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TRABALHO DE GRADUAÇÃO

Modelagem e Simulação da Proteção Diferencial de


Linhas de Transmissão no Software ATP

César Dutra Munhoz

Brasília, 08 de fevereiro de 2011.

UNIVERSIDADE DE BRASILIA

FACULDADE DE TECNOLOGIA

i
UNIVERSIDADE DE BRASILIA

Faculdade de Tecnologia

TRABALHO DE GRADUAÇÃO

Modelagem e Simulação da Proteção Diferencial de


Linhas de Transmissão no Software ATP

César Dutra Munhoz

Relatório submetido como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Eletricista

Banca Examinadora

Prof. Kleber Melo e Silva, UnB/ ENE (Orientador).

Prof. Rafael Amaral Shayani, UnB/ ENE.

Prof.. Marcus Vinícius Borges Mendonça, UnB/ ENE.

ii
Índice:

1 Introdução ........................................................................................................................... 1

1.1 Contextualização do tema ............................................................................................ 1

1.2 Objetivos ...................................................................................................................... 2

1.3 Estruturação do texto ................................................................................................... 2

2 Fundamentos da Proteção Diferencial ................................................................................ 3

2.1 Função Diferencial utilizando relés 50 e 51 ................................................................ 6

2.2 Relé Diferencial Percentual ......................................................................................... 6

2.3 Proteção Diferencial de Linhas .................................................................................. 11

2.4 Análise da Proteção Diferencial no Plano α .............................................................. 13

3 Modelagem da Proteção Diferencial de Linhas na MODELS ......................................... 18

3.1 Programas EMTP ....................................................................................................... 18

3.2 Uso da MODELS no ATP ......................................................................................... 19

3.3 Estruturação do Relé no ATP .................................................................................... 20

3.4 Coleta e Transmissão de Dados do Relé .................................................................... 21

3.4.1 TC Auxiliar ......................................................................................................... 21

3.4.2 Filtro Analógico Anti-Aliasing........................................................................... 23

3.4.3 Sample/Hold ....................................................................................................... 26

3.4.4 Conversor A/D.................................................................................................... 28

3.4.5 Buffer .................................................................................................................. 32

3.4.6 Módulo de Estimação de Fasores ....................................................................... 33

3.4.7 Transmissão de Dados ........................................................................................ 38

3.5 Canal de Comunicação .............................................................................................. 39

3.6 Análise de Dados e Envio de Comando ao Disjuntor ................................................ 41

3.6.1 Sincronização dos Dados .................................................................................... 42

3.6.2 Análise Diferencial ............................................................................................. 44

3.7 Disjuntor .................................................................................................................... 46

iii
4 Apresentação e Discussão dos Resultados ....................................................................... 50

4.1 Curto-Circuito a 50% da Linha23 ............................................................................... 51

4.1.1 Curto-Circuito Trifásico ..................................................................................... 51

4.1.2 Curto-Circuito Bifásico-Terra (BCT) ................................................................. 52

4.1.3 Curto-Circuito Monofásico (AT)........................................................................ 54

4.2 Curto-circuito a 5% da Linha23 .................................................................................. 54

4.2.1 Curto-Circuito Trifásico ..................................................................................... 55

4.2.2 Curto-Circuito Bifásico-Terra (BCT) ................................................................. 56

4.2.3 Curto-Circuito Monofásico (AT)........................................................................ 57

4.3 Curto-Circuito a 95% da Linha12 ............................................................................... 59

4.3.1 Curto-Circuito Trifásico ..................................................................................... 59

4.4 Curto-Circuito a 50% da Linha14 ............................................................................... 60

4.4.1 Curto-Circuito Trifásico ..................................................................................... 61

4.5 Assimetria Acentuada do Canal de Comunicação ..................................................... 62

5 Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros .............................................................. 65

Referências Bibliográficas ........................................................................................................ 66

Apêndice I – Projeto de um Filtro Butterworth ........................................................................ 68

iv
Lista de Figuras:

Figura 2-1 - Princípio de Proteção Diferencial ........................................................................... 3


Figura 2-2 - Falta Externa. .......................................................................................................... 4
Figura 2-3 - Falta Interna. ........................................................................................................... 5
Figura 2-4 - Relé Diferencial Percentual. ................................................................................... 7
Figura 2-5 - Falta Externa. .......................................................................................................... 7
Figura 2-6 - Falta Interna. ........................................................................................................... 8
Figura 2-7 - Operação do Relé Diferencial Percentual............................................................... 9
Figura 2-8 - Característica com o Uso da Mola de Restrição. .................................................. 10
Figura 2-9 - Característica de Operação Considerando a Saturação do TC. ............................ 11
Figura 2-10 - Sinal de Corrente Atrasado. ................................................................................ 12
Figura 2-11 - Sincronização de Dados. .................................................................................... 13
Figura 2-12 - Plano alfa. ........................................................................................................... 14
Figura 2-13 - Características no Plano Alfa. ............................................................................ 16
Figura 2-14 - Trajetórias no Plano Alfa. .................................................................................. 16
Figura 2-15 - Caminho visto pelo relé durante o transitório. ................................................... 17
Figura 3-1 - Fluxograma da Implementação do Relé Diferencial. ........................................... 22
Figura 3-2 - Corrente na saída do TC Auxiliar (contínuo) e na saída do TC de Potência
(tracejado). ................................................................................................................................ 23
Figura 3-3 - Resposta em frequência do filtro Butterworth de 3ª ordem utilizado. ................. 25
Figura 3-4 – Saída do TC auxiliar (linha pontilhada) e saída do filtro analógico (linha
contínua). .................................................................................................................................. 26
Figura 3-5 - Amostragem realizada pelo Sample/Hold. ........................................................... 28
Figura 3-6 - Sinal de saída do Sample/Hold (contínuo) e de entrada (pontilhado). ................. 29
Figura 3-7 - Saída do Conversor A/D (barras) e do Sample/Hold (tracejado). ........................ 32
Figura 3-8 - Armazenamento do buffer e a evolução ao longo do tempo. ............................... 34
Figura 3-9 - Módulo do fasor estimado da corrente IA. ........................................................... 38
Figura 3-10 - Envio de dados entre os relés diferenciais. ......................................................... 38
Figura 3-11 - Atraso de 100 ms no canal de comunicação. ...................................................... 41
Figura 3-12 - Gráfico de operação para K=0,25 e K0=200 ...................................................... 46
Figura 3-13 - Abertura do disjuntor.......................................................................................... 49
Figura 4-1 - Circuito utilizado para o teste dos relés................................................................ 50

v
Figura 4-2 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B (b)
e C (c). ...................................................................................................................................... 52
Figura 4-3 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha23 vistas pela
barra 2 (a) e 3 (b). ..................................................................................................................... 52
Figura 4-4 - Planos alfa e beta para um curto bifásico-terra a 50% da Linha23 nas fases A (a),
B (b) e C (c). ............................................................................................................................. 53
Figura 4-5 - Correntes do sistema elétrico para um curto bifásico-terra a 50% da Linha23 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 53
Figura 4-6 - Planos alfa e beta para um curto monofásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B
(b) e C (c). ................................................................................................................................. 54
Figura 4-7 - Correntes do sistema elétrico para um curto monofásico a 50% da Linha23 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 55
Figura 4-8 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 5% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e
C (c). ......................................................................................................................................... 56
Figura 4-9 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 5% da Linha23 nas barras 2
(a) e 3 (b). ................................................................................................................................. 56
Figura 4-10 - Planos alfa e beta para um curto bifásico-terra (BCT) a 5% da Linha23 nas fases
A (a), B (b) e C (c). ................................................................................................................... 57
Figura 4-11 - Correntes do sistema elétrico para um curto bifásico-terra a 5% da Linha23 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 57
Figura 4-12 - Planos alfa e beta para um curto monofásico a 5% da Linha23 nas fases A (a), B
(b) e C (c). ................................................................................................................................. 58
Figura 4-13 - Correntes do sistema elétrico para um curto monofásico a 5% da Linha23 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 58
Figura 4-14 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 95% da Linha12 nas fases A (a), B
(b) e C (c). ................................................................................................................................. 60
Figura 4-15 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 95% da Linha12 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 60
Figura 4-16 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha14 nas fases A (a), B
(b) e C (c). ................................................................................................................................. 61
Figura 4-17 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha14 nas
barras 2 (a) e 3 (b)..................................................................................................................... 62

vi
Figura 4-18 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B
(b) e C (c) com assimetria acentuada do canal. ........................................................................ 63
Figura 4-19 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas
barras 2 (a) e 3 (b) com assimetria acentuada do canal. ........................................................... 63
Figura 4-20 - Comparação entre as correntes da fase A nas barras 2 e 3 para um curto-circuito
trifásico a 50% da Linha23 com assimetria acentuada do canal. ............................................... 64
Figura 4-21- Variação da corrente na barra 3 devido à assimetria do canal. ........................... 64

vii
Siglas:

• TC: Transformador de Corrente;


• OPGW: Optical Ground Wire (do inglês, Cabo ótico de aterramento);
• ATP: Alternative Transient Program (do inglês, Programa Alternativo de
Transitórios);
• EMTP: Eletromagnetic Transients Program (do inglês, Programa de Transitórios
Eletromagnéticos);
• IEEE: Institute of Electrical and Electronics Engineers (do inglês, Instituto de
Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos);
• ANSI: American National Standards Institute (do inglês, Instituto Nacional
Americano de Padronização);
• TP: Transformador de Potencial;
• PLC: Power Line Carrier (do ingles, Ondas Portadoras em Linhas de Alta Tensão);
• TNA (do inglês, Analisadores de Transitórios em Redes).
• TACS: Transient Analysis of Control Systems (do inglês, Análise de Transitórios em
Sistemas de Controle).

viii
1 Introdução
A proteção de sistemas elétricos de potência é uma área de extrema importância para garantir
a segurança dos serviços de geração, transmissão e distribuição, bem como para zelar pelos
equipamentos – bastante dispendiosos – que compõem um sistema elétrico. Conforme
aumenta a necessidade da sociedade moderna em relação ao fornecimento de energia, mais
imprescindível se torna o funcionamento adequado dos sistemas de proteção.

A interrupção do fornecimento de energia elétrica, devido a ocorrência de falhas


durante um longo período de tempo, pode representar um forte impacto econômico para os
usuários. Danos a equipamentos, a matéria prima, perda de produção, pagamento adicional
para retomada da produção, entre outros são alguns dos custos envolvidos na ocorrência desse
tipo de evento. Um sistema elétrico de qualidade deve possuir as seguintes características [1]:

• Baixo índice de indisponibilidade;


• Alta capacidade de retomada rápida da operação após uma falha;
• Capacidade de manter-se funcionando através da inibição de falhas.

1.1 Contextualização do tema


A proteção diferencial é um sistema bastante utilizado para a proteção de equipamentos
elétricos, devido a sua simplicidade de implementação e segurança de operação. Ela se baseia
em princípios bastante simples e sua principal fonte de erro não está associada ao método de
proteção, mas sim aos transformadores de corrente (TC), que são responsáveis por reduzir os
níveis de correntes do sistema elétrico para serem analisados por um relé, por exemplo.

A proteção diferencial de linhas de transmissão sempre teve um fator restritivo muito


importante: o canal de comunicação. Por depender da troca de informações entre os terminais
instalados na entrada e na saída do equipamento a ser protegido, as longas linhas de
transmissão precisam de um canal de comunicação confiável e rápido, a fim de agilizar a
atuação da proteção diferencial.

Com o contínuo crescimento da tecnologia, os canais foram ficando cada vez mais
velozes, confiáveis e, um dos fatores mais importantes para a implementação de um sistema,
economicamente viáveis. Um salto ainda maior foi dado em direção ao uso da proteção
diferencial para linhas de transmissão com a criação e popularização da tecnologia OPGW (do
inglês, Optical Ground Wire), que consiste na utilização de um cabo de fibra ótica dentro dos
1
cabos para-raios da linha de transmissão. Essa fibra, que pode ser utilizada para comunicação
entre as duas extremidades da linha, surge como um meio extremamente eficiente para a
implementação de um sistema de proteção diferencial confiável.

1.2 Objetivos
O principal objetivo desse trabalho é estudar as características e avaliar as respostas de um
sistema de proteção diferencial aplicado em linhas de transmissão. Essas análises serão feitas
a partir de simulações de transitórios eletromagnéticos no software ATP (em inglês,
Alternative Transient Program), que faz parte de uma família de programas do tipo EMTP
(Eletromagnetic Transients Programs). Os objetivos são:

• Modelar um relé de proteção diferencial através de algoritmos que possam ser


implementados no ATP;
• Simular o funcionamento desse relé em um modelo de sistema elétrico criado no ATP;
• Avaliar o desempenho da proteção diferencial, quando aplicado em longas linhas de
transmissão.

1.3 Estruturação do texto


No capítulo 2 é descrita a fundamentação teórica dos sistemas de proteção diferencial que
serviram de base para a modelagem.

No capítulo 3, é feita uma descrição dos softwares do tipo EMTP, inclusive o ATP, a
fim de que, entendendo o funcionamento deles, a modelagem e a simulação realizadas se
tornem mais claras. A descrição de todas as etapas, componentes e funções modeladas para
o relé de proteção diferencial são mostrados também nesse capítulo.

Os resultados obtidos com as simulações são apresentados e analisados no capítulo 4 e


as conclusões sobre as simulações e o desenvolvimento do trabalho por completo são feitas no
capítulo 5.

2
2 Fundamentos da Proteção Diferencial
O funcionamento da proteção diferencial é um dos esquemas mais intuitivos na proteção de
componentes de um sistema elétrico. Sua aplicação é vasta, principalmente em componentes
unitários locais, tais como barras, transformadores de potência, cabos subterrâneos, máquinas
síncronas, cubículos metálicos, linhas de transmissão e outros equipamentos. A numeração do
relé diferencial, de acordo com a C37-2 da IEEE/ANSI é a 87 [2].

O princípio do relé diferencial consiste na aferição da corrente na entrada e na saída do


equipamento protegido por meio de TCs e na comparação entre elas, de acordo com a ligação
feita. Um modelo genérico é mostrado na Figura 2-1, modificado de [3].

Figura 2-1 - Princípio de Proteção Diferencial

Essa função de proteção se baseia na 1ª Lei de Kirchhoff, ou seja

    



   (Eq. 1)

Considerando-se que os TCs têm relação 1:1, o dispositivo funcionará do seguinte


modo:

a) Quando 
   , a corrente que passa no relé será 
 0 e ele não atua, ou seja,
não há nenhum defeito no elemento protegido;
b) Quando 
    
, a proteção também não atua, pois a diferença das
correntes está dentro de uma margem permitida, estabelecida no ajuste do relé, e;
c) Quando 
     
, a proteção atua, pois a diferença das correntes
supera o permitido pelo ajuste, indicando que pode haver algum defeito dentro do
elemento protegido.
3
Uma limitação básica dos esquemas tradicionais de proteção diferencial é que o
usuário precisa ajustar curvas para o   
é para considerar algumas situações como
carregamento da linha, assimetria do canal, reatores de compensação shunt na linha de
transmissão e saturação dos TCs. Essas curvas dão ao relé a tolerância necessária para que ele
não atue inapropriadamente, porém, também diminuem a sensibilidade para faltas internas,
principalmente porque a curva de ajuste não será dimensionada para cada tipo de necessidade,
mas um ajuste deverá cobrir todos os casos [4].

A detecção precisa de faltas internas é a principal vantagem dos relés diferenciais, pois
permite que apenas o elemento protegido seja monitorado, favorecendo, assim, a seletividade
do sistema, uma vez que evita a operação indevida quando acontecerem problemas em
elementos adjacentes. A Figura 2-2 ilustra a direção das correntes no caso de uma falta
externa ao elemento protegido.

Figura 2-2 - Falta Externa.

No caso de um sistema radial, a contribuição majoritária seria de  , mas como o


defeito ocorre após o TC2, ambos os TCs enxergam a mesma corrente, portanto


  

   ⇒ 


 0

e, então, o relé não atua. Mesmo se o sistema em questão fosse um sistema em anel, as
contribuições do defeito viriam de ambos os lados, mas a corrente vista nos TCs ainda seria a
mesma, evitando a atuação indevida.

No caso de uma falta interna, uma configuração diferente seria verificada, conforme
mostra a Figura 2-3.
4
Figura 2-3 - Falta Interna.

Nesse caso, em um sistema radial, a contribuição majoritária seria da corrente de curto


circuito 
 e a corrente 
 seria aproximadamente zero. Em um sistema em anel, as correntes

 e 
 seriam de curto circuito, portanto, a corrente vista pelo relé seria


    (Eq. 2)

fazendo o relé atuar devido aos altos valores das correntes de curto circuito, principalmente
quando somadas.

Deve-se levar em consideração que, a depender do arranjo das ligações e das


polaridades dos TCs, as correntes  e  podem estar em fase ou invertidas. Caso o elemento
protegido provoque algum tipo de defasagem nas correntes ou altere o módulo da corrente –
no caso de transformadores de potência, por exemplo – essas alterações devem ser corrigidas
pelos TCs de potência ou pelo uso de TCs auxiliares1, para não prejudicar o funcionamento da
proteção diferencial. O princípio básico a ser seguido é o seguinte:

• Na ausência de defeitos ou na ocorrência de defeitos externos, o relé deve enxergar a


corrente resultante aproximadamente nula;
• Na ocorrência de defeitos internos, o relé deve enxergar, aproximadamente, a soma
dos módulos das correntes dos TCs.

A proteção de sistemas feita com o esquema diferencial tende a ser mais sensível que a
proteção de distância, principalmente na identificação de faltas dentro ou fora da área
protegida. Outra vantagem é a de não depender dos valores de tensão do sistema, apenas da

1
TCs Auxiliares são TCs menores que servem para corrigir os sinais de corrente que chegam dos TCs. No caso
de equipamentos eletromecânicos, servem para compensar a relação de transformação entre os TCs ou corrigir
defasagens. No caso de equipamentos digitais, serve para converter o sinal de corrente em um sinal de tensão
dentro de limites aceitáveis para a proteção do circuito digital, conforme será tratado na seção 3.4.1.
5
corrente, evitando a influência de variações do sistema e das imprecisões dos transformadores
de potencial. No entanto, esse tipo de proteção não permite que sejam criadas zonas de
proteção ou proteções de retaguarda [5], o que está sendo superado com o uso de relés digitais
que podem desempenhar diversas funções de proteção em apenas um equipamento.

2.1 Função Diferencial utilizando relés 50 e 51


Quase todos os tipos de relé podem ser utilizados para efetuar a função de proteção
diferencial, uma vez que o tipo de construção do relé não é tão importante quanto o modo que
ele é conectado ao sistema [3].

Um esquema bastante intuitivo consiste da utilização de relés de sobrecorrente


instantâneos (50) ou temporizados (51) para efetuar a proteção diferencial, o que é ilustrado
na Figura 2-1. Conforme mostrado, em condições normais ou no caso de faltas externas, as
correntes circularão apenas entre os TCs e não irão fluir para o relé de sobrecorrente. Já no
caso de falta interna, ambas as correntes fluirão em direção ao curto e a soma delas irá para o
relé. A seletividade desse tipo de esquema é comprometida quando da ocorrência de curtos
circuitos fora da zona protegida, mas muito próximo ao TC, devido a fatores como [6] [7]:

• Pequenas variações das relações de transformação entre os TCs utilizados;


• Saturação dos TCs.

Algumas dessas situações de erros na atuação provocados por erros nos TCs podem
ser resolvidas utilizando-se um relé diferencial percentual.

2.2 Relé Diferencial Percentual


O relé diferencial percentual é o equipamento construído para, efetivamente, operar na
característica 87. Nos relés eletromecânicos, ele possui dois enrolamentos de efeito contrário
e, em cada enrolamento, uma combinação diferente das correntes dos TCs é injetada. Quando
as correntes passam pelo primeiro enrolamento, esse tende a provocar a atuação do relé
(torque positivo), enquanto o outro enrolamento, quando percorrido pelas correntes, tende a
conter a atuação do dispositivo (torque negativo). A Figura 2-4 – modificada de [3] – mostra a
configuração de um relé percentual diferencial, no qual NR, NR1 e NR2 correspondem às espiras
da bobina de restrição e Nop corresponde às espiras da bobina de operação.

6
Figura 2-4 - Relé Diferencial Percentual.

A bobina de restrição NR é dividida em dois segmentos NR1 e NR2 que fazem a


combinação entre as corrente 
 e  e se conecta à bobina de operação Nop. Na operação
normal ou no caso de um curto fora da zona de proteção, como mostrado na Figura 2-5, a
corrente 
 passa pela bobina NR1 e produz um torque negativo, a corrente  passa pela bobina
NR2 e produz também um torque negativo. Na bobina de operação Nop a corrente resultante
será 
 - e, nesse caso, será aproximadamente nula, produzindo um torque positivo muito
fraco e, portanto, não provocando a atuação do relé.

Figura 2-5 - Falta Externa.

No caso de um defeito interno, conforme mostrado na Figura 2-6, a corrente  tem seu
sentido invertido e, portanto, o torque produzido será no sentido contrário ao produzido pela
corrente 
 , tornando o torque de restrição muito fraco. Por outro lado, a corrente que fluirá
pela bobina de operação será a soma de 
 e 
 , tornando o torque de operação bastante forte e
causando a operação do relé. Ou seja, para defeitos externos, o torque de restrição é
fortalecido e o torque de operação enfraquecido; já para defeitos internos, o torque de
restrição é enfraquecido e o torque de operação fortificado.

7
Figura 2-6 - Falta Interna.

No ponto de equilíbrio para o qual os torques gerados pela bobina de restrição e de


operação são iguais, define-se a característica de operação do relé:


2
  ⋅  


   ⋅ $%&
 # 

(Eq. 3)
!"

Onde  se refere à corrente de operação e   se refere à corrente de restrição e elas
são dadas por:

  '   ' (Eq. 4)

   ( ⋅ '  ' (Eq. 5)


) e tem valores típicos de 1,0 e 0,5

Onde k é proporcional à relação de espiras

de acordo com a sensibilidade desejada [4]. Novamente cabe ressaltar que essas fórmulas
podem apresentar variações de sinal dependendo da polaridade de ligação dos TCs. A
característica de operação do relé é dada pela fórmula abaixo e mostrada na Figura 2-7.

  * ⋅   (Eq. 6)

Onde K é uma constante que define a declividade da reta característica. O nome relé
diferencial percentual se deve ao fato de a corrente que passa na bobina de operação ser um
percentual fixo da corrente que passa na bobina de restrição. Essa característica faz com que
esse relé tenha uma curva característica semelhante à mostrada na Figura 2-7. Esse percentual

8
é, em geral, entre 10% e 25%, o que representa o desequilíbrio necessário para fazer o relé
atuar [7].

Figura 2-7 - Operação do Relé Diferencial Percentual.

Pode-se também incluir uma mola de restrição ao batente do relé para que a reta
característica não cruze a origem, sendo necessária uma corrente de pick-up K0 para ativar o
relé. Esse ajuste pode ser necessário, pois nem sempre a corrente diferencial é nula para faltas
externas. Alguns fatores que podem contribuir para esse efeito são: a corrente de
carregamento da linha, atrasos no canal de comunicação, compensação shunt pelo reator da
linha e a saturação dos TCs. A nova formulação da característica é mostrada abaixo e o
gráfico pode ser visto na Figura 2-8.

  * ⋅   &   *, (Eq. 7)

No caso de relés digitais, vários outros tipos de características para a corrente de


restrição podem ser usados, devido à flexibilidade permitida por esse tipo de equipamento.
Algumas das mais comuns são mostradas a seguir [4]:

•    ( ⋅ -| |  | |/
•    012-| |, | |/
•    4| | ⋅ | | ⋅ cos 8

9
Figura 2-8 - Característica com o Uso da Mola de Restrição.

Outra possibilidade dos relés digitais é a implementação de uma alteração na curva


característica de operação para correntes de restrição elevadas, a fim de compensar a
saturação dos TCs de potência, conforme mostrado na Figura 2-9.

Com base no exposto, enumeram-se as principais vantagens da proteção diferencial:

• Não depender dos valores de tensão medidos pelos TPs;


• Ser imune a variações bruscas de carga;
• Ser imune a inversões de corrente;
• Tolerar aumento significativo da corrente de carga;
• Não precisar de grandes ajustes devido a uma mudança no sistema.

Como principais desvantagens, citam-se:

• Requer maior banda do canal;


• Rapidez de atuação dependente do atraso do canal;
• Não fornece proteção de retaguarda;
• Influenciado fortemente pela saturação dos TCs.

10
Figura 2-9 - Característica de Operação Considerando a Saturação do TC.

2.3 Proteção Diferencial de Linhas


Atualmente, a maioria dos sistemas elétricos de potência opera de forma integrada, exigindo a
utilização de modernos sistemas de proteção que garantam que faltas sejam extintas rápida e
apropriadamente, a fim de garantir a integridade dos equipamentos do sistema e a manutenção
de sua estabilidade na operação. Nesse sentido, a proteção diferencial surge como uma
alternativa extremamente adequada para a proteção de linhas de transmissão. Para tanto, faz-
se necessária a comunicação entre os dispositivos de proteção nas diferentes extremidades da
linha.

O uso da proteção diferencial em linhas de transmissão era restrito a linhas curtas, pois
havia a dificuldade - muito mais financeira do que tecnológica - relacionada a um meio de
comunicação confiável entre grandes distâncias. Os métodos mais comuns de transmissão de
dados, tais como fio-piloto e PLC (em inglês, Power Line Carrier), eram viáveis
economicamente, mas não eram muito confiáveis, enquanto os canais de micro-ondas e fibras
óticas exclusivas para comunicação, apesar de confiáveis, envolviam custos elevados. Com o
desenvolvimento das tecnologias de comunicação e, principalmente, com a implementação de
cabos de fibra ótica nos cabos para-raios (tecnologia conhecida como OPGW) a comunicação
entre os terminais das longas linhas de transmissão se tornou mais adequada e acessível para a
proteção diferencial.

As primeiras proteções usadas em linhas de transmissão eram do tipo diferencial com


o auxílio de um fio piloto compatível com o tamanho das linhas na época. No Brasil, devido
ao tamanho continental e à extensa distância entre as gerações e os centros consumidores de

11
energia, a proteção predominante sempre foi a de distância, sendo a proteção diferencial
restrita a cabos subterrâneos em grandes cidades [8].

O tempo de latência do canal de comunicação gera uma defasagem aparente entre os


sinais adquiridos das correntes, a qual precisa ser corrigida a fim de garantir o funcionamento
adequado do relé. Por exemplo, para um atraso de 2 ms em um sistema operando a 60 Hz:

1 1
9  =
; 60

9 2 ⋅ 10@A

360° B

-2 ⋅ 10@A / ⋅ 360°
B
1
60

B  43,2°

Ou seja, um atraso de 2 ms provocará uma defasagem angular de 43,2º, conforme


mostrado na Figura 2-10. Tal defasagem pode provocar leituras erradas no relé, o que, por
consequência, pode levar a atuações indevidas e erros na identificação de faltas externas ou
internas.

Corrente Atrasada
600 Corrente Original

400

200
Corrente (A)

-200

-400

-600

0 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 0.1
Tempo (s)

Figura 2-10 - Sinal de Corrente Atrasado.

Algumas técnicas têm sido propostas para compensar o atraso do canal. A mais
tradicional delas é a chamada ping-pong, que consiste em fazer medições constantes no tempo
de latência do canal, ou seja, uma mensagem é enviada e, assim que chega ao destinatário, é

12
enviada de volta. O tempo decorrido é medido e sua metade é considerada como o tempo de
latência do canal. Essa técnica é bastante eficaz em canais simétricos (tempos de ida e volta
da mensagem próximos) e que tenham pouca variação no atraso ao longo do tempo [8]. Uma
alteração para esse método é utilizar o canal para realizar a sincronização entre os relógios
(clocks) de cada relé. Assim, cada amostra de corrente é enviada ao outro terminal com uma
“etiqueta” (tag) contendo a informação do tempo que ela foi amostrada [9]. Com o
desenvolvimento e baixo custo dos equipamentos eletrônicos, é cada vez mais comum a
sincronização dos clocks ser feita externamente, através de um GPS que estampa cada
amostra com o tempo da medição [10].

A Figura 2-11, modificada de [11], mostra como são tratados os dados adquiridos por
cada relé para que a comparação entre eles seja sincronizada.

Figura 2-11 - Sincronização de Dados.

2.4 Análise da Proteção Diferencial no Plano α


Assim como a representação das características dos relés de distância pode ser feita através de
um plano de impedância, a característica diferencial possui uma representação similar. Para se
analisar melhor as grandezas envolvidas nesse tipo de proteção, criou-se uma representação
gráfica chamada de plano alfa. Trata-se de um plano complexo que compara as magnitudes e
fases dos vetores envolvidos no sistema. Esse plano mostra o formato da característica de
restrição e os pontos correspondentes à corrente de operação, facilitando a visualização da
atuação do relé e da sua sensibilidade.

O plano alfa é definido pela seguinte relação ilustrada na Figura 2-12:

13
#
D
 1  FG  H ⋅ I J
#
(Eq. 8)
E

Figura 2-12 - Plano alfa.

Onde  representa a corrente vista pelo relé local e  a corrente vista pelo relé
''
) , é chamada de plano beta e contém as mesmas
' '
remoto. A relação inversa, ou seja,

informações, só que referenciadas para o terminal na outra extremidade da linha.

Pelas relações geométricas, temos:

'#'
1  '#D ' ⋅ cos 8  H ⋅ cos 8 (Eq. 9)
E

'#'
G  '#D ' ⋅ sen 8  H ⋅ sen 8 (Eq. 10)
E

H  √1  G  (Eq. 11)

Q
8  arctan R (Eq. 12)

Durante o regime normal ou na ocorrência de uma falta externa, o módulo das


correntes vistas pelo relé será o mesmo e as fases estarão 180º defasadas. Logo,

14

 1  FG  1  F0


Ou seja, o ponto (-1,0) é onde o relé deve enxergar a linha quando a atuação não for
necessária, desprezados todos os possíveis erros e as correntes de carga.

Cada tipo de comparação implementada no relé gera uma característica no plano alfa.
Por exemplo, considerando-se as seguintes correntes de operação e de restrição:

  '   ';    ( ⋅ '  '

Considerando-se que k=1 e que a característica implementada no relé seja:

  * ⋅  

Transferindo-se essa característica para o plano alfa, tem-se:

'   ' ≥ * ⋅ '  '

 
T  1T ≥ * ⋅ T 1T
 

Substituindo-se os vetores por coordenadas cartesianas, tem-se:

|1  FG  1| ≥ * ⋅ |1  FG 1|

-1  *  /
1 G 2⋅
 
1≥0
-1 *  /

Essa equação apresentada acima representa a área externa de uma circunferência com

raio U  @VE e centro -1  FG/  @VE  F0. O valor de K define a sensibilidade do relé e,
⋅V WVE

como mostra a Figura 2-7, define também a inclinação da reta. No plano alfa, mostrado na
Figura 2-13, é facilmente visualizado que, quanto maior o valor de K, menos sensível será o
relé.

A análise no plano alfa é feita sobrepondo-se a característica do relé e a trajetória da


razão das correntes resultante de uma falta ou de uma condição do sistema. Na Figura 2-13, a
área interna representa a parte de não-operação do relé, enquanto a área externa representa a

15
parte de operação e todas as circunferências mostradas contém na parte interna – não-
operação – o ponto (-1,0). Cabe ressaltar que:

1  *
lim \  F0]  1  F0
V→, 1 *

Ou seja, o relé operando em sua sensibilidade máxima cobriria apenas o ponto (-1,0)
na sua área de não-operação.

k=0.8
4

2
k=0.5
Imag (I1/I2)

-2 k=0.3

-4

-6
-12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2
Real (I1/I2)

Figura 2-13 - Características no Plano Alfa.

Para um sistema em regime permanente, a trajetória se reduz a apenas um ponto e,


conforme ocorrem mudanças ou eventos significativos, esse ponto começa a mudar de lugar,
conforme alterações nas correntes recebidas pelos relés. A Figura 2-14, modificada de [4],
mostra para que áreas do plano alfa o ponto da razão das correntes se move na ocorrência de
curtos no sistema.

Figura 2-14 - Trajetórias no Plano Alfa.

16
A Figura 2-15 mostra um exemplo de um plano alfa onde o sistema estava estável e
ocorre um curto circuito dentro da área protegida pela proteção diferencial. Os pontos em
cinza representam o caminho desenhado enquanto o buffer (será detalhado na seção 3.4.5) de
dados é totalmente preenchido com dados do curto circuito. A figura ainda ilustra o instante
em que o trip ao disjuntor é enviado.

Carregamento do
Trip buffer

Regime permanente Regime permanente


antes do curto após o curto

Figura 2-15 - Caminho visto pelo relé durante o transitório.

Durante a ocorrência de uma falta interna, como as correntes vistas pelos relés estão
em fase:

 ' ' ' '


 ∟_arg  arg  a b  1  F0
 ' ' ''

Logo, o ponto de operação se move para o semi-plano positivo. No entanto, é comum


que ocorra um desbalanço de até 30º, a depender do ângulo das impedâncias equivalentes das
fontes correspondentes até o ponto da falta, causando a abertura angular mostra na Figura
2-14 [4] [8].

Em linhas muito carregadas, a corrente vista pelo relé será a sobreposição da corrente
de falta com a corrente de carga. Logo, em um dos terminais ocorrerá o outflow, ou seja, o
relé enxergará a corrente de curto e a de carga em direções opostas, portanto, o módulo da
corrente será menor que no outro terminal. Se o terminal com outflow for o terminal local,
|1| c 1 e, se for o terminal remoto |1|  1.

17
3 Modelagem da Proteção Diferencial de Linhas na MODELS
Com o aumento da complexidade dos sistemas elétricos e a necessidade de estudos cada vez
mais precisos sobre os comportamentos anormais do mesmo, é cada vez mais relevante o
auxílio de computadores com alto poder de processamento para que os eventos possam ser
melhor entendidos e, consequentemente, novas soluções possam ser pensadas e testadas.

3.1 Programas EMTP


Transitórios eletromagnéticos são fenômenos que causam súbitas variações de tensão ou
corrente nos sistemas elétricos que se encontravam estáveis, ou seja, em estado de regime
permanente. Esses transitórios sempre foram alvos de amplos estudos dentro de um sistema
elétrico, pois, baseado nos resultados, são projetadas as especificações dos dispositivos de
proteção dos equipamentos envolvidos. O estudo de transitórios também pode levar à
descoberta dos motivos pelos quais alguns ocorrem.

São vários os tipos de abordagem que podem ser feitas para o estudo de transitórios,
dentre as quais alguns modelos são apresentados a seguir:

• Modelo em escala reduzida: é montado um modelo físico, em escala reduzida, dos


equipamentos de um sistema elétrico. Torres, postes, linhas, entre outros são feitos em
miniatura e o evento a ser estudado é simulado nas representações;
• Simuladores analógicos: são bem tradicionais para esse tipo de estudo, conhecidos
como TNA (do inglês, Analisadores de Transitórios em Redes). Ao contrário do
modelo anterior, esse modelo se preocupa em ser uma representação do equivalente
elétrico dos equipamentos do sistema, e não uma miniatura. Sua grande vantagem é a
capacidade de acoplamento aos sistemas de controle reais, ou seja, os mesmos que
serão usados no sistema elétrico.
• Simuladores digitais: são baseados no processamento de instruções em um
computador que simulem as características elétricas dos equipamentos e do sistema. É
o modelo que mais se desenvolve devido à maior capacidade de processamento e à
velocidade que os computadores vêm apresentando. Não há limitações relevantes
nesse tipo de simulação uma vez que praticamente todas as características, modelos,
desenvolvimentos teóricos e comportamentos elétricos conhecidos podem ser
adaptados para um conjunto de instruções em um computador.

18
• Simuladores híbridos: misturam características dos simuladores analógicos e digitais,
através de acoplamentos adequados. É o método que apresenta o melhor potencial,
com possibilidade de resultados bem interessantes dessa interação, apesar de ainda não
ser utilizado amplamente.

Quando esses métodos são comparados, existem algumas variações em alguns


detalhes, mas geralmente a correlação entre eles é alta. Mesmo um teste que é realizado em
dois simuladores da mesma natureza pode apresentar diferenças sutis. Quando comparados
com resultados de testes de campo, ainda são observados alguns desvios relevantes entre os
valores obtidos [12].

O EMTP é um programa para simulação digital de transitórios de sistemas


eletromagnéticos, eletromecânicos e de controle em sistemas de potência polifásicos. Ele
começou a ser desenvolvido no final da década de 60 como um computador de auxílio a um
TNA analógico. Ao longo dos anos e com a cooperação de inúmeros membros de diversas
universidades americanas, ele foi sendo desenvolvido, ganhando novas funções e se derivando
em vários outros tipos de programa. Um desses programas derivados do EMTP foi o ATP
[13].

O ATP permite a simulação de transitórios em sistemas polifásicos com conexões


arbitrárias entre diferentes componentes elétricos e de controle, resolvendo as equações
diferencias e algébricas associadas através da matriz admitância de barras e na regra de
integração trapezoidal. Uma vez que se trata de uma simulação digital, a solução não é
contínua no tempo, mas sim calculada em intervalos de tempo discretos, que podem ser
configurados de acordo com a resolução desejada.

3.2 Uso da MODELS no ATP


O ATP possui uma flexibilidade importante que permite que novas situações, equipamentos,
eventos e etc. possam ser inseridos no contexto da simulação realizada, mesmo que o
programa não contenha seu modelo equivalente. Podem ser criadas, de várias formas, rotinas
auxiliares para complementar o estudo realizado.

Uma das rotinas auxiliares é a TACS (do inglês, Análise Transitória de Sistemas de
Controle), que foi desenvolvida para simular as interações dinâmicas entre a rede elétrica e os
sistemas de controle de um determinado equipamento. Seu funcionamento consiste em

19
descrições similares aos diagramas de blocos, sendo possível a representação de funções de
transferência, funções algébricas, lógicas, fontes de sinal, chaves e etc.

A MODELS é uma codificação estruturada que permite a descrição de sistemas


complexos em uma linguagem de alto nível e que pode ser implementada em simuladores que
realizam estudos variantes no tempo [14]. No ATP, funciona como uma versão mais moderna
da TACS, com funções mais completas e permitindo descrições mais complexas de
equipamentos e seus componentes. Suas principais vantagens são apresentadas a seguir [15]:

• Permite uma descrição mais fácil de componentes que não possuam


representações triviais no ATP ou na TACS;
• Sua linguagem é similar a outras linguagens de programação tais como Pascal e
Fortran, que, normalmente, se tem mais intimidade do que o tipo de linguagem
utilizado no ATP;
• Permite a descrição não só do estado inicial dos componentes, como também um
delimitado histórico do mesmo;
• É capaz de funcionar como uma interface entre os sinais do ATP e outros
programas sem que se precise estudar o funcionamento interno do ATP ou
modificar o seu código fonte.

Os componentes MODELS podem ser divididos em sub-blocos que podem ser chamados
dentro de outras rotinas, permitindo assim economia na alocação de memória, otimizando a
estruturação do programa e reduzindo o número de linhas de código. Aos blocos são dados
nomes que não possuem a mesma restrição do número de caracteres que as variáveis do ATP
sendo, portanto, possível descrever a funcionalidade de tais blocos através do seu título.
Todas essas facilidades permitem que, mesmo alguém com pouco contato com a linguagem
possa entender o funcionamento do componente descrito.

3.3 Estruturação do Relé no ATP


Conforme abordado, programas do tipo EMTP como o ATP se tornaram populares com o
crescimento da utilização de instrumentos digitais na proteção de sistemas elétricos. Além de
permitir simulações de sistemas elétricos complexos em diversas condições, também é
possível integrá-lo a rotinas elaboradas em outras linguagens de programação, ou ainda na
própria linguagem MODELS. Essa característica é particularmente interessante, pois permite

20
que os algoritmos dos relés digitais sejam incorporados à simulação, tornando-a cada vez
mais próxima da realidade.

Nos relés diferenciais digitais, o sinal de corrente é amostrado em cada terminal,


convertido em sinal digital e as informações de módulo e fase são enviadas entre os terminais.
Cada terminal realiza as comparações de acordo com o sinal local e o sinal remoto.

Nesse trabalho foi desenvolvido um código utilizando-se a linguagem MODELS para


representar o funcionamento de relés digitais em uma linha de transmissão com a
funcionalidade de proteção diferencial. Através da simulação de faltas nas linhas de um
modelo de sistema elétrico foi possível estudar o comportamento desse tipo de proteção.

O relé foi construído a partir de vários blocos que representam suas funcionalidades
conforme mostra a Figura 3-1 e a seguir eles são detalhados individualmente. Por motivo de
simplificação nessa descrição, nos blocos que analisam cada fase individualmente apenas o
código genérico é mostrado, uma vez que o código é similar para todas as fases.

3.4 Coleta e Transmissão de Dados do Relé


Esse módulo é o responsável por coletar os dados vindos do TC de potência e ajustá-los para
que uma análise mais exata do estado do sistema seja feita. Esses ajustes consistem em:
adequação dos máximos e mínimos, filtragem, conversão analógico-digital, estimação fasorial
e identificação das amostras (tagging). Todos esses processos serão descritos a seguir.

3.4.1 TC Auxiliar
De acordo com os circuitos do relé e com a regulagem do conversor A/D utilizado, os níveis
dos sinais recebidos do TC de potência devem ser corrigidos para patamares mais adequados.
Para essa finalidade e também para servir como proteção aos circuitos do relé, em caso de
surtos, são utilizados os TCs auxiliares. Como o conversor A/D foi configurado para receber
valores entre -10 V e +10 V, o TC auxiliar foi projetado a fim de atender essa condição e seu
código é mostrado a seguir.

21
Figura 3-1 - Fluxograma da Implementação do Relé Diferencial.

inter[1]:=siga
inter[2]:=sigB
inter[3]:=sigC
FOR k:=1 to 3 DO
IF abs(inter[k]) < 45
THEN

sigOUT[k]:=inter[k]/4.5
ELSE

sigOUT[k]:=10*sign(inter[k])
ENDIF
ENDFOR

No código, as variáveis inter[1], inter[2] e inter[3] recebem os sinais das fases


A, B e C da saída do TP de potência. A relação de transformação é aplicada para cada fase
através de uma comparação: caso o módulo do sinal seja inferior a 45 A, é aplicada a relação
22
de 4,5:1; caso contrário, a saturação é simulada fornecendo uma saída de ±10 V, de acordo
com a polaridade do sinal recebido. Os valores do limite e da relação de transformação devem
ser ajustados de acordo com estudos do sistema elétrico no qual o relé está instalado. A
função sign() é usada para provocar o efeito da saturação, pois seu resultado é dado por:

1, =I 2  0
=def-2/  g 0, =I 2  0
1, =I 2 c 0

Logo, se abs(inter[k]) > 45, então sigOUT = ±10.

O sinal de saída no TC auxiliar sobreposto ao do TC de potência durante o regime


permanente é mostrado na Figura 3-2.

1.5

0.5
Corrente (A)

-0.5

-1
TC de Potência
TC Auxiliar
-1.5
0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 0.2
Tempo (s)

Figura 3-2 - Corrente na saída do TC Auxiliar (contínuo) e na saída do TC de Potência (tracejado).

3.4.2 Filtro Analógico Anti-Aliasing


Os sinais vindos do sistema elétrico podem conter outras componentes em frequências
distintas de 60 Hz que acabam contaminando os dados recebidos e, consequentemente,
causando uma interpretação errada da situação do sistema supervisionado. Essas componentes
são, normalmente, de frequências altas e múltiplas da fundamental – nesse caso são chamadas
de harmônicas – e ocorrem devido a chaveamentos, curtos ou outros eventos que gerem
transitórios, além da presença de cargas não-lineares.
23
Para permitir uma análise mais precisa, é comum o uso de filtros analógicos anti-
aliasing (redução da sobreposição de espectros de frequência), sendo os Butterworth de 3ª
ordem um dos mais tradicionais.

3.4.2.1 Projeto do Filtro Butterworth de 3ª Ordem


A formulação e teoria para o projeto de um filtro Butterworth é mostrada no Apêndice I –
Projeto de um Filtro Butterworth.

Foram utilizadas as seguintes especificações para o filtro:

• ωstop= 187,9 Hz;


• ωpass = 150 Hz;
• ω0 = 240 Hz;
• apass = 1 dB;
• astop = 60 dB.

Assim foi obtida a seguinte função de transferência:

1,6452 ∙ 10k
h-=/ 
= A  2,3611 ∙ 10A ∙ =   2,7873 ∙ 10n ∙ =  1,6452 ∙ 10k

A Figura 3-3 mostra a resposta em frequência do filtro projetado.

Os filtros Butterworth possuem uma característica intrínseca que é um atraso causado


durante o processo de filtragem. Porém, a característica de ganho unitário constante mostrada
na Figura 3-3 faz com que, mesmo com o atraso gerado, o uso desses filtros seja vantajoso.

3.4.2.2 Implementação do Filtro na MODELS


O código na MODELS utilizado para descrever o filtro faz uso da função LAPLACE,
que aplica uma função de transferência a um sinal de saída, de acordo com coeficientes
constantes pré-carregados na simulação.

24
1.4

1.2

0.8
Ganho

0.6

0.4

0.2

0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Frequência (Hz)

Figura 3-3 - Resposta em frequência do filtro Butterworth de 3ª ordem utilizado.

CONST -- coeficientes do filtro


b0 {val:1.6452e9}
a0 {val:1.6452e9}
a1 {val:2.7873e6}
a2 {val:2.3611e3}
a3 {val:1.0}

EXEC
LAPLACE (sigOUT[1]/sigA) := b0|s0 / (a0|s0 + a1|s1 +
a2|s2 + a3|s3)
LAPLACE (sigOUT[2]/sigB) := b0|s0 / (a0|s0 + a1|s1 +
a2|s2 + a3|s3)
LAPLACE (sigOUT[3]/sigC) := b0|s0 / (a0|s0 + a1|s1 +
a2|s2 + a3|s3)
ENDEXEC

No código acima, os termos b0, a0, a1, a2 e a3 correspondem aos termos da função de
transferência, conforme mostrado na expressão abaixo:

25
Q,
h-=/ 
RA∙o WR∙E WR∙WR,
(Eq. 13)

A função LAPLACE aplica a função de transferência (termo à direita do sinal de


igualdade) ao sinal de entrada (sigA, sigB e sigC), gerando o sinal de saída sigOUT. Os
termos 1, 2 e 3 de sigOUT correspondem, respectivamente, às fases A, B e C. Os sinais de
entrada desse código são referentes aos sinais de saída do TC auxiliar.

O sinal de saída do filtro Butterworth utilizado pode ser visto na Figura 3-4, que foi
obtida das simulações em regime permanente no ATP e mostra, inclusive, a defasagem
causada pelo uso desse filtro.

0.25

0.2

0.15

0.1
Corrente (A)

0.05

-0.05

-0.1
-0.15

-0.2 Filtro Analógico


TC Auxiliar
-0.25

0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14


Tempo (s)

Figura 3-4 – Saída do TC auxiliar (linha pontilhada) e saída do filtro analógico (linha contínua).

3.4.3 Sample/Hold
O Sample/Hold (em português, “amostra-e-mantém”) é a primeira etapa para a conversão do
sinal analógico em um sinal digital e consiste, basicamente, em uma chave associada a um
capacitor cujos terminais fornecem o sinal de saída. Esse capacitor é projetado para, sempre
que a chave for fechada, carregar e o sinal de saída seguir o sinal de entrada e, quando a chave
for aberta, descarregar lentamente, mantendo o sinal de saída praticamente constante no valor

26
do instante que a chave foi aberta. Os tempos de fechamento e abertura da chave definem a
taxa de amostragem do sinal.

O sinal de saída do Sample/Hold ainda é um sinal analógico que contém patamares


constantes, como se fossem degraus (esse efeito é bem representado na Figura 3-5). Assim, o
sinal fica constante durante o período de conversão analógico-digital, evitando que os dados
digitais possam ser corrompidos nesse processo devido às variações no sinal de entrada.

A implementação do Sample/Hold na MODELS faz uso de um artifício da linguagem


de programação que permite que o código seja executado com um passo de cálculo diferente
do usado na simulação. Analogamente à explicação anterior, esse novo passo de cálculo
representa o tempo que a chave permanece aberta e o capacitor mantém o valor amostrado. A
execução do código representa o fechamento da chave com o carregamento do capacitor.

TIMESTEP MIN: 1.0416666667E-3


EXEC
sigOUT[1]:=sigA
sigOUT[2]:=sigB
sigOUT[3]:=sigC
ENDEXEC

Na primeira linha do código está especificado o novo passo de cálculo, que foi
especificado a fim de se obter 16 amostras2 de corrente por ciclo. Sendo a frequência
fundamental do sistema 60 Hz, temos:

60 hp × -16 1rs=tH1=/  960 hp

1
9RvRw v  ≅ 0,0010416667  1,0416667 ∙ 10A =
960

Entre as linhas EXEC e ENDEXEC é mostrado o que acontece durante a execução do


código, o sinal de saída sigOUT é igual ao sinal de entrada sigA, B ou C. Como o passo de
execução desse bloco é maior que o passo da simulação do ATP, nos pontos onde o ATP faz a
simulação mas o bloco do Sample/Hold não é executado, o valor do sinal de saída é constante
até que o bloco seja executado novamente, conforme mostra a Figura 3-5. Nessa figura, os

2
A taxa utilizada de 16 amostras por ciclo é típica e amplamente utilizada em equipamentos digitais para
proteção de sistemas elétricos.
27
pontos representam alguns pontos calculados pelo ATP e a linha contínua representa a saída
de um Sample/Hold.

0.25

0.2

0.15

0.1
Corrente (A)

0.05

-0.05

-0.1
-0.15

-0.2

-0.25

3 4 5 6 7 8 9 10
Tempo (s) -3
x 10

Figura 3-5 - Amostragem realizada pelo Sample/Hold.

A Figura 3-6 mostra a saída obtida do Sample/Hold (linha contínua), sobrepondo-a


com o sinal de entrada – corrente na saída do filtro Butterwoth (linha pontilhada) –, onde é
possível visualizar com facilidade o efeito de “amostra-e-mantém” que é feito no sinal.

3.4.4 Conversor A/D


O conversor analógico-digital, comumente abreviado para conversor A/D, realiza a conversão
de um valor instantâneo analógico para uma palavra binária. Quão maior for essa palavra
binária, mais próxima do sinal analógico o sinal digital se torna, melhorando a qualidade da
análise. Além disso, o método escolhido para a conversão também influencia na qualidade
final, mas, geralmente, uma qualidade maior resulta em um tempo maior de processamento.
Como um dos fatores relevantes para a conversão A/D em sistemas elétricos é o atraso
causado, para esse projeto, foi escolhido um dos métodos mais velozes e, consequentemente,
um dos mais usados nesses sistemas, o método de aproximações sucessivas.

28
0.25

0.2

0.15

0.1
Corrente (A)

0.05

-0.05

-0.1

-0.15

-0.2 Sample/Hold
-0.25 Filtro Analógico

0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035 0.04 0.045


Tempo (s)

Figura 3-6 - Sinal de saída do Sample/Hold (contínuo) e de entrada (pontilhado).

Para esse estudo foi considerada uma palavra binária com 16 bits e, como os valores
da corrente amostrada assumem valores negativos, foi utilizada a técnica de complemento de
um para a representação desses valores. No complemento de um, os valores positivos são
representados quando o bit mais significativo (mais à esquerda) é 0 e os valores negativos são
representados invertendo-se todos os bits do valor positivo. A Tabela 1 mostra alguns
exemplos desses números.

Com 16 bits é possível representar (216-1) valores e, como foram definidos os limites
de +10 e -10 para o conversor, o espaço entre os valores analógicos representados –
conhecido como resolução – será:

9st1y zI {1ysHI= HI|HI=Ift1zs=-fí{Id=/  2n 1  65535

drdtI 0á2 drdtI 0df 10 - 10/


UI=sy~çãs   ≅ 3,05 ∙ 10@ƒ
9st1y zI í{Id= 65535

Para se encontrar o número decimal correspondente ao valor analógico a, utiliza-se a


seguinte formulação:

29
D‰ @
„,  U…†‡ ˆ ∙ 1Š , |1H1 1  0
,
(Eq. 14)

|R|∙_D‰ @a
„,  -2n 1/ U…†‡ ˆ Š , |1H1 1 c 0
,
(Eq. 15)

Nas fórmulas acima, a função ROUND realiza o arredondamento para o número


inteiro mais próximo e o fator 10 no denominador refere-se ao módulo do nível máximo do
conversor. Como se pode analisar, Z10 será sempre um número inteiro. Para se transformar o
número decimal em um número com representação em ponto flutuante, utiliza-se a resolução
calculada anteriormente, de acordo com as fórmulas abaixo:

‹Œ  „, ∙ UI=sy~çãs, |1H1 „, ≥ 0 (Eq. 16)

‹Œ  -„, 2n  1/ ∙ UI=sy~çãs, |1H1 „, 0 (Eq. 17)

Na Tabela 1 são mostrados alguns exemplos de números binários na representação


complemento de um, seus respectivos valores decimais, o valor analógico correspondente e a
representação em ponto flutuante.

Tabela 1 - Conversão Analógica-Digital

Valor em Ponto
Valor Analógico Numero binário Número Decimal (Z10)
Flutuante (FP)
5,6 0100 0111 1010 1110 18350 5,5968
1,1 0000 1110 0001 0100 3604 1,0992
-1,1 1111 0001 1110 1011 61931 -1,0992
0000 0000 0000 0000
0,0 0 0,0
1111 1111 1111 1111

Na MODELS, foram implementadas as lógicas comparativas e as fórmulas


apresentadas nessa seção, conforme mostrado no código abaixo:

TIMESTEP MIN: 1.0416666667E-3


CONST
Y {val: 10.0}
b {val: 15.0}
EXEC
Res:=Y/(exp(b*ln(2))-1)

30
FOR k:=1 to 3 DO
IF inter[k] >= 0 THEN

Z:=ROUND(inter[k]*(exp(b*ln(2))-1)/Y)
sigOUT[k]:=Z*Res
ELSE
Z:=exp((b+1)*ln(2))-1-
ROUND(ABS(inter[k])*(exp(b*ln(2))-1)/Y)
sigOUT[k]:=(Z-
exp((b+1)*ln(2))+1)*Res
ENDIF
ENDFOR
ENDEXEC

Assim como no Sample/Hold, a função TIMESTEP MIN foi utilizada para que fossem
utilizadas 16 amostras por ciclo. Assim, garante-se que a conversão A/D ocorrerá no mesmo
instante de tempo que a amostragem do sinal. No código são utilizadas as mesmas equações
apresentadas no desenvolvimento, de acordo com o valor do sinal de entrada, inter[1, 2 ou
3]. Ainda cabe ressaltar as seguintes considerações, incluindo a inicialização do código:

• Y=10: Módulo do limite do conversor;


• b=15: Número de bits da palavra binária, desconsiderando-se o bit que representa o
sinal;
• I -Q/∙Ž   2Q .

Na saída do conversor, é obtido um sinal digital, ou seja, não é mais uma onda contínua,
mas sim pontos discretos amostrados dessa onda. A Figura 3-7 mostra a saída do conversor
A/D sobreposta ao sinal do Sample/Hold, assim é possível perceber que os pontos de
amostragem obtidos na digitalização do sinal são exatamente os patamares criados na etapa
anterior.

31
0.25

0.2

0.15

0.1

0.05
Corrente (A)

-0.05

-0.1
Sample/Hold
-0.15
Conversor A/D
-0.2

-0.25
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035 0.04 0.045
Tempo (s)

Figura 3-7 - Saída do Conversor A/D (barras) e do Sample/Hold (tracejado).

3.4.5 Buffer
O buffer armazena as informações antigas dos sinais de corrente amostrados, funcionando
como a memória do sistema. Sua principal utilidade nesse sistema será a de fornecer os dados
da janela para o cálculo da estimação de fasor, como será desenvolvido no próximo tópico.
Nesse projeto, foi desenvolvido um buffer de 20 posições uma vez que, conforme será
mostrado, precisa-se de 17 amostras anteriores à atual para se estimar o fasor.

O código implementado na MODELS faz uso de um vetor com tamanho 20, que tem
seu código executado 16 vezes por ciclo, conforme mostrado abaixo.

EXEC
TIMESTEP MIN: 1.0416666667E-3
VAR
store20A[1..20]
store20B[1..20]
store20C[1..20]

FOR i:=1 TO 19 DO

store20A[i]:=store20A[i+1]

32
store20B[i]:=store20B[i+1]

store20C[i]:=store20C[i+1]
ENDFOR

store20A[20]:=sigIN[1]
store20B[20]:=sigIN[2]
store20C[20]:=sigIN[3]
ENDEXEC

No código é mostrada uma seção do cabeçalho do programa (VAR), onde são definidas
as variáveis que serão utilizadas: store20A, store20B e store20C. A numeração entre
colchetes ([1..20]) indica que essas variáveis são vetores com posições numeradas de 1 a 20.
Essas variáveis se referem, respectivamente, às correntes nas fases A, B e C. Dentro do loop
FOR é feito o deslocamento do vetor, ou seja, cada valor é rebaixado uma posição e o valor
mais antigo (posição 1) é descartado. Nas linhas seguintes ao FOR, o último termo do vetor
(posição 20) é atualizado com o valor de amostra mais recente.

A Figura 3-8 mostra as amostras armazenadas pelo buffer e como ele se movimenta
com o passar do tempo, demonstrado pelas janelas de t1 (tracejado maior) e na próxima
execução do código em t2 (tracejado menor).

3.4.6 Módulo de Estimação de Fasores


Até agora, o sinal de corrente vindo do TC foi tratado e se tornou uma coleção de pontos que
representam uma onda. No entanto, para que as análises sejam feitas mais facilmente, é
interessante que se conheça o módulo e a fase desse sinal.

Desde que os computadores passaram a ter capacidade de processamento suficiente para


atender a demanda do sistema elétrico, diversas técnicas de estimação fasorial vêm sendo
desenvolvidas, cada uma com características próprias que implicam em vantagens e
desvantagens a serem analisadas de acordo com a necessidade. Algumas das principais
técnicas desenvolvidas são as seguintes:

• Transformada Discreta de Fourier (DFT);


• Filtro Cosseno;
• Algoritmo dos mínimos quadrados;
33
• Filtro de Kalman e;
• Transformada Wavelet.

0.25 t1
t2
0.2

0.15
0.1
Corrente (A)

0.05

-0.05

-0.1

-0.15

-0.2

-0.25

0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035


Tempo (s)

Figura 3-8 - Armazenamento do buffer e a evolução ao longo do tempo.

Um dos principais problemas de alguns dos métodos mais tradicionais de estimação de


fasor é a eliminação da componente DC, típica de circuitos RLC com chaveamento. Essa
componente pode levar a estimações erradas que aumentam a possibilidade da proteção atuar
erroneamente. Existem alguns métodos para a eliminação dessa componente, tais como: filtro
mímico, compensadores de um ciclo e de meio ciclo, filtros paralelos e filtros cosseno.
Portanto, para esse estudo, foi utilizada a técnica do filtro cosseno modificado [16] patenteada
pela ABB. Entre as principais vantagens, está o fato de ela eliminar a componente DC e de ser
uma das técnicas mais velozes, uma vez que, por não depender da ortogonalidade das
componentes, não é necessário aguardar um ciclo completo, ou meio ciclo, para se obter uma
estimativa confiável do fasor.

Uma onda senoidal pode ser representada por

34
2-t/  v ∙ cos-t  ‘/ (Eq. 18)

onde Xm é o pico da amplitude, ω é a frequência em radianos por segundo e ϕ o ângulo


de fase em radianos. A representação fasorial dessa onda é dada por um número complexo3 ,
onde

  v ⋅ I ’⋅“ . (Eq. 19)

Como se percebe, o fasor é definido para uma frequência fixa e um sinal não variante
ao longo do tempo. A frequência analisada será a fundamental de 60 Hz, porém, não é
possível garantir que o sinal seja sempre estável. Por isso, as técnicas de estimação de fasor
devem realizar sucessivos cálculos em um grupo de amostras a fim de calcular a evolução
desse fasor no tempo. Esse grupo de amostras usados no cálculo é chamado de janela de
dados e, nesse projeto, essa função é realizada pelo buffer.

Conforme mostra a Figura 3-8, essa janela é atualizada cada vez que uma nova
amostra é recebida e, a cada nova janela, um fasor é calculado. O principal problema
decorrente do janelamento dos sinais é durante a ocorrência de uma variação brusca no sinal,
durante um curto, por exemplo. As primeiras amostras dessa perturbação que chegam à janela
são insuficientes para modificar significativamente o fasor, pois a maioria dos dados na janela
ainda é do regime permanente. Também por esse motivo, um método que fornecesse uma
estimação mais veloz do fasor foi escolhido.

O filtro cosseno modificado mostrado em [16] consiste na aplicação do filtro cosseno


em uma janela, obtendo-se um fator C1 e, sem seguida, aplicar o filtro novamente na janela
posterior, obtendo-se um fator C2. A partir de uma combinação de C1 e C2 é dado o fasor. A
formulação é mostrada a seguir:

”1   ⋅ ∑@
 ˜
—™, –— ⋅ cos ˆ( ⋅ 
Š (Eq. 20)

1  ”1

3
Com a finalidade de uma melhor visualização do sinal de corrente, o cálculo do fasor considera os valores de
pico ao invés do valor eficaz.
35
⋅ ∑
 ˜
”2  —™ –— ⋅ cos š-( 1/ ⋅ ›
 
(Eq. 21)

œ⋅žŸ- /@œ ⋅˜
2  , ¢
 ¡- / 
(Eq. 22)

  1  F ⋅ 2 (Eq. 23)

Onde Sk é a k-ésima amostra e N é o número total de amostras na janela. Conforme


visto, o buffer armazena 20 amostras, mas, nesse projeto, usaremos uma janela de um ciclo,
ou seja, 16 amostras. Para isso, basta utilizarmos as 16 últimas posições do buffer, que
correspondem às amostras mais recentes.

Para a otimização do tempo de execução da MODELS, foi feita uma mudança de


variável na fórmula do termo C2 para que esse fosse calculado dentro do mesmo loop que o
termo C1. Essa mudança é mostrada a seguir:

@
2 2¦
(  (  1 ⇒ ”2  ⋅ ¤ –— ¥ @ ⋅ š( £ ⋅ ›
£
 ¥ 
— ™,

Logo, a implementação em linhas de código é a seguinte:

TIMESTEP MIN: 1.0416666667E-3

DATA
Rela
EXEC
jan[1..17]:=in[4..20]
C1:=0
C2:=0
FOR k:=1 to 16 DO
C1:=C1+(2/16)*jan[k]*cos(2*pi*k/16)

C2:=C2+(2/16)*jan[k+1]*cos(2*pi*k/16)
ENDFOR
X1:=C1
X2:=(C1*cos(2*pi/16)-C2)/sin(2*pi/16)
out[1]:=Rela*4.5*sqrt(X1**2+X2**2)
IF X1=0 AND X2=0 THEN
out[2]:=0
ELSE

36
out[2]:=-atan2(X2,X1)
ENDIF
ENDEXEC

No código mostrado, é criada uma janela de dados com 17 amostras, uma vez que as
amostras de 1 a 16 serão usadas no cálculo de C1 e as amostras de 2 a 17 no cálculo de C2.
Os termos C1 e C2 são zerados no início de cada execução (ou seja, a cada novo passo de
cálculo) para evitar contaminação dos fasores e, dentro do loop FOR é calculado o somatório
referente às fórmulas apresentadas. Após o loop, os termos X1 e X2 são atualizados, bem
como as saídas desse bloco. A saída out[1] se refere ao módulo do fasor, que é obtido a
partir de um número complexo de acordo com

''  √1  2 . (Eq. 24)

A variável Rela é um dado passado externamente a esse bloco que informa a relação
de transformação do TC de potência e o escalar de valor 4,5 que está multiplicando o módulo
se refere à relação de transformação do TC auxiliar. Assim, o módulo fornecido pela
estimação do fasor já se refere à corrente que passa na linha que o TC de potência está
instalado. A Figura 3-9 mostra o módulo do fasor estimado (linha contínua) para a corrente na
fase A (linha tracejada). É possível analisar que, no início da simulação, o fasor cresce
gradativamente até chegar ao módulo correto. Isso ocorre devido ao preenchimento do buffer
com as amostras do sinal, uma vez que, inicialmente, todas as amostras do buffer eram nulas.

A saída out[2] se refere ao ângulo da fase, que é obtido através de um número


complexo a partir de

1He_a  tan@ ˆ§Š.


§
(Eq. 25)

Onde arg() é uma função que representa o argumento de um número complexo.

O bloco condicional IF tem a função de impedir que, quando ambos X1 e X2 forem


nulos a função atan2() seja executada, pois, por uma particularidade da linguagem, um erro
ocorre nessa situação.

37
600

400

200
Corrente (A)

-200

-400
Módulo do Fasor
-600 Corrente IA

0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 0.2
Tempo (s)

Figura 3-9 - Módulo do fasor estimado da corrente IA.

3.4.7 Transmissão de Dados


Depois de o sinal de corrente ter sido amostrado e tratado, é necessário que ele seja
organizado em uma ordem pré-determinada, de acordo com o protocolo de comunicação
estabelecido para o sistema. É também nessa etapa que os valores amostrados serão
associados ao instante de tempo que foram medidos.

Conforme já tratado no tópico 2.4, a sincronização é fundamental para garantir o


correto funcionamento do relé e a associação de etiquetas (tags) de tempo a cada amostra será
a responsável por identificar os dados que chegam a um determinado relé. Esse tag de tempo
que será anexado às amostras de corrente é derivado de um relógio externo, associado a um
GPS sincronizado. Assim, garante-se que as amostras em cada terminal poderão ser feitas no
mesmo instante de tempo, mantendo-se a sincronização dos fasores e tornando desnecessária
a utilização da rotação de fasores para a sincronia. [11]. Após essa etapa, os dados são
enviados para a saída do relé e inseridos no canal de comunicação.

A Figura 3-10 mostra a estrutura de como serão enviados, nesse caso, os dados entre
os terminais da linha.

tag Módulo de 


 Fase de 
 Módulo de 
¨ Fase de 
¨ Módulo de 
œ Fase de 

Figura 3-10 - Envio de dados entre os relés diferenciais.

A implementação desse módulo na MODELS é mostrada abaixo:


38
EXEC
tag:=tempo
IAmod:=inA[1]
IAang:=inA[2]
IBmod:=inB[1]
IBang:=inB[2]
ICmod:=inB[1]
ICang:=inB[2]

ENDEXEC

Percebe-se, pela simplicidade desse código, que a função desse módulo é apenas
associar os valores de módulo e fase recebidos de cada fase com o tempo instantâneo da
simulação e transferi-los para uma variável com nome apropriado que será recebido pelo
canal de comunicação.

3.5 Canal de Comunicação


O canal de comunicação tem papel fundamental na eficácia do sistema de proteção diferencial
de linhas de transmissão, pois é o principal elemento restritivo desse tipo de proteção.
Conforme eles são aperfeiçoados, aumenta-se a capacidade de transmissão, diminui-se o
tempo de latência e garante-se uma confiabilidade maior, permitindo, então, que linhas cada
vez maiores sejam protegidas pelo esquema diferencial.

Os primeiros relés diferenciais para proteção de linhas utilizavam o fio-piloto, que é


um circuito a dois condutores capaz de operar para níveis DC e frequências de 60 Hz. Para
diminuir o número de cabos de interligação, a informação passada pelo meio de comunicação
era a da corrente de sequência positiva ao invés da corrente de cada fase [17].

Atualmente, a melhor alternativa tanto técnica quanto econômica é o uso de cabos


OPGW uma vez que, além de seu funcionamento como parte do sistema de proteção contra
descargas atmosféricas, ele pode ser utilizado para a comunicação de alta velocidade entre os
terminais nas extremidades da linha. Devido a sua larga banda, é possível utilizar faixas
distintas para tipo de sinal (módulo e ângulo) de cada fase.

39
Para essa simulação, foi criado um bloco com a função de simular o meio de
comunicação entre os relés diferenciais. Esse bloco possui o tempo de latência constante e é
utilizado duas vezes na construção do modelo da proteção diferencial: para simular a
transmissão do sinal do terminal 1 para o 2 e o caminho inverso. O código utilizado para esse
bloco é mostrado a seguir.

DATA
ta
HISTORY
inAM {dflt:0} inAA {dflt:0}
inBM {dflt:0} inBA {dflt:0}
inCM {dflt:0} inCA {dflt:0}
tag {dflt:0}

DELAY CELLS DFLT: 1.2*ta/timestep

EXEC
outAM:=delay(inAM,ta) outAA:=delay(inAA,ta)
outBM:=delay(inBM,ta) outBA:=delay(inBA,ta)
outCM:=delay(inCM,ta) outCA:=delay(inCA,ta)
outTAG:=delay(tag,ta)
ENDEXEC

A variável ta é um parâmetro recebido externamente e representa o tempo de latência


do canal. Ela é definida quando esse bloco é inserido no código da simulação. As variáveis
inAM e inAA representam, respectivamente, o módulo e o ângulo da corrente da fase A
recebidas na entrada do canal e as variáveis outAM e outAA representam também o módulo e o
ângulo da corrente da fase A, mas agora na saída do canal. As variáveis inBM, inBA, inCM,
inCA, outBM, outBA, outCM e outCA são as representações semelhantes para as fases B e C. A
variável tag e outTAG representam, respectivamente, a etiqueta de tempo dos sinais de
corrente na entrada e saída do canal.

O parâmetro HISTORY é uma inicialização das variáveis que define os valores


prévios de cada uma, ou seja, para t<0. Nesse caso, todas as variáveis foram ajustadas com
valores iniciais nulos. O parâmetro DELAY CELLS DFTL cria um buffer de tamanho fixo
para armazenar as informações passadas de todas as variáveis desse bloco. O tamanho desse
buffer foi definido como a razão entre o tempo de latência do canal e o passo de cálculo da
40
simulação e, como margem de segurança, foram acrescidos mais 20%. A função delay(X,
Y), localizada entre as linhas EXEC e ENDEXEC, retorna o valor que a variável X tinha há Y
segundos atrás, ou seja, o comando outAM:=delay(inAM,ta) mostra que o módulo da
corrente da fase A na saída do canal é igual ao módulo da corrente da fase A que estava na
entrada do canal há ta segundos.

A Figura 3-11 ilustra a simulação de um sinal de entrada e de saída do canal com um


atraso de 100 ms.

Corrente Atrasada
600 Corrente Original

400

200
Corrente (A)

-200

-400

-600

0 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0.07 0.08 0.09 0.1
Tempo (s)

Figura 3-11 - Atraso de 100 ms no canal de comunicação.

3.6 Análise de Dados e Envio de Comando ao Disjuntor


Até essa etapa, os sinais analógicos de corrente medidos pelos TCs foram tratados a fim de
que sua intensidade estivesse compatível com o circuito do relé e que o sinal que fosse
analisado tivesse influência reduzida das outras harmônicas, fora a fundamental. Então esses
sinais foram digitalizados e as informações trocadas através de um canal de comunicação.

Essa etapa do modelo do relé analisa o sinal digital proveniente do TC local e do TC


remoto, os sincroniza e, baseado nas configurações definidas, decide sobre o envio de um
comando de abertura ao disjuntor.

41
3.6.1 Sincronização dos Dados
Conforme já abordado anteriormente, nos tópicos 2.3 e 3.4.7, a sincronização de dados é um
dos aspectos mais importantes para o funcionamento adequado da proteção diferencial de
linhas. Devido à comparação das etiquetas de tempo, garante-se a sincronia das amostras (são
comparadas amostras referentes ao mesmo instante de tempo) e a sincronia dos fasores (os
ângulos das correntes estão relacionados ao mesmo tempo absoluto [18]).

Com base nas etiquetas (tags) de tempo associadas aos valores amostrados, o relé
busca as tags iguais mais atuais e envia à análise digital os valores associados a essas tags. A
Figura 2-11 ilustra a comparação de dados que chegam em instantes diferentes.

Como a análise diferencial é feita com base na soma vetorial, as amostras de módulo e
fase da corrente são convertidas para coordenadas retangulares de acordo com as (Eq. 9) e
(Eq. 10).

Para essa simulação, foi criado um módulo de sincronização de dados que efetua as
características descritas acima. Esse módulo é implementado seis vezes na simulação, um
módulo para cada fase dos dois terminais. O código criado é mostrado a seguir.

TIMESTEP MIN: 1.0416666667E-3


EXEC
FOR i:=2 to 100 DO
bufferTAG[i-1]:=bufferTAG[i]
bufferMOD[i-1]:=bufferMOD[i]
bufferANG[i-1]:=bufferANG[i]
ENDFOR
bufferTAG[100]:=tag1
bufferMOD[100]:=Imod1
bufferANG[100]:=Iang1

j:=100
DO
IF bufferTAG[j] <> tag2 THEN
j:=j-1
REDO
ELSE
a1:=bufferMOD[j]*cos(bufferANG[j])
b1:=bufferMOD[j]*sin(bufferANG[j])
ENDIF

42
ENDDO
a2:=Imod2*cos(Iang2)
b2:=Imod2*sin(Iang2)
ENDEXEC

No código é mostrado, dentro do laço FOR, que existem três buffers para
armazenamento dos valores do módulo (bufferMOD), ângulo (bufferANG) e tag (bufferTAG)
dos valores relacionados ao terminal local, que é tratado com o índice 1, enquanto o terminal
remoto é designado pelo índice 2. Esses buffers possuem 100 posições e, considerando-se que
a taxa de amostragem é de 16 amostras por ciclo da fundamental de 60 Hz, eles são capazes
de armazenar informações dos últimos 104 ms aproximadamente. Tal valor é bem acima dos
valores esperados para o atraso do canal, que raramente ultrapassam 5 ms [4].

No laço FOR é feita o deslocamento dos valores dentro do buffer para que, após esse
laço, o último valor do buffer seja atualizado com a amostra mais atual, conforme já foi
mostrado na seção 3.4.5.

O laço DO é um comando bastante interessante que a MODELS disponibiliza e


funciona da seguinte maneira: as linhas de código entre as linhas DO e ENDDO são
executadas e, caso um comando REDO seja encontrado, o programa volta a executar as linhas
de comando a partir da linha DO. Nesse caso, há um condicional IF dentro desse laço que
compara a tag j do buffer e, caso ela seja diferente da tag recebida do terminal remoto, o
índice j é decrescido de uma unidade e é acionado o comando REDO, fazendo com que o
condicional IF seja chamado novamente. Nessa nova comparação, a tag do terminal remoto é
comparada com a amostra j-1 armazenada no buffer, ou seja, a amostra anterior à atual. Esse
ciclo se repete até que se encontre a tag dentro do buffer igual à tag recebida. Quando a
comparação é bem sucedida, são calculados os valores de a1 e b1, que correspondem aos
termos real e imaginário da corrente no terminal local, no instante indicado pela tag recebida
do terminal remoto. Após essas etapas, os valores de a2 e b2 são calculados, de acordo com
os valores de módulo e ângulo recebidos do terminal remoto.

A descrição a seguir, mostra um pequeno relatório de ações (log) feito sobre o


comportamento das variáveis desse módulo durante uma simulação com tempo de latência do
canal configurado bem acima do esperado, apenas para fins de demonstração. A variável TAG1

43
representa a tag do terminal local e a variável TAG2 o terminal remoto. A BUFFERTAG[ j ]
representa os valores armazenados da TAG1.

TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 100.]= .20676726 ; TAG2= .18577566


TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 99. ]= .20571768 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 98. ]= .2046681 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 97. ]= .20361852 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 96. ]= .20256894 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 95. ]= .20151936 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 94. ]= .20046978 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 93. ]= .1994202 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 92. ]= .19837062 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 91. ]= .19732104 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 90. ]= .19627146 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 89. ]= .19522188 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 88. ]= .1941723 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 87. ]= .19312272 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 86. ]= .19207314 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 85. ]= .19102356 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 84. ]= .18997398 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 83. ]= .1889244 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 82. ]= .18787482 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 81. ]= .18682524 ; TAG2= .18577566
TAG1= .20676726 ; BUFFERTAG[ 80. ]= .18577566 ; TAG2= .18577566

Pode-se perceber, ao analisar a primeira linha do relatório, que no instante 0,20676726


segundos (tag1=.20676726), a tag recebida pelo canal era referente ao instante 0,18577566
segundos, ou seja, um tempo de latência de, aproximadamente 21 ms. Nas linhas seguintes,
são mostrados todos os valores armazenados no bufferTAG que são comparados com a tag2,
até que é encontrado, na posição 80, o valor de tag similar ao recebido pelo canal.

3.6.2 Análise Diferencial


Todos os módulos mostrados até o momento tinham como finalidade ajustar o sinal de
corrente que passa na linha de transmissão a fim de que ele pudesse ser analisado da melhor
maneira possível por esse próximo módulo. Toda fundamentação mostrada na seção 2 é
simulada através das equações e lógicas descritas.

44
Para a análise diferencial feita nesse relé simulado, foram escolhidas as fórmulas para
correntes de operação e restrição descritas nas (Eq. 4) e (Eq. 5) respectivamente e
reproduzidas novamente abaixo.

  '   '

   ( ⋅ '  '

O disparo do comando de abertura do disjuntor (trip) é enviado quando as condições


de operação são satisfeitas e, no caso dessa simulação, foi considerada a condição mostrada
na (Eq. 7) e também abaixo. Essa condição foi escolhida por apresentar melhor flexibilidade
para pequenos erros durante situações de carga ou curtos externos, pois permite que o nível
offset K0 compense esses erros sem que a sensibilidade K seja prejudicada.

  * ⋅   &   *,

Na modelagem desse módulo na MODELS, os parâmetros K e K0 são configuráveis,


enquanto o parâmetro k é fixo e considerado 0,5. O código da implementação é mostrado a
seguir.

EXEC
aop:=a1+a2
bop:=b1+b2
IOPmod:=norm(aop,bop)

ar:=a1-a2
br:=b1-b2
IRmod:=0.5*norm(ar,br)

IF IOPmod >= k1*IRmod AND IOPmod >= K0 THEN


tripDISJ:=1
ELSE
tripDISJ:=0
ENDIF
ENDEXEC

As variáveis aop e bop representam as partes real e imaginária da corrente de operação


 enquanto as variáveis ar e br fazem a mesma representação para a corrente de restrição

45
  . A função norm(a,b) efetua a operação mostrada na (Eq. 11), ou seja, converte a
coordenada cartesiana no raio r (módulo) da coordenada polar. A variável k1 representa o
índice K e a variável K0 o índice K0. O laço condicional IF realiza a comparação da
característica de operação do relé, descrita na (Eq. 6), e, caso a comparação seja satisfeita, o
sinal tripDISJ é ativado, sinalizando ao disjuntor que a operação de abertura deve ser
efetuada.

A Figura 3-12 ilustra o gráfico de operação obtido quando se ajusta K=0,25 e K0=200.

500

450

400

350

300
Iop (A)

250

200

150

100

50

0
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800
Ires (A)

Figura 3-12 - Gráfico de operação para K=0,25 e K0=200

3.7 Disjuntor
O disjuntor é o equipamento responsável pela abertura da linha no caso de defeito,
manutenção ou qualquer outra situação em que a linha precise ser isolada do sistema. Seu
comando de abertura é proveniente de vários equipamentos que fazem a supervisão do
sistema, inclusive os relés.

Esse módulo representativo do disjuntor é o responsável pela comunicação da


MODELS com a simulação no ATP, uma vez que há no ATP uma chave controlada por sinais
da MODELS e ela está sendo associada a esse módulo. Ou seja, é nessa etapa que se fecha a
malha da simulação.

46
Depois de recebido o sinal de abertura vindo relé, o disjuntor efetua uma série de
processos para efetuar a abertura da chave, conforme descritos a seguir [19]:

• A bobina de abertura do disjuntor é excitada;


• O mecanismo de abertura é destravado, seja ele uma mola de abertura, válvula
do ar comprimido ou sistema hidráulico;
• O mecanismo de abertura promove um movimento na chave do disjuntor a fim
de desconectar os contatos elétricos.

Todo esse processo demanda um certo tempo, que pode variar entre 2 e 6 ciclos [19].

O modelo utilizado para descrever o disjuntor na MODELS considera que,


independentemente da fase que envie o sinal de abertura, o disjuntor efetuará uma abertura
tripolar. O modelo considera, ainda, que a abertura deve ocorrer quando a corrente estiver
passando por um valor próximo de zero, a fim de diminuir os efeitos dessa operação.

CONST
td {val:33.333E-3}
EXEC
IF tripA=1 OR tripB=1 OR tripC=1 THEN
trip:=1
ENDIF
IF trip=1 AND flag=0 THEN
contador:=t
flag:=1
ENDIF
IF (t-contador)>td AND flag=1 THEN
sentIA:=sign(ia)
sentIB:=sign(ib)
sentIC:=sign(ic)
flag:=2
ENDIF
IF sentIA<>sign(ia) AND flag=2 THEN
tripDA:=-1
ENDIF
IF sentIB<>sign(ib) AND flag=2 THEN
tripDB:=-1
ENDIF
IF sentIC<>sign(ic) AND flag=2 THEN

47
tripDC:=-1
ENDIF
ENDEXEC

O código baseia-se em vários laços condicionais IF que realizam comparações a fim


de determinar o momento de operação do disjuntor. As variáveis tripA, tripB e tripC
representam os comandos de abertura vindos das análises diferenciais. O valor de td
representa o tempo de abertura do disjuntor e é definido como uma constante. No primeiro
bloco IF, caso qualquer uma delas esteja ativada, a variável trip é ativada, indicando que o
disjuntor deve iniciar sua operação de abertura, ou seja, a bobina de operação foi excitada. A
variável flag indica o estado do disjuntor e é importante para evitar que o disjuntor seja
confundido caso os sinais de atuação vindos do relé sejam intermitente. Os estados
representados pela flag são os seguintes:

Tabela 2 - Estados do Disjuntor.

Flag Descrição
0 Disjuntor em espera, operação de abertura não iniciada.
1 Disjuntor está realizando suas operações para permitir a abertura da chave.
2 Todas as operações foram concluídas, a chave pode ser aberta.

O segundo IF analisa se o disjuntor foi acionado (trip=1) e se ele se encontra no


estado de espera (flag=0). Caso positivo, a variável contador é carregada com o tempo atual
e o disjuntor entra no estado flag=1. O terceiro IF analisa se o tempo decorrido (t-
contador) é maior que o tempo de abertura do disjuntor e se ele se encontra no estado
flag=1. Caso positivo, os sinais das correntes, ou seja, a indicação se elas se encontram no
semi-plano positivo ou negativo, é gravado nas variáveis sentIA, sentIB e sentIC e o estado
é alterado para flag=2. Os três IFs seguintes analisam se a corrente mudou de sinal, o que
indica que ela está bem próxima de zero e então é feita a abertura das chaves de cada fase
individualmente, mudando-se as variáveis tripDA, tripDB e tripDC para um valor negativo.
Essas variáveis estão conectadas à simulação no ATP e, para valores negativos, a chave é
aberta.

48
A Figura 3-13 mostra a abertura das três fases do sistema e, mesmo sendo atuadas por
apenas um sinal de disparo, cada fase é aberta apenas próxima do valor zero.

Fase A
2000 Fase B
Fase C

1000
Corrente (A)

-1000

-2000

-3000
0.25 0.255 0.26 0.265 0.27
Tempo (s)

Figura 3-13 - Abertura do disjuntor.

49
4 Apresentação e Discussão dos Resultados
Para testar o algoritmo do relé de proteção diferencial descrito na seção 3, ele foi
implementado em uma simulação de um sistema elétrico, conforme mostrado na Figura 4-1.

Figura 4-1 - Circuito utilizado para o teste dos relés.

Os parâmetros utilizados para o sistema foram os seguintes:

• Fontes:
  184040 ∟0° ©
o ©
  187794 ∟ 10° ©
o ©
• Equivalentes de Thèvenin:
o „,,  0,2856  F5,5610 Ω
o „,  2,0205  F7,2720 Ω
o „.  „,
o „,,  0,8644  F12,2484 Ω
o „,  12,8125  F31,7268 Ω
o „,  „,
Linhas de Transmissão:
o U,  3,8671 ⋅ 10@ Ω/(r

o ,  1,09577 Ω/(r
o ­,  2,23830 ⋅ 10@n ®/(r
o U  9,99970 ⋅ 10@ Ω/(r
o   5,28599 ⋅ 10@ Ω/(r
o ­  3,12180 ⋅ 10@n ®/(r
o U  U
o   
o ­  ­
50
Os relés foram instalados nas barras 2 e 3 e, portanto, fazem a proteção do trecho da
linha de transmissão entre essas barras, que será chamado de Linha23. Eles foram
configurados com os seguintes parâmetros:

• Tempo de latência do canal: 2 ms;


• Inclinação da curva de operação K=0,25;
• Offset de operação K0=200 A.

Para se testar a eficiência da detecção de curtos internos, foram testados curtos-


circuitos em alguns pontos da Linha23 (em 50% e 5% da linha), na linha adjacente (Linha12) e
na linha paralela (Linha14). Foram simulados curtos trifásicos, bifásicos envolvendo a terra e
as fases B e C (Curto BCT) e monofásicos envolvendo a fase A (Curto AT). Todos os curtos
simulados eram francos e ocorriam no instante 0,22 segundos. A seguir são mostrados e
analisados os resultados obtidos com cada tipo de curto-circuito em cada ponto do sistema.

4.1 Curto-Circuito a 50% da Linha23


Foram simulados alguns tipos de curto-circuito no meio da Linha23 e, para todos eles, é
esperado que a proteção atuasse rapidamente, pois esse é considerado o caso de curto circuito
mais claro para ambos os relés.

4.1.1 Curto-Circuito Trifásico


A Figura 4-2 mostra o plano alfa e beta resultante da simulação.

Plano alfa 2.5


1.6 Plano alfa
Plano beta
Plano beta
1.4 Operação
2 Operação
1.2

1 1.5
0.8
Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

0.6 1

0.4

0.2 0.5

-0.2 0

-0.4
-0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

51
1
Plano alfa
0.8 Plano beta
Operação
0.6

0.4

0.2

Imag (I1/I2)
0

-0.2

-0.4

-0.6

-0.8

-1

-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1


Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-2 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c).

Percebe-se da Figura 4-2 que todas as seis unidades diferenciais perceberam o curto e
enviaram o sinal de abertura ao disjuntor. Todas as unidades também viram os pontos de
operação da análise diferencial irem para a região de faltas internas, conforme mostrado na
Figura 2-14.

Da Figura 4-3 é possível perceber o comportamento dos disjuntores e analisa-se que o


curto foi extinto em, aproximadamente, dois ciclos e meio em ambas as barras.

4000 2500
Fase A Fase A
Fase B 2000 Fase B
3000
Fase C Fase C
1500
2000
1000
1000
500
Corrente (A)

Corrente (A)

0 0

-500
-1000
-1000
-2000
-1500
-3000
-2000

-4000 -2500
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-3 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha23 vistas pela barra 2 (a) e 3 (b).

4.1.2 Curto-Circuito Bifásico-Terra (BCT)


A Figura 4-4 ilustra que somente as unidades das fases envolvidas no curto tiveram
seus pontos de operação modificados para fora da zona característica. A Figura 4-4(a) mostra
que na fase sã não houve qualquer modificação na leitura do relé.

52
0.5
Plano alfa Plano alfa
Plano beta 2.5 Plano beta
0.4
Operação Operação
0.3
2
0.2

0.1 1.5

Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

0
1
-0.1

-0.2 0.5

-0.3
0
-0.4

-0.5 -0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -2.5 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

0.8

0.6

0.4

0.2
Imag (I1/I2)

-0.2

-0.4

-0.6

-0.8 Plano alfa


Plano beta
-1 Operação

-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1


Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-4 - Planos alfa e beta para um curto bifásico-terra a 50% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-5 mostra que a atuação dos disjuntores demorou, aproximadamente, dois
ciclos e meio em ambas as barras.

4000 2500
Fase A Fase A
Fase B 2000 Fase B
3000
Fase C Fase C
1500
2000
1000
Corrente (A)

Corrente (A)

1000 500

0 0

-500
-1000
-1000

-2000
-1500

-3000 -2000
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-5 - Correntes do sistema elétrico para um curto bifásico-terra a 50% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b).

53
4.1.3 Curto-Circuito Monofásico (AT)
A Figura 4-6 ilustra a atuação apenas da fase A (a), onde o ponto de operação sai da
característica do relé e se move para a região de defeitos internos enquanto as fases sãs B (b) e
C (c) permanecem dentro da zona de não-operação.

0.5
1.5 Plano alfa
Plano alfa
0.4 Plano beta
Plano beta
Operação
Operação
0.3
1
0.2

0.1

Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

0.5
0

-0.1

0 -0.2

-0.3

-0.5 -0.4

-0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

0.5
Plano alfa
0.4 Plano beta
Operação
0.3

0.2

0.1
Imag (I1/I2)

-0.1

-0.2

-0.3

-0.4

-0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-6 - Planos alfa e beta para um curto monofásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-7 mostra que, em ambos os terminais o disjuntor atuou em,


aproximadamente, dois ciclos e meio.

4.2 Curto-circuito a 5% da Linha23


Depois da análise de um curto-circuito no ponto central entre os dois terminais, foi simulado
um defeito bem próximo da barra 2. A escolha desse ponto tem a finalidade de testar a
sensibilidade do relé instalado na barra 3, pois esse é o curto-circuito mais distante que ele
deveria perceber. A escolha de testar o terminal da barra 3 ao invés do terminal da barra 2 é

54
devido à barra 3 estar mais próxima da fonte mais fraca4, logo, as contribuições que passam
por esse lado são menores, deixando esse relé mais suscetível a falhas que o outro.

2000 1500
Fase A Fase A
1500 Fase B Fase B
1000
Fase C Fase C
1000
500
500
Corrente (A)

Corrente (A)
0 0

-500 -500

-1000
-1000
-1500

-1500
-2000

-2500 -2000
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-7 - Correntes do sistema elétrico para um curto monofásico a 50% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b).

4.2.1 Curto-Circuito Trifásico


A Figura 4-8 ilustra, nos planos alfa e beta, que o curto foi percebido pelas seis unidades e,
mesmo sendo bem próximo da barra 2, as unidades da barra 3 perceberam o ponto de
operação se movendo para a região de faltas internas e acionaram o disparo do disjuntor.

3
2.5 Plano alfa
Plano beta
Operação 2.5
2

2
1.5
Imag (I1/I2)

1.5
Imag (I1/I2)

1
1

0.5
0.5

0 Plano alfa
0
Plano beta
Operação
-0.5 -0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

4
O conceito de fonte forte e fraca está relacionada, principalmente, com os valores dos equivalentes de Thevènin
associados às fontes de tensão.
55
1.5

Imag (I1/I2)
0.5

-0.5 Plano alfa


Plano beta
Operação

-1
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-8 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 5% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-9 mostra que o tempo decorrido do curto-circuito à abertura da linha pelo
disjuntor, em ambos os terminais, foi de aproximadamente dois ciclos e meios.

5000 2000
Fase A Fase A
4000 Fase B Fase B
1500
Fase C Fase C
3000
1000
2000
500
1000
Corrente (A)

Corrente (A)

0 0

-1000
-500
-2000
-1000
-3000
-1500
-4000

-5000 -2000
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-9 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 5% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b).

4.2.2 Curto-Circuito Bifásico-Terra (BCT)


A Figura 4-10 mostra que somente as unidades B e C identificaram o curto pelo movimento
do ponto de operação para fora da característica e seguindo para a região de defeito interno.

A Figura 4-11 ilustra o tempo decorrido desde a ocorrência do curto até a abertura do
disjuntor e, em ambos os terminais, esse tempo foi de, aproximadamente, dois ciclos e meio.

56
0.5
Plano alfa 3 Plano alfa
0.4 Plano beta Plano beta
Operação Operação
0.3 2.5

0.2
2
0.1

Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

1.5
0

-0.1 1

-0.2
0.5
-0.3

-0.4 0

-0.5
-0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -2.5 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

1.5 Plano alfa


Plano beta
Operação
1

0.5
Imag (I1/I2)

-0.5

-1
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-10 - Planos alfa e beta para um curto bifásico-terra (BCT) a 5% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C
(c).

4000 2000
Fase A Fase A
Fase B Fase B
3000 1500
Fase C Fase C

2000 1000
Corrente (A)

Corrente (A)

1000 500

0 0

-1000 -500

-2000 -1000

-3000 -1500
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-11 - Correntes do sistema elétrico para um curto bifásico-terra a 5% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b).

4.2.3 Curto-Circuito Monofásico (AT)


A Figura 4-12 mostra que as únicas unidades que identificaram o curto foram as da fase A (a),
enquanto as outras fases B (b) e C (c) continuaram vendo suas correntes sãs normalmente.
57
0.5
Plano alfa
2
0.4 Plano beta
Operação
0.3
1.5
0.2

0.1
Imag (I1/I2)

Imag (I1/I2)
1
0

-0.1
0.5
-0.2

-0.3
0 Plano alfa
Plano beta -0.4
Operação
-0.5 -0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 -1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)
0.5
Plano alfa
0.4 Plano beta
Operação
0.3

0.2

0.1
Imag (I1/I2)

-0.1

-0.2

-0.3

-0.4

-0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-12 - Planos alfa e beta para um curto monofásico a 5% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-13 ilustra o comportamento das correntes do sistema e percebe-se que, o


tempo total para extinção do curto foi de, aproximadamente, dois ciclos e meio nos dois
terminais.

3000 1500
Fase A Fase A
Fase B Fase B
2000
Fase C 1000 Fase C

1000
500
Corrente (A)

Corrente (A)

0
0
-1000

-500
-2000

-1000
-3000

-4000 -1500
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-13 - Correntes do sistema elétrico para um curto monofásico a 5% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b).
58
4.3 Curto-Circuito a 95% da Linha12
Depois da análise de defeitos na parte interna da proteção, deve-se testar também alguns
curtos na área externa, a fim de se comprovar a eficácia desse modelo. Nesse ponto, foi
testado apenas o curto-circuito trifásico, por se tratar do curto que possui maior intensidade,
nesse caso, e, logo, é o que tem a maior possibilidade de provocar alguma atuação indevida. O
ponto escolhido, 95% da Linha12 foi escolhido pela proximidade com a barra 2, que está mais
perto da fonte mais intensa. Ou seja, criou-se um teste no ponto externo mais próximo
possível do relé e que cause a maior variação nas leituras de corrente.

4.3.1 Curto-Circuito Trifásico


Da Figura 4-14 pode-se concluir que todas as unidades identificaram que não havia
defeito dentro da área protegida, pois todas enxergam o ponto de operação dentro da área de
não-operação, mesmo durante o regime permanente de curto circuito. Há uma pequena
variação na localização do ponto de operação, mas apenas para se adequar aos novos valores
lidos pelos TCs.

0.5 0.5
Plano alfa Plano alfa
0.4 Plano beta 0.4 Plano beta
Operação Operação
0.3 0.3

0.2 0.2

0.1 0.1
Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

0 0

-0.1 -0.1

-0.2 -0.2

-0.3 -0.3

-0.4 -0.4

-0.5 -0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

59
0.5
Plano alfa
0.4 Plano beta
Operação
0.3

0.2

0.1

Imag (I1/I2)
0

-0.1

-0.2

-0.3

-0.4

-0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-14 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 95% da Linha12 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-15 mostra que a corrente aumenta significativamente durante o curto-


circuito, mas como a proteção diferencial atua apenas para defeitos internos, nenhum
disjuntor é aberto e as correntes de curto-circuito continuam a se propagar ao longo do tempo.

2000 2000
Fase A Fase A
1500 Fase B 1500 Fase B
Fase C Fase C
1000 1000

500 500
Corrente (A)

Corrente (A)

0 0

-500 -500

-1000 -1000

-1500 -1500

-2000 -2000
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-15 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 95% da Linha12 nas barras 2 (a) e 3 (b).

4.4 Curto-Circuito a 50% da Linha14


Após os testes através de curtos internos e externos, aproveita-se o fato de o estudo estar
sendo feito com um modelo de um sistema em anel a fim de se analisar o comportamento da
proteção durante a ocorrência de um curto trifásico em uma linha paralela a que ele está
instalado.

60
4.4.1 Curto-Circuito Trifásico
Na Figura 4-16 é possível analisar que nenhuma das unidades identifica o curto circuito que
ocorre fora da sua zona de proteção e, inclusive, o ponto de operação muda muito pouco de
posição depois da ocorrência do defeito.

0.5 0.5
Plano alfa Plano alfa
0.4 Plano beta 0.4 Plano beta
Operação Operação
0.3 0.3

0.2 0.2

0.1 0.1
Imag (I1/I2)

Imag (I1/I2)
0 0

-0.1 -0.1

-0.2 -0.2

-0.3 -0.3

-0.4 -0.4

-0.5 -0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

0.5
Plano alfa
0.4 Plano beta
Operação
0.3

0.2

0.1
Imag (I1/I2)

-0.1

-0.2

-0.3

-0.4

-0.5
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6
Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-16 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha14 nas fases A (a), B (b) e C (c).

A Figura 4-17 mostra que, mesmo com um curto trifásico ocorrendo em uma linha
paralela, as correntes não variam significativamente e, como o curto não é identificado pela
proteção diferencial, ele continua a se propagar ao longo do tempo.

61
800 800
Fase A Fase A
600 Fase B Fase B
600
Fase C Fase C
400
400

200
Corrente (A)

Corrente (A)
200
0
0
-200

-200
-400

-600 -400

-800 -600
0.15 0.2 0.25 0.3 0.15 0.2 0.25 0.3
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-17 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha14 nas barras 2 (a) e 3 (b).

4.5 Assimetria Acentuada do Canal de Comunicação


Nessa simulação, verifica-se o comportamento das correntes que passam pelas barras 2 e 3
quando ocorre uma assimetria acentuada no canal, ou seja, o tempo de latência é diferente nos
sentidos opostos do canal. Os valores de latência aqui apresentados visam, principalmente,
melhorar a visualização gráfica do efeito de assimetria. Para o teste, simulou-se um curto-
circuito trifásico a 50% da Linha23. Utilizaram-se os seguintes ajustes:

• Tempo de latência da barra 2 para a barra 3: 100 ms;


• Tempo de latência da barra 3 para a barra 2: 2 ms.

A Figura 4-18 mostra que não há alteração no modo em que a proteção enxerga o curto
ocorrido. De fato, as análises realizadas pelo relé não sofrem alteração devido ao módulo
GPS, que garante que sempre as amostras referentes ao mesmo instante de tempo serão
comparadas.

2.5
1.5 Plano alfa Plano alfa
Plano beta Plano beta
Operação 2 Operação

1
1.5
Imag (I1/I2)
Imag (I1/I2)

0.5 1

0.5

-0.5 -0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Real (I1/I2) Real (I1/I2)

(a) (b)

62
1
Plano alfa
0.8 Plano beta
Operação
0.6

0.4

0.2

Imag (I1/I2)
0

-0.2

-0.4

-0.6

-0.8

-1

-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1


Real (I1/I2)

(c)

Figura 4-18 - Planos alfa e beta para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas fases A (a), B (b) e C (c) com
assimetria acentuada do canal.

A Figura 4-19 ilustra a abertura dos disjuntores nas barras 2 (a) e 3 (b), corroborando a
análise anterior de que não houve alteração no modo de funcionamento da proteção
diferencial devido à assimetria.

4000 2500
Fase A Fase A
Fase B 2000
3000 Fase B
Fase C Fase C
1500
2000
1000
1000
500
Corrente (A)
Corrente (A)

0 0

-500
-1000
-1000
-2000
-1500
-3000
-2000

-4000 -2500
0.15 0.2 0.25 0.3 0.2 0.22 0.24 0.26 0.28 0.3 0.32 0.34 0.36 0.38 0.4
Tempo (s) Tempo (s)

(a) (b)

Figura 4-19 - Correntes do sistema elétrico para um curto trifásico a 50% da Linha23 nas barras 2 (a) e 3 (b) com
assimetria acentuada do canal.

A Figura 4-20 mostra com mais clareza a diferença no tempo de atuação de cada
disjuntor, devido ao atraso do canal. Como o sentido barra 3-2 é mais veloz que o inverso, o
disjuntor da barra 2 é acionado antes.

63
3000
Barra 2
Barra 3
2000

1000

Corrente (A)
0

-1000

-2000

-3000

-4000
0.2 0.22 0.24 0.26 0.28 0.3 0.32 0.34 0.36 0.38 0.4
Tempo (s)

Figura 4-20 - Comparação entre as correntes da fase A nas barras 2 e 3 para um curto-circuito trifásico a 50% da
Linha23 com assimetria acentuada do canal.

A Figura 4-21 ilustra o módulo da corrente na barra 3 (linha contínua) e uma


representação do estado da chave do disjuntor da barra 2 (linha tracejada), ou seja, ela
representa o instante de abertura. Pode-se analisar que, após a abertura do disjuntor da barra 2,
ocorre um aumento na corrente na barra 3, pois, uma vez que o sistema forma um anel, as
contribuições de curto-circuito que vinham pela Linha12, agora passarão a “dar a volta” pela
Linha14, já que o disjuntor da barra 3 continua fechado. Nesse caso, devido às configurações
do sistema, esse acréscimo foi pequeno, mas, a depender da malha analisada, esse aumento
pode ser significativo.

1900

1800

1700

1600
Corrente (A)

1500

1400

1300

1200
Barra 3
Chave - Barra 2
1100

0.2 0.22 0.24 0.26 0.28 0.3 0.32


Tempo (s)

Figura 4-21- Variação da corrente na barra 3 devido à assimetria do canal.

64
5 Conclusões e Sugestões para Trabalhos Futuros
Os objetivos propostos nesse trabalho foram alcançados, permitindo que o estudo da atuação
de relés de proteção diferencial em linhas de transmissão fosse realizado, inclusive através da
análise gráfica proporcionada pela utilização dos planos alfa e beta.

Observou-se que a proteção diferencial é bastante segura e precisa na detecção de


faltas internas e não é afetada no caso de situações normais de carga ou em defeitos externos à
sua zona de proteção. Uma vez que o canal de comunicação e a sincronização de dados deixa
de ser uma restrição – com o uso do OPGW e de tags de tempo sincronizados via GPS – a
proteção diferencial é uma alternativa bastante viável para a proteção principal de linhas de
transmissão. Como o método diferencial não permite o ajuste de zonas de retaguarda, deve-se
utilizar outras funções de relés para suprir essa carência intrínseca.

A utilização da MODELS associada ao ATP se mostrou uma ferramenta


extremamente adequada para os estudos realizados, destacando-se a possibilidade de fechar a
malha de simulação, o que permite a análise não só da detecção de defeitos, como também
dos impactos da intervenção realizada.

Sugere-se as seguintes propostas para trabalhos futuros:

1. Melhorar o algoritmo proposto, incluindo algumas funcionalidades como a utilização


dos relés em configurações mestre-escravo através de sinais de teleproteção e a
inclusão de uma nova função de proteção a fim de realizar a proteção de retaguarda;
2. Realizar estudos dos impactos da utilização de abertura monopolar, uma vez que o
método diferencial possui uma seleção de fases intrínseca;
3. Estudar o comportamento da proteção diferencial em situações mais críticas como
canais assimétricos sem sincronia por GPS, linhas com compensação shunt, com
compensação série e linhas de transmissão multiterminais;
4. Avaliar o impacto da saturação dos TCs no funcionamento da proteção, bem como
analisar as curvas de operação que visam compensar esse efeito;
5. Comparar a resposta da proteção diferencial durante curtos de alta impedância e curtos
em linhas carregadas com a resposta de outras funções de proteção.

65
Referências Bibliográficas
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Universidade de São Paulo. São Paulo.

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3. GERS, J. M.; HOLMES, E. J. Protection of Electricity Distribution Networks. 2ª. ed.


Londres: The Institution of Engineering and Technology, 2005.

4. ROBERTS, J. et al. The Effect od Multiprinciple Line Protection on Dependability


and Security. Pullman.

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John Wiley & Sons Ltda., 2008.

6. KINDERMANN, G. Proteção de Sistemas Elétricos de Potência, vol. 2. Florianópolis,


SC: Edição do Autor, 2006.

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Plano Alfa. VII Seminário Técnico de Proteção e Controle. Rio de Janeiro: [s.n.]. 2003. p.
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Electric Power & Schweitzer Engineering Laboratories, Inc. [S.l.].

10. SEZI, T. et al. Aspectos Práticos e Experiências de Campo no Uso de Relés


Diferenciais de Linha Utilizando Sistemas Complexos de Telecomunicações e suas
Influências. IX STPC. Belo Horizonte: [s.n.]. 2008.

11. HALL, I. et al. New Line Current Differential Relay using GPS Synchronization.
IEEE Power Tech Conference. Bologna: [s.n.]. 2003.

66
12. AMON FILHO, J. Curso Básico Sobre a Utilização do ATP. CLAUE - Comitê Latino
Americano de Usuários do EMTP/ATP. [S.l.]. 1996.

13. K. U. LEUVEN EMTP CENTER. Alternative Transient Program Rule Book. [S.l.].

14. FURST, G. MODELS Primer - For First Time MODELS Users. G. Furst, Inc.
Vancouver.

15. DUBÉ, L. User Guide to MODELS in ATP. Paris. 1996.

16. DAVID G. HART, R.; NOVOSEL, D.; SMITH, R. A. Modified Cosine Filters.
6,154,687, 28 Novembro 2000.

17. WARD, S.; ERWIN, T. Currente Differential Line Protection Setting Considerations.
Relay Protection and Substation Automation of Modern Power Systems. Cheboksary:
CIGRÈ. 2007.

18. ANDRADE, S. R. C. Sistemas de Medição Fasorial Sincronizada: Aplicações para


Melhoria da Operação de Sistemas Elétricos de Potência. Universidade Federal de
Minas Gerais - UFMG. Belo Horizonte. 2008.

19. KINDERMANN, G. Proteção de Sistemas Elétricos de Potência. 2ª. ed. Florianópolis:


Edição do Autor, v. I, 2005.

20. THEDE, L. Practical Analog and Digital Filter Design. [S.l.]: Artech House, Inc., 2004.

21. WORKING GROUP I-01 OF THE RELAYING PRACTICES SUBCOMMITTEE.


Understanding Microprocessor-Based Technology Applied to Relaying. [S.l.]. 2009.

22. PHADKE, A. G.; THORP, J. S. Synchronized Phasor Measurements and Their


Applications. New York: Springer Science+Business Media, 2008.

67
Apêndice I – Projeto de um Filtro Butterworth
A magnitude de um filtro Butterworth de ordem n é dado por [20]:

h¡ -F/ 

(Eq. 26)
± E³
¯W° E ⋅ˆ Š
±²

em que ε é uma constante de ajuste do ganho na banda de passagem e ω0 é o limite da faixa de


passagem do filtro. A constante ε é dada por:

´  410@,,⋅R"µ&& 1 (Eq. 27)

onde apass representa o ganho na faixa de passagem. Na (Eq. 26), percebe-se que, sempre que
ω=0. A ordem do filtro depende das especificações de limites de banda e ganhos desejados,
segundo a fórmula abaixo:

¸²,D⋅µ&¹!"
ˆD² ¸DŠ
ž¶· ¸D⋅µ"µ&& º
f¨ 
ˆD² ¸DŠ
±&¹!"
⋅ž¶š ›
(Eq. 28)
±"µ&&

Na qual apass e astop representam, respectivamente, o ganho na faixa de passagem e o ganho na


frequência de corte. Por sua vez, ωstop e ωpass representam a frequência de corte e a frequência
da banda de passagem.

Os pólos aproximados da função do filtro Butterworth são igualmente espaçados no


plano s em torno de um círculo de raio R, que é dado por:

D
U  ´ @³ (Eq. 29)

e, uma vez que o raio é conhecido, os ângulos são:

-⋅vW¡W/
8v  ¦ ⋅ , r  0,1, … , -f⁄2/ 1. -f |1H/
⋅¡
(Eq. 30)

-⋅vW¡W/
8v  ¦ ⋅ , r  0,1, … , ½-f 1/⁄2¾ 1. -f ír|1H/
⋅¡
(Eq. 31)

Logo, a localização dos pólos será dada por:

68
¿v  U ⋅ cos 8v (Eq. 32)

v  U ⋅ =If 8v (Eq. 33)

A função de transferência normalizada é encontrada através da seguinte fórmula,


depois de achada a localização dos pólos:

À¡ -=/ 
h
∏ ¨EÂ
,
∏ Â- DÂ ⋅W¨EÂ /
E W¨ (Eq. 34)

r  0,1,2, … , -f⁄2/ 1 -f |1H/


À¡ -=/   ⋅
h
∏ ¨EÂ
,
W ∏ Â- DÂ ⋅W¨EÂ /
E W¨
(Eq. 35)

r  0,1,2, … , ½-f 1/⁄2¾ 1 -f ír|1H/

onde Ãv  ¿v

 v

e Ãv  2 ⋅ ¿v .

69

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