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ÍNDICE

Capítulo 1 - ASPECTOS LINGUÍSTICOS 03

Capítulo 2 - TEORIA DA COMUNICAÇÃO 17

Capítulo 3 - INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE TEXTUAL 26

Capítulo 4 - TEXTOS JORNALÍSTICOS 39

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Português
Física Módulo 1

CAPÍTULO 1 - ASPECTOS LINGUÍSTICOS

da por toda uma comunidade é chamada de língua. A


1 - Língua, linguagem e comunicação língua é um sistema de símbolos vocais pelo qual um
grupo social se comunica. É portanto, uma variante da
linguagem. A língua é uma convenção social, estabele-
cida pela sociedade que a utiliza, e cada língua possui
seu próprio sistema de regras e convenções (vinculado
ao uso da comunidade que a utiliza).
Uma língua é realmente rica e possui uma quanti-
dade suficiente de sinais para que seus usuários possam
expressar o maior número de ideias com facilidade. O
povo utiliza a língua na medida de suas possibilidades
educacionais e de seu meio de aquisição; a literatura
expõe-lhe toda a riqueza em potencial. O homem é um
ser social, comunicativo. É por meio da linguagem que
ele expressa suas ideias e seus juízos. Não há dúvidas
de que a origem da linguagem remonta à própria ori-
A comunicação humana é realizada de várias ma- gem do homem. O homem, sendo um animal social, é
neiras, através de apelos visuais, auditivos, linguagem por natureza um animal que fala.
corporal, mas principalmente, através da linguagem
verbal. A linguagem verbal utilizada por toda uma co-
munidade é chamada de língua.
A língua é uma convenção social, estabelecida pela
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sociedade que a utiliza, sendo que cada língua possui


seu próprio sistema de regras e convenções (vinculados
ao uso da comunidade que utiliza essa língua). O con-
junto de regras de uma língua é estudado pela gramá-
tica. Quando nos referimos à língua, restringimo-nos a
uma atividade coletiva realizada por meio de um códi-
go formado por palavras regidas por leis combinatórias
às quais pertencem a um grupo específico. Como é o
caso da língua inglesa, brasileira, italiana, francesa, e
muitas outras.
Em razão de seu caráter social, a língua não per-
A língua é um elemento social da linguagem. Cada
mite mudanças arbitrárias. Torna-se necessário  obe-
língua nasce de uma convenção dos membros de uma
decer a certas regras para que a comunicação se
sociedade. Esses membros têm de conhecer os sinais
realize de maneira plausível. O agrupamento de pa-
convencionais para se comunicarem. O conjunto de re-
lavras de forma desordenada tende a não efetivá-
gras de uma língua é estudado pela Gramática.
la, conforme podemos observar o exemplo abaixo: 
Assim, a comunicação é o espaço de troca de sen-
sações, vivências, informações com o outro. A comuni-
Exaustos hoje trabalho com o estamos
cação é, depois da sobrevivência física, a mais básica e
vital de todas as necessidades.
Neste caso, faz-se necessário atribuirmos a ordem
direta ao enunciado linguístico, visando estabelecer
uma perfeita comunicação:  2 - Tipos ou Níveis de Linguagem e
Gramática
Hoje estamos exaustos com o trabalho. 
Linguagem é um  sistema  de sinais empregados
Linguagem é um conjunto de sinais de que o ho- pelo homem para exprimir e transmitir suas ideias e
mem se serve para se comunicar. A comunicação huma- pensamentos. Gramática é uma palavra de origem gre-
na é realizada de várias maneiras, por meio de apelos ga cujo significado é arte de bem escrever e bem falar.
visuais, auditivos, linguagem corporal e, principalmen- A língua oral e a escrita apresentam níveis diferen-
te, pela linguagem verbal. A linguagem verbal utiliza- tes de formalidade de acordo com cada situação.

português 3
extensivo

Os Níveis de Linguagem são:


3 - A Língua Portuguesa
Linguagem regional - é carregada de influências
locais, do ponto de vista vocabular, fonológico e cultu-
Um dos comentários mais frequentes que ouvimos
ral. Imagine um nordestino conversando com um gaú-
de nossos alunos, amigos e colegas é “a língua mais
cho e observe as diferenças de linguagem empregada.
difícil do mundo é a nossa - português”. O que há de
errado em frases do tipo “você não fez nada pra mim
Linguagem popular - é a de uso comum e espon-
comer?” ou “me dê um abraço bem apertado” ou “tu foi
tâneo do povo. Pode se apresentar carregada de vícios
lá mesmo?” ou até mesmo “sobe pra cima logo, meni-
de linguagem, gírias e é, frequentemente, distante das
no, que já tá pra chover”.
normas gramaticais.

Aparentemente nada. Não são dessas maneiras


Linguagem chula ou vulgar - carregada de ex-
que as pessoas, os bons brasileiros, como diria Oswald
pressões vulgares e de mau gosto.
de Andrade, se expressam nas ruas, casas, escritórios,
morros e até em repartições públicas, privadas e fede-
Linguagem culta - É a linguagem que serve de
rais?
veículo de informação e comunicação entre pessoas
com bom grau de instrução, independente da classe so-
cial, e procura seguir rigidamente os padrões gramati- Até concordamos que a sintaxe - estudo das rela-
cais vigentes. ções das palavras no interior de uma oração - da língua
portuguesa é meio complicada, com suas terminologias
Linguagem literária ou poética - tem caracte- assustadoras, com suas regras quase que indecoráveis
rísticas próprias da linguagem e do sentimento expres- etc. Mas se olharmos para a fonética da língua ingle-
sado. sa também teremos razões de sobra para vivermos em
desespero. Uma mesma vogal “a” pode ter, em média,
Linguagem técnica ou científica - é mais usada cinco fonemas diferentes, dependendo da palavra na
entre membros de uma mesma área técnica ou cientí- qual ela vier inserida (compare-a nas palavras wait,
fica. at, boat, cause, an ou consulte o dicionário online da
Cambridge em http://dictionary.cambridge.org/help/

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Língua Culta Padrão: segue as regras prescritas phonetics.htm).
pela gramática normativa. É próprio de discursos acadê-
micos, documentos oficiais, textos literários, sermões. Isso tudo está inserido no contexto da gramática.
Mas o que vem a ser gramática?
Língua Coloquial ou Comum: não segue estrita-
mente a norma culta, é usada no cotidiano, com a fina- Segundo o dicionário Houaiss, quer dizer “conjunto
lidade de comunicação e interação, apresentando gírias de prescrições e regras que determinam o uso consi-
e formas contraídas. Pode ser dividida em: derado correto da língua escrita e falada”. Em outras
palavras, gramática é o conjunto de leis que regem a
Gramática língua de um povo. Nesse contexto, há, linguisticamen-
te falando, dois tipos de gramática: a que vem da cul-
A Gramática estuda a forma das palavras, a sua tura, do ambiente social do povo, que não se prende às
composição e sua relação dentro da oração. regras, mas vem do ambiente em que o falante desen-
volve suas atividades diárias de comunicação e expres-
Dividi-se em: são, que é chamada de gramática descritiva. É comum,
nesse tipo de gramática, frases do tipo “a gente fizemos
Intuitiva: é a gramática internaliza- tudo que podia”, ou, “eu vi ela entrando pra dentro do
da, que todo falante da língua possui e que carro”. “Por ser de natureza científica, não está preocu-
lhe permite organizar e entender as frases, pada em estabelecer o que é certo ou errado no nível do
mesmo sem ter frequentado à escola. saber idiomático”, e sim na relação adequado ou inade-
quado. O outro tipo, que é cheio de regras, nas quais se
Normativa: estabelece normas para o uso correto baseia a variedade padrão da língua, também chamada
do idioma, dentro de padrões estabelecidos por estu- de norma culta, é a gramática normativa. Esse último é
diosos da língua. que é a base das provas de língua portuguesa de exa-
mes diversos. Também é o tipo adotado e explicado nas
A Gramática normativa divide-se em fonética, fo- gramáticas e ensinado nas escolas. Aqui, sim, cabe uma
nologia, morfologia, sintaxe complementada pela se- preocupação quanto ao que é certo ou errado dentro
mântica e estilística. do campo da comunicação pelo seu caráter totalmente

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pedagógico, pois agora há um respaldo de renomados O CONCEITO DE “ERRO” EM LÍNGUA


escritores de nossa literatura e de dicionaristas escla-
recidos, segundo afirmou Bechara em sua Gramática Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto
Escolar da Língua Portuguesa. nos casos de ortografia. O que normalmente se comete
são transgressões da norma culta. De fato, aquele que,
O que proponho aqui é uma reflexão de como o num momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém dei-
nosso idioma tem sido falado e escrito por esse “Bra- xou ele falar”, não comete propriamente erro; na ver-
silzão”. dade, transgride a norma culta.

Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua


PADRÕES CULTO, COLOQUIAL E POPULAR
fala, transgride tanto quanto um indivíduo que com-
parece a um banquete trajando xortes ou quanto um
A língua é um código de que se serve o homem
banhista, numa praia, vestido de fraque e cartola.
para elaborar mensagens, para se comunicar.
Existem basicamente duas modalidades de língua, Releva considerar, assim, o momento do discurso,
ou seja, duas línguas funcionais: que pode ser íntimo, neutro ou solene.

1) a língua funcional de modalidade culta, língua O momento íntimo é o das liberdades da fala. No
culta ou língua padrão, que compreende a língua li- recesso do lar, na fala entre amigos, parentes, namo-
terária, tem por base a norma culta, forma linguística rados, etc., portanto, são consideradas perfeitamente
utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma normais construções do tipo:
sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos
veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio Eu não vi ela hoje.
e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), Ninguém deixou ele falar.
cuja função é a de serem aliados da escola, prestando Deixe eu ver isso!
serviço à sociedade, colaborando na educação, e não Eu te amo, sim, mas não abuse!
justamente o contrário; Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
2) a língua funcional de modalidade popular; lín-
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gua popular ou língua cotidiana, que apresenta gra- Nesse momento, a informalidade prevalece sobre
dações as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no a norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
calão.
O momento neutro é o do uso da língua padrão, que
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se
NORMA CULTA
por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções
A norma culta, forma linguística que todo povo ci- se alteram:
vilizado possui, é a que assegura a unidade da língua
nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão Eu não a vi hoje.
importante do ponto de vista político-cultural, que é en- Ninguém o deixou falar.
sinada nas escolas e difundida nas gramáticas. Deixe-me ver isso!
Eu te amo, sim, mas não abuses!
Sendo mais espontânea e criativa, a língua popular Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
se afigura mais expressiva e dinâmica. Temos, assim, à Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
guisa de exemplificação:
Considera-se momento neutro o utilizado nos veí-
Estou preocupado. (norma culta) culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal,
Tô preocupado. (língua popular) revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) ou transgressões da norma culta na pena ou na boca de
jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve
Não basta conhecer apenas uma modalidade de refletir serviço à causa do ensino, e não o contrário.
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a
espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
para viver; urge conhecer a língua culta para conviver. poética, caracterizado por construções de rara beleza.

Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das Vale lembrar, finalmente, que a língua é um cos-
normas da língua culta. tume. Como tal, qualquer transgressão, ou chamado

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erro, deixa de sê-lo no exato instante em que a maioria fre influências mais imediatas e variadas, à medida em
absoluta o comete, passando, assim, a constituir fato que os meios de comunicação, cada vez mais presentes
linguístico registro de linguagem definitivamente con- na nossa vida, provocam modificações muito mais fre-
sagrado pelo uso, ainda que não tenha amparo grama- quentes que se possa imaginar.
tical. Ex.:
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir.) falada.
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos va-
mos dispersar e Não vamos dispersar-nos.) A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a ento-
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Te- ação (melodia da frase), as pausas (intervalos significa-
nho de sair daqui bem depressa.) tivos no decorrer do discurso), além da possibilidade de
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado gestos, olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a
está no seu posto.) modalidade mais expressiva, mais criativa, mais espon-
tânea e natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita
Têxtil, que significa rigorosamente que se pode te- a transformações e a evoluções.
cer, em virtude do seu significado, não poderia ser ad-
jetivo associado a indústria, já que não existe indústria Nenhuma, porém, se sobrepõe a outra em impor-
que se pode tecer. Hoje, porém, temos não só como tância. Nas escolas principalmente, costuma se ensinar
também o operário têxtil, em vez da indústria de fibra a língua falada com base na língua escrita, considerada
têxtil e do operário da indústria de fibra têxtil. superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as
emendas, a que os professores sempre estão atentos.
As formas impeço, despeço e desimpeço, dos ver-
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades,
bos impedir, despedir e desimpedir, respectivamente,
mostrando as características e as vantagens de uma e
são exemplos também de transgressões ou “erros” que
outra, sem deixar transparecer nenhum caráter de su-
se tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje
perioridade ou inferioridade, que em verdade inexiste.
porque a maioria viu tais verbos como derivados de pe-
dir, que tem, início, na sua conjugação, com peço. Tanto
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na

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bastou para se arcaizarem as formas então legítimas
língua falada. A nenhum povo interessa a multiplica-
impido, despido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa
ção de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento
bem escolarizada tem coragem de usar.
de dialetos, consequência natural do enorme distancia-
mento entre uma modalidade e outra.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulá-
rio escolar palavras como corrigir e correto, quando nos
Com propriedade, afirma o Prof. Sebastião Expe-
referimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expres-
dito Ignacio, da UNESP (Universidade Estadual de São
são que deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta
Paulo): “O fato de que é o povo que faz a língua não
estas frases da língua popular para a língua culta”.
quer dizer que se deva aceitar tudo o que venha a ser
criado pelo povo. A língua pressupõe também cultura e,
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
às vezes, o próprio povo se encarrega de repelir uma
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
criação que não se enquadre dentro do espírito da lín-
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme
gua como evolução natural”.
a norma culta.

A língua escrita é, foi e sempre será mais bem ela-


borada que a língua falada, porque é a modalidade que
LEITURA COMPLEMENTAR
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tempo.
Língua Escrita e Falada: Nível de Linguagem
Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida
A língua escrita tem como finalidade representar a será possível sem a língua escrita, cujas transforma-
falada, assim como fixar um registro histórico de uma ções, por isso mesmo, se processam lentamente e em
sociedade em um determinado tempo. Como lhe faltam número consideravelmente menor, quando cotejada
recursos como gestos, timbres, entonações e fisiono- com a modalidade falada.
mias, a língua escrita deve ser muito bem trabalhada
para poder suprir essas deficiências. De qualquer for- Importante é fazer o educando perceber que o nível
ma, a língua escrita é fruto da falada, já que esta so- da linguagem, a norma linguística, deve variar de acor-

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extensivo

do com a situação em que se desenvolve o discurso. O presente capítulo visa ao combate do preconceito
O ambiente sociocultural determina o nível da lin- linguístico gerado pela ideia falsa da unidade da língua
guagem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a portuguesa falada no Brasil. Assim, muitos defendem
pronúncia e até a entoação variam segundo esse nível. que há uma língua falada padrão, correta, que deve ser
Um padre não fala com uma criança como se estivesse respeitada por todos e por todos falada, esquecendo-
dizendo missa, assim como uma criança não fala como se, assim, das variações linguísticas presentes em nos-
um adulto. Um engenheiro não usará um mesmo dis- so imenso país, e de que não há, em hipótese alguma,
curso, ou um mesmo nível de fala, para colegas e para uma língua portuguesa falada correta. Essa ideia gera
pedreiros, assim como nenhum professor utiliza o mes- um grave problema: o preconceito linguístico, que afeta
mo nível de fala no recesso do lar e na sala de aula. os falantes das variantes ditas não padrão, incorretas,
fazendo com que eles mesmo desprestigiem sua manei-
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, ra de falar, envergonhando-se de sua cultura.
entre esses níveis, se destacam em importância o culto
e o cotidiano, a que já fizemos referência. Um mito bastante arraigado na sociedade brasilei-
ra e que é um dos fios alimentadores do preconceito
linguístico é a o mito da unidade da língua portuguesa
A GÍRIA falada em nosso país. Quantas vezes já ouvimos a se-
guinte afirmação: no Brasil todos se entendem porque
Ao contrário do que muitos pensam, a gíria não todos falam da mesma maneira; o português falado é
constitui um flagelo da linguagem. Quem, um dia, já um só.
não usou bacana, dica, cara, chato, cuca, esculacho,
maneiro? Essa afirmação, apesar de errônea, é repetida inú-
meras vezes por estudiosos da Língua Portuguesa no
O mal maior da gíria reside na sua adoção como Brasil. Todavia, esses mesmos estudiosos se olvidam
forma permanente de comunicação, desencadeando um de que nosso imenso país possui variações linguísticas,
processo não só de esquecimento, como de desprezo do ou seja, uma mesma palavra é pronunciada de uma
vocabulário oficial. Usada no momento certo, porém, determinada forma do Rio Grande do Sul e de outra
a gíria é um elemento de linguagem que denota ex- maneira em São Paulo. É o caso, por exemplo, da fruta
pressividade e revela grande criatividade, desde que, mexerica, que no sul do Brasil é conhecida como ber-
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naturalmente, adequada à mensagem, ao meio e ao gamota. Isso sem falar nos dialetos e regionalismos, e
receptor. Note, porém, que estamos falando em gíria, nas diferenças fonológicas das pronúncias de inúmeras
e não em calão. palavras.

Ainda que criativa e expressiva, a gíria só é admi- Ensina Bortoni-Ricardo que “No Brasil, a variação
tida na língua falada. A língua escrita não a tolera, a regional se manifesta mais na pronúncia de alguns
não ser na reprodução da fala de determinado meio ou sons, no ritmo, na melodia e em algumas palavras.”
época, com a visível intenção de documentar o fato, ou (BORTONI-RICARDO: 2004, p. 30).
em casos especiais de comunicação entre amigos, fa-
miliares, namorados, etc., caracterizada pela linguagem O mito da unidade da língua falada gera, por sua
informal. vez, uma consequência gravíssima: o preconceito lin-
guístico. Defendo que a língua falada é una, e esque-
Preconceito linguístico e variações linguísti- cendo das diferenças regionais tanto de pronúncias
cas: Desmistificando a lenda da unidade do por- quanto de nomenclaturas, acaba-se tipificando uma
tuguês brasileiro. determinada região como aquela que fala bem o portu-
guês e aquela que fala o português todo errado.

Existe uma crença sobre a superioridade de uma


variedade ou falar sobre as demais, sendo isso um mito
enraizado na sociedade brasileira. Cabe destacar que
toda a variedade de falar é um instrumento identitário
de determinada região, ou seja, esse recurso confere
aos seus falantes a identidade de um grupo social. Des-
taca Boroni-Ricardo que “Ser nordestino, ser mineiro,
ser carioca etc. é um motivo de orgulho para quem o é,
e a forma de alimentar esse orgulho é usar o linguajar
de sua região e praticar seus hábitos culturais”.(BORTO-
NI-RICARDO: 2004, p. 33).

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A escola, por sua vez, ao não reconhecer a verda- variante falada correta do português brasileiro. As-
deira diversidade do português falado no Brasil, tenta sim, “É preciso, portanto, que a escola e todas as de-
impor, assim como a mídia, sua norma linguística como mais instituições voltadas para a educação e a cultura
se ela fosse, de fato, a língua comum de todos os bra- abandonarem esse mito da “unidade” do português no
sileiros. Brasil e passarem a reconhecer a verdadeira diversi-
dade linguística de nosso país para melhor planejarem
Destaca Bagno: suas políticas de ação junto à população amplamente
Ora, a verdade é que no Brasil, embora a língua marginalizadas dos falantes da variedade não padrão”.
falada pela grande maioria da população seja o portu- (BARGNO: 2005, p. 18).
guês, esse português apresenta um alto grau de diver-
sidade e de variabilidade, não só por causa da grande Contudo, o em que se baseia o preconceito linguís-
extensão territorial do país – que gera as diferenças tico? Por que ele ocorre?
regionais, bastante conhecidas e também vítimas, algu-
mas delas, de muito preconceito -, mas principalmente Infelizmente, o preconceito linguístico ocorre por-
por causa da trágica injustiça social que faz do Brasil o que, em pleno século XXI, ainda vigora na sociedade
segundo país com a pior distribuição de renda em todo brasileira a ideologia linguística conservadora e retró-
o mundo. São essas graves diferenças de status social
grada que sustenta um forte preconceito linguístico
que explicam a existência, em nosso país, de um ver-
abastecido pela perpetuação de uma série de mitos ir-
dadeiro abismo linguístico entre os falantes das varie-
racionais sobre a língua falada no Brasil. Esse precon-
dades não padrão do português brasileiro – que são a
ceito acaba, por sua vez, sendo assumido pelo próprio
maioria de nossa população – e os falantes da (suposta)
falante-vítima, despertando nele um sentimento de au-
variedade culta, em geral mal definida, que é a língua
toaversão linguística.
ensinada na escola. (BAGNO: 2005, p. 16).

Ensina Bagno, quanto ao embasamento do precon-


Quanto a questão da variação linguística e a estig-
ceito linguístico:
matização de uma língua falada padrão, os Parâmetros
Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental, datados
O preconceito linguístico se baseia na crença de que
de 1998, já abriam nosso olhos para tal problema, re-
só existe [...] uma única língua portuguesa digna desse

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conhecendo que existe:
nome e seria a língua ensinada nas escolas, explicada
muito preconceito decorrente do valor atribuído às
nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer
variedades padrão e ao estigma associado às varieda-
manifestação linguística que escape desse triangulo es-
des não padrão consideradas inferiores ou erradas pela
gramática. Essas diferenças não são imediatamente cola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do
reconhecidas e, quando são, são objetos de avaliação preconceito linguístico, “errada, feia, estropiada, rudi-
negativa. mentar, deficiente”, e não é raro a gente ouvir que “isso
não é português”. (BAGNO: 2005, p. 40).
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a
língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mi- O preconceito baseado na fala de determinadas re-
tos: o de que existe uma forma “correta” de falar, o de giões, preconceito esse transmitido pela mídia, através
que a fala de uma região é melhor do que a de outras, de novelas, programas televisivos, reportagens, além
o de que a fala “correta” é a que se aproxima da língua de ignorante é cruel, pois estigmatiza determinadas re-
escrita, o de que o brasileiro fala mal o português, o de giões do Brasil.
que o português é uma língua difícil, o de que é preciso
“consertar” a fala do aluno para evitar que ele escreva Assim, o povo brasileiro que não fala a língua tida
errado. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO: como padrão pela mídia e pelas classes sociais mais al-
1998, p. 31). tas é duplamente marginalizado. Uma vez por sentir-se
fora dos padrões sócias ditados pela mídia, e outra vez
A questão da variação linguística está inteiramente por ver, nessa mesma mídia, seu jeito de falar retrata-
ligada ao preconceito linguístico, já que quando uma do inadequadamente, com objetivo de deboche. Infeliz-
variante é tida como correta, as demais são denomina- mente, a televisão brasileira tipifica um modo somente
das incorretas, sofrendo, assim, as pessoas que a pro- de falar, pois é expressamente proibido aos seus atores
nunciam preconceito linguístico. e atrizes apresentarem algum sotaque em novelas e
demais programas, existindo um treinamento para que
É preciso, urgentemente, que se abandone esse todos falem a mesma língua, como se no Brasil só exis-
pensamento preconceituoso de existir somente uma tisse uma maneira de pronunciar as palavras.

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Já passou da hora dessa concepção de língua única gens que se valem dos sons, como a música, as lingua-
ser enterrada. É a hora do povo valorizar a sua cultura, gens clássicas e as visuais. Há também as linguagens
e a língua faz parte da cultura, o sotaque e a variação que são múltiplas, como, por exemplo, o teatro, a tele-
linguística brasileiras fazem parte de nossa cultura e visão, o cinema, que são visuais, sonoras, sinestésicas.
tornam a nossa língua mais rica. Envolvem a visão, a audição e o movimento. O homem
se comunica por todo tipo de linguagem, nem sempre é
Conforme Luft: necessário repassar [uma mensagem] pela linguagem
Uma língua viva está em constante evolução: diale- verbal. Por exemplo: atravessamos uma rua e há um
tos, gírias, neologismos, estrangeirismos, tudo faz parte sinal vermelho. Na maioria das vezes não está escrito
dela, dessa ebulição que a mantém animada. Portanto, “Pare”, há somente o sinal vermelho e ele é uma lingua-
ainda que hoje se conseguisse uma Gramática explícita gem. Entendemos que a cor de sinal vermelha é para
do português brasileiro, digamos da década de 90, em parar, que na verde se pode andar e assim por diante.
breve ela estaria desatualizada, e o professor, obrigado
a novos ajustes. (LUFT: 1998, p. 98). Quais as principais diferenças entre as lingua-
gens verbal e não verbal?
Há diferentes maneiras de se nomear determinadas
plantas, determinados objeto, como ocorre com a man- A primeira diferença é o meio. Cada linguagem tem
dioca, que é conhecida na região Sul com o nome de o seu suporte. A linguagem verbal, é também uma lin-
aipim. Isso só acrescenta ao nosso português brasileiro, guagem mais racional. Daí poder explicitar o raciocínio
tornando-o cada vez mais rico culturalmente. Por isso, é lógico, talvez, mais que o movimento, uma cor, ou o
preciso garantir a todos os brasileiros o reconhecimento som de uma música. Mas isso não é um julgamento de
da sua variação linguística, e não o deboche das mes- valor. Depende da necessidade de uso da linguagem.
mas. Essa deve ser mais um luta do nosso povo, con- Normalmente nós usamos mais de uma. Por exemplo:
tra mais esse tipo de preconceito, dentre tantos outros escrevemos um texto, colocamos um gráfico, uma foto
sofridos por nós, cidadãos brasileiros afinal, respeitar a e com isso, nos apoiamos também na linguagem visu-
variedade linguística de toda e qualquer pessoa equi- al. Das linguagens, talvez a mais pobre em eficiência,
vale a respeitar a integridade física e espiritual dessa em certo sentido, seja a escrita. Na linguagem escri-
pessoa como ser humano, nunca nos esquecendo que ta não temos modulação de voz, não temos a entona-
qualquer comunidade sempre apresentará variação lin- ção. Ao falar, posso ser irônica, engraçada, tremer a
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guística. voz, demonstrar emoção e na linguagem escrita não há


como fazer isso. Escrevo “amor” e está escrito a palavra
“amor”.

LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL


E isso não atrapalha a compreensão?

Dialogar pode ser muito mais complicado do que


Exatamente essa “pobreza da linguagem escrita”
parece. A comunicação não envolve somente a lingua-
dá mais margem à imaginação. Como o leitor não tem
gem verbal articulada, como escrita e fala, mas tam-
todos os dados, ele formula hipóteses mentais, imagi-
bém compreende a linguagem não verbal. Mais antiga,
nárias, e cria todo um contexto e uma situação na sua
ela se desenvolve de maneira complexa na sociedade
mente que, às vezes, é muito mais rica do que aquilo
contemporânea e abrange outras linguagens – a moda,
que o próprio autor pensou. Então as coisas não podem
os gestos, a arte, os sons e os sinais, entre outros.
ser colocadas de maneira única, maniqueísta. Depen-
de da intenção da mensagem, do contexto, das pesso-
No livro “O verbal e o não verbal”, Vera Teixeira
as que estão em contato, da participação de cada um
de Aguiar, 62, professora doutora do Departamento de
na comunicação para que certo tipo de linguagem seja
Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Ca-
mais eficiente que o outro, ou para que um conjunto
tólica do Rio Grande do Sul, discute o tema de maneira
deles promova uma melhor comunicação.
mais aprofundada. Em entrevista, a acadêmica explica
como surgiu a oportunidade para a composição de seu
Em alguns casos, a linguagem não verbal é utiliza-
livro e discute a questão da linguagem não verbal no
da como complemento da verbal, ou vice-versa. Como
presente.
se dá essa relação?

O que é linguagem não verbal?


Acredito que seja sempre por uma necessidade de
comunicação. Aliás, por exemplo, se a linguagem verbal
Consideramos linguagem todas as formas de co-
é oral, ela sempre vem acompanhada, em comunicações
municação que o homem criou ao longo dos tempos. A
“face a face”, do gesto, da expressão do rosto e, de qual-
linguagem verbal é a da palavra articulada e pode ser
quer maneira, ela sendo oral, sempre tem uma entoação.
oral ou escrita. As outras todas são não verbais: lingua-

português 9
extensivo

Posso dizer uma mesma frase de uma forma alegre, tris-


te, irônica. Isso vai depender. Quando a comunicação não EXERCÍCIOS COMENTADOS
é face a face, algumas coisas se perdem. Não se sabe do
contexto do interlocutor, onde ele está, qual a sua ex-
1. Defina as características que se restringem a essa
pressão, como ele reage a o que se diz. Então trabalha-se
tríade: linguagem, língua e fala.
com suposições que não são tão eficientes quanto se a
conversa fosse realizada “frente a frente”.
Resposta:

Qual é o tipo de linguagem, atualmente, mais


valorizado pela sociedade? Podemos dizer que o processo comunicativo en-
contra-se relacionado a esses três fatores, porém, vale
Vejo dois movimentos. O primeiro é que a socieda- dizer que um não é sinônimo do outro, pois, no âmbi-
de como um todo valoriza muito o visual. Vivemos em to dos estudos linguísticos, apresentam características
uma sociedade de imagem, alavancada , talvez, pela que os diferenciam entre si. Nesse sentido, vejamo-las:
publicidade, pela sociedade de consumo. Por todos os A linguagem é representada por todo o sistema de si-
lados nos batem imagens, outdoors, a televisão, o cine- nais convencionais que permitem a interação entre os
ma, a moda, as vitrines enfeitadas. A sociedade de con- seres, fazendo com que a comunicação se efetive de
sumo é altamente visual. Fui há quatro ou cinco anos forma plena. Para tanto, temos a linguagem verbal e
a Cuba e lá nota-se exatamente o oposto. Quase não não verbal.
há lojas e as poucas que há são muito mal arranjadas. Definimos língua como um sistema convencional
No próprio interior dos estabelecimentos os produtos
regido por leis combinatórias, pertencente a um deter-
são mal arranjados, não exploram o aspecto apelativo
minado grupo de indivíduos, como é o caso da língua
que há na sociedade de consumo ocidental em geral.
inglesa, portuguesa, espanhola, italiana, francesa, en-
Como o regime não baseia-se no consumismo como
tre outras.
tal, o modelo ainda é contra o capitalismo, sobretudo
Já a fala, mesmo tendo em vista que a língua é con-
o norte-americano, fica evidente o que falta de apelo
visual. Talvez possamos aprender mais, olhando o dife- cebida como um organismo social, restringe-se a uma
rente. Então começamos a entender o que somos. Não determinada pessoa de modo individual. Dessa forma,
é uma questão de ser bom ou ruim, apenas é, está aí na tem-se que o indivíduo, munido de todo o seu conhe-

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sociedade. O outro dado é de que a sociedade ocidental cimento acerca do sistema convencional (leis combina-
é altamente alfabetizada. Tudo tem que acontecer via tórias), expressa de modo particular suas ideias, seus
papel escrito. Por exemplo: no ônibus há o nome e o sentimentos.
número da linha para onde ele vai. Quando precisamos
ir para determinado lugar, tudo é informado através da 2. Levando-se em consideração todo o seu conheci-
palavra escrita e isso faz com que ela seja um tipo de mento inerente ao processo comunicativo, retrate as di-
linguagem extremamente valorizada, o verbal escrito. ferenças que demarcam linguagem verbal e não verbal
e, se possível, dê exemplos.
Como a mídia se utiliza da linguagem não ver-
bal?
Resposta:

Usam sobretudo, a imagem e a música, creio. Além


Linguagem verbal é aquela representada por pa-
disso, há as novelas, que são uma linguagem oral e
lavras propriamente ditas, configurando-se como uma
manipulam extremamente o comportamento do brasi-
leiro. Há, sem dúvida alguma, uma relação de causa e forma mais precisa de expressarmos nossas ideias,
efeito entre a cultura de massa e o comportamento. E como por exemplo:
com muitas outras linguagens além da linguagem ver- Silêncio!
bal. Os costumes em geral, a moda, a alimentação, a Atenção: perigo à frente.
bebida. Em todas as novelas é possível observar que, Entre e seja bem-vindo!
sempre que uma personagem entra em um espaço, ge- Linguagem não verbal é aquela que se utiliza de
ralmente na casa de alguém, o dono da casa oferece outros sinais para que a comunicação se efetive, po-
uma bebida, seja água, uísque, um licor, um suco, para dendo ser por meio de gestos, símbolos, expressões fi-
estimular o hábito de beber. Criam-se modos de falar: sionômicas, linguagem dos surdos-mudos, cores, entre
há o “carioquês, o “gauchês”, dependendo da novela, outros elementos.
ou o “nordestês”. Por isso que as novelas são muito
mais atuais, do que de época, pois ela estabelece um
3. Levando-se em consideração os traços que demar-
distanciamento com a vida de hoje, ela é menos eficien-
cam a linguagem não verbal, analise as imagens a se-
te nesse sentido.
guir e elucide sua opinião a respeito delas:

10 português
extensivo

a) 4. Sabemos que as lingua-


gens, verbal e não verbal,
muitas vezes trabalham a no-
ção de intertextualidade, isto
é, fazem alusão a uma obra
de arte, a um fato histórico,
  a um poema, a um filme, en-
b)  tre outros aspectos. Dessa
forma, explicite seus conhe-
cimentos acerca destas, evi-
denciadas a seguir:

c) 

d)  Resposta:

Tendo em vista que a finalidade discursiva presen-


te nos anúncios publicitários pauta-se pela persuasão,
podemos identificar que a intertextualidade demarca os
exemplos em evidência, ora manifestada por:
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No primeiro exemplo, tanto a marca do produto


quanto a linguagem verbal presente no anúncio faz re-
e) 
ferência a uma conhecida música de Roberto Carlos in-
titulada “Ai que saudades da Amélia”, cujo refrão cons-
tatamos a seguir:   

Amélia não tinha a menor vaidade


Amélia é que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Resposta: Amélia é que era mulher de verdade

A linguagem não verbal, apesar de não utilizar pa-


Quanto ao segundo, a expressão “as pedras no
lavras concretas, se apoia em outros recursos, os quais
meio do caminho” faz alusão ao poema de Carlos Drum-
inferem que o falante, levando em consideração todo
mond de Andrade, expresso por:  
seu conhecimento, esteja apto a decodificar a mensa-
gem nela expressa, tal como evidenciada nos exemplos
No meio do caminho tinha uma pedra
citados, mediante os seguintes discursos:
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
a) O gesto indica que tudo está muito bem, joia.
b) O cartão vermelho significa sinal de advertência a no meio do caminho tinha uma pedra.
respeito de uma determinada atitude.
c) O símbolo refere-se a pessoas portadoras de neces- Nunca me esquecerei desse acontecimento
sidades especiais. na vida de minhas retinas tão fatigadas.
d) É proibido fumar. Nunca me esquecerei que no meio do caminho
e) O símbolo de reciclagem envolvendo o globo terres- tinha uma pedra
tre indica as atitudes responsáveis que devemos ter tinha uma pedra no meio do caminho
para preservá-lo. no meio do caminho tinha uma pedra.

português 11
extensivo

Agora, tu aí que é metido a esculachá os outros,


EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES metido a ganhá o companheiro na força bruta, na
congesta! Para com isso, tu vai acabá empesteado!
01. (Fuvest) A princesa Diana já passou por poucas e Aids num toma conhecimento de macheza, pega pra
boas. Tipo quando seu ex-marido Charles teve um love lá e pega pra cá, pega em home, pega em bicha, pega
em mulhé, pega em roçadeira! Pra essa peste num
affair com lady Camille revelado para Deus e o mundo.
tem bom! Quem bobeia fica premiado. E fica um tem-
(Folha de S. Paulo, 5/11/93)
pão sem sabê. Daí, o mais malandro, no dia da visita,
recebe mamão com açúcar da família e manda pra
No texto acima, há expressões que fogem ao pa-
casa o Aids! E num é isto que tu qué, né, vago mes-
drão culto da língua escrita.
tre? Então te cuida! Sexo, só com camisinha. (pausa)
Quem descobre que pegô a doença se sente no
a) Identifique-as.
prejuízo e que ir à forra, passando pros outros. (pau-
___________________________________________ sa) Sexo, só com camisinha! Num tem escolha, tran-
___________________________________________ sá, só com camisinha.
Quanto a tu, mais chegado ao pico, eu tô saben-
___________________________________________
do que ninguém corta o vício só por ordem da chefia.
___________________________________________ Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canal pro
Aids. No desespero, tu não se toca, num vê, num qué
___________________________________________
nem sabê que, às vezes, a seringa vem até com um
____________________________________________ pingo de sangue, e tu mete ela direta em ti. Às vezes,
ela parece que vem limpona, e vem com a praga! E
b) Reescreva-as conforme o padrão culto. tu, na afobação, mete ela direto na veia. Aí tu dança.
___________________________________________ Tu, que se diz mais tu, mas que diz que num pode
aguentá a tranca sem pico, se cuida. Quem gosta de
___________________________________________
tu é tu mesmo. (pausa) E a farinha que tu cheira, e
___________________________________________ a erva que tu barrufa enfraquece o corpo e deixa tu
chué da cabeça e dos peitos. E aí tu fica moleza pro
___________________________________________
Aids! Mas o pico é o canal direto pra essa praga que

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___________________________________________ está aí. Então, malandro, se cobre! Quem gosta de tu
____________________________________________ é tu mesmo. A saúde é como a liberdade. Agente só
dá valor pra ela quando ela já era! (Vídeo exibido na
INSTRUÇÃO: Texto para a questão 02. Casa de Detenção, São Paulo)

Créditos: / Agência: Adag (1988). Realização: TV Cultura / São


(Unesp) O texto a seguir foi escrito e interpreta- Paulo. Duração: 2minutos e 48 segundos.
do pelo ator e dramaturgo Plínio Marcos. Trata-se de
transcrição de um vídeo exibido na Casa de Detenção, 02. O texto que lhe apresentamos não se realiza de
em São Paulo. acordo com a chamada “norma culta da Língua Portu-
Aqui é bandido: Plínio Marcos! Atenção, malan- guesa”. No entanto, sua eficácia se dá pela relação de
drage! Eu num vô te pedir nada, vô te dá um alô! Te identidade que mantém com grande parcela das pesso-
liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, as a que se destina. Mediante estas observações:
e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a
doença. Quem pegá essa praga está ralado de verde e a) Cite três ocorrências gramaticais que caracterizam
amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num esse desvio da normal culta. Exemplifique-as.
tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, ___________________________________________
nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo!
___________________________________________
Agora sente o aroma da perpétua; Aids passa pelo
esperma e pelo sangue, entendeu?, pelo esperma e ___________________________________________
pelo sangue! (pausa)
___________________________________________
Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá,
então se toca! Não é porque tu tá na tranca que vi- ___________________________________________
rou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ____________________________________________
ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém
pode valê pra ninguém nesse negócio de Aids! Então b) Que função exercem no texto as expressões “aten-
já viu: transá só de acordo com o parceiro, e de ca- ção, malandrage” (1º parágrafo), “vago mestre” (3º e
misinha! (pausa) 5º parágrafos) e “malandro” (5º parágrafo)?

12 português
extensivo

___________________________________________ e) Maria: devo ir no Rio amanhã. Quero que, à noite


você me reserve, sem falta, um, lugar, no trem das oito.
___________________________________________

___________________________________________ 05. (Unicamp)


___________________________________________

___________________________________________

____________________________________________

03. (Fuvest) Você pode dar um rolê de bike, lapidar o


estilo a bordo de um skate, curtir o sol tropical, levar
sua gata para surfar.

Considerando-se a variedade linguística que se


pretendeu reproduzir nesta frase, é correto afirmar que
a expressão proveniente de variedade diversa é

a) “dar um rolê de bike”.


b) “lapidar o estilo”. O tema desta tira é, tecnicamente falando, um “ne-
c) “a bordo de um skate”. ologismo semântico”, isto é, um novo sentido – surgi-
d) “curtir o sol tropical”. do há alguns anos –, assumido por uma palavra que
e) “levar sua gata para surfar”. já existia. A palavra em questão é o verbo “ficar”, que
ocorre três vezes neste caso.
04. (Ufes)
a) Qual (ou quais) das ocorrências representa(m)
um sentido mais antigo do verbo “ficar”? Qual(is)
A história do gerente apressado
representa(m) o novo sentido?

Certa vez, um apressado gerente de uma grande ___________________________________________


empresa precisava de ir ao Rio de Janeiro para tratar
___________________________________________
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de alguns assuntos urgentes. Como tivesse muito medo


de viajar, deixou o seguinte bilhete para sua recém- ___________________________________________
contratada secretária: ___________________________________________

___________________________________________
Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta.
Quero que você me ‘rezerve’, um lugar, ‘à noite’, no ____________________________________________
trem das 8 para o Rio.
Sabe o leitor o que aconteceu? b) Que palavra provavelmente preencheria as reticên-
O gerente, simplesmente, perdeu o trem! cias da terceira fala?
Por quê? ___________________________________________
BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo: ___________________________________________
Ática, 1990, p.05.
___________________________________________
O gerente perdeu o trem, porque a secretária não ___________________________________________
decodificou a problemática mensagem. Qual bilhete é
___________________________________________
mais adequado para que a comunicação se dê, de fato:
____________________________________________
a) Maria: devo ir ao Rio amanhã sem falta. Quero que
você reserve um lugar, à noite, no trem das 8 para o c) A última fala pode ser interpretada como sendo irô-
Rio. nica. Por quê?
b) Maria: devo ir ao Rio amanhã. Quero que você me ___________________________________________
compre, um lugar, à noite, no trem das 8 para o Rio.
___________________________________________
c) Maria: Compre, para mim, uma passagem, em ca-
bina com leito, no trem das 20h de amanhã (4ò feira), ___________________________________________
para o Rio de Janeiro.
___________________________________________
d) Maria: vou ao Rio amanhã impreterivelmente. Quero
que você me compre, à noite uma passagem para o Rio ___________________________________________
no trem das 8. ____________________________________________

português 13
extensivo

06. (Fuvest) “As pessoas ficam zoando, falando que a ___________________________________________


gente não conseguiria entrar em mais nada, por isso
___________________________________________
vamos prestar Letras”, diz a candidata ao vestibular.
Entre os motivos que a ligaram à carreira estão o gosto ____________________________________________
por literatura e inglês, que estuda há oito anos.” (Adap-
tado da Folha de S. Paulo, 22/10/00) 08. (Ufsm)

a) As aspas assinalam, no texto acima, a fala de uma


pessoa entrevistada pelo jornal. Identifique duas mar-
cas de coloquialidade presentes nessa fala.

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

____________________________________________ Considere o que se afirma sobre o papel da lingua-


gem verbal e não verbal na organização da história.
b) No trecho que não está entre aspas ocorre um desvio
em relação à norma culta. Reescreva o trecho, fazendo I. O desenho é autossuficiente. Mesmo sem os diálogos,
a correção necessária. entende-se que um homem foi punido por ter chamado
o outro de gordo.
___________________________________________
II. As falas das personagens são autossuficientes. Mes-
___________________________________________ mo sem os desenhos, entende-se que um homem foi
___________________________________________ punido por acusar o outro de medroso.
III. O desenho e as falas são interdependentes. É pela
___________________________________________
fala do segundo quadrinho que se entende que o ho-
___________________________________________ mem foi punido principalmente por chamar o outro de

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“gordão”.
____________________________________________

Está(ão) correta(s)
07. (Fuvest) “O que dói nem é a frase (Quem paga seu
salário sou eu), mas a postura arrogante. Você fala e
a) apenas I.
o aluno nem presta atenção, como se você fosse uma
b) apenas II.
empregada.”(Adaptado de entrevista dada por uma
c) apenas III.
professora. Folha de S. Paulo, 03/06/01)
d) apenas I e II.
e) apenas I e III.
a) A quem se refere o pronome “você”, tal como foi usa-
do pela professora? Esse uso é próprio de que variedade
09. (FGV): Leia atentamente a tirinha abaixo, extraída
linguística?
de O estado de São Paulo:
___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

____________________________________________

b) No trecho “como se você fosse uma empregada”, fica


pressuposto algum tipo de discriminação social? Justifi-
que sua resposta.

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

14 português
extensivo

Nos três primeiros quadrinhos, a linguagem utiliza- GABARITO


da é mais formal e, no último, mais informal. Assinale
a alternativa que traga, primeiro, uma marca da FOR- 1. a) “Poucas e boas”, “tipo quando”.
MALIDADE e, depois, uma marca da INFORMALIDADE
b) A princesa Diana já passou por momentos difíceis,
presentes nos quadrinhos.
como ocorreu quando seu ex-marido Charles teve um
love affair com Lady Camille revelado para Deus e o
a) Vilania; vosso.
b) Vós; você. mundo.
c) Estou; você.
d) Tenhais; segui. 2. a) Escrita não ortográfica: “malandrage”, “vô”.
e) Notícias; falem. Falta de concordância: “tu tá na tranca”.
Uso de gírias: “te liga aí”, “na congesta”.
10. (Fuvest) I - Temos saídas. Temos, por exemplo, um
b) Vocativo
setor agrícola imenso. Nesse sentido, o MST tem ra-
zão. Não o MST, a política de assentamento, de pequena
3. [B]
economia familiar.

(Presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista concedida à
4. [C]
revista “Veja”, 10/09/97, p.25)

II - Ao falar, não posso usar borracha, apagar, anular; 5. a) O sentido “mais antigo” está na terceira fala. O
tudo que posso fazer é dizer “anulo, apago, retifico”, “novo” nas duas anteriores.
ou seja, falar mais. Essa singularíssima anulação por b) A palavra “grávida” é a mais provável.
acréscimo, eu a chamarei de “balbucio”. c) A ironia está presente na última fala. A conversa fi-

(Roland Barthes) naliza com “às claras”, o que denota a imprecisão, o


sentido vago do verbo “ficar”.
a) Baseando-se nesta definição de Roland Barthes,
transcreva o trecho do texto I em que houve BALBUCIO. 6. a) Marcas de coloquialidade observam-se em:
___________________________________________ 1) o emprego do verbo zoar no sentido de “zombar” e
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do verbo “entrar em mais nada” equivalendo a “ingres-


___________________________________________
sar numa faculdade”;
___________________________________________
2) o emprego da expressão “a gente “, que poderia ser
___________________________________________ substituída por “nós” (“não conseguiríamos”) concor-
___________________________________________ dando com “vamos”, numa silepse de pessoa e número.

____________________________________________
b) Entre os motivos que a ligaram à carreira está o gos-
b) Nota-se que o entrevistado repetiu duas vezes a to por literatura e inglês, que estuda há oito anos. (O
palavra “Temos”, cada vez com um complemento di- verbo ESTAR fica no singular concordando com o seu
ferente. Explique a relação semântica que o contexto sujeito, “o gosto por literatura...”).
linguístico (os dois períodos em sequência) permite es-
tabelecer entre os dois complementos utilizados. 7. a) O pronome “você”, que é utilizado normalmente
___________________________________________ para designar o interlocutor, na frase dada apresenta
___________________________________________ um referente genérico, incluindo até mesmo quem está
falando. Esse uso do pronome é próprio de uma varie-
___________________________________________
dade informal, em que se pretende criar um efeito de
___________________________________________ sentido de intimidade, de proximidade entre os interlo-
___________________________________________ cutores.
____________________________________________
b) Sem dúvida, o trecho “como se você fosse uma em-
pregada” pressupõe discriminação social, por sugerir
que aquilo que uma empregada fala não é digno de
atenção.

8. [C]

português 15
extensivo

9. [B]

10. a) Em “Não o MST...”, pois o presidente anula atra-


vés do acréscimo, o sujeito da frase anterior.
b) Temos respectivamente os complementos “saídas” e
“um setor agrícola imenso” em que este além de exem-
plificar a noção geral ocasionada por aquele, ainda pos-
sibilita um argumento por exemplificação.

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16 português
Português
Física Módulo 1

CAPÍTULO 2 - TEORIA DA COMUNICAÇÃO

chama‑se mensagem. O elemento condutor denomi-


na‑se canal. Os fatos, evidências, vivências ou juízos
constituem o referencial. A língua que o emissor utili-
za constitui o código metalinguístico.

Emissor: o que emite a mensagem;

Receptor: o que recebe a mensagem;

Mensagem: o conjunto de informações transmitidas;

Código: a combinação de signos utilizados na


transmissão de uma mensagem. A comunicação só
se concretizará, se o receptor souber decodificar a
SIGNO mensagem;

Canal de Comunicação: por onde a mensagem é


Para que seja cumprida a função social da lingua- transmitida: TV, rádio, jornal, revista, cordas vocais,
gem no processo de comunicação, há necessidade de ar…;
que as palavras tenham um significado, ou seja, que
cada palavra represente um conceito. Essa combinação Contexto: a situação a que a mensagem se refere,
também chamado de referente;
de conceito e palavra é chamada de signo. O signo lin-
guístico une um elemento concreto, material, perceptí- Ruído: Qualquer perturbação na comunicação.
vel (um som ou letras impressas) chamado significan-
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te, a um elemento inteligível (o conceito) ou imagem


mental, chamado significado. Por exemplo, a “abóbora”
é o significante - sozinha ela nada representa; com os FUNÇÕES DA LINGUAGEM
olhos, o nariz e a boca, ela passa a ter o significado do
Dia das Bruxas, do Halloween.

Signo = significante + significado.

Significado = ideia ou conceito (inteligível)

O homem, na comunicação, utiliza-se de sinais


devidamente organizados, emitindo-os a uma outra
pessoa. Há, então, um emissor e um receptor da men-
sagem. A mensagem é emitida a partir de diversos códi-
gos de comunicação (palavras, gestos, desenhos, sinais
de trânsito…). Qualquer mensagem precisa de um meio
transmissor, o qual chamamos de canal de comunicação Quando um cientista descreve a Lua, submete‑a a
e refere-se a um contexto, a uma situação. uma interpretação impessoal, científica ou meramente
informativa. Por outro lado, um poeta, ao descrever o
mesmo astro, imprime a suas impressões um caráter
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO emocional, consoante a subjetividade de suas sensa-
ções. Assim, enquanto para o cientista a Lua é “o satéli-
te natural da Terra”, para o poeta seria “uma inspiração
Ao elaborar um texto, o redator precisa ter em men- romântica, idealizada ou melancólica”.
te que a mensagem é direcionada a um leitor que dele
inferirá juízos, segundo ótica interpretativa própria. Desse modo, temos as funções da linguagem que
apontam as mensagens para um ou mais elementos da
Seja um texto literário ou escolar, a redação sem- própria comunicação. Então, o emissor, ao transmitir uma
pre apresenta uma pessoa que a escreve, o emissor, e mensagem, sempre tem um objetivo: informar algo, ou
alguém que a lê, o receptor. O que o emissor escreve demonstrar seus sentimentos, ou convencer alguém a

português 17
extensivo

fazer algo, entre outros; consequentemente, a lingua- 2. EMOTIVA OU EXPRESSIVA– essa função tem a ên-
gem passa a ter uma função, que são as seguintes: fase centrada no emissor (texto em primeira pessoa),
em suas emoções e atitudes. Ocorre Quando o emissor
demonstra seus sentimentos ou emite suas opiniões
Função Referencial
ou sensações a respeito de algum assunto ou pessoa,
Função Conativa acontece a função emotiva, também chamada de ex-
pressiva.
Função Emotiva

Função Metalinguística Exemplos:

Função Fática
a) “É gente humilde que vontade (eu sinto) de chorar.”
Função Poética (Chico Buarque)

Obs.: Em um mesmo contexto, duas ou mais b) “Todos os dias quando (eu) acordo, / (eu) não tenho
funções podem ocorrer simultaneamente: uma mais o tempo que passou.” (Legião Urbana)
poesia em que o autor discorra sobre o que ele
sente ao escrever poesias tem as linguagens poé- c) “Não adianta nem tentar me esquecer...” (Roberto
tica, emotiva e metalinguística ao mesmo tempo. Carlos e Erasmo Carlos)

3. CONATIVA – também denominada Apelativa, bus-


1. REFERENCIAL – também chamada de Cognitiva, ca mobilizar a atenção do receptor, produzindo um ape-
Informativa ou Denotativa privilegia o contexto im- lo ou uma ordem. Pode ser volitiva, revelando assim
pessoal (na terceira pessoa). O emissor tem a intenção uma vontade (“Por favor, eu gostaria que você se reti-
de informar sem envolvimentos passionais, constituin- rasse.”), ou imperativa, que é a característica funda-
do-se, assim, na linguagem das redações argumentati- mental da propaganda. Encontra no vocativo e no impe-
vas (concursos e vestibulares), das narrações não fictí- rativo sua expressão gramatical mais autêntica.
cias e das descrições objetivas. Está presente também
em teses científicas, em textos jornalísticos, em reda- Exemplos:
ções oficiais e comerciais.

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a) Antônio, venha cá!
Exemplos: b) Compre um e leve três.
a) Texto jornalístico: A justificativa, em tom de aler- c) Beba Coca-Cola.
ta, vem do discurso taxativo do engenheiro José Édison d) Se o terreno é difícil, use uma solução inteligente:
Parro, 60 anos, presidente da Associação de Engenharia Mercedes-Benz.
Automotiva: “A maioria dos carros da frota nacional, e) “Respire futebol
apesar da renovação dos últimos anos, não se encontra f) Coma futebol
em perfeito estado. Isso aumenta a incidência de anti- g) Beba Coca-Cola”
gos problemas e, consequentemente, o risco de aciden- h)“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem...” (Chico
tes”. ((Alexandre Carauta e Anderson Vieira, Trecho de Buarque) / função conativa/volutiva
artigo publicado no caderno Carro e Moto, 23/06/2001) 
4. FÁTICA – a ênfase é centrada no canal a fim de que
b) Redação Oficial – Parecer: se mantenha a conexão entre os falantes.

Exemplos:
Conclusão

Considerando-se a importância da participação “Bom dia!” – “Oi!” – “Alô!”


da professora Jupira da Silva dentro do projeto global
que o professor Cremilço Pereira pretende desenvol- Obs.: Embora característica da linguagem oral, na
ver para otimizar o trabalho da Editora da Universi- música popular também aparece:
dade Federal de Brasília e a perfeita adequação do
projeto em apreciação a Resolução nº44/CEPE/96 que “Eu ligo o rádio
regulamenta as atividades de extensão, recomenda- e blá – blá
se ao colegiado a aprovação do projeto em pauta. BIá‑bIá‑bIá‑bIá
Eu te amo.” (Lobão)
Rio Grande, 12 de outubro de 1999.
Nelson Maia Schocair “Blá‑blá‑blá.‑blá
Relator blá‑blá‑blá‑blá‑blá

18 português
extensivo

Ti‑ti‑ti‑ti Portanto, a classificação das funções da linguagem


Ti‑ti‑ti‑ti-ti depende das relações estabelecidas entre elas e os ele-
Tá tudo muito bom, bom! mentos do circuito da comunicação. Esquematicamen-
Tá tudo muito bem, bem!” (Blitz) te, temos:

5. POÉTICA – função que aparece em todas as com-


posições artísticas: cinema, teatro, pintura, poesia, li-
teratura, fotografia, música – em textos em verso ou
prosa, com o fim de obter efeito estético por intermédio
de linguagem especial: figuras, desvios de normas e
neologismos.

Exemplos:

a) Literários:

“Uma tigresa de unhas negras


e íris cor‑de‑mel
uma mulher, uma beleza
IMPORTANTE
que me aconteceu.”
(Caetano Veloso) Raramente se encontram mensagens com
apenas um dos tipos de função.
“Amor é fogo que arde sem se ver
é ferida que dói e não se sente
é um contentamento descontente...”
(Luís de Camões) LEITURA COMPLEMENTAR

b) Jornalístico:
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A coleção de aparatos eletrônicos que recheiam


os automóveis do novo milênio mostra-se, no Brasil,
insuficiente para manter os modelos usados imunes a
viroses banais e teimosas (faróis desregulados, rodas
desalinhadas, suspensão deficiente, etc.), Pior: a va-
cina, ou seja, a revisão periódica- custa caro para a
maioria dos proprietários e usuários de automóvel do
país. (Alexandre Carauta e Anderson Vieira, Trecho de
artigo publicado no caderno Carro e Moto, 23/06/2001)

6. METALINGUÍSTICA – é a função dicionarizada ou


imaginativa que visa à tradução do código. É a mensa-
gem que fala de sua própria produção discursiva. Um O que é Comunicar?
livro que vira filme, uma pintura que mostra o artista
executando a tela, uma poesia revelando o próprio ato Sem dúvida alguma, caro aluno, você já se depa-
de escrever constituem exemplos de metalinguagem. rou com alguma situação em sua vida, em que pelo
menos um dos elementos envolvidos na comunicação
Exemplos: ou mesmo na situação de comunicação apresentou
algum problema. Nessas ocasiões você se viu obriga-
a) Imaginativa: do a apelar para aquelas famosas e discretas pergun-
tinhas: Como? Desculpa, mas não entendi! Ou ainda…
“O homem é uma ilha cercada de mediocridade por Você poderia repetir?
todos os lados.”
Mas é bom ressaltarmos que nem sempre as “fa-
lhas” na comunicação são percebidas pelo interlocu-
b) Dicionarizada:
tor. Você se recorda do famoso “Telefone sem Fio”?
Pois é, os problemas não estavam apenas no teste
Uma ilha é uma porção de terra cercada de água
dos elementos da comunicação durante a brincadeira,
por todos os lados.

português 19
extensivo

mas sim na transmissão da informação ao próximo e - O emissor e o receptor têm percepções diferentes
ao próximo e ao próximo, que sempre resultava em do contexto da comunicação, ou o receptor o desco-
distorção. nhece;
E a língua? Podemos afirmar que a língua portu- - O emissor não organiza suas ideias de forma cla-
guesa no Brasil é a mesma de norte a sul? E  o piá, ra, levando ao não entendimento da mensagem por
a guria, o menino, a menina, o penal, o cacetinho, o parte do receptor;
guisado, o boi ralado, a carne moída? Mais do que isso, - O receptor não dedica suficiente atenção e con-
você já ser perguntou se a escola é de fato capaz de centração para recepção da mensagem, gerando mal-
ensinar língua portuguesa exatamente a nativos desse entendidos;
idioma? Que funções têm a língua e a linguagem na - O canal sofre interferências, impossibilitando a
leitura e produção de nossos textos? perfeita transmissão da mensagem.
Vejamos agora um bom exemplo de uma situação
Conceito de Comunicação que resultou em um ruído de comunicação:

A comunicação consiste, basicamente, em colocar O ECLIPSE DO SOL


o seu em comum com o próximo. Do latimcommunica-
re se associa à ideia de convivência, relação de grupo, O Capitão ao Primeiro Sargento.
sociedade. Sendo assim, o objetivo da comunicação é o
entendimento. Amanhã haverá eclipse do sol, o que não acontece
Lembremos: o homem é um ser essencialmente todos os dias. Mande formar a Companhia às 07h, em
político, e a comunicação só pode ser um ATO POLÍTI- uniforme de instrução. Todos poderão, assim, observar
CO, uma PRÁTICA SOCIAL BÁSICA. o fenômeno do qual darei explicações. Se chover, nada
Assim, esquematicamente podemos apontar os se- se poderá ver e os homens ficarão em formação no alo-
guintes elementos envolvidos em um processo de co- jamento, para a chamada.
municação:
O Primeiro Sargento ao Segundo Sargento.
1) Quem?

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2) Por que meio? Por ordem do Sr. Capitão, haverá eclipse do sol,
3) Diz o quê? amanhã. O Capitão dará explicações às 07h, o que não
4) A quem? acontece todos os dias. Se chover, não haverá chamada
5) Com que efeito? lá fora. O eclipse será no alojamento.

O Segundo Sargento ao Cabo.

Amanhã, às 07h, virá ao quartel um eclipse do


sol em uniforme de passeio. Se não chover, o que não
acontece todos os dias, o capitão dará, no alojamento,
as explicações.
Em síntese, podemos guardar como avaliação de
uma situação de comunicação: há comunicação cada O Cabo aos Soldados.
vez que um organismo qualquer, e particularmente um
organismo vivo, pode afetar um outro organismo, mo- Atenção: amanhã, às 07h, o capitão vai fazer um
dificando-o ou modificando sua ação a partir da trans- eclipse do sol em uniforme de passeio e dará as expli-
missão de uma informação. cações. Vocês deverão entrar formados no alojamento,
o que não acontece todos os dias. Caso chova, não ha-
Sabemos que para uma situação de comunicação verá chamada.
efetivar-se, é preciso que todos os elementos de co-
municação estejam presentes. No entanto, pode haver Entre os Soldados
situações em que um ou mais elementos sofram inter-
ferências, gerando ruídos na comunicação. O Cabo disse que amanhã o Sol, em uniforme de
Assim, podemos apontar como causas de possíveis passeio, vai fazer eclipse para o capitão, que lhe pedirá
ruídos na comunicação: explicações. A coisa é capaz de dar uma bela encrenca,
- O emissor ou o receptor não têm domínio comple- dessas que acontecem todos os dias. Deus queira que
to do vocabulário da língua utilizada; chova.

20 português
extensivo

2. (G1 - ifal 2011) Oficina irritada


EXERCÍCIOS COMENTADOS
Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.
Sendo este um jornal por excelência, e por ex-
celência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um
Quero que meu soneto, no futuro,
anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou
não desperte em ninguém nenhum
mulher que ajude uma pessoa a ficar contente por-
prazer.
que esta está tão contente que não pode ficar sozinha
com a alegria, e precisa 2reparti-la. Paga-se extraor-
E que, no seu maligno ar imaturo,
dinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.
própria alegria. É urgente, pois a alegria dessa pessoa
é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que
Esse meu verbo antipático e impuro
só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente
há de pungir, há de fazer sofrer,
antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e
tendão de Vênus sob o pedicuro.
nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa
pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois
Ninguém o lembrará: tiro no muro,
que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
que venha uma pessoa triste porque a alegria que se
claro enigma, se deixa surpreender.
dá é tão grande que se tem que a repartir antes que
se transforme em drama. Implora-se também que ve- (ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 39.ed.Rio de
nha, 1implora-se com a humildade da alegria-sem- Janeiro: Record, 1998. p. 188)

motivo. Em troca oferece-se também uma casa com


todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Com base na leitura do poema de Carlos Drum-
Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da mond e nos seus conhecimentos acerca das funções
sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede da linguagem, assinale a alternativa correta.
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desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros.


Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até a) Estão presentes as funções poética e metalinguística
mesmo divina para dar. da linguagem, uma vez que o texto chama a atenção
para o arranjo singular da mensagem e discute o có-
Clarice Lispector digo.
(http://pensador.uol.com.br/frase. Acesso dia 30/05/2012, 17h03min)
b) Estão presentes as funções fática e poética da lin-
guagem, pois, no texto, há o teste do canal e um arran-
1. (G1 - epcar (Cpcar) 2013) Quanto à classificação do jo singular da mensagem.
gênero textual e à função da linguagem predominante c) Está presente apenas a função poética, já que o tex-
no texto, pode-se dizer que se trata de uma/um to, sendo um poema, não permite a presença de outra
função da linguagem.
a) carta com função da linguagem apelativa. d) Estão presentes as funções referencial e poética,
b) anúncio com função da linguagem referencial. porque, no texto, a atenção recai tanto sobre o referen-
c) poema com função da linguagem poética. te quanto sobre a mensagem.
d) classificados com função da linguagem emotiva.
e) Estão presentes as funções poética e conativa, já que
há uma centralidade, ao mesmo tempo, na mensagem

Resposta: [D] e no receptor.

Resposta: [A]
Trata-se de um texto com a formatação de um
classificado de jornal, mas com linguagem que faz A função metalinguística caracteriza-se pela pre-
uso da função poética e emotiva, pois o eu lírico ex- ocupação com o código, ou seja, tematiza o ato de fa-
pressa também, livremente e em 1ª pessoa, os seus lar ou de escrever. O código, neste caso a linguagem,
sentimentos e emoções ( “vou pôr um anúncio em torna-se objeto de análise do próprio texto, pois Car-
negrito”, “Mas juro que há em meu rosto sério uma los Drummond de Andrade enumera neste soneto as
alegria até mesmo divina para dar”). Assim, é correta características com que elaboraria o seu poema (“Eu
a opção [D].

português 21
extensivo

quero compor um soneto duro/como poeta algum ou- Neste texto, a função da linguagem predominante é
sara escrever./ Eu quero pintar um soneto escuro,/
seco, abafado, difícil de ler”). a) emotiva, porque o texto é escrito em primeira pessoa
do plural.
3. (Enem 2010) A biosfera, que reúne todos os am- b) referencial, porque o texto trata das ciências biológi-
bientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide cas, em que elementos como o clorofórmio e o compu-
em unidades menores chamadas ecossistemas, que po- tador impulsionaram o fazer científico.
dem ser uma floresta, um deserto e até um lago. Um c) metalinguística, porque há uma analogia entre dois
ecossistema tem múltiplos mecanismos que regulam o mundos distintos: o das ciências biológicas e o da tec-
número de organismos dentro dele, controlando sua re- nologia.
produção, crescimento e migrações. d) poética, porque o autor do texto tenta convencer seu
leitor de que o clorofórmio é tão importante para as
DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras,
1995. ciências médicas quanto o computador para as exatas.
e) apelativa, porque, mesmo sem ser uma propaganda,
Predomina no texto a função da linguagem o redator está tentando convencer o leitor de que é im-
possível trabalhar sem computador, atualmente.
a) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento
em relação à ecologia. Resposta: [B]
b) fática, porque o texto testa o funcionamento do canal
de comunicação. A alternativa A é incorreta. A função emotiva está
c) poética, porque o texto chama a atenção para os re- presente no texto, cuja linguagem revela as reações
cursos de linguagem, do emissor, diante daquilo que está transmitindo e
d) conativa, porque o texto procura orientar comporta- cuja mensagem revela os sentimentos e emoções do
mentos do leitor. remetente. O excerto de Piza faz uma reflexão sobre
e) referencial, porque o texto trata de noções e infor- a importância do computador, não mostra os senti-
mações conceituais. mentos do emissor.

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Resposta: [E] A alternativa C é incorreta. O conceito de função
metalinguística está equivocado aí. Essa função exis-
O texto não apresenta subjetividade, tentativa te nos textos que falam sobre o próprio código.
de estabelecer comunicação com o receptor através
de mensagens sem conteúdo, recursos literários ou A alternativa D está incorreta. A função poética
figuras de linguagem expressivas, nem verbos no im- ocorre quando o sentido de uma mensagem é refor-
perativo ou uso de pronomes em 2ª ou 3ª pessoas, çado pelo ritmo das frases, pela sonoridade das pala-
indicativos da necessidade de convencer o leitor. Es- vras, pelo aspecto material da linguagem. Existe nos
tas considerações descartam as opções a), b), c) e textos em que o significante é tão importante quanto
d), respectivamente. Portanto, apenas a e) é correta, o significado. O fragmento não valoriza esses recur-
na medida em que o texto visa apenas à informação sos apontados.
objetiva, transmitindo impessoalidade em linguagem
denotativa. A afirmação E está errada. A função apelativa ou
conativa da linguagem é utilizada para influenciar o
4. (Enem cancelado 2009) Em uma famosa discussão receptor, mas o objetivo do emissor da mensagem
entre profissionais das ciências biológicas, em 1959, não é persuadir o receptor, é refletir sobre a impor-
C. P. Snow lançou uma frase definitiva: “Não sei como tância do computador.
era a vida antes do clorofórmio”. De modo parecido, A alternativa B está correta. A função referen-
hoje podemos dizer que não sabemos como era a vida cial está presente no texto, porque o emissor procura
antes do computador. Hoje não é mais possível visu- transmitir a informação referente às ciências biológi-
alizar um biólogo em atividade com apenas um mi- cas, em que elementos como o clorofórmio e o com-
croscópio diante de si; todos trabalham com o auxílio putador impulsionaram o fazer científico.
de computadores. Lembramo-nos, obviamente, como
era a vida sem computador pessoal. Mas não sabe- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
mos como ela seria se ele não tivesse sido inventado.

PIZA, D. Como era a vida antes do computador? OceanAir em Revista, BRINCAR COM PALAVRAS - NOS JOGOS VERBAIS,
nº 1, 2007 (adaptado). EXERCÍCIOS DE LITERATURA

22 português
extensivo

lúdico da linguagem e uma das mais arcaicas ativida-


1 Você sabe o que é um palíndromo? des humanas - a poesia. Os poetas, mais que quais-
2 É uma palavra ou mesmo uma frase que pode quer outros escritores, invadiram a Internet. Se em
ser lida de frente pra trás e de trás pra frente man- relação às coisas prosaicas se diz que a vingança vem
tendo o mesmo sentido. Por exemplo, em português: a cavalo, no caso da poesia a vingança veio a cabo,
“amor” e “Roma”; em espanhol: “Anita lava la tina”. galopando eletronicamente. Por isto que toda vez que
Ou, então, a frase latina: “Sator arepo tenet opera ro- um jovem iniciante me procura com a angústia de
tas”, que não só pode ser lida de trás pra frente, mas publicar seu livro, aconselho-o logo: “Meu filho, abra
pode ser lida na vertical, na horizontal, de baixo pra uma página sua na Internet para não mais se cons-
cima, de cima pra baixo, girando os olhos em redor tranger e se sentir constrangido diante dos editores e
deste quadrado: críticos. Estampe seu texto na Internet e deixe rolar”.

(ROMANO, Affonso de Sant’Anna. O Globo, 15/09/1999.)


SATOR
AREPO
5. (Uerj 2002) Você sabe o que é um palíndromo?
TENET
(par. 1)
OPERA Por que estou dizendo essas coisas? (par. 7)
ROTAS
Observando os parágrafos compreendidos entre
3 Essa frase latina polivalente foi criada pelo as perguntas acima, identifique:
escravo romano Loreius 200 anos antes de Cristo, e
tem dois significados: “O lavrador mantém cuidado- a) a função da linguagem predominante nesses pará-
samente a charrua nos sulcos” e/ou “o lavrador sus- grafos e justifique sua reposta:
tém cuidadosamente o mundo em sua órbita”. Osman
Lins construiu o romance “Avalovara” (1973) em tor- Resposta: Função metalinguística.
no desse palíndromo.
Uma dentre as justificativas:
4 Muita gente sabe o que é um caligrama -
aqueles textos que existiam desde a Grécia em que - Os parágrafos explicam os significados das pa-
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as letras e frases iam desenhando o objeto a que se lavras.


referiam - um vaso, um ovo, ou então, como num au- - Os parágrafos contêm definição de palavras por
tor moderno tipo Apollinaire, as frases do poema se outras palavras.
inscrevendo em forma de cavalo ou na perpendicular
imitando o feitio da chuva.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
5 Mas pouca gente sabe o que é um lipograma.

1. Assinale a alternativa em que a função apelativa da


6 Lipo significa tirar, aspirar, esconder. Portanto,
linguagem é a que prevalece:
um lipograma é um texto que sofreu a lipoaspiração
de uma letra. O autor resolve esconder essa letra por
a) Trago no meu peito um sentimento de solidão sem
razões lúdicas. Já o grego Píndaro havia escrito uma
fim... sem fim...
ode, sem a letra “s”. Os autores barrocos no século
b) “Não discuto com o destino o que pintar eu assino.”
XVII também usavam este tipo de ocultação, porque
c) Machado de Assis é um dos maiores escritores bra-
estavam envolvidos com o ocultismo, com a cabala e
sileiros.
com a numerologia.
d) Conheça você também a obra desse grande mestre.
e) Semântica é o estudo da significação das palavras.
7 Por que estou dizendo essas coisas?
2. Identifique a frase em que a função predominante
8 Culpa da Internet. da linguagem é a REFERENCIAL:

9 Esses jogos verbais que vinham sendo feitos a) Dona Casemira vivia sozinha com seu cachorrinho.
desde as cavernas agora foram potencializados com b) ¾ Vem, Dudu!
a informática. Dizia eu numa entrevista outro dia que c) ¾ Pobre Dona Casemira...
estamos vivendo um paradoxo riquíssimo: a mais d) ¾ O que ... O que foi que você disse?
avançada tecnologia eletrônica está resgatando o uso e) Um cachorro falando?

português 23
extensivo

3. Capítulo LX / Manhã de 15 O que é transmitido à maioria da humanidade é,


de fato, uma informação manipulada que, em lugar de
Quando lhe acontecia o que ficou contado, era esclarecer, confunde. (Milton Santos, Por uma outra
costume de Aires sair cedo, a espairecer. Nem sempre globalização)
acertava. Desta vez foi ao passeio público. Chegou às
sete horas e meia, entrou, subiu ao terraço e olhou para No contexto em que ocorrem, estão em relação de
o mar. O mar estava crespo. Aires começou a passear oposição os segmentos transcritos em:
ao longo do terraço, ouvindo as ondas, e chegando-se
à borda, de quando em quando, para vê-las bater e a) novas condições técnicas/ técnicas da informação.
recuar. Gostava delas assim; achava-lhes uma espécie b) punhados de atores/ objetivos particulares.
de alma forte, que as movia para meter medo à terra. A c) ampliação do conhecimento/ informação manipulada.
água, enroscando-se em si mesma, dava-lhe uma sen- d) apropriadas por alguns Estados/ criação de desigual-
sação, mais que de vida, de pessoa também, a que não dades.
faltavam nervos nem músculos, nem a voz que bradava e) atual período histórico/ periferia do sistema capita-
as suas cóleras. lista.
(Assis, Machado de. Esaú e Jacó – fragmento)
6. Quando uma linguagem trata de si própria – por
No primeiro parágrafo é estabelecida uma relação exemplo um filme falando sobre os processos de filma-
entre MAR e POVO que visa a um efeito de sentido. Que gem, um poema desvendando o ato de criação poética,
recursos de linguagem constroem essa associação? um romance questionando o ato de narrar – temos a
metalinguagem.
4. Identifique as funções de linguagem:
Esta forma de linguagem predomina em todos os
a) “Lambetelho frúturo orgasmaravalha-se logum fragmentos, exceto:
homenina nel paraís de felicidadania:
outras palavras.” (Caetano Veloso) a) “Amo-te como um bicho simplesmente
de um amor sem mistério e sem virtude
b) Mico Branco com um desejo maciço e permanente.” (Vinicius
. A turma do Casseta & Planeta está em Vale Ne- de Morais)

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vado no Chile.
. Grava um programa sobre as desventuras dos tu- b) “Proponho-me a que não seja complexo o que es-
ristas brasileiros que saem daqui para esquiar e, sem creverei, embora obrigada a usar as palavras que vos
sabê-lo, passam as férias aos trambolhões. (O Globo) sustentam.”
(Clarice Lispector)
c) “Eu levo a sério, mas você disfarça;
insiste em zero a zero e eu quero um a um...” c) “Não narro mais pelo prazer de saber. Narro pelo gos-
(Djavan) to de narrar, sopro palavras e mais palavras, componho
frases e mais frases.” (Silviano Santiago)
d) “Compre Batom!”
d) “Agarro o azul do poema pelo fio mais delgado de lã
5. Um dos traços marcantes do atual período histórico
de seu discurso e vou traçando as linhas do relâmpago
é (...) o papel verdadeiramente despótico da informa-
no vidro opaco da janela.” (Gilberto Mendonça Teles)
ção. (...) As novas condições técnicas deveriam per-
mitir a ampliação do conhecimento do planeta, dos
e) Que é Poesia? Uma ilha cercada de palavras por to-
objetos que o formam, das sociedades que o habitam
dos os lados.” (Cassiano Ricardo)
e dos homens em sua realidade intrínseca. Todavia,
nas condições atuais, as técnicas da informação são
“O estoicismo fundado por Zenão de Cipre (336 –
principalmente utilizadas por um punhado de atores
264), teve também Atenas como centro irradiador.
em função de seus objetivos particulares. Essas téc-
Partiu da oposição matéria-forma feita por Aristó-
nicas da informação (por enquanto) são apropriadas
teles. Radicalmente materialista, interpretou a forma
por alguns Estados e por algumas empresas, apro-
como matéria ativa e declarou o seu oposto matéria
fundando assim os processos de criação de desigual-
passiva. Não há entre os seres diferenças de natureza,
dades. É desse modo que a periferia do sistema capi-
talista acaba se tornando ainda mais periférica, seja apenas de grau. Desde a pedra até o homem, passando
porque não dispõe totalmente dos novos meios de pelas plantas e os animais, a matéria passiva e a ativa
produção, seja porque lhe escapa a possibilidade de distribuem-se em proporção ínfima nos seres brutos. A
controle. razão é, portanto, a centelha divina em nós.

24 português
extensivo

Desde que o universo é governado pela razão e não Sem voz


está entregue ao acaso como pensavam os epicureus, Passivo
todos os atos, até os mais insignificantes, estão rigo- Já meio pretérito
rosamente determinados. A liberdade estoica consiste Vendedor de artigos indefinidos
em submeter-se voluntariamente às imperativas leis Procura por subordinada
que agem no todo, já que a resistência determina a Que possua alguns adjetivos
execução involuntária dos atos previstos pelo mesmo Nem precisam ser superlativos
determinismo imanente. A ética consiste na leitura e na Desde que não venha precedida
correta observação da ordem universal. De relativos e transitivos
O estoicismo deixou marcas no direito romano. Le- Para um encontro vocálico
vou os legisladores a subordinar as leis do estado às Com vistas a uma conjugação mais que
leis da natureza, melhorou a situação da mulher e dos Perfeita
escravos, visto que os estoicos criam na igualdade de E possível caso genitivo.
todos os homens.” (Paulo César de Souza)

(SCHÜLER, Donald, Literatura Grega.) Texto B


“Sou divorciado – 56 anos, desejo conhecer uma
7. No texto predomina a linguagem com função: mulher desimpedida, que viva só, que precise de al-
guém muito sério para juntos sermos felizes. 800-0031
a) emotiva; (discretamente falar c/ Astrogildo)”
b) referencial;
c) fática; Os textos A e B, apesar de se estruturarem sob
d) conativa; perspectivas funcionais diferentes, exploram temáticas
e) metalinguística.
semelhantes. Assinale a incorreta:

8. Segundo o linguista Roman Jakobson, ‘dificilmente


a) no texto A, o autor usa de metalinguagem para ca-
lograríamos (...) encontrar mensagens verbais que pre-
racterizar o sujeito e o objeto de sua procura, ao passo
enchessem uma única função... A estrutura verbal de
que no texto B, o locutor emprega uma linguagem com
uma mensagem depende basicamente da função pre-
predominância da função referencial.
dominante’.
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b) a expressão ‘meio pretérito’, do texto A, fica expli-



citada cronologicamente na linguagem referencial do
“Meu canto de morte,
texto B.
Guerreiros, ouvi:
c) a expressão ‘Desde que não venha precedida de re-
Sou filho das selvas
lativos e transitivos’, no texto A, tem seu correlato em
Nas selvas cresci:
‘mulher desimpedida que vive só’, do texto B.

d) comparando os dois textos, pode-se afirmar que am-
Guerreiros, descendo
bos expressam a mesma visão idealizada e poética do
Da tribo tupi.
amor.
Da tribo pujante,
e) no texto A, as palavras extraídas de seu contexto de
Que agora anda errante
origem (categorias gramaticais e funções sintáticas) e
Por fado inconstante,
ajustadas a um novo contexto criam uma duplicidade
Guerreiro, nasci:
de sentido, produzindo efeitos, ao mesmo tempo lúdi-
Sou bravo, sou forte, cos e poéticos.
Sou filho do Norte
Meu canto de morte, 10.
Guerreiros, ouvi.” Irmão das coisas fugidias,
(Gonçalves Dias) não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
Indique a função predominante no fragmento aci- no vento.
ma transcrito, justificando a indicação: (Cecília Meireles, OBRA POÉTICA)

9. Texto A Assinale a alternativa INCORRETA sobre a estrofe


anterior.
Pausa poética
a) Vento é um termo metafórico, sem correspondente
Sujeito sem predicados expresso e pode ter várias interpretações.
Abjeto b) O verso 2 expressa uma antítese.

português 25
extensivo

c) O interlocutor tem o papel de depositário de uma


confidência lírica.
d) Os versos 1 e 3 confluem na rima e no significado
dinâmico de tudo que passa.
e) A apóstrofe expressa no verso 4 confirma o vazio
emocional, já anunciado no verso 2.

GABARITO

01. D

02. A

03. processo da personificação (dar vida a ser inani-


mado)

04.
a) poética
b) referencial
c) emotiva
d) conativa

05. C

06. A

07. B

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08. emotiva – uso da 1ª pessoa

09. D

10. E

26 português
Português
Física Módulo 1

CAPÍTULO 3 - INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE TEXTUAL

3. Para compreender bem é necessário que


o leitor:

- conheça os recursos linguísticos.Por exemplo,


a regência verbal não compreendida pelo leitor pode
levá-lo ao erro. Veja: Assisti o doente é diferente de
assisti ao doente. No primeiro caso, a pessoa ajuda ao
doente; no segundo, ela vê o doente.
- perceba as referências geográficas, mitológicas,
lendárias, econômicas, religiosas, políticas e históricas
para que faça as possíveis associações.
- esclareça as suas dúvidas de léxico.
- esteja familiarizado com as circunstâncias histó-
Interpretação Textual é a “disciplina” (ramo ricas em que o texto foi escrito. Por exemplo, para en-
de conhecimento, matéria de ensino) que “pretende” tender que, no poema Canção do Exílio, de Gonçalves
explicar, de forma detalhada o texto, ou seja, estudar Dias, o advérbio aqui e lá é, respectivamente, Portugal
tudo que está escrito na “linha” (aquilo que o texto e Brasil, você tem que saber onde o poeta escreveu seu
literalmente diz - tudo que está explícito) e na “en- poema naquela época.
trelinha” (espaço entre duas linhas), ou seja, tudo - observe se há no texto intertextualidade por meio
que está implícito, e que, muitas vezes, não foi dito da paráfrase, paródia ou citação.
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por questões políticas, morais, ideológicas, sociais ou


religiosas. 4. Afinal, o que é interpretar?

Veja as diferenças entre analisar, Compreen- - Interpretar é concluir, deduzir a partir dos dados
der e Interpretar coletados.

1. O que se pretende com a análise textual?


5. Existe interpretação crítica?

- identificar o gênero; a tipologia e as funções de


- Sim, a interpretação crítica consiste em concluir
linguagem;
os dados e, em seguida, julgar, opinar a respeito das
- identificar as modalidades da língua; os tipos de
conclusões.
linguagem; o grau de formalidade e as figuras de lin-
guagem;
OBS: é muito importante tomarmos cuidado
- verificar o significado das palavras;
com os significados de alguns verbos presentes
- contextualizar a obra no espaço e tempo;
nos enunciados de provas. Veja os principais:
- esclarecer fatos históricos pertinentes ao texto;
- conhecer dados biográficos do autor;
Afirmar: certificar, comprovar, declarar.
- relacionar o título ao texto;
- levantar o problema abordado;
Explicar: expor, justificar, expressar, significar.
- apreender a ideia central e as secundárias do
texto;
- buscar a intenção do texto; Caracterizar: distinguir, destacar o caráter, as
- verificar a coesão e coerência textual; particularidades.
- reconhecer se há intertextualidade.
Consistir: ser, equivaler, traduzir-se por (determi-
nada coisa), ser feito, formado ou composto de.
2. Qual o objetivo da análise?

Associar: estabelecer uma correspondência entre


- levantar elementos para a compreensão e, poste-
duas coisas, unir-se, agregar.
riormente, fazer julgamento crítico.

português 27
extensivo

Comparar: relacionar (coisas animadas ou inani- Aludir: fazer rápida menção a; referir-se.
madas, concretas ou abstratas, da mesma natureza ou
(Fonte: dicionário Houaiss)
que apresentem similitudes) para procurar as relações
de semelhança ou de disparidade que entre elas exis-
tam; aproximar dois ou mais itens de espécie ou de
natureza diferente, mostrando entre eles um ponto de NOÇÃO DE TEXTO
analogia ou semelhança.

Você provavelmente está acostumado a ver


Justificar: provar, demonstrar, argumentar, ex-
a palavra texto. Mas sabe qual o seu conceito?
plicar.
Para entendê-lo, pense nas duas seguintes situ-
ações:
Relacionar: fazer comparação, conexão, ligação,
adquirir relações.
1) Você foi visitar um amigo que está hospitaliza-
Definir: revelar, estabelecer limites, indicar a sig- do e, pelos corredores, você vê placas com a palavra
nificação precisa de, retratar, conceituar, explicar o sig- “Silêncio”.
nificado.
2) Você está andando por uma rua, a pé, e vê
Diferenciar: fazer ou estabelecer distinção entre, um pedaço de papel, jogado no chão, onde está escrito
reconhecer as diferenças. “Ouro”.

Classificar: distribuir em classes e nos respectivos Em qual das situações uma única palavra pode
grupos, de acordo com um sistema ou método de clas- constituir um texto?
sificação; determinar a classe, ordem, família, gênero
e espécie; pôr em determinada ordem, arrumar (cole- Na situação 1, a palavra “Silêncio” está dentro de
ções, documentos etc.). um contexto significativo por meio do qual as pessoas
interagem: você, como leitor das placas, e os adminis-
Identificar: distinguir os traços característicos de; tradores do hospital, que têm a intenção de comunicar

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reconhecer; permitir a identificação, tornar conhecido. a necessidade de haver silêncio naquele ambiente. As-
sim, a palavra “Silêncio” é um texto.
Referir-se: fazer menção, reportar-se, aludir-se.
Na situação 2, a palavra “Ouro” não é um texto. É
Determinar: precisar, indicar (algo) a partir de apenas um pedaço de papel encontrado na rua por al-
uma análise, de uma medida, de uma avaliação; definir. guém. A palavra “Ouro”, na circunstância em que está,
quer dizer o quê? Não há como saber.
Citar: transcrever, referir ou mencionar como au-
toridade ou exemplo ou em apoio do que se afirma.
Mas e se a palavra “Ouro” estiver escrita em um
cartaz pendurado nas costas de um daqueles homens
Indicar: fazer com que, por meio de gestos, sinais,
que ficam nas esquinas do centro das cidades grandes
símbolos, algo ou alguém seja visto; assinalar, desig-
que anunciam a compra de ouro? Aí sim, nessa situa-
nar, mostrar.
ção, a palavra “Ouro” constitui um texto, porque se en-
contra num contexto significativo em que alguém quer
Deduzir: concluir (algo) pelo raciocínio; inferir.
dizer algo para outra pessoa (no caso, vender/comprar
ouro) e, então anuncia isso.
Inferir-se: concluir, deduzir.

Texto é, então, uma sequência verbal (pala-


Equivaler: ser idêntico no peso, na força, no valor
vras), oral ou escrita, que forma um todo que tem
etc.
sentido para um determinado grupo de pessoas
Propor: submeter (algo) à apreciação (de al- em uma determinada situação.
guém); oferecer como opção; apresentar, sugerir.
O texto pode ter uma extensão variável: uma
Depreender: alcançar clareza intelectual a respei- palavra, uma frase ou um conjunto maior de enun-
to de; entender, perceber, compreender; tirar por con- ciados, mas ele obrigatoriamente necessita de um
clusão, chegar à conclusão de; inferir, deduzir. contexto significativo para existir.

28 português
extensivo

Constituindo sentidos Vamos pensar mais sobre isso... Em “Circuito fe-


chado” há, quase que exclusivamente, substantivos
Agora, leia o texto a seguir de modo a aprofundar (nomes de entidades cognitivas e/ou culturais, como
ainda mais o conceito de “texto”. “homem”, “livro”, “inteligência” ou palavras que desig-
nam ou nomeiam os seres e as coisas).
Circuito Fechado
Verifique que pela escolha dos substantivos e pela
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. sequência em que são usados, o leitor pode ir desco-
Escova, creme dental, água, espuma, creme de bar- brindo um significado implícito, um elemento que as
bear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, une e relaciona, formando o texto.
água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo;
pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sa- Podemos dizer que este texto se refere a um dia
patos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documen- na vida de um homem comum. Quais palavras e que
tos, caneta, chaves, lenço, relógio, maços de cigar- sequência nos indicam isso?
ros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara
e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Note que no início do texto, há substantivos rela-
Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadei- cionados a hábitos rotineiros, como levantar, ir ao ba-
ra, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, nheiro, lavar o rosto, escovar dentes, fazer barba (para
canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de os homens), tomar banho, vestir-se e tomar café da
entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, manhã.
cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e
fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, va- “Chinelos, vaso, descarga. Pia. Sabonete. Água.
les, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Escova, creme dental, água, espuma, creme de bar-
Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços bear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete,
de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo,
caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, ci- pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sa-
garro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, patos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos,
pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pra- caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa
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tos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de de fósforos.”


cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta,
água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo Já no final do texto, há o voltar para casa, comer,
de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, ler livro, ver televisão, fumar, tirar a roupa, tomar ba-
papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, pa- nho/escovar dentes, colocar pijama e dormir.
pel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone,
caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jor- “Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó,
nal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadei-
cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, ras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, ci-
copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talhe- garro e fósforos. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Tele-
res, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. visor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa,
Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltro- sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água.
na. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.”
meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos.
Coberta, cama, travesseiro. Descobrimos que a personagem é um homem tam-
bém pela escolha dos substantivos. Parece que sua pro-
(Ricardo Ramos)
fissão pode estar relacionada à publicidade.

Você considera que em “Circuito fechado” há “Creme de barbear, pincel, espuma, gilete [...] cue-
apenas uma série de palavras soltas? Ou se trata ca, camisa, abotoadura, calça, meia, sapatos, gravata,
de um texto? Por quê? paletó [...] Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis,
telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de
Na verdade, trata-se de um texto. Apesar de haver notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída
palavras, aparentemente, sem relação, numa primeira [...] Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales,
leitura, é possível dizer, depois de outra leitura mais cheques, memorandos, bilhetes [...] Mesa, cavalete,
atenta, que há uma articulação entre elas. cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro,

português 29
extensivo

fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xí- HABILIDADE E COMPETÊNCIAS TEXTUAIS
cara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz,
papel.” Interpretar um texto não é simplesmente saber
o que se passa na cabeça do autor quando ele escreve
Também ficamos sabendo que na casa da perso- seu texto. É, antes, inferir. Se eu disser: “Levei minha
nagem há quadros, pois o narrador usa a palavra duas filha caçula ao parque.”, pode-se inferir que tenho mais
vezes: no momento do café e na volta para casa. No de uma filha. Ou seja, inferir é retirar informações im-
escritório há “Relógio”. Escolha intencional do autor, tal- plícitas e explícitas do texto. E será com essas informa-
vez para relacionar relógio e trabalho, trabalho e rotina. ções que o candidato irá resolver as questões de inter-
pretação na prova.
Depreendemos que o homem é um grande fuman-
te, basicamente, pelo número de vezes em que o nar- Há de se tomar cuidado, entretanto, com o que
rador fala desse hábito, em vários momentos do dia chamamos de “conhecimento de mundo”, que nada
da personagem: 14 vezes. Além disso, é interessante mais é do que aquilo que todos carregamos conosco,
notar como há sempre a referência à dupla “cigarro e fruto do que aprendemos na escola, com os amigos,
fósforo”. vendo televisão, enfim, vivendo. Isso porque muitas
vezes uma questão leva o candidato a responder não
A palavra que explicita o início da ação do homem, o que está no texto, mas exatamente aquilo em que
ou da atuação da personagem, num dia de sua rotina é ele acredita.
“chinelos”, usada no início do texto para mostrar o mo-
mento do acordar/levantar e depois a hora de dormir. Vamos a um exemplo.

Há também uma marcação de mudança de espaço, É mundialmente reconhecida a qualidade do cham-


por meio dos termos “carro”, usado como que mostran- panhe francês. Imaginemos, então, que em um texto
do o horário de sair de manhã e a volta para casa, à o autor trate do assunto “bebidas finas” e escreva que
noite. No meio do texto há também o uso de um “táxi”, na região de Champagne, na França, é produzido um
provavelmente uma saída do trabalho: um almoço? Um champanhe muito conhecido. Mais tarde, em uma ques-
jantar? Uma visita a um cliente? tão, a banca pergunta qual foi a abordagem do texto

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em relação ao tema e coloca, em uma das alternativas,
Enfim, “Circuito fechado” é uma crônica - um texto que o autor afirma que o melhor champanhe vendido
narrativo curto, cujo tema é o cotidiano e que leva o no mundo é o da região de Champagne, na França. Se
leitor a refletir sobre a vida. Usando somente substan- você for um candidato afoito, vai marcar essa alterna-
tivos, o autor produziu um texto que termina onde co- tiva como correta, certo?, sem parar para pensar que o
meçou. Essa estrutura circular tem relação com o título autor não havia feito tal afirmação e que, na verdade,
(“Circuito fechado”) e com os dias atuais? Sem dúvida o que ele assegurou foi que há um champanhe que é
nenhuma, podemos compreender suas relações, não é muito conhecido e que é produzido na França. O fato de
mesmo? O cotidiano repete-se, fecha-se em si mesmo possivelmente ser o melhor do mundo é uma informa-
a cada dia. Rotinas... ção que você adquiriu em jornais, revistas etc. Enten-
deu a diferença?
LEITURA COMPLEMENTAR
Propositadamente, a banca utiliza trechos inteiros
idênticos ao texto só para confundir o candidato, e ao
final, coloca uma afirmação falsa. Cuidado com isso!

Contudo, não basta retirar informações de um texto


para responder corretamente as questões. É necessário
saber de onde tirá-las. Para tanto, temos que ter co-
nhecimento da estrutura textual e por quais processos
se passa um texto até seu formato final de dissertação,
narração ou descrição.

Como o tipo mais cobrado em provas é a disserta-


ção, vamos entender como ela se estrutura e em que
ela se baseia.

30 português
extensivo

Quando dissertamos, diz-se que estamos argumen- com que ele seja um aliado na conquista de uma vaga
tando. Mas argumentando o quê? A respeito de quê? na faculdade não é mesmo!?

Para formular os argumentos, antes necessitamos MAIS ALGUMAS DICAS


de uma tese, algo que vamos afirmar e defender, a res-
peito de um determinado assunto. É comum os alunos afirmarem, gratuitamente, que
a interpretação depende de cada um. Na realidade isso
Então, por exemplo, se o assunto é “Aquecimen- é para fugir a um problema que não é de difícil solução
to global” é imperativo apresentar uma tese baseada por meio de sofisma (=argumento aparentemente váli-
nele. Pode-se escrever “O aquecimento global tem sido do, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má
motivo de preocupação por parte dos cientistas”, ou “A
fé por parte de quem o apresenta).
população deve preocupar-se com o superaquecimento
do planeta” etc. O importante é que na tese esteja claro
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos
aquilo que deverá ser sustentado por meio de argu-
numa interpretação de texto. Para isso, devemos ob-
mentos.
servar o seguinte:

O próximo passo é estabelecer quais argumentos


01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral
poderão ser utilizados para tornar a afirmação feita na
do assunto;
tese cada vez mais sólida.

Apresentados os argumentos, basta concluir a dis- 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não inter-
sertação. rompa a leitura, vá até o fim, ininterruptamente;

Tudo o que aqui foi exposto é apenas ilustrativo 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o
para que se tenha ideia de como um texto é estruturado texto pelo monos umas três vezes ou mais;
e, a partir daí, estudar o texto apresentado e procurar
no lugar certo a resposta para cada questão. 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entre-
linhas;
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Vejamos:
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
Normalmente, a tese é explicitada na primeira fra-
se do primeiro parágrafo, coincidindo com o que cha- 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as
mamos de “tópico frasal”, aquela sentença que usamos do autor;
para chamar a atenção em um texto e apresentá-lo de
forma clara. Mas ela pode aparecer também na última 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes)
frase do primeiro parágrafo. para melhor compreensão;

Disso decorre que sempre que precisar encontrar 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo,
a tese do texto para responder a questões sobre o que
parte) do texto correspondente;
o autor pensa, por exemplo, deve-se procurá-la no pri-
meiro parágrafo.
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de
cada questão;
Todavia, se a banca quiser saber em que o autor se
fundamentou para fazer tal afirmação, basta procurar a
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de
resposta nos parágrafos em que forem apresentados os
...), não, correta, incorreta, certa, errada, falsa, ver-
argumentos.
dadeira, exceto, e outras; palavras que aparecem nas
perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o
Por exemplo: em uma prova recente da UFMG, foi
perguntado aos candidatos o que revelava a argumen- que se perguntou e o que se pediu;
tação do autor. Dentre as alternativas apresentadas,
bastava saber qual era fundamentalmente um argu- 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas,
mento utilizado pelo autor e o que ele demonstrava. procurar a mais exata ou a mais completa;

É, portanto, muito importante conhecer a estrutura 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um
de um texto para saber trabalhá-lo de forma a fazer fundamento de lógica objetiva;

português 31
extensivo

13. Cuidado com as questões voltadas para dados su- a) hipérbole


perficiais; b) eufemismo
c) prosopopeia
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro da- d) metonímia
quela resposta, mas a opção que melhor se enquadre e) antítese
no sentido do texto;
Resposta:
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das pala-
vras denuncia a resposta; O gabarito é a letra d. Temos aqui um tipo de me-
tonímia. Há uma troca: ser um bom garfo / comer bem.
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões ex- Há muitas questões hoje em dia envolvendo as figuras
postas pelo autor, definindo o tema e a mensagem; de linguagem. Estude bem o segundo capítulo, onde
elas aparecem. Note que este tipo de metonímia não
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las; é fácil, porém, conhecendo bem as outras figuras, dá
para fazer por eliminação.
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do su-
jeito são importantíssimos na interpretação do texto. 2. Deduz-se do texto que Salustiano:

Ex.: Ele morreu de fome. a) come pouco.


de fome: adjunto adverbial de causa, determina a b) é uma pessoa educada.
causa na realização do fato (= morte de “ele”). c) não ficou satisfeito com o jantar.
d) é um grande amigo da dona da casa.
Ex.: Ele morreu faminto. e) decidiu que não mais comeria naquela casa.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que
“ele” se encontrava quando morreu.; Resposta:

19. As orações coordenadas não têm oração principal, A resposta é a letra c. A letra a é eliminada, pois ser
apenas as ideias estão coordenadas entre si;

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um bom garfo é comer muito. A letra b é errada, pois,
se ele fosse realmente educado, não teria dado aquela
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a resposta no final do texto, evidenciando a sua insatis-
ele maior clareza de expressão, aumentando-lhe ou fação. Nada no texto sugere que ele seja um grande
determinando-lhe o significado. amigo da dona da casa, o que descarta a alternativa d.
A opção e pode ser desconsiderada, uma vez que, em-
Nota: Diante do que foi dito, espero que você mude bora insatisfeito, ele não diz que jamais comerá naquela
o modo de pensar, pois a interpretação não depende de casa; aliás, chega mesmo a aceitar o novo convite. O
cada um, mas, sim, do que está escrito. “O que está gabarito só pode ser a letra c, pois ele era um bom gar-
escrito, escrito está.” fo e a comida era pouca, o que o levou a querer repeti-
la, aceitando o convite.

EXERCÍCIOS COMENTADOS 3. O adjetivo que não substitui sem alteração de senti-


do a palavra “abundante” é:
Texto I
a) copiosa
Salustiano era um bom garfo. Mas o jantar que lhe b) frugal
haviam oferecido nada teve de abundante.
c) opípara

- Quando voltará a jantar conosco? - perguntou-lhe d) lauta


a dona da casa. e) abundosa

- Agora mesmo, se quiser. Resposta:

(Barão de Itararé, in Máximas e Mínimas do Barão de Itararé)


Questão de sinonímia. A palavra frugal é o oposto
de abundante. As outras quatro são sinônimas de abun-
1. A figura de linguagem presente no primeiro período
dante. Daí o gabarito ser a letra b.
do texto é:

32 português
extensivo

Texto II d) A oração “Aqui está chovendo sem parar” poderia


ligar-se à anterior, sem alteração de sentido, pela con-
A mulher foi passear na capital. Dias depois o ma- junção conquanto.
rido dela recebeu um telegrama: e) O advérbio aqui, em seus dois empregos, não possui
“Envie quinhentos cruzeiros. Preciso comprar uma os mesmos referentes.
capa de chuva. Aqui está chovendo sem parar”.
E ele respondeu: Gabarito: letra d. As duas primeiras alternativas
“Regresse. Aqui chove mais barato”. são evidentes, dispensam comentários. A letra c está
(Ziraldo, in As Anedotas do Pasquim) perfeita, pois se trata de uma capa para chuva, ou seja,
com a finalidade de proteger a pessoa da chuva. A úl-
4. A resposta do homem se deu por razões: tima alternativa também está correta, pois o primeiro
“aqui” refere-se à “capital”, onde ela está passeando,
a) econômicas e o segundo à cidade do interior, onde se encontra o
b) sentimentais marido. A resposta só pode ser a letra d porque o rela-
c) lúdicas cionamento entre as duas orações é de causa e efeito,
d) de segurança pedindo conjunções como pois, porque, porquanto etc.
e) de machismo Conquanto significa embora, tem valor concessivo, de
oposição. Além disso, seu emprego acarretaria erro de
Resposta: flexão verbal, pois o verbo deveria estar no subjuntivo
Letra a. Ao pedir à mulher que regresse logo, ele (esteja), o que não ocorre no texto original.
pensava que não precisaria comprar uma capa de chuva
porque eles já possuem uma, ou que gastaria menos, Texto III
já que em sua cidade a capa é mais barata. O risco da
questão é a presença do adjetivo lúdicas, menos conhe- “Uma nação já não é bárbara quando tem historia-
cido. É necessário melhorar o vocabulário. Lúdicas quer dores.”
dizer “relativas a jogos, brinquedos, divertimentos”.
(Marquês de Maricá, in Máximas)
5. Com relação à tipologia textual, pode-se afirmar que:
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7. O texto é:
a) se trata de uma dissertação.
b) se trata de uma descrição com alguns traços narra- a) uma apologia à barbárie
tivos. b) um tributo ao desenvolvimento das nações
c) o autor preferiu o discurso direto. c) uma valorização dos historiadores
d) o segundo período é exemplo de discurso indireto d) uma reprovação da selvageria
livre. e) um canto de louvor à liberdade
e) não se detecta a presença de personagens.

Resposta:
Resposta:
O gabarito é a letra c. A opção a é absurda por si
A resposta só pode ser a letra c. As duas primeiras
mesma. A letra b não cabe, pois o texto não fala de ho-
estão eliminadas, pois o texto é narrativo. Tanto a fala
menagem à nação. Não pode ser a letra d, porque nada
da mulher quanto a do marido são integrais, ou seja,
no texto reprova a barbárie (o leitor precisa ater-se ao
exemplificam o que se conhece como discurso direto. O
texto). A última opção é totalmente sem propósito. Na
autor não usou o travessão, mais comum, preferindo as
realidade, o autor valoriza os historiadores, uma vez
aspas. A letra d não tem cabimento, para quem conhe-
que é a sua presença que garante estar a nação livre
ce o discurso indireto livre. Não poderia ser a opção e,
da barbárie.
uma vez que o homem e a mulher são as personagens
do texto.
8. Só não constitui paráfrase do texto:

6. Com relação aos elementos conectores do texto, não


se pode dizer que: a) Um país já não é bárbaro, desde que nele existem
historiadores.
a) “dela” tem como referente mulher. b) Quando tem historiadores, uma nação já é civilizada.
b) o referente do pronome “ele” é marido. c) Uma nação deixa de ser bárbara quando há nela his-
c) a preposição “de” tem valor semântico de finalidade. toriadores.

português 33
extensivo

d) Quando possui historiadores, uma nação não mais


pode ser considerada bárbara. EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
e) Desde que tenha historiadores, uma nação já não é
mais bárbara. 1. (Ifsp 2011) Considere as afirmações sobre a tirinha.

Resposta:
Letra e. O que responde à questão é o valor dos
conectivos. A palavra quando introduz uma oração tem-
poral. O mesmo ocorre com o desde que da letra a.
(observe que o verbo se encontra no modo indicativo:
existem.) Na letra e, a conjunção desde que (o verbo
da oração está no subjuntivo: tenha) inicia oração com
valor de condição, havendo, pois, alteração de sentido.

9- A breve tira abaixo fornece um bom exemplo de


como o contexto pode afetar a interpretação e até mes-
mo a análise gramatical de uma sequência linguística.

TF1-2011 - REPRODUÇÃO PROIBIDA: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de fevereiro de 1998 - www.gaussprevestibular.com.br
Fonte. “O Estado de S. Paulo”, 24/09/2000.

a) Supondo que a fala da moça fosse lida fora do con-


texto dessa tira, como você a entenderia?

b) Se a fala da moça fosse considerada uma continua-


ção da fala do rapaz, poderia ser entendida como uma I. Parte do humor presente na tirinha decorre da inver-
única palavra, de derivação não prevista na língua por- são dos papéis sociais, pois o pai é que deveria estar
tuguesa. Que palavra seria e o que significaria? ajudando o filho com as tarefas escolares.
II. A artista se utilizou da figura de linguagem antítese,
c) As duas leituras possíveis para a fala da moça não pois as personagens são seres não humanos aos quais
estão em contradição; ao contrário, reforçam-se. O que ela atribuiu reações próprias de humanos.
significará essa fala, se fizermos simultaneamente as III. Obedecendo às regras da língua culta, o filho de-
duas leituras? veria dizer: ... ou você precisa ainda que eu o ajude a
fazer minha lição de casa?
Resposta:
É correto o que se afirma em
a) Fica a ideia de que os homens mentem.
b) A palavra seria “homemmente” e significaria “a ma-
a) I, apenas.
neira dos homens”.
b) II, apenas.
c) Entende-se que é típico dos homens o ato de mentir,
c) I e III, apenas.
reforçando com o advérbio “-mente”, implica mentir o
d) II e III, apenas.
tempo todo.
e) I, II e III.

34 português
extensivo

2. (Enem 2011) tomado pela fila dos 1mastodônticos veículos. Uma dá-
diva: eu não estava de carro. Com as pernas livres dos
TEXTO I pedais do automóvel e um sapato baixo, nada como
viver a liberdade de andar a pé. Carro já foi sinônimo de
O Brasil sempre deu respostas rápidas através da liberdade, mas não contava com o congestionamento.
solidariedade do seu povo. Mas a mesma força que nos Liberdade de verdade é trafegar entre os carros, e
motiva a ajudar o próximo deveria também nos motivar mesmo sem apostar corrida, observar que o automó-
a ter atitudes cidadãs. Não podemos mais transferir a vel na rua anda à mesma velocidade média que você
culpa pra quem é vítima ou até mesmo para a pró- na calçada. É quase como 2flanar. Sei, como motorista,
pria natureza, como se essa seguisse a lógica humana. 12que o mais irritante do trânsito é quando o pedestre

Sobram desculpas esfarrapadas e falta competência da naturalmente te ultrapassa. Enquanto você, no carro,
classe política. gasta dinheiro para encher o ar de poluentes, esquen-
tar o planeta e chegar atrasado às reuniões. E ainda há
Cartas. Isto é. 28 abr. 2010.
quem pegue congestionamento para andar de esteira
na academia de ginástica.
TEXTO II
Do Itaim ao Jardim Paulista, meia horinha de cami-
nhada. Deu para ver que a Avenida Nove de Julho está
Não podemos negar ao povo sofrido todas as hi-
cheia de mudas crescidas de pau-brasil. E mais uma
póteses de previsão dos desastres. Demagogos culpam 3porção de cenas 13que só andando a pé se pode obser-
os moradores; o governo e a prefeitura apelam para as
var. Até chegar ao compromisso pontualmente.
pessoas saírem das áreas de risco e agora dizem que
Claro 14que há pedras no meio do caminho dos
será compulsória a realocação. Então temos a realocar
pedestres, e muitas. 7Já foram inclusive objeto de te-
o Brasil inteiro! Criemos um serviço, similar ao SUS,
ses acadêmicas. Uma delas, Andar a pé: um modo de
com alocação obrigatória de recursos orçamentários
transporte para a cidade de São Paulo, de Maria Ermeli-
com rede de atendimento preventivo, onde participa-
na Brosch Malatesta, sustenta que, 8apesar de ser a sa-
riam arquitetos, engenheiros, geólogos. Bem ou mal,
ída mais utilizada pela população nas atuais condições
esse SUS” organizaria brigadas nos locais. Nos casos da
de esgotamento dos sistemas de mobilidade, o modo
dengue, por exemplo, poderia verificar as condições de
de transporte a pé é tratado de forma inadequada pelos
acontecer epidemias. Seriam boas ações preventivas.
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responsáveis por administrar e planejar o município.


As maiores reclamações de quem usa o mais sim-
Cartas do leitor. Carta Capital. 28 abr. 2010 (adaptado).
ples e barato meio de locomoção são os
“obstáculos” que aparecem pelo caminho: bancas
Os textos apresentados expressam opiniões de lei-
de camelôs, bancas de jornal, lixeira, postes. Além das
tores acerca de relevante assunto para a sociedade bra-
calçadas estreitas, com buracos, degraus, desníveis. E
sileira. Os autores dos dois textos apontam para a
o estacionamento de veículos nas calçadas, mais a en-
trada e a saída em guias rebaixadas, aponta o estudo.
a) necessidade de trabalho voluntário contínuo para a
Sem falar nas estatísticas: atropelamentos corres-
resolução das mazelas sociais.
pondem a 14% dos acidentes de trânsito. Se o acidente
b) importância de ações preventivas para evitar catás-
envolve vítimas fatais, o percentual sobe para nada me-
trofes, indevidamente atribuídas aos políticos.
nos 15que 50% - o que atesta a falta de investimento
c) incapacidade política para agir de forma diligente na
público no transporte a pé.
resolução das mazelas sociais.
Na Região Metropolitana de São Paulo, as viagens
d) urgência de se criarem novos órgãos públicos com as
a pé, com extensão mínima de 500 metros, correspon-
mesmas características do SUS.
dem a 34% do total de viagens. Percentual parecido
e) impossibilidade de o homem agir de forma eficaz ou
com o de Londres, de 33%. Somadas aos 32% das via-
preventiva diante das ações da natureza.
gens realizadas por transporte coletivo, que são inicia-
das e concluídas por uma viagem a pé, perfazem o total
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
de 66% das viagens! Um número bem 4desproporcional
ao espaço destinado aos pedestres e ao investimento
Véspera de um dos muitos feriados em 2009 e a
público destinado a eles, especialmente em uma cidade
insana tarefa de mover-se de um bairro a outro em São
como São Paulo, onde o transporte individual motoriza-
Paulo para uma reunião de trabalho. Claro 11que a cida-
do tem a 5primazia.
de já tinha travado no meio da tarde. De táxi, pagaria
A locomoção a pé acontece tanto nos locais de
uma fortuna para ficar parada e chegar atrasada, 6pois
maior densidade – caso da área central, com registro
até as vias alternativas que os taxistas conhecem esta-
de dois milhões de viagens a pé por dia –, como nas re-
vam entupidas. De ônibus, nem o corredor funcionaria,

português 35
extensivo

giões mais distantes, onde são maiores as deficiências 6. (Ita 2011) Do título do texto, Meio ambiente urbano:
de transporte motorizado e o perfil de renda é menor. o barato de andar a pé, não se pode depreender que
A maior parte das pessoas que andam a pé tem poder andar a pé é mais
aquisitivo mais baixo. Elas buscam alternativas para
enfrentar a condução cara, desconfortável ou lotada, o I. prazeroso.
ponto de ônibus ou estação distantes, a demora para a II. econômico.
condução passar e a viagem demorada. III. divertido. I
9Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jar- V. frequente.
dins, por exemplo, é fácil ver carrões que saem das
garagens para ir de uma esquina a outra e disputar im- Estão corretas
prováveis vagas de estacionamento. A ideia é manter-
se fechado em shoppings, boutiques, clubes, academias a) apenas I e II.
de ginástica, escolas, escritórios,10 porque o ambiente b) apenas I, II e III.
lá fora – o nosso meio ambiente urbano – dizem que é c) apenas I, III e IV.
muito perigoso. d) apenas II e IV.
e) apenas II, III e IV.
(Amália Safatle. http://terramagazine.terra.com.br,
15/07/2009. Adaptado.)
7. (Ita 2011) Assinale a opção em que o termo grifado
não indica a circunstância mencionada entre parênte-
3. (Ita 2011) De acordo com o texto, pode-se afirmar
ses.
que

a) [...] pois até as vias alternativas que os taxistas co-


a) em São Paulo, os acidentes fatais de trânsito são
nhecem estavam entupidas. (Causa) (ref. 6)
decorrentes da má administração pública.
b) Já foram inclusive objeto de teses acadêmicas. (Tem-
b) Londres é uma das cidades consideradas exemplo de
po) (ref. 7)
gestão política no transporte individual.
c) [...] apesar de ser a saída mais utilizada pela popu-
c) em bairros carentes, o transporte coletivo é pior, em-
lação [...]. (Concessão) (ref. 8)
bora em São Paulo tenha prioridade
d) Já em bairros nobres, como Moema, Itaim e Jardins,
administrativa.

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por exemplo, [...]. (Tempo) (ref. 9)
d) todos os usuários de transporte motorizado em São
e) [...] porque o ambiente lá fora – o nosso meio am-
Paulo são também praticantes de transporte a
biente urbano – dizem que é muito perigoso.
pé.
(Causa) (ref. 10)
e) moradores de bairros periféricos de São Paulo neces-
sitam de maior investimento em transporte
8. (Ita 2011) Assinale a opção em que a expressão ou
público.
palavra grifada expressa exagero.

4. (Ita 2011) Do relato da experiência da autora na


a) De ônibus, nem o corredor funcionaria, tomado pela
véspera de feriado, não se pode depreender que
fila dos mastodôntidos veículos. (ref. 1)
b) É quase como flanar. (ref. 2)
a) os congestionamentos são inevitáveis.
c) E mais uma porção de cenas que só andando a pé se
b) o trânsito dificulta o cumprimento de horários.
pode observar. (ref. 3)
c) é preferível andar a pé a andar de carro.
d) Um número bem desproporcional ao espaço destina-
d) o uso de táxi é tão ineficiente quanto o ônibus.
do aos pedestres [...]. (ref. 4)
e) o problema do trânsito decorre exclusivamente do
e) [...] onde o transporte individual motorizado tem a
transporte individual motorizado.
primazia. (ref. 5)

5. (Ita 2011) Sob o ponto de vista da autora, pode-se


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
inferir que as políticas públicas para o transporte urba-
no em São Paulo são O desgaste das palavras

a) imperceptíveis. Sou um tonto. Dia destes recebi um recado na se-


b) inexistentes. cretária eletrônica pedindo retorno urgente. Liguei.
c) inoperantes. Era um corretor de imóveis querendo me vender
d) ineficientes. um lançamento.
e) iniciantes. − Qual era a urgência? − perguntei, irritado.

36 português
extensivo

− Bem... Estamos selecionando alguns clientes e... a) palavras em seu sentido figurado, ampliando inter-
Conversa mole. As pessoas usam a palavra “ur- pretações.
gente” em mensagens de todo tipo. Ainda sou daque- b) expressões indicativas de circunstâncias de lugar.
les que se assustam de leve com um e-mail “urgen- c) linguagem não coloquial como reforço ao estilo do
te” para, logo depois, descobrir que se trata de um autor.
assunto muito corriqueiro. A palavra está perdendo d) expressões irônicas, revelando a indiferença do cro-
a força. Daqui a pouco não vai significar mais nada. nista.
A mesma coisa acontece com o verbo “revelar”. e) antítese, reforçando o tom afetivo dado pelo autor
Abro uma revista e vejo: atriz “revela” que vai pin- às palavras.
tar o cabelo de loiro. Isso é revelação que se preze?
Resultado: quando se quer realmente revelar algo se TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
usa “denuncia” ou “confessa”.
E vip? A sigla surgiu como abreviação de “very Texto 1
important people”. Os vips tinham acesso preferencial
a festas e eventos de todo tipo. Obviamente, todo Araçatuba promove semana contra violência da
mundo quis ser tratado como vip. Alguns shows e mulher
camarotes carnavalescos ficam lotados por manadas
de vips. Para diferenciar “vips” entre si, nos lugares Quebrando o Silêncio - Semana de Conscientização
mais disputados surgiram chiqueirinhos para os “su- contra a Violência Doméstica irá acontecer pela quarta
pervips” ou “vips dos vips”. Em resumo: “vip” não vez em Araçatuba. A ação é um projeto da Adra (Agência
significa absolutamente coisa nenhuma − somente de Desenvolvimento de Recursos Assistenciais),órgão
que a pessoa é rápida para descolar um convite com oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
pulseirinha. Neste ano, a semana irá ocorrer em parceria com
a Secretaria Municipal de Segurança, Câmara Municipal
Os anúncios imobiliários são pródigos em deto-
e Delegacia de Defesa da Mulher. As atividades serão
nar palavras. “Exclusivo” é um exemplo. Quase todos
realizadas nos dias 13, 14 e 15, das 9h as 17h, no cal-
falam em “condomínio exclusivo”, “espaço exclusivo”
çadão da Marechal.
(e não havia de ser, se o proprietário está pagando?).
De tão comum, “exclusivo” deixou de ser “exclusivo”. Disponível em www.folhadaregiao.com.br em 11/10/2010
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Veio o “diferenciado”. Ou “único”. Mas como um apar-


tamento pode ser “diferenciado” ou “único” se está Texto 2
em um prédio com mais cinquenta iguais?
A palavra “amigo” é incrível. Implica uma relação Em 20 de novembro de 1959, foi proclamada a De-
especial, mas a maioria fala em “amigos” referindo-se claração Universal dos Direitos da Criança, com a inten-
a conhecidos distantes. O mesmo ocorre com “abra- ção de garantir à criança uma infância feliz.
ço”. Terminar a mensagem com um “abraço” era sufi- O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069,
ciente, pois era uma forma de oferecer nosso carinho art. 4º, esclarece que os direitos infantis precisam ser
à pessoa. Foi tão banalizado que agora se usa “grande recordados todos os dias como o direito à vida, saúde,
abraço”, “forte abraço”, mas agora é pouco, pois já alimentação, educação, esporte, lazer, profissionaliza-
surgiu o “beijo no coração”. A seguir, o que virá? ção, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivên-
Por que deixar que as palavras se desgastem? Se cia familiar e comunitária.
o que têm de mais belo é justamente sua história e
Disponível em www.oecumene.radiovaticana.org em12/10/2010.
o sentimento que contêm? Enfim, tudo o que lhes dá
realmente significado.
Texto 3
(Walcyr Carrasco, Veja SP, 13.08.2008. Adaptado)

Violência em maternidades revela problemas na


9. (G1 - ifsp 2011) Considere os trechos. saúde pública

Conversa mole. Uma pesquisa apresentada à Faculdade de Medici-


... nos lugares mais disputados surgiram chiqueiri- na da USP (FMUSP) revela que grávidas em trabalho de
nhos para os “supervips”... parto sofrem diversos maus tratos e desrespeitos por
... somente que a pessoa é rápida para descolar um parte dos profissionais de saúde nas maternidades pú-
convite com pulseirinha. blicas. Segundo a análise, esse tipo de violência, além
de apontar para os problemas estruturais da saúde pú-
Em cada um dos trechos do texto, há o emprego de blica, revela a “erosão” da qualidade ética das intera-

português 37
extensivo

ções entre profissionais e pacientes, a banalização do


sofrimento e uma cultura institucional marcada por es-
tereótipos de classe e gênero.

Disponível em www.correiodobrasil.com.br (Ano XI – nº 3937) em


12/10/2010

10. (G1 - ifal 2011) As afirmativas que seguem são


verdadeiras ou falsas?
( ) Do texto 1, podemos inferir o oferecimento de um
suporte social, psicológico, jurídico e preventivo às mu-
lheres que sofrem apenas com a violência familiar.
( ) A linguagem dos três fragmentos de textos é deter-
minada pela finalidade: trata-se de textos informativos.
( ) Somente o texto 2 privilegia a correção gramatical
e a precisão vocabular, isso porque a linguagem neces-
sita ser absolutamente objetiva.
( ) No texto 3, as aspas foram utilizadas para pôr a pa-
lavra ”erosão” em evidência, uma vez que se encontra
no sentido secundário, conotativo.

Assinale a opção em que se encontra a sequência


correta de preenchimento dos parênteses, de cima para
baixo.

a) V – F – V – F
b) V – F – F – F
c) V – V – F – F
d) F – F – V –V

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e) F – V – F – V

GABARITO:

1. [C]
2. [C]
3. [E]
4. [E]
5. [D]
6. [B]
7. [D]
8. [A]
9. [A]
10. [E]

38 português
Português
Física Módulo 1

CAPÍTULO 4 - TEXTOS JORNALÍSTICOS

Opinar, argumentar, persuadir o outro ou ser per- meio de uma leitura bem atenciosa do primeiro, quando
suadido faz parte do nosso cotidiano, é também uma muito do segundo parágrafo, temos condições de de-
forma de construir a cidadania e participar criticamen- tectar acerca do assunto em questão;
te da vida em sociedade. Os discursos argumentativos, * Desenvolvimento (corpo do editorial) - Nessa
persuasivos podem se organizar em diferentes gêneros, parte são expostos todos os argumentos, justificados
nas mais variadas linguagens. O editorial e o artigo por comentários e opiniões por parte do próprio jornal
de opinião  – tema deste capítulo - são importantes acerca do assunto discutido;
instrumentos democráticos, pois favorecem o debate * Conclusão – Como o próprio nome já nos indica,
aberto de ideias, fundamental para a construção da ci- representa o fechamento das ideias antes abordadas,
dadania. ou seja, geralmente se apresentam as devidas solu-
ções para o problema levantado durante todo o texto,
1. como também, em vez de se pautar por esse aspecto,
pode apenas possibilitar que o leitor reflita sobre o as-
sunto.
Obs.: Pode ou não ter título.

LEITURA COMPLEMENTAR

Exemplo de Editorial
O editorial caracteriza-se como um gênero veicula-
do no meio jornalístico Carta ao Leitor (Editorial) de VEJA: no caso
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mensalão, o que está em jogo é que página da


Já sabemos que as circunstâncias comunicativas história nossa geração escreveu neste começo de
que norteiam a nossa vida em sociedade não existem século — uma página que pode nos envergonhar
por acaso, ao contrário, cada uma delas se constitui ou da qual, nós, nossos filhos e netos vamos nos
de uma finalidade, de uma intenção, seja para afirmar, orgulhar
persuadir, entreter, instruir, enfim... Dessa forma, tendo
em vista esse objetivo, algumas se destinam de modo
específico ao meio jornalístico, ou seja, são veiculadas
em jornais e em revistas, como a carta do leitor, o arti-
go de opinião, a notícia, os classificados, entre outras.
Com base nisso, iremos conhecer um gênero jornalísti-
co chamado EDITORIAL.

Ele, por sua vez, expressa a opinião do próprio jor-


nal ou revista ou até mesmo de seus editores  acerca
de um determinado assunto, quase sempre polêmico,
isto é, discutido na atualidade.  Assim, justamente pelo
fato de esse gênero pertencer àqueles cuja natureza é
argumentativa, ou seja, constituir-se de um discurso Os ministros do STF: A qualidade do julgamento que eles fizerem
em que o emissor, utilizando-se do padrão formal da definirá o grau da evolução política do Brasil
(Foto: Gervásio Baptista / STF)
linguagem, tem por finalidade convencer o interlo-
cutor a acreditar no que ele está dizendo. Dizemos
que, em termos estruturais, ele se constitui das seguin- UMA PÁGINA DA HISTÓRIA
tes partes:
São raras as vezes em que determinada geração
tem a oportunidade de vivenciar a história sendo fei-
O editorial se constitui de uma introdu-
ta. O julgamento dos 38 réus do mensalão, que co-
ção, um desenvolvimento e uma conclusão meça  nesta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal
(STF), em Brasília, é um desses episódios com força
* Introdução – Geralmente nessa parte é retratada para atrasar ou acelerar, dependendo de sua qualidade,
a ideia principal que será discutida adiante. Assim, por os processos históricos da evolução política do Brasil.

português 39
extensivo

A história de um país e de um povo é feita de de repasse de dinheiro a parlamentares e chamou


fatos. É sobre eles que os historiadores se debruçam pela primeira vez o processo de mensalão.
na tentativa de encontrar um fio condutor que os li- Sete anos depois, desbaratada a “quadrilha”, nas
gue em uma sequência lógica cujo somatório é o que palavras de Antonio Fernando de Souza, o então pro-
chamamos de nação. curador-geral da República, o STF começa a julgar
O mensalão foi um fato. Foi um gigantesco ar- responsabilidades. O que está em jogo não é apenas
ranjo partidário, financeiro, empresarial em que parte o destino das 38 pessoas acusadas.
das elites governantes do Brasil no primeiro manda- O que está em jogo é que página da história nos-
to de Lula se pôs de acordo sobre o uso de dinheiro sa geração escreveu neste começo do século XXI —
de diversas origens, quase todas elas espúrias, para uma página que pode nos envergonhar ou da qual
comprar ou manter o apoio ao Palácio do Planalto de nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.
parlamentares e partidos tradicionalmente mercená-
rios. 2.

Artigo de opinião:  texto jornalístico que carac-


teriza-se por expor claramente a opinião do seu au-

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tor. Também chamado de matéria assinada ou coluna
(quando substitui uma seção fixa do jornal).
 Roberto Jefferson, sobre mensaleiros: “ratos magros!”
(Foto: José Cruz / ABr)  
As características do artigo de opinião
Inédito? Não. Mas nunca se tinha tentado uma
são:
operação daquela envergadura com a instalação no
coração do mundo político de um mecanismo de mer- • Contém um título polêmico ou provocador.
cado negro de consciências em troca de dinheiro. • Expõe uma idéia ou ponto de vista sobre deter-
Políticos iam e vinham de agências bancárias para minado assunto.
receber quantias em dinheiro vivo; os mais destemi- • Apresenta três partes: exposição, interpretação
dos assinavam recibos ou pediam à mulher para fazê- e opinião.
lo; os de nervos fracos inventavam despesas falsas de • Utiliza verbos predominantemente no presente.
consultores, agências de propaganda ou assessores • Utiliza linguagem objetiva (3ª pessoa) ou subje-
de imprensa. tiva (1ª pessoa).
Quem não tinha tanta iniciativa podia contar com  
os serviços financeiros do esquema, que fornecia re- Procedimentos Argumentativos de um Ar-
cibos assinados por secretárias, motoristas, laranjas
tigo de Opinião:
arrumados às pressas. A capital do país foi tomada
 
por um furor argentário que o então deputado Ro-
• Relações de causa e consequência.
berto Jefferson, figura-chave no desmantelamento do • Comparações entre épocas e lugares.
mensalão, descreveu com sua voz de barítono: “ratos • Retrocesso por meio da narração de um fato.
magros!”. • Antecipação de uma possível crítica do lei-
VEJA foi o órgão de imprensa que primeiro reve- tor, construindo antecipadamente os con-
lou o arranjo, com a divulgação de um vídeo em que tra-argumentos.
o diretor dos Correios embolsava um maço de cédulas • Estabelecimento de interlocução com o lei-
como propina. O diretor era ligado a Jefferson, que, tor.
para não cair sozinho, relatou a extensão dos crimes • Produção de afirmações radicais, de efeito.

40 português
extensivo

 LEITURA COMPLEMENTAR também fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo


o jardineiro, morreu de saudade do fujão – minha pri-
Exemplos de Artigo de opinião: meira visão infantil de um amor romeu-e-julieta. Tive
uma gata chamada Adelaide, nome da personagem so-
Ponto de vista: Lya Luft fredora de uma novela de rádio que fazia suspirar mi-
nha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata),
Baleias não me emocionam nunca entendi como – uma das primeiras tragédias de
que tive conhecimento. De modo que animais fazem
“Não é que eu ache  que sofrimento de ani- parte de minha história, com muitas aventuras, diverti-
mal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. mento e alguma emoção.
Mas eu preferia que tudo  isso fosse gasto com Mas voltemos às baleias encalhadas: pessoas tor-
eles  depois de não haver mais  crianças pedindo cem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os
esmolas,  adultos famintos, famílias  morando bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se man-
embaixo de pontes  e adolescentes morrendo chetes em jornais e as televisões mostram tudo em ho-
drogados nas calçadas” rário nobre. O público, presente ou em casa, acompa-
nha como se fosse alguém da família e, quando o fim
Hoje quero falar de gente e bichos. De notícias que chega, é lamentado quase com pêsames e oração.
frequentemente aparecem sobre baleias encalhadas Confesso que não consigo me comover da mesma
e pinguins perdidos em alguma praia. Não sei se me forma: pouca sensibilidade, uma alma de gelos nórdi-
aborrece ou me inquieta ver tantas pessoas acorrendo, cos, quem sabe? Mesmo os que não me apreciam, não
torcendo, chorando, porque uma baleia morre encalha- creiam nisso. Não é que eu ache que sofrimento de ani-
da. Mas certamente não me emociona. mal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas
Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois
não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de gros- de não haver mais crianças enfiando a cara no vidro de
seria nem de vulgaridade, também desconfio dos eter- meu carro para pedir trocados, adultos famintos dor-
nos bonzinhos, dos politicamente corretos, dos sempre mindo em bancos de praça, famílias morando embaixo
sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no olho, a clareza e de pontes ou adolescentes morrendo drogados nas cal-
a sinceridade – desde que não machuque só pelo prazer çadas.
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de magoar ou por ressentimento. Tenho certeza de que um mendigo morto na bei-


Não gosto de ver bicho sofrendo: sempre curti ani- ra da praia causaria menos comoção do que uma ba-
mais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, leia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos
tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Se- se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma
bastião. Era branca, enorme, com aqueles olhos que re- ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo
viravam. Fugiu da gaiola especialmente construída para coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa.
ela, quase do tamanho de um pequeno quarto, e por Curiosidade, rostos virados, um sentimentozinho de
muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída culpa, possivelmente irritação: cadê as autoridades,
de saudade.  ninguém toma providência?
Diante de um morto humano, ou de um candidato
a morto na calçada, a gente se protege com uma ar-
madura. De modo que (perdão) vejo sem entusiasmo
as campanhas em favor dos animais – pelo menos en-
quanto se deletarem tão facilmente homens e mulhe-
res.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

Leia o Editorial abaixo e, em seguida, faça o que se


pede: e responda às questões:
Ilustração Ale Setti

Educação no Brasil

Na ilha improvável que havia no mínimo lago do jardim


Erson Martins de Oliveira – APROPUC  - Associação
que se estendia atrás da casa, viveu a certa altura da
dos Professores da PUC – SP
minha infância um casal de veadinhos, dos quais um

português 41
extensivo

“analfabetismo funcional”. Mais de 50% não apren-


dem os fundamentos básicos da escrita e da leitura.
Bem ou mal, 97% das crianças têm acesso à escola,
mas a pobreza as acompanha aos quatro cantos da
sala. Há ainda o analfabetismo, abarcando 12,6% da
população (24 milhões).
Quanto à possibilidade dos jovens de chegarem à
universidade, os dados anteriores falam por si. Ape-
nas 4,1 milhões estão matriculados no ensino supe-
rior. Desse número irrisório, 2,9 milhões se acham
nas privadas. As universidades públicas não passam
de 224 estabelecimentos; em contrapartida as par-
ticulares detêm 1.789. Pela estrutura econômica e
de classe, está previsto o acesso ao ensino superior
apenas aos filhos da burguesia e parte dos da clas-
se média, que constituem a maioria dos estudantes
http://emlugardeumacarta.blogspot.com/2011/02/para-51-
universitários. Ocorre que centenas de milhares de
da-populacao-educacao-no-brasil.html
jovens de classe média não têm como pagar e não
Um dos aspectos que refletem a situação educa- têm como ingressar na universidade pública, barra-
cional de um País é o acesso da população pobre à es- dos que são pelo vestibular. Um agravante: a classe
cola. A possibilidade que a juventude tem de estudar média chegou ao topo da ascensão e se encontra la-
demonstra bem o quadro social e educacional. Dois deira abaixo.
fatores fundamentais estão interligados no que diz Criou-se um mercado de ensino e um ensino-
respeito ao jovem: emprego e estrutura do ensino. mercadoria. Estamos diante da infraestrutura econô-
Quanto ao primeiro, temos as relações condicionan- mica condicionando inexoravelmente a supraestrutura
tes no plano da economia capitalista: nível de empre- educacional, de forma a manter a maioria dos jovens
go e exploração do trabalho (medida pela jornada de sem estudo e a rebaixar o nível cultural das massas.
trabalho, produtividade e valor do salário). Quanto ao Dessa realidade, destacam-se as seguintes tare-

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segundo – estrutura do ensino – é preciso verificar fas: 1. Defender o ensino público, defendendo o fim
o lugar e o espaço ocupado pelos ensinos público e do ensino privado; constituir um sistema estatal úni-
particular. co, laico e científico; 2. Defender o vínculo da escola
Analisemos alguns dados recentemente divulga- com a produção social, de forma a permitir a real uni-
dos pelo Dieese. Os jovens entre 16 e 24 anos amar- dade entre teoria e prática; 3. Defender a relação en-
gam com 45% do total de desempregados brasileiros. tre emprego e escola; nenhum jovem desempregado,
Número que corresponde a 25% da população eco- nenhum jovem fora da escola; jornada de trabalho
nomicamente ativa. Implicação para a educação: “a compatível com o estudo.
situação é pior entre as famílias de baixa renda. Em Disponível em: http://www.apropucsp.org.br/jornal/590_j01.htm
São Paulo, entre a parcela de 25% das famílias com  
maior renda familiar, 40% dos jovens estudam e tra- 1. Editorial é um gênero discursivo cuja intenção é
balham e 59,2% só trabalham. Já entre 25% das fa- apresentar e defender a opinião de um determinado ve-
mílias com menor renda, a proporção cai para 23,5% ículo de comunicação diante de fatos ou idéias.
e 76,5%”. (Folha de São Paulo) É calamitoso o fato de
a grande maioria não ter como estudar. a) Transcreva do primeiro parágrafo a frase que apre-
A mesma pesquisa comprova que não só o de- senta  o ponto de vista defendido pelo Jornal Semanal
semprego constitui obstáculo intransponível para o da APROPUC.
acesso aos estudos, mas também a exaustiva jor-
___________________________________________
nada de trabalho. Não é possível ir à escola tra-
balhando entre 39 e 44 horas semanais, como ___________________________________________
indica o estudo do Dieese. E aqueles que deci-
___________________________________________
dem enfrentar o sacrifício não têm como acompa-
nhar as aulas e cumprir as exigências do ensino. ___________________________________________
Até aqui estamos diante do nível médio. Em relação ___________________________________________
ao fundamental, tido como universalizado, o refle-
____________________________________________
xo desse quadro social se observa no fenômeno do

42 português
extensivo

b) Quais são os fatores que interferem no acesso da b) Tese / Proposição: (  posição a ser defendida sobre
população pobre à escola? um determinado assunto o fato)

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

____________________________________________ ____________________________________________

2. O posicionamento do jornal fundamenta-se em fatos  c) Argumentação: ( recursos ou procedimentos utiliza-


reais? Justifique. dos pelo autor para fundamentar ou sustentar a tese
apresentada)
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
____________________________________________
____________________________________________
3. Releia o último parágrafo do texto.
d) Conclusão. ( síntese com base  no que foi exposto na
O que o jornal propõe para o acesso democrático argumentação)
à educação?
___________________________________________
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____________________________________________

4. Um editorial é um gênero que se organiza com um Leia o Artigo de opinião abaixo e, em seguida, faça
o que se pede: e responda às questões:
discurso argumentativo/persuasivo.

Continue identificando no texto os elementos ca- Volta às aulas

racterísticos desse tipo de discurso:


Jamais esquecerei o meu primeiro dia de aula na
Harvard Business School. No dia anterior recebemos
a) Introdução/ ancoragem: ( forma de introduzir o leitor
90 páginas descrevendo três problemas administrati-
no assunto a ser tratado) vos que haviam ocorrido anos atrás em empresas ver-
___________________________________________ dadeiras. Tínhamos 24 horas para tomar uma série de
decisões, utilizando as mesmas informações disponíveis
___________________________________________ da diretoria da época. Era um problema por matéria, 3
___________________________________________ matérias por dia.
O primeiro caso do dia tratava-se de uma empre-
___________________________________________ sa controlada por dois irmãos, bem sucedida por trinta
___________________________________________ anos, até o dia em que um deles se desquitou e casou
com uma moça vinte anos mais jovem. Esse pequeno
____________________________________________ fato desencadeou uma série de problemas que afetava

português 43
extensivo

o desempenho da empresa. Nós éramos os consultores livros de auto-ajuda para os problemas do futuro.
que teriam de sugerir uma saída. Durante dois anos, estudamos mais de 1.000 casos
ou problemas dos mais variados tipos: desde desquites,
brigas entre o departamento de marketing e o finan-
ceiro, greves, governos incompetentes, fusões, cisões,
falências e até crises na Ásia. Isto nos obrigava a obser-
var, destilar as informações relevantes, ignorar as irre-
levantes, ponderar as contradições, trabalhar com vinte
variáveis ao mesmo tempo, testar alternativas, formar
uma decisão e expô-la de forma clara e coerente.
Estavam ensinando por meio de uma metodologia
inédita na época (1972), o que poucas escolas e facul-
dades fazem até hoje: ensinar a pensar.
Em nada adianta ficar ensinando como outros gran-
des cérebros do passado pensavam. Em nada adianta
copiar soluções do passado e achar que elas se aplicam
ao presente.
Num mundo cada vez mais mutável, onde as inter-
relações nunca são as mesmas, ensinar fatos e teorias
Disponível em: http://radiocolegiounitau.blogspot.com/2011/07/volta- será de pouca utilidade para o administrador ou econo-
as-aulas.html
mista de hoje.
Ensinar a pensar também não é tão fácil assim.
No primeiro dia, na primeira aula, o professor en-
Não é um curso de lógica, nem uma questão de formar
trou na sala e simplesmente disse:
uma visão critica do mundo achando que isto resolve a
- Sr. Kanitz, qual é a sua recomendação para esse
questão. Sair criticando o mundo, contestando as teo-
caso?
rias do passado forma uma geração de contestadores
- Por que eu ?
que nada constrói, que nada sugere.
As aulas a que eu estava acostumado em toda a
Minha recomendação ao jovem de hoje é para que
minha vida de estudante consistiam num bando de alu-

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se concentre em uma das competências mais impor-
nos ouvindo pacientemente um professor que dominava
tantes para o mundo moderno: aprender a pensar e a
as nossas atenções pelo resto do dia. Simplesmente,
tomar decisões.
naquele fatídico dia, eu não estava preparado quando
todos viraram suas atenções para mim - e, pelo jeito, Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
Editora Abril, Revista Veja, edição 1636, ano 33, nº 07, 16 de
eu é que teria de dar a aula.
fevereiro de 2000, página 21
Esse sistema é conhecido por ensino centrado no Disponível em: http://www.kanitz.com/veja/harvard.asp
aluno e não no professor. Tanto é que, minha grande
frustração foi ter os melhores professores de adminis- 5. No artigo “Volta às aulas”, Stephen Kanitz aborda as
tração do mundo, mas que ficavam na maioria das au- seguintes questões:
las, simplesmente calados. Curiosamente, falar em aula
era uma obrigação, e não o que em geral acontece em Para garantir a sobrevivência no mundo moderno,
muitas escolas secundárias brasileiras, em que essa ati- o homem precisa aprender a pensar.
tude é passível de punição.
Outra descoberta chocante foi constatar, que a A escola deverá levar  o estudante a  pensar  e a
maioria dos famosos livros de administração de nada observar a realidade em que vive para tomar decisões.
serviam para resolver aquele caso. Nenhum capítulo de
Michael Porter trata especificamente de ‘problemas de Comprove com passagens do texto as afirmações
desquites em empresas familiares’, um fato mais co- acima.
mum nas empresas do que se imagina.
___________________________________________
A maioria das decisões na vida é de problemas que
ninguém teve que enfrentar antes, e sem literatura pré- ___________________________________________
estabelecida. Estamos sozinhos no mundo com nossos ___________________________________________
problemas pessoais e empresariais. Quão mais fácil foi
___________________________________________
a minha vida de estudante no Brasil, quando a obriga-
ção acadêmica era decorar as teorias do passado de ___________________________________________
Keynes, Adam Smith e Peter Drucker, como se fossem
____________________________________________

44 português
extensivo

6. Assim como o editorial, o artigo de opinião se or- Justifique.


ganiza como um discurso argumentativo/persuasivo.
___________________________________________
Identifique os elementos do discurso argumentativo, no
artigo de Kanitz. ___________________________________________

___________________________________________
a) Introdução/ ancoragem: ( forma de introduzir o leitor
___________________________________________
no assunto a ser tratado)
___________________________________________
___________________________________________
____________________________________________
___________________________________________

___________________________________________ 8. Monte um quadro para ser exposto no Kpresenter,


___________________________________________ comparando os gêneros estudados – editorial e artigo
de opinião. Procure explicitar os elementos seguintes:
___________________________________________
finalidade do gênero; perfil dos interlocutores; su-
____________________________________________ porte/veículo; estrutura e linguagem.

___________________________________________
b) Tese / Proposição: (  posição a ser defendida sobre
um determinado assunto o fato) ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ___________________________________________

___________________________________________ ____________________________________________

___________________________________________

____________________________________________ EXERCÍCIOS DE REVISÃO

c) Argumentação: ( recursos ou procedimentos utiliza-


dos pelo autor para fundamentar ou sustentar a tese
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apresentada)

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

____________________________________________

d) Conclusão. ( síntese com base  no que foi exposto na


argumentação)
1. Leia os dois textos.
___________________________________________
Texto 1
___________________________________________

___________________________________________ O livro de língua portuguesa ‘Por uma Vida Melhor’,


___________________________________________ adotado pelo Ministério da Educação (MEC), contém
alguns erros gramaticais. “Nós pega o peixe” ou “os
___________________________________________
menino pega o peixe” são dois exemplos de erros. Na
____________________________________________ avaliação dos autores do livro, o uso da língua popu-
lar, ainda que contendo erros, é válido. Os escritores
7. As ideias defendidas em um artigo de opinião são de também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os
total responsabilidade do autor. Por essa razão, o autor alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. A autora
deve ter primar pela  veracidade dos elementos apre- Heloisa Ramos justifica o conteúdo da obra. “O impor-
sentados, além de assinar o texto no final – escritos em tante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de
primeira pessoa. Isso pode ser verificado no texto lido? correto e incorreto no uso da língua deve ser substituí-

português 45
extensivo

da pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, Já vê... o banheiro não era longe, podia-se bem ir
dependendo da situação comunicativa.” lá, de a pé, mas a família ia sempre de carretão, puxado
a bois, uma junta, mui mansos, governados de regeira
(www.opiniaoenoticia.com.br. Adaptado.)
por uma das senhoras-donas e tocados com uma rama
por qualquer das crianças.
Texto 2
Eram dois pais da paciência, os dois bois. Um se
chamava Dourado, era baio; o outro, Cabiúna, era pre-
Ninguém de bom-senso discorda de que a expres-
to, com a orelha do lado de laçar branca, e uma risca
são popular tem validade como forma de comunicação.
na papada.
Só que é preciso que se reconheça que a língua culta
Estavam tão mestres naquele piquete, que, quan-
reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a
do a família, de manhãzita, depois da jacuba de leite,
única que consegue produzir e traduzir os pensamentos
pegava a aprontar-se, que a criançada pulava para o
que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das
terreiro ainda mastigando um naco de pão e as crioulas
artes e das ciências. A linguagem popular a que alguns
apareciam com as toalhas e por fim as senhoras-donas,
colegas meus se referem, por sua vez, não apresen-
quando se gritava pelo carretão, já os bois havia muito
ta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que
tempo que estavam encostados no cabeçalho, remoen-
permitam desenvolver ideias de maior complexidade – do muito sossegados, esperando que qualquer peão os
tão caras a uma sociedade que almeja evoluir. Por isso, ajoujasse.
é óbvio que não cabe às escolas ensiná-la.
(LOPES NETO, Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: Artes e
(Evanildo Bechara. Veja, 01.06.2011. Adaptado.) Ofícios, 2008. p. 65-66.)

Assinale a alternativa correta acerca da relação en-


Texto II
tre linguagem popular e norma culta.

O tempo fecha.
a) Os dois textos apresentam preocupação com a prá-
Sou fiel aos acontecimentos biográficos.
tica do preconceito linguístico sobre pessoas que se ex-
Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos
pressam fora dos padrões cultos da língua portuguesa.

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que não largam! Minhas saudades ensurdecidas
b) Os dois textos defendem ser possível expressar
por cigarras! O que faço aqui no campo
ideias filosóficas tanto em linguagem popular quanto
declamando aos metros versos longos e sentidos?
seguindo os padrões da norma culta.
Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não
c) Para Evanildo Bechara, não existem critérios que
sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida:
possam definir graus de superioridade ou inferioridade
agora sou profissional.
entre linguagem popular e norma culta.
d) O texto 2 sugere que a norma culta é instrumento (CESAR, Ana Cristina. A teus pés. 6. ed. São Paulo: Editora
de dominação das elites burguesas sobre as classes po- Brasiliense, s/d. p. 9.)

pulares.
e) Para Evanildo Bechara, a norma culta é superior no
Texto III
que se refere à capacidade de expressão de ideias com-
plexas no campo cultural.
Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como
estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ou-
2. Texto I
vido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma
veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem
Foi na estância dos Lagoões, duma gente Silva, uns
até que está amigado!”
Silvas mui políticos, sempre metidos em eleições e en-
Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu,
redos de qualificações de votantes.
que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele, que
A estância era como aqui e o arroio como a umas
nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão in-
dez quadras; lá era o banho da família. Fazia uma pon-
gênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver com
ta, tinha um sarandizal e logo era uma volta forte, como
uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não
uma meia-lua, onde as areias se amontoavam formando
o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo, por
um baixo: o perau era do lado de lá. O mato aí parecia
outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...
plantado de propósito: era quase que pura guabiroba e
Agora é que tinha um desejo enorme, uma sofre-
pitanga, araçá e guabiju; no tempo, o chão coalhava-se
guidão louca de vê-lo, rendido, a seus pés, como um
de fruta: era um regalo!

46 português
extensivo

animalzinho; agora é que lhe renasciam ímpetos vora- pio dela, quando a maioria das pessoas já recolhe-
zes de novilho solto, incongruências de macho em cio, ram a casa, estão uns sentados a olhar a televisão,
nostalgias de libertino fogoso... As palavras de Hercu- nas cozinhas as mulheres preparam o jantar, um pai
lano (aquela história do grumete com uma rapariga) mais paciente ensina, incerto, o problema de aritmé-
tinham-lhe despertado o sangue, fora como uma espé- tica, parece que a felicidade não é muita, mas logo
cie de urtiga brava arranhando-lhe a pele, excitando-o, se viu quanto afinal valia, este pavor, esta escuridão
enfurecendo-o de desejo. Agora sim, fazia questão! E de breu, este borrão de tinta caído sobre a Ibéria,
não era somente questão de possuir o grumete, de Não nos retires a luz, Senhor, faz que ela volte, e eu
gozá-lo como outrora, lá cima, no quartinho da Rua da te prometo que até ao fim da minha vida não te farei
Misericórdia: - era questão de gozá-lo, maltratando-o, outro pedido, isto diziam os pecadores arrependidos,
vendo-o sofrer, ouvindo-o gemer... Não, não era so- que sempre exageram.
mente o gozo comum, a sensação ordinária, o que ele
(SARAMAGO, José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das
queria depois das palavras de Herculano: era o prazer
Letras, 1988. p.35-36.)
brutal, doloroso, fora de todas as leis, de todas as nor-
mas... E havia de tê-lo, custasse o que custasse!
Considere as afirmativas a seguir, relativas aos tex-
Decididamente ia realizar o seu plano de fuga essa
tos I, II, III e IV.
noite, ia desertar pelo mundo à procura de Aleixo.
Inquieto, sobre-excitado, nervoso, pôs-se a me-
I. O texto I exemplifica a presença de expressões pró-
ditar. O grumete aparecia-lhe com uma feição nova,
prias da oralidade no texto literário, o que se comprova
transfigurado pelos excessos do amor, degenerado,
em “já vê...” e “de a pé”.
sem aquele arzinho bisonho que todos lhe admiravam,
II. No texto II, a presença da oralidade em “[...] Minhas
o rosto áspero, crivado de espinhas, magro, sem cor,
saudades ensurdecidas por cigarras! [...]” é um recurso
sem sangue nos lábios... Pudera! Um homem não re-
típico do modernismo português.
siste, quanto mais uma criança! Aleixo devia de estar
III. O texto III é um exemplo de variante histórica, pois
muito acabado; via-o nos braços da amante, da tal ra-
traz marcas da norma padrão do português utilizado no
pariga - ele novo, ela mocinha, na flor dos vinte anos -,
Brasil do século XIX, como se nota em “cousa”.
via-o rolar em espasmos luxuriosos, grudado à mulher,
IV. No texto IV, os vocábulos “quilómetros” e “acção”
sobre uma cama fresca e alva - rolar e cair extenuado,
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são marcas do português europeu, uma das variantes


crucificado, morto de fraqueza... Depois a rapariga de-
da língua portuguesa.
bruçava-se sobre ele, juntava boca à boca num grande
beijo de reconhecimento. E no dia seguinte, na noite
Assinale a alternativa correta.
seguinte, a mesma cousa.

(CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. São Paulo: Ediouro, s/d. p. 73-74.) a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
Texto IV d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
Mas quando todas as luzes da península se apaga-
ram ao mesmo tempo, apagón lhe chamaram depois 3. Leia a tira e analise as três afirmações.
em Espanha, negrum numa aldeia portuguesa ainda
inventora de palavras, quando quinhentos e oitenta e I. A palavra pelada assume sentidos diferentes para o
um mil quilómetros quadrados de terras se tornaram pai e para o filho, razão pela qual este se mostra irritado
invisíveis na face do mundo, então não houve mais no último quadrinho.
dúvidas, o fim de tudo chegara. Valeu a extinção total II. No contexto, a locução verbal estou indo curtir indica
das luzes não ter durado mais do que quinze minu- uma ação cuja realização está no futuro imediato.
tos, até que se completaram as conexões de emer- III. Observando a fala do pai e a do filho, constata-se
gência que punham em acção os recursos energéticos que as expressões Querida e Paiêêê têm a mesma fun-
próprios, nesta altura do ano escassos, pleno verão, ção na estrutura de frase de ambos.
Agosto pleno, seca, míngua das albufeiras, escassez
das centrais térmicas, as nucleares malditas, mas foi Está correto o que se afirma em
verdadeiramente o pandemónio peninsular, os diabos
à solta, o medo frio, o aquelarre, um terramoto não a) I, apenas.
teria sido pior em efeitos morais. Era noite, o princí- b) III, apenas.

português 47
extensivo

c) I e II, apenas. bairro, onde as meninas brincam de cantigas de roda


d) I e III, apenas. e os meninos de jogar futebol.
e) I, II e III. Se eu fosse alguma coisa neste país, já teria cor-
rido de Ipanema aquela mulher rabugenta, que, na
4. Há marcas de linguagem coloquial em: presença de vinte meninos, furou a bola deles com
uma tesoura e, depois, cortou em pedacinhos. Só
a) “Debruçado na janela, meu avô espreitava a rua da porque uma rebatida imprecisa do Diguinho jogou a
Paciência, inclinada e estreita.” bola contra a casa dela.
b) “Meu avô foi abaixando a cabeça e seus olhos toca- Era uma bonita bola, rosada, Seleção de Ouro,
ram em nossas mãos entrelaçadas.” que os meninos tinham comprado em uma vaquinha
c) “Senti saudades do Jeremias. Mas, como eu estava por novecentos cruzeiros.
falando, a tela ficava no meio do galpão.”
(NOGUEIRA, Armando. Na grande área. Rio de Janeiro:
d) “Viajei na jardineira para visitar minha mãe inter-
Bloch Editores, 1966. Adaptado)
nada no hospital, lugar com cheiro de lança-perfume e
maçã.”
5. De acordo com o texto, é correto afirmar que

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: a) o narrador é de terceira pessoa, pois relata fatos dos
quais participa, atuando como uma das
personagens.
Em 1966, Armando Nogueira publicou o livro
b) a linguagem é rebuscada e de difícil compreensão
em que aparece a crônica que você lerá a seguir.
devido ao vocabulário incomum empregado pelo
Considere-a para responder o que se pede.
escritor.
c) o cronista se posiciona de forma neutra e impessoal
A rua do Caloca
diante dos fatos narrados, pois quer garantir
sua imparcialidade.
Bendito o bairro em que os meninos ainda po-
d) observando cenas do cotidiano de seu bairro, o escri-
dem jogar futebol pelas calçadas. Ipanema, as ruas
tor encontrou o tema a ser abordado pelo seu

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amenas de Ipanema estão sempre cheias de meni-
texto.
nos a chutar bolas. Hoje de manhã, mesmo, passei
e) o cronista demonstra sua satisfação ao enumerar di-
por dois garotinhos, um de seis anos, outro de três,
versos bairros do Rio, onde as crianças ainda
no máximo: o maior ensinava, pacientemente, o me-
podem jogar futebol na rua.
nor a chutar com o peito do pé e, ontem, a turma
da Rua Barão de Jaguaribe enfrentou o time da Rua
Redentor.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Quando estou folgado, subo e desço as ruas da
vizinhança, olhando os meninos no futebol: são vinte,
Texto: Nossos filhos
trinta de cada lado, todos garotinhos abaixo de dez
anos, ardendo na pelada que nunca tem hora para
acabar; não há muito rigor contra a violência e só
uma regra é respeitada − a mão na bola. Tocou o
dedo na bola, falta, “quem cobra sou eu” e forma-se
um bolinho em volta da bola, parece cobrança de pê-
nalti no Maracanã.
De quando em quando, um automóvel interrompe
a partida de futebol, mas invariavelmente os motoris-
tas têm o carinho de reduzir a marcha a uma veloci-
dade que não ponha em risco a vida das crianças e
que, por outro lado, lhes permita desfrutar, ainda que
como espectadores, das emoções da pelada.
Das ruas, a mais encantadora, sem desmerecer
as outras, é a Redentor, que eu saúdo como a rua
do time do Caloca. Pena é que, numa das esquinas,
more uma senhora estranha ao clima espiritual deste

48 português
extensivo

outro lado, se alguém não resistir, a confusão acaba


por instalar-se e, tenho certeza, a língua se empo-
brece, perde recursos expressivos, torna- se cada vez
menos precisa.
Quer dizer, isso acho eu, que não sou filólogo
nem nada e vivo estudando nas gramáticas, para não
passar vexame. Não se trata de impor a norma culta
a qualquer custo, até porque, na minha opinião, está
correto o enunciado que, observadas as circunstân-
cias do discurso, comunica com eficácia. Não é neces-
sário seguir receituários abstrusos sobre colocação de
pronomes e fazer ginásticas verbais para empregar
regras semicabalísticas, que só têm como efeito em-
perrar o discurso. Mas há regras que nem precisam
ser formuladas ou lembradas, porque são parte das
exigências de clareza e precisão - e essas deviam ser
A Gazeta-ES observadas. Não anoto, nem tenho qualificações para
(Disponível em: http://amarildocharge.wordpress.
com/2010/03/05/1053. Acesso em 01/10/2010 isto, com a finalidade de apontar o “erro de portu-
guês”, mas a má ou inadequada linguagem.
E devo confessar que fico com medo de que cer-
6. Relativamente ainda ao texto, assinale a alterna- tas práticas deixem de ser modismo e virem novas re-
tiva errada. gras, bem ao gosto dos decorebas. É o que acontece
com o, com perdão da má palavra, anacolutismo que
a) se trata de um texto constituído de linguagem ver- grassa entre os falantes brasileiros do português. Ve-
bal e não-verbal, cujos sentidos se constroem por jam bem, nada contra o anacoluto, que tem nome de
meio do humor e da crítica. origem grega e tudo, e pode ser uma figura de sintaxe
b) as reticências presentes na fala do menino, no pri- de uso legítimo. O anacoluto ocorre, se não me trai
meiro quadro, servem para expressar uma interrup- mais uma vez a vil memória, quando um elemento da
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ção de turno no diálogo. oração fica meio pendurado, sem função sintática. Há
c) além das falas das personagens, concorrem para a um anacoluto, por exemplo, na frase “A democracia,
produção dos sentidos do texto elementos não-ver- ela é a nossa opção”. Para que é esse “ela” aí?
bais, como, por exemplo, o formato dos balões que Está certo que, para dar ênfase ou ritmo à fala,
envolvem os textos verbais. isso seja feito uma vez ou outra, mas como práti-
d) de acordo com as regras de pontuação, as vírgulas ca universal é meio enervante. De alguns anos para
utilizadas em “Mamãe, eu...” e “Cala a boca, meni- cá, só se fala assim, basta assistir aos noticiários e
no!”, por serem opcionais, poderiam ser retiradas. programas de entrevistas. Quase nenhum entrevis-
e) na fala: “Não tá vendo que eu tô ocupada?!”, apa- tado consegue enunciar uma frase direta, na terceira
recem formas linguísticas características do nível co- pessoa - sujeito, predicado, objeto - sem dobrar esse
loquial de linguagem. sujeito anacoluticamente (perdão outra vez). Só se
diz “o policiamento, ele tem como objetivo”, “a pre-
venção da dengue, ela deve começar”, “a criança, ela
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: não pode” e assim por diante. O escritor, ele teme se-
riamente que daqui a pouco isso, ele vire regra. (...)
A volta do caderno rabugento Finalmente, para não perder o costume, faço mais
um réquiem para o finado “cujo”. Tenho a certeza de
Não sei se vocês se lembram de quando lhes falei, que, entre os muito jovens, a palavra é desconheci-
acho que no ano passado, num caderninho rabugento da e não deverá ter mais uso, dentro de talvez uma
que eu mantenho. Aliás, é um caderninho para anota- década. A gente até se acostuma a ouvir falar em
ções diversas, mas as únicas que consigo entender al- espécies em extinção, mas, não sei por que, palavras
gum tempo depois são as rabugentas, pois as outras em extinção me comovem mais, vai ver que é porque
se convertem em hieróglifos indecifráveis (...), assim vivo delas. E não é consolo imaginar que o cujo e eu
que fecho o caderno. Claro, é o reacionarismo próprio vamos nos defuntabilizar juntos.
da idade, pois, afinal, as línguas são vivas e, se não
mudassem, ainda estaríamos falando latim. Mas, por (João Ubaldo Ribeiro, O Estado de São Paulo, 18/07/2010)

português 49
extensivo

7. Considere as seguintes afirmações: dinâmica no espaço cultural, mas também pela pró-
pria pluralidade de significados que ela abriga.
I. O autor defende a ideia de que as variantes lin- 4Certamente, a maior tecnologia que o homem
guísticas representam um fenômeno que empobrece cria a partir de sua própria fala é a escrita. Mas esta
o idioma. é uma questão polêmica. Para o filosofo inglês John
II. Embora não seja especialista da linguagem, o cro- Wilkins, a escrita pode ser posterior à fala com rela-
nista propõe um receituário para a eficácia na comu- ção ao tempo, mas não com relação à sua natureza.
nicação. Isso porque a escrita é um registro visual que provoca
III. Mesmo sendo avesso à caça aos erros de portu- a leitura. Ora, o homem aprendeu a ler bem antes
guês, o autor se incomoda com certas construções de aprender a escrever e até mesmo a falar. Basta
linguísticas. lembrar que as primeiras formas visuais que os ho-
mens “leram” foram os rastros dos animais. O homem
De acordo com o texto, é(são) correta(s) apenas aprendeu a ler as constelações, os veios das pedras e
das madeiras. Há uma lenda antiga que conta que os
a) I. gregos costumavam rabiscar avisos nas pedras após

b) II. o plantio, pedindo aos ratos do campo que não se


aproximassem do terreno.
c) III.
5Contar a história da escrita é como contar a his-
d) I e II.
tória das pessoas e de suas famílias: todas começam
e) II e III.
do mesmo jeito. E como começa a história da escri-
ta? Começa com as inscrições em cavernas de povos
muito antigos. Começa com os sumérios, os fenícios,
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
os egípcios. Começa com as lendas, os pictogramas,
1Num
os ideogramas. Começa com a transformação do som
primeiro momento é possível definir a es-
em palavra. Ou seja, a história da escrita é uma nar-
crita como manifestação gráfica de linguagem, parti-
rativa cheia de enigmas e de transformações. Con-
cularmente da língua natural, que ocupa uma posição
funde-se, muitas vezes, com episódios e fenômenos
central dentre os sistemas na cultura. Graças à escri-
mágicos, sobretudo quando se pensa que o grande

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ta é que se consagrou, no ocidente, a cultura letrada
personagem dessa história é a palavra. Como a pa-
e o homem leitor. Ela não apenas permite aos homens
lavra, antes de ser escrita, existiu enquanto som, na
se comunicarem uns com os outros, ou pelo menos
fala, a transformação do som em palavra faz parte da
possuir essa possibilidade de comunicação, mas tam-
história da escrita, que só se inicia de fato quando os
bém registra dados, pensamentos e ideias, dando for- sons da fala são expressos graficamente. [...]
ma a tudo o que era efêmero e intangível antes de ser 6Conhecer a história da escrita é andar por cami-
fixado no papel. [...] nhos que se bifurcam, onde se cruzam e se misturam
2A escrita também é, como todos os outros tex- muitas línguas e muitas linguagens.
tos da cultura, dotada de organização enquanto sis-
tema e enquanto processo gerativo de linguagens. A (Semiosphera. USP. São Paulo. Disponível em <http.www.usp.br/

multiplicidade de linguagens dentro do sistema é sua semiosphera/escrita_como_texto_da cultura.html>


Acesso em 2 set. 2010. Adaptado)
fonte de riqueza e renovação, fazendo com que textos
escritos em uma mesma língua possam ser tão diver-
8. Apoiados no material linguístico com que o texto se
sos e diferentes quanto uma pauta jornalística é de
constitui, podemos admitir as seguintes conclusões:
um poema. [...]
3Mas é importante compreender que não escre-
I. o texto deixa explícita sua condição de intertextu-
vemos apenas com palavras. Escrevemos com gestos,
alidade, como estratégia de emprestar apoio às suas
com cores e com sons. Assim, a escrita, como texto
afirmações, ainda mais que se trata de “uma questão
da cultura, compreende não apenas a manifestação
polêmica”.
gráfica da língua natural, mas [também] os sentidos
II. o contexto cultural previsto para a circulação do
e as linguagens desenvolvidos por diferentes códigos. texto justifica o teor formal de sua linguagem, inclu-
Como texto da cultura, a escrita é uma região de con- sivamente, o uso de um vocabulário mais distante do
tato entre esses diferentes códigos, ao mesmo tempo usual.
em que está em constante interação com outros sis- III. a função expressiva que predomina no Texto A se
temas, textos e linguagens. Nesse contato, a escrita ajusta a seu caráter narrativo e condiciona o uso de
se caracteriza como uma fronteira não apenas por sua uma linguagem marcada por impressões subjetivas.

50 português
extensivo

IV. o texto exibe sinais de coesão entre os parágra- d) III, IV e V.


fos, expressos não apenas por diferentes unidades de e) I, IV e V.
conexão (‘mas’, ‘além de’, ‘Eles’) mas também pela
repetição de unidades do léxico. 10. Para a manutenção da unidade temática do texto
V. o último parágrafo assume um teor de generaliza- – uma das condições fundamentais de sua coerência,
ção, bem apropriado a um momento de ‘remate’ do vale a pena destacar
texto, tanto mais que se trata da apresentação de
considerações teóricas. I. a correção gramatical com que o texto está ex-
presso, pois transgressões de ordem morfossintática,
Estão corretas as afirmações que constam ape- por exemplo, comprometem a unidade semântica do
nas nos itens texto. Um texto coerente deve ser, necessariamente,
‘um texto correto’.
a) I e II. II. a concentração em palavras de campos semân-
b) I, II e V. ticos afins, como em: fala, escrita, leitura, cultura,
c) I, IV e V. inscrição, registro visual etc. Essas unidades funcio-
nam como elos que deixam os tópicos e subtópicos do
d) II, III e IV.
texto em articulação.
e) I, II, IV e V.
III. o desdobramento do tópico principal em subtó-
picos a ele vinculados, de forma que se pode reco-
9. Cada palavra que compõe um texto cumpre uma
nhecer um macroconteúdo – a escrita e sua posição
determinada função discursiva, de modo que “nada
central dentre os sistemas na cultura – e conteúdos
em um texto ocorre por acaso ou deixa de cumprir al-
mais pontuais, como a relação entre fala e escrita,
guma função”. Em passagens do texto, por exemplo,
entre escrita e leitura.
podemos reconhecer que
IV. a articulação promovida entre os diferentes pará-
grafos por meio do uso de certas expressões sequen-
I. o pronome pessoal destacado no primeiro parágra-
ciadoras, que exigem do leitor, para uma interpre-
fo é uma expressão que retoma outra precedente (‘a
tação adequada, a estratégia de ir integrando cada
cultura letrada’), garantindo, assim, a continuidade
parte no todo.
semântica do texto.
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V. a divisão do texto em sete parágrafos. Em geral,


II. o uso das aspas em: ‘Basta lembrar que as primei-
um texto – para ter garantida sua unidade temática –
ras formas visuais que os homens “leram” foram os
precisa estar subdividido em mais de dois parágrafos.
rastros dos animais’ tem a função de sinalizar que a A exigência de uma ‘introdução’ e de uma ‘conclusão’,
palavra está sendo usada com um sentido diferente pelo menos, se aplica a todo tipo e a todo gênero de
daquele que lhe é habitualmente atribuído. texto.
III. no trecho: “Como a palavra, antes de ser escrita,
existiu enquanto som, na fala, a transformação do Assinale a alternativa que apresenta apenas afir-
som em palavra faz parte da história da escrita”, o mativas correta(s).
segmento sublinhado estabelece entre as duas ora-
ções uma relação de comparação. a) I, III, IV e V.
IV. no quinto parágrafo, em resposta à pergunta: b) I, II e V.
“Como começa a história da escrita?”, percebe-se a c) I, II, IV e V.
reincidência do segmento ‘Começa com...’, a qual tem d) II, III e IV.
claramente uma função reiterativa e enfática. e) II, III, IV e V.
V. no trecho: E a escrita se caracteriza como uma
fronteira não apenas por sua dinâmica no espaço cul-
tural mas também pela própria pluralidade de signi- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
ficados que ela abriga, fica evidente uma relação de
Velho papel pode estar com os anos contados
oposição, expressa pelos conectivos marcados.

Já imaginou, daqui a algumas décadas, seu neto


Estão corretas as afirmações que constam ape-
lhe perguntando o que era papel? Pois é, alguns pes-
nas nos itens
quisadores já estão trabalhando para que esse dia
chegue logo.
a) I e II.
A suposta ameaça 7à fibra natural não é o desa-
b) I, II e V.
jeitado e-book, mas o papel eletrônico, uma ‘folha’
c) II e IV. que você carregaria dobrada no bolso.

português 51
extensivo

Ela seria capaz de mostrar o jornal do dia – com Quando achava alguma coisa,
vídeos, fotos e notícias 8atualizadas –, o livro que Não examinava nem cheirava:
você estivesse lendo ou qualquer informação antes Engolia com voracidade.
impressa. Tudo ali. O bicho não era um cão,
Desde os anos 70, está no ar a 5ideia de papel Não era um gato,
eletrônico, mas as últimas novidades são de duas se- Não era um rato.
manas atrás. Cientistas holandeses anunciaram que O bicho, meu Deus, era um homem.
estão perto de criar uma tela com ‘quase todas’ as
Manuel Bandeira. In: Seleta em prosa e verso. Rio de Janeiro: J.
propriedades do papel: 3leveza, flexibilidade, 4clare- Olympio/ MEC, 1971. p. 145.
za, etc.
A novidade que deixa o invento um pouco mais Analise as seguintes proposições:
palpável está nos transistores. No papel do futuro,
eles não serão de 6silício, mas de plástico – que é I – Os dois textos possuem em comum o mesmo
maleável e barato. tema: a miséria humana.
Os holandeses dizem já ter um protótipo que II – O texto 01 se distingue do texto 02 quanto ao
mostra imagens em movimento em uma tela de duas uso da linguagem (no primeiro texto a linguagem é
polegadas, ainda que de qualidade 1’meia-boca’. referencial; no segundo, literária).
2Mas não vá celebrando o fim do desmatamento III – Em “O bicho, meu Deus, era um homem.”, os
e do peso na mochila. A expectativa é que um papel vocábulos em destaque constituem um vocativo.
eletrônico mais ou menos convincente apareça só da- IV – No texto 01, o homem é respeitado como ser
qui a cinco anos. humano; enquanto que, no texto 02, o homem é
comparado a um bicho.
Folha de S. Paulo, 17 dez. 2001.
Folhateen, p. 10.
Assinale a alternativa correta.
11. O narrador do texto
a) Apenas as proposições II e IV são VERDADEIRAS.
a) limita-se a dar uma informação. b) Apenas as proposições I e III são VERDADEIRAS.
b) em nenhum momento se dirige ao leitor. c) Apenas as proposições I, II e III são VERDADEI-

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c) mostra-se contra o invento. RAS.
d) dialoga com o leitor. d) Apenas a proposição IV é VERDADEIRA.
e) fez uso de uma linguagem essencialmente técnica. e) Apenas a proposição II é VERDADEIRA.

12. 13. (Enem 2ª aplicação 2010)


Texto 01

Descuidar do lixo é sujeira

Diariamente, duas horas antes da chegada do


caminhão da prefeitura, a gerência [de uma das fi-
liais do Mc Donald’s] deposita na calçada dezenas de
sacos plásticos recheados de papelão, isopor, restos
de sanduíches. Isso acaba propiciando um lamentável
banquete de mendigos.
Dezenas deles vão ali revirar o material e acabam
deixando os restos espalhados pelo calçadão.

Veja. São Paulo: Abril, 23 dez 1992

Texto 02

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

52 português
extensivo

Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estima- obra de arte.


ção) sua escultura na neve, fazendo uso de uma lin- c) Calvin emprega um registro de linguagem incompa-
guagem especializada. Os quadrinhos rompem com a tível com a linguagem de quadrinhos.
expectativa do leitor, porque d) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro lin-
guístico informal.
a) Calvin, na sua última fala, emprega um registro for- e) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica,
mal e adequado para a expressão de uma criança. em razão do registro formal utilizado por este último.
b) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do regis-
tro linguístico usado por Calvin na apresentação de sua 14. (Enem 2ª aplicação 2010)
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Pela evolução do texto, no que se refere à lingua- de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A ques-
gem empregada, percebe-se que a garota tão e que nem sempre nos damos conta disso.

S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, n.° 231,
a) deseja afirmar-se como nora por meio de uma fala abr. 2010 (fragmento adaptado).
poética
b) utiliza expressões linguísticas próprias do discurso O assunto tratado no fragmento e relativo à língua
infantil. portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a
c) usa apenas expressões linguísticas presentes no dis- professores. Entre as características próprias desse tipo
curso formal. de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias
d) se expressa utilizando marcas do discurso formal e do uso
do informal.
e) usa palavras com sentido pejorativo para assustar o a) regional, pela presença de léxico de determinada re-
interlocutor. gião do Brasil.
b) literário, pela conformidade com as normas da gra-
15. (Enem 2010) S.O.S Português mática.
c) técnico, por meio de expressões próprias de textos
Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito científicos.
diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto d) coloquial, por meio do registro de informalidade.
da língua com base em duas perspectivas. Na primeira e) oral, por meio do uso de expressões típicas da ora-
delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o en- lidade.
sino da língua ao código. Dai vem o entendimento de que
a escrita e mais complexa que a fala, e seu ensino res-
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
tringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, sem
a preocupação com situações de uso. Outra abordagem 3Você sabia que com pouco esforço é possível aju-
permite encarar as diferenças como um produto distinto
dar o planeta e o seu bolso?

português 53
extensivo

Ao usarmos a energia elétrica para aparelhos ele- só num caso: no quadro dos pronomes pessoais,
trônicos e lâmpadas também emitimos 1gás carbônico, mantivemos eu e ele para a primeira e a terceira pes-
um dos principais gases do 6efeito estufa. Atitudes sim- soas, mas estamos substituindo progressivamente tu
ples como trocar lâmpadas incandescentes pelas 4flu- por você e nós por agente. Vós desapareceu.
10Significaria 19então que já 16nasceu a língua
orescentes e puxar da tomada os aparelhos que não
estão em uso reduzirão a sua conta de luz e as nossas brasileira? Algumas dificuldades impedem uma res-
emissões de 2CO2 na atmosfera. posta positiva, pois muitos dos fenômenos 17dife-
renciadores 3............... já no português medieval.
5Planeta
sustentável: conhecimento por um Indo 5por aqui, o português do Brasil seria conside-
mundo melhor rado mais conservador que o português europeu, e a
pergunta então não é se temos uma nova língua por
16. Assinale a alternativa que indica recurso empre- aqui, 20e sim 11por que “eles” mudaram a língua por
gado no texto. lá... Muito provavelmente, o português do Brasil está
combinando características conservadoras e inovado-
a) Intertextualidade, já que se pode notar apropria- ras, seguindo, 6nisso, uma direção distinta daquela
ção explícita e marcada, por meio de citações, de tre- do português europeu.
chos de outros textos.
Adaptado de: CASTILHO, Ataliba T. de. Seria a língua falada mais
b) Conotação, uma vez que o texto emprega em toda pobre que a língua escrita? Impulso, Revista de Ciência Sociais e
a sua extensão uma linguagem que adota tom pesso- Humanas, São Paulo, UNIMEP, v. 12, n. 27, p. 85-104, 2000.
al e subjetivo.
c) Ironia, observada no emprego de expressões que 17. Considere as seguintes afirmações.
conduzem o leitor a outra possibilidade de interpreta-
ção, sempre crítica. I - O fato de o português do Brasil possuir algumas
d) Denotação, pois há a utilização objetiva de pala- características já encontradas em períodos anteriores
vras e expressões que destacam a presença da fun- do português europeu é evidência contrária à ideia da
ção referencial. existência de uma língua brasileira.
e) Metalinguagem, uma vez que a linguagem adotada II - No Brasil do século XVIII, o português, além de
serve exclusivamente para tratar da própria lingua- ser a língua mais utilizada, era muito semelhante à

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gem. modalidade europeia.
III - A variedade brasileira do português é mais con-
servadora do que a portuguesa, o que a faz mais fe-
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: chada a variações na fala e na escrita.

Nos últimos 500 anos temos falado e escrito a Quais estão de acordo com o texto?
língua 14portuguesa no Brasil. Nos primeiros sécu-
los, apenas 30% dos habitantes 13falavam a língua a) Apenas I.
de Portugal, e nem todos a escreviam. Os 4outros b) Apenas II.
70% 1............... aloglotas, ameríndios e africanos. c) Apenas III.
7Foi necessário esperar até o século XVIII para que a d) Apenas I e II.
língua portuguesa efetivamente se tornasse a língua e) I, II e III.
majoritária do país.
8Que língua é essa que falamos e que escreve- 18. Cientistas da Grã-Bretanha anunciaram ter iden-
mos (tão pouco)? Continua a ser o português euro- tificado o primeiro gene humano relacionado com o
peu? Ou já falamos o 15”brasileiro”? desenvolvimento da linguagem, o FOXP2. A desco-
Tem-se notado que desde o século XIX 2.............. berta pode ajudar os pesquisadores a compreender
a aparecer no português do Brasil alguns elementos os misteriosos mecanismos do discurso — que é uma
fonéticos e gramaticais divergentes do uso europeu. característica exclusiva dos seres humanos. O gene
Vejamos alguns poucos exemplos. pode indicar porque e como as pessoas aprendem
12Pronunciamos todas as vogais que precedem a a se comunicar e a se expressar e porque algumas
vogal tônica, como em telefone, 18enquanto os por- crianças têm disfunções nessa área. Segundo o pro-
tugueses passaram a apagá-las, dizendo tulfón. Às fessor Anthony Monaco, do Centro Wellcome Trust de
vezes deixamos cair as vogais iniciais, como em tá, Genética Humana, de Oxford, além de ajudar a diag-
por está, mantidas pelos portugueses em seu modo nosticar desordens de discurso, o estudo do gene vai
característico de atender ao telefone: 9está? está lá? possibilitar a descoberta de outros genes com imper-
Também alteramos bastante a gramática. Para ficar feições. Dessa forma, o prosseguimento das investi-

54 português
extensivo

gações pode levar a descobrir também esses genes TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
associados e, assim, abrir uma possibilidade de curar
todos os males relacionados à linguagem.

Disponível em: http://www.bbc.co.uk. Acesso em: 4 maio 2009


(adaptado).

Para convencer o leitor da veracidade das infor-


mações contidas no texto, o autor recorre à estraté-
gia de
a) citar autoridade especialista no assunto em ques-
tão.
b) destacar os cientistas da Grã-Bretanha.
c) apresentar citações de diferentes fontes de divul-
gação científica.
d) detalhar os procedimentos efetuados durante o
processo da pesquisa.
e) elencar as possíveis consequências positivas que a
descoberta vai trazer.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

TEXTO

5As pessoas que falam uma língua estrangeira


20. Em geral, nos textos em quadrinhos, o sentido é
sem sotaque são geralmente as que aprenderam o
construído por elementos verbais e não verbais.
idioma estrangeiro na infância, juntamente com a lín-
gua materna. Nesses 1verdadeiros bilíngues, de alto Nestes quadrinhos, o uso apenas de balões de pen-
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desempenho, a mesma região do cérebro que produz samento reforça, a respeito do herói, a seguinte carac-
a fala é compartilhada pela representação dos dois terística:
idiomas, 2enquanto nas pessoas que aprendem a se-
gunda língua, na vida adulta, duas regiões vizinhas, a) tom de revolta
separadas, cuidam cada uma de um idioma. A repre- b) orgulho ferido
sentação conjunta 4talvez explique a maior facilidade c) condição solitária
dos bilíngues verdadeiros em transitar 6entre os dois d) sentimento de culpa
idiomas, 3já que as mesmas redes neurais de asso-
ciação devem ser acionadas por um idioma e outro.

Adaptado de Suzana Herculano-Houzel

19. É CORRETO afirmar que no texto há:

a) diferentes níveis de linguagem, evidenciando a GABARITO


presença de variações no uso da língua.
b) o predomínio da função apelativa, com o uso de 1. [E] 11. [D]
elementos linguísticos que reforçam o apelo ao leitor, 2. [E] 12. [C]
revelado pela linguagem acadêmica.
3. [E] 13. [D]
c) linguagem formal na transmissão de informações,
4. [C] 14. [D]
intenção preponderante que indicia a função referen-
cial do texto. 5. [D] 15. [C]
d) uma estrutura típica da argumentação que apre- 6. [D] 16. [D]
senta duas teses conflitantes, sendo que ao final uma
7. [C] 17. [D]
delas é privilegiada.
e) predomínio da subjetividade, depreendida princi- 8. [E] 18. [A]
palmente pelo uso de expressões como “geralmente” 9. [C] 19. [C]
e “talvez”.
10. [D] 20. [C]

português 55
56
Anotações:
extensivo

português
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