Você está na página 1de 3

Na ONU, mineração em terras indígenas é

apontada como “política que coloca risco à vida


dos povos indígenas”
Projeto  de  exploração  do  governo  federal  e  desmonte  de  políticas  de 
proteção  de  territórios  indígenas  foram  criticados  durante  43ª  Sessão  do 
Conselho de Direitos Humanos 

O  Projeto  de  Lei  (PL)  191/2020,  enviado  à Câmara pelo governo Bolsonaro no último 


mês,  foi  apontado  durante  reunião  da  Organização  das  Nações  Unidas  (ONU)  como 
uma  proposta  que  coloca  em  risco  à  vida  dos  povos  indígenas  no  Brasil  –  além  de 
portar  um  caráter  de  compensação  colonialista.  A  fala,  feita  pelo  Conselho 
Indigenista  Missionário  (Cimi),  ocorreu  na  43ª  Sessão  do  Conselho  de  Direitos 
Humanos  da  ONU,  em  Genebra,  Suíça.  O  projeto  do  governo  federal pretende liberar 
práticas  de  mineração,  garimpo,  hidrelétricas,  agronegócio  e  exploração  de petróleo 
e gás natural em terras indígenas. 

A  nota  lida  na  manhã  de  ontem  (22)  pela  representação  do  Cimi,  durante  discussão 
sobre  direitos  ambientais,  indicou  também  a  fragilização  da  democracia  brasileira  e 
a  presença  de  mais  de  800  projetos  que  atentam  contra  os  direitos  ambientais  e  o 
futuro dos povos, em especial os povos indígenas e comunidades tradicionais. 

No  texto,  o  Cimi  assinala  ainda  o  desmonte  das  políticas  ambientais  ocorrido  por 
cortes  orçamentários  em  desacordo  com  a  legislação  vigente.  “O  atual  governo 
cortou  24%  do  orçamento  anual  do  IBAMA  e  95%  do  investimento  na  prevenção  de 
mudanças climáticas”, salienta o organismo indigenista. 

“O desrespeito ao meio-ambiente e aos povos indígenas 

resulta em crises humanitárias”. 

Para  o  Cimi,  “o  discurso  de  ódio  disparado  pelo  governo  federal  legitima  a violência 
nos  territórios”.  No final da nota, a entidade solicita uma visita ao Brasil do relator da 
ONU sobre meio ambiente, David Knox, para constatar o grave quadro nacional. 
O  líder  indígena  Davi  Kopenawa,  em  manifestação  que  criticou  as  políticas 
anti-indígenas  do  governo  federal  brasileiro,  convidou  a  comunidade  internacional  a 
voltar  os  olhos  para  as  violências  sofridas  pelos  povos  indígenas  no  país.  “A  lei  do 
governo  brasileiro  não  respeita  os  direitos  indígenas.  Os  indígenas  isolados  devem 
ser  protegidos  e  respeitados”,  criticou  a  liderança  do  povo  Yanomami  durante 
espaço reservado a organizações da sociedade civil. 

Caráter autoritário: não escutar 

Minutos  antes  das  falas  realizadas  por  Paulo  Lugon,  representante  do  Cimi,  e  por 
Davi  Kopenawa,  o  Itamaraty  se  pronunciou  e  classificou  as  denúncias  trazidas  a 
esfera  internacional  por  organizações  e  indígenas  como  “falácias”.  “O  presente 
diálogo  interativo  é  uma  oportunidade  para  corrigir  equívocos  e  falácias  sobre  a 
proteção  ambiental  no  Brasil”,  pontuou  a  embaixadora  do  Brasil  na  ONU,  Maria 
Nazareth  Farani  Azevedo.  Contudo,  a  embaixadora,  que  chegou  atrasada  na  sessão, 
deixou a sala após terminar seu pronunciamento, sem mesmo ouvir as organizações. 

Em  resposta,  a liderança indígena salientou: “Não venho aqui para mentir. Não venho 


aqui  para  falar  mal  do  Brasil,  mas  para  falar  o  que  os  nossos  povos  indígenas estão 
querendo  e  precisando”,  pontuou  o  indígena  que  em  dezembro  o  recebeu  o  Prêmio 
Right  Livelihood,  o  “Nobel  alternativo”  em  reconhecimento  pelo  seu  trabalho  de 
proteção da floresta Amazônica. 

● Outras notícias publicadas em vários jornais.  

Raposa Serra do Sol registra primeira invasão garimpeira desde demarcação


Lideranças dizem que há indígenas escravizados e danos ambientais; senador gravou
vídeo de apoio no local
FONTE: FOLHA DE SP. 28.fev.2020

Governo inclui ONG missionária próxima a Damares em viagem até indígenas


recém-contatados na amazônia
Território que será visitado nesta semana já teve missionários expulsos por ‘atividades
proselitistas e discriminatórias’
FONTE: BBC NEWS. 11.fev.2020

Bolsonaro assina projeto que autoriza garimpo em terras indígenas


Ministro da Casa Civil diz que projeto de lei é “Lei Áurea” para povos indígenas
FONTE: ZERO HORA. 05.fev.2020

Cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós, diz Bolsonaro
Em vídeo, presidente afirmou que índios estão ‘evoluindo’ e voltou a defender a pecuária e
agricultura nas terras protegidas
FONTE: FOLHA DE SP. 23.jan.2020

Indígena morto no Maranhão é o 4º da etnia Guajajara a ser assassinado na


região em um mês e meio.
O indígena Paulo Paulino Guajajara, morto em uma emboscada no início de novembro:
atentado fez outras duas vítimas fatais da mesma etnia no sábado Foto: Reprodução
FONTE: O GLOBO. 13.DEZ.2019

● Em nossas aulas estudamos sobre a Antropologia evolucionista e o discursos


daqueles que pretenderam fazer um tipo de ciência que estudasse o homem e suas
diversas complexidades. No entanto, o discurso muitas vezes se construiu em
relação a divisão gradativa de selvagens, bárbaros e civilizados. A ideia da ausência
de um Estado entre etnias não europeias colocava os grupos não europeus como
selvagens, atrasados, longe do progresso que só o Estado e a propriedade privada
garantiriam. Contudo, Lévi-Strauss demonstrou a partir do pensamento ameríndio
que esses grupos não eram atrasados, mas sim, organizaram-se socialmente de
formas distintas. Através do Parentesco, dos Mitos, dos Ritos. Ou seja, esses grupos
não precisavam nem construir um Estado e nem da propriedade privada pois
pertenciam a um sistema cultural diferente dos europeus.
● Com base nas discussões em sala e levando em consideração as notícias lidas em
sala. Escreva um texto argumentativo-dissertativo a respeito dos conflitos de terra
indígenas no Brasil