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EXCELENTÍSSIMO SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO ___

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CAMPINA GRANDE – PB.

JAILMA DE SOUSA ALVES, brasileira, solteira, estudante,

portadora da cédula de identidade nº 3.595.289 SSP/PB e CPF nº 101.507.164-35, residente e

domiciliada na Rua Eufrasina Maria, 33, Vila Cabral, Campina Grande, Paraíba, CEP

58408-063, por intermédio de suas advogadas que estas subscrevem conforme procuração

anexa vem a Vossa Excelência, propor

AÇÃO RECISÓRIA C/C INDENIZAÇÃO

em face da TIM CELULAR S.A., pessoa jurídica de direito privado, CNPJ nº. 04.206.050/0001-
80, situada na Av. Giovane Gronchi, nº. 7143, Vila Andrade, São Paulo – SP, CEP: 05724-005, e
CLAUDINO & CIA LTDA (ARMAZÉM PARAÍBA) ARMAZÉM PARAÍBA, pessoa jurídica
de direito privado, CNPJ nº. 08.995.6310047-82, situada na Av. Floriano Peixoto, 851, Centro,
Campina Grande – PB, CEP: 58400-165, ante toda a fundamentação fática e jurídica que ora se
aduz, para, ao final, requerer:

I. GRATUIDADE

Inicialmente a parte autora DECLARA, nos termos da disposição

constitucionalmente assegurada pela Constituição Federal, em seu artigo 5º, LXXIV; bem

como na Lei nº 7.115/83, arts: 1º e 2º; ainda o Art. 4º da Lei nº 7.510/86, reafirmado nos arts:

98 e 99 da Lei nº 13.105/2015, entendimento sumulado pelo TJPB na súmula nº 29, para os


devidos fins, de que é pobre na acepção jurídica do termo, não dispondo de condições

econômicas para custear as despesas judiciais, sem sacrifício do seu sustento e de sua

família.

Por ser a expressão da verdade, assume inteira responsabilidade

pelas declarações acima sob as penas da lei, juntando declaração para que produza seus

efeitos legais, requer seja deferido o benefício de assistência judiciária gratuita.

II. DOS FATOS

No dia 17 de dezembro de 2014, a autora foi até a loja Armazém

Paraíba com intuito de adquirir dois celulares. Ao chegar lá, o revendedor, informou que

com a compra de um celular e adquirindo o chip da Tim com plano teria um desconto de

R$ 100 (cem reais), e após três meses ela poderia cancelar o plano.

Diante disso, deixando-se levar pela proposta do vendedor, a autora

comprou dois celulares, uma para sua mãe e outro para seu próprio uso, juntamente com

os planos, conforme notas fiscais em anexo.

No entanto, ao passar os três meses, diante da informação do

vendedor procurou realizar o cancelamento dos planos, porém, só obteve êxito com o da

sua mãe e o seu até os dias atuais vem pagando por não conseguir cancelar, com a

justificativa que os dados seus não confere com o da usuária do plano.

Entretanto, como pode verificar, segundo faturas anexas ela vem

pagando pelo plano, e ao realizar a compra forneceu seus dados, tanto para o da sua mãe

como para o dela, como consta nas notas ficais.

A autora cansada de tentar o cancelamento amigavelmente com

aparte ré, por meios de ligações conforme número de protocolo em anexo, todas essas

tentativas sendo frustradas, averiguou que eles não tinham interesse algum de solucionar

seu problema, pois já se passaram 04 (quatro) anos de tentativas em vão.

Desta maneira, resolveu procurar o PROCON, no dia 25 de janeiro


do recorrente ano, para pedir o cancelamento do plano. Solicitado o cancelamento do

plano, foi informada que seria enviado o seu pedido para o setor responsável para analise

do caso e retornaria no prazo de 05 (cinco) dias úteis, mas até hoje não teve retorno,

expirando o prazo que foi dado.

Destarte, que autora, tentou solucionar o seu problema por vias

administrativas e por todos os meios possíveis, mas, não teve êxito nenhuma das vezes, só

perdendo o seu tempo, e se desgastando emocionalmente e fisicamente durante esses

quatros anos que se passaram. Portanto, para colocar um basta nesse descaso, não restou

outro meio a não ser o ingresso da presente ação.

III. DO DIREITO

DA RELAÇÃO DE CONSUMO

A norma que rege a proteção dos direitos do consumidor define, de

forma clara, que o consumidor de produtos e serviços deve ser abrigado das condutas

abusivas de todo e qualquer fornecedor, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

No presente caso, tem-se de forma nítida a relação consumerista

caracterizada, conforme redação do Código de defesa do Consumidor:

Art. 2. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que

adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário

final.

Art. 3. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública

ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes

despersonalizados, que desenvolvem atividade de

produção, montagem, criação, construção, transformação,

importação, exportação, distribuição ou comercialização

de produtos ou prestação de serviços.

Assim, uma vez reconhecido o Autor como destinatário final dos

serviços contratados, e demonstrada sua hipossuficiência técnica, tem-se configurada

uma relação de consumo, conforme entendimento doutrinário sobre o tema:


"Sustentamos, todavia, que o conceito de consumidor deve ser

interpretado a partir de dois elementos: a) a aplicação do princípio da

vulnerabilidade e b) a destinação econômica não profissional do produto

ou do serviço. Ou seja, em linha de princípio e tendo em vista a teleologia

da legislação protetiva deve-se identificar o consumidor como o

destinatário final fático e econômico do produto ou serviço." (MIRAGEM,

Bruno. Curso de Direito do Consumidor. 6 ed. Editora RT, 2016. Versão

ebook. pg. 16)

A VULNERABILIDADE se caracteriza na medida em que, a parte

autora, não dispõe de condições técnicas para fazer oposição aos argumentos da parte

contrária quanto ás impropriedades do serviço. Afinal, o serviço adquirido não faz parte

da cadeia de produção produto que Autora comprou, assim sendo, demostrado narrativa

quando autora foi induzida aderir à proposta lançada por uma das partes ré.

DA VENDA CASADA

O Código do Consumidor dispõe claramente sobre a vedação de

condicionantes abusivos ao fornecimento de qualquer serviço ou produto:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras

práticas abusivas:

I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento

de outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites

quantitativos;

No mesmo sentido, o artigo 36, XVIII, da Lei 12.529/2011 classifica

como infração à ordem econômica "subordinar a venda de um bem à aquisição de outro

ou à utilização de um serviço, ou subordinar a prestação de um serviço à utilização de

outro ou à aquisição de um bem".

Assim, considerando que o contrato firmado com a parte ré incluiu

indevidamente um serviço que a princípio não era desejado, mas, estava condicionando os

benefícios do primeiro à contratação do segundo, tem-se configurada a venda casada

vedada pela legislação vigente e jurisprudência dominante:


APELAÇÃO CÍVEL. SEGUROS. AÇÃO DE INDENIZATÓRIA.

CONDIÇÕES PARA CONCESSÃO DO CRÉDITO. VENDA CASADA.

COMPROVAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. FORMA SIMPLES.

Condições da contratação: A venda casada é prática abusiva vedada nas

relações de consumo conforme dispõe o inciso I do artigo 39 do CDC. Caso

em que a contratação de financiamento para aquisição de veículo associado

a um seguro prestamista implica na presunção da ocorrência dessa prática

ilícita, pois os juros cobrados são maiores que a média do mercado, não

sendo demonstrada vantagem na contratação. A instituição financeira não

se desincumbiu do ônus processual de demonstrar que os contratos foram

livremente pactuados. (...). DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO

DA PARTE RÉ E NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO ADESIVO.

(TJRS, Apelação 70071013882, Relator(a):Alex Gonzalez Custodio, Sexta

Câmara Cível, Julgado em: 26/10/2017, Publicado em: 01/11/2017)

Assim, caracterizada a venda casada, tem-se o dever do

cancelamento do contrato firmado e devolução dos valores indevidamente cobrados.

DO DANO IN RE IPSA

Trata-se do dever de indenizar previsto no Código Civil:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou

imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que

exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,

excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou

social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

No presente caso, o dano causado independe de comprovação de

qualquer tipo de abalo psicológico, pois configura dano in re ipsa.

O dano in re ipsa é aquele que prescinde da comprovação de dor, de

sofrimento ou de abalo psicológico, pois a simples ocorrência de determinados fatos

conduz à configuração do dano moral.


Nesse sentido, a doutrina leciona:

"Com efeito, o dano moral repercute internamente, ou seja, na esfera íntima,

ou no recôndito do espírito, dispensando a experiência humana qualquer

exteriorização a título de prova, diante das próprias evidências fáticas. (...)

É intuitivo e, portanto, insuscetível de demonstração, para os fins expostos,

como tem sido definido na doutrina e na jurisprudência ora prevalecentes,

pois se trata de damnum in re ipsa. A simples análise das circunstâncias

fáticas é suficiente para a sua percepção, pelo magistrado, no caso

concreto." (BITTAR, Carlos Alberto. Reparação Civil por Danos Morais. 4ª

ed. Editora Saraiva, 2015. Versão Kindle, p. 2679)

No presente caso, o dever de indenizar é inerente à conduta e

prescinde de prova de qualquer abalo psicológico.

DO DEVER DE INFORMAÇÃO

O Código de Defesa do Consumidor, em seu Art. 6º, dispõe

expressamente o dever de informação, dentre os direitos do consumidor "a informação

adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de

quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como

sobre os riscos que apresentem".

No entanto, contrariando qualquer expectativa depositada na

promessa de compra, a autora foi surpreendida quando não conseguiu cancelar o plano,

quando foi repassado que depois de três meses poderia cancelar a linha. O professor

Bruno Miragem ao disciplinar sobre a matéria esclarece:

"O vício de informação caracteriza-se como sendo o originário direito

de informação do consumidor que termina atingindo a finalidade legitimamente esperada

por um determinado produto ou serviço. (...) " (in Curso de Direito do Consumidor, 6ª ed.

Editora RT, 2016. Versão ebook, p.3.3.1)

No presente caso, ao aderir o contrato não recebeu informações

claras sobre um novo serviço contratado, influenciando no fechamento do contrato,


gerando o dever de indenizar.

No caso, a falha na informação enquadra-se no conceito de “defeito”

inerente ao mercado, pois implica diretamente no animus do cliente em realizar ou não

realizar o negócio.

O autor Sérgio Cavalieri aduz, ainda, que: “a responsabilidade

decorre do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade (...) ou executar

determinados serviços. O fornecedor passa a ser o garante dos produtos e serviços que

oferece no mercado de consumo” (in Responsabilidade Civil, 2008. p. 476).

Portanto, caracterizada a FALHA NA INFORMAÇÃO, reflete no

dano autora, gerando o dever de indenizar.

DOS DANOS PELO DESVIO PRODUTIVO

Conforme disposto nos fatos iniciais, a autora teve que desperdiçar

seu tempo útil para solucionar problemas que foram causados pela empresa Ré que não

demonstrou qualquer intenção na solução do problema, obrigando o ingresso da

presente ação.

Este desgaste fica perfeitamente demonstrado por meio de ligações

conforme protocolo de n° 2015388547966 (anexo), e a reclamação feita no Procon, segundo

documento encostado.

Este transtorno involuntário é o que a doutrina denomina de DANO

PELA PERDA DO TEMPO ÚTIL, pois afeta diretamente a rotina do consumidor gerando

um desvio produtivo involuntário, que obviamente causam angústia e estresse.

Humberto Theodoro Júnior leciona de forma simples e didática sobre

o tema, aplicando-se perfeitamente ao presente caso:

"Entretanto, casos há em que a conduta desidiosa do fornecedor provoca

injusta perda de tempo do consumidor, para solucionar problema de vício

do produto ou serviço. (...) O fornecedor, desta forma, desvia o consumidor

de suas atividades para “resolver um problema criado” exclusivamente por


aquele. Essa circunstância, por si só, configura dano indenizável no campo

do dano moral, na medida em que ofende a dignidade da pessoa humana e

outros princípios modernos da teoria contratual, tais como a boa-fé objetiva

e a função social: (...) É de se convir que o tempo configura bem jurídico

valioso, reconhecido e protegido pelo ordenamento jurídico, razão pela

qual, “a conduta que irrazoavelmente o viole produzirá uma nova espécie

de dano existencial, qual seja, dano temporal” justificando a indenização.

Esse tempo perdido, destarte, quando viole um “padrão de razoabilidade

suficientemente assentado na sociedade”, não pode ser enquadrado noção

de mero aborrecimento ou dissabor." (THEODORO JÚNIOR, Humberto.

Direitos do Consumidor. 9ª ed. Editora Forense, 2017. Versão ebook, pos.

4016)

Bruno Miragem, no mesmo sentido destaca:

"Por outro lado, vem se admitindo crescentemente, a partir de provocação

doutrinária, a concessão de indenização pelo dano decorrente do

sacrifício do tempo do consumidor em razão de determinado

descumprimento contratual, como ocorre em relação à necessidade de

sucessivos e infrutíferos contatos com o serviço de atendimento do

fornecedor, e outras providências necessárias á reclamação de vícios no

produto ou na prestação de serviços." (MIRAGEM, Bruno. Curso de

Direito do Consumidor - Editora RT, 2016. versão e-book, 3.2.3.4.1)

A jurisprudência, no mesmo sentido, ancora o posicionamento de

que o desvio produtivo ocasionado pela desídia de uma empresa deve ser indenizada,

conforme predomina a jurisprudência:

RELAÇÃO DE CONSUMO – VÍCIO OCULTO NO PRODUTO(SOFÁ) –

OBSERVÂNCIA DO CRITÉRIO DA VIDA ÚTIL DO BEM DURÁVEL –

DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMO – INDENIZAÇÃO POR DANOS

MATERIAIS E MORAIS – RECONHECIMENTO. 1. (...) Caracterizados

restaram, ainda, os danos morais asseverados pelo Recorrido diante do

"desvio produtivo do consumidor", que se configura quando este, diante

de uma situação de mau atendimento, é obrigado a desperdiçar o seu


tempo útil e desviar-se de seus afazeres, e que gera o direito à reparação

civil. E o quantum arbitrado (R$ 2.000,00), em razão disso, longe está de

afrontar o princípio da razoabilidade, mormente pelo completo descaso da

Ré loja de envergadura nacional, para com o seu cliente. 3. Recurso

conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios

fundamentos, ex vi do art. 46 da Lei nº 9.099/95. Sucumbente, arcará a parte

Recorrente com os honorários advocatícios da parte contrária, que são

fixados em 20% do valor total da condenação. (TJSP; Recurso Inominado

1000711-15.2017.8.26.0156; Relator (a): Renato Siqueira De Pretto; Órgão

Julgador: 1ª Turma Cível e Criminal; Foro de Ribeirão Preto - 2ª. Vara Cível;

Data do Julgamento: 05/02/2018; Data de Registro: 05/02/2018)

Trata-se de notório desvio produtivo caracterizado pela perda do

tempo que lhe seria útil ao descanso, lazer ou de forma produtiva, acaba sendo destinado

na solução de problemas de causas alheias à sua responsabilidade e vontade.

A perda de tempo de vida útil do consumidor, em razão da falha do

prestação do serviço não constitui mero aborrecimento do cotidiano, mas verdadeiro

impacto negativo em sua vida, devendo ser INDENIZADO.

DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

O quantum indenizatório deve ser fixado de modo a não só garantir

á parte que o postula a recomposição do dano em face da lesão experimentada, mas

igualmente deve servir de reprimenda àquele que efetuou a conduta ilícita, como assevera

a doutrina:

“Com efeito, a reparação de danos morais exerce função diversa daquela

dos danos materiais. Enquanto estes se voltam para a recomposição do

patrimônio ofendido, por meio da aplicação da fórmula “danos emergentes

e lucros cessantes” (CC, art. 402), aqueles procuram oferecer compensação

ao lesado, para atenuação do sofrimento havido. De outra parte, quanto ao

lesante, objetiva a reparação impingir-lhe sanção, a fim de que não volte a

praticar atos lesivos à personalidade de outrem.” (BITTAR, Carlos Alberto.

Reparação Civil por Danos Morais. 4ª ed. Editora Saraiva, 2015. Versão
Kindle, p. 5423)

Neste sentido é a lição do Exmo. Des. Cláudio Eduardo Regis de

Figueiredo e Silva, ao disciplinar o tema:

"Importa dizer que o juiz, ao valorar o dano moral, deve arbitrar uma

quantia que, de acordo com o seu prudente arbítrio, seja compatível com a

reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade e duração do sofrimento

experimentado pela vítima, a capacidade econômica do causador do dano,

as condições sociais do ofendido, e outras circunstâncias mais que se

fizerem presentes" (Programa de responsabilidade civil. 6. ed., São Paulo:

Malheiros, 2005. p. 116).

No mesmo sentido aponta a lição de Humberto Theodoro Júnior:

[...] "os parâmetros para a estimativa da indenização devem levar em conta

os recursos do ofensor e a situação econômico-social do ofendido, de modo

a não minimizar a sanção a tal ponto que nada represente para o agente, e

não exagerá-la, para que não se transforme em especulação e

enriquecimento injustificável para a vítima. O bom senso é a regra máxima

a observar por parte dos juízes" (Dano moral. 6. ed., São Paulo: Editora

Juarez de Oliveira, 2009. p. 61).

Ou seja, enquanto o papel jurisdicional não fixar condenações que

sirvam igualmente ao desestímulo e inibição de novas práticas lesivas, situações como

estas seguirão se repetindo e tumultuando o judiciário.

Portanto, é cabível a indenização por danos morais, e nesse sentido, a

indenização por dano moral deve representar para a vítima uma satisfação capaz de

amenizar de alguma forma o abalo sofrido e de infligir ao causador sanção e alerta para

que não volte a repetir o ato, uma vez que fica evidenciado completo descaso aos

transtornos causados.

DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO

Trata-se de cobrança irregular, indevidamente paga pela autora,

sendo-lhe negado o direito de cancelamento, por reiteradas solicitações, evidenciando a


existência de Má Fé. O total descaso em solucionar o "equívoco" cometido deve ser

suficiente para a repetição indébito dos valores indevidamente cobrados, nos termos do

parágrafo único do artigo 42 da Lei 8078/90, verbis:

Art. 42. (...)

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à

repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,

acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano

justificável.

A doutrina, ao lecionar sobre o dever da devolução em dobro dos

valores pagos, destaca:

"É de perceber que não se exige na norma em destaque, a existência de

culpa do fornecedor pelo equívoco da cobrança. Trata-se, pois, de espécie

de imputação objetiva, pela qual o fornecedor responde independente de

ter agido ou não com culpa ou dolo. Em última análise, terá seu

fundamento na responsabilidade pelos riscos do negócio, no qual se inclui a

eventualidade de cobrança de quantias incorretas e indevidas do

consumidor." (MIRAGEM, Bruno. Curso de Direito do Consumidor - Ed.

RT 2016. Versão e-book, 3.2.2 A cobrança indevida de dívida)

A má fé da parte ré fica caracterizada diante da recusa do

cancelamento do plano, e, mesmo sabendo que a parte autora não faz uso da linha,

continua cobrando por algo que não esta sendo consumido, segundo faturas em anexos,

negando-se cancelar o plano.

Nesse sentido, é esclarecedora a redação jurisprudencial acerca da

repetição de indébito de valores cobrados indevidamente:

"Não obstante, o Superior Tribunal de Justiça, nos Recursos Especiais

1517478/RS e 1523754/RS, (...), tenha pacificado o entendimento sobre a

aplicação do art. 42 do CDC, em relação à cobranças não contratadas; no

que tange ao dano moral, em meu entender, de maneira equivocada,

exarou posicionamento de que a indevida contratação constituiu-se em


mera falha na prestação de serviço, um mero dissabor, não ensejando o

dano moral presumido. Por óbvio que em aplicação a normas comezinhas

de hermenêutica jurídica não se pode solucionar o presente caso,

considerando-o mera falha na prestação de serviço tão-somente com a

exclusiva aplicação do instituto da repetitio indebit, previsto no parágrafo

único do art. 42 da Lei 8078/90. Para Carlos Maximiliano , “a hermenêutica

jurídica tem por objeto o estudo e a sistematização dos[1] processos

aplicáveis para determinar o sentido e o alcance da norma. ” (...). Em

análise sistemática do disposto no art. 42 do CDC, verificamos de imediato

que no caput o legislador refere-se ao consumidor inadimplente,

reportando-se às dívidas existentes e que foram pagas em excesso

(portanto, que ultrapassaram o devido), senão vejamos, in verbis: Na

cobrança de débitos, não será exposto a ridículo, nem será submetido a

qualquer tipo de o consumidor inadimplente constrangimento ou ameaça.

Desta forma o consumidor cobrado em tem direito á repetição do indébito,

quantia indevida por, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo

hipótese de engano valor igual ao dobro do que pagou em excesso

justificável. (Grifei) Interpretação em sentido contrário, de que a singela

aplicação da condenação em dobro pela cobrança de dívidas que não foram

contratadas pelo consumidor repararia o dano sofrido, fomentaria ain

totum continuidade da abusividade por parte dos fornecedores de serviço

de telefonia, posto que o critério custo/benefício (de meter a mão no bolso

do consumidor sem o seu consentimento) seria justificado em relação ás

outras centenas de milhares de dívidas inexistentes (decorrentes de

serviços não contratados) que continuam e continuarão a serem cobradas

de outros consumidores desavisados, em especial, daqueles que não tem

por hábito conferir, ou ainda, daqueles que conferem, porém não entendem

os lançamentos de débitos em suas faturas telefônicas. Diante deste cenário,

estas Turmas Recursais firmaram entendimento quanto a abusividade dos

descontos de serviços não contratados, que resultou no Enunciado 1.8, que

dispõe: Cobrança de serviço não solicitado - dano moral - devolução em

dobro: A disponibilização e cobrança por serviços não solicitados pelo

usuário caracteriza prática abusiva, comportando indenização por dano


moral e, se tiver havido pagamento, restituição em dobro, invertendo-se o

ônus da prova, nos termos do art. 6°, VIII, do CDC, visto que não se pode

impor ao consumidor a prova de fato negativo. (...) Os danos advindos

destas práticas são vários e fomentam a prática abusiva, em face do critério

custo/benefício amparado pela banalização dos direitos do consumidor,

(...). Diante desta situação, parece claro que a simples reparação do dano

não se mostra suficiente (como não tem se mostrado), para dissuadir o

ofensor da reiteração da conduta danosa, há, a título de exemplo, o caso em

que o custo da indenização é inferior ao custo de evita-la ou, por outro

lado, quando o proveito obtido com o ato danoso supera o prejuízo

resultante da reparação do dano. Não são raras as vezes que algumas

empresas, visando tão somente o lucro, não hesitam em desconsiderar

contratos e/ou normas legais, certas de que a sanção reparatória por

ventura imposta configura um montante mais que satisfatório pela

possibilidade de obter unilateralmente um bem que deveria depender do

consentimento de outrem, desrespeitando, assim, a liberdade contratual.

Diante de tal sanção desestimuladora, tem-se, por consequência, o caráter

preventivo, em virtude de que o ofensor, responsabilizado e obrigado a

pagar o valor, irá procurar, logicamente, evitar futuros pagamentos dessa

natureza, da mesma forma que terceiros terão como exemplo tal fato."(TJPR

- 0013282-27.2015.8.16.0045 - Arapongas - Rel.: Siderlei Ostrufka Cordeiro -

J. 10.02.2017)

Tal prática demonstra a conduta leviana das partes Rés,

configurando a má fé pela simples ocorrência da prática abusiva, sendo devida a repetição

de indébito.

IV.DOS PEDIDOS

Perante o acima exposto, requer-se:

I) Seja deferida à Requerente da presente demanda assistência judiciária gratuita, com

fulcro no art. 5º, LXXIV da Constituição da República e na Lei nº 1.060/50, por se tratar de
pessoa pobre na acepção da lei, de forma que o valor das custas irão onerar em muito seu

orçamento mensal, uma vez comprovada a insuficiência de recursos;

II) A citação do réus para, querendo, responder a presente ação;

III) A total PROCEDÊNCIA da presente demanda, determinando o cancelamento do

contrato firmado e condenando os Réus à restituição dos valores pagos em dobro,

devidamente atualizados R$ ;

IV) Cumulativamente requer a condenação dos Réus por danos morais, evidenciado pelo

desvio produtivo da Autora em valor não inferior a R$ ;

V) A produção probatória admitida em direito;

VI) Manifesta o interesse na realização de audiência conciliatória, nos termos do art. 319,

VII, do CPC;

VII) A condenação dos réus ao pagamento das custas processuais e honorários

advocatícios, nos parâmetros previstos no art. 85, §2º do CPC;

Dá a causa o valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais) para fins de alçada.

Termos em que, Pede Deferimento.

Campina Grande, 28 de fevereiro de 2019.

FABIANA SALVADOR DE ARAÚJO SIMÕES

OAB/PB nº 24.056

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