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Conteúdo
1.Introdução.....................................................................................................................................2

2.1 conceitos e reflexões em torno das indústrias............................................................................3

2.3 Programa de Industrialização....................................................................................................4

3. PRE e a Estratégia de Reabilitação Económica. (Objectivos, metas e pressupostos).................5

4. Mudança de PRE para PRES.......................................................................................................6

4.1 Mudanças económicas e sociais registadas com a introdução do PRES...................................7

5. Conclusão....................................................................................................................................8

6. Bibliografia..................................................................................................................................9
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1.Introdução.

O actual estágio de Moçambique é resultado das políticas económicas, sociais e culturais


aplicadas em três grandes fases da nossa história portanto, Para o nosso estudo iremos apensa
analisar a fase de Moçambique independente. Este trabalho que tem como tema, o processo de
industrialização em Moçambique no período pós independência, procura trazer aquilo que foram
as bases de desenvolvimento por Moçambique adoptadas no desenvolvimento industrial e na
economia em geral no período pós independência.

Deste modo o trabalho começa por analisar algumas estratégias usadas para o desenvolvimento
das indústrias; descreve o programa de reabilitação económica (PRE) em Moçambique bem
como as razoes da sua mudança para o (PRES) e por fim reflecte sobre as mudanças económicas
e sociais operadas com a introdução de (PRES). A importância no estudo destes conteúdos
verifica se pelo facto de contribuir para entender a questão do desenvolvimento económico
moçambicano no período pós-independência para melhor entender o presente e o futuro do país

Em termos de estrutura, este trabalho apresente índice dos conteúdos abordados neste trabalho,
introdução, desenvolvimento, conclusão e referências bibliográficas de obras e instrumentos que
tornaram possível este trabalho

Objectivo geral.

 Analisar o desenvolvimento económico e industrial de Moçambique no período pós-


independência tendo em conta os planos de desenvolvimento económico(PRE e PRES).

Objectivos específicos.

 Caracterizar o alcance das metas de PRE;


 Indicar as razoes da mudança de PRE para PRES;
 Descrever as mudanças económicas e sociais no âmbito do PRES.

Metodologias.

 Revisão bibliográfica.
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2. O processo de industrialização de Moçambique no período pôs independência.


2.1 conceitos e reflexões em torno das indústrias.
Industrialização e desenvolvimento são relacionados, na literatura económica, por intermédio de
três ligações fundamentais:
a indústria como engenho do desenvolvimento estrutural da economia; as vantagens criadas pelas
capacidades industriais para os processos de internacionalização; e o papel da indústria na
libertação e absorção de recursos excedentários de outros sectores, em especial dos sectores de
inferior produtividade (Lucas 1990 apud CASTELO-BRANCO, 2003:3)
Industrialização é entendida como um processo de transformação da base estrutural e das
dinâmicas sócio económicas de acumulação, através do qual as conquistas da ciência e tecnologia
são aplicadas a todas as esferas de organização das cadeias de produção e valor; a qualidade dos
factores se desenvolve substancialmente; estes factores são transferidos para os sectores e
processos de maior produtividade e sinergias; e a sociedade evolui do auto emprego para
processos dominantemente sociais, colectivos e cooperativos de trabalho [ CITATION CAS03 \p
3 \l 1033 ].
o papel fundamental do processo de industrialização é absorver os factores e recursos libertados
pela dinâmica de desenvolvimento( Ibidem,2003:4). Num sentido, mais restrito, isto significa
absorver produtivamente na indústria e serviços relacionados os factores (em especial a força de
trabalho) que são libertados pela reestruturação e aumento da produtividade na agricultura e
outros sectores. Num outro sentido, mais amplo, isto também significa que excedentes, novos
factores e novas capacidades são crescentemente integrados nas dinâmicas fundamentais à volta
das quais os ritmos e a qualidade do crescimento e desenvolvimento aceleram e progridem, pelo
que os benefícios do crescimento e desenvolvimento podem ser amplamente partilhados.
O padrão de industrialização em Moçambique terá um carácter dinâmico, sustentável e
progressivo na medida em que transforma e fortalece ligações económicas e sociais, acelera o
crescimento, desenvolve a capacidade de a economia nacional participar positivamente na
economia mundial, e fortalece as capacidades económicas identificadas por via de alguns
indicadores macroeconómicos chave.

2.2 Estratégia de Desenvolvimento Industrial Acelerado: O PPI

Em 1977, o governo estabeleceu um programa económico que, para a indústria transformadora,


visava, reorganização do sector, repor os níveis de produção de 1973 e desenvolver a indústria
básica, de modo a alterar a estrutura industrial subdesenvolvida do país.
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Ate 1981, as acções prioritárias do governo foram concentradas em melhorar o aprovisionamento


das empresas em matérias-primas e materiais auxiliares indispensáveis, reorganizar as principais
linhas de produção e industrias e elaborar os projectos para o desenvolvimento da indústria
básica nacional[ CITATION HAN97 \p 238 \l 1033 ].

Esta política económica procurou alterar profundamente a estrutura da economia herdada do


colonialismo, neste âmbito o governo tomou como prioridade a nacionalização da terra, os
serviços de saúde, a educação, a advocacia privada e a excepção de um banco os restantes foram
concentrados sob direcção do estatal. Foram nacionalizadas algumas empresas estratégicas do
sector de distribuição de petróleo e da distribuição de carvão (Ibidem, 1997:238-239) .

Depois da independência Nacional e decorrentes das transformações que se seguiram, alargou-se


o acesso as escolas e adoptaram políticas viradas à consolidação do direito à educação. Neste
contexto foram criadas escolas por todo o país, com esforço de mobilização e formação de
professores e campanhas de alfabetização de adultos. Ate 1984 conseguiram resultados
surpreendentes em termos de redução do analfabetismo e o aumento do acesso das crianças às
escolas.

A guerra entre Moçambicanos prejudicou esse esforço, sobretudo ao nível das zonas rurais, não
só devido a deslocação da população, como também a destruição de 46% da rede escolar de nível
primário e 20% das escolas técnicas rurais[ CITATION PAI00 \p 56 \l 1033 ].

2.3 Programa de Industrialização

Com a aprovação do Plano Prospectivo Indicativo (PPI), foi oficialmente adoptado um programa
específico de industrialização. Este programa visava a construção, em 10 anos, das bases
essenciais da indústria básica moderna em Moçambique.

O programa assentava-se em: reforçar o papel do sector estatal e planificação centralizada, como
vias essenciais para garantir acumulação centrada no Estado; realização de novos e grandes
investimentos de raiz, especialmente na industria pesada e química, tendo em vista o
desenvolvimento da industria básica e da malha industrial, bem como o racional aproveitamento
dos recurso nacionais; localização dos grandes agregados industriais nas proximidades das suas
fontes de matérias-primas principais e dos mercados para seus produtos finais, o que permitiria
descentralizar a localização industrial e estender os benefícios da industrialização a todo o
território nacional[ CITATION CAS94 \p 158 \l 1033 ] .

Por exemplo, o grande projecto de alumínio seria localizado nas proximidades da central
hidroeléctrica de Cahora Bassa, enquanto os grandes projectos de ferro e aço e de
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electroquímicos seriam localizados ao longo do rio Zambeze; e concentração e racionalização do


parque industrial existente, em ordem a facilitar a planificação e a alocação dos recursos, bem
como a construção de economias de escala (Ibidem, 1994:162).

Correctamente, o programa colocava na ordem do dia a tarefa essencial de transformar a


estrutura industrial; moderniza-la, aprofundar e expandir a sua malha e ligações e criar a
indústria virada para a acumulação, ou seja, indústria produtora dos factores e de produção e de
materiais, que arrasta consigo o desenvolvimento dos diferentes sectores da economia. Industria
a criar deveria ser capaz de não só incorporara novas tecnologias, mais também de a criar.

Três problemas centrais eram colocados pelo programa de industrialização: como o financiar,
implementar e relacionar com o resto da economia [ CITATION PAI00 \p 72 \l 1033 ] . A solução
retórica e simplista da época para qualquer uma destas questões era a planificação centralizada.

por meio da planificação central seria possível controlar o processo de produção e os


excedentes, determinar a locação dos factores, estabelecer os devidos balanços materiais entre as
diferentes empresas e entre a procura e a oferta, gerir a utilização dos recursos escassos e
coordenar os diferentes projectos o tempo e espaço.

3. PRE e a Estratégia de Reabilitação Económica. (Objectivos, metas e pressupostos)

Em Janeiro de 1987, foi iniciada a implementação do Programa de Reabilitação Económica


(PRE) adoptando pelo governo e inspirado e condicionado pelas políticas do Banco Mundial e do
Fundo Monetário Internacional.

O PRE, que era inspirado e condicionado pelas políticas do Banco Mundial e do Fundo
Monetário Internacional, tinha como objectivos principais os seguintes:
 Reverter a queda da produção nacional;
 Assegurar à população das zonas rurais receitas mínimas e um nível de consumo mínimo;
 Reinstalar o balanço macroeconómico através da diminuição do défice orçamental;
 Reforçar a balança de transacções correntes e a balança de pagamentos.

O PRE tinha como objectivo e metas principais as seguintes: atingir, em 1990, os níveis de
produção e de exportação de 1981, nos ramos considerados prioritários; alertar o ambiente para o
desenvolvimento industrial, libertado o e privatizando as empresas e estabelecimentos industrias.
Por último, lançar as case para uma política industrial virada para um desenvolvimento equilibrado
e competitivo para o futuro
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Os seus objectivos, para a indústria transformadora, eram:

atingir, em 1990, os níveis de produção e de exportação de1981 nos ramos considerados


prioritários. Para que esse objectivo fosse alcançado foram definidas as seguintes taxas médias
anuais de crescimento: 18% para os ramos prioritários, 13% para o conjunto da indústria
transformadora, 25% para as exportações e 3% para o emprego; alterar o ambiente para o
desenvolvimento industrial, liberalizando-o e privatizando as empresas e estabelecimentos
industriais; lançar as bases para uma política industrial virada para um desenvolvimento
equilibrado e competitivo para o futuro[ CITATION KÜH90 \p 57 \l 1033 ]

Para atingir tais objectivos, o PRE pressupunha que a comunidade internacional garantiria os
fundos em moeda externa para a importação de preços sobressalentes, equipamentos e
assistência técnica, bem como para matérias-primas, matérias auxiliares e combustíveis (Ibidem,
1990:59). A guerra terminaria e a economia rural começaria a recuperar rapidamente e a
produção industrial encontraria um mercado disponível para todo o seu produto.

O PRE tinha por objectivo liberalizar a economia e sucessivamente deixá-la orientar-se para o
mercado. Para que isso acontecesse, era imprescindível que medidas políticas ao nível
financeiro, monetário e comercial fossem tomadas.
As empresas estatais deviam ser reestruturadas e, tanto quanto possível, privatizadas. Deviam ser
introduzidos critérios rígidos de rentabilidade em toda a gestão económica. Deviam ser
depositados mais esforços na agricultura privada, de pequena escala e familiar, através de
melhores termos de troca e de um aumento de oferta de bens. O comércio devia ser liberalizado e
o sistema de preços fixos abolido[ CITATION CAS03 \p 208 \l 1033 ] .
O IV Congresso marcou, de facto, a viragem do sistema económico de planificação central para
uma economia de mercado. Em simultâneo, o país assistiu ao abandono do sistema político mono
partidário para um pluralismo político, através da reforma constitucional de 1990.
4. Mudança de PRE para PRES.
A questão social e económica em que o país atravessa devido a guerra de resistência política e
manifestações sociais para além dos constrangimentos resultantes de rapidez em que o programa
foi aplicado resultaram em um número de efeitos negativos que criaram descontentamento no
seio das populações.
Três anos depois, a fome generalizada em longas, várias zonas grassavam o país, grupos de
bandidos internacionalmente organizados espalhavam o terror por toda a parte, e o país registava
uma tendência para a subordinação e dependência sob exigência do capital internacional,
nomeadamente o sul-africano[ CITATION CAS03 \p 193 \l 1033 ].
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A rápida aplicação do PRE produziu efeitos sociais sobre a maioria da população, dos quais os
pobres das cidades foram os que pagaram a factura da forma mais dolorosa; existiram no sector
privado reclamações associadas a disponibilidade e acesso ao crédito. Neste sentido, o governo na
tentativa de reverter este cenário ligado ao descontentamento popular, introduz oficialmente o
PRES adoptando algumas medidas tendentes a resolver o descontentamento do povo dos quais o
volume do crédito aumento e o salário real recuperou alguns pontos [ CITATION PAI00 \p 86 \l
1033 ].

PRES segundo Abrahamsson e Nilsson (1994:44) apud [ CITATION FAZ15 \p 186 \l 1033 ] , tomava
mais em consideração as dimensões sociais de reabilitação económica acentuando mais na luta
contra a pobreza e o desenvolvimento da estrutura física e social das zonas rurais.

4.1 Mudanças económicas e sociais registadas com a introdução do PRES.


O PRES tinha por objectivo liberalizar a economia e sucessivamente deixá-la orientar-se para o
mercado. Para que isso acontecesse, era imprescindível que medidas políticas ao nível
financeiro, monetário e comercial fossem tomadas.
As empresas estatais deviam ser reestruturadas e, tanto quanto possível, privatizadas. Deviam ser
introduzidos critérios rígidos de rentabilidade em toda a gestão económica. Deviam ser
depositados mais esforços na agricultura privada, de pequena escala e familiar, através de
melhores termos de troca e de um aumento de oferta de bens. O comércio devia ser liberalizado e
o sistema de preços fixos abolido[ CITATION KÜH90 \p 68 \l 1033 ] .
O IV Congresso marcou, de facto, a viragem do sistema económico de planificação central para
uma economia de mercado. Em simultâneo, o país assistiu ao abandono do sistema político mono
partidário para um pluralismo político, através da reforma constitucional de 1990.
Mosca (2005:401-402) apud [ CITATION FAZ15 \p 188 \l 1033 ], ao fazer uma analise da evolução
da economia no período de aplicação do ajustamento estrutural, sustenta que o PRES inverteu o
crescimento económico negativo de 1981 a 1986 pois:
 Verificou se a chegada massiva de ajuda internacional e a realização de projectos através
de ONG de desenvolvimento contribuíram para a dinamização da economia;
 A partir de 1992, com a paz, constituiu um factor importante para o crescimento e
funcionamento da economia, para o investimento e para a redução dos gastos com a
defesa e a segurança. È a partir de 1992 que o investimento estrangeiro entra no pais,
como a MOZAL que tem importante influencia sobre o PIB.
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5. Conclusão.

Ainda que com boas perspectivas, Moçambique não conseguiu ultrapassar as serias dificuldades
ate hoje enfrentadas portanto, Com o efeito do preço de petróleo, o impacto fez-se sentir no
mundo inteiro e, Moçambique não fugindo a regra viu-se afectado. Logo após a independência,
Moçambique viu-se envolvido numa situação de carência. Tal situação deveu-se a saída massiva
dos colonos portugueses que durante o processo de colonização, estes ocupavam cargos elevados
de administração e altos funcionários.

Enquanto isso, os homens de baixa renda maioritariamente moçambicanos, ocupavam cargos de


baixa renda que não compensou nada em termos de quadros qualificados. Tais eram fachineiros,
serventes, cantoneiros etc. Portanto, como resultado do processo de descolonização, a economia
moçambicana entrou em caos. Houve a nacionalização de serviços diversos que antes eram
ocupados por elites. A sanção económica aplicada contra a ex – Rodésia, significou que ambos
(Moçambique e Zimbabué) não deviam utilizar os caminhos-de-ferro que liga esses dois países.

O programa de industrialização continha uma serie de fraquezas económicas fundamentais:


dependência de recursos externos, orientação comercial excessivamente centrada no comércio
interno, uma gestão macroeconómica desequilibrada, excesso de centralização e uma relação
estruturalmente inadequada com o sector agrário, intervencionismo estatal excessivo.

O programa PRE, tinha uma serie de debilidade, pois ela não continha uma clara politica
industrial: as prioridades e critérios de selecção eram vagos e múltiplos, o que levava a dispersão
dos recursos disponíveis e a identificação de alvos a atingir. Aliais o PRE fora concebido como
um conjunto de programas sectoriais e medidas de ajustamento financeiros, e não como um
programa económico global. Visava repor em funcionamento um parque industrial obsoleto e
não competitivo – sem enfrentar a necessidade de o reestruturar e transformar – e pretendia faze-
lo com dependência total de recursos externos. Mais uma vez, os problemas centrais para o
financiamento sustentado e equilibrado de estratégia não eram enfrentados.
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6. Bibliografia
CASTEL-BRANCO, C. N. Moçambique: Perspectivas Económicas. MAPUTO: UEM. 1994.

CASTELO-BRANCO, C. N. Industria e Industrializaçõo em Mocambique: Análise da situação


actual e linhas estratégicas de desenvolvimento. Maputo. 2003.

FAZ-TUDO, J., & ASSUMANE, A. F. História Económica IV. Beira: UCM/CED. 2015.

HANLON, J. Paz sem benefício: como o FMI bloqueia a reconstrução de Moçambique (1ª
edição .). Nosso Chão Editora. 1997.

KÜHNE, W. I. África e o novo realismo de Gorbatchov, in: ZACARIAS, Agostinho,


Repensando Estratégias Sobre Moçambique e África Austral. Maputo: ISRI. 1990.

PAIVA, J. F. economia e política. Moçambique e a instituição da Bretton Woods (1ª edição.).


Vega Editora. 2000

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