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RELATÓRIO LEVANTAMENTO SITUACIONAL DE RISCOS RELACIONADOS AO

COVID-19 NO HRAN

O Presente relatório é uma compilação do relatório de


VISTORIA 344/2020/DF, elaborado pelo Departamento de
Fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Distrito
Federal – CRM-DF e do relatório final levantamento
situacional de riscos relacionados ao COVID-19, elaborado
pelo Sindicato dos Enfermeiros do DF e o Conselho
Regional de Enfermagem do Distrito Federal - Coren-DF.

Razão Social: HOSPITAL REGIONAL DA ASA NORTE


Nome Fantasia: HRAN
CNPJ: 00.394.700/0012-60
Registro Empresa (CRM)-DF: 259
Endereço: SMHN QD 101 AREA ESPECIAL
Bairro: ASA NORTE
Cidade: Brasília - DF
Cep: 70710-100
Telefone(s): (61) 3325-4297/2017-1900
E-mail: gab.cgsan@gmail.com
Horário de funcionamento: 24h
Tipos de Atendimento: Internação, Urgência, Outro: Ambulatorial – Atendimento apenas
de queimados;
Diretor geral: Wulisses;
Superintendência Central: Dr. Portilio

Dados de atendimento – COVID-19 - GERAL:


- Nº total de leitos disponíveis para COVID-19: 58 leitos divididos entre internação 6º andar,
BOX, alas Pronto Atendimento e UTI;
- Nº de casos suspeitos de COVID-19 internados: 33 casos
- Nº de casos confirmados de COVID-19 internados: 5 pacientes com exame laboratorial
positivo na UTI
- Níveis críticos de insumos e EPIs, no momento estoque de máscara e macacões é
mantido por doações. Em estoque há cerca de 50 itens de cada;
Nº total de profissionais de enfermagem em atuação na Instituição:
136 Enfermeiros, 492 Técnicos e Auxiliares em enfermagem. Total: 628 profissionais.
Há déficit evidente de profissionais de enfermagem para prestação de assistência segura
ao paciente.
Quantitativo de déficit: 118 enfermeiros, 368 técnicos e auxiliares em enfermagem.

Capacidade/Lotação:
- Ala 1 com 2 pacientes entubados – 3 vagas – 2 respiradores
- Box de emergência com 6 vagas. Durante a visita apresentou lotação de leitos, todos os
pacientes entubados.

Equipe de enfermagem:
- 1 Equipe para o Acolhimento, 1 equipe para o box de emergência e 1 equipe para cada
ala do P.S.
- Acolhimento: 1 enfermeiro e 1 técnico de enfermagem;
- Equipe das alas: 1 enfermeiro e 4 técnicos de enfermagem;
- Enfermeiro da CR de sintomáticos respiratórios sem óculos ou protetor facial;
- Supervisor Emergência: Enf. Eliomar- 984931052

UNIDADE TERAPIA INTENSIVA:


- Capacidade/Lotação:
- Nº de leitos de UTI disponíveis: 10
- Nº de leitos operantes: 9
- Nº de leitos de UTI vagos: 5
- 4 Pacientes internados em sistema fechado de respiração artificial com necessidade de
diálise (UTI recebe auxílio da equipe da hemodiálise para manter a diálise dos pacientes)
– média de pacientes que evoluem para necessidade dialítica muito acima da média
mundial, sendo em torno de 75%.

Equipamentos/Materiais:
- 4 Bombas de infusão para cada leito;
- 1 Ventilador para cada leito;
- Sem sistema de pressão negativa para precaução respiratória;
- Ar condicionado em sistema de sprinter;
- Recomendação de uso de N95 no setor por 7 dias, mas não chega a esta vida útil;
- Equipamentos antigos sem contrato de manutenção para respiradores e bombas que
estão sendo mantidos com doação de prestadores de serviços e pdpas.

Equipe de enfermagem:
- Fechamento da escala de Técnico de enfermagem na unidade feito com TPD cerca de 15
a 18 mil/mês;
- Média de 6 Técnicos e 1 enfermeiro em escala;
- Equipe Enfermeiro no setor - 9 enfermeiros, sendo 6 de 40h e 3 de 20h – 1 afastamento
por ser grupo de risco;
- Necessidade de revisão de dimensionamento de pessoal para rotina de cuidado de
paciente com COVID-19, devido aumento significativo de cuidados e procedimento
dispensados a este paciente, além da necessidade de paramentação e desparamentação
continua na assistência.

Supervisor UTI: Enf. Kleuder- 991078585

Internação 6º andar:
- 30 Leitos disponíveis – admissão de pacientes COVID -19 confirmados e em estabilidade
clínica, mas com necessidade de observação hospitalar.

Data da fiscalização: 06/04/2020 - 09:15 a 13:20

Fiscais:
Dr. Leonel Rossetti Calvano – CRM-DF;
Dr. Natanael de Abreu Sousa CRM-DF:24710;
Renato Boaventura Gonçalves – CRM/DF;
Marcos Wesley de Sousa Feitosa – Presidente do Coren-DF;
Dayse Amarílio – Presidente Sindenfermeiro;
RODRIGO DE ARAÚJO DA SILVA – Presidente do Conselho Regional de Saúde de
Brasília – CRSB RA I;
Alexandra Moreschi – Presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB/DF;
Cesanne Lima – Comissão de Direito à Saúde da OAB/DF;
Acompanhante(s)/Informante(s) da instituição:
Sra. Cleidy (61) 98595-3659, Sr. Eliomar Aparecido Oliveira, Sra. Cristiane, Dra. Adriana,
Dr. Carlos César, Francielle Pulcinelli Martins (CRM-DF 16.129), Juliana Bento da Cunha
(CRM-DF 21.027), William Alves de Souza Schwartz (CRM-DF 20.296), Priscila Dias Alves
(CRM-DF 18.145) e Tarquino Erastides Gavilanes Sanchez (CRM-DF 9.987)
Cargo(s): Respectivamente, enfermeira, técnico de enfermagem, responsável pela
farmácia e médicos do corpo clínico do HRAN.

Figura 1 - Equipe de inspeção.

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Trata-se de fiscalização, a fim de verificar as condições do Hospital Regional da Asa
Norte (HRAN) no que tange à assistência aos pacientes suspeitos ou confirmados de
infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV2), como parte das políticas públicas de
enfrentamento à pandemia.

2. CONSTATAÇÕES
2.1. Na manhã do dia 06/04/2020, a equipe de fiscalização do CRM-DF, em
conjunto com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Conselho de
Saúde do Distrito Federal, do Sindicato de Enfermeiros do DF e do Conselho Regional de
Enfermagem do DF, foi recebida pela Sra. Cleidy, enfermeira, que conduziu toda a equipe
pelos espaços do hospital destinados ao atendimento ao paciente suspeito ou confirmado
de COVD-19. Na emergência do HRAN, o CRM-DF foi recebido pelo Dr. Carlos César, que
explicou a situação na porta de entrada.

2.2. Em seguida, a Dra. Adriana, chefe da UTI de adultos, relatou com tem sido a
rotina do serviço e seus desafios atuais. Por fim, foram recebido pelos médicos Francielle
Pulcinelli Martins (reumatologista), Juliana Bento da Cunha (geriatra), William Alves de
Souza Schwartz (penumologista), Priscila Dias Alves (pediatra), um nefrologista (nome não
registrado) e Tarquino Erastides Gavilanes Sanchez (infectologista) que apresentaram uma
visão multidisciplinar das carências e deficiências do serviço no enfrentamento à pandemia
(nova doença emergente com potencial para grave comprometimento respiratório).

2.3. Todas as manhãs, às 08:00, de segunda a sexta-feira, a diretoria do HRAN,


gerências e supervisores regionais tem se reunido no auditório do Hospital para discutir
fluxos, metas e estratégias de enfrentamento à pandemia.

RECEPÇÃO E ACOLHIMENTO
2.4. Algumas cadeiras da recepção possuem marcação (X) para indicar quais
assentos devem permanecer desocupados, mantendo-se assim uma distância mínima de
1 metro entre os pacientes. O HRAN tem sido designado pela Secretaria de Saúde
(SES/DF) como referência exclusiva a pacientes suspeitos ou confirmados de infecção pelo
novo coronavírus (SARS-CoV 2) e pacientes queimados. Sala de espera do Acolhimento
única para atendimento síndrome gripal e qualquer outra intercorrência e/ou procura que
surgir.
Figura 2 – recepção da emergência de clínica médica do HRAN. Portas abertas para melhorar a circulação de ar. Ainda
reduzido fluxo de usuários.

Figura 3 – Orientações aos usuários quanto a sintomas de infecção por novo coronavírus e prevenção de contágio na
recepção da emergência de clínica médica.
Figura 4 – algumas cadeiras identificadas para que os pacientes não se assentem e, assim, garantir-se o afastamento entre
usuários que esperam o atendimento. Usuários com sintomas respiratórios usando máscaras cirúrgicas.

2.5. Tem ocorrido a triagem de pacientes e sua classificação de risco 24 horas,


todos os dias da semana. Todos os pacientes independentes de síndrome gripal estão
recebendo máscara na porta, enquanto aguardam atendimento. Na triagem, a enfermeira
triagista tem utilizado os seguintes equipamentos de proteção individual (EPI): gorro,
máscara cirúrgica descartável, avental descartável e luvas de procedimentos. A cadeira do
paciente está a uma distância segura do servidor e superfícies e materiais têm sido limpos
e desinfectados periodicamente.
Figura 5 – sala para triagem, mantida arejada e com afastamento entre paciente e enfermeiro triagista.

2.6. Aos poucos a comunidade, bem como os serviços móveis de urgência e


emergência, tem se conscientizado da vocação do HRAN, neste momento, como referência
para COVID-19 e, assim, tem diminuído a entrada, pela emergência, de casos sem
síndrome gripal ou síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Entretanto, ainda há casos
de síndrome gripal leve ou de pacientes que procuram o serviço apenas para testagem
sorológica, sem qualquer indicação; o que sobrecarrega desnecessariamente o sistema de
saúde.

CONSULTÓRIO DO PRONTO SOCORRO DE CLÍNICA MÉDICA


2.7. Os consultórios do pronto socorro de clínica médica são amplos e tem sido
respeitado o distanciamento entre a cadeira do paciente e a do médico (distância superior
a 1 metro).
Figura 6 – corredores da emergência de clínica médica do HRAN sem leitos sobressalentes.

Figura 7 – alguns dispensadores de preparação alcoólica a 70% indisponíveis para uso.


ALAS DE INTERNAÇÃO – PRONTO SOCORRO DE CLÍNICA MÉDICA
2.8. A enfermaria do pronto socorro está dividida em 4 alas e uma sala de
emergência com 6 leitos (equivalente a um box vermelho).

2.9. A primeira ala comporta os pacientes de maior gravidade, que demandam


monitorização contínua, com maior potencial de descompensação respiratória/
hemodinâmica. Na ala 1 há a disponibilidade de algumas bombas de infusão e ventiladores
mecânicos (à medida em que avançam as semanas, mais ventiladores tem chegado, mas
o número de bombas não tem acompanhado essas progressão – ainda ocorrendo
defasagem – o que coloca a equipe sob o risco de administrar algumas drogas em equipos
de microgotas – situação não ideal).

2.10. As demais alas, de 2 a 4, são destinadas a casos moderados ou em fase de


recuperação. Tais pacientes demandam cuidados menos intensivos e entram na fase de
programação para alta hospitalar ou transferência para os leitos de enfermaria.

2.11. As macas da enfermaria (PS) não respeitam a distância de espaçamento


preconizado pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde, ou seja,
encontram-se a menos de 1 metro uma das outras. Para garantir o espaçamento ideal entre
os doentes, a equipe de saúde tem alocado os pacientes de maneira alternada, deixando
sempre um leito desocupado entre 2 pacientes. Entretanto, quando a epidemia no DF entrar
na fase descontrolada da doença, com uma grande ascensão do número de casos, teme-
se que todos os leitos sejam necessariamente ocupados, sem o devido espaçamento.

2.12. Existem 4 Alas de Pronto Atendimento e um Box Para Pacientes Críticos:


- Ala 1: retaguarda do BOX, - 2 pacientes entubados – 5 LEITOS
- Ala 2: altamente suspeitos com TC sugestiva – 13 LEITOS;
- Ala 3: suspeitos estáveis em Oxigênioterapia – 18 LEITOS;
- Ala 4: suspeitos estáveis em Oxigênioterapia – 19 LEITOS;
- Box de emergência – 6 LEITOS – 6 OCUPADOS – 0 VAGAS;
Figura 8 – ala 01 do pronto socorro de clínica médica do HRAN

Figura 9 – ala 02 do pronto socorro de clínica médica do HRAN.


Figura 10 – ala 03 do pronto socorro de clínica médica do HRAN.

2.13. A enfermaria do pronto socorro está isolada das demais áreas do hospital.
Qualquer servidor que nela adentre precisa de se paramentar com gorro, máscara cirúrgica
e avental descartável. Para procedimentos, exame físico e cuidados com o paciente,
utilizam-se óculos de proteção (ou protetor facial) e luvas de procedimento. Foi montado
um refeitório dentro do pronto socorro para que os servidores não precisem de transitar
pelos corredores. Ao sair, o servidor encontra uma área de desparamentação, com hamper
para o descarte de roupas contaminadas.
Figura 11 – emergência de clínica médica do HRAN com sinalização de isolamento. Servidores devidamente paramentados.

Figura 12 – refeitório montado dentro do pronto socorro de Clínica Médica do HRAN.

2.14. Para a realização de procedimento que gerem aerossóis, como por exemplo,
intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica invasiva e não invasiva,
ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação ou coletas de
amostras nasotraqueais, os profissionais utilizam máscara com filtro N95/ FFP2 e macacão
impermeável.

2.15. Desde o dia 06/04/2020, os procedimentos de intubação orotraqueal têm sido


realizados exclusivamente pelos médicos anestesiologistas, devido à sua maior
experiência, bem como a possuírem maior arsenal de alternativas (máscara laríngea ou
cricotomia/ traqueostomia). Essa política também visa expor o menor número de
profissionais aos aerossóis infectantes e racionalizar o uso de máscaras N95 e macacões
impermeáveis.

Figura 13 – equipe de saúde devidamente paramentada para a intubação orotraqueal.

2.16. Na data de 06/04/2020, a equipe de plantonistas do HRAN conta com uma


junta médica (sala de situação, coordenada pelo Dr. Paulo Feitosa) para consultoria e
discussão de casos complexos. A equipe é formada por pneumologistas, infectologistas e
anestesiologistas mais experientes do corpo clínico. O objetivo da junta médica é de
acumular ‘expertise’ na condução dos casos, padronizar condutas e dar suporte aos
profissionais mais jovens que se encontram na porta da emergência.
2.17. Para reciclar as habilidades em via aérea avançada, as equipes de
anestesiologistas do HRAN têm realizado treinamentos periódicos para os médicos
plantonistas e demais assistentes, a fim de que o maior número possível de médicos se
habilite e adquira segurança na condução dos pacientes em insuficiência respiratória
moderada a grave.

2.18. Não há climatização adequada no Pronto Socorro, o que dificulta a locomoção


dos servidores que utilizam a paramentação completa. Não há sistema de pressão de ar
negativa nem filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance) para exaustores nas
enfermarias do hospital.

2.19. Segundo a Dra. Francielle, responsável pela clínica médica do HRAN, houve
a contratação, pelo IGESDF, de mais profissionais médicos para atuarem na emergência
do hospital durante a pandemia; entretanto, o processo de admissão não exige a formação
de residência em clínica médica, o que preocupa a direção do hospital quanto à contratação
de médicos recém formados ou menos experientes, sem vivência em UTI, para conduzirem
pacientes graves e complexos, vítima de uma doença de curso ainda obscuro.

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)


2.20. Até o presente momento não houve relato de falta de EPI, entretanto, há
escassez e necessidade crescente de seu racionamento. Alguns EPI, como máscara FFP2
e macacões impermeáveis são repostos por doação. A cautela de EPI é pequena. Segundo
a Sra. Cristiane, responsável pela farmácia do HRAN, existe uma reposição semanal de
máscaras cirúrgicas pela farmácia central. Havia em estoque, no momento da fiscalização,
apenas 50 máscaras N95/FFP2. Segundo ela, não há falta de capote estéril nem de luvas
de procedimentos. Há processo de compras por verbas do PDPAS para 5 mil máscaras
N95, entretanto, aguarda-se, até o presente momento, o orçamento de empresas
interessadas pelo fornecimento.

2.21. A orientação atual é que as máscaras N95 sejam para utilização individual
exclusiva, por no máximo 7 dias, sendo também trocadas após procedimentos que gerem
aerossóis.
2.22. Para contingenciar a sua escassez, foi criada uma sala conduzida pela
enfermagem onde é feita a entrega dos kits de EPI individualizados para cada profissional
(1 avental descartável, 2 máscaras cirúrgicas e 2 gorros), evitando-se desperdícios.

2.23. Segundo o Sr. Eliomar Aparecido Oliveira, técnico de enfermagem, as equipes


médicas e auxiliares (enfermagem, fisioterapia, nutrição, etc) tem se submetido a
treinamentos periódicos de como se paramentar e se desparamentar adequadamente (um
processo de educação e vigilância continuada) em parceria com a Comissão de Controle
de Infecção Hospitalar.

2.24. O espaço da creche está sendo utilizado para distribuição de Kits de EPI aos
profissionais, mediante assinatura em formulário. O kit é padronizado com: 01 capote, 02
gorros e 03 máscaras cirúrgicas para cada 6h de plantão.

Figura 14 – organização da entrega de KITS.


UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA (UTI)
2.25. A UTI de adultos possui 10 leitos. Não há leito de isolamento respiratório, logo,
a UTI está totalmente destinada a pacientes suspeitos ou confirmados para COVID-19
(coorte) – quadro clínico característico, associado a alterações na tomografia de tórax e
ventilação mecânica em sistema fechado. Não são admitidos na UTI pacientes em
ventilação espontânea ou assistida em sistema aberto, pois não há sistema de pressão de
ar negativa nem filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance) para exaustores da
UTI, que garantissem a adequada eliminação de partículas infectantes em suspensão.

2.26. Segundo a Dra. Adriana, chefe da UTI, o perfil de pacientes internados na UTI
HRAN tem sido mais jovem do que a média esperada e com perfil de instabilidade
hemodinâmica de instalação rápida (em 70 a 90% dos casos), levando muitos pacientes à
falência renal aguda dialítica. Segundo a médica, esses pacientes, infectados pelo novo
coronavírus, demandam cuidados médicos e de enfermagem intensivos (troca de dreno,
ventilação mecânica, fisioterapia respiratória, reanimação cardiopulmonar, intercorrências
clínicas diversas, isolamente de contato com frequente paramentação e desparamentação),
mais do que o habitual, o que tem desgastado e exigido muito da equipe.

2.27. Segundo as normas da ANVISA, RDC nº 7/2010, o dimensionamento da


equipe prevê:
- 1 médico especialista – diarista para cada 10 leitos ou fração/turno;
- 1 médico especialista – plantonista para cada 10 leitos ou fração/turno;
- 1 enfermeiro especialista – assistencial para cada 8 ou leitos ou fração/turno;
- 1 técnico em enfermagem para cada 2 ou leitos ou fração/turno;
- 1 técnico de enfermagem por UTI para serviços de apoio assistencial em
cada turno;
- 1 fisioterapeuta especialista para cada 10 ou leitos ou fração/turno, ou seja
18 horas diárias.

2.28. Considerando-se a complexidade da pandemia, sugere-se o


redimensionamento da equipe assistencial das UTIs, com maior número de profissionais e
possível remanejamento de intensivistas experientes das diversas UTI da SES/DF para as
UTIs destinadas a paciente COVID-19 positivo.
2.29. A UTI do HRAN possui apenas 4 máquinas de hemodiálise, número
insuficiente para essa doença emergente.

2.30. Não há climatização adequada na UTI, o que dificulta a locomoção dos


servidores que utilizam a paramentação completa. O ar condicionado da unidade é antigo,
necessitando-se de reforma com a instalação de ar condicionado central.

2.31. Os servidores da UTI enquadrados como grupo de risco são orientados a


serem transferidos do setor, entretanto, por opção pessoal, muitos servidores mantém as
suas escalas de trabalho.

2.32. Compõem os recursos humanos da UTI:


- 9 enfermeiros (3 de 20 horas semanais e 6 de 40 horas) – escala de 1
enfermeiro por plantão;
- 2 técnicos de enfermagem, por plantão, exclusivos para a administração de
medicações;
- 4 técnicos de enfermagem, por plantão, exclusivos para os cuidados com o
paciente (otimiza-se, assim, o uso de EPI e diminui o risco de infecção cruzada)
- e 1 médico para cada 10 leitos, por plantão.

2.33. Segundo a Dra. Adriana, até a semana anterior ao dia 06/04/2020, a UTI
possuía apenas 3 ventiladores mecânicos e 3 bombas de infusão para 8 leitos. Hoje, há 1
ventilador mecânico e cerca de 3-4 bombas de infusão por leito na UTI (equipamentos
trazidos do pronto socorro). Algumas bombas de infusão voltaram à atividade devido à
manutenção por técnicos voluntários e existe processo aberto para manutenção de
ventiladores com verbas do PDPAS (Programa de Descentralização Progressiva de Ações
de Saúde).

2.34. Parte da enfermaria de pediatria do HRAN será destinada à abertura de mais


leitos 25 de UTI adulto (previsto terminar até a segunda quinzena de abril). Neste momento,
a porta de entrada da pediatria está fechada, por memorando da diretoria, e os pacientes
tem acessado pela garagem do hospital, até a construção de nova entrada exclusiva para
o pronto socorro de pediatria.

2.35. Em caso de escassez de ventiladores mecânicos, as equipes do HRAN tem


se preparado para a re-utilização de ventiladores de modelos mais antigos, que dispensam
uma fonte fixa de ar comprimido. Outra alternativa será a instalação do circuito (traqueias)
com a adapatação de Y na inspiração e na expiração, permitindo-se a utilização do mesmo
ventilador, simultaneamente, para 2 pacientes. Tal conduta deve ser de uso emergencial e
provisório.

2.36. A utilização de ventilação não invasiva e cateter de alto fluxo tem sido
discutida como alternativas no manejo da hipoxemia do paciente em insuficiência
respiratória ou na fase de desmame; entretanto, o risco de contaminação do ar ambiente
por partículas tem proscrito a sua utilização pela CCIH neste contexto de pandemia, na falta
de adequado tratamento do ar ambiente nas salas de isolamento.

2.37. Em tempo, a Secretaria de Saúde (SES/DF) abriu 40 leitos de Unidade de


Terapia Intensiva, 10 leitos de pronto-socorro (sala vermelha) com ventiladores mecânicos
e 16 de retaguarda (todos com ponto de oxigênio e 2 com capacidade para fazer diálise)
no Hospital regional de Santa Maria (HRSM), ampliando a sua oferta na rede pública.

2.38. Até o presente momento, o HRAN não possuirá leitos de UTI pediátrica para
atender crianças com suspeita ou confirmação de COVID-19. A enfermaria de pediatra do
HRAN possui apenas 1 ventilador mecânico (Box de emergência). O Hospital da Criança
de Brasília José Alencar será a referência de internação para crianças com SRAG.

2.39. Verifica-se quadro de agravamento dos pacientes que estão sendo admitidos
na UTI, e há clara necessidade de revisão de dimensionamento de recursos humanos na
UTI frente cuidado ao paciente COVID-19.

PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA DIALÍTICA (IRA)


2.40. A enfermaria na nefrologia do HRAN conta com 4 equipamentos de
hemodiálise. No momento da fiscalização, uma dessas máquinas havia sido cedida para
diálise de paciente internado na UTI (de 6 leitos ocupados, 5 apresentavam IRA na UTI).

2.41. Segundo a equipe de nefrologia, devido à alta incidência de IRA dentre os


pacientes com COVID-19, o HRAN deve se equipar com mais aparelhos de hemodiálise
(incluindo a manutenção das máquinas disponíveis na rede SUS/DF), bem como fontes de
água, com disponibilidade para uso no box de emergência, enfermaria, UTI e leitos de semi-
intensiva.
TESTAGEM RT-PCR OU SOROLOGIA
2.42. Devido ao número ainda reduzido de testes disponíveis (RT-PCR) para
SARS-CoV 2, e a demora na entrega dos resultados, bem como o percentual de falsos
positivos ou negativos, a equipe médica tem conduzido os casos, assumindo-se como
positivo (ou seja, indicado o isolamento) os pacientes com quadro clínico altamente
suspeito de SRAG, acompanhado por tomografia computadorizada que apresente os
achados típicos (alterações alveolares, como opacidades em vidro fosco, consolidações
focais e opacidades mistas – incluindo opacidades com halo invertido – geralmente com
acometimento bilateral e multifocal, distribuição periférica e predomínio nos campos
pulmonares médios, inferiores e posteriores).

2.43. Segundo o Dr. Carlos Cesar, o serviço de imagem do HRAN tem dado conta
da demanda por TCAR de tórax, entretanto, no período noturno, não há disponibilidade de
radiologista para confeccionar laudos (os exames são laudados no próximo dia útil,
mediante solicitação).

2.44. Segundo o Dr. Carlos Cesar, todos os casos suspeitos, incluindo de


profissionais de saúde, tem se submetido à coleta de amostras respiratórias e exames de
RT-PCR. Profissionais de saúde com síndrome gripal têm sido afastados do atendimento
(quarentena recomendada de 14 dias).

2.45. Testes rápidos ainda não disponíveis.

2.46. Segundo informações oficiais da SES/DF (disponível em:


http://www.saude.df.gov.br/hospital-de-santa-maria-abre-40-leitos-de-uti-para-pacientes-
com-coronavirus/), com o suporte do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que
estendeu seu funcionamento para 24 horas, e da Universidade de Brasília (UnB), os testes
para diagnóstico do coronavírus têm saído bem mais rapidamente.

EQUIPE DE SAÚDE – ABSENTEÍSMO


2.47. Segundo informações dos médicos relatores, o número de absenteísmo e
afastamento de servidores tem crescido no hospital, diante do medo de adoecimento pelo
novo coronavírus e de suas implicações.
2.48. Segundo sugestão do Dr. William, o pagamento de insalubridade de muitos
servidores, em sua maioria, atinge um acréscimo de apenas 10% de seus salários, mesmo
quando trabalhando em UTI. O hospital realiza pagamento de TPD ao invés de horas
extras, o que é o padrão realizado na secretaria de saúde (rede SUS-DF).

2.49. O aumento do valor pago por insalubridade e do pagamento de horas extras,


ao invés de TPD, poderia ser um atrativo financeiro aos servidores para diminuir o
absenteísmo e ‘compensar’ o risco de exposição carga viral alta e repetida no ambiente de
trabalho, neste momento de enfrentamento à pandemia.

2.50. O Absenteísmo do setor de enferemegem apurado é o seguinte:


Pronto Atendimento: 13,74% enfermeiros, 19,09% técnicos e auxiliares em
enfermagem.
UTI: 29,48% enfermeiros, 26,85% técnicos e auxiliares em enfermagem.
Horas de afastamentos legais: UTI – Enfermeiros: 431h; Técnicos e auxiliares em
enfermagem: 1293h / P.S – Enfermeiros:390;
Técnicos e auxiliares em enfermagem: 2348h
Horas em teletrabalho: 1000h
USO DE HORAS DE TPD PARA COBRIR ESCALA: 360 MIL horas

RECURSOS HUMANOS – INFECTOLOGIA


2.51. O HRAN, hospital de referência para pacientes imunocompetentes com
infecção pelo novo coronavírus no Distrito Feredal possui hoje um déficit importante de
médicos infectologistas.

2.52. Hoje, no seu corpo clínico, há um infectologista cumprindo 30 horas semanais


(enfermaria) e uma médica concursada pela clínica médica (de 20 horas semanais),
especialista em infectologia, que foi cedida para a especialidade, totalizando apenas 50
horas/ semana. O outro profissional, médico infectologista do hospital, (de 40 horas
semanais) apresenta restrição pericial, devendo ser deslocado para o pronto socorro
quando retornar de licença.
ENFERMARIAS DE INTERNAÇÃO
2.53. Alguns andares do HRAN (5º, 6º e 7º) estão aos poucos sendo esvaziados e
destinados exclusivamente aos pacientes infectados. Há previsão de médico diarista e
plantonista exclusivo por andar.

2.54. Muitas das janelas das enfermarias nos andares superiores estão quebradas,
sem a devida manutenção preventiva e adequada vedação. No HRAN já houve casos de
suicídio de pacientes, que se jogaram das janelas anos atrás. Tal situação, na vigência de
uma pandemia que exige isolamento social, gera preocupação da equipe médica, quanto à
segurança dos andares, de modo a se evitar tentativas de autoextermínio.

2.55. Em tempo, tanto o centro obstétrico quando o centro cirúrgico (sala de


recuperação anestésica) possuem leitos exclusivos para pacientes suspeitos ou
confirmados de infecção pelo novo coronavírus.

ENFERMARIA PARA POPULAÇÃO CARCERÁRIA


2.56. O HRAN conta com apenas 8 leitos reservados para a população carcerária
com infecção suspeita ou confirmada por SARS-CoV 2. Atualmente esses leitos encontram-
se vazios, preparados para esse perfil específico de pacientes.

2.57. Há uma grande preocupação de que esse número de leitos reservados seja
insuficiente, caso haja instalação da epidemia nas penitenciárias do Distrito Federal.

ACOMPANHANTES E VISITAS A PACIENTES INTERNADOS


2.58. Restringiu-se a entrada de acompanhantes circulando nos consultórios ou
corredores. Para casos internados suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo
coronavírus, não é permitida a permanência de acompanhantes ou visitações. Existe
equipe de apoio responsável diariamente pelo contato com familiares e repasse do boletim
médico.

LABORATÓRIO
2.59. Segundo a Dra. Francielle há falta de reagentes no laboratório do HRAN, por
aparente vencimento de contrato entre o fornecedor de insumos e a Secretaria de Saúde
do Distrito Federal (não uma causa administrativa interna, mas sim em nível distrital). A falta
de reagentes tem prejudicado algumas rotinas de bioquímica básica, testes para distúrbios
de coagulação, sinais inflamatórios e proteínas de fase aguda e pesquisa para infarto
miocárdico: dosagem de uréia, creatinina, eletrólitos, ferritina (feita de forma intermitente e
regrada), PCR, CPK, CKMB, D-dímero, troponina, NT-ProBNP. O D-dímero, em especial,
tem adquirido importância na avaliação prognóstica dos pacientes com COVID-19, quanto
ao risco de óbito na vigência de CIVD.

NEONATOLOGIA
2.60. O HRAN é referência para partos de mulheres com idade gestacional acima
de 32 semanas.

2.61. Segundo informações da Dra. Francielle, desde que o HRAN passou também
a receber gestantes e puérperas de até 28 dias com suspeita ou confirmação de infecção
por SARS-CoV2, aumentou o risco de partos prematuros extremos, com condições clínicas
graves, num hospital sem UTI neonatal, mas apenas Unidade de Cuidados Intermediários
(UCIN). A UCIN possui apenas 2 leitos com ventilador mecânico e 6 bombas de infusão, ou
seja, consegue atender apenas um leito para recém nascido em cuidados intensivos.

2.62. Além disso, existe uma emergente preocupação de que puérperas com
COVID-19, admitidas no HRAN, passem a circular com seus bebês pelas enfermarias,
ALCON e UCIN com o risco de infecção cruzada para recém nascidos e suas mães.

PACIENTES EM CUIDADOS PALIATIVOS


2.63. Os médicos do HRAN têm passado por questões éticas e logísticas quanto ao
atendimento de pacientes suspeitos ou confirmados de COVID-19 em cuidados paliativos.
Devido à necessidade de isolamento familiar e sem expectativa de sobrevida (ou seja, sem
indicação de medidas invasivas para suporte de vida ou reanimação cardiopulmonar),
esses pacientes têm grande probabilidade de morte desacompanhada da família. A
dramática necessidade de que os familiares se despeçam dos doentes na porta do hospital
gera uma pressão sobre a equipe de saúde.

2.64. Não há e nem tem sido recomendado criar enfermaria ou leito de isolamento
para pacientes em cuidados paliativos acompanhados de familiares pelo risco de
progressão da doença. Não existe nas enfermarias equipe e tecnologia para transmissão
remota de imagens dos pacientes para seus familiares.
SUPORTE PSICOLÓGICO ÀS FAMÍLIAS
2.65. As equipes médicas têm percebido falha na assistência psicológica aos
familiares de pacientes internados com suspeita ou confirmação de SARS-CoV2,
principalmente no período noturno e final de semana. A direção do HRAN tem procurado
garantir suporte psicológico e psiquiátrico a familiares com escala de segunda a sexta no
período comercial. Essa assistência deve ser ampliada o mais prontamente possível.

RISCO DE INFECÇÃO
2.66. Recomenda-se que seja construída em cada setor do hospital, salas de
paramentação e desparamentação, com dispensadores de preparação alcoólica a 70%
e/ou pias com água corrente, sabão líquido e toalhas de papel. Essas salas devem possuir
hamper para descarte e lixeiras com acionamento por pedal.

2.67. A situação ideal seria de que os servidores utilizem roupas privativas do


HRAN, as quais sejam dispensadas para a lavanderia e que antes de retornarem às suas
casas, cada servidor pudesse banhar-se em vestiário do HRAN. Entretanto, o hospital não
parece possuir tal estrutura física.

2.68. O HRAN possui grande déficit de roupas privativas, sobrecarregando a


lavanderia na lavagem e desinfecção desse enxoval que se encontra em número
insuficiente para utilização por todos os setores do hospital (urgência, UTI, enfermarias de
internação e centros cirúrgicos).

2.69. O HRAN não suspendeu o ponto eletrônico digital de seus servidores, o que
tem gerado aglomeração de profissionais durante a troca de plantão, bem como se tornado
um foco de troca de germes (contaminação cruzada).

ALTA HOSPITALAR E RETORNO AO DOMICÍLIO


2.70. O plano de contingência e enfrentamento ao novo coronavírus da Secretaria
de Estado de Saúde do DF estabelece:

“4.2. Retorno ao domicílio:


O retorno ao domicílio deve ser feita por transporte sanitário e realizada orientação
para contactantes. O acompanhamento da evolução do caso se dará pela Atenção
Primária de Saúde (APS), cujos profissionais receberão treinamento adequado
quanto ao uso de EPI e manejo clínico.”

2.71. No presente momento, o HRAN possui 2 ambulâncias e não tem conseguido


garantir o transporte do paciente que recebe alta ainda dentro do intervalo de até 14 dias
após início dos sinais e sintomas respiratórios até a sua residência. O paciente que retorna
à sua casa por meios próprios, principalmente por transporte público, pode contaminar
outros indivíduos durante o trajeto.

AMBULATÓRIO E CIRURGIAS ELETIVAS


2.72. Ambulatórios estão funcionando de forma reduzida.

2.73. As recomendações da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal no


seu plano de contingência ao Coronavírus são:

“6. Atendimentos ambulatoriais e procedimentos eletivos:


Serão mantidos os atendimentos ambulatoriais, procedimentos cirúrgicos eletivos e
odontológicos.
O procedimento de internação hospitalar para os agendamentos cirúrgicos eletivos,
ocorrerá pela Gerência Interna de Regulação, não sendo permitido a entrada e
internação desses pacientes pelo serviço de Pronto-Socorro.”

COMISSÃO DE ÉTICA MÉDICA (CEP)


2.74. Segundo informações dos médicos relatantes, a comissão de Ética Médica do
HRAN não passou por eleição recente. Neste momento de crise, em que várias demandas
éticas podem surgir no enfrentamento à pandemia, deve-se urgenciar a convocação da
CEP, que deve se manter atuante e decisiva na orientação aos diversos profissionais de
saúde durante essa crise sem precedentes.

3. DEMAIS DADOS VERIFICADOS:


4 - Condições estruturais relacionadas ao atendimento dos casos suspeitos/confirmados de COVID-19
4.1 Sim Não
Há plano de contingência institucional? Fluxo de atendimento
X
Não há plano formal de contingência, existe uma rotina de fluxo de atendimento que é alterado quase que
diariamente
4.2 Sim Não
Há conhecimento por parte dos profissionais de enfermagem do plano de contingência?
? ?
A gestão informa que é passado pelos gerentes e supervisores de cada setor em reunião diária
Não existe formalização, não conseguimos informações dos trabalhadores quanto ao repasse diário
das informações
4.3 Sim Não
A equipe está capacitada para atendimento de casos suspeitos ou confirmados de COVID-19?
?
A gestão informa que estão sendo feitos treinamentos recorrentes pela Comissão de Controle de
infecção hospitalar e segurança do paciente.
Não foi apresentado plano de treinamento ou documento formal de contingência do hospital.
4.4 Sim Não
A equipe está capacitada quanto à utilização e descarte adequado de EPI´s em relação ao COVID-19?
?
A gestão informa que estão sendo feitos treinamentos recorrentes pela Comissão de Controle de
infecção hospitalar e segurança do paciente.
Não foi apresentado plano de treinamento ou documento formal de contingência do hospital.
4.5 Sim Não
A equipe está capacitada para realizar a triagem e o isolamento rápido de pacientes com suspeita de
?
infeção pelo COVID-19?
A gestão informa que estão sendo feitos treinamentos recorrentes pela Comissão de Controle de
infecção hospitalar e segurança do paciente.
Não foi apresentado plano de treinamento ou documento formal de contingência do hospital.
4.6 Sim Não
A equipe está capacitada para realizar a rápida notificação dos casos? Quem notifica:
X
A notificação é feita pela Equipe de Vigilância Epidemiológica
4.7 Sim Não
A coleta de amostras respiratórias (aspirado da nasofaringe ou Swab) é realizado por profissionais de
x
enfermagem.
Em caso afirmativo, quais profissionais realizam a coleta? ( )ENF ( )TE ( )AE
A coleta está sendo feita pela equipe de laboratório.
4.8 Sim Não
Houve treinamento para os profissionais de enfermagem realizarem a coleta de amostras respiratórias?
x

4.9 Sim Não


Há uma política clara para monitorar e gerenciar funcionários com suspeita ou confirmação de infecção
x
pelo COVID-19 ou que tiveram exposição a um caso suspeito ou confirmado de COVID-19?
4.10Existe fluxo de atendimento estabelecido para servidores que apresentem sintomas respiratórios graves Sim Não

Não há política ou fluxo estabelecido especificamente para servidores, citaram ser o mesmo da população em geral. x

4.11 Sim Não


Há disponibilidade de documentos formais orientando os procedimentos a serem adotados na prestação
x
de assistência à saúde de pacientes suspeitos de infecção pelo COVID-10? Aonde são disponibilizados:
4.12 Sim Não
Há disponibilidade de EPI’s adequados e em quantidade suficiente aos profissionais para atendimento
x
dos casos suspeitos de COVID-19?
Em caso negativo, especificar:
( ) Máscaras cirúrgicas ( x ) Máscaras N95/FFP2 ( ) Proteção ocular ( ) Luvas ( ) Capote
( ) Toucas
( x )Outro: macacão impermeável e capote impermeável
4.12 Sim Não
Há disponibilidade de pia para lavagem das mãos nos setores:
x
Informar setores que não dispõem:
Poucas ou nenhuma pia em locais comuns como corredores e banheiros para uso dos usuários
4.13 Sim Não
Há disponibilidade de sabonete líquido nos setores:
x
Informar setores que não dispõem:
4.14 Sim Não
Há disponibilidade de papel toalha nos setores:
x
Informar setores que não dispõem:
4.15 Sim Não
Há disponibilidade de álcool a 70% nos setores:
x
Informar setores que não dispõem:
4.16 Sim Não
Há disponibilidade de máscaras cirúrgicas para pacientes suspeitos e seus acompanhantes?
x
A disponibilização de máscaras é apenas para os pacientes.
4.17 Sim Não
Há medidas de proteção voltadas aos profissionais que fazem parte do grupo de risco para infecção de
x
COVID-19?
Se sim quais?
Afastamento de grupos de risco e teletrabalho
4.18 Sim Não
Há medidas de proteção voltada aos profissionais com suspeita de infecção pelo COVID-19?
x
Se sim quais?
Não foi apresentado fluxo para profissionais com suspeita de infecção pelo COVID-19
4.19 Sim Não
Foram implementados métodos de limpeza e desinfecção de rotina em consonância com os padrões
X
recomendados e diretrizes para COVID-19.
- Adequação do fluxo de limpeza concorrente.
4.20 Sim Não
Há divulgação de informações oficiais sobre o monitoramento do COVID-19 na Instituição?
x
- A divulgação oficial dos dados está sendo feita pela SES-DF

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.1. Até o presente momento não houve relato de falta de EPI no HRAN,
entretanto, há escassez e necessidade crescente de seu racionamento. Alguns EPI, como
máscara FFP2 e macacões impermeáveis são repostos por doação;

4.2. Recomenda-se que haja sala específica para a paramentação e


desparamentação em cada setor do hospital, a fim de diminuir o risco de contaminação;

4.3. Recomenda-se intensificar a frequência com que as salas, enfermarias e


corredores têm as suas superfícies e maquinário limpos e desinfectados (isso pode
demandar a contratação de mais servidores da limpeza);

4.4. À medida que as semanas avançam, mais ventiladores mecânicos têm


chegado ao HRAN, mas o número de bombas de infusão não tem acompanhado essas
progressão – ainda ocorrendo defasagem – o que coloca a equipe sob o risco de administrar
algumas drogas em equipos de microgotas – situação não ideal;

4.5. Devido à alta incidência de IRA dentre os pacientes com COVID-19, o HRAN
deve se equipar com mais aparelhos de hemodiálise (incluindo a manutenção das
máquinas disponíveis na rede SUS/DF), bem como fontes de água, com disponibilidade
para seu uso no box de emergência, enfermaria, UTI e leitos de semi-intensiva;

4.6. Recomenda-se que o HRAN suspenda o ponto eletrônico digital de seus


servidores, pois é um local de aglomeração de profissionais durante a troca de plantão,
bem como considerado um foco de troca de germes (alto risco de contaminação cruzada);
4.7. Recomenda-se que o HRAN amplie a disponibilidade de suporte psicológico
e psiquiátrico aos familiares de pacientes internados por COVID-19, estendendo-se, à
medida do possível, durante 24 horas por dia, todos os dias da semana;

4.8. O HRAN deve se articular com a Secretaria de Saúde para garantir o


transporte do paciente que recebe alta ainda dentro do intervalo de até 14 dias após início
dos sinais e sintomas respiratórios até a sua residência;

4.9. Deve-se realizar a pronta eleição da Comissão de Ética Médica do HRAN,


formada por uma equipe atuante e decisiva neste momento, em que várias demandas
éticas podem surgir no enfrentamento a essa pandemia sem precedentes;

4.10. A direção do HRAN deve avaliar e operacionalizar a possibilidade de ampliar


o fornecimento de roupas privativas ao maior número de servidores, diminuindo o risco de
contaminação e transporte de germes para ambientes extra-hospitalares;

4.11. A direção do HRAN em conjunto com o CRM-DF e secretaria de saúde,


baseado nas diretrizes do CFM e Ministério da Saúde, deve criar um plano de ação para a
condução de pacientes em cuidados paliativos;

4.12. Deve-se estabelecer um fluxo preciso dentro das políticas públicas do DF


quanto à participação do HRAN na assistência às gestantes e puérperas de até 28 dias
com suspeita ou confirmação de infecção por SARS-CoV2, considerando-se que o hospital
não possui UTIN e que se deve evitar a infecção cruzada pelas enfermarias, ALCON e
UCIN entre recém nascidos e suas respectivas mães;

4.13. O número de leitos do HRAN destinados à população carcerária parece ser


insuficiente, caso haja instalação da epidemia nas penitenciárias do Distrito Federal;

4.14. Tem ocorrido a falta de insumos para a realização de exames laboratoriais


essenciais no HRAN;

4.15. Considerando-se a complexidade da pandemia, sugere-se o


redimensionamento da equipe assistencial das UTIs, com maior número de profissionais e
possível remanejamento de intensivistas experientes das diversas UTI da SES/DF para as
UTIs destinadas a paciente COVID-19 positivo;
4.16. Sugere-se a manutenção das janelas das enfermarias dos andares;

4.17. O aumento do valor pago por insalubridade e do pagamento de horas extras,


ao invés de TPD, poderia ser um atrativo financeiro aos servidores a fim de diminuir o
absenteísmo e ‘compensar’ o risco de exposição a carga viral alta e repetida no ambiente
de trabalho, neste momento de enfrentamento à pandemia;

4.18. Recomenda-se a redução de cirurgias eletivas e que consultas ambulatoriais


sigam as recomendações da secretaria de saúde para evitar-se aglomeração de pessoas
na sala de espera;

4.19. Instituir Plano de Contingência para enfrentamento do COVID-19;

4.20. Operacionalizar treinamentos para os profissionais de enfermagem sobre as


temáticas relacionadas ao COVID-19 (identificação de sinais e sintomas, práticas corretas
de controle de infecção e uso de equipamentos, higienização adequada das mãos,
padronização de procedimentos, fluxograma de atendimento aos casos suspeitos, registro
da assistência de enfermagem prestada, alocação e isolamento dos casos suspeitos, coleta
de amostras diagnósticas, dentre outros).

4.21. Separar fluxo de atendimento de acolhimento e classificação de risco


exclusivo para sintomáticos respiratórios (síndrome gripal);

4.22. Adotar gerenciamento, atendimento e acompanhamento de servidores que


apresentem sintomas e agravamento do quadro clínico, com fluxo de atendimento
específico e amplamente divulgado;

4.23. Disponibilizar documentos formais orientando os procedimentos a serem


adotados na prestação de assistência à saúde de pacientes suspeitos de infecção pelo
COVID-10;

4.24. Ampliar treinamento local e por EAD, bem como disponibilizar material nas
unidades para orientar e sinalizar quanto ao uso racional de EPI, paramentação de EPIs e
retirada dos mesmos.
Dr. LEONEL ROSSETTI CALVANO
CRM - DF: 19936
MÉDICO(A) CONSELHEIRO

DR. NATANAEL DE ABREU SOUSA


CRM - DF: 24710
MÉDICO(A) FISCAL

Renato Boaventura Gonçalves


AGENTE

DAYSE AMARILIO DONETTS DINIZ


Sindicato dos Enfermeiros do DF

MARCOS WESLEY DE SOUSA FEITOSA


Coren-DF

ALEXANDRA TATIANA MORESCHI DE ALBUQUERQUE


Presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB/DF