania mente macrófagos. Ocorre divisão
doenças endêmicas que ocorrem em (Leishmania) chagasi 4 no Novo abundante no interior das células para-
vários continentes, predominantemente Mundo, inclusive no Brasil. Sugere-se sitadas, provocando sua ruptura. As
em regiões tropicais e subtropicais. que a L. (L.) chagasi e a L. (L.) infantum amastigotas livres são novamente fago-
Estima-se que 400 milhões de indiví- são a mesma espécie, em virtude de citadas ou ingeridas pelo vetor durante
duos no mundo estejam expostos à suas semelhanças bioquímicas e mole- seu repasto sangüíneo. No tubo digesti-
infecção por Leishmania spp, com in- culares 5. Entretanto, estudos baseados vo do vetor, as formas amastigotas trans-
cidência anual de 600 mil casos 1. em diferenças ecológicas e epidemioló- formam-se em promastigotas, que se
A leishmaniose visceral (LV) ou gicas postulam que a L. (L.) chagasi multiplicam bloqueando o proventrícu-
calazar é uma zoonose com ampla dis- seja realmente uma espécie indígena e lo do flebótomo e provocam regurgita-
tribuição, tanto no Velho Mundo como autóctone da América do Sul, pois mento de sangue, favorecendo a inocu-
nas Américas. É causada por um proto- encontraram altas taxas de infecção em lação das formas infectantes. No verte-
zoário pertencente à ordem Kinetoplas- canídeos originários da Amazônia 6. brado suscetível, as formas promastigo-
tida, família Trypanosomatidae e gênero A Leishmania chagasi é um parasita tas são fagocitadas pelas células do
Leishmania 2. No complexo Leishmania heteróxeno, que completa o seu ciclo de SMF e perdem o flagelo, transforman-
donovani, atualmente são reconhecidas vida em dois tipos de hospedeiros: do-se em formas amastigotas 9 (Figura 1).

50 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


A LV tem sido apontada como Leishmaniose visceral canina (LVC)

Juliana Giantomassi Machado


doença reemergente, caracterizada Estudos de soroprevalência canina
por nítido processo de transição realizados na Espanha, na França, na
epidemiológica, apresentando incidên- Itália e em Portugal estimam que 2,5
cia crescente nos últimos anos nas milhões de cães daqueles países estão
áreas onde ocorria tradicionalmente. É infectados com leishmania visceral. O
notória a expansão geográfica para os número de cães infectados na América
estados do sudeste e sul do país, e tam- do Sul é também estimado em milhões,
bém um franco processo de urbaniza- com altas taxas de infecção relatadas em
ção em cidades localizadas em regiões algumas áreas do Brasil 17.
distintas, como Nordeste e Sudeste. A maior parte dos sinais clínicos da
Figura 1 - Imprint do baço de hamster sírio doura- Cidades como Boa Vista e Santarém LVC inclui hepatoesplenomegalia, lin-
do (Mesocricetus auratus) infectado experimen-
talmente com L. chagasi. Botucatu, SP, 2007 (Região Norte); Teresina, São Luis, fadenopatia, lesões cutâneas, ceratocon-
Natal e Aracaju (Região Nordeste); juntivite, alopecia, apatia, onicogrifose,
Leishmaniose visceral no Brasil Montes Claros, Belo Horizonte, anorexia e severa perda de peso 18. Uma
No Brasil, a leishmaniose visceral Araçuaí, Sabará, Perdões e Rio de característica importante da leishma-
(LV) é doença de notificação compul- Janeiro (Região Sudeste) e Cuiabá niose em cães é a forma inaparente da
sória, que requer ampla investigação (Região Centro-Oeste) já vivenciaram doença por longos períodos. Os animais
epidemiológica para definir as estraté- ou vivenciam atualmente epidemias de assintomáticos representam grande
gias de controle. O programa de con- LV humana e canina 14. No Estado de problema para a saúde pública pois de-
trole coordenado pelo Ministério da São Paulo, a doença era conhecida tectar a infecção é difícil, o que impos-
Saúde tem como objetivo reduzir as apenas pelos casos humanos não sibilita a adoção de medidas adequadas
taxas de letalidade, o grau de morbidade autóctones. de controle. Em Monte Argentário, na
e os riscos de transmissão, mediante o Em 1998 foi diagnosticada, pelo Toscana, Itália, foram examinados 171
controle das populações de reservató- Serviço de Patologia do Hospital Vete- cães, dos quais 41% eram sintomáticos
rios e do vetor, além do diagnóstico e rinário da UNESP, a primeira ocorrên- e 59% assintomáticos 19. Com a evolu-
tratamento precoce dos casos humanos cia de leishmaniose visceral canina no ção da leishmaniose, um ano após o pri-
da doença 10. Historicamente, a doença Estado de São Paulo, na cidade de meiro exame 88% dos cães com sinais
predominava nas zonas rurais até o final Araçatuba (região Nordeste do estado) 15 clínicos morreram, enquanto 12% apre-
da década de 70. Atualmente, encontra- e, em 1999, foi confirmado o primeiro sentavam sinais da doença. A evolução
se em franca expansão em áreas urbanas caso humano autóctone, também no dos casos assintomáticos foi mais com-
ou periurbanas. A importância em saúde município de Araçatuba. Até dezembro plexa: 52% conseguiram aparentemente
pública se deve ao aumento do número de 2003, mais de 300 casos humanos recuperar-se, com o desaparecimento de
de casos e à gravidade da doença. Estu- foram confirmados na região oeste do anticorpos específicos no soro; 12%
dos de casos humanos e de cães têm re- Estado, com 35 municípios classifica- continuaram positivos na RIFI, sem
velado a ocorrência da urbanização da dos como de transmissão, dos quais sinais clínicos da doença; 18% desen-
leishmaniose visceral nas grandes 20 apresentavam casos humanos au- volveram a doença, manifestando si-
cidades brasileiras 11,12,13. tóctones 16. nais; e 18% morreram.

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 51


Resposta imune específica e, ainda, após a ativação, respectivamente, não foi confirmada 28.
Durante a infecção parasitária, o sis- como células efetoras na eliminação das Sugere-se ainda que cães que desenvol-
tema imune controla tanto o número de formas intracelulares. Inversamente, a vem resposta imune mediada pela célu-
parasitas presentes no organismo quan- ativação das células Th2 pelo proto- la T são provavelmente capazes de evi-
to a resistência à reinfecção, mas tam- zoário resulta no aumento da sobre- tar a disseminação do parasito para a su-
bém pode induzir a doença associada ao vivência do parasita e na exacerbação perfície mucosa e, como conseqüência,
parasitismo. As células T desempenham das lesões, em razão das ações supressi- produzem níveis menores ou básicos de
papel muito importante, tanto direta- vas de suas citocinas nos macrófagos 20. IgA específica, reconhecida como a
mente, por mediarem respostas celula- principal imunoglobulina componente
res, quanto indiretamente, na regulação Resposta imune na leishmaniose do sistema imune das mucosas 29.
e produção de anticorpos produzidos visceral canina (LVC) A resposta imune celular direcionada
por plasmócitos que derivam de linfóci- As conseqüências da LVC são muito para Th1, mediada por IFN-a e TNF-_,
tos B 20. variáveis. Cães infectados podem é predominante em cães assintomáti-
Os linfócitos T constituem-se de duas desenvolver sintomas da infecção resul- cos, exibindo assim aparente resistên-
principais subpopulações: as células tando em morte, enquanto outros per- cia à leishmaniose visceral. Por outro
CD4+ e CD8+. Em resposta aos antí- manecem assintomáticos, ou podem lado, o papel das citocinas Th2, tais co-
genos protéicos dos microrganismos, as desenvolver um ou mais sintomas bran- mo IL-4 e IL-10 em animais sintomáti-
células TCD4+ auxiliares podem se dos, sendo classificados como oligos- cos, é controverso, existindo evidências
diferenciar em subpopulações de célu- sintomáticos 21. A sintomatologia da da relação entre elas e a doença pro-
las efetoras, que produzem distintos LVC tem sido associada com mudanças gressiva. As células TCD8 citotóxicas
grupos de citocinas. As subpopulações imunológicas envolvendo linfócitos T. parecem estar envolvidas com a resis-
de células TCD4+ auxiliares efetoras Essas mudanças incluem ausência de tência à infecção na leishmaniose vis-
melhor definidas são denominadas Th1 hipersensibilidade do tipo tardia para ceral canina 30.
e Th2, sendo o IFN-a, a IL-2 e o TNF as antígenos de Leishmania, diminuição Estudos de reconstituição usando
citocinas características das células do número de linfócitos T no sangue camundongos atímicos BALB/c (nu/nu),
Th1, e a IL-4, IL-5, IL-10 e IL-13 as periférico e diminuição, in vitro, da pro- e experimentos de depleção de células
citocinas definidoras das células Th2. O dução de TNF e IL-2 pelas células em camundongos BALB/c (nu/+) uti-
IFN-a secretado pelas células Th1 pro- mononucleares do sangue periférico. lizando anticorpos monoclonais anti-
move diferenciação de Th1 e inibe a Além disso, altos títulos de anticorpos CD4 ou anti-CD8, mostraram a necessi-
proliferação das células Th2. Inversa- anti-Leishmania, não imunoprotetores, dade de ambas as células, TCD4 e
mente, a IL-4 produzida pelas células são detectados em animais sintomáti- TCD8, na proteção contra a infecção
Th2 promove a diferenciação das cos, principalmente o IgG 22. por L. donovani 31. Camundongos
próprias células Th2 e, juntamente com As subclasses de IgG1 e IgG2 têm BALB/c infectados com L. donovani
a IL-10, inibe a ativação das células sido utilizadas como indicadoras da mostraram a participação de diferentes
Th1. A diferenciação para subpopula- evolução da LVC, sendo consideradas populações de células no curso da in-
ções de células Th1 e Th2 está relacio- mais adequadas do que o IgG total. A fecção: células L3T4+(CD4+) são im-
nada a três fatores: as citocinas presen- correlação direta entre a indução de portantes nas duas semanas iniciais da
tes no ambiente da estimulação, o tipo altos títulos de IgG1 anti-Leishmania e infecção, quando a replicação do para-
de célula apresentadora de antígeno o aparecimento de sinais clínicos foi de- sita está ocorrendo principalmente com
(APC) e a natureza e quantidade de monstrada em cães infectados com L. a formação de granulomas hepáticos.
antígeno. A IL-12 é a principal indutora infantum, enquanto anticorpos IgG2 Com a evolução da infecção, a popu-
das células Th1, e a IL-4 das Th2. A foram associados com cães assintomáti- lação de células decresce e é substituída
principal função das células Th1 é a cos 23,24,25. No entanto, em estudo realiza- por células Lyt-2+(CD8+), quando o
defesa mediada por fagócitos, especial- do em cães com diferentes formas clíni- processo infeccioso é controlado 32. O
mente no combate a microrganismos cas de LVC, foi observado que animais papel protetor das células TCD8+ na
intracelulares; já a da Th2 ocorre nas assintomáticos possuíam níveis de IgG1 LVC sugere que a migração preferencial
reações imunes mediadas pela IgE e mais elevados, que decaíam à medida dessas células possa ocorrer para o baço
pelos eosinófilos/mastócitos 20. que havia progressão dos sintomas, e parasitado, com o objetivo de promover
A resistência à infecção é associada à que níveis elevados de IgG2 estariam a lise de macrófagos infectados 26. Esses
ativação de células TCD4+Th1 específi- associados com a morbidade 26. Também dados reforçam o importante papel
cas para Leishmania spp, que produzem foi observada forte relação entre títulos desempenhado pelos esplenócitos
IFN-a e, desse modo, ativam os macró- de IgG e IgG2 em cães sintomáticos 27. TCD8+ de cães assintomáticos, mos-
fagos para destruírem as amastigotas Além disso, sugere-se que a produção trando que tais células poderiam par-
intracelulares. Os macrófagos desem- policlonal de anticorpos anti-Leishma- ticipar ativamente do processo infla-
penham papel importante no curso da nia, que inclui IgE, poderia caracterizar matório, desempenhando importante
infecção causada pela Leishmania spp, a resposta Th2 na LVC. A hipótese se- função imunoprotetora e garantindo o
servindo como células hospedeiras, gundo a qual susceptibilidade e resistên- equilíbrio parasito-hospedeiro, uma vez
células apresentadoras de antígeno, que cia da LVC estão associadas à produção que os autores observaram menor para-
modulam a resposta imune celular de anticorpos específicos IgG1 e IgG2, sitismo no baço de cães assintomáticos.

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Assim, sugere-se que a LVC evolui pelos macrófagos, permitindo ao parasi- em Araçatuba, SP 33. Cães com LV apre-
progressivamente a partir de uma forma to contínua multiplicação dentro das cé- sentam generalizada linfadenopatia,
assintomática, com baixo parasitismo lulas 37. Níveis elevados de IgG1 estão principalmente nos linfonodos poplíteos
tecidual e habilidade de montar uma associados a alterações patológicas e e cervicais. Histologicamente, obser-
resposta imune antígeno-específica sintomatologia em cães, pois essa imu- vam-se aumento no número e no tama-
mediada por linfócitos TCD8, seguida noglobulina é fator de ativação do sis- nho dos folículos linfóides e notável hi-
por um estágio intermediário, oligossin- tema complemento 24. pertrofia e hiperplasia dos macrófagos
tomático, até o desenvolvimento da O principal risco do distúrbio na re- medulares 43. Descreve-se predominân-
forma clínica sintomática grave, na qual gulação das células T e da atividade cia de plasmócitos em detrimento de
é observada falência da resposta imune exuberante das células B é a formação linfócitos em linfonodos de cães natural
de um modo geral. Essa falência é ca- de grande quantidade de complexos e experimentalmente infectados com L.
racterizada por franca diminuição de imunes circulantes 34. As alterações cau- infantum, sugerindo depleção das célu-
linfócitos T, B, e monócitos com baixa sadas pela LVC se devem tanto à ação las T, falta de atividade dos linfócitos T
resposta linfoproliferativa in vitro, tanto direta do parasito nos tecidos – o que específicos e proliferação das células B,
induzida por mitógenos quanto por estí- leva à formação de lesões inflamatórias com conseqüente hiperglobulinemia 44.
mulos específicos 26. não supurativas –, quanto à deposição A diversidade na qualidade e na in-
dos imunocomplexos em vários órgãos tensidade da imunidade do hospedeiro
Imunopatologia da leishmaniose e tecidos 38. contra a infecção do patógeno é visível
visceral canina A leishmaniose visceral é caracteri- quando distintos órgãos são examina-
A leishmaniose canina pode ser con- zada pela diversidade e complexidade dos. Modelos experimentais de LV são
siderada como uma doença imunome- das manifestações clínicas, mas tem as mais claras representações dessa di-
diada, visto que o gênero Leishmania uma característica histológica comum: versidade. A infecção hepática é usual-
tem a capacidade de modificar o sistema o acúmulo inicial de células fagocíticas mente autolimitante, e a resposta imune
imunológico do hospedeiro 33. No ser mononucleares nos tecidos invadidos, hepática é um bom exemplo de resposta
humano, a patogenia e as características o que promove a hiperplasia das célu- inflamatória granulomatosa predomina-
clínicas da doença variam de acordo com las do retículo endotelial (REC) dos ór- da por células mononucleares envolven-
o tropismo pelos diferentes órgãos e pro- gãos envolvidos 39. As principais lesões do células de Kupffer, monócitos, célu-
priedades das espécies de Leishmania histopatológicas observadas em cães las TCD4 e TCD8. Múltiplas citocinas
infectantes, mas também dependem da são hipertrofia e hiperplasia das células (IFN-a, IL-12, IL-4) e níveis moderados
competência imunológica do hospedei- do sistema fagocítico mononuclear (ba- de TNF produzido no granuloma hepáti-
ro. Além disso, a Leishmania spp é um ço, linfonodo, fígado e medula óssea, co contribuem para o efeito protetor no
parasita intracelular obrigatório, e a principalmente), inflamação crônica na fígado 45. O TNF é uma citocina pró-
defesa do hospedeiro depende da ativi- pele 35, reação granulomatosa inflamató- inflamatória que coordena o desenvol-
dade das células T. Sem o suporte das ria no fígado e no baço 40, hepatite com vimento do complexo microarquitetô-
células T, os macrófagos não são capa- granulomas intralobulares, pneumonia nico do baço e de outros tecidos linfói-
zes de inativar as formas amastigotas 34. intersticial e glomerulonefrite 41. des, e é um mediador benéfico para a
Nos cães, a Leishmania parece de- Estudos da resposta imune compar- imunidade anti-Leishmania no fígado 46.
senvolver um modelo imune, caracteri- timentalizada na LVC ainda são escas- No entanto, o excesso de TNF nesse
zado pela elevada atividade das células sos 26. Estudos histopatológicos do com- ambiente linfóide torna-se um mediador
B e pela completa ausência da imuni- partimento esplênico revelaram, nos de dano na arquitetura e disfunção imu-
dade mediada por células para antíge- casos mais graves, alterações importan- nológica associada a um estado infla-
nos da Leishmania 34. Na infecção ex- tes como decréscimo no número de lin- matório crônico 45.
perimental, ocorre rápida depleção das fócitos na bainha periarteriolar, elevada A resistência hepática está relaciona-
regiões de células T e proliferação das proliferação de macrófagos, hiperplasia da à produção de reativo de oxigênio e
regiões de células B nos órgãos linfói- folicular e aumento da polpa vermelha, reativo intermediário de nitrogênio 46.
des 35. Na infecção natural de cães, as com predomínio de macrófagos e plas- No estágio inicial da infecção, a produ-
formas amastigotas são usualmente dis- mócitos 42. ção de ambos tem papel significativo na
seminadas por todo o corpo, apesar dos A patologia da leishmaniose visceral diminuição da multiplicação das formas
altos níveis de anticorpos circulantes 34. é influenciada pela supressão específica amastigotas. Durante a fase tardia da
A produção de imunoglobulinas é eleva- da imunidade mediada por células, per- infecção, quando a resistência hepática
da, mas promove mais danos do que mitindo a disseminação e a multiplica- é evidenciada devido ao declínio do nú-
proteção ao hospedeiro 36. Vários anti- ção descontrolada. A hiperplasia das mero de amastigotas, o gene que regula
corpos são produzidos, e nem todos pa- REC conseqüente à infecção com L. a síntese de óxido nítrico (NOS-2) mos-
recem ser específicos contra os antíge- donovani afeta o baço, o fígado, a mu- tra-se mais dominante, e a produção de
nos, incluindo os auto-anticorpos, que cosa do intestino delgado, a medula óxido nítrico (NO) reflete-se principal-
podem estar associados ao desenvolvi- óssea e os linfonodos 39. Na LVC a mente na ativação dos macrófagos
mento de fenômenos patológicos 34. An- linfadenopatia é um sinal clínico dependentes de células T. O INF-a es-
ticorpos específicos opsonizam as for- comum da doença, observado em timula os macrófagos a produzir iNOS,
mas amastigotas, que são fagocitadas 88,7% dos casos na Itália 21 e em 81% enzima que cataliza a formação de NO,

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uma molécula final efetora necessária no sangue, e uma passagem para os lin- retorno para níveis basais. No entanto, a
para a morte das amastigotas intra- fócitos adentrarem a polpa branca. A produção de IFN-a era alta e o número
celulares 47. Por outro lado, a produção infecção com L. donovani resulta em de células produtoras de IL-12 foi
de inibidores do gene NOS-2, a IL-10 e notável perda seletiva dos macrófagos aumentando drasticamente. Além disso,
o TGF-`‚ está relacionada à redução no da zona marginal 45. as células T e as células dendríticas mi-
combate e morte do parasito 39. Pode O modelo murino (Balb/c) é o mais graram para o folículo linfóide e a zona
ocorrer redução na habilidade fagocíti- representativo da infecção subclínica marginal da polpa vermelha, onde os
ca de monócitos em cães infectados, humana, e tem sido objeto de estudo da parasitos estavam localizados. Os auto-
quando comparados a cães não infecta- progressão da infecção e da resposta imu- res sugerem que o controle da infecção
dos 48. Adicionalmente, monócitos do ne celular esplênica, para melhor com- está associado à produção de IFN-a e
sangue periférico de cães infectados com preensão do mecanismo relacionado ao IL-12, e à migração de células T e den-
L. infantum perdem o efeito leishmani- controle da infecção por L. donovani 50. dríticas para o local do parasitismo
cida mediado por óxido nítrico 49. Após a inoculação sistêmica de L. crônico 50.
Simultaneamente ao processo de re- donovani, os parasitas se localizaram, Poucos estudos relatam a associação
solução da infecção no fígado, ocorre a primariamente e em grande quantidade, entre a progressão da doença e o esta-
multiplicação das amastigotas no baço 39. nos macrófagos esplênicos da polpa ver- belecimento da imunidade mediada por
Os parasitas persistem no baço e na me- melha. No início do curso da infecção, células em cães. Vários estudos têm
dula óssea por mecanismos ainda pouco foi observada produção de IL-10 na mostrado a deficiência de imunidade
compreendidos. A persistência dos para- zona marginal, e maior produção de específica mediada por células em cães
sitos é acompanhada por falha na for- TGF-` por células da polpa vermelha. sintomáticos, caracterizada pela redu-
mação do granuloma e pela variedade Esses macrófagos inibidores de citoci- ção da resposta linfoproliferativa para
de mudanças patológicas, incluindo es- nas podem contribuir para estabilizar a antígenos de Leishmania e pelo decrés-
plenomegalia, alteração da microarqui- infecção e a replicação inicial do para- cimo de células TCD4 51,52.
tetura do tecido linfóide e aumento da sito. No 28º dia pós-infecção, quando a Na Venezuela, foi caracterizada a
atividade hematopoiética 46. No baço, a carga parasitária visceral (baço e fíga- resposta imune in situ no fígado e no
zona marginal é um lugar importante do) declinou, o número de células esplê- baço de cães naturalmente infectados de
para a captura de patógenos presentes nicas produtoras de IL-10 iniciou o uma área endêmica 53. Os cães foram
classificados em sintomáticos e assinto- descrito tal achado 33. Por outro lado, em avaliado parâmetros de resposta imune
máticos após avaliação sorológica e físi- estudo similar realizado na Itália 21, a Th, os autores sugerem que há corre-
ca. Os animais sintomáticos apresenta- esplenomegalia foi observada em lação positiva entre a alopecia e a
ram maior carga parasitária no fígado e 53,3% dos animais, e na Holanda 34 em resposta imune celular efetiva, o que
no baço do que os animais assintomáti- 32,5% dos cães. não aconteceria nas lesões nodulares.
cos, sugerindo, assim, a diminuição da No Brasil, foi relatada notável apre- Os rins são extremamente afetados
infecção ou um controle mais eficiente sentação histopatológica em um cão sin- no curso da LVC 21. Achados atribuem
da replicação do parasita em cães assin- tomático naturalmente infectado com como provável causa da patologia renal
tomáticos. O fígado de cães assintomá- Leishmania chagasi 41. Intensa reação a deposição de complexos antígeno/an-
ticos mostra imunidade efetiva, com inflamatória granulomatosa foi observa- ticorpos nas estruturas renais e ao inten-
granulomas bem organizados restringin- da no fígado e no baço, associada com so infiltrado inflamatório plasmocitário,
do os parasitas em um ambiente central hipertrofia e hiperplasia do sistema mo- freqüentemente observado nos mate-
de células T de memória, e ativando nonuclear. Além disso, uma grande va- riais estudados 58. Essa deposição de
células T efetoras, células dendríticas e riedade de lesões vasculares foi obser- imunocomplexos nos rins eventualmen-
células que expressam CD18 e CD44. vada em diversos órgãos. te resulta em glomerulonefrite prolifera-
Tais eventos permitem que os animais Dentre os sintomas da LVC, as alte- tiva e, em muitos casos, em nefrite in-
assintomáticos permaneçam cronica- rações dermatológicas são as mais tersticial, podendo levar à insuficiência
mente infectados, com baixa carga para- comuns 54. Tanto os aspectos macroscó- renal, que é muitas vezes a principal
sitária e sinais clínicos indetectáveis. picos quanto os microscópicos são atri- causa de morte em cães com leishma-
No entanto, os fígados dos animais sin- buídos à presença das formas amastigo- niose 33. As células T e as imunoglobuli-
tomáticos apresentaram infiltrado não tas, que por sua vez alcançam a pele por nas estão presentes na lesão renal da
organizado e não efetivo composto por via hematógena 55. A migração de ma- LVC 59. Há evidências de que a resposta
células T e células de Kupffer densa- crófagos portadores de formas amasti- imune celular esteja envolvida na pato-
mente parasitadas, com diminuição da gotas por via hematógena para pontos gênese da glomerulonefrite mediada
expressão das moléculas de ativação. específicos da pele, levando à hipera- imunologicamente.
Nos granulomas hepáticos foi observa- tividade da resposta imune, seria tam- As alterações oculares comumente
do aumento de determinadas células bém responsável pela formação de descritas na LVC são blefarite, conjunti-
(CD11c+ e MHC II+), sugerindo efetiva úlceras nos pontos de pressão nas arti- vite, ceratoconjuntivite seca e uveíte 54,60.
interação entre células apresentadoras culações 56. Em outro estudo, foi observado que
de antígeno e células T que favorecem o As células apresentadoras de antí- 29% dos cães com LVC apresentavam
controle do parasita. No baço, a respos- genos desempenham funções na epi- sinais oculares 33. Provavelmente, tais
ta imune de cães sintomáticos e assin- derme de cães com diferentes apresen- lesões possuem duas causas primárias:
tomáticos foi similar. A imuno-histo- tações dermatológicas de LV 57. O ade- tanto podem ser causadas pela presença
química demonstrou diferença na pro- quado processamento e apresentação das formas amastigotas e do infiltrado
porção e na distribuição de células imu- dos antígenos da Leishmania pelas célu- leucocitário, como por conseqüência do
nocompetentes no fígado, o que não las de Langherans (LC) e queratinócitos depósitos de imunocomplexos (reação
ocorreu no baço dos animais assintomá- que expressam complexos de histocom- de hipersensibilidade do tipo III) nos
ticos quando comparados aos sintomáti- patibilidade da classe II resultam na pri- vasos oculares 61.
cos. No trabalho ora descrito, os autores meira resposta efetiva das células T. A locomoção anormal está presente
observaram também a falta ou baixa Assim, os autores avaliaram o grau de em 37,5% dos casos de LVC 34. A poliar-
carga parasitária nos linfonodos mesen- imunocompetência epidérmica de acor- tirte é usualmente resultado da reação
téricos, que pode ser resultante do con- do com a presença das células citadas de hipersensibilidade do tipo III acar-
trole eficiente da infecção nesses anteriormente, além de macrófagos, retada pelo depósito de complexos
órgãos. Tais resultados demonstram dis- plasmócitos e formas amastigotas na imunes nas articulações 54.
tinta resposta imune contra a LVC nos derme. Os autores demonstram que cães Embora as causas da epistaxe não
órgãos alvos. com alopecia possuem quantidades ade- estejam totalmente esclarecidas, é pro-
Hepatopatias, bem como hepatome- quadas de LC e de queratinócitos MHC vável que esta seja resultante de infla-
galia associadas à LVC são raras 21. No II positivos, além de quantidades discre- mação, depósito de complexos imunes
entanto, a hepatomegalia já foi verifica- tas de células T e número insignificante nos vasos e ulcerações na mucosa nasal,
da em 11% de cães 33. Uma provável de parasitos. Por outro lado, quando fal- e não de alterações no perfil de coagu-
causa talvez seja a multiplicação das tam células apresentadoras de antígeno lação 62,63. Em um estudo, verificou-se
Leishmanias nos macrófagos do fígado, na epiderme, foram observadas lesões que 15% dos cães com LVC apresen-
produzindo hepatite ativa crônica e, nodulares, formadas por intensa pre- tavam epistaxe 34.
ocasionalmente, hepatomegalia 38. sença de macrófagos parasitados. Nos
Segundo a literatura, a freqüência de animais com dermatose ulcerativa fo- Considerações finais
esplenomegalia em cães portadores de ram observados padrões inflamatórios, O estudo da imunopatologia na leishma-
LV é bastante variável. Em estudo sobre além da ausência de LC. Os querati- niose visceral canina é de extrema impor-
os aspectos clínicos da doença realizado nócitos apresentaram níveis elevados de tância, tendo em vista que o cão é o prin-
no interior de São Paulo, não foi moléculas MHC II. Embora não tenham cipal reservatório urbano dessa doença.

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58 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Caracterização Aline de A. Carvalho
Médica veterinária - CCA/DCCV/UFPI
alinevety@bol.com.br

histopatológica e Érika L. de Macêdo


imunoistoquímica da Médica veterinária - CCA/DCCV/UFPI
erikalage@click21.com.br

nefropatia da leishmaniose Bárbara Laurice A. Verçosa


graduanda em medicina veterinária -

visceral experimental CCA/DCCV/UFPI


brbaravet@yahoo.com.br

em hamster Silvana M. M. da Silva


MV, dra., profa. - CCA/DCCV/ UFPI
silvanammss@ufpi.br

Histopathological and immunohistochemical Sônia M. de Carvalho


characterization of the nephropathy MV, mestre - CCA/DCCV/ UFPI
soniacarvalho@click21.com.br

due to experimental visceral Francisco Assis L. Costa


leishmaniasis in hamster MV, dr., prof. - CCA/DCCV/ UFPI
fassisle@ufpi.br

Caracterización histopatológica
e inmunohistoquímica de la
nefropatía de leishmaniasis visceral fagocítico mononuclear, que causa, nos
indivíduos susceptíveis, supressão da
experimental en hámster imunidade mediada por células, levando
à difusão e à multiplicação incontrolada
Resumo: O hamster é um excelente modelo para o estudo da leishmaniose visceral, pois desenvolve a doença em sua forma
plena. A avaliação das alterações renais em hâmsteres com leishmaniose visceral permite acompanhar a evolução das lesões do parasito 4.
em consonância com a progressão da enfermidade. Hâmsteres foram infectados e sacrificados 7, 15 e 90 dias pós-infecção A enfermidade acomete o homem e
(P.I.). Fragmentos de rim foram corados com HE, PAS, Masson, PAMS, Vermelho Congo e Imunoperoxidase. A carga para-
sitária foi maior no grupo de 90 dias do que nos grupos de 7 e 15 dias P.I. A quantificação de células glomerulares foi maior várias espécies animais. O cão é consi-
no grupo de 15 dias do que no grupo de 90 dias P.I. Nos glomérulos e nos túbulos proximais, constatou-se depósito de derado o principal reservatório domésti-
amilóide. Não foram encontradas amastigotas no parênquima renal, mas antígeno de Leishmania sp estava presente. A lesão
renal progrediu com o tempo de infecção, estando associada à carga parasitária e à presença de antígeno de Leishmania sp co da doença humana 5. Em modelos ex-
nos rins. perimentais, a LV desenvolve-se plena-
Unitermos: Técnicas imunoenzimáticas, rim, leishmânia, Mesocricetus, glomerulonefrite, diagnóstico
mente no hamster 6, o que torna esse ani-
Abstract: The hamster is an excellent model to study visceral leishmaniasis, since it develops the illness in its full form. mal propício ao estudo da evolução da
Evaluation of renal changes in hamsters with visceral leishmaniasis enables observation of the evolution of the lesions relative doença, da sua patogenia e da caracteri-
to the progression of the disease. Hamsters were infected and sacrificed at 7, 15 and 90 days post-infection (P.I.). Renal tissue
was stained with HE, PAS, Masson, PAMS, Congo Red and Immunoperoxidase. The parasitic load was higher in the 90-day zação da natureza e da extensão das
group compared to the 7- and 15-day groups. Glomerular cell counts were higher in the 15-day group compared to the 90-day lesões.
group. Deposition of amyloid was observed in glomeruli and proximal tubules. No amastigotes were found in the renal
parenchyma despite the presence of the Leishmania antigen. The renal lesion increased with the evolution of the infection, Quando o parasito acomete espécies
being directly associated to the parasitic load and to the presence of leishmania antigens in the kidney. susceptíveis, a imunossupressão por ele
Keywords: Immunoenzyme techniques, kidney, leishmania, Mesocricetus, glomerulonephritis, diagnosis
causada promove a sua disseminação
Resumen: El hámster es un excelente modelo para estudio de la leishmaniasis visceral, pues desarrolla la enfermedad en su para muitos órgãos 4. Ainda que a pre-
forma plena. Evaluaciones de las alteraciones renales en hámsters con leishmaniasis visceral permiten acompañar la
evolución de las lesiones en concomitancia con el progreso de la enfermedad. Hámsters fueron infectados y sacrificados a los sença de Leishmania sp nos rins seja
7, 15 y 90 días post-infección (P.I). Fragmentos de riñón fueron teñidos com H-E, PAS, Masson, PAMS, Rojo Congo e rara, antígenos parasitários são freqüen-
Inmunoperoxidasa. La carga parasitaria fue mayor en el grupo de 90 días comparado a los grupos de 7 y 15 días P.I. La
cuantificación de las células glomerulares fue mayor en el grupo de 15 días comparado al grupo de 90 días P.I. En glomérulo temente encontrados nesses órgãos em
y túbulos proximales se constató deposición amiloidea. No fueron encontradas amastigotas en parénquima renal, pero associação às lesões renais, como obser-
antígeno de Leishmania sp estaba presente. La lesión renal progresó con el tiempo de infección, estando asociada a la carga
parasitaria y a la presencia de antígeno de Leishmania sp en los riñones. vado em cães 7. No homem, tais lesões
Palabras clave: Técnicas para Inmunoenzimas, riñon, leishmania, Mesocricetus, glomerulonefritis, diagnóstico também são observadas 8.
Clínica Veterinária, n. 71, p. 60-64, 2007 O estudo das alterações renais provo-
cadas pela Leishmania (Leishmania)
Introdução cutânea e leishmaniose muco-cutânea. chagasi revela vários padrões de lesão
As leishmanioses são enfermidades No Brasil, a LV é causada pela espé- glomerular, como glomerulonefrite
parasitárias causadas por espécies dife- cie Leishmania (Leishmania) chagasi (GN) de alterações mínimas, glomeru-
rentes de protozoários do gênero e transmitida pelo flebotomíneo loesclerose segmentar focal, GN mesan-
Leishmania 1,2. A doença manifesta-se Lutzomyia longipalpis 3. gioproliferativa, GN membranoprolife-
sob três síndromes clínicas principais: O agente da LV é um parasito intrace- rativa 9,10. Entretanto, não está completa-
leishmaniose visceral (LV), leishmaniose lular obrigatório de células do sistema mente esclarecido se o padrão de GN é

60 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


característico de uma fase da infecção, ponado). Esse material foi processado e
ou se os diferentes padrões ocorrem corado pelas técnicas de Hematoxilina-
aleatoriamente. Da mesma forma, a in- Eosina (H-E), Masson (M), Ácido Perió-
júria túbulo-intersticial, que parece dico de Schiff (PAS), Vermelho Congo e
comprometer mais a função renal do Ácido Periódico Prata Metanamine
que a lesão glomerular 11, também é pou- (PAMS). Simultaneamente, fragmentos
co conhecida. A nefrite intersticial está dos órgãos também foram processados
presente no homem e no cão com LV. para coloração por imunoperoxidase.
Contudo, a interferência de outros fato- Na imunoistoquímica, foi utilizado anti-
res não deixa claro se a lesão é específi- corpo policlonal de camundongo anti-
ca da LV pois, ao longo da vida do ho- Leishmania (L.) amazonensis. A ampli-
mem e dos animais, a exposição dos rins ficação da reação foi realizada com o
a drogas 12 e outras enfermidades 13,14, que sistema EnVision+, peroxidase (Dako
fogem ao controle em casos de infecção Corporation, Carpinteria, CA, USA), Figura 1 - Baço. Hamster. Carga parasitária
natural por Leishmania (L.) chagasi, é segundo as recomendações do fabri- (mediana e intervalo entre percentis 25 e 75)
causa freqüente de lesões renais que cante. A revelação foi realizada com maior no grupo de 90 dias, comparada aos
grupos de 7 e 15 dias P. I. N = n. de animais por
podem ocorrer concomitantemente à diaminobenzidina e a contracoloração grupo. * p < 0,05 (Teste de Kruskal Wallis e
nefrite intersticial devida à LV. com Hematoxilina de Harrys. Dunn)
Desse modo, o estudo da nefropatia O número de núcleos de células glo-
da LV, utilizando o hamster como mo- merulares foi contado, em tecido renal O aumento de peso e de carga parasitá-
delo experimental, permite avaliar me- corado por H-E, em 20 glomérulos por ria em órgãos do sistema fagocítico mo-
lhor a natureza e a extensão das lesões animal de cada grupo experimental. Os nonuclear ao longo da infecção é conse-
renais, pelo acompanhamento de todo o resultados foram analisados por testes qüência da proliferação celular, do pro-
curso da doença e de sua repercussão não-paramétricos: método de Kruskal- cesso congestivo e da replicação dos pa-
sobre a evolução das alterações glome- Wallis para análise de variância. Haven- rasitos que, ao infectar novas células,
rulares e túbulo-intersticiais. do diferença significante, aplicava-se o contribuem para a disseminação da in-
teste de Dunn e Student-Newman- fecção 17. Em dois animais do grupo de
Material e métodos Keuls, para comparação múltipla de 90 dias os rins apresentaram coloração
Hâmsteres (Mesocricetus auratus) grupos. brancacenta e superfície áspera. Ao cor-
foram infectados experimentalmente Todos os procedimentos que envol- te, foram observados pontos brancacen-
por inoculação intraperitoneal com 2 x veram os animais estão de acordo com a tos no parênquima cortical. A análise
107 de amastigotas de Leishmania (L.) Resolução 714 – de 20 de junho de 2002 histopatológica permitiu a observação
chagasi, amostra MHOM/BR/72/cepa – do Conselho Federal de Medicina de deposição de substância hialina e eo-
46, e sacrificados aos 7, 15 e 90 dias Veterinária (CFMV, 2002) 16, e o proto- sinofílica no mesângio, na membrana
pós-infecção. Os grupos foram compos- colo utilizado para a obtenção de amos- basal dos capilares glomerulares (Figu-
tos, respectivamente, por oito, seis e tras neste estudo obteve parecer favorá- ra 2A) e na parede dos túbulos contorci-
oito animais, com idades entre 45 e 60 vel do Comitê de Ética da Universidade dos proximais (Figura 2B), que foi cora-
dias, mantidos no biotério do Federal do Piauí. da pelo Vermelho Congo, caracterizan-
CCA/UFPI, recebendo água e ração à do amiloidose. Deposição de amilóide,
vontade. Resultados e discussão após a fase inicial de proliferação celu-
Os animais foram sacrificados por A carga parasitária (Figura 1), assim lar, também foi descrita em hâmsteres
inalação com éter etílico. À necropsia, como a hepatomegalia e a esplenomega- com LV, sendo decorrente, provavel-
foram avaliadas as lesões macroscópi- lia, foram maiores no grupo de 90 dias mente, de superestimulação do sistema
cas dos órgãos antes de proceder à cole- pós-infecção do que nos grupos de 7 e 15 imunológico 18.
ta de baço, fígado e rins. De cada órgão dias P.I. (p = 0,000216; p = 0,000303; A contagem de células glomerulares
foi realizado “imprint” em lâminas, p = 0,00000000411, respectivamente). revelou 41,2± 6,08 células no grupo de
fixadas em metanol por dois minutos e
coradas com Giemsa. O número de
Francisco Assis L. Costa

Francisco Assis L. Costa

células e de parasitos correspondentes


foi contado em vários campos de cada
lâmina, até o patamar de mil. A carga
parasitária foi calculada pela seguinte
fórmula 15: (n. parasitos/ n. células) x
peso do órgão (em mg) x 2 x 104.
Fragmentos de rins de 5mm de espes-
sura foram fixados em Duboscq-Brasil A B
por 60 minutos e, posteriormente, con- Figura 2 - Rim. Hamster. 90 dias pós-infecção. (A) Depósito de amilóide no mesângio e membrana
servados em formol a 10% tamponado basal dos capilares glomerulares. (B) Depósito de amilóide na membrana basal de túbulos proximais.
com fosfato 0,01M, pH 7,4 (formol tam- Vermelho Congo. 140x

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 61


7 dias; 46,6± 3,15 células no grupo de evidências de que, no homem 13 e no foi observado no presente estudo. Esses
15 dias e 36,9 ± 5,7 células no grupo de cão 21, também não ocorra evolução de resultados sugerem que a composição
90 dias pós-infecção. O aumento do nú- um padrão de GN para outro. Conside- do infiltrado inflamatório intersticial é
mero de células glomerulares foi maior rando que não há mudança de um pa- condizente com o mecanismo de lesão
nos animais do grupo de 15 dias do que drão de lesão para outro, torna-se mais mediada por células. Atualmente, está
nos animais do grupo de 90 dias pós-in- fácil avaliar e, conseqüentemente, ado- bem estabelecido que a patogênese da
fecção (p = 0,0160) (Figura 3). Esse au- tar medidas de controle e tratamento da maioria das glomerulonefrites é media-
mento inicial, com diminuição posterior lesão glomerular. da imunologicamente 23, embora o tipo
de células em glomérulo de hâmsteres Na região córtico-medular constatou- de mediação imunológica não esteja
infectados experimentalmente com se grande quantidade de neutrófilos e de claramente definido. A predominância
Leishmania (L.) chagasi, também foi células mononucleares na veia arcifor- de infiltrado de células mononucleares é
observado em outros estudos 19. É me, no grupo de sete dias pós-infecção, uma característica da reação mediada
provável que o número de 41,2 ± 6,08 indicando que mesmo precocemente já por células em tecidos em geral 24, e em
células por glomérulo, nos animais com existia afluxo de células inflamatórias casos de glomerulonefrites 25. Essas cé-
sete dias pós-infecção, esteja muito pró- em vasos renais. Nos animais do grupo lulas, provavelmente, chegam ao inters-
ximo ao número normal de células para de 15 dias, observou-se a presença de tício renal por migração através da
essa espécie, pois nesse grupo não infiltrado inflamatório mononuclear lin- membrana basal dos capilares, cujo en-
foram observadas alterações túbulo-in- focítico intertubular, de intensidade dis- dotélio – ativado pela presença de antí-
tersticiais. Esse número também está creta, na região córtico-medular. No geno de Leishmania sp – começa a
próximo das 46,6 ± 12,3 células obser- grupo de 90 dias, o infiltrado inflamató- expressar moléculas de adesão, similar-
vadas em cães controle não infectados rio foi constituído por linfócitos e, mais mente ao mecanismo sugerido em GN
por Leishmania (L.) chagasi 10. raramente, macrófagos e plasmócitos. em cães com LV 21.
Pelas colorações de PAS, Masson e Acúmulos focais de células inflamató- Lesões túbulo-intersticiais não foram
PAMS, não foram observadas alterações rias mononucleares intertubulares na encontradas no grupo de sete dias pós-
glomerulares características de padrões cortical também foram observados. infecção, o que evidencia que tais lesões
diversos de glomerulonefrite, ao contrá- Embora sem descartar totalmente que não ocorrem precocemente no curso da
rio do que é observado no homem 9 e no outras infecções subclínicas pudessem LV. Nos outros grupos, as alterações tu-
cão 20. Contudo, tais colorações permi- estar presentes na amostra dos casos es- bulares foram caracterizadas por dilata-
tiram verificar que, no curso da LV em tudados, considera-se que as lesões ção, presença de cilindros hialinos,
hâmsteres, não há evolução de um pa- renais foram causadas por Leishmania atrofia, tubulite e degeneração hialina
drão de glomerulonefrite para outro. A (L.) chagasi pois, em todos os casos, a goticular.
dificuldade de acompanhar a evolução infecção foi confirmada por exame pa- O parasita não foi encontrado no pa-
da doença, se associada às lesões renais, rasitológico para leishmaniose. Adicio- rênquima renal, mas a imunoistoquími-
em momentos seqüenciais diferentes, nalmente, a presença de antígeno de ca foi muito útil para estabelecer a rela-
em casos de infecção natural, não tem Leishmania foi expressiva; os exames ção entre a infecção e as alterações re-
permitido o esclarecimento dessa ques- clínico e de necropsia não mostraram nais. Antígeno de Leishmania sp estava
tão em outras espécies com glomerulo- quadros sugestivos de outras doenças e presente dentro do perfil lesional do
nefrite primária. No entanto, existem os animais não foram submetidos a glomérulo, em células fagocíticas (Fi-
qualquer tratamento com drogas que pu- gura 4A), células epiteliais tubulares
dessem causar alterações renais. (Figura 4B) e como material particulado
Estudo ultraestrutural sobre nefrite depositado no interstício, em todos os
intersticial realizado no homem mos- grupos analisados. Observou-se maior
trou que a maioria das células do infil- número de células expressando antígeno
trado inflamatório pertencia à categoria no glomérulo no grupo de 15 dias P.I. do
de linfócitos e macrófagos, sendo rara a que no grupo de sete dias P.I. Conside-
presença de células plasmáticas 22, como rando a literatura consultada, o presente
Francisco Assis L. Costa

Francisco Assis L. Costa

Figura 3 - Rim. Hamster. Células glomerulares


(mediana e intervalo entre percentis 25 e 75)
em quantidade maior nos animais do grupo de
15 dias, comparado ao grupo de 90 dias P. I.
N = n. de animais por grupo. * p < 0,05 (Teste Figura 4 - Rim. Hamster. 90 dias pós-infecção. (A) Antígeno de leishmânia em células fagocíticas
de Kruskal Wallis e Student-Newman-Keuls) no glomérulo. (B) Antígeno de leishmânia em células epiteliais tubulares. Imunoperoxidase. 140x

62 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


estudo relata, pela primeira vez, a pre- Referências pathology with clinical and functional
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estimuladas por IFN-a, adquirem a seropositive canines on the transmission of Relationship between glomerular mesangial cell
capacidade de apresentar antígenos 26. visceral leishmaniasis in Brazil. Clinical proliferation and amyloid deposition as seen by
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the liver during visceral leishmaniasis in
mitiram concluir que as lesões glomeru- hamsters. Brazilian Journal of Medical and 19-SARTORI, A. ; ROQUE-BARREIRA, M. C. ;
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leishmaniose visceral, e que sua intensi- 2001. glomerulonephritis in experimental kala-azar. II:
detection and characterization of parasite
dade progride com o tempo de infecção. 07-COSTA, F. A. L. ; GUERRA, J. L. ; SILVA, S. M. antigens and antibodies eluted from kidneys of
A lesão glomerular é proliferativa, sendo M. S. ; KLEIN, R. P. ; MENDONÇA, I. L. ; Leishmania donovani infected hamster. Clinical
este o único padrão encontrado em hâms- GOTO, H. CD4+ T cells participate in the Experimental Immunology, v. 87, n. 3, p. 386-
nefhropathy in canine visceral leishmaniasis. 392, 1991.
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20-POLI, A. ; ABRAMO, F. ; MANCIANTI, F. ;
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tempo estudados. A proliferação de cé- 08-DUARTE, M. I. S. ; SILVA, M. R. R. ; GOTO, H. ; involvement in canine leishmaniasis: a
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light, immunofluorescent and electron 22-OLSEN, T. S. ; WASSEF, N. F. ; OLSEN, H. S. ;
de contribuir para o desenvolvimento de microscopic study based on kidney biopsies. HANSEN, H. E. Ultrastructure of the kidney in
outros estudos, conclui-se, também, que American Journal of Tropical Medicine and acute interstitial nephritis. Ultrastructural
os períodos de infecção de 7, 15 e 90 dias Hygiene, v. 24, n. 1, p. 9-18, 1975. Pathology, v. 10, n. 1, p. 1-16, 1986.
são adequados para avaliar a progressão 10-COSTA, F. A. L. ; GOTO, H. ; SALDANHA, L. 23-BLANTZ, R. C. ; WILSON, C. B. ; GABBAI, F.
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noperoxidase em tecido parafinado é Pathology, v. 40, p. 677-684, 2003.
24-McCLUSKEY, R. T. ; BHAN, A. K.
apropriada para a detecção de antígeno 11-BOHLE, A. ; MACKENSEN-HAEN, S. ; GISE, Cell-mediated mechanism in renal diseases.
de leishmania em rim, onde a presença H. V. Significance of tubulointerstitial changes in Kidney International, v. 21, Sup. 11. p. s. 6-s. 2,
the renal cortex for the excretory function and 1982.
do parasito é escassa ou inexistente. concentration ability of the kidney: a
morphometric contribution. American Journal 25-FILLIT, H. M. ; ZABRISKIE, J. B. Cellular
of Nephrology, v. 7, p. 421-433, 1987. immunity in glomerulonephritis. The American
Agradecimentos Journal of Pathology, v. 109, n. 2, p. 227-243,
Os autores agradecem a Manoel de Je- 12-LINTON, A. L. ; CLARK, W. F. ; DRIEDGER, 1982.
sus Gomes da Silva, técnico do Labora- A. A. ; TURNBULL, D. I. ; LINDSAY, R. M.
26-MARTIN, M. ; SCHWINZER, R. ;
Acute interstitial nephritis due to drugs. Review
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SCHELLEKENS, H. ; RESCH, K. Glomerular
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Annals of Internal Medicine, v. 93, n. 5, p. 735-
of the expression of MHC class II antigens by
samento e coloração do material utiliza- 741, 1980.
IFN-a. The Journal of Immunology, v. 142,
do neste estudo. 13-TISHER, C. C. ; BRENNER, B. M. Renal n. 6, p. 1887-94, 1989.

64 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Vitor Márcio Ribeiro
Leishmaniose visceral MV, prof. adj. III - PUC Minas
vitor@pucminas.br

canina: aspectos de
tratamento e controle
Treatment and control aspects
of canine leishmaniasis
Leishmaniasis visceral canina:
aspectos de tratamiento y control
cães, raposas e no homem foi demons-
Resumo: Neste artigo, são revisados aspectos do tratamento e do controle da leishmaniose visceral canina. Apresentam-se trado no Brasil 9. Alguns anos depois, a
os critérios que se estabelecem para a instituição e o controle do tratamento, o prognóstico e a importância da adesão dos importância dos cães como reservatório
proprietários na adoção de medidas recomendadas para controle do vetor. São discutidas questões ligadas ao sacrifício de
cães como estratégia de controle da doença, alternativas a esta medida e a obrigatoriedade de tal medida. São apresentados foi estabelecida, quando se demonstrou
os fármacos preconizados para o tratamento, bem como medicamentos em fase experimental e para terapia de suporte. que 75% de 16 cães, em comparação
Unitermos: Calazar canino, doenças infecciosas, animais domésticos, controle de doenças, zoonoses
com 29% de 14 homens com LV, infecta-
vam Lutzomyia longipalpis 10. Embora o
Abstract: This report reviews the treatment and control of canine visceral leishmaniasis. The established criteria to implement
and monitor the treatment of this disease, as well as its prognosis and the importance of the owners' commitment to adopt homem também possa atuar como reser-
recommended vector control measures are addressed. Questions associated with culling as a strategy to control the disease, vatório do agente, os cães são mais im-
the need for this measure and feasible alternatives are also discussed. The review also presents drugs that have been routinely
used in the veterinary practice to treat the disease, as well as those tested experimentally for both treatment and support portantes na cadeia epidemiológica da
therapies. doença 9,10. Em 14 de março de 1963,
Keywords: Canine kala-azar, infectious diseases, domestic animals, disease control, zoonoses
com base em decreto do Senado Federal
do Brasil, a LV foi considerada endemia
Resumen: En este artículo se revisan aspectos de tratamiento y control de la leishmaniasis visceral canina. Se presentan los
criterios que se establecen para instauración y control del tratamiento, el pronóstico y la importancia de la adhesión de los rural, e foram estabelecidas normas
propietarios en adoptar las medidas recomendadas para control del vector. Se discuten cuestiones relacionadas a la técnicas para o seu controle, assim
eutanasia de perros como estrategia de control de la enfermedad, alternativas a esta medida y la obligatoriedad de tal
medida. Son presentados los fármacos utilizados en la rutina del tratamiento, así como medicamentos todavía en fase como para o controle das demais formas
experimental y para terapia de apoyo. de leishmanioses 11.
Palabras clave: Kala-azar canino, enfermedades infecciosas, animales domésticos, control de enfermedades, zoonosis
Desde então, o cão tem sido alvo dos
programas de controle da LV no Brasil,
Clínica Veterinária, n. 71, p. 66-76, 2007 sendo recomendada a eliminação tanto
de animais doentes quanto de soroposi-
tivos 4. A Organização Mundial da Saú-
Introdução antropozoonose. Dessa forma, a LV de (OMS) recomenda o sacrifício como
A leishmaniose visceral canina assume importância no exercício da medida ideal de controle, mas reconhe-
(LVC) se apresenta em nosso país como clínica médica veterinária e humana e, ce as limitações dessa prática em cães de
importante doença parasitária em cães, conseqüentemente, no contexto de saú- alto valor afetivo e econômico infecta-
em função de seu espectro clínico, trans- de pública. No Brasil, a LV é considera- dos 12. Mais recentemente, a Organiza-
missibilidade e potencial zoonótico. Ela da um grave problema, estando distri- ção Panamericana de Saúde (OPAS)
é provocada por um protozoário digené- buída em municípios de todas as unida- considera que, em situações especiais,
tico heteróxeno do gênero Leishmania, des federadas, com exceção da Região o tratamento dos cães pode ser conduzi-
família Trypanosomatidae, tendo em Sul, e, nos últimos dez anos, foram re- do, desde que associado a medidas que
seu ciclo biológico as formas pro- gistrados, em média, 3.156 casos 4. Nos impeçam o contato do animal tratado
mastigota e amastigota. A forma pro- últimos cinqüenta anos a eliminação de com o vetor do agente, bem como o
mastigota prevalece no hospedeiro in- cães soropositivos é reconhecida como risco de contágio humano 13. Com a ur-
vertebrado, e a amastigota no vertebra- a principal estratégia de controle. Ainda banização da doença, a eliminação su-
do 1. A espécie envolvida é a Leishmania assim, tem-se observado tendência de mária dos cães começou a ser contes-
chagasi, reconhecida, atualmente, co- expansão da doença 5,6,7. tada. Embora o papel dos cães como os
mo a mesma denominada Leishmania principais reservatórios da L. chagasi
infantum 2, embora alguns autores a consi- O papel do cão e a eliminação e a principal fonte de infecção para o ve-
derem como subespécie da L. infantum 3. dos cães soropositivos tor esteja cientificamente consagrado,
A leishmaniose visceral (LV), provo- Historicamente, o papel do cão como diversos estudos têm assinalado que o
cada pela L. chagasi, ocorre também reservatório de Leishmania foi primei- impacto da eliminação dos cães no con-
em outras espécies animais, inclusi- ramente descrito em 1908, na Tunísia 8. trole da doença não alcança resultados
ve no homem, sendo considerada uma Em 1955, o parasitismo cutâneo em que a justifiquem operacionalmente 5,6,7,14.

66 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Estudos estatísticos sobre as medidas de cinqüenta cães sentinelas expostos à in- nos profissionais ligados ao poder pú-
controle da LV concluíram que, em fecção natural por L. chagasi concluiu blico quando da busca do cão positivo
escala de importância, a eliminação ou que a eliminação de cães foi ineficiente, para eliminação revela que esse mo-
o tratamento de cães soropositivos de- diante da alta incidência da infecção e mento reveste-se de forte componente
veriam ser a terceira medida adotada 15. transmissibilidade desses animais, da emocional, e é comparado – dada a im-
Para estudar a eficácia da eliminação de insensibilidade dos testes diagnósticos portância do cão no ambiente familiar –
cães soropositivos no controle da LV, para detectar cães infecciosos e do à determinação da “sentença” de morte
foram selecionadas duas áreas: uma tempo entre o diagnóstico e a elimina- para um membro da família 23. Um le-
com eliminação de cães e outra na qual ção dos animais 19. Entretanto, mesmo vantamento com proprietários de cães
tal medida não foi adotada; durante um com protocolos otimizados, testes soro- verificou que 80% gostariam de tratá-
ano, não foram observadas diferenças lógicos de maior sensibilidade (ELISA), los caso tivessem LV 24. Além disso, a
estatísticas significativas na propagação diminuição do intervalo entre o diagnós- ausência de alternativas leva muitos
do calazar entre elas 16. Os autores tico e a remoção dos cães soropositivos proprietários a remover seus animais
relatam que, no Brasil, durante os anos e seleção da população canina exposta à para outros ambientes, às vezes indenes
de 1990 a 1994, quase cinco milhões de infecção, o programa de eliminação à doença, servindo como fator de dis-
cães foram examinados e mais de canina não reduziu a incidência da LV 5,6. persão do agente 25. Na região da grande
80.000 eliminados. Entretanto, a doença Esses estudos concluem que os prová- Belo Horizonte, são conhecidas ações
humana aumentou em quase 100% veis fatores que têm levado à ineficiên- judiciais entre o cidadão e o poder pú-
neste período. Outro estudo com elimi- cia da medida são a incapacidade dos blico, com decisões favoráveis à manu-
nação de cães soropositivos verificou métodos diagnósticos para identificar to- tenção de cães tratados e acompanha-
que essa medida, em curto e médio pra- dos os cães infectados, a reposição dos dos responsavelmente por proprietários
zos, apesar de reduzir a prevalência, é cães por filhotes suscetíveis ou por cães e médicos veterinários. A aplicação de
insuficiente para a erradicação da LVC, já infectados, e a possível existência de questionário a usuários de clínicas vete-
e em médio e longo prazos (dois a qua- outros reservatórios 5,14,20. Outro aspecto rinárias em Belo Horizonte demonstrou
tro anos) não promove diferenças es- de igual relevância relacionado à prática acentuada discordância à prática obri-
tatísticas significativas em relação a indiscriminada da eliminação canina é a gatória da eliminação canina e desejo
áreas sem intervenção 17. Essas observa- discordância social desse método de de tratar seus cães, se acometidos pela
ções têm levado a comunidade cien- controle. Ante o fenômeno da urbaniza- doença. Um aspecto levantado pela
tífica a considerar limitado o impacto da ção da doença e a inegável humanização maioria dos entrevistados é de que não
eliminação de cães soropositivos no dos animais de estimação, particular- aceitariam a pressão do poder público
controle da LV na América Latina, mente os cães, a questão surge como para entregar seus cães, e recorreriam à
apontando-a como a medida de menor grave problema, quando da decisão en- justiça ou fugiriam com seus animais 26.
suporte técnico-científico dentre as de- tre a eliminação ou o tratamento dos De qualquer forma, útil ou não, a elimi-
mais propostas pelo programa, e a ava- cães 21. Esse fenômeno também é do- nação de cães infectados não é uma me-
liar outras práticas direcionadas aos cumentado na China, onde a eliminação dida a ser seguida na maior parte dos
cães, como a vacinação e o uso de inse- dos cães infectados é adotada e tem en- países endêmicos, em virtude de fatores
ticidas tópicos 5,18. Nesse contexto, estu- contrado forte antagonismo popular 22. emocionais, econômicos ou operacio-
do direcionado para a infecciosidade de No Brasil, o constrangimento provocado nais 27,28.

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 67


O tratamento da leishmaniose

Wagner Tafuri
visceral canina
O tratamento da LVC no Brasil re-
monta ao início da década de 1990,
ocasião em que a doença apresentou
acentuado processo de urbanização 29.
Até então, acreditava-se que esse trata-
mento não era viável, devido à sua ele-
vada toxicidade 30. Os primeiros relatos
de sucesso no tratamento da LVC no
Brasil registram a utilização de antimo-
niato de n-metilglucamina pela via in-
travenosa 31,32. Desde então, novas dro-
gas têm sido produzidas com vistas à
obtenção de melhores índices de cura.
Entretanto, ainda não existe protocolo Figura 2 - Pele de cão naturalmente infectado: (A) corte histológico corado pela técnica rotineira
terapêutico altamente efetivo, que per- de Hematoxilina-Eosina (H&E) 440x; (B) corte histológico de pele corado pela técnica de imuno-
mita a reintrodução segura dos animais histoquímica. Note que o parasito é facilmente visualizado. 440x
no domicílio, sem riscos de infecção
para os proprietários e contactantes. Terminada a avaliação física, devem ser produto para o tratamento da LVC, quan-
Assim, recomenda-se a adoção de me- implementados testes laboratoriais, do o mesmo for de distribuição do MS
didas de segurança contra os vetores, como hemograma, função renal, proteí- 40
. Na Europa, ele é distribuído para uso
direcionadas para o cão e para o am- nas séricas, títulos plenos de anticorpos veterinário, como terapêutica da LVC.
biente 13,33,34,35. Não se deve considerar o anti-Leishmania e pesquisa da densida- A melhor via de aplicação é a subcu-
tratamento de um cão, sem antes firmar de de leishmanias na pele 33. Em cães tânea, que alcança o maior nível sérico
com segurança o diagnóstico, seja a par- com anemia arregenerativa ou com in- cinco horas após a administração, man-
tir da visualização dos parasitas em exa- suficiência renal crônica (IRC) a possi- tendo níveis terapêuticos durante doze
mes citológicos de esfregaços de mate- bilidade de eutanásia deve ser conside- horas 41. Recomenda-se a aplicação subcu-
rial obtido de punção de medula óssea rada, porque esses animais têm mau tânea em locais alternados, seguida por
(Figura 1), linfonodos ou baço, seja por prognóstico de recuperação. Os títulos compressas mornas, para minimizar o
meio da imuno-histoquímica (IHQ) de plenos de anticorpos anti-Leishmania desconforto e a formação de edemas 33.
tecidos 36 (Figura 2). Outro método parasi- mensurados pela reação de imunofluo- É contra-indicado para animais com
tológico é a cultura do material obtido pe- rescência indireta (RIFI) e a densidade nefropatias, pois é nefrotóxico e possui
las punções ou biópsias, em meios que de formas amastigotas na pele, utilizan- excreção renal 39. Seus efeitos secundá-
permitam o isolamento da Leishmania e do métodos de IHQ, auxiliam no acom- rios podem se manifestar sob a forma
o xenodiagnóstico. Também métodos de panhamento do tratamento 36. de febre, tosse, mialgia, artralgias, alte-
diagnóstico molecular, como a reação Os fármacos utilizados no tratamento rações gastrintestinais, apatia, inape-
em cadeia de polimerase (PCR), identi- da LVC incluem medicamentos que tência, alterações hepáticas e renais e,
ficam, com alta especificidade, a pre- atuam contra as leishmanias, imunomo- com menor freqüência, cardiotoxi-
sença do DNA do parasito em amostras duladores e imunoterapias, além das cidade, uveíte ou ceratoconjuntivite,
de medula óssea, linfonodos e sangue, medicações de suporte 33,34,37,38,39. consideradas reações alérgicas ao para-
principalmente. Apesar de bastante sita 35. Os níveis séricos superiores a
sensível, essa técnica exige padroniza- Fármacos que atuam 2,9µg/mL são inibidores do crescimen-
ção adequada, podendo levar a resulta- contra as Leishmanias to do parasito. Recomendam-se doses
dos falso-positivos ou negativos, e o Antimoniais pentavalentes variando entre 50 a 75mg/kg duas
sangue não se constitui no material de Seu mecanismo de ação se baseia vezes ao dia (bid), pela via SC, durante
escolha para o encontro do parasita, pe- no bloqueio do metabolismo do parasi- 21 a 30 dias 33,42,43.
la variação de sua parasitemia. Após ta por meio da inibição da enzima fos-
confirmado o diagnóstico, o cão infecta- fofrutoquinase, enzima chave da glu- Alopurinol
do deve ser minuciosamente examinado. coneogênese, que leva o parasita à mor- É um análogo das purinas ou pirazo-
te 35. Dois antimoniais pentavalentes são lopirimidinas cujo mecanismo de ação
Vitor Márcio Ribeiro

apresentados: o antimoniato de n-metil- consiste na incorporação ao RNA do pa-


glucamina e o estibogluconato de sódio. rasita, alterando sua síntese protéica,
No Brasil, a produção do antimoniato inibindo sua multiplicação e, posterior-
de n-metilglucamina é distribuída ex- mente, levando-o à morte. É considera-
clusivamente para o Ministério da Saú- do um fármaco leishmaniostático, e sua
de (MS), não havendo, portanto, dis- associação com outras drogas parece ter
Figura 1 - Punção de medula sendo realizada ponibilidade do produto para uso em efeito sinérgico 34,38,44. Tem baixa toxici-
na crista ilíaca cães. Dessa forma, é proibido o uso desse dade, é utilizado pela via oral e pode ser

68 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


administrado isoladamente ou combina- 0,6mg/kg, em 50 a 100mL de dextro- profunda, em três aplicações por sema-
do a outros fármacos. Seu uso isolado se 5%, protegida da luz, durante uma na, durante cinco a sete semanas. Co-
deve ser criteriosamente avaliado, es- hora. Depois, solução de dextrose 5% mumente, a aplicação provoca irritação
tando indicado para situações especiais, é fornecida na dose de 20mL/kg, não local, que inclui dor e abscessos nas
em animais que apresentem insuficiên- ultrapassando 250mL de volume áreas de aplicação 42.
cia renal ou cardiopatias incompatíveis total, independentemente do peso do
com outros medicamentos 33. O uso pro- animal 33,48. Miltefosina
longado minimiza a ocorrência de reci- Molécula do grupo farmacológico
divas, mas leva à hipoxantinúria, que Aminosidina (paramomicina) dos alquilfosfolipídeos, cujo mecanis-
pode provocar urolitíases, particular- Antibiótico do grupo dos amino- mo de ação se baseia na inibição da bio-
mente em cães hepatopatas 34,37,38. Tem glicosídeos, é produzido a partir de síntese dos fosfolipídios da Leishmania.
sido indicado por toda a vida do cão em Streptomyces rimosus. Atua inibindo a Sua ação antimetabólica promove a al-
tratamento. Embora de baixa toxicida- síntese protéica e provocando alterações teração da biossíntese de glicolipídeos e
de, são relatados febre, leucopenia, dis- na permeabilidade da membrana plas- glicoproteínas da membrana do parasi-
túrbios cutâneos e elevações de enzimas mática do parasita 33. A administração é ta. Os resultados de seu uso no trata-
hepáticas de baixa intensidade 45. A dose recomendada pela via subcutânea, e mento da LVC têm sido promissores, e
recomendada é de 10 a 20 mg/kg bid, possui eliminação ativa pelos rins. Os seu registro para uso veterinário na Eu-
oral, apresentando boa biodisponibili- efeitos colaterais incluem nefrotoxici- ropa é recente. Sua eficácia é similar à
dade no cão 33,46. dade e ototoxicidade 34,39,49. O produto dos antimoniais na dose 2-3mg/kg, sid,
não é comercializado no Brasil 33. via oral, durante 28 dias. Os efeitos
Anfotericina B colaterais relacionados incluem trans-
É um antibiótico poliênico produzido Azóis (imidazóis - ketoconazol e micona- tornos digestivos, vômitos, diarréia e
a partir do fungo Streptomyces nodosus. zol); triazóis (fluconazol e itraconazol) anorexia 35.
Atua ligando-se aos esteróis (primaria- O mecanismo de ação dessa linha de Os protocolos mais utilizados atual-
mente ergosteróis) da membrana das fármacos baseia-se na inibição da sín- mente são apresentados na figura 3,
Leishmanias, alterando sua permeabili- tese do ergosterol, componente da mem- conforme experiência pessoal do autor
dade, levando a perdas de potássio, ami- brana celular de fungos e Leishmania. desta revisão e relatos de vários au-
noácidos e purinas e provocando a Esse grupo de drogas possui indicação tores 33,42,52,53,54.
morte 34,37. É uma droga conhecida pela restrita no tratamento da LVC, embora
sua nefrotoxicidade, que se dá pela va- apresente perspectivas na terapia de Medicamentos alternativos
soconstrição renal e redução da taxa de manutenção 34. O cetoconazol, o metro- no tratamento da LVC
filtração glomerular 34. Comercialmente, nidazol e o secnidazol são bem tolera- Imunomoduladores
é encontrada como solução contendo dos pelos cães. Na leishmaniose cani- A evolução da doença e a resposta
desoxicolato de sódio como agente so- na, a dose usual do cetoconazol é de inadequada ao tratamento são atribuí-
lubilizante. Essa composição é diluída 7-25mg/kg dia, por via oral, durante das principalmente à imunossupressão
em água estéril e se mantém estável por dois a três meses. A dose indicada de induzida pelo parasita. A alterações do
uma semana quando conservada em ge- metronidazol é de 10-15mg/kg bid du- sistema imune se traduzem pelo estí-
ladeira e protegida da luz. A via de rante 15 a 30 dias, e a do secnidazol é de mulo da imunidade humoral e pela de-
administração preferencial é a intrave- 30mg/kg sid durante 15-30 dias. A asso- pressão da imunidade celular, que im-
nosa lenta. Também pode ser encontra- ciação entre metronidazol (25mg/kg) e plicam conseqüências negativas para o
da encapsulada em lipossomas. Essa espiramicina (150.000 UI/kg) sid, via enfermo 45,55,56. Dessa forma, substâncias
formulação diminui seus efeitos tóxicos oral, por 90 dias, foi bem tolerada e imunomoduladoras, imunossupressoras
e permite doses maiores por aplicação, considerada eficiente no tratamento da ou imunoestimulantes, mesmo não
com menor tempo de tratamento 47. Os LVC 50. Entretanto, novos estudos exercendo ação direta sobre as leishma-
efeitos adversos relacionados são insu- devem ser realizados para a incorpora- nias, têm sido empregadas em associa-
ficiência renal, flebites, anorexia, vômi- ção da droga como alternativa de trata- ção com outros fármacos específicos
tos, alterações de Na/K e necrose tissu- mento. contra o parasita 45,57. Os corticosterói-
lar por extravasamento 35. É imprescin- des, mais freqüentemente a prednisona
dível controlar os valores séricos de Pentamidina e a prednisolona, têm sido usados como
uréia e creatinina antes de cada apli- O mecanismo de ação desse fármaco drogas imunossupressoras com o objeti-
cação. Valores de uréia superiores a ainda não está totalmente elucidado. vo de suprimir a imunidade humoral, di-
100mg/dL contra-indicam a sua utiliza- Assume-se que atua inibindo a síntese minuindo a produção de anticorpos e
ção. O tratamento é realizado em dezes- de poliamina e do DNA do cinetoplasto evitando, dessa forma, os imunocom-
seis sessões de quimioterapia. A seqüên- do parasito. É considerada de segunda es- plexos responsáveis pelas alterações em
cia de cada sessão consiste na aplicação colha, em virtude da toxicidade compa- distintos órgãos 33,35,45. As drogas imuno-
inicial de dextrose 5% (20mL/kg), asso- rativamente superior à dos antimoniais estimulantes são utilizadas com o intuito
ciada a 0,2mg/kg de dexametasona em pentavalentes, menor eficácia e maior de ativar inicialmente os linfócitos T,
aplicações alternadas. Em seguida, a duração do tratamento 51. A dose pre- que secundariamente ativam os macró-
anfotericina b é aplicada, na dose de conizada nos cães é de 4mg/kg IM fagos, contribuindo na resposta celular

70 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Protocolo medicamentos utilizados, posologia e tempo de tratamento

Vitor Márcio Ribeiro


1 antimoniato de n-metilglucamina - (50-75mg/kg bid sc por 21 a 30 dias
e alopurinol (10 a 20mg/kg bid oral por tempo indeterminado)
2 estibogluconato de sódio - (15 a 30mg/kg bid sc por 21 a 30 dias) e
alopurinol - (10 a 20mg/kg bid oral por tempo indeterminado)
3 anfotericina B - (0,6mg/kg iv duas vezes por semana por oito semanas)
e alopurinol (10 a 20mg/kg bid por tempo indeterminado)
4 alopurinol - (10 a 20mg/kg bid oral por tempo indeterminado)
5 aminosidina - (10mg/kg bid sc por 30 dias) e alopurinol - (10 a 20mg/kg
bid oral por tempo indeterminado)
6 miltefosine - (2mg/kg sid oral por 28 dias) e alopurinol - (10 a 20mg/kg
bid oral por tempo indeterminado) Figura 4 - Detalhe da coleta de material para
realização de imunohistoquímica
Figura 3 - Protocolos de tratamento

de eliminação das Leishmanias. A droga vinte e quatro cães, com aplicações aos ou reinfecção quando for constatada a
mais utilizada é o levamisol, na dose de seis, sete e oito meses após a infecção, presença de pelo menos duas das se-
0,5 a 2mg/kg, em dias alternados, pela quando os animais eram soropositivos e guintes condições: disproteinemia (in-
via oral 45. Mais recentemente, a dompe- sintomáticos. Os resultados revelaram versão da fração albumina/globulina),
ridona foi apresentada como uma droga melhora clínica e contagens normais de aumento da titulação em duas ou mais
imunoestimulante no tratamento da células CD4+, sugerindo a diminuição diluições e presença de sintomas com-
LVC na dose de 1mg/kg bid, durante do potencial de transmissibilidade dos patíveis com a doença 35. Sugere-se que
trinta dias 58. São também citadas como animais tratados 64. essa avaliação seja feita em intervalos
imunoestimulantes a interleucina 12, o de três meses no primeiro ano de trata-
Interferon a e o BCG 59,60,61. Medicamentos de suporte mento, de quatro meses no segundo ano,
O emprego de tratamentos associa- e de seis meses na seqüência da vida do
Imunoterapia dos [antibioticoterapia / terapia transfu- cão. Os exames indicados em cada ava-
Essa estratégia de tratamento busca sional / acaricidas / renoproteção (cetoa- liação, além do físico, consistem de he-
induzir resposta imune permanente e nálogos, dietas especiais, fluidoterapia, mograma, função renal, proteínas séri-
capaz de conter o avanço do parasita, in- acidificantes urinários / complexos vita- cas (albumina e globulinas), titulação
viabilizando sua sobrevivência dentro mínicos] 65 depende do estado clínico plena de anticorpos anti-Leishmanias e
das células. Na tentativa de obter suces- do paciente e da reação deste ao proto- pesquisa de parasitas na pele (Figura 5).
so no tratamento da LVC, foi testado o colo adotado. Deve-se estar atento às in- A cura pode ser considerada quando
antígeno LiF2 (fração 2, 94-67 kDa de- fecções concomitantes – que se instalam o cão se mantiver assintomático, os exa-
rivada de L. infantum), isolado ou em pela condição de imunossupressão do mes se mostrarem dentro de valores
associação com antimonial pentava- animal e dificultam sobremaneira a re- normais, e os títulos sorológicos e as
lente. Os animais submetidos à quimio- cuperação –, como erliquiose, hepato- pesquisas de parasitas na pele e na
terapia associada à imunoterapia apre- zoonose, babesiose, filarioses e outras medula óssea forem negativos pelas téc-
sentaram 100% de cura, demonstrando doenças 66. Portanto, o paciente deve ser nicas de IHQ, PCR e cultura durante
que a imunoterapia pode ser determi- cuidado em todos os seus sistemas, pois dois anos consecutivos 53.
nante para o sucesso do tratamento 61. A muitas vezes a cura clínica não é alcan-
eficácia de tratamento baseado na imu- çada devido a uma infecção bacteriana Medidas associadas
noquimioterapia associada ao antimo- não tratada, uma anemia não corrigida, É essencial que o proprietário esteja
nial pentavalente em uma preparação de sarnas – principalmente a demodiciose, ciente de todo o processo que envolve o
formas promastigotas de L. infantum foi pelo seu aspecto imunomediado –, alte- tratamento, tendo uma atitude respon-
avaliada, e mostrou baixa resposta, não rações renais que levam à uremia, e suas sável. Recomenda-se explicar em deta-
suprimindo de forma uniforme a in- conseqüências 65. lhes todas as medidas preventivas para
fecciosidade dos cães 62. Vinte e seis evitar reinfecções ou primoinfecções
cães submetidos à imunoterapia com a Acompanhamento de em outros cães que habitem a mesma
vacina fucose-manose ligante (FML) cães em tratamento região 66. Um princípio básico para a
apresentaram resultados promissores, Os cães em tratamento devem ser prevenção da LVC é evitar o contato
demonstrados pela normalização das submetidos a exames periódicos rigoro- entre o vetor infectado e o cão. Dessa
proporções dos linfócitos CD4 e CD21, sos a fim de identificar possíveis rein- forma, medidas contra o vetor devem
sugerindo a condição de não transmissi- fecções ou recidivas difíceis de serem ser adotadas no ambiente e centradas
bilidade, elevação dos linfócitos T CD8 confirmadas 35 e, sobretudo, avaliar o no cão. As medidas direcionadas aos
e manutenção da condição assintomáti- potencial de parasitismo cutâneo, men- cães parecem ser as mais adequadas nos
ca em 90% dos animais 63. Em outro surado por exames de fragmentos da ex- grandes centros urbanos. A utilização
estudo, a imunoterapia, baseada na pro- tremidade da região interna da orelha pe- permanente de colar inseticida à base
teína NH36 (FML) e tendo como adju- la técnica de IHQ 67,68 (Figuras 2 e 4). Po- de deltametrina a 4% é essencial em
vante 1mg de saponina, foi utilizada em de-se considerar a hipótese de recidiva cães em tratamento e naqueles que

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 71


controle da LV 28. Entretanto, um estudo
de campo demonstrou que essa vacina
induz bom efeito protetor contra a LVC,
com eficácia vacinal de 80% 81. Outro
estudo demonstrou que a vacina blo-
Vitor Márcio Ribeiro

queia a transmissão e, dessa forma, pro-


tege os cães do contágio e da condição
de reservatórios, bloqueando a trans-
missão para os flebotomíneos 82. Ainda
assim, e com vistas ao desenvolvimento
de vacinas que, em conjunto com outras
Figura 5 - A esquerda, cão da raça chow-chow, soropositivo para LVC, que apresen- medidas de controle, possam ser uti-
tava diversas falhas na pelagem e que foi tosado. À direita, o mesmo cão após dezoito
meses de tratamento com anfotericina b e alopurinol
lizadas na profilaxia e no controle da
doença, novos estudos devem ser con-
duzidos nessa área.
vivem ou viajam a regiões enzoóticas 13 de inseticidas de aplicação tópica à base
(Figura 6), em face dos resultados em de permetrina – aplicação a cada 15 a 30 Considerações finais
relação ao controle da doença humana e dias, conforme o produto utilizado 76,77,78. A decisão de tratar a LVC tem sido
canina 69,70,71,72,73,74,75. O uso de outras for- Em áreas de alta prevalência, e em cães adotada, por parte da comunidade médi-
mulações tem sido disponibilizado co- com a presença de amastigotas na pele – co veterinária mundial, em função do
mercialmente para cães nos quais o verificada através de testes específicos –, conhecimento de que a doença não é
colar inseticida desencadeia reações as duas indicações anteriores podem ser uniformemente fatal, de que alguns cães
alérgicas, ou submetidos à rotina de ba- utilizadas; podem apresentar cura espontânea 52,53,83,
nhos freqüentes. Entre esses produtos 2 - cuidados de limpeza do ambiente, e pelo desejo de muitos proprietários,
destacam-se a associação de imidaclo- como retirada de matéria orgânica ex- que assumem a responsabilidade de im-
prid/permetrina em solução spot-on, a cessiva; aplicação de inseticidas am- plementar todas as condutas recomen-
permetrina 65% e a permetrina/piripro- bientais centrados nos canis (ambientes dadas pelo médico veterinário – que,
xifeno 76,77,78. em que o animal permanece por mais além de preservarem a vida do cão pos-
Do ponto de vista individual, as me- tempo), como aqueles à base de delta- sam mitigar o risco de que o animal em
didas recomendadas aos proprietários metrina e cipermetrina, em aplicações tratamento seja fonte de infecção para o
dos cães livres da infecção ou em tra- semestrais; vetor e para as pessoas 13. Os protocolos
tamento, podem ser assim enumeradas: 3 - uso de plantas repelentes de insetos, atuais oferecem boas possibilidades de
1 - uso do colar impregnado com delta- como a citronela e a neem; cura clínica, baixo índice de recidivas,
metrina 4% – substituído a cada seis 4 - não realização de passeios crepuscu- e diminuição ou supressão do parasitis-
meses; em cães alérgicos ao colar, uso lares ou noturnos, horários de maior ati- mo cutâneo – e, conseqüentemente, da
vidade dos flebotomíneos, privilegiando capacidade infectante da pele – mensu-
os passeios diurnos 79. rados através de exames imunocitoquí-
Vitor Márcio Ribeiro

mico e xenodiagnóstico 42,53,60,67,83,84,85,86,87.


Vacina contra LVC Todos esses fatores sugerem que o trata-
A inexistência de tratamento efetivo mento da LVC, associado às medidas
para a cura total da doença canina, e a contra o vetor – sobretudo aquelas cen-
polêmica sobre a eliminação indiscrimi- tradas no cão –, são eficientes para miti-
nada dos cães infectados, tornam urgen- gar o risco da transmissão 13. Alia-se a
te a adoção de nova estratégia, centrada esses fatores o advento da imunoterapia
em vacina eficaz 80. Há quatro anos, va- e da vacinação canina.
cina contra a LVC – aprovada pelo Mi- Finalmente, consideramos que o
nistério da Agricultura Pecuária e Abas- princípio de controle da doença não de-
tecimento (MAPA) – vem sendo empre- veria ser centrado no sacrifício dos ani-
gada no Brasil. Essa vacina é composta mais. Outras formas devem ser busca-
pelo antígeno complexo glicoprotéico das, e aquelas que têm sido apresentadas
ligante de fucose e manose (FML) de devem ser utilizadas e constantemente
Leishmania donovani, e pelo adjuvante reavaliadas. Ao mesmo tempo, todos os
saponina. Sua utilização tem sido adota- esforços em pesquisas que busquem
da pela comunidade de clínicos veteri- protocolos de prevenção e tratamento
nários mas, até o momento, não foi ado- cada vez mais eficazes devem ser estimu-
tada pelo MS. A justificativa apresenta- ladas pelos órgãos privados ou públicos.
da por aquele órgão para essa posição Os melhores resultados serão alcança-
Figura 6 - Prevenção da aproximação dos fle-
botomíneos pela utilização da coleira a base de é a falta de estudos de campo que dos se os segmentos sociais envolvidos
deltametrina a 4% comprovem a eficácia da vacina no buscarem entrosamento e colaboração.

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76 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Aspectos clínicos de cães Alessandra Ribeiro de Albuquerque
Médica veterinária
Depto. Medicina Veterinária/UFRPE
naturalmente infectados por aralbuquerque@yahoo.com.br

Fabiane Rodrigues de Aragão


Leishmania (Leishmania) Médica veterinária
Depto. Medicina Veterinária/UFRPE,

chagasi na região fabianearagão@yahoo.com.br

Maria Aparecida da Glória Faustino


metropolitana do Recife Médica veterinária
Depto. Medicina Veterinária/UFRPE
magfaustino@hotmail.com

Clinical aspects of dogs naturally infected Yara de Miranda Gomes


Pesquisadora

by Leishmania (Leishmania) chagasi Depto. Imunologia, CPqAM/FIOCRUZ


yara@cpqam.fiocruz.br

in the metropolitan region of Recife Rodrigo Alves de Lira


Pesquisador
Depto. Imunologia, CPqAM/FIOCRUZ
rodrigo@cpqam.fiocruz.br

Aspectos clínicos de perros Mineo Nakasawa


naturalmente infectados por Leishmania Pesquisador
Depto. Imunologia, CPqAM/FIOCRUZ
(Leishmania) chagasi mineonakasawa@cpqam.fiocruz.br

en la región metropolitana de Recife Leucio Camara Alves


MV, prof.
Depto. Medicina Veterinária/ UFRPE,
Resumo: A Leishmaniose visceral ou calazar é uma doença parasitária de caráter zoonótico de distribuição cosmopolita, situa- leucioalves@hotmail.com
da entre as seis endemias consideradas prioritárias no mundo. No presente estudo foram descritos os achados clínicos obser-
vados em 25 cães naturalmente infectados por Leishmania sp na região metropolitana do Recife. Os animais foram submeti-
dos a exames parasitológico e sorológico pelo ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA). Os sinais clínicos mais fre- (descamação, eczema, alopecia, úlceras
qüentes foram as úlceras cutâneas, seguidas de linfadenomegalia, perda de peso, onicogrifose e oftalmopatias. Sugere-se
que, em áreas endêmicas para leishmaniose visceral canina, os animais que apresentam esses sinais clínicos devam ser
de pele, pêlos sem brilho, nódulos subcu-
investigados quanto à infecção por Leishmania (Leishmania) chagasi. tâneos), emagrecimento, apatia, febre irre-
Unitermos: Canino, zoonose, leishmaniose visceral
gular, coriza, ceratoconjuntivite, onico-
grifose, linfoadenopatia, edema, diarréia,
Abstract: Visceral leishmaniasis is a chronic parasitic infection with a worldwide distribution. It is considered one of the six
priority endemic diseases in the world. This article describes the clinical findings observed in 25 dogs from the metropolitan hemorragia intestinal, esplenomegalia e
region of Recife, which were naturally infected by Leishmania sp. Animals were submitted to parasitological and serological hepatomegalia, entre outros 5,6,7,8,9,10,11. A
exams through the enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA). The most frequent clinical findings were cutaneous ulcers,
lymphadenomegaly, weight loss, onycogryphosis and ophthalmopathies. It is suggested that animals presenting any of these ampla variedade de sinais clínicos torna
clinical signs in endemic areas for canine visceral leishmaniasis be investigated for Leishmania (Leishmania) chagasi infection. o diagnóstico clínico difícil. Assim,
Keywords: Canine, zoonoses, visceral leishmaniasis
recomenda-se que o profissional subsi-
die o diagnóstico com achados clínico-
Resumen: La leishmaniasis visceral es una enfermedad parasitaria de carácter zoonótico de distribución cosmopolita,
situada entre las seis endemias consideradas prioritarias en el mundo. En este trabajo son descritos los hallazgos clínicos epidemiológicos e exames subsidiários
observados en 25 perros naturalmente infectados por Leishmania sp en la región metropolitana de Recife. Los animales fueron citológicos, histopatológicos, parasito-
sometidos a exámenes parasitológico y sorológico por ensayos de inmunoadsorción enzimática (ELISA). Las señales clínicas
más frecuentes fueron las úlceras cutáneas, seguidas de linfadenomegalia, pérdida de peso, onicogrifosis y oftalmopatías. Se lógicos, sorológicos e/ou moleculares 12.
sugiere que, en áreas endémicas para Leishmaniasis visceral canina, los animales que presenten estas señales clínicas deban O objetivo do presente estudo foi
ser investigados respecto a la infección por Leishmania (Leishmania) chagasi.
Palabras clave: Canino, zoonosis, leishmaniasis visceral relatar as características clínicas de cães
com diagnóstico positivo de LVC na
Clínica Veterinária, n. 71, p. 78-80, 2007 Região Metropolitana do Recife (RMR).

MATERIAL E MÉTODOS
INTRODUÇÃO Cães infectados por L. chagasi po- Animais
Leishmania chagasi (L. chagasi) é o dem apresentar diferentes manifesta- Foram utilizados 142 cães de raças e
agente da leishmaniose visceral ameri- ções clínicas. A resposta imune do hospe- idades variadas, de ambos os sexos e do-
cana (LVA), também conhecida como deiro está intimamente ligada à severi- miciliados na região metropolitana do
calazar 1, cujo principal reservatório dade das manifestações clínicas dos ani- Recife. Os animais foram submetidos a
urbano é a espécie canina 2. No Brasil, a mais acometidos. Desta forma, é possí- avaliação clínica geral e, na ocorrência de
prevalência da leishmaniose visceral vel classificar os cães como assintomáti- sinais e sintomas sugestivos de leishma-
canina (LVC) varia de 2,5% a 46,6% em cos, oligossintomáticos ou sintomáticos 5. niose, encaminhados ao ambulatório do
áreas endêmicas 3. Entretanto, estima-se Classicamente, a LVC apresenta si- referido hospital para a realização de
que essa prevalência seja subestimada 4. nais inespecíficos, como lesões cutâneas exames específicos.

78 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Na anamnese de cada animal foram Sinal clínico Freqüência absoluta Freqüência relativa (%)
questionados dados referentes ao estado Úlcera cutânea 18 90
geral, raça, sexo, idade, evolução do Onicogrifose 10 50
processo e procedência. Foi realizado Descamação cutânea 01 5
também exame dermatológico, com Perda de peso 09 45
Oftalmopatia 10 50
especial interesse em manifestações Linfadenopatia 12 60
clínicas de leishmaniose. Epistaxe 02 10
Artropatia 02 10
Diagnóstico parasitológico Figura 1 - Freqüência absoluta e relativa dos sinais clínicos encontrados em cães com diagnósti-
O exame parasitológico foi realizado co sorológico positivo para leishmaniose visceral canina na Região Metropolitana do Recife, 2006
utilizando biópsia de medula óssea.
Sinal clínico Freqüência absoluta Freqüência relativa (%)
Após anti-sepsia foi realizada punção na Úlcera cutânea 14 87,5
crista do osso esterno, com vistas à con- Onicogrifose 07 43,75
fecção de esfregaços em lâminas de Descamação cutânea 00 0
vidro, corados pelo método Panótico. Perda de peso 08 50
Oftalmopatia 07 43,75
Diagnóstico sorológico Linfadenopatia 11 68,75
Epistaxe 02 12,5
Para o exame sorológico foi realizada Artropatia 01 6,25
colheita de sangue mediante venopunção
Figura 2 - Freqüência absoluta e relativa dos sinais clínicos encontrados em cães com diagnóstico
cefálica. O soro obtido foi acondicionado parasitológico positivo para leishmaniose visceral canina na Região Metropolitana do Recife, 2006
em tubos plásticos, congelados à tempe-
ratura de -20°C. A pesquisa de anticorpos sinal clínico patognomônico da LVC, a A perda de peso foi constatada em
anti-Leishmania foi realizada utilizando presença desse tipo de lesão dermatoló- 44% (11/25) dos cães do presente estu-
os testes de ELISA pelo kit a EIE- gica poderia ser creditada à resposta do do. Esse achado também tem sido apon-
Leishmaniose-Visceral-Canina®, que uti- hospedeiro vertebrado à infecção, além tado em outras investigações sobre a
liza antígeno solúvel de formas pro- da ação direta do parasita e da vasculite leishmaniose em cães 6,7,10,16,17,19, podendo
mastigotas de Leishmania “major-like”. necrosante causada por deposição de ser creditado, dentre outros fatores, à
imunocomplexos 11. A multiplicação das fase de evolução doença.
RESULTADOS E DISCUSSÃO formas amastigotas produz processo A epistaxe foi identificada em 8%
Dos 142 animais atendidos no ambu- inflamatório com atração de novas célu- (2/25) dos animais. Embora a literatura
latório de leishmaniose da UFRPE, las para o sítio da infecção, gerando in- reporte epistaxe e trombocitopenia em
17,60% (25/142) apresentaram um ou filtrado inflamatório composto por lin- cães com leishmaniose 6, deve-se con-
mais sinais clínicos sugestivos de LVC fócitos e macrófagos, o que leva à for- siderar que a coinfecção com outros he-
e foram então incluídos no estudo. O mação do nódulo. O processo se expan- matozoários poderia contribuir para
restante dos cães apresentava-se assin- de pela multiplicação do parasita em esse tipo de manifestação clínica.
tomático no momento do exame clínico. novas células, agravando a resposta in- Em 56% (14/25) dos animais foi en-
Os sinais clínicos apresentados por cada flamatória e levando à ulceração super- contrada linfoadenopatia. O aumento dos
animal encontram-se nas figuras 1 e 2. ficial da pele. Com a evolução do pro- linfonodos nos animais infectados por
Neste estudo foram diagnosticados 80% cesso, é observada necrose da epiderme Leishmania sp 6,7,10,16,17 está relacionado à
(20/25) de animais positivos ao teste e da membrana basal, que culminam proliferação da região de células B e à
parasitológico, e 64% (16/25) de ani- com lesão úlcero-crostosa 18. depleção das células T, além da presença
mais positivos no teste sorológico. O crescimento exagerado das unhas de grande contingente de células plas-
Os sinais clínicos mais freqüentes (onicogrifose) foi observado em 88% máticas, eosinófilos e macrófagos, con-
foram as úlceras cutâneas, seguidas de (22/25) dos cães estudados. A onicogri- tendo formas amastigotas do parasita 11.
linfadenomegalia, perda de peso, onico- fose pode ser justificada pelo estímulo
grifose e oftalmopatias, corroborando do parasita à matriz ungueal. Alternati- CONCLUSÃO
estudos similares envolvendo a investi- vamente, essa hipertrofia deve-se tam- A leishmaniose possui sintomatolo-
gação de sintomas clínicos de leishma- bém ao menor uso das unhas decorrente gia clínica complexa, que pode facil-
niose em cães 3,13. Perda de peso, lesões da apatia apresentada pelo animal, em- mente ser confundida com outras doenças
de pele e oftalmopatia são sintomas já bora este sinal não seja considerado pa- infecciosas em animais de companhia.
referidos em cães com leishmaniose na tognomônico 16. A presença da onicogri- Entretanto, os achados do presente estudo
região metropolitana de Recife 14. Da fose como sintoma clínico em cães com alertam que, em regiões endêmicas para
mesma forma, a presença de úlceras leishmaniose é muito variável 6,7,10,15,16,17. a doença em cães, a presença de derma-
cutâneas nos animais estudados também A freqüência de oftalmopatias verifi- topatias, onicogrifose e/ou linfadenopa-
foi relatada na região, com freqüência cada nos animais estudados (52,0%) tia é sugestiva de leishmaniose, reque-
encontrada ao redor de 80% 6,15,16,17. apresentou percentual superior àqueles rendo que esses animais sejam submeti-
Embora a úlcera cutânea não represente descritos na literatura 6,7,10,17,19. Esse resul- dos ao diagnóstico da doença, em virtude
a) EIE-Leishmaniose-Visceral-Canina®. Laboratório Bio-Manguinhos,
tado poderia provir da não uniformidade do impacto da leishmaniose na saúde
Rio de Janeiro, RJ. do exame oftálmico. animal e no contexto da saúde pública.

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 79


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80 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Leishmaniose tegumentar Jairo Ramos de Jesus
MV, M.Sc.
jairorj@terra.com.br

americana: uma visão da Flavio Antonio Pacheco de Araujo


epidemiologia da doença MV, M.Sc., dr., chefe
Laboratório de Protozoologia/FV/UFRGS
faraujo@ufrgs.br

na Região Sul
maior incidência de casos de leishmaniose
tegumentar americana. Porém, com os mo-
American tegumentary leishmaniasis: vimentos migratórios das populações dessas
epidemiological vision about regiões em direção ao sul do país, a doen-
ça se expandiu, a partir da década de 80,
this disease in south region para todo o território nacional, tornando-se
grande problema de saúde pública. Até
2000, somente o Estado do Rio Grande do
Leishmaniasis cutánea: una Sul (RS) não era considerado área de risco
visión epidemiológica de la para a doença. Entretanto, nesse ano ocorreu
a notificação do primeiro caso confirmado
enfermedad en la región sur de leishmaniose tegumentar americana no
município de Porto Alegre. No ano de 2002
Resumo: A leishmaniose é uma das principais doenças transmitidas por vetores no mundo. No Brasil, é considerada foi confirmado o primeiro caso autóctone
reemergente e em expansão. Em decorrência do crescimento dos centros urbanos e das dificuldades sócio-econômicas a
doença não está mais confinada às florestas, avançando nos últimos anos para a periferia dos grandes centros. O número no Estado, também, no município de Porto
esperado de casos novos anuais de leishmaniose tegumentar americana (LTA) no Brasil é de 30.000 casos/ano. Na Região Alegre (RS). Atualmente, já foram notifi-
Sul, até o ano 2000, somente o Rio Grande do Sul (RS) não era considerado área de risco de transmissão. Porém, em 2002
foi confirmado o primeiro caso autóctone humano do Estado, no município de Porto Alegre. Atualmente, já foram confirmados cados 17 casos autóctones no Estado, além
17 casos autóctones no RS, transformando-o em área de risco de transmissão de LTA. da existência de vários outros suspeitos,
Unitermos: Doença parasitária; leishmaniose cutânea; Leishmania
assumindo o Estado o status de área de risco
Abstract: Leishmaniasis is one of the main vector-transmitted diseases in the world. In Brazil, it is considered reemergent and in para a doença. A emergência da doença na
expansion. Urban center growth and social-economic problems led the disease to leave the forests and advance to the periphery Região Sul do país, aliada à falta de dados
of the big cities in recent years. The number of cases of american tegumentary leishmaniasis (ATL) in Brazil is expected to be
around 30,000 cases/year. In the South Region, only the State of Rio Grande do Sul (RS) was not considered an area with risk epidemiológicos, de diagnóstico e de ações
of transmission of ATL until 2000. However, in 2002 the first autochthonous human case was confirmed in the State, in the city sistemáticas de controle da leishmaniose na
of Porto Alegre. Until now, 17 autochthonous human cases have been confirmed in RS, turning it into an ATL risk transmission area.
Keywords: Parasitic disease; cutaneous leishmaniasis; epidemiology; Leishmania região, representam um desafio aos pro-
fissionais da saúde 3,6. O presente estudo pre-
Resumen: Leishmaniasis es una de las principales enfermedades transmitidas por vectores en el mundo. En Brasil, es tendeu revisar aspectos importantes da epi-
considerada re-emergente y en expansión. En resultado del crecimiento de centros urbanos y de las dificultades socio-
económicas, la enfermedad no se presenta confinada más a los bosques, avanzando en los últimos años hacia la periferia de demiologia da leishmaniose tegumentar
los grandes centros. El número esperado de nuevos casos de Leishmaniasis Cutánea (LC) en Brasil es de 30.000 casos/año. americana, visando subsidiar o reconheci-
En la región sur, hasta el año 2000, solamente la Província de Rio Grande do Sul (RS) no era considerada área de riesgo de
transmisión. Sin embargo, en el año 2002 el primer caso humano autóctono de esta Provincia se confirmó, en el distrito mento da doença e a adoção de ações de con-
municipal de Porto Alegre. Actualmente, 17 casos autóctonos están confirmados en RS, transformando esta Província en área trole e profilaxia na Região Sul do Brasil.
de riesgo de transmisión de LC.
Palabras clave: Enfermedad parasitaria; epidemiología; Leishmania
Epidemiologia geral
Clínica Veterinária, n. 71, p. 82-84, 2007 A LTA é encontrada em todos os países
das regiões tropicais e subtropicais do
Introdução promastigota tem formato alongado, nú- mundo, exceto na Austrália, na Nova Ze-
A leishmaniose tegumentar americana cleo, cinetoplasto e flagelo livre e é encon- lândia e em algumas ilhas do Pacífico.
(LTA) é uma doença polimórfica, espectral trada no intestino dos hospedeiros inverte- Considerada doença praticamente cosmo-
de pele e mucosa, causada pelo protozoário brados. Apresentando variações em sua forma, polita, apresenta distribuição geográfica
heteróxeno pertencente ao gênero durante o desenvolvimento no inseto vetor, irregular, que pode ser evidenciada pelo
Leishmania. De caráter zoonótico, acomete a forma promastigota metacíclica é con- fato de que, mesmo reportada em mais de
o homem e diversas espécies de animais siderada a forma infectante do gênero. 3,4,5 80 países, concentra 90% de todos os
silvestres e domésticos, necessitando de A leishmaniose é uma das principais casos em seis países: Afeganistão, Brasil,
um hospedeiro vertebrado e outro inverte- doenças transmitidas por vetores no mun- Irã, Peru, Arábia Saudita e Síria. A estima-
brado para completar o seu ciclo biológico. do. No Brasil é considerada reemergente e tiva mundial de novos casos anuais é de
Os sinais podem variar de pequenas lesões em franca expansão. Atualmente, com o 1,5 milhão, embora somente 300.000
auto-limitantes a lesões desfigurantes. 1,2 crescimento dos centros urbanos e as difi- casos/ano sejam oficialmente notificados
O gênero possui duas formas durante o culdades sócioeconômicas, a doença não à Organização Mundial da Saúde. 7,8
seu ciclo evolutivo: a forma amastigota, ti- está mais confinada às regiões florestais A LTA é particularmente importante na
picamente ovóide ou esférica, com núcleo, ocorrendo, também, nas periferias e nos América do Sul. Na década passada era
cinetoplasto e flagelo rudimentar, encon- grandes centros urbanos. O número de no- considerada uma doença de áreas rurais,
trada nas células do sistema fagocítico mo- vos casos anuais esperados no Brasil é de acometendo principalmente militares e agri-
nonuclear, principalmente nos macrófagos, 30.000 casos/ano. Assume-se que a Região cultores do sexo masculino, devido à maior
dos hospedeiros vertebrados; em contraste, a Norte-Nordeste do país é a que apresenta exposição destes à floresta ou mata, na

82 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


concepção de uma cadeia epidemiológica horário do crepúsculo, encerrando-a apro- Atualmente, a média de notificação é de
silvestre. 9,10 Atualmente, a cadeia epidemio- ximadamente às 23 horas. Nesse período, 30.000 casos anuais em todo o território
lógica da doença tem se alterado, trazendo podem invadir em grande quantidade o peri nacional. A Região Nordeste ainda detém
o aumento de casos urbanos e periurba- e o intradomicílio. Durante o dia, tanto as o maior número de casos notificados, da
nos, o que caracteriza uma mudança da fêmeas como os machos se escondem em ordem de 14.000 ao ano. Até o presente mo-
ocorrência fundamentalmente silvestre locais úmidos, escuros e abrigados, como mento existem sete espécies de Leishmania
para peridomiciliar urbana, que atinge es- cascas de árvores e galinheiros. 1,5,15 responsabilizadas pela doença no Brasil:
pecialmente os domicílios próximos às No Brasil, as principais espécies do gê- Leishmania (Viannia) brasiliensis; L. (V.)
matas, encostas de morros e os aglomera- nero Lutzomya envolvidas na transmissão guyanensis, L. (V.) lainsoni, L. (V.) shawi, L. (V.)
dos semiurbanizados das periferias dos de LTA são Lu. intermedia, Lu. fischeri, Lu. naiffi, L. (V.) lindenbergi e L. (Leishmania)
centros urbanos. A doença não está direta- whitmani, Lu. wellcomei, Lu. pessoai, Lu. amazonensis. 3,11
mente associada ao processo de desmata- umbratillis, Lu. migonei e Lu. flaviscutellata. Em 2000, no município de Porto Ale-
mento mas, provavelmente, a uma adapta- No município de Porto Alegre (RS), em gre (RS), foi diagnosticado o primeiro ca-
ção do parasito aos cães, aos eqüinos e coletas realizadas em áreas endêmicas de so de LTA, em um indivíduo do sexo mas-
aos roedores, que desempenham importante LTA humana, foram capturadas e identifi- culino, de 74 anos de idade, portador de le-
papel como novos reservatórios do agen- cadas as seguintes espécies: Lu. neivai, são na mucosa nasal com infiltração no
te. 8,11 Assim, é comum o surgimento de Lu. migonei, Lu. pessoai, Lu. lanei e Lu. nariz e no lábio superior direito e destrui-
sinais clínicos em indivíduos de todas as fischeri, em ordem decrescente de ocor- ção do septo nasal. O histórico clínico do
idades, embora com maior prevalência em rência. Com base na acentuada antropofi- paciente destacava a ocorrência de lesão
adultos com mais de 40 anos, que comu- lia, na maior quantidade de exemplares similar há 50 anos, quando este residia em
mente apresentam lesões nas pernas, nos coletados e na distribuição espacial coin- São Nicolau (RS) embora, no ano mencio-
braços e no rosto. A espécie Leishmania cidente com a da doença, o flebotomíneo nado, ele residisse em Porto Alegre havia,
(Viannia) brasiliensis é reconhecida como Lutzomyia nevai é considerado o princi- no mínimo, 10 anos. Não foi possível
o agente etiológico mais amplamente dis- pal vetor de LTA no município. 1,3,15,16,17 A determinar o local da transmissão devido
tribuído no país, exceto ao norte do rio Lu. Nevai pode ocorrer em matas e é ao histórico clínico e à ausência de relatos
Amazonas. 9,12 muito bem adaptada às suas bordas e a de flebotomíneos na capital do Estado, na
Os hospedeiros vertebrados incluem ambientes modificados, e tem sucesso na época do ocorrido. Assim, aquele foi con-
grande variedade de mamíferos silvestres adaptação a esses novos nichos, sendo, siderado o primeiro caso confirmado de
e domésticos, como o homem, os roedores, assim como outras espécies com a mes- LTA no Rio Grande do Sul. Em outubro de
os canídeos silvestres, os edentados (tatu, ma característica adaptativa, responsa- 2002, uma mulher adulta, com histórico de
tamanduá), os marsupiais (gambá) e os bilizada pela transmissão da LTA em residir em sítio em borda de mata virgem
eqüídeos. A participação de animais do- áreas urbanas e periurbanas. 9,15,18 há mais de 20 anos, apresentou lesão ulce-
mésticos no ciclo epidemiológico da LTA rativa no cotovelo direito. Nessa paciente
é conhecida desde o início do século pas- Epidemiologia da leishmaniose na foi diagnosticado e confirmado o primeiro
sado. Diversos estudos conduzidos em Região Sul do Brasil caso autóctone de LTA em Porto Alegre
áreas endêmicas de LTA demonstram que No Brasil, de 1985 a 1999, foram regis- (RS). Na oportunidade, os órgãos de vigi-
tanto o cão quanto o jumento são freqüen- trados 388.155 casos autóctones. Compa- lância sanitária alertaram para o risco de
temente infectados. No Brasil, é comum a rando os dados de 1985 (13.654 casos) com transmissão no município. Foram realiza-
presença de cães infectados em áreas en- os de 1999 (30.550 casos) observa-se um dos estudos para a identificação da ento-
dêmicas, principalmente na Região Su- aumento no coeficiente de detecção de mofauna na região do caso, e os profissio-
deste do país. 1,13 casos de 10,45/100.000 habitantes para nais da saúde foram orientados a encami-
Os hospedeiros invertebrados (vetores) 18,63/100.000 habitantes. A expansão de- nhar qualquer caso suspeito à Equipe de
são pequenos insetos da ordem Díptera, fa- mográfica da doença também é evidente. Controle Epidemiológico da Secretaria
mília Psychodidae, subfamília Phelebotominae, Em 1994, foram registrados casos em Municipal de Saúde de Porto Alegre. 17,19,20
gênero Phlebotomus spp (Velho Mundo) e 1.861 municípios e, em 1998, houve o Após essas constatações iniciais, foram
Lutzomyia spp (Novo Mundo). São comu- registro em 2.055 municípios. Analisando confirmados mais três casos, originados
mente encontrados em áreas florestais ou os casos regionalmente, até 2000 a Região em 2001, dos quais dois eram procedentes
arredores, podendo invadir domicílios e Norte apresentava registros de casos au- do município de Santo Antônio das
regiões peridomiciliares. Estima-se que, tóctones em 82% dos municípios, e a Re- Missões e um do município de Viamão. Dois
em todo o mundo, existem cerca de 500 gião Nordeste em 88,5%. Na Região Cen- dos três pacientes haviam iniciado a sin-
espécies descritas de flebotomíneos, das tro-Oeste, em 1998, o Mato Grosso repor- tomatologia em 2000. Em 2002, foram
quais ao redor de 70 já foram incrimina- tou 100% dos municípios apresentando re- notificados dois casos, um em Porto Ale-
das como vetores de leishmaniose. Nas gistros de casos. Na Região Sudeste, os gre (bairro Lomba do Pinheiro/Restinga) e
Américas o gênero Lutzomyia é o de maior Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais outro no município de Rolador. Em 2003,
importância médica, dividido em vários apresentaram casos em 50,5% e 46,3% dos houve a confirmação de oito casos autócto-
subgêneros, que abrigam as mais impor- seus municípios, respectivamente. No Sul, nes: seis na região sul de Porto Alegre, um
tantes espécies envolvidas na transmissão o destaque é o Paraná, responsável por no município de São Miguel das Missões
de LTA, quais sejam: subgêneros Lutzomyia 98% dos casos da região, que demonstrou e um no interior do município de Capão da
(Lu.), Psychodopygus e Pintomyia. As fê- aumento gradativo no número de muni- Canoa. O ano de 2004 terminou com o
meas do gênero são hematófagas e reali- cípios com registro de casos, passando diagnóstico de dois casos de LTA em Por-
zam a hematofagia predominantemente no de 117 em 1994 para 146 em 1998. to Alegre, e em 2005 foram confirmados

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 83


mais dois casos. De acordo com a locali- nos ambientes peri e intradomiciliar. Re- Humana e seus Fundamentos Gerais. São Paulo:
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Rolador), com quatro casos de provável são e de apresentação da doença. No Rio 06-JESUS, J. R. de. Avaliação sorológica para anticor-
transmissão rural, na qual a o ambiente é Grande do Sul, as ações de controle e de pos de Leishmania spp. através da reação de imu-
formado por capões de mata rodeados por prevenção da LTA, por parte da Divisão de nofluorescência indireta na população canina da
Vigilância Ambiental em Saúde, incluem região da Lomba do Pinheiro, cidade de Porto
campos de pastagem; região metropolitana Alegre, RS, Brasil, a partir de casos autóctones
(Porto Alegre/Viamão), com 12 casos, na vários procedimentos, como o forneci- humanos de leishmaniose tegumentar. 2006. 80f.
qual a transmissão ocorre em áreas periur- mento de medicamento para a LTA, a ca- Dissertação (Mestrado em Parasitologia). Universida-
banas, com fragmentos de mata residuais; pacitação das regionais em epidemiolo- de Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
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foi de 17 pessoas adultas, com média de capacitação de médicos veterinários da perspectives. Comparative Immunology, Microbiology
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idade de 47 anos. Entretanto, a maioria região metropolitana de Porto Alegre na 09-OLIVEIRA, C. C. G. ; LACERDA, H. G. ; MARTINS,
(60%) tem mais de 45 anos, com predo- identificação da LTA em animais domés- D. R. M. ; BARBOSA, J. D. A. ; MONTEIRO, G. R. ;
mínio de casos no sexo masculino (11/17). ticos e, por fim, o projeto de estudo sobre QUEIROZ, J. W. ; SOUZA, J. M. A. ; XIMENSES, M.
Não foram registrados casos em menores reservatórios de Leishmania spp. nas áreas F. F. M. ; JERONIMO, S. M. B. Changing epidemiol-
ogy of American cutaneous leishmaniasis (ACL) in
de 15 anos, o que sugere, até o momento, onde houve casos de LTA, com o objetivo Brazil: a disease of the urban-rural interface. Acta
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LTA também devem ser estimulados, pois a Entomologia médica e veterinária. São Paulo:
ma de leishmaniose tegumentar america- Atheneu, 2001. p. 13-30.
na, a Divisão de Vigilância Ambiental em imunoprofilaxia é ação fundamental para a 15-RANGEL, E. F. ; BANDEIRA, V. Vetores de Doenças
Saúde tem as suas ações voltadas, principal- prevenção de surtos e do surgimento de Urbanas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PARA-
mente, para o fornecimento dos medica- novos casos em áreas endêmicas. É igual- SITOLOGIA, 18, 2003, Rio de Janeiro. Hotel Glória.
Sociedade Brasileira de Parasitologia, Proferida em
mentos necessários à terapia dos casos, e à mente necessária a realização de estudos de 27 ago 2003.
capacitação das regionais em epidemiolo- ocorrência da doença nos cães, em face da 16-CASTRO, A. G. ; SILVEIRA, A. C. ; SILVA, P. C. Contro-
gia, como entomologistas e médicos veteri- importância desses animais como reser- le diagnóstico e tratamento da leishmaniose visceral (ca-
vatórios do parasito no meio urbano. lazar): Normas Técnicas. 2. ed. Brasília: Brasil. Minis-
nários, visando realizar levantamentos da ento- tério da Saúde. Fundação Nacional da Saúde, 1996. p. 85.
mofauna regional e identificar animais posi- 17-GONÇALVES, B. R. D. Identificação da fauna de fle-
tivos. Este trabalho tem, como objetivo, for- Referências botomíneos em função de casos autóctones de LTA.
necer subsídios ao entendimento da cadeia 01-GENARO, O. Leishmaniose Tegumentar Americana. Boletim Epidemiológico [da] Secretaria Municipal
In: NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 10. ed. São de Saúde de Porto Alegre. Ano 5, n. 21, p. 5. 2003.
epidemiológica de transmissão da doença. 3,19 Paulo: Atheneu. 2002. p.36-53. 18-CHAVES, L. F. ; AÑEZ, N. Species co-ocurrence and
02-LAINSON, R. ; SHAW, J. J. Leishmaniasis in Brasil: V. feeding behavior in sand fly transmission of American
Controle e profilaxia Studies on the epidemiology of cutaneous leishmaniasis in cutaneous leishmaniasis in western Venezuela. Acta
Mato Grosso State, and observations on two distinct Tropica. v. 92, n. 3, p. 219-224, 2004.
As principais medidas de controle re- strains of Leishmania isolated from man and forest 19-SOUZA, A. I. ; BARROS, E. M. S. ; ISHIKAWA, E. ;
comendadas são uso de inseticidas no con- animals. Transactions of the Royal Society of Tropical ILHA, I. M. N. ; MARIN, G. R. B. ; NUNES, V. L. B.
trole do vetor, uso de proteção individual Medicine and Hygiene, v. 64. p. 654-667, 1970. Feline leishmaniasis due to Leishmania (Leishmania)
(telar janelas e portas, uso de mosquiteiros, 03-SANTOS, E. ; ALMEIDA, M. A .B. ; SOUZA, G. D. ; amazonensis in Mato Grosso do Sul State, Brazil.
RANGEL, S. ; LAMMERHIRT, C. B. ; CRUZ, L. L. ; Veterinary Parasitology, v. 128, n. 1-2, p. 41-45, 2005.
repelentes e roupas compridas para evitar BERCHT, D. B. ; FONSECA, D. F. ; NETO, R. A. 20-Alerta sobre transmissão autóctone de leishmaniose
a picada do vetor) e uso de inseticidas que Situação da Leishmaniose Tegumentar Americana no Rio cutâneo mucosa no município de Porto Alegre. Bo-
atuem contra o vetor nos animais de estima- Grande do Sul. Boletim Epidemiológico - Centro Esta- letim Epidemiológico [da] Secretaria Municipal de
dual de Vigilância em Saúde/RS, v. 7, n. 2, p. 1-3, 2005. Saúde de Porto Alegre, ano 5, n. 15, p. 1-5, 2002.
ção em áreas endêmicas. É necessário rea-
04-MARZOCHI, M. C. A. ; SCHUBACH, A. O. ; MARZOCHI, 21-BRASIL. Ministério da Saúde. Nota técnica. Uso do anti-
lizar inquéritos soroepidemiológicos com K. B. F. Leishmaniose tegumentar Americana. In: moniato de meglumina em cães. Brasília, DF, 30 jan. 2004.
vistas a elucidar o papel dos reservatórios CIMERMAN, B. ; CIMERMAN, S. Parasitologia Clínica Veterinária, ano IX, v. 9, n. 49, p. 22, 2004.

84 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Janaína Biotto Camargo
Leishmaniose visceral MV, mestranda (MS2)
Depto. Higiene Veterinária e Saúde Pública
canina: aspectos de saúde FMVZ-Unesp/Botucatu
jbiotto@yahoo.com.br

pública e controle Marcella Zampoli Troncarelli


MV, mestranda (MS2)
Depto. Higiene Veterinária e Saúde Pública

Canine visceral leishmaniasis: FMVZ-Unesp/Botucatu


matroncarelli@yahoo.com.br

aspects of public health and control Márcio Garcia Ribeiro


MV, prof. ass. dr.

Leishmaniasis visceral canina: FMVZ-Unesp/Botucatu, SP


mgribeiro@fmvz.unesp.br

aspectos de salud pública y control Helio Langoni


MV, prof. tit. - FMVZ-Unesp/Botucatu
coordenador - Núcleo de Pesquisas em Zoonoses
Resumo: A leishmaniose visceral canina é uma zoonose considerada reemergente a partir das duas últimas décadas, e tem
se tornado um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. No Brasil, é causada por protozoários do gênero pesquisador cientifico - CNPq
Leishmania, da espécie L. chagasi, e acomete principalmente crianças menores de nove anos de idade e indivíduos imuno- hlangoni@fmvz.unesp.br
comprometidos. Atualmente, os pesquisadores têm dado atenção especial à co-infecção Leishmania-HIV, que se tornou
bastante comum em regiões endêmicas para a doença. Aproximadamente 70% das pessoas acometidas pela leishmaniose
visceral estão infectadas também pelo vírus da imunodeficiência humana, e 9% dos pacientes HIV positivos estão infectados
concomitantemente pelo parasito. O que chama a atenção dos profissionais da saúde é que aproximadamente um terço da
população com aids vive em áreas endêmicas para a leishmaniose visceral. Dessa maneira, ações de controle epidemiológico
no que diz respeito aos reservatórios e vetores são extremamente importantes, já que a enfermidade vem se alastrando
geograficamente, e o número de casos é crescente em quase todo o país.
Unitermos: cães, epidemiologia, HIV, Leishmania

Abstract: Canine visceral leishmaniasis is a zoonosis that has reemerged in the last two decades, becoming therefore a
serious public health problem in Brazil and worldwide. In Brazil, it is caused by protozoans of the Leishmania genus (species
L. chagasi), which infect mainly children under 9 years of age and immunocompromised individuals. Approximately 70% of the
people infected with visceral leishmaniasis are also infected with the human immunodeficiency virus; conversely, 9% of
HIV-positive patients are also infected with the parasite. Approximately one-third of the population with AIDS lives in endemic
areas for visceral leishmaniasis. Therefore, epidemiologic control actions related to the reservoirs and vectors are extremely parasita pode se manter abrigado natu-
important, since the disease is spreading geographically and the number of cases is increasing in almost the whole country.
Keywords: dogs, epidemiology, HIV, Leishmania ralmente também em animais silvestres,
como as raposas das espécies Lycalopex
Resumen: La leishmaniasis visceral canina es una zoonosis considerada re-emergente desde las dos últimas décadas y se vetulus e Cerdocyon thous, e nos gam-
ha tornado un serio problema de salud pública en Brasil y en el mundo. En Brasil, es causada por protozoarios del género
Leishmania, de la especie L. chagasi y acomete principalmente niños menores de nueve años de edad e individuos bás da espécie Didelphis albiventris.
inmunocomprometidos. Actualmente, los investigadores han dado especial atención a la coinfección Leishmania-virus de la Além destes, eqüídeos e roedores tam-
inmunodeficiencia humana (VIH), que llegó a ser bastante común en regiones endémicas para el calazar. Aproximadamente
70% de las personas acometidas por la leishmaniasis visceral están infectadas también por el VIH y 9% de los pacientes VIH bém têm sido identificados como reser-
positivos están infectados concomitantemente por el parásito. Lo que llama la atención de los profesionales de salud es que vatórios 4. Alguns pesquisadores tam-
aproximadamente un tercio de la población com SIDA vive en áreas endémicas para leishmaniasis visceral. De esta manera,
acciones de control epidemiológico con respecto a los reservorios y vectores son extremadamente importantes, ya que los bém relataram o agente em gatos, que
límites geográficos de la enfermedad se están alargando y el número de casos es creciente por casi todo el país. são suscetíveis tanto para a leishmanio-
Palabras clave: perros, epidemiología, VIH, Leishmania
se visceral (LV) quanto para a leishma-
niose tegumentar. O hábito eclético
Clínica Veterinária, n. 71, p. 86-92, 2007 dessa espécie, bem como a zoofilia dos
vetores, seriam fatores favoráveis para
Aspectos da etiologia e epidemiologia sido introduzida após a colonização que os felinos pudessem ser reservató-
A leishmaniose visceral canina européia,determinada pela L. infantum, rios. Em estudos sobre xenodiagnóstico,
(LVC) é uma doença de potencial zoo- ou há vários milhões de anos, junta- houve comprovação da infectividade
nótico e distribuição mundial, causada mente com os canídeos, causada pela L. para o vetor Lutzomyia longipalpis e,
por protozoários do gênero Leishmania chagasi 2. em infecções experimentais, observa-
do complexo L. donovani. Nas Améri- A doença foi descrita na Grécia, em ram-se lesões cutâneas e presença do
cas (Novo Mundo), o agente etiológico 1835, quando era denominada “ponos” protozoário em órgãos, à semelhança do
é a L. chagasi, enquanto que na Europa, ou “hapoplinakon”. A denominação que ocorre em humanos. No entanto,
Ásia e África (Velho Mundo) os agentes “calazar” é proveniente da Índia, e signi- após alguns meses, a doença seria auto-
responsáveis são a L. infantum e a L. fica “pele negra”, em virtude da leve limitante nos gatos. A enfermidade,
donovani 1. No Brasil, a doença é causa- pigmentação que decorre do acometi- nessa espécie, estaria também associada
da pela L. chagasi, espécie semelhante à mento cutâneo 3. Embora o termo “cala- a doenças imunossupressoras, tais como
L. infantum encontrada em alguns paí- zar” seja utilizado para todas as formas a leucemia e a imunodeficiência felinas.
ses do Mediterrâneo e da Ásia. Existe da doença, somente o tipo indiano oca- Estudos mais aprofundados são neces-
grande controvérsia sobre a origem da siona hiperpigmentação da pele. sários para que se comprove a real parti-
leishmaniose visceral (LV) no Novo Os principais reservatórios do agen- cipação dos felinos como reservatórios
Mundo, postulando-se que possa ter te são os cães domésticos. Todavia, o ou hospedeiros acidentais 5.

86 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Os vetores relacionados com a dis- Bengala. O tipo africano, semelhante tem sido apontada como reemergente,
persão do agente são mosquitos da fa- ao indiano quanto à predisposição e caracterizando nítido processo de tran-
mília dos flebotomíneos, Lutzomyia aos sinais clínicos, é causado pela L. sição epidemiológica. Apresenta inci-
longipalpis, conhecidos também por donovani ou L. infantum. As áreas de dência crescente nos últimos anos, nas
mosquitos-palha, que se constituem no transmissão são florestas e locais próxi- áreas onde ocorria tradicionalmente, e
principal vetor no Brasil. Os reservató- mos a cupinzeiros. O tipo mediterrâneo expansão geográfica para Estados loca-
rios são infectados a partir da picada das é uma zooantroponose cujo nicho com- lizados mais ao sul do Brasil e em locais
fêmeas dos flebotomíneos durante seu preende principalmente o peridomicílio. que se urbanizaram rapidamente no
repasto sangüíneo 6. Acomete basicamente crianças menores Nordeste e no Sudeste 11. Nos últimos
Outros possíveis vetores da leishma- de cinco anos de idade e cães. O proto- anos, a prevalência da LV tem aumenta-
niose, como pulgas e carrapatos, têm zoário envolvido é a L. infantum, que do, não só em número de casos como
sido objeto de estudo. Em pesquisa de- também participa do ciclo silvestre em distribuição geográfica. As imensas
senvolvida em Belo Horizonte, MG, foi infectando raposas e chacais. Ocorre no degradações ambientais, políticas e so-
realizada infecção experimental de Mediterrâneo, no Oriente Médio e no ciais, agregadas às migrações de popu-
Leishmania spp em cães que, em segui- sul da Rússia. O tipo chinês é outra an- lações rurais carentes para as periferias
da, foram parasitados por carrapatos. tropozoonose causada pela L. infantum, urbanas de maneira desordenada – sem
Utilizando a PCR, os autores identifi- que completa seu ciclo em cães, pro- estrutura sanitária ou trabalhos educa-
caram o DNA da Leishmania spp nesses cionídeos (guaxinins, quatis) e crianças tivos –, associadas à presença do vetor e
carrapatos, o que sugere que eles se no nordeste da China. O tipo americano de inúmeros cães reservatórios, propor-
constituem em vetores para a enfermi- é uma antropozoonose em processo de cionaram condições favoráveis à urban-
dade 7. urbanização. O agente envolvido é a L. ização da LV em áreas metropolitanas 10.
Estima-se que 80% dos casos de chagasi, cuja incidência é maior em Houve também significativa redução do
leishmaniose ocorram em populações crianças menores de 15 anos de idade, espaço ecológico da doença, levando a
de baixa renda, que sobrevivem com sendo transmitida pela Lutzomyia importantes epidemias 3,12.
menos de dois dólares por dia. Até os longipalpis. Na Colômbia, a Lutzomyia Em áreas endêmicas, já há algum
anos 90, quase todos os casos notifica- evansi é considerada vetor secundário 9. tempo, são acometidas crianças com
dos no Brasil eram provenientes da Na América Latina, a LV está presen- idade inferior a dez anos ou eventual-
Região Nordeste. Entretanto, atualmen- te em 12 países, e 90% dos casos ocor- mente adultos portadores de outras
te, tem-se observado mudança drástica rem no Brasil. Grandes centros urbanos doenças imunossupressoras. Todavia,
nesse panorama, com expansão das e capitais estão sendo invadidos pela em locais onde a endemia é recente, o
áreas endêmicas para as Regiões Sudes- doença, incluindo Belo Horizonte, Tere- número de casos infantis e de adultos
te, Centro-Oeste e Norte 8. Até 2001, a sina, São Luís, Fortaleza e Rio de Ja- quase se equipara 4.
Região Nordeste destacava-se com o neiro, que já possuem registros de casos Condições sócio-ambientais, como o
maior número de casos de leishmaniose autóctones 9. desmatamento, reduziram a disponibili-
(81,7%), seguida pelas regiões Norte No município de Bauru (SP), a enfer- dade de animais que serviam como fon-
(8,8%), Sudeste (7,6%) e Centro-Oeste midade é considerada endêmica, com tes de alimentação para o mosquito ve-
(1,9%) 3. Em 2003, a doença foi relatada aumento significativo do número de tor, colocando o cão e o homem como
em 58% dos Estados do Nordeste, 15% casos humanos, apesar de todos os es- fontes alternativas de repasto do vetor 13.
do Norte, 7% do Centro-Oeste e 19% do forços empregados no controle. Em Muitos fatores inter-relacionados têm
Sudeste. No Estado de São Paulo, foi 2003, foram registrados 17 casos, com sido considerados determinantes no au-
reintroduzida em 1999, quando os pri- um óbito. Em 2004, 29 casos, com três mento das endemias, como: exploração
meiros casos humanos foram registra- óbitos, e em 2005, 31 casos, com quatro de terras, interrupção de inquéritos epi-
dos em Araçatuba. Atualmente, está pre- óbitos. Já em 2006, foram registrados demiológicos, aumento das áreas ocu-
sente em 24 municípios paulistas, loca- 71 casos e quatro óbitos e, até julho de padas por moradias inadequadas e más
lizados principalmente ao longo da 2007, foram notificados seis casos, sem condições sanitárias, proporcionando
Rodovia Marechal Rondon 8. óbitos. acúmulo de material orgânico para a re-
A LV é classificada, de acordo com A enfermidade tem sido considerada produção dos vetores 14.
as suas características clínicas e epide- reemergente no país e assumiu novo Quanto à susceptibilidade, a enfermi-
miológicas, em cinco tipos: indiano, perfil devido às mudanças sócioeconô- dade acomete pessoas de todas as idades
africano, mediterrâneo, chinês e ameri- micas ocorridas nas duas últimas déca- e de ambos os sexos. Entretanto, a inci-
cano. O tipo indiano é considerado das. Enquanto anteriormente a LV era dência é marcadamente maior em crian-
uma antropozoonose causada pela L. reconhecida como doença tipicamente ças com idade inferior a nove anos, e em
donovani, que acomete principalmente rural, nas últimas décadas tornou-se indivíduos imunossuprimidos 11. Nos úl-
crianças, adolescentes e adultos jovens, uma endemia urbana e, em virtude do timos anos, o que vem chamando a aten-
caracterizando-se por surtos freqüentes potencial zoonótico, sério problema de ção dos pesquisadores é a coinfecção
com alta taxa de mortalidade: ocorre no saúde pública 10. Inicialmente, era con- entre a Leishmania e o vírus da imu-
Afeganistão, no Irã, no Iraque, na Jordâ- siderada esporádica e atingia cães e se- nodeficiência humana adquirida – HIV.
nia, em Israel, no Líbano, em Omã, na res humanos que viviam em contato ín- Na Europa, 70% dos casos de LV em
Arábia Saudita, na Síria, no Iêmen e em timo com a mata. No entanto, atualmente adultos estão associados com o HIV, e

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 87


mais de 9% dos indivíduos com aids Brasil não permitem análise apurada do a identificação de cada elemento da ca-
sofrem de leishmaniose recém-adquiri- comportamento oportunista das leishma- deia epidemiológica, bem como seu im-
da ou reativada 15. A partir da década de nioses. A coinfecção Leishmania-HIV é pacto na transmissão 21.
80, a coinfecção passou a ser descrita na considerada prioritária pela OMS. Não existe nenhuma forma de con-
Europa, particularmente na Espanha, na Nesse contexto, foi estabelecida uma re- trole relacionada ao trânsito de cães
Itália e no sul da França 16. Na Europa, de mundial de notificação do agravo, possivelmente infectados entre áreas
usuários de drogas intravenosas são incluindo o Brasil 20. endêmicas e não endêmicas. A proximi-
considerados de alto risco para a coin- dade entre cidades não endêmicas e re-
fecção por compartilharem agulhas. Em Controle e vigilância epidemiológica giões onde ocorre a doença, associada a
pessoas infectadas pelo HIV, a leishma- Tendo em vista as dificuldades de condições climáticas e fisiográficas pro-
niose acelera a manifestação clínica da controle e vigilância da doença, as pícias à manutenção da enfermidade e
síndrome por meio de sinergismo imu- ações têm se baseado em uma melhor com a falta de controle quanto ao trânsi-
nossupressivo geralmente letal e esti- definição das áreas de transmissão ou de to de cães provenientes de outras locali-
mulação da replicação viral 17. risco. O novo enfoque visa incorporar a dades, contribui para o risco de introdu-
Aproximadamente 12 milhões de vigilância dos Estados e municípios si- ção e difusão da LV nos municípios 22.
pessoas no mundo estão infectadas e, a lenciosos, ou seja, sem ocorrência de Nos cães, a LVC coexiste com a
cada ano, entre 1,5 e 2 milhões de novos casos humanos ou em cães, buscando doença humana em todos os focos co-
casos são notificados. Destes, 25 a 50% evitar ou minimizar os problemas refe- nhecidos, mas, geralmente, precede a
são do tipo viscerotrópico, e o restante rentes ao agravo em áreas sem transmis- ocorrência da doença em humanos, o
do tipo cutâneo 18. Todavia, os dados ofi- são. Nas áreas com transmissão de LV, que corrobora a importância do diagnós-
ciais subestimam o número de casos, após estratificação epidemiológica, as tico preciso e rápido dos cães de áreas
pois a maioria destes dados é obtida medidas de controle serão individual- endêmicas. A demora no diagnóstico
exclusivamente em detecções passivas, mente distintas e adequadas. Entretanto, pode ser conseqüência do despreparo dos
muitos dos casos não são diagnostica- é de fundamental importância que as serviços de saúde, tanto para o diagnós-
dos, muitas pessoas permanecem assin- medidas usualmente empregadas no tico como para o tratamento da doença.
tomáticas e apenas 32 dos 88 países controle da doença sejam realizadas de A falta de informação da população – e
endêmicos exigem notificação compul- forma integrada, para que possam ser eventualmente – dos profissionais de
sória. De acordo com o Programa efetivas 12. saúde provavelmente tem retardado o
Regional de Leishmanioses, em 2006 A estratégia para o controle da LV diagnóstico dos casos, contribuindo
foram registrados mais de 5.000 casos inclui a identificação precoce e o trata- para maior gravidade e riscos de disse-
de LV em toda a América, sendo o Bra- mento de casos humanos, a borrifação minação 23. Assume-se que o grande
sil o país mais afetado. A incidência, nas de inseticidas de poder residual em do- espaço de tempo entre a coleta das
Américas, tem aumentado nos últimos micílios e peridomícilios e a telagem de amostras, a análise e a implementação
anos. Os sistemas de vigilância são portas e janelas para evitar a exposição das ações de controle seja motivo de fa-
insuficientes e não há recursos humanos do homem ao vetor. Recomendam-se, lhas nas campanhas de controle. Essa
para atividades de diagnóstico, trata- também, o destino adequado do lixo, a espera é de aproximadamente 80 dias, e
mento e métodos de controle. O Progra- remoção de entulho e da matéria orgâni- os cães, nesse ínterim, permanecem
ma Regional, suportado pelo Programa ca no peridomicílio, além da identifica- como fontes de infecção para os mos-
Global, preparou um plano de ação para ção de cães sorologicamente positivos, quitos. A estratégia de eliminação de
2007, que inclui a padronização de seguida pela eutanásia 6. cães positivos em 80 dias pós-coleta
técnicas diagnósticas, o reforço dos re- A contribuição da eutanásia dos cães reduz a prevalência da enfermidade em
cursos humanos, a descentralização do positivos no controle da doença vem 9%, enquanto a eliminação rápida em
programa de prevenção e o controle das sendo muito discutida no meio científi- sete dias resulta em redução de 27% na
atividades dos serviços de cuidados pri- co. O impacto do controle dos cães in- soroprevalência 24. A evolução das taxas
mários dos países, o fortalecimento do fectados pelo método de eliminação é de soropositividade humana inicial e
sistema de vigilância, a procura de par- muito conflitante por se mostrar traba- aos 12 meses, em duas áreas – uma com
cerias estratégicas e o maior envolvi- lhoso, de eficácia duvidosa e desagradá- eliminação e outra sem eliminação dos
mento das comunidades 19. A Organiza- vel para os médicos veterinários e os cães – não mostrou diferença signifi-
ção Mundial da Saúde (OMS) estima que proprietários. Entretanto, o risco para o cante 21. Existe a possibilidade de que as
mais de 30 milhões de pessoas em todo homem e os outros animais domésticos infecções de seres humanos sejam
o mundo estejam infectadas pelo vírus – quando da manutenção de um cão in- adquiridas exclusivamente, ou princi-
da aids, e pelo menos um terço dessa fectado no domicílio, além da baixa efi- palmente, por cães. Os cães são consi-
população vive em áreas endêmicas de ciência dos protocolos terapêuticos – derados reservatórios competentes e
leishmaniose. A sobreposição das áreas justifica, até o momento, o uso da euta- abundantes, e coabitam a poucos metros
geográficas de ocorrência das leishma- násia como método de controle e profi- ou junto com o homem, enquanto os
nioses e da aids tem sido acentuada, laxia da doença, principalmente para animais silvestres vivem relativamente
respectivamente, pelo processo de urba- cães. mais distantes 13. Adicionalmente, ou-
nização e de ruralização 11. Até o presen- Um dos maiores desafios para o apri- tros fatores relacionam-se com a alta
te momento, os dados disponíveis no moramento das estratégias de controle é prevalência da doença no Brasil, como

88 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


mudanças ambientais e climáticas, camundongos BALB/c infectados com O cão somente é considerado protegido
redução dos investimentos em saúde e L. major 28. Foi demonstrado que a vaci- 21 dias após a terceira dose da vacina.
educação, descontinuidade das ações de na produzida a partir de antígenos natu- Portanto, é possível que seja infectado
controle, adaptação dos vetores aos ralmente secretados/excretados, facil- durante o programa de vacinação, e até
ambientes modificados pelo homem, mente purificados do sobrenadante de mesmo alguns dias após a terceira dose,
fatores pouco estudados ligados aos ve- culturas de promastigotas de L. caso seja picado por um mosquito in-
tores (variantes genéticas), coinfecção infantum, é capaz de conferir 92% de fectado. Nesse caso, a vacinação não
com doenças imunossupressoras como proteção em cães residentes em área impede o desenvolvimento da doença
a aids, ou tratamentos com quimioterá- endêmica. A vacina foi considerada se- ou o aparecimento dos sintomas. A
picos, além de dificuldades de controle gura e bem tolerada em cães, não tendo resposta imune IgG-mediada é indistin-
da doença em grandes aglomerados ur- sido observadas reações adversas loca- ta daquela induzida pela infecção natu-
banos, geradas por graves problemas de lizadas ou sistêmicas após a realização ral, quando utilizadas técnicas sorológi-
desnutrição, moradia e saneamento bá- do esquema vacinal completo. Além cas tradicionais para o diagnóstico. To-
sico 1. disso, o uso dessa vacina para o trata- davia, atualmente estão sendo desenvol-
Faz-se importante ressaltar que pro- mento de cães infectados resultou em vidas novas técnicas – baseadas em ci-
gramas continuados de educação comu- melhora clínica duradoura. Esse tipo de tometria de fluxo –, capazes de diferen-
nitária são essenciais para a informação antígeno resultou em aumento signi- ciar a infecção natural da vacinação
da população sobre a doença e para a ficativo dos títulos de IgG2 e, interes- com base na distinção entre os títulos de
ação conjunta entre a comunidade e os santemente, esses anticorpos não estão IgG1 e de IgG2 31.
órgãos de saúde dos municípios 25. Pro- presentes em cães naturalmente infecta-
gramas educativos devem ser imple- dos. Sugere-se, portanto, que cães inca- Saúde pública
mentados nas escolas e associações de pazes de controlar a infecção por L. No Brasil, a forma de transmissão da
moradores, alertando os cidadãos para infantum não desenvolvem esse tipo de LV é conseqüência da picada dos veto-
os sinais clínicos mais comuns da doen- resposta imune humoral. Parece que o res – Lu. longipalpis ou L. cruzi – infecta-
ça e para os métodos de prevenção 26. A aumento dos títulos de IgG2 está asso- dos pela Leishmania (L.) chagasi. A
posse responsável de animais deve ser ciado com a expansão da produção de transmissão do parasita aos vetores
enfatizada pois, mesmo em áreas endêmi- interferon-gama e interleucina-2 pelas ocorre enquanto houver o parasitismo
cas para a LVC, a taxa de reposição cani- células T helper1, promovendo, conse- na pele ou no sangue periférico dos re-
na é extremamente elevada após a retira- qüentemente, proteção e resistência 29. servatórios. Não está comprovada a
da dos cães positivos para eutanásia 27. Em áreas endêmicas, nas quais os cães transmissão direta da doença de pessoa
Para o controle dos vetores, os inseti- são os principais reservatórios da a pessoa 12. Entretanto, em regiões do
cidas utilizados devem possuir ação re- doença, significante redução na trans- Novo Mundo, onde a L. chagasi causa
sidual. Geralmente, são piretróides foto- missão é esperada com a combinação LV endêmica, a dispersão e a manuten-
estáveis borrifados nas paredes do do- de métodos preventivos eficientes, no- ção da infecção em seres humanos fo-
micílio, nos galinheiros, nos chiqueiros tadamente a vacinação, o uso de colei- ram atribuídas aos reservatórios cani-
e nos estábulos, pois esses animais e ras repelentes e a aplicação tópica de nos. Estudo controlado em três áreas
suas matérias orgânicas atraem os veto- inseticidas. O controle futuro para a LVC distintas do Brasil demonstrou que não
res 26. provavelmente será fundamentado na houve diferença nas taxas de sorocon-
O tratamento de cães não é recomen- adoção sistemática da vacinação, asso- versão humana entre áreas nas quais os
dado, visto que existem controvérsias ciada ao uso de coleiras. 29 O uso de co- cães eram eliminados e naquelas em que
em relação à cura parasitológica, apesar leira impregnada com deltametrina em esses animais não eram eliminados,
da aparente cura clínica. Assim sendo, cães do município de Andradina, SP, como forma de controle. Esses achados
embora os sinais clínicos sejam minimi- associado a outras medidas de controle, sugerem que os cães podem não ser os
zados ou eliminados após o tratamento, reduziu a prevalência de LVC e tam- principais reservatórios nessas áreas, e
os cães ainda podem permanecer como bém a incidência em humanos 30. que a transmissão humano-mosquito-
fontes de infecção. Com efeito, na vi- No Brasil, somente em áreas endêmi- humano pode ser importante na disper-
gência de cães sorologicamente positi- cas para a LVC, vem sendo preconizado são e na manutenção da infecção 21.
vos, recomenda-se a eutanásia humani- o uso de vacina produzida a partir de O período de incubação da doença
tária, segundo o Manual de Vigilância e glicoproteína antigênica, presente na em seres humanos é bastante variável,
Controle da Leishmaniose Visceral do membrana celular do parasito e denomi- de 10 dias a 24 meses, com média de
Ministério da Saúde, 2003 12. nada fucose-manose ligante (FML). A dois a seis meses. As manifestações clí-
Outro método de controle proposto vacina induz forte imunidade humoral nicas da enfermidade apresentam-se de
por muitos pesquisadores, porém ainda assim que o esquema é concluído. O forma gradual, iniciando com apatia,
controverso, é a vacinação de cães. Es- protocolo de vacinação é composto por perda de peso progressiva, febre e linfa-
tudos recentes indicam que proteínas três doses, em intervalos de 21 dias denopatia, evoluindo posteriormente
filtradas provenientes de cultura de pro- entre as aplicações. A revacinação deve- com hepato e/ou esplenomegalia. Mui-
mastigotas de Leishmania podem esti- rá ser efetuada um ano após a primeira tas vezes, o paciente procura atendi-
mular forte imunidade em diferentes dose e repetida anualmente, proporcio- mento médico somente quando os sinais
hospedeiros, e conferir proteção em nando a manutenção da resposta imune. clínicos são evidentes. Entretanto,

90 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


nesses casos, o prognóstico é reservado. e antimoniato de N-metil glucamina) Considerações finais
Quando não tratada, a LV pode ser letal são as drogas de eleição para uso em Atualmente, a LV se constitui em um
em até 95% dos casos 11. humanos, e têm papel fundamental na grave problema de saúde pública e re-
No Brasil, a Fundação Nacional de terapia da doença há 70 anos. No entan- presenta um grande desafio para os pro-
Saúde (FUNASA) é um dos órgãos do to, o tratamento utiliza drogas injetá- fissionais da saúde. Assume-se que haja
Ministério da Saúde responsáveis pelo veis, que possuem efeitos colaterais tó- necessidade de expandir as linhas de
Programa de Controle de Leishmanioses. xicos e, ocasionalmente, fatais 32. Na conduta e as estratégias de vigilância e
A conduta adotada em caso de paciente maioria das vezes, é necessária a inter- controle pois, apesar das ações imple-
suspeito para LV é o encaminhamento a nação do paciente. Na Índia, onde ocor- mentadas pelos órgãos de competência
uma unidade de saúde para a colheita de rem 50% dos casos de LV, está sendo governamental, os indicadores epidemi-
sangue e a posterior análise sorológica. utilizada – desde março de 2002 – a mil- ológicos revelam tendência de expansão
Em caso de sorologia positiva, o pacien- tefosina, droga administrada por via e/ou baixo impacto no controle atual da
te é internado, exames parasitológicos oral, também utilizada em oncologia, doença.
são realizados para confirmação e, em relativamente segura e eficaz, atingindo A complexidade do agente causal e
seguida, inicia-se o tratamento. É reali- até 98% de cura. É utilizada em casos a adaptabilidade dos vetores aos ecos-
zado o acompanhamento do paciente refratários à terapia com os antimonia- sistemas dificultam as estratégias de
durante o período de um ano após a cura tos convencionais. Entretanto, os pa- controle e profilaxia. A perspectiva de
clínica. Os agentes de saúde são respon- cientes podem desenvolver efeitos cola- controle efetivo da doença nos animais
sáveis pela colheita de sangue dos de- terais gastrintestinais e teratogênicos. e no homem exige a adoção sistemática
mais indivíduos que residem na mesma Com base em métodos de controle e te- e simultânea nos diversos elos da cadeia
casa do doente, bem como pelo inqué- rapêuticos, a Índia pretende eliminar a epidemiológica.
rito sorológico dos cães nos arredores LV até 2010 17. Outra medicação utiliza- O aprimoramento dos métodos de
do local onde foi diagnosticado o caso 25. da é a anfotericina B que, apesar de ser diagnóstico, os estudos soro-epide-
O tratamento de casos humanos tam- administrada por via parenteral, requer miológicos regionais, a imunoprofilaxia
bém é utilizado como método de contro- menor tempo de tratamento, embora vacinal, o controle sistemático de ve-
le para a enfermidade. Os antimoniais também possua efeitos colaterais e tores, o uso de inseticidas de ambiente
pentavalentes (estibogluconato de sódio tenha custo elevado. 32 e coleiras, a adoção da eutanásia de

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 91


animais positivos e/ou a busca por tardia de cães sororreagentes por teste de imuno- da leishmaniose visceral canina no município de
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92 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Combate o mosquito
maniose
transmissor da Leish
Bem-estar animal

Experiências de comunicação no Elephant Nature Park


por Sheila Waligora
Encontrando o santuário uma sela de cavalo) e uma ou duas pes- espaço do silêncio e, sem expectativas,
Em março de 2007 parti em minha soas andam nas costas do elefante, sen- abrir-se para o inesperado. Não há con-
primeira viagem preparada com o obje- tadas em cima desta cadeira. Ao lado do dições, limites, pressa ou idéias fixas.
tivo de me comunicar com animais sel- elefante, vai andando o mahout, o trata- Interessei-me em especial pela Medo
vagens. Era um sonho de criança, quan- dor deste elefante. Na mão ele leva um (leia Medou), uma fêmea muito sofrida
do me via cuidando desses animais em pau comprido que tem um gancho bem e maltratada. Acho que todos que che-
algum parque nacional perdido nos con- pontudo e metálico na ponta. Esse gan- gam ao parque se interessam por ela,
fins da África. Dentre tantos sonhos que cho serve para espetar o animal e isso pela sua história de sofrimento e maus
podemos ter na vida, este foi o sonho dói bastante! tratos. Nos atinge a ponto de questionar-
que “me escolheu”. Atualmente as pessoas podem visitar mos a nossa “humanidade”. Medo foi
Eu era fascinada pelos animais sel- o local por um dia, participando da roti- tão maltratada que teve fraturas na colu-
vagens, como sou até hoje. Mas por me- na dos animais. Isto inclui chegarem no na e no quadril, manca, e tem dores
canismos que não compreendia bem na parque por volta das 9h30, ouvirem uma constantes, razão pela qual toma anal-
época e hoje consigo enxergar com mais pequena palestra sobre como funciona o gésicos diariamente. Tem dificuldades
clareza, acabei deixando de lado o meu local, alimentarem os elefantes, darem para andar, sentar, levantar e deitar. Ela
sonho. É como se tivesse colocado banho de rio nos animais, observarem tem atualmente cerca de 40 anos de
numa caixinha, numa prateleira bem suas brincadeiras após o banho, acom- idade e como a média de vida dos ele-
alta e inacessível ao meu ser. panharem seu passeio diário na beira do fantes é de 80 anos, Medo tem pela
Ficou aí, esquecido, até que um dia rio e assistirem a um vídeo para conhe- frente, se tudo correr bem, mais uns 40
conheci o trabalho de um fotógrafo ca- cerem a situação atual destes animais no anos de vida, com dor!
nadense, que a meu ver mostra melhor país. Quando estava lá, participei da tarefa
do que qualquer pessoa como pode ser Através desta visita de um dia, de encher sacos de areia e costurá-los,
íntimo o contato de um ser humano com podem praticar um tipo diferente de tu- para montar uma espécie de encosto,
estes seres considerados por nós como rismo, onde participam da vida do ani- como um banco, para que ela pudesse se
“selvagens” e “perigosos”. mal, sem ser necessário subir nas suas apoiar, à noite, para dormir, e desta
Estava claro que eu não queria ape- costas e onde podem aprender e se moti- forma aliviar um pouco o peso do corpo
nas observar os animais de longe, ou var para ajudar a mudar a situação de e o esforço de deitar e levantar. Enche-
protegida dentro de um carro com violência e destruição de uma espécie mos muitos sacos e depois carregamos
grades, mas queria, sim, estar em conta- selvagem. para a cobertura ao lado, onde ela dor-
to com os animais por algum tempo, Aprendi durante minha estadia no mia, junto com três outros elefantes.
nem que fossem apenas alguns dias. Co- parque que a coluna dos elefantes é bem É costume passar uma corrente em
mecei a sonhar que iria encontrar o local frágil e que não é adequado ficar andan- um dos pés traseiros dos elefantes, para
para me comunicar com os elefantes! do em cima deles. Pode-se andar senta- evitar que eles andem durante a noite e
Também foi ficando mais claro que do no pescoço, mas sem cadeirinha, e acabem entrando em terras vizinhas,
fazer uma viagem para tão longe, envol- uma pessoa só. O que vemos geral- onde podem ser mortos!
vendo a utilização de tanto tempo e mente são duas pessoas na cadeirinha, e Como as pessoas tinham ouvido falar
recursos materiais, era, sim, para iniciar às vezes são pessoas bem pesadas! do meu trabalho de comunicação com
a comunicação com os elefantes. animais, tentaram conversar com ela, e
Por fim, depois de procurar por um Exercitando a comunicação explicar que fizemos aquele banco para
ano inteiro, encontrei o Elephant Nature entre espécies ela. Pois desde o primeiro dia quando
Park, na Tailândia, um santuário de ele- Trabalhei durante quize dias, não só ficou pronto, ela apenas olhava para os
fantes criado pela tailandesa Sangduen com os elefantes, mas também com os sacos e de vez em quando tirava um da
“Lek” Chaillert. Este local parecia ser cães, dentro e fora da área do santuário. pilha, com a pata, com a maior facili-
diferente. Precisava ir até lá para con- Como estagiária, participava da rotina dade, como se fosse uma pena! Dormia
ferir. de cuidados e alimen-
Lek, como é conhecida a fundadora tação dos elefantes,
do santuário, iniciou um movimento na embora estivesse bem
Tailândia para mudar a visão das pes- claro para mim que o
soas em relação ao turismo com os ele- meu foco era a comuni-
Sheila Waligora

fantes. Ela mesma foi sócia de uma cação com eles. E,


companhia de turismo durante muitos desta forma, passei a
anos e estava habituada a ver as pessoas experimentar desde o
pagando uma certa quantia para andar primeiro dia a conexão
em cima de um elefante. Coloca-se uma com eles. Esta conexão
espécie de cadeira no elefante (como envolve entrar no A aliá Medo, vítima de extrema crueldade, recebeu abrigo no santuário

94 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


pudesse ter mais conforto e, que se ela quem é o ser humano, em que planeta
Sheila Waligora

quisesse, poderia ao menos experi- estamos vivendo, com que tipo de cons-
mentar sentar, só para ver como era. ciências estamos dividindo o espaço
Disse assim, muito simplesmente. E en- sagrado de nossas próprias consciên-
tão aconteceu algo que eu jamais pode- cias. Sendo o animal também um ser
ria imaginar, e isto foi o mais lindo. Por- sagrado. E este animal, especifica-
que embora eu tivesse atravessado a mente, tinha sido lesado em seu ser.
Terra para ir conversar com um elefante Podia ver em seus olhos que o estrago ia
que eu nem sequer conhecia, fui sem além do corpo. Era algo terrível e muito
expectativa alguma, como uma criança doloroso, até para ver.
que acorda para um novo dia. E, ao ter- Bem, de qualquer forma, fiquei tão
Voluntárias enchem sacos de areia para servi- minar de falar, ela olhou nos meus olhos, atônita com a experiência de comuni-
rem de apoio para Medo ficar mais confortável
e ter menos sofrimento no seu dia-a-dia deu marcha a ré e sentou! Imediata- cação com Medo, que não consegui
mente após eu terminar de falar! Sen- falar sobre isso com pessoa alguma.
de frente para os sacos, dia após dia. tou, levantou por um instante, e sentou Percebi depois que demorei algum tem-
Então fizemos mais uma parte e ficou novamente! Como descrever isso? O po para integrar esta experiência e per-
um banco com duas partes, em 90 graus. que se pode falar a respeito disso? ceber que realmente aconteceu comigo.
Como o movimento era grande du- Quando voltei ao Brasil, muitos ami- Esta experiência ilustra como são os
rante o dia, pois estávamos em cerca de gos e conhecidos, me perguntavam co- níveis de consciência e como realmente
20 estagiários e recebíamos cerca de 50 mo foi a experiência de comunicação não há barreira alguma entre os seres, e
visitantes por dia, as oportunidades para com os elefantes. como somos todos UM. Não há bar-
conversar com os elefantes, com calma, Como contar um acontecimento des- reiras de linguagem, de conhecimento,
aconteciam bem cedo ou à noite. E foi tes, assim, rapidamente, como uma con- de coisa alguma. De tal forma que apa-
assim que após uma semana com Medo, versa qualquer? Eu simplesmente não rece na Tailândia uma brasileira, come-
no fim de um dia, parei ao lado de seu conseguia falar e relatar isto. Não é algo ça a conversar com um elefante, faz um
abrigo e comecei a conversar com ela. para falar assim à queima roupa. Isto é, pedido e este elefante olha nos olhos
Pedi desculpas a ela, em nome do ser precisa se preparar para falar e se pre- dela, e faz o que ela pediu, não só uma
humano, por todos os maus tratos, sofri- parar para ouvir. mas duas vezes. É algo para se pensar.
mento, dor e desrespeito. Disse que não Ter convivido Tive outras experiências de comuni-
tinha como pedir desculpas, que ao pen- com um animal cação com os elefantes, durante este pe-
sar em tudo que ela tinha passado me destes, um ani- ríodo, mas esta foi a mais impactante
envergonhava, mas que mesmo assim, mal que te para mim. Uma experiência deste teor, é
queria pedir desculpas, porque havia faz ver suficiente para toda uma vida.
seres humanos diferentes, pessoas que Alguns dias antes deste episódio,
se importavam com os animais. Disse a tinha perguntado à Medo porque ela não
ela que ela sabia disso, pois estava tinha morrido. Ela comunicou na mes-
vivendo no Parque e estava protegida ma hora: “Nós recebemos uma vida e
agora e nunca mais teria que fazer tra- vivemos, não importa o que aconteça.
balhos forçados, passar fome, dor, Independe de qualquer coisa.” Na hora
Sheila Waligora

chorar e sofrer sem justificativa. E isto que recebi esta mensagem, o sentimento
porque Lek tinha se importado e agido e era de uma força inabalável, a força da
estava salvando muitos animais. simplicidade, da coragem e da paciência.
Enquanto falava com ela, sentia uma Minha experiência com os elefantes
dor imensa, como se ficasse consciente na Tailândia não pode ser medida ape-
de toda a crueldade que o ser humano já nas pelo número de dias que passei com
cometeu contra os animais. Sentia que eles. A comunicação com eles foi tão pro-
toda esta dor se transformava em dor funda, e pode nos ensinar tanto a res-
para o próprio ser humano, e para o peito dos verdadeiros valores humanos,
mundo inteiro e toda a natureza. Eu me que me considero completamente reali-
desculpei, do fundo do meu coração, em zada. Queria trazer para o Brasil uma
nome da espécie humana e em nome mensagem dos elefantes, que eu tivesse
daqueles que se importam com os ani- recebido diretamente através da comu-
mais. Fiquei mais um pouco com ela e nicação. E foi isso que aconteceu.
depois fui dormir. No dia seguinte, a ca- Sheila Waligora é veterinária e
minho do desjejum, passei por ela. Com As dificuldades para Medo em entender que o ensina comunicação entre espécies
a maior naturalidade possível, e sem sofá de sacos de areia havia sido feito espe- através de cursos pelo Brasil
cialmente para ela foram quebradas no mo- www.comunicacaoentreespecies.com.br
expectativa alguma, disse a ela que tí- mento em que Sheila Waligora conseguiu a
nhamos feito aquele sofá para que ela comunicação com ela

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007 95


Posicionamento profissional?
Onde? Quando? Como? Por Sergio Lobato

P
ara todos aqueles que ainda ques- cursos universitários como o seu cartão de
tionam o porquê de uma coluna deste País... Quero pro- visitas profissional.
sobre gestão em uma revista de- por a todos os colegas Fuja da tentação de
dicada ao público veterinário, em espe- que a partir de hoje te- apenas se prender ao
cial os colegas que escolheram a clínica nhamos em nosso dis- velho ditado que diz
médica, convém lembrar que uma das curso e em nossa postu- que “a primeira ima-
funções do marketing como ciência da ra a conscientização gem é a que fica”
gestão e da inovação se explica pelo uso de que temos uma sem se preocupar
da ferramenta da correção. Correção de CARREIRA. com o que realmente
rumos, de projetos, de posturas e de po- Uma carreira é situ- isso significa no seu
sicionamento. ação dinâmica e moti- dia-a-dia como clíni-
“Mas correção? Como assim? Para vadora, na qual a sua co.
corrigir algo, é por que algo está erra- responsabilidade é pos- E com o que seria
do? Mas o que está errado? Eu erra- ta à prova em todos os importante eu me
do??? Jamais!! Eu nunca erro... Eu sou momentos da sua vida. preocupar em rela-
doutor!” É o planejamento da sua vida profis- ção a este ditado?
Bem, vamos fazer um exercício de sional em etapas, que serão divididas e Eu respondo perguntando:
auto-análise da nossa profissão. gerenciadas de acordo com a sua pró- • como está a higiene da sua clínica?
Reside nesta pergunta o primeiro erro pria decisão pessoal sobre o que é melhor • como estão os uniformes dos seus fun-
a ser corrigido em nosso posicionamen- para você e para o seu empreendimento cionários?
to profissional... Você acha que tem uma veterinário. • como está a imagem de sua clínica?
profissão ou uma carreira? Quando assumimos que temos uma • como está sua atualização profissional?
Quero aqui deixar clara minha carreira, incorporamos a responsabili- • sua clínica atende as novas normas
posição sobre o que considero ser um dade de cada ação de nossa vida acadê- técnicas em biossegurança?
dos maiores erros na formação de mica ou profissional. As decisões sobre • você tem um banco de dados confiável?
profissionais médicos veterinários em as etapas e as ações são baseadas em • você treina seus funcionários em pre-
todas as universidades deste país, sejam metas e objetivos a serem alcançados venção de acidentes?
elas privadas, sejam elas públicas. em curtos, médios e longos prazos. E fora de seu ambiente de trabalho?
Desde que entramos nos ciclos básicos Existe toda uma dinâmica diferente em Você continua dando “orientação” on
dos cursos de medicina veterinária sua vida agora. Você passa a ter maior line (?!?) em comunidades do Orkut,
somos massificadamente comunicados controle do que quer fazer, onde quer achando que assim vai demonstrar seu
que estamos começando na profissão chegar e o que deseja alcançar, pois vo- conhecimento? Você continua dando
mais linda do mundo, que devemos nos cê também passa a possuir maior flexi- “informações” para vizinhos, amigos e
dedicar à profissão, que a profissão bilidade para CORRIGIR rumos, postu- parentes na tentativa de manter intacta
exige demais, que é uma profissão mal ras e posicionamentos. suas relações pessoais penalizando a sua
remunerada... Enfim, ouvimos a palavra Percebo que, às vezes, e, infeliz- vida profissional, afinal você está dando
profissão como se fosse a melhor defi- mente em um número cada vez maior de aquilo que tem para vender, não é mes-
nição do que estamos realmente buscan- colegas, há uma postura quase institu- mo? Você fala mal de seus colegas no
do quando entramos para o curso uni- cionalizada da SÍNDROME DE GA- barzinho, discutindo até receituários?
versitário. Mas, quero lembrar aos cole- BRIELA CRAVO E CANELA: quando Se você encarar estas perguntas como
gas, que profissão, em meu entender, é estimulados ou confrontados com pro- uma chance de modificação de seu posi-
um status quo, uma condição estática, cessos de mudança, parecem cantar co- cionamento, creio que terá uma grande
uma titulação, algo nem de longe dinâ- mo resposta definitiva: “Eu nasci assim, chance de entender que a partir dessa
mico e motivador... É como se fosse eu cresci assim...”. leitura sua carreira será cada vez mais
uma certificação, um selo, uma qualifi- O posicionamento profissional passa importante para você... E lembre-se.. “
cação, um acessório à sua formação. então a ser o resultado de um controle Não existe árvore nesta vida que o vento
Uma simples titulação. de sua própria carreira associado com não tenha balançado”... Logo, o posi-
O que eu tenho então? suas escolhas, que são refletidas para o cionamento gerado pela SÍNDROME
Você precisa entender que por algu- seu mercado consumidor, para seus DE GABRIELA CRAVO E CANELA é
ma razão oculta em nosso passado colegas de trabalho e para a indústria burro e impede a evolução e a busca
histórico nos desviamos da orientação como um todo. da excelência, as quais todos nós me-
estratégica que permeou todos os outros O posicionamento deve ser encarado recemos!

96 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


PREPARAÇÃO PEDAGÓGICA APLICADA À MEDICINA VETERINÁRIA

O prof. dr. José Antonio Jerez, médico


veterinário do Departamento de
Medicina Veterinária Preventiva e
que “O curso de medicina veterinária é
voltado para a formação profissional.
Nós, os professores desse curso, somos
A publicação oferece, de forma con-
densada, os principais ensinamentos
necessários à preparação pedagógica, fa-
Saúde Animal da Faculdade de Medi- escolhidos e selecionados para a carrei- cilitando a abertura do caminho à apren-
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cina Veterinária e Zootecnia, da Univer- ra universitária por critérios baseados dizagem do futuro docente, com reflexo na
sidade de São Paulo, no livro Prepa- na nossa competência técnica; assim, eficácia da aprendizagem de seus alunos.
ração pedagógica aplicada à medicina nossa atividade docente é extremamente “Além disso, estará melhor preparado pa-
veterinária, de sua autoria e publicado centralizada nos conteúdos, uma vez ra procurar aperfeiçoamento e atualiza-
pela Fundação de Apoio à Pesquisa, que nos faltam os conhecimentos ção nos cursos de pedagogia, sem o cons-
Ensino e Extensão (FUNEP), explica pedagógicos”. trangimento do despreparo”, destaca Jerez.
José Antonio Jerez - jajerez@usp.br
“Ensinar não pode ser sinônimo de “O professor precisa especificar de “Aprender não é repetir ou reproduzir
aprender. Ensinar é um ato coletivo e forma clara quais são os resultados que respostas para verificar se o aluno me-
aprender um ato individual. A transmis- espera com o ensino que será ministra- morizou, pois nesse caso pode até ser
são do conhecimento não pode ser do. Por isso, a primeira coisa a decidir encarada como uma função punitiva:
vista da maneira como imagina a maio- é ‘para onde ir’, depois as condições se acertou sabe, se errou não sabe. Se
ria dos professores de ensino superior: ‘para chegar lá’ e, finalmente, avaliar se aprender é um processo de construção
uma linha ascendente entre o conteúdo realmente conseguiu ‘chegar lá’. Sem do conhecimento que vai além da me-
transmitido e o tempo transcorrido. A esse direcionamento não existe plane- morização e envolve o raciocínio lógico
transmissão do conhecimento é bas- jamento curricular e os resultados a e a capacidade de elaboração própria,
tante complexa e depende da interação serem avançados serão incertos ou a única maneira de saber se o aluno
entre os três principais domínios do duvidosos. Por isso, os objetivos são ‘o realmente aprendeu é oferecer opor-
comportamento humano: o cognitivo, o ponto de partida’ para que uma disci- tunidades para que demonstre as
afetivo e o psicomotor”. plina ou uma aula seja bem sucedida”. suas competências”.

98 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


Pesquisa
Teste rápido para diagnóstico da leptospirose*
E m parceria com pesquisadores das uni-
versidades de Cornell e da Califórnia,
nos Estados Unidos, pesquisadores do Cen-
“Com base na análise do sangue de pa-
cientes tratados em dois hospitais baianos
identificamos que um componente, a proteí-
O teste diagnóstico está em fase de vali-
dação por meio de testes de sensibilidade e
de especificidade, em laboratórios da
tro de Pesquisa Gonçalo Muniz (CPqGM), na lig, induz a produção de anticorpos na Fiocruz e das universidades federais do
unidade da Fundação Oswaldo Cruz na fase mais inicial da infecção”, disse Ceará e do Rio Grande do Norte. Para isso,
Bahia, concluíram, após 11 anos de trabalho, Mitermayer Galvão dos Reis, chefe do La- são utilizados bancos de sangue de pacientes
o desenvolvimento de um teste para diagnós- boratório de Patologia e Biologia Molecular com leptospirose e também com outras
tico da leptospirose que, em 15 minutos, ofe- do CPqGM, onde o trabalho foi em parte doenças, como dengue e hepatite.
rece resultado com mais de 90% de precisão. desenvolvido, à Agência FAPESP. “A pro- “A validação está sendo realizada junto à
Os testes para a identificação da bactéria teína mostrou ser um excelente indicador da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e
Leptospira, agente causador da doença, nor- contaminação precoce pela doença.” os primeiros testes deverão estar disponíveis
malmente são feitos por meio de exames so- Em seguida, os pesquisadores clonaram a na rede pública de saúde até meados de
rológicos que detectam no sangue do pacien- proteína lig em grande quantidade por meio 2008”, apontou o pesquisador da Fiocruz. O
te a presença de anticorpos contra a bactéria. de engenharia genética e a cultivaram em teste precoce antecipa o tratamento e evita a
Por exigir duas amostras de soro, uma na fita semelhante às utilizadas em testes de progressão da doença para formas mais
fase inicial e outra na fase intermediária, os gravidez, dentro de uma pequena plataforma graves.
testes tradicionais demoram até duas sema- produzida por uma empresa. A leptospirose atinge principalmente
nas para apontar um diagnóstico. “Basta colocar uma gota de sangue do áreas carentes de grandes centros urbanos,
O avanço do trabalho da Fiocruz, que paciente em contato com essa fita. Se a nos quais a população tem mais contato com
teve início em 1996, está na identificação de amostra de sangue contiver a bactéria água de enchentes contaminada por urina de
um componente da Leptospira capaz de Leptospira, anticorpos vão reagir com a ratos. Segundo dados do Ministério da
estimular a produção de anticorpos em indi- proteína lig e o visor do aparelho rapida- Saúde, são notificados anualmente mais de 3
víduos infectados, algo decisivo para a rapi- mente ficará rosa, cor que indica o resulta- mil casos de leptospirose no Brasil, com
dez e a precisão do teste. do positivo”, explicou Reis. uma taxa de letalidade estimada em 15%.
*Fonte: Agência Fapesp (por Thiago Romero) - http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=7590

100 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


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principais supermercados, hipermerca- mal aos pets. O produto é
dos e pet shops do País. A divulgação de elaborado com o conceito
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venda de alto impacto os animais. O spray deve Antidores é
visual e atrativo, to- ser borrifado para desodo- formulado à
dos voltados ao novo rizar os locais impregna- base de óleo
natural de
Alpo Receitas Caseiras está disponível em
conceito da marca, embalagens de 1kg, 8kg, 15kg e 18kg dos pelos odores desagra- limão
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destacando o sabor dáveis: casas, apartamen-


das novas variedades 1kg, em versão saquinho com alça. tos, veículos, clínicas veterinárias, entre
que se assemelham às Outra inovação é o adesivo “abre e fe- outros, facilitando a convivência entre
comidas caseiras. cha”, que evita o desperdício e garante os animais e as pessoas, evitando situa-
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mínico amino-
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O Avícola e Polivin B12 Oral, do La-
boratório Bravet, agora também são
pesados, inseticidas, herbicidas, plantas
tóxicas, micotoxinas e agentes químicos
ácido rico em
triptofano, nia-
cina e piridoxi-
encontrados em frascos conta-gotas. (fenóis, cresóis etc). na. Age melho-
Mercepton Avícola é um suplemento Polivin B12 Oral é um complexo vita- rando a forma-
à base de aminoácidos e vitaminas hi- minado, estimulante cardiorespiratório, ção da epider-

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drossolúveis que atua do tônus muscular e recons- me, derme e
no metabolismo de pro- tituinte orgânico em aves de diminuindo a
teínas, carboidratos e estimação e de criação. Me- sensação de
gorduras, estimulando lhora a conversão alimentar prurido, sendo
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uma melhor conversão e é indicado nos estados de indicado para


nutricional em aves de fraqueza, fadiga, estresse, casos de der-
estimação e de criação. perda de apetite e no perío- matite atópica.
O produto é indicado Polivin B12 Oral está disponível em do de crescimento.
frascos de 15mL e Mercepton
Organnact: Frasco de 30g, contendo
ainda como suporte de Avícola, em frascos de 20mL Bravet: (24) 2480-6868 (41) 2169-0411 cápsulas de 500g

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e gatos, agora são comercia- tratamento e controle das verminoses gas-
lizados em uma nova emba- trintestinais dos cães causadas por ne-
lagem. A reformulação do matódeos, além de ser o agente de esco-
layout acompanha a cam- lha para o tratamento das infecções cau-
panha promocional com o te- sadas por giárdia.
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foi projetada especialmente prenhes e lactantes, também indicado pa-
para destacar o produto no ra uso em filhotes, além de apresentar bai-
ponto de venda, realçando xa incidência de efeitos colaterais quan-
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112 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007


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17 a 19 de setembro 29th World
ultra-sonografia em orto- municípios por meio do trabalho desenvolvido
São Paulo - SP Veterinary
pedia • 8º Congresso Paulista com o controle populacional de cães e gatos e Congress
 (11) 3579-1427 de Clínicos Veterinários das zoonoses transmitidas por estes.  www.worldveterinary
de Pequenos Animais congress2008.com
23 a 26 de abril PRÓXIMOS CURSOS:
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ro da Associação Nacio- 33º Congresso Mundial da
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114 Clínica Veterinária, Ano XII, n. 71, novembro/dezembro, 2007

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