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Máquinas de Fluxo

PERDAS E RENDIMENTOS
Perdas e Rendimentos
Na transformação da energia hidráulica em trabalho mecânico, ou vice-versa, nem toda energia é
realmente convertida de uma forma em outra, como seria o ideal, existindo uma parcela desta energia que
acaba sendo perdida em processos irreversíveis, que degradam formas de energia mais nobres (mecânica)
em formas de energia de qualidade inferior (calor e energia interna).
Estas perdas que ocorrem nas máquinas hidráulicas podem ser classificadas como internas e externas. As
internas estão localizadas no interior da carcaça da máquina, resultado da movimentação do fluido nesta
região. As externas são as encontradas fora da carcaça, como o atrito do eixo com mancais, anéis de
vedação e outras, que não estão relacionadas com o movimento do fluido em seu interior.
Dentre as possíveis perdas que ocorrem, as mais significativas são:
 Hidráulicas (perda interna)
 Volumétricas ou por fugas (perda interna)
 Por atrito de disco (Perda interna)
 Mecânicas (perda externa)
Perdas e Rendimentos
 Perdas Hidráulicas
É a principal perda dentro da máquina hidráulica. Suas fontes são o atrito e as variações de seção e de velocidade, que
em geral reduzem a pressão. São também conhecidas por “perdas nas pás” pois ocorrem principalmente nos canais.
Serão representadas por “𝑗ℎ ”, tendo por unidade a energia por unidade de peso.
Ocorrem dentro das máquinas hidráulicas desde a seção de entrada até a de saída e são provocadas pelo:
 Atrito de superfície entre o fluido e as paredes da máquina (canais de rotor e sistema diretor);
 Deslocamento de camada limite provocado pela forma dos contornos internos das pás, aletas e outras partes
constitutivas;
 Pela dissipação de energia por mudança brusca de seção e direção dos canais que conduzem o fluido através da
máquina; e
 Pelo choque do fluido contra o bordo de ataque das pás, que ocorre quando a máquina funciona fora do ponto nominal
(ponto de projeto).
Perdas e Rendimentos
 Perdas Hidráulicas
Estas perdas devem ser consideradas nos cálculos das alturas de elevação/queda (𝐻),

𝐻𝑡 = 𝐻 ± 𝑗ℎ
𝐻𝑡 - Altura teórica de elevação (com rotor considerado como tendo número finito de pás)
desenvolvida pelo rotor;
𝐻 - Altura de elevação/queda (útil); e
𝑗ℎ - Energia perdida por perdas hidráulicas dentro da máquina.
“+” indica máquinas geradoras
“-” indica máquinas motoras
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Hidráulicas
Como é difícil obter o termo 𝑗ℎ , é possível seguir a seguinte relação para o rendimento hidráulico

𝐻
𝜂ℎ = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎𝑠
𝐻𝑡

𝐻𝑡
𝜂ℎ = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 motoras
𝐻

Esse rendimento varia de 0,5 em bombas pequenas até 0,90 em grandes bombas. Em geral, para efeitos de
projeto considera-se esse valor entre 0,85 e 0,88. Quando trabalham no ponto de projeto, as máquinas de
fluxo têm esse rendimento entre 0,85 e 0,93 (orientativo).
Perdas e Rendimentos
 Perdas Volumétricas
São as perdas que ocorrem devido à “fuga” de fluido pelos espaços entre o rotor e a carcaça, e
entre a carcaça e o eixo, nos labirintos das turbomáquinas. Estas perdas não afetam muito a
altura de elevação.
Perdas e Rendimentos
 Perda Volumétrica
Verificando a Figura ao lado, é possível identificar dois
pontos de fuga de fluido:
Uma parcela (𝑞𝑒 ) se dá pelo labirinto 𝐿𝑎𝑒 para fora da
máquina (eixo/carcaça), e em geral é muito pequena
dependendo do labirinto utilizado entre o eixo e a
caixa da máquina, podendo ser muitas vezes
desprezada.
A outra perda (𝑞𝑖 ) se dá pelo labirinto 𝐿𝑎𝑖 entre o
rotor e a carcaça. Esta fuga ocorre no sentido da
região de alta pressão para a de baixa pressão, após
passar o rotor, retornando para o tubo de sucção,
sendo novamente bombeado, exigindo maior
potência de acionamento da bomba.
Perdas e Rendimentos
 Perda Volumétrica
Desta forma a vazão que realmente passa pelo rotor (Figura 4.13) e participa efetivamente das
trocas de energia:

𝑄𝑡 = 𝑄 ± 𝑞𝑖

𝑄𝑡 - Vazão teórica;
𝑄 – Vazão considerada no cálculo das alturas e de queda e
elevação;
𝑞ℎ - Vazão perdida internamente.
“+” indica máquinas geradoras
“-” indica máquinas motoras
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Volumétrico

𝑄
𝜂𝑣 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎𝑠
𝑄𝑡

𝑄𝑡
𝜂𝑣 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 motoras
𝑄
Perdas e Rendimentos
 Perda por atrito de disco
O rotor é como um disco que gira dentro de uma carcaça. Idealmente, o disco deveria girar no
vazio, mas, na realidade, a carcaça encontra-se preenchida pelo fluido de trabalho e as faces
externas deste disco, por atrito, arrastam as partículas fluidas que se encontram aderidas a ele,
provocando um movimento do fluido no espaço compreendido entre o rotor e as paredes da
carcaça. Esse movimento consome uma determinada potência.
A potência consumida por atrito de disco pode ser expressa por:

𝑃𝑎 = 𝐾𝜌𝑢3 𝐷2

𝐾 – Coeficiente adimensional que depende do número de Reynolds


𝑢 – Velocidade tangencial correspondente ao diâmetro exterior do rotor, em m/s
𝐷 – Diâmetro externo do rotor, em m.
Perdas e Rendimentos
 Perda por atrito de disco
As perdas por atrito de disco são típicas das máquinas de fluxo, ainda que, nas máquinas axiais,
este tipo de perda seja muito pequeno e possa, em geral, ser desprezado. Tratando-se de rotor
radial semi-aberto, com só uma superfície de contato, ou, de rotor de dupla admissão, 𝑃𝑎 terá
metade do valor.
Perdas e Rendimentos
 Rendimento de atrito de disco

𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡
𝜂𝑎 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑎𝑛𝑠 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎𝑠
𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡 + 𝑃𝑎

𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡 − 𝑃𝑎
𝜂𝑎 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑎𝑛𝑠 𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟𝑎𝑠
𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡
Perdas e Rendimentos
 Perdas Mecânicas
São as perdas externas e representam principalmente as perdas por atrito em mancais, gaxetas
e atrito do ar nos acoplamentos e volantes de inércia. As perdas nos mancais são função do peso
da parte rotativa que ele suporta, da velocidade tangencial do eixo e do coeficiente de atrito
entre as superfícies de contato. No caso das gaxetas deve-se considerar a velocidade tangencial
do eixo, o coeficiente de atrito, da superfície de atrito e do grau de aperto da sobreposta da
gaxeta, quanto maior este aperto maiores as perdas mecânicas.
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Mecânico

𝑃𝑖
𝜂𝑚 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟𝑎𝑠
𝑃𝑒

𝑃𝑒
𝜂𝑚 = ∴ 𝑃𝑎𝑟𝑎 𝑚á𝑞𝑢𝑖𝑛𝑎𝑠 motoras
𝑃𝑖

𝑃𝑖 - Potência interna da máquina


𝑃𝑒 - Potência no eixo da máquina
Perdas e Rendimentos
 Potência Interna
A potência interna é a potencia realmente fornecida pelo fluido ou para o fluido de trabalho, já
descontada ou acrescentada da potencia consumida para vencer as perdas internas.

Para máquinas motoras, onde o fluido fornece trabalho para as pás:


𝑃𝑖 = 𝜌𝑔𝑄𝑡 𝐻𝑡 − 𝑃𝑎

Para máquinas geradoras, onde as pás fornecem energia ao fluido de trabalho:


𝑃𝑖 = 𝜌𝑔𝑄𝑡 𝐻𝑡 + 𝑃𝑎
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Interno
A relação entre a potência interna e a potência disponível define o chamado rendimento interno.
Para máquinas motoras:
𝑃𝑖
𝜂𝑖 =
𝑃
Em que 𝑃 é a potência disponível para acionar a máquina de fluxo.
Para máquinas geradoras, a relação é o inverso da anterior:
𝑃
𝜂𝑖 =
𝑃𝑖
Em que 𝑃 é a potência disponível no fluido que sai da máquina, ou potência que efetivamente o
fluido recebeu ao passar pela máquina.
Perdas e Rendimentos
Ao multiplicar-se os rendimentos hidráulico, volumétrico e de perda por atrito, considerando
uma máquina motora:

𝐻𝑡 𝑄𝑡 𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡 − 𝑃𝑎
𝜂ℎ = ∴ 𝜂𝑣 = ∴ 𝜂𝑎 =
𝐻 𝑄 𝜌𝑔𝐻𝑡 𝑄𝑡

𝑃𝑖
𝜂ℎ ∙ 𝜂𝑣 ∙ 𝜂𝑎 = = 𝜂𝑖
𝑃

Análogo para máquinas geradoras, tem-se:

𝑃
𝜂ℎ ∙ 𝜂𝑣 ∙ 𝜂𝑎 = = 𝜂𝑖
𝑃𝑖
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Total
Por fim, o rendimento total pode ser encontrado através da relação entre a potência obtida no
eixo e a potência disponível para acionar a máquina. Para uma Máquina Motora:

𝑃𝑒 𝑃𝑒
𝜂𝑡 = =
𝑃 𝜌𝑔𝑄𝐻

Para máquinas de fluxo geradora, o rendimento será definido como a relação entre a potência
que o fluido recebe ao passar pela máquina (potência disponível) e a potência fornecida no seu
eixo por um motor de acionamento:
𝑃 𝜌𝑔𝑄𝐻
𝜂𝑡 = =
𝑃𝑒 𝑃𝑒
Perdas e Rendimentos
 Rendimento Total
De uma maneira genérica, tanto para máquinas motoras ou geradoras, o rendimento total pode
ser escrito como:
𝜂𝑡 = 𝜂ℎ 𝜂𝑣 𝜂𝑎 𝜂𝑚

Por exemplo, para uma máquina geradora:

𝑃 𝑃𝑖 𝑃
𝜂𝑡 = = = 𝜂𝑚 𝜂𝑖 = 𝜂ℎ 𝜂𝑣 𝜂𝑎 𝜂𝑚
𝑃𝑒 𝑃𝑒 𝑃𝑖
Perdas e Rendimentos
 Potência no eixo para uma máquina motora

𝑃𝑒 = 𝜌𝑔𝑄𝐻𝜂𝑡 𝑊 − 𝑆𝐼

𝛾𝑄𝐻𝜂𝑡
𝑃𝑒 = [𝐶𝑉]
75
𝛾 – Peso específico em 𝑘𝑔𝑓Τ𝑚³
Perdas e Rendimentos
 Potência no eixo para uma máquina geradora

𝜌𝑔𝑄𝐻
𝑃𝑒 = 𝑊 − 𝑆𝐼
𝜂𝑡

𝛾𝑄𝐻
𝑃𝑒 = [𝐶𝑉]
75𝜂𝑡
𝛾 – Peso específico em 𝑘𝑔𝑓Τ𝑚³
Considerações Finais
É usual considerar o rendimento volumétrico e o rendimento do atrito de disco iguais a 1 para
dimensionamentos, reduzindo a equação para o rendimento total para: 𝜂𝑡 = 𝜂ℎ 𝜂𝑚 .
Para máquinas geradoras, de acordo com o Macintyre, tem-se:
• Rendimento Mecânico variando na faixa de 0,92 a 0,95;
• Rendimento Hidráulico variando na faixa de 0,50 a 0,90.

Para grandes bombas centrifugas, o rendimento total é aproximadamente de 85%;


Para bombas médias, o rendimento total é aproximadamente de 75%;
Para bombas pequenas, o rendimento total é aproximadamente de 60%.
Considerações Finais
Para turbinas, os rendimentos típicos são dados abaixo:
FIM

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