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A alvorada da matemática moderna

9.1 O século XVII


O século XVII é particularmente importante na história da matemática. Perto do
início do século, Napier revelou sua invenção dos logaritmos, Harriot e Oughtred
contri­buíram para a notação e a codificação da álgebra, Galileu fundou a ciência da
dinâmica e Kepler anunciou suas leis do movimento planetário. Mais tarde, Desargues
e Pascal inau­guraram um novo campo da geometria pura, Descartes lançou a geome-
tria analítica mo­derna, Fermat estabeleceu os fundamentos da teoria dos números
moderna e Huygens deu contribuições de monta à teoria das probabilidades e a outros
campos. E então, perto do final do século, na esteira preparada por vários matemáticos
do próprio século, Newton e Leibniz contribuíram memoravelmente com a criação
de cálculo. Podemos ver então que muitos campos novos e vastos se abriram para a
pesquisa matemática durante o século XVII.
O grande ímpeto dado à matemática no século XVII foi partilhado por todas as
atividades intelectuais e se deveu, em grande parte, sem dúvida, aos avanços políticos,
econômicos e sociais da época. O século testemunhou ganhos ponderáveis na batalha
pelos direitos humanos, viu máquinas bem avançadas, dos divertidos brinquedos
dos tempos de Herão a objetos de importância econômica crescente, e observou
um desenvolvimento no espírito de internacionalismo intelectual e no ceticismo
científico. A atmos­fera política mais favorável no norte da Europa e a superação geral
da barreira do frio e da escuridão nos longos meses de inverno, com os progressos
no aquecimento e na ilumina­ção, respondem provavelmente em grande parte pelo
deslocamento da atividade matemática no século XVII da Itália para a França e a
Inglaterra.
Nada mais justo do que observar aqui dois fatos que contribuirão para a apresen­
tação algo desequilibrada da história da matemática na segunda parte deste livro. O
pri­meiro é que a atividade matemática começou a crescer numa velocidade tão grande
que, doravante, devem-se omitir muitos nomes que em períodos menos produtivos
teriam sido considerados. O segundo fato é que, com o desenrolar do século XVII,
verificou-se uma produção crescente de pesquisa matemática, fora do alcance do leitor
comum, pois, como já se asseverou com propriedade, não é possível entender devida-
mente a história de uma matéria sem conhecer a própria matéria.
Neste capítulo e no próximo, consideraremos os desenvolvimentos do século XVII
que podem ser entendidos sem o conhecimento do cálculo. O Capítulo 11 apresenta
introdução à história da matemática 341

um esboço do desenvolvimento do cálculo, desde seu início na Antiguidade grega


até as notáveis contribuições feitas por Newton e Leibniz e seus precursores imedia-
tos na segun­da metade do século XVII. Os capítulos finais do livro descrevem a
transição para o século XX; esses últimos capítulos devem ser necessariamente mui-
to superficiais, pois a maior parte da matemática desse período só pode ser entendida
por ­especialistas.

9.2 Napier
Muitos dos campos nos quais os cálculos numéricos são importantes, como a
astronomia, a navegação, o comércio, a engenharia e a guerra fizeram com que as
deman­das para que esses cálculos se tornassem cada vez mais rápidos e precisos cres-
cessem sempre e continuamente. Quatro notáveis invenções vieram atender sucessi-
vamente essas demandas crescentes: a notação indo-arábica, as frações decimais, os
logaritmos e os modernos computadores. É hora de se considerar o terceiro desses
grandes dispositivos poupadores de trabalho, os logaritmos, inventados por John
Napier perto do início do século XVII. A quarta dessas invenções será considerada
mais tarde, na Seção 15-9.

John Napier
(Culver Service)

John Napier (1550-1617), que nasceu quando seu pai tinha apenas 16 anos de
idade, viveu a maior parte de sua vida na majestosa propriedade de sua família, o ­castelo
de Merchiston, perto de Edimburgo, Escócia, e gastou grande parte de suas ener­gias
em controvérsias políticas e religiosas de seu tempo. Era violentamente anticatólico e
defensor das causas de John Knox e Jaime I. Em 1593 publicou um libelo amargo e
amplamente lido contra a Igreja de Roma intitulado A Plaine Discouery of the Whole
Reuelation of Saint Iohn, no qual se propunha a provar que o papa era o Anticristo e
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que o Criador tencionava pôr fim ao mundo nos anos entre 1688 e 1700. O livro atin-
giu 21 edições, pelo menos dez ainda em vida do autor, e Napier acreditava piamente
que sua reputação com a posteridade repousaria sobre esse livro.
Profeticamente, Napier também escreveu sobre várias máquinas de guerra infer­nais,
acompanhando seus escritos de projetos e diagramas. Previu que no futuro desenvolver-
se-ia uma peça de artilharia que “poderia eliminar de um campo de quatro milhas de
circunferência todas as criaturas vivas que excedessem um pé de altura”, que se produ­
ziriam “dispositivos para navegar debaixo d’água” e que se criaria um carro de guerra
com uma boca que se acenderia para “espalhar a destruição por todas as partes”. A
metralha­dora, o submarino e o tanque de guerra, respectivamente, vieram concretizar
esses vaticínios na Primeira Guerra Mundial.
Não é de surpreender que a engenhosidade e a imaginação de Napier levassem alguns
a acreditar que ele fosse mentalmente desequilibrado e outros a considerá-lo um explora­
dor da magia negra. Contam-se muitas histórias, provavelmente infundadas, em ­defesa
dessas opiniões. Uma delas dá conta de que seu galo negro teria identificado para ele os
empregados que o roubavam. Um a um os empregados foram enviados a um quarto
escuro com instruções para tocar no dorso do galo. Sem que os empregados soubessem,
Napier havia coberto o dorso da ave com uma fuligem, e os empregados culpados, ­temen­do
tocar no galo, voltavam com as mãos limpas. Houve uma ocasião também em que Napier
se irritou com os pombos de seu vizinho que lhe comiam os grãos. Ele ameaçou apreen-
der esses pombos caso o dono não limitasse seus voos. O vizinho, acreditando que seria
virtualmente impossível capturar seus pombos, disse a Napier que o deixava à von­tade
para prendê-los. No dia seguinte, surpreso, viu seus pombos cambaleantes sobre o ­gramado
de Napier enquanto este, calmamente, os recolhia num saco. Napier havia em­briagado
os pombos espalhando em seu gramado grãos de ervilha embebidos em conhaque.
Para se descontrair de suas polêmicas políticas e religiosas, Napier deleitava-se estu-
dando matemática e ciência, resultando daí que quatro produtos de seu gênio tenham
entrado para a história da matemática. São: (1) a invenção dos logaritmos; (2) um enge­
nhoso dispositivo mnemônico, conhecido como regra das partes circulares, para reprodu­
zir fórmulas usadas na resolução de triângulos esféricos; (3) pelo menos duas fórmulas
trigonométricas de um grupo de quatro conhecidas como analogias de Napier, úteis na
resolução de triângulos esféricos obliquângulos; (4) a invenção de um instrumento,
conhe­cido como barras de Napier ou ossos de Napier, usado para efetuar mecanicamen-
te multiplicações, divisões e extrair raízes quadradas de números. Focalizaremos agora
a primeira, e a mais notável, dessas contribuições; para uma discussão das outras três,
ver Exercícios 9.2 e 9.3.

9.3 Logaritmos
Como sabemos hoje, o poder dos logaritmos como instrumentos de cálculo repou-
sa no fato de que eles reduzem multiplicações e divisões a simples operações de adição
e subtração. A fórmula trigonométrica
introdução à história da matemática 343

2 cos A cos B = cos (A + B) + cos (A – B),

bem conhecida na época de Napier, é visivelmente uma predecessora dessa ideia. ­Neste
caso o produto dos dois números, 2 cosA cosB, é substituído pela soma dos dois nú-
meros, cos(A + B) e cos(A B). Pode-se facilmente estender essa fórmula para con-
verter o produto de dois números quaisquer na soma de dois outros números. Supo-
nhamos, por exemplo, que se pretenda o produto de 437,64 por 27,327. De uma tábua
de cossenos, ache, usando interpolação se necessário, os ângulos A e B, tais que
(0,43764)
cos A 0,21882 e cos B 0,27327 .
2
Então, usando de novo a tábua de cossenos, com interpolação se necessário, encon-
tre cos(A + B) e cos(A B) e some esses números. Tem-se agora o produto de 0,43764
e 0,27327. Finalmente, ajustando de maneira adequada a vírgula decimal na resposta,
obtém-se o produto procurado. Assim, o problema de achar o produto (437,54)(27,327)
foi engenhosamente reduzido a um simples problema de adição.
Além da fórmula trigonométrica precedente há ainda as três seguintes:
2 sen A cos B = sen (A + B) + sen (A – B),
2 cos A sen B = sen (A + B) sen (A – B),
2 sen A sen B = cos (A – B) cos (A + B).

Essas quatro identidades são às vezes conhecidas como fórmulas de Werner pois ao que
parece o alemão Johannes Werner (1468-1528) as usou para simplificar cálculos
envolven­do comprimentos que aparecem em astronomia. As fórmulas passaram a ser
largamente usadas por matemáticos e astrônomos perto do fim do século XVII como
um método de conversão de produtos em somas e diferenças. O método tornou-se
conhecido como prostaférese, a partir de uma palavra grega que significa “adição e
subtração”. Uma divisão pode ser tratada da mesma maneira. Assim, utilizando-se de
novo a primeira das fórmulas de Werner, temos

2 cos A
2 cos A sec B 2 cos A cos (90 B)
cos B
cos [ A (90 B ) ] cos [ A (90 B) ] .

Sabemos que Napier estava inteirado do método da prostaférese, e é possível que


se tivesse deixado influenciar por ele, pois de outra forma seria difícil explicar por que
restringiu seus logaritmos inicialmente aos senos de ângulos. Mas a abordagem de
Napier para eliminar o fantasma das longas multiplicações e divisões difere conside-
ravelmente da prostaférese, e se baseia no fato de que, associando-se aos termos de uma
progressão geométrica

b, b2, b3, b4, ..., bm, ..., bn, ...


344 howard eves

os da progressão aritmética

1, 2, 3, 4, ..., m, ..., n, ... ,

então o produto bm bn = bm + n de dois termos da primeira progressão está associado à


soma m + n dos termos correspondentes da segunda progressão. Para manter os termos
da progressão geométrica suficientemente próximos de modo que se possa usar inter-
polação para preencher as lacunas entre os termos na correspondência precedente,
deve-se escolher o número b bem próximo de 1. Com essa finalidade Napier tomou
1 1/107 = 0,9999999 para b. Para evitar decimais, ele multiplicava cada potência
por 107. Então, se

N = 107(1 1/107)L,

ele chamava L de “logaritmo” do número N. Segue-se que o logaritmo de Napier de


107 é 0 e o de 107(1 1/107) = 0,9999999 é 1. Dividindo-se N e L por 107, virtual-
mente se encontrará um sistema de logaritmos na base 1/e, pois
7
(1 1 / 10 7 )10 lim (1 1 / n) n 1/ e .
n

Como é óbvio, deve-se ter em mente que Napier não trabalhava com o conceito
de base de um sistema de logaritmos.
Napier dedicou pelo menos 20 anos a essa teoria, tendo finalmente explanado os
princípios de seu trabalho em termos geométricos como se segue. Considere um seg-
mento de reta AB e uma semirreta DE, de origem D, conforme a Figura 73. Suponha­
mos que os pontos C e F se ponham em movimento simultaneamente a partir de A e
D, respectivamente, ao longo dessas linhas, com a mesma velocidade inicial. Admita-
mos que C se mova com uma velocidade numericamente sempre igual à distância CB,
e que F se mova com velocidade uniforme. Napier definiu então DF como o logaritmo
de CB. Isto é, pondo DF = x e CB = y,

x = Nap log y.

Figura 73

Para evitar o incômodo das frações, Napier tomou o comprimento de AB como 107,
pois as melhores tábuas de senos de que dispunha estendiam-se até sete casas. A partir
introdução à história da matemática 345

da definição de Napier e através do uso de conhecimentos com que Napier não con-
tava chega-se a que

y
Nap log y 10 7 log1/e ,
10 7

de modo que a afirmação feita frequentemente de que os logaritmos neperianos são


logaritmos naturais não corresponde de fato à verdade. Observe-se que os logaritmos
neperianos decrescem conforme os números crescem, ao contrário do que ocorre com
os logaritmos naturais.
Nota-se ademais que, sobre uma sucessão de períodos de tempo iguais, y decresce
em progressão geométrica enquanto x cresce em progressão aritmética. Assim, verifica-
se o princípio fundamental de um sistema de logaritmos, a associação de uma progres-
são geométrica a uma aritmética. Daí que, por exemplo, se a/b = c/d, então

Nap log a Nap log b = Nap log c Nap log d ,

que é um dos muitos resultados estabelecidos por Napier.


Napier publicou sua abordagem dos logaritmos em 1614 num texto intitulado
Mirifici logarithmorum canonis descriptio (Descrição da Maravilhosa Lei dos
­Logaritmos). O trabalho contém uma tábua que dá os logaritmos dos senos de ân-
gulos para minutos sucessivos de arco. A Descriptio despertou interesse imediato e
amplo, sendo que no ano seguinte à sua publicação, Henry Briggs (1561-1631),
professor de geometria do Gresham College de Londres e posteriormente professor
de Oxford, viajou até Edimburgo para dar o tributo de seu reconhecimento ao
grande inventor dos logaritmos. Foi durante essa visita que Napier e Briggs concor-
daram que as tábuas seriam mais úteis se fossem alteradas de modo que o logaritmo
de 1 fosse 0 e o logaritmo de 10 fosse uma potência conveniente de 10, nascendo
assim os logaritmos briggsianos ou comuns, os logaritmos dos dias de hoje. Esses


Prova-se facilmente este resultado com um pouco de cálculo. Assim é que temos AC = 107 – y e daí

velocidade de C = dy/dt = y.

Isto é, dy/y = dt ou, integrando, ln y = t + C. Calculando-se a constante de integração (fazendo t = 0), obtemos que
C = ln 107 e portanto

ln y = t + ln 107 .

Por outro lado,

velocidade de F = dx/dt = 107 ,

de modo que x = 107 t. Donde


Nap log y = x = 107 t = 107 (ln 107 ln y)
= 107 ln (107/y) = 107 log 1/e (y 107).
346 howard eves

logaritmos, que são essencialmente os logaritmos de base 10, devem sua supe­rioridade
em cálculos numéricos ao fato de que nosso sistema de numeração é deci­mal. Para
um outro sistema de numeração de base b e para propósitos computacionais, é claro
que seriam mais convenientes tábuas de logaritmos também na base b.
Briggs devotou todas as suas energias à construção de uma tábua com base na nova
ideia; e em 1624 publicou sua Arithmetica logarithmica, que continha uma tábua de
logaritmos comuns, com 14 casas decimais, dos números de 1 a 20 000 e de 90 000 a
100  000. A lacuna entre 20 000 e 90 000 foi preenchida com a ajuda de Adriaen Vla-
cq (1600-1660), um livreiro e editor holandês. Edmund Gunter (1581-1626), um dos
colegas de Briggs, publicou em 1620 uma tábua de logaritmos comuns de senos e
tangentes de ângulos, para intervalos de um minuto de arco, com sete casas decimais.
Foi Gunter quem inventou os termos cosseno e cotangente, ele é conhecido dos enge-
nheiros por sua “cadeia de Gunter”. Briggs e Vlacq publicaram quatro tábuas de loga-
ritmos fundamentais, só recentemente superadas, quando, entre 1924 e 1949, se pu-
blicaram extensas tábuas de 20 casas decimais como parte das comemorações do
tricentenário da descoberta dos logaritmos.
A palavra logaritmo significa “número de razão” e foi adotada por Napier depois de
ter usado inicialmente a expressão número artificial. Briggs introduziu a palavra man­
tissa, que é um termo latino de origem etrusca que significava inicialmente “adição” ou
“contrapeso” e que, no século XVI, passou a significar “apêndice”. O termo caracterís-
tica também foi sugerido por Briggs e foi usado por Vlacq. É curioso que as primeiras
tábuas de logaritmos comuns costumavam trazer impressas tanto a característica como
a mantissa; só no século XVIII começou a praxe atual de só se imprimir a mantissa.
A maravilhosa invenção de Napier foi entusiasticamente adotada por toda Euro­pa.
Na astronomia, em particular, já estava passando da hora para essa descoberta; pois,
como afirmou Laplace, a invenção dos logaritmos “ao diminuir o trabalho, dobrou a
vida dos astrônomos”. Bonaventura Cavalieri, sobre o qual falaremos mais no Capítu-
lo 11, empenhou-se em divulgar os logaritmos na Itália. Trabalho análogo foi presta-
do por Johann Kepler na Alemanha e Edmund Wingate na França. Kepler será foca-
lizado mais amplamente na Seção 9-7; Wingate, que passou muitos anos na França,
tornou-se o escri­tor de textos de aritmética elementar mais destacado da língua ingle-
sa no século XVII.
O único rival de Napier quanto à prioridade da invenção dos logaritmos foi o
suíço Jobst Bürgi (1552-1632), um construtor de instrumentos. Bürgi concebeu e
construiu uma tábua de logaritmos independentemente de Napier e publicou seus
resultados em 1620, seis anos depois de Napier anunciar sua descoberta ao mundo.
Embora os dois tenham concebido a ideia dos logaritmos muito antes de publicá-la,
acredita-se geralmente que Napier teve a ideia primeiro. Enquanto a abordagem de
Napier era geométrica, a de Bürgi era algébrica. Hoje em dia, um logaritmo é univer-
salmente considerado como um expoente; assim, se n = bx, dizemos que x é o loga-
ritmo de n na base b. Dessa definição, as leis dos logaritmos decorrem imediatamen-
te das leis dos expoentes. Uma das incon­gruências da história da matemática é que
os logaritmos foram descobertos antes de se usarem expoentes.
introdução à história da matemática 347

Em 1971 a Nicarágua lançou uma série de selos postais para homenagear as “dez
fórmulas matemáticas mais importantes do mundo”. Cada selo estampa uma fórmula
par­ticular acompanhada de uma ilustração e traz também um comentário breve em
espanhol sobre a importância da fórmula. Um dos selos é dedicado aos logaritmos de
Napier. Deve ser extremamente gratificante para cientistas e matemáticos ver suas
fórmulas assim home­nageadas, pois essas fórmulas certamente contribuíram muito
mais para o desen­volvimento da humanidade do que os feitos de reis e generais que
muitas vezes se estampam em selos postais.
Durante anos ensinou-se a calcular com logaritmos na escola de segundo grau ou
no início dos cursos superiores de matemática; também por muitos anos a régua de
cálculo logarítmica, pendurada no cinto, num bonito estojo de couro, foi o símbolo
do estudante de engenharia do campus universitário.
Hoje, porém, com o advento das espantosas e cada vez mais baratas calculadoras
portáteis, ninguém mais em sã consciência usa uma tábua de logaritmos ou uma régua
de cálculo para fins computacionais. O ensino dos logaritmos, como um instrumen-
to de cálculo, está desaparecendo das escolas, os famosos construtores de réguas de
cálculo de precisão estão desativando sua produção e célebres manuais de tábuas
matemáticas estu­dam a possibilidade de abandonar as tábuas de logaritmos. Os pro-
dutos da grande inven­ção de Napier tornaram-se peças de museu.
A função logaritmo, porém, nunca morrerá, pela simples razão de que as varia­ções
exponencial e logarítmica são partes vitais da natureza e da análise. Consequente­mente,
um estudo das propriedades da função logaritmo e de sua inversa, a função exponen-
cial, permanecerá sempre uma parte importante do ensino da matemática.

9.4 As cátedras de Henry Savile e Henry Lucas


Como muitos matemáticos britânicos eminentes ocuparam ou a cátedra saviliana
de Oxford ou a cátedra lucasiana de Cambrigde, é interessante uma breve referência
a ambas.
Sir Henry Savile foi, numa certa época, curador do Merton College de Oxford;
posteriormente foi preboste de Eton e deu cursos sobre Euclides em Oxford. Em 1619
fundou duas cátedras professorais em Oxford, uma de geometria e outra de astronomia.
Henry Briggs foi o primeiro ocupante da cadeira saviliana de Geometria de Oxford. A
mais antiga cátedra de matemática da Grã-Bretanha foi fundada por Sir Thomas Gresham
em 1596 no Gresham College de Londres e era de geometria. Coube a Briggs, também,


As outras fórmulas que figuram nesses selos são a fórmula fundamental da contagem 1 + 1 = 2, a relação pitagórica
a2 + b2 = c2, a lei das alavancas de Arquimedes w1d1 = w2d2, a lei da gravitação universal de Newton, as quatro famosas
equações da eletricidade e do magnetismo de Maxwell, a equação dos gases de Ludwig Boltzmann, a equação dos fogue-
tes de Konstantin Tsiolkovskii, a famosa equação da massa-energia E = mc2 de Albert Einstein e a revolucionária equação
da matéria-onda de Louis de Broglie.