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UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR

BIANCA SANTOS FRAGA DA SILVA

PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO

SALVADOR/2020
TEORIA GERAL DOS PRINCÍPIOS

O princípio é a base de uma norma jurídica, este não se encontra


determinado em nenhum diploma legal sendo assim a sua haste, inspirando a
formação da norma, tendo como finalidade iluminar o legislador ou um terceiro
sobre o seu porquê. Miguel Reale expõe que "princípios são enunciações
normativas de valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do
ordenamento jurídico, a aplicação e integração ou mesmo para a elaboração
de novas normas. São verdades fundantes de um sistema de conhecimento,
como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas
também por motivos de ordem prática de caráter operacional, isto é, como
pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis".

No surgimento de um novo regimento, o princípio se encontra sempre no


primeiro nível, ao qual devem seguir-se outros, estabelecendo alguns limites,
direcionando e embasando uma ciência que visa a sua exata compreensão e
interpretação. Os princípios informam e orientam regras gerais, devendo ser
considerados quando a sua criação, compreensão e execução. Para Miguel
Reale os princípios podem ser discriminados em três grandes categorias:
“princípios omnivalentes, quando são válidos para todas as formas de saber,
como é o caso dos princípios de identidade e de razão suficiente; princípios
plurivalentes, quando aplicáveis a vários campos de conhecimento, como se
dá com o princípio de causalidade, essencial as ciências naturais, mas não
extensivo a todos os campos do conhecimento; princípios monovalentes, que
só valem no âmbito de determinada ciência, como é o caso dos princípios
gerais de direito.”

Logo, tais princípios entram no nosso ordenamento por via do processo


legislativo, da atividade jurisdicional, na criação dos precedentes judiciais,
assim como por meio dos costumes e praticas dos atos negociais.
Transformando-se assim em elementos integrantes do Direito. A importância
de um princípio em relação a outro é instruída a situação do caso concreto,
dando assim a relevância de cada princípio, sendo este então variável.
Princípios são modelos jurídicos, sendo assim gerais. Já as normas são
específicas, normalmente, a uma matéria. Norma jurídica é gênero englobando
como espécie regras e princípios. Princípios são normas jurídicas.

Os Princípios têm a função de informar, orientando o legislador na


criação da base dos preceitos legais, para que assim fundamente normas
jurídicas e crie suporte para o ordenamento jurídico, futuramente, servem de
apoio ao intérprete da norma jurídica positivada. Realiza como função
supletiva, nas lacunas e omissões da lei, onde não existem outras normas
jurídicas que possam ser empregadas, complemento, usadas assim então para
inteirar a norma jurídica. Com isso, a função interpretativa ajusta-se como
método condutor para os interpretes e aplicadores da norma jurídica, podendo
ser utilizada como fonte subsidiaria do interprete para resolução de um caso
concreto. Como já dito, os princípios também têm a função de indicar a
construção do ordenamento jurídico, os caminhos a serem trilhados pelas
normas. Destaca-se então a natureza informativa, de orientar o legislador a
fundamentação e interpretação das normas jurídicas, assim preenchendo as
lacunas e omissões da lei. Com isso, a função dos princípios é de incorporação
da lei, tornando-se fontes secundárias para a execução da norma jurídica, de
extrema importância na criação de leis, aplicabilidade do direito e
complementação das lacunas da lei.

NULLA EXECUTIO SINE TITULO 

“É nula a execução sem o título, seja judicial ou extrajudicial”. Sendo


assim, não existe a possibilidade de execução sem título que lhe fundamente,
visto que o executado é posto numa situação processual desfavorável, além
do assentimento para a apropriação do seu patrimônio. Com isso, tal princípio
vem certificar e outorgar uma maior segurança jurídica, sendo assim
reivindica que o título possibilite uma perspectiva de existência de crédito.
Correlato ao principio Nulla Executio Sine Titulo, existe o princípio nulla titulus
sine lege o qual diz que o elenco de títulos executivos, contido no Código de
Processo Civil ou em leis extravagantes, constitui numerus clausus, sendo,
portanto, restritivo, o que impossibilita ao operador do direito criar títulos
executivos que não estejam previstos em lei como tal, mesmo em situações de
acordo de vontade entre as partes. Analisando conjuntamente esses dois
princípios, manifesta-se a questão sobre a executoriedade de decisões
interlocutórias concedendo antecipação de tutela. Uma parte da doutrina
entende que existe uma exceção baseada mo princípio da nulla executio sine
titulo onde se baseia na probabilidade do direito argumentado existir, assim
sendo concedida a tutela de urgência. Já, outra parte da doutrina aduz que a
“sentença proferida no processo civil” precisa ser interpretada de maneira
extensiva, englobando assim as decisões interlocutórias, sendo assim
executável tal decisão que concede então a tutela antecipadamente.

PATRIMONIALIDADE

Trazendo a proibição da execução sobre o corpo do devedor, como


pregava assim a Leis das 12 Tábuas, apresenta assim uma grande importância
na finalização de tal prática como uma forma de vingança privada, tal princípio
se traduz com a execução diante a retirada de um patrimônio, recaindo com
isso a mesma sobre os bens do executado em questão. Assim, a bonorum
venditio caracterizava-se por ser uma execução universal, onde o executado
assumia com a totalidade de seu patrimônio a sua dívida, se assemelhando
atualmente com a falência e insolvência civil. Com o período clássico em roga,
realiza-se a limitação do patrimônio, sendo o valor de bens expropriados
equivalentes ao da dívida do executado, com isso assemelhando-se com o
nosso modelo atual de responsabilidade, sendo esta prevista nos artigos 591 a
597 do CPC.

UTILIDADE

A satisfação do exequente através do cumprimento do seu direito, ou


seja, a utilidade deve trazer benefícios para o mesmo. Em contraponto, a
execução não busca o prejuízo ao devedor, mas o contentamento com os
benefícios do direito do seu credor, porém não deve ser submetido às
astreintes caso a obrigação seja impossível materialmente. Entendo com isso
que se não houver meios para tal execução, não há razão para assim aplicar
meios executórios. Contendo assim, no art. 836 do Novo Código de Processo
Civil que “não se levará a efeito a penhora quando evidente que o produto da
execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento
das custas da execução.”.

DESFECHO ÚNICO

Tal princípio destaca-se através do qual já mencionamos a respeito da


satisfação do exequente, sendo assim o processo tem um desfecho único.
Assim, pode o mesmo ser normal, com sentença declaratória, sendo esta
satisfatória ou final anômalo, com consubstanciado na extinção sem resolução
do mérito ou acolhimento integral dos embargos à execução fundamentando-se
na inexistência do direito material do autor. Sendo assim, o processo se
desenvolve com o objetivo de entregar de forma igual ou mais parecida
possível tutela ao exequente. Logo, o executado não terá manifestado uma
decisão de mérito em seu favor, uma vez que só há uma procura de satisfação
do direito do autor, com isso sendo inviável a sua improcedência.

DISPONIBILIDADE DA EXECUÇÃO   

Em relação à disponibilidade da execução, o art. 775, NCPC alega que é


assentido ao exequente desistir de toda a execução ou de apenas alguma
medida executiva a qualquer momento – ainda que pendentes de julgamento
os embargos à execução – não sendo preciso a permissão do executado,
presumindo a lei sua aprovação, vez que não há possibilidade de tutela em seu
favor. Sendo assim, a execução só objetiva o benefício do credor, por tal razão
o mesmo pode renunciar sem a anuência do seu opoente. Entretanto, não se
pode confundir a desistência (direito processual) com a renúncia (direito
material), sendo demonstrada a quitação das custas judiciais, pode-se
ingressar assim com um novo litígio idêntico. A legitimidade para a desistência
de tal processo se dá a todos os legitimados a entrar com a ação, com exceção
do Ministério Público, visto que, o mesmo protege interesse de outrem.

MENOR ONEROSIDADE
Como já mencionado, o processo de execução não visa o exercício da
vingança privada, e assim, para que tal garantia seja ratificada e que o
executado não passe mais do que o indispensável para satisfazer o direito do
exequente, o princípio da menor onerosidade é cabível, para que sejam
empregados recursos menos dolorosos ao executado, barrando com isso a
execução como um meio de vingança. Segundo o art. 805 do Novo Código de
Processo Civil “quando por vários meios o exequente puder promover a
execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o
executado.”, positivando, assim, tal princípio código processualista. Logo, o já
mencionado principio veda a aplicação de medidas executivas que não causem
satisfação ao direito do exequente, quando o cumprimento da obrigação
mostra-se impossível, devendo ao juiz, pautado pela razão e
proporcionalidade, encontrar meios para esquivar-se de situações desse tipo.

CONTRADITÓRIO

O princípio do contraditório consiste na eficaz participação das partes no


processo, no dever de informar e ser informado. A cada fato surgido no
processo deve haver a oportunidade de manifestação e defesa da outra parte
interessada, para garantir a estrutura democrática no processo, se presume
uma participação correta e apropriada dos sujeitos interessados ao longo do
procedimento. Tendo consigo uma natureza jurisdicional, por tal motivo, fica
sob a análise do princípio constitucional do contraditório, havendo nulidade se
não observado acerca das questões incidentais no processo.

LEALDADE E BOA-FÉ PROCESSUAL

A boa-fé representa um princípio geral do Direito, todos devem


comportar-se conforme um padrão ético de confiança, respeito e lealdade.
Assim, o pressuposto da interpretação de todo o Direito. O princípio da
lealdade deriva da boa-fé, excluindo a fraude processual, as imoralidades, a
prova deformada. Na execução, se exige de todos os sujeitos a atuação de
forma leal e de boa-fé, existindo, portanto sanções para casos de práticas de
atos atentatórios à dignidade da justiça, previstos no artigo 774 do Novo
Código de Processo Civil. Existem então cinco espécies de atos atentatórios à
dignidade da justiça, são eles: fraude à execução, oposição maliciosa à
execução, com o emprego de ardis e meios artificiosos, resistência injustificada
às ordens judiciais, dificultar ou embaraçar a realização da penhora e quando
intimado não indicar ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora
e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso,
certidão negativa de ônus. 

REFERÊNCIAS

REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27ª ed. São Paulo: Saraiva,
2003.;
https://jus.com.br/artigos/37661/o-principio-do-contraditorio-na-execucao-civil;
Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Disponível
em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm>
Acesso em: 19 mar. 2016.;
DIDIER JR, Fredie; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de; CUNHA, Leonardo
Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 5. Salvador: Juspodivm,
2014.