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Tenha mais

MOMENTOS DE
QUALIDADE
em família

Tríade Digital
SU

RIO
>

O Sumário a seguir é interativo. Basta clicar no título que deseja ter


acesso e pronto!
SUMÁRIO

CAP. 1 - Para ser par-cipa-vo não precisa ser sofrido. 05

CAP. 2 - Auto es-ma no chinelo? Abra os olhos! 24

CAP. 3 - Ro-na do adulto vs. Ro-na da crianças: Evitando 33


conflitos

CAP. 4 - Você está acompanhando as a-vidades do seu 38


filho?

CAP. 5 - “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos 44


responsáveis

Conclusão 55

Conheça o Projeto Amigo Violão 56

02
Tenha mais momentos de qualidade em família.

Olá,

Fico muito contente por poder compar-lhar com


você esse material e a minha vivência. Eu tenho
convicção de que no final dessa leitura você será
capaz de pra-car, no seu dia a dia, pequenos feitos
capazes de mudar de forma significa-va a sua vida e
a de seus filhos.

A paternidade vem sendo uma fonte de


aprendizados e descobertas sensacionais e saber
que este conteúdo é capaz de transformar sua vida
tanto quando transforma a minha é de um valor
imensurável.

03
Tenha mais momentos de qualidade em família.

A nossa evolução conXnua como pais começa


dentro de nós a cada dia. O preço nunca é alto,
quando plantamos o que queremos colher. É
nossa responsabilidade reconhecermos que não
somos perfeitos mas procurarmos sempre ser
melhores pessoas, e que se acreditamos que a
educação é a chave do desenvolvimento de um
país, ela não começa na escola, mas na família.

Grato e boa leitura.


Ricardo Novais

02
CAP 01
PARA SER PARTICIPATIVO
NÃO PRECISA SER SOFRIDO

05
Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

“Nenhuma aprendizagem
significa6va pode acontecer,
sem uma relação significa6va”.
Rita Pierson

Este assunto é de extrema relevância. É o pilar de tudo


que irei abordar a seguir, e é algo que eu só fui capaz
de compreender na vivência em família e cuidando das
minhas filhas.
Quando leio ar-gos, livros e demais conteúdos sobre
paternidade, vida em família e como ser melhor para
minhas filhas e esposa em casa, o que vejo muitas
vezes é que na teoria tudo é sempre muito lindo e por
vezes parece simples.

Em primeiro lugar, o que NÃO é ser um pai


par0cipa0vo? O pai par-cipa-vo não é omisso. Não é
ausente, não delega a educação de seus filhos para
terceiros, por melhor qualificados que possam parecer.
A escola não subs-tui os pais, ela é escolhida pelos
pais. O pai par-cipa-vo também não é autoritário.
Muitas vezes os pais deixam de explicar o que baseia
suas “ordens”. Com simples esclarecimentos, estas
ordens duras podem ser elevadas a orientações.

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Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

E assim chegamos ao que é ser par0cipa0vo: É ser


alguém que orienta. Orientar é em diversos aspectos o
mesmo que ser líder. É mostrar o caminho indo
primeiro, depois indo junto e por fiz dizendo: Vai que
eu estou te vendo!

Ter momentos de qualidade com os filhos não é apenas


um conceito vazio. Ela é a responsável por transformar
os momentos em família em verdadeiros atos de
construção de algo. Quando vivenciamos estes
momentos de qualidade sen-mos o retorno na hora,
nós e as crianças. O simples ato de brincar de bola, e
passar alguns minutos dando atenção integral a um
filho faz toda diferença, sobretudo quando também
estamos nos diver-ndo juntos. Estes são momentos
sublimes que desenvolvem a família como um todo.
07
Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

Baseando-me apenas em minha própria experiência,


acredito que a qualidade do tempo gasto com os filhos
pode ser definida tendo como critério única e
exclusivamente a resposta à pergunta:

Esta a&vidade me aproxima de meu filho?

Se a resposta for “não” então considero que aquele


não é um tempo de qualidade. Para nos aproximarmos
de nossos filhos existem a-vidades que variam desde
as mais corriqueiras, a brincadeiras ou afazeres mais
instru-vos.

Preparar uma refeição com a ajuda das crianças é um


momento constru-vo; um momento de qualidade. Em
muitas famílias nem mesmo é comum comer junto.
Certas coisas não devem sair da moda.

Os momentos de qualidade também são aqueles onde


descobrimos uma “fenda” pela qual conseguimos nos
comunicar de maneira efe-va com a criança, o que
exemplifico no seguinte ar-go, que escrevi para contar
um pouco de minha experiência com minhas filhas.
Veja:

08
Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

(
Porcelana é di9cil de arranhar e fácil de quebrar. Fico
reparando que tem gente que trata as crianças como se
fossem de porcelana. E tratam a si mesmas assim, o
que vem sob a forma de auto piedade e vi6mização. Há
ainda pessoas que tratam os doentes como se fossem
de porcelana.

Entendo, respeito e acredito que devemos tratar bem e


auxiliar quem quer que seja, de acordo com as suas
necessidades, e pronto. Equilíbrio. Há também quem
ache que os idosos são de porcelana...

09
Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

Entre a porcelana e o ser humano falível e responsável


por aprender a se conduzir, fica óbvio que a diferença é
gritante. Mas quando falamos da nossa a6tude frente
ao próximo, onde o tratamos como uma porcelana, ao
invés de respeito e amizade verdadeiros, a diferença é
tênue.

A mo6vação de eu escrever este texto é as crianças,


mas como eu disse acima, se aplica é ao ser humano e
às relações entre nós e nós com o mundo.

Minhas filhas, de 4 anos, esses dias começaram com


uma mania de fazer drama por causa de
machucadinhos. Uma simples frieira entre os dedos do
pé causa uma reação completamente desproporcional.
O que fazer? Um cura6vo tem o efeito placebo.
Funciona por algum tempo. Falar que é só um
machucadinho e vai passar, não adianta nada.

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Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

O que adiantou foi algo que alguns consideram


“demais” para crianças de 4 anos. Mostrei um vídeo do
Nick Vujicic, um cidadão norte-americano que nasceu
sem as pernas e sem os braços, e é uma pessoa feliz,
rica, casado e que inspira outras pessoas através de
suas palavras. Seu “slogan” é: No legs, no arms, no
worries (sem pernas, sem braços, sem problema).

Se você também acha que esta é uma a6tude muito


agressiva para as crianças eu te pergunto: Se este
rapaz fosse seu vizinho você desencorajaria seus filhos
a vê-lo? É uma realidade. Cair na ilusão de que somos
de porcelana é o oposto de ensinar flexibilidade,
superação.

Meu pai e minha mãe nos educaram de forma mais


liberal do que eu venho criando minhas filhas. Meu pai
às vezes acha que somos muito duros com elas. Creio
simplesmente que talvez não vivemos em épocas tão
o6mistas, e se quero a felicidade delas, preciso ensinar
que elas é quem são responsáveis por serem felizes.

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Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

Ontem, a Aurora (2 anos), caiu do balanço, você pode


imaginar como ela chorou. Acho que pais (homens) são
mais “frios”, eu simplesmente não demonstrei minha
aflição. Mas eu sen6. Me perguntei: Qual é a melhor
maneira de dizer que “não foi nada”? E então me veio a
resposta, enquanto limpava as mãos, o cabelo, a
barriga e as pernas dela (ela se esborrachou na terra,
só de fralda): Perguntei pra ela: Quer que eu te coloque
de novo no balanço? E ela aceitou.

Poucos segundos depois já estava rindo, e mais do que


isso: Estava 6rando uma das mãos, o que justamente
6nha feito ela cair na primeira vez. Ela estava se
desafiando, buscando resolver aquele nó,
ins6n6vamente, e brincando com isso: Aprendendo, e
não reclamando alimentando algum medo...

)
A porcelana é di`cil de arranhar mas muito fácil de
quebrar. Sejamos de carne, osso e pele que arranha, e
não de porcelana que quebra. Apreciemos os
arranhões…

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Capítulo 1. Para ser participativo não precisa ser sofrido

No texto acima aproveitei para, além de mostrar um


pouco de minha convivência com as crianças, mostrar
que somos responsáveis por orientar e mostrar o
mundo para as crianças.

Neste mesmo propósito, para facilitar a prá-ca desses


momentos de qualidade, separei algumas a-vidades
que eu faço em casa e me ajudaram a trabalhar esses
momentos. Compar-lho aqui com você para que
também ponha em prá-ca.

Lembre-se sempre de se perguntar: “essa a-vidade me


aproxima do meu filho?”.

10 dicas de atividades
para você começar:

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#1 – Fazer sucos misturando frutas

Educar o paladar com sucos é mais fácil além de


saudável e prazeroso. Gosto de ter polpas de frutas e
misturar com alguma fruta que eu tenha em casa. É
importante sempre chamar as crianças para preparar o
suco junto.

Faça disso um momento diferente e prazeroso. O


simples ato de preparar sucos pode se tornar uma
brincadeira e tanto quando adicionamos amor e
cria-vidade.

Ah, uma dica: Não deixe de falar o sabor do suco, pois


assim a criança se acostuma a perder o preconceito por
novos paladares: Graviola, Manga, Cupuaçu, Acerola,
Coco, manga.
14
Ros
a, L
ira
e eu

#2 – Aprender juntos a cantar uma música

Escolha uma música com uma letra bonita e repita no


carro cantando. No inicio pode até parecer que não
haverá resposta, mas as crianças absorvem e mais
tarde cantarão com você. Aí você pode até fazer
ensaios em casa.

Mas não exija muito. Cantem juntos umas 2 ou 3 vezes


e não insista em con-nuar se não quiserem mais.
Na próxima vez estará melhor. Se não sabem a letra
inteira e não sabem ler, acredite: Crianças memorizam
letras com bastante facilidade. Só depende de tempo.

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#3 – Desenhar sobre folhas

Pegue algumas folhas diferentes e coloque em baixo de


um papel. Passe o lápis de cera e logo a magia começa
(ou pelo menos para as crianças). É possível começar
um estudo de anatomia vegetal através de uma
simples brincadeira. É claro que seus filhos não
precisam se aprofundar nesse estudo mais complexo, o
bacana é trabalhar a cria-vidade.

Quando acabar faça uma exposição colando os


desenhos na parede. Para enriquecer ainda mais o
momento que tal preparar um lanchinho? Dá até para
aproveitar e colocar em prá-ca minha primeira dica.

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#4 – Faça uma caminhada de gente grande

Prepare uma mochila com muita água, frutas,


sanduíches, protetor solar e saia para um passeio no
mato com a criançada. Pegar uma trilha é demais, as
crianças se sentem o máximo, e o contato com a
natureza nos revigora.

Caso não seja possível uma trilha procure por locais


semelhantes. O legal é procurar sair do senso comum
das praças convencionais sempre muito cheias. Procure
por algo mais “exclusivo” e que crie uma atmosfera de
aventura.

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#5 – Faça um “Tour de profissões”

Seja a pé, de carro, ou simplesmente a caminho da


escola, aproveite para mostrar as diferentes profissões
para seu filho. Mesmo os menores vão gostar.

Eles vão aprender que existe o padeiro, o lixeiro, o


açougueiro, o médico, o carteiro, o motorista, o
estudante e tantas outras profissões. Depois você pode
até fazer desafios, ins-gando a criança a adivinhar qual
profissão a pessoa que estão vendo deve ter.

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Eu
e L
ira

#6 – Aprenda junto com o seu filho a tocar um


instrumento

Aprender violão junto com o seu filho, já imaginou?.


Mostre primeiro que você gosta, depois ofereça (isso
se ele não te pedir antes). A música é um forte
“agente aproximador” entre pais e filhos. Com ela
você pode construir momentos ímpares com aqueles
que são tão importantes na sua vida.

Até mesmo pais que não sabem tocar ou nunca


pegaram no instrumento na vida podem aprender e
ensinar, curioso(a)? Posso te ajudar ainda mais com
isso, conheça o Amigo Violão.

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#7 – Leve para um passeio noturno, no horário que
seria de dormir.

Imagine que hoje tenha um eclipse lunar, mas será


visível apenas às 9:30 da noite, quando seu filho já
deveria estar na cama. Gente, é só um dia! Leve ele
para um passeio que será inesquecível.
Mesmo sem eclipse faça isso de vez em quando. Leve
para ver as estrelas ou tomar um sorvete.

O importante é estar perto e exercer a amizade. Será


um simples passeio pra você. Mas para os pequenos
isso tem um outro significado. Uma leve quebra da
ro-na tem um valor ines-mável para eles.

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#8 – Passe uma hora dentro de uma grande livraria

O contato com os livros é o que planta a semente da


leitura. Esteja nessa junto com o seu filho. Pegue algum
livro e leve para a sessão infan-l. Enquanto você o
folheia, dá a oportunidade para que seu filho ganhe
in-midade com os livros. Se o obje-vo for comprar um
presente, vá mais cedo em família. Esse é um momento
em que todos saem ganhando.

Es-mule a cria-vidade. Folheie um livro e mostre as


figuras para as crianças, faça perguntas do -po “O que
parece que esse ga-nho está fazendo?” e à medida
que as páginas se viram explore as imagens. Com isso
vocês podem criar histórias juntos através de algo
tangível além de es-mular a cria-vidade da criança,
que irá se sen-r o máximo, afinal, está criando uma
história junto com você.

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#9 – Saia com a família para
comprar um CD e faça disso um
evento.

Essa ideia eu -rei da Ivete Sangalo. O seu pai fazia esse


-po programa com ela e com seus irmãos.

Faça um passeio completo, com direito a comprar o


CD, almoço, sorvete e tudo o que tem direito. Procure
fazer isso de vez em quando e verá como tornar a
relação de seu filho com a música mais forte também
ajuda a tornar a relação de vocês mais forte. Ah, e não
se esqueça de chegar em casa e escutar junto com eles
o CD e também daquele bom e velho lanchinho em
família.
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#10 – Construa instrumentos musicais de percussão.

Tambores, chocalhos, reco-reco e outros podem ser


feitos com materiais que iriam para o lixo. Use a sua
cria-vidade e toque junto com as músicas que vocês
gostam, ou simplesmente cantando junto!

Quer fazer mas não sabe como? Deixo com você um


link do Ebook gratuito de Marcus José Vieira, onde ele
ensina como fazer 10 instrumentos musicais. É voltado
para educadores e… Bom, você é um educador.

23
CAP 02
AUTO ESTIMA NO CHINELO?
APENAS ABRA OS OLHOS.

24
Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

A IKEA (gigante do comércio que vende móveis,


decoração e ar-gos do gênero), fez uma
campanha publicitária para o natal, que chamou
atenção e até recebeu muitas premiações. Nela,
crianças foram convidadas a escrever duas
cartas: Uma para o papai Noel e outra para os
seus próprios pais.

Vou te contar agora a reveladora


verdade daquilo que se passa
na cabeça das crianças.

É preciso que papais e mamães fiquem bem


ligados. Você pode ter a “auto-es-ma no
chinelo” mas não é assim que seus filhos te vêm.
Acompanhe comigo e veja o que esta campanha
nos revela.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

No vídeo de quase três minutos deste comercial,


premiado nas categorias comunicação comercial
e inves-gação, cada criança escreveu uma carta
para o Papai Noel e outra para os próprios pais.
Depois de terminada a redação das cartas, as
crianças foram confrontadas com a seguinte
pergunta:

– Se for para escolher enviar apenas uma das


cartas, qual você escolhe enviar?

Apesar da dúvida cruel a vencedora sempre foi:


“a carta para o papai e a mamãe”.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

Antes de sequer ler as cartas, ficou claro que os


presentes do Papai Noel não vinham em
primeiro lugar. E a outra constatação é que as
crianças aproveitaram a oportunidade de
escrever para os pais e revelar seus verdadeiros
pensamentos e sen-mentos. Veja comigo
exemplos do que elas pediram, e que fizeram
seus pais e mães, na frente das câmeras, se
desmancharem em lágrimas:

– “Queridos pais, quero que tenham mais


tempo comigo”;
– “Que façamos mais experiências em casa”;
– “Que se importem um pouco mais conosco”;
– “Eu gostaria que jantasse mais conosco”;
– “Quero que me faça cócegas”;
– “Quero que leiamos uma história”;
– “Quero ficar um dia junto de vocês”;
– “Quero brincar, mamãe. Quero que brinque
comigo”.
– “Quero brincar de futebol com você”.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

Pode parecer surpreendente, mas de fato as


crianças sentem a necessidade do contato direto
com seus pais. Não há subs-tuto para isso. Elas
tem muitos brinquedos em casa que se tornam
vazios para elas quando não há com quem
brincar, em especial quando não há irmãos para
brincar junto.

As vezes achamos que estamos presentes na vida


dos pequenos mas na verdade não estamos, e as
crianças sentem isso. Elas encontram formas, por
vezes subje-vas, de demonstrar a falta que
sentem de nós. Por outro lado, às vezes achamos
que não estamos dando a atenção suficiente
sendo que na verdade estamos, elas também
reconhecem isso.

Esse comercial é uma ó-ma reflexão para essa


questão.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

Uma das mães chegou à seguinte conclusão:

– E pensar que queremos dar aos filhos o


melhor, mas no final “o melhor” somos nós
mesmos.

Se a criança chega ao ponto de escrever isto em


um papel, é porque sente a fundo mesmo a
necessidade de passar mais tempo com os pais, e
principalmente, tempo de qualidade!

Mas eu escrevo este ebook porque na


esmagadora maioria das vezes as crianças não
escreverão isso para os pais. Não entregarão um
bilhete dizendo que querem a sua companhia.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

ATENÇÃO: vida corrida não é


desculpa.

Todos nós, uns mais e outros menos, temos uma


vida corrida, nos dias de hoje é mais comum do
que se pensa. Dizer que a vida é uma correria é
normal hoje em dia, o que não deveria ser uma
jus-fica-va para não estarmos desempenhando
um papel relevante na vida de nossos filhos.

Muitos não percebem e é diwcil perceber


mesmo, mas descontamos nas crianças mais
vezes do que imaginamos fazer. Esquecemos que
nem todo erro é uma a-tude “a-va”, como gritar
ou bater. Alguns dos erros mais comuns que
cometemos com os filhos estão em nossa
passividade.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

Confesso que escrevi uma lista de exemplos de


passividade mas decidi não colocar aqui pois
acredito que cada um deve reconhecer a própria.

Lembre-se que um filho é o melhor amigo do


nosso auto aprimoramento e busque por isso.
A vida em família é a melhor oportunidade de
se pra0car o amor em nossas a0tudes. Tendo
minhas filhas aprendi que o amor de pai para
filho é gigante mas ele não nasce pronto, é
preciso regar, refle0r, corrigir a mim mesmo e
sempre me reinventar por elas.

Vejo que mostrar minhas imperfeições às minhas


filhas também funciona um tanto bem. Além de
ser mais leve para mim, mostro que elas podem
confiar em mim. Eu também erro como todos os
pais, também deixo de dar atenção às vezes,
também tenho preguiça mas nunca deixo de me
empenhar para ser melhor para minhas meninas.

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Capítulo 2. Auto estima no chinelo? Apenas abra os olhos

Rosa

Lira

Ter
de q mome
ua nto
fam lidade e s
um ília ger m
be a
inca nefício
lculá
vel

Ao escrever este material, venho reforçando a


minha aliança com este compromisso de trazer
mais benewcio para a relação entre pais e filhos,
a começar pela minha própria casa.

Cada capítulo é como uma conversa com


minhas filhas, onde ensino aquilo que também
estou me comprometendo a pra0car.

32
CAP 03
ROTINA DO ADULTO
VS. ROTINA DAS CRIANÇAS

33
Capítulo 3. Rotina do adulto vs. rotina das crianças

EVITANDO CONFLITOS:
Conciliar nossa ro-na com a ro-na dos pequenos
é um desafio e tanto, principalmente para pais
que, assim como eu, possuem mais de um filho
em idades diferentes. Nós temos a hora de
trabalhar, a hora de estar em casa, a hora de
estar na academia etc.. as crianças por sua vez
tem a hora da escolinha, hora do dever, hora de
brincar e por diversas vezes o horário de outras
a-vidades como inglês, natação ou aula de
violão.

Quando inseridas em uma ro-na, as crianças não


deixam de sen-r nossa falta, muitas vezes
sentem até mais. É por isso que cada momento
que passamos com elas tem que valer. Nesse
capítulo, mas do que isso, quero falar de como
algumas a-vidades feitas em casa podem
contribuir e muito para isso.

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Capítulo 3. Rotina do adulto vs. rotina das crianças

Descobri na prá-ca que muitas das coisas que eu


“terceirizava” para as minhas filhas poderiam ser
feitas em casa, sob minha supervisão e de minha
esposa. Essas a-vidades, mescladas às que elas
já fazem fora de casa como escolinha e natação,
nos ajudaram a organizar nossas ro-nas de
forma a fazer nossas filhas passarem por esses
“pequenos momentos de separação” de uma
forma melhor.

Basicamente conseguimos “compensar” muita


daquela falta quando estamos em casa, fazendo
a-vidades nossas. Vou retomar o exemplo de
aprender um instrumento porque é o melhor
para falar desse assunto.

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Capítulo 3. Rotina do adulto vs. rotina das crianças

A par-r dos 5 anos (em geral) a ro-na da criança


passa por uma mudança bem importante, ela
começa a ficar mais independente da nossa
ro-na de pais e a passar mais tempo fora de
casa. A-vidades extras são boas sim, desde que
recebam acompanhamento e incen-vo. Aqui em
casa por exemplo, a a-vidade extra das meninas
é a natação. Para incen-var e acompanhar,
sempre perguntamos a elas sobre a aula,
fazemos brincadeiras para que elas se
expressem.

Colocar as crianças em uma aula e não fazer esse


acompanhamento é um grande -ro no pé, pois
muitas vezes, ao invés de mo-vadas, elas só
enxergam aquilo como mais uma forma que você
arrumou de não estar por perto.

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Capítulo 3. Rotina do adulto vs. rotina das crianças

Veja o exemplo da aula de violão: Algumas


a-vidades externas podem ser trazidas para
dentro de casa e junto com a ro-na da criança e
contribuir para um desenvolvimento melhor e
um relacionamento mais saudável entre pais e
filhos.

Hoje, é possível que uma criança faça uma aula


de violão no conforto de sua casa “brincando” e
aprendendo junto com os pais. Isso proporciona
aprendizados incríveis e uma junção das ro-nas,
pois nesse momento sua família tem uma
a-vidade de fato que envolve todos juntos e o
melhor, é uma a-vidade prazerosa para todos.

Você não imagina o poder que isso possui!

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CAP 04
VOCÊ ESTÁ ACOMPANHANDO
AS ATIVIDADES DO
SEU FILHO?

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Capítulo 4. Você está acompanhando as atividades do seu filho?

Já falamos de tempo que qualidade, de presença


e ro-na. Agora precisamos focar no
acompanhamento de a-vidades. Você já
percebeu como tudo o que falamos até agora
está conectado? Isso vale para as dicas e
soluções que apresentei também, e muitas
coisas se complementam.

Seu filho faz muitas a-vidades? Quais são as


melhores a-vidades para ele? Você saberia me
dizer? Eu respondo: As melhores a-vidades para
os nossos filhos são aquelas que somos capazes
de acompanhar.

Quando a própria agenda que fazemos para os


pequenos está abarrotada de coisas, devemos
reavaliá-la. Em alguns casos a criança pode ficar
desmo-vada até mesmo para as a-vidades que
ela diz gostar. Por que será?

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Capítulo 4. Você está acompanhando as atividades do seu filho?

Você já percebeu que a criança que não é notada


em casa, quando recebe algum -po de atenção,
por ter dificuldades de realizar tarefas pode se
acomodar nesta posição por se sen-r
“paparicada”? Dessa forma é como se ele visse
“o errado como certo” e se ques-ona: “Se vão
fazer por mim, pra que mudar?” Dessa forma ela
passa a associar a sua “incompetência” com o
prazer de ser notada. Isso é muito sério.

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Capítulo 4. Você está acompanhando as atividades do seu filho?

Crianças nessa situação, por vezes se sentem


bem não sabendo realizar tarefas na escola por
exemplo, pois recebem uma atenção especial
por isso, mesmo tendo baixas notas para elas é
mais importante receber aquela atenção, mesmo
que por uma razão ruim. Para nós a nota é
importante mas para os pequenos a atenção que
recebem é o mais importante. Até broncas e
puxões de orelha podem começar e serem
recebidos como atenção por eles quando se
sentem excluídos de alguma forma.

Daí um enorme mo-vo para sermos mais


presentes com nossos filhos em casa. Dar limite,
portanto, é um gesto de amor que devemos
prezar. Como diz Içami Tiba, “Quem Ama Educa!”

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Capítulo 4. Você está acompanhando as atividades do seu filho?

Vou usar a mim mesmo como exemplo: Eu era


um aluno regular e em matemá-ca era péssimo.
Isso durou até a oitava série, quando quase fui
reprovado. Foi então que minha mãe contratou
uma professora par-cular pra me ajudar a passar
de ano. Depois da primeira aula, me transformei
da água pro vinho. Acha que a professora era
boa? Não! Na verdade, eu achava que minha
mãe não se envolvia nas minhas dificuldades.

O simples gesto de contratar alguém me fez ver


que não era verdade. E no lugar de filho, me
libertei da amarra de ví-ma, e fiz o que eu
sempre -vera condições de fazer. Vi que a minha
mãe faria o que fosse preciso, e “tomei vergonha
na cara”. Na verdade a professora par-cular
pouco importou e pouco fez, pois foi a única
aula. Achei a aula chata e me comprome- a
estudar sozinho. Resultado: Passei de ano, e
nunca mais -ve dificuldade com matemá-ca, o
que também se refle-u em toda a minha
trajetória escolar.

42
Capítulo 4. Você está acompanhando as atividades do seu filho?

Por essa razão, minha dica é que não


sobrecarregue seu filho com a-vidades que você
não é capaz de acompanhar. Procure dialogar
mais com ele, independente da idade, es-mule-o
a expressar seus sen-mentos sobre as a-vidades
que desempenha;

Faça perguntas, e se for pra elogiar, elogie seus


esforços, e não a sua inteligência. Crianças que
são constantemente chamadas de inteligentes
não costumam valorizar o esforço. O consideram
inferior. O que acontece? São traídos pela
própria preguiça e uma falsa auto-confiança, e
tudo por causa de simples palavras ditas pelos
pais.

Por essa razão vale repe-r: Elogie esforços e não


a inteligência!

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CAP 05
“PAPEL DE PAI” NÃO É AJUDAR.
TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Quando eu e a Ananda descobrimos que ela


estava grávida de gêmeos ficamos bastante
entusiasmados e assustados também. No carro,
quando voltávamos do consultório onde foi feito
o exame, ela me perguntou: “Mas você vai me
ajudar né?” Ela estava transparecendo uma
ponta de pânico ao dizer isso. E eu, talvez ainda
sem tanta convicção, ainda assim soltei uma
resposta que vem me fortalecendo até hoje.

Eu disse que não ajudaria, que esse não era o


meu papel. Disse isso porque de fato acredito
que essa história de “pai ajudar” é balela. Pai é
tão responsável quanto mãe, nossas filhas são
fruto do nosso amor e a responsabilidade na
educação, desenvolvimento humano e de cuidar
delas é tanto minha quanto dela, por isso disse
que não iria “ajudá-la”, meu papel vai muito
além disso.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Quando a Ananda engravidou pela primeira vez,


já Xnhamos 6 anos de casados. O fato é que
estávamos tendo dificuldades para engravidar.
Descobrimos que eu -nha um déficit no número
de espermatozoides perfeitos.

A conclusão, sofrida, foi de que deveríamos fazer


uma inseminação ar-ficial. Mobilizamos a família
para nos ajudar a custear, encontramos um lugar
com preço razoável numa cidade vizinha e o
médico foi excelente. No fim, não poderia ter
dado mais certo, no dia de implantar os
embriões foi nos feita a seguinte pergunta:

– Quantos bebês vocês querem?


– Dois.

A resposta foi certeira. Os dois conseguiram se


desenvolver e daí nasceram Rosa e Lira.
Mas o fato é que esta dificuldade em engravidar
foi decisiva na minha transformação em uma
pessoa apta a ter filhos e de fato querer cuidar.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

O fato de termos -do que passar por tantos


processos para algo que antes nos parecia tão
natural, fez com que o meu desejo de ter filhos
também fosse mais forte.

No início, quem mais queria era a Ananda. Eu


não deixava de querer, mas posso afirmar que o
processo todo de ter que lutar pela paternidade
fortaleceu este desejo bastante e quando ele se
concre-zou, -vemos um legí-mo gosto de
vitória.

Estou contando isso para contextualizar os


momentos cruciais, onde passei a enxergar
melhor o meu papel de pai e também de marido.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Papel de pai é não esperar nada em troca e fazer


o que -ver que ser feito, ciente de que o maior
beneficiário é você mesmo. Uma das maiores
ciladas é fazer o bem para o outro sem se sen-r
beneficiado. O verdadeiro bem é antes de tudo
para quem pra-ca.

A mera a-tude de ajudar esconde uma


expecta-va por algo em troca. O pai que faz
parte da vida de seus filhos sabe que o retorno é
o seu sen-mento de dever cumprido e sabe que
está plantando o que vai colher mais tarde.

Não esperar nada em troca é não ter a a-tude de


ajudar a esposa. Só isso já mostra que este pai se
coloca em posição coadjuvante.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

A minha amiga Mariana, que se tornou uma


blogueira (Blog Mãe Onça) de mão cheia,
escreveu um ar-go com um Xtulo forte: “Pai que
ajuda é um babaca”.
Veja um trecho deste texto que ela escreveu:

“Pai tem que criar filho junto com a mãe.


A gente “ajuda” é com alguma coisa que é tarefa
do outro.

Meu marido estaria “me ajudando” se ele lavasse


as minhas calcinhas, coisa que é dever só meu
fazer.

Cuidando dos nossos filhos junto comigo ele não


faz mais do que obrigação dele”.

Então, Qual é o papel do pai?


Essa pergunta tem duas respostas: Uma bastante
óbvia e outra que não é tão óbvia (mas é
fundamental).

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Resposta óbvia:
O papel de pai é cuidar dos filhos e cuidar da sua
relação com a sua esposa. Mesmo que seja um
casal separado, é importante que haja uma
relação cordial. Tenho pais separados, e sei
porque estou dizendo isso.

O pai precisa dar exemplos, precisa deixar a


preguiça de lado e ensinar. O pai deve garan-r o
sustento financeiro também, mas saber que isso
não é nem um terço do seu trabalho. Deve estar
próximo e acompanhando. Deve dar carinho.

Resposta não óbvia:


Cada um de nós, antes de ter filhos, já tem uma
história pessoal. Já nos frustramos, levamos fora,
e aprendemos que não somos tão bons assim.
Aprendemos a ser pessoas mais humildes.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Mas por mais que você diga: “Sei que nada sei”,
e por mais humilde que você diga ser, saiba que
o seu filho precisa de uma referência clara,
precisa de orientação.

Não é tão óbvio, mas posso te afirmar: Você é


pelo menos um pouco desorientado… Mas não
importa, porque mesmo assim o que precisamos
dar a nossos filhos é orientação.

Mesmo fazendo irresponsabilidades na educação


dos filhos, con-nuamos sendo responsáveis pela
forma como educamos. Não tem como fugir da
responsabilidade. O pai que decide se afastar é
responsável por essa decisão. Não tem pra onde
correr.

Eu não nasci sabendo, assim como você. Muitas


das coisas aprendi na vivência e outras,
procurando ser mais empá-co e observando as
situações pela visão do outro também.

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Capítulo 5. “Papel de pai” não é ajudar. Todos somos responsáveis

Percebo que muitas mulheres não percebem que


insis-r para o marido ser mais presente em casa
não resolve, porque os faz pensar cada vez mais
que é para elas que o homem precisa melhorar,
ao invés de ser para ele mesmo.

É preciso ver que cada um se transforma


primeiramente para si mesmo. Não há melhor
mo-vação do que esta.

Claro, o “ideal” seria não termos que educar o


marido ou a esposa. Mas quer saber? Acredito
que de certa forma é pra isso que serve o
casamento. Se não for para aprender um com o
outro, fica sem graça, não é?

Por isso, minha úl-ma e importante dica é que


você se permita aprender com o outro e ensinar
o outro a aprender consigo mesmo, sem esperar
nada em troca.

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CONCLUSÃO:

Conclusão:
Chegamos ao final do nosso ebook mas não da
nossa missão como pais, e eu quero te ajudar
mais.

Comece agora mesmo a fazer algo mais pelo


desenvolvimento do seu filho e pela relação de
vocês! Eu te convido a conhecer o projeto
“Amigo Violão - Violão para pais e filhos” e saber
como ele está mudando a vida de várias família
no Brasil criando laços e momentos de um valor
imensurável.

Clique aqui para conhecer o projeto e ver vídeos


de alguns de meus alunos tocando e a sa-sfação
de pais, que assim como você, escolheram em
fazer mais por seus filhos e sua família e
encontraram na música suporte para fazer isso..

Grato,
Ricardo Novais

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Quer saber o que a mamãe
Teresa tem a falar sobre o
projeto Amigo Violão?

SIM! QUERO SABER

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