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A investigação de acidente fatal de trabalho


Como o empregador deve agir?
Fernando Borges Vieira

Nenhuma discussão há quanto ao fato


de que o bem maior é a vida; contudo,
por mais cautela que se guarde,
empregado ou empregador algum
estão imunes à ocorrência de acidente
de trabalho, o qual pode ter por
resultado a morte do obreiro.

Se qualquer acidente de trabalho não é


desejado, o acidente fatal muito menos
o é. Todavia, diante da ocorrência
deste, é necessário que o empregador
conserve conhecimento de suas ações
e o comportamento a assumir.

Todas ações devem ser pautadas no equilíbrio e objetividade. Neste sentido,


recomendamos a suspensão do trabalho, dispensando-se os trabalhadores; se não
possível, ao menos os trabalhadores do setor no qual ocorreu o evento, pois não
terão condições psicológicas de desenvolver um trabalho seguro.

A primeira medida a ser observada é voltada a preservação do local do acidente,


pois é necessário que se mantenha o local mais próximo do momento do fato, o
que permitirá a identificação da causa com maior acuidade.

Todos os empregados devem ser orientados a avisar, imediatamente, a pessoa


designada na organização para tratar de acidentes de trabalho, sendo relevante
que nesta sejam concentradas todas as ações e que a mesma tenha expertise na
condução de questões desta natureza, conservando conhecimento técnico sobre
investigação de acidentes, conhecendo os procedimentos trabalhistas e normas
regulamentadoras e, também, habilidade na comunicação com imprensa e
sindicato.
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Aqui cabe convocar especial atenção no que diz respeito ao relacionamento com a
imprensa. Em primeiro lugar, de se avaliar ser ou não caso de pronunciamento. Se
a empresa decidir por se manifestar deverá fazê-lo por meio de sua assessoria de
imprensa ou deverá eleger uma única pessoa como seu porta-voz – qualquer
pronunciamento sobre causa da morte e responsabilidade sobre a mesma pode ser
prematuro, razão pela qual deve-se apenas e tão-somente esclarecer que todas as
medidas de apoio aos familiares estão sendo tomadas – sem que isto signifique
qualquer assunção de culpa – bem como aquelas voltadas à apuração e
responsabilidade pelo evento. Ainda, preservando-se o local e principalmente o
respeito à vítima, não deve ser permitido o ingresso da imprensa na empresa.

Outra medida é comunicar o evento o quanto antes à Polícia Militar, pois à mesma
caberá a preservação do local do acidente; posteriormente, a Polícia Civil há de ser
acionada, a qual determinará a respectiva perícia e apuração dos fatos.

A perícia há de ser acompanhada por representante da empresa, o qual deverá


reunir informações, fotografando a cena do acidente, os materiais envolvidos e o
próprio corpo - é com esta objetividade que se deve agir, pois esta conduta será de
suma importância para a apuração interna dos fatos, verificação do uso de EPIs,
constatação da causa e eventual impugnação do laudo criminalístico.

Diante das informações colhidas pela pessoa designada, a empresa deve investigar
a causa do acidente e será este procedimento que tornará possível apurar
responsabilidade. Se verificada a culpa da empresa, a mesma há de conhecer sua
responsabilidade e agir no sentido de responder às suas obrigações; se apurado
que o obreiro agiu – culposa ou dolosamente – no sentido de provocar de forma
exclusiva a sua morte, a empresa há de salvaguardar-se contra eventual
responsabilização.

O profissional designado, com apoio de todos os profissionais especializados em


engenharia de segurança e em medicina do trabalho, deve elaborar um relatório
circunstanciado, o qual poderá servir como contraprova judicial e será a base para
elaboração de ações corretivas.

Ainda, é dever da empresa, nos termos da letra "b" do item 5.27 da NR-5,
promover uma reunião da CIPA, oportunidade na qual há de ser lavrada uma ata
em cujo bojo conste todas as informações sobre o evento, bem como as medidas
que foram desenvolvidas em razão do mesmo.
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Como outra medida administrativa, a empresa deve emitir CAT à Previdência
Social, sob pena do sindicato fazê-lo.

Sobretudo em razão do evento morte, a Polícia Civil instaurará inquérito policial


para apurar as causas desta e a responsabilidade por sua ocorrência. Sendo
objetivo reunir informações sobre o fato, o inquérito será integrado pelo laudo
legista, fotos da perícia e testemunhos. Assim, convém que representante da
empresa acompanhe-o, evitando que os esclarecimentos correspondam à verdade.

Superada a apuração, a empresa deve desenvolver e implementar um plano de


ações voltadas à correção de falhas e extinção de riscos, avaliando a eficácia
destas, fiscalizando a observância das novas condutas e desenvolvendo, de forma
constante, contínuas melhorias da segurança e medicina do trabalho.

Assim, eis algumas etapas que sugerimos sejam observadas na hipótese de


ocorrência de acidente fatal:

i) isolar a área do acidente;

ii) informar o acidente ao responsável designado;

iii) informar o acidente à Polícia Militar e a Policia Civil;

iv) investigar e identificar a causa do acidente;

v) elaborar um relatório circunstanciado;

vi) emissão da CAT;

vii) promover reunião extraordinária (NR-5/CIPA/5.27, b);

viii) acompanhar o inquérito policial;

ix) desenvolver e implementar um plano de ação e medidas corretivas;

x) avaliar a eficácia fiscalizar a adoção das medidas corretivas e

xi) desenvolver contínuas melhorias de segurança e medicina do trabalho.


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Sempre defendendo a idéia de que é preferível prevenir a indenizar, nossa
recomendação final segue no sentido de que é dever do empregador adotar todas
as medidas de segurança e medicina do trabalho, cuidando da integridade de seus
empregados e agindo para que nenhuma de nossas recomendações acima expostas
seja necessária; todavia, se o forem, esteja o empregador preparado.

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