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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

RESPONSABILIDADE CIVIL DOS EMPREITEIROS E CONSTRUTORES


Civil liability of lump sum constructors and constructors in general
Revista de Direito Privado | vol. 79/2017 | p. 101 - 130 | Jul / 2017
DTR\2017\2143

Adriana Regina Sarra de Deus


Mestranda em Direito Civil pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Advogada. dri_sarra@hotmail.com; ars@lob-svmfa.com.br

Área do Direito: Civil


Resumo: O presente artigo destina-se a estudar a controvérsia existente na doutrina e
na jurisprudência a respeito da responsabilidade dos empreiteiros e construtores sob a
égide do Código Civil de 2002, em especial quanto à responsabilidade quinquenal
prevista no seu art. 618. Após descrever o contrato de empreitada e delinear um
panorama geral das responsabilidades do ato de construir, enfoca-se o art. 618 do
Código Civil de 2002. Conclui-se que o dispositivo estabelece uma hipótese especial de
vício redibitório, limitada aos vícios redibitórios que afetem a solidez e a segurança da
obra, de modo que o prazo quinquenal previsto no caput tem natureza jurídica de
garantia legal e o prazo de 180 dias estabelecido no parágrafo único trata da decadência
do direito potestativo à redibição ou ao abatimento do preço.

Palavras-chave: Construtor - Empreiteiro - Contrato de empreitada - Responsabilidade


civil - Prazo quinquenal de garantia
Abstract: The present paper aims to study the controversy among scholars and caselaw
regarding the liability of lump sum constructors and constructors in general under the
Brazilian Civil Code of 2002, especially the five years liability provided for in its article
618. After describing the lump sum contract and a general overview of the various kinds
of liability arising from the act of constructing, article 618 of the Brazilian Civil Code of
2002 is focused. The conclusion is that this provision establishes a special case of latent
defect, limited to the ones affecting a construction’s stability and safety. Therefore, the
period of five years mentioned in its caput is a guarantee period imposed by law and the
one hundred and eighty days provided in its single paragraph is the time limitation for
the contractor’s right to claim the revocation of the contract or the reduction of the price.

Keywords: Constructor - Lump sum constructor - Lump sum construction cont - Civil
liability - Five years guarantee
Sumário:

1Introdução - 2O contrato de empreitada - 3Responsabilidades decorrentes do ato de


construir - 4A responsabilidade civil do empreiteiro segundo o art. 618 do Código Civil de
2002 - 5Conclusão - 6Bibliografia

1 Introdução

A responsabilidade civil dos empreiteiros e dos construtores em geral é tema complexo,


a respeito do qual não se encontra exposição sistematizada e coerente. Nota-se, tanto
na doutrina quanto na jurisprudência, grande divergência de entendimentos, do que
decorre um cenário de insegurança jurídica. Essa situação é particularmente crítica no
que tange à responsabilidade quinquenal do empreiteiro pela solidez e segurança,
prevista no art. 618 do Código Civil de 2002.

Diante disso, propõe-se o presente artigo a estudar a controvérsia a respeito da


responsabilidade civil do empreiteiro e dos construtores em geral, visando à construção
de uma visão sistemática sobre o tema. Para tanto, inicia-se com o exame do contrato
de empreitada, seja quanto às suas características, seja quanto à sua origem histórica.
Prossegue-se, então, com um breve panorama das diversas responsabilidades
emergentes do ato de construir, a seguir focando-se a análise no art. 618 do Código Civil
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de 2002. O exame será conduzido em partes, de modo que primeiro se estuda o caput
do dispositivo e, depois, o seu parágrafo único. Com base na interpretação considerada
mais adequada, perquire-se em seguida sobre o regime da pretensão reparatória do
dono da obra. Diante das conclusões obtidas, verifica-se a posição da jurisprudência
brasileira recente sobre o tema, bem como qual o tratamento jurídico dispensado ao
tema nos ordenamentos jurídicos estrangeiros. Por fim, sumarizam-se as conclusões
obtidas.
2 O contrato de empreitada

2.1 Definição do contrato de empreitada

O contrato de empreitada é tradicionalmente definido pela doutrina como “o contrato em


que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a
realizar certo trabalho para outra (dono da obra), com material próprio ou por este
1
fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado” . Pontes
de Miranda, por sua vez, amplia os limites da definição da empreitada ao interpretar o
conceito de “obra” no sentido de incluir a obtenção de qualquer resultado, de modo que
até mesmo o contrato de transporte seria considerado uma modalidade do contrato de
2
empreitada .

No direito brasileiro, configura-se como um contrato que se encontrava legalmente


3
tipificado já no Código Civil de 1916 , assim permanecendo no atual Código Civil de
2002. Importante destacar que, em nenhum dos códigos referidos, o legislador
apresentou uma definição de contrato de empreitada, limitando-se a estabelecer as
4
regras de seu regime jurídico . Para essa finalidade, portanto, há de se consultar a
doutrina e a jurisprudência.

Passando para o plano da construção, a empreitada é apenas uma das modalidades de


5
contrato existentes . Isso porque existem diversos outros modelos contratuais no ramo,
tipificados ou não pela lei, como a construção por administração, a aliança, o build,
operate and transfer (BOT), entre outros.

A empreitada, como expressamente prevista no art. 610 do Código Civil de 2002,


desdobra-se em dois subtipos: a empreitada de lavor e a empreitada mista, também
denominadas empreitada de serviços ou parcial e empreitada de serviços e materiais ou
6
total , respectivamente. Na empreitada de lavor, incumbe-se o empreiteiro apenas de
fornecer os serviços para a realização da obra, a qual será executada com os materiais
providos pelo dono da obra. Na empreitada mista, por outro lado, o empreiteiro assume
a obrigação de providenciar tanto os serviços quanto os materiais para a feitura da obra.
2.2 Origem do contrato de empreitada: locatio condutio operis

Do mesmo modo que diversos outros contratos, a empreitada tem sua origem no Direito
Romano, correspondendo a uma das finalidades que se poderia alcançar com a
denominada locatio conductio.

A locatio condutio era um contrato consensual, sancionado com ações civis e de boa-fé,
pelo qual o conductor, mediante o recebimento de uma remuneração (merces),
obrigava-se a proporcionar ao locator uma das três seguintes finalidades: (i) uso ou uso
e gozo de uma coisa; (ii) prestação de uma atividade; e (iii) realização de uma obra.
Conforme a finalidade adotada, empregava-se, respectivamente, a denominação (i)
locatio conductio rei; (ii) locatio conductio operarum; e (iii) locatio conductio operis. A
primeira corresponde ao atual contrato de locação, a segunda, ao contrato de prestação
de serviços, no qual se inclui o contrato de trabalho, e a última, ao contrato de
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empreitada . Ressalte-se que, ao contrário do direito atual, em que cada uma das
finalidades referidas é objeto de um tipo contratual específico, no Direito Romano, havia
apenas um único contrato, a locatio conductio, cujo objeto contemplava todas as três
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finalidades.
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Passando à análise do objeto da locatio conductio operis, era a obrigação do conductor


de entregar ao locator uma obra, entendida como resultado de seu trabalho. Esse
resultado necessariamente deveria ser obtido a partir dos materiais fornecidos pelo
locator ao conductor, pois, se este também fornecesse os materiais, o contrato seria
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qualificado como compra e venda segundo a maioria dos jurisconsultos romanos . Disso
decorre que a locatio conductio operis corresponde apenas à atualmente denominada
empreitada de lavor, porquanto a empreitada mista, em que o empreiteiro concorre
tanto com seu trabalho quanto com os materiais, seria qualificada como uma compra e
venda.

No tocante às responsabilidades do conductor, respondia este apenas por dolo ou culpa,


bem como por imperícia profissional. O período de responsabilidade estendia-se até o
momento da aceitação da obra pelo locator, com exceção dos casos de dolo, em que o
conductor responderia perante o locator ainda que este tivesse aprovado e recebido a
obra. Nota-se, portanto, que a responsabilidade do conductor era subjetiva, exigindo-se
ainda o respeito às normas técnicas existentes na época, sob pena de se configurar
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imperícia profissional . Na atualidade, conforme será analisado em detalhes no item a
seguir, a necessidade de respeito às normas técnicas persiste, embora a
responsabilidade do empreiteiro perante o dono da obra dispense a prova da culpa, em
decorrência da obrigação de resultado que assume.
3 Responsabilidades decorrentes do ato de construir

Para que se possa compreender e sistematizar as responsabilidades dos empreiteiros e


dos construtores em geral, há três classificações que importa abordar. A primeira delas é
a classificação das responsabilidades conforme a sua fonte, que pode ser contratual,
extracontratual e legal. As responsabilidades contratuais são aquelas criadas
voluntariamente pelo acordo entre as declarações de vontade das partes, como no caso
da garantia técnica contratualmente acordada. As responsabilidades legais são aquelas
impostas diretamente pela lei, independentemente da vontade das partes. Exemplo de
responsabilidade legal é a garantia quinquenal imposta pelo art. 618 do Código Civil de
2002, que será tratada em detalhes adiante. A responsabilidade extracontratual, por sua
vez, é a que tem por fonte o ato ilícito, tal como previsto no art. 927 do Código Civil de
11
2002.

A segunda classificação essencial para a compreensão das responsabilidades do


construtor é a que distingue as obrigações em obrigações de meio, de resultado e de
garantia. Por obrigações de meio, entendem-se aquelas cujo objeto corresponde a uma
atividade a ser realizada pelo devedor, respondendo este apenas pela sua correta
prestação. Já nas obrigações de resultado, o devedor se obriga não apenas a executar
uma atividade, mas a obter um resultado. Nesse caso, a atividade em si é apenas o meio
de que o devedor se vale para obter o resultado, sendo este o objeto pelo qual se
obrigou. Por outro lado, no caso da obrigação de garantia, o devedor se obriga pela não
consumação de um risco.

Dessa classificação decorre uma grande diferença entre as responsabilidades assumidas


pelo devedor. Isso porque, na obrigação de meio, o devedor será responsável pelo
credor apenas se este comprovar que a atividade foi executada com culpa ou dolo, ou
seja, a responsabilidade é subjetiva e o devedor não responde por não obter o resultado.
Já na obrigação de resultado, o devedor será responsabilizado apenas com a prova do
nexo de causalidade entre a não obtenção do resultado e o dano. A culpa do devedor é
presumida e a correta realização da atividade não elide o descumprimento da obrigação,
já que o resultado devido não foi entregue. Opera-se, portanto, a inversão do ônus da
prova, cabendo ao devedor provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior,
excludentes de responsabilidade. Por fim, na obrigação de garantia, a responsabilidade
do devedor é ainda mais agravada, tratando-se de verdadeira responsabilidade objetiva.
Uma vez provado o nexo de causalidade entre o evento cujo risco se deveria evitar e o
dano, nem mesmo a prova do caso fortuito ou da força maior se presta a afastar a
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responsabilidade do devedor.
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Por fim, as responsabilidades decorrentes do ato de construir podem ser classificadas


conforme a área do direito em que se incluem. A esse respeito, Hely Lopes Meirelles, em
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seu livro Direito de Construir , apresenta a seguinte classificação: (i) responsabilidade
contratual; (ii) responsabilidade pela perfeição da obra no Código Civil e no Código de
Defesa do Consumidor; (iii) responsabilidade pela solidez e segurança da obra no Código
Civil e no Código de Defesa do Consumidor; (iv) responsabilidade por danos a vizinhos e
terceiros; (v) responsabilidade ético-profissional; (vi) responsabilidade trabalhista e
previdenciária; (vii) responsabilidade por fornecimentos; (viii) responsabilidade por
tributos; (ix) responsabilidade administrativa; (x) responsabilidade penal por
desabamento; e (xi) responsabilidade por construção clandestina.

Dada a natureza parcialmente casuística da enumeração acima, pode-se avançar um


grau na escala de abstração e assim obter-se a seguinte classificação das
responsabilidades decorrentes do ato de construir: (i) responsabilidades civis; (ii)
responsabilidades administrativas; (iii) responsabilidades tributárias; (iv)
responsabilidades ambientais; (v) responsabilidades criminais; (vi) responsabilidades
trabalhista e previdenciária; e (vii) responsabilidades técnicas.

Na esfera civil, há diversas responsabilidades que se imputam ao construtor, as quais


podem ser de origem contratual, extracontratual e legal. Exemplo claro de
responsabilidade contratual é a que decorre da obrigação do construtor de executar a
obra contratada e, dependendo do tipo de contrato, também a de fornecer os
respectivos materiais. A sua violação implica antes inadimplemento contratual do que
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falta técnica, como bem destaca Hely Lopes Meirelles . Responsabilidade
extracontratual do construtor seria, por exemplo, a responsabilidade por danos causados
a terceiros e a vizinhos. Entre as responsabilidades legais, que se impõem
independentemente da vontade das partes contratantes, destacam-se a responsabilidade
pela perfeição da obra e a responsabilidade pela sua solidez e segurança, a qual está
prevista no art. 618 do Código Civil e será objeto de análise minuciosa no item 4.

No panorama normativo, a responsabilidade do construtor na esfera civil encontra-se


regulada primordialmente no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor, sem
prejuízo da legislação especial, como a Lei de Incorporações (Lei nº 4.591/1964). Dados
os limites do presente artigo, será abordada apenas a responsabilidade do empreiteiro e
do construtor nas relações jurídicas regidas pelo Código Civil, deixando-se à parte
aquelas sujeitas às normas consumeristas.
4 A responsabilidade civil do empreiteiro segundo o art. 618 do Código Civil de 2002

O art. 618 do Código Civil de 2002 dispõe sobre a responsabilidade do empreiteiro pela
solidez e segurança da obra, estabelecendo em seu parágrafo único um prazo
quinquenal para o dono da obra ajuizar a respectiva ação. Confira-se:

“Art. 618. Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis,


o empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco
anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo.

Parágrafo único. Decairá do direito assegurado neste artigo o dono da obra que não
propuser a ação contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias seguintes ao
aparecimento do vício ou defeito.”

Formulado com o objetivo de dar cabo às controvérsias que surgiram a respeito do art.
1.245 do Código Civil de 1916, que o antecedeu, o art. 618 do Código Civil antes
herdou-as e estimulou-as ainda mais. Assim sendo, a complexidade da matéria impõe
que se analise o art. 618 do Código Civil em partes, iniciando-se com o histórico e o
significado de seu caput e, em seguida, de seu parágrafo único. Com base nas
conclusões obtidas, será então abordada a tutela jurídica da pretensão reparatória do
dono da obra. Por fim, o tema será examinado à luz da jurisprudência pátria e do direito
estrangeiro.
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4.1 Art. 618, caput: responsabilidade quinquenal pela solidez e segurança

O caput do art. 618 do Código Civil de 2002 estabelece o prazo ao longo do qual haverá
responsabilidade do empreiteiro na hipótese de aparecimento de vícios que
comprometam a segurança e a solidez da obra. Sua origem remete ao art. 1.245 do
Código Civil de 1916, que assim dispunha:

“Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o


empreiteiro de materiais e execução responderá, durante cinco anos, pela solidez e
segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo, exceto, quanto a
este, se, não achando firme, preveniu em tempo o dono da obra.”

À época em que foi editado, o artigo acima transcrito suscitou diversas polêmicas seja
com relação à natureza jurídica do prazo quinquenal fixado, seja com relação ao âmbito
de abrangência da norma.

Com relação à natureza jurídica do prazo de cinco anos, havia duas discussões. A
primeira delas divergia quanto à sua qualificação como prazo de garantia legal, prazo
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prescricional e prazo decadencial . Com o passar do tempo, firmou-se o entendimento
de que se trata de prazo de garantia legal, ou seja, o período durante o qual, surgido um
vício, haverá responsabilidade do empreiteiro. O subsequente prazo para ajuizar a ação
indenizatória seria distinto, submetendo-se à regra geral do regime prescricional do
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Código Civil de 1916, qual seja, 20 anos. Posteriormente, em 03.10.1997, o Superior
Tribunal de Justiça (STJ) editou a Súmula 194, confirmando que o prazo quinquenal não
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tem natureza de prazo prescricional .

A segunda controvérsia a respeito da natureza jurídica do prazo quinquenal diz respeito


à sua vinculatividade. Havia autores, entre os quais Pontes de Miranda, que defendiam o
caráter dispositivo da norma em comento, afirmando que as partes contratualmente
poderiam reduzir ou até mesmo eliminar a responsabilidade quinquenal do empreiteiro
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pela solidez e segurança . A corrente majoritária, porém, afirmava se tratar de norma
de ordem pública, inderrogável pela vontade das partes, as quais poderiam acordar
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apenas o aumento do prazo de cinco anos, mas não a sua diminuição .

Com a promulgação do Código Civil de 2002, projetou-se para o caput do art. 618 do
Código Civil o entendimento aplicado ao art. 1.245 do Código Civil de 1916. O novo
diploma legal, inclusive, reforçou o que já estava consolidado. Primeiro, porque a
natureza de prazo de garantia legal foi reforçada com inclusão, no art. 618, de um
parágrafo único destinado a tratar do prazo para propositura da demanda pelo dono da
obra, o qual será objeto de exame no próximo tópico. Segundo, porque o caráter de
ordem pública da responsabilidade quinquenal pela solidez e segurança tornou-se
expresso, adicionando-se ao novo texto legal a expressão “prazo irredutível de cinco
anos”.

Passando para o âmbito de abrangência da responsabilidade pela solidez e segurança,


convém analisá-lo sob o aspecto subjetivo e sob o aspecto objetivo. Em termos
subjetivos, discutem-se quais os sujeitos de direito abrangidos pela norma, ou seja, a
quem se pode imputar a responsabilidade pela solidez e segurança. Tanto o art. 1.245
do Código Civil de 1916 quanto o caput do art. 618 do Código Civil de 2002 referem-se
ao “empreiteiro de materiais e execução”. Questiona-se, portanto, se sua aplicação
também abrange o empreiteiro de lavor e os demais construtores contratados sob outros
regimes contratuais que não o da empreitada.

Para responder à questão acima, é preciso ter em mente que o escopo da norma em
comento é tutelar a sociedade em geral contra os danos decorrentes da construção,
atividade de risco por sua própria natureza. À luz disso, justifica-se uma interpretação
teleológica da norma, estendendo a sua abrangência para contemplar não apenas o
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empreiteiro de lavor, mas todo e qualquer construtor . Isso não significa, contudo, que
o empreiteiro misto e o empreiteiro de lavor, por exemplo, terão o mesmo tratamento.
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Se, por um lado, ambos devem responder pelos danos ocorridos, o primeiro responde
objetivamente tanto pelos danos decorrentes de seu trabalho quanto dos materiais que
forneceu, enquanto que o segundo responde objetivamente pelo trabalho que executou,
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mas subjetivamente pelos materiais que o dono da obra forneceu . Tendo em conta que
a atividade de construção é exercida por profissionais, mostra-se correto o entendimento
que prevê a responsabilidade subjetiva do empreiteiro e, analogamente, do construtor
pelos materiais que recebeu do dono da obra. Essa responsabilidade geral do profissional
da construção resta claramente evidenciada pela exclusão da hipótese de exoneração de
responsabilidade quando o empreiteiro houvesse prevenido o dono da obra sobre a falta
de firmeza do solo. Identificando o construtor que o solo é inadequado para a construção
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que se pretende executar, é seu dever, como profissional, recusar-se a realizá-la .

No plano objetivo, discute-se a abrangência da obrigação de garantia quanto a seu


objeto. Assim é que se questiona o sentido das expressões “edifícios ou outras
construções consideráveis” e “solidez e segurança”. A respeito da primeira, Hely Lopes
Meirelles explica que “edifício” e “construção” não apresentam o mesmo significado:

“Na linguagem técnica, ‘edifício’ é a obra específica e imediatamente utilizada pelo


homem, como a casa, o templo, a escola, o hospital, diversamente de “construção”, que
designa, genericamente, toda realização material de dominação da Natureza, tais como
estradas, pontes, usinas, as quais, embora visando à satisfação de necessidades
humanas, não são ocupadas diretamente pelo homem, mas, sim, por seus instrumentos
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de trabalho.”

Como consequência, tem-se que, embora todo edifício seja objeto da garantia
quinquenal do empreiteiro ou construtor, apenas o serão as construções que forem
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“consideráveis”, ou seja, construções de grande porte e permanentes .

Já no que tange à expressão “solidez e segurança”, seu sentido passou por uma
ampliação ao longo do tempo. Isso porque a garantia do empreiteiro ou construtor
deixou de ser considerada limitada aos casos de defeitos que levassem ao efetivo
desabamento ou ruína, passando a incluir também as hipóteses de ameaça ou risco,
bem como as de defeitos que tornassem a obra inadequada ao uso a que se destinava.
Disso decorre o significado de que “solidez” está associado à estabilidade da obra, ao
passo que “segurança”, às condições de habitabilidade, ou seja, de saúde e segurança
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das pessoas que a habitam.
4.2 Art. 618, parágrafo único: prazo de 180 dias para ajuizamento da ação pelo dono da
obra

O parágrafo único do art. 618 é uma inovação do legislador do Código Civil de 2002, na
medida em que não existia no pretérito Código Civil de 1916. Referido dispositivo foi
editado com o objetivo de evitar a contenda que se instaurou a propósito do art. 1.245
do Código Civil, fixando em uma disposição especial o prazo de 180 dias para o dono da
obra ajuizar a ação contra o empreiteiro. A despeito de seu intuito, o parágrafo único do
art. 618 aumentou ainda mais a polêmica a respeito do tema.

De início, recorde-se a sistemática consolidada durante a vigência do Código Civil de


1916. Conforme mencionado no item anterior, considerou-se que o prazo quinquenal do
art. 1.245 seria um prazo de garantia legal, sujeitando-se a pretensão reparatória do
dono da obra ao prazo prescricional geral do Código Civil de 1916, correspondente a 20
anos. É o que se assentou na Súmula 194 do STJ, verbis: “Prescreve em vinte anos a
ação para obter, do construtor, indenização por defeitos da obra”. Havia, portanto, um
prazo de garantia legal e um prazo prescricional da pretensão reparatória do dono da
obra.

Seguiu-se, então, o parágrafo único do art. 618 do Código Civil de 2002, que fixou um
prazo de 180 dias, após o aparecimento do vício, para o dono da obra propor a ação
contra o empreiteiro, sob pena de decair “do direito assegurado neste artigo”. Nesse
ponto, suscitam-se duas questões, distintas, embora relacionadas: (i) qual a natureza
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jurídica do prazo de 180 dias? e (ii) qual o direito que o art. 618 assegura ao dono da
obra? A esse respeito, identificam-se três principais correntes.

A primeira posição sustenta que o prazo de 180 dias tem natureza prescricional e se
refere à pretensão reparatória do dono da obra contra o empreiteiro ou construtor.
Assim sendo, surgido um defeito nos cinco anos após a entrega da obra, teria o dono da
obra o prazo de 180 dias, contados da data de aparecimento do defeito, para ajuizar a
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ação reparatória contra o empreiteiro ou construtor . O problema dos que sustentam
essa corrente é que vai contra não apenas o texto da lei, mas também o próprio sistema
de prescrições estabelecido no Código Civil de 2002. Isso porque haveria grande
inconsistência se a pretensão do empreiteiro a obter a reparação de seu construtor
contratado prescrevesse em 180 dias, enquanto que o art. 205 do mesmo Código Civil
prevê os prazos prescricionais de três e cinco anos, respectivamente, para a pretensão à
reparação civil e para a pretensão à cobrança de dívidas líquidas constantes de
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instrumento público ou particular . Além disso, considerar o prazo de 180 dias como
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prescricional vai contra o entendimento registrado da Súmula 194 do STJ , que
permanece vigente, e também contra o Enunciado 181 da III Jornada de Direito Civil,
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realizada entre os dias 1º e 3º de dezembro de 2004 .

Pretendendo solucionar a inconsistência referida anteriormente, desenvolveu-se uma


segunda corrente, sustentada por Regis Fichtner ao atualizar o volume de contratos da
obra de Caio Mário Pereira da Silva. Para referido autor, também o prazo de 180 dias
tem natureza de prazo prescricional. O seu termo inicial, contudo, não seria o dia do
surgimento do vício e sim o do termo final do prazo da garantia quinquenal. Dessa
maneira, passados os cinco anos após a entrega da obra, o dono da obra teria ainda um
prazo de 180 dias para exercer sua pretensão reparatória pelos vícios surgidos no
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referido quinquênio . Se essa posição, por um lado, mantém a coerência do sistema de
prescrições estabelecido pelo legislador, deixa, por outro, de refutar as objeções
relativas à contrariedade do texto legal, da Súmula 194 do STJ e do Enunciado 181 da
III Jornada de Direito Civil.

Por fim, a última corrente que merece destaque é a que pugna pela natureza de prazo
decadencial dos 180 dias. Tratando-se de decadência, deve esta se referir a um direito
potestativo de que o dono da obra seja titular, qual seja, o direito potestativo à redibição
ou ao abatimento do preço. Disso decorre que o parágrafo único do art. 618 do Código
seria uma hipótese especial de vício redibitório, aplicável apenas para os vícios ocultos
de que trata o caput do mesmo artigo: vícios ocultos que comprometam a segurança e a
solidez da obra e que, por terem surgido no curso do prazo de garantia quinquenal, são
31
de responsabilidade objetiva do construtor ou empreiteiro . Por sua vez, a pretensão
reparatória do dono da obra, assim como os demais vícios ocultos permaneceriam
regidos pelas respectivas normas gerais do Código Civil.

Entre as posições explanadas acima, afigura-se mais adequada a terceira, que considera
32
o parágrafo único como uma espécie particular de vício redibitório. As razões para
tanto são a coerência com o sistema de prazos prescricionais e decadenciais do Código
Civil de 2002, aliada ao respeito às palavras escolhidas pelo legislador e aos
entendimentos já registrados sobre o tema tanto na Súmula 194 do STJ quanto no
Enunciado 181 da III Jornada de Direito Civil. Isso posto, passa-se ao exame do regime
aplicável à pretensão reparatória do dono da obra.
4.3 Pretensão reparatória

Adotando-se o entendimento de que o prazo de 180 dias do parágrafo único do art. 618
do Código Civil é decadencial, questiona-se, então, qual o regime a ser aplicado à
pretensão reparatória do dono da obra. A resposta para a indagação exige que se
biparta a análise para determinar, primeiro, se a responsabilidade do empreiteiro é
objetiva ou subjetiva e, em seguida, qual o prazo prescricional a que se submete a
pretensão reparatória.

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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

Tratando da natureza da responsabilidade do empreiteiro ou construtor, sustenta-se que


sua determinação depende do momento em que ocorre o dano-evento. Isso porque,
para os vícios ocultos graves, que comprometem a solidez e a segurança da obra, já
prevê o caput do art. 618 do Código Civil de 2002 que a responsabilidade do empreiteiro
ou construtor é objetiva. Caberia ao dono da obra, portanto, provar apenas o
dano-evento, o dano-resultado e o nexo de causalidade entre eles. Já para os
danos-eventos ocorridos após o prazo de garantia quinquenal, aplicar-se-ia o regime
tradicional da responsabilidade subjetiva, devendo o dono da obra provar também a
33
culpa do empreiteiro ou construtor.

Referido entendimento deve ser visto com cautela. Primeiro, porque não se justifica a
extensão, para todo e qualquer vício oculto, da responsabilidade objetiva decorrente do
prazo de garantia legal de vícios redibitórios que comprometam a solidez e a segurança
da obra. Em segundo lugar, porque tampouco há fundamento legal que permita
sustentar a transição da responsabilidade objetiva para a responsabilidade subjetiva
após o decurso do prazo quinquenal.

Para se determinar o regime jurídico correto, incialmente é preciso identificar a origem


da pretensão reparatória do dono da obra. No caso, essa pretensão decorre do
inadimplemento contratual do empreiteiro, que não entregou a obra tal como
contratada. Tratando-se de inadimplemento contratual, há um cúmulo de pretensões
que surgem para o dono da obra: além da pretensão reparatória, há a pretensão à
execução específica ou à execução por equivalente pecuniário, nos termos dos arts. 389
34 35 36
e 475 do Código Civil de 2002 . Deve-se, em seguida, perquirir o regime de
responsabilidade contratual aplicável ao contrato de empreitada. No caso, é de resultado
a obrigação do empreiteiro, cuja culpa é presumida com a simples demonstração, pelo
37
dono da obra, de que o resultado contratado não foi atingido . Opera-se, desse modo, a
inversão do ônus da prova, na medida em que caberá ao empreiteiro demonstrar alguma
das hipóteses de exoneração de responsabilidade, quais sejam, caso fortuito ou força
maior.

Conclui-se, portanto, que a pretensão reparatória do dono da obra, assim como as


pretensões à execução específica ou por equivalente pecuniário, sujeita-se ao regime de
38
responsabilidade por inadimplemento contratual de obrigação de resultado . Não há que
se cogitar de um período de responsabilidade objetiva, seguido de outro de
responsabilidade subjetiva. Até o transcurso do prazo prescricional aplicável, a
responsabilidade do empreiteiro por perdas e danos será por culpa presumida,
afastando-se mediante a comprovação, pelo empreiteiro, da ocorrência de caso fortuito
ou força maior.

No que tange ao prazo prescricional, existe controvérsia na doutrina. De um lado, há os


39-40
que sustentam aplicar-se o prazo de prescrição de três anos da reparação civil .
Outros, porém, atualizando o entendimento da Súmula 194 do STJ, afirmam que se deve
41-42
aplicar o prazo prescricional geral de dez anos . Considerando o entendimento
majoritário de que a “pretensão de reparação civil”, prevista no inciso V, do § 3º, do art.
43
206, do Código Civil refere-se à responsabilidade civil extracontratual , afigura-se
correto sujeitar a pretensão reparatória do dono da obra ao prazo geral de dez anos
previsto no art 205 do Código Civil. Trata-se, com efeito, do prazo prescricional aplicável
às pretensões surgidas do inadimplemento contratual.
4.4 Interpretação e aplicação do art. 618 do Código Civil de 2002 pela jurisprudência
nacional

A partir das conclusões acima a respeito da interpretação do art. 618 do Código Civil e
de seu parágrafo único, cumpre perquirir se a posição ora sustentada encontra respaldo
na jurisprudência pátria. Para tanto, pesquisaram-se acórdãos do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Iniciando-se pelo prazo quinquenal do empreiteiro, verifica-se consenso quanto à sua


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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

natureza de prazo de garantia legal. Da mesma forma, também é francamente


majoritário o entendimento de que a pretensão à reparação dos danos sujeita-se ao
prazo prescricional ordinário de dez anos, afastando-se tanto a hipótese de prescrição
trienal quanto de prescrição em 180 dias, contados seja do aparecimento do vício, seja
do fim dos cinco anos de garantia. Nesse sentido, são paradigmáticas as passagens
44
abaixo :

“Aliás, redundaria em absurdo, desproporcionalidade inaceitável, ou, ao menos, não


seria minimamente razoável, que o advento do novo Código pudesse significar para os
autores beneficiários de prazo de 20 anos de prescrição de sua ação redução de 20 anos
para 180 dias, com fulcro no § único supramencionado. O prazo, com o novo Código,
passou a ser de 10 anos, não de 20. A prescrição era ordinária (20 anos) e ordinária
45
continuou (10 anos).”

“Compra e venda. Legitimidade passiva do sócio administrador, por comprometimento


pessoal na reparação do defeito. Prescrição inocorrida. Perícia que apurou falhas no
assentamento das placas cerâmicas, em desconformidade com norma técnica.
Responsabilidade dos réus configurada. Indenização por danos materiais devida.
Sentença mantida. Recurso desprovido. (...) Também não há prescrição a reconhecer.
Tem-se questão conhecida e há muito sedimentada, já antes do Código Civil de 2002,
com a edição da Súmula 194 do STJ, segundo a qual “prescreve em vinte anos a ação
para obter, do construtor, indenização por defeitos da obra”, hoje reduzido o prazo para
dez (10) anos, nos termos do art. 205 do Código Civil. Depois de sua vigência, sobreveio
o Enunciado 181 do CEJ, editado no sentido de que “o prazo referido no art. 618,
parágrafo único, do CC, refere-se unicamente à garantia prevista no caput, sem prejuízo
de poder o dono da obra, com base no mau cumprimento do contrato de empreitada,
demandar perdas e danos.” Com efeito, malgrado a redação do artigo 618, parágrafo
único, do CC/02, continua relevante não confundir prazo de garantia pela solidez e
segurança da obra com a pretensão indenizatória de danos devidos a defeito construtivo,
sujeita à prescrição comum (v. escorço da jurisprudência a que procede: Theotônio
46
Negrão, CC e legislação em vigor, 31ª ed., p. 246, notas ao art. 618).”

Quanto ao prazo de 180 dias previsto no parágrafo único do art. 618, há poucos
acórdãos que tratam especificamente de seu objeto. Merecem destaque, porém, as
decisões abaixo, que endossam a posição de hipótese especial de vício redibitório, na
qual o prazo decadencial de 180 dias extinguiria o direito potestativo do dono da obra à
redibição do contrato ou ao abatimento do preço:

“Apelação. Ação quanti minoris. Contrato de empreitada. Abatimento proporcional do


preço. Decadência. Lapso temporal de 180 (cento e oitenta) dias. Inteligência do
parágrafo único do art. 618 do Código Civil. Danos morais. Inocorrência. Ausência de
comprovação da violação à honra objetiva da apelante. Aplicação do art. 252 do
Regimento Interno desta E. Corte. Recurso improvido. (...) Não há de se falar,
outrossim, que a natureza jurídica do prazo previsto no art. 618, parágrafo único, seja
47
prescricional, uma vez haver menção expressa ao decaimento do direito à redibição.”

“Obrigação de fazer. Reparação. Vícios construtivos. Sentença de parcial procedência,


condenada a ré a executar serviços de reparos especificados em laudo pericial.
Ratificação dos termos da sentença (art. 252, RITJSP). (...) 3. Decadência. Não
configuração. Prazo quinquenal do artigo 618 do Código Civil que é somente de garantia.
Parágrafo único do mesmo dispositivo estabelece prazo decadencial do exercício do
direito à garantia, isto é, para redibição, rescisão do contrato de empreitada ou
abatimento do preço. Inaplicabilidade do artigo 445, caput e § 1º, do Código Civil.
Pedido indenizatório, de reparação dos vícios e dos danos, independentemente de ser
pedido condenatório em obrigação de fazer. Prazo prescricional decenal (art. 205, CC),
conforme entendimento adaptado da Súmula 194 do STJ. Afastamento. (...) Recurso não
48
provido.”

A matéria, contudo, não pode ser considerada pacífica. Exemplos disso são os dois
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

acórdãos abaixo, nos quais se entende que o prazo de 180 dias seria uma regra de
distribuição de ônus da prova, de modo que, surgido o vício nesse prazo, o dono da obra
pleitearia perdas e danos sem a necessidade de comprovação de culpa. Passados os 180
dias, permaneceria o dono da obra titular de sua pretensão reparatória, mas o seu
exercício efetivo dependeria de prova da culpa do empreiteiro. Confira-se:

“Daí, buscando compatibilizá-lo com o sistema, propor interpretação que se harmonize


com o atual estágio do direito pátrio. Assim é que, diante do caráter de garantia que a
lei, agora assumidamente, tem (art. 618), deve-se entender o § único como a dizer que
o dono da obra, se não ajuizar a ação nos 180 dias contados do aparecimento do defeito
(no prazo do § único do artigo), perderá, em razão de sua inação, o direito à facilitação
da prova. Tinha tal direito, em consonância com o caput; não o exercendo no semestre,
caber-lhe-á produzir prova. O ônus da prova é do empreiteiro, se a ação for ajuizada no
semestre; caso contrário, será do dono da obra, podendo este, então, propor a ação no
49
prazo ordinário decenal de prescrição do art. 205.”

“Recurso especial. Responsabilidade civil do construtor. Contrato de empreitada integral.


Possibilidade de responsabilização do construtor pela solidez e segurança da obra com
base no art. 1.056 do CCB/16 (art. 389 CCB/02). Ação indenizatória. Prescrição.
Inocorrência. 1. Controvérsia em torno do prazo para o exercício da pretensão
indenizatória contra o construtor por danos relativos à solidez e segurança da obra. 2.
Possibilidade de responsabilização do construtor pela fragilidade da obra, com
fundamento tanto no art. 1.245 do CCB/16 (art. 618 CCB/02), em que a sua
responsabilidade é presumida, ou com fundamento no art. 1.056 do CCB/16 (art. 389
CCB/02), em que se faz necessária a comprovação do ilícito contratual, consistente na
má-execução da obra. Enunciado 181 da III Jornada de Direito Civil. 3. Na primeira
hipótese, a prescrição era vintenária na vigência do CCB/16 (cf. Súmula 194/STJ),
passando o prazo a ser decadencial de 180 dias por força do disposto no parágrafo único
do art. 618 do CC/2002. 4. Na segunda hipótese, a prescrição, que era vintenária na
vigência do CCB/16, passou a ser decenal na vigência do CCB/02. Precedente desta
Turma. 5. O termo inicial da prescrição é a data do conhecimento das falhas
construtivas, sendo que a ação fundada no art. 1.245 do CCB/16 (art. 618 CCB/02)
somente é cabível se o vício surgir no prazo de cinco anos da entrega da obra. 6.
Inocorrência de prescrição ou decadência no caso concreto. 7. Recurso especial da ré
prejudicado (pedido de majoração de honorários advocatícios). 8. Recurso especial da
50
autora provido, prejudicado o recurso especial da ré.”

A análise da doutrina pátria permite concluir que, se há consenso quanto ao prazo


decenal de prescrição da pretensão reparatória do dono da obra contra o empreiteiro, o
mesmo não se pode afirmar com relação ao prazo de 180 dias previsto no parágrafo
único do art. 618 do Código Civil. A despeito de a posição ora considerada como a mais
adequada (hipótese especial de vício redibitório) encontrar respaldo jurisprudencial, há
também outros entendimentos que tornam a matéria um campo intrincado cujo
desbravamento se impõe.
4.5 Responsabilidade civil do empreiteiro no direito estrangeiro

Para melhor compreensão da sistemática adotada pelo legislador brasileiro, no Código


Civil de 2002, a respeito da responsabilidade dos construtores, bem como para a
implementação de eventuais melhorias que se mostrem úteis, é de grande valia a
análise do direito estrangeiro. Nesse sentido, serão examinados no presente tópico os
regimes de responsabilidade do empreiteiro ou construtor estabelecidos na França, em
Portugal, na Itália e na Alemanha.

Diferentemente dos demais países analisados, o legislador francês optou por um sistema
unitário de responsabilidade do construtor. Isso porque o Code Civil fixa um prazo único
de dez anos, contado da recepção da obra, tanto para o aparecimento do vício quanto
para o ajuizamento da respectiva ação pelo dono da obra. Na redação original dos arts.
51 52
1792 e 2270 , o caráter unitário do prazo resultou de entendimento consolidado da
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

doutrina e da jurisprudência. Atualmente, contudo, houve algumas reformas legislativas


53
que o tornaram expresso nos arts. 1.972 a 1.972-4 , nos quais também se incorporou o
antigo art. 2.270. A crítica que se faz ao sistema unitário é o fato de inviabilizar o
exercício do direito do dono da obra caso o defeito surja nos últimos dias do prazo.
Justamente por essa razão, o art. 1.245 do Código Civil de 1916, cuja redação refletia a
do Code Civil, foi interpretado no sentido de estabelecer apenas um prazo de garantia,
54
contando-se o prazo prescricional a partir da data de surgimento do vício .

Cumpre destacar ainda que o âmbito de aplicação do art. 1.972 do Code Civil foi
ampliado com a reforma legislativa, abrangendo não apenas o construtor de edifício a
preço fixo, mas todo construtor. Da mesma forma, incluiu-se também a regulação da
responsabilidade pelo bom funcionamento dos equipamentos fornecidos, a qual
igualmente se sujeita ao prazo único de dez anos.
55
Já no Código Civil português, previram-se três prazos em seu art. 1225 , que trata da
responsabilidade do empreiteiro de imóveis destinados à longa duração. Assim é que há
um prazo de garantia quinquenal, contado da entrega da obra, durante o qual o
empreiteiro é responsável pelos danos causados ao dono da obra pelos vícios surgidos,
incluindo-se tanto a ruína quanto os defeitos. Surgido o vício, terá o dono da obra o
prazo de um ano para notificar o empreiteiro, devendo apresentar seu pleito
indenizatório ou de eliminação do defeito no ano seguinte ao da denúncia. Por fim,
interessante notar que se equipara ao empreiteiro o vendedor do imóvel que foi por ele
próprio construído, modificado ou reparado.

De forma semelhante ao legislador português, o legislador italiano também previu três


prazos distintos em se tratando da responsabilidade do empreiteiro de edifícios ou outras
56
coisas imóveis. Nesse sentido, o art. 1669 do Códice Civile fixa um prazo de garantia
de dez anos a partir da conclusão da obra. Surgido o vício nesse prazo, deverá o dono da
obra apresentar a denúncia ao empreiteiro no prazo de um ano após sua descoberta. A
pretensão indenizatória, por sua vez, sujeita-se ao prazo prescricional de um ano
contado da data da denúncia.

Passando à Alemanha, verifica-se que o Bürgerlichen Gesetzbuche (BGB) contém a


57
legislação mais completa e minuciosa sobre o assunto. De início, o § 634 especifica os
direitos que nascem para o credor no caso de aparecimento de defeitos, quais sejam: (i)
direito de cura do defeito; (ii) direito de pleitear o reembolso dos custos em que incorreu
para, por si, eliminar o defeito; (iii) direito de extinguir o contrato ou pleitear abatimento
do preço; e (iv) direito à indenização por perdas e danos ou à indenização das despesas
58 59
desnecessariamente incorridas . Em seguida, no § 634a , estabelecem-se os prazos
para exercício de cada um desses direitos. Tratando-se de edifícios, aplica-se às
pretensões “i”, “ii” e “iv” o prazo prescricional de cinco anos contados da data de
aceitação da obra. Já ao direito potestativo à extinção do contrato e, no que for
compatível, ao direito ao abatimento do preço, prevê o § 218 que seu exercício será
considerado ineficaz caso o devedor invoque a prescrição das pretensões à cura do
defeito ou ao pagamento de indenização. Poderá o credor, contudo, recusar-se a efetuar
o pagamento da remuneração devida ao devedor, o qual estará então autorizado a
extinguir o contrato.

Comparando-se a legislação atual brasileira com as acima expostas, pode-se concluir, a


título de lege ferenda, que o art. 618 do Código Civil de 2002 mostra-se lacunoso e
insuficiente. De melhor técnica seria que o legislador seguisse a estrutura das normas
vigentes em Portugal, Itália ou Alemanha e fixasse, de maneira expressa, os direitos
atribuídos ao dono da obra e o respectivo prazo para seu exercício.
5 Conclusão

À luz do quanto exposto, pode-se concluir que, uma vez recebida a obra e surgindo um
defeito, surgem para o dono da obra um feixe de posições jurídicas ativas que se
cumulam: (i) pretensão à execução específica ou por equivalente pecuniário; (ii)
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

pretensão indenizatória por perdas e danos decorrentes do inadimplemento contratual;


(iii) configurando-se o defeito como vício redibitório, direito potestativo à redibição do
contrato ou ao abatimento do preço.

O art. 618 do Código Civil de 2002 refere-se à última situação do parágrafo anterior, na
medida em que se configura como hipótese especial de vício redibitório, o qual deve ser
suficientemente grave a ponto de comprometer a solidez e a segurança da obra. Além
disso, dado que o escopo da norma é tutelar a sociedade, justifica-se sua interpretação
extensiva, tanto no sentido de se aplicar a todos construtores em geral, e não apenas ao
empreiteiro misto, quanto no de abranger também os vícios que comprometam a
habitabilidade da obra. O prazo quinquenal a que se refere o caput do art. 618 tem
natureza de garantia legal, cuja redução ou supressão é vedada às partes, devendo o
dono da obra exercer seu direito potestativo à redibição ou ao abatimento do preço no
prazo decadencial de 180 dias. Não sendo o vício redibitório daqueles que comprometam
a solidez e a segurança da obra, aplica-se o regime geral dos vícios redibitórios previsto
nos arts. 441 a 446 do Código Civil de 2002. Paralelamente, há as pretensões do dono
da obra em decorrência da violação contratual do empreiteiro, quais sejam, a pretensão
à execução específica ou por equivalente pecuniário e a pretensão ao pagamento de
indenização por perdas e danos. Referidas pretensões são independentes do art. 618 do
Código Civil 2002 e sujeitam-se ao prazo prescricional ordinário de dez anos do art. 205.
Em todo o caso, a responsabilidade do empreiteiro independe da prova da culpa, seja
porque da garantia legal por vícios redibitórios exsurge verdadeira responsabilidade
objetiva, seja porque, nas pretensões decorrentes do inadimplemento contratual, a culpa
do empreiteiro é presumida diante da prova de que o resultado ao qual se obrigou não
foi obtido.

Por derradeiro, deixe-se registrada a crítica à disciplina adotada no Código Civil de 2002.
A nova redação introduzida pelo art. 618, por um lado, ocorreu quando o entendimento
acerca do art. 1.245 do Código Civil de 1916 já estava assentado na doutrina e na
jurisprudência. Por outro, deixou de adotar estrutura clara e que pusesse fim às
celeumas nas quais doutrina e jurisprudência se digladiaram por longo tempo. Pelo
contrário, o art. 618 do Código Civil de 2002 deu azo a novas dúvidas e reacendeu os
debates até então pacificados. Diante da insegurança jurídica causada, melhor seria que
o legislador brasileiro seguisse a estrutura normativa dos regimes português, italiano e
alemão, definindo de forma expressa as posições jurídicas ativas atribuídas ao dono da
obra e o respectivo prazo para seu exercício.
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

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1 Cf. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. 16. ed., rev. e atual. Rio
de Janeiro: Forense, 2012. v. III – Contratos, p. 279 No mesmo sentido, Orlando GOMES
define o contrato de empreitada como aquele por meio do qual “uma das partes
obriga-se a executar, por si só ou com o auxílio de outros, determinada obra, ou a
prestar certo serviço, e a outra, a pagar o preço respectivo”. Contratos. 2.ª ed., rev.,
atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2007. p. 162. Pontes de Miranda, por sua vez,
explica que “empreitada é o contrato pelo qual alguém se vincula, mediante
remuneração, a fazer determinada obra, ou mesmo obra determinável”. PONTES DE
MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direitoprivado. Claudia Lima Marques e
Bruno Miragem (atual.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. t. XLIV – Direito das
obrigações, p. 504.

2 “A obra pode consistir em criar, modificação, aumentar, diminuir, ou destruir algum


bem, ou parte do bem. (...) É amplíssimo o âmbito dos suportes fáticos sobre os quais
incidem as regras jurídicas da empreitada (...) Na prática e nas leis, os contratos de
representação teatral e de execução musical têm caracteres próprios, porém não deixam
de ser empreitada. Dá-se o mesmo com os transportes. (...) A multiplicidade de figuras
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

jurídicas não apaga o traço comum, fundamental, que as caracteriza.” Ibid., p. 503 e
512. Igualmente, GOMES, Orlando. Contratos. 26. ed., rev., atual. e ampl. Rio de
Janeiro: Forense, 2007. p. 362. O mesmo é afirmado por Karl Larenz com relação ao
direito alemão: “el ámbito de aplicación de los preceptos sobre el contrato de obra es
muy amplio, debido a que la ley no limita a la producción o transformación de una obra
ya existente individualizada, ya sea corporal o incorporal, pero de algún modo
materializada (...), sino que se extiende a todo ‘resultado’ por fugaz que sea, así
también, p. ej., el transporte de personas o cosas de un lugar a otro (contrato de
transporte), la representación de un espectáculo o de una pieza de música (contrato de
espectáculo) y muchos otros”. Derecho deobligaciones. Trad. Jaime Santos Briz. Madrid:
Revista de Derecho Privado, 1959. t. II, p. 306-307.

3 No Código Civil de 1916, a empreitada era prevista no capítulo da locação, figurando


como uma de suas modalidades ao lado da locação de bens e da locação de serviços. Já
no Código Civil de 2002, a empreitada foi prevista como um tipo contratual autônomo.

4 É o que deixam claro os atualizadores do Tratado de Pontes de Miranda ao comentar


que “o art. 610 do CC/2002 não define empreitada, reproduzindo o art. 1.237 do
CC/1916”. PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado.
Claudia Lima Marques e Bruno Miragem (atual.). São Paulo: RT, 2013, § 4.844.B –
Doutrina, p. 510. t. XLIV – Direito das obrigações.

5 “E o atual Código Civil simplesmente ignorou o contrato de construção como figura


autônoma, dele cuidando apenas como uma espécie da empreitada.” MEIRELLES, Hely
Lopes. Direito de construir, 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di
Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013.
p. 291. No mesmo sentido, Sergio Cavalieri Filho é claro ao registrar que “o Código Civil,
a rigor, não cuidou especificamente da responsabilidade do construtor; limitou-se a
disciplinar a responsabilidade do empreiteiro. Mas nem sempre, sabermos todos, a
empreitada é por construção, assim como a construção é por empreitada”. Programa de
responsabilidade civil. 12. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2015. p. 449. No mesmo
sentido, GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade civil. 8. ed. rev. São Paulo:
Saraiva, 2003. p. 407.

6 A nomenclatura “empreitada parcial” e “empreitada total” é utilizada pelo Instituto


Nacional do Seguro Social (INSS), por exemplo, na Instrução Normativa RFB nº 971, de
13.11.2009.

7 GOMES, Orlando. Contratos. 26, ed., rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense,
2007. p. 362. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. 16. ed. rev. e
atual. Rio de Janeiro: Forense, 2012. v. III – Contratos, p. 279.

8 ALVES, José Carlos Moreira de. Direito romano. 14. ed. rev., corrig. e aum. Rio de
Janeiro: Forense, 2010. p. 535.

9 ALVES, José Carlos Moreira de. Direito romano. 14ª ed. rev., corrig. e aum. Rio de
Janeiro: Forense, 2010. p. 539.

10 “Quanto à responsabilidade do conductor relativamente à coisa recebida do locator,


ele, em certas hipóteses (assim, se é tintureiro, ou alfaiate), responde, até, por custódia
; nas outras, apenas por dolo e culpa em sentido estrito. Além disso, ele responde pelos
danos decorrentes de imperícia profissional. Sua responsabilidade, porém, em regra
(exceto em caso de dolo), cessa no momento em que o locator, depois de examinar a
obra, a aprova (adprobatio operis).” Ibid., p. 539.

11 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari,
Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São
Paulo: Malheiros, 2013. p. 286-287.
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

12 COMPARATO, Fábio Konder. Obrigações de meios, de resultado e de garantia.


Doutrinasessenciais de responsabilidade civil, s.l., v. 5, p. 333-348, out. 2011. Tratando
das obrigações de resultado, de resultado, de meio e de garantia especificamente no que
tange ao construtor, Sergio Cavalieri Filho esclarece que “o construtor tem uma
obrigação de resultado, entendendo-se como tal aquela em que o devedor assume a
obrigação de conseguir um resultado certo e determinado, sem o que haverá
inadimplemento”. Programa de responsabilidade civil. 12. ed., rev. e ampl. São Paulo:
Atlas, 2015. p. 450.

13 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari,
Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São
Paulo: Malheiros, 2013, capítulo VIII – Responsabilidades decorrentes da construção,
item 1.5 – Responsabilidade contratual do construtor e 2 – Responsabilidades
decorrentes da construção.

14 “Pela infringência do contrato de construção responde o construtor, menos como


profissional do que como simples contratante inadimplente, uma vez que o fundamento
dessa responsabilidade civil não é a falta técnica, mas sim a falta contratual, isto é, a
inexecução culposa das obrigações assumidas. Da falta técnica, por imprudência ou
negligência na realização dos trabalhos podem advir outras responsabilidades, como
veremos adiante.” MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por
Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e
Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 292.

15 LOPES, Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil: parte especial: das várias
espécies de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio Junqueira de (coord.). São
Paulo: Saraiva, 2003. v. 7, p. 291-294.

16 Escreveu originalmente Hely Lopes Meirelles que “o prazo quinquenal dessa


responsabilidade é de garantia, e não e prescrição, como erroneamente têm entendido
alguns julgados. Desde que a falta de solidez ou de segurança da obra apresente-se
dentro de cinco anos de seu recebimento, a ação contra o construtor e demais
participantes do empreendimento subsiste pelo prazo prescricional comum de 20 anos, a
contar do dia em que surgiu o defeito”. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson
Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana
Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 308. CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de
responsabilidadecivil. 12. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2015. p. 455-456. DEL MAR,
Carlos Pinto. Direito na construção civil. São Paulo: PINI; Leud, 2015. p. 96. PORTO,
Mario Moacyr. Responsabilidade civil do construtor: o art. 1.245 do CC. Doutrinas
essenciais deresponsabilidade civil, s.l., v. 2, p. 843-852, out. 2011. WAINER, Ann
Helen. Responsabilidade civil do construtor: natureza jurídica do prazo quinquenal.
Doutrinas essenciais de responsabilidade civil, s.l., v. 2, p. 1.197-1.209, out. 2011.
LOPES, Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil: parte especial: das várias espécies
de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio Junqueira de (coord.). São Paulo:
Saraiva, 2003. v. 7, p. 297. ANDRIGHI, Nancy; BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera.
Comentários ao Novo CódigoCivil: das várias espécies de contratos, do empréstimo, da
prestação de serviço, da empreitada, do depósito – Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de
Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2008. v. IX, p. 316-317

17 “Prescreve em vinte anos a ação para obter, do construtor, indenização por defeitos
da obra.”

18 “O prazo de cinco anos é objeto de regra jurídica dispositiva, de jeito que podem os
figurantes aumentá-lo ou diminuí-lo.” Adiante, o autor reforça seu entendimento: “O art.
1.245 do Código Civil é efeito legal, posterior à entrega. Ainda se prende ao contrato de
empreitada. A regra jurídica, que aí se formula, é ius dispositivum, e consiste na
pós-eficácia da relação jurídica de empreitada”. PONTES DE MIRANDA, Francisco
Página 15
Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

Cavalcanti. Tratado de direito privado. Claudia Lima Marques e Bruno Miragem (atual.).
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, § 4.847. t. XLIV – Direito das obrigações, p.
535-536.

19 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari,
Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São
Paulo: Malheiros, 2013. p. 308. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito
Civil. 16. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2012. v. III – Contratos, p. 285.
DIAS, José de Aguiar. Da responsabilidade civil. 12. ed. rev., atual. e aum. por Rui
Belford Dias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2012. p. 391. CAVALIERI FILHO, Sergio.
Programa deresponsabilidade civil. 12. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2015. p. 455.
LOPES, Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil: parte especial: das várias espécies
de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio Junqueira de (coord.). São Paulo:
Saraiva, 2003. v. 7, p. 299. ANDRIGHI, Nancy; BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera.
Comentários ao Novo Código Civil: das várias espécies de contratos, do empréstimo, da
prestação de serviço, da empreitada, do depósito – Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de
Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2008. v. IX, p. 315. ALBUQUERQUE, Joana;
GABRA, Caio Lucas. Responsabilidade civil e as garantias pós-obra em contratos de
construção. In: MARCONDES, Fernando (org.). Temas de direito da construção. São
Paulo: PINI, 2015. p. 217.

20 Essa é a lição de Hely Lopes Meirelles, que, referindo-se ao art. 1.245 do Código Civil
de 1916, assim afirmou: “Diante da norma civil e das disposições reguladoras do
exercício da Engenharia e da Arquitetura, a responsabilidade pela solidez e segurança da
obra é extensiva a todo construtor, qualquer que seja a modalidade contratual da
construção. Em princípio, a responsabilidade pela perfeição da obra e pela sua solidez e
segurança é integral e única do construtor, mas pode ser transferida ao autor do projeto
ou partilhada com os que nele interferiram, conforme a culpa de cada um”. Direito de
construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz
Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 307. No
mesmo sentido, CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de responsabilidade civil. 12. ed.
rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2015. p. 452-453. DEL MAR, Carlos Pinto. Direito na
construção civil. São Paulo: PINI; Leud, 2015. p. 64. WAMBIER, Luis Rodrigues.
Responsabilidade civil do construtor. Doutrinas essenciais de responsabilidade civil, s.l.,
v. 2, p. 865-868, item 3, out. 2011. ALBUQUERQUE, Joana; GABRA, Caio Lucas.
Responsabilidade civil e as garantias pós-obra em contratos de construção. In:
MARCONDES, Fernando (org.). Temas de direito da construção. São Paulo: PINI, 2015.
p. 218. Em sentido contrário, afirmando que apenas ao empreiteiro misto se aplicava o
art. 1.245 do Código Civil de 1916, PEREIRA, Caio Mário da Silva. Responsabilidade civil.
9. ed. rev. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 204-206. Referindo-se ao art. 618 do
Código Civil de 2002, LOPES, Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil: parte
especial: das várias espécies de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio
Junqueira de (coord.). São Paulo: Saraiva, 2003. v. 7, p. 294. ANDRIGHI, Nancy;
BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera. Comentários ao Novo Código Civil: das várias espécies
de contratos, do empréstimo, da prestação de serviço, da empreitada, do depósito –
Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 200.,
v. IX, p. 323.

21 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari,
Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São
Paulo: Malheiros, 2013. p. 307. DEL MAR, Carlos Pinto. Direito na construção civil. São
Paulo: PINI; Leud, 2015. p. 70.

22 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari,
Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São
Paulo: Malheiros, 2013. p. 308.

23 Direito de construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno,
Página 16
Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p.
307.

24 Quanto às construções provisórias, Hely Lopes Meirelles afirma que, “por sua própria
natureza, dispensam tal garantia”. Ibid., p. 307. Teresa Ancona Lopes explica que
“somente obras importantes, ou ‘construções consideráveis’, como diz o art. 618, tais
como edifícios, pontes, túneis, casas, estradas e barragens, por exemplo, contariam com
a proteção prevista no artigo em exame. Se o empreiteiro constrói simples muro em
uma casa, ou assenta azulejos na cozinha, essas obras não serão consideradas de vulto
e não estarão sujeitas ao prazo de cinco anos do art. 618”. Comentários ao Código Civil:
parte especial: das várias espécies de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio
Junqueira de (coord.). São Paulo: Saraiva, 2003. v. 7, p. 296.

25 “A doutrina e a jurisprudência têm alargado o conceito de solidez e segurança, para


considerar uma e outra ameaçadas com o aparecimento de defeitos que, por sua
natureza, numa interpretação estrita do art. 618, não teriam tal alcance. (...) O Superior
Tribunal de Justiça já decidiu que a expressão ‘solidez e segurança’ utilizada no artigo
1.245 do Código Civil de 1916 não deve ser interpretada restritivamente; os defeitos que
impedem a boa habitabilidade do prédio, tais como infiltrações de água e vazamentos,
também estão por ela abrangidos. (...) A amplitude é maior: a solidez liga-se ao que se
construiu, isto é, ao objeto, e a segurança concerne ao sujeito”. DEL MAR, Carlos Pinto.
Direito naconstrução civil. São Paulo: PINI; Leud, 2015. p. 93-94. Também tratando da
interpretação extensiva que se faz da expressão solidez e segurança, cf. CAVALIERI
FILHO, Sergio. Programa de responsabilidade civil. 12. ed., rev. e ampl. São Paulo:
Atlas, 2015. p. 457-458. ANDRIGHI, Nancy; BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera.
Comentários ao Novo Código Civil: das várias espécies de contratos, do empréstimo, da
prestação de serviço, da empreitada, do depósito – Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de
Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2008. v. IX, p. 314. GONÇALVES, Carlos
Roberto. Responsabilidade civil. 8. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 414. Em sentido
contrário, Teresa Ancona Lopes afirma que se trata “daquele vício que poderá causar a
ruína (destruição total ou parcial) do prédio, criando uma ameaça de destruição da obra
ainda que não imediata, mas iminente”. Comentários ao Código Civil: parte especial: das
várias espécies de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio Junqueira de
(coord.). São Paulo: Saraiva, 2003. v. 7, p. 295. Caio Mário da Silva Pereira
expressamente criticou referido alargamento interpretativo, dado que o art. 1.245 do
Código Civil de 1916 “tem caráter hermético, e de estreitíssima interpretação”.
Responsabilidade civil. 9. ed. rev. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 207-208.

26 Observe-se que há autores, como Carlos Pinto Del Mar, que se referem à decadência
da pretensão reparatória, o que é tecnicamente incorreto. Para o autor, o prazo
decadencial de 180 dias é uma regra de distribuição do ônus da prova: para os vícios
surgidos no prazo de garantia de cinco anos, a poderá responsabilizar o construtor
independentemente de prova de culpa se exercer sua pretensão reparatória no prazo
“decadencial” de 180 dias, necessitando prová-la se exercer a pretensão posteriormente.
Cf. DEL MAR, Carlos Pinto. Direito na construção civil. São Paulo: PINI; Leud, 2015. p.
100-102.

27 Na redação atualizada do livro Direito de Construir, de Hely Lopes Meirelles,


argumenta-se que “aceitar, portanto, que o dono da obra (ou primeiro comprador) só
tenha cento e oitenta dias para propor a ação de reparação civil pelos danos causados
pelas falhas construtivas é, na prática, anular a garantia outorgada pelo caput do
referido art. 618”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir. 11. ed. atual. por
Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da Costa Wagner Jr. e
Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p.310-311. A inconsistência dessa corrente
também é exposta em DEL MAR, Carlos Pinto. Direito na construção civil. São Paulo:
PINI; Leud, 2015. p. 98-100.

28 “Prescreve em vinte anos a ação para obter, do construtor, indenização por defeitos
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

da obra.”

29 “Art. 618. O prazo referido no art. 618, parágrafo único, do CC refere-se unicamente
à garantia prevista no caput, sem prejuízo de poder o dono da obra, com base no mau
cumprimento do contrato de empreitada, demandar perdas e danos.” CONSELHO DE
JUSTIÇA FEDERAL. III Jornada de direito civil. Ministro Ruy Rosado de Aguiar Júnior
(coord. Científico). Brasília: Centro de Estudos Judiciários, 2005, p. 10. Disponível em:
[http://www.cjf.jus.br/cjf/corregedoria-da-justica-federal/centro-de-estudos-judiciarios-1/publicacoes-1
Acesso em: 01.05.2016.

30 Assim consta na versão atualizada da obra: “A leitura fria do parágrafo único do art.
618 dá a entender que se um defeito aparecer no segundo dia após a entrega da obra, o
seu dono tem o prazo de 180 dias para propor a ação de indenização, sob pena de decair
do direito de reclamar desse defeito, apesar de ainda não esgotados os 5 anos de
garantia, o que se apresenta como involução no sistema de responsabilidade do
empreiteiro pela obra por ele realizada. (...) a melhor interpretação é a de que o
parágrafo único do art. 618 do Código não tem o condão de afastar a garantia de prazo
irredutível de 5 (cinco) anos prevista no caput. O prazo de 180 (cento e oitenta) dias é
aplicável apenas após o fim do prazo de 5 (cinco) anos”. PEREIRA, Caio Mário da Silva.
Instituições de Direito Civil. v. III – Contratos. 16. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 2012. v. III – Contratos, p. 286.

31 Considerando a redação atualizada da obra, consta que “só se pode entender que o
citado prazo de seis meses contemple o direito do dono da obra de redibir o contrato de
construção e receber o que foi pago, com os acréscimos legais. Trata-se de um caso
especial de vício redibitório, constituindo exceção ao previsto nos arts. 441 e ss. do
Código Civil, que regulam os vícios ocultos”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir
. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da
Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 311. O mesmo
entendimento é expresso por ANDRIGHI, Nancy; BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera.
Comentários ao Novo Código Civil: das várias espécies de contratos, do empréstimo, da
prestação de serviço, da empreitada, do depósito – Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de
Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 200. v. IX, p. 319. ALBUQUERQUE, Joana;
GABRA, Caio Lucas. Responsabilidade civil e as garantias pós-obra em contratos de
construção. In: MARCONDES, Fernando (org.). Temas de direito da construção. São
Paulo: PINI, 2015. p. 219.

32 Ressalva-se, na versão atualizada da obra, porém, que “parece-nos incongruente que


o Código admita que para os vícios redibitórios comuns o prazo da ação redibitória seja
de um ano (art. 445), e para o defeito que ameace a solidez e segurança da obra seja
apenas de seis meses (art. 618, parágrafo único)”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de
construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz
Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 311. A
incongruência apontada, todavia, não se sustenta quando se leva em consideração que,
justamente por serem mais graves os vícios e, colocando a sociedade em risco, é de
interesse público que o dono da obra aja com maior rapidez do que precisaria agir para
vícios redibitórios ordinários.

33 “Se o defeito aparecer no prazo de garantia de cinco anos previsto no art. 618 do
Código Civil, a responsabilidade do construtor será objetiva, bastando a prova da relação
de causa e efeito entre o vício e o dano resultante. Se, contudo, o defeito surgir após o
prazo de cinco anos, mas durante o tempo de razoável expectativa de durabilidade da
obra, é indispensável a prova da culpa do construtor, com a demonstração de que o
dano é consequência de falha construtiva causada por dolo ou por imperícia,
imprudência ou negligência do construtor”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de construir.
11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz Guilherme da
Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 299.

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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

34 “Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais
juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e
honorários de advogado.”

35 “Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se
não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por
perdas e danos.”

36 Referindo-se ao Código Civil de 1916, Pontes de Miranda corretamente observou que


“o empreitante tem pretensão à eliminação dos defeitos da obra. Se o empreiteiro
incorre em mora quanto ao seu dever de eliminar o defeito, pode o empreitante, se a
supressão é possível, suprimi-lo ou obter de outrem que o suprima, exigindo do
empreiteiro que lhe indenize os gastos e os danos. (...) Se o defeito não é eliminável, a
solução é a propositura da ação redibitória ou a da ação quanti minoris. (...) A pretensão
à correção dos defeitos ou à feitura de obra nova é pretensão ao adimplemento:
enquanto não se adimple não corre o prazo para a redibição ou a minoração do preço. A
defeituosa feitura da obra, inclusive pela má escolha dos materiais, ou pelos defeitos
dêsses, pode ser causa de outros danos que o do inadimplemento ruim, como se a
escada se quebra e alguém cai, com ferimentos, ou se, com a queda, arrebenta objetos
de valor. O empreiteiro está sujeito a pagar a indenização, pela infração positiva do
contrato, mesmo se já foi exercida a pretensão à redibição. Tal pretensão, nas espécies
do art. 1.245 do Código Civil (edifícios e outras construções consideráveis) não tem o
prazo preclusivo que se fixou para a ação redibitória ou para a quanti minoris”. Tratado
de direito privado. Claudia Lima Marques e Bruno Miragem (atual.). São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2013, § 4.847. t. XLIV – Direito das obrigações, p. 532-533.

37 “Como ocorre em qualquer relação contratual em que o devedor assume obrigação de


resultado, a responsabilidade do empreiteiro, ao menos no sistema do CC/2002,
fundamenta-se na teoria da culpa presumida, isto é, salvo prova em contrário,
presume-se a sua culpa a partir da simples evidência do inadimplemento contratual.”
ANDRIGHI, Nancy; BENETI, Sidnei; ANDRIGHI, Vera. Comentários ao Novo Código Civil:
das várias espécies de contratos, do empréstimo, da prestação de serviço, da
empreitada, do depósito – Arts. 579 a 632. TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo (coord.). Rio
de Janeiro: Forense, 2008. v. IX, p. 322.

38 “O empreiteiro é, na realidade, devedor de um corpo certo, e a ele incumbe a prova


da exoneração. A sua responsabilidade emerge automaticamente da não satisfação da
prestação a que se obriga, salvo as escusas legalmente aceitas.” DIAS, José de Aguiar.
Da responsabilidade civil. 12. ed. rev., atual. e aument. por Rui Belford Dias. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2012. p. 388.

39 “Art. 206. Prescreve: (...) § 3º Em três anos: (...) V – a pretensão de reparação


civil.”

41 “Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo
menor.”

43 “No regime do Código anterior, à falta de regra própria, a pretensão à indenização do


dano ex delicto sujeitava-se à prescrição vintenária das ações pessoais. O Código atual,
na preocupação de encurtar as prescrições, incluiu a das reparações do ato ilícito no rol
das que se dão em três anos.” THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao Novo
Código Civil: dos defeitos do negócio jurídico ao final do livro III – Arts. 185 a 232.
TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2003. v. III, t. II, p.
327-328.

44 No TJSP, cf. também: “Apelações e Recurso Adesivo. Ação de indenização por danos
materiais e morais. Vícios de construção em imóvel. Sentença de procedência quanto ao
engenheiro e de improcedência quanto à seguradora. Inconformismo dos autores e do
Página 19
Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

engenheiro. Preliminares de decadência/prescrição e cerceamento de defesa afastadas.


Prazo decadencial do art. 618 do Código Civil é de garantia. Prazo prescricional para
obter indenização do construtor por defeitos da obra previsto na Súmula 194 do STJ foi
reduzido para 10 (dez) anos (art. 205, CC/2002). Início da contagem do prazo recursal a
partir da ciência dos defeitos. Inocorrência de decadência ou prescrição. Natureza
endógena (interna) dos fatores causadores dos danos no imóvel, conforme laudo
pericial, não cobertos pela apólice. Improcedência da ação quanto à seguradora mantida.
Danos materiais e morais configurados. Valores mantidos. Sentença mantida por seus
próprios fundamentos. Apelação e Recurso Adesivo dos autores não providos. Apelação
do corréu não provida”. TJSP, Ap. 0005592-37.2009.8.26.0575, 8ª Câmara de Direito
Privado, Rel. Des. Pedro de Alcântara da Silva Leme Filho, j. 01.07.2015. No STJ,
citem-se os seguintes acórdãos: “Agravo regimental no agravo em recurso especial.
Ação ordinária de indenização. Defeitos construtivos. Decadência afastada. Garantia da
edificação de cinco anos. Art. 618 do código civil de 2002. Prazo prescricional de 10 anos
para reclamação em juízo. Danos pela má execução do serviço abrangido pela garantia
legal. Acórdão recorrido em consonância com o entendimento desta corte superior.
Súmula 83/STJ. Ausência de prequestionamento quanto ao art. 474 do CPC. Incidência,
por analogia, das súmulas 282 e 356/STF. Agravo regimental desprovido”. STJ, AgRg no
AREsp 176.664/SC, Terceira Turma, rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 18.02.2014.
“Agravo regimental. Recurso especial. Vícios de construção. Prazo. Garantia. Prescrição.
Prazo. Dez anos. Cláusula de reserva de plenário. 1. ‘O prazo de cinco (5) anos do art.
1245 do Código Civil, relativo à responsabilidade do construtor pela solidez e segurança
da obra efetuada, é de garantia e não de prescrição ou decadência. Apresentados
aqueles defeitos no referido período, o construtor poderá ser acionado no prazo
prescricional de vinte (20) anos’ (REsp 215832/PR, Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo
Teixeira, Quarta Turma, julgado em 06.03.2003, DJ 07.04.2003, p. 289). 2. Prescreve
em vinte anos a ação para obter, do construtor, indenização por defeito da obra, na
vigência do Código Civil de 1916, e em 10 anos, na vigência do Código atual, respeitada
a regra de transição prevista no art. 2.028 do Código Civil de 2002. 3. Não se aplica o
prazo de decadência previsto no parágrafo único do art. 618 do Código Civil de 2012,
dispositivo sem correspondente no código revogado, aos defeitos verificados anos antes
da entrada em vigor do novo diploma legal. 4. Agravo regimental a que se nega
provimento”. STJ, AgRg no REsp 1.344.043/DF, Terceira Turma, rel. Min. Maria Isabel
Gallotti, j. 17.12.2013.

45 TJSP, Apelação 1016799-10.2014.8.26.0100, 10ª Câmara de Direito Privado, eel.


Des. Cesar Ciampolini, j. 15.12.2015, p. 6, g. n. Cabe apontar que, em referido acórdão,
consideraram os Desembargadores, após citar Carlos Pinto Del Mar, que o prazo de 180
dias seria uma regra de distribuição de ônus da prova, conforme será explicado adiante.

46 TJSP, Apelação 9000018-22.2011.8.26.0602, 1ª Câmara de Direito Privado, rel. Des.


Claudio Godoy, j. 27.01.2015, ementa e p. 4, g. n.

47 TJSP, Apelação 0022729-84.2007.8.26.0451, 2ª Câmara de Direito Privado, rel. Des.


Rosangela Telles, j. 26.05.2015, ementa e p. 7, g. n.

48 TJSP, Apelação 0007991-77.2012.8.26.0011, 3ª Câmara de Direito Privado, rel. Des.


Carlos Alberto de Salles, j. 10.03.2015, g. n.

49 TJSP, Apelação 1016799-10.2014.8.26.0100, 10ª Câmara de Direito Privado, rel.


Des. Cesar Ciampolini, j. 15.12.2015, p. 7, g.n.

50 STJ, REsp 1.290.383/SE, Terceira Turma, rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j.
11.02.2014, g. n.

51 “Article 1792. Si l’édifice construit à prix fait, périt en tout ou en partie par le vice de
la construction, même par le vice du sol, les architecte et entrepreneur en sont
responsables pedant dix ans.” Disponível em:
Página 20
Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

[http://www.assemblee-nationale.fr/evenements/code-civil/cc1804-l3t08c3.pdf]. Acesso
em : 03.04.2016.

52 “Article. 2270. Après dix ans, l’architecte et les entrepreneurs sont déchargés de la
garantie des gros ouvrages qu’ils ont faits ou dirigés.” Disponível em:
[http://www.assemblee-nationale.fr/evenements/code-civil/cc1804-l3t19.pdf]. Acesso
em : 03.04.2016.

53 “Article 1972. Tout constructeur d’un ouvrage est responsable de plein droit, envers
le maître ou l'acquéreur de l’ouvrage, des dommages, même résultant d’un vice du sol,
qui compromettent la solidité de l’ouvrage ou qui, l’affectant dans l'un de ses éléments
constitutifs ou l’un de ses éléments d’équipement, le rendent impropre à sa destination.
Une telle responsabilité n’a point lieu si le constructeur prouve que les dommages
proviennent d’une cause étrangère.
“Article 1972-2. La présomption de responsabilité établie par l’article 1792 s’étend
également aux dommages qui affectent la solidité des éléments d’équipement d’un
ouvrage, mais seulement lorsque ceux-ci font indissociablement corps avec les ouvrages
de viabilité, de fondation, d’ossature, de clos ou de couvert. Un élément d’équipement
est considéré comme formant indissociablement corps avec l’un des ouvrages de
viabilité, de fondation, d’ossature, de clos ou de couvert lorsque sa dépose, son
démontage ou son remplacement ne peut s’effectuer sans détérioration ou enlèvement
de matière de cet ouvrage.

“Article 1792-3. Les autres éléments d’équipement de l’ouvrage font l’objet d’une
garantie de bon fonctionnement d’une durée minimale de deux ans à compter de sa
réception.

Article 1792-4. Le fabricant d’un ouvrage, d’une partie d'ouvrage ou d’un élément
d’équipement conçu et produit pour satisfaire, en état de service, à des exigences
précises et déterminées à l’avance, est solidairement responsable des obligations mises
par les articles 1792, 1792-2 et 1792-3 à la charge du locateur d’ouvrage qui a mis en
oeuvre, sans modification et conformément aux règles édictées par le fabricant,
l’ouvrage, la partie d’ouvrage ou élément d’équipement considéré. Sont assimilés à des
fabricants pour l’application du présent article:

Celui qui a importé un ouvrage, une partie d’ouvrage ou un élément d’équipement


fabriqué à l’étranger;

Celui qui l’a présenté comme son oeuvre en faisant figurer sur lui son nom, sa marque
de fabrique ou tout autre signe distinctif.

“Article 1792-4-1. Toute personne physique ou morale dont la responsabilité peut être
engagée en vertu des articles 1792 à 1792-4 du présent code est déchargée des
responsabilités et garanties pesant sur elle, en application des articles 1792 à 1792-2,
après dix ans à compter de la réception des travaux ou, en application de l’article
1792-3, à l’expiration du délai visé à cet article.

Article 1792-4-2. Les actions en responsabilité dirigées contre un sous-traitant en raison


de dommages affectant un ouvrage ou des éléments d’équipement d’un ouvrage
mentionnés aux articles 1792 et 1792-2 se prescrivent par dix ans à compter de la
réception des travaux et, pour les dommages affectant ceux des éléments d’équipement
de l’ouvrage mentionnés à l’article 1792-3, par deux ans à compter de cette même
réception.

“Article 1792-4-3. En dehors des actions régies par les articles 1792-3, 1792-4-1 et
1792-4-2, les actions en responsabilité dirigées contre les constructeurs désignés aux
articles 1792 et 1792-1 et leurs sous-traitants se prescrivent par dix ans à compter de la
réception des travaux.” Disponível em:
[https://www.legifrance.gouv.fr/affichCode.do;jsessionid="DFA9F929AD2E41BF51BB722D4328DC86.tp
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

Acesso em: 03.04.2016, g. n.

54 PORTO, Mario Moacyr. Responsabilidade civil do construtor: o art. 1.245 do CC.


Doutrinasessenciais de responsabilidade civil, s.l., v. 2, p. 843-852, out. 2011. WAINER,
Ann Helen. Responsabilidade civil do construtor: natureza jurídica do prazo quinquenal.
Doutrinas essenciais de responsabilidade civil, s.l., v. 2, p. 1.197-1.209, out. 2011.

55 “Artigo 1225. Imóveis destinados a longa duração. 1. Sem prejuízo do disposto nos
artigos 1219 e seguintes, se a empreitada tiver por objecto a construção, modificação ou
reparação de edifícios ou outros imóveis destinados por sua natureza a longa duração e,
no decurso de cinco anos a contar da entrega, ou no decurso do prazo de garantia
convencionado, a obra, por vício do solo ou da construção, modificação ou reparação, ou
por erros na execução dos trabalhos, ruir total ou parcialmente, ou apresentar defeitos,
o empreiteiro é responsável pelo prejuízo causado ao dono da obra ou a terceiro
adquirente. 2. A denúncia, em qualquer dos casos, deve ser feita dentro do prazo de um
ano e a indemnização deve ser pedida no ano seguinte à denúncia. 3. Os prazos
previstos no número anterior são igualmente aplicáveis ao direito à eliminação dos
defeitos, previstos no artigo 1221. 4. O disposto nos números anteriores é aplicável ao
vendedor de imóvel que o tenha construído, modificado ou reparado.” Disponível em:
[http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid="775&tabela=leis&ficha=1&pagina=1&so_
Acesso em: 03.04.2016, g. n.

56 Art. 1669. Rovina e difetti di cose immobili. Quando si tratta di edifici o di altre cose
immobili destinate per loro natura a lunga durata, se, nel corso di dieci anni dal
compimento, l’opera, per vizio del suolo o per difetto della costruzione, rovina in tutto o
in parte, ovvero presenta evidente pericolo di rovina o gravi difetti, l’appaltatoreè
responsabile nei confronti del committente e dei suoi aventi causa, purché sia fatta la
denunzia entro un anno dallascoperta. Il diritto del committente si prescrive in un anno
dalla denunzia. Disponível em:
[http://www.normattiva.it/uri-res/N2Ls?urn:nir:stato:regio.decreto:1942-03-16;262].
Acesso em: 04.04.2016, g. n.

57 “Section 634. Rights of the customer in the case of defects. If the work is defective,
the customer, if the requirements of the following provisions are met and to the extent
not otherwise specified, may: 1. under section 635, demand cure, 2. under section 637,
remedy the defect himself and demand reimbursement for required expenses, 3. under
sections 636, 323 and 326(5), revoke the contract or under section 638, reduce
payment, and 4. under sections 636, 280, 281, 283 and 311a, demand damages, or
under section 284, demand reimbursement of futile expenditure.” Disponível em:
[http://www.gesetze-im-internet.de/englisch_bgb/englisch_bgb.html#p2680]. Original
em alemão: “§634 Rechte des Bestellers bei Mängeln. Ist das Werk mangelhaft, kann
der Besteller, wenn die Voraussetzungen der folgenden Vorschriften vorliegen und soweit
nicht ein anderes bestimmt ist, 1. nach §635 Nacherfüllung verlangen, 2. nach § 637
den Mangel selbst beseitigen und Ersatz der erforderlichen Aufwendungen verlangen, 3.
nach den §§ 636, 323 und 326 Abs. 5 von dem Vertrag zurücktreten oder nach § 638 die
Vergütung mindern und 4. nach den §§ 636, 280, 281, 283 und 311a Schadensersatz
oder nach § 284 Ersatz vergeblicher Aufwendungen verlangen.”

58 No mesmo sentido, afirma Karl Larenz que “la ley ha regulado detalladamente, pero
no en forma exhaustiva los derechos del comitente en el supuesto de que la obra
realizada por el contratista sea defectuosa. (...) Al pronto hay unanimidad en que el
comitente no está obligado a recibir una obra defectuosa (...). La ley concede
expresamente al comitente el derecho de exigir al empresario la eliminación del vicio, en
cuanto esto no exija un ‘gasto desproporcionado’. Si el empresario incurre en mora en la
supresión del vicio (...), el comitente puede suprimir el vicio por si exigir indemnización
de los gastos necesarios para ello. (...) Si ésta no es eliminada dentro del plazo
expresado, el comitente podrá exigir después redhibición o reducción del precio (a tenor
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

de las normas de la compraventa), en cuyo caso queda excluida la pretensión a la


eliminación del vicio. (...) Finalmente, cuando el vicio se funde en una circunstancia de la
que haya de responder el contratista, el comitente podrá exigir indemnización de daños
por incumplimiento en lugar de redhibición o reducción”. Derecho deobligaciones. Trad.
Jaime Santos Briz. Madrid: Revista de Derecho Privado, 1959. t. II, p. 308-309.

59 “Section 634a. Limitation of claims for defects. (1) The claims cited in section 634
nos. 1, 2 and 4 are statute-barred 1. subject to no. 2, in two years in the case of a work
whose result consists in the manufacture, maintenance or alteration of a thing or in the
rendering of planning or monitoring services for this purpose, 2. in five years in the case
of a building and in the case of a work whose result consists in the rendering of planning
or monitoring services for this purpose, and 3. apart from this, in the regular limitation
period. (2) In the cases of subsection (1) nos. 1 and 2, limitation begins on acceptance.
(3) Notwithstanding subsection (1) nos. 1 and 2, and subsection (2), claims are
statute-barred in the standard limitation period if the contractor fraudulently concealed
the defect. However, in the case of subsection (1) no. 2, claims are not statute-barred
before the end of the period specified there. (4) The right of revocation referred to in
section 634 is governed by section 218. Notwithstanding the ineffectiveness of
revocation under section 218 (1), the customer may refuse to pay the remuneration to
the extent that he would be entitled to do so by reason of the revocation. If he uses this
right, the contractor may revoke the contract. (5) Section 218 and subsection (4)
sentence 2 above apply with the necessary modifications to the right to reduce the price
specified in section 634.” Disponível em:
[http://www.gesetze-im-internet.de/englisch_bgb/englisch_bgb.html#p2680]. Original
em alemão: “§634a Verjährung der Mängelansprüche. (1) Die in §634 Nr. 1, 2 und 4
bezeichneten Ansprüche verjähren 1. vorbehaltlich der Nummer 2 in zwei Jahren bei
einem Werk, dessen Erfolg in der Herstellung, Wartung oder Veränderung einer Sache
oder in der Erbringung von Planungs- oder Überwachungsleistungen hierfür besteht, 2.
in fünf Jahren bei einem Bauwerk und einem Werk, dessen Erfolg in der Erbringung von
Planungs- oder Überwachungsleistungen hierfür besteht, und 3. im Übrigen in der
regelmäßigen Verjährungsfrist. (2) Die Verjährung beginnt in den Fällen des Absatzes 1
Nr. 1 und 2 mit der Abnahme. (3) Abweichend von Absatz 1 Nr. 1 und 2 und Absatz 2
verjähren die Ansprüche in der regelmäßigen Verjährungsfrist, wenn der Unternehmer
den Mangel arglistig verschwiegen hat. Im Fall des Absatzes 1 Nr. 2 tritt die Verjährung
jedoch nicht vor Ablauf der dort bestimmten Frist ein. (4) Für das in § 634 bezeichnete
Rücktrittsrecht gilt § 218. Der Besteller kann trotz einer Unwirksamkeit des Rücktritts
nach § 218 Abs. 1 die Zahlung der Vergütung insoweit verweigern, als er auf Grund des
Rücktritts dazu berechtigt sein würde. Macht er von diesem Recht Gebrauch, kann der
Unternehmer vom Vertrag zurücktreten. (5) Auf das in § 634 bezeichnete
Minderungsrecht finden § 218 und Absatz 4 Satz 2 entsprechende Anwendung”.

40 É o caso, por exemplo, dos atualizadores da obra de Hely Lopes Meirelles:


“Anteriormente nossos Tribunais concediam o prazo de vinte anos, por se tratar de ação
pessoal e inexistir, na lei anterior, prazo menor previsto para a reparação civil. Mas
agora existe, e é de três anos, como referido acima”. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito de
construir. 11. ed. atual. por Adilson Abreu Dallari, Daniela Libório Di Sarno, Luiz
Guilherme da Costa Wagner Jr. e Mariana Novis. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 311.
LOPES, Teresa Ancona. Comentários ao Código Civil: parte especial: das várias espécies
de contratos – Arts. 565 a 652. AZEVEDO, Antônio Junqueira de (coord.). São Paulo:
Saraiva, 2003. v. 7, p. 297. ALBUQUERQUE, Joana; GABRA, Caio Lucas.
Responsabilidade civil e as garantias pós-obra em contratos de construção. In:
MARCONDES, Fernando (org.). Temas de direito da construção. São Paulo: PINI, 2015.
p. 219.

42 Assim afirmam os atualizadores da obra de Pontes de Miranda: “O prazo do art. 618


do CC/2002 de cinco anos é considerado prazo de garantia legal, não podendo ser
diminuído, mas não é considerado prazo prescricional ou decadencial, daí que a
jurisprudência opta pelo prazo prescricional geral de 10 anos”. PONTES DE MIRANDA,
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Responsabilidade civil dos empreiteiros e construtores

Francisco Cavalcanti. Tratado de direito privado. Claudia Lima Marques e Bruno Miragem
(atual.). São Paulo: RT, 2013, § 4.847.B – Doutrina, t. XLIV – Direito das obrigações, p.
542.

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