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A fome de José Pádua

Pobreza e Exclusão Social


Ana Margarida Cabral Ferreira da Silva, n.º 1400609, turma 1

 Licenciatura em Ciências Socias

Ano Lectivo 2015/2016


E-Fólio A – Sociedade Portuguesa Contemporânea – Dr.ª Teresa Joaquim

O Dia Mundial contra a Pobreza e a Exclusão Social celebra-se no dia 17 de Outubro


e foi fundado há 19 anos pelas Nações Unidas, com o objetivo de fazer lembrar que no mundo
existe pessoas a precisar de cuidados socioeconómicos.
Na verdade, em “… 2010 foi o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão
Social, findo o qual a Comissão Europeia definiu uma meta para reduzir a pobreza social em
20 milhões de pessoas em 2020” (fonte:http://www.impulsopositivo.com/content/dia-
mundial-de-erradicacao-da-pobreza-assinala-se-17out)
Pode dizer-se que tanto a Pobreza como a Exclusão Social são situações de calamidade
pública que afectam as sociedades dos nossos dias, uma vez que estão associadas a carências
monetárias, devido aos baixos rendimentos das populações, numa primeira análise, bem como
a situações de descriminação socioeconómico e étnico, como salienta Manuel Silva (diretor
do Núcleo de Estudos em Sociologia, Universidade do Minho) “ …importa agora revelar que
a exclusão social manifesta-se de diversas formas, desde a exclusão na base da etnia e/ou da
classe social…” (2005:8).
Hoje em dia nas sociedades ditas desenvolvidas, a pobreza e a exclusão estão
interligadas uma vez que “ A exclusão do mercado de trabalho gera pobreza e esta impede o
acesso a bens e serviços socialmente relevantes (habitação, saúde, lazer) ” (1999,65)
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1468.pdf
É no litoral que se encontram as oportunidades de emprego, onde se concentram as
grandes fábricas, as empresas são alicientes, há mais poder de compra, mas também é o local
aonde se vê uma maior desigualdade económico-social entre os indivíduos. Nos últimos anos,
após a adoção pelo Governo Português de medidas de Austeridade para combater a crise no
nosso país, só contribuiu para que a classe média baixa tivesse alguma dificuldade em superar
as suas dificuldades sentidas por essa austeridade. Vemos algumas fábricas, que devido ao
pouco investimento a fecharem e a colocarem milhares de pessoas no desemprego, muitas
pessoas sem nenhum meio de subsistência ou com muitos poucos recursos face ao que está a
acontecer não conseguem ter dinheiro para pagar as suas contas, não ter para comer e por
vezes a única solução que encontram é viver de esmolas ou na rua sem nenhum conforto.
De facto, uma pessoa desempregada ou com os seus rendimentos baixos tem algumas
e possivelmente muitas dificuldades monetárias.
“… a disparidade entre os salários (…) dos trabalhadores não qualificados, e ainda
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(…) persistência de um desemprego estrutural podem ser apontados como factores
potenciadores do crescimento das desigualdades no rendimento.” (Costa,2002:72)

Ana Margarida Cabral Ferreira da Silva, Turma 1, n.º 1400609


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Determinados autores dão especial atenção às causas desse acontecimento da pobreza,


é o caso de Émile Durkheim, que na sua obra o Suicídio, retrata muito bem o desespero das
pessoas que muitas das vezes levam ao suicídio, pois não conseguem suportar tamanha
dificuldade.
“Sem dúvida, o suicídio é vulgarmente e antes de mais o acto de desespero de
um individuo a quem a vida já não interessa.” (Durkheim, 2011:22)
De facto, a pobreza está associada à privação de recursos, à “ausência de participação
de atividades sociais” devido à falta de rendimentos ou a inexistência deles, o que faz com
que certos indivíduos nessas condições sejam privados de cuidados de saúde, de ter uma
habitação, e muito dos casos são objeto de descriminação por parte da sociedade. Mas a
Pobreza não é um problema novo, sempre houve e podemos dizer que se incentivou mais após
a Revolução Industrial. Com a revolução industrial originou uma evolução extraordinária da
produção, contribuído para a evolução da económica tecnológica e social e com ela o bem-
estar das famílias melhorou. As famílias começaram a obter produtos de melhor qualidade e o
seu modo de vida melhorou. Mas nem tudo é perfeito, a par das tecnologias avançadas havia
sempre quem fosse prejudicado, e os indivíduos de baixas qualificações, de etnias diferentes
eram discriminados pelos donos dos supostos capitais das fábricas.
Podemos constatar, que, foi com a revolução industrial, que proporcionou
prosperidade e desenvolvimento económico, mas também contribuiu para que deixássemos
para trás classes sociais que não conseguindo avançar com o sucesso da economia ficassem à
margem da sociedade contribuído para o seu lado negro.
No entanto, a Exclusão Social é um conceito mais amplo que a pobreza, uma vez que
podemos definir a exclusão social como sendo, a perda de quaisquer vínculos com a
sociedade quer eles sejam sociais, económicos, políticos ou religiosos devido à sua estrutura
na sociedade, como refere Manuel Carlos Silva, “… por exclusão social entende-se, em regra,
a situação de não inclusão, de não-inserção e ou de não integração de indivíduos ou grupos
sociais no acesso ao gozo de determinados direitos, desde os cívico-políticos, passando pelos
sociais, até aos direitos económicos. Ou seja, exclusão situar-se-á nos antípodas do conceito
de cidadania.”
Para concluir:
Neste trabalho foi permitido para dar a minha reflexão pessoal sobre o Tema proposto
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e perante todas as informações que li, estudei, interpretei, para a resolução deste trabalho, bem
como a situação que tenho assistido ao longo da minha vida nesta Sociedade Portuguesa da
qual eu faço parte, constatei que é um assunto deveras melindroso e de difícil concretização.
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Para mim, tanto a pobreza como a inclusão social poderão estar interligadas, embora
em alguns casos a pobreza poderá não originar uma exclusão, como a exclusão poderá não
originar pobreza.
Ao que tido indica a pobreza está associada à privação de recursos sejam eles
alimentares, monetários, que são as principais causas dessa privação, passando pela saúde e
até lúdicos, uma vez que determinadas pessoas com poucos recursos têm muitas dificuldades
em os poder alcançar. Quanto à exclusão social é entendida como a privação de oportunidades
que passa sobretudo pelo isolamento severo dos indivíduos da sociedade.
Perante a situação que durante estes últimos anos se tem vivido em Portugal, o facto
de se falar em Crise, Austeridade, o no “Apertar do Cinto”, tenho constatado que há uma
grande desigualdade social. Vários indivíduos ou grupos populacionais estão a passar por
muitas dificuldades estando mesmo no “limiar da pobreza”, ao contrário que outros se
encontram “muitos ricos”.
Como já foi dito anteriormente, neste trabalho um dos principais fatores para a
pobreza é os poucos rendimentos das populações, concordo que sim, uma vez que o pouco
que certos indivíduos recebem poderá não colmatar as suas satisfações básicas do dia-a-dia.
Ora ninguém consegue sobreviver em sociedade, sem o mínimo de condições, mas a par
desses fatores também, constatei que o facto de baixa escolaridade, de ser de uma raça ou
cultura diferente é um fator primordial para os poucos rendimentos existentes e como tal a
desigualdade social entre indivíduos. Perante este acontecimento cabe a nós indivíduos,
“membros da sociedade” como também aos nossos Governantes, promover igualdade e
oportunidades entre os povos e tentar resolver soluções para tal, diminuir a disparidade social,
com obtenção de serviços sociais para melhorar o bem-estar das famílias e indivíduos, para
que, perante a grande precaridade da vida deixam de ter acesso à saúde, à higiene a uma
alimentação saudável, levando em certos casos à criminalidade, ao desespero (suicídio),
factores esses que por vezes levaram à exclusão da sociedade, uma vez que aumentam os
riscos de vida dos mais desfavorecidos.
Resta terminar este trabalho com a certeza que nunca é demais incentivar todas as
pessoas, quer os nossos Governantes como nós próprios, para este tema que afeta
drasticamente todas as sociedades do mundo.

Ana Margarida Cabral Ferreira da Silva, Turma 1, n.º 1400609


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BIBLIOGRAFIA

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