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G uará Indexada no ISI Web of Knowledge - Zoological Record e no CAB Abstracts ISSN 1413-571X

E D i TO R A

Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 - R$ 13,00

www.revistaclinicaveterinaria.com.br
Índice

Heloísa Orsini
Neurologia - 28
Patogenia das lesões do sistema nervoso
Eduardo B. Santos Júnior

central (SNC) na cinomose canina


Pathogenesis of central nervous system (CNS) lesions in canine distemper
Patogenia de las lesiones en el sistema nervioso central (SNC) en la cinomosis Infiltração inflamatória perivascular
na substância branca do cerebelo
Cirurgia - 36 de um cão com cinomose. H/E.
Glossectomia parcial em um cão Obj. 10x
Partial glossectomy in a dog

Bernardo Kemper
Glosectomía parcial en un perro
Cão após cinco meses da realiza- Ortopedia - 40
ção da glossectomia: observar teci-
do lingual totalmente cicatrizado Fixação percutânea externa complementar na osteossíntese de
fratura pélvica cominutiva bilateral - relato de caso em um cão
Use of the complementary external percutaneous fixation in the osteosynthesis
Renato Moraes Sarmento

of bilateral comminuted pelvic fractures - case report in a dog


Fijación percutánea externa complementar en la osteosíntesis de fractura
pélvica conminuta bilateral - relato de caso en un perro

Oncologia - 46 Imagem fotográfica pós-cirúrgica


imediata, mostrando os pinos de
Tumor maligno de bainha nervosa em papagaio- Schantz implantados no coxal e
verdadeiro (Amazona aestiva) - relato de caso conectados externamente com
Peripheral nerve sheath tumor in a blue-fronted amazon parrot (Amazona aestiva) - case report barra de polimetilmetacrilato
Fotomicrografia de tumor maligno de Tumor maligno de vaina nerviosa en loro hablador (Amazona aestiva) - relato de caso
bainha nervosa excisado da face de
Clínica médica - 52

Tahisa Faria Velloso


um papagaio-verdadeiro (Amazona
aestiva), com área de transição entre Aelurostrongylus abstrusus - relato de caso em felino
os tecidos Antoni A (em amarelo) e Aelurostrongylus abstrusus - case report in a cat
Antoni B (em vermelho). Aelurostrongylus abstrusus - relato de caso en felino

Saúde pública - 58
Thais Okamoto

Leishmaniose tegumentar americana em felino doméstico no


município do Rio de Janeiro, Brasil - relato de caso
American tegumentary leishmaniasis in a domestic feline
in the city of Rio de Janeiro, Brazil - case report Larva de Aelurostrongylus
Leishmaniasis tegumentaria americana en un felino doméstico
en la ciudad de Rio de Janeiro, Brasil - relato de caso
abstrusus encontrada em fezes
de gata examinada pelo método
Clínica médica - 62 de Baermann. (Objetiva de 10x)
Vasculite necrosante e focos hemorrágicos no encéfalo de gato

Paulo César Maiorka


acometido pela peritonite infecciosa dos felinos - relato de caso
Felis catus, SRD, fêmea, três anos, Necrotizing vasculitis and hemorrhagic foci in the encephalon
com lesões ulcerativas no plano nasal of a cat with feline infectious peritonitis - a case report
causadas por L. (V.) braziliensis Vasculitis necrosante y focos hemorrágicos en encéfalo de gato
acometido por peritonitis infecciosa felina - relato de caso

Clínica médica - 68
Ilvio Mendes Vidal

Eletrocardiografia em quatis (Nasua nasua - Linnaeus, 1766) mantidos


em cativeiro e contidos quimicamente com quetamina e xilazina
Electrocardiography in coatis (Nasua nasua - Linnaeus, 1766) maintained Vasculite e necrose de vaso san-
in captivity and restrained chemically with ketamine and xylazine güíneo e conseqüente extravasa-
Electrocardiografía en coatíes (Nasua nasua - Linnaeus, 1766) mantenidos mento de sangue para o interior do
en cautiverio y contenidos químicamente con cetamina y xilazina neurópilo

Quati (Nasua nasua - Linnaeus, 1766)

• Relançamento de Duramune® Max


Seções • I Seminário de Residência em
22 Ecologia - 86
Animais silvestres como animais de estimação
Medicina Veterinária 24
Editorial - 5 • Scientific Meeting Royal Canin 24 Gestão, marketing e
Notícias - 6 Bem-estar animal - 26 estratégia - 91
• Total Alimentos lança selo de Eventos discutem o bem-estar animal, a Queridos Amigos
comprometimento social, ético e vivissecção e o direito animal
com o meio ambiente 8 Lançamentos - 94
Livros - 76
• Lista Vermelha do Pará 10
• Virologia veterinária
• Congresso da Anclivepa 2008 12 Negócios e
• Seja vegano
• Consumidores de Frontline® ganharão oportunidades - 96
cobertura para emergências e mortes do Legislação - 78 Ofertas de produtos e equipamentos
animal de estimação 18 • Resolução do CFMV normatiza
• O programa do Ministério da Saúde de procedimentos cirúrgicos 78
Serviços e
avaliação externa da qualidade em sorologia • Caça é proibida no Estado do especialidades - 97
para leishmaniose visceral canina certifica o Rio Grande do Sul 80 Prestadores de serviços para
Tecsa Laboratórios 20 clínicos veterinários
• Jundiaí (SP) já tem centro de Pesquisa - 82
reabilitação e fisioterapia 20 Nova linhagem de bactéria, resistência a Agenda - 104
• Núcleo Diagnóstico Veterinário implanta medicamentos, pobreza e interação com Aids
ensaio de proficiência para controle de agravam quadro da tuberculose
qualidade para laboratórios 20
• Bayer Brasil cresce 25% em vendas e Interação homem-animal - 84
planeja dobrar investimentos no Brasil 22 Comunicação entre espécies

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 3


Indexada no ISI Web of Knowledge - Zoological Record e no CAB Abstracts
CONSULTORES CIENTÍFICOS
SCIENTIFIC COUNCIL

Journal of continuing education for small animal veterinarians


Adriano B. Carregaro Fernando Ferreira Leucio Alves Noeme Sousa Rocha
Revista de educação continuada do clínico veterinário de pequenos animais
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Saúde” da Bireme (http://decs.bvs.br/). ou do Index Medicus. (www.nlm.nih.gov/ Denise T. Fantoni José de Alvarenga Miriam Siliane Batista Suely Beloni
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obrigatoriamente acompanhadas de autorização para publicação. PROVET FCAV/Unesp/Jaboticabal FMV/UEL International Fund for Animal Welfare
As referências bibliográficas serão indicadas ao longo do texto apenas por edgarsommer@sti.com.br jllaus@fcav.unesp.br vicky@uel.br vruoppolo@uol.com.br
números, que corresponderão à listagem ao final do artigo, evitando citações de Eduardo A. Tudury José Ricardo Pachaly Nadia Almosny Vamilton Santarém
autores e datas. A apresentação das referências ao final do artigo deve seguir as DMV/UFRPE UNIPAR FMV/UFF Unoeste
normas atuais da ABNT e elas devem ser numeradas pela ordem de apareci- eat-dmv@ufrpe.br pachaly@uol.com.br mcvalny@vm.uff.br vamilton@vet.unoeste.br
mento no texto. Elba Lemos José Roberto Kfoury Júnior Nayro X. Alencar Wagner S. Ushikoshi
Com relação aos princípios éticos da experimentação animal, os autores deverão FioCruz-RJ FMVZ/USP FMV/UFF FMV/UNISA e FMV/CREUPI
elemos@ioc.fiocruz.br robertok@fmvz.usp.br nayro@vm.uff.br wushikoshi@yahoo.com.br
considerar as normas do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal).
Fabiano Montiani-Ferreira Karin Werther Nilson R. Benites William G. Vale
FMV/UFPR FCAV/Unesp/Jaboticabal FMVZ/USP FCAP/UFPA
Revista Clínica Veterinária / Redação fabiomontiani@hotmail.com werther@fcav.unesp.br benites@usp.br wmvale@ufpa.br
Caixa Postal 66002 CEP 05311-970 São Paulo - SP Fernando C. Maiorino Leonardo Pinto Brandão Nobuko Kasai Zalmir S. Cubas
e-mail: cvredacao@editoraguara.com.br FEJAL/CESMAC/FCBS Merial Saúde Animal FMVZ/USP Itaipu Binacional
fcmaiorino@uol.com.br leobrandao@yahoo.com nkasai@usp.br cubas@foznet.com.br

4 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Editorial

http://www.isiwebofknowledge.com/
http://www.thomsonreuters.com/products_services/scientific1/Zoological_Record

E stamos muito felizes celebrando esta grande conquista que é a indexação desta revista no ISI WEB of
Knowledge, na seção Zoological Record, como pode ser observado no site da instituição (vide imagem
acima).
Esta indexação é a comprovação e o reconhecimento internacional da qualidade editorial da Clínica
Veterinária por parte de um organismo que preza a excelência científica.
O trabalho de fazer uma revista especializada enfrenta inúmeros obstáculos, especialmente num país
como o nosso. É preciso vencer a inércia inicial que qualquer publicação é obrigada a enfrentar, mostrar a
seriedade das intenções, a competência, montar uma equipe de autores e consultores, aprender com os
erros e acertos, conquistar credibilidade passo a passo, buscar sempre a qualidade, na visão de conjunto e
nos detalhes, investir em esforço, em tempo, em obsessão pela precisão e clareza das informações, dentro
do amplo propósito de promover a divulgação científica e a educação continuada do médico veterinário.
O trabalho envolvido para levar adiante esse projeto e transformá-lo numa realização contou com a per-
sistência da fé pessoal e com o incentivo de muitos que desde o início acreditaram e apoiaram o nosso
trabalho, mantendo-se ao nosso lado com coragem e alegria.
Esse reconhecimento internacional é resultado da dedicação dos autores e editores e, principalmente, da
atuação dos consultores, que ao longo destes treze anos vêm, generosamente, contribuindo com seus co-
nhecimentos e disposição, avaliando, corrigindo, sugerindo e zelando pela qualidade de nossa publicação.
Agradecemos imensamente a todos que têm colaborado conosco para que este importante aconteci-
mento pudesse se concretizar.
É momento de celebrações, mas também é uma grande responsabilidade.
Agora, mais do que nunca, precisamos buscar a qualidade nos trabalhos que publicamos e, para isso,
contamos com a participação de todos.
Que todos possamos ser cada vez mais abençoados em nossas realizações.

Maria Angela Sanches Fessel

Clínica Veterinária, Ano XII, n. 74, maio/junho, 2008 5


Cartas para esta seção devem ser enviadas para cvredacao@editoraguara.com.br ou pelo correio para a Editora Guará Ltda.,
Seção de Cartas, Caixa Postal 66002, 05311-970, São Paulo - SP. Perguntas, dúvidas, esclarecimentos, comunicados, orientações
etc. serão respondidos conforme a ordem de chegada. Os editores poderão resumir o conteúdo da carta, conforme a necessidade.

Diagnóstico da leishmaniose visceral canina


Ao receber o número Anclivepa-SP sob os
Referente aos comentários do
71 (novembro/dezembro auspícios da Bayer, no
prof. dr. Carlos Eduardo Larsson no
2007) da excelente “Clí- Auditório do Instituto
nica Veterinária”, nela de Psicologia, coorde- que diz respeito à detecção de
deparei com o artigo nado por mim e apre- leishmaniose visceral canina em
“Imunopatologia da sentado pela médica ve- Araçatuba, Estado de São Paulo,
leishmaniose visceral terinária Mary Otsuka gostaríamos de manifestar que no
canina” de autoria de (hoje Mary Otsuka momento da redação do artigo
MACHADO, J. G. ; Ikeda) e pelo prof. dr. “Imunopatologia da Leishmaniose
HOFFMANN, J. L. e Victor Márcio Ribeiro. Visceral Canina”, publicado nesta
LANGONI, H. ; este últi- Do concorrido evento revista, n. 71, v. XII, p. 50-58,
mo afamado professor ti- devidamente registrado 2007, utilizamos informações perti-
tular da FMVZ/UNESP, (Livro 2) participaram nentes, de acordo com a literatura
excelente e afável pesqui- 130 associados compulsada. É salutar podermos
sador que muito admiro. (Anclivepa, SPMV e aprofundar os conhecimentos epide-
À página 51, referem os Clínica Veterinária n. 71 - ABRV). miológicos referentes ao tema, pois
autores, que em 1998 “foi edição especial de saúde Tal fato foi também, de acordo com o artigo “A Leishma-
pública (leishmaniose) niose Visceral Americana no Es-
diagnosticado, pelo Servi- divulgado à imprensa
ço de Patologia do Hospi- pela Agência Univer- tado de São Paulo: Situação Atual”
tal Veterinário da UNESP, a primeira sitária de Notícias da ECA/USP sob o publicado no Boletim Epidemioló-
ocorrência de leishmaniose visceral título “USP detecta casos de leishma- gico Paulista (BEPA - www.cve.
canina no Estado de São Paulo, na niose canina na capital paulista” (Ano saude.sp gov.br), ano 1, n. 6, p. 1-4,
cidade de Araçatuba”, estribando tal 32, n.15 de 21/9/1999). junho de 2004, consta o registro do
assertiva na Referência 15 (IKEDA et Em 1998, foi o caso da “Sofia” primeiro caso autóctone e não
al, Clínica Veterinária, ano VIII, v. 47, (submetido à eutanásia em clínica ve- alóctone, no Estado de São Paulo no
p. 42-8, 2003). terinária por opção de seu dono), junta- ano de 1998.
Isto posto, gostaria de ressaltar a mente com outro caso de poodle, fêmea, As informações do prof. dr.
bem da veracidade cronológica que o criada no bairro paulistano da Bela Carlos Eduardo Larsson são interes-
primeiro caso de leishmaniose visceral Vista (Bixiga), todavia infectada no santes e contribuem para aprofundar
canina foi diagnosticado no ano de Maranhão, foi apresentado no 23° os conhecimentos epidemiológicos
1997, no Serviço de Dermatologia do Congresso Mundial (WSAVA), levado a na leishmaniose. Lamentamos pela
Hospital Veterinário da FMVZ/USP. cabo em Buenos Aires. Ambos os casos não citação da literatura referida
Tratava-se de caso alóctone, de cadela (LARSSON, C. E. ; OTSUKA, M. ; pelo professor, pela importância em
‘supostamente’ husky siberiana, de nome MICHALANY, N. S. ; RIBEIRO, V. M. saúde pública, pois elas foram apre-
“Sofia”, com 19 meses de idade, criada Canine visceral leishmaniasis - kala- sentadas em congresso, e publicadas
na Av. Brigadeiro Faria Lima, adquirida azar - reported cases in the city of São em veículo que não tivemos acesso.
em feira de cães do Shopping Butantã e Paulo/Brazil) estão descritos nos anais Desta forma entendemos que não
que provinha da região do Triângulo daquele evento à pagina 801. houve omissão de informação, e
Mineiro. O diagnóstico foi estabelecido Na expectativa de se ter a devida concordamos com a preocupação do
por exame histopatológico, em que se divulgação do fato para que se assegure professor Larsson.
constatou uma pletora de agentes, a par- a primazia do relato e o estabelecimen- Estamos satisfeitos pelo escla-
tir de biópsia de pele da região auricular, to da veracidade da ocorrência da leish- recimento, e também por alertar para
que se apresentava como lesão alopéci- maniose visceral em solo paulista, desde os riscos de disseminação desta
ca, erosiva, eritêmato-crostosa, com já coloco à sua disposição documentos enfermidade que se alastra rapi-
intenso sangramento, quando de meneios que comprovam a assertiva, o saúdo e o damente no Estado de São Paulo, e
cefálicos. encorajo a perpetuar a excelência do se constitui em séria ameaça para a
O inusitado do achado nos levou a periódico, mormente em suas “edições
saúde publica.
notificar ao CCZ/PMSP, através de cor- especiais”.
respondência postada e de apresentá-lo
Atenciosamente,
em 9 de maio de 1997, no “Ciclo de Atenciosamente,
Prof. titular Helio Langoni
Reciclagem Clínica Continuada” em Prof. dr. Carlos Eduardo Larsson
FMVZ/Unesp-Botucatu
evento extraordinário, promovido pela VCM/FMVZ-USP

6 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Total Alimentos lança selo de comprometimento
social, ético e com o meio ambiente
A fabricante de pet food divulga, por
meio de selo e slogam para 2008, o
trabalho que já vem realizando com
ações que refletem os valores que temos
como empresa, em respeito aos nossos
parceiros, aos consumidores e ao plane-
empregos diretos e
indiretos, mais de três
mil famílias na região.
base em sustentabilidade, que tem como ta”, explica o presidente da empresa, Quando a questão é meio
objetivo prover melhor qualidade de Antônio Miranda de Teixeira Neto. ambiente, a Total Alimentos se destaca
vida para as pessoas, para seus parceiros A Total Alimentos tem diversas ações por possuir uma estação própria de
e preservar o ambiente com o aproveita- que mostram seu comprometimento tratamento de água. “Toda a água uti-
mento de seus próprios recursos. social. Um exemplo é a banda compos- lizada pela indústria é potável e os
Além da qualidade dos alimentos que ta por crianças carentes que aprendem a efluentes também são tratados e voltam
oferece aos animais, graças à tecnolo- tocar instrumentos e se apresentam em à natureza limpos e descontaminados”,
gia, pesquisa, seleção dos melhores in- vários eventos em Três Corações, MG, explica Miranda. Todos os resíduos são
gredientes em uma das maiores estru- onde está localizada a planta fabril da encaminhados para reciclagem e a
turas industriais do mundo, a Total Ali- empresa. Também nesta cidade, a Total empresa está implantando um processo
mentos agora se diferencia por agregar patrocina o time de vôlei infantil, em que elimina os particulados dos gases
um conceito de sustentabilidade e traz parceria com a Secretaria de Educação. oriundos das caldeiras produtoras de
um novo selo que mostra a preocupação Além disso, a empresa contribui com o vapor. Além de toda essa parte indus-
da empresa com a sociedade, com a Lar Anjo da Guarda, Associação do trial, a Total mantém 10 alqueires
ética e com o meio ambiente. “Por isso, Voluntariado da Oncologia, APAE, (250.000 m2) de reserva florestal, com a
desenvolvemos um slogan que resume Ancianato Antônio Frederico Ozanan, ampliação desta área pelo plantio grada-
este compromisso e um logotipo que Creche Estefânia Falcão Margotti, Lar tivo de árvores nativas da Mata
representa este envolvimento Total em Fabiano de Cristo, e favorece, com Atlântica.

8 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Lista Vermelha do Pará Por Thiago Romero
Governo do Pará lança programa Extinção Zero. Objetivo é criar um plano de
preservação das 181 espécies vegetais e animais ameaçadas de extinção no estado

C ento e oitenta e uma espécies vege-


tais e animais estão oficialmente
ameaçadas de extinção no Pará, sendo
espécies associado ao mapa da perda
de seus hábitats”, disse Ima Célia Vieira,
diretora do Museu Emílio Goeldi, à
“A Amazônia tem oito grandes cen-
tros de endemismo que abrigam espé-
cies únicas, sendo o centro de Belém o
13 delas – sete espécies de peixes, duas Agência FAPESP. mais impactado de todos. Essa é uma
de plantas, três de mamíferos e uma de “Com esse diferencial conseguiremos região com mais de 150 municípios,
pássaro – consideradas como “critica- sobrepor os mapas para identificar cujas áreas críticas começaram a ser
mente em perigo”. essas áreas críticas, a partir do cruza- identificadas após o lançamento do pro-
Os dados estão na Lista de Espécies mento de dados georreferenciados da grama Extinção Zero. Agora o objetivo
Ameaçadas do Pará, nomeada Lista distribuição de cada espécie ameaçada e é criar novas unidades de conservação
Vermelha, cujo lançamento oficial ocor- das áreas alteradas pelo desmatamento”, de biodiversidade na região, além de
reu em fevereiro de 2008 durante a assi- explicou. fortalecer as ações nas unidades que já
natura de um decreto, pela governadora Dentre as 181 espécies ameaçadas da existem”, disse.
do Pará, Ana Júlia Carepa, que também lista estão 91 vertebrados, 37 invertebra- O Pará tem 55% de seu território den-
oficializou o programa Extinção Zero. dos e 53 plantas. Entre elas estão o tro de áreas protegidas ou territórios in-
A lista e o programa foram criados por macaco caiarara (Cebus kaapori) e o dígenas. Segundo dados divulgados
meio de iniciativa conjunta entre a cuxiú preto (Chiropotes satanas), além pelo Museu Emílio Goeldi, o estado é o
Secretaria Estadual de Meio Ambiente das espécies vegetais pau-rosa (Aniba campeão em desmatamento na Amazô-
(Sema), o Museu Paraense Emílio Goeldi rosaedora Ducke), ipê-roxo (Tabebuia nia brasileira, com 202,9 quilômetros
(Mpeg) e a Conservação Internacional impetiginosa) e o mogno (Swietenia quadrados de áreas desflorestadas, o
(CI). O objetivo do programa é criar, com macrophylla). que equivale a 16% de seu território e a
base nas informações da lista, uma nova “O próximo passo será aperfeiçoar, 30% de toda a área já degradada na
agenda ambiental que permita ao governo por meio de ferramentas de modelagem região amazônica.
proteger as espécies ameaçadas. computacional, o entendimento da distri- A elaboração da Lista Vermelha foi
A agenda será implementada por um buição das 13 espécies da Lista Verme- realizada no âmbito do Projeto Biota Pará,
comitê gestor e técnico, cujos nomes lha consideradas como criticamente em coordenado por pesquisadores do Museu
ainda serão indicados pelo governo do perigo nas modelagens anteriores. O Goeldi, e teve início em 2004 com a de-
estado, que será responsável pela criação trabalho será complementado por medi- finição dos critérios e categorias de amea-
de um plano de preservação das espécies ções em campo e, após essa fase, po- ça a serem adotados na avaliação do es-
indicadas pela Lista Vermelha. deremos intensificar as ações governa- tado de conservação das espécies no Pará.
Em parceria com universidades, insti- mentais nessas áreas críticas”, disse Inicialmente os pesquisadores elabo-
tuições científicas, organizações não-go- Ima Célia. raram uma lista com 928 espécies candi-
vernamentais (ONGs), setores produti- datas a integrar a lista final. Esse banco
vos e poder público, a primeira ação do Desmatamento crítico de dados foi disponibilizado para con-
comitê será reconhecer o que os pesqui- Segundo a diretora do Museu Goeldi, sulta pública na internet e a decisão das
sadores chamam de “Áreas Críticas de a maior parte das espécies da Lista espécies ameaçadas do estado, finaliza-
Biodiversidade” como regiões prioritá- Vermelha está nas áreas mais des- da em junho de 2006, seguiu os critérios
rias para conservação. matadas do estado, especialmente na da União Internacional para Conserva-
“A Lista Vermelha do Pará contém, região conhecida como Centro de ção da Natureza: criticamente em peri-
além das características de cada Endemismo Belém, localizado entre o go, em perigo ou vulnerável.
espécie, um mapa de distribuição das Pará e o Maranhão. Informações: www.sectam.pa.gov.br.
Fonte: Agência Fapesp - http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8467

10 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Anclivepa 2008 - Eita coisa boa!

A
palestra de aber- Outro fato inédito nos
tura do Congres- congressos da Anclivepa
so da Anclivepa foi o compromisso social
teve um tema inédito: que os organizadores se
Como ganhar mais di- propuseram, direcionan-
nheiro de forma ética, do uma parte da renda do
proferida pelo prof. dr. congresso para a Apala,
Marco Antonio Gioso, “Um dos segredos do organização que cuida de
que destacou a importân- sucesso é ler”, afirmou crianças com câncer.
Marco A. Gioso
cia de planejar e seguir me- Os colegas que não pu-
tas. A palestra prendeu a atenção de deram comparecer, não
Com muita atenção e gentileza, a Anclivepa-AL muitos clínicos e de veterinários da devem perder o próxi-
mo, pois será o mun-
recebeu todos os participantes do congresso
indústria. Inclusive, representantes
A nutrição enteral do paciente do segmento pet da indústria farma- dial da WSAVA!
crítico, tema bastante atual, foi cêutica veterinária aproveitaram essa A seguir, confira
abordada por Márcio Brunetto, palestra para comunicar aos clíni- algumas fotos que registraram o evento.
da Unesp/Jaboticabal. A apli-
cação dos seus conceitos é cos a criação da Comissão Animais
viável de ser inserida nas clíni- de Companhia (Comac), braço do
cas veterinárias e vital para os Sindan, que visa o
pacientes críticos
crescimento orde-
nado do setor pet.

Nuno Félix, de
Portugal, veio ao
Brasil dar sua
contribuição ao
evento, abordan-
do a nutrição
parentérica A cultura do
povo alagoana
também
passou pelo
congresso

João Telhado dis-


Da esquerda para a direita, os palestrantes correu sobre a
Ronaldo Casimiro, Hélio Autran e Yves Miceli interação homem-
animal e também
transmitiu impor-
tantes informação A avaliação crítica do tratamen-
para o tratamento to da dor em pequenos animais,
de medos e fobias assunto apresentado por Stélio
Luna Pacca, despertou interes-
O presidente do CBA 2008, André Sandes se do público participante
Moura, deixou registrado no stand da WSPA
sua mensagem de apoio ao bem-estar animal
A emergência veterinária e
a terapia intensiva foram
bastante abordadas no con-
gresso. Rodrigo Rabelo,
presidente da Academia Bra-
sileira de Medicina Veteri-
nária Intensiva (BVECCS)
ministrou vária palestras.
Quem não foi, não deve
Vitor Márcio Ribeiro lotou o auditório com sua palestra sobre Congressistas perder o I Congresso Latino- Andrés Sánchez Carmona
tratamento da leishmaniose visceral canina, a qual foi receberam anais Americano de Emergência discorreu sobre o tratamen-
patrocinada pela WSPA, e também participou de mesa em CD-Rom e Cuidados Intensivos, que to médico e cirúrgico das
redonda sobre o tema, juntamente com Carlos Muller, Rita ocorrerá em dezembro, no osteoartroses
Leal Paixão , Norma Labarthe e Lêucio Alves Rio de Janeiro, RJ
12 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008
A excelente
programação
científica
atraiu um
grande
público
para o
evento

Nestlé Purina foi a patrocinadora oficial do congresso. A


empresa possui produto inovador, o Pro Plan OptiStart Plus,
Dermatopatias que inclui colostro em sua formulação, ingrediente rico em
foi um dos anticorpos naturais
temas aborda-
dos por Membros da comissão
Andrew Hillier organizadora do
(EUA) Congresso Brasileiro
de Cirurgia e Aneste-
siologia Veterinária
(CBCAV) foram a
Maceió literalmente
vestir a camisa do
CBCAV. O evento
Bernard Pouloux e ocorre em novembro,
Yvex Miceli deram em Recife, PE
importante contribui-
ção ao evento com
Informações sobre a
tendência do mercado
de pet food e as ino-
vações da Royal
Canin

A Royal Canin inovou com seu espaço


cultural onde os médicos veterinários
puderam participar a um circuito de 4
palestras que apresentavam as últimas
inovações em termos de nutrição para
gatos castrados, proteção contra her-
pesvirose em filhotes felinos, diluição de
cálculos urinários e alimentação para
animais internados.
Durante 4 dias
foram mais de 400
médicos veteriná- A CentralVet, empre-
rios em grupos de 8 sa especializada em
pessoas que assis- gestão comercial de
tiram ao circuito de marcas e produtos Pedigree e Whiskas destacaram-se no con-
palestras em todo o Brasil, gresso e prestaram excelem suporte oferecen-
marcou presença no do acesso à internet pelo seu cyber space
evento apresentan-
do, entre outras, a
linha Frenesis Kabi, Eduardo Batista Borges (presi-
da qual faz parte o dente - CRMV-RJ) e José Maria
Ketosteril, medica- dos Santos Filho (presidente -
mento composto por CRMV-CE), que estão compon-
cetoanálogos, fór- do uma das chapas que serão
mula patenteada canditadas à gestão 2008/2011
mundialmente e do CFMV. Já se encontra publi-
indicada no trata- cado no sítio do CFMV (www.cfmv.
mento da insuficiên- org.br) o edital de convocação
cia renal crônica dos delegados eleitores dos
Conselhos Regionais de Medici-
na Veterinária

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 13


Presente no Brasil e no exterior, a Vetnil divulgou
no congresso que ainda esse ano irá lançar 15
novos produtos e duas novas linhas Um dos focos da Fort Dodge durante o evento
foi informar que Duramune® Max 5-CvK/4L
Bayer manteve seu foco na agora proporciona três anos de imunidade con-
ZooAção, importante campanha de preven- tra a parvovirose, conforme estudo realizado
ção de zoonoses, toda apoiada em produtos de com cães vacinados e desafiados
qualidade, associados a excelente materiais
educativos para serem utilizados pelos médicos
veterinários com os proprietários de cães e gatos.
A campanha é realizada anualmente durante os
meses de maio a agosto e envolve a distribuição
de materiais informativos sobre zoonoses aos
médicos veterinários e donos de cães e gatos
em pontos-de-venda de todo o país

Informe técnico da
König distribuído no
evento, apresenta
dados sobre casos de
reinsfestação natural
Vanguard Plus foi um de endoparasitas em O grupo Ceva Vetbrands focou suas ações no
dos destaques da Pfizer cães de área urbana grande lançamento realizado recentemente: o
no evento Fiprolex, ectoparasitário que possui o fipronil
como princípio ativo

Desde o início do processo de fusão esse foi o


primeiro congresso que a Intervet e a Schering-
Plough apresentam-se juntas

Além de produtos como a Recombitek e a


Pneumodog, a Merial promoveu a nova campa-
nha feita com Frontline: proteção plus, que agre- A Total apresentou aos participantes sua mais
ga benefícios ao consumidor A equipe da Nutron Pet participou pela primeira
nova linha de alimentos high premium: naturalis vez do Congresso Brasileiro da Anclivepa, levan-
do sua nova linha de alimentos: a wellness

Ouro Fino participou


levando novidades aos
participantes: Energy Organnact levou ao evento linha que adquiriu Frost, alimento high premium, promovido
Pet e AziCox-2 200mg recentemente: a Fitovet durante o evento

14 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


A Bio Brasil expôs vários equipamentos
laboratoriais que são comercializados
Bet Laboratories participou divulgando seus Detentora de uma ampla linha de protudos para pets
em condições especiais para os clíni-
exames especializados em endocrinologia ve- a Coveli também levou uma grande novidade aos
cos, ajudando-os a inserir a tecnologia
terinária, que podem ser enviados de qualquer participantes do evento: o Coprovet, único antico-
no dia-a-dia do atendimento clínico
lugar do Brasil profágico do mercado

O Tecsa
Laboratórios foi
bastante procura- Muitos atra-
do. O laboratório tivos no stand
recebeu recente- do Instituto
mente cerficado Hermes
do Ministério da Pardini, entre
Saúde pelo eles, a ampla
100% de acerto cobertura
nos resultados nacional e
reportados para resultados
leishmaniose pela internet
visceral canina

Xandog foi uma das importantes linhas de pro-


Diversas ofertas dutos que a Centagro possui e que levou ao
com excelente evento
relação custo/
benefício foram
encontradas pelos
congressistas no
stand da Brasmed

A ControlLab, empresa especializa-


da no gereciamento do controle de
qualidade de laboratórios marcou
presença em Maceió

A equipe da Agener União apresentou mais


um lançamento da empresa: o Revipel, produ-
Guabi investiu em destacar
to que traz grande benefícios aos problemas
a linha Natural
de calosidades de apoio e escaras

Aparelhos de anestesia inala-


tória específicos para medicina
veterinária estavam expostos
no stand da Oxigel. Outra opor-
tunidade para pesquisar sobre O Laboratório Biovet apresentou novos produtos em seu
esse tipo de equipamento será stand: o Amitraz 12,5% agora em embalagem de 200mL e o
no Congresso Brasileiro de Ci- A linha especializada de produ- Condrovet Pet, suplemento vitamínico apresentado na forma
rurgia e Anestesiologia Veteri- tos amici dottori atraiu a aten- de comprimido palatável, que possui extrato de yucca, glu-
nária, que ocorrerá em novem- ção de vários participantes do cosamina, colágeno, 100% de sulfato de condroitina A, zinco,
bro, em Recife, PE congresso cobre, manganês e vitaminas A e E

16 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Consumidores de Frontline® ganharão cobertura para
emergências e mortes do animal de estimação
A pós três anos de negociação e estu-
dos detalhados a Merial Saúde
Animal e a Royal & SunAlliance fir-
“Temos muito interesse no mercado de
Pets, que apresenta grandes oportu-
nidades para o ramo segurador”, com-
Animais sadios de 4 a 96 meses
comprovados passam a ter cobertura de
R$ 300,00 por seis meses, podendo
maram parceria para lançar o único se- pleta Colombo. chegar a R$ 900,00 a partir do quinto
guro de vida para cães e gatos do Brasil, Para Gilberto Maia, gerente de pro- mês (por ser acumulativo), a serem usa-
que resultaram no Proteção Extra Pre- duto Pet da Merial, o novo seguro pode dos no reembolso de despesas com mé-
miada®, um seguro inédito para animais rentabilizar toda a cadeia de produtos dicos veterinários, cirurgias e pós-ope-
de estimação que poderá ser adquirido para animais de companhia. Ele destaca ratório, exclusivamente na preservação
gratuitamente na compra da embalagem que a contratação da apólice prevê da vida do animal, em qualquer local do
promocional com duas pipetas de sorteios mensais no valor de R$ 2,5 mil território brasileiro, além de cobertura
Frontline®. livres de impostos, além de reembolso do pós-vida. O produto é chamado
Trata-se de um negócio significativo para os casos de emergências clínicas. Proteção Extra Premiada® por dar a
para as duas empresas. Para a Royal & “Dessa forma, o dono do animal segu- chance de o proprietário concorrer a um
SunAlliance Seguros, marca a entrada rado é constantemente incentivado a sorteio mensal de R$ 2.500,00 (lí-
no Programa de Seguros Affinity, dis- investir na relação com o seu pet, seja quidos), no último sábado do mês. Os
tribuição de produtos e serviços massi- na contratação de serviços de médico- números da sorte terão de coincidir com
ficados, um mercado até então inexplo- veterinários, seja na aquisição de pro- a combinação dos últimos dígitos dos
rado no Brasil, já que o foco da segu- dutos. Assim, a iniciativa gera benefí- algarismos dos cinco primeiros núme-
radora inglesa é corporativo, com 50% cios para todos os elos da cadeia, ros sorteados pela Loteria Federal. Mais
do faturamento em transporte. Para a rentabilizando os negócios no pet shop informações sobre detalhes de cobertura
Merial, significa manter a liderança de e em clínicas”, afirma. estão disponíveis no sítio da empresa:
Frontline®, seu carro-chefe no mercado www.merial.com.br .
de produtos veterinários para pets e ele- O produto - O Proteção Extra Premia- “Os produtos entraram no mercado
var as vendas do produto, ao estimular da® tem uma logística que permite sim- efetivamente a partir do início de feve-
seu uso preventivo. Além disso, repre- ples adesão e pagamento da indenização reiro. Têm sido observado um cresci-
senta uma estratégia de fidelização, por- igualmente ágil. Quem comprar a emba- mento muito rápido na evolução das
que estabelece um canal de relaciona- lagem promocional do Frontline® deve- vendas. Agora, com todos os kits já no
mento direto da Merial com o consumi- rá enviar a carta-resposta preenchida e, mercado, a cada semana regitra-se um
dor de Frontline®, desafio ainda a ser após recebimento, passará a contar com crescimneto de 20% e 25% nas vendas,
vencido pelas indústrias veterinárias do seguro para o seu animal de estimação. ultrapassando as expectativas, já que a
Brasil. previsão de vendas até julho já está
Segundo representantes das duas esgotada”, declarou Luiz Luccas,
empresas, a expectativa é con- diretor da divisão de animais de
quistar, com esse novo produto, cer- companhia da Merial. “Estamos
ca de 1 milhão de proprietários de realizando ações em revistas espe-
animais de estimação. Este progra- cializadas, inserindo materias de di-
ma proporcionará um melhor reco- vulgação em pontos de venda,
nhecimento dos consumidores brasi- treinamento em várias localidades
leiros de produtos para animais de do país para vendedores e apresen-
estimação e poderá servir de base tações sobre o produto”, completou
para lançamento de outros produtos Luccas.
e serviços para as duas empresas.
“Já temos grande experiência em Sobre a Royal & SunAlliance - A
seguros de vida para animais de Royal & SunAlliance é um dos
estimação globalmente e agora es- maiores grupos seguradores do
tamos trazendo essa nossa expertise mundo, com negócios em mais de
para o Brasil, com um produto que 130 países e operações em 27 na-
segue a tendência mundial da Royal ções. A Companhia tem cerca de 24
& SunAlliance de buscar soluções mil funcionários e, em 2006, regis-
específicas para os clientes, ca- Imagem do banner utilizado no ponto de venda trou prêmios de £5,5 bilhões. Com
racterística que nos diferencia da con- para divulgar a campanha Proteção Extra Pre- um legado de quase 300 anos, a Royal
corrência”, afirma o diretor de estraté- miada®, que começou por São Paulo, Rio de & SunAlliance é a seguradora com mais
tempo de mercado no mundo a operar
Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais,
gia e novos negócios da Royal & atingindo as demais regiões durante o desen-
SunAlliance Seguros, Angelo Colombo. volvimento da promoção com seu nome original.

18 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


O programa do Ministério da Saúde de avaliação externa da
qualidade em sorologia para
leishmaniose visceral canina
certifica o Tecsa Laboratórios
O Tecsa Laboratórios recebeu o certifi-
cado do Programa de Avaliação Ex-
terna da Qualidade em Sorologia para
Ministério da Saúde, o
Tecsa Laboratórios tam-
bém é o primeiro labo-
Leishmaniose Visceral Canina (AEQ- ratório veterinário certi-
LVC-01) do Ministério da Saúde (MS). ficado ISO 9001 da
Nesta avaliação o Tecsa obteve nota má- América Latina e tam-
xima, com 100% de acerto nos resultados bém é credenciado no
reportados. Esta qualificação foi alcança- Ministério da Agricul-
da por pouquíssimos laboratórios. “Isso tura, Pecuária e Abaste-
significa apuro técnico, exatidão, pre- cimento (MAPA).
cisão, cuidado, empenho, estudo e, princi- Tecsa Laboratórios: O Tecsa Laboratórios recebeu 100% de acerto nos resultados para
palmente, muito compromisso com a qual- (31) 3281-0500 leishmaniose visceral canina reportados ao Ministério da Saúde
idade dos exames. Na prática, tudo isto
pode ser traduzido pelos cuidados a
seguir: ter um médico veterinário exclusi- Núcleo Diagnóstico Veterinário implanta
vo para o setor de recebimento e preparo
de amostras; ter um médico veterinário ensaio de proficiência para controle de
supervisionando cada etapa da alico-
tagem do exame de leishmaniose, soro por qualidade para laboratórios
soro; ter um profissional com 23 anos de Desde 1996 o Núcleo com doppler colorido.
experiência em exames diagnósticos, Diagnóstico Veterinário, Primando pela qualidade
responsável pela liberação de cada exame centro de diagnósticos lo- dos seus serviços, o Núcleo
de leishmaniose, revisando um a um; ter calizado na cidade de São Diagnóstico Veterinário tor-
um médico veterinário que há 20 anos Paulo, SP, vem oferecen- nou-se participante do pro-
gerencia serviços de diagnósticos veter- do serviços especializados grama de ensaio de proficiência
inários e é o único veterinário de empresa para os clínicos veteriná- da ControlLab (www.controllab.
privada no Brasil membro da American rios. Atualmente, as ativida- com.br), empresa especializada
Association of Veterinary Laboratory des do Núcleo abrangem: radio- no controle de qualidade para labo-
Diagnosticians”, explicou o dr. Afonso logia, pressão arterial, cardiologia, ratórios.
Perez, diretor do Tecsa Laboratórios. ecodopplercardiografia, eletrocardiogra- Núcleo Diagnóstico Veterinário:
Além da certificação recebida do fia, análises laboratoriais, ultra-sonografia (11) 5183-6853

Jundiaí (SP) já tem centro de reabilitação e fisioterapia


C om o objetivo de tratar animais de
forma intensiva e de dar uma opção
de hospedagem a cães que necessitam
Os tratamentos ocorrem com a apli-
cação de sessões diárias de fisioterapia
através do uso de aparelhos (eletrotera-
Tudo isso em um ambiente tranqüilo
próximo a serra do Japi, rico de estímu-
los ambientais e com uma equipe que
de cuidados especiais, a equipe de fisio- pia, termoterapia, ultra-som, laser), está 24 h por dia se esforçando para rea-
terapia e treinamento de cães Hands On exercícios terapêuticos, hidroterapia e bilitar o cão em seu aspecto físico e
montou um programa de internação pa- acupuntura. comportamental.
ra a recuperação no pós-operatório O principal diferencial dos servi-
de cirurgias ortopédicas, tratamento ços prestados é a abordagem com-
de lesões agudas e crônicas do apar- portamental, o carinho e a dedica-
elho locomotor, problemas neu- ção, aliados ao conceito de que to-
rológicos, obesidade e distúrbios do do organismo tem a capacidade de
comportamento. Oferece também, se adaptar perante aos estímulos
aos proprietários que necessitem se corretos, escolhidos através do es-
ausentar, uma alternativa de pro- tudo sistemático de cada caso e com
mover melhora na qualidade de vi- embasamento científico para todos
da durante o período de hospe- os procedimentos adotados.
dagem. Paciente sendo submetido à eletroacupuntura Hands On: (11) 4586-8400

20 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Bayer Brasil cresce 25% em vendas e Relançamento de
planeja dobrar investimentos no Brasil Duramune® Max
I mpulsionado pelo excelente desempe-
nho de suas divisões de negócios
Bayer HealthCare, Bayer CropScience e
cujas vendas com ajustes de câmbio
cresceram 21%. A vacina Duramune® Max 5-CvK/4L,
produzida e comercializada pela Fort
Dodge, está ainda mais atualizada. Pro-
Bayer MaterialScience, o Grupo Bayer duzida com uma nova amostra da cepa do
Brasil registrou crescimento de 25% em parvovírus canino CPV-2b, denominada
vendas no ano de 2007. FD 2001, Duramune® Max 5-CvK/4L
A Bayer HealthCare, Divisão de agora proporciona três anos de imunidade
Cuidados com a Saúde, apresentou cres- contra este antígeno, conforme estudo rea-
cimento de 50% em vendas em 2007, lizado com cães vacinados e desafiados.
totalizando R$ 1,3 bilhão, o que corres- A vacina também se destaca por uti-
ponde a 39% do total do Grupo no País. lizar a tecnologia de subunidade na pro-
O desempenho, neste caso, é resultado De fácil manuseio, Advantage Max 3 apresen- dução da fração leptospira. Segundo li-
do fortalecimento do Grupo na área de ta a tripla proteção pelo efeito sinérgico entre
duas moléculas, a imidacloprida e a permetri- teratura técnica, as vacinas contra a
produtos farmacêuticos, no qual a Bayer na, que se espalham por toda a superfície da leptospirose canina são apontadas como
Schering Pharma ocupa a 5ª posição no pele do cão. Dessa forma, com seu efeito as principais responsáveis pelas reações
mercado brasileiro em unidades. aumentado, as substâncias funcionam como
uma barreira protetora, repelindo e matando os
pós-vacinais. Para diminuir a ocorrência
Os negócios da Saúde Animal cresce- ectoparasitas e garantindo proteção mínima de de tais reações, a Fort Dodge desenvol-
ram especialmente em função do desem- 30 dias, eliminando todas as fases dos car- veu a tecnologia de subunidade OMC,
penho positivo da linha Advantage de rapatos, pulgas adultas e larvas do ambiente, e
que utiliza apenas as proteínas presentes
ainda, repelindo culicídeos e flebotomíneos,
produtos para controle de pulgas, carra- que são, respectivamente, transmissores da na membrana externa da leptospira,
patos e flebotomíneos (mosquito palha), dirofilariose e da leishmaniose visceral canina porção mais imunogênica da bactéria.

22 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


I Seminário de Residência Scientific Meeting
em Medicina Veterinária Royal Canin
toda a comunidade universitária. Para
que isso seja feito de forma eficiente e
participativa foi elaborado o I Seminá-
rio Brasileiro de Residência em Medici-
na Veterinária.
O evento está programado para ocor-
rer na cidade de São Paulo, SP, nos dias
16 e 17 de junho de 2008 e, com a sua
realização, espera-se informar a co- Júlio César C. Veado (UFMG), Luciana Oliveira

E
e Yves Miceli (ambos da Royal Canin Brasil)
munidade sobre o trabalho da CNRMV/
CFMV em relação à residência em me- m março de 2008 a Royal Canin rea-
dicina veterinária e, paralelamente, lizou, na França, evento especiali-
obter opiniões e experiências desta zado sobre urologia e nefrologia (Scientific
mesma comunidade acadêmica com Meeting - Urology and Nephrology).
vistas à construção de uma segunda O evento contou com cerca de 400 con-

A pós quatro anos de um processo


de avaliação de Programas de
Residência em Medicina Veterinária,
etapa ambicionada pelo CFMV, que é a
de estabelecer o perfil ideal da resi-
dência em medicina veterinária, para
vidados, representando mais de 30 países.
Diversos especialistas internacionais mi-
nistraram palestras sobre temas especí-
a Comissão Nacional de Residência que seja possível proporcionar capaci- ficos da área. O prof. dr. Júlio César
em Medicina Veterinária do Conselho tação e competência mediante treina- Cambraia Veado, participante do evento,
Federal de Medicina Veterinária mento profissional supervisionado. salientou a presença do tema renoprote-
(CNRMV/CFMV) julga necessário Informações: www.cfmv.org.br ção que é tendência mundial na medicina
relatar os resultados desta ação para comissoes@cfmv.org.br humana e que faz parte de suas pesquisas.

24 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Bem-estar animal

Eventos discutem o bem-estar animal, a vivissecção e o direito animal


N o período de 16 a 18 de abril de 2008,
na Universidade Federal Rural de Per-
nambuco (UFRPE) foram realizados o I
bem-estar aos animais.
A solução – pesquisas, modificações na
legislação e mais investimentos – começa
Congresso Brasileiro de Bem-Estar Animal com a conscientização dos profissionais, que
e I Seminário Nacional de Biossegurança e deve ser trabalhada nas Instituições de Ensi-
Biotecnologia Animal. Participaram das dis- no Superior (IES), por meio de disciplinas
cussões aproximadamente 500 congressis- específicas que proporcionem formação éti-
tas, entre médicos veterinários, zootecnistas, ca e que assegure a dignidade dos animais.
biólogos, professores, estudantes, dirigentes Ao final do encontro, o foco do debate
de Conselhos Regionais de Medicina Veteri- voltou-se para as resoluções emanadas do Realizado na FMVZ/USP, o
CFMV que visa normatizar o uso científico
I Curso Introdutório à Ciência
nária (CRMVs), membros das comissões do Bem-estar Animal e Etolo-
assessoras do Conselho Federal de Medicina e garantir o bem-estar dos animais, tanto os gia Aplicada teve apoio da
Veterinária (CFMV), além de profissionais de companhia e de produção, quanto os sil- revista Clínica Veterinária, da
de diversos outros segmentos, como centros vestres e aqueles utilizados em pesquisa.
Nestlé Purina e da WSPA, que também con-
tribuiu cedendo a todos os participantes o
de controle de zoonoses e outras instituições. Oportuno e de alto nível técnico, o even- CD-Rom Conceitos em Bem-Estar Animal
to agradou aos distintos segmentos presentes
Arquivo CFMV

ao evento. O dr. Rubenval Feitosa, presi- veterinário e zootecnista assim como os co-
dente do CRMV-SE, exaltou a singularidade nhecimentos nas áreas de cirurgia, clínica,
da iniciativa, por ele analisada como “o pon- patologia, epidemiologia etc. Dessa forma, o
tapé inicial da discussão sobre a relação oferecimento de disciplinas nos cursos de
homem-animal no meio ambiente, nos diver- formação desses profissionais é de funda-
sos contextos: produção, animais de com- mental importância, não apenas para a inser-
Os assuntos abordados no I Congresso Brasi- panhia, pesquisa etc”. O mais importante, ção dos profissionais no mercado, mas vi-
leiro de Bem-Estar Animal e I Seminário Nacio- destacou Feitosa, foi “a nova visão propor- sando melhorias na qualidade de vida dos
nal de Biossegurança e Biotecnologia Animal
foram de grande interesse, contando com a
cionada, que nos leva a uma reflexão do com- animais e, indiretamente, dos seres humanos.
participação dos especialistas e do público que portamento do próprio homem, dos seus va- Entre março e abril desse ano também
lotou o auditório lores intrínsecos, já que estamos perdendo os ocorreu no Brasil, na Argentina, na Bolívia,
Renomados especialistas do Brasil e do nossos referenciais como seres humanos.” no Peru e no México, o Latino America Tour
exterior oriundos de diversas instituições Heyde Amorim, bióloga, também apro- InterNICHE (www.internichebrasil.org).
ministraram palestras e conduziram as dis- vou a iniciativa e ressaltou a importância da O evento, que foi promovido pela
cussões que ressaltaram que o bem-estar, de- visão proporcionada pelas discussões desen- InterNICHE (The International Network for
ve ser entendido no seu sentido amplo, esten- volvidas em Recife. “Na biologia o animal é Humane Education), teve como tema o "I
dendo a preocupação aos sentimentos e sen- entendido como 'coisa'. Mas deve-se respei- Encontro sobre Métodos Substitutivos ao
sações vividos pelos animais e não somente tar os direitos dos animais e garantir o bem- Uso de Animais na Educação: a ética no
para proporcionar a saúde com o sentido de estar deles”, observou. avanço do saber". Entre as novidades, foram
ausência de doença. Neste contexto, os pro- No começo do mês de abril também ocor- exibidos softwares nas áreas de cirurgia e far-
cedimentos que causam estresse, dor e medo reu, na Faculdade de Medicina Veterinária e macologia e proferidas conferências inter-
precisam ser analisados, compreendidos e Zootecnia da Universidade de São Paulo nacionais pelo coordenador da InterNICHE,
evitados na interação homem-animal. A con- (FMVZ/USP), o I Curso Introdutório à Nick Jukes (Inglaterra). Demonstrações de
tribuição dos pesquisadores estrangeiros pre- Ciência do Bem-estar Animal e Etologia métodos substitutivos, palestras técnicas e
sentes permitiu aos participantes conhecer a Aplicada, uma realização do Departamento mesas-redondas sobre questões éticas e de
realidade dos outros países quanto ao bem- de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde direitos animais e estudantis, também fize-
estar animal. Animal (VPS). ram parte da programação.
As situações que causam dor e sofrimento O curso proposto teve como objetivo prin- A discussão do assunto não pára. Do dia
nos animais mostram efeito semelhante ao que cipal a introdução dos conceitos básicos so- 1º ao dia 4 de maio, realizou-se o 1º
ocorre com os seres humanos. Expostos a estas bre a ciência bem-estar animal e etologia apli- Encontro Nacio-
sensações, os animais tem sua imunidade afeta- cada, preenchendo uma lacuna há tanto tem- nal de Direitos
da, possibilitando o acometimento de enfermi- po existente na formação dos profissionais. Animais, em Po-
dades de etiologias variadas. A sua continuidade faz parte de uma pro- rangaba, SP, e,
O tema é bastante complexo e apresenta posta de educação continuada do Departa- de 8 a 11 de ou-
diversas facetas. Proporcionar mais bem- mento de Medicina Veterinária Preventiva e tubro, em Sal-
estar aos animais de produção reduzirá sem Saúde Animal da FMVZ/USP, juntamente vador, B A , s e r á
dúvida a produtividade e aumentará os pre- com os pós-graduandos do mesmo departa- realizado o I
ços dos produtos de origem animal. Foram mento. Congresso Mun-
apontados desafios para o futuro: produzir O entendimento do bem-estar animal é tão dial de Bioética
melhor, poluindo menos e proporcionando o importante hoje para o profissional médico e Direito Animal.

26 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Heloísa Orsini
Patogenia das lesões do MV, MS. profa. aux.
UNICSUL
sistema nervoso central helorsini@yahoo.com.br

Eduardo Fernandes Bondan


(SNC) na cinomose canina MV prof. dr. tit.
UNIP e UNICSUL
bondan@uol.com.br

Pathogenesis of central nervous system


(CNS) lesions in canine distemper
Patogenia de las lesiones en el sistema mais adequadas para o seu tratamento e
nervioso central (SNC) en la cinomosis prevenção. O presente trabalho tem
como objetivo apresentar um panorama
geral da cinomose e descrever mais
Resumo: A cinomose é uma doença importante e freqüente na clínica de cães, conhecida por sua alta morbimortalidade e
pelos sinais e sintomas clínicos característicos que gera nos animais acometidos. Apesar de ser reconhecida como a principal
detalhadamente os processos possi-
enfermidade infecciosa dos cães, e de técnicas para o seu tratamento e profilaxia serem utilizadas rotineiramente pelo médi- velmente envolvidos no desencadea-
co veterinário, informações acerca dos mecanismos envolvidos na patogenia da doença – especialmente no que se refere ao
acometimento do sistema nervoso central (SNC) – são ainda pouco difundidas. Tendo em vista a importância do conhecimento
mento das lesões no SNC.
dos mecanismos e processos celulares envolvidos na cinomose para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais
eficientes no tratamento de tal doença, esta revisão traz um resumo dos principais aspectos patológicos da enfermidade e
aborda de forma mais aprofundada a patogenia da afecção do SNC, enfocando os tipos celulares possivelmente envolvidos
Considerações iniciais sobre a
no desenvolvimento das alterações neurológicas. cinomose
Unitermos: canídeos, paramixovírus, encefalite, glia, desmielinização
A cinomose é uma doença que apre-
Abstract: Canine distemper is an important and common disease of domestic dogs, known for its high death rate and for its
senta distribuição mundial 1,2,5. Acomete
specific clinical signs and symptoms. Although it is recognized as the main infectious canine disease and in spite of the diversas espécies de carnívoros domés-
techniques for its treatment and prophylaxis being routinely used by clinicians, information about the mechanisms involved in ticos e selvagens, tais como os das
the disease's pathogenesis – specially regarding the damage to the central nervous system (CNS) – is still unsatisfactorily
shared. Knowledge about the cellular mechanisms and processes involved in canine distemper are crucial to the development famílias Canidae (raposas, lobos, cha-
of more efficient therapeutic strategies. This review therefore summarizes the main pathological aspects of the illness and cais e coiotes), Mustelidae (lontras, fer-
accesses in a deeper manner the pathogenesis of CNS damage, concentrating on the cellular types possibly involved in the
development of neurological changes. rets e furões), Procyoinidae (quatis e
Keywords: canides, paramyxovirus, encephalitis, glia, demyelination guaxinins) e alguns indivíduos da
família Felidae (gatos domésticos e sel-
Resumen: La cinomosis es una enfermedad importante y frecuente en perros, conocida por su gran morbimortalidad y por sus
señales y síntomas característicos. Aunque sea la principal enfermedad infecciosa de los perros, y su tratamiento y profilaxis
vagens, leões e tigres). Moléstias seme-
sean realizados como rutina por el veterinario, poco se conoce sobre los mecanismos implicados en la patogenia de la lhantes, causadas por vírus antigenica-
enfermedad, especialmente sobre los daños al sistema nervioso central (SNC). Considerando la importancia en conocer estos
mecanismos, esta revisión trae un resumen de los principales aspectos patológicos de la enfermedad y aborda de forma más
mente relacionados ao vírus da cino-
profunda la patogenia de la afección del SNC, enfocando los tipos celulares posiblemente implicados en el desarrollo de mose, também foram descritas em focas
alteraciones neurológicas.
Palabras clave: cánidos, paramixovirus, encefalitis, glía, desmielinización
e golfinhos 1,2. No entanto, são os cães
domésticos os principais animais aco-
metidos e nos quais a cinomose se ma-
Clínica Veterinária, n. 74, p. 28-34, 2008 nifesta como a principal enfermidade
infecciosa 1.
Introdução seja, é isolado de patógenos e elementos A cinomose canina é causada por um
A cinomose é uma doença viral seve- sistêmicos – tais como células inflama- morbilivírus, da família Paramyxoviridae,
ra e altamente contagiosa, que acomete tórias – capazes de lesá-lo 8,10, especula- descrito pela primeira vez em 1905 2.
cães e outros carnívoros de forma mul- se que a desmielinização seja iniciada Trata-se de um RNA-vírus de fita sim-
tissistêmica 1,2. Apesar de gerar diferen- pela ação de células constituintes do ples, grande (150 a 350nm), de simetria
tes alterações orgânicas 1,2, a gravidade próprio tecido nervoso 5,7,11. Por essa ra- helicoidal, envelopado 14 e antigenica-
do processo e a morte dos animais estão zão e pela semelhança histopatológica mente relacionado aos vírus do sarampo
relacionadas às lesões desencadeadas das lesões observadas no SNC de ani- humano e da peste bovina 1. Morfologi-
pelo vírus no SNC 2,3. mais com cinomose com as originadas camente, é constituído por, além de ou-
Sabe-se que as alterações neurológi- em doenças humanas, tais como a escle- tras moléculas não-estruturais, seis pro-
cas presentes na doença se associam aos rose múltipla (de etiologia ainda indefi- teínas estruturais – três internas (L, N e
processos desmielinizantes e inflamató- nida) 5,12,13, o esclarecimento dos eventos P), envolvidas na transcrição e na repli-
rios gerados no parênquima nervoso 3,4,5. celulares envolvidos no processo de cação do RNA viral, e três inseridas no
No entanto, os mecanismos envolvidos desmielinização do SNC torna-se essen- envelope (M, H e F). A proteína N (nu-
no desenvolvimento de tais processos cial. Da mesma forma, para o clínico ve- cleocapsídeo) é responsável pela pro-
são ainda pouco esclarecidos 6,7. terinário, o conhecimento dos mecanis- teção do material genético, enquanto as
Uma vez que o SNC é tido como um mos envolvidos na doença é importante proteínas L e P (complexo polimerase)
sítio de privilégio imunológico 8,9, ou para o desenvolvimento de estratégias encontram-se envolvidas na transcrição

28 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


e na replicação do RNA viral 15. A proteí- a sua severidade, parece estar associada
na M (matriz) é importante para a matu- ao nível de anticorpos anti-CDV produ-
ração viral e funciona como conectora zidos pelo hospedeiro. Os animais que
das glicoproteínas de superfície ao nu- desenvolvem títulos de anticorpos mais
cleocapsídeo. As glicoproteínas F (fu- cedo limitam a dispersão viral pelos
são) e H (hemaglutinina) desempenham tecidos, recuperando-se mais facilmente
papéis importantes na patogenia da após a infecção. Animais que sofrem al-
doença, sendo a H responsável pela gum atraso ou falha na formação de tais
adsorção e a F, pela fusão do vírus à anticorpos são mais susceptíveis à in-
célula hospedeira 14,15. A proteína H, por fecção dos tecidos epiteliais e do SNC,
ser bastante variável, é a principal res- sendo as lesões geradas mais severas 3.
ponsável pela diversidade antigênica A infecção dos tecidos epiteliais pro-
observada nos vírus da cinomose 14, e move sinais e sintomas clínicos que
está envolvida na indução da resposta variam de moderados a severos. Os ani-
imunológica do hospedeiro à infecção 16. mais acometidos podem apresentar
Assim, apesar da existência de apenas diarréia, vômitos, anorexia, desidrata-
um sorotipo do vírus, observa-se grande ção, descarga nasal e ocular, bronquite,
variação no curso clínico e na severida- pneumonia, hiperqueratose de coxins,
de da doença, principalmente em rela- erupções cutâneas e pústulas abdomi-
ção ao acometimento do SNC. A diver- nais, entre outras alterações 1,2. O aco-
sidade antigênica do vírus da cinomose metimento do SNC gera ataxia, tremo-
(CDV) gera cepas virais diferentes, res intencionais de cabeça, movimentos
algumas mais virulentas e, portanto, mastigatórios crônicos, andar em círcu-
mais agressivas do que outras 4. los, convulsões e, menos freqüentemen-
A transmissão do CDV de um animal te, cegueira e paralisia 1,2,16. Em alguns
acometido para um suscetível se dá animais, o CDV persiste nos tecidos
principalmente pela via aerógena, por nervosos e ocasiona uma encefalite tar-
meio da inalação de aerossóis prove- dia, chamada encefalite do cão idoso, que
nientes de secreções corporais de ani- se assemelha à panencefalite esclero-
mais infectados. A doença não apresen- sante subaguda desenvolvida em huma-
ta predileção por raça ou sexo, mas aco- nos adultos infectados na infância pelo
mete principalmente indivíduos jovens vírus do sarampo 2. As lesões do SNC
ainda não vacinados 1. são as alterações mais graves da doença,
e geralmente culminam com o óbito dos
Patogenia e sinais clínicos animais 2,3.
A inalação das partículas virais leva a
uma infecção inicial das tonsilas palati- Patogenia da afecção do SNC
nas e dos linfonodos brônquicos. Os Devido à alta sensibilidade de seus
vírus iniciam a sua replicação nesses componentes, o SNC apresenta caracte-
tecidos e, mais tarde, por meio da infec- rísticas anatômicas e fisiológicas alta-
ção de macrófagos e linfócitos, dissemi- mente especializadas, que visam prote-
nam-se para outros órgãos linfóides, tais gê-lo 8. Além da proteção mecânica dos
como baço, timo, linfonodos e medula centros nervosos, desempenhada pelos
óssea, onde infectam, além de linfócitos compartimentos ósseos, pelas meninges
maduros, células naive (virgens), pro- e pelo líquido cefalorraquidiano (LCR) 17,
movendo apoptose e, conseqüentemen- os sistemas de irrigação tecidual e mo-
te, imunossupressão 3. De fato, observa- nitoração imunológica presentes são di-
se na prática clínica que os animais aco- ferenciados 8,9,17. Os capilares que pene-
metidos pela cinomose apresentam uma tram no parênquima nervoso, por exem-
imunossupressão inicial, ou seja, uma plo, possuem permeabilidade diferente
redução no número de linfócitos circu- daquela observada nos demais capilares
lantes. Antígenos virais são detectados do organismo, apresentando junções
em todos os órgãos e tecidos do organis- muito íntimas entre as células endote-
mo em seis a nove dias após a infecção 3, liais (junções ocludentes) e formando,
desencadeando as manifestações clíni- assim, uma barreira de isolamento entre
cas mais comuns da doença – alterações o SNC e a circulação sistêmica 9,10. Tal
gastrintestinais, respiratórias, oculares, barreira, denominada barreira hemato-
dérmicas e neurológicas 1,2. encefálica (BHE), é importante na sele-
A presença de sintomas, assim como ção das macromoléculas e das células

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 29


que penetram no tecido nervoso, impe- muitos dos aspectos da neuropatogenia ou por um processo indireto (bystander),
dindo a entrada de elementos hematóge- da infecção pelo CDV – como, por pela liberação de fatores tóxicos durante
nos que possam provocar danos 9, tais exemplo, as bases celulares e moleculares a resposta imunológica antiviral 7,12, ou
como as células do sistema imunológi- do processo desmielinizante que desen- pela sensibilização do sistema imune
co 8,10. A atividade dos elementos do cadeia – são ainda pouco esclarecidos 7. contra porções da mielina semelhantes a
sistema imunológico no SNC é, portan- A desmielinização do SNC na cino- componentes virais 10,12. Os oligoden-
to, limitada 8. mose se apresenta sob duas formas dis- drócitos são sensíveis a alguns elemen-
A entrada de células sistêmicas tam- tintas: uma aguda, inicial, não acompa- tos do sistema imunológico e morrem
bém é desfavorecida pelas condições nhada por processo inflamatório, e uma com maior facilidade do que outras
microambientais presentes no SNC ín- crônica, posterior, na qual a inflamação células presentes no SNC, até mesmo
tegro 8. Em situações de normalidade, torna-se presente 5,18 (Figura 2). A forma neurônios 20.
altos níveis de moléculas antiinflamató- aguda se correlaciona com a imunossu- A ação de células e elementos do
rias, tais como o fator de crescimento pressão inicial gerada pelo vírus, e a sistema imunológico tem sido aponta-
transformante beta (TGF-`), encon- crônica com o restabelecimento do nú- da por diversos autores como a princi-
tram-se presentes no parênquima ner- mero de linfócitos na circulação peri- pal causa de desmielinização, especial-
voso 8,10. Há também baixa expressão de férica 5. mente nas lesões crônicas 12. Na cino-
elementos que auxiliam no desenvolvi- As causas da desmielinização, tanto mose, assim como em várias outras
mento e na progressão das reações imu- na forma aguda como na crônica, são afecções do organismo, observa-se a
nológicas, tais como as moléculas do ainda pouco conhecidas 5,7,12. Alguns presença de macrófagos, linfócitos e
complexo de histocompatibilidade prin- mecanismos poderiam ser sugeridos outras células do sistema imune de-
cipal (MHC) 10 e as moléculas de ade- como promotores da perda de mielina, sempenhando suas funções no interior
são 8,9, que promovem, respectivamente, como, por exemplo, a ação direta dos do tecido nervoso 5,8,12. O CDV, assim
a ativação de linfócitos e a migração vírus sobre os oligodendrócitos (produ- como outros vírus que codificam proteí-
transendotelial de leucócitos provenien- tores da mielina no SNC), causando a nas capazes de se integrar à membrana
tes da circulação sistêmica. A apoptose sua morte ou alterando as suas funções celular, consegue atrair elementos do
– ou morte celular programada – de cé- mielinogênicas 7. No entanto, a afecção sistema imunológico para o interior do
lulas infiltrantes também é observada 9. viral direta dos oligodendrócitos não é SNC, na tentativa de proteger o tecido
No entanto, apesar do complexo sis- observada em nenhuma das duas formas dos agentes infecciosos 5.
tema desenvolvido para preservar a de desmielinização 6. Apesar de nucleo- Os mecanismos pelos quais as célu-
integridade do tecido nervoso, algumas capsídeos virais terem sido encontrados las hematógenas conseguem adentrar o
situações permitem o seu acometimen- em oligodendrócitos durante a infecção tecido nervoso ainda não são bem
to, tal como ocorre na cinomose canina. pelo CDV, partículas virais completas esclarecidos. Acredita-se que, de forma
Na cinomose, o mecanismo exato não foram identificadas, indicando que semelhante à que ocorre em outros teci-
pelo qual o CDV penetra e se dispersa a replicação viral não ocorre nesse tipo dos do organismo, o sistema imunológi-
pelo tecido nervoso ainda não é compre- celular e, portanto, a degeneração des- co também monitore o SNC 8,21, visando
endido 6. Acredita-se que o CDV adentra sas células não deve estar associada à a eliminação de agentes potencialmente
o SNC por meio de células mononuclea- infecção pelo CDV 19. deletérios 10. Assim, linfócitos T e B, por
res infectadas provenientes da circula- Uma vez descartada a ação viral dire- exemplo, independentemente da sua
ção sistêmica 5, visto que é descrita a mi- ta sobre os oligodendrócitos, reações especificidade, conseguem penetrar no
gração de linfócitos e monócitos hema- imunomediadas desenvolvidas pelo hos- SNC após ativação periférica, buscando
tógenos contendo antígenos virais para pedeiro são sugeridas como promotoras antígenos específicos 8,10. Além disso,
o interior do parênquima nervoso, e que da desmielinização 19. Assim, a destrui- quimiocinas, liberadas por diferentes
a replicação dos vírus no interior de cé- ção da mielina poderia ser desencadeada células presentes nos tecidos nervosos
lulas endoteliais não é observada, des-
cartando-se uma hipótese anterior de
que a infecção do SNC se dava dessa
Heloísa Orsini

Heloísa Orsini

forma 13. Uma vez no SNC, o vírus


acomete diferentes tipos celulares 3,5,6,13,16
e causa desmielinização, caracterizada
histologicamente por vacuolização e
perda multifocal de bainhas de mielina 11
(Figura 1).
A desmielinização é um evento que
sempre está presente em animais com
cinomose quando o SNC é acometido
pelo vírus 5. Sabe-se que a severidade da
desmielinização está relacionada, entre Figura 1 - Microcavitações teciduais compatí-
veis com o processo de desmielinização na Figura 2 - Infiltração inflamatória perivascular
outros fatores, à cepa viral e à imunidade substância branca do cerebelo de um cão com na substância branca do cerebelo de um cão
desenvolvida pelo animal 4; entretanto, cinomose. H/E. Obj. 10x com cinomose. H/E. Obj. 10x

30 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


durante a infecção 18, atraem leucócitos Desta forma, a atividade macrofágica líquor e nas regiões perivasculares do
da circulação sistêmica para o interior apresenta-se como uma das principais tecido nervoso. Posteriormente, células
do SNC 21 e citocinas pró-inflamatórias, causas de desmielinização do SNC du- gliais são infectadas e, por fim, há o
tais como o fator de necrose tumoral rante a fase crônica 21. acometimento de neurônios 3.
alfa (TNF-_), o interferon gama (IFN-a) Além dos macrófagos, linfócitos B (e Alguns estudos foram realizados com
e a interleucina 1 (IL-1), também po- seus anticorpos) e T também são encon- o objetivo de verificar a participação
dem contribuir para o desencadeamento trados na fase crônica da desmieliniza- das células do tecido nervoso no desen-
e a manutenção das reações imunológi- ção do tecido nervoso, especialmente nos cadeamento da desmielinização. Obser-
cas, recrutando linfócitos hematógenos 8. locais de replicação viral 18,23. Os fatores vou-se que a infecção neuronal direta
O IFN-a e o TNF-_ induzem a expres- liberados por tais células podem gerar, pode resultar em degeneração axonal e
são de moléculas do MHC e de molécu- como efeito final, a degradação da mie- conseqüente perda mielínica; entretan-
las de adesão pelas células endoteliais e lina. O TNF-_ e o IFN-a liberados duran- to, a maioria dos neurônios infectados
do tecido nervoso, aumentando a per- te os processos inflamatórios, por exem- pelo CDV permanece intacta, indicando
meabilidade da BHE. A liberação sistê- plo, são descritos em alguns experi- que tal processo não pode, por si só, de-
mica de TNF-_ e IFN-a também conse- mentos como lesivos aos oligodendróci- sencadear a perda maciça de mielina
gue ativar células presentes no parên- tos, promovendo vacuolização da mie- observada nas lesões desmielinizantes
quima do SNC, mesmo com a BHE in- lina e apoptose de oligodendrócitos 20. do SNC 6. Assim sendo, diversos autores
tacta 8. A expressão de MHC no interior A desmielinização imunomediada atribuem a desmielinização aguda à re-
do SNC é extremamente aumentada du- também é sugerida por autores que acre- plicação dos vírus nas células gliais 16,24.
rante a fase crônica de desmielinização 22. ditam que a perda da mielina possa ser As células gliais, ou da neuróglia,
No SNC, linfócitos perifericamente devida a uma reação autoimune, na qual compreendem, no SNC, astrócitos,
ativados desenvolvem uma resposta linfócitos podem desenvolver reações oligodendrócitos, microgliócitos e célu-
imune local, em conjunto com demais imunológicas contra componentes do las ependimárias. As células de
células inflamatórias, contra antígenos SNC – tais como a proteína básica da Schwann também compõem a glia,
específicos 10, proliferando e recrutando mielina (MBP) – por uma reação cruza- porém estão presentes apenas no sis-
novas células da circulação sistêmica 8. da, após ativação na circulação periféri- tema nervoso periférico, envolvendo
Uma vez que o vírus afeta outras células ca por proteínas virais similares a axônios neuronais 17.
nervosas que não os oligodendrócitos, antígenos próprios 7,10, mesmo quando o O conjunto de microgliócitos é deno-
muitos autores acreditam que a degene- CDV não está presente no SNC 7. minado micróglia 17 e corresponde a cé-
ração mielínica se dá por um mecanis- Os mecanismos descritos, de degene- lulas da linhagem monocítica fagocitá-
mo bystander, pela ação antiviral de cé- ração mielínica mediada pelo sistema ria residentes no SNC 8,21. Acredita-se
lulas imunológicas que liberam fatores imunológico, podem ser aplicáveis no que tais células sejam originárias do
potencialmente tóxicos aos oligoden- desencadeamento da forma crônica de mesoderma, partindo de monócitos he-
drócitos 12,16. Assim, as células imunoló- desmielinização, visto que células infla- matógenos que penetram no tecido ner-
gicas causariam uma lesão acidental do matórias encontram-se presentes em voso durante a embriogênese ou nos
SNC ao tentar combater antígenos 5,8. grandes quantidades nessa fase 12. A des- processos de injúria do SNC 8. Em con-
Nesse sentido observou-se, em um mielinização da fase aguda, no entanto, dições normais, encontram-se na forma
experimento, que complexos imunes parece não apresentar natureza imuno- quiescente e, quando ativadas por
(anticorpos anti-CDV ligados ao CDV) mediada. Apesar de linfócitos T 23 e B 18 algum processo patológico, desempe-
podem induzir lesões primárias em oli- terem sido identificados durante a fase nham funções semelhantes às dos ma-
godendrócitos por meio da ligação com inicial de desmielinização, tais células crófagos, fagocitando substâncias e de-
o receptor FC da superfície dos macró- não se encontram em quantidade sufi- sencadeando reações inflamatórias 21,22.
fagos 12. A ativação do receptor FC dos ciente para produzir lesões desmielini- Os astrócitos, por sua vez, possuem
macrófagos é importante para o reco- zantes 23. Acredita-se, portanto, que diversas funções de suporte ao SNC,
nhecimento e a neutralização viral, mas nesta fase a desmielinização se deva a tais como a manutenção da osmolari-
promove a liberação de produtos – tais uma ação direta dos vírus sobre outros dade, da concentração iônica e do pH, a
como espécies reativas de oxigênio, tipos celulares, tais como neurônios e produção e a secreção de proteínas da
óxido nítrico (NO) e proteases – que células da neuróglia 7, promovendo a de- matriz extracelular, a síntese de molécu-
acabam lesando também os oligoden- generação dos oligodendrócitos como las de adesão e de fatores neurotróficos,
drócitos 10. Os radicais livres derivados efeito secundário 5,7,11,24. a indução e a manutenção das carac-
do oxigênio, tais como o ânion superó- terísticas da barreira hematoencefálica e
xido, o peróxido de hidrogênio e o radi- Células envolvidas no processo a fagocitose de restos celulares, entre
cal hidroxila, reagem com proteínas e desmielinizante do SNC outras. Apresentam também funções
lipídeos presentes nas células, podendo Muitos tipos celulares presentes no imunes, tais como a secreção de citocinas
causar lesão e morte celular 2, além de SNC são acometidos pelo CDV 3,5,13,16. O pró-inflamatórias (IL-1, IL-6, TNF-_ e
danos nas bainhas de mielina 10. Além vírus é inicialmente identificado em IFN-a) e antiinflamatórias (TGF-` e
disso, podem se combinar com o NO, células mononucleares presentes nas prostaglandina E) e a expressão de molé-
formando intermediários reativos que meninges. Em seguida, células mono- culas MHC de classes I e II 25. Frente às
também danificam estruturas celulares 2. nucleares infectadas são encontradas no agressões do tecido nervoso, os astrócitos

32 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Heloísa Orsini

A B
Figura 3A e B - Marcação imunoistoquímica da vimentina (proteína dos filamentos intermediários do
citoesqueleto) em astrócitos reativos no tronco encefálico de um cão apresentando desmielinização
pela cinomose (A) e no tronco encefálico de um cão clinicamente sadio (B). Obj. 10x

respondem prontamente, proliferando e astrócitos infectada pelo CDV, o vírus


hipertrofiando-se 25,26. A função desse era identificado em astrócitos, porém
comportamento é ainda desconhecida, eram os oligodendrócitos que sofriam
mas observa-se que ele acompanha degeneração – possivelmente por causa
invariavelmente as lesões desmielini- da liberação de substâncias pró-
zantes do tecido nervoso 27, tal como inflamatórias a partir dos astrócitos.
evidenciado em trabalhos científicos
que utilizaram a marcação imunoisto- Consideraçõe finais
química de componentes dos filamentos Ainda que diversos estudos demons-
intermediários dos astrócitos – a proteí- trem especialmente a participação dos
na glial fibrilar ácida (GFAP) e a astrócitos e da micróglia na desmielini-
vimentina (VIM) –, demonstrando que a zação do SNC, muitos dos aspectos da
desmielinização do SNC promove um neuropatogenia da doença permanecem
aumento na expressão de tais compo- ainda desconhecidos. O entendimento
nentes 28,29 (Figura 3A e B). A GFAP é o dessas questões é importante para defi-
principal componente estrutural astroci- nir o papel de tais células como respon-
tário de indivíduos adultos 25 e a VIM, sáveis pela lesão do SNC nas doenças
nos astrócitos, é predominante no perío- desmielinizantes, como ocorre na cino-
do embrionário, sendo perdida confor- mose. O conhecimento da patogênese
me o amadurecimento celular 30. Frente da doença é essencial quando se buscam
às lesões do SNC, ocorre um aumento formas de tratamento. Assim, já que na
na expressão da GFAP e a reexpressão cinomose os danos no SNC podem
da VIM, indicando reatividade astroci- muito provavelmente ser gerados pelo
tária 28,29. processo inflamatório desenvolvido no
Uma vez que as funções pró-infla- tecido nervoso, torna-se compreensível
matórias dos astrócitos e da micróglia a indicação do uso de métodos de
são reconhecidas como potencialmente supressão da atividade inflamatória/
indutoras de desmielinização 5,24, e que a imunológica ao invés de estimulação –
infecção de neurônios 6 e de oligoden- como era realizado até há pouco tempo.
drócitos pelo vírus não é capaz de gerar Da mesma forma, o reconhecimento das
sozinha o processo desmielinizante células que desencadeiam o processo
observado na cinomose 6,24, supõe-se pode fornecer meios para o desenvolvi-
que, quando ativados, micróglia e astró- mento de terapias mais específicas, que
citos são capazes de iniciar o processo ajam contra a ação inflamatória/imuno-
inflamatório e a desmielinização obser- lógica apenas de um determinado ti-
vada no SNC de cães com cinomose 5,24. po celular. O conhecimento dos meca-
No entanto, as principais células acome- nismos envolvidos no processo de in-
tidas pelo CDV são os astrócitos 23,24, e as flamação e de desmielinização do SNC
lesões desmielinizantes iniciais são si- é um importante passo para o desen-
multâneas à replicação do vírus nessas volvimento de métodos de prevenção e
células 27. Um experimento realizado de cura da cinomose, assim como de
em1986 24 demonstrou que, em uma outras doenças desmielinizantes do
cultura mista de oligodendrócitos e de SNC.

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 33


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12-OTTERON, C. ; ZURBRIGGEN, A. ; GRIOT, C. ; distemper virus encephalitis. Acta 2001.

Curso teórico de Curso teórico- Curso teórico-prático de Curso teórico-prático


laboratório clínico prático de cardiologia afecções cirúrgicas da coluna de cirurgia de partes
25 de maio;
1, 8, 15, 22 e 29 de junho;
veterinária vertebral moles
25 de maio; 8 e 22 de junho; 9, 10, 16 e 17 de agosto 14, 21, 28 de setembro;
6 de julho
6 e 20 de julho horário: das 8h às 17h 19 de outubro;
horário: das 8h às 12h
horário: das 8h às 17h 9, 23,e 30 de novembro;
Palestrante: Palestrante: Profº. dr. João Guilherme 7 de dezembro
Palestrante: Padilha horário: das 8h às 17h
Profº Milton Kolber
Profº Luciano Pereira Exame neurológico; doença do disco inter-
Aprenda a montar seu la-
Origens e tratamentos de qua- vertebral; fenestração de discos interverte- Palestrante: Profª Aline Machado
boratório clínico no con-
dros congestivos; técnicas e brais; uso de fenda ventral (ventral slot); De Zoppa
sultório; hematologia clíni-
procedimentos utilizados na hemilaminectomia; laminectomia dorsal; Cirurgias: da cabeça e do pescoço;
ca; urinálise; bioquímica
emergência cardíaca (edema afecções cirúrgicas da coluna; síndrome de das cavidades torácica e abdomi-
sérica; enzimas hepáticas;
pulmonar, hidropericárdio, efu- Wobbler; subluxação atlanto-axial; afecções nal; do trato genito-urinário; da
líquidos cavitários; para-
são pleural e ascite); eletrocar- cirúrgicas da coluna; síndrome de compres- região perineal; da pele; diversas
sitologia veterinária
diograma são da cauda eqüina; fraturas de L7 (miscelâneas cirúrgicas)
Local: Instituto Biológico* Local: 2º BPE** Local: 2º BPE** Local: 2º BPE**
Realização Informações e inscrições: * Instituto Biológico ** 2º Batalhão da Polícia do Exército (BPE)
fone: (11) 2995-9155 • fax: (11) 2995-6860 Rua Conselheiro Rodrigues Alves 1252 - 4º andar - Rua Raul Lessa, 52 - Saída 17 da Rod. Castelo Branco
juna.eventos@uol.com.br - www.junaeventos.com Vila Mariana - São Paulo - SP Trav.da Av.Getúlio Vargas - Osasco/SP
(próximo a estação Ana Rosa do metrô)

34 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Graziela Kopinits de Oliveira
Glossectomia MV, mestranda
PPGMV/UFSM
parcial em um cão grakopinits@yahoo.com.br

Alceu Gaspar Raiser


MV, prof. tit.
Partial glossectomy in a dog Depto. Clínica de Pequenos Animais, CCR/UFSM
raisermv@smail.ufsm.br

Glosectomía parcial en un perro Eduardo de Bastos Santos Júnior


MV, doutorando
PPGMV/UFSM
edvet@brturbo.com.br
Resumo: Ressecções de grandes porções da língua não têm sido realizadas com freqüência em cães, devido à preocupação
com a ocorrência de seqüelas pós-operatórias desfavoráveis. Neste relato é apresentado o caso de um cão levado ao Hospital
Veterinário da Universidade de Santa Maria apresentando traumatismo lingual com subseqüente necrose (decorrente da Maicon Pinheiro
passagem de um projétil de arma de fogo), e submetido à glossectomia parcial de 2/3 da língua como tratamento. Cinco meses Graduando em medicina veterinária
após a intervenção cirúrgica, o animal se encontrava bem adaptado à nova situação e não apresentava dificuldade de ingestão UFSM
de sólidos ou líquidos. A glossectomia parcial pode proporcionar sobrevida digna para os animais, dada à capacidade que eles vetpinheiro@hotmail.com
têm de se adaptar a esse tipo de intervenção.
Unitermos: cirurgia, língua, traumatismo lingual
Liandra Vogel Portella
Abstract: Resection of great portions of the tongue is not common practice in dogs, due to the possibility of postoperative MV, anestesista
sequels. This article reports the case of a dog presented to the Veterinary Hospital of the University of Santa Maria with lingual Hospital Veterinário/UFSM
traumatism and subsequent necrosis due to the passage of a firearm projectile. The animal underwent partial glossectomy of liandracp@terra.com.br
2/3 of the tongue. Five months after the surgical intervention, the animal was well adapted to the new situation and it did not
have any difficulties in ingesting solids or liquids. The amputation is an option that allows the survival of the animal, due to its
capacity of adaptation to the procedure.
Keywords: surgery, tongue, lingual traumatism

Resumen: Resecciones de grandes porciones de la lengua no son realizadas con frecuencia en canes, debido a
preocupaciones con resultados post quirúrgicos desfavorables. En este relato es mostrado el caso de un perro que fue
llevado al Hospital Veterinario de la Universidad de Santa Maria presentando traumatismo lingual con subsiguiente necrosis
(debido al pasaje de un proyectil de arma de fuego), y sometido a una glosectomia parcial de 2/3 de la lengua como
tratamiento. Cinco meses después de la intervención quirúrgica, el animal se encontraba bien y adaptado a la nueva situación
sin presentar dificultad de ingesta de sólidos o líquidos. La glosectomia parcial es una opción que permite la sobrevida digna
del animal debido a su capacidad de adaptación a este tipo de situación.
Palabras clave: cirugía, lengua, traumatismo lingual

Clínica Veterinária, n. 74, p. 36-38, 2008

Introdução de uma semana até oito anos após as traumática de 2/3 do órgão em um pa-
Pacientes com doenças na cavidade cirurgias e, com base nos resultados ciente humano, vitimado por acidente
oral podem apresentar salivação, disfa- obtidos, os autores concluíram que a automobilístico, que deixou a porção
gia, anorexia, sangramento, odor fétido, amputação de parte da língua foi bem cranial da língua ligada apenas por um
ou podem permanecer assintomáticos 1. tolerada pelos cães e pode ser uma pedículo. Cinco meses depois do proce-
O traumatismo de língua pode ser con- opção de tratamento viável quando ne- dimento o indivíduo apresentava função
seqüência de complicações resultantes cessária. normal, boa cicatrização e vasculariza-
de déficit da vascularização, que pro- Um cão desenvolveu isquemia segui- ção do órgão.
movem isquemia ou a necrose da área 2. da de necrose da língua devido à inges- Depois da cirurgia de ressecção da
Ressecções de grandes porções da lín- tão de pulmão bovino, e ficou com um língua, as manifestações adversas são o
gua em cães não são realizadas com fre- anel traqueal preso na base da língua acúmulo de alimentos na cavidade oral,
quência, em virtude da preocupação por mais de treze horas. Ao exame clíni- a dificuldade no trânsito alimentar e as
com a ocorrência de complicações pós- co, realizado após a remoção do anel aspirações durante e após a deglutição 6.
operatórias e com o declínio da qualida- traqueal, o tecido encontrava-se necro- O presente relato tem por objetivo
de de vida, decorrentes da redução da sado, pois os tecidos corporais não tole- apresentar a glossectomia parcial como
função lingual 3. ram mais do que seis horas de isquemia. alternativa para o tratamento de lesões
Amputações de 40% a 60% da por- Diante da impossibilidade de preservar graves da língua, pois quando conduzi-
ção rostral da língua são bem toleradas, a língua, foi realizada a amputação de da de maneira adequada, essa inter-
mas após o procedimento pode ser ne- todo o segmento livre do órgão 4. venção permite adaptação satisfatória
cessária a colocação de uma sonda para A manutenção da língua após a em cão.
alimentação 1. Para verificar a capacida- amputação completa ou de grande por-
de de preensão e a qualidade de vida no ção é um evento raro 3. Há relato 5 de re- Relato de caso
pós operatório, cinco cães que haviam vascularização por meio de anastomose, Um cão, macho, SRD, com suspeita
sido submetidos à glossectomia foram utilizando a artéria lingual esquerda e a de mordida por gambá, foi atendido no
avaliados 3. Os exames foram realizados veia lingual direita, após a amputação Hospital Veterinário Universitário da

36 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Universidade Federal de Santa Maria

Lígia Henz Silva


(HVU/UFSM). Segundo o proprietário,
o cão havia desaparecido de casa duran-
te aproximadamente uma semana e,
quando foi encontrado apresentava feri-
mentos na boca e no pescoço, secreção
sanguinolenta e um odor fétido na cavi-
dade oral.
Ao exame físico constatou-se que o
animal estava desidratado, magro, com
temperatura elevada, mas com ritmo Figura 2 - Retirada do projétil alojado na região
cardíaco e demais parâmetros normais. rostral da maxila do cão (seta)
O cão foi anestesiado com propofol a
(6mg kg-1) para a realização de exame fluidoterapia intravenosa com solução
mais detalhado da cavidade oral, que de Ringer Lactato e transfusão de
permitiu a observação de necrose em 500mL de sangue, uma vez que os valo-
aproximadamente 2/3 da região rostral res de hematócrito, hemoglobina e he-
da língua (Figura 1). Diante desse mácias estavam abaixo da normalidade.
quadro, foi recomendada a amputação Em exploração da cavidade oral do
da parte comprometida. cão, realizada após anti-sepsia com
Os resultados do hemograma de- clorexidine, foi encontrado e retirado
monstraram anemia com hematócrito de um projétil de arma de fogo que estava
25%, hemácias 3,74 e hemoglobina alojado na parte rostral da maxila
8,6g/dL. Na série branca constatou-se (Figura 2); o ferimento foi curetado e
aumento de leucócitos para 20.100/µL, lavado abundantemente. Constatou-se,
principalmente no número de basto- que a causa da necrose da língua não
netes (1,6x103/µL), a contagem das fora uma mordida de gambá, e sim a
demais células brancas estava dentro passagem do projétil.
dos valores normais. Para a glossectomia parcial foi reali-
O animal foi encaminhado ao setor zada uma incisão elíptica ao redor da
de internação do hospital, onde recebeu língua, com bisturi, e removeu-se toda a
solução de Ringer com lactato b (60mL área que havia sofrido necrose (aproxi-
kg-1 h-1) e antibioticoterapia – associação madamente 2/3). Depois da remoção e
de metronidazol c (40mg kg-1) e cefaloti- da hemostasia da área lesionada, a
na d (30mg kg-1), ambos por via intra- incisão foi suturada com fio poliglactina
venosa. 910 3-0, em pontos isolados simples, de
Após ser hidratado, e sob proteção modo a aproximar anatomicamente a por-
antibiótica, o paciente foi conduzido ao ção remanescente da língua (Figura 3).
centro cirúrgico do HVUFSM, onde foi Em seguida foi efetuada aplicação de
submetido à pré-medicação com mida- tubo de faringostomia para facilitar a
zolan e (0,4mg kg-1) e à indução anestési- alimentação do animal, e evitar que a
ca com propofol (4mg kg-1). Para a ma- presença de alimentos na cavidade
nutenção anestésica, utilizou-se halota- bucal interferisse na cicatrização.
no f vaporizado em oxigênio em sistema No pós-operatório foi administrado
semi-aberto e como terapia analgésica, como antiinflamatório cetoprofeno h
foi empregado cloridrato de tramadol g (2mg kg-1 ao dia), durante cinco dias e a
(2mg kg-1). O animal foi mantido em terapia antibiótica foi mantida por mais
dez dias, cada um dos antibióticos sendo
administrado duas vezes ao dia, nas mes-
Lígia Henz Silva

mas via e doses citadas anteriormente.


Foi indicada limpeza do local cirúrgico
com clorexidine três vezes ao dia.

a) Fresofol 1%. Fresenius Kabi Brasil Ltda. Campinas, SP


b) Ringer com lactato. Aster. Sorocaba, SP
c) Astergyl. Aster. Sorocaba, SP
d) Keflin. Antibióticos do Brasil LTDA. Cosmópolis, SP
e) Dormonid. Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A.
Rio de Janeiro, RJ
f) Tanohalo. Cristália. Campinas, SP
Figura 1 - Cão apresentando necrose de apro- g ) Tramal. laboratórios Pfizer LTDA. Guarulhos, SP
ximadamente 2/3 da língua h) Profenid. Sanofi-aventis. Morumbi, SP

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 37


das vezes, requer procedimento anesté- apresentaram deiscência dos pontos ci-

Lígia Henz Silva


sico pois, além de facilitar um exame rúrgicos 9. Esse tipo de complicação não
mais completo, evita que partes dolori- foi observada no caso ora relatado, pro-
das manipuladas incomodem o animal 7. vavelmente porque o autor citado não
A colocação de sonda por faringosto- utilizou a alimentação por faringostomia
mia reduziu o risco de infecção e deis- no pós-operatório, que diminui o índice
cência, uma vez que preveniu o contato de deiscência da sutura.
da ferida cirúrgica com alimentos e A tentativa de revascularização se
facilitou a alimentação no período de mostra satisfatória 5 quando se dispõe de
adaptação 1,8. vitalidade do órgão e técnica apropriada
Embora a cavidade oral seja uma para microanastomose. Em pacientes nos
região notoriamente contaminada, a quais se constate a desvitalização ou
saliva é antimicrobiana e o suprimento quando o profissional não se sentir pre-
sangüíneo que a abastece é excelente, o parado para efetuar uma intervenção
que isenta o uso de terapia antibiótica conservadora, a glossectomia é uma
prolongada 1. No caso ora relatado, o opção que permite a sobrevivência do
Figura 3 - Aproximação anatômica da região re- animal apresentava necrose da língua – animal, pois como anteriormente men-
manescente da língua do cão após a glossecto-
mia parcial
e a lesão já era visível havia mais de cionado, a adaptação é rotineira.
uma semana –, o que levou os autores a
Duas semanas após a cirurgia o ani- optarem por antibioticoterapia mais Referências
mal já se mostrava adaptado e não apre- agressiva. 1-FOSSUM, T. W. Cirurgia de Pequenos Animais.
2. ed. São Paulo: Roca, 2005, 1390p.
sentava dificuldades de ingestão de sóli- Embora a princípio a suspeita tenha
2-WEISSMAN R. ; WILLEMAN, A. ; BERNARDI, F.
dos e/ou líquidos. Passados cinco sido de necrose por mordida de gambá, H. Necrose da língua causada por trauma. Relato
meses, o cão estava totalmente adaptado durante o procedimento cirúrgico consta- de caso. Revista Portuguesa de Estomatologia,
à nova situação e não apresentava qual- tou-se que a causa havia sido o traumatis- Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial.
v. 45, n. 2, p. 79-84, 2004.
quer sinal de dificuldade decorrente da mo decorrente da passagem do projétil
3-DVORAK L. D. ; BEAVER, D. P. ; ELLISON, G.
perda parcial da língua (Figura 4). de arma de fogo, que promoveu dano vas- W. ; BELLAH, J. R. ; MANN, F. A. ; HENRY, C.
cular com subseqüente isquemia e ne- J. Major glossectomy in dogs: a case series and
crose 2. proposed classification system. Journal of the
American Animal Hospital Association. v. 40,
Em estudo sobre laceração lingual
Eduardo de Bastos Santos Júnior

p. 331-337, 2004.
por barbante em cão, foi realizada am- 4-PORTILLA, E. Necrose de la lengua por
putação de 2/3 da base da língua e, cerca estrangulamiento - Informe de um caso.
de 21 dias após a cirurgia, o animal esta- Veterinária México. v. 22, n. 3, p. 249-250, 1992.
va adaptado à nova situação 8. Já o ani- 5-EGOZI, E. ; FAULKNER, B. ; LIN, K. Y. Successful
mal objeto do presente relato adaptou-se revascularization following near-complete
amputation of the tongue. Case report. Annals of
à nova situação após 15 dias, o que pode Plastic Surgery. v. 56, n. 2, p. 190-193, 2006.
ser explicado quando se estabelece um 6-GOIATO, M. C. ; FERNANDES, A. U. R. Lengua
parâmetro de comparação entre os dois protética articulada para paciente glosectomizado.
Figura 4 - Cão após cinco meses da realização casos: se, no primeiro – e já descrito – Acta Odontológica Venezolana. v. 43, n. 1, p. 4-7,
da glossectomia: observar tecido lingual total- 2005.
mente cicatrizado (caso), a glossectomia foi implementada
7-HARVEY, C. E. Cavidade oral, língua, lábios,
na base, neste a cirurgia foi realizada na bochechas, faringe e glândulas salivares. In:
Discussão e conclusão região oral da língua. E, como é con- SLATTER, D. Manual de cirurgia de pequenos
A ressecção de grandes porções da hecido, amputações na base da língua animais. 2. ed. São Paulo: Manole; 1998. v. 1.
p. 624-635.
língua não tem sido realizada comu- são mais incômodas, exigindo maior
8-BRAGA, F. A. ; PIPPI, N. L. ; PEDRAZZI, V. ;
mente em cães devido à preocupação período de adequação. DEMORI, G. ; HECKLER, M. C. T. ; PIGATO,
com o pós-operatório 3, porém, no caso Estudo realizado em uma amostra de J. ; WEISS, M. ; CORREA, R. ; POHL, V.
relatado, embora 2/3 desse órgão tenham cinco cães – dos quais quatro foram Laceração lingual em um cão: relato de caso.
submetidos à glossectomia – relata Medvep, v. 2, n. 8, p. 239-243, 2004.
sido retirados, o animal teve adaptação
muito boa, o que indica que esse tipo de alguns tipos de neoplasias orais e os 9-DALECK, C. R. ; DE NARDI, A. B. ; SILVA, M.
C. V. ; EURIDES, D. ; SILVA, L. A. F. Neoplasia
cirurgia pode promover bons resultados. resultados da intervenção na amostra: de lingua em cinco cães. Ciência Rural. v. 37,
O exame da região oral, na maioria dois dos cães glossectomizados (50%) n. 2, p. 578-582, 2007.

38 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Bernardo Kemper
Fixação percutânea MV, mestrando
DMV/UFRPE
externa complementar na bkemper@bol.com.br

Maira Santos Severo


osteossíntese de fratura MV, mestranda
DMV/UFRPE

pélvica cominutiva bilateral - mairasevero@yahoo.com.br

Marcela Luiz de Figueiredo


relato de caso em um cão MV, residente
DMV/UFRPE
marcellalf@hotmail.com

Use of the complementary external Alex Alves da Silva


percutaneous fixation in the osteosynthesis MV, residente
DMV/UFRPE
alex_alvesdasilva@yahoo.com.br
of bilateral comminuted pelvic
Ricardo Chioratto
fractures - case report in a dog MV, doutorando
DMV/UFRPE
rchioratto@hotmail.com

Fijación percutánea externa complementar en Neuza Marques


la osteosíntesis de fractura pélvica conminuta MV, doutoranda
DMV/UFRPE
bilateral - relato de caso en un perro neuzavet@hotmail.com

Eduardo Alberto Tudury


Resumo: Fraturas da pelve são relativamente comuns, sendo a maioria do tipo múltipla. Os métodos de fixação para as fratu- MV, dr. prof. ass. I
ras pélvicas incluem o uso de pinos e fios de Kirschner, placas ortopédicas, parafusos ortopédicos, cerclagem interfragmen- DMV/UFRPE
tar, e parafusos ortopédicos e polimetilmetacrilato. O objetivo deste trabalho é relatar a bem sucedida osteossíntese de uma eat-dmv@ufrpe.br
fratura pélvica bilateral cominutiva pela combinação de duas técnicas ortopédicas de estabilização do coxal: utilizando para-
fusos e polimetilmetacrilato (PMMC) para a estabilização das fraturas acetabulares, e pinos de Schantz inseridos no ílio e
ísquio, conectados externamente com PMMC. As vantagens dessa combinação, como simplicidade e versatilidade da técnica, de: ílio, acetábulo, ísquio e púbis 1.
recuperação funcional precoce, satisfação do proprietário com a evolução clinica do animal, cicatrização óssea apropriada e
posterior remoção do fixador, diminuindo o número de implantes, justifica a sua utilização em fraturas pélvicas cominutivas Na suspeita de fraturas pélvicas, após
bilaterais em cães. o exame clinico geral para estabelecer o
Unitermos: pelve, reparo de fratura
estado geral do paciente, deve ser reali-
Abstract: Fractures of the pelvis are relatively common and occur mostly at multiple sites. Fixation methods for pelvic fractures zado exame ortopédico completo 5. Pela
include the use of pins and Kirschner wires, orthopedic plates, orthopedic screws, interfragmentary cerclage and orthopedic
screws and polymethylmetacrylate. The objective of this work is to describe the successful osteosynthesis of a bilateral palpação são verificadas a simetria pél-
comminuted pelvic fracture using the combination of two orthopedic surgical techniques: screw and polimetilmetacrilate vica, a saúde articular e a presença de
(PMMA) usage for the stabilization of the acetabulum fractures, and the use of Schantz pins connected externally with
PMMA. Many advantages justify the use of this combination in this type of fracture in dogs: simplicity, versatility, precocious áreas doloridas ou edemaciadas. Pontos
functional recovery, owner satisfaction with the clinical evolution of the animal, appropriate bone scarring and subsequent de orientação são as proeminências
fixative removal, which reduce the number of implants.
Keywords: pelvis, fracture repair ósseas, como asa do ílio, trocanter
maior e tuberosidade isquiática 6. Uma
Resumen: Las fracturas de la pelvis son relativamente comunes y la mayoría de ellas son múltiples. Los métodos de fijación
para las fracturas pélvicas incluyen el uso de clavos y alambres del Kirschner, placas ortopédicas, tornillos ortopédicos, palpação retal adicional cuidadosa pode
cerclaje interfragmental y tornillos ortopédicos y polimetilmetacrilato (PMMC). El objetivo de este trabajo es describir la bien trazer informações sobre estreitamento
sucedida osteosíntesis de una fractura pélvica conminuta bilateral por la combinación de dos técnicas ortopédicas de
estabilización del coxal: utilizando tornillos y PMMC para la estabilización de fracturas acetabulares y la utilización de clavos do canal pélvico 5,6, mas o diagnóstico
de Schantz en ilion e isquion, conectados externamente con PMMC. Las ventajas de esta combinación, como simplicidad y definitivo da extensão da fratura é pro-
versatilidad de la técnica, recuperación funcional temprana, satisfacción del propietario con la evolución clínica del animal,
cicatrización del hueso y retiro subsiguiente del fijador, reduciendo el número de implantes, justifica su uso en fracturas porcionado pelo exame radiográfico 5,6,7.
pélvicas conminutas en perros. Apesar de as fraturas pélvicas pode-
Palabras clave: pelvis, reparación de la fractura
rem ser tratadas com repouso e restrição
de exercício, o reparo cirúrgico geral-
Clínica Veterinária, n. 74, p. 40-44, 2008 mente resulta em retorno funcional pre-
coce, com menos dor e complicações
Introdução capazes de selecionar tratamentos ade- durante a cicatrização 8.
Fraturas da pelve são relativamente quados para diferentes tipos de fraturas 2. Complicações associadas às fraturas da
comuns e, em muitas clínicas veteriná- A pelve é constituída por vários ossos pelve são usualmente conseqüência da
rias, respondem por 20% a 30% do total grandes e achatados que, pela sua arti- ausência total de tratamento, podendo
de fraturas atendidas 1,2,3,4. A maioria culação com o sacro, formam uma es- resultar em obstipação, constipação
dessas fraturas é múltipla, ou seja, en- trutura semelhante a um caixão. Essa crônica, e impossibilitar a fêmea de ter
volve mais de três ossos 3,4. Para fazer estrutura contorna a porção caudal do es- partos normais em virtude da má união
frente à alta prevalência dessas lesões, queleto axial, conectando-o aos membros de fraturas do corpo do ílio 9. Outras
os cirurgiões veterinários devem ser pélvicos. Cada hemipelve se compõe complicações associadas ao tratamento

40 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


conservativo de fraturas pélvicas são a

Bernardo Kemper
A B

Bernardo Kemper
claudicação persistente associada a ano-
malias anatômicas e a doença articular de-
generativa da articulação coxofemoral 8.
Cada fratura deve ser abordada com
plano pré-operatório minucioso, mas o
cirurgião deve ter a versatilidade de
impor mudanças quando necessário 2.
Os métodos de fixação para as fratu-
ras pélvicas incluem o uso de pinos de
Steinmann, placas ortopédicas, e/ou pa- Figura 1 - Imagem radiográfica (A) e desenho es-
rafusos ortopédicos e cerclagem inter- quemático da fratura do coxal (B). Lado esquerdo
(E): fratura acetabular com deslocamento da
fragmentar 4. A utilização de parafusos porção acetabular caudal (para medial) sobrepondo-se como parte do corpo do ílio deslocado para
ortopédicos e polimetilmetacrilato lateral; fragmento acetabular ilíaco solto e deslocado craniolateralmente para fora da pelve; fratura
(PMMC) para a fixação de fraturas ilía- de tábua isquiática. Lado direito: fratura acetabular com deslocamento do fragmento caudal, incluin-
do a cabeça femoral, para o interior do canal pélvico; corpo ilíaco situado lateral e externamente ao
cas e acetabulares apresentou resultados acetábulo: deslocamento para o interior do canal pélvico e do colo femoral. Fragmento acetabular
satisfatórios 10,12. do ílio (cranial) livre, discretamente rotacioado lateralmente e situado cranialmente à cabeça femoral
O objetivo deste trabalho é relatar a
bem sucedida osteossíntese de uma fra- mantido anestesiado, e posteriormente foi de cimento cirúrgico (PMMC), toman-
tura pélvica bilateral cominutiva empre- intubado sob vaporização com oxigênio do-se o cuidado de envolver toda a su-
gando fixação percutânea externa com- 100% e isoflurano f. A anestesia epidural perfície de suas extremidades. Durante
plementar à estabilização acetabular in- foi complementada com associação de a polimerização do PMMC, foi utilizada
terna com parafusos e PMMC. lidocaína g (1mL), bupivacaína h (1mL) e irrigação com solução fisiológica para
cloridrato de tramadol 5% (0,15mL) minimizar o aquecimento.
Relato de caso injetada no espaço epidural, entre L7-S1. Com o intuito de complementar essa
Um cão sem raça definida (SRD), de Após preparação do campo cirúrgico e estabilização e manter os fragmentos
quatro anos de idade, pesando oito qui- colocação dos panos de campo, foi reali- fixos e alinhados, foram inseridos dois
logramas e apresentando severa impo- zada a abordagem lateral da hemipelve pinos de 2mm por 120mm com rosca
tência funcional dos membros pélvicos esquerda de acordo com técnica já descri- negativa na ponta (tipo Schantz), um no
foi encaminhado ao Hospital Veteriná- ta 11, mantendo-se o nervo ciático afastado corpo do ílio e outro no ramo acetabular
rio da Universidade Federal Rural de e protegido com uma faixa de látex con- do ísquio, com direção de dorsal para
Pernambuco. Na anamenese constatou- feccionada a partir de um dedo de luva. ventral em relação à pelve. Para isso, a
se que o animal havia sofrido acidente O fêmur, juntamente com os fragmen- musculatura e a pele foram reposiciona-
automobilístico cinco dias antes do tos ósseos que compõem o acetábulo, das antes da penetração dos pinos, evi-
atendimento, e desde então não se man- encontrava-se deslocado cranial e me- tando posterior tensão no ponto de in-
tinha em estação. O paciente vinha sen- dialmente. A tração caudo-lateral do fê- serção. Após lavagem e fechamento da
do tratado em uma clinica veterinária mur com a utilização de pinça Backhaus ferida cirúrgica, a extremidades dos pi-
particular com repouso, analgésicos, la- (fixa no trocanter maior) promoveu nos foram envergadas para compor
xantes e cuidados de enfermagem, sem redução parcial da fratura. Em seguida a barra externa de PMMC. Esse procedi-
apresentar melhoras. Ao exame clínico, foram utilizadas pinças de redução de mento foi repetido na hemipelve contra-
observou-se que o animal estava apático fragmentos ósseos para manter a fratura lateral e as barras então conectadas
e manifestava crepitação e dor na mani- alinhada. Conforme descrito na literatu- entre si, aumentando sua estabilidade
pulação da região pélvica, cuja confor- ra 12,13, foram então realizadas duas perfu- mecânica (Figura 2).
mação estava alterada. O paciente man- rações – uma cranial e a outra caudal à li-
Bernardo Kemper

tinha as funções urinárias normais, mas nha de fratura acetabular – para a inser-
tinha dificuldade para defecar, e não ção de dois parafusos auto-atarraxantes
apresentava alterações ao exame neuro- (aço 304 de 2,9mm), evitando-se a pe-
lógico. Ao exame radiográfico foi evi- netração da cavidade acetabular.
denciada fratura pélvica cominutiva Para a interligação desses parafusos
bilateral com severo estreitamento do usou-se um fio de aço (0,8mm de espes-
canal pélvico e perda do eixo de susten- sura) em banda de tenção: os parafusos
tação (Figura 1). foram deixados sobressalentes, o que per-
Optou-se pela osteossíntese após mitiu sua estabilização pela colocação
anestesia, utilizando cloridrato de tra-
madol a (2mg/kg/IM), cetoprofeno b a) Tramaliv®.Teuto. Anápolis-GO
b) Ketofen1%®. Merial Saúde Animal LTDA. Campinas-SP
(1mg/kg/IM) e acepromazina c (0,05mg/ c) Acepram 0.2%®. Univet S/A. São Paulo-S
kg/IM) na preparação pré-anestésica, e d) Compaz ®. Cristália. São Paulo-SP Figura 2 - Imagem fotográfica pós-cirúrgica
e) Provine 2%®. Claris. São Paulo-SP imediata, mostrando os pinos de Schantz
indução com diazepam d (0,5mg/kg/IV) f) Isoforine®. Cristália,. São Paulo-SP
g) Lidovet®. Bravet. Rio de Janeiro-RJ implantados no coxal e conectados externa-
e propofol e (4mg/kg/IV). O paciente foi h) Neocaína 0,5%®. Cristáila. São Paulo-SP mente com uma barra de polimetilmetacrilato

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 41


O exame radiográfico pós-cirúrgico

Bernardo Kemper

Bernardo Kemper
imediato permitiu visualizar a manuten-
ção do canal pélvico com alinhamento
dos fragmentos ósseos, porém sem per-
feita reconstrução acetabular.
No período pós-operatório foi pres-
crita antibioticoterapia (cefalexina i
25mg/kg/PO/TID durante sete dias),
analgesia (cloridrato de tramadol 1mg/
kg/PO/TID durante cinco dias), antiin-
flamatório (meloxicam j 0,1mg/kg/PO/ Figura 3 - Imagem fotográfica realizada três
SID durante sete dias), repouso em dias após o procedimento cirúrgico mostrando
a recuperação funcional do paciente, que já
gaiola com passeios mínimos, e limpeza deambulava sem dificuldades com a barra
diária dos pontos de saída dos pinos externa de PMMC (seta)
com solução de clorexidina k. Figura 4 - Imagem radiográfica realizada após
o acréscimo de um pino à barra externa, for-
No primeiro retorno, quatro dias após seu manejo precoce. Os animais acome- mando um quadrado, incrementado a estabi-
a cirurgia, optou-se por acrescentar um tidos por esse tipo de trauma apresen- lização e mostrando a manutenção pós-cirúrgi-
pino à barra externa, formando um qua- tam extrema dificuldade para permane- ca do alinhamento ósseo e do canal pélvico
drado que incrementou a estabilização. cer em estação e caminhar, mostrando
Nesse momento o paciente já sentava e dor severa à palpação, com assimetria para a estabilização de fraturas acetabu-
andava sem grandes dificuldades (Figu- aparente. Além das injúrias ortopédicas, lares, utilizando parafusos interligados
ras 3 e 4). Oito dias após a cirurgia os o trato urinário, os nervos periféricos, o com fio de aço em forma de oito passa-
pontos foram removidos, a antibiotico- tendão pré-púbico, o reto e a região peri- do em torno das cabeças sobressalentes
terapia suspensa e, como o animal não neal correm um risco particular de sofrer dos parafusos, e fixação destes com
necessitava mais de laxantes para defe- injúrias adicionais e concomitantes 14. PMMC em substituição à placa de re-
car, a administração destes foi interrom- Determinadas fraturas podem ser tra- construção. Em decorrência do grau de
pida. O proprietário relatou que o ani- tadas conservativamente quando não fragmentação e da localização das li-
mal já subia as escadas da casa sem envolvem áreas de suporte ou transmis- nhas de fratura (próximas ao acetábulo),
apresentar dor ou desconforto. são de peso, como: asa do ílio, púbis, decidiu-se pela utilização complemen-
No retorno após 35 dias da cirurgia, o ísquio e acetábulo caudal 2,14,15, e quando tar dos pinos de Schantz, fixados aos
animal não manifestava dor na extensão há limitações financeiras por parte do fragmentos ósseos e conectados exter-
e na flexão da articulação coxofemoral proprietário 8. No caso relatado o pa- namente com PMMC para auxiliar a
de ambos os membros, mas apresentava ciente apresentava severa dor e impo- estabilização anterior (Figura 2), técnica
leve assimetria das massas musculares tência funcional dos membros posterio- já descrita 19 para a fixação isolada de
do membro pélvico esquerdo. No exa- res, mantendo-se preferencialmente em fraturas pélvicas pouco complexas.
me radiográfico realizado foi possível decúbito, além de ter dificuldade para Com o tratamento cirúrgico aqui im-
visualizar formação de calo ósseo e que- defecar mesmo utilizando laxantes plementado foi possível manter a
bra do implante mais caudal da hemi- orais. Conforme citado na literatura 9, adequada largura do canal pélvico e o
pelve esquerda, no ponto de transição essa dificuldade estava associada à dor e alinhamento quase anatômico dos
da parte rosqueada para a não rosquea- ao estreitamento pélvico (Figura 1). ossos, evitando uma possível
da, o que fez com que se procedesse à O tratamento cirúrgico é indicado hemipelvectomia posterior, como
remoção dos implantes que constituíam a quando houver acentuada redução no descrito 20 para casos de estenose do
estrutura de fixação externa. diâmetro do canal pélvico, instabilidade canal. Após quatro dias o animal já
A seguir foi instituído um programa dos ossos do quadril por fraturas múlti- andava e sentava sem apresentar dificul-
fisioterápico com atividades passivas e plas, grave deslocamento dos fragmen- dades, evidenciando a eficiência e a
movimentação ativa em piscina, além tos, fraturas acetabulares e em fraturas estabilidade oferecida pelo método de
de nutracêuticos l (glicosaminoglicanos com preensão do nervo ciático 4. Não se fixação combinado, sem que os pinos
e sulfato de condroitina A) por 60 dias e recomenda a realização de procedimen- gerassem complicações ou incômodo ao
analgésicos por mais cinco dias depois to cirúrgico após dez dias do trauma, paciente. O repouso em gaiola no perío-
da retirada dos implantes. porque a própria manipulação cirúrgica do pós-operatório ajudou a evitar a pos-
pode induzir a injúria iatrogênica de sibilidade de sobrecarga nos implantes,
Discussão músculos e nervos da pelve 16. o que contribuiu para o sucesso do trata-
A elevada freqüência de complica- Em fraturas cominutivas o prognóstico mento ortopédico instituído e a cicatri-
ções e retardo na recuperação funcional é reservado, podendo ser adotado proce- zação apropriada das fraturas, evidenci-
das fraturas pélvicas torna importante o dimento como ressecção de cabeça e co- ados no exame radiográfico realizado
lo femoral 17. Em oposição a esse método, 35 dias após o procedimento cirúrgico.
i) Rilexine 150. Virbac SA. Franca, SP.
no caso relatado optou-se pela combina- A atrofia observada no membro
j) Meloxican. Merck. Cotia, SP ção de técnicas cirúrgicas ortopédicas, pélvico esquerdo está possivelmente
k) Clorexidine 2%. Rioquímica. São José do Rio Preto, SP
l) Condromax. Ouro Fino. Cravinhos, SP com o emprego de um método indicado 18 associada à atrofia por desuso induzida

42 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


pelo repouso, além da fratura do im- BARAÚNA, D. ; CHIORATTO, R. ; SILVA, S.

Bernardo Kemper
A. M. ; ALMEIDA, A. C. M. ; KEMPER, B. ;
plante nesse lado, sendo a área de tran- PURCELL, F. Fixação de fraturas ilíacas de cães
sição das partes rosqueada e não ros- utilizando parafusos ortopédicos e polimetilme-
queada mais susceptíveis às fraturas 4. tacrilato. XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DA
O animal voltou a ganhar massa muscu- ANCLIVEPA, Salvador, Anais... CD Rom. 2005.
11-PIERMATTEI, D. L. ; JOHNSON, K. A. An
lar após a remoção dos implantes e a atlas of surgical approaches to the bones and
realização de fisioterapia, reforçando joints of the dog and cat. Philadelphia:
essa afirmação (Figura 5). O emprego Saunders, 2004, 4. ed., 400.
de nutracêuticos (glicosaminoglicanos e 12-LEWIS, D. D. ; STUBBS, W. P. ; NEUWIRTH,
L. ; BERTRAND, S. G. ; PARKER, R. B. ;
sulfato de condroitina A) ajuda no trata- STALLINGS, J. T. ; MURPHY, S. T. Results of
mento e prevenção da osteoartrite 21 que screw/wire/polymethylmethacrylate composite
pode evoluir a partir de fraturas aceta- fixation for acetabular fracture repair in 14 dogs.
Veterinary Surgery, n. 26, v. 3, p. 223-234, 1997.
bulares 4, e foi mantido durante 60 dias. Figura 5 - Imagem fotográfica realizada 45 dias 13-HALLING, K. B. ; LEWIS, D. D. ; CROSS, A.
A necessidade de cuidados maiores após a remoção dos pinos externos, com com- R. ; BEAVER, D. P. ; LANZ, O. I. ; STUBBS, W.
com o fixador externo, como limpezas pleta recuperação funcional P. Composite fixation for acetabular fractures in
diárias dos pontos de emergência dos dogs. Compendium on Continuing Education
Philadelphia; Lipencott, 1985, p. 393-402. for the Practicing Veterinarian, 2000, v. 22, n. 9,
pinos, e para evitar autotraumatismo, p. 803-815.
pode ser apontada como desvantagem 02-OLMSTEAD, M. L. Fractures of the bones of the
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prietário com a rápida evolução clinica Berlin: Springer, 1998, p. 148-154. 16-DeCAMP, C.E. Principles of pelvic fracture
do animal, cicatrização óssea apropria- 04-PIERMATTEI, D. L. ; FLO, G. L. ; DECAMP, C. management. Seminars in Veterinary Medicine
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O tratamento cirúrgico precoce e a configurations as a component of screw/wire/
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técnica de fixação de fratura pélvica bi- Kleintierkrankheiten: orthopädische chirurgie
polymethilmethacrilate fixation for acetabular
lateral cominutiva, que combinou a uti- fractures in dogs, Journal of the American
und traumatologie. Stuttgart: Ulmer, 1998,
Animal Hospital Association, v. 36, n. 5, p. 456-
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PMMC, possibilitaram rápido retorno animal surgery, 2. ed, St. Louis: Mosby, 2003,
Philadelphia: Lea e Febiger, 1978.
da deambulação, sem complicações im- p. 1093-1101. 20-TUDURY, E. A. ; SEVERO, M. S. ; ALMEIDA
A. C. M. ; FIGUEIREDO, M. L. ; Hemipel-
portantes e com a manutenção do ade- 08-TOMLINSON, J. L. Fractures of the pelvis. In: vectomia como tratamento de obstipação em cão:
quado diâmetro pélvico, sugerindo ser SLATTER, D. H. Text book of small animal relato de caso, VI JORNADA DE PESQUISA E
surgery. 3. ed, Philadelphia: Saunders, 2003,
esta técnica apropriada para o tratamento p. 1989-2001.
EXTENSÃO. Anais... 2006, CD-ROM.
de fraturas pélvicas complexas em cães. 09-NEWTON, C. D. ; Fracture Repaire. In:
21-MCCARTHY, G. ; O'DONOVAN, J. ; JONES, B. ;
MCALLISTER, H. ; SEED, M. ; MOONEY, C.
LIPOWITZ, A. L. ; CAYWOOD, D. D. ; Randomized double-blind, positive-controlled
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NEWTON, C. D. ; NUNAMAKER, D. M. Philadelphia: Williams&Wilkins. 1996, p. 563-597. osteoarthritis. Veterinary Journal, v. 174, n. 1,
Textbook of small animal orthopedics. 10-ROEHSIG, C. ; TUDURY, E. A. ; ROCHA, L. B. ; p. 54-61, 2007.

44 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Renato Moraes Sarmento
Tumor maligno de bainha Médico veterinário, especialista
bolostro@gmail.com

nervosa em papagaio- Adrien Wilhelm Dilger Sanches


verdadeiro (Amazona MV, mestre. prof. adj.
Setor de Patologia Animal
HV/UNIPAR-Umuarama

aestiva) - relato de caso jabotrix@unipar.br

José Ricardo Pachaly


MV, mestre, dr. prof. tit.
Peripheral nerve sheath tumor in a blue- Setor de Medicina de Animais Selvagens
HV/UNIPAR-Umuarama
fronted amazon parrot (Amazona aestiva) - pachaly@uol.com.br

case report
Tumor maligno de vaina nerviosa en loro
hablador (Amazona aestiva) -
relato de caso
Resumo: O tumor maligno de bainha nervosa é um neoplasma raro, com poucos relatos em medicina veterinária, especial-
mente em aves. Este artigo apresenta um caso de tumor maligno de bainha nervosa em papagaio-verdadeiro (Amazona
aestiva). Realizou-se exérese da massa neoplásica sob anestesia geral dissociativa e acompanhamento da evolução pós-
operatória durante 60 dias. O exame histopatológico revelou anisocitose, anisocariose, células gigantes multinucleadas e
mitoses aberrantes. As células mesenquimais estavam entremeadas por substância intercelular abundante, conferindo ao tecido
aspecto mixóide em algumas áreas (tecido Antoni B). Em outras áreas as células apresentavam-se em feixes sólidos, por
vezes em forma curva ou nodular (tecido Antoni A). Os achados microscópicos possibilitaram o diagnóstico definitivo, como
primeira ocorrência desse raro neoplasma em uma ave da Família Psittacidae, Ordem Psittaciformes.
Unitermos: ave, Psittacidae, neoplasma, neurofibrossarcoma, schwannoma maligno

Abstract: The peripheral nerve sheath tumor is a rare type of neoplasia. There are very few reports of this disease in
veterinary medicine, and even less in birds. This paper reports the case of a peripheral nerve sheath tumor in a blue-fronted
amazon parrot (Amazona aestiva). The neoplastic mass was excised under general dissociative anesthesia and the patient was
monitored during 60 days after surgery. The histopathological examination revealed presence of anisocytosis, anisokaryosis,
multinucleated giant cells and aberrant mitosis. The mesenchymal cells were interspersed by abundant intercellular substance,
giving the tissue a myxoid appearance in some areas (Antoni B tissue), whereas in other areas the cells were gathered in solid
bundles, sometimes in curved or nodular form (Antoni A tissue). The microscopic findings enabled the definitive diagnosis of
peripheral nerve sheath tumor, to date the first reported occurrence of this rare neoplasia in a psittacine bird (Family Psittacidae,
Order Psittaciformes).
Keywords: bird, Psittacidae, neoplasia, neurofibrosarcoma, malignant schwannoma

Resumen: Se reporta un caso raro de tumor maligno de vaina nerviosa en un loro hablador (Amazona aestiva). Se realizó
escisión de la masa tumoral bajo anestesia general disociativa y monitoreo de la evolución post-operatoria por 60 días. El
examen histopatológico evidenció anisocitosis, anisocariosis, células gigantes con múltiplos núcleos y mitosis aberrantes. Las
células mesenquimales se encontraban intercaladas por sustancia intercelular abundante, dando al tejido un aspecto mixoide
en algunas áreas (tejido Antoni B). En otras áreas las células tenían formación en agregados sólidos, por veces en forma curva
o nodular (tejido Antoni A). El examen microscópico posibilitó el diagnóstico definitivo de tumor maligno de vaina nerviosa,
como la primera ocurrencia de esta rara neoplasia en un ave de la Familia Psittacidae, Orden Psittaciformes.
Palabras clave: ave, Psittacidae, neoplasia, neurofibrosarcoma, schwannoma maligno

Clínica Veterinária, n. 74, p. 46-50, 2008

Introdução e revisão da literatura constituem a principal fonte desses tu- proliferação difusa. Podem ocorrer intra-
O tumor maligno de bainha nervosa é mores. Nos nervos periféricos, os ramos cranialmente ou envolver raízes espi-
também chamado de neurofibrossarco- sensitivos são mais acometidos que os nhais. As características patológicas
ma ou schwannoma maligno. É um tu- motores, e os tumores malignos de bai- incluem aumento fusiforme do nervo
mor neurogênico que pode acometer nha nervosa são lesões circunscritas, envolvido, e as características histo-
nervos cranianos, periféricos ou raízes bem encapsuladas e firmes, localizadas patológicas incluem células em fuso atí-
nervosas, originário de células que em- excentricamente nos nervos. 1,2,3,4,5,6,7,8 picas em proliferação, com núcleos del-
bainham essas estruturas. 1 Na bainha do O tumor maligno de bainha nervosa gados, serosos e pontiagudos, áreas de
nervo são encontrados três tipos celula- freqüentemente ocorre como uma massa hipocelularidade e áreas apresentando
res – células de Schwann, fibroblastos solitária, ao contrário do neurofibroma, espirais organizadas de proliferação fi-
no epineuro, perineuro e endoneuro, e que pode ser multilobulado. Os schwanno- broblástica. O exame microscópico rev-
células perineurais. 2 É opinião prepon- mas são sempre encapsulados, enquanto ela um padrão celular frouxo e desorga-
derante que as células de Schwann os neurofibromas são caracterizados por nizado, com núcleos alongados no meio

46 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


de tiras fibrosas. 1,2,3,4,5,6,7,8,9 da Clínica Veterinária Tratadog, na ganhou peso, chegando a 0,513kg.
Na extremidade cefálica extra crania- cidade de Americana, interior do Estado Uma vez estabilizadas as condições
na, a incidência desse neoplasma é rara, de São Paulo. O animal apresentava clínicas gerais, optou-se pela exérese da
o que justifica a escassez de publicações grande massa, com aproximadamente massa, com posterior encaminhamento
a respeito. 1 3,5cm de diâmetro, na face esquerda de fragmento para a realização de
Mesmo na literatura internacional, (Figuras 1 e 2). Segundo relato do pro- exame histopatológico.
tanto em medicina humana quanto vete- prietário, o desenvolvimento foi re- O procedimento cirúrgico teve início
rinária, verifica-se que poucos são os lativamente rápido, pois a massa havia com a indução de anestesia injetável
autores que dispõem de uma casuística surgido aproximadamente três meses dissociativa, pela associação de clori-
maior, e todos são unânimes em afirmar antes da consulta. Inicialmente era uma drato de xilazina b, cloridrato de cetami-
a baixa freqüência desse tumor. 1,3,4,5,6,7,8,9 pequena nodulação sob a pele, que pro- na c e sulfato de atropina d, em doses cal-
Em aves, a literatura é ainda mais es- grediu em termos de volume e se tornou culadas por meio de extrapolação alo-
cassa. Há relato de um caso de neurofi- ulcerada. métrica interespecífica. 12.13 Usou-se
brossarcoma, em conjunto com leio- O animal se apresentava apático e como modelo para os cálculos o cão
miossarcoma, observado em galinha inapetente e, ao exame físico, consta- doméstico de 10kg; a figura 3 indica as
(Gallus gallus) com sete semanas de tou-se acentuada magreza – peso de doses-modelo e as doses que foram
idade, 10 um caso de neurofibrossarcoma 0,398kg. À palpação da massa, notou-se administradas ao paciente, por via intra-
na forma multicêntrica em ganso-cana- que sua consistência era firme e muito muscular (musculatura peitoral), após
dense (Branta canadensis) adulto, 11 e aderida, porém o animal não apresenta- acondicionamento conjunto da associa-
em psitacídeos, no Brasil, um caso de fi- va reações dolorosas. Como primeiro ção de drogas em uma mesma seringa.
brossarcoma em um exemplar de papa- procedimento, após a aplicação de A indução da anestesia ocorreu cinco
gaio verdadeiro (Amazona aestiva). 9 botão anestésico com 0,2mL de clori- minutos após a administração da asso-
drato de lidocaína a a 2%, foi efetuada ciação de drogas, sendo então as penas
Relato de caso punção com agulha 40x12, sendo aspi- da área operatória removidas por arran-
Um papagaio-verdadeiro (Amazona rado somente pequeno volume de camento, com margem de segurança de
aestiva), de sexo indeterminado e com sangue. alguns milímetros (Figuras 4 e 5).
18 anos de idade, foi atendido na rotina O animal permaneceu então interna- A seguir, a pele foi incisada com
do por 10 dias, sob temperatura contro- bisturi elétrico, de forma semi-circular,
lada e recebendo cuidados de suporte, na base posterior da massa, a qual foi
como hidratação, alimentação forçada à então rebatida rostralmente (Figura 6).
base de queijo petit-suisse, grãos varia- Isso possibilitou visualizar o olho
dos e ração comercial para papagaios. esquerdo, que estava sepultado sob a
Renato Moraes Sarmento

A resposta clínica foi positiva, e nesse massa, porém ainda íntegro e funcional.
período o paciente ficou mais ativo e Foi efetuada então a excisão plena do

Figura 3 - Protocolo anestésico empregado em papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) para a rea-


lização de exérese de massa neoplásica localizada na face. As doses foram calculadas por meio de
extrapolação alométrica interespecífica, usando como modelo as indicações para o cão doméstico
Droga Dose-modelo, indicada para o Dose calculada para o
cão doméstico de 10kg papagaio de 0,513kg
Figura 1 - Vista frontal da massa neoplásica Cloridrato de cetamina 10mg/kg 23,41mg/kg
localizada na face esquerda de um papagaio-
verdadeiro (Amazona aestiva), e posteriormen- Cloridrato de xilazina 2g/kg 4,68mg/kg
te identificada como tumor maligno de bainha
nervosa Sulfato de atropina 0,05mg/kg 0,12mg/kg
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Figura 4 - Vista ventral da massa neoplásica Figura 5 - Vista lateral esquerda da massa neo-
Figura 2 - Vista lateral esquerda da massa neo- localizada na face esquerda de um papagaio- plásica localizada na face esquerda de um pa-
plásica localizada na face esquerda de um verdadeiro (Amazona aestiva), após a remo- pagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), após a
papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) ção das penas circunjacentes remoção das penas circunjacentes

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 47


Renato Moraes Sarmento

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Figura 6 - Vista lateral esquerda da cabeça de Figura 7 - Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) Figura 8 - Visão aproximada da cabeça de um
um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) após em pós-operatório imediato, após a excisão de papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) em
a massa neoplásica localizada na face ser reba- massa neoplásica localizada na face pós-operatório imediato, após a excisão de
tida rostralmente. Observa-se o olho esquerdo, massa neoplásica localizada na face
que se encontrava sepultado sob a massa, íntegro

Renato Moraes Sarmento

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Renato Moraes Sarmento

Figura 11 - Vista lateral esquerda da cabeça de


um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)
Figura 10 - Vista lateral esquerda da cabeça de após finalizado o processo de sutura subse-
um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) qüente à excisão de massa neoplásica locali-
após a excisão da massa neoplásica localiza- zada na face
Figura 9 - Vista lateral esquerda da cabeça de da na face no início do processo de sutura
um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)
após a excisão da massa neoplásica localizada
na face, no momento de reposicionamento de Figura 12 - Protocolo medicamentoso empregado em um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) após
retalho de tecido contendo os bordos palpebrais a realização de exérese de massa neoplásica localizada na face. As doses foram calculadas por meio
de extrapolação alométrica interespecífica, usando como modelo as indicações para o cão doméstico
Droga Dose-modelo, indicada para o Dose calculada para o
cão doméstico de 10kg papagaio de 0,513kg
Flunixin meglumine 10mg/kg 23,41mg/kg
Renato Moraes Sarmento

Enrofloxacina 1,1mg/kg 2,57mg/kg

Foi então resgatado o retalho cutâneo A seguir, o paciente foi enrolado em


contendo a comissura palpebral, o qual papel e acondicionado em uma caixa
foi reposicionado sobre o olho (Figura 9), térmica, sendo acompanhado até a
iniciando-se a seguir a sutura de aproxi- recuperação anestésica plena, que ocor-
mação da tela subcutânea, com fio reu em aproximadamente uma hora,
absorvível de poliglactina e número 4-0, quando finalmente saiu do papel onde
como mostra a figura 10. O proce- estava envolto, empoleirando-se de
Figura 13 - Fotomicrografia de tumor maligno de dimento foi finalizado com a sutura da imediato.
bainha nervosa excisado da face de um papagaio-
verdadeiro (Amazona aestiva), mostrando áreas de
pele, utilizando-se pontos simples isola- A massa neoplásica foi seccionada e
tecido Antoni A (em azul), com maior celularidade, e dos com fio mononáilon f cirúrgico nú- fixada em formol a 10% e encaminhada
Antoni B (em vermelho), com menor celularidade. mero 3-0 (Figuras 7, 8 e 11). Foram para o Serviço de Patologia do Hospital
Em ambas há células mesenquimais de alta relação
núcleo/citoplasma, com pleomorfismo distinto.
administrados antibiótico (enrofloxacina g) Veterinário da Universidade Paranaense,
Acima, à esquerda, observa-se um corpúsculo de e antiinflamatório (flunixin-meglumine h),
Verocay (em amarelo) (H.E., 400x) em doses únicas também calculadas por
extrapolação alométrica interespecífica, a) Lidocaína 2% sem vasoconstritor. Ariston. São Paulo, SP
b) Rompun®. Bayer Saúde Animal. São Paulo, SP
neoplasma, sendo a hemorragia contro- tendo por base as doses usualmente em- c) Vetaset, ®. Fort Dodge. Campinas, SP
d) Atropina 0,05%. Geyer. Porto Alegre, RS
lada por meio de cauterização dos pregadas para o cão doméstico. A figura e) Vicril®. Ethicon. São Paulo, SP
f) Mononylon®. Ethicon. São Paulo, SP
vasos nutrizes. A massa removida tinha 12 indica as doses-modelo e as doses g) Flotril®. Schering-Plough. Cotia, SP
bordos definidos e era encapsulada que foram administradas ao paciente pe- h) Banamine®. Schering-Plough. Cotia, SP
i) Digluconato de clorexedina 2%, manipulação oficinal
(Figuras 6, 7 e 8). la via intramuscular. j) Bandvet®. Schering-Plough. Cotia, SP

48 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


em Umuarama (PR), para a realização bainha nervosa em uma ave da Família
Renato Moraes Sarmento

de exame histopatológico. O material Psittacidae, Ordem Psittaciformes.


foi processado rotineiramente, corado
com hematoxilina e eosina e examina- Referências
do sob microscopia óptica. As amos- 01-ALMEIDA, C. I. R. ; MELLO, R. P. ;
MIZUTANI, R. ; FONSECA, N. C. ;
tras de pele apresentavam prolifer- DUPRAT, A. C. Schwannoma de nervo facial
ação de células mesenquimais malignas no ouvido médio - a propósito de um caso.
de alta relação núcleo-citoplasma Revista Brasileira de Otorrinolaringologia,
(Figuras 13, 14 e 15), contendo os v. 55, n. 3, p. 109-112, 1989.
núcleos de um a três nucléolos. 02-ROBBINS, S. ; COTRAN, R. Patologia
Observou-se presença de anisocitose estrutural e funcional. 2. ed. Rio de Janeiro:
Interamericana, 1983. 438 p.
e anisocariose, havendo ainda células
gigantes multinucleadas (Figura 14) e 03-WORK, W. P. ; HYBELS, R. L. A study of
tumors of parapharyngeal space.
mitoses aberrantes. As células mesen- Laryngoscope, v. 84, n. 10, p. 1748-1755,
Figura 14 - Fotomicrografia de tumor maligno de bainha
nervosa excisado da face de um papagaio-verdadeiro quimais estavam entremeadas por 1974.
(Amazona aestiva), com área de transição entre os teci- substância intercelular abundante, 04-LOPES FILHO, O. C. ; CASTRO Jr. , N. P. ;
dos Antoni A (em amarelo) e Antoni B (em vermelho). conferindo ao tecido aspecto mixóide PIALARISSI, P. R. Neurinoma do nervo
Observa-se maior celularidade por células mesenqui-
mais de alta relação núcleo/citoplasma, e pleomorfismo em algumas áreas (Tecido Antoni B, facial. Revista Brasileira de Otorrino-
laringologia, v. 43, n. 1, p. 46-52, 1977.
distinto. Destaca-se uma célula gigante multinucleada figuras 13, 14 e 15). Tais áreas eram
(em azul) (H.E., 400x) por vezes ladeadas por corpúsculos de 05-VAZQUEZ, V. L. ; LOPES, A. In: LOPES, A.
(Ed.). Neurofibromatoses - sarcomas de partes
Verocay, caracterizados por áreas de moles. Acta Oncologica Brasileira, v. 18,
paralelismo entre os núcleos e cito- n. 1, p. 33-37, 1998.
plasmas das células mesenquimais
Renato Moraes Sarmento

06-NIELSEN, G. P. ; STEMMER-
(Figuras 13 e 16). Em outras áreas as RACHAMIMOV, A. O. ; INO, Y. ; Møller, M.
células apresentavam-se em feixes B. ; Rosenberg, A. E. ; Louis, D. N. Malignant
sólidos, por vezes em forma curva ou transformation of neurofibromas in
neurofibromatosis 1 is associated with
nodular (tecido Antoni A, figuras 13 e CDKN2A/p16 inactivation. American
14). Também havia presença de Journal of Pathology, v. 155, n. 6, p. 1879-
edema e neutrófilos ao redor da lesão. 1884, 1999.
Os achados histopatológicos de ma- 07-KORF, B. R. Malignancy in
lignidade estavam de acordo com a neurofibromatosis type 1. The Oncologist. v.
5, n. 6, p. 477-485, 2000.
descrição macroscópica de invasivi-
dade e ulceração. 08-COLE, P. ; RODU, B. Epidemiology of
cancer. In: DeVITA, V. T. ; HELLMAN, S. ;
Durante dez dias procederam-se os ROSEMBER, S. A. (Eds.). Cancer:
cuidados pós-operatórios, com curati- principles and practice of oncology. 6. ed.
Figura 15 - Fotomicrografia de tumor maligno de vo local com digluconato de clorexi- Philadelphia: Lippincott, Williams and
bainha nervosa excisado da face de um papagaio- Wilkins. p. 228-238, 2001.
verdadeiro (Amazona aestiva), com detalhe do teci- dina i a 2% e pomada de extrato de
do Antoni B. Observam-se células mesenquimais de trigo j. Após esse período, foram 09-PACHALY, J. R. ; DeCONTI, J. B. ; ADAMI,
alta relação núcleo/citoplasma, pleomorfismo distin- removidas as suturas e o animal vol- S. C. ; WERNER, P. R. Surgical excision of a
to e abundante matriz do tipo mixóide, com menor fibrosarcoma in a blue-fronted amazon parrot
celularidade que no tecido Antoni A (H.E., 400x) tou a se alimentar normalmente, apre- (Amazona aestiva). Arquivos de Ciências
sentando-se muito ativo, vocalizando Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, v. 5,
e se exercitando. Examinado 60 dias n. 2, p. 312, 2002.
depois do ato cirúrgico, as condições 10-ANDERSON, W. I. ; McCASKEY, P. C. ;
clínicas eram plenamente satisfatórias. LANGHEINRICH, K. A. ; DREESEN, A. E.
Renato Moraes Sarmento

Neurofibrosarcoma and leiomyosarcoma in


slaughterhouse broilers. Avian Diseases, v. 29,
Conclusão n. 2, p. 521-527, 1985.
O exame histopatológico identifi- 11-LOCKE, N. L. Multicentric
cou um tumor maligno de bainha ner- neurofibrosarcoma in a Canada Goose, Branta
vosa, também chamado de neurofi- canadensis. Avian Diseases, v. 7, n. 2, p. 196-
202, 1963.
brossarcoma ou schwannoma malig-
no. O neoplasma foi removido cirurgi- 12-PACHALY, J. R. ; BRITO, H. F. V.
Interspecific allometric scaling. In: FOWLER,
camente, e embora tenha sido obser- M. E. ; CUBAS, Z. S. (Org.). Biology,
vada excelente resposta nos primeiros medicine, and surgery of South American
Figura 16 - Fotomicrografia de tumor maligno de
60 dias de pós-operatório o paciente wild animals. Ames: Iowa State University
está sujeito a recidivas, ocorrência ca- Press. p. 475-481, 2001.
bainha nervosa excisado da face de um papagaio-
verdadeiro (Amazona aestiva), com um corpúsculo racterística dessa neoplasia. 3,5,6,7 13-PACHALY, J. R. Terapêutica por extrapolação
de Verocay (em amarelo) ao lado de tecido Antoni Cuidadosa revisão bibliográfica alométrica. In: CUBAS, Z. S. ; SILVA, J. C. R. ;
B (em azul), observando-se áreas de paralelismo CATÃO-DIAS, J. L. (Eds.). Tratado de ani-
entre os núcleos e citoplasmas das células mesen- possibilita supor que este seja o pri- mais selvagens - medicina veterinária. São
quimais (H.E., 400x) meiro relato de um tumor maligno de Paulo: Roca. p. 1215-1223, 2006.

50 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Mariana Caetano Teixeira
Aelurostrongylus abstrusus - MV, mestranda
PPGCV/UFRGS
relato de caso em felino caetano_teixeira@hotmail.com

Tahisa Faria Velloso


MV, esp. mestranda
Aelurostrongylus abstrusus - PPGCV/UFRGS
tahisa@cbov.org

case report in a cat Cristina Germani Fialho


MV, MSc. doutoranda
PPGCV/UFRGS
Aelurostrongylus abstrusus - cristina.fialho@gmail.com

relato de caso en felino Sandra Tietz Marques


Médica veterinária, mestre, dra.
sandra.tietz@terra.com.br
Resumo: Relata-se um caso clínico de parasitismo por Aelurostrongylus abstrusus em fêmea felina castrada, sem raça definida,
de dois anos de idade, apresentando dispnéia, episódios de tosse seca e engasgos. O diagnóstico parasitológico, realizado Karla Escopelli
pelas técnicas de Baermann, esfregaço direto e Willis-Mollay, detectou grande quantidade de larvas de A. abstrusus. A radio- MV, MSc
grafia de tórax apresentou infiltrados peribrônquicos e padrão intersticial difuso, compatível com pneumonia. O tratamento à kescopelli@gmail.com
base de fenbendazol promoveu redução de 70% e 100% das larvas, redução esta observada nos exames parasitológicos,
realizados, respectivamente, três e sete dias após o tratamento. Antibioticoterapia com amoxicilina e ácido clavulânico tratou
a pneumonia bacteriana secundária, com diminuição considerável do desconforto respiratório. Flávio Antônio P. de Araújo
Unitermos: diagnóstico por imagem, coproparasitológico MV, MSc, prof. dr.
Lab. Protozoologia, FV/UFRGS
faraujo@via-rs.net
Abstract: Here we report a clinical case of infection by Aelurostrongylus abstrusus in a two-year-old female mixed-breed cat
with dyspnea, dry cough and gagging. The parasitological diagnosis by direct smearing and by Baermann's and Willis-Mollay's
techniques revealed a large amount of A. abstrusus larvae. The chest radiograph showed peribronchial infiltration and a diffuse
interstitial pattern compatible with pneumonia. Fenbendazole therapy caused a 70% and 100% reduction in larval count at three
and seven days after treatment, respectively. Amoxicillin and clavulanic acid were used to treat the secondary bacterial
pneumonia, with remarkable reduction of respiratory distress.
Keywords: imaging diagnosis; coprological test

Resumen: Se relata un caso clínico de parasitismo por Aelurostrongylus abstrusus en un felino hembra castrada, sin raza
definida, dos años de edad, presentando disnea, episodios de tos seca y atoros. El diagnóstico parasitológico, por las
técnicas de Baermann, Frotis Directo y Willis-Mollay, detectó gran cantidad de larvas de A. abstrusus. La radiografía
presentó infiltrados peribrónquicos y patrón intersticial difuso, compatible con neumonía. El tratamiento a base de
fenbendazol mostró reducción de 70% y 100% de las larvas al examen parasitológico, en tres y siete días pos tratamiento,
respectivamente. Antibioticoterapia con amoxicilina y ácido clavulánico trató la neumonía bacteriana secundaria, con
disminución considerable de la molestia respiratoria.
Palabras clave: diagnóstico por imagen, coproparasitológico

Clínica Veterinária, n. 74, p. 52-54, 2008

Introdução As larvas aparecem nas fezes cinco a perda de peso também podem ser verifi-
O Aelurostrongylus abstrusus seis semanas após a infecção 2, podem cados 11.
(Railliet, 1898), helminto da família sobreviver no ambiente por mais de um O diagnóstico de aelurostrongilíase é
Angiostrongylidae, é um nematódeo do ano 10, e permanecer nos pulmões por feito pela identificação das larvas do pa-
trato respiratório de gatos 1,2. É de distri- vários anos 6. rasito nas fezes de felinos pelas técnicas
buição cosmopolita e independente de A aelurostrongilíase se apresenta sob de Baermann, flutuação em sulfato de
raça, idade e sexo 3, não sendo conside- as formas assintomática ou sintomática. zinco a 33%, esfregaço direto e solução
rado zoonose 4. No pulmão, os parasitos Quando sintomática, detecta-se desde hipersaturada com NaCl 11,12. As técnicas
adultos, medem ao redor de 14-15mm 5. uma tosse branda até quadro clínico de de flutuação em sulfato de zinco a 33% e
Em achados macroscópicos, apresen- angústia respiratória, e morte 1 decorren- o esfregaço direto são as mais utilizadas
tam-se finos e delicados 6. As larvas L1 tes da consolidação pulmonar 5. O qua- quando os felinos estão clinicamente
se caracterizam por apresentar uma es- dro sintomatológico deve ser associado infectados 1,12. Para a identificação do
trutura em forma de gancho na extremi- também a deficiência imunológica 7. Na helminto A. abstrusus também pode ser
dade posterior 7,8. auscultação pulmonar identificam-se utilizado o lavado transtraqueal 13.
O A. abstrusus, cujo ciclo biológico é sibilos e crepitações, também presentes O diagnóstico por imagem (Raios X)
heteroxeno, tem como hospedeiros in- em outras afecções respiratórias como mostra características de padrão bron-
termediários os moluscos do gênero bronquite felina, asma, peritonite in- quial e intersticial difuso, com densidade
Subulina sp 9 ; e como vetores de trans- fecciosa felina e hérnia diafragmática 10,12 nodular mal definida, na porção caudal
porte, roedores e pássaros. Assim os fe- e ocasionalmente podem ocorrer com- do pulmão, em decorrência do acúmulo
linos são susceptíveis à doença em de- plicações como a pneumonia bacteriana de ovos no parênquima pulmonar 1,7,11.
corrência de seus hábitos alimentares 1,6. secundária 1,7. Intolerância a exercícios e Os anti-helmínticos indicados são:

52 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


fenbendazol, ivermectina, selamectina e Atualmente os felinos são reconheci-

Tahisa Faria Velloso


levamisol. A terapia de eleição é o fen- dos como os melhores animais de com-
bendazol (50 a 100mg/kg), via oral, a panhia, e a população de gatos vem
cada 24 horas durante quatro dias, com crescendo principalmente em países de-
intervalo de dez dias, repetindo a mes- senvolvidos como os EUA, a Inglaterra,
ma dosagem por mais quatro dias 3,10. a Alemanha e a França, onde atinge 8,4
Como alternativa de tratamento anti- milhões de indivíduos 20.
helmíntico utiliza-se a ivermectina Considerando tais informações e a
(400µg/kg), via oral ou subcutânea, escassez de relatos clínicos de vermino-
repetindo após duas semanas 3,10, ou por se pulmonar em felinos, o presente tra-
quinze dias, na mesma dose 12. A balho pode fornecer subsídios ao clínico
selamectina (6mg/kg) via oral é utiliza- veterinário quando se deparar com essa
da como terapia profilática 12. Quando a parasitose.
infeccção é grave podem ser utilizados
como terapia coadjuvante, antibióticos Relato de caso
com ação em vias áreas inferiores, e A investigação partiu da suspeita de
corticóide para redução da inflamação aelurostrongilíase em uma gata castra- Figura 1 - Larva de Aelurostrongylus abstrusus
eosinofílica 1. da, sem raça definida, de dois anos de encontrada em fezes de gata examinada pelo
A prevalência de gatos infectados na idade, pesando três quilos, alimentada método de Baermann, caracterizada por espi-
nho cuticular ventral, e dorsal (proeminentes)
Espanha foi de 1,7% (4/231) 14; na Ale- com ração comercial e com acesso à em sua cauda. (Objetiva de 10x)
manha, de 2,7% (21/771) 15; na Bulgária, rua, domiciliada em Porto Alegre (RS).
de 33,3% (24/58) 4. Em trabalho desen- Os gatos são caçadores natos e, portan- utilizadas para o diagnóstico parasitoló-
volvido na América do Norte, a infecção to, qualquer animal da espécie que gico foram: flutuação com NaCl
foi detectada pelo método de Baermann tenha acesso à rua e contato com os hos- (Willis-Mollay), Baermann e flutuação
em amostras de fezes da maioria dos pedeiros intermediários ou paratênicos em sulfato de zinco a 33%. A paciente
gatos (90%) 7. Na Austrália, em uma está exposto ao risco. foi encaminhada ao Setor de Diagnósti-
análise realizada pelo método de lavado Ao exame clínico foram verificados co por Imagem da UFRGS para comple-
traqueal em felinos com infecção do dispnéia, taquipnéia, ortopnéia, episó- mentação diagnóstica.
trato respiratório inferior, verificou-se dios de tosse seca e engasgos, abdômen Pela técnica de Willis-Mollay, foram
índice de 9,52% (2/21) de infecção 16. ligeiramente abaulado, sem cianose. O detectadas trinta larvas (L1) de A.
No Brasil, um estudo realizado no animal apresentava fezes amolecidas abstrusus apresentando motilidade por
estado de Minas Gerais entre 2000 e com coloração acastanhada, melena, campo (Figura 1). Essas larvas apresen-
2001 aponta uma freqüência de 18% normúria e normorexia, e não vomitava. tavam estrutura em forma de gancho na
(9/50) 17 de animais infectados. A para- Diante da suspeita de verminose pul- extremidade posterior. As técnicas de
sitose foi diagnosticada por técnicas his- monar, as fezes coletadas foram enca- Baermann e flutuação em sulfato de
tológicas e de impressão de tecido pul- minhadas ao Laboratório de Protozoo- zinco a 33% também evidenciaram lar-
monar em necropsias realizadas no Rio logia da Universidade Federal do Rio vas. O diagnóstico por imagem apresen-
Grande do Sul 18 e no Rio de Janeiro 19. Grande do Sul (UFRGS). As técnicas tou infiltrados peribrônquicos e padrão

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 53


intersticial difuso, compatível com pneu- respiratório inferior. In: ETTINGER, S. J. ;

Tahisa Faria Velloso


FELDMAN, E. C. Tratado de medicina interna
monia bacteriana ou fúngica (Figura 2.). veterinária. São Paulo: Manole, 1997. p. 1109-
Foi instituído como tratamento de 1111.
eleição o fenbendazol a (100mg/kg) 3,10 08-SLOSS, M. W. ZAJAC, A. M. ; KEMP, R. L.
via oral a cada 24 horas, por quatro dias Parasitologia clínica veterinária. 6. ed.
Manole: São Paulo, 1999.
consecutivos, com espaçamento de dez
09-DAEMON, E. ; D'ÁVILA, S. ; DIAS, R. J. P. ;
dias e repetição por mais quatro dias. BESSA, E. C. A. Resistência à dessecação em
Como tratamento auxiliar para a pneu- três espécies de moluscos terrestres: aspectos
monia foi administrada amoxicilina adaptativos e significado para o controle de
helmintos. Revista Brasileira de Zoociências,
com ácido clavulânico b 125 mg/kg, via v. 6, n. 1, p. 115-127, 2004.
oral, em intervalo de doze horas, por um Figura 2 - Imagem radiográfica látero-lateral de 10-NORSWORTHY, G. D. Vermes pulmonares. In:
período de quinze dias. gata diagnosticada com aelurostrongilíase NORSWORTHY, G. D. ; CRYSTAL, M. A. ;
apresentando infiltrados peribrônquicos e GRACE, S. F. ; TILLEY, L. P. O paciente feli-
padrão intersticial difuso no: tópicos essenciais de diagnósticos e trata-
Discussão e conclusões mento. São Paulo: Manole, 2004. p. 383-385.
Embora mantidos sob dieta adequa- 11-BONAGURA, J. D. ; SHERDING, R. G.
da e nutritiva nos domicílios que habi- o tratamento, foram realizados exames
Infecção respiratória. In: BIRCHARD, S. J. ;
coproparasitológicos para constatar a
tam os felinos que têm acesso à rua – SHERDING, R. G. Manual Saunders - clínica
ausência dos helmintos. Os resultados de pequenos animais. São Paulo: Roca, 1998.
pela condição de caçadores natos – p. 651-652.
desses exames revelaram redução de
podem se alimentar de pequenos roe- 12-GRANDI, G. ; CALVI, L. E. ; VENCO, L. ;
70% do número de larvas após o
dores e/ou pássaros urbanos, que muitas PARATICI, C. ; GENCHI, C. ; MEMMI, D. ;
primeiro tratamento, e negativação após
vezes hospedam larvas de A. abstrusus KRAMER, L. H. Aelurostrongylus abstrusus
a segunda dose de fenbendazol, confir- (cat lungworm) infection in five cats from Italy.
nas carcaças. Além disso, ambientes
mando a eficiência do tratamento insti- Veterinary Parasitology. v. 134, n. 1-2, p. 177-
marcados pela presença de terra e de 182, 2005.
tuído.
grama podem albergar moluscos, fonte 13-FOSTER, S. F. ; MARTIN, P. ; BRADDOCK, J.
O paciente foi acompanhado por um
primária de transmissão do parasito. A. ; MALIK, R. A retrospective analysis of feline
período de três meses, a partir do início bronchoalveolar lavage cytology and
No caso objeto do presente relato, a
do tratamento. Exames de fezes e toma- microbiology (1995-2000). Journal of Feline
anamnese detalhada e cuidadosa foi Medicine and Surgery. v. 6, n. 3, p. 189-198,
das radiográficas foram realizadas em
fundamental para a boa condução tera- 2004a.
intervalos de quinze dias durante esse
pêutica: sem ela, não se teria aventado a 14-MIRÓ, G. ; MONTOYA, A. ; JIMÉNEZ, S. ;
período. FRISUELOS, C. ; MATEO, M. ; FUENTES, I.
hipótese de aelurostrongilíase como Prevalence of antibodies to Toxoplasma and
causadora da doença pulmonar. intestinal parasites in stray, farm and household
Agradecimentos
Quando existe a suspeita de aeluros- cats in Spain. Veterinary Parasitology. v. 126,
Aos médicos veterinários Daniel n. 3, p. 249-255, 2004.
trongilíase, o clínico veterinário deve
Menezes da Rosa e Denise Veiga, do 15-BARUTZKI, D. ; SHAPER, R. Endoparasites in
solicitar exames parasitológicos e de
Hospital de Clínicas Veterinárias da dogs and cats in Germany 1999 - 2002.
imagem. Nas imagens radiográficas da Universidade Federal do Rio Grande do Parasitology Research. v. 90, n. 2, p. 148-150,
região do tórax observam-se sinais de Sul, pelo diagnóstico radiológico.
2003.
broncopneumonia 12, que não compro- 16-FOSTER, S. F. ; MARTIN, P. ; ALLAN, G. S. ;
BARRS, V. R. ; MALIK, R. Lower respiratory
vam a existência da verminose em si, e Referências tract infections in cats: 21 cases (1995 - 2000).
que podem ser confundidos com sinais 01-COLLERAN, E. J. Parasitos respiratórios. In: Journal of Feline Medicine and Surgery. v. 6,
de neoplasia pulmonar, pneumonia LAPPIN, M. R. Segredos em medicina interna n. 3, p. 167-180, 2004b.
fúngica, asma felina e lesões causadas de felinos: respostas necessárias ao dia-a-dia 17-MUNDIM, T. C. D. ; OLIVEIRA, Jr. S. D. ;
em rounds, na clínica, em exames orais e RODRIGUES, D. C. ; CURY, M. C. Freqüência
pelos vírus da calicevirose ou rinotra- escritos. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 71-74. de helmintos em gatos de Uberlândia, Minas
queíte viral felina 2. 02-SHAW, D. H. ; IHLE, S. L. Medicina interna de Gerais. Arquivo Brasileiro de Medicina
A dispnéia pronunciada na sintoma- pequenos animais. Artes Médicas Sul Ltda: Veterinária e Zootecnia. v. 56, n. 4, p. 562-563,
2004.
tologia clínica de distúrbio pulmonar Porto Alegre, 1999.
18-SCOFIELD, A. ; MADUREIRA, R. C. ;
por parasito pode estar associada à 03-TILLEY, L. P. ; SMITH, Jr. F. W. K. Consulta
OLIVEIRA, C. J. F. ; GUEDES, Jr. D. S. ;
veterinária em 5 minutos - espécies canina e
pneumonia bacteriana secundária 10. O felina. Manole: São Paulo, 2003. SOARES, C. O. ; FONSECA, A. H. Diagnóstico
prognóstico é satisfatório com a uti- pós-morte de Aelurostrongylus abstrusus e ca-
04-STOICHEVA, I. ; SHERKOV, S. H. ; racterização morfométrica de ovos e mórulas por
lização de anti-helmínticos 7,10, porém a HALACHEVA, M. Pathology of cats from a meio de histologia e impressão de tecido.
infecção de gatos por A. abstrusus region of Bulgaria with human endemic Revista Ciência Rural. v. 35, n. 4, p. 952-955,
nephropathy. Journal of Comparative 2005.
pode causar problemas brônquicos Pathology. v. 1, n. 92, p. 99 -107, 1982.
crônicos 3, razão pela qual acompanhar 19-FERREIRA, A. M. R. ; SOUZA-DANTAS, L.
05-FOREYT, W. J. Parasitologia veterinária - M. ; LABARTHE, N. Registro de um caso de
a evolução do quadro com o auxílio de manual de referência. 5. ed. Roca: São Paulo, Aelurostrongylus abstrusus (Railliet, 1898) em
exames de fezes para verificar a pre- 2005. um gato doméstico no Rio de Janeiro, RJ.
sença de larvas é tão importante. Após 06-URQUHART, G. M. ; ARMOUR, J. ; DUNCAN, Brazilian Journal of Veterinary Reserch and
J. L. ; DUNN, A. M. ; JENNINGS, F. W. Animal Science. v. 44, n. 1 , p. 24-26, 2007.
Parasitologia veterinária. Guanabara Koogan: 20-ALMEIDA, F. M. Comportamento de gatos
São Paulo, 1998. domésticos livres em ambiente urbano. Boletim
a) Panacur, AKZO Nobel LTDA. Cruzeiro, SP
b) Synulox, Laboratório Pfizer Ltda. Guarulhos, SP 07-HAWKINS, E. C. Afecções do sistema Anclivepa-RJ, Rio de Janeiro, p. 10-12, 2007.

54 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Fabiano Borges Figueiredo
Leishmaniose tegumentar MV, MSc, doutorando
Lab. Pesq. Clínica Dermatozoonoses em Animais
americana em felino Domésticos IPEC/FIOCRUZ
fabiano.figueiredo@ipec.fiocruz.br

doméstico no município Sandro Antonio Pereira


MV, MSc, doutorando
do Rio de Janeiro, Brasil - Lab. Pesq. Clínica Dermatozoonoses em Animais
Domésticos IPEC/FIOCRUZ

relato de caso sandroantonio@ipec.fiocruz.br

Isabella Dib Ferreira Gremião


MV, MSc, doutoranda
American tegumentary leishmaniasis Lab. Pesq. Clínica Dermatozoonoses em Animais
Domésticos IPEC/FIOCRUZ
in a domestic feline in the city of dib@ipec.fiocruz.br

Rio de Janeiro, Brazil - case report Lílian Dias Nascimento


Biomédica, MSc., doutoranda
Lab. Vigilância em Leishmanioses IPEC/FIOCRUZ
Leishmaniasis tegumentaria americana en lilian@ipec.fiocruz.br

Maria de Fátima Madeira


un felino doméstico en la ciudad de Bióloga, DSc., pesquisadora adjunta
Lab. Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em
Rio de Janeiro, Brasil - relato de caso Animas Domésticos IPEC/FIOCRUZ
fmadeira@ipec.fiocruz.br

Resumo: As leishmanioses são zoonoses que acometem os seres humanos e outras espécies de mamíferos. São causadas
por protozoários do gênero Leishmania e transmitidas através da picada de insetos vetores do gênero Phlebotomus. A primeira
Tânia Maria Pacheco Schubach
descrição de leishmaniose felina no mundo data de 1927. Desde então a doença tem sido esporadicamente notificada, tanto MV, DSc., pesquisadora associada
na forma cutânea quanto na forma visceral, em diversos países. O presente artigo relata um caso de leishmaniose tegumentar Lab. Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em
em gato doméstico no município do Rio de Janeiro, com ênfase nos achados parasitológicos, sorológicos, hematológicos, Animas Domésticos IPEC/FIOCRUZ
bioquímicos e histopatológicos. schubach@ipec.fiocruz.br
Unitermos: Leishmania, gato, diagnóstico

Abstract: Leishmaniasis are zoonoses that affect humans and other mammalian species. They are caused by protozoa of the
genus Leishmania, which are transmitted through the bite of sandflies of the genus Phlebotomus. The first case of feline
leishmaniasis in the world was reported in 1927. Since then the occurrence of both cutaneous and visceral forms of the
disease has been reported sporadically in several countries. The present report describes a case of tegumentary
leishmaniasis in a domestic cat in the city of Rio de Janeiro, with emphasis in the parasitological, sorological, hematological,
biochemical and histopathological findings.
Keywords: Leishmania, cat, diagnosis

Resumen: Las leishmaniasis son zoonosis que afectan seres humanos y otras especies de mamíferos. Son causadas por
protozoarios del género Leishmania y la transmisión ocurre a través de la mordedura de los insectos del género Phlebotomus.
El primer caso de la leishmaniasis felina en el mundo fue descrito en 1927. Desde entonces la enfermedad se ha informado
de forma esporádica, en las formas cutánea y visceral en varios países. Se relata en la ciudad de Rio de Janeiro un caso del
leishmaniasis tegumentaria en gato doméstico, enfatizando las alteraciones clínicas observadas, así como los resultados de
los exámenes parasitológicos, serológicos, hematológicos, bioquímicos e histopatológicos.
Palabras clave: Leishmania, gato, diagnóstico

Clínica Veterinária, n. 74, p. 58-60, 2008


cultura e caracterizado como
Leishmania (Viannia) braziliensis,
Introdução tanto na forma cutânea quanto na forma foram diagnosticados pela primeira vez
As leishmanioses, zoonoses que aco- visceral 4,5,6. no Rio de Janeiro 9.
metem o ser humano e outras espécies No Brasil, o primeiro diagnóstico A apresentação clínica das leishma-
de mamíferos silvestres e domésticos de dessa doença, em um gato naturalmente nioses felinas varia de acordo com o
forma crônica, apresentam grande di- infectado no Estado do Pará, foi firma- parasita envolvido. Na leishmaniose
versidade de manifestações clínicas. do em 1939 com base na visualização visceral, os sinais clínicos mais fre-
São causadas por protozoários do gêne- de formas amastigotas ao exame citoló- qüentes são: febre, perda de peso, icterí-
ro Leishmania e transmitidas através da gico 7. Posteriormente, em Minas Ge- cia, vômitos, alopecia recorrente no
picada de insetos vetores da subfamília rais, pesquisadores identificaram, pela abdômen e na cabeça, descamação
Phlebotominae 1,2. reação em cadeia da polimerase (PCR), difusa, ulcerações junto a saliências
A primeira descrição de leishmaniose parasitas do subgênero Viannia como ósseas, edema na borda das orelhas, lin-
felina data de 1927 3. Desde então a causadores da doença em felinos 8. Dois fadenopatia e úlcera de córnea 10,11.
doença tem sido esporadicamente noti- casos autóctones de leishmaniose felina, Na leishmaniose cutânea, as alterações
ficada, em diversas partes do mundo, nos quais o parasita foi isolado em comumente relatadas são: áreas de

58 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


alopecia arredondadas, nódulos e lesões animal estava apático, desidratado, des- Discussão
ulceradas principalmente no nariz e nas nutrido, caquético, com nariz e plano As alterações clínicas verificadas no
orelhas, e lesões vegetantes nas regiões nasal edemaciados, mucosas nasais con- presente relato são semelhantes àquelas
interdigital e plantar 5,6,7,8,9,12. gestas e narinas totalmente obstruídas descritas na literatura em casos simila-
Diferentes estudos sugerem que a (Figura 2), mucosas oral e ocular hipo- res, com predomínio do acometimento
coinfecção Leishmania spp. e vírus da coradas e linfonodos mandibulares in- de mucosas nasais e obstrução das nari-
leucemia felina (FeLV) ou vírus da fartados. nas, além de linfadenopatia regional 19.
imunodeficiência felina (FIV) pode A partir de fragmentos de lesão cutâ- A presença de sinais de desidratação e
favorecer a evolução clínica da leish- nea foram realizados cultivos parasito- caquexia pode ser atribuída à obstrução
maniose 11,13,14,15. lógico e micológico, além de exame his- das narinas, que tende a provocar ano-
Na região metropolitana do Rio de topatológico e citopatológico. Para a co- rexia, como tem sido evidenciado em
Janeiro, o diagnóstico diferencial da leta dos fragmentos o felino foi submeti- obstruções nasais de felinos causadas
leishmaniose tegumentar americana do a sedação com cloridrato de quetami- por diferentes afecções 20.
(LTA) felina deve ser estabelecido prin- na a 10% (10mg/kg), associado a acepro- A lesão no plano nasal verificada no
cipalmente em relação à esporotricose, mazina b 1% (0,2mg/kg) por via intramus- presente caso já havia sido registrada
doença cujos sinais clínicos mais fre- cular. Após a anestesia local com clori- em relato anterior, no Rio de Janeiro 9.
qüentes são lesões cutâneas ulceradas, drato de lidocaína c 2%, anti-sepsia e Em contraste, a maioria das descrições
espirros e dispnéia 9,16. assepsia, foram realizadas biópsias da de leishmaniose em felinos reporta, pre-
O diagnóstico da LTA felina baseia- borda da lesão com o auxílio de um punch dominantemente, lesões tegumentares
se na apresentação clínica, nas evidên- de 3mm. Todos os procedimentos foram nas orelhas e nos membros 3,8,21. Com
cias epidemiológicas, na demonstração aprovados pela Comissão de Ética no efeito, os achados do presente estudo re-
do parasito e na detecção de anticorpos Uso de Animais (CEUA - FIOCRUZ). forçam a importância do exame clínico
específicos, mediante testes sorológicos Na cultura parasitológica 18 foram minucioso em animais suspeitos de
como a imunofluorescência indireta visualizadas formas promastigotas que, leishmaniose – especialmente em re-
(IFI) e o ensaio imunoenzimático posteriormente, foram caracterizadas giões endêmicas –, em virtude da ampla
(ELISA) 17. O presente estudo descreve como L. (V.) braziliensis. O exame his- variedade de sintomas nos felinos.
os principais achados clínicos e labora- topatológico revelou formas amastigotas Os achados histopatológicos desta
toriais de um caso de leishmaniose tegu- compatíveis com o gênero Leishmania e investigação corroboram os resultados
mentar felina. processo inflamatório granulomatoso. obtidos em estudo similar em gatos do-
No exame citopatológico não foram mésticos, que também evidenciou nu-
Relato de caso observadas formas amastigotas, e no merosas estruturas intracelulares com-
A partir de inquérito epidemiológico cultivo micológico não houve isolamen- patíveis com o gênero Leishmania 11, re-
visando a busca ativa de felinos domés- to de fungos patogênicos. forçando a importância desse exame no
ticos na região do Mendanha, zona Não foram constatadas alterações diagnóstico da afecção em animais de
oeste do município do Rio de Janeiro, significativas nos exames hematológi- companhia. Entretanto, não foram en-
foi encontrado caso suspeito de leishma- cos e bioquímicos. A pesquisa de anti- contradas formas similares no exame ci-
niose felina. O animal, fêmea sem raça corpos anti-L. (V.) braziliensis resultou topatológico, o que difere dos resulta-
definida e não-castrada, tinha três anos positiva nas técnicas de ELISA e IFI, a dos obtidos por outros pesquisadores,
e pesava 2,8kg. Ao exame dermatológi- última com título 1280. O resultado dos que obtiveram êxito na visualização de
co foram observadas duas lesões testes de detecção de antígenos de FeLV formas amastigotas do parasito em feli-
cutâneas ulceradas, com bordas ele- e anticorpos para FIV (SNAP Combo nos 8.
vadas e regulares e fundo granulo- FeLV Ag/ FIV Ab ") d foi negativo. No Estado do Rio de Janeiro, a espo-
matoso, localizadas no plano nasal e rotricose felina é considerada importan-
com diâmetros de 12 e 7mm (Figura 1). te causa de diagnóstico diferencial com
No exame físico, verificou-se que o a leishmaniose. De vez que o cultivo
fúngico de fragmento de lesão cutânea
do animal objeto do presente relato não
evidenciou o agente etiológico da espo-
Thais Okamoto

rotricose, descartou-se a possibilidade


de acometimento por aquela zoonose 9.
Thais Okamoto

Na literatura médico-veterinária, não


há relatos sobre a detecção de infecção

a) Ketamina Agener 10%®. União Química Farmacêutica


Nacional S/A. Embu-Guaçu, SP.
b) Acepran 1%®. UNIVET S/A - Industria Veterinária. São
Figura 2 - Felis catus, SRD, fêmea, três anos, Paulo, SP.
c) Lidovet®. Laboratório Bravet LTDA. Rio de Janeiro, RJ.
Figura 1 - Felis catus, SRD, fêmea, três anos, com narinas totalmente obstruídas devido ao d) SNAP Combo FeLV Ag / FIV Antibody Test TM, IDEXX
com lesões ulcerativas no plano nasal cau- edema causado pela infecção por L. (V.) Laboratories, Wesbrook, USA. Sander 2004 Comércio em
sadas por L. (V.) braziliensis braziliensis Geral Ltda. São Gonçalo, RJ

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 59


pelo L. (V.) braziliensis em felinos com 04-MACHATTIE, C. ; MILLS, E. A. ; MAJOR, C. Parasitology, v. 106, n. 3, p. 181-191, 2002.
R. Naturally occurring oriental sore of the
o auxílio de exames sorológicos. No en- domestic cat in Iraq. Transactions of the Royal
16-SCHUBACH, T. M. P. ; SCHUBACH, A. ;
tanto, foi demonstrado que felinos res- OKAMOTO, T. ; BARROS, M. B. L. ;
Society of Tropical Medicine and Hygiene,
FIGUEIREDO, F. B. ; CUZZI, T. ; FIALHO-
pondem à infecção por Leishmania sp. v. 25, p. 103-107, 1931.
MONTEIRO, P. C. ; REIS, R. S. ; PEREZ, M. A. ;
produzindo taxas significativas de anti- 05-BARNES, J. C. ; STANLEY, O. ; CRAIG, T. M. WANKE, B. Evaluation of an epidemic of
corpos específicos, mensuradas pela Diffuse cutaneous leishmaniasis in a cat. sporotrichosis in cats: 347 cases (1998-2001).
Journal of the American Veterinary Medical Journal of the American Veterinary Medical
técnica de IFI 22. Association, v. 202, n. 3, p. 416-418, 1993. Association, v. 224, n. 10, p. 1623-1629, 2004.
Estudos voltados à investigação da 06-COSTA-DURÃO, J. F. ; REBELO, E. ; 17-TORRES, F. D. ; MATTOS, L. S. ; BRITO, F. L.
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à infecção por L. donovani na IFI SIMÕES, G. Primeiro caso de leishmaniose em Leishmaniose felina: revisão de literatura.
gato doméstico (Felis catus domesticus) detecta- Clínica Veterinária, Ano XI, n. 61, p. 32-40,
reportaram títulos iguais ou superiores a 2006.
do em Portugual (Conselho de Sesimbra).
160 10,23, mostrando a validade dos testes Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, 18-MADEIRA, M. F. ; SCHUBACH, A. O. ;
sorológicos no diagnóstico da enfermi- v. 89, p. 140-144, 1994. SCHUBACH, T. M. P. ; SERRA, C. M. B. ;
dade em felinos. 07-MELLO, G. B. Verificação da infecção natural PEREIRA, S. A. ; FIGUEIREDO, F. B. ;
A coinfecção pelos vírus da FIV e/ou do gato (Felix domesticus) por um protozoário CONFORT, E. M. ; QUINTELLA, L. P. ;
do gênero Leishmania. Brasil Médico, v. 54, MARZOCHI, M. C. A. Is Leishmania (Viannia)
pelo vírus da FeLV tem sido considera- p. 180, 1940. braziliensis preferentially restricted to the
da um fator predisponente para a leish- cutaneous lesions of naturally infected dogs?
08-PASSOS, V. M. A. ; LASMAR, E. B. ;
maniose em felinos 14,15,24. Já na presente GONTIJO, C. M. F. ; FERNANDES, O. ;
Parasitology Research, v. 97, n. 1, p. 73-76,
2005.
investigação, não foi detectada presença DEGRAVE, W. Natural infection of a domestic
de anticorpos anti-FIV e antígenos do cat (Felis domesticus) with Leishmania (Viannia) 19-SIMÕES-MATTOS, L. ; MATTOS, M. R. F. ;
in the metropolitan region of Belo Horizonte, TEIXEIRA, M. J. ; OLIVEIRA-LIMA, J. W. ;
FeLV contra esses vírus. Resultados State of Minas Gerais, Brazil. Memórias do BEVILAQUA, C. M. L. ; PRATA-JUNIOR, R.
semelhantes foram descritos por outros Instituto Oswaldo Cruz, v. 91, n. 1, p. 19-20, C. ; HOLANDA, C. M. ; RONDON, F. C. M. ;
autores 5,10,11,21,25, ratificando que a in- 1996. BASTOS, K. M. S. ; COELHO, Z. C. B. ;
COELHO, I. C. B. ; BARRAL, A. ; POMPEU,
fecção felina por Leishmania sp. não 09-SCHUBACH, T. M. P. ; FIGUEIREDO, F. B. ; M. M. L. The susceptibility of domestic cats
está obrigatoriamente relacionada a ani- PEREIRA, S. A. ; MADEIRA, M. F. ; SANTOS, (Felis catus) to experimental infection with
I. B. ; ANDRADE, M. V. ; CUZZI, T. ; Leishmania braziliensis. Veterinary Parasitology,
mais soropositivos para FIV e FeLV. MARZOCHI, M. C. A. ; SCHUBACH, A. v. 127, n. 3-4, p. 199-208, 2005.
American cutaneous leishmaniasis in two cats
from Rio de Janeiro, Brazil: first report of 20-SOUZA, H. J. M. ; CALIXOTO, R. Complexo
Conclusão respiratório viral felino. In: SOUZA, H. J.
natural infection with Leishmania (Viannia)
O presente artigo relata a ocorrência braziliensis. Transactions of the Royal Society Coletâneas em Medicina e Cirurgia Felina.
de infecção felina por L. (V.) braziliensis of Tropical Medicine and Hygiene, v. 98, n. 3, 1. ed., Editora LF Livros de Veterinária, 2003,
p. 51-65.
em animal que apresentava manifes- p. 165-167, 2004.
tações clínicas na região de face, e 10-HERVAS, J. ; CHACON, M. D. L. F. ; 21-CRAIG, T. M. ; BARTON, C. L. ; MERCER, S.
SANCHEZ-ISARRIA, M. A. ; PELLICER, S. ; H. ; DROLESKEY, B. E. ; JONES, L. P. Dermal
reforça a necessidade de associar os leishmaniasis in a Texas cat. American Journal
CARRASCO, L. ; CASTILLO, J. A. ; GOMEZ-
achados clínico-epidemiológicos com VILLAMANDOS, J. C. Two cases of feline of Tropical Medicine and Hygiene, v. 35, n. 6,
várias técnicas laboratoriais, até para visceral and cutaneous leishmaniosis in Spain. p. 1100-1102, 1986.
facilitar a eficácia do diagnóstico da en- Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 1, 22-KIRKPATRICK, C. E. ; FARRELL, J. P. ;
n. 2, p. 101-105, 1999. GOLDSCHMIDT, M. H. Leishmania chagasi
fermidade. and L. donovani: experimental infections in
11-LEIVA, M. ; LLORET, A. ; PENA, T. ; ROURA,
X. Therapy of ocular and visceral leishmaniasis domestic cats. Experimental Parasitology,
Agradecimentos in a cat. Veterinary Ophthalmology, v. 8, n. 1, v. 58, n. 2, p. 125-131, 1984.
Agradecemos à Secretaria Municipal p. 71-75, 2005. 23-MARTIN-SANCHEZ, J.; ACEDO, C.;
de Saúde do Rio de Janeiro e ao 12-DE SOUZA, A. I. ; BARROS, E. M. S. ; MUNOZ-PEREZ, M.; PESSON, B.;
MARCHAL, O.; MORILLAS-MARQUEZ, F.
Laboratório Bravet LTDA. O estudo foi ISHIKAWA, E. ; ILHA, I. M. N. ; MARIN, G. R.
Infection by Leishmania infantum in cats:
B. ; NUNES, V. L. B. Feline leishmaniasis due to
apoiado pela FAPERJ e PAPES. Leishmania (Leishmania) amazonensis in Mato epidemiological study in Spain. Veterinary
T.M.P.S. é pesquisadora do CNPq. Grosso do Sul State, Brazil. Veterinary Parasitology, v. 145, n. 3-4, p. 267-273, 2007.
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60 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Belo Horizonte

Belo Horizonte

Belo Horizonte

Apoio
Alexandre Gonçalves Teixeira Daniel
Vasculite necrosante e focos Médico veterinário autônomo
alegtd@yahoo.com.br

hemorrágicos no encéfalo Archivaldo Reche Junior


de gato acometido pela MV, prof. dr.
Depto. Clínica Médica FMVZ/USP
valdorec@usp.br

peritonite infecciosa dos Paulo César Maiorka

felinos - relato de caso MV, prof. dr.


Depto. Patologia FMVZ/USP
maiorka@usp.br

Audrey Cristina Rosatti de Souza


Necrotizing vasculitis and hemorrhagic foci Médica veterinária autônoma

in the encephalon of a cat with feline audreycrs@ig.com.br

infectious peritonitis - a case report


Vasculitis necrosante y focos hemorrágicos en dando início ao processo de reação
imunológica que resulta na formação de
encéfalo de gato acometido por peritonitis piogranulomas, vasculite, falência de
órgãos e morte 6,7,8,9.
infecciosa felina - relato de caso Anticorpos específicos para o coro-
navírus entérico felino são encontrados
em 80 a 90% dos gatos que vivem em
Resumo: A peritonite infecciosa dos felinos é uma doença comum e fatal, que pode ocorrer sistemicamente ou em órgãos
isolados, sendo a afecção neurológica uma manifestação habitual. Uma fêmea felina, de um ano de idade, foi atendido com colônias, e em 10 a 50% dos gatos que
quadro de disorexia, paralisia de membros posteriores e hematúria. Os exames laboratoriais e radiográficos do animal não vivem em residências, sem companhia
mostraram alterações. Após 20 dias de tratamento suporte, o animal apresentou panuveíte e foi submetido à eutanásia. O
exame necroscópico mostrou diversas áreas de vasculite necrótica, malácia e hemorragia em tecido nervoso, com presença ou contato com outros animais da espé-
de polimorfonucleares, neutrófilos e aneurismas, secundários a severa vasculite necrótica, além de congestão, edema e dege- cie 10. Entretanto, somente 5 a 10% dos
neração neuronal. Embora o quadro histopatológico seja condizente com a peritonite infecciosa dos felinos, a manifestação
exacerbada do sistema imune gerando vasculite necrótica e formação de aneurismas mostrou-se incomum. gatos que vivem em colônias desen-
Unitermos: neurologia, coronavírus, patologia volvem a PIF, e gatos não pertencentes
a colônias ou ambientes de risco têm
Abstract: Feline infectious peritonitis is a common and fatal disease that may occur systemically or in any single organ. Primary
neurological disease is a common manifestation. A one-year-old female cat with dysorexia, hind limb paralysis and hematuria uma incidência menor de desenvolvi-
was attended. CBC, biochemical and radiographic exams had no alterations. Twenty days after support treatment, the cat mento da doença 10.
presented panuveitis and was euthanized. The necropsy showed several areas of necrotic vasculitis, malacia and hemorrhage
in nervous tissue, with polymorphonuclears, neutrophils and aneurysm secondary to severe necrotic vasculitis, as well as A manifestação neurológica da PIF
congestion, edema and neuronal degeneration. Although the histopathological exam was compatible with feline infectious ocorre em cerca de 1/3 dos gatos acome-
peritonitis, the intense immune response, which caused vasculitis and aneurysm, was most uncommon.
Keywords: neurology, coronavirus, patology tidos pela doença, e apresenta sintomas
como ataxia, convulsões, hiperestesia,
Resumen: La peritonitis infecciosa felina es una enfermedad común y fatal. Puede presentarse sistémicamente o en órganos hiper-reflexia, propriocepção reduzida,
aisladamente y la afección neurológica es la manifestación más común. Un felino hembra, de un año de edad, fue atendido
con disorexia, parálisis de miembros posteriores y hematuria. Exámenes de laboratorio y radiografías no evidenciaron
paralisia de cauda, head tilt (cabeça pen-
alteraciones. Luego de 20 días de tratamiento, el animal presentó panuveítis y fue eutanasiado. La necropsia mostró dente para a direita ou para a esquerda),
diversas áreas de vasculitis necrosante, malacia y hemorragia en tejido nervioso, con presencia de polimorfonucleares,
neutrófilos y aneurismas, secundarios a una severa vasculitis necrosante, además de congestión, edema y degeneración
depressão mental e paralisia, entre ou-
neuronal. Aunque el cuadro histopatológico sea concordante con la peritonitis infecciosa, la manifestación exacerbada del tras manifestações neurológicas 9,11,12. A
sistema inmune, generando vasculitis necrosante y formación de aneurismas, son poco comunes.
Palabras clave: neurología, coronavíru, patología
PIF é responsável por cerca de 16% dos
casos de desordens do sistema nervoso
central dos felinos domésticos 4. Tam-
Clínica Veterinária, n. 74, p. 62-66, 2008 bém é predominante entre as doenças
medulares em gatos 13.
Introdução com desenvolvimento de reação do tipo Convulsões provocadas em gatos
As causas de manifestações neuroló- Arthus (hipersensibilidade tipo III), que pela forma neurológica da doença são
gicas em gatos são bem documentadas acomete predominantemente gatos que associadas a extenso quadro de lesões
na literatura médico-veterinária 1,2,3 e vivem em colônias 5. É causada por uma cerebrais, existindo uma pior evolução
podem ser incitadas por diversos fato- variante mutante do coronavírus entéri- da doença 14 .
res, dentre os quais se incluem, princi- co felino (FCoV) que tem predileção As alterações histopatológicas verifi-
palmente, as alterações congênitas, pelos macrófagos, através dos quais cadas no sistema nervoso são variáveis, e
degenerativas, inflamatórias/infecciosas adentra o sistema imune dos animais e, podem ser difusas, multifocais ou loca-
e neoplásicas 4. aí instalada, espalha intracelularmente a lizadas. As lesões definitivas e caracterís-
A peritonite infecciosa dos felinos (PIF) infecção. Portanto, os macrófagos infecta- ticas da PIF são caracterizadas por pio-
é uma doença imunomediada progressiva dos disseminam sistemicamente o vírus, granulomas resultantes de processo

62 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


imunomediado não totalmente com- o índice de ligação dos leucócitos é baixo, arterite necrosante, trombose e hemor-
preendido 14,15. embora a resposta à adesão ativada pelo ragia 14. Quando os infiltrados perivas-
O mecanismo de entrada do vírus TNF-_ e pelo inferferon-a (INF-a) seja culares estão presentes, freqüentemente
no sistema nervoso central é desconhe- bastante aumentada 16. são encontradas alterações em outros ór-
cido 15. Provavelmente, esta entrada O fato de os neutrófilos não expres- gãos, como rins, fígado e linfonodos
ocorre através dos macrófagos infecta- sarem receptores VLA-4 e `-integrina mesentéricos 4.
dos pelo vírus da PIF (VPIF), e há (mediadores da regulação e da interação Alterações em exames de imagem
evidências imuno-histoquímicas da entre o TNF-_ e o INF-a com leucócitos) são encontradas apenas na ressonância
existência do VPIF em macrófagos de pode explicar a restrição e a baixa quan- magnética, que pode acusar aumento de
vasos sangüíneos do plexo coróide de tidade desse tipo de célula nos infiltrados contraste periventricular, dilatação ven-
gatos infectados 15. inflamatórios característicos da PIF 16. tricular e hidrocefalia 9.
Após o estabelecimento do vírus no Na vasculite observada na PIF, pare- O diagnóstico ante mortem da PIF
sistema nervoso central, os mecanismos ce existir um alto grau de viremia asso- neurológica pode ser difícil. Títulos so-
imunomediados envolvem a imunidade ciado a monócitos, encontrando-se ma- rológicos e RT-PCR não diferenciam a
humoral e celular. Os macrófagos infecta- crófagos perivasculares ativados e in- infecção pelo vírus da PIF daquela pro-
dos pelo VPIF desencadeiam a ativação fectados pelo VPIF, que é considerado o vocada pelo FCoV, assim como a soro-
massiva do sistema complemento, com desencadeador central da moléstia 16. logia e o PCR liquóricos. Até o momen-
deposição de C3 e fibrinogênio nas super- Os granulomas mais comumente to, não existem exames capazes de de-
fícies acometidas, gerando coagulopatia observados no parênquima cerebral per- tectar os genes mutados ou as proteínas
intravascular, necrose vascular e efusão 15. mitem a identificação de extensas áreas alteradas, passíveis de uso como provas
A deposição de imunocomplexos nos necróticas, circundadas por células in- diagnósticas. Isso ocorre porque ambos
vasos sangüíneos desencadeia um agres- flamatórias compostas, quase na sua to- os vírus são antigenicamente indistin-
sivo processo piogranulomatoso imuno- talidade, por macrófagos com variável güíveis, podendo o animal ter forte rea-
mediado, com grande envolvimento dos expressão viral. Também se visualizam ção positiva sorológica e PCR positivo
macrófagos no processo, caracterizado alguns neutrófilos, linfócitos B e plas- para o FCoV, embora não necessaria-
como vasculite 14,15. Os macrófagos ade- mócitos, alguns positivos para anticor- mente esteja acometido pela PIF 5,18,19.
rem-se à parede dos vasos, liberando pos específicos para o coronavírus. Pou- Além do aspecto único da vasculite
substâncias quimiotáticas como o fator cos linfócitos T são encontrados nesses induzida pelo VPIF, a imuno-histoquí-
de necrose tumoral (TNF-_) e a interleu- granulomas 17. mica positiva de macrófagos lesionais é
cina-1`, e atraem outros macrófagos ao Macroscopicamente, tais lesões são considerada o teste diagnóstico mais
sítio, ativando as células endoteliais e caracterizadas por opacificação das me- confiável para a PIF. Considerando que
promovendo destruição da lâmina vascu- ninges, dilatação ventricular, lesões em somente os FCoV mutados se replicam
lar basal, o que promove o início do pro- superfície ventral cerebral (freqüente- em monócitos, esse teste é considerado
cesso de formação dos granulomas 16. Sen- mente acompanhadas de hidrocefalia de grande significância diagnóstica 19.
do assim, após o início da vasculite, exis- obstrutiva secundária) e hemorragia 3,9. As informações mais importantes
te a perpetuação do processo por estimu- As lesões histológicas observadas no no diagnóstico da PIF não são as labo-
lação autócrina e parácrina macrofágica 16. sistema nervoso central são a meningite, ratoriais, e sim o histórico. Muitos ga-
Este tipo de reação inflamatória, ge- a ependimite, a periventriculite e a co- tos, com idade entre seis meses e três
rada pelo VPIF, é restrita a vasos de pe- roidite na área posterior do tronco cere- anos e provenientes de colônias ou abri-
queno e médio calibres, principalmente bral e no quarto ventrículo 9,14,15. gos, apresentam quadro de febre que
em leptomeninge, além de sítios extra- A meningite pode ser mais severa nas não cede ao uso de antibióticos, e mani-
neurológicos, como os rins, os olhos e, regiões ventrocaudais do cérebro, espe- festações clínicas específicas dependen-
menos freqüentemente, os pulmões e o cialmente na base do cerebelo e no tron- tes da forma da doença e localização da
fígado 16. co cerebral. Nas meninges, o infiltrado lesão. A segunda informação relevante
Em pequenos vasos, a vasculite ca- inflamatório tem distribuição predomi- acerca da característica da efusão (quan-
racteriza-se por infiltrados circulares ve- nantemente perivascular, formando man- do presente), são achados como leuco-
nosos e perivenosos, predominantemen- guitos perivasculares em vênulas, o que citose com neutrofilia e linfopenia,
te compostos por macrófagos e linfócitos, caracteriza o processo como flebite. Exis- hiperglobulinemia, anemia não regene-
além de plasmócitos e neutrófilos 14,16. te exsudação de fluido rico em proteínas rativa (doença crônica), hipoalbumine-
Em vasos de médio calibre, o infiltrado e astrocitose reativa periventricular 9,14. mia e aumento dos níveis de fibrinogê-
costuma ser focal 16. A inflamação pode se estender até a nio 4,10,19. A eliminação de outras possí-
O processo inflamatório da PIF é restri- superfície do neurópilo, assim como às veis causas etiológicas também é parte
to principalmente a veias, especialmente raízes dos nervos cranianos 9,15. Quando importante do diagnóstico 4,10.
em órgãos como o cérebro. Uma possível as lesões são muito profundas, podem- Sendo assim, a única prova diagnós-
explicação para esse fato é que as célu- se observar cicatrizes gliais nodulares tica definitiva é a detecção de lesões
las endoteliais venosas induzem maior com infiltrado perivascular 15. Outras histológicas consistentes à PIF, e a con-
adesão leucocitária que o endotélio arterial. alterações também descritas são: dege- firmação com o achado de macrófagos
Além disso, nesses sítios, particular- neração de estruturas parenquimatosas positivos para o FCoV no teste de imu-
mente naqueles localizados no encéfalo, (principalmente substância branca), nofluorescência ou RT-PCR 19.

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 63


Relato de caso (Figuras 3 e 4), com malácia e hemorra-

Paulo César Maiorka


Uma fêmea felina, de um ano de ida- gia, presença de macrófagos espumo-
de, foi atendida no serviço de Pronto sos, discreta infiltração de neutrófilos
Atendimento Médico do Hospital Vete- polimorfonucleares, proliferação das
rinário da Faculdade de Medicina Vete- células ependimárias e coroidite mode-
rinária e Zootecnia da Universidade de rada (Figura 5). Os pontos avermelhados
São Paulo, com quadro de anorexia, he- observados no exame macroscópico
matúria e paralisia de membros poste- foram caracterizados como aneurismas
riores havia cinco dias. O animal fora secundários a severa vasculite necróti-
submetido a intervenção cirúrgica – ca, principalmente em vênulas, além de Figura 2 - Corte histológico do encéfalo, no qual
ovariosalpingo-histerectomia – 10 dias congestão e edema moderados e dege- se observa a formação de hematoma decorren-
te da necrose da parede do vaso e hemorragia
antes do atendimento, e os sintomas ti- neração neuronal. (HE, 4x). São Paulo, 2007
veram início subitamente, sem histórico
de trauma ou lesão medular. O animal Discussão reforçam a suspeita de que a paralisia
vivia com outros oito felinos assintomá- O quadro anatomopatológico obser- estivesse ligada à manifestação neuroló-
ticos, todos provenientes de abrigos ou vado no caso aqui relatado é condizente gica encontrada em casos de infecção
de origem desconhecida. com achados anteriormente observados pelo vírus da peritonite infecciosa dos
Ao exame físico, o animal apresenta- na PIF, no que se refere a vasculite ne- felinos, sendo esta possibilidade diagnós-
va leve desidratação, paralisia de mem- crótica, malácia, manguitos perivascu- tica diferencial aventada desde o início
bros pélvicos com diminuição de refle- lares com predominância de macrófa- do quadro, pelo fator epidemiológico
xos patelares e tibiais, ausência de dor gos, ependimite e coroidite 9,15. Entretan- associado à inespecificidade da doença,
profunda e propriocepção negativa, mais to, a manifestação exacerbada do sis- e pela freqüência com que esta acomete
evidente em membro posterior esquerdo. tema imune nos vasos, que gerou a vas- o sistema nervoso central 4,9,19. A vas-
A observação dos exames radiográfi- culite necrosante, é pouco comum nos culite, achado histopatológico freqüen-
cos não demonstrou alterações em colu- quadros lesionais causados pelo vírus temente associado à infecção pelo vírus
na cervical, torácica, lombar e sacral, visto que, na maioria dos casos, verifi- da PIF, pode ter sido determinante para
bem como na região coxofemoral. Nos cam-se vasculite com predominância de

Paulo César Maiorka


exames laboratorias, verificou-se hema- macrófagos, necrose central do piogra-
túria macro e microscópica, e nenhuma nuloma, sem necrose com formação de
alteração em hemograma completo, per- aneurismas nas vênulas acometidas.
fil bioquímico completo (uréia, creati- A região acometida que, na avaliação
nina, proteínas totais, albumina, ALT, histopatológica, compreendeu a porção
AST, GGT, fosfatase alcalina) (Figura 1). caudal do encéfalo, o mesencéfalo, a
O quadro do animal teve uma evolução ponte e o cerebelo, assim como a coroi-
desfavorável, com persistência da anore- dite, explicam o quadro de paralisia de
xia, da prostração e da perda de peso, du- membros pélvicos inicialmente, que po-
rante 20 dias. No 21º dia, o animal apre- deria progredir. O histórico epidemioló-
Figura 3 - Vasculite e necrose de vaso sangüí-
sentou quadro de panuveíte e, por força gico do gato, o ambiente onde vivia, a neo e conseqüente extravasamento de sangue
disso e do mau estado geral que apresen- idade e a forma súbita da manifestação para o interior do neurópilo (HE, 20X)
tava, foi submetido à eutanásia. Hemograma Valores do animal Valores de referência
O exame necroscópico revelou o aco- Eritrócitos 5.5 milhões/—L 5,5 a 10 milhões/—L
metimento de diversos órgãos, como Leucócitos 12.800 células/—L 5500 - 16500 células/—L
pulmão, fígado e rins, e lesões comu- Neutrófilos segmentados 10.648 células/—L 3000 - 13000 células/—L
mente observadas em casos de PIF, tais Linfócitos 1.348 células/—L 1200 - 9000 células/—L
como piogranulomas em superfície Monócitos 768 células/—L 0 - 750 células/—L
Hematócrito 25% 25 - 45%
capsular renal e parênquima hepático. Plaquetas 500000/—L 300.000 - 800.000/—L
Foram realizados cortes seriados do Reticulócitos 0 0
encéfalo, no qual se detectou a presença Perfil bioquímico Valores do animal Valores de referência
de dilatação ventricular discreta e pontos Uréia 50 mg/dL 10 - 40 mg/dL
avermelhados, com cerca de 0,5cm de Creatinina 1,1mg/dL 1,5 - 2 mg/dL
diâmetro, localizados na porção posterior Sódio 147 mmol/L 146 - 157 mmol/L
do encéfalo, principalmente nas regiões Potássio 3,5 mmol/L 3,5 - 5,0 mmol/L
Proteína total 7,4 g/dL 5,5 - 8,5 g/dL
caudal de lobos temporais, caudal do Albumina 3,1 g/dL 2,7 - 4,6 g/dL
mesencéfalo (Figura 2), e na ponte e no AST 38 U/L 1 - 40 U/L
córtex cerebelar. Essas alterações foram ALT 46 U/L 30 - 70 U/L
interpretadas como focos hemorrágicos. Fosfatase Alcalina 30 U/L 20 - 70 U/L
O exame histopatológico do tecido GGT 2,3 U/L 1 - 5 U/L
nervoso mostrou diversas áreas de vas- Blirrubina total 0 mg/dL 0,15 - 0,25 mg/dL
culite necrótica nas regiões supracitadas Figura 1 - Valores dos exames laboratoriais de felino acometido pela PIF neurológica

64 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


de sintomatologia neurológica, de forma infectious peritonitis. American Journal of
Veterinary Research, v. 41, p. 868-876. 1980.
a possibilitar a melhor descrição e com-
07-POLAND, A. M. ; VENNEMA, H. ; FOLEY, J.
preensão dos eventos patofisiológicos
Paulo César Maiorka

E. ; PEDERSEN, N. C. Two related strains of


relacionados ao surgimento da manifes- feline infectious peritonitis virus isolated from
tação clínica de distúrbios neurológicos. immunocompromised cats infected with a feline
Também se sugere que, em casos de enteric coronavirus. Journal of Clinical
Microbiology, v. 34, p. 3180-3184, 1986.
síndromes neurológicas em felinos, a pe- 08-VENNEMA, H. ; POLAND, A. ; FOLEY, J. ;
ritonite infecciosa felina esteja entre os PEDERSEN, N. Feline infectious peritonitis
principais diagnósticos diferenciais, le- viruses arise by mutation from endemic feline
vando em conta outros fatores como a epi- enteric coronaviruses. Virology, v. 243, n. 1,
p. 150-157, 1998.
Figura 4 - Vasculite e necrose de vaso sangüí- demiologia, as alterações laboratoriais e
09-FOLEY, J. E. ; LAPOINTE, J. M. ; KOBLIK, P. ;
neo e conseqüente extravasamento de sangue a eliminação de demais causas predispo- POLAND, A. ; PEDERSEN, N. C. Diagnostic
para o interior do neurópilo. Observar o infiltra- nentes. features of clinical neurologic feline infectious
do inflamatório composto por células polimor- peritonitis. Journal of Veterinary Internal
fonucleares e mononucleares Medicine, v. 12, p. 415-423, 1998.
Conclusão
10-HARTMANN, K. ; BINDER, C. ;
Considerando a literatura revisada e o HIRSCHBERGER, J. ; COLE, D. ; REINACHER,
presente caso, tem-se que a peritonite in- M. ; SCHROO, S. ; FROST, J. ; EGBERINK, H. ;
Paulo César Maiorka

fecciosa dos felinos é um importante di- LUTZ, H. ; HERMANNSS, W. Comparision of


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histórico e à procedência do animal. 12-KLINE, K. L. ; JOSEPH, R. J. ; AVERILL, D. A.
Ressalta-se também a importância do Jr. Feline infectious peritonitis with neurological
Figura 5 - Moderada infiltração de células mono exame histopatológico, tanto para a involvement: clinical and pathological findings
e polimorfonucleadas e congestão no plexo in 24 cats. Journal of the American Animal
coróide. (HE, 10x) confirmação da doença, como de outras Hospital Association, v. 30, p. 111-118, 1994.
manifestações neurológicas de forma 13-MARIONI HENRY, K. ; VITE, C. H. ;
o aneurisma e a ruptura da parede dos geral, visando estabelecer o correto NEWTON, A. L. ; VAN WINKLE, T. J.
vasos do encéfalo. Em um animal com diagnóstico e, com isso, descartar ou Prevalence of diseases of the spinal cord of cats.
alta produção de substâncias quimio- confirmar possíveis causas zoonóticas Journal of Veterinary Internal Medicine.
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táticas e grande adesão macrofágica, ou de grande potencial infeccioso.
14-TIMMANN, D. ; CIZINAUSKAS, S. ; TOMEK,
associada à alta perpetuação autócrina e O perfeito conhecimento e descrição A. ; DOHERR, M. ; VANDEVELDE, M. ;
parácrina, a exacerbada reação frente à de quadros pouco relatados se faz JAGGY, A. Retrospective analysis of seizures
lâmina própria basal das vênulas pode necessário para a melhor compreensão associated with feline infectious peritonitis in
cats. Journal of Feline Medicine and Surgery,
gerar necrose de endotélio e ruptura das da fisiopatologia e, principalmente, para v. 10, n. 1, p. 9-15, 2008.
mesmas vênulas, promovendo a for- auxílio no diagnóstico diferencial de 15-FOLEY, J. E. ; LEUTENEGGER, C. A review of
mação da vasculite necrosante, e outras formas de encefalite. coronavirus infection in the central nervous
mesmo de focos hemorrágicos no encé- system of cats and mice. Journal of Veterinary
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KÖHLER, K. ; REINACHER, M. Cellular
tema imune parcialmente debilitado. Em- 03-SUMMERS, B. A. ; CUMMINGS, J. F. ; composition, coronavirus antigen expression and
bora estivesse clinicamente saudável, em DeLAHUNTA, A. Viral diseases. In: SUMMERS, production of specific antibodies in lesions in
B. A. ; CUMMINGS, J. F. ; DELAHUNTA, A. feline infectious peritonitis. Veterinary
virtude do ambiente que habitava e de Veterinary Neuropathology, 1. ed. , Mosby, Immunology and Immunopathology, v. 65,
diversos fatores estressores e epidemio- p. 95-119, 1995. n. 2-4, p. 243-257, 1998.
lógicos, possivelmente o animal estava 04-BRADSHAW, J. M. ; PEARSON, G. R. ; 18-BOETTCHER, I. C. ; STEINBERG, T. ; MATIASEK,
parcialmente imunossuprimido, o que o GRUFFYDD-JONES, T. J. A retrospective study K. ; GREENE, C. E. ; HARTMANN, K. ; FISCHER,
of 286 cases of neurological disorders of the cat.
tornou mais susceptível à doença. Journal of Comparative Pathology, v. 131,
A. Use of anti-coronavirus antibody testing of
cerebrospinal fluid for diagnosis of feline infectious
Frente à alteração histopatológica n. 2-3, p. 112-120, 2004. peritonitis involving the central nervous system
não usual do quadro, ou pouco descrita na 05-FOLEY, J. E. ; RAND, C. ; LEUTENEGGER, C. in cats. Journal of American Veterinary Medical
literatura 3,14, o caso se mostrou incomum Inflammation and changes in cytokine levels in Association, v. 230, n. 2, p. 199-205, 2007.
na óptica dos autores, merecendo o pre- neurological feline infectious peritonitis. 19-ADDIE, D. D. ; PALTRINIERI, S. ; PEDERSEN,
Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 5, N. C. Recommendations from workshops of the
sente relato, assim como a sugestão de n. 6, p. 313-322, 2003. second international feline coronavirus/feline
realização do exame acurado de cortes 06-PEDERSEN, N. C. ; BOYLE, J. F. Immunologic infectious peritonitis symposium. Journal of Feline
seriados de encéfalo de felinos portadores phenomena in the effusive form of feline Medicine and Surgery, v. 6, n. 2, p. 125-130, 2004.

66 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Rinaldo Cavalcante Ferri
Eletrocardiografia em quatis Médico veterinário autônomo, mestre
DMV/UFRPE
(Nasua nasua - Linnaeus, naldoferri@gmail.com

Fabrício Bezerra de Sá
1766) mantidos em cativeiro MV, prof. dr. - DMFA/UFRPE
crleucas@yahoo.com

e contidos quimicamente Cyro Rego Cabral Jr

com quetamina e xilazina Bioestatístico, prof. dr. - FANUT/UFAL


zoocrcj@gmail.com

Simona Teobaldo Sanchez


Electrocardiography in coatis (Nasua MV, mestre, dra.
monasanchez@ig.com.br

nasua - Linnaeus, 1766) maintained in Taciana Pontes Spinelli


captivity and restrained chemically with Médica veterinári autônoma
spinellitaciana@yahoo.com

ketamine and xylazine


Electrocardiografía en coatíes (Nasua
nasua - Linnaeus, 1766) mantenidos en
cautiverio y contenidos químicamente
con cetamina y xilazina
Resumo: Este trabalho teve por objetivo avaliar o perfil eletrocardiográfico de 21 quatis (Nasua nasua - Linnaeus, 1766) longo, que se destaca diante de olhos e
mantidos em cativeiro. Para tanto, os animais foram submetidos à contenção química com quetamina e xilazina. As variáveis
analisadas foram: freqüência cardíaca (FC), ritmo, eixo elétrico médio (EEM), onda P, complexo QRS, intervalos PR e QT, orelhas pequenos. Mede entre 70 e 120
segmento ST e onda T. Os resultados encontrados foram: FC (157,62±28,22 bpm); onda P (0,058±0,021 mV e 0,03±0,0056 centímetros e pesa de três a seis quilo-
seg); QRS (0,551±0,20 mV e 0,0335±0,0055 seg); PR (0,07±0,0097 seg); e QT (0,165±0,017 seg). O ritmo dominante foi o
sinusal (90,48%). O EEM variou de -30˚ a +90˚ sendo que, em 90,48% dos animais, estava dentro do intervalo +60˚ a +90˚. gramas. Sua dieta, que varia sazonal-
Os valores observados para os quatis foram similares aos de gatos (mensurações e configurações do complexo P-QRS-T) e mente, inclui frutas, insetos, ovos e pe-
cães domésticos (EEM).
Unitermos: procyonidae, eletrofisiologia, coração, anestesia quenos vertebrados. É encontrado na
América do Sul, desde o leste dos
Abstract: The objective of this work was to evaluate the electrocardiographic profile in 21 coatis (Nasua nasua - Linnaeus, Andes (a partir da Colômbia e da Vene-
1766) kept in captivity. Animals were anesthetized with ketamine and xylazine. The variables analyzed were: heart rate (HR), zuela), até a Argentina e o Uruguai. No
rhythm, mean electrical axis (MEA), P wave, QRS complex, PR and QT intervals, ST segment and T wave. Results were as
follows: FC (157.62±28.22 bpm); P (0.058±0.021 mV and 0.03±0.0056 s); QRS (0.551±0.20 mV and 0.0335±0.0055 s); PR Brasil, é criado como animal de estima-
(0.07±0.0097 s); QT (0.165±0.017 s.). Normal sinus rhythm was dominant (90.48%). The MEA varied from -30˚ to +90˚; in ção por alguns povos indígenas, en-
90.48% of the cases it was between +60˚ and +90˚. The values observed in coatis were similar to those of domestic cats
(voltage and P-QRS-T complex) and domestic dogs (MEA). quanto outros o incluem em sua dieta
Keywords: procyonidae, electrophysiology, heart, anesthesia (Figura 1) 1,3,4.
Embora seja uma técnica antiga, a
Resumen: Este trabajo tuvo como objetivo evaluar el perfil electrocardiográfico de 21 coatíes (Nasua nasua - Linnaeus, 1766)
mantenidos en cautiverio y contenidos químicamente utilizando cetamina y xilazina. Las variables analizadas fueron: eletrocardiografia é de uso recente na
frecuencia cardiaca (FC), ritmo, eje eléctrico medio (EEM), onda P, complejo QRS, intervalo PR y QT, segmento ST y onda T. medicina veterinária de animais sel-
Los resultados encontrados fueron: FC (157,62±28,22 bpm); onda P (0,058±0,021 mV y 0,03±0,0056 s); QRS (0,551±0,20 mV
y 0,0335±0,0055 s); PR (0,07±0,0097 s); y QT (0,165±0,017 s). El ritmo dominante fue el sinusal normal (90,48%). El EEM vagens e os padrões de normalidade e a
varió de -30˚ a +90˚, aunque en 90,48% de los animales estaba en el intervalo de +60˚ a +90˚. Los valores observados para avaliação das alterações do traçado
los coatíes fueron similares a los de gato (mensuraciones y configuraciones del complejo P-QRS-T) y de perro domésticos
(EEM). elétrico associadas às doenças ainda
Palabras clave: procyonidae, electrofisiología, corazón, anestesia não estão suficientemente elucidados
nessas espécies. Assim, a aplicação dos
Clínica Veterinária, n. 74, p. 68-74, 2008
Ilvio Mendes Vidal

Introdução gêneros (Procyon, Nasua, Potos e


A família Procyonidae pertence à Bassaricyon) e quatro a sete espécies 1.
ordem carnívora e todos os seus repre- Filogeneticamente, a família Procyonidae
sentantes habitam o Novo Mundo, pos- é considerada um ramo do ancestral da
suindo extensões territoriais que aden- família canídea 2.
tram a região neotropical. Está dividida O quati (Nasua nasua - Linnaeus,
em seis gêneros, com 18 espécies. Na 1766) é um procionídeo identificado Figura 1 - Quati (Nasua nasua - Linnaeus,
América do Sul encontram-se quatro pelo formato do corpo e pelo focinho 1766)

68 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


conhecimentos e das interpretações Câmara (quatro animais), em João por meio de clipes tipo “jacaré”, na
utilizadas para as espécies já estu- Pessoa (PB), entre agosto de 2005 e região do olécrano, nos membros torá-
dadas parece ser viável e de importân- setembro de 2006. cicos e da patela, nos membros pélvi-
cia clínica 5. Foram utilizados 21 quatis (Nasua cos, com a aplicação de álcool 70° nos
Cabe ressaltar, ainda, outra particu- nasua) considerados sadios, pesando pontos de fixação. Foram registrados
laridade da utilização dessa técnica em entre 2 e 9kg, machos e fêmeas, adultos três a quatro complexos P-QRS-T
animais selvagens, que é a necessidade (idade igual ou superior a 12 meses) e para as seis derivações, onde o traça-
de estarem sob a condição de contenção mantidos em recintos apropriados, onde do foi padronizado para sensibilidade
química ou mesmo anestesia geral, o recebiam dieta recomendada pelas insti- N (1mV = 1cm) e velocidade de
que agrega mais um pressuposto à aná- tuições, geralmente à base de frutas, 50mm/s, repetindo-se durante um
lise dos resultados, de vez que muitos carne bovina, ração canina e presas minuto a derivação II à velocidade de
padrões de normalidade devem ser es- vivas, além de água ad libitum. 25mm/s.
truturados em função do protocolo de Todos os animais selecionados eram A análise dos registros dos traçados
intervenção química utilizado 5. adultos pois, segundo alguns autores 11,12, foi sistemática, e avaliou as seguintes
O eletrocardiograma (ECG) é uma o crescimento corpóreo influencia as variáveis: (1) a freqüência cardíaca
técnica sensível e específica para a iden- variáveis eletrocardiográficas. (FC), pela multiplicação do número de
tificação e a qualificação de arritmias A captura e a contenção física dos complexos QRS em três segundos por
cardíacas. Além da análise do ritmo animais foram realizadas de acordo com 20; (2) o ritmo cardíaco, considerando a
cardíaco, o ECG também tem outras in- a literatura compilada 2, ou seja: a captu- presença da onda P, sua relação com o
dicações de utilização na rotina clínica, ra dos animais em seus recintos, bem complexo QRS, regularidade dos inter-
aí se incluindo a detecção do aumento como a contenção física, foram feitas valos P-P e R-R, constância do interva-
de câmaras cardíacas, o monitoramento com o auxílio de puçá, garantindo a lo P-R, além da configuração e uni-
do ritmo durante e após cirurgias e imobilidade com manobras de giros em formidade da onda P e do complexo
durante contenção química, o auxílio torno do eixo deste, restringindo o es- QRS; (3) o eixo elétrico médio (EEM)
diagnóstico para inúmeros tipos de car- paço da sua malha. Em seguida, os ani- calculado no plano frontal, tendo como
diopatias, distúrbios eletrolíticos, doen- mais foram transportados para pesagem base a polaridade do complexo QRS
ças metabólicas, além de efusão pericár- e depois para a sala onde se realizou o nas derivações I, II, III, aVR, aVL e
dica 6. exame eletrocardiográfico. aVF; (4) a amplitude e duração da onda
O exame também pode auxiliar no Em face da necessidade de contenção P e do complexo QRS, duração dos
diagnóstico de afecções não cardíacas. química para a realização do exame, intervalos PR e QT, o nivelamento do
Em uma série de estudos utilizando dado o comportamento agressivo da segmento ST, além da polaridade da
aves, observaram-se alterações que obe- espécie, todos os animais foram subme- onda T e de sua amplitude relativa à
deciam a um padrão, no traçado eletro- tidos a jejum alimentar prévio de doze onda R.
cardiográfico de animais acometidos horas. Foi utilizada a associação Os dados obtidos foram submetidos à
por deficiência de niacina, riboflavina, quetamina a (10,0mg/kg) e xilazina b análise estatística descritiva para
tiamina, vitamina E e potássio, bem (2,0mg/kg) aplicada pela via intramus- obtenção de médias e desvios-padrão.
como infecções por E. coli 7,8,9,10. cular, protocolo freqüentemente utiliza- Após terem sido analisados quanto a
Os estudos sobre a fisiologia animal do para contenção química nos zoológi- normalidade e homogeneidade das va-
são fundamentais para a conservação e a cos 1,2,4,13. riâncias dos erros pelos testes de
preservação de espécies selvagens. A Para o exame eletrocardiográfico foi Lilliefors e Cochran, respectivamente,
literatura sobre animais selvagens bra- utilizado o aparelho da marca ECAFIX®, observou-se que os mesmos não esta-
sileiros é ainda escassa nas áreas de fi- modelo ECG-6 c. vam de acordo com os pressupostos pa-
siologia, patologia e mesmo de semiolo- A técnica do registro e sua análise ra a realização de análise de variância
gia. Assim, há necessidade de maiores foram realizadas conforme padroniza- paramétrica. Sendo assim, optou-se pela
estudos que abranjam essas especiali- ção para cães e gatos 12,14,15,16,17. Os ani- análise não-paramétrica para o cálculo
dades. mais anestesiados foram posicionados do coeficiente de correlação linear de
Nesse contexto, o objetivo deste tra- em decúbito lateral direito, sobre uma Spearman (R), onde foram considerados
balho foi determinar o perfil eletrocar- mesa coberta por manta de borracha, significativos os que apresentaram va-
diográfico dos Nasua nasua mantidos para evitar interferências elétricas. lores de probabilidade em relação ao
em cativeiro e avaliados sob o protoco- Tomou-se o cuidado de manter os mem- erro experimental menores que 5%
lo anestésico quetamina e xilazina. bros torácicos paralelos entre si e per- (p<0,05). Em alguns casos, quando
pendiculares ao maior eixo do corpo. estes valores foram maiores (p≥0,05),
Material e métodos Para registro das derivações dos adotou-se o conceito de significância
As avaliações foram realizadas nas planos frontais, I, II, III, aVR, aVL e biológica 18, num intervalo sugerido pela
dependências das instituições que aVF, os eletrodos foram fixados à pele literatura 19 para tendência significativa,
seguem: parque dois Irmãos (13 ani- que abrange valores iguais ou maiores a
mais), em Recife (PE); zoológico Melo a) Vetanarcol ®. Konig do Brasil. Santana do Parnaíba, SP
5%, e iguais ou menores a 15% para a
Verçosa (quatro animais), em Vitória de b) Kensol ®. Konig do Brasil. Santana do Parnaíba, SP
c) ECG-6 ®. Ecafix funbec Industria e Comércio Ltda. São
probabilidade do erro aleatório ocorrer
Santo Antão (PE); zoobotânico Arruda Paulo, SP (0,05≤p≤0,15).

Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008 69


Resultados e discussão aumento do peso dos animais estuda- coronariana e hipóxia miocárdica 21, o
Os resultados para algumas das va- dos. Esses resultados corroboram estu- que, de acordo com a literatura 12, repre-
riáveis analisadas estatisticamente estão do 21 que afirma que a FC está relaciona- senta uma das causas de BFAE. Entre-
apresentados na figura 2. da ao tamanho corporal, à taxa metabó- tanto, como não foi possível realizar
Os coeficientes de correlação linear lica e ao equilíbrio autonômico. De ma- exames complementares, a causa exata
Spearman (R) para algumas variáveis de neira similar, a FC dos cães de pequeno desse achado eletrocardiogáfico isolado
importância clínica estão apresentados porte tende a ser mais elevada do que não pôde ser elucidada.
na figura 3. aquela dos cães de grande porte 12,16. Dos animais analisados, 9,52% mos-
Os animais estudados apresentaram O ritmo sinusal (RS) ocorreu em traram arritmia sinusal com marcapasso
peso entre 2 e 9kg, e 14,28% esta- 90,48% dos animais avaliados (Figura 4). migratório (Figura 6). Esse ritmo pode
vam acima do padrão para a espécie. Um animal com RS (5,26%) apresentou ocorrer em cães sadios ou cães e gatos
A obesidade é freqüente em quatis man- padrão sugestivo de bloqueio fascicular com tônus vagal aumentado, decorrente
tidos em cativeiro 1,4. anterior esquerdo (BFAE) (Figura 5), de doenças respiratórias, gastrintestinais
O período de indução anestésica va- com desvio do EEM para a esquerda e do sistema nervoso central (SNC),
riou entre quatro e oito minutos como (-30˚) e ondas S profundas, excedendo a além de secundário aos efeitos paras-
sugerido na literatura 4. Decorridos dez onda R, nas derivações II, III e aVF. simpatomiméticos de algumas drogas,
minutos da aplicação do anestésico, Essa alteração é comum no gato e como a xilazina 12,16,17.
adequada imobilidade, miorrelaxamen- menos comum no cão, pois está fre- O EEM variou de -30˚ a +90˚: um
to e analgesia foram observados, mo- qüentemente associada à cardiomiopa- animal (4,76%) apresentou EEM em
mento considerado ideal para o início tia hipertrófica e restritiva felina, causa -30˚, um (4,76%) em +30˚, oito (38,1%)
do exame eletrocardiográfico, por mini- de hipertrofia ventricular esquerda, hi- em +60˚, 10 (47,62%) com eixo aproxi-
mizar os artefatos provocados por percalemia e isquemia, além de modifi- mado entre +60˚ e +90˚, e um (4,76%)
tremores e hipertonia muscular. cação da posição do coração dentro do em +90˚. Não houve correlação linear
A FC apresentou correlação linear tórax 12. O uso combinado de quetamina entre o EEM e o peso. Observou-se
(p<0,05) inversamente proporcional ao e xilazina pode ocasionar isquemia tendência (p = 0,052) inversamente

Figura 2 - Resultados das variáveis peso, FC, amplitude e duração da onda P, duração do intervalo PR, amplitude e duração do complexo QRS, e
duração do intervalo QT em relação ao eletrocardiograma convencional em quatis (Nasua nasua) mantidos em cativeiro e contidos quimicamente com
quetamina e xilazina
Variável Média ± desvio-padrão C.V.1 (%) Valor mínimo Valor máximo Amplitude total
Peso (kg) 4,27±1,77 41,44 2,0 9,0 7,0
FC (bpm) 157,62±28,22 17,90 110 205 95
P (mV) 0,058±0,021 36,70 0,05 0,125 0,075
P (seg.) 0,03±0,0056 18,65 0,02 0,04 0,02
PR (seg.) 0,07±0,0097 13,83 0,06 0,10 0,04
QRS (mV) 0,551±0,20 36,47 0,2 0,9 0,7
QRS (seg.) 0,0335±0,0055 16,41 0,025 0,04 0,015
QT (seg.) 0,165±0,017 10,55 0,14 0,20 0,06
1 Coeficiente de variação

Figura 3 - Coeficientes de correlação de Spearman (R) para as variáveis peso, FC, EEM, duração do intervalo PR e duração do intervalo QT em relação
ao eletrocardiograma convencional, em quatis (Nasua nasua) mantidos em cativeiro e contidos quimicamente com quetamina e xilazina
Peso FC EEM PR (seg.) QT (seg.)
Peso (kg) 1,00 p = 0,0 - - - -
FC (bpm) -0,41* p = 0,035 1,00 p = 0,0 - - -
EEM (graus) -0,36 ns p = 0,052 n.d. 1,00 p = 0,0 - -
PR (seg.) 0,33 ns p = 0,070 -0,25 ns p = 0,137 n.d. 1,00 p = 0,0 -
QT (seg.) -0,07 ns p = 0,371 -0,52** p = 0,01 n.d. n.d. 1,00 p = 0,0
ns = não significativo estatisticamente (p < 0,05)
** ou * = significativo estatisticamente (p < 0,01) e (p < 0,05), respectivamente
n.d. = não determinado

Figura 4 - Eletrocardiograma de quati contido quimicamente com quetamina e xilazina, demonstrando ritmo sinusal normal (derivação II, sensibilidade
1mV = 1cm, velocidade 50mm/s). Recife (PE), 2006

70 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


o que fez um animal apresentar eixo
-30º foi um possível BFAE.
Houve prolongamento do intervalo
PR (0,10 seg.) em um dos animais (Fi-
gura 6), que se distanciou da média do
grupo. Esse fato pode estar relacionado
com a ação parassimpatomimética da xi-
lazina que, segundo alguns autores 22,23,24,
pode promover bloqueio atrioventricu-
lar (BAV) de primeiro grau. Isso não
indica, contudo, que se está diante de
um BAV de primeiro grau, pois não há
valores de referência para a espécie em
animais não anestesiados.
Observou-se uma tendência para as
correlações lineares entre esse intervalo
e o peso (R = 0,33) e a FC (R = -0,25).
O intervalo PR maior pode ser decor-
rente de uma via de condução atrioven-
tricular relativamente mais extensa nos
animais maiores do que nos animais
menores de uma mesma espécie 25, o que
também poderia explicar a ocorrência
do intervalo PR acima da média dos ani-
Figura 5 - Eletrocardiograma de quati contido quimicamente com quetamina e xilazina, demons- mais estudados, dado que foi observado
trando padrão sugestivo de bloqueio fascicular anterior esquerdo, com ondas S maiores que ondas no animal com maior porte e peso. Em
R nas derivações II, III e aVF. O animal apresentou EEM, com desvio à esquerda, igual a -30°.
Recife (PE), 2006 cães e gatos, quanto maior a FC menor
será o tempo para a condução do impul-
proporcional (R = -0,36) para os ani- jovens tendem a ter um eixo mais verti- so do nodo sinoatrial até o final do nodo
mais de menor peso apresentarem os cal (próximo a +90˚). De qualquer atrioventricular, ou seja, menor será o
maiores valores de EEM. O peso pode modo, a maioria dos animais ficou com intervalo PR 12.
estar relacionado à idade dos animais, o valores de EEM similares aos do cão Com relação ao segmento ST, apenas
que, segundo a literatura 12, poderia (+60˚ a +90˚) 12, o que pode representar um animal apresentou infradesnivela-
explicar essa relação inversamente pro- a faixa normal para a espécie. Deve-se mento (0,1mV) (Figura 7). A depressão
porcional, na qual os animais mais ratificar, em relação a essa variável, que desse segmento pode indicar alterações

Figura 6 - Eletrocardiograma de quati contido quimicamente com quetamina e xilazina, demonstrando arritmia sinusal com marcapasso migratório e
intervalo PR = 0,10 seg., sugerindo bloqueio atrioventricular de primeiro grau (derivação II, sensibilidade 1mV = 2cm, velocidade 50mm/s). Recife (PE),
2006

Figura 7 - Eletrocardiograma de quati contido quimicamente com quetamina e xilazina, demonstrando ritmo sinusal normal com segmento ST abaixo
da linha base do traçado (0,1 mV) e onda T maior que 25% da altura da onda R (derivação II, sensibilidade 1mV = 2cm, velocidade 25mm/s). Recife
(PE), 2006

72 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Figura 8 - Comparação da voltagem, do tempo e da configuração dos complexos QRS do quati, gato e cão (traçados na derivação II, sensibilidade
1mV = 1cm e velocidade 50mm/s). Recife (PE), 2006

eletrolíticas e ácido-básicas do coração, (Figura 7). Em cães, a altura de T não miocárdio. Ocorre redução do volume
bem como hipóxia regional do miocár- deve exceder a um quarto da altura da de ejeção, que resulta em diminuição do
dio 26. Em cães, essa alteração só é con- onda R na derivação II pois, se isso débito cardíaco e, subseqüentemente, da
siderada quando a depressão for maior ocorrer, anormalidades classificadas perfusão coronariana, ocasionando hi-
do que 0,2mV 12. Por outro lado, como como primárias ou independentes da póxia do miocárdio 21,27.
os achados aqui são próximos dos valo- despolarização ventricular (hipóxia Desse modo, o segmento ST abaixo
res descritos para o gato doméstico, miocárdica, por exemplo) e secundárias da linha base do traçado bem como a
pode-se discutir esse valor para infra- ou dependentes do processo de despola- alta ocorrência da referida anormalidade
desnível do segmento ST, visto que no rização (alargamentos ventriculares, por da onda T poderia ter ocorrido por hipó-
gato é anormal qualquer desnível desse exemplo) podem ocorrer 12. xia do miocárdio, ocasionada pelo pro-
segmento 12. O uso combinado de quetamina e xi- tocolo anestésico utilizado 12,20.
A polaridade da onda T foi positiva lazina pode causar elevações na fre- O intervalo QT apresentou correla-
em 100% dos animais na derivação II, qüência cardíaca e na pós-carga, aumen- ção linear altamente significativa
mas 15 quatis (71,43%) apresentaram tando, conseqüentemente, o trabalho (p<0,01) com a FC (R = -0,52), corro-
onda T acima de 25% da altura da onda R cardíaco e o consumo de oxigênio pelo borando a maioria dos autores 11,12,15,17,25,
que relatam uma relação inversamente Referências Electrocardiography. In: MILLER, M. S. ;
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Mapaches y otros miembros de su família
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tervalo do EEM (vetor do QRS) mais fre- Metalivros, São Paulo, p. 134-144, 2003. cardiologia para cães e gatos, 3. ed., Roca, São
qüente (90%) variou de +60˚ a +90˚, 04-TEIXEIRA, R. H. F. ; AMBROSIO, S. R. Paulo, 2002, 489p.
Carnívora - Procyonidae (Quati, Mão - pelada, 18-CURI, P. R. Metodologia e análise da pesquisa
aproximando-se da média para o cão do- Jupará). In: CUBAS, Z. S. ; SILVA, J. C. R. ; em viências biológicas, 1. ed., Tipomic,
méstico 12,16,17. Achados semelhantes fo- CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de animais sel- Botucatu, 1997, 263p.
ram obtidos em dois trabalhos, um uti- vagens. Medicina veterinária, 1. ed., Roca, São
19-CABRAL JR., C. R. A influência do tempo de
lizando “raccoons” (Procyon lotor) 25 e ou- Paulo, p. 571-583, 2007.
desidratação e armazenamento sobre a ocor-
tro mãos-peladas (Procyon cancrivorus) 4, 05-FELIPPE, P. A. N. Eletrocardiografia. In: rência de fungos e destes na composição
CUBAS, Z. S. ; SILVA, J. C. R. ; CATÃO-DIAS, químico-bromatológica das vagens da alga-
animais pertencentes à mesma família J. L. Tratado de animais selvagens. Medicina robeira. Dissertação (mestrado) - Universidade
do quati. veterinária, 1. ed., Roca, São Paulo, p. 920-929, Federal de Alagoas. Centro de Estudos de
2007. Ciências Agrárias, 2003.
Conclusões 06-FERREIRA, W. L. ; SOUZA, R. C. A. ; CAMA- 20-DETWEILER, D. K. Regulação cardíaca. In:
CHO, A. A. A eletrocardiografia na medicina ve- SWENSON, M. J. ; REECE, W. O. Dukes: fisio-
Com base na metodologia empregada terinária. Revista de Educação Continuada do logia dos animais domésticos, 11. ed.,
neste estudo pode-se concluir que: em Conselho Regional de Medicina Veterinária Guanabara, Rio de Janeiro, v. 1, p. 157-169.
relação às mensurações e à morfologia de São Paulo, v. 1, n. 1, p. 54-57, 1998. 1996.
do complexo P-QRS-T, os quatis apre- 07-STURKIE, P. D. ; SINGSEN, E. P. ; 21-VALADÃO, C. A. A. Anestésicos dissociativos.
sentam índices semelhantes aos de gatos MATTERSON, L. D. The effects of dietary In: FANTONI, D. T. ; CORTOPASSI, S. R.
deficiencies of vitamin E and the B complex Anestesia em cães e gatos, 1. ed., Roca, São
domésticos; já a orientação do com- vitamins on the electrocardiogram of chickens. Paulo, p. 165-173, 2002.
plexo QRS no plano frontal comportou- American Journal of Veterinary Research,
22-MASSONE, F. Anestesiologia veterinária: far-
se analogamente à do cão doméstico; o v. 15, p. 457-462, 1954.
macologia e técnicas, 2. ed., Guanabara, Rio de
protocolo anestésico foi satisfatório no 08-STURKIE, P. D. Further studies of potassium Janeiro, 1994, 252p.
deficiency on the electrocardiogram of chicken.
que tange a imobilidade, miorrelaxa- Poultry Science, v. 31, p. 648-650, 1952a. 23-PADDLEFORD, R. R. Manual de anestesia em
mento e analgesia, que possibilitaram a pequenos animais, 2. ed., Roca, São Paulo,
09-STURKIE, P. D. Effects of acute thiamine 2001, 423p.
obtenção de registro eletrocardiográfico deficiency on the electrocardiogram of the chick.
24-FANTONI, D. T. Anestesia no cardiopata. In:
de boa qualidade para a interpretação; a Poultry Science, v. 31, p. 508-510, 1952b.
FANTONI, D. T. ; CORTOPASSI, S. R.
associação anestésica quetamina e xila- 10-GROSS, W. B. Eletrocardiographic changes of Anestesia em cães e gatos, 1. ed., Roca, São
zina pode ter influenciado nas altera- Escherichia coli infected birds. American Paulo, cap. 30, p. 294-320, 2002.
Journal of Veterinary Research, v. 27, p. 1427-
ções encontradas em algumas variáveis 1436, 1966. 25-HAMLIN, R. L. ; HREN, J. ; SPARROW, P. V.
como o ritmo, o intervalo PR e a repo- Electrocardiographic evaluation of the healthy
11-SMITH, C. R. ; HAMLIN, R. L. ; CROCKER, H. raccoon (Procyon lotor). American Journal of
larização ventricular (segmento ST e D. Comparative electrocardiography. Annals of Veterinary Research, v. 47, n. 4, p. 814-817,
onda T). Tendo em vista os resultados the New York Academy of Sciences, v. 127, 1986.
p. 155-169, 1965.
obtidos na presente investigação, é 26-BEARDOW, A. W. Eletrocardiografia. In:
12-TILLEY, L. P. Essentials of canine and feline
necessário desenvolver estudos adicio- electrocardiography: interpretation and
ABBOTT, J. A. Segredos em cardiologia de
pequenos animais: respostas necessárias ao
nais para melhor caracterizar e padro- treatment, 3. ed., Lea & Febiger, Philadelphia, dia-a-dia em rounds, na clínica, em exames
nizar eletrocardiograficamente quatis 1992, 470p. orais e escritos, 1. ed., Artemed, Porto Alegre,
que estejam sob efeitos mínimos de fár- 13-DINIZ, L. S. M. Imobilização química em ani- p. 151-162, 2006.
macos sedativos ou anestésicos, ou mais silvestres. In: SPINOSA, H. S. ; 27-KOLATA, R. J. ; RAWLINGS, C. A.
GÓRNIAK, S. L. ; BERNARDI, M. M. Farma- Cardiopulmonary effects of intravenous
mesmo sob outros protocolos de con- cologia aplicada à medicina veterinária, 2. ed., xylazine, ketamine, and atropine in the dog.
tenção, com menores interferências car- Guanabara, Rio de Janeiro, p. 165-179, 1999. American Journal of Veterinary Research,
diovasculares. 14-SMITH J. R, F. W. K. ; HADLOCK, D. J. v. 43, n. 12, p. 2196-2198, 1982.
VIROLOGIA VETERINÁRIA

E m Virologia veterinária, obra orga-


nizada por Eduardo Furtado Flores
e nomenclatura, genética e evolução,
métodos de detecção e identificação de
Divulgação

e editada pela Editora da Universidade vírus, aspectos gerais da replicação


Federal de Santa Maria (UFSM), o viral, replicação de vírus DNA e RNA,
leitor irá encontrar uma obra extrema- patogenia das infecções, epidemiologia,
mente atual, respaldada pelos avanços imunidade a vírus, diagnóstico laborato-
na genética e biologia dos agentes virais rial e vacinas.
e por uma ampla lista de especialistas As famílias virais de importância em
do Brasil e do exterior que colaboraram medicina veterinária, são tratadas indi-
na execução da obra. vidualmente, abordando-se os aspectos
O objetivo da obra é fornecer infor- gerais, a estrutura dos vírions, a estrutura
mações básicas sobre a estrutura, biolo- da organização genômica, expressão
gia, patogenia, diagnóstico e controle gênica, replicação do genoma e o ciclo
dos principais vírus de interesse veteri- replicativo, dando enfoque às doenças
nário. Os principais aspectos da biologia de importância veterinária, discorrendo-
molecular e replicação viral são aborda- se sobre as características dos agentes,
dos de maneira simples e de fácil com- epidemiologia, patogenia, sinais clíni-
preensão, para embasar o entendimento cos e patologia, diagnóstico, controle e
da patogenia, resposta imunológica e profilaxia.
diagnóstico dessas infecções.
A parte inicial da obra aborda os Editora UFSM: (55) 3220-8610
Virologia Veterinária - 888 páginas - Editora da aspectos gerais da virologia animal, dis- www.ufsm.br/editora
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) correndo sobre a estrutura, classificação editora@ctlab.ufsm.br

SEJA VEGANO

W ilson Grassi, autor de Seja vega-


no, é medico veterinário, formado
em 1994 pela Universidade Paulista.
pequenos animais, é diretor da Asso-
ciação Nacional de Clínicos Veteriná-
rios de Pequenos Animais do Estado de
diversas frases de celebridades, como,
por exemplo, uma de Pitágoras:

Além de trabalhar como clínico de São Paulo (Anclivepa-SP) e membro da “Enquanto o homem continuar a ser
Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o destruidor dos seres animados dos
dedicando-se à difusão do veganismo e planos inferiores, não conhecerá a
da proteção animal saúde nem a paz. Enquanto os homens
Divulgação

Wilson Grassi, através de experiên- massacrarem os animais, eles se


cias pessoais, mostra, de uma forma matarão uns aos outros. Aquele que
descontraída, como ele se tornou vega- semeia a morte e o sofrimento não
no, o porquê de ser vegano e o quanto pode colher a alegria e o amor”.
isso é bom para a saúde, para a cons-
ciência, para os animais e para o plane- “Muitos ainda não sabem o que signi-
ta. De leitura fácil, Seja vegano pode ser fica ser vegano. Aliás, a palavra ainda
lido por qualquer pessoa, adulto ou não consta oficialmente na lígua por-
criança. tuguesa... Os veganos reconhecem que
Para incentivar as pessoas a os animais têm direitos. Principal-
tornarem-se veganas, também incluiu mente, direito à vida e à liberdade. Para
no livro receitas culinárias para que serem coerentes com este princípio, os
todos possam desfrutar de saborosas veganos são contra a exploração dos
refeições que não possuam absoluta- animais, seja para quaisquer fins. Por-
mente nada de origem animal. tanto, contra a utilização dos animais
Os animais devem ter direitos? como comida, vestuário, diversão, ex-
Sentem dor? Têm inteligência e senti- periências científicas, comércio de ani-
mentos afetivos? E o mais importante, mais etc”, explica o autor.
têm interesses? As respostas são comen-
tadas por Grassi, que além de utilizar Veterinário Wilson Grassi:
Seja vegano - 110 páginas - Giz Editorial ilustrações bem humoradas, inclui www.wilsonveterinario.com.br

76 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Legislação

Resolução do CFMV normatiza procedimentos cirúrgicos


RESOLUÇÃO N. 877, DE 15 DE FEVEREIRO DE 2008*
Dispõe sobre os procedimentos cirúrgicos em animais de produção e em animais silvestres;
e cirurgias mutilantes em pequenos animais e dá outras providências.
*www.cfmv.org.br/portal/legislacao/resolucoes/resoluca_877.pdf

O CONSELHO FEDERAL DE veterinário conforme previsto na lei Artigos 2º e 3º desta Resolução.


MEDICINA VETERINÁRIA – CFMV, n. 5.517/68. Parágrafo único. Fica proibida a rea-
no uso das atribuições que lhe são con- Parágrafo único. Devem ser respeita- lização de cirurgias consideradas muti-
feridas pela alínea “i” do Artigo 6° e das as técnicas de antissepsia nos ani- lantes, tais como: amputação de artelhos
alínea “f” do Artigo 16 da Lei no 5.517, mais e na equipe cirúrgica, bem como a e amputação parcial ou total das asas
de 23 de outubro de 1968, combinado utilização de material cirúrgico estéril conduzidas, com a finalidade de mar-
com os Artigos 2°, 4° e 6° inciso VIII, por método químico ou físico. cação ou que visem impedir o compor-
Artigo 13 inciso XXI e Artigo 25 tamento natural da espécie.
incisos I, II e III da Resolução n. 722, de CAPÍTULO II
16 de agosto de 2002, considerando a DOS PROCEDIMENTOS CAPÍTULO IV
necessidade de disciplinar, uniformizar CIRÚRGICOS EM CIRURGIAS ESTÉTICAS
e normatizar procedimentos cirúrgicos ANIMAIS DE PRODUÇÃO MUTILANTES EM
em animais de produção e em animais Art. 4º Não se recomenda o uso PEQUENOS ANIMAIS
silvestres; considerando que esses proce- exclusivo de contenção mecânica para Art. 7° Ficam proibidas as cirurgias
dimentos cirúrgicos devem ser reali- qualquer procedimento cirúrgico, de- consideradas desnecessárias ou que
zados em condições ambientais aceitá- vendo-se promover anestesia e analge- possam impedir a capacidade de expres-
veis, com contenção física, anestesia e sia adequadas para cada caso (conforme são do comportamento natural da espé-
analgesia adequadas, e técnica operató- estabelecido no Anexo 1). cie, sendo permitidas apenas as cirur-
ria que respeite os princípios do pré, Art. 5º O escopo desta Resolução gias que atendam as indicações clínicas.
trans e pós-operatório; considerando a abrange as cirurgias realizadas em §1° São considerados procedimentos
necessidade de disciplinar, uniformizar locais onde não haja condições ideais proibidos na prática médico-veterinária:
e normatizar cirurgias mutilantes em pe- para garantir um ambiente cirúrgico conchectomia e cordectomia em cães e,
quenos animais; considerando que as in- controlado. onicectomia em felinos.
tervenções cirúrgicas ditas mutilantes, §1º Todos os procedimentos devem §2° A caudectomia é considerada um
em pequenos animais, têm sido realiza- ser realizados de acordo com o previsto procedimento cirúrgico não recomen-
das de forma indiscriminada em todo o no Anexo 1 desta Resolução, obser- dável na prática médico-veterinária.
País e que muitos procedimentos são vadas as suas indicações clínicas.
danosos e desnecessários, o que fere o §2º São considerados procedimentos
bem-estar dos animais; considerando que proibidos na prática médico- veteriná-
é obrigação do médico-veterinário pre- ria: castração utilizando anéis de borra-
servar e promover o bem-estar animal, cha, caudectomia em ruminantes ou
qualquer procedimento sem o respeito
RESOLVE: às normas de antissepsia, profilaxia,
anestesia e analgesia previstos no
CAPÍTULO I Anexo 1 desta resolução.
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS §3º São considerados procedimentos
Art. 1° Instituir, no âmbito do não recomendáveis na prática médico-
Conselho Federal de Medicina Veteriná- veterinária: corte de dentes e caudecto-
ria, normas regulatórias que balizem a mia em suínos neonatos e debicagem
condução de cirurgias em animais de em aves.
produção e em animais silvestres; e ci-
rurgias mutilantes em pequenos animais. CAPÍTULO III
Art. 2º As cirurgias devem ser reali- DAS CIRURGIAS EM
zadas, preferencialmente, em locais fe- ANIMAIS SILVESTRES
chados e de uso adequado para esta fi- Art. 6° As cirurgias realizadas em
nalidade. animais silvestres devem ser executadas
Art. 3º Todos os procedimentos anes- de preferência em salas cirúrgicas ou
A conchectomia, comum em algumas raças de
tésicos e/ou cirúrgicos devem ser reali- em ambientes controlados e específicos cães, como o schnauzer miniatura, fica proibi-
zados exclusivamente pelo médico para este fim, respeitado o disposto nos da a partir da publicação da resolução n. 877

78 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Legislação

Caça é proibida no Estado do Rio Grande do Sul


Em 2004 as entidades União pela
EMBARGOS INFRINGENTES EM AC Nº 2004.71.00.021481-2/RS
Vida e Movimento Gaúcho de Defesa EMENTA
Animal ingressaram com ações civis
públicas contra a caça amadorística. AMBIENTAL. CAÇA AMADORÍSTI- INFRINGENTES, NOS TERMOS DO
CA. EMBARGOS INFRINGENTES EM VOTO DIVERGENTE.
Foram quatro anos de luta, reunindo
FACE DE ACÓRDÃO QUE, REFOR-
material para derrubar uma prática de MANDO A SENTENÇA DE PARCIAL Com razão a sentença ao proibir, no
extrema crueldade. O Ministério PROCEDÊNCIA EM AÇÃO CIVIL condão do art. 225 da Constituição
Público Federal também atuou. Todas PÚBLICA AJUIZADA COM VISTAS À Federal, bem como na exegese consti-
as ações foram julgadas procedentes no VEDAÇÃO DA CAÇA AMADORISTA tucional da Lei n.º 5.197/67, a caça
primeiro grau. Contudo, a ação mais NO RIO GRANDE DO SUL, DEU amadorista, uma vez carente de finali-
importante, sob o ponto de vista legal, PROVIMENTO ÀS APELAÇÕES PA- dade social relevante que lhe legitime
já que atacou a prática da caça RA JULGAR IMPROCEDENTE A e, ainda, ante à suspeita de poluição
amadorística confrontando-a com a ACTIO. PRÁTICA CRUEL EXPRES- ambiental resultante de sua prática
Constituição Federal, e requerendo a SAMENTE PROIBIDA PELO INCISO (irregular emissão de chumbo na bios-
VII DO § 1° DO ART. 225 DA fera), relatada ao longo dos presentes
aplicação da Declaração Universal dos CONSTITUIÇÃO E PELO ART. 11 DA autos e bem explicitada pelo MPF.
Direitos dos Animais, foi julgada DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS Ademais, i. proibição da crueldade
improcedente no Tribunal Regional DIREITOS DOS ANIMAIS, PROCLA- contra animais - art. 225, § 1°, VII, da
Federal da 4ª Região, em recurso apre- MADA EM 1978 PELA ASSEMBLÉIA Constituição - e a sua prevalência
sentado pelo IBAMA e pela DA UNESCO, A QUAL OFENDE NÃO quando ponderada com o direito fun-
FEDERAÇÃO DE CAÇA E TIRO. No SÓ I. O SENDO COMUM, QUANDO damental ao lazer, ii. incidência, no
entanto, por não ter sido unânime a CONTRASTADO O DIREITO À VIDA caso concreto, do art. 11 da
decisão possibilitou a apresentação de ANIMAL COM O DIREITO FUNDA- Declaração Universal dos Direitos dos
outro recurso, embargos infringentes, MENTAL AO LAZER DO HOMEM Animais, proclamada em 1978 pela
(QUE PODE SER SUPRIDO DE Assembléia da UNESCO, o qual dis-
que foram elaborados pela JUS
MUITAS OUTRAS FORMAS) E II. OS põe que o ato que leva à morte de um
BRASIL e pelo Ministério Público PRINCÍPIOS DA PREVENÇÃO E DA animal sem necessidade é um biocí-
Federal, ambos os recursos tiveram PRECAUÇÃO, MAS TAMBÉM APRE- dio, ou seja, um crime contra a vida e
êxito, e a caça amadorística está proibi- SENTA RISCO CONCRETO DE iii. necessidade de consagração, in
da no Rio Grande do Sul - único estado DANO AO MEIO AMBIENTE, REPRE- concreto, do princípio da precaução.
da federação que possuía legislação re- SENTADO PELO POTENCIAL TÓXI- 3. Por fim, comprovado potencial
gulamentando essa atividade. Acredita- CO DO CHUMBO, METAL UTILIZADO nocivo do chumbo, metal tóxico encon-
se que eventuais recursos aos Tribunais NA MUNIÇÃO DE CAÇA. PELO trado na munição de caça.
Superiores não terão sucesso, diante dos PROVIMENTO DOS EMBARGOS 4. Embargos infringentes providos.
argumentos trazidos aos autos pela enti- A íntegra da decisão: www.trf4.gov.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=trf4&
dade autora. documento=2130570&hash=1e5af6f45bbf991939481469e8a46b9a

80 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


!Pesquisa
Nova linhagem de bactéria, resistência a medicamentos, pobreza e
interação com Aids agravam quadro da tuberculose*
* Fonte: Agência FAPESP - www.agencia. fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8722 - por Carlos Fioravanti

D ois estudos que mostram quão


dramático é o quadro de uma das
doenças mais temidas da humanidade, a
de sangue e mais perfurações no pulmão.
O outro trabalho, com laboratórios de
nove países, mostra que essa linhagem
Esses estudos, dos quais ele partici-
pou, exibem não só um dos mecanismos
pelos quais a bactéria da tuberculose so-
tuberculose, ganharam o mundo no mês predomina sobre centenas de outras nos brevive e ganha vigor, mas também o
de março. Um deles descreve uma nova Estados Unidos, na América Central e desamparo diante de uma doença que,
linhagem da principal espécie de bacté- na África. Este mês deve sair um ter- quando não mata logo, torna a vida uma
ria causadora de tuberculose, o bacilo ceiro artigo mostrando que essa mesma sucessão de angústias e dores regidas
Mycobacterium tuberculosis, que apre- variedade causa um terço da tuberculose pela sombra da morte. O Mycobacterium
senta uma perda do genoma uma vez e registrada também em Belo Horizonte. tuberculosis instala-se nos pulmões de 9
meia maior que a maior perda já encon- “Nossa hipótese é que essa linhagem milhões de pessoas a cada ano no
trada em qualquer outra das seis espé- pode passar despercebida e se espalhar mundo e mata um indivíduo a cada 15
cies do gênero Mycobacterium que mais facilmente por ter perdido parte segundos.
causam tuberculose. dos genes que levam à produção de pro-
Mesmo assim sobreviveu, reforçou a teínas que a denunciariam ao organis-
capacidade de escapar das células de mo hospedeiro, mas aparentemente não Veja também:
defesa do organismo e se tornou a res- apresenta mais resistência do que as
ponsável por um em cada três casos de outras ao tratamento com antibióticos”, Uma revisão sobre a
tuberculose registrados no Rio de diz Luiz Cláudio Lazzarini de Oliveira, tuberculose em cães e gatos
Janeiro. A infecção por essa linhagem, professor da Universidade Federal do
chamada de RD-Rio por ter sido Rio de Janeiro (UFRJ), que voltou ao Clínica Veterinária,
descoberta lá, está associada com ema- Brasil no mês passado após três anos na n. 48, p. 54-62, 2004
grecimento mais intenso, mais escarro Universidade Cornell, Estados Unidos.

82 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Interação homem-animal

Comunicação entre espécies


A ciência da comunicação entre espé-
cies tem sido propagada no Brasil
pela médica veterinária Sheila Waligora,
canais de comunicação para acessar a
comunicação com outras espécies e
receber o que eles comunicam telepati-
por meio de cursos, palestras e material camente por pensamentos, imagens,
informativo que é composto pelos CD’s impressões e sentimentos. Recomenda-
de audio A Aventura da Comunicação se a leitura do livro Eu Falo, Tu falas...
entre Espécies, recém lançados pela Eles falam, como preparação para par-
Editora Irdin, editados a partir de ticipar do curso. Este livro poderá ser A Aventura da
palestra ministrada em agosto de 2007, usado depois como manual para treina- Comunicação
do livro Eu falo, Tu falas... Eles falam, mento dos exercícios propostos durante entre Espécies,
CD’s de audio re-
que se encontra na 3ª edição, de autoria o curso. cém lançados pela
da própria Sheila Waligora, e do sítio Editora Irdin, edita-
www.comunicacaoentreespecies.com.br. dos a partir de pa-
lestra ministrada
No exterior, um importante propagador por Sheila Waligo-
do assunto é o biólogo Rupert Sheldrake ra, em agosto de
(www.sheldrake.org), que também é 2007
autor de livros, alguns traduzidos para o
português, e de artigos científicos sobre o A 3ª edição do
livro Eu falo, Tu
tema. falas... Eles falam
Os cursos de prática de comunicação - guia para comu-
entre espécies que têm sido ministrados, Sheila Waligora acompanhada do grupo que
participou do curso de práticas de comunica-
nicação entre
espécies está
em diversas regiões do Brasil, por Sheila ção entre espécies realizado em São Lourenço, disponível desde
Waligora visam permitir a abertura dos MG, em março de 2008 abril de 2008

84 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


Ecologia
Animais silvestres como animais de estimação

O
Ibama realizou consulta pública, que se encerrou no dia 6 de abril de 2008, para estudar a possibilidade de algumas espécies
da fauna silvestre serem criadas e comercializadas com a finalidade de animal de estimação. A ação recebeu cerca de 10 mil
e-mails.
“A análise da consulta pública vai ser feita baseada nos critérios do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Serão con-
sideradas apenas as contribuições encaminhadas no sentido de justificar a inclusão ou exclusão de alguma espécie”, informou a coor-
denadora substituta de Gestão do Uso da Fauna do Ibama, Raquel Sabaine, em entrevista à Agência Brasil. De acordo com Raquel
Sabaine, a lista definitiva das espécies que poderão ser criadas como animais de estimação deverá ser publicada em maio deste ano.
A seguir, publicamos algumas manifestações sobre o assunto, que merece atenção e discussão.

A fauna silvestre como Por Paula Brügger (brugger@ccb.ufsc.br), bióloga, professora do Departamento. de Ecologia e Zoologia
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ex-membro da Comissão de Ética no Uso de Animais -
mercadoria: mais uma (CEUA), mestra em educação e doutora em ciências humanas - sociedade e meio ambiente. É autora dos
livros "Educação ou adestramento ambiental?", que está na 3ª edição, e "Amigo Animal – reflexões interdis-
vitória do especismo?* ciplinares sobre educação e meio ambiente". Atualmente, coordena o projeto educacional "Amigo Animal".

* Fonte: Pensata Animal, n. 10, ano I, abril 2008 - http://www.sentiens.net/top/PA_TRI_paulabrugger_10_top.html

O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio os problemas advindos da domesticação de florestas mais ricas em biodiversidade do
Ambiente e dos Recursos Naturais animais como cães e gatos, sobretudo nos planeta: a Amazônica. E a própria reso-
Renováveis - disponibilizou para Consulta ambientes urbanos, ainda estão longe de ter lução 394 do CONAMA (que trata da men-
Pública uma lista com mais de 50 espécies uma solução. Por que, então, persistir, cionada consulta) reconhece que, para a
da fauna silvestre nativa que poderão ser ampliar e legitimar uma relação com o aprovação da lista, diversas questões de-
criadas e comercializadas como animais de entorno que tem sido tão problemática? A verão ser levadas em conta. Entre elas
estimação1. Répteis como iguanas e o resposta para essa pergunta jaz, em grande estão: o potencial de invasão dos ecossis-
lagarto-preguiça e uma grande variedade parte, na visão antropocêntrica de mundo temas fora da área de distribuição geográfi-
de aves como o tucano, o tico-tico, a graú- que guia nossa cultura. Vemos a natureza ca original de tais espécies (incluindo ou-
na, e diversos tipos de psitacídios - como como uma grande fábrica, ou seja, como tros países); o potencial de riscos à saúde
periquitos, araras, caturritas e papagaios - um conjunto de recursos ou meios para se humana, animal, ou ao equilíbrio das po-
poderão compor o novo rol de animais que atingir um fim: o de servir aos interesses pulações naturais; a possibilidade de intro-
serão criados e vendidos como “pets”. humanos. E esse ideário está presente dução de agentes biológicos com potencial
inclusive no nome do órgão responsável de causar prejuízos de qualquer natureza; o
pela estapafúrdia consulta. risco de os espécimes serem abandonados
Na contramão de uma ética biocêntrica: ou de fuga etc.
O primeiro preceito de ordem ética que
tal consulta afronta é o fato de os animais Na contramão da prudência ecológica:
não-humanos serem seres vivos sencientes O Ibama argumenta que como o Brasil é A quem interessa tal lista? Como ficam
e não coisas. Portanto, jamais poderiam ser signatário da “Convenção sobre Diversi- os interesses dos animais?
“objetos” passíveis de mercantilização. Já dade Biológica”, cujo objetivo é - em tese Uma vez que há também muitas vozes
não basta termos interferido ao longo de – a conservação da diversidade biológica e que se levantam contra tal proposta, é fácil
nossa trajetória histórica no planeta – por a utilização sustentável de seus compo- perceber que a criação e comercialização
meio da domesticação - no curso de tantas nentes, tal medida seria importante para de animais silvestres visam tão somente a
outras espécies? Mesmo desconsiderando prevenir e combater na origem as causas da atender a satisfação dos desejos hedonistas
nesta discussão todo o sofrimento imposto redução ou perda da diversidade biológica de alguns seres humanos e criadores que
aos bilhões de animais criados com a fina- e controlar ou erradicar e impedir que se lucrarão às custas do sofrimento dos ani-
lidade de serem abatidos para consumo introduzam espécies exóticas que amea- mais. Tal medida, além de não respeitar o
humano (e os conseqüentes impactos ambi- cem os ecossistemas, habitats ou espécies, atributo de senciência e de desconsiderar
entais e sociais decorrentes dessa prática), entre outras questões. Mas é no mínimo os animais não-humanos como sujeitos de
contraditório que um país signatário de tal suas vidas (veja os filósofos Peter Singer e
“Convenção” tenha uma política agrícola Tom Regan), poderá causar danos à bios-
1 - Conforme determina o Art. 3º da Resolução baseada na produção de commodities - fera mesmo sob um ponto de vista mera-
Conama nº 394 de 6 de novembro de 2007. A
Consulta Pública esteve disponível até o dia 6 de abril
como grãos e carne – cuja produção é mente instrumental, pois não se encontra
de 2008 no site do Ibama responsável pela devastação de uma das em consonância com uma visão sistêmica

86 Clínica Veterinária, Ano XIII, n. 74, maio/junho, 2008


de sustentabilidade e tampouco com um A SOS Fauna é pessoas que quer a posse destas aves são
“uso sustentável da biodiversidade”, como uma organização não do sexo feminino. Mulheres que acham fan-
desejam seus proponentes. Além de excluir governamental que tástico - por exemplo - ter um papagaio em
a dimensão ética da sustentabilidade trabalha há quase duas décadas lidando casa e lhe ensinar a reproduzir uma série
(evoca-se apenas a dimensão cultural na diretamente com a problemática do tráfico de palavras e pequenas frases, além de
forma dos “anseios da sociedade de animais silvestres no Brasil e, com base tratar a ave como se esta fosse um membro
brasileira” – sic-, uma questão de ordem em seu conhecimento de campo e vivência de sua própria família, oferecendo-lhe
estética, não ética), a medida poderá gerar direta com a questão, expõem a seguir seu uma diversidade de alimentos consumidos
um sem-número de externalidades que posicionamento perante esta consulta por seres humanos como café, pão, leite,
serão pagas por toda a sociedade e inclu- pública: arroz com feijão etc., isso se chama-se
sive pelas gerações futuras, como os riscos Queremos deixar bastante claro que antropomorfismo, ou seja, é a tendência
apontados antes e questões mais imediatas nossos posicionamentos em relação ao para interpretar os hábitos dos animais se-
como: animais abandonados, atropelados ou tema serão abordados tanto pelo lado da gundo os hábitos e sentimentos humanos;
estropiados (necessitando de cuidados); a conservação como também por questões c) E, por último, temos aqueles que gostam
necessidade de intervenções cirúrgicas que envolvem ética e consciência em de manter sob seu domínio, mamíferos e
como castrações etc; os absurdos gastos relação à condição de bem estar animal, répteis, para os quais este ato parece trazer
com fiscalização para saber quais animais assim como questões ligadas aos processos a estas pessoas uma espécie de status social
são nascidos em criadouro comercial legal- educativos. perante os outros que às cercam.
mente estabelecido (uma meta cujo sucesso Também queremos expor neste docu-
me parece extremamente difícil, além de mento que durante anos, inúmeros fatos II - GRANDES DIFERENÇAS DE
não justificar sob o ponto de vista ético a ocorreram, fatos estes que conduzem a VALORES
comercialização dos animais), etc. Em vez um triste cenário e que justificam nosso O que ocorre entre as diferenças de va-
de facilitar e legitimar a produção de tais posicionamento contrário perante a práti- lores atribuídos a animais silvestres de
riscos, o Poder Público deveria investir ca de criação comercial em cativeiro des- origem legal e ilegal é um fenômeno
em projetos de educação e em medidas tinada a atender ao mercado de animais genérico. Alguns exemplos em relação à
que visem a proibir a criação e a venda de de estimação. lista sugerida pelo IBAMA:
animais de estimação. E isso seria apenas
um começo, pois, a rigor, nenhum animal I - UM HÁBITO CULTURAL III - FALHAS GRAVÍSSIMAS NA
deveria ser criado e comercializado, para Desde a época do descobrimento, FISCALIZAÇÃO
nenhuma finalidade. tornou-se um hábito cultural manter um Apontem quantos criadores comerciais
animal selvagem como bicho de estimação, de fauna silvestre foram fiscalizados desde
atualmente podemos dividir as pessoas que que a criação da Portaria que autorizou a
Um triste cenário? querem ter estes animais sob sua posse em Criação Comercial de Fauna Silvestre
Caso a consulta pública em questão três categorias: (Portaria Ibama 117/97) foi lançada e
venha a dar respaldo a tal ato de insen- a) Aquelas pessoas que têm prazer, sen- quantos foram os casos de suspeita de
satez poderá haver, em breve, um novo tem-se bem, tendo em suas residências pás- fraudes (bichos “esquentados”) e conse-
cenário no país no qual o encarceramento saros que cantam mesmo que em cativeiro, quentemente realizados testes de pater-
de répteis e aves se tornará uma prática isso na verdade é um hobby, é algo que faz nidade (DNA). São quase onze anos que esta
corriqueira e legal (sic). Privados de seu parte da vida destas pessoas, adoram apre- Portaria está em vigor.
bem mais precioso, sua liberdade – e apri- ciar o canto de curiós, canários-da-terra, Há alguns meses, em uma reunião no
sionados em jaulas, fossos, viveiros e bicudos, picharros, coleirinhas, entre ou- Ministério Público do Estado de São Paulo,
gaiolas - espécimes da fauna silvestre tros. Neste grupo também há aqueles que, nos foi informado pela Policia Federal que
serão apenas a sombra do que foram um com o passar do tempo e utilizando-se de eles tinham um banco com cerca de trezentas
dia na natureza, independentemente de técnicas criadas pelo próprio homem, me- amostras de material genético para teste de
terem sido criados para isso ou não. Serão lhoram e alteram a forma de canto destas paternidade, mas não havia recursos finan-
mais uma mercadoria nas vitrines de pet aves, como por exemplo, maior tempo de ceiros para a realização dos mesmos. Então
shops e outros pontos de venda, produtos canto, alterações das notas musicais e até fica difícil trabalhar desta forma!
prontos para “divertir” os seres humanos. mesmo, no caso dos canários-da-terra,
Termino com um trecho da belíssima estimulando-os à rinha, verdadeiros duelos IV - SISPASS
música “Passaredo” de Chico Buarque e travados entre dois indivíduos machos da Durante o período em que o SISPASS
Francis Hime: espécie, onde ocorrem apostas entre os esteve em operação, quantas fraudes não
“proprietários” das aves e a platéia ex- ocorreram em cima do sistema, pessoas
pectadora, onde muitas vezes um dos tentando burlar de todas as maneiras, ani-
“Some rolinha; Anda, andorinha; combatentes chega a óbito; lhas falsas, avalanches de procuradores
Te esconde, bem-te-vi; Voa, bicudo; Voa, b) Existem também aqueles que apreciam agindo como representantes de uma série
sanhaço; Vai, juriti; Bico calado; Muito ter em casa aves da família dos psitacídeos de pessoas que possuíam aves silvestres
cuidado; Que o homem vem aí; O homem (papagaios, araras, maritacas e periquitos em casa e alegando a estas - PASMEM -
vem aí” em geral). Nestes casos a maioria das que suas aves poderiam ser “registradas!”

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Ecologia
Valores de alguns animais silvestres criados em cativeiro e oriundos do tráfico
Valor mínimo do animal Valor (individual) Valor (individual) médio
Nome Nome vindo de criador comercial médio do animal adquirido do animal adquirido pelo
científico popular ANIMAL REALMENTE pelo consumidor final traficante nas regiões
NASCIDO EM CATIVEIRO com origem do tráfico de captura
Passerina brissonii azulão R$ 250,00 R$ 20,00 R$ 2,00
Saltator similis picharro, R$ 400,00 R$ 40,00 R$ 3,00
trinca-ferro-verdadeiro
Carduelis magellanica pintassilgo R$ 200,00 R$ 15,00 R$ 1,00
Gnorimopsar chopi pássaro-preto *(1)R$ 200,00 R$ 20,00 R$ 2,00
Amazona aestiva papagaio-verdadeiro R$ 1.200,00 R$ 150,00 R$ 35,00
Ara ararauna arara-canindé R$ 1.400,00 *(2)Não há *(3)Desconhecido
Aratinga aurea jandaia-estrela R$ 400,00 R$ 30,00 R$ 3,00
Aratinga cactorum periquito-da-caatinga R$ 400,00 R$ 30,00 R$ 2,00
Paroaria coronata cardeal R$ 400,00 R$ 40,00 R$ 5,00
Oryzoborus angolensis curió R$ 300,00 R$ 50,00 R$ 10,00
Ramphastos toco tucano-toco R$ 1.800,00 Não há *(4)Desconhecido
Sicalis flaveola canário-da-terra R$ 150,00 R$ 20,00 R$ 1,00
Sporophila caerulescens coleirinha R$ 200,00 R$ 10,00 R$ 0,50
Sporophila lineola bigodinho R$ 200,00 R$ 15,00
Sporophila nigricollis coleiro-baiano
Os exemplos de valores de animais silvestres de origem legal são os baseados em animais que ainda não tiveram seu canto preparado, como ocorre em muitos
casos, são considerados como animais que nasceram em cativeiro e tão logo estivessem se alimentando sozinhos, seriam disponibilizados para venda.
Os itens marcados com *(1), *(2), *(3) e *(4) referem-se:
*(1): Não há comprovação que a reprodução da espécie Gnorimopsar chopi ocorra com facilidade em cativeiro. Esta espécie é apontada pela comunidade científica
como uma ave de manejo reprodutivo em cativeiro ainda desconhecido e muito difícil, no entanto vez ou outra surgem ofertas desta ave para venda, informando que
a mesma tem origem legal e documentação necessária. O mesmo acontece com o Icterus jamacaii (corrupião), não citado nesta lista, porém houve épocas em que esta
espécie era oferecida como se sua reprodução em cativeiro fosse tão simples quanto a de galinhas.
*(2): Há muitos anos não se encontra filhotes de Ara ararauna à venda no mercado ilegal, e também não se tem idéia de preço nas regiões de captura de filhotes. O
que teria ocorrido então? Os traficantes ficaram conscientes em relação à esta espécie e decidiram não mais captura-la? Óbvio que não. Na verdade o que pode estar
ocorrendo - e não é somente com a Ara ararauna, mas com vários psitacídeos - é a canalização dos mesmos para criadores comerciais mal intencionados, com o
propósito de esquentar legalmente a ave, pois é necessário notar que um animal que custaria em uma feira algo em torno de duzentos/trezentos reais, documentado
passa a ter um valor não inferior a R$ 1.400,00. Já presenciamos Ara ararauna sendo vendida em um shopping center de São Paulo por R$ 7.500,00. Melhor vender
por R$ 7.500,00 do que por R$ 300,00, não é mesmo?
*(3): Não temos conhecimento do valor desta arara nas regiões de captura, mas a captura ocorre. Então onde vão parar?
*(4): O caso do Ramphastos toco talvez seja o que mais ilustra a estranheza desta lista, pois é de amplo conhecimento que a reprodução desta espécie em cativeiro é
algo quase impossível de acontecer. Se houver maneira de realizar uma busca de quantos criadores de tucano-toco existem e quantos filhotes já foram vendidos, seria
conveniente realizar teste de paternidade em todos.

V - TERIA A PORTARIA 117/97 TRAZI- do tráfico em 800/900/1000%, um alto práticas que entenderem necessárias para
DO ALGUM BENEFÍCIO PARA NOSSA negócio, não é mesmo? ter em casa seu animal de estimação, a
FAUNA SILVESTRE? qualquer custo.
No início imaginávamos que esta VI - EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA Esta dependência, este hábito cultural
Portaria estimularia a criação em cativeiro, O hábito de “criar” animais silvestres estranho e sádico, nunca, jamais e em
com isso animais silvestres deixariam de em casa - diga-se de passagem que o tempo algum permitirá que o tráfico de
ser capturados na natureza para atender ao termo criar é muito estranho, pois o ani- animais silvestre termine e nem mesmo
comércio ilegal. mal silvestre se cria sozinho, não precisa que ele diminua em todo o território
Contudo não foi isso que aconteceu, do “auxílio” do homem - data de muitos brasileiro.
havendo grande diferença de preços entre anos, séculos. Existem pessoas que ficam Estamos falando de vida silvestre, de
animais oriundos do tráfico e de criadores literalmente doentes quando este seu indivíduos que têm função biológica na
legais, praticamente de nada resolveu, são hobby lhe é ceifado, fato que nos leva a natureza, em ecossistemas. A permissão da
dois públicos consumidores distintos, na entender que esta prática na verdade é criação de espécies nativas em cativeiro,
verdade o que ocorreu foi a estimulação para muitos algo que causa até dependên- abre um precedente, que facilita muito a
maior ainda do tráfico, muitas pessoas de cia, uma doença. retirada de espécimes da natureza para sua
má fé enxergaram a possibilidade de O fato de classificar isso como uma posterior "lavagem" e legalização. Cada
esquentar animais vindos da natureza e espécie de dependência, leva ao entendi- indivíduo retirado da natureza torna-se
vendendo-os como animais de origem mento que esta fará com que muitas pes- geneticamente morto e não contribui para
absolutamente legal, valorizando animais soas, hoje e no futuro, se utilizem das a formação da próxima geração. Com isso

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ocorre uma redução no número efetivo da VIII - CONCLUSÕES FINAIS ainda assim, os mesmos encontram o
espécie, o que pode levar à sua erosão Somos absolutamente favoráveis à cria- respaldo de que necessitam para seus atos
genética, com conseqüências sérias não só ção de animais silvestres em cativeiro com na vaidade, na cobiça, na miséria humana,
para a espécie, mas para todo o ecossis- a finalidade científica, visando conser- na falta de vontade política, na corrupção,
tema em questão. É o comprometimento vação de espécies silvestres da fauna sil- na tecnologia (equipamentos de destruição
de uma série de espécies que poderão vir a vestre brasileira, objetivando revigoramen- em massa)...
sofrer em função de atos lesivos ao meio tos populacionais de espécies que se en- O resultado? Uma morte lenta, mas
ambiente, inclusive a espécie humana. contrem com populações depauperadas, inexorável, de toda forma existente de vida
Onde está a racionalidade do homem reintrodução de espécies silvestres extintas no planeta.
quando o mesmo destrói conscientemente em determinadas regiões e estudo de com- Essa legalização da comercialização de
parte de algo que está ligado diretamente à portamento também visando conservação. animais silvestre é um ato que perpetra e
continuidade de sua existência sobre a Jornais, revistas, ou até mesmo com um justifica legalmente os atos de depredação
Terra? simples olhar a nossa volta, um simples do meio ambiente.
Onde está o processo de educação que ouvir - buraco na camada de ozônio, asfi- É a forma enganosa e generosa de
damos aos nossos filhos quando lhes xia dos oceanos, furações, enchentes, cria- livrar-se do problema, “se não podemos
mostramos ser algo “bonito” submeter um dores de gado e madeireiras nacionais e es- vencê-lo, unamo-nos a ele”, de quem
animal de vida livre ou os seus descen- trangeiras devastando as florestas, turistas menos esperamos...
dentes ao cárcere? e sem terras se instalando em lugares de A afronta à garantia Constitucional à
É bonito ensinar a uma criança que pas- preservação, traficantes de animais silves- vida e à liberdade não deve ser interpreta-
sarinho em gaiola é algo legal? tres, calotas polares derretendo, mosquitos da em stricto sensu, apenas em relação à
levando a morte em sua forma alada, gripe vida humana, mas lato sensu, pois a vida
VII - COMEÇANDO ERRADO do frango, tubarões mais próximos da costa depende da sobrevivência de cada um, nas
Há um ditado popular que diz que quan- e tantos e tantos etc's. suas mais variadas formas.
do algo começa errado, é melhor parar, O ser humano pode criar leis, portarias O planeta está morrendo e vai morrer
pois tudo sairá errado. Vejam que até nisso etc, isso não é problema, afinal o papel cada vez mais rápido na medida em que
o próprio Ibama errou, trocando os nomes existe para isso mesmo. Para ser preen- tomamos atitudes como essa de liberar a
na cópia fiel da lista que está no site do chido. comercialização de animais silvestres, víti-
mesmo, como podem observar na outra Mas e quanto à eficácia das Leis? mas inocentes, tudo em nome da comodi-
tabela abaixo. Podemos garanti-la? Não. dade, do medo, da falta de vontade, da falta
Vejam que na lista do Ibama, o que há A falta de conscientização associada à de respeito a si mesmo e ao próximo, seja
mais são psitacídeos, ou melhor, as aves vaidade humana cega-nos a tal ponto que ele humano ou não.
que são as mais fáceis de realizar uma estes dois “atributos” passam a ser as úni- Tudo justificado pela vaidade humana,
fraude, pois podem ser coletadas da cas leis que verdadeiramente tem eficácia que sempre se sobrepõe ao bem maior que
natureza até mesmo com poucos dias de garantida. é a vida. Simplesmente, a vida.
vida, são as que mais tem, isso é um prato Com base em tudo que aqui foi exposto,
cheio para quem quer praticar atos crimi- O resultado? face aos fatos, entendemos que tornar a cri-
nosos como esquentar bichos vindos da Criamos uma “Constituição” cujos arti- ação de animais silvestres legal para aten-
natureza. gos baseiam-se na morte e na destruição. der ao mercado PET é algo absolutamente
Se ocorrer um posicionamento do órgão Não somos todos assim, mas sabemos sem fundamento, ferindo brutalmente a
à partir de agora alegando que a fiscaliza- que, apesar da ação de uma minoria surtir natureza e os princípios da ética, da edu-
ção irá ocorrer de maneira austera, é difícil os mesmos efeitos de um vazamento cação e de tudo que queremos deixar para
acreditar, pois os erros cometidos no passa- nuclear (quem não se lembra do caso da as presentes e futuras gerações, portanto
do foram muitos. Usina de Chernobyl, 28 de abril de 1986?), somos contrários à regulamentação.

comercializadas como animais de esti- Lei Federal nº. 5.197, também conhecida
mação. Com base nesses critérios fica o como Código de Fauna:
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e “Artigo 3° - É proibido o comércio de
www.wspabrasil.org dos Recursos Naturais Renováveis espécimes da fauna silvestre e de produtos
(IBAMA) responsável pela publicação da e objetos que impliquem na sua caça,
lista das espécies que poderão ser criadas e perseguição, destruição ou apanha.
comercializadas como animais de esti- § 1° - Excetuam-se os espécimes prove-
A Sociedade Mundial de Proteção Ani- mação, no prazo de até 7 de maio de nientes de criadouros devidamente legali-
mal - WSPA vem, por meio desta, manifes- 2008. zados.
tar-se em relação à Resolução Conama nº. Artigo 6º - O Poder Público estimulará:
394 de 06 de novembro de 2007, que esta- A atividade comercial de animais sil- b) a construção de criadouros destinadas à
belece os critérios para a determinação de vestres em nosso país é legalizada, e inclu- criação de animais silvestres para fins
espécies silvestres a serem criadas e sive estimulada, desde 1967 por meio da econômicos e industriais.”

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Ecologia
Este artigo é regulamentado pela Portaria desenvolvidos em função da reprodução Constituição Federal em 1988 e da Lei de
Ibama 118 de 1997, que em seu artigo 1º comercial, desconsiderando as condições Crimes Ambientais em 1998, fica clara a
resolve: do bem-estar e das necessidades inerentes nova preocupação com as espécies, com o
“Art. 1º - Normalizar o funcionamento de aos animais criados. bem-estar animal e com o meio am-
criadouros de animais da fauna silvestre bra- Além disso, a criação de animais sil- biente. Neste contexto, os criadouros
sileira com fins econômicos e industriais.” vestres para fins de companhia gera gran- comerciais comprometem a função
Pela legislação atual ainda vigente, a des riscos à população humana pela trans- ecológica das espécies e submetem os
resolução e a lista publicadas pelo IBAMA missão de zoonoses (aves: psitacose, toxo- animais a crueldade, o que é claramente
não serão responsáveis pela liberação do plasmose, salmonelose, aspergilose, histo- vedado:
comércio de animais silvestres em nosso plasmose; répteis: salmonelose) e pela
país, visto que este já é autorizado desde introdução de espécimes em biomas cuja CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988
1967. A resolução pretende colocar crité- ocorrência natural não exista. Tendo em CAPÍTULO VI
rios na criação, delimitar e restringir o vista a grande dificuldade do IBAMA em DO MEIO AMBIENTE
número de espécies a serem criadas levan- fiscalizar todas as pessoas que possuem Art. 225. Todos têm direito ao meio ambi-
do à regulamentação. animais silvestres, sejam eles oriundos de ente ecologicamente equilibrado, bem de
O que ocorre atualmente é que a autori- criadouros ou não, também haverá um uso comum do povo e essencial à sadia
zação para criação comercial de animais aumento da pressão sobre os animais trafi- qualidade de vida, impondo-se ao Poder
silvestres fica a critério do analista ambien- cados, pois o custo de retirada de animais Público e à coletividade o dever de
tal que estiver analisando o processo. Por da natureza é zero. defendê-lo e preservá-lo para as presentes e
falta de regulamentação, existem hoje Não há médicos veterinários capacita- futuras gerações.
criadouros comerciais de onças, macacos, dos em atendimento de silvestres em quan- § 1º - Para assegurar a efetividade desse
tartarugas, dentre outros e, no futuro serão tidade suficiente para suprir a demanda, direito, incumbe ao Poder Público:
permitidos apenas criadouros comerciais até mesmo porque o conhecimento sobre a VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na
dos animais constantes na lista, que hoje etologia e a fisiologia desses animais ainda forma da lei, as práticas que coloquem em
gira em torno de 50 espécies, em sua maio- é bastante raso. A população igualmente risco sua função ecológica, provoquem a
ria aves. não está preparada para tratar esses ani- extinção de espécies ou submetam os ani-
Levando em conta constatações cien- mais, pois o que se constata hoje nas mais a crueldade.”
tíficas hoje já bastante desenvolvidas, a residências são animais obesos ou com
Sociedade Mundial de Bem-Estar Ani- deficiências nutricionais, doenças metabó- LEI 9.605/98
mal - WSPA discorda da criação de ani- licas, atrofiados, presos em espaços CAPÍTULO V
mais silvestres em cativeiro para a final- minúsculos e isolados de seus bandos. DOS CRIMES CONTRA
idade de animal de companhia por ser Muitos são forçados a exibir compor- O MEIO AMBIENTE
fato que a criação de silvestres em cati- tamento antropizado e apresentam com- Dos Crimes contra a Fauna:
veiro fere o princípio das cinco liber- portamentos típicos de animais estres- Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-
dades, reconhecido universalmente como sados. tratos, ferir ou mutilar animais silvestres,
uma forma simples de identificar se um Outro fator preocupante é o abandono e domésticos ou domesticados, nativos ou
animal está ou não em condições de bem- a já existente superpopulação de algumas exóticos.”
estar. O conceito de bem-estar animal é espécies que estão na lista. É sabido que o
definido a partir do estado físico e psi- IBAMA recebe diariamente animais por Por fim, a Sociedade Mundial de
cológico do animal, assim como pelas motivos diversos e não há destinação para Proteção Animal - WSPA urge o
condições em que vive. Pode-se afirmar todos. Com o estímulo da reprodução em IBAMA a acatar o princípio da lei
que há bem-estar quando o animal está criadouros comerciais, e com a reprodução maior acima citada em consonância
saudável e livre de qualquer sofrimento sem controle desses animais após sua com o avanço das ciências tanto do
causado pela intervenção humana. As venda, este problema tende a se agravar bem-estar animal quanto da etologia,
cinco liberdades são: livres de fome e da cada vez mais. elevando o Brasil ao patamar das
sede; livres de desconforto; livres de Portanto, levando-se em conside- nações mais desenvolvidas do mundo,
lesões e doenças; livres de medo e ração a inadequação das espécies sil- onde já chegou-se ao consenso de
estresse; e livres para manifestar seu vestres como animais de companhia que as diferenças entre animais, seus
comportamento natural. conforme todas as justificavas expostas hábitos, necessidades e comportamen-
Fica evidente que nenhuma forma de acima, a WSPA recomenda o trabalho to impõem um controle humano sobre
manutenção de aves em cativeiro atende junto ao legislativo para modificar a lei que tipos de espécies são compatíveis
aos princípios acima, haja visto que nº. 5197/67, assegurando que a criação com o convívio humano, causando à
sequer permitem o vôo ou outra forma de comercial de animais silvestres tenha saúde humana, ao meio ambiente e à
comportamento que evite a atrofia da mus- fim. biodiversidade, os mínimos riscos pos-
culatura peitoral das aves. Tão pouco é Acreditamos que por ser de 1967, esta síveis e preservando o bem-estar natural
respeitada a manutenção das aves em gru- lei não contempla a atual visão sobre dos animais silvestres, respeitado o
pos ou em casais que evite o estresse do os animais, o meio ambiente e a sus- princípio universal das “5 liber-
cativeiro, uma vez que os criadouros são tentabilidade. Com a promulgação da nova dades”.

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Queridos Amigos Por Sergio Lobato

R ecentemente, esta minissérie basea-


da em um livro da escritora Maria
Adelaide Amaral ocupou as noites de
de ações onde trocaremos informações,
valores, ordens, solicitações, pedidos,
demandas com PESSOAS!
muitas pessoas, entre elas este colunista Em quase a totalidade de nossas ho-
que vos escreve. A minissérie em sua ras de trabalho estaremos interagindo
proposta poética, focava os relaciona- com pessoas, seja no universo de nossas
mentos entre um grupo de amigos e os relações com os nossos funcionários,
vários personagens que circulavam em seja na prestação de nossos serviços aos
torno deles no desenrolar do enredo. nossos clientes.
Uma bela noite, assistindo a um dos Creio que já fica claro para todos que
capítulos, pensei em como é difícil a sobrevivência de nossos negócios ve-
exercer a arte do relacionamento inter- terinários tem uma importante parcela
pessoal e, automaticamente, caí em um baseada na conscientização da necessi-
cenário de lembranças do mercado pet. dade de um bom relacionamento inter-
Me vi recordando várias situações que pessoal em diferentes níveis, pois va-
vivi em clínicas, petshops, agropecuá- mos por partes:
rias e salões de banho e tosa.
Situações onde o X da questão sem- 1 - Você tem um comércio!
pre foi o relacionamento humano, suas Em um negócio do varejo presume- parados até que se chegasse a um con-
trocas, suas dependências, suas co- se que haverá uma troca, e creio que senso e a troca realizada.
dependências, seus valores, suas escalas todos sabemos que desde que o mundo O que você faz hoje em dia, seja na
de valores, suas crises, seus problemas e é mundo, o “escambo” sempre foi uma sua clínica, seja no seu petshop? Nada
suas necessidades. realidade quando pessoas necessitavam mais nada menos do que uma ação
“Mas como isso tudo se aplica ao obter produtos e serviços. muito similar ao antigo escambo; acon-
meu dia-a-dia como proprietário de um Havia interesse, havia necessidade e tece a negociação, são feitas avaliações
estabelecimento veterinário?” havia negociação! Era determinado o e após a percepção do valor ser criada
Quando nos lembramos que a presta- quanto de valor representava cada pro- na mente do consumidor dos seus ser-
ção de serviços veterinários pertence ao duto ou serviço e as partes chegavam a viços é realizada a venda.
universo do varejo e do marketing de um acordo para que ambos saíssem sa- E quem está envolvido em todo este
serviços, necessitamos situar nosso tisfeitos. Os produtos e serviços eram processo desde os primórdios da huma-
exercício profissional em um esquema PERCEBIDOS em seus valores e equi- nidade mercantil? Pessoas!

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São as pessoas, suas necessidades e desde o início para que no decorrer de compras, suas freººqüências, seus tickets
suas habilidades de negociação que seu dia-a-dia não se depare, por exem- médios e suas motivações de compras!
norteiam este universo. São a base do plo, como aquele tosador que se recusa
comércio! a limpar seu material de trabalho ao O relacionamento interpessoal foi
final de um dia de serviços intenso. por muito tempo deixado de lado, como
2 - Você tem colaboradores (funcioná- se fosse “uma arte menor” dentro dos
rios)! 3 - Você tem clientes! ramos de prestações de serviços vete-
Eu poderia escrever páginas e mais Não é fácil, mas aqui reside a maior rinários.
páginas de estratégias de motivação de necessidade de aprender a trabalhar seu Sempre se valorizou a técnica acima
equipes de trabalho, de programas de relacionamento interpessoal, pois caso de tudo. E isso é mesmo fundamental,
endomarketing e de programas de boni- você se recorde de alguns parágrafos mas em um processo acelerado de mu-
ficação. São importantes? Sim, porém acima, trabalhar a PERCEPÇÃO DE dança comportamental de nosso mer-
quero focar naquilo que mais tem sido VALOR de seu cliente envolverá uma cado consumidor, fechar os olhos à
uma das fraquezas em nosso sistema de série de habilidades e competências necessidade do desenvolvimento de ha-
empresas pet. para que seja feito o processo de bilidade acessórias como as técnicas de
Percebo muitas reclamações, de “escambo”. relacionamento interpessoal, o autoco-
ambas as partes, proprietários e funcio- Em nosso mercado não se fixe às ve- nhecimento e posterior fortalecimento
nários, sobre a falta de uma definição lhas fórmula de técnicas de venda que pessoal, são fundamentais para que todo
clara dos papéis e funções de cada co- falam... “cliente nervoso, trate assim... empreendedor veterinário encontre es-
laborador dentro do dia-a-dia profis- cliente apressado, trate assim... cliente paço para poder realizar-se como profis-
sional. calado, trate assim...”. sional e como pessoa.
Para que você exija de seus funcioná- Lembre-se que temos um fator emo- Eu fico um pouco preocupado quan-
rios a realização de tarefas, que tal defi- cional muito forte chamado RELAÇÃO do vejo camisas como a que traz os
ni-las claramente ? HOMEM-ANIMAL que servirá como dizeres: “Quanto mais conheço as pes-
Um grande problema é a ausência de base para toda e qualquer estratégia de- soas, mais gosto de meu cão”... Cui-
roteiros de limpeza, de rotinas diárias, senvolvida dentro do seu estabeleci- dado, pode ser uma camisa muito popu-
ou seja, roteiros de ações práticas que mento, sendo capaz até mesmo de criar lar entre acadêmicos e mesmo entre pes-
sinalizem o que se espera de cada fun- alternativas a pressões externas, como soas comuns, mas recomendo que os
cionários, seja ele um plantonista, um por exemplo, as questões econômicas profissionais pensem um pouco mais
vendedor, um auxiliar de serviços vete- sazonais. nas implicações de uma frase como essa
rinários ou um profissional da área de E esteja disposto a ouvir os seus clien- no universo de seu dia-a-dia profissio-
higiene e estética animal. tes, mas não somente escutar as suas pa- nal... Afinal, um cão jamais paga a conta
Defina ações, prazos e metas. Porém, lavras, mas “escute” seus comportamen- com um cartão de crédito, dinheiro ou
explique e determine as regras do jogo tos como um todo! “Escute” seu perfis de cheque... Pense nisso!

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Lançamentos
SUPLEMENTO VITAMÍNICO PARA PEQUENOS ANIMAIS

A Ouro Fino Pet Bem Estar Animal,


lançou no mercado o Energy Pet, um
suplemento vitamínico aminoácido com
possui aroma de morango, o
que proporciona alta acei-
tabilidade pelos animais.

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aroma de morango destinado a melhorar o O Energy Pet pode ser
metabolismo energético de cães, gatos e encontrado em frascos
pequenos animais (aves e roedores). conta-gotas de 30 mL e em
O produto é indicado durante as fases frascos de 125 mL e 250 mL
de gestação, lactação, crescimento, conva- com seringa dosadora e
lescença, estresse e falta de apetite. acoplador.
O diferencial do Energy Pet é a facili- Ouro Fino:
dade na administração, pois o suplemento www.ourofino.com Energy Pet é indicado para cães, gatos, aves e roedores

ALIMENTO PARA CÃES COM INTOLERÂNCIA ALIMENTAR


Problemas indicado para cães de raças de pequeno transportados juntamente com os ami-
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dermatológi- porte e formulado com carne de cor- noácidos para os seus sítios específicos
cos, gastrintes- deiro, arroz e proteína hidrolisada de so- de ação. Já o zinco exerce um papel
tinais e otites ja, ingredientes nobres de elevada di- importante no metabolismo celular, es-
são os sinto- gestibilidade que favorecem a digestão. tando envolvido em sistemas enzimáti-
mas mais co- “A proteína hidrolisada de soja é uma cos, na síntese protéica, na melhora da
muns em cães fonte protéica que apresenta baixa aler- resposta imune, além de manter a inte-
alérgicos, hi- genicidade, em função do menor tama- gridade celular, pois age na síntese de
persensíveis ou nho de suas moléculas. O sistema imu- queratina e na proliferação celular”,
mulado com carne de cordeiro, com intolerân- completou Fernandez.
Supreme Cães Sensíveis é for-
nológico do animal é incapaz de reco-
arroz e proteína hidrolisada de cia alimentar. A nhecer as moléculas protéicas hidroli- Supreme Cães Sensíveis é enriqueci-
soja, ingredientes nobres de maioria dos sadas, havendo redução da reação alér- do com vitaminas A, C e E e apresenta
pesquisadores gica ao alimento”, explicou Márcia excelente equilíbrio de ômega 3 e 6, o
elevada digestibilidade

considera que Fernandez, médica veterinária da Total que modula a reação inflamatória, além
de 10 a 20% de todas as respostas alér- Alimentos. de serem importantes fontes de energia,
gicas em cães são reações adversas por O produto apresenta um complexo de desempenhando papel vital na manuten-
ingestão de alimentos. Portanto, a opção minerais quelatados, vitaminas e ácidos ção da estrutura e funcionamento normal
mais inteligente é a exclusão total de ali- graxos essenciais, importantes na otimi- da pele. Outro destaque na formulação
mentos potencialmente alergênicos. zação da saúde da pele e dos pêlos. “Os do produto é a combinação dos prebióti-
Atenta à necessidade de criar uma minerais quelatados são absorvidos cos FOS e MOS, que favorecem o bom
opção nutricional para os pets alérgicos, intactos pelo organismo, ou seja, sua funcionamento do intestino dos cães.
a Total Alimentos investiu em pesquisas ligação com o aminoácido permanece Total: 0800 55 8500.
e elaborou o Supreme Cães Sensíveis, inalterada. Assim, os minerais são www.totalalimentos.com.br

HIDRATAÇÃO DOS CALOS SUPLEMENTO VITAMÍNICO


DE APOIO E ESCARAS

O Revipel é indicado para hi-


dratação dos calos de apoio
e escaras de cães e gatos e/ou
para regiões caracteristicamente
secas e mais susceptíveis à ação
de fatores externos. O produto é

C
Condrovet Pet pode ser encontrado em embalagens de 30, 60 e 90 comprimidos
rapidamente absorvido pela pele,
hidratando e deixando um toque ondrovet Pet, um completo suplemento vitamínico, foi lança-
suave. do recentemente pelo Laboratório Biovet.
Revipel deve ser aplicado nos Apresentado na forma de comprimido palatável, o produto o
calos de apoio, escaras e/ou áreas garante uniformidade de dosagem, fator que assegura a quantidade
ressecadas, 1 ou 2 vezes ao dia, correta mesmo em caso de divisão, em meia dose.
Revipel:
até a melhora do quadro ou a O produto também é o único com extrato de yucca na formu-
equilíbrio e
hidratação critério do médico veterinário. lação. Condrovet Pet ainda tem em seu princípio ativo glucosami-
intensiva Seu uso constante hidrata e pro- na, colágeno, 100% de sulfato de condroitina A, zinco, cobre,
tege contra novos ressecamentos. manganês e vitaminas A e E.
Agener União: 0800 701 1799 Laboratório Biovet: 0800 055 66 42

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Quantidade
A - perdas B - manutenção C - perdas de fluido a
ocorridas diária continuadas ser administrada

Tempo aproximado
dos procedimentos
demonstrados:
Procedimento Tempo
(min.)
Paramentação 4:50'
Mesa cirurgica 3:50'
Cães • macho 4:10'
• fêmea 12:10'
Gatos • macho 5:20'
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