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Prof.

Jader Janer

Cartografias e Registro do
Espaço

A menina não deu grande importância para suas


palavras, pegou o papel debaixo do braço, abriu
sobre um dos balcões e disse:
- Preciso para meu mapa.
Era um grande papel, com algumas linhas
traçadas, pareciam caminhos e contornos de
alguns lugares.
- Preciso dos botões! - Ela disse.
- Então temos que apreciar! Veio ao lugar certo,
botões e mapas têm muito a ver e aqui temos
botões de muitos lugares! Cheios de paisagens,
de cheiros, de cores e sabores desse mundo que é
tão grande. Ao mesmo tempo que respondeu,
perguntou:
- Mas as pessoas não vão achar estranho um
mapa com botões?
- As pessoas acham estranho roupas com mapas?
- Ela retrucou, estranhando a pergunta final
daquele homem parado em sua frente.
- Mapas não vestem os lugares? Os lugares não
vestem os mapas? (O Colecionador de botões e a
menina que gostava de mapas remendados)

Você conhece um Atlas? Com certeza sim! O Atlas é um livro que reúne mapas
de várias partes do mundo em que vivemos. E por um acaso sabe por que esse livro que
“guarda” os diferentes locais do planeta tem esse nome? Não??? Faça uma busca, uma
pesquisa e procure saber o porquê desse nome.
Nos Atlas encontramos diversos tipos de mapas. O mapa é uma das formas de
registrar o espaço, é um instrumento muito importante para o trabalho com a Geografia,
por isso é fundamental ensinar nossas crianças as habilidades de confecção e leitura de
um mapa. Para isso há algumas informações importantes que temos que trabalhar com
nossas crianças, como veremos a seguir.
A parte da Geografia que aborda os mapas chama-se Cartografia. A palavra vem
de “Carta”, que é sinônimo de mapa e grafia que significa descrever. Os primeiros
mapas confeccionados pelo ser humano são muito antigos. Faça uma outra busca, tente
levantar quais foram os primeiros mapas criados, o que registravam? Quais os suportes
usavam? Eram de papel? Há muitas coisas interessantes para você descobrir.

Lendo um mapa:

A primeira coisa que devemos saber é que é possível registrar o espaço a


partir de diferentes pontos de vistas, veja as imagens abaixo, elas representam diversas
visões.

Visão Horizontal
É a visão de frente
(na foto a Catedral da
Cidade de Petrópolis)
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Visão oblíqua
É a visão em perspectiva
(no desenho a Casa de Pablo
Neruda em Santiago – Chile)

Visão Vertical
É a visão de cima.
(no desenho parte da cidade
De Niterói no Rio de Janeiro)

Os mapas e plantas geralmente são desenhados na visão vertical, pois ela permite
maior visibilidade do espaço representado, mas é possível também conjugarmos mais
visões, isso é muito comum, por exemplo, nos mapas turísticos. Veja o mapa a seguir:
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Esse mapa da cidade de Paris combina as várias visões anteriores.

Para trabalhar a cartografia com as crianças é fundamental que elas possam


compreender as diferentes visões e com isso fazer representações a partir dessas diferentes
formas de olhar o espaço. Um caminho para isso é a partir da confecção de uma maquete.
A maquete é, além de outra forma de representar o espaço (isso mesmo!!! Assim
como os desenhos que fazemos do espaço, chamados tradicionalmente de “Croquis”),
um objeto fundamental a ser produzido com as crianças pois a partir dela podemos
“desenhar” as diferentes visões, basta pedir as crianças que façam seus trabalhos olhando
de diferentes ângulos. Veja:
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A maquete pode ajudar as crianças a chegarem à visão vertical, a visão típica dos
mapas. Observe a maquete essa maquete da sala de aula abaixo, como seria sua
representação na visão de um mapa?

Hoje a tecnologia de satélites permite “fotografar” toda a superfície do planeta e


a partir dessas imagens produzir os mapas com mais facilidade. Antes era necessário
sobrevoar os lugares e a partir das fotos aéreas organizar os mapas. A existência dos
satélites facilitou o trabalho com a Cartografia.

Os elementos do mapa

Todos os mapas possuem elementos que fazem parte da chamada Convenção


Cartográfica, vamos conhecer alguns.
O primeiro deles é o Título, todo mapa registra algum lugar, por isso todo mapa
tem que ter um título que nos “fale” isso, que nos conte que lugar é esse. O título do mapa
deve vir na parte de cima, centralizado.
Outro elemento importante é o Subtítulo, ele “fala” sobre o assunto tratado no
mapa, por exemplo, se temos um mapa do Brasil que representa a vegetação do país,
Brasil, vai ser o título e vegetação o subtítulo. Entendeu? Simples não. O subtítulo vem
sempre na parte de cima, centralizado e logo abaixo do Título. Geralmente os mapas de
locais são denominados de Políticos.
Mas não podemos deixar de falar ainda sobre a legenda, ele nos diz o que são as
imagens “desenhadas” no mapa, pois nem sempre é possível, entender o que está
representando na visão vertical. A legenda aparece na parte de baixo do mapa, no canto
inferior esquerdo ou direito.
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O mapa a seguir apresenta a disposição desses elementos;

TÍTULO
SUBTÍTULO

Legenda

Há outros elementos, podemos citar ainda, a escala, a rosa dos ventos, as coordenadas
geográficas, a data em que o mapa foi feito, a fonte para sua produção e claro, a autoria! Os
mapas são documentos dos lugares, contam também sobre o espaço e esses elementos
auxiliam em sua leitura.

Na epígrafe que abre esse texto transcrevemos um fragmento do livro “O colecionador de


botões e a menina que gostava de mapas remendados”, que tal ler esse material? É uma
narrativa cheia de cartografias. O livro está disponível para baixar no blog com o mesmo
nome, no endereço:

http://ocolecionadordebotoes.blogspot.com/

Boa Leitura!!!