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Rita de Cássia Soares da Silva

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A qualidade social do ensino nos anos iniciais do ensino


fundamental: Da gestão à sala de aula

Trabalho apresentado ao    Centro


Universitário Claretiano para a
disciplina de Organização do Trabalho
Pedagógico na Educação Básica, como
requisito parcial para obtenção de avaliação,
ministrado pelo professor: Alexandre José
Cruz

São Paulo
2018
A qualidade social do ensino nos anos iniciais do ensino fundamental: Da
gestão à sala de aula

Esse trabalho é resultado da reflexão após leitura do segundo do capítulo do livro


“Gestão Escolar, Democracia e Qualidade do Ensino”, de autoria de Vitor Henrique Paro e do
texto “ A complexidade da docência nos anos iniciais na escola pública” de Vania Moreira
Machado Lima.
Dentro da proposta iniciamos com Vitor Paro, que apresenta o tema em questão
buscando aprofundar-se no conceito de qualidade e democracia, considerando a função da
escola e da estrutura didática na qualidade do que se é oferecido aos alunos. Também
apresenta como a estrutura organizacional se relaciona com a qualidade e com o processo de
democratização dentro das escolas, contribui ou não para o que se entende como qualidade na
educação escolar.
Na perspectiva apresentada pelo autor, o conceito de qualidade é considerado
ineficiente e é reconhecido que existe um descontentamento do o ensino fundamental
oferecido nas escolas públicas. Essa afirmação dada pelo autor configura que a qualidade de
educação não representa o que as políticas públicas apresentam na teoria e por mais
empenhados que sejam os professores, diretores e coordenadores, a importância social da
educação é inexistente e equivocada.
Paro, compreende que a educação é a base para a formação do homem com objetivo
de construí-lo para viver em sociedade, pronto para agir em função e realização da liberdade.
Neste pressuposto a democracia teria um papel mediador e deveria preparar esse indivíduo
para esse ideal, no entanto, é sabido que a interpretação dos modelos atuais de educação,
preocupa-se mais com as provas e aprovações do que com a construção do conhecimento. O
foco passa a ser o mercado de trabalho ou o bom desempenho nos vestibulares, atendendo –se
assim uma demanda da sociedade capitalista. Em análise o ao crescimento das tecnologias,
autor nos apresenta também o quanto a educação é falha. Pois a cultura digital, as mídias e a
facilidade por assim dizer que é oportunizada pelas tecnologias, assumem uma função que
antes era da escola e da família. O fruto desta condição, são os alunos que finalizam o ensino
fundamental, ainda com dificuldades em ler, escrever e praticamente sem raciocínio lógico
matemático.
O artigo de Vanda Moreira Machado Lima, busca uma reflexão a respeito do quão
complexo é a docência nos anos iniciais do ensino fundamental, trata das alegrias e dos
desafios encontrados na experiência docente.
De acordo com a autora, o professor deve ser compreendido como o sujeito que se
educa e de completa durante sua trajetória profissional. A formação do outro é sem dúvida
uma atividade complexa e frente a essa situação é praticamente uma exigência que o professor
procure qualificação contínua como ferramenta para melhor resolver os desafios impostos
pelo contexto da sala de aula e das escolas.
A docência envolve uma série de funções, como a própria relação com o ensino (o
saber, o saber ensinar e o relacionar), o desenvolvimento pessoal e profissional (reflexões,
questionamentos, discussões e ações educativas) e a gestão educacional, que envolvem ações
administrativas de planejamento e projetos. Essas funções por si só, já apresentam os
primeiros desafios, pois envolvem o professor em diversas dimensões da profissão. Os
desafios se tornam ainda maiores, frente as atividades interdisciplinares que para muitos
docentes é uma realidade distante e, portanto, uma barreira a ser ultrapassada. Precisamos
lembrar que nas séries iniciais do ensino fundamental, o professor que atua nas escolas
públicas é um professor polivalente e leciona sete diferentes áreas do conhecimento: Língua
Portuguesa, Matemática, Ciência, História, Geografia, Educação Física e Arte. Então o
domínio destas áreas além da articulação com a interdisciplinaridade apresenta ao professor,
um contexto desafiador e de superação constante, já que os cursos de Pedagogia, não abarcam
essa realidade e nem tampouco preparam os professores para essas vivências.
Ser professor é viver um sentimento ambíguo, pois diariamente alegrias e tristezas se
encontram na prática docente. De acordo com a autora a compreensão do universo do aluno
que muitas vezes não gostaria de estar na escola dificulta o processo de ensino aprendizagem,
uma vez que existe uma resistência imposta pelo descontentamento em estar na escola por
parte de alguns alunos. Os desafios comportamentais, surgem neste contexto juntamente com
a tomada de decisões, já que o professor se encontra em seu dia a dia com situações que
demandam ação imediata, muitas vezes com pouco tempos para refletir sobre as questões.
Outros aspectos desafiadores apresentados de forma relevante na docência. Entre eles,
a ausência da família na educação dos alunos, neste contexto se apresentam temas como
criminalidade, violência e falta de diálogo. Também é desafiadora a diversidade em sala de
aula, onde o professor encontra ritmos de aprendizado, além da falta de recursos e baixos
salários configurando uma triste realidade de desvalorização crescente o trabalho do
professor.
Do exposto, penso que existe uma necessidade de buscarmos uma escola pública, que
tenha uma base focada na qualidade da formação, estimulando o desenvolvimento contínuo,
com remuneração adequada e valorização profissional. Embora distante da nossa atual
realidade o pensamento crítico e a discussão deste tema se fazem legítimo no ambiente
acadêmico. Sendo assim, acredito que a escola democrática possa ser um caminho na busca
de melhorias no cenário educacional.
Compreende-se por escola democrática uma escola baseada em princípio de
participação do alunado, professores, funcionários, gestores e também da família. Neste
universo o aluno é o sujeito central do processo e os professores são mediadores que
conduzem e facilitam as ações conjuntas com foco no desenvolvimento e no aprendizado.
Neste cenário a comunidade também participa e não é identificada como um problema, pois
trabalha na reflexão das diversidades.
Embora eu compreenda que a escola democrática represente uma possibilidade de
melhoria no ensino, não devemos perder de vista que essa política necessita de um processo
de desenvolvimento no sentido de assegurar as condições de trabalho que envolvem a
estrutura física e os recursos, além de um projeto que vise a formação continuada dos
docentes e profissionais envolvidos. De qualquer forma embora, novos desafios se apresentem
a escola democrática pode proporcionar melhoria na qualidade do ensino, pois é uma proposta
que articula a comunidade escolar com a sociedade, respeitando a diversidade em busca de
um caminho participativo, reflexivo e inclusivo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

PARO, V. H. Gestão escolar, Democracia e Qualidade do Ensino. São Paulo: Ática, 2007.
Capitulo 2

LIMA, V. M. A complexidade da docência nos anos iniciais na escola pública. Nuances:


estudos sobre educação: Presidente Prudente, 2012.