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EB 2,3 de RUY BELO

ANO LETIVO 2018/2019


Concurso de Ortografia
Data: / /2019
PLNM 5.º ano Nível B1
Ficha do professor

Rosinha do Eido

Quando era menina, com doze anos feitos e cinco irmãos mais novos, a Rosinha do Eido deixou Vilarelho e foi para
Lisboa servir na casa da Dona Henriqueta. Os anos passaram, a dona Henriqueta morreu e a Rosinha do Eido
continuou a trabalhar na mesma casa, agora governada pela fi lha, a menina Isabelinha, que casara com um senhor
engenheiro. Rosinha ajudou-lhe a criar os três meninos, que bem depressa ficaram homens.

Rosinha raramente fazia uma visita à aldeia natal, e os anos foram correndo muito depressa. Um dia, ela reparou
que já não tinha forças para mudar de sítio um sofá, os seus cabelos estavam ralos e brancos, e as mãos tremiam um
bocadinho. Pôs-se a fazer contas e concluiu que haviam passado cinquenta e cinco anos desde o dia em que deixara
com uma lágrima escondida na ponta do lenço a terra onde tinha nascido.

Resolveu voltar para Vilarelho. Mandou fazer uma casinha no meio de uma bouça e pôs-lhe dentro as tralhas que
uma pequena camioneta trouxera de Lisboa.

– Agora vou viver para mim! Vou fazer o que muito bem me apetecer! – disse ela a toda a aldeia.

E logo começou a cavar o bocadinho de terra que havia junto da casa ainda a cheirar a tintas e vernizes.

Todas as manhãs gemia e transpirava, de vez em quando punha as mãos nos rins, descansava uma migalha de tempo
e voltava a cavar com a enxadinha que tinha mandado comprar na vila. Ficou com calos nas mãos, e nunca quis
ajuda de ninguém.

– A gente precisa de fazer exercício físico! Roma e Pavia não se fizeram num dia – dizia ela, felicíssima.

E toda a gente se ria daquele falar lisboeta.

Lentamente, a passo de caracol ou nem isso, toda a terra foi cavada.

Depois arranjou estrume curtido e começou a fazer a sementeira. Mas, em vez de batatas, milho, centeio, trigo, ou
outro qualquer cereal, a Rosinha punha na terra raízes, sementes e bolbos de flores.

Meses depois, a terra que havia à volta da sua casa estava transformada num jardim meticulosamente dividido em
canteiros, cheirosos e coloridos, onde não cabia uma única erva daninha.

– Ai, tinha saudades de meter as mãos na terra... Toda a vida sonhei com este meu pequeno jardim! Ainda não está
como eu quero, mas já não desmerece, pois não?, dizia ela, enfiada nas batas folgadas, cor de cinza, que tinha
trazido de Lisboa.

Não, não desmerecia. E era até um regalo para os olhos, respondia toda a gente de Vilarelho. Menos para o meu tio
Paulino, que a aconselhava:

– Ó rapariga, deixa-te de poesias! Mete mas é batatas nessa terra e fi cas com sustento para todo o ano!

António Mota, O Lobisomem, Gailivro


EB 2,3 de RUY BELO
ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: / /2019
PLNM 5.º ano Nível B1
Nome do aluno: Nº: Ano/Turma:

Forma de pontuar: cada palavra correta vale 2 pontos.


Total: 40 pontos
Classificação em pontos: Excelente 36 a 40 Satisfaz Bem 31 a 35 Satisfaz 21 a 30 Não Satisfaz 11 a 20 Fraco 0 a 10

EB 2,3 de RUY BELO


ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: /03/2018
PLNM 5.º ano Nível A1/A2
Ficha do professor

A estrela de prata
Numa árvore que eu cá sei – que nós sabemos – estão uma estrela de prata e uma bola de
cristal.
– Que fazemos aqui? – perguntou a estrela.
– Estamos a enfeitar – respondeu a bola.
– O que é enfeitar? – perguntou a estrela.
– É fazer vista, ornamentar, alindar... – respondeu a bola de cristal.
Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:
– Porque estamos a enfeitar?
– Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros. Aparecem um dia, luzem o
seu quê, conforme sabem ou podem, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.
A bola de cristal tinha muita experiência de outros Natais, ao passo que a estrela era nova, de
prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que havia estrelas-cadentes, estrelas
que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de luz.
– Não serei uma dessas? – perguntou à bola.
– Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.
Passou-se um tempo mais, e a estrela guardou para si aquela ideia, uma ideia pequenina. “Não
experimentes”, dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.
Caiu, num susto, mas como era leve, inocente e frágil, uma corrente de ar, vinda de uma porta
aberta, algures, levou-a consigo.
Levou-a consigo e fê-la poisar, sem estrago, no fofo musgo.
– Olha, é a estrela da gruta – disse alguém que estava a armar o presépio.
E estrela do presépio ficou.
Donde estava, onde a puseram, via o presépio, os pastores, os reis magos, as lavadeiras com a
trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os vagabundos, o moleiro, o azeiteiro e todo o povo do
presépio e mais pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza, sorrir para o Menino Jesus e
olhar para a estrela, suspensa do alto da gruta.
Estrela de sete pontas que era, a apontar em todas as direções, nem ela sabia para onde, brilhou
imenso. Brilhou o mais que pôde.
Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

António Torrado, Dezembro à porta

EB 2,3 de RUY BELO


ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: /03/2018
PLNM 5.º ano Nível A1/A2
Nome do aluno: Nº: Ano/Turma:

Forma de pontuar: cada palavra correta vale 2 pontos.


Total: 40 pontos
Classificação em pontos: Excelente 36 a 40 Satisfaz Bem 31 a 35 Satisfaz 21 a 30 Não Satisfaz 11 a 20 Fraco 0 a 10

A estrela de prata
Numa árvore que eu cá sei – que nós _____________ – estão uma estrela de prata e uma bola
de cristal.
– Que ___________aqui? – perguntou a estrela.
– Estamos a _____________ – respondeu a bola.
– O que é enfeitar? – perguntou a estrela.
– É fazer vista, ornamentar, ___________... – respondeu a bola de cristal.
Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:
– Porque estamos a enfeitar?
– Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros.__________ um dia, luzem
o seu quê, conforme sabem ou _____________, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.
A bola de cristal tinha muita ______________de outros Natais, ao passo que a estrela era nova,
de prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que __________estrelas-cadentes,
estrelas que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de ____________.
– Não serei uma dessas? – perguntou à bola.
– Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.
Passou-se um tempo mais, e a estrela______________ para si aquela ideia, uma ideia
pequenina. “Não experimentes”, dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.
Caiu, num ___________, mas como era leve, inocente e frágil, uma __________ de ar, vinda de
uma porta aberta, algures, levou-a ________________.
Levou-a consigo e fê-la poisar, sem______________, no fofo musgo.
– Olha, é a estrela da gruta – disse alguém que estava a armar o presépio.
E estrela do presépio ficou.
Donde estava, onde a ______________, via o presépio, os ____________, os reis magos, as
______________ com a trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os ______________, o moleiro, o
azeiteiro e todo o povo do presépio e mais pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza,
sorrir para o Menino Jesus e olhar para a estrela, ______________ do alto da gruta.
Estrela de sete pontas que era, a apontar em todas as direções, nem ela sabia para onde, brilhou
_______________. Brilhou o mais que pôde.
Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

António Torrado, Dezembro à porta

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