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Curso de Enfermagem

Disciplina: Cuidado de enfermagem ao paciente cirúrgico 7 sem


Prof. MSc. Regina A. Pereira
Para dia: 13/04/2020

PARA FIXAÇÃO DE APRENDIZAGEM:

DRENOS – SONDAS E CATETERES E CUIDADOS COM A FERIDA


CIRÚRGICA

Cuidados de drenos:

Drenos torácicos tubulares, drenos abdominais (tubulares ou Penrose) são usados para
permitir a eliminação de secreções, sangue, soro, pus ou para diagnosticar eventual
deiscência de anastomose (intestinal, biliar, pancreática, etc.) ou infecção profunda.
Podem ser profiláticos (drenar coleções que possam se formar) ou terapêuticos,
para drenar coleções já formadas ou lojas infectadas.
Não se deve deixar drenos de rotina em cirurgias como colecistectomia,
colectomia, esplenectomia, histerectomia, anastomoses gástricas e intestinais, etc. onde
não seja esperada a drenagem de secreções, salvo em complicações incomuns.
Os drenos podem ser cobertos por curativos com gaze ou compressas ou
exteriorizados em bolsas adesivas à pele ou recipientes de diferentes formatos que
devem ser esvaziados sempre que estiverem com a metade de sua capacidade.
O cirurgião deve prescrever os cuidados indicados com o dreno, como nível de
pressão negativa indicada, necessidade de irrigação e trocas de curativo no ponto de
saída. A enfermagem deve estar atenta para estes cuidados.
É fundamental que seja anotado o volume e o aspecto da secreção drenada e
especificado que nível de drenagem deve ser considerado anormal e comunicado ao
cirurgião.
Drenos tubulares devem ser fixados com fio cirúrgico à pele e podem ser
conectados à bolsa coletoras ou a reservatórios plástico que mantém pressão negativa
(sanfonados ou com molas).
Os drenos profiláticos são colocados em locais estéreis e devem ser mantidos em
circuitos fechados e manipulados sob cuidados de assepsia.
Devem ser retirados quando a possibilidade de ocorrer alguma drenagem não for
mais significativa.
Os drenos terapêuticos devem ser removidos assim que drenagem cessar ou
quando o volume de 24 horas for menor que 20 a 40 ml.
Algumas vezes o dreno persiste drenando e é mantido por mais tempo para
orientar a formação de uma fístula.
O dreno pode ser removido de uma só vez ou tracionado em 3 a 5 cm por vez,
para permitir o fechamento progressivo do trajeto de dentro para fora, no entanto, a
necessidade dessa medida é controversa.

Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

SONDA GÁSTRICA PARA DESCOMPRESSÃO:


O cateterismo nasogástrico não deve ser feito com rotina no pós-operatório (PO), pois
aumenta o risco de pneumonias de aspiração e atelectasia.
Não deve ser usado como rotina em colecistectomia, cirurgias pélvicas,
colectomia, sendo desnecessário em cirurgias do intestino delgado.
Deve ser indicado apenas nos casos que exigem descompressão gástrica por
dilatação gástrica, gastroparesia, episódios de vômitos repetidos, íleo prolongado como
vômitos biliosos ou distensão significativa, ou obstrução intestinal, e nos pacientes com
nível de consciência muito deprimido, pelo risco de aspiração em caos de vômitos.
Para descompressão das sondas gástrica devem ser aspiradas com seringa até o
completo esvaziamento gástrico e depois mantidas abertas em um reservatório ou bolsa
plástica.
Devem ser aspiradas e irrigadas com água ou soro intermitente para garantir sua
perviedade.
O volume e o aspecto do líquido drenado devem ser medidos e anotados para a
reposição adequada de líquidos e eletrólitos e para diagnosticar anormalidades.
Quando necessário, a sonda gástrica para descompressão é mantida até que a
drenagem diminua ou paciente manifeste apetite.
Evitar manter a sonda por mais de quatro dias consecutivos pelo risco de
esofagite de refluxo.
Nos casos em que a necessidade da sonda persistir, manter períodos de cerca de
12 horas sem sonda para prevenir esofagite persistente.

SONDA DE JEJUNOSTOMIA E GASTROSTOMIA:


São derivações externas cirúrgicas do estômago (gastrostomia) ou do jejuno
(jejunostomia). A comunicação entre a luz gastrointestinal e a pele se faz por meio de
um cateter especial. Servem para descompressão, em caso de obstrução ou trauma, ou
para suporte nutricional gástrico ou intestinal prolongado.

Gastrostomia: é um procedimento frequente, pode ser temporária ou permanente e


pode ainda ser realizada por via aberta, endoscópica, laparoscópica ou guiada por
radioscopia.
Gastrostomia endoscópica percutânea: útil tanto em adultos como em crianças, como
via para nutrição gástrica quando a via oral não é possível ou o uso de sonda
nasogástrica (ou orogástrica em recém-nascidos) é mal tolerado ou contraindicado. O
procedimento é rápido, não requer hospitalização, pode ser feito fora do bloco cirúrgico
e é menos invasivo que a gastrostomia por laparotomia.
Contraindicação absolutas: Ascite, hipertensão porta (gastropatia hipertensiva),
coagulopatia, peritonite, sepse, suspeita de interposição de uma víscera entre o
estômago e a parede abdominal anterior, grande hepatomegalia esquerda, obesidade
excessiva, obstrução esofágica e aspiração secundária a refluxo gastroesofágico,
tumores gástricos e antrais, estenose pilórica ou obstrução duodenal, doença de
Ménétrier (gastropatia hiperplásica rara).
Contraindicação relativa: doenças neoplásicas do estômago e da parede abdominal,
paciente em diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) ou derivação ventrículo-
peritoneal, corticoterapia, radioterapia recente, colagenoses, obesidade, dermatoses
abdominais, operações abominais, altas prévias, provável indicação de cirurgia gástrica
futura.

Jejunostomia: é um procedimento temporário reservado para pacientes que não


toleram a alimentação pela gastrostomia, devido a refluxo gastroesofágico com risco
muito aumentado de aspiração da dieta ou obstrução do trânsito gastroduodeno-
intestinal. Consiste na colocação de um cateter adequado na luz de uma alça jejunal a
cerca de 20 a 30 cm distal ao ângulo de Treitz na borda antimesentérica, com fixação
cuidadosa do cateter com sutura em bolsa ou com tunelização de 7 a 10 cm, com técnica
de Witzel para cateter mais calibroso ou por punção subseromucosa para cateter fino.

Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

Contraindicação: doença inflamatória intestinal, após radioterapia (risco aumentado de fístula


cutânea), imunodepressão grave (risco de facite necrotizante), ascite volumosa, carcinomatose
intestinal e peritoneal, peritonite.

CUIDADOS COM A SONDA DE GASTROSTOMIA E JEJUNOSTOMIA:

As sondas devem ser deixadas abertas em coletor próprio no início do pós-


operatório e fechadas quando forem iniciadas a dieta gástrica ou jejunal.
A dieta deve ser infundida de forma lenta (de 1 a 2 horas cada infusão por
gavagem ou bomba de infusão) ou de forma contínua.
Limpar a pele em volta da sonda com jato de soro fisiológico e manter uma gaze
seca em volta da entrada do tubo, para proteger a pele.
No caso de extravasamento de secreção, proteger a pele em volta com protetores
de hidrocoloide recortado no formato adequado.
As sondas devem ser irrigadas com 30 a 50 ml de soro fisiológico 0,9%, após
cada administração de dieta, medicamento ou aspiração de secreções.
Vigiar a qualidade da fixação da sonda (pontos cirúrgicos) e a insuflação do
balonete da sonda gástrica.
Quando não forem mais necessárias, as sondas são retiradas e a abertura se fecha
espontaneamente em cerca de três dias (raramente se forma uma fístula que exige
tratamento cirúrgico).
A retirada ou troca das sondas de jejunostomia ou gastrostomia só pode ser feita
após duas semanas, que é o tempo mínimo necessário para ocorrer aderência segura
entre o estômago ou jejuno e o peritônio parietal.
Colostomia:
A colostomia pode ser realizada como procedimento único ou parte de cirurgias mais
complexas, como colectomias ou ressecções de tumores. Preferencialmente a
colostomia é feita no início do cólon transverso ou no início do sigmoide, pois esses
segmentos do intestino grosso são instáveis, têm meso mais longo e não são fixos no
retroperitônio, como os cólons ascendente e descendente.

Ileostomia: a ileostomia pode ser transitória, como um procedimento para


descompressão intestinal temporária, usada nos casos de obstrução com sofrimento de
alça, após ressecções intestinais (enterocolite, isquemia, trauma, entre outros). Em
adultos, a ileostomia permanente é usada quando for necessária uma proctocolectomia
total (remoção do cólon total e reto).
Quanto mais próximos são as ileostomia (ou jejunostomia), maior é a perda de líquidos,
eletrólitos, nutrientes não absorvidos e enzimas proteolíticas, que, se entrarem em
contato com a pele, provocam irritação e lesão progressivas.
Essas perdas provocam desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos se não for feita a
reposição adequada.

Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

CUIDADOS COM ILEOSTOMIA E COLOSTOMIA:

O uso de bolsas adequadas e com perfeita adaptação em volta da estomia em


cada uma das fases evolutivas (no início, o estoma é mais edemaciado, volumoso e
protruso), garante completa proteção da pele.
Esvaziar a bolsa toda a vez que seu conteúdo ultrapassar um terço de seu
volume.
Usar preferencialmente bolsas com duas peças e proteção adequada da pele,
conforme for necessário.
Nas ileostomia, o volume drenado inicialmente pode ser bem alto (1000 ml ou
mais ao dia).
O volume deve ser rigorosamente medido para ser reposto como uma oferta
maior de líquidos por via oral (água, chás, sopas, sucos, refrescos, ...), além de
reposição de eletrólitos e bicarbonato oral conforme necessário.
Paciente deve ser treinado nos cuidados com estomia, preferencialmente por
uma enfermeira especializada (estomaterapeuta).

CUIDADOS COM A FERIDA CIRÚRGICA NÃO COMPLICADA:

Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

A ferida cirúrgica deve ser examinada cuidadosamente pelo cirurgião pelo


menos uma vez ao dia, ao realizar o curativo da ferida operatória, a enfermeira deve
chamar o cirurgião para ver o aspecto da ferida e o processo evolutivo de cicatrização
na hora da troca, (hiperemia, edema, tumefação, sensibilidade, secreção, deiscência,
entre outros).
O curativo oclusivo estéril colocado após a cirurgia é necessário apenas nas
primeiras 24 horas e não deve ser uado após 48 horas se a ferida estiver seca.
Após esse período, é preferível manter a ferida cirúrgica descoberta para facilitar
o seu exame e o processo de cicatrização.
Pode ser realizada a cobertura da ferida com fita adesiva (micropore), para evitar
o incômodo do roçar dos pontos nas roupas.
Nas primeiras 24 horas, qualquer manipulação da ferida cirúrgica ou do curativo
deve ser com técnicas antissépticas, isso só é necessário se o curativo estiver molhado
ou com características hemáticas e/ou presença de secreção serosa.
Limpeza do curativo:
A limpeza deve ser feita com jato de soro fisiológico (seringa de 20 ml com
agulha 25x8 ou 40x12 o esguicho deve ser realizado conforme a característica da lesão).
A partir do 5 a 7 dia/PO, o paciente pode lavar a ferida com cuidado, com água e
sabão na hora do banho. O uso de antisséptico iodados ou clorexidina não ajudam a
evitar infecção e prejudicam a cicatrização.
Se a ferida se torna exsudativa, sangrante ou secretante, é necessário manter o
curativo com gazes ou compressa que deve ser trocado sempre que ficar saturado.
Ferida com presença de coleção subcutânea ou de cavidade requer procedimento
de drenagem.

CUIDADOS COM A FERIDA CIRÚRGICA INFECTADA:

Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

A ferida infectada ou com deiscência, que exigirá cicatrização por segunda intenção,
requer curativo diário (ou se necessário) em condições adequadas de antissepsia, com
técnica de limpeza da secreção retida, desbridamento de tecido desvitalizado e uso de
curativos especiais para manter a ferida limpa, úmida, e estimular a cicatrização.
A infecção pode ser apenas na linha de sutura, com celulite mínima, ou
apresentar celulite mais extensa, ou estender-se para os tecidos mais profundos,
avançando contra a musculatura e aponeurose. Esse tipo de lesão deve ficar sob os
cuidados do enfermeiro especializado ou junto a equipe de curativos, visando o cuidado
e o processo de cicatrização adequados.
Fonte: Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia, 2008.

RETIRADA DE PONTOS DA FERIDA CIRÚRGICA

A retirada de pontos é delegada à enfermagem, porém em algumas situações


cabe ao cirurgião este procedimento para revisar a evolução do processo de cicatrização.
A retirada de pontos depende do local da incisão, tipo de sutura e da tensão no
local da ferida. A retirada de pontos pode variar entre 7°; 10° e 15° dia/PO, esse
processo depende da orientação médica e das características da ferida cirúrgica.
Após a retirada dos pontos, o paciente deve ser orientado a evitar movimentos
bruscos ou situações que provoquem tração sobre a ferida.
Cicatrização difícil ou demorada ocorre por má perfusão local, infecção, edema,
desnutrição, corticoterapia crônica, doenças oncológicas, doenças do colágeno, corpos
estranhos, deficiências de vitaminas (C e A) ou de oligoelementos como cobre e
magnésio, entre outros.

Referências:
Petroianu A. Miranda ME. Oliveira RG. Blackbook Cirurgia. 1 ed. Belo
Horizonte: Blackbook .2008.

PROPOSTA PARA ESTUDO


1. Referente ao cuidado com a ferida cirúrgica no pós-operatório (PO)
imediato/mediato, sabe-se que o processo de cicatrização de feridas é composto de
estágios fisiológicos importantes, interdependentes e simultâneos, divididos em três
fases que correspondem a: fase inflamatória – entre, 1 e 3° dia de PO, fase reconstrutiva
– 5 ao 15° dia/PO e a fase de remodelação – de 15 a 30º dia/PO. Segundo o enunciado,
pontue e descreva as intenções que ocorrem no processo de cicatrização da ferida
operatória:

2. Cite o tipo de drenagem indicada para remoção de ar, exsudato, sangue ou


líquidos serosos (transudato) acumulados indevidamente entre as pleuras:
3. A drenagem de tórax é um procedimento inserido ao final de uma cirurgia
torácica, antes do fechamento hermético do mediastino com a finalidade de controlar
sangramentos, derrames cavitários torácicos secundários ao ato cirúrgico, para ser
eliminados, evitando-se complicações pós-operatórias como pneumotórax, hemotórax e
principalmente o tamponamento cardíaco. Sendo assim, descreva as ações que a
enfermagem deve inspecionar para o cuidado adequado e, portanto, garantir a
segurança do paciente:

4. Qual é tipo de dreno que forma uma pressão negativa no coletor do reservatório
acoplado ao dreno?

5. Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina Autarquia Federal criada


pela Lei n. 5.905/73. Parecer Coren/SC n. 028/2015/PT, dispõe sobre capacitação do
enfermeiro para passagem de PICC; autonomia para utilização de Ultrassom e
anestésicos; participação do técnico de enfermagem no procedimento. O PICC uma das
alternativas de cateteres venosos centrais, implantado em pacientes que necessitam de
antibioticoterapia (ATB) de longa duração, quimioterapia ou nutrição parenteral
prolongada (NPP). Pode ter lúmen único ou duplo, radiopaco, parta obtenção de certeza
de sua localização por meio de exames diagnósticos. Descreva as contraindicações;
complicações e os cuidados relacionados ao PICC:

6. Cite e conceitue as complicações relacionadas ao uso de cateter venoso central:

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