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Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS Campus do pantanal – CPAN

Curso de Psicologia
Matéria: Introdução a Filosofia
Acadêmica (o): Fernanda Miranda Seron
Data: 01/ 04/ 2020
Prof. Dr. Ronny Machado de Moraes e Prof. Dr. Rômulo Ballestê Marques dos Santos
Resumo do Capítulo 1 – Livro Uma História da Razão: entrevistas com Émile Noel – Pág. 15-33
O capítulo se inicia com um questionamento sobre quando a razão (também chamada de filosofia) foi
inventada, Chatelêt inicia sua resposta se referindo à Grécia clássica, devido a este lugar ter vivido situações
que os levassem a criação da filosofia, que não existia nada igual em qualquer lugar do mundo.
Émile, então, cita Marx e sua obra, onde diz que a filosofia vê o mundo, mas não o transforma, e François
diz que esta linha de pensamento é uma bobagem, usando como argumento de que as ideias dos filosofos
influenciaram as elites e grandes massas. Então ele começa a contar como surgiu a democracia na Grécia,
dando ênfase nas cidades rivais e que em Atenas, alguns homens inventariam o que seria chamado de
“democracia”. Após isso, ele cita a importância da palavra no contexto de democracia da época, e diz que
quem dominava a palavra, dominava a cidade. Logo, surgiu a tekhnê (que depois se tornaria a “retórica”),
então veio a necessidade de “professores”, que ensinariam a falar bem e argumentar de modo a convencer as
assembleias e tribunais. Esses professores, logo, seriam chamados por Platão de “sofistas”.
O “século de Péricles” é citado por Émile, e Châtelet começa a explicar que nesta época os sofistas e a velha
tradição religiosa se confrontavam, e nesse contexto, surgia Sócrates, que também é um sofista, porém de
sua forma particular, pois ele não abria escolas e muito menos cobrava dinheiro dos seus interlocutores.
François fala sobre Sócrates como alguém que cumpre seu papel como cidadão, ele falava por prazer e
lamentava que as pessoas se entregassem à imoralidade e ao luxo. Então é contado o diálogo “Laques”,
onde Sócrates afirma que para responder uma pergunta, é necessário entender a ideia por trás, o contexto em
que a questão foi formulada, para que assim haja uma resposta adequada, isso, muito tempo depois, ganharia
o nome de “conceito”.
Logo, Sócrates constrói argumentos que bagunçavam os ideais em que Atenas fora contruída. Refutava
qualquer um que viesse, sejam aristocratas, defensores do antigo modelo, e até mesmo os sofistas. Ele se
tornou insuportável, e Châtelet acreditava que esse era um dos motivos de ele ser condenado à morte.
Depois de sua morte, Platão se torna um administrador da mensagem socrática, o autor inclusive acha que é
como se Platão quisesse ter sido Sócrates, para perguntar e também responder, a fim de permanecer vivo. e
tambem se empenhou a criticar os sofistas e toda a antiga tradição. No entanto, o pensamento platônico tem
uma semelhança com o pensamento sofístico: a palavra. Característica herdada de Sócrates. Platão se
propõe, usando apenas a palavra, construir um discurso que seria juiz de toda a palavra (sendo isto
considerado pelo autor como o esboço de uma definição da filosofia).
A filosofia se baseia em perguntas simples e tenta construir uma argumentação que responda no plano do
conceito, da ideia “clara e distinta”. Depois ele evidencia o núcleo da pergunta, a ideia central à qual ela se
refere. Adiante, através de um jogo de perguntas e respostas, monta um dispositivo argumentativo que, a
cada etapa do desenvolvimento, exige a concordância dos interlocutores interessados. É por isso que o
diálogo é a forma normal da filosofia nascente. No diálogo, são feitas perguntas e respostas argumentadas e
com a possibilidade para cada um dos interlocutores intervirem e solicitarem explicações satisfatórias. Isso
tudo se resume em uma palavra: dialética. A universalidade resulta da totalização das diferentes
concordâncias que se estabelecem durante o diálogo.
Antes de concluír a entrevista, o autor resume rapidamente tudo o que foi dito, retomando sobre os
principais pontos abordados no texto. Refere-se à filosofia ocidental grega, e que outras partes do mundo
tiveram sua filosofia nativa desenvolvida de outras formas (como a filosofia chinesa, por exemplo), mas, a
filosofia strictu sensu que diz respeito à Europa, vem da Grécia antiga através de Sócrates e Platão e o seu
logos. Tudo isso seria o começo do que vem ser a ciência, que posteriormente teve grande influência na
transformação da humanidade.

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