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Partido apresenta discurso político de duplo sentido

O nosso partido cumpre o que promete.


Só os néscios podem crer que
Não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
A honestidade e a transparência são fundamentais
Para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
As máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
A justiça social será o alvo de nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
Se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com  os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
As nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
Os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

(Agora, leia o mesmo discurso linha por linha, de baixo para cima!)
Actividade 1

1. Lê um dos manifestos dos três candidatos à Presidência da República Portuguesa e em


traços gerais apresenta as linhas de orientação do candidato.

2. Lê este texto e define texto argumentativo.

Texto Argumentativo

Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de


forma a persuadir o ouvinte/leitor. Por isso, é necessário que apresentemos um raciocínio
coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a pensar/agir
em conformidade com os nossos objectivos.

Há três fases na produção de um texto argumentativo: na primeira trabalha-se sobre textos


diversos com a intenção de criar um estado de opinião, na segunda, recolhe-se de forma
individual informação variada sobre o tema; na terceira realizam-se trabalhos de escrita e
aperfeiçoamento textual.

O texto argumentativo deve começar por uma introdução que ocupa normalmente um
parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos que contêm os argumentos e os
contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo único,
que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada. Os vários parágrafos devem estar
encadeados uns nos outros pelos articuladores (conjunções e locuções coordenativas e
subordinativas) do discurso ou conectores lógicos (de causa-efeito-consequência, hipótese-
solução, etc.).  

Actividade Individual 1

2. Lê nesta página como se faz um texto argumentativo.

3. Nesta página lê um exemplo de um texto argumentativo escrito por uma aluna para a
disciplina de Filosofia.

3.1. Sintetiza os principais argumentos defendidos.

4. Escolhe um tema da actualidade e escreve a frase que o defina. Para te ajudar dou-te um
exemplo: "Os jovens são o futuro da sociedade".

4.1. No teu caderno Wiki escreve o primeiro parágrafo, ou seja a introdução do texto de
argumentação que poderia desenvolver o tema que escolheste.

4.2.. Planifica o desenvolvimento, explana a argumentação.

Actividade 2

Portugues on-line
http://portuguesonline2.no.sapo.pt/modulo8.htm

http://portuguesonline2.no.sapo.pt/modulo8.htm

          TEXTO ARGUMENTATIVO      

Objectivos

O texto argumentativo
- Características
- Estrutura básica do discurso argumentativo
- Procedimentos e recursos de argumentação
- Exemplificação: Leitura e análise de um texto argumentativo ( Manifesto Anti-Dantas e
Causas da Decadência ..)
- Exercitação: Escrita de um texto argumentativo a partir de um tema predeterminado

Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado


de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Por isso, é necessário que apresentemos um raciocínio
coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a
pensar/agir em conformidade com os nossos objectivos.

Há três fases na produção de um texto argumentativo: na primeira trabalha-se sobre textos


diversos com a intenção de criar um estado de opinião, na segunda, recolhe-se de forma
individual informação variada sobre o tema; na terceira realizam-se trabalhos de escrita e
aperfeiçoamento textual.

O texto argumentativo deve começar por uma introdução que ocupa normalmente um
parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos que contêm os argumentos e os
contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo único,
que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada. Os vários parágrafos devem estar
encadeados uns nos outros pelos articuladores (conjunções e locuções coordenativas e
subordinativas) do discurso ou conectores lógicos (de causa-efeito-consequência, hipótese-
solução, etc.).  

Argumentação, arte de persuadir

Desde que o homem começou a conviver, usou a palavra como meio de dar a conhecer aos
outros as suas mundividências e como forma de convencer o(s} outro(s}.

Conhecem-se autores antigos que criaram escolas de argumentação: Sócrates, filósofo grego
(470-400 a. C), Aristóteles, filósofo grego (384-322 a. C), Cícero, o mais eloquente dos oradores
romanos (106-43 a. C), entre outros. Aristóteles definiu a argumentação como a "arte de falar
de modo a convencer".

Toda a arte tem as suas normas e a argumentação não foge à regra. As suas etapas são:
encontrar o problema, procurar os argumentos e os contra-argumentos, dispô-los
adequadamente, usar as figuras de estilo que mais agradam, formular juízos de valor, etc.

As qualidades principais do discurso argumentativo são o rigor, a clareza, a objectividade, a


coerência, a sequencialização e a riqueza lexical.

            SUGESTÕES PRÁTICAS       

Há três fases na produção de um texto argumentativo: na primeira trabalha-se sobre textos


diversos com a intenção de criar um estado de opinião, na segunda, o aluno recolhe de forma
individual informação variada sobre o tema; na terceira realizam-se trabalhos de escrita e
aperfeiçoamento textual. Lê  esta ficha informativa que te dá um exemplo de como fazer um
texto argumentativo.

O texto argumentativo deve começar por uma introdução que ocupa normalmente um
parágrafo; segue-se o desenvolvimento, em parágrafos que contêm os argumentos e os
contra-argumentos, seguidos de exemplos; finalmente, uma conclusão, de parágrafo único,
que retoma a afirmação inicial provada ou contrariada. Os vários parágrafos devem estar
encadeados uns nos outros pelos articuladores do discurso ou conectores lógicos (de causa-
efeito-consequência, hipótese-solução, etc.).  

As conjunções coordenativas e subordinativas são alguns dos mecanismos de junção ao serviço


da coerência e coesão textual. Para saberes utilizar de forma mais adequada os conectores
proponho-te que realizes estes dois exercícios de preenchimento de espaços em branco com
algumas conjunções: Conjunções coordenativas, conjunções subordinativas

A oratória

A oratória, ramo da argumentação, é a "arte de discursar em público".  Trata-se de um


discurso muito lógico e rigorosamente articulado.

A oratória agrupa os autores que se empenharam, pela eficácia da palavra, em persuadir os


outros da justiça e da verdade das suas causas. Há várias espécies de oratória. Será forense ou
jurídica, se trata de defender os direitos civis dos cidadãos; política, se incide sobre as
deliberações referentes ao bem comum das sociedades; académica, se versa temas culturais;
sagrada, se o orador fala em nome de Deus e proclama uma mensagem ligada aos valores
divinos.  

Um exemplo da arte de discursar são os Sermões de Padre António Vieira que podes ler aqui.

 Actividade  1 

Agora que já conheces as características do texto argumentativo proponho-te que leias dois
textos da nossa literatura para reflectires sobre a arte de bem argumentar.
Lê AQUI O MANIFESTO ANTI DANTAS da autoria de Almada Negreiros

Este texto virulento do jovem Almada (que contava 23 anos) terá sido escrito entre Abril e
Setembro de 1916, sendo, portanto, anterior à conferência de 1917, início oficial do
movimento futurista em Portugal.

Saiu este folheto de 8 páginas impresso em papel de embrulho, ao preço de 100 reis, todo
grafado em maiúsculas e utilizando aqui e além, para sublinhar a onomatopeia - PIM!-, uns
ícones representando uma mão no gesto de apontar. Segundo se diz, terá esgotado nos
primeiros dias, por obra do açambarcamento do próprio visado. Apesar disso, ou graças a isso,
o escândalo rapidamente se propalou e a polémica causada teve uma grande intensidade. É
que, no fundo, não é só a pessoa de Dantas que é atacada, mas toda uma geração de literatos,
actores, escritores, jornalistas, etc, que ele personificava: "Uma geração que consente deixar-
se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi". Através da ironia e do
sarcasmo, utilizando uma linguagem iconoclasta e insultuosa, abusando de exclamações,
repetições e enumerações, Almada zurze o academismo instalado e os valores tradicionais
que pretendia abalar.

O manifesto não é apenas contra Dantas. É uma reacção contra uma geração tradicionalista,
uma sociedade burguesa, um país limitado.

Procura saber um pouco mais sobre Almada Negreiros e os motivos que o levaram a escrever
este manifesto. Para isso sugiro-te que leias atentamente as seguintes páginas e respondas às
perguntas que te formulo:

Almada Negreiros
Manifesto Anti Dantas

1.  Inventaria: 

_ as razões do Manifesto

_ as finalidades do Manifesto

2. Que aspectos são ridicularizados no principal destinatário do Manifesto?

2.1.Indica os meios utilizados para ridicularizar.

2.2. A partir das informações do Manifesto esboça um retrato de Júlio Dantas.

 
Antero de Quental  

Actividade 3  

Como forma de despertar o prazer de escrever e para treinar a argumentação, vais executar as
seguintes tarefas:

1.  Escreve uma carta  dirigida a um amigo e tenta convencê-lo sobre as vantagens de


uma viagem a um lugar inóspito, como uma floresta ou um deserto. 

2. Rebate a carta de um teu colega. 

Não adianta dizer apenas que concordas ou discordas,  é preciso dizer por quê, saber sustentar
os argumentos e as posições tomadas.

 O texto argumentativo

O texto argumentativo tem como objectivo interferir ou transformar o ponto de vista do leitor
relativamente ao mundo que o rodeia. Esse ponto de vista assenta num conjunto de normas
ou valores.

Argumentar consiste em apresentar razões, argumentos, para se defender uma tese. O texto
argumentativo organiza-se, de uma maneira geral, nos seguintes momentos: tese, premissas,
argumentos e conclusão:

Vejamos um exemplo:

Tese:

A maioria das inovações que as fritadeiras apresentam não têm qualquer utilidade.

Premissas:

Porém, há várias marcas de fritadeiras eléctricas. As mais recentes apresentam diversas


inovações.

Argumentos
Com efeito, a tampa anti-cheiros não é eficaz, deixando os agradáveis” odores da fritura
passearem-se pela cozinha com toda a facilidade. Além disso, o dispositivo de controlo da
qualidade do óleo reage muito tarde.

De facto, o aviso de que é necessário fazer a substituição do óleo é feito quando este há muito
que está impróprio para consumo. Assim, a superfície anti-aderente, concebida para ser uma
ajuda na limpeza, ironicamente, é difícil de limpar.

Conclusão

Como é óbvio, não vale a pena gastar dinheiro com estes acessórios. Tendo em conta o que foi
dito e os resultados do teste, a melhor fritadeira é a Taurus Frit 3.

lê um exemplo de um texto argumentativo escrito por uma aluna para a disciplina de Filosofia.

 A investigação genética

Imagine o leitor, que , após um fatigante dia de trabalho, chega a casa. Atira os sapatos para
um canto, e instala-se confortavelmente no sofá, com um copo de leite ao seu lado, para ver as
notícias. E, a notícia de abertura é bombástica! Severino Antinori, um célebre cientista genético
italiano veio a público dizer que efectuou a clonagem de um ser humano há já algum tempo, a
pedido de um milionário anónimo. A criança, agora com três anos e meio, encontra-se de boa
saúde. Bem, parece que o seu encontro esta noite com a cama já não vai acontecer... todos os
canais televisivos se ocupam a debater as consequências desta revelação.

Bem, este foi um acontecimento fictício imaginado por mim, mas não há nada que garanta que
um dia isto não se vai efectivamente passar. Aliás, o cientista escolhido por mim é deveras
conhecido por já ter anunciado publicamente a sua intenção de clonar humanos.

Efectivamente, a investigação genética impõe-se como um dos temas que mais debate suscita
na sociedade dos nossos dias. São três as posições mais abrangentes que encontramos
acerca deste assunto: os radicais que defendem a proibição de toda e qualquer investigação
genética, os moderados, que defendem uma investigação genética cautelosa, e os radicais a
favor da investigação genética livre.

Ora, a minha posição acerca deste assunto é uma posição moderada. Contudo, antes de
começar a defendê-la, penso ser conveniente dar ao leitor algumas breves informações sobre
genética.

Tomemos como exemplo esses magníficos mamíferos que são as baleias. Como todos os
seres vivos estas são constituídas por minúsculas células. Dentro de cada célula existem
diversos organitos, que lhe permitem exercer o seu metabolismo. Ora bem, estes organitos não
trabalham ao acaso. Dentro de cada célula existe o núcleo, que funciona como um “cérebro”
organizador de toda a actividade celular. E, dentro do núcleo, encontra-se a informação
genética, o DNA, que é igual em qualquer célula da mesma baleia, variando apenas de baleia
para baleia em pequena escala, e de espécie para espécie numa escala muito maior.

Há muitas coisa que uma baleia deve saber fazer para poder viver. Esta sabedoria está
armazenada no seu DNA e no seu cérebro. A informação genética inclui a maneira de
transformar o plâncton em gordura, ou de suster a respiração para um mergulho a 1 km de
profundidade. O material genético da baleia, tal como o material genético dos humanos, é
constituído por ácidos nucleicos, essas moléculas extraordinárias capazes de se reproduzirem
a si próprias a partir dos blocos de elaboração química que as envolvem e de converterem a
informação hereditária em acção. Por exemplo, uma enzima de baleia, idêntica a uma presente
em todas as células do corpo humano, é a chamada hexoquinase, a primeira de mais de duas
dúzias de fases do processo pelo qual uma molécula de açucar, obtida, na dieta da baleia, a
partir do plâncton, é convertida numa pequena quantidade de energia – que contribuirá talvez
para a emissão de uma nota de baixa frequência no canto de baleia.

A informação contida na dupla hélice DNA de uma baleia, de um ser humano, ou de qualquer
outro animal ou vegetal sobre a Terra está gravada numa linguagem de quatro letras – A
(adenina), G (guanina), T (timina) e C (citosina) – as quatro diferentes espécies de nucleótidos,
os componentes moleculares que formam o ADN. É através da manipulação destes nucleótidos
que os cientistas conseguem modificar a informação genética de um ser vivo e pôrem, por
exemplo, cabras a dar leite rico em fibras de teias de aranha.

Como já referi, defendo uma investigação genética cautelosa, moderada. Penso que grandes
benefícios advirão da investigação genética para a Humanidade. Contudo, os cientistas
deverão ser claros ao informar a sociedade acerca das investigações que decorrem. Deste
modo todos terão noção do que está a ser feito, podendo ser efectuados referendos, e leis que
convenientemente se adaptem às diversas situações possíveis poderão ser elaboradas. Cada
vez menos a ciência é um exclusivo dos cientistas, e esta linha de raciocínio há que ser
seguida. Assim, os malefícios apontados pelos dois tipos de radicais poderão ser evitados.

Indubitavelmente, o maior receio que nos assalta quando pensamos sobre a investigação
genética é a criação de uma raça perfeita, o eugenismo, através da melhoria de genes. Mesmo
sem recorrer à engenharia genética isto já foi tentado, com consequências trágicas para a
Humanidade, como a 2ª Grande Guerra Mundial. Se permitirmos que os cientistas tudo possam
fazer, o eugenismo poderá tornar-se uma realidade. Se proibirmos a investigação genética, é
óbvio que não.

Todavia, a melhoria dos genes não implica necessariamente eugenismo. Julgo que seria
óptimo podermos manipular genes. Assim, doenças tão graves como a Trissomia 21 e diversas
doenças hereditárias poderiam ser evitadas. A eliminação da possibilidade do eugenismo
depende de dois factores: a moral do cientista, e a compreensão das pessoas responsáveis por
elaborar as leis acerca desta matéria científica. Quanto à moral do cientistas, nada posso dizer.
Porém, se, como defendo, a ciência for bem explicada, os legisladores poderão efectuar leis
justas, que permitam manipular genes para evitar doenças, e nunca para atingir uma raça
perfeita.

Agora, a possibilidade de filhos por “por encomenda”. Julgo que este assunto não é bem a
mesma coisa que eugenismo. Porém, tal como no eugenismo, as consequências seriam
catastróficas. Se actualmente o nosso mundo já é passível de ser dividido em países ricos e
países pobres, com a possibilidade de filhos “por encomenda” poderíamos assistir à divisão da
espécie humana em duas subespécies distintas: a subespécie rica e a subespécie pobre.

Estou inteiramente de acordo com a sugestão de verificar os genes de uma futura criança, para
evitar a tempo o aparecimento de doenças de cariz genético, que tantos desgostos causam.
Contudo, acho totalmente repugnante a ideia de os pais poderem escolher as características
dos filhos. Mais, a longo prazo esta possibilidade poderia levar à destruição da estrutura em
que assenta toda a nossa sociedade: a família.

Entre as grandes vantagens que poderão advir da investigação genética aponto, por exemplo,
a possibilidade de criar animais transgénicos, cujos orgãos serviriam para transplantes
humanos. Este processo eliminaria definitivamente as enormes listas de espera para quem
necessitaria de fazer transplantes e, consequentemente, milhares de vidas seriam salvas.

Há quem possa caracterizar esta possibilidade (que já é uma realidade, embora ainda esteja
em fase experimental) como chocante, devido ao facto de ser criado um animal apenas para
lhe retirar orgãos para transplantes. Porém, nas experiências que estão actualmente a
decorrer, o animal que apresenta orgãos com maior possibilidade de compatibilidade com o
Homem é o porco. Visto que há séculos que os porcos são criados apenas para serem
comidos (até há quem diga que os porcos nunca morrem de velhos...), a ideia não me parece
assim tão chocante, tendo também em conta que vidas humanas irão ser salvas. O Homem
tem nas suas mão um poder inimaginável, algo com que jamais sonhou.

O Homem pode manipular, reinventar, brincar com a Vida a seu bel-prazer.

O Homem pode ocupar o lugar de Deus.

Agora, o Homem não pode negligenciar esse lugar, nem ocupá-lo indignamente.

3.1. Sintetiza os principais argumentos defendidos.

4. Escolhe um tema da actualidade e escreve a frase que o defina. Para te ajudar dou-te um
exemplo: "Os jovens são o futuro da sociedade".

4.1. No teu caderno Wiki escreve o primeiro parágrafo, ou seja a introdução do texto de
argumentação que poderia desenvolver o tema que escolheste.

4.2.. Planifica o desenvolvimento, explana a argumentação.

ARTIGO DE OPINIÃO
Internet e a Língua portuguesa

    Os neologismos, em si mesmos, não constituem um problema e, como tal,


dificilmente se podem considerar uma “praga”, dado que eles são mesmo um
factor de vitalidade da língua - uma língua que não apresenta neologismos é uma
língua morta.

     Porém, se esses neologismos forem apenas palavras importadas de outras


línguas (também conhecidas como estrangeirismos e empréstimos), eles carecem
de uma intervenção linguística que permita a sua harmoniosa integração na língua
importadora.

    Tal acontece especialmente quando essas palavras são importadas de línguas
que possuem sistemas fonológico e morfológico distintos da palavras importadas e
com convenções ortográficas bastantes divergentes, como é o caso do inglês. A
entrada maciça de palavras importadas pode, no entanto, conduzir à
descaracterização do idioma de acolhimento e, por outro, porque pode levar, em
última instância, a que a língua que importa indiscriminadamente deixe de ser
utilizada em contextos de comunicação científica e técnica, factor que pode
conduzir à perda do seu estatuto de língua de ciência e de cultura.
     Consciente das dificuldades em preservar a língua francesa no Quebeque, dada
a situação geolinguística e política desta província, o governo do Canadá criou os
meios para que o francês fosse desenvolvido e tornado apto para responder às
necessidades de um mundo em constante evolução. No Quebeque instituiu-se,
desde os anos 70, uma política de planificação linguística, que permitiu que o
francês passasse, em poucos anos, de um estatuto de língua de comunicação
quotidiana para o estatuto que actualmente tem, de língua oficial, de comunicação
científica e técnica, apetrechada para ser utilizada em qualquer situação
comunicativa. A este exemplo, poder-se-ia juntar o da região espanhola da
Catalunha, onde a implementação de uma política de planificação linguística desde
o início da década de 80 fez com que o catalão conheça hoje um fulgor e uma
vitalidade que lhe permitem também ser utilizada em qualquer contexto – a título
de exemplo, diga-se que toda e qualquer matéria universitária é leccionada em
catalão nas universidades da Catalunha.

   Não é esta a situação portuguesa. Não temos qualquer política de língua e muito
menos qualquer política de planificação linguística. O que se passa a nível da CPLP
é ilustrativo: pretende-se construir um espaço geopolítico, cujo principal elo de
união é a língua portuguesa, mas não se vislumbra qualquer estratégia
minimamente concertada para desenvolver essa língua e promover o seu uso.
Carecemos também de uma instituição encarregada de proceder à normalização
da língua portuguesa e, em particular, dos seus neologismos. Não temos uma
Academia que cujas atribuições sejam comparáveis às da Academia Francesa ou da
Academia Espanhola. Além disso, carecemos, infelizmente, também, de um
efectivo investimento na produção de materiais que permitam o desenvolvimento
e a promoção do uso da língua portuguesa (particularmente dicionários bilingues,
terminologias mono e multilingues, materiais de ensino de língua como língua
estrangeira, para fins específicos, etc.) e, finalmente, carecemos de um
investimento sério e programado na investigação sobre o português.

    A par de outras instituições, o Instituto de Linguística Teórica e Computacional


ILTEC (http://www.iltec.pt), associação sem fins lucrativos que se ocupa de
investigação em Linguística, tem vindo desde há alguns anos a dedicar parte do
seu esforço à realização de terminologias específicas, bem como à formação de
pessoal especializado na área e à investigação sobre léxico e terminologia. Logo
em 1993, um Dicionário de Termos Informáticos, bem como outras terminologias,
e promoveu dois Cursos de Verão sobre terminologia, no âmbito das Conferências
do Convento da Arrábida, cujos textos foram publicados no volume Terminologia:
questões teóricas, métodos e projectos.

    É óbvio que as iniciativas anteriormente referidas são apenas uma gota de água
num mar de necessidades. Também é claro que não são apenas duas instituições
(que sofrem dos crónicos e já conhecidos problemas financeiros e carência de
apoios), que podem contrariar toda uma situação generalizada de falta de
intervenção linguística.
    Mas também é certo que estas iniciativas existem e, como tal, não devem ser
ignoradas.

    A preservação de uma língua e o seu desenvolvimento são uma tarefa colectiva.

   Como tal, urge levar a cabo, na sociedade portuguesa, uma discussão


fundamental, da qual alguns tópicos poderão ser assim enunciados: Temos
consciência efectiva do papel que a língua desempenha na afirmação de um povo?
Prezamos a nossa língua? O que estamos dispostos a fazer para a preservar e
desenvolver? O que é uma política de língua? Queremos ter uma política de
língua? Como se põe em prática? Que podemos ganhar com ela?

Margarita Correia, professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Lisboa, (Texto


adaptado - in "Expresso", 6/9/03)

Actividade 2

Neste texto é feita uma reflexão sobre a entrada de neologismos na língua portuguesa.

1. No primeiro e segundo parágrafos, distingue-se o impacto linguístico de neologismos e


estrangeirismos. Que posição assume a autora do artigo relativamente a uns e a outros.

2. O Canadá e a Catalunha já empreenderam algumas acções para resolver esta questão.


Refere-te a essas acções.

3. A partir do 4º parágrafo analisa a situação portuguesa.

4. Justifica o uso das interrogações deixadas no final do texto.

No final deste módulo devo ficar a saber:

O que é a argumentação

A estrutura do texto argumentativo

 O conteúdo e organização de dois textos argumentativos: Manifesto Anti-Dantas de Almada


Negreiros e Causas da decadência dos Povos peninsulares nos últimos três séculos de Antero
de Quental.
Produzir um texto argumentativo