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Departamento de Engenharia Civil

8
ESFORÇO TRANSVERSO

CARLOS FÉLIX

OUTUBRO / 2013
Departamento de Engenharia Civil

ÍNDICE
8 Esforço transverso 8.1

8.1 Introdução 8.1

8.2 Modelo de rotura de elementos sem armadura de esforço transverso 8.1

8.3 Modelo de rotura de elementos com armadura de esforço transverso 8.5

8.4 Disposições regulamentares 8.9

8.4.1 Método geral de verificação 8.9

8.4.2 Elementos de altura variável 8.11

8.4.3 Elementos para os quais não é exigida armadura de esforço transverso 8.12

8.4.4 Elementos para os quais é exigida armadura de esforço transverso 8.14

8.4.5 Armadura de esforço transverso em vigas 8.18

8.4.6 Escalonamento da armadura transversal 8.20

8.5 Resumo 8.22

8.5.1 Elementos que não necessitam de armadura de esforço transverso 8.22

8.5.2 Elementos com armadura de esforço transverso 8.22

8.5.3 Formulário 8.23

8.6 Bibliografia 8.24

8.7 Anexo – Exemplos de aplicação 8.25

8.7.1 Exemplo 1 8.25

8.7.2 Exemplo 2 8.25

8.7.3 Exemplo 3 8.30

Instituto Superior de Engenharia do Porto i


Departamento de Engenharia Civil

8 Esforço transverso

8.1 Introdução

Contrariamente ao comportamento à flexão, existe uma diversidade de fenómenos que


contribuem para a capacidade resistente das peças de betão armado quando submetidas
a esforço transverso, muitos dos quais de complexa quantificação, como por exemplo o
funcionamento após fendilhação do betão e o efeito das armaduras longitudinais das
peças que atravessam as fendas geradas pelo esforço cortante. Esta complexidade
reflete-se em modelos de comportamento estrutural que assentam em modelos algo
simplificados mas que recorrem em grande parte a ajustes e a correções, através da
introdução de fatores obtidos experimentalmente.

A evolução do estado de tensão das zonas submetidas ao esforço transverso é uma


evolução não linear, sendo certo que a rotura ocorre em fase fendilhada do betão. Daí
que seja importante, para a verificação da segurança em relação ao estado limite último,
a análise dos elementos sujeitos ao esforço transverso em fase fendilhada do betão,
ainda que na maior parte das situações, na fase de serviço, essa fendilhação possa nunca
ocorrer.

Os elementos de betão sujeitos a esforço transverso exibem modelos de rotura diversos


consoante sejam ou não dotados de armadura de esforço transverso. Descreve-se de
seguida, os mecanismos que se desenvolvem em cada um destes dois tipos de rotura.

8.2 Modelo de rotura de elementos sem armadura de esforço transverso

Todos os elementos lineares submetidos a um momento fletor M Ed, estão


simultaneamente sujeitos a um esforço de corte V Ed=dMEd/ds, que originam tensões de
corte , também designadas tensões tangenciais. No betão, como na generalidade dos
materiais de construção, as tensões , não constituem em si um critério de rotura nem
um critério de fissuração, mas influenciam o valor e a trajetória das tensões principais de
tração e de compressão.

A Figura 8.1 representa as trajetórias das tensões principais de tração e de compressão


de uma viga simplesmente apoiada, submetida a uma carga uniformemente distribuída,
sem armadura de esforço transverso, em fase não fendilhada.

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.1


Estruturas de Betão

Trajectórias de tração
Trajectórias de compressão

Figura 8.1 - Trajetória das tensões principais numa viga não fendilhada (Walter e
Miehlbradt, 1990).

Sendo admissível o comportamento linear e elástico dos materiais, pode-se considerar


válida a Lei de Hooke, apresentando então a viga uma distribuição linear das tensões
normais  ao longo da altura da secção transversal e uma distribuição parabólica das
tensões de corte .

As trajetórias de tração e de compressão são ortogonais entre si em cada ponto de


intersecção. Como a resistência à tração do betão é reduzida, quando comparada com a
respetiva resistência à compressão, a fissuração ocorrerá perpendicularmente às direções
principais de tração, ou seja, ao longo das trajetórias de compressão, com início na face
inferior da viga, perpendicular à armadura de flexão.

Quando se faz aumentar os níveis de carga a que a viga está submetida, as tensões 
abaixo do eixo neutro ultrapassam a resistência do betão à tração, iniciando-se o
processo de fendilhação. Nesta fase considera-se que as tensões normais só se
desenvolvem na parte da secção acima do eixo neutro, como se vê na Figura 8.2. A parte
inferior da viga encontra-se submetida a um estado de corte puro que dá origem em
cada ponto a duas tensões principais iguais em valor absoluto, uma de tração e outra de
compressão, cujas direções fazem um ângulo de 45º com o eixo da viga.

Ensaios experimentais de vigas sem armadura de esforço transverso, submetidas a


carregamentos exteriores crescentes, permitiram observar as seguintes fases no seu
comportamento:

i) Numa primeira fase, e para carregamentos exteriores de intensidade


moderada, começam a observar-se fendas normais à armadura longitudinal;

ii) Seguidamente, e para um nível de carga superior, algumas das fendas de


flexão prolongam-se em direção à face comprimida da viga, inclinando-se em
relação ao eixo;

8.2 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

iii) Na fase final dá-se a rotura da viga, com o esmagamento do betão na zona
comprimida.

 = constante

Trajectórias de tração abaixo do eixo neutro

Trajectórias de compressão até à armadura

Figura 8.2 - Trajectória das tensões principais numa viga após fendilhação (Walter e
Miehlbradt, 1990).

Nas duas primeiras fases, e considerando apenas elementos sem armadura de esforço
transverso, as parcelas de betão entre fendas funcionam como pequenas consolas
inclinadas, cujo equilíbrio é obtido sob o efeito das forças esquematizadas na Figura 8.3,
nomeadamente:

i) Forças desenvolvidas na zona de encastramento da consola;

ii) Forças desenvolvidas nas fendas pelo efeito de engrenagem devido à sua
rugosidade;

iii) Forças verticais devidas ao efeito de ferrolho provocado pelas armaduras


longitudinais;

iv) Forças horizontais que se desenvolvem na armadura principal de flexão.

Efeito de consola
Efeito de engrenagem

Fs Fs + Fs

Efeito de ferrolho

Figura 8.3 – Forças que contribuem para o equilíbrio das parcelas de betão entre fendas.

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.3


Estruturas de Betão

Ao nível da secção, este equilíbrio pode ser obtido a partir da expressão (ver Figura 8.4):

V  Vc  Va  Vd (8.1)

Em que:

Vc designa a força que se desenvolve na zona comprimida da secção e depende


da resistência do betão e de outros fatores como por exemplo, da presença de
esforço axial;

Va é a componente vertical da força de engrenagem nas faces da fenda;

Vd força devida ao efeito de ferrolho, que depende, essencialmente, da


percentagem da armadura longitudinal da armadura na secção.

2 1
Vc

Fc

 z
Va

Vd Fs

V al

Figura 8.4 – Equilíbrio de uma secção sem armadura de esforço transverso.

As lajes maciças de betão, apoiadas directamente em vigas ou em paredes, são o


exemplo de elementos estruturais que quando apresentam tensões de corte muito
reduzidas, podem não ter armadura específica para resistir ao esforço transverso. O
comportamento estrutural de tais elementos aproxima-se do descrito na Figura 8.5,
constituído essencialmente por um arco e um tirante. Nestes casos, especial cuidado
deverá haver quanto à área e à amarração da armadura longitudinal junto dos apoios,
porquanto uma parcela significativa do mecanismo descrito assenta na tração
desenvolvida junto dos apoios.

Figura 8.5 – Sistema resistente arco-tirante num elemento sem armadura de esforço
transverso.

8.4 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

8.3 Modelo de rotura de elementos com armadura de esforço transverso

No ponto anterior focou-se o comportamento de elementos de betão armado sem


armadura de esforço transverso. Quando o betão não assegura a resistência pretendida,
é necessário incluir no elemento armaduras específicas de esforço transverso que
permitam satisfazer o critério de dimensionamento.

As armaduras de esforço transverso são dimensionadas de modo a resistir aos esforços


de tração gerados no elemento, conforme adiante exposto. Contudo a sua contribuição
para a melhoria da resistência ao esforço transverso fica também a dever-se a outros
factores, de que se salienta: (i) ao atravessar as fendas diagonais, estas armaduras vão
absorver uma parte significativa do esforço transverso, limitando a abertura de fendas e
o seu espaçamento, contribuindo simultaneamente para o aumento do efeito de
engrenagem; (ii) por outro lado, as armaduras de esforço transverso, realizadas por
estribos, ao envolverem a armadura longitudinal, promovem a cintagem do betão,
tornando mais efectivo o efeito de ferrolho.

A Figura 8.6 ilustra a fendilhação verificada numa viga de betão armado pré-esforçado,
simplesmente apoiada, durante a realização de um ensaio laboratorial, submetida a uma
carga concentrada a meio vão. A armadura de flexão é contínua de apoio a apoio. Da sua
análise podem definir-se três zonas distintas:

i) Uma zona central, com uma fendilhação que resulta simultaneamente da


flexão (fendas na zona inferior normais ao eixo da via) e do esforço transverso
(fendas inclinadas na zona da alma);

ii) Uma zona mais próxima do apoio em que a fendilhação está sobretudo
associada ao esforço transverso;

iii) E uma zona sobre o apoio com ausência de fendilhação significativa.

Na zona fendilhada podem identificar-se os seguintes elementos que contribuem para o


mecanismo resistente da viga, numa fase próxima da rotura:

i) Zona superior comprimida do betão;

ii) Bielas oblíquas de betão;

iii) Armadura longitudinal inferior tracionada;

iv) Armadura transversal de esforço transverso.

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.5


Estruturas de Betão

Fendilhação de flexão + esforços transversos

Sem Fendilhação de esforços


fendilhação transversos na alma Secção transversal

Figura 8.6 – Fendilhação numa viga simplesmente apoiada com armadura de esforço
transverso (Otto-Graf-Institut, Stuttgart).

O mecanismo descrito, numa situação de estado limite último, é complexo e o respetivo


cálculo à rotura de difícil resolução. A hipótese de Bernoulli, referindo que na flexão as
secções planas se mantêm planas, utilizada no cálculo do momento fletor resistente,
deixa de ser válida nas zonas de fissuração oblíqua que surgem na sequência do esforço
transverso.

Para analisar o comportamento descrito, de elementos submetidos ao esforço transverso


com armadura de esforço transverso, recorre-se a modelos simplificados, como o da
treliça de Mörsch representado na Figura 8.7, incorporando-lhe correcções decorrentes
de resultados experimentais conduzidos sobre vigas.

     

a) Estribos verticais b) Estribos inclinados

Figura 8.7 – Modelo de treliça simples (Walter e Miehlbradt, 1990).

8.6 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

O modelo de Mörsch idealiza o comportamento de vigas submetidas a esforços de flexão


e corte através da formação de uma treliça plana em que o banzo superior representa a
zona comprimida da viga, situada acima do eixo neutro, e o banzo inferior representa a
armadura longitudinal de tração. Os banzos encontram-se ligados por um sistema de
escoras e tirantes. As escoras representam o betão entre fendas, com uma inclinação de
, enquanto os tirantes representam a armadura transversal.

A vantagem do modelo de treliça é que permite a resolução do sistema isostático


tornando possível a obtenção dos esforços em cada um dos seus elementos, e em
particular nas bielas. Na Figura 8.8 representa-se uma treliça genérica definida para as
armaduras transversais de inclinação  e diagonais comprimidas de inclinação , sendo:

Fsw a força que se desenvolve na armadura de esforço transverso;

Fcw a força que se desenvolve na escora comprimida de betão;

Fc a força de compressão no banzo superior;

Fs a força de tração na armadura longitudinal no banzo inferior;

Z o braço do binário associado ao momento fletor M.

Fc

Fcw Fsw V M
z

   Fs

Figura 8.8 – Forças geradas no interior da treliça.

A partir da Figura 8.8 pode então deduzir-se que:

V = Fswsen (8.2)

V = Fcwsen (8.3)

a = z (cotg + cotg) (8.4)

c = z (cotg + cotg) sen (8.5)

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.7


Estruturas de Betão

Existindo vários estribos ao longo da distância a (ver Figura 8.8) que asseguram a força
Fsw, gerar-se-á uma treliça múltipla, conforme esquematizado na Figura 8.9, que
corresponde à sobreposição de várias treliças simples.

s s

s s

Figura 8.9 - Modelo de treliças múltiplas com estribos verticais ou inclinados (Walter e
Miehlbradt, 1990).

A partir do modelo de treliça simples é possível estender à treliça múltipla a relação entre
o esforço transverso V e as forças Fsw e Fcw. De facto, ainda de acordo com a Figura 8.8,
a distancia entre as forças Fsw medida ao longo do eixo da viga é a. Se s designar o
espaçamento longitudinal, no modelo de treliça múltipla (ver Figura 8.9), entre cada
varão ou estribo de área Asw, a trabalhar à tensão sw, é possível obter o valor do esforço
de tração em cada tirante a partir da expressão:

a (8.6)
Fsw   sw A sw
s

Substituindo nesta expressão o valor de a dado em (8.4), virá:

 sw A sw (8.7)
Fsw  z cot g  cot g 
s

Substituindo na expressão (8.2) o valor de Fsw virá:

A sw (8.8)
V z  sw cot g  cot g  sen
s

8.8 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

Por outro lado, de acordo com a Figura 8.8, o comprimento de influência da força Fcw
(escora comprimida de betão) é c. Designando por cw a tensão de compressão na biela
comprimida e admitindo que esta tem uma secção transversal dada por bw×c (ver Figura
8.10), a expressão (8.3) será dada por:

V   cw b w c sen (8.9)

Ou ainda,

V   cw b w z cot g  cot g  sen2 (8.10)

c
cw

Fsw Fcw

Figura 8.10 – Tensões na biela comprimida de betão.

Na verificação da segurança ao esforço transverso de um elemento de betão, a partir da


expressão (8.8) será possível quantificar a armadura transversal, em termos de área de
cada estribo (Asw) e do seu espaçamento longitudinal (s), enquanto que a partir da
expressão (8.10) será possível verificar o nível de tensões de compressão a que o betão
fica sujeito.

As dificuldades na aplicação do modelo exposto da treliça de Mörsch resultam sobretudo


na estimativa da capacidade resistente das bielas comprimidas do betão. De facto, o
valor da tensão de rotura do betão, dada a fendilhação local, vem significativamente
reduzido, quando comparado com o valor de fcd. Conforme adiante se verá, a introdução
do coeficiente de eficácia  pretende ter em conta este efeito.

8.4 Disposições regulamentares

Refletindo a diversidade do comportamento na rotura por esforço transverso de


elementos de betão com e sem armadura de esforço transverso, o EC2 apresenta
verificações distintas em concordância com cada uma destas duas situações de projeto.

8.4.1 Método geral de verificação

Com vista à verificação da segurança ao esforço transverso são definidos no EC2 (ver
6.2.1) os seguintes valores:

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.9


Estruturas de Betão

VEd Valor de cálculo do esforço transverso resultante das ações exteriores.

VRd,c Valor de cálculo do esforço transverso resistente do elemento sem


armadura de esforço transverso.

VRd,s Valor de cálculo do esforço transverso equilibrado pela armadura de


esforço transverso.

VRd,máx Valor de cálculo do esforço transverso resistente do elemento, limitado


pelo esmagamento das escoras comprimidas.

Na verificação da segurança ao esforço transverso podemos distinguir as situações em


que elementos de betão armado, ou regiões desses elementos, necessitem de armadura
de esforço transverso daquelas situações em que o seu cálculo está dispensado.

Não é necessário o cálculo da armadura de esforço transverso nas regiões do elemento


em que se verifique a condição:

VEd  VRd, c (8.11)

Contudo, nas situações em que o cálculo desta armadura está dispensado é conveniente
prever uma armadura mínima que no caso das vigas é definida no parágrafo 9.2.2 do
EC2. Em lajes, em que seja admissível uma redistribuição transversal das ações, tal
armadura pode ser omitida.

É necessário o cálculo da armadura de esforço transverso nas regiões do elemento em


que se verifique a condição:

VEd  VRd, c (8.12)

A resistência ao esforço transverso de um dado elemento com armadura de esforço


transverso é igual a:

VRd  VRd, s (8.13)

O cálculo da armadura obtém-se a partir da desigualdade:

VEd  VRd (8.14)

Em elementos de altura constante esta expressão pode ser substituída por:

VEd  VRd, s (8.15)

Em qualquer um dos casos deve verificar-se que o valor de cálculo do esforço transverso
nas secções não excede o valor limite de esmagamento das escoras comprimidas. Tal
verificação deve ser feita através da expressão:

8.10 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

VEd  VRd,máx (8.16)

8.4.2 Elementos de altura variável

A capacidade resistente ao esforço transverso de elementos de altura variável é,


naturalmente, influenciada pelas componentes verticais das forças que se desenvolvem
nos banzos comprimido e tracionado da treliça de Mörsch, uma vez que parte do esforço
transverso atuante é diretamente absorvido por essas mesmas componentes verticais
(ver Figura 8.11).

Fc
Vccd
1

VEd MEd z d

Vtd
Fs

2

Figura 8.11 — Componentes de esforço transverso para elementos de altura variável.

Para ter em conta tais efeitos deverá ser corrigido o valor do esforço transverso
resistente dado pela expressão (8.13), adicionando-lhe as respetivas contribuições:

VRd  VRd, s  Vccd  Vtd (8.17)

sendo,

Vccd Valor de cálculo da componente de esforço transverso da força de


compressão, no caso de um banzo comprimido inclinado.

Vtd Valor de cálculo da componente de esforço transverso da força na


armadura de tração, no caso de um banzo tracionado inclinado.

Tendo em atenção que:

MEd (8.18)
Fc  Fs 
z

virá,
MEd
Vccd  tg1 (8.21)
z

MEd (8.22)
Vtd  tg 2
z

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.11


Estruturas de Betão

Relativamente aos sinais a atribuir a tg1 e tg2 eles serão positivos quando, ao
caminhar-se ao longo do eixo do elemento, o momento fletor e a alteração que induzirem
no braço do binário z, variarem no mesmo sentido.

Na Figura 8.12 exemplificam-se algumas situações típicas, devendo notar-se que,


enquanto nos casos a) e b) a inclinação do banzo permite a redução da armadura de
esforço transverso, enquanto no caso c) aquela armadura terá de ser reforçada.

a) b) c)

Figura 8.12 — Variação do esforço transverso devido à inclinação dos banzos (Lima et al.
1989).

A verificação de não ser excedido o valor limite de esmagamento das escoras


comprimidas (ver expressão (8.16)), passa a ser dada pela expressão:

VEd  Vccd  Vtd  VRd,máx (8.23)

8.4.3 Elementos para os quais não é exigida armadura de esforço transverso

Em elementos para os quais não é exigida armadura de esforço transverso o valor de


VRd,c é dado por:


VRd, c  CRd, c k 100 l fck 
13

 k 1  cp b w d
(8.24)

Não devendo o valor VRd,c ser considerado inferior a:

 
VRd, c   min  k 1  cp b w d (8.25)

Em que:

fck é expresso em MPa

200
k 1  2.0 , com d expresso em mm
d

8.12 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

A sl
l   0.02
bw d

Asl é a armadura de tração prolongada de um comprimento não inferior a


(lbd+d) para além da secção considerada (ver Figura 8.13)

bw a menor largura da secção transversal na área tracionada, expressa em


mm

 cp  NEd A c  0.2 fcd [MPa]

NEd representa o esforço normal na secção devido às acções aplicadas ou ao


pré-esforço, expresso em kN (NEd>0 para compressão).

Ac é a área da secção transversal de betão, expressa em mm 2

VRd,c vem expresso em N

CRd, c  0.18  c  0.12

K1=0.15

e min é dado pela expressão:

 min  0.035 k 3 2 fck1 2 com fck expresso em MPa (8.26)

secção considerada

Figura 8.13 — Definição de Asl.

Em secções de betão armado sem esforço normal (σcp=0) as expressões (8.24) e (8.25)
podem ser reescritas simplificadamente do seguinte modo:

VRd, c  0.12 k 100 l fck  (8.27)


13
b w d , desde que σcp=0

Não devendo o valor VRd,c ser considerado inferior a:

VRd, c   min b w d , desde que σcp=0 (8.28)

Em secções com altura útil inferior a 200mm (d≤200mm) k=2.0 vindo a expressão de
min simplificada:

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.13


Estruturas de Betão

 min  0.098995fck1 2 , desde que d≤200mm (8.29)

O Quadro 8.1 resume os valores de k e de min , de acordo com a expressão (8.26) para
diversas classes de betão e para diversos valores de altura útil.

Quadro 8.1 — Valores de mim

fck [MPa]
d
k 12 16 20 25 30 35 40 45 50
[mm]
min
≤200 2.000 0.343 0.396 0.443 0.495 0.542 0.586 0.626 0.664 0.700
210 1.976 0.337 0.389 0.435 0.486 0.532 0.575 0.615 0.652 0.687
220 1.953 0.331 0.382 0.427 0.478 0.523 0.565 0.604 0.641 0.676
230 1.933 0.326 0.376 0.420 0.470 0.515 0.556 0.595 0.631 0.665
240 1.913 0.321 0.370 0.414 0.463 0.507 0.548 0.586 0.621 0.655
250 1.894 0.316 0.365 0.408 0.456 0.500 0.540 0.577 0.612 0.645
260 1.877 0.312 0.360 0.403 0.450 0.493 0.532 0.569 0.604 0.636
270 1.861 0.308 0.355 0.397 0.444 0.487 0.526 0.562 0.596 0.628
280 1.845 0.304 0.351 0.392 0.439 0.480 0.519 0.555 0.588 0.620
290 1.830 0.300 0.347 0.388 0.433 0.475 0.513 0.548 0.581 0.613
300 1.816 0.297 0.343 0.383 0.428 0.469 0.507 0.542 0.575 0.606
310 1.803 0.294 0.339 0.379 0.424 0.464 0.501 0.536 0.569 0.599
320 1.791 0.290 0.335 0.375 0.419 0.459 0.496 0.530 0.563 0.593
330 1.778 0.288 0.332 0.371 0.415 0.455 0.491 0.525 0.557 0.587
340 1.767 0.285 0.329 0.368 0.411 0.450 0.486 0.520 0.551 0.581
350 1.756 0.282 0.326 0.364 0.407 0.446 0.482 0.515 0.546 0.576
360 1.745 0.280 0.323 0.361 0.404 0.442 0.477 0.510 0.541 0.571
370 1.735 0.277 0.320 0.358 0.400 0.438 0.473 0.506 0.537 0.566
380 1.725 0.275 0.317 0.355 0.397 0.435 0.469 0.502 0.532 0.561
390 1.716 0.273 0.315 0.352 0.393 0.431 0.466 0.498 0.528 0.556
400 1.707 0.270 0.312 0.349 0.390 0.428 0.462 0.494 0.524 0.552

Pode ainda ser contabilizado o efeito favorável da proximidade dos apoios no caso de
cargas concentradas através de um coeficiente β de redução do V Ed, conforme estipulado
no EC2 (ver 6.2.2 – 6).

8.4.4 Elementos para os quais é exigida armadura de esforço transverso

Em elementos para os quais é exigida armadura de esforço transverso o seu cálculo


baseia-se num modelo de treliça, conforme esquematizado na Figura 8.14.

8.14 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

As notações são as seguintes:

 ângulo formado pela armadura de esforço transverso com o eixo da viga

 ângulo formado pela escora comprimida de betão com o eixo da viga

Ftd valor de cálculo da força de tração na armadura longitudinal

Fcd valor de cálculo da força de compressão no betão na direção do eixo


longitudinal do elemento

bw menor largura da secção entre os banzos tracionado e comprimido

z braço do binário das forças interiores, para um elemento de altura


constante, correspondente ao momento fletor no elemento considerado.

banzo comprimido escoras banzo tracionado armadura de esforço transverso

Figura 8.14 — Modelo de treliça e notações para elementos com armadura de esforço
transverso.

Numa secção de betão armado sem esforço normal pode em geral considerar-se:

z  0.9d (8.30)

O ângulo da inclinação da escora comprimida do betão está limitado pelo intervalo de


valores:

1  cot g  2.5 (8.31)

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.15


Estruturas de Betão

sen tg
1.0 2.5
=45 cotg

0.4 =21.8

0 cos

21.8≤≤45

Figura 8.15 — Valores limites para .

A armadura de esforço transverso é em geral constituída por estribos verticais (=90º)


ou inclinados a 45º (=45º). Podem ainda ser utilizados outros dispositivos de reforço ou
incluir uma parcela resultante da contribuição de varões inclinados. Estas soluções
alternativas são contudo pouco frequentes.

Estribos verticais

Em elementos com armaduras de esforço transverso constituída por estribos verticais, o


valor de cálculo do esforço transverso resistente, VRd, é dado pelo menor dos valores:

A sw (8.32)
VRd, s  z fywd cot g
s

VRd,máx   cw b w z  1 fcd cot g  tg  (8.33)

Em que:

Asw é a área da secção transversal das armaduras de esforço transverso


existente no comprimento s

s o espaçamento dos estribos, medido ao longo do eixo longitudinal

fywd o valor de cálculo da tensão de cedência das armaduras de esforço


transverso

cw é um coeficiente que tem em conta o estado de tensão no banzo


comprimido

1 é um coeficiente de redução da resistência do betão fendilhado por


esforço transverso

Nas situações correntes, em que se utiliza o mesmo tipo de aço na armadura longitudinal
e de esforço transverso (fyk=fywk) pode considerar-se 1=, dado pela expressão:

8.16 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

 f 
  0.61  ck  , com fck em MPa (8.34)
 250 

O Quadro 8.2 resume os valores obtidos por aplicação da expressão (8.34) para betões
com fck≤50MPa.

Quadro 8.2 – Valores de  para fck≤50MPa.

Coef. de fck [MPa]


redução de
resistência 12 16 20 25 30 35 40 45 50

 0.571 0.562 0.552 0.540 0.528 0.516 0.504 0.492 0.480

Por outro lado, no caso de secções de betão armado sem armadura de pré-esforço, deve
ser considerado cw =1.

Nestas condições, as expressões (8.32) e (8.33) podem ser simplificadas obtendo-se,


para elementos com armaduras de esforço transverso constituída por estribos verticais, o
valor de cálculo do esforço transverso resistente, VRd, dado pelo menor dos valores:

A sw (8.35)
VRd, s  z fyd cot g
s

VRd,máx  b w z  fcd cot g  tg  (8.36)

Igualando as expressões (8.35) e (8.36), pode obter-se a expressão que conduz à


armadura efectiva máxima de esforço transverso, dado por:

A sw (8.37)
z fyd cot g  b w z  fcd cot g  tg 
s

Nesta expressão o valor de Asw é máximo quando a cotg=1, podendo escrever-se:

A sw, máx 1  fcd


 bw (8.38)
s 2 fyd

Estribos inclinados

Em elementos com armaduras de esforço transverso constituída por estribos inclinados,


o valor de cálculo do esforço transverso resistente, VRd, é dado pelo menor dos valores:

A sw
VRd, s  z fywd cot g  cot g  sen (8.39)
s


VRd,máx   cw b w z  1 fcd cot g  cot g  1  cot g2  (8.40)

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.17


Estruturas de Betão

De modo similar ao referido anteriormente, considerando fyk=fywk, podendo neste caso


considerar-se 1= e considerando secções de betão armado sem armadura de
pré-esforço, caso em que cw =1, pode escrever-se:

A sw
VRd, s  z fyd cot g  cot g  sen (8.41)
s


VRd,máx  b w z  fcd cot g  cot g  1  cot g2  (8.42)

A armadura efetiva máxima de esforço transverso obtém-se quando a cotg=1 e é dada


pela expressão:

A sw, máx 1 1  fcd


 bw (8.43)
s sen 2 fyd

8.4.5 Armadura de esforço transverso em vigas

A armadura de esforço transverso a dispor em vigas deve formar um ângulo  que varia
entre 45º e 90º com o eixo longitudinal do elemento estrutural. Esta armadura deve
envolver a armadura longitudinal de tração e ser eficazmente amarrada na zona de
compressão, conforme se ilustra na Figura 8.16 (ver 9.2.2 no EC2).

A – Possibilidades de estribos interiores B – Estribo exterior

Figura 8.16 — Exemplos de armaduras de esforço transverso.

A taxa de armadura de esforço transverso é dada pela expressão:

A sw 1
w  (8.44)
s b w sen

Em que:

Asw é a área da secção transversal das armaduras de esforço transverso


existente no comprimento s

s o espaçamento longitudinal dos estribos, medido ao longo do eixo


longitudinal

8.18 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

bw menor largura da secção entre os banzos tracionado e comprimido

 ângulo formado pela armadura de esforço transverso com o eixo da viga

O valor da armadura mínima de esforço transverso a dispor em vigas depende da classe


do betão e do tipo de aço e é dado pela expressão:


 w,min  0.08 fck fyk  (8.45)

O Quadro 8.3 resume os valores de w,mim para algumas das classes de betão.

Quadro 8.3 — Valores de w,mim [%] para fck≤50MPa.

Tipo de fck [MPa]


aço 12 16 20 25 30 35 40 45 50
S400 0.069 0.080 0.089 0.100 0.110 0.118 0.126 0.134 0.141
S500 0.055 0.064 0.072 0.080 0.088 0.095 0.101 0.107 0.113
S600 0.046 0.053 0.060 0.067 0.073 0.079 0.084 0.089 0.094

O espaçamento longitudinal máximo entre armaduras de esforço transverso (ver Figura


8.17) depende da altura útil do elemento e da inclinação dos estribos e é dado pela
expressão (8.46). Nas situações correntes é usual limitar este valor a 300mm, ainda que
nada seja especificado no EC2.

sl,máx  0.75d (1  cot g ) (8.46)

Espaçamento longitudinal

Estribos verticais Espaçamento transversal

sl sl st st st

Estribos inclinados

sl sl

Figura 8.17 — Espaçamento longitudinal e transversal de armaduras de esforço


transverso.

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.19


Estruturas de Betão

No caso de, juntamente com os estribos, se utilizarem varões inclinados a sua parcela
não poderá exceder a metade da área total de aço necessária e o seu espaçamento
longitudinal está limitado ao seguinte valor:

sb,máx  0.60d (1  cot g ) (8.47)

O espaçamento transversal entre ramos de um mesmo estribo não deve ser superior a
st,máx, dado pela expressão:

s t,máx  0.75d  600mm (8.48)

8.4.6 Escalonamento da armadura transversal

O escalonamento da armadura transversal deverá basear-se no diagrama de esforços


transversos e pode ser conseguido quer variando o diâmetro dos estribos, quer variando
o seu espaçamento ou ainda o número de ramos. De salientar que a utilização de
diâmetros diferentes pode gerar confusões na dobragem e aumentar os desperdícios de
material.

A Figura 8.18 ilustra um exemplo de escalonamento da armadura transversal duma viga.


Optou-se por uma solução de estribos de 8mm de diâmetro, com 4 ramos na zona de
maior esforço e de 2 ramos na zona restante. Para a solução de estribos mínimos
optou-se por manter o diâmetro de 8mm tendo-se aumentado o espaçamento
longitudinal. A armadura de esforço transverso da viga é prolongada apenas até à face
interior do apoio o que permite libertar o nó para a passagem das armaduras do pilar (a
armadura transversal do pilar não deve ser interrompida no nó) e melhorar as condições
locais de betonagem.

0.65m 0.90m
Ø8//0.15 Ø8//0.15 Ø8//0.30
4 ramos 2 ramos (estribos mínimos)

VRd,s1

VRd,s2

(≤VRd,max) V VRd,smín
Ed,1
VEd,2

Figura 8.18 — Escalonamento de armaduras de esforço transverso.

8.20 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

Encontrada a relação Asw/s, o espaçamento longitudinal máximo e o número de ramos


mínimo de cada estribo, a solução de armadura pode ser facilitada através da consulta
do Quadro 8.4.

A sw
Quadro 8.4 — Valores de [cm2/m].
s

s [m]
Ø
ramos
Nº de

[mm] 0.05 0.075 0.10 0.125 0.15 0.175 0.20 0.225 0.25 0.275 0.30

6 11.31 7.54 5.65 4.52 3.77 3.23 2.83 2.51 2.26 2.06 1.88

8 20.11 13.40 10.05 8.04 6.70 5.74 5.03 4.47 4.02 3.66 3.35
2
10 31.42 20.94 15.71 12.57 10.47 8.98 7.85 6.98 6.28 5.71 5.24

12 45.24 30.16 22.62 18.10 15.08 12.93 11.31 10.05 9.05 8.23 7.54

6 16.96 11.31 8.48 6.79 5.65 4.85 4.24 3.77 3.39 3.08 2.83

8 30.16 20.11 15.08 12.06 10.05 8.62 7.54 6.70 6.03 5.48 5.03
3
10 47.12 31.42 23.56 18.85 15.71 13.46 11.78 10.47 9.42 8.57 7.85

12 67.86 45.24 33.93 27.14 22.62 19.39 16.96 15.08 13.57 12.34 11.31

6 22.62 15.08 11.31 9.05 7.54 6.46 5.65 5.03 4.52 4.11 3.77

8 40.21 26.81 20.11 16.08 13.40 11.49 10.05 8.94 8.04 7.31 6.70
4
10 62.83 41.89 31.42 25.13 20.94 17.95 15.71 13.96 12.57 11.42 10.47

12 90.48 60.32 45.24 36.19 30.16 25.85 22.62 20.11 18.10 16.45 15.08

6 28.27 18.85 14.14 11.31 9.42 8.08 7.07 6.28 5.65 5.14 4.71

8 50.27 33.51 25.13 20.11 16.76 14.36 12.57 11.17 10.05 9.14 8.38
5
10 78.54 52.36 39.27 31.42 26.18 22.44 19.63 17.45 15.71 14.28 13.09

12 113.10 75.40 56.55 45.24 37.70 32.31 28.27 25.13 22.62 20.56 18.85

6 33.93 22.62 16.96 13.57 11.31 9.69 8.48 7.54 6.79 6.17 5.65

8 60.32 40.21 30.16 24.13 20.11 17.23 15.08 13.40 12.06 10.97 10.05
6
10 94.25 62.83 47.12 37.70 31.42 26.93 23.56 20.94 18.85 17.14 15.71

12 135.72 90.48 67.86 54.29 45.24 38.78 33.93 30.16 27.14 24.68 22.62

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.21


Estruturas de Betão

8.5 Resumo

Apresentam-se de seguida um resumo de apoio à resolução de problemas de verificação


da segurança ou de dimensionamento ao esforço transverso de secções de betão
armado.

8.5.1 Elementos que não necessitam de armadura de esforço transverso

Problema de verificação da segurança:

VRd, c  0.12 k 100 l fck 


13
Calcular VRd,c bw d Ver (8.27)

Verificar limite VRd, c   min b w d Ver (8.28)


mínimo:

Se VEd  VRd, c Está verificada a segurança Ver (8.11)

Se VEd  VRd, c É necessário calcular armadura de esforço transverso Ver (8.12)

8.5.2 Elementos com armadura de esforço transverso

Problema de dimensionamento de armadura:

Admitir, por
hipótese, Corresponde à solução mais económica em termos de estribos
cotg=2.5
Estribos verticais:
Ver (8.36)
VRd,máx  b w z  fcd cot g  tg 
Calcular VRd,max
Estribos inclinados:

VRd,máx  b w z  fcd cot g  cot g  1  cot g2  Ver (8.42)

Se não verificar, calcular cotg de modo que VRd,máx=VEd


Ver (8.31)
( 1  cot g  2.5 )

Prosseguir a resolução com a cotg que verificar a


Verificar se desigualdade.
VEd  VRd,máx Caso não seja possível obter o valor de cotg é porque não há
solução em betão armado nas condições do problema.
Sugestões: melhorar a classe do betão, aumentar as
dimensões da secção transversal (altura e/ou largura da
secção), usar estribos inclinados.
Estribos verticais:

A sw A sw Ver (8.35)
Calcular de VRd, s  z fywd cot g
s s
modo a que Estribos inclinados:
VRd, s  VEd
A sw Ver (8.41)
VRd, s  z fywd cot g  cot g  sen
s
A sw 1
Calcular w w  Ver (8.44)
s b w sen

8.22 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

Verificar w,min  
 w,min  0.08 fck fyk ou consultar o Quadro 8.3 Ver (8.45)

sl,máx  0.75d (1  cot g )


Calcular máximo A sw
espaçamento (pode condicionar o valor de s em ) Ver (8.46)
s
longitudinal
Nos casos correntes não adotar valores de sl superiores a
30cm
Calcular máximo s t,máx  0.75d  600mm
espaçamento Ver (8.48)
transversal (pode condicionar o número de ramos do estribo)

Escolher uma A solução de estribos deve incluir a indicação do diâmetro, Consultar o


solução de espaçamento (longitudinal) e número de ramos. Quadro
estribos Exemplo: “estribos 2 ramos Ø6//0.15m” 8.4.

8.5.3 Formulário

Elementos sem armadura de esforço transverso

VRd, c  0.12 k 100 l fck 


13
bw d 200
k 1  2.0
d
VRd, c   min bw d
A sl
l   0.02
bw d

 min  0.035 k 3 2 fck1 2

Elementos com armadura de esforço transverso

Estribos verticais: Estribos inclinados:

A sw A sw
VRd, s  z fywd cot g VRd, s  z fyd cot g  cot g  sen
s s

VRd,máx  b w z  fcd cot g  tg  


VRd,máx  b w z  fcd cot g  cot g  1  cot g2 
 f 
  0.61  ck 
 250 

Armadura de esforço transverso em vigas

A sw 1 sl,máx  0.75d (1  cot g )


w 
s b w sen
s t,máx  0.75d  600mm

 w,min  0.08 fck fyk 

Instituto Superior de Engenharia do Porto 8.23


Estruturas de Betão

8.6 Bibliografia

NP EN 1992-1-1 (2010) – Eurocódigo 2: Projeto de estruturas de betão. Parte 1-1:


Regras gerais e regras para edifícios. Instituto Português da Qualidade.

Traité de Génie Civil. Dimensionnement des Structures en Béton. Bases et technologie.


René Walther e Manfred Miehlbradt. Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne. Presses
Polytechniques et Universitaires Romandes. 1990.

Projeto de Estruturas de Betão – Estados Limites de Resistência. Isabel Alvim Teles.


Instituto para o Desenvolvimento Tecnológico. Fundação IPP. Novembro de 2008.

Nova Regulamentação para o Projeto de Estruturas de Betão. Rui Faria, Nelson Vila
Pouca. FEUP. 1997.

J. D’Arga e Lima, Vítor Monteiro e Manuel Pipa. Betão Armado. Esforços Transversos, de
Torção e de Punçoamento. LNEC. 1985.

8.24 Departamento de Engenharia Civil


Departamento de Engenharia Civil

ANEXO
ESFORÇO TRANSVERSO

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

PAULO GUEDES

CARLOS FÉLIX

OUTUBRO / 2010

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 1


Departamento de Engenharia Civil

8.7 Anexo – Exemplos de aplicação

8.7.1 Exemplo 1

Determinar a capacidade resistente ao esforço transverso de uma laje maciça sem


armadura de esforço transverso com os seguintes dados:

h=0.17m  d=0.14m Betão C30  fck=30MPa

bw=1.0m A400  fyk=400MPa

Arm. long.  Ø12//0.15m

i) Cálculo de VRd,c (elemento sem pré-esforço)  Ver (8.27)

200
k 1  2.195  2.0  k  2.0
140

1.13
Ø12//0.15m  A sl   7.53 cm2/m
0.15

7.53  104
l   0.0054  0.02  Verifica
1.0  0.14

VRd, c  0.12  2.0 100  0.0054 30


13
 1000 140  85 018N  85.0kN

ii) Verificação de limite mínimo  ver (8.28)

 min  0.035  2.03 2  301 2  0.542  Conferir com Quadro 8.1

VRd, c  0.542  1000 140  75 880N  75.9kN

Donde se conclui ser  VRd,c=85.0kN

8.7.2 Exemplo 2

Calcular a armadura de esforço transverso a colocar numa viga de betão armado nas
seguintes condições:

h=0.50m  d=0.46m Betão C30  fck=30MPa

bw=0.30m A400  fyk=400MPa

a) VEd=100kN e estribos verticais;

b) VEd=300kN e estribos verticais;

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 8.25


Estruturas de Betão

c) VEd=300kN e estribos inclinados a 45º;

d) VEd=550kN e estribos verticais;

a) VEd=100kN e estribos verticais (=90º)

i) Verificação de VRd,máx  Ver (8.36)

z=0.9d=0.9×0.46=0.414m

 30 
  0.61    0.528  Conferir com Quadro 8.2
 250 

fck 30
fcd    20MPa
1.5 1.5

Admitindo cotg=2.5 (solução mais económica), virá:

1
VRd, máx  0.30  0.414  0.528  20  103   452kN
1
2.5 
2.5

VEd<VRd,máx  Verifica

ii) Cálculo dos estribos  Ver (8.35)

A sw A
100   0.414  348  103  2.5  sw  2.77 cm2/m
s s

Percentagem de estribos na secção  Ver (8.44)

1
 w  2.77  10 4  0.0009=0.09%
0.30

iii) Verificação de w,min  Ver (8.45)

 
 w,min  0.08 30 400  0.0011=0.11%  Conferir com Quadro 8.3

 w,min   w  Adopta-se w,min

A sw
 0.0011 0.3  3.30  10 4 m2/m=3.30cm2/m
s

iv) Cálculo do máximo espaçamento longitudinal  Ver (8.46)

sl,máx  0.75  0.46 (1  0)  0.34m

v) Cálculo do máximo espaçamento transversal  Ver (8.48)

s t,máx  0.75  0.46  0.34  0.60m

(atendendo à largura da secção serão suficientes 2 ramos por estribo)

Anexo – 8.26 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

vi) Solução de armadura  Consultar Quadro 8.4

A 
Estribos 2 ramos Ø8//0.30m   sw   3.35 cm2/m (solução mais económica)
 s  eff

A 
Estribos 2 ramos Ø6//0.15m   sw   3.77 cm2/m (solução alternativa)
 s  eff

b) VEd=300kN e estribos verticais (=90º)

i) Verificação de VRd,máx  Ver (8.36)

VRd,máx  452kN (ver alínea anterior)

VEd<VRd,máx  Verifica

ii) Cálculo dos estribos  Ver (8.35)

A sw A
300   0.414  348  103  2.5  sw  8.33 cm2/m
s s

Percentagem de estribos na secção  Ver (8.44)

1
 w  8.33  10 4  0.0028=0.28%
0.30

iii) Verificação de w,min  Ver (8.45)

Quadro 8.3   w,min  0.11%

 w,min   w  Verifica (adopta-se w)

iv) Cálculo do máximo espaçamento longitudinal  Ver (8.46)

sl,máx  0.75  0.46 (1  0)  0.34m

v) Cálculo do máximo espaçamento transversal  Ver (8.48)

s t,máx  0.75  0.46  0.34  0.60m

(atendendo à largura da secção serão suficientes 2 ramos por estribo)

vi) Solução de armadura  Consultar Quadro 8.4

A 
Estribos 3 ramos Ø8//0.175m   sw   8.62 cm2/m (solução mais económica)
 s  eff

A 
Estribos 4 ramos Ø8//0.225m   sw   8.94 cm2/m (solução alternativa)
 s  eff

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 8.27


Estruturas de Betão

A 
Estribos 4 ramos Ø6//0.125m   sw   9.05 cm2/m (solução alternativa)
 s  eff

c) VEd=300kN e estribos inclinados (=45º)

2
=45º  tg=cotg=1.0 e sen 
2

i) Verificação de VRd,máx  Ver (8.42)

z=0.9d=0.9×0.46=0.414m

 30 
  0.61    0.528  Conferir com Quadro 8.2
 250 

fck 30
fcd    20MPa
1.5 1.5

Admitindo cotg=2.5 (solução mais económica), virá:

2.5  1.0
VRd, máx  0.30  0.414  0.528  20  103  633kN
1  2.52

(a utilização de estribos inclinados aumenta a capacidade resistente da secção ao


esforço transverso)

VEd<VRd,máx  Verifica

ii) Cálculo dos estribos  Ver (8.41)

A sw 2 A
300   0.414  348  103  2.5  1   sw  8.41 cm2/m
s 2 s

(a utilização de estribos inclinados aumenta a área de armadura esforço


transverso)

Percentagem de estribos na secção  Ver (8.44)

1
 w  8.41  10 4  0.0040  0.40%
2
0.30 
2

iii) Verificação de w,min  Ver (8.45)

Quadro 8.3   w,min  0.11%

 w,min   w  Verifica (adota-se w)

iv) Cálculo do máximo espaçamento longitudinal  Ver (8.46)

sl,máx  0.75  0.46 (1  1)  0.69m

Anexo – 8.28 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

v) Cálculo do máximo espaçamento transversal  Ver (8.48)

s t,máx  0.75  0.46  0.34  0.60m

vi) Solução de armadura  Consultar Quadro 8.4

A 
Estribos 3 ramos Ø6//0.10m   sw   8.48 cm2/m (solução mais económica)
 s  eff

A 
Estribos 4 ramos Ø8//0.225m   sw   8.94 cm2/m (solução alternativa)
 s  eff

d) VEd=550kN e estribos verticais (=90º)

i) Verificação de VRd,máx  Ver (8.36)

Admitindo cotg=2.5, virá (ver alínea a)):

VRd,máx  452kN

VEd>VRd,máx  Não verifica

Neste caso terá de ser encontrado outro valor de cotg que satisfaça a desigualdade.

Impondo VEd=VRd,max virá:

1
550  0.30  0.414  0.528  20  103   cot g  1.8
1
cot g 
cot g

Cálculo de verificação:

1
VRd, máx  0.30  0.414  0.528  20  103   557kN >VEd
1
1.8 
1.8

ii) Cálculo dos estribos  Ver (8.35)

A sw A
550   0.414  348  103  1.8  sw  21.21 cm2/m
s s

Percentagem de estribos na secção  Ver (8.44)

1
 w  21.21  10 4  0.0071  0.71%
0.30

iii) Verificação de w,min  Ver (8.45)

Quadro 8.3   w,min  0.11%

 w,min   w  Verifica (adopta-se w)

iv) Cálculo do máximo espaçamento longitudinal  Ver (8.46)

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 8.29


Estruturas de Betão

sl,máx  0.7 5  0.4 6 (1  0)  0.3 4m

v) Cálculo do máximo espaçamento transversal  Ver (8.48)

s t,máx  0.75  0.46  0.34  0.60m

(atendendo à largura da secção serão suficientes 2 ramos por estribo)

vi) Solução de armadura  Consultar Quadro 8.4

A 
Estribos 4 ramos Ø8//0.075m   sw   26.81 cm2/m
 s  eff

Esta é uma secção com elevada taxa de armadura transversal (=0.77%) e por isso
pouco económica. Sempre que possível devem ser evitadas estas soluções muito
armadas.

Finalmente refira-se que o maior valor de VRd,máx , que se obtém com cotg=1.0, é neste
exemplo de 656kN. Valores de esforço transverso aplicados a esta secção superiores a
656kN obrigariam necessariamente à alteração da solução, quer recorrendo a estribos
inclinados, quer através da alteração da secção transversal (solução preferível).

8.7.3 Exemplo 3

Projetar as armaduras transversais da viga V1 de um edifício em betão armado cuja


planta estrutural é apresentada na figura anexa.

Considere que as lajes Lm são maciças de betão armado com 0.20m de espessura e que
alinham pela face superior das vigas. Os valores característicos das ações a que se
encontram sujeitas, além do peso próprio, são os seguintes:

Revestimentos ------------------------------- 3.0 kN/m2

Sobrecarga ------------------------------------ 2.0 kN/m2


Outros dados:

Os materiais a utilizar serão o betão C20/25 e o aço S400.

Os vãos indicados no desenho são os teóricos.

Considere cnom=35mm e dg=15mm.

Anexo – 8.30 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

Planta
6.00 m 2.00 m

V2(0.30X0.50)

V2(0.30X0.50)

V1(0.30X0.60)
4.50 m Lm Lm

V1(0.30X0.60)

V1(0.30X0.40)
1.50 m Lm 1.30 m

Viga V1 - Corte Longitudinal

0.60 m 0.40 m
V1(0.30X0.60)

1.30 m

i) Quantificação de acções e diagrama de esforços transversos:

pEd  1,35x(25x0,20  3)  1,5x2  13,8 kN m2

13,8 kN/m/m de laje

RV1=55,2 kN/m de laje

4.50 m 1.50 m

Peso próprio da viga V1:

pp1  1,35x25x0,30x0,60  6,075 kN m

pp2  1,35x25x0,30x0, 40  4,05 kN m

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 8.31


Estruturas de Betão

Ação sobre a viga V1:

pEd,1 = 55,2 + 6,075 = 61,275kN/m

pEd,2 = 55,2 + 4,05 = 59,25kN/m

0.70 m VEd (kN)


61,275 kN/m
59,25 kN/m 163,99

119,92
77,03

A B C D A B C D

RA=163,99 kN RB=323,58 kN
2.68 m
-203,66

6.00 m 2.00 m

VEd , AB  163, 99  61,275z1


VEd ,BC  119, 92  61,275z2
VEd ,CD  77, 03  59,25z3

ii) Verificação da segurança para os tramos AB e BC:

Considerando cot   2,50 e

 fck   20 
z  0, 9d  0, 9x0,55  0, 495m 1    0, 6 1    0, 6 1   0,552 , resulta:
 250   250 

VRd,max  1,0x0,30x0, 495x0,552x13300 / (2,5  1 2,5)  375,94 kN

VEd<VRd,máx  Verifica

Determinação da armadura mínima:

fck 20
w,min  0, 08  0, 08  8, 9443E 4 (conferir com Quadro 8.3)
fyk 400

 Asw 
   w,minbw sen  8, 944E 4 x0,30x1, 0  2, 683E 4 m2 m
 S min

0,75 d  0, 4125m
Sl ,max  0,75 d 1  cot    0, 4125m  St  
600mm

 Asw 
    6 / /0,20  2, 83 cm2 m  VRd ,s  2, 83E 4 x0, 495x348000x2,50  121, 87kN
 S min

Anexo – 8.32 Departamento de Engenharia Civil


Esforço transverso

Determinação das armaduras para as secções mais esforçadas:

Asw A
VRd,s  x0, 495x348000x2,50  VEd  163, 99kN  sw  3, 808E 4 m2 m
S S

Solução de armadura: 6 / /0,20 (3 ramos)  4,24 cm2 m

Asw A
VRd,s  x0, 495x348000x2,50  VEd  203, 66kN  sw  4,729E 4 m2 m
S S

Solução de armadura: 6 / /0,175 (3 ramos)  4,85 cm2 m

Determinação das dispensas das armaduras máximas:

VEd, AB  163,99  61,275z1  121,87  z1  0,69m

VEd, AB  163,99  61,275z1  121,87  z1  4,66m

iii) Verificação da segurança para o tramo CD:

Considerando cot   2,50 e

 fck   20 
z  0, 9d  0, 9x0,35  0,315m  1    0, 6 1    0, 6 1    0,552 , resulta:
 250   250 

VRd,max  1,0x0,30x0,315x0,552x13300 / (2,5  1 2,5)  239,23 kN

VEd<VRd,máx  Verifica

Determinação da armadura mínima:

 Asw 
   w,minbw sen  8, 944E 4 x0,30x1, 0  2, 683E 4 m2 m
 S min

0,75 d  0,2625m
Sl ,max  0,75 d 1  cot    0,2625m  St  
 600mm

 Asw 
    6 / /0,20  2, 83 cm2 m  VRd,s  2, 83E 4 x0,315x348000x2,50  77,56kN
 S min

Instituto Superior de Engenharia do Porto Anexo – 8.33


Estruturas de Betão

iv) Representação das soluções de armadura de esforço transverso:

Viga V1 - Corte Longitudinal

A B

A B
est.Ø6//0.20(3 ramos) est.Ø6//0.20 est.Ø6//0.175(3 ramos) est.Ø6//0.20 est.Ø6//0.20
0.55 m 1.20 m

Corte A Corte B

0,60 m 0,60 m
est.Ø6//0,20 est.Ø6//0,175(3 ramos)

0,30 m 0,30 m

Anexo – 8.34 Departamento de Engenharia Civil