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1.

MULHER-ATENA

Esta é a mulher regida pela sabedoria da civilização. Busca a


realização profissional, sendo bem sucedida na educação, na cultura
intelectual, justiça social e política. É bem fácil identificá-la, pois a
mulher-Atena está no mundo, ela faz e acontece: editorando revistas,
dirigindo departamentos de Universidades, é personalidade política e
grande executiva. Ela está sempre em evidência,pois é prática e
extrovertida. Entretanto, a maioria dos homens têm medo dela, pois
acham que não estão a altura de seu intelectuo. Mas quando
conquistam seu respeito, a mulher-Atena é a mais leal das
companheiras, uma verdadeira amiga de todas as horas. Os gregos a
chamavam de "Companheira dos Heróis".

Suas preocupações são o mundo, tendem a ser sensíveis às relações


humanas e somente elas são capazes de ajudar a tornar os grupos
coesos.
O arquétipo desta deusa se manifesta com maior intensidade em
meninas pequenas. Seu forte ego as tornam briguentas e combativas.
Preferirá sempre brincar com meninos, aceitando suas brigas e
brincadeiras violentas. Assim como sua irmã Artemis ela se orgulha
dos seus modos de rapaz. Porém, sendo mais competitiva,
argumentará: "Tudo o que você consegue fazer, eu consigo fazer
melhor".

A independência da mulher-Atena em relação aos homens é também,


uma virtude que ela partilha com Artemis. Na realidade, ambas são
consideradas deusas virgens, o que no mundo grego significava que
não eram casadas. Elas são tão bem resolvidas, que não necessitam de
um homem como parceiro ou consorte. O motivo de Hera precisar de
um companheiro ou de Afrodite tolerar um amante imaturo tendem a
ser um mistério para Atena.

Entretanto, apesar de sua força, seu brilho e independência, a donzela


vestida de armadura, tem a vulnerabilidade de menina. Até mesmo as
mais bem-sucedidas e carismáticas mulheres-Atena revelarão um dia,
o quanto se sentem inseguras e ansiosas a despeito de tudo que
realizam externamente. Eis aqui o paradoxo que nos leva ao cerne da
chaga de Atena: quanto mais ela encobre a donzela vulnerável, mais
impetuosa se torna sua armadura protetora. Se ferida, irá afugentar
com selvageria todos aqueles que poderiam ajudá-la, pois jamais
desarma suas defesas, deixando exposta sua essência nua e
infinitamente sensível de sua feminilidade.

2. MULHER-ARTEMIS

É regida pela deusa das selvas. Ela é prática, atlética, aventureira.


Aprecia a cultura física, a solidão, a vida ao ar livre e os animais.
Dedica-se à proteção do meio ambiente, aos estilos de vida
alternativos e às comunidades de mulheres.

Artemis não se destaca muito no mundo moderno. A cidade não é


"sua praia". Quando ela é encontrada no meio urbano, ela é tímida,
reservada. Curtir festas e multidão não é algo que lhe interessa. A
energia vigorosa que captamos em Artemis entretanto, não é mental,
provém do seu corpo ágil a atlético, que adora envolver-se fisicamente
no projeto do momento.
A mulher-Artemis, mesmo depois de idosa, manterá o corpo ativo,
cheio de energia e muito bem conservado.

Igual a sua irmã Atena é apta a viver perfeitamente bem sem os


homens. Ambas representam o tipo de mulher que já nasce com fortes
qualidades "masculinas". Atena teria a "cabeça-dura" e Artemis o
corpo rijo e perfeito. A maioria dos homens não conseguem
acompanhar o estilo ativo e atlético de Artemis.

A energia arquétipa desta deusa aflora com maior força na


adolescência. Ela começa a se identificar com as atividades, atitudes e
maneiras de vestir dos meninos.

Dada a sua natureza de amante da liberdade, não ajuda a saber quem


ela é. Internamente ela se sente perplexa com a transformação de seu
corpo e tenderá a escondê-lo com camisas soltas. A vaidade exagerada
de suas irmãs Afrodite e Hera só lhe inspira desprezo.

A chaga de Artemis envolve a solidão que é relegada. Seu amor à


liberdade a tornam difícil de ser aceita como mãe, esposa ou
profissional, estilos que pertencem a Deméter, a Hera e Atena. Na
verdade ela tem repúdio por valores e formas adotadas pela sociedade
convencional.
A mulher-Artemis tende a escolher ser totalmente reclusa e muito
solitária.

3. MULHER-AFRODITE
Desde que surgiu das espumas das ondas do mar na célebre concha
de Vieira, artistas a pintaram e esculpiram, poetas reverenciaram sua
beleza e músicos a cantaram em melodias. A deusa Afrodite sempre
ocupou um lugar de destaque no Olimpo. Para mérito eterno dos
gregos, eles jamais se dispuseram a lançar fora suas divindades
femininas em favor de um único Deus Pai como fizeram os primeiros
judeus e cristãos. E assim, Afrodite pode permanecer, junto com
outras deusas, continuando a ser muito amada, embora ocupando
uma posição um tanto ambígua nas margens da sociedade urbana
grega.

Em nossa época, Afrodite dá toda a impressão de ter trocado o


Olimpo por Hollywood. Grandes beldades das telas e passarelas como
Maryln Monroe, Sharow Stones e nossa querida Gisele, parecem ter
encarnado a nossa amada deusa. Entretanto, não pára aí, pois seu
culto é universal! Diariamente, em seriados, em novelas da TV,
romances vendidos em banca de revistas e escândalos políticos,
revivem histórias imemoriais de paixão, ciúmes, inveja e traição.

Nunca uma deusa foi tão íntima e pública como Afrodite!


Ela é antes de tudo uma presença sensual, como um sol vibrante,
brilha e despedaça corações. É fácil identificá-la, adora roupas caras,
jóias, perfumes e adornos de todo o tipo. Hoje ela domina o mundo da
moda, cosméticos e o glamouroso universo do cinema e revistas.

Graças ao seu talento em manobrar sentimentos e os projetos criativos


do homem, a mulher-Afrodite consegue manifestar o que Jung
chamou de "anima"do homem. Quando apaixonada ela aumentará
tremendamente a confiança de seu amado, pois acima de tudo,
Afrodite quer que seus relacionamentos amorosos tenham coração.

A mulher-Afrodite não dá a mínima para as exigências sociais de um


"bom casamento", que é o desejo de Hera. Considera o amor
maternal de Deméter muito unilateral e o "casamento de mentes
verdadeiras" de Atena excessivamente mental. Mas a lição mais dura
para a mulher-Afrodite é a que no mundo de hoje, ela será sempre "a
outra" para a maioria dos homens.
Isto faz parte do antigo triângulo arquétipo característico do universo,
da qual poderá estar envolvida diversas vezes ao longo da vida.

A liberdade sexual de Afrodite não pode ser tolerada por nenhuma


esposa, pois ameaça a própria estrutura da sociedade patriarcal. A
instituição do concubinato ou da prostituição é na realidade um
resquício mutilado das grandes sociedades matrilineares da
antiguidade que adoravam a Grande-Mãe. Para a maioria das pessoas,
é mais seguro deixar que Afrodite viva exclusivamente na imaginação
dos livros, filmes, TV e mexericos.

Grande parte das chagas da mulher-Afrodite decorrem do fato de ela


estar alienada das outras deusas. Ela seria beneficiada com a
capacidade de raciocínio de Atena. Também, se conseguisse superar
sua aversão a Hera, poderia pedir a ela que a ajudasse a obter respeito
social e um lugar mais confortável no mundo moderno.

Gostaria de concluir este texto dizendo que Afrodite está recuperando


a dignidade e poder de outrora. Mas, infelizmente isso não acontece.
Viver plenamente como mulher-Afrodite é tarefa difícil e dolorosa, sob
muitos aspectos. É bem mais confortante viver confiante e protegida
em Atena, ser esposa de empresário como Hera, reclusa como Artemis
ou tornar-se mãe de todas as criaturas como Deméter.

4. MULHER-HERA
A mulher-hera exala confiança em si mesma, tem perfeito domínio
sobre si própria e dos outros. A consciência de Hera é sempre
percebida nas mulheres mais velhas. Ela é aquela que nasceu para
mandar, podendo se tornar impiedosa como dirigente de uma
organização ou até mesmo de uma nação. Como esposa de Zeus, a
antiga deusa grega era co-governante do Olimpo, onde oficialmente
partilhava o poder com o chefe dos deuses.
Em nosso mundo, ela costuma personificar a esposa de "um grande
homem". Hera é um oponente formidável, seja na família ou na esfera
política. Uma vontade de ferro e idéias fixas caracterizam a mulher-
Hera madura. Uma versão desta mulher foi percebida em Thatcher, a
mulher implacável, onde os membros do governo britânico
mostravam-se profundamente chocados com os modos arrogantes e
ditatoriais da primeira-ministra.

Com ou sem poder, a Hera Moderna é matriarcal, a abelha-rainha de


sua família. Defende valores conservadores, como também tenderá a
assumir o papel de juíza dos novos gostos e costumes. Ela adora todos
os encontros familiares, onde se vê adorada e rodeada de filhos e
netos. O amor deles geralmente é secundário, muito mais importante
é que eles a respeitem e reverenciem.

Independentemente das suas origens sociais, a mulher-Hera quase


sempre aspirará à proeminência em qualquer grupo que pertencer.
A jovem Hera é muito parecida com a jovem Atena. Ambas são
brilhantes e cheias de energias e exalam auto-confiança. Mas as
ambições de uma e outra são diferentes. A jovem Atena estará
ocupada com as opções de pós-graduações e treinamento profissional.
A jovem Hera, mantêm os olhos bem abertos na busca daqueles
homens, que ao seu ver têm maior chance de sucesso na vida e
descobrirá alguma maneira de sair com eles. Em resumo, a jovem
Hera busca um marido e a jovem Atena busca uma carreira.

A mulher-Hera dá todas as indicações de aceitar a maternidade com


calma e sem hesitação, mas de maneira alguma será a mãe branda,
tolerante e permissiva como Deméter. Sempre preocupada com o
"status" e a respeitabilidade social, a mãe Hera é disciplinadora e
exigirá que seus filhos sejam tão bem sucedidos quanto o pai.

Quando se diz "atrás de um grande homem, existe uma grande


mulher..", é a mais pura verdade e, esta mulher é uma mulher-Hera.
Considerada a "sombra" do marido, enquanto não consuma seus
desejos e fantasias, ela poderá intimidá-lo e até mesmo tiranizá-lo. E,
se finalmente conseguir o que quer, quase sempre permanecerá
sedenta de mais poder.

A dinâmica de Hera consiste em ela querer estar onde as coisas


acontecem e a origem da maioria de seus protestos está em excluí-la
de qualquer ação. Bem no fundo, ela que viver e agir como um
homem num mundo de homens.

5. MULHER-PERSÉFONE

É provável que a mulher-Perséfone não impressione no primeiro


encontro, mas ela também não tem a pretensão de se afirmar
intensamente. Não possui a solidez de propósito de Artemis, nem
conta com o terreno firme onde pisa a Hera. Mas há uma
peculiaridade na mulher-Perséfone, uma qualidade que lhe é inata, a
sua vulnerabilidade espiritual. Em sua fragilidade, percebe-se o anseio
por afeição e intimidade profunda. Esta mulher é envolta por uma
aura de mistérios. O seu mundo é paranormal, mas ela se sente atraída
pelos ensinamentos da metafísica mais do que pelas ciências naturais
convencionais. Tão poderosa é a autoridade do
materialismo científico de nossas universidades e considerada
excêntrica ou alienígena para muitos.

Para os gregos, Perséfone era a Rainha distante do Mundo Avernal,


que vigiava a alma dos mortos. Ma ela era conhecida também como a
virgem donzela Coré, que foi seqüestrada de sua mãe, Deméter. Sua
descida ao mundo avernal ao ser raptada por Hades é uma das
histórias mais conhecidas de toda a mitologia grega. Mas o que é
avernal? Na linguagem da psicologia moderna, seria chamado de
inconsciente. De modo que Perséfone é aquela que foi sorvida não
apenas pelo inconsciente, pelo desconhecido, por tudo o que é
reprimido e sombrio (Freud), mais ainda mais profundamente pelo
inconsciente coletivo, o mundo das potestades e poderes arquetípicos
(Jung).

Uma mulher pode vivenciar isto de diversas maneiras: uma tragédia


na infância, a perda de uma pessoa da família ou de um grande amor.
Compreender o significado da descida de Perséfone é particularmente
urgente nos dias de hoje. Muitas mulheres e homens, estão
descobrindo seus talentos mediúnicos e sua aplicação na leitura dos
tarôs, nas curas espirituais, meditações, etc.

Mas passar a maior parte da vida "entre espíritos" pode exercer uma
enorme pressão psíquica, especialmente quando suas habilidades
sejam erroneamente interpretadas ou temidas. Mais do que qualquer
outra deusa, a mulher-Perséfone pode sofrer uma profunda alienação,
que pode levá-la a um colapso. É importante que busque as suas
deusas irmãs para ajudar a equilibrá-la. De Deméter, talvez precise do
senso do corpo e da terra para trazê-la a colocar os pés no chão. De
Atena, uma certa objetividade
acerca de seu potencial e assim por diante.

Nós bruxas estamos classificadas na mulher-Perséfone. Quando a


Igreja perseguiu nossas irmãs bruxas, ela também suprimiu a antiga
sabedoria da Deusa. O que se perdeu foi o segredo da Perséfone
madura, a sabedoria daquela que conhece os mecanismos da vida e da
morte, as energias que determinam as estações, a sexualidade e o
nascimento, daquela que compreende o hiato entre os dois mundos.

A Perséfone madura ressurgi de algum modo do mundo espiritual,


ainda que permaneça em contato com ele. Ela torna-se feiticeira, uma
mulher sábia, alegre e bem humorada, que acha engraçada e divertida
toda a loucura humana. E, mesmo quando anciã, ainda preserva toda
sua juventude e, como uma jovem iniciada, traz consigo a jubilosa
sabedoria dos anos.

6. MULHER-DEMÉTER

Não é difícil achar Deméter, pois ela sempre estará rodeada de


crianças. É aquela faz e distribui o pão, que passa a noite acordada
cuidando do filho doente, que cozinha, que lava e passa e que ainda
tem reservas inesgotáveis de energia. Deméter é mais que uma mãe
biológica, pois não é ter filhos que a faz mãe, é sua atitude, sua
maneira instintiva de cuidar de tudo que é pueril, pequeno, carente e
sem defesa. Deméter é pura dedicação e doação, sentimentos que
conhecemos como "carinho de mãe".

É importante dizer que há algo de singular no carinho materno de


Deméter. Isso não quer dizer que as outras deusas não possam ser
mães, mas para Deméter ser mãe é tudo. Afrodite é uma mãe sensual
que adora vestir os filhos e "curtir" um cinema. As Artemis tem uma
meiguice selvagem e tratam seus filhos como filhotes de fera. Atena
mal pode esperar que eles falem para conversar e estimular sua
educação. Perséfone também é profundamente envolvida com os
filhos, mas de maneira mais psíquica e
intuitiva. A mãe Hera é tão cheia de regras, censuras e expectativas
que resta pouca ternura para criar seus filhos. Somente Deméter se
identifica plenamente com a maternidade, quase à exclusão dos
outros interesses.

Ela é tão envolvida com o fato de ser mãe que não arranja tempo para
comprar um vestido novo, ir ao cabeleireiro e outras atividades que
toda a mulher gosta de fazer para si mesma. Deméter se sente
totalmente realizada fazendo o que faz, sendo mãe.

O instinto para acalentar que existe em Deméter pode ser facilmente


identificado em meninas brincando com bonecas. Uma vez jovem,
Deméter é tão identificada com a mãe, que haverá uma relação quase
simbiótica entre ambas.

Mas por mais belo que pareça este quadro de Deméter se realizando
como mãe, ele está muito longe de ser uma realidade para a maioria
das mães modernas. As pressões físicas e econômicas da mera
subsistência tendem a exigir que as mulheres grávidas trabalhem até o
dia do parto. Ficam licenciadas por um determinado tempo e são
obrigadas a retornarem ao trabalho, sem a menor possibilidade de dar
a devida atenção aos seus bebês.
Individualmente, as mulheres que representam o modo de ser de
Deméter não têm como expressar e como competir com as mulheres-
Atenas bem instruídas que detêm influência política. Ela não é
intelectual, via de regra, e não gosta de se expressar em público. Os
planos que são concebidos para devolver as mães à força de trabalho e
torná-las independentes dos homens são concepções de Atena e
deixam a mulher-Deméter perplexa.