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PENAL ECONOMICO

1) O que é o regime transnacional anticorrupção? Ele está vigente no Brasil?


De que forma? Cite uma ou mais medida(s) transnacional(is) repressiva(s) ou
preventiva(s) anticorrupção implementada(s) no ordenamento jurídico pátrio?;

R: Regime transnacional anticorrupção é a expansão da pratica do Estado em


combater atos ilícitos de corrupção de maneira mais expansiva e
internacionalizada. A exemplo da corrupção e da lavagem de dinheiro, que não
se contém apenas em seu território de origem, em que se espalha de maneira
ordenada para outros países, efetuando a transcendência internacional, o que
exige por parte dos Estados uma ação colocada de combate para estes.

Tais convenções atualmente estão em vigor no Brasil e são utilizadas como


medidas transnacionais de caráter preventivo e repressivo internalizados no
ordenamento jurídico pátrio e nos ordenamentos dos outros Estados. O Brasil
ratificou os três principais atos internacionais multilaterais que versam
especificamente sobre o combate à corrupção, quais sejam, as Convenções da
OCDE, da OEA e da ONU, além da convenção de Palermo, quem inseriu a
corrupção no contexto da criminalidade organizada transnacional.

A exemplo, tem-se o artigo 17 da Convenção da ONU, que norteia os Estados


ratificadores a incluírem como crime em suas legislações a conduta de
peculato, malversação, apropriação indébita e outras formas de desvio de
bens, fundos ou títulos públicos ou privados, e ainda qualquer outra coisa
economicamente aferível que esteja de posse do funcionário público em razão
do seu cargo. Tem-se também a Convenção da OEA que prevê em seu artigo
XI, parágrafo 1.D, que os Estados signatários devem criminalizar o desvio de
bens móveis ou imóveis, dinheiro ou valores pertencentes ao Estado para fins
não relacionados com aqueles que teriam destino, com finalidade a beneficiar
o funcionário público ou a terceiros.
No enfoque no Direito Brasileiro, vemos o artigo 312 do Código Penal que
prevê o crime de peculato, em que a conduta criminosa descrita é a do
funcionário público que se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem,
público ou particular, desviando para proveito próprio ou alheio.

2) Considerando a polêmica em torno dos obstáculos dogmáticos para se


imputar a responsabilidade penal à pessoa jurídica com base no paradigma
clássico da teoria geral do delito, apresente argumentos contrários e favoráveis
à responsabilização criminal dos entes abstratos. Na resposta, cite pelo menos
uma teoria contemporânea que visa conceber uma culpabilidade própria aos
entes coletivos.

R: Argumentos favoráveis: Tem-se a posição do STJ, e de outros


doutrinadores como Édis Milaré, que dizem justificáveis a responsabilização
penalmente falando das pessoas jurídicas, porém deve ser em conjunto com
uma pessoa física. Sendo assim, a denuncia contra pessoa jurídica deve conter
pelo menos uma pessoa física. (REsp 610.114/RN)

Aplicação nos crimes ambientais: para o STJ, as pessoas jurídicas são


passíveis de imputação, desde que sejam também imputadas o ente moral e a
pessoa natural que age em seu nome. (EDcl no REsp 865.864/PR, Rel. Min
Adilson Vieira Macabu)

Destarte, tais correntes doutrinarias, entendem que a redação do art. 3º da Lei


nº 9.605/98 quando se fala sobre a responsabilização das pessoas jurídicas em
casos de infração cometida por “decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou beneficio da sua
entidade”

E suma, baseados nas doutrinas e dispositivos, tem-se que não é possível


denunciar isoladamente a pessoa jurídica, é necessário a vinculação da pessoa
física/representante para tais demandas de denuncia.

Argumentos contrários: Ainda que de maneira pormenorizada, alguns


doutrinadores entendem que a Constituição Federal de 88 previu uma
responsabilização tão somente administrativa. Obtendo do §3º do art. 225 da
CF/88, em que diz sobre os infratores de pessoas físicas estão sujeitos a
sanções penais enquanto os infratores de pessoa jurídica a sacões são
administrativas.

Teoria da ficção: Tal teoria diz que a responsabilidade penal da pessoa jurídica
vai em oposição à teoria finalista, teoria do crime adotada no nosso país e que,
por isso, não pode se punir penalmente pessoa jurídica. Savigny, entende que
as pessoas jurídicas são puras de abstrações, sendo assim, não tem
consciência e finalidade próprias.

Atualmente: É dado com o advento da Lei nº 9.605, chamada de Lei dos


Crimes Ambientais, tornou-se possível a efetivação da responsabilização
criminal dos entes coletivos por ações cometidas em detrimento do meio
ambiente, uma vez que, além de estabelecer tipos penais incriminadores, a
novel legislação previu expressamente os requisitos para a imputação (art. 3º.)
bem como sanções penais peculiares à natureza jurídica das empresas (arts.
21 a 23), superando os obstáculos até então existentes a tal respeito.

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3) A pessoa jurídica (ente abstrato) pode ser indiciada por crime pelo Delegado
de Polícia Federal no curso de um inquérito policial federal no Brasil? Em qual
hipótese isso seria factível e qual o respectivo fundamento constitucional e
legal para tanto? Qual o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e do
Supremo Tribunal Federal acerca dessa matéria?

R: Em especial à tutela penal ambiental, é certo que existe fundamento legal,


art. 225, §3º, CF/88 e art. 3º da Lei nº 9.605/98- que permita a persecução
penal em face de ente coletivo, a sujeitar-lhe em tese, nos crimes de
competência federal supostamente praticados, à investigação pela Polícia
Federal, bem como à eventual denúncia do MP Federal a fim de que seja
processado, julgado e eventualmente condenado na Justiça Federal.

Embora haja previsão legal que autorize a ação de regressiva pelas


autoridades policiais, ministerial e judicial, falta um regramento específico
procedimental voltado à imputação penal da pessoa jurídica, uma vez que o
sistema criminal foi estruturado para as condutas humanas, a guardar mais
coerência, assim como a dogmática tradicional

4) O proprietário da construtora “Alfa”, em conluio com o prefeito do município


“Beta”, mediante o direcionamento de um certame licitatório, firmou um contrato
público no valor de R$ 2 milhões de reais para a construção de um ginásio
poliesportivo na cidade. Durante a investigação policial, descobriu-se que o
custo máximo de mercado para a referida obra seria de R$ 100 mil reais e,
embora o ginásio sequer tivesse sido concluído, a prefeitura transferiu
integralmente o valor para a conta da empresa executora. Também foi
comprovado que o prefeito foi beneficiário de R$ 1 milhão de reais do recurso
público desviado. A partir desse exemplo, responda: Quais as searas jurídicas
de responsabilização e as formas de imputação (subjetiva ou objetiva)
possíveis para todos entes (pessoas física e jurídica) envolvidos nesse caso,
segundo o ordenamento jurídico brasileiro? Caso venha a ser aplicada a Lei
12.846/2013 (Lei Anticorrupção), quais as sanções previstas neste instrumento
legal em desfavor da construtora?

R:
5) De acordo com a Lei 12.846/2013 e o seu Decreto regulamentador
8.420/2015, o que é um programa de compliance (ou programa de
integridade)? Um programa de compliance meramente formal ou de
fachada pode ser levado em consideração para fins de mitigação das
sanções previstas na Lei Anticorrupção?