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que ins u s p e i tas capacidades para a ingenuidade e a agon i a , e pa ra a

do . mestic ação . desta agon i a , po . dem flo . rescér nesse meio . tempo.

N a c o ncepç ãe vigente, sob desafio . co . nstante. a lit e ra tura é m ol-

d ada a pa r ti r de uma li nguagem racio . nal - isto . é , so . cialmente a c eita

_ , numa var i edade de t ipo . s de discurso . internamente co . nsistentes

( ou seja , poemas, peças de teatro , épico . s, tratados, ens a ios, n ovelas )

na f orma de " obras "

como a veracidade, o . poder emocio . nal, a sutileza e a relevância.

Porém

.

individuais, que são . julgadas po . r normas t ais

século . de mo . dernismo . literário . deix ou clara a

,

,

.

.'

mais de um

,

contingência do . que outrora

noção de obra autôno . ma. O s padrõe s utilizado . s para avaliar obras li- terárias não . parecem agora, de forma alguma, auto .- evidente s , e estão . longe de ser universais. Eles são . as co . nfirmaçõe s de uma determinada cultura, de suas própr i as noçõe s de racio . nalidade: ou seja, da mente e

foram genero . s estavelS e mmou a pro . pna

da co . munidad e . Ser "autor" tem sido . desmascarado . corno um papel que, confor-

mista ou nao, permanece irremediavelmente respo . nsável po . r uma de- terminada ordem so . cial. Certamente, nem todos o . s auto . res pré-mo . der- nos exaltaram as so . ciedades nas quais viveram. Uma das funções mais antigas do . auto . r é chamar a co . munidade a respo . nder po . r suas hipocri- sias e má fé, corno J uvenal, em As Sátiras, avalio . u os desatino . s da aris- tocracia romana e Richardso . n, em Clarissa, denuncio . u a i nstituição . burguesa do . casamento . por interesse. Mas o . âmbito . da alienaçã'o . dispo . nível aos auto . res pré-mo . dernos era ainda limitado . - quer eles

o . so . ubessem ou não . - à crítica severa dos valores de uma classe ou

de um ambiente em n o . me dos valo . res de outra classe ou lugar . Os au-

O d espo j amento do . " a utor" inevitavelmente ocas i ona uma rede-

finiçã o da "escrita" . Uma vez que a escrita não . mais

r esponsável , a distinção . aparentemente óbvia entre a obra e a pessoa

que a p r oduz i u , en t re a expressão . p ü blica e a privada, t orna-se v a zia ;

T~da ~ l ~ t e r tura ~ é-mo . dema desenvo . lve - se a artir de uma co . ncep- ~

esso m ema pro " eta uma idéia

I Clen e

se define c omo

çao clássic a d ~ escnta co . mo . uma realiz : e 'yremente estabelecida. A literatura

a

-

r elativamente dife r ente: a co . ncepçao . romântica da escrita co . n : o- um

m eio . ! !

referência , em úlU ma aniílise, privada do . discurso . p ú b l ico, lite r ário . , não . requer que o . leitor realmente saiba muito . sobre o . autor. Apesar

oqu. - u ma p erso . nalidade - singular se e x põe hero . icamente. Esta

e uma ampla informação biográfica estar disponível sobre Baudelaire,

e de não . se saber quase nada so . bre a vida de Lautréamo . nt, As Flores do Mal e Maldoror são . igualmente dependentes enquanto . obras lite-

r árias da idéia do . autor como um eu atormentado própria e inigualável subjetividade.

violentando sua

Na

visão . deflagrada pela sensibilidade romântica, o . que é produ-

zido . pelo . artista (ou pelo . filósofo) contém, como estrutura interna

r eguladora ,

d~~iva suas credenci a is do . seu lugar numa determinada experiência VIVIda; assume uma totalidade pessoal inexaurível , da qual "a obra"

é ~m subproduto , derivado . e inadequadamente expressivo . daquela to-

t alidade. A arte torna-se uma afirmação da auto . co . nsciência - uma

au~oco . nsciência que pressupõe uma desarmonia entre a pessoa do . artista e a co . munidade . De fato , o . esforço do . artista é medido . pelo . tamanho . de sua ruptura com a voz co . letiva (da " razão . " ). O artista é um~ consci ê ncia tentando . ser . "Eu so . u a uele que , para ser, deve

uma descrição do . s trab a lhos da subjetividade . A obra

tores mo . derno . s são . aquele s que, pro . curando . escapar a e s ta limitaçã ' o . ,

i

u

s t i gar

o . que me é inato . " , escreve Artaud

m

co . e mais

juntaram-se à grandiosa tarefa de s crita po . r Nietzsch:, há um sécul~,

intran ig en t

rói da auto .

·teratura

e de m

como a transvalo . ração . de todos os valore s , redefmlda po . r Antomn

rn pri n c ípio . ,

pro . jeto . não . pode t er sucesso. A co . nsciência,

Artaud, no . século. XX, como a "desvalo . rização . geral dos valores". Quixo . tesca corno parece ser, esta tarefa esbo . ça a po . derosa estratégia

enquan to . d ada, n ão . pode jamais constituir-se t o . talmente a si própria na arte, m a d e v e e sforçar-se para transformar suas próprias f r on tei ras

através da qual os auto . re s mo . demo . s pro . clamam não . serem mais res-

e

alte.rar a s fr n t cira s da ~rte. Portanto ,

qualquer " obra" singular

po . nsáveis _ respo . nsáveis no . sentido . de que os a'!to . res que exaltam a

po

. SSU.I,um dupl o . tat uto, E tanto . um gesto . l iterário . único, espe c ífi-

sua época e os auto . res que a criticam sã o igualmente cidadão . s bem

c

o . e Ja estab e le ci d o , q u a nto . uma declaração . met a literária (geralmente

estabelecido . s na so . ciedade em que atuam. O s auto . res mo . demo . s po

a guda,

às ve. zes i~ô n lc n ) s br e a insuficiência da literatura em relação .

dem ser reco . nhecido . s po . r s eu e s f o rço de se de s po . jarem,

de de não . serem mo . ralmente úteis à co . munidade, po . r sua inclinação .

por sua vonta-

d

e apresentarem-se não . como crític o s sociais, mas corno visio . nário . s,

v nturc i ro . s espirituais e párias sociais.

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a uma condiçã o Ide a l d u . n sc i ê ncia e da arte. A co.nsciência concebi- "

da como um pr oje to Ce l i UI l I padrão que inevitavelmente

"oh r u " a ser

condena a

inc ompl eta . U I . u d a no modelo da consciência heróica

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