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31/03/2020 .

: PENSAR / MIGRAR: filosofia da migração em Vilém Flusser


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5/09/2011
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PENSAR / MIGRAR: loso a da migração em Vilém Flusser
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crônica das idéias perdidas

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JOSÉ GIL: e x p e r i ê n c i a s
– b o r d e r l ...
PENSAR / MIGRAR: loso a
1) Introdução da migração em Vilém Fl...
VIDA E ESCRITA EMERGEM
O objetivo desse texto é expor as principais diretrizes do projeto de uma filosofia da INSEPARÁVEIS: sobre
migração por Vilém Flusser.  Embora o problema da migração não pareça ter estatuto filosófico, Naufrág...
veremos que trata-se aí de uma das questões mais importantes da filosofia. Flusser era ele Documentário Roberto
mesmo um migrante, suas reflexões sobre os movimentos migratórios eram para ele ao mesmo Bolaño
tempo filosóficas e autobiográficas. O presente ensaio insere-se, portanto, na pesquisa sobre
CINEPENSAMENTO

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"Memória, Linguagem e Identidade nas Autobiografias Filosóficas", que desenvolvo junto ao Cine-Pensamento-
Mestrado em Memória Social e Documento (MMSD) da UNIRIO. programação

► Junho (5)
2) Quem foi Vilém Flusser?
► Julho (3)
Surpreendentemente poucos no Brasil conhecem esse filósofo de origem tcheca que ► Agosto (11)
morou e ensinou durante 30 anos em São Paulo e tem uma vasta obra, traduzida do português
para o inglês, francês e alemão. Flusser nasceu em 12 de maio de 1920 em Praga, filho de pais ► Setembro (5)
judeus. Cresceu falando alemão e tcheco como Kafka. Estudou filosofia na universidade de ► Outubro (5)
Praga a partir de 1939, mas teve que interromper os estudos com a invasão de Hitler à república ► Novembro (4)
tcheca. Emigrou então para Londres e depois para o Brasil. Sua família foi toda dizimada em
campos de concentração. ► Dezembro (6)
No Brasil, durante a década de 40 realizou diversos trabalhos para sobreviver; continuou
► 2012 (36)
seus estudos de filosofia de maneira informal e autodidata. Nos anos 50 aparecem as primeiras
publicações em jornais e revistas sobre problemas de filosofia da linguagem e fenomenologia ► 2013 (51)
do cotidiano. Em 1959 é convidado a assumir uma cadeira de filosofia da ciência na USP. Em ► 2014 (43)
1963 lança seu primeiro livro, intitulado "Língua e Realidade". De 1965 a 1972 divide a tarefa
de lecionar filosofia na faculdade humanística do ITA de São José dos Campos com a ► 2015 (31)
publicação de diversos artigos em jornais e revistas, além de palestras como professor visitante ► 2016 (18)
em Yale, Barcelona e Berlin. Em 1972 começa a enfrentar problemas com o regime militar e
► 2017 (16)
decide emigrar novamente, dessa vez para a França. A partir de 1975 torna-se professor da
escola nacional de fotografia de Aix-en-Provence, onde prosseguirá suas pesquisas sobre novas ► 2018 (4)
mídias e cultura. No dia 27 de novembro de 1991, um dia após uma conferência sobre mudança ► 2019 (3)
de paradigmas da ciência no Instituto Goethe de Praga, morre em um acidente automobilístico.
Suas principais publicações são "História do Diabo" (1965), "A Força do Cotidiano" (1973), ► 2020 (5)
"Por uma Filosofia da Fotografia" (1983), "Gestos" (1991). Pode-se dizer que era um filósofo
que levava a sério a superfície e as aparências. Costumava citar Goethe como lema de seu
trabalho: não procurar nada atrás dos fenômenos, eles mesmos são o ensinamento. polichinello

3) Filosofia da Migração Visualizar meu per l completo

É sintomático que a maioria dos textos, anotações e projetos de livros que tenham como
tema a migração tenham sido escritos em meados da década de 70, depois do banimento de
Flusser do Brasil por causa ditadura militar. A expulsão da segunda pátria, a pátria escolhida
parece ter causado uma frustração maior do que a expulsão da pátria original, a república
tcheca.
Pela própria biografia de Flusser sabemos que ele viveu uma experiência radical de
desenraizamento, de falta de chão (essa expressão serve de título à sua autobiografia
"Bodenlos", publicada em (1999). A sensação de falta de lar é descrita com precisão em uma de
suas conferências:

Nasci em Praga e meus antepassados parecem ter morado por


mais de mil anos na cidade dourada. Eu sou judeu e a frase ‘no ano
que vem em Jerusalém’ me acompanha desde a infância’. Estive
envolvido durante três décadas na tentativa de construir uma cultura
brasileira a partir da mistura entre elementos europeus ocidentais e
orientais, africanos, asiáticos e indianos. Moro em uma aldeia na
Provence, fui incorporado visceralmente nessa comunidade
atemporal. Fui educado pela cultura alemã e participo dela já há
muitos anos. Enfim, não tenho pátria, porque muitos lares ou pátrias
se acumulam em mim. Isso se exterioriza diariamente no meu
trabalho. Sinto-me em casa em quatro línguas e sou obrigado a
retraduzir tudo que escrevo nessas quatro línguas [1] .

Ao pensar a questão da migração Flusser está asssumindo o caráter autobiográfico de sua


filosofia. Sua "filosofia da migração" nunca foi sistematizada, mas apresenta algumas teses
instigantes. Em primeiro lugar (A), Flusser afirma que a dificuldade dos sedentários em lidar
com os arrivistas é sintoma de uma doença estética. Em segundo lugar (B), o autor defende a
posição de que o exílio pode ser um fenômeno positivo. Finalmente (C), para Flusser migrar é
uma atitude de revolta contra as condições estabelecidas e uma forma de engajamento para
promover transformações.

A) Genealogia estética do amor pela pátria

Flusser desloca o problema da migração do âmbito sócio-econômico para o ontológico


ao estabelecer as bases do patriotismo dentro de uma lógica estética. Segundo o autor, toda casa
é para seu morador algo bonito, pois ele está acostumado com ela, sente-se seguro,
tranquilizado, a casa não muda, permanece. Já o que vem de fora é inabitual, estranho,
incômodo. Tudo que parece familiar reflete nossa própria face. O confortável parece bonito; já
aquilo que é diferente, inusual, causa desconforto, parece feio.
A lógica estética torna tudo belo quando incorporado à casa, mas também torna tudo
feio, quando algo é expelido, banido ou expulso. A tese de Flusser é a de que "o patriotismo é
antes de tudo um sintoma de uma doença estética" (op.cit.,p.29). Sentir apenas o lar como
bonito, enraizar-se na pátria original e manter-se fechado para o feio que chega e que poderia
ser transformado em belo...
O imigrante é para o enraizado alguém ameaçador, pois expõe a fragilidade do lar
sagrado. O arrivista é alguém que já está no lugar, mas não inteiramente, é um aspirante à
residência, taxado de recém-chegado pelos locais, para que estes possam se sentir mais seguros
na sua moradia. Com a chegada dos migrantes surge um polêmico diálogo que tanto poder

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gerar um pogrom ou um enriquecimento da pátria, ou ainda uma libertação do enraizado de
suas raízes. Mas será possível desenraizar-se?

B) Exílio como experiência libertária

O enraizamento do homem é um conceito ideológico, pois na prática ninguém é


enraizado. Falar de raízes faz o homem parecer um legume: fixado na terra. Outra tese
fundamental de Flusser diz que para ser homem é preciso assumir o desenraizamento. O exílio,
que é a expulsão violenta de pessoas de suas condições originais, pode vir a ser uma
oportunidade criativa, um bom método, para que as pessoas se tornem seres humanos no
sentido mais pleno da palavra.
O argumento de Flusser desenvolve-se da seguinte maneira: quem é expulso é retirado
do seu lugar habital. O hábito é como uma capa ou véu que cobre as questões, as relações, os
estados de coisas. No âmbito conhecido e familiar do morador, do sedentário, do nativo,
somente as alterações são perceptíveis e informativas, mas não o que permanece (pois parece
redundante). No exílio tudo é inabitual, o exílio é um oceano de informações caóticas. Mas a
condição de não morador impede que essas informações possam ser trabalhadas como
mensagens cheias de sentido, é preciso processar esses dados. Quem não conseguir, será como
que engolido no exílio, é questão de sobrevivência. Processar os dados caóticos é inventar, é
preciso ser criativo quando se foi expulso de sua pátria. Trata-se aí de uma apropriação positiva
do banimento contra o mero "compadecer-se" do exilado. Quem simplesmente ajuda o expulso
quer reintegrá-lo no ordinário e habitual. Trata-se da mesma lógica que promove o exílio, ainda
que inversamente: os expulsos e banidos eram fatores de perturbação da ordem e foram
expulsos para que a pátria pudesse se tornar ainda mais comum e habitual do que antes.
O hábito é como um cobertor de algodão, cobre todos os cantos e abafa os sons, é
anestésico, esconde inforamacões. O hábito faz tudo ficar bonito e tranqüilo. Vimos que a
boniteza do lar habitual é a fonte do amor à pátria. Tira-se o cobertor e tudo fica monstruoso,
inabitual, "entsetzlich" (deslocado). No exílio, onde o cobertor do hábito foi retirado, passamos
a perceber de forma mais apurada o mundo e tornamos-nos revolucionários, mesmo que apenas
para poder morar no novo lugar.
Para o exilado toda terra nova é América, para quem já mora há muito no mesmo lugar
todo território é antigo, mesmo que seja na América. Para Flusser   somente o migrante é
verdadeiramente americano, mesmo quando ele migra para outros lugares, antigos ou sagrados,
a atmosfera americana está em todo lugar onde ele se sentir sem raízes:

É indiferente para onde se é banido. Para os exilados mesmos


todo exílio é terra nova. Mas para moradores originais toda terra
tem um outro caráter, a saber, dos hábitos, que cobrem as verdades.
Existem países que por hábito se consideram novas (por exemplo, a
América, ou a terra de nossos netos, ou a terra dos aparelhos
tecnológicos). E existem terras que por hábito são antigas, se tomam
como sagradas (por exemplo Jerusalém, ou a terra dos textos
lineares, ou dos valores burgueses) (op.cit., p.106).

O exilado toma sempre a terra com um novo caráter, obrigando os que se acham novos a
se descobrir como antigos e os antigos a se descobrir como animais habituais. Os exilados são
desenraizados que procuram desenraizar tudo a sua volta, para poder lançar novas raízes. Será
preciso ter consciência desse processo vegetal, que o homem não é uma árvore ou legume, que
não precisar fincar raízes fixas no solo.
Dá trabalho não fincar raízes, a dignidade humana está na falta de raízes e na liberdade
de permanecer estrangeiro, diferente dos outros, um outro dos outros"a patria do apátrida é o
outro". A hipótese flusseriana vale tanto para os "boat people", palestinos, afegãos ou curdos,
mas também para os idosos, aqueles que sentem expulsos do mundo de suas crianças e netos;
ou ainda para os humanistas, que sentem na pele um certo exílio em relação ao mundo
tecnológico. Estamos em uma época de banimentos, é tarefa do pensamento reavaliar esses
fenômenos culturais positivamente também.

C) Migração como Revolta e Engajamento

"Nós migrantes, somos as janelas através do qual os nativos podem ver o mundo", diz
Flusser em uma de suas entrevistas. O homem é condicionado por coisas naturais ou culturais,
pode ser explicado até certo ponto por esse condicionamento, mas o homem não é totalmente
condicionado, existe sempre um lugar sem coisas naturais ou culturais, no qual ele é livre. Esse
lugar pode ser chamado de ironia (figura de retórica de dizer o contrário do que se entende, tal
como na ironia socrática que consistia em simular uma certa ignorância para demonstrar a
fragilidade do discurso do interlocutor, enfim, um discurso estratégico contra o poder). O
movimento que eleva o homem à ironia não pode ser explicado ou previsto pelas suas
condições naturais ou culturais, mas exatamente por ser contra ou apesar delas. O movimento
do homem para a ironia pode ser chamado de revolta, o movimento para fora da ironia pode ser
chamado de engajamento (uma volta às condições da situação, com o fim de alterá-las). Os dois
movimentos compõem a liberdade humana. O homem é livre porque pode se revoltar contra
suas condições e alterá-las. A possibilidade da ironia e do engajamento diferencia o homem das
coisas ao seu redor... É a sua dignidade, qualquer explicação do homem apenas pelas condições
naturais ou culturais é uma des-dignificação do homem...
Flusser chama de "emigração" o movimento da revolta na ironia e de "imigração" o
movimento da ironia para o engajamento. Minha revolta me leva a sair do meu lugar, a migrar,
mas esse migrar também é uma fuga. Qual a diferença entre migrar e fugir?  O homem é livre
quando pode fugir? Quando eu abando um condicionamento para readentrar em outro
condicionamento num mesmo nível, eu sou um apenas refugiado. Eu não me revoltei, nem me
engagei, apenas me deixei levar... Trata-se de um movimento previsível e por isso mesmo sem

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dignidade, sem liberdade. Na prática toda emigração tem algo de fuga e toda imigração tem
algo de salvação. Qual será então a diferença mais radical?

O refugiado está preso, positiva e negativamente, nas


condições que ele abandonou. Ele as carrega consigo em seu
caminho, na forma de uma mistura de amor e ressentimento. O
emigrante ao contrário, distanciou-se de suas condições, na sua
revolta ele seleciona o que lhe interessa e o que deve eliminar. O
refugiado é alguém que está fechado de novo, não tem nada para
dar, nem para tomar. O emigrante se mantém aberto para a
assimilação das novas condições e para atuar de maneira
modificante (op.cit., p.39).

As categorias da "filosofia da migração" de Flusser são ainda vagas e nebulososas. A


fronteira entre a fuga e a autêntica emigração nunca ficará suficientemente clara. Mas ela
tenderá a tentar transmutar o sofrimento de quem é forçado a se exilar em uma dor de parto, a
interpretar a migração como uma experiência radical de liberdade, cheio de mensagens para o
futuro.  

IV.  Filosofia e Migração

O sedentário tem propriedade, o viajante experimenta. O sedentário mora no habito, o


viajante corre perigo. O sedentário vive astronomicamente, o nômade vive metereologicamente.
No século XXI não é mais a propriedade, mas a informação que garante poder. Não é mais a
casa que se torna funcional, mas a comunicação. Começamos todos a nos nomadizar na era da
informação. Vivemos numa época em que fomos banidos da "realidade", não temos mais
certeza se o que vemos é verdadeiro ou não. Depende de nós decidir se esse desenraizamento
do real será vivenciado como uma exílio forçado ou como uma experimentação que permite
novas e criativas formas de existência. A migração é um tema filosófico por excelência porque
fazer filosofia é uma espécie de migração interior. Filosofar é se exilar na própria casa, na
cidade, no mundo, em si mesmo, elevando a cobertura do habitual que repousa sobre as coisas.

Charles Feitosa é professor e pesquisador do Programa de Pós-Gradução em Artes Cênicas da UNIRIO,


com pós-doutorado em Filosofia pela Universidade de Potsdam-Alemanha e doutorado em Filosofia na
Albert Ludwigs Universität Freiburg, no mesmo país. Além disso, é vice-coordenador de graduação em
Filosofia da UNIRIO. Sua experiência na área tem ênfase em Estética moderna e contemporânea, onde atua
principalmente com arte, memória, finitude, corpo, cultura pop e dança.

Postado por polichinello às 20:18

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