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EB 2,3 de RUY BELO

ANO LETIVO 2018/2019


Concurso de Ortografia
Data: / /2019
PLNM 5.º ano Nível B1
Ficha do professor

Nada no mundo melhor do que uma valsa dançada a rigor.

— A três tempos — diz a mãe.

A mãe sabe muito bem dançar a valsa.

— Não tenho é com quem - queixa-se sempre.

O pai não é muito dado a músicas nem a festas e, evidentemente, uma senhora não se vai pôr a dançar com um
estranho. O que não diriam as outras pessoas.

Elvira olha o rosto esbranquiçado da mãe, sem uma ruga, uma folha de papel onde ninguém escrevera fosse o que
fosse. Não tarda e há de levantar-se da poltrona (chaise longue, explica ela, de cada vez que uma nova empregada e
admitida ao serviço), para destravar a alavanca do metrónomo, sobre o piano, e obrigá-la a ir a compasso.
— Um, dois, três... Um, dois, três... Um, dois, três... — e a voz da mãe acompanha as batidas do metrónomo.
Mas os passos de Elvira não conseguem atinar com o ritmo certo, o Danúbio Azul a ir para um lado, e ela a ir para
outro.
— Faz atenção, Virinha! Faz atenção! — repete a mãe.

Se o pai estiver por perto, vai certamente interromper:

— «Presta» atenção. Assim é que se diz: «presta atenção» — corrige ele, de cada vez que a ouve.
Mas a mãe encolhe os ombros. O essencial é que Elvira fique a saber dançar a valsa, a valsa a três tempos, como
todas as meninas da sua idade e da sua classe. Como irá Elvira um dia arranjar marido, se não souber dançar a valsa?
A mãe nem quer pensar nessas coisas e por isso continua:
— Um, dois, três... Um, dois, três... — a voz sempre a carregar mais no «um», e Elvira, Santa Cecília que lhe valesse!,
sempre mais adiantada ou mais atrasada do que a música requeria.

Depois a mãe cansa-se. A mãe cansa-se com muita facilidade. Torna a travar o metronomo, para o gramofone, e
regressa ao livro que largou sobre a poltrona.

Elvira vai até ao quarto e abre, mais uma vez, a porta do armário.

O vestido lá está, prontinho a estrear. De cetim cor de pérola, com uma faixa de seda cor-de-rosa na cintura.
Vai ser a sua primeira festa. Sonha com ela todas as noites, e com a valsa finalmente dançada no ritmo certo, e de
preferência com o Edgar, que ela conheceu há dias em casa de uns amigos do pai que os tinham convidado para
jantar.
Mas não poderá dançar só com ele. A mãe já a avisou: terá de dançar com todos os que lhe pedirem. Para isso levará
aquele minúsculo caderno com capa de madrepérola onde tomará nota dos nomes de cada um, e da dança a cada
um prometida.
Não pode haver enganos.

Coisa complicada, um baile.

E muito importante.

A mãe já lhe disse que é nos bailes que se conhecem os rapazes com quem se pode casar.
Alice Vieira, TRISAVÓ DE PISTOLA À CINTA E OUTRAS HISTÓRIAS. Caminho

EB 2,3 de RUY BELO


ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: / /2019
PLNM 5.º ano Nível B1
Nome do aluno: Nº: Ano/Turma:

Forma de pontuar: cada palavra correta vale 2 pontos.


Total: 40 pontos
Classificação em pontos: Excelente 36 a 40 Satisfaz Bem 31 a 35 Satisfaz 21 a 30 Não Satisfaz 11 a 20 Fraco 0 a 10

EB 2,3 de RUY BELO


ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: /03/2018
PLNM 5.º ano Nível A1/A2
Ficha do professor

A estrela de prata
Numa árvore que eu cá sei – que nós sabemos – estão uma estrela de prata e uma bola de
cristal.
– Que fazemos aqui? – perguntou a estrela.
– Estamos a enfeitar – respondeu a bola.
– O que é enfeitar? – perguntou a estrela.
– É fazer vista, ornamentar, alindar... – respondeu a bola de cristal.
Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:
– Porque estamos a enfeitar?
– Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros. Aparecem um dia, luzem o
seu quê, conforme sabem ou podem, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.
A bola de cristal tinha muita experiência de outros Natais, ao passo que a estrela era nova, de
prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que havia estrelas-cadentes, estrelas
que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de luz.
– Não serei uma dessas? – perguntou à bola.
– Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.
Passou-se um tempo mais, e a estrela guardou para si aquela ideia, uma ideia pequenina. “Não
experimentes”, dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.
Caiu, num susto, mas como era leve, inocente e frágil, uma corrente de ar, vinda de uma porta
aberta, algures, levou-a consigo.
Levou-a consigo e fê-la poisar, sem estrago, no fofo musgo.
– Olha, é a estrela da gruta – disse alguém que estava a armar o presépio.
E estrela do presépio ficou.
Donde estava, onde a puseram, via o presépio, os pastores, os reis magos, as lavadeiras com a
trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os vagabundos, o moleiro, o azeiteiro e todo o povo do
presépio e mais pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza, sorrir para o Menino Jesus e
olhar para a estrela, suspensa do alto da gruta.
Estrela de sete pontas que era, a apontar em todas as direções, nem ela sabia para onde, brilhou
imenso. Brilhou o mais que pôde.
Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

António Torrado, Dezembro à porta

EB 2,3 de RUY BELO


ANO LETIVO 2017/2018
Concurso de Ortografia
Data: /03/2018
PLNM 5.º ano Nível A1/A2
Nome do aluno: Nº: Ano/Turma:

Forma de pontuar: cada palavra correta vale 2 pontos.


Total: 40 pontos
Classificação em pontos: Excelente 36 a 40 Satisfaz Bem 31 a 35 Satisfaz 21 a 30 Não Satisfaz 11 a 20 Fraco 0 a 10

A estrela de prata
Numa árvore que eu cá sei – que nós _____________ – estão uma estrela de prata e uma bola
de cristal.
– Que ___________aqui? – perguntou a estrela.
– Estamos a _____________ – respondeu a bola.
– O que é enfeitar? – perguntou a estrela.
– É fazer vista, ornamentar, ___________... – respondeu a bola de cristal.
Passou-se um tempo e a estrela perguntou de novo:
– Porque estamos a enfeitar?
– Porque esta árvore não é como as outras. Os frutos dela são raros.__________ um dia, luzem
o seu quê, conforme sabem ou _____________, e depois são colhidos e guardados, até para o ano.
A bola de cristal tinha muita ______________de outros Natais, ao passo que a estrela era nova,
de prata fresca, e não sabia quase nada. Mas tinha ouvido falar que __________estrelas-cadentes,
estrelas que caem do céu e no céu desaparecem, num sopro de ____________.
– Não serei uma dessas? – perguntou à bola.
– Talvez sejas, talvez não sejas... Mas não experimentes.
Passou-se um tempo mais, e a estrela______________ para si aquela ideia, uma ideia
pequenina. “Não experimentes”, dissera-lhe a bola. E se experimentasse? Foi o que fez.
Caiu, num ___________, mas como era leve, inocente e frágil, uma __________ de ar, vinda de
uma porta aberta, algures, levou-a ________________.
Levou-a consigo e fê-la poisar, sem______________, no fofo musgo.
– Olha, é a estrela da gruta – disse alguém que estava a armar o presépio.
E estrela do presépio ficou.
Donde estava, onde a ______________, via o presépio, os ____________, os reis magos, as
______________ com a trouxa à cabeça, as leiteiras com a bilha à cinta, os ______________, o moleiro, o
azeiteiro e todo o povo do presépio e mais pessoas de carne e osso, que vinham admirar aquela lindeza,
sorrir para o Menino Jesus e olhar para a estrela, ______________ do alto da gruta.
Estrela de sete pontas que era, a apontar em todas as direções, nem ela sabia para onde, brilhou
_______________. Brilhou o mais que pôde.
Para o ano, a estrela de prata já tem muito que contar à bola de cristal.

António Torrado, Dezembro à porta

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