Você está na página 1de 54

A REFORMA DA

OCUPAÇÃO VICENTÃO
RETROFIT E HABITAÇÃO
SOCIAL NA
REABILITAÇÃO DO
HIPERCENTRO DE BELO
HORIZONTE
APRESENTAÇÃO
Este trabalho de conclusão de curso
propõe a reforma do edifício Hércules, localizado
no hipercentro de Belo Horizonte, Minas Gerais,
e ocupado desde o início de 2018 por famílias
na luta por moradia. A Ocupação Vicentão foi
S o u grato p ela realizaç ão escolhida como tema porque além de ser um
deste trab alho e à tod os q ue acontecimento real e em desenvolvimento,
co ntr ib uíram p ara isso. apresenta uma demanda complexa e que
permeia vários campos teóricos e práticos da
disciplina arquitetônica, do direito à cidade ao
conforto ambiental, da escala urbano ao detalhe
construtivo. É uma abordagem acadêmica
propositiva de um problema atual e relevante
onde é crucial a atuação do profissional de
arquitetura e urbanismo.

Un i versi d ad e Fed eral d e Viçosa


Centro de Ci ê nc ias Ex at as e Tec nológic as
D epa r ta mento d e Arquitet ura e Ur b anism o
M a rco s Jo sé M aced o Cr uz R od r igues

Or i enta do ra Cl a r i s sa Fer reira Alb rec ht d a Silveira

Viçosa MG
Novem b ro 2018
3
TRABALHO
DE CONCLUSÃO
DE CURSO I

SUMÁRIO SUMÁRIO
1 . O CENTRO DE BELO HORIZONTE E SUA REVITALIZAÇÃO
1.1 - TRANSFORMAÇÕES HISTÓRICAS .............................................................. 7
1.2 - O HIPERCENTRO ......................................................................................... 10
S U S T E N TA B I L I D A D E

1.3 - IMPORTÂNCIA E REVITALIZAÇÃO.............................................................. 13


1.4 - LEGISLAÇÃO ............................................................................................... 14
Revitalização
Moradia Retrofit Reforma da
de centros
social de edifícios Vicentão 2 . OCUPAÇÕES DE EDIFÍCIOS VAZIOS
urbanos
2.1 - A PROBLEMÁTICA DAS OCUPAÇÕES.......................................................... 16
2.2 - A OCUPAÇÃO VICENTÃO............................................................................. 19

3 . REFORMA DA VICENTÃO
CONDICIONANTES, PRECEDENTES E ESPECIFICIDADES
Questôes 3.1 - O RETROFIT DE EDIFÍCIOS.......................................................................... 24
Esvaziamento Déficit
técnicas e
dos centros habitacional
viabilidade 3.2 - ESTUDOS DE CASO...................................................................................... 26
3.3 - O EDIFÍCIO HÉRCULES................................................................................. 28

4 . PROPOSIÇÕES
4.1 - CONSIDERAÇÕES LEGAIS........................................................................... 36
Legislação
nacional
Ocupação 4.2 - PROPOSTA CONCEITUAL ........................................................................... 40
de edifícios
e local 4.3 - DESENHOS ARQUITETÔNICOS................................................................... 42

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 52

6. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 53
Diversidade
de usos

Esquema de definição do objeto de estudo, dos temas que o compõe sua organização.
4 Fonte: Elaborado pelo autor.
1
O CENTRO
DE BELO HORIZONTE
E SUA
REVITALIZAÇÃO
VENDA
NOVA
NORTE

NORDESTE 1918 1935 1950 1977


PAMPULHA

NOROESTE LESTE

SUL
OESTE

BARREIRO

Mapa das regiões administrativas de Belo Horizonte Evolução da mancha de ocupação urbana em Belo Horizonte
Em destaque a região circundada pela Avenida do Contorno e seus A linha clara mais ao centro é a delimitação da Avenida do Contorno e a mancha isolada na parte superior esquerda a Lagoa da Pampulha.
6 bairros, incluindo o hipercentro em cinza. Fonte: PLAMBEL/SMPL, 2000. Disponível em: www.pbh.gov.br. Acesso em 08/11/18.
Fonte: Elaborado pelo autor
TRANSFORMAÇÕES HISTÓRICAS
DO CENTRO DE BELO HORIZONTE
Para se entender o imobiliário.(VILELA, 2006). periferia.(VILELA, 2006). As décadas
cenário atual do hipercentro de Apesar de jovem, já na de 30 a 50 foram marcadas por
Belo Horizonte e o fenômeno década de 20, a cidade sofreu intervenções físicas para criar uma
urbano da ocupação de edifícios transformações da sua área paisagem urbana agradável, como
é preciso recorrer à história. O central. A Avenida do Contorno, por exemplo o Complexo de Lazer
caso da Ocupação Vicentão será inicialmente planejada para ser um da Pampulha e a Cidade Industrial,
1995 1918 à 1995 especificamente abordado neste limite urbano/suburbano, passou a e pelo início da verticalização do
trabalho. A partir dos anos 60 houve configurar apenas a região central centro. Citando (VILELA, 2006, p. 42):
um processo de esvaziamento do da cidade, como se pode observar
centro da cidade, área que voltaria no mapa ao lado, já que a zona “Observa-se, então, na área central,
a se revalorizar a partir dos anos 90 suburbana e a área planejadamente um ritmo acelerado de construções,
numa tendência que se mantém rural que a circundava passou a ser inicia-se as substituições, a expansão do
comércio e das indústrias, a instalação
até os dias atuais. Será apresentado intensamente ocupada pela classe
de serviços ligados à saúde e ao ensino
então um breve histórico das trabalhadora e imigrantes.(GOMES & superior e especializado, hotéis de
transformações ocorridas no LIMA. Op. Cit., 1999, p. 122.): luxo, concentrações bancárias, etc.
município como forma de elucidar as No entorno da Praça Sete, destaca-se
dinâmicas urbanas que resultaram “[...] as ex-colônias agrícolas propostas uma concentração de estabelecimento
na atual configuração do centro. para a zona de sítios passaram a ser comerciais e de serviços – principalmente
Belo Horizonte foi anexadas à cidade e os seus terrenos ligados aos serviços bancários – e
inaugurada em 1897 seguindo um subdivididos em lotes por companhias de instala-se aí o obelisco comemorativo do
desenvolvimento” centenário da Independência, marcando
projeto urbanístico de Aarão Reis. A
a praça como centro simbólico da cidade.”
cidade já apresentava na realização
Foi no começo da década
do seu plano um embate que veio
de 30 e nos anos seguintes que Por causa da expansão acelerada,
a permear o espaço urbano nas
a implantação da siderurgia nas processos de conurbação
décadas seguintes. Uma realização
cidades vizinhas, o desenvolvimento foram acontecendo entre as
do Estado, o leilão da maioria dos
das comunicações e a substituição décadas de 50 e 60, e foi nessa
terrenos da cidade instaurou um
das importações fizeram da capital última em que as modificações
critério de ocupação pautado pela
um importante centro regional. físicas no centro, pautadas pelo
renda, resultando em especulação
Mas ao mesmo tempo em que capital imobiliário e o uso do
de preços, e condicionando o acesso
se consolida o núcleo central, automóvel, foram mais intensas.
à cidade através da ação do capital
potencializa-se a dispersão da

7
Segundo Jayme e Trevissan nos anos 80 o centro de Belo aprovação do Plano Diretor (Lei 7165
(2012), nessas décadas, sob uma ótica Horizonte ainda possuía certa função de 1996) e da Lei de Parcelamento,
de metropolização e modernização, de centralidade, mas já a dividia com Ocupação e Uso do Solo (LPOUS – Lei
aos poucos os espaços que“abrigavam outras áreas como a Savassi. Assim 7166 de 1996) que são a legislação
uma sociabilidade marcada pelo como a maioria das grandes cidades vigente atualmente, juntamente
andar à toa, a pé” foram substituídos do Brasil “o centro parecia ter perdido com suas modificações, e que serão
pelos carros e foram tomando caráter sua importância simbólica.” Mas foi abordadas mais detalhadamente por
de passagem.” O patrimônio edificado no final dessa mesma década que constituírem um importante preceito
sofreu diversas perdas, sendo edifícios a Prefeitura Municipal mobilizou para o projeto arquitetônico a que se
e áreas públicas descaracterizados, projetos que visavam a recuperação propõe este trabalho.
como observado a seguir: da área central sob a ótica de
sua importância para a história
“[...] a desfiguração da Serra do Curral pela e a memória da cidade, visando
exploração de minério de ferro, demolição recuperar seu espaço físico.
de prédios de valor histórico-arquitetônico Vilela descreve
para dar lugar a edificações mais que na década de 90 houve uma
modernas, deterioração e destruição de
“intensificação do crescimento das
espaços simbólicos, corte da arborização
favelas”, o “aumento significativo
original da Avenida Afonso Pena para
aumentar a fluidez do tráfego etc.” (Vilela, dos registros de criminalidade” e o
2006, p. 56) “esvaziamento do Hipercentro”. Um
trecho retirado da mídia fornece
Vilela aponta o abandono do um breve retrato da vida no centro
centro pelas classes de maior renda na época.(Jornal Estado de Minas,
nas décadas de 50 e 60, primeiro como 29/07/2003 ): Praça Raul Soares no ano de 1947
área residencial, depois como ponto Disponível em: http://pirulitopraca7.blogspot.com/2013/04/linha-do-tempo. Vista aérea da década de 50. Observe a Praça Raul Soares
html ligada até a Praça Sete, com grande adensamento, pela
de comércio e serviços e, finalmente, “[...] morar no centro de Belo Horizonte avenida Amazonas. A mancha verde é o Parque Municipal.
é viver entre o céu e o inferno. O acesso
como lugar de empregos. A autora Disponível em: https://bussulabh.files.wordpress.
fácil e rápido ao comércio e serviços atrai com/2011/12/2169106491_3f3e1e511a_o.jpg
aponta duas forças de atuação, os mais velhos, apesar do tráfego intenso,
uma centrífuga, onde o mercado do barulho e da poluição, mas a violência
pressiona algumas atividade para preocupa e afasta os mais jovens, que têm
fora do centro, e outra centrípeta, necessidade de diversão, principalmente à
vindo da periferia para o centro, que noite”
usam os vazios deixados como forma
de acessar o centro. O aparecimento Na mesma época, Jayme e
de novas centralidades voltadas para Trevisan apontam que os projetos
a classe mais abastada tem impacto de intervenção no Centro, física
na vitalidade do centro, provocando e simbólica, passam a ocorrer de
descentralização dos serviços ao maneira mais sistemática e concreta,
Vista aérea da década de 40 mostra em primeiro plano o hiper Vista aérea da década de 50 que Av. Afonso Pena e arredores,
passo que intensifica a segregação acompanhando as tendências de centro da cidade, com destaque para o Viaduto Santa Teresa, a totalmente arborizados, dando vista igualmente para o
social na área. cidade estrangeiras na revalorização Praça da Estação e a Avenida Amazonas. Parque Municipal, no fundo, à esquerda.
Disponível em: https://bhnostalgia.blogspot.com/2014/07/esta-vista-aerea- Disponível em: http://pirulitopraca7.blogspot.com/2013/04/linha-do-tempo.
Para Flávio Villaça, a dos Centros Históricos. Foi quando a mostra-em-primeiro.html?m=1
“decadência” ou “deterioração” do região começou a ser diagnosticada
centro são termos usados para se e alvo de pesquisas e programas
referir ao processo de substituição governamentais. As autoras destacam
da população do centro, da camada entre eles o concurso nacional BH-
mais rica pela camada mais pobre e Centro (1990), o Projeto 4 Estações
logo da sua “desvalorização”. Sendo (2000), e o Programa Centro Vivo
assim seria mais pertinente se referir (2004).
ao processo como “popularização” do Podemos acrescentar a essa
centro. sistematização o Plano de Reabilitação
8 Para Jayme e Trevisanq(2012), do Hipercentro em 2007 e a
INÍCIO DO PROCESSO
D E E S VA Z I A M E N TO

HOMOGENEIZAÇÃO
D A PA I S A G E M E
FLUXO INTENSO
DE VEÍCULOS E
AV E N I DA D O PEDESTRES
INAUGURAÇÃO BH COMO PROJETO PLANO DE
C O N T O R N O PA S S A CONCURSO
DE BELO TERCEIRA MAIOR CENTRO VISTO Q U AT R O R E A B I L I TA Ç Ã O
A L I M I TA R NACIONAL
HORIZONTE CIDADE DO BRASIL COMO DEGRADADO E S TA Ç Õ E S DO HIPERCENTRO
APENAS A BH - CENTRO
ÁREA CENTRAL E PERIGOSO
PRIMEIRA
PROCESSOS DE
CIDADE EM
CONURBAÇÃO
I M P O R TÂ N C I A
DE MG

1897 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1986 1990 2000 2004 2007

I N T E R V E N Ç Õ E S PA I S A G Í S T I C A S I N T E R V E N Ç Õ E S V O LTA D A S M Ú LT I P L A S CONSELHO PROGRAMA


E INÍCIO VERTICALIZAÇÃO PA R A O C A P I TA L CENTRALIDADES D E L I B E R AT I V O CENTRO
DA ÁREA CENTRAL E USO DE AUTOMÓVEIS D O PAT R I M Ô N I O VIVO
E D E S E N V O LV I M E N TO D E C U LT U R A L
N O VA S C E N T R A L I D A D E S

SÍNTESE DO PROCESSO
URBANO EM BELO HORIZONTE 9
Fonte: Elaborado pelo autor segundo “Intervenções urbanas, usos e ocupações de espaços na região central de Belo Horizonte” de Juliana Gonzaga Jayme e Eveline Trevisan (2012).
O HIPERCENTRO
DE BELO
HORIZONTE
O recorte a ser observado neste
trabalho será o do Hipercentro de Belo
Horizonte. Por se tratar de uma área
demarcada pela Lei de Parcelamento,
Ocupação e Uso do Solo por suas
características singulares e apresentar
legislação e políticas públicas
direcionadas, além de ser palco do
fenômeno de ocupações urbanas,
incluindo nosso caso específico, a
Vicentão.
Hipercentro foi definido pela lei
nº 7166, de 27 de agosto de 1996 que
estabelece normas e condições para
parcelamento, ocupação e uso do solo
urbano. É a área compreendida pelo
perímetro iniciado na confluência das
avenidas do Contorno e Bias Fortes,
seguindo por esta, incluída a Praça Raul
Soares, até a Avenida Álvares Cabral,
por esta até a Rua dos Timbiras, por esta
até a Avenida Afonso Pena, por esta até
a Rua da Bahia, por esta até a Avenida
Assis Chateaubriand, por esta até a
Rua Sapucaí, por esta até a Avenida do
Contorno, pela qual se vira à esquerda,
seguindo até o Viaduto da Floresta,
por este até a Avenida do Contorno,
10 por esta, em sentido anti-horário, até
10 N a Avenida Bias Fortes e por esta até o
ponto de origem.
USO E OCUPAÇÃO NO HIPERCENTRO

COMERCIAL MISTO RESIDENCIAL


ed. comercial ou de serviços - loja ou conj. de lojas residencial + comercial ou serviço casa unifamiliar - casa sobrado - conjunto familiar vertical
galpões - shopping center - loja em ed. galeria
galeria - mini shopping

INSTITUCIONAL PÚBLICO VAZIO


clubes esportivos e sociais - instituição de ensino praças - parques - museus - equipamentos públicos vago residencial ou comercial - lote vago
equipamento de saúde - instituição religiosa

Elaborado pelo autor com base no BH Maps - Prodabel - Tipologia uso e Ocupação Lote 2017 11
Disponível em: www.bhmap.pbh.gov.br/v2/mapa/#zoom=4&lat=7796893.0925&lon=609250.9075&baselayer=base&layers=uso_ocupacao_lote
TEM MAIS CASA SEM GENTE
DO QUE GENTE SEM CASA
CONTRASTE ENTRE DENSIDADE
A baixa densidade demográfica DEMOGRÁFICA E DENSIDADE
do Hipercentro de Belo Horizonte,
indicada no Censo Demográfico de
CONSTRUTIVA
2010 aponta aproximadamente 26.965
Densidade Construtiva - dc
habitantes para 14.294 domicílios, uma
(área const. (m²) sobre a área
média de 1,88 habitantes por domicílio. total das quadras CTM (ha)
Os dados contrastam com os números
da Prefeitura Municipal da cidade que maior que 15.000
apontam 4.553 pessoas em situação 5.000 - 15.000
de rua na capital mineira. Segundo
o Jornal Hoje em Dia¹ “pelo menos 0 - 5.000
89 imóveis estão completamente
dc = 0
ociosos no hipercentro de Belo
Horizonte, segundo levantamento da Fonte: Prodabel, SMAAR 2007
Subsecretaria de Planejamento Urbano
da capital. Do total, 19 são edifícios de
três pavimentos ou mais e o restante OCUPAÇÃO
se divide em prédios menores, casas e VICENTÃO
lotes vagos.” Sinopse do Censo 2010
No mapa ao lado temos Densidade Demográfica Preliminar
sobrepostos os dados de densidade (Habitantes/Km2)
construtiva e densidade demográfica
0 - 7385.03
separados por setor censitário, que é
a unidade territorial mínima analisada 7461.28 - 11596.37
pelo IBGE. As unidades sem hachura
apresentam a maior densidade 11609.71 - 15937.49
construtiva, maior que 15.000, sendo as 15976.91 - 19581.06
hachuradas correspondentes a espaços
públicos ou grandes instituições. 19584.44 - 25145.57
Sobrepondo então as áreas sem
25208.91 - 35733.81
hachura, quanto mais clara ela for menor
a sua densidade demográfica. Sendo 35800.37 - 464210.53
assim, nessas áreas há uma grande
quantidade de edifícios mas uma baixa Fonte: IBGE 2010

quantidade de moradores, indicando


potencial local para realização de
projetos de moradia.

MAPA DA REGIÃO HIPERCENTRAL DE BELO HORIONTE


Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo
de Belo Horizonte (Lei 7.166/96 e alterações )
Disponível em: https://prefeitura.pbh.gov.br/sites/default/files/estrutura-de-governo/politica-urbana/2018/planejamento-urbano/geo_zoneam_ade_2012_a0.pdf

12 ¹ MARIANO, Raul e DURÃES, Mariana. Hipercentro de Belo Horizonte tem pelo menos 89 imóveis ociosos à espera de uma nova utilização. Hoje em dia, ano 30, maio. 2018. Disponível em: < www.hojeemdia.com.br/horizontes/hipercentro-
de-belo-horizonte-tem-pelo-menos-89-imóveis-ociosos-à-espera-de-uma-nova-utilização-1.623515 >. Acesso em: 16 nov. 2018.
A IMPORTÂNCIA DOS CENTROS
E POR QUE REVITALIZÁ-LOS ATRAVÉS DA MORADIA
Os centros urbanos possuem centrais é através de programas de É a partir desses conceitos que
características excepcionais que os moradia, principalmente a social, se propõe um projeto arquitetônico
tornam áreas únicas na dinâmica das garantindo assim o direito à cidade para que possa servir de investigação
cidades e que vem despertando o todos, afirmando “a necessidade do para outras experiências que vão
interesse da administração pública e planejamento urbano que admita como de encontro à promoção de uma
também do mercado imobiliário, assim eixo a política fundiária para habitação ocupação democrática do centro, que
como alguns segmentos da população. social”. (MARICATO, 2001, p.136) proporcione o uso e a permanência dos
Simões Junior (1994) aponta três Jacobs (2000) também habitantes ali já instalados e a atração
aspectos principais da importância dos apresenta uma visão semelhante no de um novo contingente populacional
centros. O primeiro diz respeito à sua que diz respeito à manutenção da que não se encaixa hoje no molde dos
localização espacial, otimizada dentro vitalidade de ruas e bairros, apontando imóveis disponíveis, possibilitando que
da rede intra-urbana, e somado à grande a diversidade como ponto chave. E diferentes classes sociais compartilhem
oferta de transporte público coletivo. O para gerar diversidade, aponta quatro do mesmo espaço. Gerando assim
segundo é a rede de infra-estrutura, de pontos essenciais: a variedade de uma diversidade de funções e usos,
serviços e equipamentos, já implantada usos, os edifícios antigos, a dimensão garantindo a função social da cidade, a
mas operando com certa ociosidade, das quadras, e a necessidade integração entre classes, a vitalidade do
o que faz com que qualquer política de concentração. Três deles vão comércio e dos serviços, a preservação
pública que se faça ali se realiza com diretamente de encontro à proposta de do patrimônio e a identidade cultural do
grande economia de investimentos. O intervenção deste trabalho. Mantendo- Centro.
terceiro, mas não menos importante, é se a alta concentração de pessoas que
Tabela - Motivações que conduzem as intervenções em centros urbanos
o seu rico e representativo patrimônio optem por habitar a região, através
histórico, possibilitando o resgate da oferta de moradia de múltiplos
de valores ligados à cultura local, ao tipos, favorece o que a autora classifica
imaginário coletivo e às raízes da própria como “olhos da rua” - uma população
cidade. conectada ao local que tem papel de
Sendo assim, a revitalização de zelo e fiscalização.
centros urbanos é uma necessidade Segundo Vargas e Castilho
latente nas grandes cidades brasileiras. (2006), recuperar o centro das metrópoles
Os dados apontam um grande estoque nos dias atuais significa, entre outros
de edifícios vazios e subutilizados que aspectos, melhorar a imagem da
contrastam com uma infraestrutura cidade que, ao perpetuar a sua história,
consolidada de transportes, tecnologia cria um espírito de comunidade e
e serviços, numa discrepância de pertencimento. Para isso apontam a
valores. O estado de conservação desses reutilização de edifícios e a consequente
edifícios também altera a paisagem valorização do patrimônio construído,
urbana, contribuindo muitas vezes para otimização do uso da infraestrutura
a poluição visual da paisagem. O vazio estabelecida, dinamização do comércio
habitacional dos edifícios favorece a com o qual tem uma relação de origem
degradação da área, que passa a ter e geração novos empregos. Em suma,
um caráter de uso diurno maior que o implementar ações em busca da atração
noturno, o que acaba por favorecer a de investimentos, de moradores, de
criminalidade e atividades ilícitas. usuários e de turistas que dinamizem
Ermínia Maricato em seu livro a economia urbana e contribuam
“Brasil, cidades: alternativas para para a melhoria da qualidade de
a crise urbana” (2001) aponta que vida, valorizando também a gestão
a melhor alternativa para as áreas urbana que executa a intervenção.
13
Extraído de :SIMÕES JUNIOR 1994
LEGISLAÇÃO

PROGRAMAS GOVERNAMENTAIS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS



A existência de programas Através de Parcerias Público-
governamentais específicos para Privadas (PPPs) instituídas pela Lei
áreas centrais corrobora a relevância n º 11.079/2004, permitem que
do tema para o desenvolvimento das o Estado atue em situações em
cidades. O Ministério das Cidades, que não dispõe de recurso para
através da Secretaria Nacional de investimento direto ou em que os
Desenvolvimento Urbano, criou usuários das utilidades públicas
o Programa de Reabilitação de oferecidas não podem financiá-
Áreas Centrais que las exclusivamente. Sendo assim,
a administração pública e entes
“por meio da recuperação do privados podem, através de vínculo
estoque imobiliário subutilizado promove jurídico, implementar projetos que
o uso e a ocupação democrática dos unam o interesse do capital privado
centros urbanos, propiciando o acesso e a aplicação de políticas sociais.
à habitação com a permanência e a Pode-se propor, no modelo do
atração de população de diversas classes
Plano de Reabilitação dos Centros
sociais, principalmente as de baixa renda,
Urbanos e financiado pela Caixa
além do estímulo à diversidade funcional
recuperando atividades econômicas Econômica Federal, uma:
e buscando a complementaridade de
funções e a preservação do patrimônio “Ação apoio à elaboração de
cultural e ambiental.” planos de reabilitação de áreas urbanas
centrais de capitais e municípios
integrantes de regiões metropolitanas”
Para alcançar os objetivos
na modalidade “elaboração de projetos
dispõe-se dos princípios e arquitetônicos de requalificação de
instrumentos do Estatuto da imóveis que contempla a elaboração de
Cidade, fazendo-se cumprir a função projetos arquitetônicos de reabilitação
social da propriedade a partir da edilícia, com o objetivo principal de
atribuição de novos usos à imóveis utilizar imóveis urbanos ociosos, vazios,
e áreas sem uso, subutilizados abandonados, subutilizados e insalubres,
ou insalubres. Estão disponíveis preferencialmente públicos, disponíveis
também investimentos diretos de nas áreas centrais, para produção de
recursos federais e a disponibilização habitação de interesse social, imóveis de
de imóveis públicos, importantes uso público ou misto. Inclui, também, a
elaboração de projetos de restauração/
para a viabilidade do projeto.
recuperação de imóveis históricos
para uso habitacional e de projetos
complementares de instalações prediais,
estrutura, paisagismo, laudos de estado
14 de conservação e capacidade estrutural.”
2
O FENÔMENO
DAS OCUPAÇÕES
URBANAS E A
OCUPAÇÃO VICENTÃO
A PROBLEMÁTICA DAS OCUPAÇÕES
Este segmento busca para reivindicação de seus direitos” cumprimento de sua função social. da proteção da população passa
elucidar as questões que envolvem a e que vão além da moradia. É uma a ser ferramenta de opressão da
ocupação de edifícios abandonados maneira de ganhar poder para [...] adotar o direito à cidade, como slogan mesma. Entende-se então que
e suas relações com as lutas sociais, o pressionar o poder público na busca e como ideal político, precisamente essa parcela da população tem “o
direito à cidade e a moradia, à luz da por diálogo e negociações. porque ele levanta a questão de quem direito de resistência à ordem legal,
comanda a relação entre a urbanização e
legislação urbana nacional e local e Henri Lefebvre, no seu livro Le e, portanto, o direito de resistência
o sistema econômico. A democratização
das dinâmicas diversas que resultam droit à la ville de 1968 nos introduz ao próprio direito. Em outras
desse direito e a construção de um amplo
na construção do espaço urbano. ao conceito de direito à cidade, movimento social para fazer valer a sua palavras, isto significa afirmar que a
Para Quinderé, Andrade que diz respeito primordialmente à vontade são imperativas para que os legitimidade da luta social não está
e Chaves (2017) a ocupação de possibilidade do espaço urbano de despossuídos possam retomar o controle atrelada à ordem legal.” (Trindade,
edifícios é uma reação à ineficiência oferecer ambientes onde a relação que por tanto tempo lhes foi negado e 2014). Sendo assim, a “invasão” de
do poder público em garantir o entre as pessoas constituam uma instituir novas formas de urbanização. bens que não cumprem sua função
direito à habitação e um reflexo da “troca social livre” em detrimento Lefebvre estava certo ao insistir em que a social, apesar de ilegais do ponto
descoordenação econômica, social das relações de mercado. revolução tem de ser urbana, no sentido de vista jurídico, são por natureza
e espacial das cidades. Liderados Ciente dos processos de mais amplo do termo; caso contrário, não legítimas.
por movimentos organizados de segregação que obrigam parte será nada.(Harvey, 2008) Elucidando o tema, Pádua
luta por moradia, as ocupações são da população a viver em regiões Fernandes (2008, p. 78-79), aponta
A ótica sobre a validade das
hoje o principal instrumento de afastadas e são impossibilitadas de que os movimentos sociais de
ocupações passa primordialmente
reivindicação desses movimentos desfrutar a centralidade, Lefebvre moradia “não reivindicam uma outra
pela questão da diferenciação
frente à falta de representatividade (1968) atesta que o direito à cidade ordem jurídica, e sim a efetividade
entre o “legal” e o “legítimo”. Uma
na administração pública. A engloba a recuperação coletiva de da ordem oficial, enquanto as
discussão filosófica e política que
reivindicação do direito à habitação um espaço urbano de direito, por autoridades públicas, no Judiciário
parte da premissa de que Direito e
torna-se campo de manifestação grupos excluídos. É o direito não e no Executivo decidem e agem
Justiça podem estar em desacordo
e é importante reconhecer a apenas de ser incluído na dinâmica de forma a violar o direito estatal”.
(Gargarella, 2005). Dessa forma se
contribuição desses movimentos do espaço, mas de conduzir o Sendo assim, as ocupações não são
constitui o cenário onde o direito
para fomentar os debates sobre a processo urbano, se apropriar da apenas legítimas mas reivindicam
acaba por criar situações injustas
cidade. cidade e usufruir do espaço social. uma legalidade já suposta pelo
ao que diz respeito aos direitos
Ainda segundo os autores, É o direito de produzir e não apenas Estado democrático de direito mas
humanos ou essenciais. É o caso
o caráter de autogestão transforma de consumir. violada.
da propriedade privada, base da
os ambientes ocupados em espaços A solução para os problemas O sistema judiciário brasileiro
qual se fortalecem a especulação
de convergência de colaborações, urbanos parte de grupos sociais já diferencia ocupação, como
imobiliária e as formas excludentes
constituindo uma resistência que organizados e com iniciativas ferramenta de pressão política) de
de produção da cidade, já que
atrasa processos de reestruturação revolucionárias. É o que David invasão, que pressupõe crime contra
mesmo legais resultam em prejuízo
urbana pautados pela especulação Harvey aponta como direito o patrimônio ou dano à propriedade
aos direitos de certa parcela da
imobiliária e gentrificação. Além da coletivo, onde os processos urbanos privada. Em decisão do STF de 1997,
população.
necessidade de um local para morar, são modificados à partir da ação num processo contra 4 lideranças do
É o que Gargarella (2005, p.
as ocupações ocorrem também de um poder conjunto, o que vem MST, consta na ementa da decisão o
19) aponta como “alienação legal”,
como “estratégia de mobilização de encontro com as propostas seguinte:
quando o direito em detrimento
16 coletiva de movimentos populares das ocupações de edifícios para
Movimento popular visando a implantar São os movimentos sociais
a reforma agrária não caracteriza crime os protagonistas pelas lutas e pelas
contra o Patrimônio. Configura direito ocupações e não é diferente no
coletivo, expressão da cidadania, visando caso de Belo Horizonte. Denise
a implantar programa constante de
Morado Nascimento (2016) aponta
Constituição da República. A pressão
o Movimento de Luta nos Bairros,
popular é própria do Estado de Direito
Democrático (HC 5.574/SP, 1997). Vilas e Favelas (MLB/MG), Brigadas
Populares e Comissão Pastoral da
Sendo as ações dos Terra como os principais envolvidos
movimentos sociais legítimas e pelas ocupações urbanas na cidade
legais, devemos ainda dar crédito além do Fórum de Moradia do
pelo seu papel de resistência e Barreiro e o Movimento de Luta Pela
Fonte: Brasil de Fato. Disponível em: www.brasildefato.com.br/2018/05/22/em-belo-horizonte-ocupacao-vicentao-proporciona-trabalho-e-moradia-para-familias/
criação de um campo que tem Moradia (MLPM).
pressionado e aberto discussões que São apontados também,
tem tornado possível mudanças nas além dos movimentos, articulações
questões do planejamento urbano, com atores distintos, como
da gestão pública e do papel de ativistas e grupos de pesquisa de
agentes que constroem o espaço universidades. Fato que pode ser
urbano. observado no caso específico da
Exemplo disso foi a criação Ocupação Vicentão e que será
em 1988 do Movimento Nacional abordado em seguida.
pela Reforma Urbana (MNRU),que
unia diversos movimentos sociais,
entidades profissionais, sindicais
e acadêmicas por melhorias nas
áreas de habitação, saneamento,
mobilidade e outras pautas.
(Maricato, 2010). O Movimento
acabou conquistando a aprovação
da Lei Federal 10.257 em 2001, que
instituiu o Estatuto da Cidade.

Ações que, teoricamente desafiam a


lei, são, paradoxalmente, responsáveis
pela ampliação dos direitos e pela
consolidação de novos códigos legais, que
trazem consigo, em muitos casos, novas
concepções de justiça, democracia e
cidadania, problematizando concepções
anteriormente dominantes.(Trindade,
2014)
17
Fonte: Brasil de Fato. Disponível em: www.brasildefato.com.br/2018/05/22/em-belo-horizonte-ocupacao-vicentao-proporciona-trabalho-e-moradia-para-familias/

Governo do Estado ainda não apresentou desde maio, estão sendo impedidas de Ele faleceu em 2016 com mais de 80 anos
um programa efetivo de construção de trabalhar pela prefeitura. A violação do dos quais lutou por mais de 70! Vicentão
moradias ou de regularização fundiária direito ao trabalho tira o alimento de participou de várias tomadas de terras na
urbana e, em contrapartida, aprovou a suas casas e as impossibilita de pagar os cidade e atuou em várias comunidades
O ano de 2018 se inicia com ventos
Lei Estadual 22.606/2017 que autoriza a altos valores dos alugueis e do transporte tais como a Cabana do Pai Tomás,
que sopram desde os de baixo, fazendo
venda de milhares de imóveis públicos público praticados na nossa cidade. Morro Querosene, Nova Cintra, Conjunto
tremer a estrutura de poder das elites que
que poderiam ser destinados a esse fim. O imóvel ocupado, por sua vez, está Santa Maria, Vista Alegre, João XXIII e
golpeiam o povo brasileiro. Uma nova
A prefeitura de Belo Horizonte, além de repleto de embaraços judiciais que Marmiteiros. [ver nota aqui: https://goo.
ocupação de famílias sem teto nasce no
não prever a destinação de recursos para envolvem débitos com a Fazenda Pública gl/UFgkac]
centro de BH, na rua Espírito Santo 461, da
a construção de novas casas populares de Belo Horizonte e a Fazenda Nacional, O povo pobre de periferia tem o direito
organização e da coragem das mulheres,
e para a urbanização das ocupações, dentre outros. Só de débitos de IPTU há ao centro, à cultura, ao lazer e a todos os
homens, crianças e idosos que desatam
apresentou o Projeto de Lei 413/2017 para competências em aberto dos anos de acessos que o coração da cidade propicia.
as correntes da opressão e se colocam em
retirar 58 milhões do Fundo Municipal 2002, 2003, 2005, 2006, 2007, 2014, 2015, Essa ocupação é uma forma de efetivar
luta por uma cidade onde caibam todas
de Habitação. Em Belo Horizonte há 2016, 2017 e 2018. O suposto proprietário direitos, dar destinação social a um imóvel
e todos.
muita casa sem gente e muita gente sem do imóvel seria o banqueiro falecido que estava completamente abandonado
O povo pobre de Belo Horizonte sobrevive
casa: cerca de 80 mil famílias sem casa Tasso Assunção, o primeiro condenado transformando-o em moradia, espaço
nas periferias, privado de uma vida digna,
enquanto há mais de 171 mil imóveis por crime de colarinho branco no de formação e organização do povo.
de seus direitos e sob pressão do Estado
vazios na Região Metropolitana de Belo Brasil e responsável por lesar centenas A ocupação vem efetivar na luta uma
militarizado. Sem acesso adequado à
Horizonte (RMBH)! de clientes e trabalhadores por via de Reforma Urbana estrutural, feminista
moradia, creches, escolas, postos de
Diante disso, o povo tem o direito esquemas fraudulentos envolvendo o e popular reforçando a vitalidade da
saúde, possibilidades de trabalho e
de ocupar o centro para fazer valer o Banco Hércules e o Consórcio Mercantil. resistência no centro da nossa capital.
transporte público, para estas pessoas,
direito à cidade como expressão do Foragido da Justiça, ele se escondia Pátria-Mátria livre! Venceremos!
a repressão policial é a forma mais
direito à moradia, do lazer, da cultura, em um cômodo que ficava atrás de Por uma cidade aonde caibam todos e
corriqueira de presença do Estado nos
e, essencialmente, como o direito de um armário em sua mansão no bairro todas!
seus territórios. De outro lado, o centro
transformar à cidade de forma a atender Cidade Jardim. Exigimos que o prédio Enquanto morar é um privilégio, ocupar é
da cidade concentra uma gama de
seus reais interesses, desejos e sonhos. seja destinado à habitação de interesse um direito e um dever!
serviços e infraestrutura não apropriados
As famílias da Ocupação Vicentão na popular e estamos abertos à um processo Vicentão não morreu, se multiplicou em
pela maioria das trabalhadoras e
sua maioria estão desempregadas, assim de negociação e mediação ético. nós, na luta!
trabalhadores que constroem a riqueza
como 14 milhões de brasileiros, ou estão A Ocupação Vicentão é um levante #OcupacaoVicentão #MorarNoCentro
do país e das cidades. O centro concentra
no trabalho informal, ou seja, têm o seu dos pobres contra a Casa Grande, #CentroVivo
também centenas de imóveis vazios,
direito à moradia e ao trabalho negados, contra os banqueiros e magnatas que
ociosos ou subutilizados, que servem
sobretudo nas áreas centrais. Parte das praticamente não pagam impostos no


exclusivamente a práticas de especulação
famílias da ocupação foram despejadas país, contra o 1% da população que
imobiliária.
no dia 16 de março de 2017 de um detêm mais riqueza que os 99%, contra a
Para as famílias pobres, o Estado não
imóvel na área hospitalar de propriedade elite que se enriquece às custas do nosso
oferece alternativas ou perspectivas de
da Santa Casa que até hoje não deu trabalho precarizado e mal pago, contra
um futuro melhor. O cenário da política
destinação social para o prédio. Algumas a privatização dos nossos bens comuns e
habitacional no Brasil é desolador em Assinam essa nota pública:
famílias foram atendidas de forma do roubo de nossas riquezas.
todos os níveis. O Governo Federal golpista – Brigadas Populares – Minas Gerais
precária no abrigo Granja de Freitas, o O nome da ocupação homenageia
e ilegítimo acabou com o Minha Casa – Intersindical
que não representa alternativa digna de Vicente Gonçalves, “Vicentão”, advogado
Minha Vida para famílias de baixa renda, – Central da Classe Trabalhadora
moradia. Outras famílias trabalhavam popular negro e uma das principais
retirando todos os investimentos para – Associação Morada de Minas Gerais
no centro e em outras regionais e, lideranças faveladas de Belo Horizonte.
construção de moradias populares. O

Disponível em: https://brigadaspopulares.org.br/nasce-a-ocupacao-vicentao-no-coracao-de-belo-horizonte/


18
18
A OCUPAÇÃO VICENTÃO
COMO COMEÇOU ORGANIZAÇÃO

A Ocupação Vicentão se A Vicentão é liderada por
instalou no edifício do antigo Banco três movimentos sociais: Brigadas
Hércules no dia 13 de janeiro de Populares MG, Intersindical -
2018. Antes disso, parte das famílias Central da Classe Trabalhadora e
que ocupam hoje o prédio estava Associação Morada de Minas Gerais,
ocupando um outro, localizado na que se articulam na organização da
Avenida Professor Alfredo Balena, 596 ocupação. Para garantir que todos
também no centro e de propriedade possam atender suas necessidades
da Santa Casa. As famílias foram mínimas há uma rotina organizada
despejadas no dia 16 de março e muito trabalho coletivo. Todo o
de 2017, através de uma ordem trabalho feito na ocupação é dividido
judicial de reintegração de posse, por comissões que se revezam. Assim
sob a justificativa da construção da é possível cuidar da cozinha coletiva,
Clínica dos Olhos da Santa Casa no da limpeza, segurança e melhorias
prédio ocupado mas funciona hoje no prédio entre outras atividades,
em outro endereço. A Companhia como o cuidado com as crianças.
Urbanizadora de Belo Horizonte - No local ainda são ofertadas aulas
Urbel foi responsável por realocar as de reforço escolar, pré-vestibular e
as 70 pessoas que estavam no local ioga. Recentemente os moradores
e foram encaminhadas ao Granja de começaram um curso de defensores
Freitas e ao abrigo São Paulo. populares, para que todos conheçam
Juntaram-se a essas famílias os seus direitos. Segundo o jornal O
trabalhadores informais do Centro e Beltrano, os moradores da Vicentão
de outras regiões que desde maio de pagam R$50,00 mensais por
2017 tiveram seu trabalho impedido família, independente do número
pela Prefeitura Municipal através de de integrantes, que custeiam
uma dura política de fiscalização. majoritariamente a compra de
Os ocupantes em sua maioria estão alimentos para suprir a distribuição
desempregados ou no trabalho de 3 refeiçoes diárias para cerca de
informal e tem renda insuficiente 200 famílias.
para o pagamento de aluguel e a
manutenção de despesas básicas
como saúde e alimentação, mesmo
em regiões distantes do Centro.

Moradores se reunem no hall do edifício Hércules ainda sem luz.


Disponível em: www.facebook.com/OcupacaoVicentao/
19
FATOS IMPORTANTES ASSISTÊNCIA

ROTINA

O Movimento é amplamente A Ocupação Vicentão é uma
aparado por organizações e comunidade viva e ativa, que através
2018 OCUPAÇÃO DO
profissionais de diversas áreas, como da luta social está proporcionando
13 jan
EDIFÍCIO HÉRCULES advogados, arquitetos, engenheiros, trabalho e acesso a serviços básicos para
professores e pedagogos. A creche seus moradores e para a comunidade
BARRADOS NA REUNIÃO comunitária por exemplo possui envolvida. O tempo é dividido entre as
DO CONSELHO MUNICIPAL 11 mai
estagiários estudantes da Pontifícia melhorias do edifício -que corroboram
DE HABITAÇÃO Universidade Católica (PUC) e do a Ocupação em questões legais - o
VISITA DO REPRESENTANTE
14 mai DA MESA DE DIÁLOGO DO Instituto Metodista Izabela Hendrix, cuidado com as crianças, através da
ESTADO DE MINAS GERAIS assim como um pré-vestibular social. creche e da matrícula nas escolas da
MANDADO DE REINTEGRAÇÃO A Vicentão possui apoio de professores região, o acesso aos postos de saúde
DE POSSE PELA 2 VARA 16 mai universitários que dão assessoria contra para todos e atividades educacionais,
EMPRESARIAL DE BH REUNIÃO NA CIDADE riscos de incêndio e apoio em questões culturais. São oferecidos palestras,
ADMINISTRATICA COM A de salubridade do edifício, e também há cursos e atividades recreativas com
18 mai
MESA DE DIÁLOGO E a participação de alunos em disciplinas uma frequência semanal, como
NEGOCIAÇÃO DO ESTADO que abordam a Ocupação de maneira apresentações de cinema, música ao
CEMIG CORTA PARTE
direta, como é o caso dos professores vivo, debates e etc.
DA INSTALAÇÃO ELÉTRICA 03 jun
Tiago Castelo Branco e Marcela Silviano
REINTEGRAÇÃO DE POSSE Brandão na EA-UFMG. Por isso possuem ATIVIDADES
26 jun
SUSPENSA PELA 2 uma cozinha comunitária central,
CÂMARA CÍVEL DO TJ/MG com extintores por perto, e proíbem Os moradores da ocupação
2 REUNIÃO COM A MESA os moradores de manterem fogões e outros membros dos movimentos
DE DIÁLOGO E NEGOCIAÇÃO
20 ago nos andares, estruturas de madeira ou populares e da comunidade local
usarem velas. estão constantemente participando
de atividades culturais, educativas
OBJETIVOS e de lazer, que acontecem dentro
e fora do edifício, fazendo uso
“Aqui na ocupação são dois da infraestrutura e dos serviços
públicos prioritários: os sem-teto e os oferecidos no centro, como podemos
ambulantes que foram expulsos do observar pelos posts divulgados na
centro da cidade. Temos três objetivos: página da Ocupação no Facebook.
assegurar a moradia digna, o trabalho
digno e a comunhão na divisão das
tarefas comunitárias”, explica o
advogado popular e militante das
Brigadas Populares, Luiz Fernando
Vasconcelos, ao jornal Brasil de Fato.

20
Imagens extraída da revista Elas por Elas 2018
Disponível em: www.yumpu.com/pt/document/view/62163231/revista-elas-por-elas-2018

QUEM MORA
NA OCUPAÇÃO?
Diversidade é o termo para definir
os habitantes da ocupação. A começar pelos
núcleos familiares que vão de 1 a 6 pessoas e são
compostos por homens e mulheres em diferentes
arranjos, e incluem casais homossexuais, pais e
mães solteiros e pessoas que dividem diferentes
graus de parentesco. As histórias de vida também
são diversas e podemos conhecer algumas delas à
seguir.

PERFIL DOS MORADORES

210 PESSOAS

83 FAMÍLIAS

15 FAMÍLIAS

20 FAMÍLIAS

20 FAMÍLIAS
Posts extraídos da página da Ocupação Vicentão no Facebook.

10 FAMÍLIAS
Disponível em: www.facebook.com/OcupacaoVicentao/

05 FAMÍLIAS

05 FAMÍLIAS
21
21
Imagens extraídas da revista Elas por Elas 2018
Disponível em: www.yumpu.com/pt/document/view/62163231/
revista-elas-por-elas-2018

A moradora Catiana Silva em frente à Ocupação Vicentão.


Disponível em: www.brasildefato.com.br/2018/05/22/em-belo-horizonte-ocupacao-vicentao-proporciona-trabalho-e-moradia-
para-familias/

A auxiliar de cozinha Catiana A ambulante Rafaella Costa


Silva morava de aluguel na Vila Joana também é uma das moradoras
Darc, no Barreiro. Com o salário que da ocupação. Quando chegou
ganhava tinha que escolher entre à Vicentão, Rafaella estava
alimentar os três filhos ou pagar o desempregada e enfrentava uma
aluguel. Há cinco meses ela decidiu depressão pós-parto. Hoje ela afirma
ir para a Ocupação Vicentão. Uma que encontrou não só um lar, mas
semana depois de saberem de sua uma família.
mudança, os antigos patrões de
Catiana demitiram a auxiliar. Hoje “Eu perdi meu emprego fixo,
ela mora a um quarteirão do seu estava prestes a ser despejada porque
novo trabalho e afirma que a vida não conseguia pagar o aluguel aí eu vim
melhorou. para a ocupação. Hoje eu estou melhor.
Aqui eu me encontro, encontro união e
“Eu conheci meus direitos e vim apoio. Somos uma família.”
em luta pela minha moradia e minha
dignidade. Porque a partir do momento
que você tem condições de dar aos seus
filhos um pão e uma fruta, você tem
dignidade! Os meus filhos não tinham
acesso a estes direitos que hoje eles
têm. Ter acesso à saúde e à educação de
qualidade, à moradia e ao lazer, isso sim
é ter dignidade.”

22
22
Depoimentos extraídos do Jornal Brasil de Fato.
“Em Belo Horizonte, Ocupação Vicentão proporciona trabalho e moradia para famílias”
Disponível em: www.brasildefato.com.br/2018/05/22/em-belo-horizonte-ocupacao-vicentao-proporciona-trabalho-e-moradia-
para-familias/
3
O RETROFIT DE EDIFÍCIOS:
PRECEDENTES,
CONDICIONANTES
E ESPECIFICIDADES
O RETROFIT DE EDIFÍCIOS
O setor da construção “o retrofit arquitetônico vem a ser a busca Caixa Econômica em 2006. estrutura de concreto armado
civil é uma atividade de grande pela sincronicidade do edifício com o Outro fator chave é a não apresenta sinais visíveis de
importância econômica e também termo presente, de modo a vitalizá-lo com presença da superestrutura, que em deterioração e provavelmente não
uma das que mais geram impactos novos materiais e tecnologias, evitando uma nova construção representa precisará de reforços, uma vez que
que se torne obsoleto e permitindo
negativos ao meio ambiente. Com uma parte significante dos custos, as estrutura mais antigas eram
que acompanhe o desenvolvimento
o crescente interesse em reduzir os com fundações e sistema estrutural. superdimensionadas se comparado
tecnológico dos grandes centros urbanos.”
impactos ambientais é necessário De acordo com Fábio Elias, da Cury aos valores adotados atualmente,
assumir uma postura sustentável, O termo retrofit vem da Empreendimentos Imobiliários, que devido ao fator de segurança
através da economia de energia e junção das expressão do latim “retro”, já recuperou 4 prédios na cidade adotado na época. O bom estado do
redução de resíduos na construção, que significa mover-se para trás, e de São Paulo, quando a fundação e seus componentes também atesta
operação, manutenção e demolição do inglês “fit”, equivalente a reajuste estrutura estão em boas condições à favor da viabilidade da obra de
dos edifícios. ou adaptação. A técnica surgiu na pode se esperar uma economia de retrofit e seu baixo custo.
Com o tempo uma Europa associada à reconstrução no mínimo, 20%. No caso do edifício “balança
quantidade considerável de edifícios pós Segunda Guerra e passou a ter Deve-se levar também em mas não cai” renovado pela
antigos se tornaram incompatíveis participação significativa no setor da consideração que muitas vezes construtora Diniz Camargo, somente
com as transformações urbanas construção civil a partir da década não se pode repetir o potencial de a estrutura foi reaproveitada não
que ocorreram nas cidades, como de 80 e representa hoje em muitos prédios antigos devido às normas sendo possível reutilizar nenhum
é o caso do esvaziamento dos casos um número maior que o de e legislação atuais. Os responsáveis dos outros subsistemas existentes
centros. Esses edifícios perderam novas construções.(Ver tabela 1). pelo projeto, visando a manutenção por cauda da modificação do uso e
sua funcionalidade. Mesmo aqueles Isso se deve entre outros desse potencial, devem: do elevado nível de degradação, o
de importante valor arquitetônico fatores pelo fato de um retrofit ter que mesmo assim não inviabilizou o
relevantes muitas vezes já não “...analisar adequadamente: o uso, a projeto.
um custo menor que o de uma
apresentam uso compatível com a segurança, ventilação, iluminação, Deve-se atentar também
edificação nova e atender à mesma legislação e segurança dos sistemas
realidade atual e precisam passar demanda. (MARQUES DE JESUS, a questões de logística, como por
por uma readequação. (estrutural, elétrico, hidráulico, vedações, exemplo a dificuldade encontrada
2008) faz um comparativo dos revestimentos) presentes para de
Através da técnica do retrofit, custos de 5 empreendimentos em para a disposição do entulho que no
forma eficiente dimensionar e planejar
é possível readaptar edifícios, para a São Paulo entre reabilitar e construir caso edifício, não possuía elevadores
as intervenções necessárias com as
preservação do patrimônio histórico (Ver tabela 2), o que mostrou uma melhores técnicas, processos e materiais de serviço e gruas, e tinha espaço
ou a revitalização de centros urbanos economia de 12% a 52% do valor disponíveis, sem fugir do orçamento.” (DE da escada limitado em sua largura.
degradados, dando nova vida às investido em uma nova construção. SOUZA, 2011) A alternativa encontrada foi a
edificações e potencializando seu Foi considerado um edifício novo de utilização do poço de ventilação no
uso e eficiência. (VALE, 2006) conclui: R$ 553,58/m2 que segue valores da No caso do edifício Hércules, a átrio do prédio.

Tabela 1 - Percentual do mercado de construção civil na Tabela 2 - Comparação de custos diretos


Europa Ocidental e em quatro países do Leste Europeu. de produção de obras novas e de

Fonte: EUROCONTRUCT (2015)


Fonte: MARQUES DE JESUS (2008)
24
RETROFIT NO HIPERCENTRO
Podemos perceber que Nesse sentido, o projeto
apesar do esvaziamento do centro de retrofit da Ocupação Vicentão
até os anos 2000, recentemente a vem como movimento contrário
área hipercentral apresenta relativa ao que se apresenta atualmente
valorização e redescoberta pelo no hipercentro, marcado por
mercado imobiliário. As classes intervenções lideradas pelo mercado
populares desejam morar no centro e que acabam resultando em
em virtude das vantagens que especulação e cenário de possível
este pode oferecer e as empresas gentrificação. Uma tentativa de
imobiliárias também compartilham garantir acesso à moradia, o direito à
desse interesse devido à oferta de cidade, à infraestrutura, aos serviços,
infraestrutura consolidada, que à cultura e à cidadania, através da
proporciona boas oportunidades de reabilitação do edifício e do morar
negócios. no cento.

Excelsior Residence Golden Tulip Hotel


Praça Rio Branco Rua Rio de Janeiro 18
Antigo Hotel Excelsior Antigo Hotel Beira Rio
Retrofit em 2015 pela Diniz Camargo Retrofit em andamento prev. 2019

Edifício Francisco Lopes Evangelista Samba Hotel


“Chiquito Lopes” Afonso Pena 772
Rua São Paulo com Caetés Retrofit em 2018
Pertencia à Vale
Retrofit residencial em 2005

“Balança Mais Não Cai” STUDIO Pio XII


Avenida Amazonas com Tupis Rua Espírito Santo, 1059
Retrofit em 2008 pela Diniz Camargo Antigo Ed. Pio XII 25
Retrofit em 2017 pela JB Simão
ESTUDOS DE CASO EDIFÍCIO DANDARA
Arquitetos:
Observaremos aqui dois casos que por suas especificidades
fornecem inspiração e ferramentas legais e projetuais que Localização: Avenida Ipiranga - São Paulo, SP
auxiliam a tomada de decisões quanto ao projeto a que se propõe Área: 7.100 m²
este trabalho de conclusão de curso. Os projetos escolhidos
serão analisados para identificar soluções adaptáveis para o caso
Ano: 2018
específico do retrofit da Ocupação Vicentão.
O edifício Dandara é o primeiro O imóvel era de propriedade
reformado via retrofit pelo Minha da União que cedeu à entidade
Casa Minha Vida - Entidades. O imóvel organizadora, por meio de Concessão
abrigou a Justiça do Trabalho a partir de Direito Real de Uso. A reforma teve
da década de 70 e ficou mais de dez um investimento de R$ 11,9 milhões e
anos vazio até ser destinado para foram iniciadas em setembro de 2014.
moradia, tendo sido ocupado pela ULC São R$ 9,1 milhões do governo federal,
(Unificação das Lutas de Cortiço) a partir por meio do Ministério das Cidades, R$
de 2009. A ação beneficiou mais de 480 2,3 milhões do governo do estado de
pessoas. São Paulo e R$ 465 mil da Prefeitura de
São Paulo
Na modalidade Entidades do
MCMV os movimentos de moradia
se responsabilizam pela entrega do
imóvel e também fazem a escolha das
ESTRATÉGIAS famílias, nesse caso, realizada pela
PROJETUAIS ULC, seguindo as regras definidas
pelo Governo Federal, destinado a
famílias com renda de até R$ 1,8 mil
(Faixa I), e em critérios próprios, como
participação em ocupações e atos. O
caso do Dandara se destaca porque
FINANCIAMENTO PELO nele os moradores puderam escolher
de detalhes do acabamento às regras
MCMV ENTIDADES de condomínio.
O prédio tem 21 andares e
120 apartamentos distribuídos em 15
andares. Os demais são do mezanino,
térreo, subsolo com caixa d´água
inferior e dois pavimentos superiores
para a casa de máquina dos elevadores e
outro reservatório d’água. O projeto de
reforma do prédio prevê dois tipos de
unidades habitacionais, com tamanho
entre 25 m² e 77 m², plantas de um
quarto, projetadas como quitinete, e
apartamentos de dois quartos, sala,
cozinha e banheiro.
Observamos nas fotos ao
lado uma clara mudança no padrão
das habitações do edifício, o que
deixa dúvidas sobre a ocorrência de
especulação imobiliária e gentrificação
ou a eficácia do acesso à moradia
como ferramenta de mobilidade social.
Lembrando que atualmente todos os
programas de habitação operam sob
o sistema de financiamento e para
26 Disponível em: http://cohab.sp.gov.br/Noticia.aspx?Id=3394 Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/05/vazio-por-anos-predio-e-reformado-por-sem-teto-e-
agora-vira-exemplo-em-sp.shtml aquisição do imóvel.
THE HUB
Arquitetos: Kraaijvanger Studio
Localização: Rotterdam, Holanda
Área: 15m²
Ano: 2016
O The Hub é um sistema
modular de cozinha e banheiro que
pode ser inserido em um edifício vazio
para torna-lo uma moradia. A instalação
em edifícios de escritórios, galpões e
outras estruturas é possível desde que
haja conexão elétrica e de água.
Cada módulo contém uma
cozinha, banheiro, e outros sistemas
ESTRATÉGIAS
como aquecimento, som e conexão wi- PROJETUAIS
fi, provendo quase tudo o que preciso
para se morar com conforto. Também
é possível usar uma série de módulos
para criar um conjunto de habitações,
podendo acomodar famílias, estudantes
ou mesmo refugiados.
O arquiteto David Hess explica
ao site Deezen¹ que por ser modular e SISTEMA MODULAR
de fácil montagem o projeto possibilita HIDRÁULICO E ELÉTRICO
prédios vazios se tornarem morarias em
apenas alguns dias. Se um edifício onde
o Hub estiver instalado receber uma
nova função ou for demolido, ele pode
ser removido e usado em um novo local.
A ideia é que as unidades
funcionassem num sistema de aluguel
ao invés de serem compradas. Seria
como comprar os confortos de uma casa
sem possuí-la. As primeiras unidades
foram fabricadas com compensado de
madeira laminada em alta pressão e
painéis de madeira maciça. A conexão
elétrica e hidráulica é feita pelo piso.
Propõe-se adaptar a estrutura
ao mercado brasileiro através da
compatibilização com eletrodomésticos
populares e materiais de baixo custo
como chapas de madeira reconstituída
ou estrutura metálica. Apesar de não
estar disponível detalhes de planta
baixa, uma versão será construída
através da observação de um vídeo
mostrando o processo de montagem
do Hub.

¹ Disponível em: www.dezeen.


com/2016/03/09/modular-kitchen-bathroom-
unit-convert-abandoned-buildings-into-
homes-kraaijvanger-rotterdam-netherlands/
27
O EDIFÍCIO HÉRCULES
O imóvel está registrado no 4º Oficio de O prédio, de propriedade do banqueiro
Registro de Imóveis, sob a Matricula nº 22. 535, Tasso Assunção Costa, já foi sede do Banco
datada 15/07/1981. Constituído por área de Hércules, Secretaria de Estado da Saúde Minas
720m² formado pelo lote nº 16 e parte dos lotes Gerais, Aec Centro de Contatos, e está atualmente
14 e 18 do quarteirão 05, situado na Rua Espírito listado na massa de falência do banco desde
Santo, nº 461, bairro Centro, do município de 14/07/2014, data do processo n. 8784067-
Belo Horizonte/Minas Gerais De acordo com o 30.2005.8.13.0024 publicado no Diário de Justiça
processo n. 0024.02.683.314-5 - Falência de Banco do Estado de Minas Gerais. Só de débitos de IPTU
Hercules S/a - 18/04/2016 do TJMG o imóvel há competências em aberto dos anos de 2002,
foi avaliado em R$36.090.000,00 (trinta e seis 2003, 2005, 2006, 2007, 2014, 2015, 2016, 2017 e
milhões e noventa mil reais) (fl 7797), de acordo 2018, segundo a página da Ocupação Vicentão.
com a avaliação que se encontra nos autos do
processo, realizada pela empresa Vaz de Mello.

O HIPERCENTRO

A CIDADE DE
BELO HORIZONTE

2828
O EDIFÍCIO HÉRCULES N
RUA ESPÍRITO SANTO, 461
N
O
NT
SA
TO
ÍRI
ESP
A
RU

RU
A
ES

RI
TO
SA
NT
O
N
N

RU
AE
SP
ÍRI
TO
O SAN
NT TO
SA
O
Í RIT
SP
AE
RU N

29
Esquema da composição de níveis do edifício, alguns de seus sistemas,
ambientes e suas áreas.

ENTORNO E INTERIOR Fonte: Elaborado pelo autor

A seguir estão apresentados o perfil da rua Espírito Santo


ao longo do quarteirão onde se situa o edifício Hércules, onde
podemos observar sua relação com o entorno imediato, assim
como no corte transversal ao lado e as edificações vizinhas de
frente e fundo. Vemos também um diagrama onde podemos
identificar alguns sistemas do edifício e sua composição de áreas.

8m

RUA ESPÍRITO SANTO, 461

PLANTA TÉRREO PLANTA 2º AO 5º PAV.


664,35 m² 664,35 m²
x4 = 2.657,4 m²

FACHADA RUA ESPIRITO SANTO


ESCALA 1:100

Perfil da rua Espírito Santo ao longo do quarteirão ocupado pelo edifício Hércules e sua fachada.
30
Fonte: Elaborado pelo autor

30
10
200
CAIXA D'ÁGUA

60

10
90
300

300
210
CASA DE MÁQUINA CASA DE MÁQUINA
TERRAÇO

80

80

80
60
190
400

340
210
10º PAVIMENTO

15
15

15

60
190
400

340
210
9º PAVIMENTO

15
15

15

60
190
400

340
210
PLANTA 7º AO 10º PAV.
8º PAVIMENTO

15
15

15

60
338,43 m²

190
3,70m 4 m

400
x4 = 1.353,7 m²

355
210
7º PAVIMENTO

15
15

15

60
160
370

340
210
326,72 m²

110
TERRAÇO 6º PAVIMENTO (PILOTIS)
215

60 15
45

45

45
160
370

370

310
210
5º PAVIMENTO

15
15

15

15

60
160
370

370

310
210
4º PAVIMENTO

15
15

15

15
1465

60
160
370

370

310
27 m

210
3º PAVIMENTO

15
15

15

15

60
3,70m

160
370

370

310
210
2º PAVIMENTO

PLANTA 6º + TERRAÇO

15
15

15

15
75

60

60
160
384,18 m²
220

370
7,55 m

310
210
Variavel - 705 a 730

90
SOBRELOJA

15
755

15

15
215

60
160
RUA ESPÍRITO SANTO

370

310
210
260

15
PASSEIO ENTRADA 1º PAVIMENTO (TÉRREO)
RUA
60 15

15

15
ESPÍRITO

60
SANTO

160
Perfil Natural do

15
Terreno
ARRIMO

240
Corte transversal do edifício e perfil dos edifícios vizinhos de frente e fundo. 370
310

310

220
210
31

ARRIMO
SUBSOLO

Fonte: Elaborado pelo autor


31
15

15

15

15

15
ARRIMO
ARRIMO

210
CORTE AA CX. D'ÁGUA SUBTERRÂNEA
ESCALA 1:100

15
ESTUDOS AMBIENTAIS
A seguir estão apresentados o perfil da rua
Espírito Santo ao longo do quarteirão onde se situa o
edifício Hércules, onde podemos observar sua relação
com o entorno imediato, assim como no corte transversal
ao lado e as edificações vizinhas de frente e fundo. Vemos
também um diagrama onde podemos identificar alguns
sistemas do edifício e sua composição de áreas.

ENSOLAÇÃO

TO

RU
N
SA

A
ES
O
IT


R

RI
ES

TO
A

SA
N
32 RU

NT
N

O
VENTOS

TO

RU
N
SA

A
ES
O
IT


R

RI
ES

TO
A

SA
RU N
33

NT
N

O
Vista da fachada frontal do edifício a partir
da rua Espírito Santo.

Vista do terraço no 6 pavimento a partir da


cobertura do edifício. Vista da fachada lateral do edifício a partir da rua.

34 Vista da fachada frontal do edifício a partir do


terraço localizado no 6 pavimento.
Todas as imagens são da página da Ocupação Vicentão no Facebook.
Disponível em: https://www.facebook.com/OcupacaoVicentao/?ref=br_rs
4
PROPOSIÇÕES:
LEGAIS,
CONCEITUAIS,
E ARQUITETÔNICAS
PROPOSIÇÕES LEGAIS
Para que as ideias aqui propostas e do edifício, o conforto das habitações e a
o projeto arquitetônico sejam viabilizados manutenção do projeto para seu fim original,
há algumas questões que precisam ser evitando especulação. Será apresentado
abordadas e formalizadas através de à seguir uma série de proposições e
instrumentos legais. São medidas que tem o regulamentações e seus efeitos esperados
objetivo de garantir a ocupação democrática sobre o projeto.

REGULAMENTAÇÃO COMO ÁREA ELABORAÇÃO DE UM


1º ESPECIAL DE INTERESSE SOCIAL TIPO-I 2º DECRETO ESPECÍFICO
1. AEIS Critérios para Delimitação 3. DECRETO DA AEIS-I DA OCUPAÇÃO VICENTÃO
O primeiro passo para concretizar essa proposta é a regulamentação Segundo o art. 148 os critérios para delimitação de AEIS-1 são: A criação desse decreto possibilita a abertura das superfícies laterais
da Ocupação Vicentão como uma Área Especial de Interesse Social do tipo I. do edifício que estão construídas sobre a divisa do terreno. Para atender aos
Essa regulamentação legitima a Ocupação e garante sua permanência, I. existência de infraestrutura adequada, ou com possibilidade de expansão, para parâmetros urbanísticos do hipercentro que determina um afastamento
tornando-a alvo de investimento do estado para produção de moradia e atendimento à população a ser assentada;
lateral mínimo de 5 metros, se propõe a transferência do direito de construir de
II. presença e/ou previsão de implantação de equipamentos públicos comunitários;
regularização fundiária, possibilitando a ação de um dos programas de uma área lateral de 5 metros de largura ao longo do comprimento do terreno,
III. compatibilização e integração do uso residencial proposto com o entorno;
produção de habitação financiados pelo governo federal. IV. não comprometimento da implantação do empreendimento pela existência de sobre os lotes vizinhos, garantindo a iluminação e ventilação adequados às
vegetação ou espécime arbórea de porte significativo; unidades habitacionais no caso de novas construções adjacentes.
Definição V. presença de condições topográficas e geológicas adequadas para destinação
De acordo com a Lei 9.959 de 2010, que atualizou o Plano Diretor da proposta, que não deve apresentar predominância de área de risco ou com
cidade, é definida como: declividade superior a 47%;
VI. não estar predominantemente em área de preservação ambiental ou histórica;
São áreas, edificadas ou não, destinadas à implantação de programas e VII. não estar definida como ZPAM, ZP-1, ZP-2 e ZP-3;
empreendimentos de Interesse Social vinculados ao uso habitacional, conforme VIII. regularidade da situação fundiária ou possibilidade de regularização jurídica
diretrizes da Política Municipal de Habitação. Segundo art. 145: do terreno, que não deve estar predominantemente inserido em áreas afetadas por
I - AEISs-1: destinadas à produção de moradias, compostas de áreas vazias, faixas de servidão e domínio e por demais elementos geradores de restrições legais
edificações existentes e edificações subutilizadas ou não utilizadas; à ocupação, como dentre outras, em APP – Áreas de Preservação Permanente nos
II - As áreas vazias e as edificações subutilizadas ou não utilizadas compõem o termos do Código Florestal vigente;
cadastro de imóveis para a produção de novas moradias. IX. relação de custo-benefício favorável para a implantação do empreendimento
habitacional;
X. não estar predominantemente inserida em áreas a serem afetadas por projetos/
Imóveis Não Utilizados são os definidos como:
programas especiais que comprometem a implantação do empreendimento, como,
dentre outros, as Áreas de Projeto Viário Prioritário.
(art. 74-D, Inciso I, da Lei 7.165/96): b)- edificação que esteja abandonada ou
sem uso comprovado a mais de 05 anos; A Ocupação Vicentão satisfaz diversos critérios citados acima.
O
NT

RU
SA
2. USO E OCUPAÇÃO

A
ES
TO
RI


RI
ES

TO
Ao ser delimitada uma AEIS, os projetos ali propostos passam A

SA
RU

NT
O
a obedecer a um decreto específico que possibilite a implantação das
propostas através da flexibilização das legislações urbanísticas para
adequação às condições particulares de cada caso.

Parâmetros Urbanísticos
Segundo a Lei 9.959/10, que atualizou o Plano Diretor da cidade:

Art. 146 - As AEISs-1 obedecerão aos critérios e parâmetros urbanísticos


referentes a parcelamento, ocupação e uso do solo estabelecidos nesta Lei e por
decreto específico, no caso de edificações subutilizadas ou não utilizadas.
36 Art. 152 - As novas edificações caso sejam demolidas ou sua destinação
seja alterada, deverão respeitar os parâmetros do zoneamento original.
Edifício Hércules
Área para iluminação e ventilação
PARÂMETROS DO ZONEAMENTO MINHA CASA MINHA VIDA
3º ORIGINAL - HIPERCENTRO
4º ENTIDADES
Por se tratar de uma mudança de uso, o projeto de retrofit da 6. AFASTAMENTO LATERAL MÍNIMO 8. FINANCIAMENTO
Vicentão fica subordinado ao zoneamento original de onde está inserido,no
Por estar construído sobre a divisa do terreno, o afastamento O Programa Habitacional Popular – Entidades – Minha Casa,
caso a Zona Hipercentral. Apresentaremos a seguir alguns parâmetros e seus Minha Vida objetiva tornar acessível a moradia para a população cuja
lateral mínimo de 5 metros será atendido através do decreto
desdobramentos. renda familiar mensal bruta não ultrapasse a R$ 1.395,00 (mil trezentos
específico citado anteriormente.
e noventa e cinco reais), organizadas em cooperativas habitacionais
ou mistas, associações e demais entidades privadas sem fins lucrativos
visando a produção e aquisição de novas habitações.
4. COEF. APROVEITAMENTO 5,0 A modalidade entidades foi escolhida pois dá autonomia às
BÁSICO E MÁXIMO (m) organizações sobre diversos assuntos relativos ao projeto e sobre o
O coeficiente básico garante que o solo tenha um aproveitamento condomínio e suas regras. A crítica que se faz aqui é ao modelo de venda
mínimo, cumprindo sua função urbana. Já o máximo limita o adensamento dos imóveis, que pode se valorizar e resultar em especulação imobiliária
construtivo. Veja a seguir os valores adotados: e gentrificação.

7. ESTACIONAMENTO
COEF. COEF. COEF. 9. IPTU
Para edificações existentes na ZHIP até 20/07/10, a exigência
BÁSICO MÁX ATUAL a. total = 6.408,94m² = 8,9 Por se tratar de um projeto para habitação social, as unidades
de vagas para estacionamento poderá ser atendida pelas vagas
2,7 3,4 8,9 a. lote = 720 m² existentes nas seguintes situações: a)- no caso de adaptação de
terão isenção de IPTU por um prazo de 10 anos, através do decreto nº
16.808, de 19 de dezembro de 2017.
edificações para o uso residencial; (art. 61, § 7º, da Lei 7.166/96)
Logo a criação de vagas de estacionamento não é uma
- Não é permitido o acréscimo de área pelo edifício apresentar um coeficiente
exigência.
superior ao permitido na legislação atual, a não ser por decreto específico. 10. DIMENSÃO DOS COMPARTIMENTOS
Edificações financiadas pelo MCMV ficam dispensados das
dimensões mínimas para os compartimentos das unidades privativas
das edificações residenciais multifamiliares, segundo art 6º, § 8º, da Lei
5. QUOTA MÍN. DE TERRENO 9.814/10.
POR UN. HABITACIONAL
A quota determina uma área mínima de terreno que cada unidade 11. ACESSIBILIDADE
habitacional instalada ali deve dispor, como forma de limitar o adensamento Para empreendimentos enquadrados no PMCMV destinados
e o número de unidades individuais possíveis para uma edificação. a beneficiários até 03 salários mínimos, a CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL exige que as unidades sejam no mínimo 3% totalmente
N. MÁX. acessíveis e adaptadas e as demais unidades sejam adaptáveis.
8,0 DE UN. HAB. área do lote = 720 m²
coeficiente = 8,0
= 90
(m²/un.) 90

37
5º PARÂMETROS DE PROJETO

Por se tratar de uma edificação destinada ao programa MCMV, o ÁREA MÍNIMA


projeto está isento do atendimento às dimensões mínimas estipuladas
pelo Plano Diretor. Mas como parâmetro de qualidade, adotaremos aqui as
especificações da Lei 9.326/07 que apresentava parâmetros específicos para
24m²
a readaptação de edifícios no hipercentro, mas perdeu sua validade em 2015. (m²/un.)

12. READAPTAÇÃO DE EDIFÍCIOS NO HIPERCENTRO


SUPERFÍCIE DE

Art. 4º
ABERTURA
I - manutenção e utilização dos fossos, caso existentes na edificação atual,
como área para ventilação, podendo ser utilizados também para adequação
da edificação às normas de prevenção e combate a incêndio; Ver tópico
1/8
(da área do piso)
II - apresentação da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART-, que ateste
sobre a não-redução da eficiência do sistema de prevenção e combate a
incêndio, conforme legislação pertinente; Ver tópico
PROFUNDIDADE
III - apresentação de solução de sistema de armazenamento dos resíduos
MÁXIMA
3x
sólidos a ser analisada e aprovada pela Superintendência de Limpeza
Urbana - SLU -, para as edificações que não atenderem às normas técnicas do
Regimento de Limpeza Urbana (o pé direito)

Art. 7º
I - previsão de 01 (um) banheiro e 01 (um) cômodo de uso comum do
condomínio; Ver tópico ACRÉSCIMO
DE ÁREA
II - previsão de espaço para uso comum do condomínio, com área mínima
de 25% (vinte e cinco por cento) da área do pavimento-tipo, nas edificações
+20%
do coef.
destinadas ao uso residencial. praticado

para hab. social ou


área comum através
de decreto específico

38
PROPOSTA CONCEITUAL
O retrofit do edifício Hércules Os andares acima, do 2 ao 5 e do
tem o objetivo de oferecer habitação 7 ao 10, são todos de acesso exclusivo do
digna para cerca de 90 famílias e acesso condomínio e destinados para as áreas
à outros direitos através da permanência privativas das habitações. Para possibilitar
e da infraestrutura do Centro. Por ser um iluminação e ventilação naturais para
investimento governamental, de caráter os apartamentos serão feitas aberturas
social e de forte ligação com a rua, o acesso nas fachadas laterais do edifício para a
ao edifício se dará por uma área pública instalação de esquadrias.
de livre acesso e coberta, originalmente O 6 pavimento é de uso comum e
privada, para ser palco de trocas e elemento conta com um salão, uma sala multiuso, uma
de transição entre interno e externo. É um cozinha e um terraço. Os equipamentos
espaço que também gera oportunidades desse nível oferecem suporte para que
para os moradores que muitas vezes atividades importantes que já acontecem
sobrevivem do trabalho informal. na ocupação possam continuar a ocorrer,
O andar térreo será dividido entre como as aulas, eventos culturais e de lazer,
o acesso ao condomínio e uma galeria além de ser possível a produção de alimento
comercial, que ocupa também o mezanino. em pequena escala.
É através da receita da galeria que se poderá O subsolo e a cobertura serão
custear custos de condomínio significantes majoritariamente destinado às instalações
como a operação dos elevadores e e serviços.
possibilitar uma baixa mensalidade aos
moradores.

4040
PROGRAMA DE NECESSIDADES E SETORIZAÇÃO
SERVIÇOS
- 119m
²
- Casa cobertos

1 0
de má
elevad qui
ores, s nas dos
T I P O 7 -
PA V.
hidráu istema
lic s
elevad os, caixa d’á
a gu ²
técnic e outras que a 8 m om
as. stões - 33 imento tipo c
v l
- Pa d e n c i a
resi dades s
i i
6 un aciona
it
hab

E S PAÇO CO M U N I TÁ R I O I P O 2 - 5
- 384 m² coberto
- 253 m² descob
s
ertos
PA V. T
4 m
²
- 66 imento ipo co
m
- Espaço para at v l t
comunitária, cu
ividades - Pa d e n c i a
lturais, resi idades
educativas e de n is
lazer, com 17 u aciona
cozinha, sala m it
ultiuso e salão hab
comum além d
o terraço que
pode ser usado
para cultivo de
alimentos e ou
tras atividades. GALERIA
- 850 m COMERC
- Gale
²
ria com
erc
I AL
da par
te resi ial e recepç
L IC A comer dencia ão
P Ú B ci l. 1
comer ais para peq 4 pontos
Á8RmE A e tro
ca
c u
dois n ios e escrtór enos
íveis. ios em
² a ç ã o
ter
- 13 o de in ores e a
aç d o
- Esp os mora indo com
entre idade ag tre o
un en ior
com ansição o, o exter
tr d
uma o e priva ento que
i c m e
púb erior. Ele eriência d
l
t p
e o in ina a ex cio.
r m i fí
dete da no ed
a
cheg

41
41
PROPOSTA DE ADAPTAÇÃO DO EDIFÍCIO HÉRCULES
SERVIÇO BHO

GÁS
AP T5
BHO 38,20m²

DML DML WC
COPA
PROJ.
90.000 L CX. AP T4
D’ÁGUA 26m²
S S S S

LIXO W C DML

LJ T1 LJ T5
CX. D’ÁGUA 8m² LJ T3
34m²
SUBTERR. LJ T1 16,60m²
AP T3 AP T4
8m² 36,70m² 26,50m²

CONDOMÍNIO VICENTÃO
LJ T1 LJ T2
8m² 12m²
LJ T1
8m² LJ T2

MEZANINO GALERIA
AP T1
LJ T2 12m² LJ T4

CIRC.
AP T1 25,44m²
12m² 20m² 25,44m²
LJ T2
LJ T1
12m²
8m²

LJ T2 LJ T2 LJ T4 AP T1

CIRC.
12m² 12m² 20m² AP T1 25,44m²
25,44m²
LJ T1
LJ T2
8m²
SUBSOLO 12m²
LJ T1
SERVIÇOS 8m²
LJ T2 AP T1
LJ T1
8m²
12m² 25,44m²
WC WC

LJ T2 D
12m²
AP T2
AP T1 38,40m²
25,44m²

S S AP T1 AP T1

CIRC.
25,44m² 25,44m²

AP T1 AP T1
25,44m² 25,44m²
ESPAÇO
PÚBLICO

AP T1 AP T1
25,44m² 25,44m²

42 ESTRUTURA SUBSOLO TÉRREO MEZANINO 2º AO 5º PAV.


664,35 m²
690 m² 664,35 m² 445,31 m²
RUA ESPÍRITO SANTO, 461 x4 = 2.657,4 m²
COZINHA COZINHA

BHO BHO

30.000 30.000
BHO BHO 80.000 L 80.000
L L L

S S S S D D

DML DML S S
CX. D’ÁGUA COB.
COBERTURA CX. D’ÁGUA
AP T6 AP T6
28,20m² 28,20m²
AP T8 AP T8
32,80m² 32,80m²

SALA SALA AP T1 AP T1
MULTIUSO MULTIUSO 25,44m² 25,44m²
AP T7 AP T7
36,20m² 36,20m² COBERTURA COBERTURA
ESPAÇO ESPAÇO
COMUM COMUM AP T1 AP T1
CONDOMÍNIOCONDOMÍNIO 25,44m² 25,44m²
S S

AP T1 AP T1
25,44m² 25,44m² MÁQ. MÁQ.

7º AO 10º PAV. COBERTURA COB. CASA


338,43 m² 119 m² MÁQUINAS
x4 = 1.353,7 m²

TERRAÇO TERRAÇO

6º PAV + TERRAÇO
384,18 m²
43
VISTA DA FACHADA LATERAL DO EDIFÍCIO APÓS AS
ABERTURAS PARA ILUMINAÇÃO E VENTILAÇÃO

44
45
PERSPECTIVA DA ÁREA PÚBLICA EM FRENTE
À ENTRADA DA GALERIA COMERCIAL E DO
CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO HÉRCULES

46
47
PERSPECTIVA DA CIRCULAÇÃO NOS ANDARES
RESIDENCIAIS APÓS A REPARTIÇÃO DAS
48 HABITAÇÕES.
4949
PERSPECTIVA DO TERRAÇO DE USO COMUM
DO CONDOMÍNIO E A PROPOSTA DE UM NOVO
ELEMENTO DE FACHADA
50
51
CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Após a discussão dos temas Algumas questões já foram ALBRECHT, Clarissa Ferreira; GRIFFITH, James Jackson; DE BARBOSA CARVALHO, Aline Werneck.
do esvaziamento dos centros, do abordadas, como a adaptação Adequabilidade do LEED-ND no caso do Plano de Reabilitação do Hipercentro de Belo
deficit habitacional, o fenômeno do edifício, a inserção de novas Horizonte. In: SBQP 2009-Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído.
das ocupações e especificamente da estruturas e os novos usos das áreas 2009.
Vicentão, este trabalho propõe uma do prédio, mas ainda há avanços
solução para o problema que envolve consideráveis a se fazer. Alguns BELO HORIZONTE, Prefeitura Municipal. Decreto Lei 84 de 21 de Dezembro de 1940. Aprova o
aspectos humanos, burocráticos e exemplos são escolha de materiais, regulamento de construções da prefeitura de Belo Horizonte (Código de Obras).
arquitetônicos. O objetivo comum técnicas construtivas detalhamento
é oferecer habitação de qualidade das habitações, questões que serão BELO HORIZONTE. Prefeitura Municipal. Lei No 7165 de 27 de Agosto de 1996. Plano Diretor
em sua concepção, técnica e em sua futuramente desenvolvidas na do Município de Belo Horizonte.
localização, garantindo o direito à segunda etapa deste trabalho.
cidade, ao centro e à moradia. BELO HORIZONTE. Prefeitura Municipal. Lei No 7166 de 27 de Agosto de 1996. Estabelece
normas e condições para parcelamento, ocupação e uso do solo urbano no Município.

BELO HORIZONTE. Prefeitura Municipal. Lei No 8137 de 21 de Dezembro de 2000. Altera as leis
Nos 7.165 e 7.166, ambas de 27 de Agosto de 1996, e dá outras providências.

BRASIL, M. D. Manual de Reabilitação de áreas urbanas centrais. 2008.

DIAS, Maria Tereza Fonseca et al. Movimentos sociais na luta por moradia em Belo Horizonte:
estudo do caso das ocupações urbanas de Belo Horizonte e região metropolitana. Revista
Eletrônica Direito e Sociedade-REDES, v. 5, n. 1, p. 159-176, 2017.

DE SOUZA, THIAGO COUTINHO. RETROFIT e a revitalização de centros urbanos Estudo de


Caso: Reabilitação do Ed. Tupis. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade federal de
Minas Gerais.

GARGARELLA; R.; SKAAR, E. (eds.). Democratization andthe Judiciary. Londres: Frank Cass,
2003.

HARVEY, David. Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana. São Paulo: Martins
Fontes, 2014.

JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 516 p.

JAYME, Juliana Gonzaga; TREVISAN, Eveline. Intervenções urbanas, usos e ocupações de


espaços na região central de Belo Horizonte. Civitas-Revista de Ciências Sociais, v. 12, n. 2, p.
359-377, 2012.

52
JESUS, Christiano RM. Análise de custos para reabilitação de edifícios para habitação. São VARGAS, Heliana Comin; DE CASTILHO, Ana Luisa Howard. Intervenções em centros urbanos:
Paulo:[sn], 2008. objetivos, estratégias e resultados. Editora Manole, 2015.

LEFEBVRE, Henri. O Direito à Cidade. São Paulo: Nebli, 2016. VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. Studio nobel, 1998.

MARICATO, Ermínia. Habitação social em áreas centrais. Óculum Ensaios, n. 1, p. 13-24, 2013. WESZ, Josana Gabriele Bolzan. Reabilitação de Áreas Centrais com Habitação de Interesse
Social: Benefícios para a Cidade e para seus Usuários. XVII ENAPUR. São Paulo. 2017.
MOTTA, Luana Dias. A questão da habitação no Brasil: políticas públicas, conflitos urbanos
e o direito à cidade. Belo Horizonte: UFMG, 2010.

MALARD, Maria Lúcia (coordenadora) e outros. Habitar Belo Horizonte – Ocupando o Centro.
Belo Horizonte: Escola de Arquitetura da UFMG, 2003 (Projeto de Pesquisa).

MORAES, Virgínia Tambasco Freire; QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalvez. O Desenvolvimento da


Metodologia e os Processos de um “Retrofit” Arquitetônico. Sistemas & Gestão, v. 7, n. 3, p.
448-461, 2012.

NASCIMENTO, Denise Morado. As políticas habitacionais e as ocupações urbanas: dissenso


na cidade. Cadernos Metrópole, v. 18, n. 35, p. 145-164, 2016.

PONTES, Mateus Moreira. Requalificação do hipercentro de Belo Horizonte: possibilidades


de inserção do uso residencial. 2006.

QUINDERÉ, D. C. L.; ANDRADE, L. M. S.; CHAVES, M. Q. B. Ocupações de edifícios abandonados


e o direito à moradia: análise das ocupações dos edifícios prestes maia e união na área
central de São Paulo. Belo Horizonte: 4o Fórum Habitar, 2017.

REMØY, Hilde T.; VAN DER VOORDT, Theo JM. A new life: conversion of vacant office buildings
into housing. Facilities, v. 25, n. 3/4, p. 88-103, 2007.

SIMÕES JUNIOR, José Geraldo. Revitalização de centros urbanos. Publicações Pólis. São Paulo,
PÓLIS, n.19, 1994.

TRINDADE, Thiago Aparecido et al. Ampliando o debate sobre a participação política e a


construção democrática= o movimento de moradia e as ocupações de imóveis ociosos no
centro da cidade de São Paulo. 2014.

UMBELINO, Glauco; DAVIS JR, Clodoveu. Simulação da quantidade máxima de domicílios


permitida por quadras em Belo Horizonte. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 32,
n. 3, p. 511-535, 2015. 53

Você também pode gostar