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DIREITO PENAL

PARTE GERAL
Princípios Penais e Jurisprudência do
STF e STJ

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
Princípios Penais e Jurisprudência do STF e STJ
Dermeval Farias

Princípios Penais e Jurisprudência do STF e STJ. . .............................................................4


Introdução.......................................................................................................................4
1. Dignidade da Pessoa Humana.......................................................................................6
1.1. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana na Jurisprudência do STF e do STJ.7
1.2. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana pelo STF e o e o Art. 25 da LCP
(Decreto-Lei n. 3.688, de 1941).......................................................................................8
1.3. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e a Tortura nos Chamados
Casos de Bomba-Relógio............................................................................................... 10
2. Princípio da Legalidade............................................................................................... 11
2.1. Legalidade e Reserva Legal. .................................................................................... 14
2.2. Legalidade (Reserva Legal) e Norma Penal em Branco. . ......................................... 16
2.3. Legalidade (Reserva Legal) e Medida Provisória..................................................... 16
2.4. Funções do Princípio da Legalidade.........................................................................17
2.5. Uso do Princípio da Legalidade (Reserva Legal - Tipicidade) na Jurisprudência
do STF na Análise do Aborto de Feto Anencéfalo. . .........................................................17
3. Princípio da Anterioridade.........................................................................................24
4. Princípio da Irretroatividade......................................................................................25
5. Princípio da Culpabilidade. .........................................................................................26
6. Princípio da Intervenção Mínima/Subsidiariedade/Fragmentariedade....................... 30
7. Princípio da Adequação Social...................................................................................36
8. Princípio da Insignificância. ........................................................................................42
8.1. Princípio da Insignificância na Jurisprudência do STF e do STJ.................................44
8.2. Princípio da Insignificância e Princípio da Irrelevância Penal do Fato.. .................... 60
9. Princípio da Ofensividade/Lesividade.. .......................................................................70

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10. Princípio da Proporcionalidade. ................................................................................ 77


11. Princípio da Individualização das Penas.....................................................................83
12. Princípio da Limitação das Penas.............................................................................87
13. Princípio da Humanidade das Penas........................................................................ 88
14. Princípio da Responsabilidade Pessoal..................................................................... 91
Referências Bibliográficas.............................................................................................95

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Dermeval Farias

PRINCÍPIOS PENAIS E JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ


Introdução
Olá! Sou o professor Dermeval Farias. É com prazer que iniciamos o segundo capítulo do
material em PDF do Gran Cursos Online. Depois de apresentar as teorias do crime, a sua es-
trutura analítica no primeiro capítulo, avançamos agora com o segundo capítulo, para tratar
dos princípios penais, da jurisprudência pertinente e das questões correlatas.
A redação da doutrina será acompanhada de questões (de concursos e elaboradas pelo
professor) e de jurisprudência, pertinentes ao tema desenvolvido em cada capítulo. Ao mes-
mo tempo, serão apresentados resumos, quadros sinópticos, quando necessários, dicas e
destaques sobre pontos específicos de cada instituto jurídico de direito penal, de modo a
facilitar a compreensão e, por consequência, o acerto em provas de concursos.
Os princípios penais, dentro do Estado Democrático de Direito, decorrem do texto cons-
titucional, no qual estão inseridos de forma explícita e implícita, na qualidade de verdadeiros
vetores do Direito Penal constitucional, guiando a atividade de produção legislativa e o traba-
lho dos operadores do Direito Penal.
É sabido e aceito de maneira uniforme que os princípios penais constitucionais exercem
uma função estruturante do sistema penal e limitadora do poder de punir do Estado, tanto na
produção legislativa, quanto na interpretação das categorias penais por parte dos operadores
do Direito Penal.
Os princípios penais constitucionais clássicos, como o da legalidade, da reserva legal, da
irretroatividade, culpabilidade, humanidade, da individualização da pena e da pessoalidade da
sanção penal constituem verdadeiros alicerces dogmáticos do sistema penal, que orientam a
construção das normas penais, contribuindo para a sistematização do Direito Penal, ou seja,
para a existência e consolidação de uma dogmática penal.
Em qualquer sistema de direito penal proposto no Brasil será imprescindível a concatena-
ção dos conceitos dogmáticos com os princípios constitucionais exarados na Carta Magna
de 1988, bem como os resultados da criminologia, sem prejuízo de acréscimos decorrentes
de Tratados Internacionais ratificados, compatíveis com a ordem constitucional vigente.
Infere-se que a grande contribuição dos princípios penais constitucionais é de interpre-
tação do sistema penal para os operadores e de limites para os criadores das normas incri-

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minadoras. Essa dupla faceta é percebida nos julgados do STF, o qual tem, constantemente,
com os princípios constitucionais penais, realizado uma filtragem das leis penais, embora,
às vezes, sem precisão conceitual.
Entretanto, afirmar ter os princípios constitucionais penais a função de interpretação do
sistema penal não significa taxá-los de diretrizes políticas ou programáticos, nem afastar-
-lhes a caráter de ‘lei positiva’, pois, na qualidade de princípios constitucionais fundamentais,
vinculam o legislador e o aplicador do direito em razão da força normativa que lhes é inerente.
Nesse sentido, ministram dois brilhantes constitucionalistas portugueses, J.J. Gomes Ca-
notilho e Vital Moreira (2007), ao tratarem dos princípios fundamentais, afirmam que a cons-
titucionalização dos princípios fundamentais trouxe a superação definitiva da idéia de Cons-
tituição como simples ‘complexo de directivas política’. Dessa forma, as normas e princípios
constitucionais não são meramente programáticas, sem qualquer vinculatividade imediata.
“Toda a Constituição é direito, toda ela é ‘lei positiva’ e todos os princípios nela consagra-
dos possuem alcance jurídico e compartilham de normatividade própria da Lei fundamental”
(2007, p.191)
Sobre a importância dos princípios penais e sua relação com a Constituição, Luiz Luisi
(1991) afirma que a presença do direito penal nas Constituições contemporâneas se faz atra-
vés dos princípios de Direito Penal constitucional e de princípios constitucionais influentes
em matéria penal.
Segundo o referido autor, os primeiros, ou seja, princípios de Direito Penal constitucional,
são exclusiva e tipicamente penais, divididos em princípios explícitos e implícitos. Os prin-
cípios explícitos estão anunciados de forma expressa e inequívoca no texto da Constituição,
enquanto os princípios implícitos se deduzem das normas constitucionais, por nelas estarem
contidos. Os  segundos, princípios constitucionais pertinentes à matéria penal, geralmente
não são propriamente criminais, impondo-se tanto ao legislador penal, como ao legislador
civil, tributário, agrário etc. (LUISI, 1991).
De antemão, é  importante frisar que a cada dia surgem novos princípios na doutrina.
Às  vezes, vislumbra-se certo exagero e acentuado subjetivismo nessas propostas, que re-
petem conteúdos de outros princípios e fazem uso de termos sinônimos, que servem apenas
para engordar páginas de livros, distantes, em certos momentos, de um raciocínio crítico, que
deve ser inseparável de um Direito Penal de um Estado Democrático de Direito.

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Nas linhas a seguir, haverá o tratamento dos princípios penais constitucionais explícitos
e implícitos, como também de muitos outros princípios que, na verdade, são sinônimos uns
dos outros. O objetivo de falar de cada um e não somente de alguns está na finalidade desse
material, ou seja, de auxiliar o leitor a compreender a matéria para passar nos concursos pú-
blicos.

1. Dignidade da Pessoa Humana


Dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito,
conforme inciso III do art. 1º da Constituição brasileira, já que o ser humano é o fim que se
almeja na República e, dessa forma, o Estado existe para o bem das pessoas. Por ser a raiz de
outros direitos fundamentais, exerce várias funções.
Constitui um princípio e um direito fundamental, está presente como cláusula pétrea no
art. 60 § 4º, IV, e como fundamento do Estado brasileiro no art. 1º, inciso III, conquanto não
esteja no rol do art. 5º, a dignidade da pessoa humana possui a natureza de princípio funda-
mental, pois é certo que a Constituição brasileira possui direitos fundamentais espalhados
por outros dispositivos (COSTA NETO, 2014).
Como direito fundamental, permite reivindicações concretas, direitos subjetivos, enquan-
to princípio, além de fundamentar pretensões subjetivas e concretas, constitui uma garantia
para toda a sociedade e representa um vetor de interpretação de todo o ordenamento jurídico,
exercendo função interpretativa em todos os ramos do direito.
Na qualidade de princípio-limite, a dignidade da pessoa humana constitui uma barreira
contra modelos totalitários de Estado “e contra experiências históricas de aniquilação exis-
tencial do ser humano e negadoras da dignidade da pessoa humana (escravatura, inquisição,
nazismo, estalinismo, polpotismo, genocídios étnicos)” (CANOTILHO; MOREIRA, 2007, p. 198).
Segundo José Joaquim Gomes Canotilho e Vital Moreira (2007, p.199), a dignidade huma-
na constitui um “princípio antrópico ou personicêntrico”, que, portanto, possui relação direta
com outros direitos fundamentais, presentes no próprio texto da Constituição, como o direito
à vida, integridade física e psíquica, personalidade, liberdade e igualdade.
Por outro lado, não é unânime entre os pensadores do Direito Penal a ideia segundo a qual
a dignidade da pessoa possui natureza de princípio penal. Guilherme de Souza Nucci afirma

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“que a dignidade da pessoa humana é uma meta a ser atingida pelo Estado e sociedade bra-
sileira, nada tendo a ver com um princípio penal específico” (NUCCI, 2012, p. 46).
Com amostragem de decisões do STF, João Costa Neto afirma que existe um uso abusivo
do princípio da dignidade da pessoa humana pela Corte, que tem fomentado demandas com
a sua justificativa, com uma indefinição generalizada quanto ao seu conteúdo, revelando uma
trivialização do conceito e do conteúdo de dignidade humana, tornando-a uma cláusula am-
bígua, vaga e abrangente (COSTA NETO, 2014).
O princípio da dignidade da pessoa humana forma o alicerce de todos os demais princí-
pios penais, atuando em diversos momentos, que garante ao ser humano a não violação com
penas desumanas, cruéis e atrozes, bem como constitui baliza para a construção de bens
jurídicos penais específicos, conforme capítulo dos crimes contra a dignidade sexual, termi-
nologia que substituiu os crimes contra os costumes, incluída no Código Penal brasileiro pela
Lei n. 12.015, de 7 de agosto de 2009.

1.1. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana na Jurisprudência


do STF e do STJ

Na jurisprudência penal e processual penal do Supremo Tribunal Federal, a dignidade da


pessoa humana é utilizada, a título de ilustração, em matéria de execução provisória da pena
(IMPORTANTE: mudou novamente o entendimento no ano de 2019, para não admitir a execu-
ção provisória da pena após a confirmação da condenação em 2º Grau.); para fundamentar a
liberdade provisória em casos de negação legislativa literal, como, por exemplo, no caso do
art. 44 da Lei n. 11.343, de 2006; bem como para relaxar prisão cautelar de duração excessi-
va; no processo de dosimetria da pena, de fixação do regime inicial de cumprimento de pena;
e, ainda, na execução penal, para conceder regime aberto domiciliar em caso de paciente com
doença grave e fora das hipóteses previstas no art. 117 da LEP.
Conforme visto anteriormente, a dignidade da pessoa humana constitui um princípio usa-
do pelo STF com vários significados e com diferentes potencialidades, como fundamento
para revogar prisão cautelar, para examinar execução provisória da pena, para flexibilizar re-
gimes de cumprimento de pena.

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A dignidade da pessoa humana não deve ser vulgarizada na fundamentação das decisões,
mas o seu uso deve ser subsidiário, pois constitui um direito fundamental de liberdade geral
que deve conceder passagem para outros direitos fundamentais especiais. Todavia, não é
isso o que se observa no dia a dia do Supremo Tribunal Federal, onde a dignidade da pessoa
humana tem sido utilizada com ambiguidade e imprevisibilidade quanto ao seu conteúdo.
No que concerne à relação entre o princípio da dignidade da pessoa humana, merece des-
tacar algumas posições do STF e do STJ, que podem ser cobradas em concursos.

1.2. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana pelo STF e o e


o Art. 25 da LCP (Decreto-Lei n. 3.688, de 1941)

O princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da isonomia foram utilizados no


RE 583523 para afastar a tipicidade da conduta prevista no art. 25 da Lei de Contravenções
Penais (Decreto-Lei n. 3.688, de 1941), quando o STF não reconheceu a sua recepção pelo
ordenamento jurídico brasileiro e fixou tese.
Art. 25 do Decreto-Lei n. 3.688 (LCP):

Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou roubo, ou enquanto sujeito
à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alte-
radas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove
destinação legítima: Pena – prisão simples, de dois meses a um ano, e multa de duzentos mil réis
a dois contos de réis”: BRASIL. Decreto-Lei n. 3.688, 3 de outubro de 1941. Lei de Contravenções
Penais

STF “RE 583523 –

O art. 25 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-lei n. 3.688/1941) não foi recepcio-


nado pela Constituição de 1988, por violar os princípios da dignidade da pessoa humana
(CF, art. 1º, III) e da isonomia (CF, art. 5º, caput e I). Obs: Redação da tese aprovada nos
termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF, realizada em 09/12/2015”.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Plenário. Recurso Extraordinário 583.523/RS.
Recurso extraordinário. Constitucional. Direito Penal. Contravenção penal. 2. Posse não
justificada de instrumento de emprego usual na prática de furto (artigo 25 do Decreto-
-Lei n. 3.688/1941). Réu condenado em definitivo por diversos crimes de furto. Alega-

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ção de que o tipo não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Argui-
ção de ofensa aos princípios da isonomia e da presunção de inocência. 3. Aplicação
da sistemática da repercussão geral – tema 113, por maioria de votos em 24.10.2008,
rel. Ministro Cezar Peluso. [...] 6. Reconhecimento de violação aos princípios da digni-
dade da pessoa humana e da isonomia, previstos nos artigos 1º, inciso III; e 5º, caput e
inciso I, da Constituição Federal. Não recepção do artigo 25 do Decreto-Lei n. 3.688/41
pela Constituição Federal de 1988. 7. Recurso extraordinário conhecido e provido para
absolver o recorrente nos termos do artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal.
RECTE.: Ronildo Souza Moreira. RECDO.: Ministério Público do Estado do Rio Grande do
Sul. Relator Ministro Gilmar Mendes. Julgado em 03/10/2003. Disponível em: <http://
redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=6997511>. Acesso em:
11 jan. 2018.

Ressalte-se que o fato estava prescrito, mas o relator resolveu enfrentar o mérito por en-
tender que seria mais benéfico ao acusado. No caso concreto, o recorrente havia sido conde-
nado pela prática da conduta prevista no art. 25 da LCP, depois de condenado anteriormente
pelo delito de furto qualificado.
A Defensoria Pública pleiteou a não recepção do art. 25 da LCP por violar o princípio da
isonomia, ao tratar de forma desigual as pessoas pelo seu passado, e ao princípio da ofensivi-
dade do Direito Penal, pois a posse do instrumento em si, no caso, chave falsa ou alterada ou
instrumento comumente usado na prática de furto, não ofende qualquer bem jurídico. O MPF,
em parecer, aduziu que o recurso deveria ser conhecido, mas não provido, uma vez que se
tratava de infração penal de perigo abstrato.
Para alicerçar a possibilidade do controle de constitucionalidade no caso em apreço,
o relator, ao iniciar o fundamento do voto, fez uso do princípio da proporcionalidade com a
construção doutrinária alemã sobre o dever do Estado de proibir determinada conduta, de
proteger o indivíduo contra os ataques de terceiros e de evitar riscos. Explicou que os direitos
fundamentais não podem ser vistos apenas como proibição do excesso, mas também como
proibição da proteção insuficiente ou imperativos de tutela. Em seguida afirmou que os man-
dados constitucionais de criminalização também exercem o papel de limitar a atividade do
legislador, além de impor a existência de um sistema de proteção por meio de normas penais.

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Deixou claro, mais uma vez, que a criação de infração penal de perigo abstrato não cons-
titui, por si só, um comportamento inconstitucional do legislador, uma vez que, muitas vezes,
acaba sendo a melhor alternativa para a proteção de bens jurídico-penais supraindividuais
ou de caráter coletivo.
Com relação ao art. 25 da LCP, afirmou que se tratava de infração penal de mera conduta,
que almeja a proteção futura do bem jurídico patrimônio. Mas ressaltou que o legislador esti-
pulou uma qualidade do sujeito ativo, ou seja, ser conhecido como vadio ou mendigo. E frisou
que, nesse aspecto, não se pode punir o sujeito pelo que ele é, pois isso caracterizaria um
Direito Penal do autor.
Sustentou que a lei tratou de maneira desigual as pessoas pela sua condição econômica
de vadio ou de mendigo ou depois de ter sido condenado por furto ou roubo, ou enquanto
sujeito a liberdade vigiada, afrontando os princípios da dignidade da pessoa humana e da iso-
nomia previstos nos arts.1º, inciso III, e 5º caput, inciso I, da Constituição Federal. Ressaltou,
para a terceira hipótese, de sujeitos condenados, que a reincidência não pode funcionar como
elementar da infração penal.
É certo que alguns dispositivos da LCP merecem exame relativo à recepção por parte
do STF, não somente o art. 25, objeto da análise. A título de ilustração, os arts.59 e 60 da
LCP sempre possuíram dificuldade de conformação com a ordem constitucional. Quanto ao
art. 60, que punia a mendicância, o problema foi resolvido com a sua revogação promovida
pelo Legislador. Restou o art. 59, que pune a vadiagem de pessoa que não possui recursos
financeiros.

1.3. Uso do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e a Tortura nos


Chamados Casos de Bomba-Relógio

Um tema ainda em discussão na doutrina diz respeito ao uso da tortura nos chamados
casos de bomba-relógio.

EXEMPLO: uma bomba irá explodir no centro de uma grande cidade por volta do meio-dia
(São, Londres, Paris). A polícia identifica e prende o terrorista, mas ele já instalou a bomba e
quer apontar o local onde se encontra o explosivo. Pode haver tortura neste caso para salvar
(tentar) a vida de milhares de pessoas?

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Em primeiro lugar, não há resposta exata para a questão. O tema é objeto de celeuma na
doutrina. Há parte da doutrina que trabalha com a hipótese de estado de necessidade, há ou-
tros que trabalham com a regra dos custos, com colisão de deveres e, ainda, com a regra da
decadência.
Segundo o Luíz Greco, sem concordar com as referidas posições, as regras da decadência
e dos custos significam o seguinte:

Regra da decadência: “Quais as regras que se encontram implícitas nas justificações da exceção à
proibição da tortura acima mencionadas? Se, apesar de a tortura violar a dignidade humana, é per-
mitido torturar porque, nos casos de bomba relógio, o candidato à tortura provocou de maneira res-
ponsável a situação, acabou-se por propor implicitamente uma regra de seguinte teor: a dignidade
é algo que se pode perder em razão de um comportamento prévio (“regra da decadência”). Quem
se comporta mal perde, por causa de seu mau comportamento, a pretensão de não ser torturado e
de que a sua dignidade seja respeitada”. [...]
Regra dos custos: “O segundo aspecto favorável à tortura nos casos de bombas relógio é o que
se reporta à dimensão do dano esperado. Pois bem, se isso é relevante para permitir que se viole
a dignidade humana, então se está aceitando implicitamente a seguinte regra: a dignidade é algo
que apenas se tem de respeitar na medida em que os custos desse respeito não ultrapassem um
determinado limite (“regra dos custos”).”. (GRECO, 2009, p.241-245).

O tema não é pacífico e envolve o desafio de superar as vedações contidas em Tratados


Internacionais quanto à tortura, por constituir um crime de lesa humanidade, presente nos
ordenamentos da maioria dos países. Todavia, a cada dia, com o crescimento de atentados
terroristas, as mitigações ao uso da tortura se evidenciam, como EXEMPLO, o direito penal
do inimigo, já utilizado em algumas situações nos EUA e em países da Europa, para combater
grupos terroristas. Esse tema será aprofundado no capítulo sobre Temas de Política Criminal,
não será abordado aqui dentro dos princípios.

2. Princípio da Legalidade
A legalidade penal, numa acepção formal, significa a exigência de lei em matéria penal,
que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, confor-
me art. 5º XLIX da CRFB e art. 1º do Código Penal brasileiro.
A legalidade material constitui um princípio indicativo da política criminal do Estado De-
mocrático de Direito que deve ser correlacionado com os demais princípios penais constitu-

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cionais, que deve estar ligado aos valores constitucionais e aos tratados internacionais de
direitos humanos.
Sob a direção da legalidade material, na construção da ‘norma’ penal incriminadora, exi-
ge-se a tipologia certa, taxativa e clara. Deve-se evitar a tipologia aberta e indeterminada,
o uso frequente de elementos normativos, bem como a tipificação constante do perigo abs-
trato, salvo em situações necessárias

EXEMPLO: tutela preventiva de bens jurídicos coletivos e supraindividuais, como meio ambien-
te, a segurança pública.

Pode-se afirmar, desse modo, que a legalidade constitui uma garantia formal e material
no contexto de um Estado Democrático de Direito. Com outras palavras, a  doutrina ainda
afirma que “o princípio da legalidade encerra quatro garantias fundamentais: garantia crimi-
nal (nullum crimen sine lege), garantia penal (nulla poena sine lege), garantia de execução e
garantia jurisdicional” (OLIVÉ; PAZ; OLIVEIRA; BRITO, 2011, p.84).
Diante disso, há vedação de criação de crimes pelos costumes, analogia, princípios, sú-
mulas vinculantes, súmulas, medida provisória, jurisprudência, medida provisória. Nesse sen-
tido, merece crítica a decisão do STF, que sob o argumento de racismo social, tipificou a ho-
mofobia (STF ADI 4.733 e o Mandado de Injunção 4.733- A).
O princípio da legalidade pode ser denominado de princípio dogmático e estruturante,
está previsto no texto constitucional e/ou leis infraconstitucionais, bem como em documen-
tos internacionais que, no caso brasileiro, foram ratificados. Não se pode, a título de ilustra-
ção, imaginar um Direito Penal democrático desprovido do princípio da legalidade penal com
todos os seus corolários advindos do período iluminista.
Segundo Busato, ao tratar do princípio da legalidade:

Estado de Direito está associado ao princípio da legalidade; o Estado Social está associado à ne-
cessidade de intervenção penal e, como tal, justificado pelo princípio da intervenção mínima, vale
dizer, pelo condicionamento de intervir somente onde é necessário; e o Estado Democrático se
identifica com o princípio de culpabilidade, porquanto a ideia de pôr o estado a serviço da defesa
dos interesses do cidadão significa respeitá-lo individualmente e limitar a intervenção Estatal à
efetiva atuação culpável do sujeito. (BUSATO,2013, p. 23).

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Sobre outra perspectiva, Luigi Ferrajoli divide o princípio da legalidade em mera legalidade
(lata legalidade) e em legalidade em sentido estrito. Como mera legalidade, o princípio exige
que a definição da conduta penal e a especificação da pena estejam na lei. Por sua vez, como
legalidade estrita, compreende todas as demais garantias (nulla lex poenalis sine necessita-
te, sine injuria, sine actione, sine culpa, sine judicio, sine accusatione, sine probatione, sine
defensione). Observa-se desse modo duas estruturas distintas do mesmo princípio. No pri-
meiro caso, a lei é condicionante, trata-se da legalidade da forma e da fonte como condições
de existência e de vigência da norma que estabelece delito e pena, qualquer que seja o seu
conteúdo. No segundo caso, a legalidade, cercada pelas garantias, representa uma condição
de validade e de legitimidade das leis vigentes (FERRAJOLI, 2010).

Obs.:
 Segundo Nilo Batista, parece que o primeiro corpo de leis penais a incluir o princípio da
legalidade foi a codificação de D. José II da Áustria de 1787 (Josephina). Antes disso,
o art. 9º da Declaração da Virgínia de 1776 impedia a promulgação de leis maléficas
com efeito retroativo, o que se repetiu com a proibição de decreto de proscrição (lei
retroativa) no art.  9º, I, da Constituição americana de 07 de setembro de 1787. Em
seguida, no ano de 1789, em França, a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão,
no seu art.  VIII, estabeleceu a necessidade de anterioridade da lei penal. (BATISTA,
2007).

No Brasil, a primeira previsão do princípio da legalidade penal com o seu corolário reser-
va legal ocorreu na Constituição de 1824. Quando surgiu o princípio da legalidade penal no
Brasil? PROVA ORAL DO MPBA, PROMOTOR DE JUSTIÇA (2019). O Direito Penal brasileiro do
século XIX foi marcado pelo Código Criminal de 1830 e pelo Código Penal de 1890, enquanto,
no século XX, surgiu o Código Penal de 1940 e a Reforma da Parte Geral em 1984.
Na qualidade de princípio dogmático-estruturante, a legalidade está presente no art. 5º,
inciso XXXIX, da Constituição brasileira, bem como no art. 1º do Código Penal, como um prin-
cípio final, orientador do Direito Penal brasileiro, que alicerça as demais normas no seu tronco,
que dirige as normas penais do Código Penal, com sua parte geral repleta de conceitos dentro
de um sistema coeso, bem como os tipos da Parte Especial e da Legislação Especial.

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2.1. Legalidade e Reserva Legal

Como corolário da legalidade, o princípio da reserva legal, que exige lei em sentido estrito,
é dogmático-estruturante, visto que orienta a formação dos preceitos primários e secundá-
rios das normas penais incriminadoras.
A legalidade, como princípio penal, é reforçada pela legalidade em sentido estrito, ou seja,
pelo princípio da reserva legal, o qual exige lei em sentido estrito na formação da norma incri-
minadora, afastando-se de qualquer outra espécie normativa.
Há necessidade de Lei da União (art. 22, I, da CRFB) em sentido estrito para tipificar con-
dutas criminosas. Prevalece que a previsão de delegação de determinadas matérias aos Esta-
dos-membros, prevista no parágrafo único do referido art. 22 da CRFB, não alcança a matéria
penal. Ressalte-se, contudo, que essa é uma interpretação doutrinária, não havendo vedação
literal no texto constitucional. Na doutrina do Direito Constitucional, o Pedro Lenza sustenta a
possibilidade de uma emenda constitucional alterar a repartição de competência, de modo a
permitir que Estado membro possa legislar sobre direito penal.
Dessa forma, a norma penal deve ser expressa como regra em Lei Ordinária, admitindo-se
a previsão de tipos em Lei Complementar, embora não seja sua matéria principal, bem como
em Tratado ratificado. Sobre a possibilidade de Tratado estipular tipo penal, há divergência na
doutrina, Luís Flávio Gomes (2003) admite, enquanto André Stefan (2017) não admite, enten-
de que o Tratado pode apenas trazer a orientação geral.
Sobre o tema, JURISPRUDÊNCIA o STJ recentemente decidiu sobre a necessidade de le-
gislação interna e sua relação com o Tratado em matéria de tipificação penal.

STJ- INFO 659. REsp 1.798.903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira
Seção, por maioria, julgado em 25/09/2019, DJe 30/10/2019.
“TEMA: Crime contra a humanidade. Art. 7º do Estatuto de Roma. Tratado internacional
internalizado pelo Decreto n. 4.388/2002. Ausência de lei em sentido formal. Princípio da
Legalidade. Art. 5º, XXXIX, da CF. Ofensa.
É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a huma-
nidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado.
O conceito de crime contra a humanidade se encontra positivado no art.  7º do Esta-
tuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, o qual foi adotado em 17/07/1998, porém

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apenas passou a vigorar em 01/07/2002, quando conseguiu o quórum de 60 países


ratificando a convenção, sendo internalizado por meio do Decreto n. 4.388/2002. No
Brasil, no entanto, ainda não há lei que tipifique os crimes contra a humanidade, embora
esteja em tramitação o Projeto de Lei n. 4.038/2008, que “dispõe sobre o crime de geno-
cídio, define os crimes contra a humanidade, os crimes de guerra e os crimes contra a
administração da justiça do Tribunal Penal Internacional, institui normas processuais
específicas, dispõe sobre a cooperação com o Tribunal Penal Internacional, e dá outras
providências”. Nesse contexto, o  Supremo Tribunal Federal já teve a oportunidade de
se manifestar no sentido de que não é possível utilizar tipo penal descrito em tratado
internacional para tipificar condutas internamente, sob pena de se violar o princípio da
legalidade – art. 5º, XXXIX, da CF/1988 segundo o qual “não há crime sem lei anterior
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” – art. 5º, XXXIX, da CF/1988. Assim,
tanto no Supremo Tribunal Federal como também no Superior Tribunal de Justiça, não
obstante a tendência em se admitir a configuração do crime antecedente de organiza-
ção criminosa – antes da entrada em vigor da Lei n. 12.850/2013 – para configuração
do crime de lavagem de dinheiro, em virtude da internalização da Convenção de Palermo,
por meio Decreto n. 5.015/2004, prevaleceu o entendimento no sentido de que a defi-
nição de organização criminosa contida na referida convenção não vale para tipificar o
art. 1º, inciso VII, da Lei n. 9.613/1998 – com redação anterior à Lei n. 12.683/2012. De
igual modo, não se mostra possível internalizar a tipificação do crime contra a humani-
dade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado por
meio do Decreto n. 4.388/2002, porquanto não há lei em sentido formal tipificando refe-
rida conduta”.

Portanto, dentro da atual ordem constitucional, a norma incriminadora não pode ser apre-
sentada com medida provisória, decreto, regulamento, resolução, portaria ou qualquer outra
espécie diversa da lei em sentido estrito.
Do mesmo modo, como corolário da legalidade, o princípio da reserva legal, que exige lei
em sentido estrito, é dogmático-estruturante, visto que orienta a formação dos preceitos pri-
mários e secundários das normas penais incriminadoras.

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A legalidade, como princípio penal, significa a exigência de lei, que pode ser vista de forma
imediata como qualquer instrumento legal em sentido amplo. Mas a reserva legal significa e
exigência de lei em sentido estrito (lei ordinária, lei complementar ou Tratado Internacional
ratificado) para tipificar condutas. A norma incriminadora (que estabelece conduta e pena)
deve estar na lei em sentido estrito.

2.2. Legalidade (Reserva Legal) e Norma Penal em Branco


Há uma discussão sobre reserva legal e norma penal em branco heterogênea (em sentido
estrito ou própria), que é aquela que permite a remessa de complemento a fonte diversa da
lei (exemplo: art. 33 da Lei de Drogas, 11343/2006, que remete a especificação de droga à
Portaria 344 da ANVISA).
Conquanto se admita a existência de normas penais em branco em sentido amplo (homo-
gênea) e em sentido estrito (heterogêneas), o referido princípio não permite o complemento do
preceito primário com núcleos diversos dos que constam nas elementares do tipo, da mesma
maneira impede a remessa de pena à fonte diversa da lei.
Parcela pequena da doutrina entende que a norma penal em branco heterogênea viola o
princípio da reserva legal, uma vez que o complemento feito por fonte diversa da. Todavia,
este não é o melhor entendimento, uma vez que a reserva legal é apenas mitigada, sem pos-
sibilidade de remessa do núcleo do tipo penal.

2.3. Legalidade (Reserva Legal) e Medida Provisória

A medida provisória, conforme narração do texto constitucional (art. 62, §1º, I, b, da CRFB),


não pode tratar de matéria penal. Entretanto, o STF e o STJ não se manifestaram contraria-
mente à possibilidade de medida provisória com conteúdo penal benéfico (exemplo: medidas
provisórias que prorrogaram o prazo para devolução da arma de fogo gerando atipicidade tem-
porária do art. 12 da Lei n. 10.826/2003).
Atualmente, a jurisprudência aceita as medidas provisórias com conteúdo benéfico. O STF,
antes da alteração promovida no art. 62 da CRFB pela Emenda 32, havia se manifestado no
seguinte sentido:

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EMENTA: I. Medida provisória: sua inadmissibilidade em matéria penal – extraída pela


doutrina consensual – da interpretação sistemática da Constituição –, não compre-
ende a de normas penais benéficas, assim, as que abolem crimes ou lhes restringem o
alcance, extingam ou abrandem penas ou ampliam os casos de isenção de pena ou de
extinção de punibilidade. II. Medida provisória: conversão em lei após sucessivas ree-
dições, com cláusula de “convalidação” dos efeitos produzidos anteriormente: alcance
por esta de normas não reproduzidas a partir de uma das sucessivas reedições. III. MPr
1571-6/97, art. 7º, § 7º, reiterado na reedição subsequente (MPr 1571-7, art. 7º, § 6º),
mas não reproduzido a partir da reedição seguinte (MPr 1571-8 /97): sua aplicação aos
fatos ocorridos na vigência das edições que o continham, por força da cláusula de “con-
validação” inserida na lei de conversão, com eficácia de decreto-legislativo. (RE 254.818,
Relator(a): Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, julgado em 08/11/2000, DJ 19-12-
2002 PP-00081 EMENT VOL-02096-07 PP-01480 RTJ VOL-00184-01 PP-00301)

Pode-se concluir, de forma CRÍTICA, apesar da posição do STF, que o uso da medida pro-
visória em matéria penal, com ou sem conteúdo benéfico, contraria o art. 62 da CRFB e viola a
prerrogativa do Poder Legislativo de legislar sobre a matéria penal.

2.4. Funções do Princípio da Legalidade


São funções do princípio da legalidade: lei escripta; lei estricta; lei certa (dimensão da taxa-
tividade ou mandado de certeza. Veda-se, com isso, a edição de normas penais vagas, impre-
cisas ou indeterminadas.); lei prévia (hoje tratado dentro do princípio da anterioridade)
No que concerne à relação entre o princípio da legalidade, merece destacar algumas posi-
ções do STF, que podem ser cobradas em concursos.

2.5. Uso do Princípio da Legalidade (Reserva Legal - Tipicidade) na


Jurisprudência do STF na Análise do Aborto de Feto Anencéfalo

O Supremo Tribunal Federal, com a ferramenta da interpretação conforme a Constituição,


fez uso do princípio da legalidade e da dignidade da pessoa humana para afastar a tipicidade
penal da conduta de aborto de feto anencéfalo, mas também utilizou um argumento dogmá-

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tico, qual seja, o pressuposto de atividade cerebral para a existência da vida previsto na Lei de
Transplantes de Órgãos, conforme exarou o relator: “cumpre tomar de empréstimo o conceito
jurídico de morte cerebral previsto na Lei n. 9.434, de 1997, para concluir ser de todo impróprio
falar em direito à vida intrauterina ou extrauterina do anencéfalo, o qual é um natimorto cere-
bral” (STF, ADPF 54, 2012).
Anote-se que o Projeto de Lei do Senado n. 236, de 2012 (novo Código Penal), que tra-
mita no Senado Federal, estabelecia no seu texto a possibilidade de abortamento do feto
anencéfalo. Após a revisão Comissão Temporária da Reforma do Código Penal, no âmbito da
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) pelo Senado, foi mantido o texto com
a nova modalidade de abortamento, aprovado pela CCJ em 10 de dezembro do mesmo ano.
Portanto, ao lado das possibilidades de aborto existentes hoje, foi incluída a possibilidade no
caso de feto anencéfalo, que constitui uma iniciativa fomentada pela decisão do STF, proferi-
da no bojo da ADPF 54.
Na decisão da ADPF 54, precedida de quatro sessões de audiência pública com entidades
representativas de diversos segmentos laicos e religiosos da sociedade brasileira, a  Corte
afirmou a inconstitucionalidade da subsunção típica da interrupção da gravidez de feto anen-
céfalo às previsões dos arts. 124 e 126 do Código Penal.
A decisão da ADPF 54 não mencionou o art. 125, o qual poderá gerar dúvidas em casos
concretos de aborto não consentido de fetos anencéfalos. Em tais casos (exemplo: MARIA
PRATICOU ABORTO DE FETO ANENCÉFALO CONTRA A VONTA DE JOANA, GESTANTE), parece
que a adequação típica não poderá encontrar abrigo no art. 125, mas sim na soma da pena do
aborto com uma das modalidades de sanção da lesão qualificada descritas no art. 129 do Có-
digo Penal, de acordo com a gravidade do resultado da conduta perpetrada pelo agente. Essa
seria uma solução pouco valorativa. Uma outra solução seria afirmar que não houve aborto,
porque o feto anencéfalo não possui vida, seja para efeito do aborto do art. 126, seja para efei-
to do art. 124).
Por isso, tomando por empréstimo o dispositivo legal, para efeito de transplantes de ór-
gãos, previsto na Lei n. 9.434, de 1997, a  conduta de abortamento de feto anencéfalo foi
considerada atípica. O uso do princípio da dignidade da pessoa humana, como um dos argu-

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mentos, não parece que, no caso em apreço, tenha exercido a mesma força do fundamento
dogmático apoiado na Lei n. 9.434, de 1997, o qual pressupõe a atividade cerebral para a exis-
tência de vida humana, bem jurídico tutelado nas disposições dos arts. 121 a 128 do Código
Penal.
Observa-se que a Corte poderia decidir a questão, de maneira exclusiva, com fundamento
dogmático, somente com o argumento de legalidade, reserva legal, tipicidade. Dito de outro
modo, o Supremo poderia afirmar a atipicidade do aborto de feto anencéfalo sob a perspectiva
de que o conceito de vida humana, definido na legislação brasileira, pressupõe a atividade cere-
bral. Dessa forma, a nidação faz surgir a vida humana intrauteriana que pode não se aperfeiço-
ar caso não se desenvolva a atividade cerebral suficiente para uma vida humana extrauterina,
diante da previsão do art. 3º da Lei n. 9.434, de 1997.
No entanto, a Corte não abriu mão também de citar o princípio da dignidade da pessoa hu-
mana, o qual tem sido utilizado como uma ferramenta capaz de solucionar variados problemas
do direito, não somente na seara penal, e, não raro, com deficit argumentativo.

Questão 1 (TJMG/JUIZ/2018) Sobre o princípio da legalidade, assinale a alternativa INCOR-


RETA.
a) É considerado por setor da doutrina como restrição deontológica de segundo grau, que não
admite exceções.
b) Tem como destinatários tanto o Juiz quanto o legislador e, no processo judicial, incide não
apenas na fase de conhecimento, como também na fase de execução das penas.
c) Tem como consectários a proibição de analogia em Direito Penal, de irretroatividade da lei
penal gravosa, de utilização dos costumes para fundamentar ou agravar a pena e de criação de
leis penais indeterminadas ou imprecisas.
d) Tem âmbito de aplicação mais abrangente do que indica o teor literal da fórmula em latim
“Nulla poena sine lege; nulla poena sine crimine; nullum crimen sine poena legali”, pois abran-
ge crimes e contravenções penais, além de penas e medidas de segurança.

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Letra c.
A assertiva traz parte do conteúdo material do princípio da legalidade, mas misturou legalida-
de com irretroatividade.

Questão 2 (CESPE/JUIZ FEDERAL/5ª REGIÃO/2017) Assinale a opção que apresenta prin-


cípios que devem ser observados pelas leis penais por expressa previsão constitucional.
a) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, economicidade, individualização
da pena.
b) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, eficiência
da pena.
c) legalidade, irretroatividade, responsabilidade pessoal, presunção da inocência, individuali-
zação da pena.
d) legalidade, irretroatividade, moralidade, presunção da inocência, individualização da pena.
e) legalidade, impessoalidade, irretroatividade, presunção da inocência, individualização
da pena.

Letra c.
A assertiva traz princípios penais e processual penal expressos no texto constitucional.

Questão 3 (DELEGADO-MG/2018) Acerca dos princípios que limitam e informam o Direito


Penal, é CORRETO afirmar:
a) A responsabilidade pela indenização do prejuízo que foi causado pelo crime imputado ao
agente não pode ser estendida aos seus herdeiros sem que haja violação do princípio da per-
sonalidade da pena.
b) Conforme o princípio da culpabilidade, a responsabilidade penal é subjetiva, pelo que ne-
nhum resultado penalmente relevante pode ser atribuído a quem não o tenha produzido por
dolo ou culpa, elementos finalisticamente localizados na culpabilidade.

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c) O princípio da insignificância funciona como causa de exclusão da culpabilidade, sendo re-


quisitos de sua aplicação para o STF a ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade
social da ação e a inexpressividade da lesão jurídica.
d) O princípio da legalidade, do qual decorre a reserva legal, veda o uso dos costumes e da
analogia para criar tipos penais incriminadores ou agravar as infrações existentes, embora
permita a interpretação analógica da norma penal.

Letra d.
O item traz conteúdo material do princípio da legalidade visto no texto apresentado no pre-
sente material.

Questão 4 (JUIZ-MG/2014) A respeito dos princípios que regem o direito penal brasileiro,
assinale a alternativa INCORRETA.
a) O princípio da legalidade penal, do qual decorre o princípio da reserva legal, impede o uso
dos costumes e analogia para criar tipos penais incriminadores ou agravar as infrações exis-
tentes.
b) De acordo com o chamado princípio da insignificância o Direito Penal não deve se ocupar
com assuntos irrelevantes. A aplicação de tal princípio exclui a tipicidade material da conduta.
c) O direito penal possui natureza fragmentária, ou seja, somente protege os bens jurídicos
mais importantes, pois os demais são protegidos pelos outros ramos do direito.
d) O princípio da taxatividade, ao exigir lei com conteúdo determinado, resulta na proibição da
criação de tipos penais abertos.

Letra d.
Isso porque os tipos abertos devem ser evitados, mas em algumas situações, eles são inevi-
táveis, como ocorre na maioria dos crimes culposos (salvo a receptação culposa que é fecha-
da, por exemplo) e nos crimes omissivos impróprios. No mais, a taxatividade exige clareza e
determinação do tipo penal.

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Questão 5 (DELEGADO DE POLÍCIA-PI/2014) Configuram desdobramento do princípio da


reserva legal, EXCETO,
a) Lex praevia.
b) Lex stricta.
c) Lex scripta.
d) Lex certa.
e) Ultima ratio.

Letra e.
A letra E (ultima ratio) se refere ao princípio da intervenção mínima. As demais letras, confor-
me visto no decorrer do texto, constituem funções do princípio da legalidade.

Questão 6 (FCC/MPCE/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2011) Assinale a alternativa correta.


a) A lesividade do bem jurídico protegido pela lei penal é critério de legalidade material ou
substancial e depende da existência da lei para caracterizar o delito.
b) A culpabilidade significa que será penalmente punido aquele que houver agido com culpa
ou dolo o que implica adoção pelo nosso Código Penal da teoria da responsabilidade objetiva.
c) O princípio da legalidade exige, além da previsão legal do crime e da pena anteriores ao fato
praticado, definição de conduta e cominação balizada de punição.
d) A proporcionalidade é regra constitucional implícita e se utiliza dos sub-princípios da ade-
quação, e necessidade, à exceção no direito penal, da proporcionalidade em sentido estrito.
e) A individualização da pena, na forma prevista na Constituição Federal, apenas se opera no
plano judicial.

Letra c.
A resposta está correta, uma vez que a definição de crime exige lei em sentido estrito tanto
para o preceito primário ou prótase (conduta, fato), quanto para o preceito secundário ou apó-
dose (pena, consequência).

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Questão 7 (DELEGADO-RJ/2009) Ensina JORGE DE FIGUEIREDO DIAS que “o princípio do


Estado de Direito conduz a que a proteção dos direitos, liberdade e garantias seja levada a
cabo não apenas através do direito penal, mas também perante o direito penal” (DIAS, Jorge
de Figueiredo. Direito penal: parte geral. tomo I. Coimbra: Coimbra Editora, 2004, p. 165). As-
sim, analise as proposições a seguir e assinale a opção correta
I – O conteúdo essencial do princípio da legalidade se traduz em que não pode haver cri-
me, nem pena que não resultem de uma lei prévia, escrita, estrita e certa.
II – O princípio da legalidade estrita não cobre, segundo a sua função e o seu sentido, toda
a matéria penal, mas apenas a que se traduz em fixar, fundamentar ou agravar a res-
ponsabilidade do agente.
III – Face ao fundamento, à função e ao sentido do princípio da legalidade, a proibição de
analogia vale relativamente a todos os tipos penais, inclusive os permissivos.
IV – A proibição de retroatividade da lei penal funciona apenas a favor do réu, não con-
tra ele.
V – O princípio da aplicação da lei mais favorável vale mesmo relativamente ao que na
doutrina se chama de “leis intermediárias”; leis, isto é, que entraram em vigor poste-
riormente à prática do fato, mas já não vigoravam ao tempo da apreciação deste.

a) Apenas uma proposição está errada.


b) Estão corretas apenas as proposições I, IV e V
c) Estão corretas apenas as proposições I, II, III e IV
d) Todas as proposições estão corretas
e) Apenas três das proposições estão corretas

Letra a.
Somente a alternativa IV está errada, uma vez que é possível fazer uso da analogia para be-
neficiar o réu. Isso pode ocorrer com o uso de normas permissivas.

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3. Princípio da Anterioridade

Significa a necessidade de lei penal incriminadora anterior ao fato para possibilitar a res-

ponsabilidade penal, conforme ensina o próprio texto do inciso XXXIX da CRFB. Representa

uma conquista histórica do final do século XVIII, que surgiu atrelada ao princípio da legalidade

penal.

Questão 8 (DEFENSOR PÚBLICO-AM/2011) Sobre os princípios da legalidade e da anterio-

ridade (artigo 1º do Código Penal) é correto afirmar:

a) pelo princípio da legalidade compreende-se que ninguém responderá por um fato que a lei

penal preveja como crime e, pelo princípio da anterioridade compreende-se que alguém so-

mente responderá por crime devidamente previsto em lei que tenha entrado em vigor um ano

anteriormente à prática da conduta;

b) os  princípios da legalidade e da anterioridade pressupõem a existência de lei anterior à

prática de uma determinada conduta para que esta possa ser considerada como crime;

c) tais princípios são sinônimos e significam a necessidade da existência de lei para que uma

conduta seja considerada crime;

d) são incompatíveis um com o outro, já que pressupõem circunstâncias diversas;

e) pelo princípio da anterioridade compreende-se a previsão anterior de determinada conduta

como criminosa independentemente de definição por lei em sentido estrito.


Letra b.

O texto corresponde ao inciso XXXIX do art. 5º da CRFB.

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4. Princípio da Irretroatividade

Significa que a lei penal mais gravosa não pode retroagir para alcançar fatos passados.
Representa uma conquista histórica do final do século XVIII, que surgiu atrelada ao princípio
da legalidade penal. tem previsão no inciso XL do art. 5º da CRFB.
Pode ser compreendido, ainda, como já caiu em provas de concursos, no sentido de Irre-
troatividade que possui como corolários a irretroatividade maléfica e a retroatividade benéfi-
ca.
O referido princípio não é contrariado pela súmula 711 do STF, a qual diz que a lei mais
grave é aplicada se surgir durante a prática de um crime permanente ou de um crime continu-
ado. Isso porque o crime permanente está se consumando, enquanto a continuidade delitiva
estará ocorrendo com o cometimento de vários crimes, presentes os requisitos do art. 71 do
Código Penal.
Do mesmo modo, não há ofensa à retroatividade benéfica com a previsão de ultratividade
de lei temporária e excepcional (art. 3º do Código Penal), que costumam ser leis mais severas.
Pode-se falar em uma mitigação ao referido princípio. Parcela pequena da doutrina afirma a
inconstitucionalidade, ou seja, a não recepção do art. 3º pela ordem constitucional, uma vez
que a referida previsão/ressalva deveria constar do próprio texto da CRFB.
É importante ainda se recordar da possibilidade da extratividade da lei penal como uso da
retroatividade benéfica nos casos de lei intermediária ou bipolar, conforme questão a seguir.

Questão 9 (INÉDITA) Jorge sequestrou Ana e, quatro dias depois, exigiu o resgate em di-
nheiro para a liberação da vítima. Após dois meses do sequestro, sem a liberação da vítima,
entrou em vigor uma lei mais grave que aumentou a pena da extorsão mediante sequestro
(art. 159 do CP). Essa lei mais grave pode ser aplicada ao presente caso?


Certo.

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A lei mais grave deverá ser aplicada no caso apresentado. A extorsão mediante sequestro,
prevista no art. 159 do CP, é crime permanente, cuja consumação se prolonga no tempo. En-
quanto a vítima não for libertada, o crime estará acontecendo. Desse modo, a lei mais grave,
que surge durante a consumação do crime permanente, será aplicada. Não há se falar em
retroatividade da lei mais grave nessa situação, uma vez que o crime está acontecendo, ou
seja, começou a ser praticado na vigência da lei menos grave e continuou sendo praticado na
vigência da lei mais grave. Nesse sentido, o STF editou a Súmula 711: “A lei penal mais grave
aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessa-
ção da continuidade ou da permanência”.

Questão 10 (INÉDITA) Caio praticou um crime em julho de 2000, quando a pena cominada
de forma abstrata era de 2 a 5 anos. Em 2001, o legislador diminuiu a pena do crime, que foi
fixada de forma abstrata no mínimo de 1 e no máximo de 3 anos. Em 2004, o legislador nova-
mente alterou a pena do referido crime, aumentando-a para o mínimo de 3 e para o máximo
de 6 anos. Salvo as hipóteses citadas, não houve outra alteração da lei. Caio só foi julgado em
2005, quando foi condenado. Nesse caso, Caio será apenado com a pena em vigor no ano de
2000, no ano de 2001 ou no ano de 2004?

Aplica-se a lei do ano de 2001, com previsão de pena mínima de 1 ano e máximo de 3 anos.
Isso porque a lei de 2001 possui extratividade, uma vez que é melhor do que a anterior e
melhor do que a posterior, sendo que o fato ocorreu antes dela. Há no caso em apreço retro-
atividade e ultratividade benéficas da lei intermediária, uma das hipóteses encontradas na
sucessão de leis. A lei intermediária de 2001 é também denominada de lei bipolar.

5. Princípio da Culpabilidade

O princípio da culpabilidade, conforme exposto na doutrina, exerce três funções: como


primeira função, é elemento da estrutura analítica. A culpabilidade constitui um juízo de
reprovação, de censura, que incide sobre o agente por ter atuado de forma contrária ao

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direito. Nessa primeira função, a culpabilidade se ancora na teoria normativa pura do fina-
lismo e é formada por imputabilidade; potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de
conduta diversa.
Como segunda função, a culpabilidade constitui uma exigência de responsabilidade penal
subjetiva no Estado Democrático de Direito, ou seja, impede a responsabilidade penal obje-
tiva. Isso quer dizer que a responsabilidade do agente deve está ancorada em uma conduta
dolosa ou culposa demonstrada, afastando a ideia de dolo in re ipsa (dolo presumido que não
precisa ser demonstrado. Essa função da culpabilidade não tem relação com o exame de dolo
e culpa na culpabilidade, uma vez que estes institutos estão na conduta (modelo finalista de
ação). IMPORTANTE: ainda há resquícios de responsabilidade penal objetiva no Brasil (EXEM-
PLO: embriaguez, rixa qualificada).
A responsabilidade, como terceira função, constitui uma medida de pena ao conduzir o
processo de dosimetria da pena base no art. 59, ao interferir na escolha do regime inicial no
§ 3º do art. 33, ao ser analisado na substituição de pena privativa por restritivas no inciso III
do art. 44, ao ser sopesado na exasperação da continuidade delitiva especial, conforme pará-
grafo único do art. 71.

Questão 11 (MPPR/2017) Sobre culpabilidade, assinale a alternativa incorreta:


a) O conceito normativo de culpabilidade deslocou os componentes psicológicos para o tipo
de injusto, permanecendo a culpabilidade com os componentes normativos do juízo de repro-
vação e do juízo de exculpação.
b) O efeito do álcool ou de droga, proveniente de caso fortuito ou de força maior, se determina
a incapacidade de culpabilidade na prática de crime, não permite a aplicação de qualquer me-
dida de segurança, e se determina a capacidade relativa de culpabilidade na prática de crime,
constitui fator obrigatório de redução de pena.

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c) A obediência a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico caracteriza situ-


ação de exculpação legal, que exclui a culpabilidade, por inexigibilidade de comportamento
diverso, e a obediência a ordem ilegal de superior hierárquico não exclui a culpabilidade, po-
dendo funcionar como causa de diminuição de pena, que reduz a culpabilidade.
d) A emoção e a paixão não excluem a imputabilidade, mas a violenta emoção, logo em segui-
da a injusta provocação da vítima, pode privilegiar determinados crimes ou constituir circuns-
tância atenuante de outros.
e) Segundo a teoria do tipo, que exige coincidência entre capacidade de culpabilidade e realiza-
ção dolosa ou culposa do tipo de injusto, em situações de actio libera in causa, o dolo ou culpa
do agente devem ser aferidos na ação anterior de autocolocação em estado de incapacidade
temporária de culpabilidade.


Letra c.
Está incorreta porque contraria o art. 22 do Código Penal. A obediência hierárquica e a coação
moral irresistível afastam a exigibilidade de conduta diversa, elemento da culpabilidade da
estrutura analítica do crime. Já a obediência ordem ilegal não constitui causa de diminuição
de pena.

Questão 12 (MPDFT/2015) Examine os itens seguintes, indicando o CORRETO:


a) Integram o conceito de culpabilidade no sistema finalista ou normativo puro: imputabilidade,
dolo ou culpa, consciência da ilicitude, exigibilidade de conduta diversa.
b) O critério psicológico adotado pelo Código Penal brasileiro para definição da imputabili-
dade considera unicamente a capacidade do agente para conhecer o caráter ilícito do fato e
comportar-se conforme esse entendimento.
c) É suficiente à exculpação pela embriaguez completa a demonstração da total incapacidade
do agente de compreender o caráter ilícito do fato e/ou determinar-se conforme esse entendi-
mento.

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d) Em razão do sistema vicariante acolhido pelo Código Penal brasileiro para o semi-imputável,
a este poderá ser imposta medida de segurança quando necessitar de tratamento curativo.
e) Coação física irresistível e obediência hierárquica são causas de exclusão da culpabilidade
relacionadas à inexigibilidade de conduta diversa.


Letra d.
Conforme previsão do art. 22 do Código Penal, a obediência hierárquica e a coação moral ir-
resistível afastam a exigibilidade de conduta diversa, elemento da culpabilidade da estrutura
analítica do crime.

Questão 13 (MPDFT/2015) Examine os itens seguintes, indicando o CORRETO:


a) O princípio da culpabilidade limita-se à impossibilidade de declaração de culpa sem o trân-
sito em julgado de sentença penal condenatória.
b) O princípio da legalidade impede a aplicação de lei penal ao fato ocorrido antes do início de
sua vigência.
c) Integram o núcleo do princípio da estrita legalidade os seguintes postulados: reserva legal,
proibição de aplicação de pena em hipótese de lesões irrelevantes, proibição de analogia in
malam partem.
d) A aplicação de pena aos inimputáveis, dada a sua incapacidade de sensibilização pela nor-
ma penal, viola o princípio da culpabilidade.
e) Os princípios da insignificância penal e da adequação social se identificam, ambos caracte-
rizados pela ausência de preenchimento formal do tipo penal.

Letra d.
Está correto o item, uma vez que o inimputável não possui capacidade de culpabilidade e, por
isso, presentes os requisitos, após a comprovação do cometimento do injusto (tipicidade + ili-
citude), receberá medida de segurança em uma sentença chamada de absolutória imprópria.

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6. Princípio da Intervenção Mínima/Subsidiariedade/Fragmentariedade

A intervenção mínima significa que o direito penal constitui um sistema de ultima ratio,
que só deve ser utilizado quando o problema não puder ser solucionado por outro ramo do
ordenamento jurídico. Nesse sentido, fala-se, como corolário da intervenção mínima, em sub-
sidiariedade do direito penal.
Essa visão de subsidiariedade do direito penal, como decorrência da intervenção mínima,
para Alvaro Pires, tem origem remota em Grotius, embora não fosse um modelo de direito pe-
nal anterior às revolução do século que possibilitam a mudança de Estado.

Ou princípio medieval da última instância: “só se pode reagir juridicamente ao mal com o mal se
não for viável outra maneira de reagir ou fazer justiça”. Grotius, apud PIRES, Álvaro (2004, p.45).
A racionalidade penal moderna, o público e os direitos humanos. Novos Estudos CEBRAP, n. 68,
mar. 2004, p. 45.

O outro princípio, corolário da intervenção mínima, é a fragmentariedade, no sentido de


que somente as ofensas mais graves contra os bens jurídicos mais importantes merecerão a
intervenção penal. Portanto, do caráter fragmentário do sistema penal decorre o princípio da
insignificância (STF).
Para o STF,

[...] Não há se subestimar a natureza subsidiária, fragmentária do Direito Penal, que só


deve ser acionado quando os outros ramos do direito não sejam suficientes para a pro-
teção dos bens jurídicos envolvidos. Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao
recurso ordinário em habeas corpus, nos termos do voto da Relatora; vencidos os Minis-
tros Marco Aurélio e Carlos Britto, que lhe negavam provimento. 2. Recurso provido. RHC
89624/ RS. Relatora Min. Cármen Lúcia. 1ª Turma. Julgamento: 10/10/2006. Publicação
DJ 07/12/2006”. Grifei.

É importante destacar que não haverá crime de desobediência quando já houver punição,
para a conduta, na seara penal, sem ressalva da punição administrativa.
Nesse sentido, decide o STJ:

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STJ- Princípio da subsidiariedade e o crime de desobediência […] I – Com efeito, nos


termos da jurisprudência desta eg. Corte Superior de Justiça, “[...] O crime de desobe-
diência é subsidiário e somente se caracteriza nos casos em que o descumprimento da
ordem emitida pela autoridade não é objeto de sanção administrativa, civil ou proces-
sual” (AgRg no HC 345.781/SC, Quinta Turma, Rel. Min.Reynaldo Soares da Fonseca,
DJe 31/05/2016). II – A jurisprudência do STJ e do STF têm por consolidada a apli-
cação dessa orientação ao delito previsto no art. 1º, inc. XIV, do Decreto-lei n. 201/67.
A respeito e em casos análogos aos dos autos, ou seja, em que se imputou a Prefeito
a conduta prevista no art. 1º, inc. XIV, do Decreto-lei n. 201/67 por descumprimento de
liminar em ação civil pública ou madamental, para o qual a autoridade judicial estipulara
multa diária, destaca-se precedentes dessa col. Corte Superior e do Pleno do Supremo
Tribunal Federal: HC 92.655/ES, Quinta Turma, Rel.Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJ
25/02/2008; HC 68.144/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, DJ 04/06/2007; Inq
3155, Tribunal Pleno, Relª. Minª. Cármen Lúcia, DJe 11/10/2011. Agravo Regimental não
provido.
(AgRg no AREsp 1175205/GO, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em
12/12/2017, DJe 18/12/2017)

No caso de multa fixada nos provimentos mandamentais do Código de Processo Civil,


a jurisprudência sempre entendeu que não haveria crime de desobediência, uma vez que o
agente, que não cumprisse a obrigação, já responderia pela multa (astreinte). Esse entendi-
mento agora foi mitigado diante da hipótese prevista no § 3º do art. 536 do CPC.

Do Cumprimento de Sentença que Reconheça a Exigibilidade de Obrigação de Fazer ou de Não Fa-


zer
Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de
não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a
obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satis-
fação do exequente.
[...] § 3º O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando injustificadamente descum-
prir a ordem judicial, sem prejuízo de sua responsabilização por crime de desobediência

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Questão 14 (MPMG/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2018) Analise as afirmações adiante e, à luz


da doutrina, assinale a alternativa INCORRETA:
a) Norma penal em branco ao revés (ou invertida) é aquela em que a complementação se dá
no preceito sancionador e não no mandamento proibitivo.
b) O princípio da intervenção mínima do Direito Penal encontra fundamento no caráter de sua
subsidiariedade e no princípio da intranscendência.
c) Pelo princípio da confiança, todo aquele que se conduz com observância ao dever de cui-
dado objetivo exigido, pode esperar que os demais co-participantes de idêntica atividade pro-
cedam do mesmo modo.
d) Entre outras características, o Direito Penal tem natureza constitutiva e sancionatória.


Letra b.
A alternativa apresenta os corolários da intervenção mínima, vistos no texto, quando abor-
damos o tema, quais sejam: fragmentariedade e subsidiariedade. Esse item caiu em outras
provas de concursos.

Questão 15 (DELEGADO DE POLÍCIA-ES/2019) O sistema penal é composto por órgãos de


naturezas jurídicas distintas com funções, dentre outras, de caráter investigativo, repressivo,
jurisdicional e prisional. É sabido que os números de letalidade no exercício de tais funções,
tanto de civis quanto de agentes do sistema penal têm aumentado nos últimos anos. Por
conta dessa informação, será preciso promover uma política pública em âmbito penal que
reverbere na diminuição de tal letalidade. (BATISTA, Nilo. Introdução Crítica ao Direito Penal
Brasileiro. 11. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2007). Identifique a alternativa correta que contenha
os princípios que fundamentam o Direito Penal, e que mostrem que sua observância se torna
importante para o embasamento da referida política pública.
a) Mínima letalidade/ letalidade controlada/ tutela civil e tutela penal/ livre iniciativa.

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b) Mínimo proporcional/ reserva do possível/ humanidade/ lesividade.


c) Legalidade / proporcionalidade / penalidade / legítima defesa.
d) Intervenção mínima/ legalidade / lesividade / adequação social.
e) Devido processo legal/ contraditório e ampla defesa/ proximidade de jurisdição / propor-
cionalidade.

Letra d.
Única que apresenta quatro princípios do direito penal, conforme solicitado na questão, ou
seja, princípios que fundamentam o direito penal.

Questão 16 (FCC/DEFENSOR PÚBLICO/2017) O princípio da intervenção mínima no Direito


Penal encontra reflexo
a) no princípio da fragmentariedade e na teoria da imputação objetiva.
b) no princípio da subsidiariedade e na teoria da imputação objetiva.
c) nos princípios da subsidiariedade e da fragmentariedade.
d) no princípio da fragmentariedade e na proposta funcionalista sistêmica.
e) na teoria da imputação objetiva e na proposta funcionalista sistêmica

Letra c.
Observa-se que a FCC também usou essa questão na prova de Juiz do TJMS de 2010. O tema
foi devidamente explicado no texto, ou seja, intervenção mínima possui como corolários a
fragmentariedade e a subsidiariedade.

Questão 17 (DELEGADO DE POLÍCIA-MS/2017) No que diz respeito aos princípios aplicáveis


ao Direito Penal, analise os textos a seguir.
“A proteção de bens jurídicos não se realiza só mediante o Direito Penal, senão que nessa
missão cooperam todo o instrumental do ordenamento jurídico”. ROXIN, Claus. Der echo pe-
nai- parte geral. Madrid: Civitas, 1997.1.1, p. 65.

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“A criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a prote-


ção de ataques contra bens jurídicos importantes”. BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratada de
direito penal: parte geral. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 54.
Nesse sentido, é correto afirmar que os textos se referem ao
a) princípio da intervenção mínima, imputando ao Direito Penal somente fatos que escapem
aos meios extrapenais de controle social, em virtude da gravidade da agressão e da importân-
cia do bem jurídico para a convivência social.
b) princípio da insignificância, que reserva ao Direito Penal a aplicação de pena somente aos
crimes que produzirem ataques graves a bem jurídicos protegidos por esse Direito, sendo que
agir de forma diferente causa afronta à tipicidade material.
c) princípio da adequação social em que as condutas previstas como ilícitas não necessa-
riamente revelam-se como relevantes para sofrerem a intervenção do Estado, em particular
quando se tornarem socialmente permitidas ou toleradas.
d) princípio da ofensividade, pois somente se justifica a intervenção do Estado para reprimir a
infração com aplicação de pena, quando houver dano ou perigo concreto de dano a determina-
do interesse socialmente relevante e protegido pelo ordenamento jurídico.
e) princípio da proporcionalidade, em que somente se reserva a intervenção do Estado, quando
for estritamente necessária a aplicação de pena em quantidade e qualidade proporcionais à
gravidade do dano produzido e a necessária prevenção futura.

Letra a.
A alternativa apresenta o conteúdo do princípio da subsidiariedade e da fragmentariedade,
corolários da intervenção mínima, vistos no texto sobre o referido princípio.

Questão 18 (FCC/TJSC/JUIZ/2015) A afirmação de que o Direito Penal não constitui um sis-


tema exaustivo de proteção de bens jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que consti-
tuem o universo de bens do indivíduo, mas representa um sistema descontínuo de seleção de
ilícitos decorrentes da necessidade de criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção
jurídico-penal, amolda-se, mais exatamente,

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a) ao conceito estrito de reserva legal aplicado ao significado de taxatividade da descrição


dos modelos incriminadores.
b) à descrição do princípio da fragmentariedade do Direito Penal que é corolário do princípio
da intervenção mínima e da reserva legal.
c) à descrição do princípio da culpabilidade como fenômeno social.
d) ao conteúdo jurídico do princípio de humanidade relacionado ao conceito de Justiça dis-
tributiva.
e) à descrição do princípio da insignificância em sua relativização na busca de mínima pro-
porcionalidade entre gravidade da conduta e cominação de sanção.

Letra b.
A alternativa foi apresentada como resposta correta. Contudo, o texto gerou duas interpre-
tações: a fragmentariedade é corolário da intervenção mínima e não da reserva legal, sob
o ponto de vista estrito, conforme ensina a doutrina penal brasileira. Portanto, o  item não
foi elaborado com essa precisão. De outro lado, o  examinador quis dizer que o cabeçalho
da questão se refere ao princípio da fragmentariedade e da reserva legal. Sob esse aspecto,
o item está correto.

Questão 19 (DEFENSOR PÚBLICO-SP/2010) O postulado da fragmentariedade em matéria


penal relativiza
a) a proporcionalidade entre o fato praticado e a consequência jurídica.
b) a dignidade humana como limite material à atividade punitiva do Estado.
c) o concurso entre causas de aumento e diminuição de penas.
d) a função de proteção dos bens jurídicos atribuída à lei penal.
e) o caráter estritamente pessoal que decorre da norma penal.

Letra d.

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Está correta a assertiva, uma vez que a fragmentariedade diz respeito ao uso do direito penal
apenas diante de ataques graves aos bens jurídicos mais importantes tutelados pelo direito
penal. Ressalte-se que o princípio da insignificância decorre do caráter fragmentário do direi-
to penal (STF).

Questão 20 (FCC/TJMS/JUIZ/2010) O princípio de intervenção mínima do Direito Penal en-


contra expressão
a) nos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade.
b) na teoria da imputação objetiva e no princípio da fragmentariedade.
c) no princípio da fragmentariedade e na proposta funcionalista.
d) na teoria da imputação objetiva e no princípio da subsidiariedade.
e) no princípio da subsidiariedade e na proposta funcionalista.

Letra a.
Observa-se que a FCC repetiu essa questão na prova de Defensor Público-PR de 2017. O tema
foi devidamente explicado no texto, ou seja, intervenção mínima possui como corolários a
fragmentariedade e a subsidiariedade.

7. Princípio da Adequação Social

Convém observar, de início, que dogmatismo não é absoluto no modelo finalista ante a pos-
sibilidade, por exemplo, de aplicação do princípio da adequação social. Conquanto o conceito
finalista de tipo seja a descrição legal da conduta proibida, Hans Welzel afirmou ser contra a
interpretação ao pé da letra e, ainda, que a adequação social afastaria o tipo de ação.
Com isso, a análise da tipicidade não é unicamente formal no modelo finalista, porquanto
as ações conformadas socialmente podem ser interpretadas como atípicas, conforme uma
perspectiva material da tipicidade, mediante um juízo de valor do intérprete, com o uso do prin-
cípio finalista da adequação social.

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Luiz Regis Prado adverte que, na trajetória da concepção finalista, são constatadas suces-
sivas e malfadadas confusões que contribuem para o surgimento de conclusões equivocadas
e falsas. Sobre o finalismo, diz o autor que, para o bem da verdade científica, convém advertir
“que essa doutrina não é pura e unicamente ontológica, visto que não deixa de considerar
ainda que de forma mais tímida, o aspecto axiológico, normativo (v.g. teoria da adequação
social)” (PRADO, 2007, p.107).
São palavras do criador do finalismo:

Ações que se movem dentro do marco das ordens sociais, nunca estão compreendidas dentro dos
tipos de delito, nem ainda quando pudessem ser entendidas em um tipo interpretado ao pé da letra;
são as chamadas ações socialmente adequadas. Socialmente adequadas são todas as atividades
que se movem dentro do marco das ordens ético sociais da vida social, estabelecidas por intermé-
dio da história (WELZEL, 2003, p.106).

A doutrina aponta como exemplo: furar a orelha da criança para colocar brinco.
Na jurisprudência, percebe-se o reconhecimento do princípio da adequação social, mas
também se verifica que os julgados têm mitigado a sua aplicação, ou seja, busca-se evitar a
banalização do princípio para toda e qualquer situação.

STJ. (...) ADEQUAÇÃO SOCIAL. ATIVIDADE DE CAMELÔ. REGULAMENTAÇÃO LEGAL.


ACEITAÇÃO SOCIAL DO DESCAMINHO. INOCORRÊNCIA.
(...) 2. A existência de lei regulamentando a atividade dos camelôs não conduz ao reco-
nhecimento de que o descaminho é socialmente aceitável.
3. Ordem denegada.
(HC 45.153/SC, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado
em 30/10/2007, DJ 26/11/2007 p. 248).
STJ [...]
I – O princípio da adequação social não pode ser usado como neutralizador, in genere,
da norma inserta no art. 234 do Código Penal.
II – Verificado, in casu, que a recorrente vendeu a duas crianças, revista com conteúdo
pornográfico, não há se falar em atipicidade da conduta afastando-se, por conseguinte,
o pretendido rancamento da ação penal.

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Recurso desprovido. (RHC 15.093/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Rel. p/ Acórdão Minis-
tro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 16/03/2006, DJ 12/06/2006 p. 499).
STJ [...] 1. A  Terceira Seção desta Corte Superior, no julgamento do Recurso Especial
Repetitivo n. 1.193.196/MG, pacificou o entendimento de que é formal e materialmente
típica a conduta descrita no art. 184, § 2º, do Código Penal, não havendo que se falar,
portanto, no princípio da adequação social ou no princípio da insignificância. [...] 5.
Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1767921/SP, Rel. Ministro ANTONIO SAL-
DANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 06/12/2018, DJe 01/02/2019)

Adequação Social – a proibição no caso especificado na Súmula 502 do STJ:

Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no


art. 184, § 2º, do CP, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.

Adequação Social – a proibição no caso do art. 229 do CP:

STJ “RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 229 DO CÓDIGO PENAL. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO


SOCIAL. INAPLICABILIDADE. TIPICIDADE MATERIAL DA CONDUTA.
1. O princípio da adequação social é um vetor geral de hermenêutica segundo o qual,
dada a natureza subsidiária e fragmentária do direito penal, se o tipo é um modelo de
conduta proibida, não se pode reputar como criminoso um comportamento socialmente
aceito e tolerado pela sociedade, ainda que formalmente subsumido a um tipo incrimi-
nador.
2. A  aplicação deste princípio no exame da tipicidade deve ser realizada em caráter
excepcional, porquanto ao legislador cabe precipuamente eleger aquelas condutas que
serão descriminalizadas.
3. A jurisprudência desta Corte Superior orienta-se no sentido de que eventual tolerân-
cia de parte da sociedade e de algumas autoridades públicas não implica a atipicidade
material da conduta de manter casa de prostituição, delito que, mesmo após as recentes
alterações legislativas promovidas pela Lei n. 12.015/2009, continuou a ser tipificada
no artigo 229 do Código Penal.

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4. De mais a mais, a manutenção de estabelecimento em que ocorra a exploração sexual


de outrem vai de encontro ao princípio da dignidade da pessoa humana, sendo incabível
a conclusão de que é um comportamento considerado correto por toda a sociedade.
5. Recurso especial provido para restabelecer a sentença condenatória, apenas em rela-
ção ao crime previsto no artigo 229 do Código Penal.
(REsp 1435872/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ Acórdão Ministro
ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 01/07/2014)”.

Questão 21 (CESPE/JUIZ DO TJBA/2019) De acordo com a doutrina predominante no Brasil


relativamente aos princípios aplicáveis ao direito penal, assinale a opção correta.
a) O princípio da taxatividade, ou do mandado de certeza, preconiza que a lei penal seja concre-
ta e determinada em seu conteúdo, sendo vedados os tipos penais abertos.
b) O princípio da bagatela imprópria implica a atipicidade material de condutas causadoras de
danos ou de perigos ínfimos.
c) O princípio da subsidiariedade determina que o direito penal somente tutele uma pequena
fração dos bens jurídicos protegidos, operando nas hipóteses em que se verificar lesão ou
ameaça de lesão mais intensa aos bens de maior relevância.
d) O princípio da ofensividade, segundo o qual não há crime sem lesão efetiva ou concreta ao
bem jurídico tutelado, não permite que o ordenamento jurídico preveja crimes de perigo abstrato.
e) O princípio da adequação social serve de parâmetro ao legislador, que deve buscar afastar a
tipificação criminal de condutas consideradas socialmente adequadas.

Letra e.
A resposta considerada como correta pelo gabarito oficial possui equívoco. O  princípio da
adequação social constitui uma ferramenta disponível para o intérprete afastar a tipicidade
material de condutas conformadas socialmente, mas isso deve ser realizado com cuidado,
respeitando a jurisprudência em vigor. Veja os julgados e a doutrina citada. A letra A merece

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análise de confronto com a doutrina. O  princípio da determinação, certeza ou taxatividade


(corolários da legalidade penal) “exige uma formulação precisa dos preceitos penais. [...] A
determinação exige que o tipo penal descreva todos os elementos objetivos e subjetivos. [...]
O princípio da taxatividade move-se em três direções: uma orientação geral à comunidade,
um mandato específico dirigido ao legislador e, por último, o enfoque dirigido ao julgador[...].
OLIVÉ, Juan Carlos Ferré; PAZ, Miguel Ángel Núñez; OLIVEIRA, William Terra de; BRITO, Alexis
Couto de. Direito Penal Brasileiro. Parte Geral. Princípios Fundamentais e Sistema. São Paulo:
RT, 2011, p.85-86.

Questão 22 (MPRS/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2017) Assinale a alternativa INCORRETA.


a) Para a teoria da conditio sine qua non, se a vítima morre quando poderia ter sido salva, caso
levada, logo após o fato, a atendimento médico, responde o agente da ação com animus ne-
candi por homicídio consumado. Mas, se levada a socorro em hospital, morresse por efeito de
substância tóxica ministrada por engano pela enfermeira, o agente responderia por tentativa
de homicídio e não por homicídio consumado.
b) Para a teoria da imputação objetiva, o ato de imputar significa atribuir a alguém a realiza-
ção de uma conduta criadora de um risco relevante e juridicamente proibido e a produção de
um resultado jurídico. Pressupõe um perigo criado pelo agente e não coberto por um risco
permitido dentro do alcance do tipo. O risco permitido conduz à atipicidade, e o risco proibido,
quando relevante, à tipicidade. A imputação objetiva constitui elemento normativo implícito do
tipo penal.
c) Os princípios da adequação social e da insignificância, sugeridos pela doutrina, servem de
instrumentos de interpretação restritiva do tipo penal, que afetam a tipicidade formal do fato.
d) Para a teoria do domínio do fato, autor é quem executa a ação típica, por conduta própria
ou pela utilização de outro como instrumento de realização; também quem, mesmo não exe-
cutando o fato típico em sentido estrito, participa da resolução criminosa, realizando parte
necessária da execução do plano global. A  teoria, partindo do conceito restritivo de autor,
segue um critério objetivo-subjetivo.

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e) Para a teoria finalista, ação é a conduta do homem, comissiva ou omissiva, dirigida a uma
finalidade e desenvolvida sob o domínio da vontade do agente, razão pela qual não reputa cri-
minosa a ação ocorrida em estado de inconsciência, como no caso de quem, durante o sono,
sonhando estar em legítima defesa, esbofeteia e causa lesão corporal na pessoa que dorme
ao seu lado. Para esta mesma teoria, a culpabilidade não é psicológica, nem psicológico-nor-
mativa.

Letra c.
Os princípios da adequação social e da insignificância afastam e afetam a tipicidade material.
A tipicidade formal permanece, apenas é restringida por esses princípios, de modo que a tipici-
dade formal não será suficiente para atingir todas as situações de subsunção do fato à norma.

Questão 23 (DELEGADO DE POLÍCIA-MS/2017) Com relação aos princípios aplicáveis ao Di-


reito Penal, em especial no que se refere ao princípio da adequação social, assinale a alterna-
tiva correta.
a) O Direito Penal deve tutelar bens jurídicos mais relevantes para a vida em sociedade, sem
levar em consideração valores exclusivamente morais ou ideológicos.
b) só se deve recorrer ao Direito Penal se outros ramos do direito não forem suficientes.
c) Deve-se analisar se houve uma mínima ofensividade ao bem jurídico tutelado, se houve
periculosidade social da ação e se há reprovabilidade relevante no comportamento do agente.
d) Não há crime se não há lesão ou perigo real de lesão a bem jurídico tutelado pelo Direito
Penal.
e) Apesar de uma conduta subsumir ao modelo legal, não será considerada típica se for his-
toricamente aceita pela sociedade.


Letra e.
O princípio da adequação social, desenvolvido no finalismo, permite interpretar com atipici-
dade material, condutas que possuem conformação social, condutas aceitas pela sociedade.

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Todavia, é necessário, conforme citado no texto que desenvolvemos, acompanhar as restri-


ções à sua aplicação em alguns julgados, embora reconheçam a sua existência, como ocor-
reu no julgamento do STJ sobre o art. 229 do Código Penal, citado anteriormente.

8. Princípio da Insignificância

Tem-se afirmado como origem remota do princípio da insignificância a máxima contida


no brocardo minima non curat pretor do direito romano (ACKEL FILHO, 1998). Essa perspecti-
va de nascimento não parece a melhor, uma vez que a premissa se relacionava ao direito pri-
vado, campo de maior desenvolvimento no direito romano, o qual estava distante do alicerce
da legalidade do Direito Penal, surgido no cenário das revoluções burguesas do século XVIII
(GOMES FILHO, 2009).
A origem próxima do princípio é verificada no século XX, no ambiente de severas dificulda-
des econômicas na Europa após a segunda guerra mundial, com o consequente aumento da
criminalidade de bagatela, expressão preferida dos alemães (Bagatelledelikte), que fomentou
o surgimento do princípio da insignificância vinculado inicialmente aos crimes patrimoniais
(GOMES FILHO, 2009).
Yuri Corrêa da Luz aponta que o princípio da insignificância faz parte de um movimento
funcionalista, alternativo à dogmática formal, que compreende a importância que teve o sis-
tema dogmático rígido para combater o arbítrio punitivo do Estado absolutista, mas que não
supre as exigências de uma sociedade complexa, como a atual, na qual o Direito Penal é visto
como a ultima ratio (LUZ, 2012).
A formulação teórica do referido princípio com a possibilidade de restringir o alcance da
tipicidade se deve a Claus Roxin no ano de 1964 (das Geringfügigkeitsprinzip). O ponto de
partida, utilizado pelo autor, consistiu no uso do princípio da insignificância para a definição
do injusto. Depois, com suporte na fragmentariedade do Direito Penal, o princípio da insigni-
ficância foi utilizado para afastar a tipicidade de outras condutas que ofendessem de forma
irrelevante o bem jurídico tutelado.

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Na obra sobre Política Criminal de 1970, após dizer que em 1964 apontou o princípio da
insignificância como um critério válido para definição geral do injusto, Claus Roxin sugeriu um
uso alargado do referido princípio:

Sob o ângulo do princípio nullum-crimen o oposto é o correto, a saber, uma interpretação restritiva,
que realize a função de Magna Carta e a ‘natureza fragmentária’ do Direito Penal, que mantenha ín-
tegro somente o campo de punibilidade indispensável para a proteção do bem jurídico. Para tanto,
são necessários princípios regulativos como a adequação social, introduzida por Welzel, que não é
elementar do tipo, mas certamente um auxílio de interpretação para restringir formulações literais
que também abranjam comportamentos suportáveis. Aqui pertence igualmente o chamado prin-
cípio da insignificância, que permite excluir logo de plano lesões de bagatela da maioria dos tipos:
maus-tratos são uma lesão grave ao bem-estar corporal, e não qualquer lesão; da mesma forma,
é libidinosa no sentido do Código Penal só uma ação sexual de alguma relevância; e só uma vio-
lenta lesão à pretensão de respeito social será criminalmente injuriosa. Por violência não se pode
entender uma agressão mínima, mas somente a de certa intensidade, assim como uma ameaça
deve ser sensível, para adentrar no marco da criminalidade. Se reorganizássemos o instrumentário
de nossa interpretação dos tipos a partir destes princípios, daríamos uma significativa contribui-
ção para diminuir a criminalidade em nossos dias” (ROXIN, 2000. p. 47-48).

A aceitação doutrinária e jurisprudencial do princípio da insignificância só foi possível em


razão da compreensão de que a tipicidade penal não é meramente formal. Dito de outro modo,
a tipicidade é material e somente dessa maneira é possível pensar na existência do princípio
da insignificância. A tipicidade penal é a soma de tipicidade formal (conformação do fato à
letra da lei) com a tipicidade material (valoração da ofensa ao bem jurídico no caso concreto).
O confronto axiológico (valorativo), no caso concreto, entre a conduta formalmente típica
e o grau da lesão jurídica é que permite inferir se há ou não necessidade de intervenção penal
e, portanto, se é possível aplicar o princípio da insignificância, com uma perspectiva valora-
tiva da tipicidade.
Esse princípio constitucional implícito, ligado à fragmentariedade do Direito Penal, deve
ser utilizado pelos operadores processuais no momento da promoção de arquivamento da
investigação, do não recebimento da ação penal e da absolvição, conquanto não esteja legis-
lado no modelo penal brasileiro.
Importa alertar que o fato de uma conduta constituir infração de menor potencial ofensivo
não significa necessário espaço para a aplicação do princípio da insignificância, pois a valo-

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ração dessas infrações (lesão leve, injúria, ameaça etc.) já foi feita pelo legislador e cabe ao
intérprete, neste aspecto, respeitar a reserva legal. A análise que deve ser feita é sobre o grau
e a intensidade da lesão produzida, não sobre o tipo formal abstrato.
Na doutrina brasileira, não existe precisão sobre os limites do princípio da insignificân-
cia. Parcela doutrinária já defende uma amplitude maior na sua interpretação. Rogério Greco
sustenta a sua incidência “nos delitos de furto, dano, peculato, lesões corporais, consumo de
drogas etc.” (GRECO, 2008, p.86).
Paulo Queiroz, ao  fazer uma correlação com o princípio da proporcionalidade, invoca o
princípio da insignificância “nos crimes violentos ou com grave ameaça à pessoa, consuma-
dos ou tentados, se não para absolver o réu, pelo menos para desclassificar a infração penal,
por exemplo, em crimes complexos, como o roubo (CP, art. 157)” (QUEIROZ, 2006, p.52). Com
isso, o referido autor sustenta a desclassificação, com suporte no princípio da insignificância,
do roubo de valor patrimonial ínfimo para o constrangimento ilegal. A jurisprudência do STF e
do STJ não aceita tal posição.
Atualmente, o princípio da insignificância é aplicado pelos Tribunais Superiores brasilei-
ros nas condutas formalmente típicas que causam danos de pouca importância, restringindo-
-se, como regra, aos crimes praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa. Esse ainda
é o entendimento majoritário.

8.1. Princípio da Insignificância na Jurisprudência do STF e do STJ

O exame do princípio da insignificância, na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,


demonstra que o Tribunal, ao longo dos últimos anos, desenvolveu uma série de pressupostos
objetivos: mínima ofensividade da conduta, reduzido grau de reprovabilidade do comporta-
mento, nenhuma periculosidade social, inexpressividade da lesão jurídica provocada; e subje-
tivos: análise de reincidência, maus antecedentes e habitualidade.

 Obs.: Os pressupostos objetivos do princípio da insignificância são muito cobrados em


provas de concursos. Tais pressupostos foram pioneiramente fixados em decisão do
ministro Celso de Mello, quando do exame do HC 84.412:

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BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Segunda Turma. Habeas Corpus 84.412-0/SP. Prin-
cípio da insignificância. Identificação dos vetores cuja presença legitima o reconheci-
mento desse postulado penal sem seu aspecto criminal. Consequente descaracteriza-
ção da tipicidade penal em seu aspecto material. Delito de furto. Condenação imposta a
jovem desempregado, com apenas 19 anos de idade. “Res furtiva” no valor de R$25,00
(equivalente a 9,6% do salário mínimo atualmente em vigor). Doutrina. Considerações
em torno da jurisprudência do STF. Pedido deferido. O princípio da insignificância qua-
lifica-se como fator de descaracterização material da tipicidade penal. Paciente: Bill
Cleiton Cristovão. Impetrante: Luiz Manoel Gome Junior. Coator: Superior Tribunal de
Justiça. Relator Ministro Celso de Mello Disponível em:<http://redir.stf.jus.br/pagina-
dorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=79595>. Acesso em: 1º jul. 2018.

Considerando o vasto uso do princípio da insignificância para afastar a tipicidade penal


na jurisprudência do STF e do STJ, para efeito de concurso público, serão apresentadas deci-
sões que aplicaram o princípio da insignificância: para afastar a tipicidade penal do crime de
descaminho; para afastar o uso da reincidência como critério balizador do regime inicial de
cumprimento de penas; para afastar a tipicidade em crimes funcionais contra a Administra-
ção Pública; em crimes ambientais e outros.
Nas decisões a seguir, o STJ, da mesma forma do STF, exige os requisitos objetivos na
análise do princípio d insignificância e afirma que o criminoso habitual, salvo hipótese excep-
cional, não faz jus à solução do caso penal com a incidência do referido princípio.

STJ: [...]
1. Consoante entendimento da Suprema Corte, são requisitos para aplicação do princí-
pio da insignificância: a mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade
social na ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressivi-
dade da lesão jurídica provocada.
2. No caso dos autos, a  instância ordinária concluiu que não houve reduzido grau de
reprovabilidade do comportamento e nem ausência de periculosidade social na ação,
pois se trata de agente reincidente, portador de maus antecedentes, inclusive com regis-
tros da prática de crimes contra o patrimônio.

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3. Esta Quinta Turma reconhece que o princípio da insignificância não tem aplicabilidade
em casos de reiteração da conduta delitiva, salvo excepcionalmente, quando as instân-
cias ordinárias entenderem ser tal medida recomendável, o que não ocorreu nos autos.
4. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no AREsp 1398264/MG, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, jul-
gado em 26/03/2019, DJe 05/04/2019).
STJ- AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DESCAMINHO. REITERAÇÃO DELI-
TIVA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. INSURGÊNCIA DESPRO-
VIDA.
1. Este Superior Tribunal de Justiça posiciona-se no sentido de que, para além dos
requisitos objetivos, o aspecto subjetivo, consubstanciado, sobretudo, na verificação da
reiteração criminosa do agente, caso reconhecida, impede a incidência do princípio da
insignificância, porquanto demonstra maior reprovabilidade de seu comportamento, cir-
cunstância suficiente e necessária a embasar a incidência do Direito Penal como forma
de coibir a reiteração delitiva.
2. É entendimento consolidado nesta Corte que, apesar de não configurar reincidência,
a  existência de outras ações penais, inquéritos policiais em curso ou procedimentos
administrativos fiscais é suficiente para caracterizar a habitualidade delitiva e, conse-
quentemente, afastar a incidência do princípio da insignificância.
3. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1592146/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
20/10/2016, DJe 26/10/2016)

O princípio da insignificância, no que diz respeito ao crime de descaminho, pode ser apli-
cado ate o valor de R$20.000,00. Esse é o entendimento atual do STF e do STJ. Pacificação
no STJ: princípio da insignificância até R$20.000,00 no crime de descaminho. Ou seja, o STJ,
agora, decide de maneira idêntica ao STF nessa matéria. REsp 1112748/TO; REsp 1688878/
SP; REsp 1709029/MG. TEMA 157: “ [...] incide o princípio da insignificância aos crimes tribu-
tários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n.10.522/2002, com as
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda”.

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Crítica quanto à incidência do princípio da insignificância no crime de descaminho: nes-


se caso, o Supremo Tribunal Federal (somente depois o STJ seguiu o mesmo entendimento)
passou a entender que, se a Fazenda Pública não executa débitos fiscais antes de ultrapassar
o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), não haverá crime de descaminho nas condutas de so-
negação de valor inferior a tal montante, uma vez que, se não há interesse fiscal, também não
haverá interesse penal, fazendo uso do princípio da insignificância para afastar a tipicidade
material em tais situações.
Desse modo, para o Tribunal, o fundamento que orienta a avaliação da tipicidade penal é
aquele estabelecido como parâmetro para a atuação do Estado em matéria de execução fiscal.
Dito de outro modo, é o valor do tributo devido que orienta a avaliação da tipicidade quando se
trata do crime de descaminho.
Tal correlação feita pela Corte apresenta um desafio insuperável, no qual o ônus argu-
mentativo não parece devidamente preenchido, porquanto existe uma regra infraconstitucional
para a execução fiscal do débito, em razão da inviabilidade econômica do processo, do seu
custo para a Fazenda Pública. Dessa forma, o argumento utilizado pelo Supremo, para aplicar
a insignificância e excluir a tipicidade penal no crime de descaminho, se ancora em uma regra
destinada à execução fiscal, que em momento algum considerou o aspecto penal.
O caso é inusitado porque revela que o Supremo fez uso analógico de um dispositivo in-
fraconstitucional, que regula a execução fiscal de débito, para excluir a tipicidade penal com a
ferramenta do princípio da insignificância, alcançando valores muito superiores ao uso comum
do referido princípio em outros crimes, como o de furto, a título de ilustração.
Diante disso, considerando que a Fazenda Pública não abre mão do valor, mas apenas
deixa, por ora, de ingressar com a ação de execução dos valores inferiores a vinte mil reais,
até que a taxa Selic ou outros débitos do devedor possibilitem a cobrança conjunta do valor
executável, a analogia foi equivocada.
Ao aplicar o princípio da insignificância em casos que envolvem o crime de descaminho
de valor não superior a vinte mil reais, o STF construiu uma solução não prevista em lei, que
extrapola os próprios limites apontados pelo próprio Tribunal no exame das demais situações

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de incidência do postulado. Com outras palavras, nenhum outro crime recebe a incidência do
princípio da insignificância com valores tão altos na jurisprudência do Supremo.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Primeira Turma. HC 1.271.173/PR. Penal. Habeas


Corpus originário. Descaminho. Valor do tributo inferior a vinte mil reais. Princípio da
insignificância. Concessão da ordem. Habeas corpus deferido para restabelecer a deci-
são de primeiro grau que não recebeu a denúncia. PACTE.: Rufino Pires. IMPTE.: Defenso-
ria Pública da União. Coator: Superior Tribunal de Justiça. Relator Ministro Marco Aurélio.
Ministro redator do acórdão Luís Roberto Barroso. Julgado em 21/03/2017. Disponíve-
lem:<http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=12816266>.
Acesso em: 6 jan. 2018.

Com relação entre o princípio da insignificância e a reincidência, merece destacar ainda


a relação entre insignificância e reincidência feita pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal
em 03 de agosto de 2015, quando do exame dos Habeas Corpus 123.108/MG, 123.734 e
123.533 com a fixação de tese, na qual se utilizou o princípio da insignificância e o princípio
da proporcionalidade. Trata-se de uma das principais decisões da Corte sobre o princípio da
insignificância.
O STF fixou tese no seguinte sentido: (i) a reincidência não impede, por si só, que o juiz da
causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto; e
(ii) na hipótese de o juiz da causa considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do
princípio da insignificância por furto, em situações em que tal enquadramento seja cogitável,
eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial
aberto, paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP no caso concreto, com base no
princípio da proporcionalidade.

STF PLENO- DECISÃO DE 2015- FURTO, REINCIDÊNCIA, QUALIFICADORA. Reincidência


paralisada para o efeito de agravamento do regime inicial.
[...]
Ementa: PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. CRIME DE FURTO SIMPLES. REINCI-
DÊNCIA. 1. A aplicação do princípio da insignificância envolve um juízo amplo (“conglo-

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bante”), que vai além da simples aferição do resultado material da conduta, abrangendo
também a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora não determi-
nantes, devem ser considerados. 2. Por maioria, foram também acolhidas as seguintes
teses: (i) a reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insigni-
ficância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto; e (ii) na hipótese de
o juiz da causa considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do princípio da
insignificância por furto, em situações em que tal enquadramento seja cogitável, even-
tual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial
aberto, paralisando-se a incidência do art.  33, §  2º, c, do CP no caso concreto, com
base no princípio da proporcionalidade. 3. No caso concreto, a maioria entendeu por não
aplicar o princípio da insignificância, reconhecendo, porém, a necessidade de abrandar
o regime inicial de cumprimento da pena. 4. Ordem concedida de ofício, para alterar de
semiaberto para aberto o regime inicial de cumprimento da pena imposta ao paciente.
(HC 123108, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 03/08/2015,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-018 DIVULG 29-01-2016 PUBLIC 01-02-2016)

A tese acolhida de que a reincidência por si só não afasta a insignificância, de que o prin-
cípio da insignificância, não reconhecido em razão da reincidência, conduz à aplicação do re-
gime aberto domiciliar, paralisando, desse modo, o efeito da reincidência previsto nos arts. 32
e 33, § 2º do Código Penal, tem sido utilizada pelo STF.
Crítica quanto à relação, feita pelo STF, entre o princípio da insignificância e a reincidência
(A PARALIZAÇÃO DO EFEITO DA RECINCIDÊNCIA PELO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA): os
argumentos consequencialistas, presentes nos votos dos Ministros Gilmar Mendes e Luís
Roberto Barroso, nos Habeas Corpus 123.108/MG, 123.734 e 123.533, já mencionados, com
relação ao estado do sistema carcerário brasileiro, para possibilitar a mitigação do regime
inicial com o uso do princípio da insignificância, revelam uma ausência de preocupação dog-
mática em construir soluções com respeito às categorias da estrutura analítica do delito. Se
a insignificância se esgota na atipicidade material, superado esse filtro, não se sustenta o seu
uso para tentar relativizar regras de regime inicial, bem explicadas e catalogadas pelo Legis-
lador, sob pena de desconstruir o sistema penal, de o próprio STF está reescrevendo o Código
Penal em uma matéria de legalidade e de reserva legal.

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Ademais, o argumento do Ministro Barroso, ao fazer uso do princípio da proporcionalidade


para modificar os efeitos da reincidência no regime inicial e na substituição de pena privativa
por restritivas, representa um grande risco à segurança jurídica. Ora, o próprio STF já reco-
nheceu os efeitos da reincidência como constitucionais por repercussão geral. Agora, quis o
relator desconstruir esse entendimento e, além disso, esticar o uso do princípio da proporcio-
nalidade para fazer controle de constitucionalidade em dispositivos anteriores e posteriores à
CRFB de 1988, tudo isso no exame dos referidos Habeas Corpus.
Por outro lado, a  preocupação político-criminal com a consequência da pena e o atual
estado do sistema carcerário brasileiro, constante nos votos dos Ministros Barroso e Gilmar
Mendes, de modo a construir uma solução funcional, sem prejuízo de afastar a dogmática do
Código Penal, em matéria de aplicação de pena, revela uma aproximação com as ideias do
funcionalismo teleológico, desenvolvido no primeiro capítulo da presente pesquisa.
Com relação ao princípio da insignificância e o porte de drogas para consumo pessoal,
a jurisprudência do STF e do STJ não o aplicam. Contudo, há decisão casuística do STF do
ano de 2012 que o aplicou:

STF INFO 655
“Porte de entorpecente e princípio da insignificância – Inq – 2131
Ao aplicar o princípio da insignificância, a 1ª Turma concedeu habeas corpus para trancar
procedimento penal instaurado contra o réu e invalidar todos os atos processuais, desde
a denúncia até a condenação, por ausência de tipicidade material da conduta imputada.
No caso, o paciente fora condenado, com fulcro no art. 28, caput, da Lei n. 11.343/2006,
à pena de 3 meses e 15 dias de prestação de serviços à comunidade por portar 0,6 g
de maconha. Destacou-se que a incidência do postulado da insignificância, de modo a
tornar a conduta atípica, exigiria o preenchimento concomitante dos seguintes requi-
sitos: mínima ofensividade da conduta do agente; nenhuma periculosidade social da
ação; reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e inexpressividade da lesão
jurídica provocada. Consignou-se que o sistema jurídico exigiria considerar a relevan-
tíssima circunstância de que a privação da liberdade e a restrição de direitos do indiví-
duo somente se justificariam quando estritamente necessárias à própria proteção das
pessoas, da sociedade e de outros bens jurídicos que lhes fossem essenciais, notada-

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mente naqueles casos em que os valores penalmente tutelados se expusessem a dano,


efetivo ou potencial, impregnado de significativa lesividade. Deste modo, o direito penal
não deveria se ocupar de condutas que produzissem resultados cujo desvalor — por não
importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes — não representaria, por isso
mesmo, expressivo prejuízo, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade
da própria ordem social”. HC 110475/SC, rel. Min. Dias Toffoli, 14.2.2012. (HC-110475.

Sobre o princípio da insignificância e os crimes funcionais contra a administração, de ma-


neira geral, a orientação, tanto do STF quanto do STJ, sempre foi no sentido de não aplicação
do princípio da insignificância, principalmente nos crimes funcionais, que são aqueles cometi-
dos por funcionários públicos contra a administração.

O fundamento utilizado indica que a moralidade administrativa, bem jurídico tutelado nos
crimes contra a administração pública, não pode ser valorada de forma bagatelar, ou seja, não
existe grau de ofensa ínfimo. Em uma conduta de corrupção que envolva cem mil reais, assim
como em uma que implique cinquenta reais, não há insignificância, uma vez que a moralidade
administrativa é atingida em ambas as situações.

Essa ainda é a orientação da jurisprudência do STJ:

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Segunda Turma. AgRG no AREsp 1.075.872/SC.


Penal e Processual Penal. Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial. [...]. Delito
funcional típico. [...]. Princípio da insignificância. Inaplicabilidade. [...]. IV – É pacífica a
jurisprudência do princípio da insignificância ao crime de peculato e aos demais delitos
contra Administração Pública, pois o bem jurídico tutelado pelo tipo penal incriminador
é a moralidade administrativa, insuscetível de valoração econômica” (RHC n. 59.801/SP,
Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe de 28/6/2016). V – Entender de modo contrá-
rio ao estabelecido pelo Tribunal a quo – no sentido de reconhecer a fração máxima do
arrependimento posterior-, como pretende o recorrente, demandaria, necessariamente,
o revolvimento do suporte fático-probatório delineado nos autos, o que é inviável nesta
instância. Agravo regimental desprovido. Agravante: Luciano José de Miranda. Agra-

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vado: Ministério Público do Estado de Santa Catarina. Relator Ministro Felix Fischer
Mendes. Julgado em 15/03/2018.

Todavia, o  Supremo Tribunal Federal, em decisões da Segunda Turma, tem provocado


confusão e insegurança jurídica sobre o tema, ao  afastar a tipicidade com fundamento no
princípio da insignificância, em um primeiro momento, em um caso que envolvia um pecula-
to-furto, relativo ao uso de bem público no interesse particular de um prefeito municipal, e,
depois, em outro caso de peculato-furto.

Esse entendimento do STF anunciado nos INFORMATIVOS 624 e 625 foram cobrados em pro-
va da AGU/CESPE-CEBRASPE.

No primeiro fato referido no parágrafo anterior, a Segunda Turma do STF, no HC 107.370/


SP, aplicou o princípio da insignificância para afastar a tipicidade da conduta de um funcionário
público que, em razão da função, subtraiu luminárias e fios de cobre de propriedade da admi-
nistração, avaliados em R$130,00 (centro e trinta reais). Na oportunidade, o relator, Ministro
Gilmar Mendes, argumentou que o princípio da insignificância possui conexão com os postula-
dos da fragmentariedade e da intervenção mínima, de modo que não haveria relevância típica
no caso em apreço, diante das circunstâncias de singeleza, miudeza e não habitualidade que
circulavam o delito.
No segundo caso citado, no HC 104.286, julgado na Segunda Turma, no ano de 2011, o re-
lator, Ministro Gilmar Mendes, aplicou o princípio da insignificância para afastar a tipicidade
material de um fato correspondente ao uso de máquinas e caminhões, de propriedade da pre-
feitura de certo Município, na propriedade particular do respectivo prefeito da cidade. O fato,
sob o aspecto formal, se adequa ao art. 1º, inciso II, do Decreto Lei n. 201, de 27 de fevereiro
de 1967.
O relator argumentou no voto que era praxe da Prefeitura realizar o empréstimo de máqui-
nas aos munícipes, que não pagavam pelo serviço, apenas compravam combustível e paga-

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vam os motoristas, sendo que o prefeito, no caso concreto, recolheu R$70,00 (setenta reais)
aos cofres do Município, com base na legislação do Município vizinho. Disse que apenas
aspectos de ordem objetiva deveriam ser utilizados no exame do princípio da insignificância,
de modo que a condição de prefeito do requerente não poderia sopesar contra a incidência
da bagatela.
Em suma, pelo exame dos julgados, STF tem flexibilizado o uso do princípio da insigni-
ficância em crime contra a administração pública, mas o STJ ainda resiste com argumentos
mais convincentes sobre a impossibilidade de valorar como bagatelar a ofensa à moralidade
administrativa.
Um ponto crítico desse modelo atual de casos concretos semelhantes, com soluções di-
ferentes, corresponde à insegurança da orientação de temas do Direito Penal para as demais
instâncias do Poder Judiciário. Observa-se ainda que os argumentos utilizados apresentam
contradição nos votos do mesmo relator, uma vez que, nos dois primeiros casos, houve enten-
dimento diverso sobre a análise ou não de pressuposto subjetivo no exame da insignificância.
No primeiro caso, o relator mencionou a ausência de habitualidade como fator a ser sopesado,
enquanto, no segundo voto, afirmou que apenas fatores objetivos deveriam ser considerados
no exame do princípio da insignificância.
A forma como o STF tem aplicado o princípio da insignificância denota, de maneira casu-
ística, uma compreensão axiológica da estrutura do Direito Penal, na perspectiva de princí-
pios constitucionais penais como guia da política criminal do Estado, com uma proximidade
da visão funcionalista racional-teleológica do sistema penal. Todavia, ressalta-se que não
se verifica uma orientação com suporte no estudo de casos, nem a existência de uma linha
argumentativa vinculada aos limites estabelecidos pela própria Corte, quando da constituição
dos pressupostos objetivos e subjetivos do princípio da insignificância.
Sobre o princípio da insignificância e os crimes contra a fé pública, ainda prevalece a não
incidência do princípio, uma vez que não há como mesurar o grau de ofensa ao bem jurídico
tutelado nos referidos delitos, qual seja, a confiança depositada na moeda e nos documentos
que o Estado confere valor para a vida em sociedade. Nesse sentido, têm decidido o STJ e
o STF.

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STJ- PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALSIFICA-


ÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO. DOLO. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N.7
DO STJ. INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE AOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A análise sobre a ausência de dolo na conduta
imputada ao agravante implica o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos –
vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ 2. O princípio da insig-
nificância não é aplicado aos delitos cujo bem tutelado seja a fé pública. Precedente.
3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 1131701/SP, Rel. Ministro ROGERIO
SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 02/05/2018).
STF- Habeas corpus. 2. Crime de falsificação de documento público (art. 311 do CPM).
Atestado médico apresentado para justificar ausência ao serviço. 3. Atipicidade da con-
duta. Falsificação grosseira. Documento que iludiu a pessoa responsável pelo setor de
recebimento de dispensas médicas. 4. Princípio da insignificância. Não aplicação aos
crimes contra a fé pública. Precedentes do STF. 5. Ordem denegada. (HC 117638, Rela-
tor(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 11/03/2014, PROCESSO ELE-
TRÔNICO DJe-062 DIVULG 27-03-2014 PUBLIC 28-03-2014).
STF- Ementa: Habeas Corpus substitutivo de agravo regimental cabível na origem. Crime
de moeda falsa. Inaplicabilidade do princípio da insignificância penal. 1. A jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal entende que “a impetração de habeas corpus como subs-
titutivo de agravo regimental inclusive noutra Corte representa medida teratológica” (HC
115.659, Rel. Min. Luiz Fux). Precedentes. 2. Ambas as Turmas do Supremo Tribunal
Federal já consolidaram o entendimento de que é “inaplicável o princípio da insignificân-
cia aos crimes de moeda falsa, em que objeto de tutela da norma a fé pública e a credi-
bilidade do sistema financeiro, não sendo determinante para a tipicidade o valor posto
em circulação” (HC 105.638, Rel. Min. Rosa Weber). Precedentes. 3. O pedido alternativo
de desclassificação da conduta imputada ao paciente, além de implicar um amplo revol-
vimento do conjunto fático-probatório dos autos, não foi submetido às instâncias judi-
cantes competentes. Logo, a imediata apreciação dessa matéria, pelo Supremo Tribunal
Federal, acarretaria uma indevida supressão de instâncias. 4. Habeas Corpus extinto
sem resolução de mérito por inadequação da via processual. (HC 108193, Relator(a):
Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 19/08/2014, PROCESSO ELETRÔ-
NICO DJe-186 DIVULG 24-09-2014 PUBLIC 25-09-2014).

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Quanto ao casuísmo, percebe-se a existência de muitas decisões do STF e do STJ, com o


uso do princípio da insignificância e, em alguns momentos, com decisões contraditórias, ou
seja, ora defere, ora indefere o postulado.
O STF indeferiu o princípio da insignificância no porte de munição, conforme decisões a
seguir.

STF- A Primeira Turma denegou a ordem em habeas corpus, no qual se pretendia o


reconhecimento da atipicidade material da conduta do paciente, caracterizada pelo
porte ilegal de munição de uso permitido (art. 14, caput, da Lei n. 10.863/2003). No caso,
o  paciente foi condenado à pena de dois anos e dois meses de reclusão, em regime
aberto, e ao pagamento de 11 dias-multa, em razão do porte de projétil de arma de fogo.
A pena privativa foi substituída por duas restritivas de direito. A defesa alegava ser irrele-
vante a conduta praticada pelo paciente, bem como estarem presentes todos os requisi-
tos exigidos pela Corte para a incidência do princípio da bagatela. Destacava a existên-
cia de precedentes deste Tribunal, nos quais assentada a aplicabilidade desse princípio
a delitos de perigo abstrato (porte de drogas para consumo, desenvolvimento de ati-
vidade clandestina de telecomunicações, pesca irregular e moeda falsa, por exemplo).
Apontava, ademais, a desproporcionalidade entre a conduta do paciente e a reprimenda
imposta. Para o Colegiado, porém, a configuração da conduta tipificada no art. 14, caput,
da Lei n. 10.826/2003 (“Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob
guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autoriza-
ção e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:”) não depende do tipo ou
da quantidade da munição portada pelo agente. HC 131771/RJ, rel. Min. Marco Aurélio,
18.10.2016. (HC-131771).
STF [...]. 1. Os tipos penais de posse e de porte ilegal de arma de fogo, acessórios e ou
munição, de uso permitido, são formais e, a fortiori, de mera conduta e de perigo abstrato,
razão pela qual as características do seu objeto material são irrelevantes, porquanto
independe do quantum para ofender a segurança e incolumidade públicas, bem como
a paz social, bens jurídicos tutelados, sendo ainda despiciendo perquirir-se acerca da
potencialidade lesiva das armas e munições eventualmente apreendidas, de modo que,
não cabe cogitar quanto à aplicação do princípio da insignificância para fins de desca-

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racterização da lesividade material da conduta. Precedentes: HC 138.157 AgR, Primeira


Turma, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 19/06/2017; RHC 128.281, Segunda Turma,
Rel. Min. Teori Zavascki, DJe de 26/08/2015; HC 120.214-AgR, Segunda Turma, Rel. Min.
Celso de Mello, DJe de 22/09/2015; RHC 117.566, Primeira Turma, minha relatoria, DJe
de 16/10/2013; HC 110.792, Rel. minha relatoria, DJe de 07/10/2013. 2. O potencial ofen-
sivo ou a quantidade de arma, munição ou acessório não são passíveis de aferição na
via estreita do habeas corpus, por demandar minucioso exame fático e probatório ine-
rente a meio processual diverso. Precedente: HC 148.269 AgR, Primeira Turma, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, DJe 06/03/2018. 3. Não se desconhece que há precedentes em
sentido contrário oriundos do STJ. Ocorre que o simples fato de haver dissenso jurispru-
dencial entre os Tribunais Superiores quanto ao ponto evidencia que a decisão atacada,
tendo aderido a uma das duas correntes, não é teratológica, porquanto concernente a
entendimento de reconhecido respaldo jurídico. 4. In casu, o recorrente foi condenado
à pena de 3 (três) anos de reclusão, bem como ao pagamento de 10 (dez) dias-multa,
tendo sido a pena privativa de liberdade substituída por restritivas de direitos, em razão
da prática do crime tipificado no artigo 14 da Lei n. 10.826/03. 5. O habeas corpus não
pode ser manejado como sucedâneo de recurso ou revisão criminal. 6. Agravo regimen-
tal desprovido. (RHC 158087 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado
em 28/09/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-219 DIVULG 11-10-2018 PUBLIC 15-10-
2018).

Em sentido contrário, o STF deferiu o princípio da insignificância no porte de munição,


conforme decisão monocrática do ministro Celso de Mello, que, de ofício, no Habeas Cor-
pus 149450, para absolver o acusado da prática de crime de posse ilegal de munição de uso
restrito (artigo 16 do Estatuto do Desarmamento). O relator aplicou ao caso o princípio da in-
significância por considerar que a posse de uma única munição, de festim, desacompanhada
de arma de fogo, não tem potencialidade lesiva. Do mesmo modo, o STF, no HC 154390, com
alicerce no princípio da insignificância, reconheceu a atipicidade da conduta praticado por um
agente, que fora condenado a 3 anos e 6 meses de reclusão, por ter sido flagrado na posse de
uma munição de fuzil calibre 762.

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STF- EMENTA Habeas corpus. Penal. Posse ilegal de munição de uso restrito. Artigo
16 da Lei n. 10.826/03. Condenação transitada em julgado. Impetração utilizada como
sucedâneo de revisão criminal. Possibilidade em hipóteses excepcionais, quando líqui-
dos e incontroversos os fatos postos à apreciação da Corte. Precedente da Segunda
Turma. Cognoscibilidade do habeas corpus. Pretendido reconhecimento do princípio da
insignificância. Possibilidade, à  luz do caso concreto. Paciente que guardava em sua
residência uma única munição de fuzil (calibre 762). Ação que não tem o condão de
gerar perigo para a sociedade, de modo a contundir o bem jurídico tutelado pela norma
penal incriminadora. Precedentes. Atipicidade material da conduta reconhecida. Ordem
concedida. 1. A  decisão que se pretende desconstituir transitou em julgado, sendo o
writ, portanto, manejado como sucedâneo de revisão criminal (v.g. RHC n. 110.513/
RJ, Segunda Turma, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJe de 18/6/12). 2. Todavia,
a  Segunda Turma (RHC n. 146.327/RS, Relator o Ministro Gilmar Mendes, julgado em
27/2/18) assentou, expressamente, a cognoscibilidade de habeas corpus manejado em
face de decisão já transitada em julgado em hipóteses excepcionais, desde que líquidos
e incontroversos os fatos postos à apreciação do Supremo Tribunal Federal. 3. O conhe-
cimento da impetração bem se amolda ao julgado paradigma. 4. O paciente foi conde-
nado pelo delito de posse de munição de uso restrito (art. 16 da Lei n. 10.826/03), sendo
apenado em 3 (três) anos e 6 (seis) meses de reclusão em regime fechado e ao paga-
mento de 11 dias-multa. 5. Na linha de precedentes, o porte ilegal de arma ou munições
é crime de perigo abstrato, cuja consumação independente de demonstração de sua
potencialidade lesiva. 6. A hipótese retratada autoriza a mitigação do referido entendi-
mento, uma vez que a conduta do paciente de manter em sua posse uma única muni-
ção de fuzil (calibre 762), recebida, segundo a sentença, de amigos que trabalharam no
Exército, não tem o condão de gerar perigo para a sociedade, de modo a contundir o bem
jurídico tutelado pela norma penal incriminadora. 7. É certo que a sentença condenató-
ria reconheceu a reincidência do paciente. Porém, bem apontou a Procuradoria-Geral da
República que a questão “está pendente de análise em sede de revisão criminal, porque,
ao  que parece, a  condenação que gerou a reincidência refere-se ao homônimo ‘José
Luiz da Silva Gonçalves’.” 8. Não há, portanto, óbice à aplicação do princípio da insig-
nificância na espécie, sendo de rigor seu reconhecimento. 9. Ordem concedida para,
em razão do princípio da insignificância, reconhecer a atipicidade material da conduta

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imputada ao paciente. (HC 154390, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, jul-
gado em 17/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-087 DIVULG 04-05-2018 PUBLIC
07-05-2018).

O STJ (5ª e 6ª Turmas) tem aplicado o princípio da insignificância em casos de posse


ilegal de pequena quantidade munição, flexibilizando portando a tutela preventiva disposta na
Lei n. 10.826/2003, conforme se constata na decisão a seguir:

STJ – PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. POSSE DE MUNIÇÕES.


ART. 12 DA LEI N. 10.826/2003. AUSÊNCIA DE ARMA. IRRELEVÂNCIA. CRIME DE PERIGO
ABSTRATO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. POSSIBILIDADE. PEQUENA
QUANTIDADE DE MUNIÇÃO. AUSÊNCIA DE ARTEFATO. PRECEDENTES DO STF E DO STJ.
POSSE DE PEQUENA QUANTIDADE DE MUNIÇÃO DESACOMPANHADA DE ARMA. INEX-
PRESSIVIDADE DA LESÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A  jurisprudência
desta Corte Superior de Justiça firmou-se no sentido de que o crime de posse ou porte
irregular de munição de uso permitido, independentemente da quantidade, e ainda que
desacompanhada da respectiva arma de fogo, é delito de perigo abstrato, sendo punido
antes mesmo que represente qualquer lesão ou perigo concreto de lesão, não havendo
que se falar em atipicidade material da conduta (AgRg no RHC n. 86.862/SP, Relator Minis-
tro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 20/2/2018, DJe 28/2/2018). 2. Contudo,
o Supremo Tribunal Federal, analisando as circunstâncias do caso concreto, reconheceu
ser possível aplicar o princípio da insignificância na hipótese de apreensão de quanti-
dade pequena de munição de uso permitido desacompanhada de arma de fogo, tendo
concluído pela total inexistência de perigo à incolumidade pública (RHC n. 143.449/MS,
Rel. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, DJe 9/10/2017; HC n. 154390,
Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 7/5/2018). Nesse
mesmo sentido, ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior
passaram a reconhecer a atipicidade da conduta perpetrada por agente, pela incidência
do princípio da insignificância, diante da ausência de afetação do bem jurídico tutelado
pela norma penal incriminadora. 3. No presente caso, foram apreendidas 1 munição tipo
cartucho, já deflagrado e vazio, marca CBC, modelo auto, calibre 380, bem como 2 muni-
ções tipo cartuchos intactos, marca CBC, modelo s.p.l., calibre.38, desacompanhadas

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de dispositivo que possibilitasse o disparo do projétil. Assim, reconhecida a inocorrên-


cia de ofensa à incolumidade pública, deve ser afastada a tipicidade material do fato,
conquanto seja a conduta formalmente típica.4. Agravo regimental não provido. (AgRg
no REsp 1839290/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
julgado em 17/12/2019, DJe 19/12/2019).

Sobre o princípio da insignificância em crime ambiental, a jurisprudência do STF e do STF,


desde que preenchidos os requisitos, tem permitido a sua aplicação, inclusive na modalidade
de delito cumulativo. Exemplo: pequena pesca em período de defeso.

Tal tema foi cobrado em prova do MPMS, para promotor de justiça.

STF- EMENTA: AÇÃO PENAL. Crime ambiental. Pescador flagrado com doze camarões e
rede de pesca, em desacordo com a Portaria 84/02, do IBAMA. Art. 34, parágrafo único,
II, da Lei n. 9.605/98. Rei furtivae de valor insignificante. Periculosidade não conside-
rável do agente. Crime de bagatela. Caracterização. Aplicação do princípio da insigni-
ficância. Atipicidade reconhecida. Absolvição decretada. HC concedido para esse fim.
Voto vencido. Verificada a objetiva insignificância jurídica do ato tido por delituoso, à luz
das suas circunstâncias, deve o réu, em recurso ou habeas corpus, ser absolvido por
atipicidade do comportamento. (HC 112563, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 21/08/2012,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-241 DIVULG 07-12-2012 PUBLIC 10-12-2012).
STJ- [...] 1. A aplicação do princípio da insignificância, causa excludente de tipicidade
material, admitida pela doutrina e pela jurisprudência em observância aos postulados da
fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, demanda o exame do pre-
enchimento de certos requisitos objetivos e subjetivos exigidos para o seu reconheci-
mento, traduzidos no reduzido valor do bem tutelado e na favorabilidade das circunstân-
cias em que foi cometido o fato criminoso e de suas consequências jurídicas e sociais.
2. Esta Corte admite a aplicação do referido postulado aos crimes ambientais, desde que
a lesão seja irrelevante, a ponto de não afetar de maneira expressiva o equilíbrio ecoló-
gico, hipótese caracterizada na espécie.

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3. Na hipótese, em que o agravante foi flagrado mantendo em cativeiro 4 pássaros da


fauna silvestre, das espécimes tico-tico, papa-banana e coleiro, estão presentes os
vetores de conduta minimamente ofensiva, ausência de periculosidade do agente, redu-
zido grau de reprovabilidade do comportamento e lesão jurídica inexpressiva, os quais
autorizam a aplicação do pleiteado princípio da insignificância, haja vista o vasto lastro
probatório constituído nas instâncias ordinárias.
4. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no HC 519.696/SC, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
21/11/2019, DJe 28/11/2019).

8.2. Princípio da Insignificância e Princípio da Irrelevância Penal


do Fato

O princípio da insignificância, chamado de bagatela própria, não se confunde com o prin-


cípio da irrelevância penal do fato, chamado de bagatela imprópria. O primeiro possibilita o
arquivamento ou o não recebimento da ação ou a absolvição penal nas imputações de fatos
bagatelares próprios, ou seja, os que não possuem tipicidade material, após desvalor da ação
ou do desvalor do resultado, em razão da ofensa mínima ao bem jurídico tutelado.
Enquanto isso, o princípio da irrelevância penal do fato não afasta a tipicidade material,
uma vez que o fato será típico (formal e materialmente), ilícito e culpável. Aqui, haverá a pos-
sibilidade de não se aplicar a pena ao final do processo, diante de dano não muito relevante ao
bem jurídico que foi reparado pelo agente e ante a inexistência de antecedentes penais (GO-
MES; GARCIA-PABLOS DE MOLINA, 2007). Há, portanto, uma valoração judicial na sentença
e conclusão pela desnecessidade de aplicação da pena.
O princípio da irrelevância penal do fato ainda não possui grande espaço na doutrina e
jurisprudência do Brasil, uma vez que envolve critérios mais axiológicos e menos ontológicos,
exigindo uma interpretação teleológica do Direito Penal com o rompimento de dogmas posi-
tivistas do causalismo clássico e de mitigação de conceitos finalistas.

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Questão 24 (FCC/TJ-AL/JUIZ/2019) Segundo entendimento sumulado do Superior Tribunal


de Justiça, INAPLICÁVEL o princípio da insignificância
a) aos crimes ambientais e aos crimes patrimoniais sem violência ou grave ameaça à pessoa,
se reincidente o acusado.
b) aos crimes praticados contra a criança e o adolescente e aos crimes contra a ordem tributária.
c) às contravenções penais praticadas contra a mulher no âmbito das relações domésticas e
aos crimes contra a Administração pública.
d) aos crimes de licitações e às infrações de menor potencial ofensivo, já que regidas por lei
especial.
e) aos crimes de violação de direito autoral e aos crimes previstos no estatuto do desarma-
mento.

Letra c.
Conforme Súmula 589 do STJ:

É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais pratica-


dos contra a mulher no âmbito das relações domésticas. (Súmula 589, TERCEIRA SEÇÃO,
julgado em 13/09/2017, DJe 18/09/2017).

A súmula, portanto, não faz ressalva quanto aos crimes contra a administração pública.

Questão 25 (MPMS/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2018) Assinale a alternativa correta.


a) Nos delitos de acumulação, não é possível a aplicação da teoria da bagatela em cada con-
duta individualmente considerada, mas apenas como resultado da análise da somatória de
condutas.

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b) O controle jurisdicional abstrato da norma incriminadora não pode ser feito com funda-
mento no princípio da lesividade.
c) Somente nas hipóteses de leis excepcionais, conforme entendimento do Supremo Tribunal
Federal, as medidas provisórias podem regular matéria penal.
d) O princípio da fragmentariedade relativiza o concurso entre causas de aumento e diminui-
ção de penas.
e) O princípio da legalidade admite ser afastado ante a incidência do princípio da proteção
deficiente.

Letra a.
Não nega a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em crimes de acumula-
ção (ex.: contra o meio ambiente), mas exige a análise de todas as condutas do agente (ex.:
várias pescas em período de defeso).

Questão 26 (FCC/DEFENSOR PÚBLICO-RS/2018) O afastamento da tipicidade, quando ve-


rificada lesão penalmente irrelevante decorrente de conduta formalmente incriminada, dá-
-se por:
a) princípio da adequação social.
b) princípio da intervenção mínima.
c) princípio da humanidade das sanções.
d) princípio da insignificância.
e) ineficácia absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto (crime impossível).

Letra d.
A letra corresponde ao que foi visto no texto que apresentamos sobre o princípio da insignifi-
cância que afasta a tipicidade material.

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Questão 27 (CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA-MT/2017) De acordo com o entendimento do


STF, a aplicação do princípio da insignificância pressupõe a constatação de certos vetores
para se caracterizar a atipicidade material do delito. Tais vetores incluem o(a)
a) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento.
b) desvalor relevante da conduta e do resultado.
c) mínima periculosidade social da ação.
d) relevante ofensividade da conduta do agente.
e) expressiva lesão jurídica provocada.

Letra a.
A alternativa foi dada como correta pela banca, mas usou a expressão “reduzidíssimo”, en-
quanto a jurisprudência usa o termo “reduzido”. Conforme afirma o STJ:

“[...] 1. Consoante entendimento da Suprema Corte, são requisitos para aplicação do


princípio da insignificância: a mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculo-
sidade social na ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inex-
pressividade da lesão jurídica provocada.[...] (AgRg no AREsp 1398264/MG, Rel. Ministro
JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 26/03/2019, DJe 05/04/2019).

Questão 28 (DEFENSOR PÚBLICO-MT/2016) O princípio da insignificância ou da bagatela


exclui a
a) punibilidade.
b) executividade.
c) tipicidade material.
d) ilicitude formal.
e) culpabilidade.


Letra c.
Conforme visto no texto que desenvolvemos: o princípio da insignificância afasta a tipicidade
material.

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Questão 29 (MPMS/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2013) Relativamente ao princípio da insignifi-


cância, assinale a alternativa correta:
a) O princípio da insignificância pode ser aplicado no plano abstrato.
b) Possuindo o réu antecedente criminal não é possível a aplicação do princípio da insignifi-
cância.
c) O  princípio da insignificância atua como instrumento de interpretação restritiva do tipo
penal.
d) Pode se dizer que o fundamento teórico do princípio da insignificância reside no caráter
retributivo.
e) Segundo o Superior Tribunal de Justiça, em caso de apreensão de quantidade ínfima de
cocaína é possível o trancamento da ação penal, com base no princípio da insignificância.

Letra c.
Essa assertiva já foi cobrada em outros concursos.

Questão 30 (ELABORADA PELO PROFESSOR) Com relação ao princípio da insignificância,


é certo afirmar:
a) foi adotado expressamente no Código Penal brasileiro, reformado em 1984;
b) foi adotado expressamente na Constituição Federal de 1988;
c) só subsiste em modelos penais que adotam a tipicidade material;
d) só é aplicado em crimes patrimoniais;

Letra C.
Somente modelos penais de tipicidade material permitem o juízo de valor do grau de ofensa
ao bem jurídico que possibilita, portanto, o exame do princípio da insignificância.

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Questão 31 (ELABORADA PELO PROFESSOR) Com relação ao princípio da insignificância


no crime de descaminho, é certo afirmar:
a) não se aplica o referido princípio;
b) aplica-se o referido princípio quando o valor sonegado não ultrapassar R$10.000,00 (dez mil
reais);
c) aplica-se o referido princípio quando o valor sonegado não ultrapassar R$20.000,00 (vinte
mil reais), segundo a posição do STJ e do STF;
d) aplica-se o referido princípio quando o valor sonegado não ultrapassar R$ 25.000,00 (vinte
e cinco mil reais).

Letra c.
Corresponde à jurisprudência atual do STF e do STJ, ou seja, valor de 20 mil reais para aplicar
a insignificância. No passado, esse valor já foi de 10 mil reais. Fizemos crítica no texto – que
trata do princípio da insignificância – à interpretação do STJ e do STJ.

Questão 32 (ELABORADA PELO PROFESSOR) Segundo a posição atual do Pleno do STF,


o princípio da insignificância
a) é sempre aplicado ao criminoso reincidente;
b) jamais deve ser aplicado ao criminoso reincidente;
c) é aplicado no caso de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa;
d) de acordo com o exame judicial, “caso a caso”, pode ser aplicado ao criminoso reincidente;
e) dispensa a observância de pressupostos objetivos.

Letra d.
Está errada porque a jurisprudência exige o exame dos pressupostos objetivos para a inci-
dência do princípio da insignificância.

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Questão 33 (MPMS/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2015) Analise as proposições a seguir:


I – A responsabilidade penal objetiva é repudiada pelo sistema penal brasileiro, não haven-
do atualmente nenhum exemplo na legislação penal pátria desse tipo de responsabili-
dade.
II – O sistema penal brasileiro somente admite a responsabilidade pessoal.
III – O princípio da alternatividade é aplicável aos crimes plurinucleares.
IV – Segundo o Supremo Tribunal Federal, a aplicação do princípio da insignificância atinge
a tipicidade material em razão de a lesão jurídica ser inexpressiva, sendo irrelevante a
inexistência de reiteração.

Assinale a alternativa correta:


a) Somente as proposições I e II estão corretas.
b) Somente as proposições I, III e IV estão corretas.
c) Somente a proposição IV está correta.
d) Somente as proposições I, II e III estão corretas.
e) Somente as proposições II e III estão corretas.


Letra e.
O item IV que trata do princípio da insignificância está errado porque menciona que a habitu-
alidade (reiteração) não é relevante para o exame do princípio da insignificância, mas é sim
relevante, conforme visto no texto que abordamos sobre o referido princípio. É uma condição
subjetiva considerada na jurisprudência do STF e do STF.

Questão 34 (TRF4/JUIZ/2016) Dadas as assertivas, assinale a alternativa correta.


Com base na orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal
Federal:
I – Das várias teorias que buscam justificar o dolo eventual, sobressai a teoria do con-
sentimento (ou da assunção), consoante a qual o dolo exige que o agente consinta em
causar o resultado, além de considerá-lo como possível. A questão central diz respeito

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à distinção entre dolo eventual e culpa consciente, que, como se sabe, apresentam
aspecto comum: a previsão do resultado ilícito.
II – O direito penal brasileiro encampou a teoria da ficção jurídica para justificar a natureza
do crime continuado (art. 71 do Código Penal). Por força de uma ficção criada por lei,
justificada em virtude de razões de política criminal, a norma legal permite a atenuação
da pena criminal, ao considerar que as várias ações praticadas pelo sujeito ativo são
reunidas e consideradas fictamente como delito único.
III – Embora, em rigor, o indulto só devesse ser dado – como causa, que é, de extinção de pu-
nibilidade – depois do trânsito em julgado da sentença condenatória, a jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal inclina-se pelo cabimento da concessão do indulto antes de a
sentença condenatória transitar em julgado, desde que não mais caiba recurso de apela-
ção.
IV – A insignificância, enquanto princípio, se revela, conforme a visão de Roxin, importante
instrumento que objetiva, ao fim e ao cabo, restringir a aplicação literal do tipo formal,
exigindo-se, além da contrariedade normativa, a ocorrência efetiva de ofensa relevante
ao bem jurídico tutelado.

a) Estão corretas apenas as assertivas I e II.


b) Estão corretas apenas as assertivas I e IV.
c) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
d) Estão corretas apenas as assertivas III e IV.
e) Estão corretas todas as assertivas.


Letra e.
Todos os itens estão corretos. Para o presente capítulo, interessa o inciso IV que fala do Ro-
xin, que é o criador do princípio da insignificância, como vetor capaz de afastar a tipicidade
material, conforme visto longo texto que abordamos sobre o referido princípio. O princípio,
portanto, restringe o alcance do tipo formal, não revoga o tipo formal.

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Questão 35 (MPMT/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2014) No que concerne ao princípio da insig-


nificância, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) Seu reconhecimento exclui a tipicidade material da conduta.
b) Aplica-se quando se mostra ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado.
c) Somente pode ser invocado em relação a fatos que geraram mínima perturbação social.
d) Exige, para seu reconhecimento, que as consequências da conduta tenham sido de peque-
na relevância.
e) Só é admissível em crimes de menor potencial ofensivo.

Letra e.
O princípio da insignificância não é aplicado somente aos crimes de menor potencial ofensivo,
uma vez que pode ser aplicado em casos de furto, descaminho e outros crimes que não são
de menor potencial ofensivo. Ademais, deve-se, inclusive, evitar a sua aplicação em casos de
crimes de menor potencial ofensivo, uma vez que, para esses, o Legislador já deu um trata-
mento despenalizador, previsto na Lei n. 9.099/1995.

Questão 36 (VUNESP/DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL-SP/2014) Assinale a alternativa que


apresenta o princípio que deve ser atribuído a Claus Roxin, defensor da tese de que a tipicida-
de penal exige uma ofensa de gravidade aos bens jurídicos protegidos.
a) Insignificância.
b) Intervenção mínima.
c) Fragmentariedade.
d) Adequação social.
e) Humanidade.

Letra a.
Conforme visto durante o desenvolvimento do texto sobre o princípio da insignificância, Claus
Roxin foi o seu criador na década de 60 do século XX.

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Questão 37 (DEFENSOR PÚBLICO-GO/2010) É pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que


o agente que furta objetos de valor irrisório deve ser absolvido com base no princípio da insig-
nificância, uma vez que, nessas circunstâncias, está excluída
a) a tipicidade formal.
b) a tipicidade material.
c) a ilicitude da conduta.
d) a culpabilidade do agente.
e) a punibilidade da conduta.

Letra b.
Conforme visto no texto desenvolvido no presente material, o  princípio da insignificância
afasta a tipicidade material de conduta que provocou ofensa ínfima ao bem jurídico tutelado.

Questão 38 (PROMOTOR DE JUSTIÇA-GO/2012) Em relação às causas de exclusão da tipi-


cidade penal, em especial o princípio da insignificância, assinale a alternativa correta:
a) O princípio da insignificância não conta com reconhecimento normativo explícito da nossa
legislação penal, seja comum ou especial;
b) Mesmo sem lei expressa o princípio da insignificância tem sido reconhecido pelos nossos
Tribunais Superiores, em especial o STF, posto que deriva dos valores, regras e princípios cons-
titucionais, que são normas cogentes do ordenamento jurídico;
c) Infração bagatelar imprópria é a que já nasce sem nenhuma relevância penal, ou porque não
há desvalor da ação (não há periculosidade na conduta, isto é, idoneidade ofensiva relevante;
ou porque não há desvalor do resultado (não se trata de ataque intolerável ao bem jurídico);
d) O princípio da insignificância confunde-se com o princípio da irrelevância penal do fato.
O primeiro não afasta a tipicidade material, uma vez que o fato será típico (formal e material-
mente), ilícito e culpável. O segundo possibilita o arquivamento ou o não recebimento da ação
ou a absolvição penal nas imputações de fatos bagatelares próprios, ou seja, os que não pos-
suem tipicidade material.

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Letra b.
A questão merece crítica. A letra b está correta, porque os Tribunais Superiores (STJ e STF)
reconhecem o princípio da insignificância mesmo sem o postulado constar de forma expres-
sa na legislação penal brasileira. Todavia, a letra A possui descrição confusa, ao dizer que o
princípio não tem reconhecimento normativo explícito, o que poderia ser compreendido como
correto também. A letra D inverteu os conceitos de insignificância e de irrelevância penal do
fato, por isso realmente está errada. Do mesmo modo, a letra C confundiu “bagatela impró-
pria” com “bagatela própria”.

9. Princípio da Ofensividade/Lesividade
Se fosse possível a separação entre os princípios da ofensividade e o da lesividade, pode-
ria se dizer que o primeiro constitui uma exigência de que a conduta criminosa ofenda um bem
jurídico relevante de forma concreta ou com perigo concreto de lesão. Enquanto o segundo
propõe que a lesão oriunda da conduta criminosa atinja um bem jurídico de terceiro, não admi-
tindo a punição da autolesão. Entretanto, grande parte da doutrina compreende o princípio da
lesividade como sinônimo de ofensividade.
Quanto ao princípio da lesividade, Luigi Ferrajoli (2010) ensina que foi difundido na filosofia
utilitarista da tradição iluminista, no sentido de que só se justifica a intervenção penal diante de
condutas que cause efeitos lesivos a terceiros. Acrescenta o autor que a necessidade de uma
lei penal se condiciona pela lesividade a terceiros dos fatos proibidos, estabelecendo, portanto,
uma relação entre lesividade, necessidade e bem jurídico.
Importa compreender que a necessidade de lesão a bem jurídico de terceiro deve ser vista
não somente na perspectiva de um Direito Penal que tutela bens jurídicos individuais, como
vida, liberdade, patrimônio, mas que, do mesmo modo, se direciona à tutela de bens jurídicos
coletivos, como saúde pública, ordem econômica, moralidade administrativa, meio ambiente

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e relações de consumo. Em todo caso, a atuação do Direito Penal deve ser equilibrada. Esse
tema será retomado no capítulo terceiro da pesquisa.
O princípio da ofensividade constitui um limite à atuação do legislador e do julgador na me-
dida em que impõe a necessidade de a conduta típica ser exteriorizada e causadora de lesão ou
perigo concreto de lesão a bem jurídico de terceiro. Por isso, os pensamentos, as atitudes inter-
nas e as ações não lesivas a bens jurídicos de terceiros não podem ser punidos (BATISTA, 2007).
Na doutrina, o tema ainda apresenta certa celeuma. Para uma primeira corrente, não se-
ria possível a tipificação de condutas que causam mero perigo abstrato. Para outra corrente,
é possível a referida tipificação, diante da necessidade, principalmente, de tutela preventiva no
cenário dos bens jurídicos penais coletivos e difusos.
Pierpaolo Cruz Bottini (2010) defende a possibilidade de tipificação de crimes de perigo
abstrato dentro de parâmetros estabelecidos pela dignidade da pessoa humana Enquanto Pau-
lo Queiroz (2011) defende a atipicidade de condutas com presunção de perigo, apontando
como exemplo o porte ilegal de arma de fogo desmuniciada. Essa posição não encontra gua-
rida na jurisprudência do STF e do STJ.
O STF já decidiu que a tipificação do perigo abstrato não é inconstitucional, uma vez que
o legislador pode fazer essa escolha, principalmente na tutela preventiva de bens jurídicos
penais coletivos:

STF – DECISÃO IMPORTANTE PARA O ESTUDO – Ofensividade/lesividade


A título de ilustração, já decidiu o STF: [...] A criação de crimes de perigo abstrato não
representa, por si só, comportamento inconstitucional por parte do legislador penal.
A  tipificação de condutas que geram perigo em abstrato, muitas vezes, acaba sendo
a melhor alternativa ou a medida mais eficaz para a proteção de bens jurídico-penais
supraindividuais ou de caráter coletivo, como, por exemplo, o meio ambiente, a saúde
etc. Portanto, pode o legislador, dentro de suas amplas margens de avaliação e de deci-
são, definir quais as medidas mais adequadas e necessárias para a efetiva proteção de
determinado bem jurídico, o que lhe permite escolher espécies de tipificação próprias de
um direito penal preventivo. Apenas a atividade legislativa que, nessa hipótese, trans-
borde os limites da proporcionalidade, poderá ser tachada de inconstitucional. 3. LEGI-
TIMIDADE DA CRIMINALIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA. Há, no contexto empírico legiti-

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mador da veiculação da norma, aparente lesividade da conduta, porquanto se tutela a


segurança pública (art. 6º e 144, CF) e indiretamente a vida, a liberdade, a integridade
física e psíquica do indivíduo etc. Há inequívoco interesse público e social na proscrição
da conduta. É que a arma de fogo, diferentemente de outros objetos e artefatos (faca,
vidro etc.) tem, inerente à sua natureza, a característica da lesividade. A danosidade é
intrínseca ao objeto. A questão, portanto, de possíveis injustiças pontuais, de absoluta
ausência de significado lesivo deve ser aferida concretamente e não em linha diretiva
de ilegitimidade normativa. 4. ORDEM DENEGADA.(HC 104410, Relator(a): Min. GILMAR
MENDES, Segunda Turma, julgado em 06/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-062
DIVULG 26-03-2012 PUBLIC 27-03-2012).

Por sua vez, o STJ já decidiu, na mesma linha do STF, sobre a possibilidade, em situações
excepcionais, de aplicação do princípio da insignificância em situações concretas de crimes
de perigo abstrato.

STJ – RECURSO ESPECIAL. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO. CRIME DE PERIGO ABSTRATO.


PRINCÍPIO DA INSUGNIFICÂNCIA. PEQUENA QUANTIDADE MUNIÇÃO DESACOMPA-
NHADA DE ARMA DE FOGO 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no
sentido de que “o crime de posse ou porte irregular de munição de uso permitido, inde-
pendentemente da quantidade, e  ainda que desacompanhada da respectiva arma de
fogo, é delito de perigo abstrato, sendo punido antes mesmo que represente qualquer
lesão ou perigo concreto de lesão, não havendo que se falar em atipicidade material da
conduta”. (AgRg no RHC 86.862/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA,
julgado em 20/02/2018, DJe 28/02/2018).
2. Esta Corte detém entendimento no sentido de que “o porte ilegal de munições con-
figura o tipo penal descrito no art.  16, caput, da Lei n. 10.826/2003, crime de perigo
abstrato que presume a ocorrência de dano à segurança pública e prescinde, para sua
caraterização, de resultado naturalístico à incolumidade física de outrem”. (HC 322.956/
SP, Relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 17/08/2017,
DJe 29/08/2017). 3. O Supremo Tribunal Federal, em recente julgado, analisando as cir-
cunstâncias do caso concreto, reconheceu ser possível aplicar a bagatela na hipótese de
apreensão de apenas uma munição de uso permitido desacompanhada de arma de fogo,

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tendo concluído pela total inexistência de perigo à incolumidade pública (RHC 143.449/
MS, Rel.Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, SEGUNDA Turma, DJe 9/10/2017). 4.Hipó-
tese em que, embora formalmente típica, a conduta de possuir apenas duas munições
destituídas de potencialidade lesiva, desacompanhadas de armamento capaz de defla-
grá-las, não enseja perigo de lesão ou probabilidade de dano aos bens jurídicos tutela-
dos, permitindo-se o reconhecimento da atipicidade material da conduta.
5. Recurso desprovido. (REsp 1710320/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,
julgado em 03/05/2018, DJe 09/05/2018).

É certo que a crescente tipificação de crimes de perigo abstrato decorre dos efeitos ge-
rados pelo desenvolvimento tecnológico e industrial, no contexto da globalização, que trou-
xeram novas relações de produção, de comunicação e de convivência na sociedade pós-mo-
derna, acompanhadas do surgimento de novos riscos, com novas formas de lesionar os bens
jurídicos individuais e coletivos, restando insuficiente o modelo penal de tutela posterior ao
resultado material da conduta (COSTA, 1992).
Nesse ambiente, no contexto brasileiro, surgiram discussões sobre a constitucionalidade
da tipificação do crime de perigo abstrato, as quais foram superadas pelo STF, o qual já firmou
em várias ocasiões, como se verá nos itens seguintes, que o legislador pode sim tipificar o
perigo abstrato para a tutela de bens supraindividuais, que exigem tal recurso como forma de
tutela preventiva, como se verifica, por exemplo, na tutela penal do meio ambiente.
Nilo Batista (2007) propõe as seguintes funções decorrentes do princípio da lesividade
(ofensividade): a proibição da incriminação de uma atitude interna, como as ideias, convic-
ções, aspirações e desejos dos homens; a proibição da incriminação de uma conduta que não
exceda o âmbito do próprio autor; a proibição da incriminação de simples estados ou condi-
ções existenciais; a proibição da incriminação de condutas desviadas que não causem dano
ou perigo de dano a qualquer bem jurídico. Tais características já foram cobradas diversas
vezes em concursos públicos, como se verifica nas questões do lançadas a seguir.

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Questão 39 (MP-GO/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2019) Segundo Nilo Batista, pode-se admitir


como principais funções do princípio da lesividade, exceto:
a) Proibir a incriminação de uma atitude interna.
b) Proibir a incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio autor.
c) Proibir a incriminação de simples estados ou condições existenciais.
d) Proibir a incriminação de condutas que possam ser tuteladas de forma eficaz por outros
ramos do Direito.


Letra d.
A referida alternativa traz o conteúdo do princípio da subsidiariedade (corolário da interven-
ção mínima ao lado da fragmentariedade), não cuida da lesividade. As demais alternativas (a,
b e c) trazem o conteúdo correto do princípio da lesividade, conforme exposto na obra do Nilo
Batista (Introdução Critica ao Direito Penal brasileiro), conforme visto no texto que aborda-
mos sobre o princípio da lesividade/ofensividade.

Questão 40 (CESPE/TJPB/JUIZ/2015) Acerca dos princípios e fontes do direito penal, assi-


nale a opção correta.
a) Segundo a jurisprudência do STJ, o princípio da insignificância deve ser aplicado a casos
de furto qualificado em que o prejuízo da vítima tenha sido mínimo.
b) Conforme entendimento do STJ, o princípio da adequação social justificaria o arquivamento
de inquérito policial instaurado em razão da venda de CDs e DVDs.
c) Depreende-se do princípio da lesividade que a autolesão, via de regra, não é punível.
d) Depreende-se da aplicação do princípio da insignificância a determinado caso que a con-
duta em questão é formal e materialmente atípica.

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e) As medidas provisórias podem regular matéria penal nas hipóteses de leis temporárias ou
excepcionais.


Letra c.
A autolesão não é crime, salvo em situações excepcionais (exemplo: mulher grávida que tenta
o suicídio e não morre por circunstâncias alheias pode responder por tentativa de aborto ou
aborto consumado, se o feto morrer em razão da manobra suicida. A autolesão com fraude à
seguradora é punida como estelionato).

Questão 41 (MPDFT/2012) É correto afirmar, no tocante aos princípios constitucionais pe-


nais:
a) O princípio da legalidade dos crimes e das penas, sob a perspectiva do nullum crimen sine
lege scricta, repudia o emprego da interpretação extensiva in malam partem.
b) O uso de leis penais em branco, em sentido estrito, foi banido pelo Supremo Tribunal Fede-
ral, por caracterizar ofensa ao princípio da taxatividade.
c) O princípio da reserva legal é mitigado no âmbito do direito da infância e da juventude, dada
a inimputabilidade absoluta do menor de 18 anos de idade.
d) O princípio da lesividade ou da ofensividade, entre outros aspectos, repele a punição do ci-
dadão cuja conduta sequer se inicia.
e) Como decorrência imediata do princípio da culpabilidade, não é possível a criminalização de
simples estados existenciais.


Letra d.
Com base no princípio da lesividade, na dimensão materialização do fato, só se pode punir a
partir de um fato, não se pune antes disso, não se pune pensamentos.

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Questão 42 (CEPERJ/DELEGADO-RJ/2009) Costuma-se afirmar que o direito penal das so-


ciedades contemporâneas é regido por princípios sobre crimes, penas e medidas de seguran-
ça, nos níveis de criminalização primária e de criminalização secundária, fundamentais para
garantir o indivíduo em face do poder penal do Estado. Analise as proposições a seguir:
I – O princípio da insignificância revela uma hipótese de atipicidade material da conduta.
II – O princípio da lesividade (ou ofensividade) proíbe a incriminação de uma atitude interna.
III – Por força do princípio da lesividade não se pode conceber a existência de qualquer
crime sem ofensa ao bem jurídico protegido pela norma penal.
IV – No direito penal democrático só se punem fatos. Ninguém pode ser punido pelo que é,
mas apenas pelo que faz.
V – O princípio da coculpabilidade reconhece que o Estado também é responsável pelo co-
metimento de determinados delitos, praticados por cidadãos que possuem menor âm-
bito de autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, principalmente
no que se refere às condições sociais e econômicas do agente.

Pode-se afirmar que:
a) todas as assertivas estão corretas.
b) somente duas das assertivas estão corretas.
c) somente duas das assertivas estão erradas
d) estão erradas as de número II e III.
e) somente a de número I está errada.


Letra a.
Todas as alternativas estão corretas. Contudo, merece destacar o sentido do item III, o qual
tratou a lesividade como sinônimo do princípio da exclusiva proteção de bens jurídicos.

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10. Princípio da Proporcionalidade

O princípio da proporcionalidade surge no contexto das transformações culturais e políti-


cas ocorridas no cenário europeu do Século XVIII, ao lado de discussões em torno do utilita-
rismo (punições somente no caso de utilidade para a proteção da paz pública e das finanças
públicas) e da humanidade da sanção penal (desnecessidade de penas mais graves quando
não fossem úteis).
De início, o princípio foi utilizado como uma garantia negativa, com a função de limitar o
poder de punir do Estado, diante de um cenário de separação das infrações de ordem religiosa
e de ordem estatal, bem como na consolidação da pena privativa, como sanção principal do
Direito Penal, em substituição ao modelo dos suplícios.
Para Mariângela Gomes, o  princípio da proporcionalidade penal deve ser analisado em
conjunto com os subprincípios da necessidade, idoneidade e proporcionalidade em sentido
estrito. De forma que o exame da proporcionalidade da norma penal acontece em dois pla-
nos: no primeiro, examina-se a necessidade da tipificação da conduta, se não há outro meio
eficaz de proteger o bem jurídico e se há uma relação entre meio e fim, no sentido de idonei-
dade da incriminação para prevenir a conduta tipificada; no segundo plano, quando do juízo
de proporcionalidade em sentido amplo, examina-se a relação entre a quantidade de pena e
gravidade da infração (GOMES, 2003).
Ao tratar do princípio da proporcionalidade no contexto da jurisprudência penal alemã, Ul-
frid Neumann (2012) aponta que sua capacidade de rendimento tem sido pequena, por envol-
ver critérios valorativos, com uma diminuição da confiança da doutrina na sua capacidade de
limitar o Direito Penal. O referido autor aponta que a jurisprudência do Tribunal Constitucional
alemão, com o uso do princípio da proporcionalidade, tem mostrado um cartão amarelo, mas
não um cartão vermelho ao legislador, como ocorreu em um caso que envolvia o manuseio de
produtos de cannabis. Sugere o desenvolvimento de diferentes modelos argumentativos de
modo a tornar mais efetiva a aplicação do princípio da proporcionalidade em concretos grupos
de casos.
Sobre a decisão que envolvia a análise constitucional da Lei de Entorpecentes da Alema-
nha no que diz respeito à proibição de manuseio de produtos de cannabis, Lothar Kuhlen ex-

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plica que, na oportunidade, em 1994, o Tribunal Constitucional Federal alemão decidiu que a
proibição era compatível com a Constituição alemã, mas ressalvou a possibilidade, com base
no princípio da proporcionalidade, de não punição, no caso de pequena quantidade, para con-
sumo pessoal (KUHLEN, 2012).
No momento atual, no contexto brasileiro, o princípio constitucional implícito da propor-
cionalidade, observado pelo legislador, na produção das normas penais, e pelo operador do
Direito Penal, nas fases de acusação e de condenação, deveria se direcionar a um modelo de
Direito Penal de intervenção equilibrada, que se preocupa com a proibição do excesso e com
a proibição da tutela penal deficiente.
O princípio da proporcionalidade não foi contemplado de forma expressa no texto cons-
titucional, mas constitui um dos mais utilizados pelo STF, como recurso argumentativo geral
em matéria penal, tanto na interpretação da tipicidade quanto no exame da pena e dos insti-
tutos da execução penal, conforme se verá no exame das decisões nos itens seguintes.
O STF já decidiu com o princípio da proporcionalidade para desconstruir elementares do
tipo e importar preceito secundário alheio na interpretação do crime de receptação qualificada
(depois mudou o entendimento e afirmou a constitucionalidade da qualificada); inovar e bus-
car a permissão de uma nova forma de aborto não prevista em lei; delimitar a elementar ato
libidinoso para a caracterização do crime de estupro (por maioria, entendeu que o referido prin-
cípio não poderia ser utilizado para desclassificar o beijo lascivo da conduta de estupro para o
crime de importunação sexual); fundamentar votos no sentido da descriminalização de porte
de determinado tipo de droga para consumo pessoal (decisão ainda pendente de um resultado
final); analisar e temperar institutos atinentes à dosimetria da pena; construir raciocínio positi-
vo alusivo à nova causa suspensiva em matéria de prescrição.
Com relação ao aborto até a 12ª semana da gestação, numa relação com a tipicidade pe-
nal, o princípio da proporcionalidade foi utilizado pelo STF de forma bastante ousada, quan-
do a Primeira Turma, por maioria, examinou um pedido de revogação de prisão preventiva
no Habeas Corpus 124.306/RJ, de um acusado pela prática do crime de aborto de feto com
gestação não superior a 12 semanas. Na ocasião, após pedido de vista, o Relator para o acór-
dão, Ministro Luís Roberto Barroso, ampliou o debate para examinar a constitucionalidade da

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referida tipificação penal e, ao final, considerou inconstitucional a proibição do aborto nessa


situação.
Na decisão do Ministro Barroso, após citações de normas de alguns outros países que
permitem tal manobra abortiva, restou fundamentado, para a permissão do abortamento do
feto até a terceira semana da gestação: incompatibilidade da criminalização com os direitos
sexuais e reprodutivos da mulher, com a sua autonomia, com a sua integridade física e psíqui-
ca, com a equiparação de gênero; a criminalização atinge em maior medida mulheres pobres,
que por sua vez praticam automutilação, já que não têm acesso a médicos e clínicas privadas;
uso do princípio da proporcionalidade para afirmar a duvidosa adequação da norma para prote-
ger o bem jurídico (vida do nascituro), uma vez que não impede a realização de abortamentos
de maneira clandestina no país; a possibilidade de substituir a tipificação, em tais casos, por
meios mais eficazes, como a educação sexual; a desproporcionalidade em sentido estrito por
gerar custos sociais, como mortes e problemas de saúde pública, superiores aos seus bene-
fícios; interpretação conforme para afastar a incidência dos arts. 124 e 126 do Código Penal
nos casos de interrupção voluntária da gestação realizada até o primeiro trimestre. Por fim,
a decisão afastou apenas a prisão preventiva no seu dispositivo.
Na oportunidade, o relator original, Ministro Marco Aurélio, examinou a questão apenas na
perspectiva da cautelar e, sob o ângulo processual dos requisitos da prisão preventiva, não
conheceu do HC, mas concedeu a ordem de ofício. O Ministro Edson Fachin acompanhou a de-
cisão do Ministro Marco Aurélio. Por sua vez, a Ministra Rosa Weber, em voto escrito, juntado
aos autos depois do julgamento, concedeu a ordem de ofício, nos termos do voto do Relator, e,
ainda, acompanhou a argumentação do Ministro Barroso, no sentido de conferir interpretação
conforme a Constituição dos arts. 124 e 126 do Código Penal, de modo a considerar atípica a
interrupção da gravidez efetivada no primeiro trimestre da gestação.
Vale registrar que o Código Penal só permite o aborto em caso de gestação com risco de
vida para a gestante e diante de gravidez resultante de estupro, ou seja, somente em duas
hipóteses. Ressalte-se que o estupro para gerar a gestação abortiva legal pode decorrer de
violência ou grave ameaça ou, ainda, ser cometido sem violência no caso de estupro de vítima

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vulnerável, independente de seu consentimento, uma vez que a Lei Penal apenas menciona
gravidez decorrente de estupro, na segunda hipótese legal, para permitir o aborto.
A outra possibilidade de abortamento, por atipicidade penal, ocorre na gestação de feto
anencéfalo, conforme decisão proferida na ADPF 54, considerado fato atípico, já examinado
quando da análise do princípio da legalidade e da dignidade da pessoa humana.
De outro lado, a lei penal brasileira não permite o aborto de feto até a terceira semana da
gestação, como ocorre em alguns outros países. Uma Arguição de Descumprimento de Pre-
ceito Fundamental foi protocolada no STF (ADPF 442), distribuída à Ministra Rosa Weber, com
pedido de permissão do aborto em tal situação, mas ainda não houve um posicionamento da
Corte.
No Projeto de Lei do Senado n. 236 (novo Código Penal), apresentado no ano de 2012 pela
comissão de juristas criada pelo Senado, havia também a possibilidade de abortamento do
feto até a terceira semana da gestação, desde que precedido de um parecer médico ou psico-
lógico sobre a gestante. Tal permissão foi retirada do texto após uma revisão do projeto, no
âmbito do Senado, realizada por outra comissão.
A decisão do STF no HC 124.306/RJ, malgrado ter sido proferida no âmbito da Primeira
Turma, com quatro ministros presentes, e não do Plenário, chama a atenção, no cotejo entre
os argumentos usados e a dogmática penal, por várias razões: no âmbito de um Habeas Cor-
pus no qual se questionava os fundamentos para a prisão preventiva; manifestação de ofício
da Corte quanto a matéria de Direito Penal não suscitada no âmbito do Habeas Corpus; ine-
xistência de deferência ao Legislador que debate a matéria nas discussões do projeto do novo
Código Penal; tentativa de mitigação do direito à vida do nascituro, que se encontra regulado
por norma infraconstitucional, que obedece a um mandado constitucional de criminalização
para a proteção da vida; tentativa de criação de uma regra restritiva do direito à vida, com uso
de argumentação principiológica sedimentada no princípio da proporcionalidade, em espa-
ço já regulado pelo legislador, numa clara ofensa a outro princípio denominado proibição da
tutela penal deficiente; ativismo penal voluntarioso e subjetivista em espaço de escolha do
legislador, com construção casuística de regra limitadora do direito à vida.

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Novamente, a posição de abertura interpretativa com uma escolha de solução subjetiva


distante da dogmática, com argumentos consequencialistas, de roupagem neoconstituciona-
lista, presentes na fundamentação do voto do Ministro Barroso, se aproximam da linha pro-
posta pelo funcionalismo penal teleológico, ao menos, na parte que diz respeito aos princípios
políticos criminais como guia da dogmática, levando em conta as funções do Direito Penal, de
proteção dos bens jurídicos principais, de prevenção positiva, de análise da necessidade de
pena, que integra, ao lado culpabilidade, o conceito de responsabilidade.
Segundo José Joaquim Gomes Canotilho e Vital Moreira, afirmam:

o princípio da proporcionalidade (também chamado princípio da proibição do excesso) desdobra-


-se em três subprincípios: (a) princípio da adequação (também designado por princípio da idonei-
dade), isto é, as medidas restritivas legalmente previstas devem revelar-se como meio adequado
para a prossecução dos fins visados pela lei (salvaguarda de outros direitos ou bens constitucio-
nalmente protegidos); (b) princípio da exigibilidade (também chamado princípio da necessidade
ou da indispensabilidade), ou seja, as medidas restritivas previstas na lei devem revelar-se neces-
sárias (tornaram-se exigíveis), porque os fins visados pela lei não podiam ser obtidos por outros
meios menos onerosos para os direitos, liberdade e garantias; (c) princípio da proporcionalidade
em sentido estrito, que significa que os meios legais restritivos e os fins obtidos devem situar-se
numa ‘justa medida’, impedindo-se a adopção de medidas legais restritivas desproporcionadas,
excessivas, em relação aos fins obtidos. CANOTILHO; MOREIRA; 2007, p. 393).

Importa ressaltar que o STF já reconheceu a dimensão da proporcionalidade na vedação


da tutela penal deficiente (garantismo positivo), conforme voto vista do Ministro Gilmar Men-
des no julgamento do RE 418 376.
Essa relação entre proporcionalidade e vedação da proteção penal deficiente apareceu em
1975, na Alemanha:

proibição da proteção deficiente (Untermassverbot) Claus-Wilhelm Canaris. Sinônimo de garantis-


mo positivo
Leading case- Tribunal Constitucional Alemão que declarou em 25/02/1975 a inconstitucionalida-
de do 5.StRG de 18/06/74, que permitia aborto dependendo do tempo da gestação, praticado por
médico e com consentimento da gestante. Entendeu que se a vida não for protegida por outros
meios, o Estado deve preserva-la com o uso do direito penal. Tal decisão também é utilizada para
a afirmação dos mandados implícitos de criminalização.

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Questão 43 (CESPE/MPRR/2017) No direito penal, o princípio da:


a) fragmentariedade informa que o direito penal é autoônomo e cuida das condutas tidas por
ilícitas penalmente, sendo aplicável a lei penal independentemente da solução do problema
por outros ramos do direito.
b) irretroatividade da lei se aplica absolutamente.
c) insignificância, segundo o entendimento do STF, pressupõe apenas três requisitos para a
sua configuração: mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidade social
e reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento.
d) proporcionalidade fundamenta a declaração de inconstitucionalidade de parte do art. 44
da Lei Antidrogas, que veda a concessão de liberdade provisória em crimes relacionados às
drogas.


Letra d.
Corresponde à decisão do STF proferida no HC 104339 de 2012, jurisprudência, reafirmada
em 2016, quando o ministro Gilmar Mendes, relator do RE 1038925, observou que, embora o
STF tenha autorizado os ministros a decidirem monocraticamente nos habeas corpus cujo
único fundamento da impetração seja o artigo 44 da Lei de Drogas, o Senado não editou reso-
lução com o objetivo de suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada incons-
titucional. Dessa forma, entendeu necessário reafirmar a decisão, por meio da sistemática de
repercussão geral, para evitar questionamento quanto à observância da regra constitucional
(BRASIL. STF. NOTÍCIAS. http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteu-
do=354431. Acesso 20 de jan 2020).

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11. Princípio da Individualização das Penas

A individualização da pena, princípio expresso no texto constitucional brasileiro, atua em


três momentos distintos, quais sejam: na criação da norma incriminadora com preceito pri-
mário e secundário; na dosimetria da pena quando da decisão condenatória penal; no cum-
primento da pena no processo de execução penal.
A Constituição da República Federativa do Brasil estabeleceu de forma exemplificativa no
art. 5º, inciso XLVI, as espécies de sanções que poderão ser contempladas na norma penal
incriminadora, trazendo um rol exemplificativo. Entretanto, de outro lado, delimitou a ativi-
dade do legislador art. 5º XLVII, ao especificar quais penas não poderão integrar o preceito
secundário das normas incriminadoras no direito penal brasileiro.
Na fase da dosimetria da pena, o julgador, com amparo nesse princípio, deve ficar atento
às regras e individualização da pena previstas no Código Penal, obedecendo o critério trifásico
contido nos arts.59 a 68 do Código Penal, com a orientação da teoria mista, reprovar e prevenir,
na medida da culpabilidade.
Essa é a principal função do princípio da individualização da pena, ou seja, garantir a pena
na medida da culpabilidade de cada pessoa condenada, “evitar a aplicação de penas padroni-
zadas, que pouco caso faria dos acusados, engessando o Judiciário e simplificando em dema-
sia o complexo processo de fixação da justa sanção penal” (NUCCI, 2013, p.222).
Por último, na fase de execução da pena, a individualização consiste no cumprimento da
sanção com obediência aos preceitos da Lei de Execução Penal, contemplando a finalidade
nesta fase que é a ressocialização e reeducação do condenado, ou seja, prevenção especial
positiva (art. 1º da LEP); a classificação do condenado, o caráter progressivo da execução; a
disciplina e os benefícios, e os demais comandos da LEP (Lei n. 7.210, de 1984).
A individualização da pena constitui um dos princípios mais utilizados pelo STF, tanto no
controle de constitucionalidade de leis penais, quanto na construção das decisões penais, ou
seja, na aplicação de penas restritivas de direito e privativa de liberdade, na fixação do regime
de cumprimento de pena, ou ainda na concretização da política criminal carcerária, para es-
tabelecer balizas que, em tese, deveriam ser construídas pelo Poder Legislativo e pelo Poder
Executivo.

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 Obs.: A individualização da pena tornou-se uma ferramenta utilizada contra o Legislador,


deixou de ter a sua atenção voltada para o processo de dosimetria da pena, para se
transformar em um argumento geral utilizado nas decisões do STF relativas à política
pública carcerária e, ainda, para afastar a constitucionalidade de leis recentes, apro-
vadas pelo Congresso Nacional.

O STF tem fez uso do princípio individualização da pena: declarar a inconstitucionalidade


no regime integralmente fechado em crimes hediondos (HC 82959 de 2006); declarar a in-
constitucionalidade da vedação de substituição de pena privativa por restritivas de direitos no
tráfico de drogas, prevista no art. 44 da Lei n. 11.343/2006 (HC 97.256 de 2010); para declarar
a inconstitucionalidade do regime inicial fechado como opção automática para os crimes he-
diondos e equiparados, afirmando a necessidade de se utilizar o art. 33 do Código Penal para
a fixação de regime inicial de cumprimento de pena tanto nos crimes hediondos quanto nos
crimes não hediondos (HC 111.840. de 2012).

Questão 44 (CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA-SE/2018) Julgue o item seguinte, relativo aos


direitos e deveres individuais e coletivos e às garantias constitucionais.
O princípio da individualização da pena determina que nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, razão pela qual as sanções relativas à restrição de liberdade não alcançarão pa-
rentes do autor do delito.

Errado.
O conteúdo se refere ao princípio da intranscendência ou da responsabilidade pessoal.

Questão 45 (CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA-SE/2018) Julgue o item seguinte, relativo aos


direitos e deveres individuais e coletivos e às garantias constitucionais.
Em razão do princípio da legalidade penal, a tipificação de conduta como crime deve ser feita
por meio de lei em sentido material, não se exigindo, em regra, a lei em sentido formal.

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Errado.
Exige-se lei em sentido estrito, formal, para tipificar crimes. Nessa linha, foi equivocada a
posição do STF que entendeu haver crime de homofobia na lei racismo, interpretando a ho-
mofobia como racismo social.

Questão 46 (FCC/MPMT/PROMOTOR/2019) Segundo o entendimento dos tribunais supe-


riores acerca da cominação, aplicação e individualização das penas,
a) as circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com exceção
da reincidência.
b) a existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado podem ser
considerados como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena.
c) condenações transitadas em julgado constituem fundamento idôneo para análise desfa-
vorável da personalidade do agente, se prestando para fundamentar a exasperação da pena-
-base como personalidade voltada para o crime.
d) na dosimetria da pena, as condenações por fatos posteriores ao crime em julgamento po-
dem ser utilizadas como fundamento para valorar negativamente a culpabilidade, a persona-
lidade e a conduta social do réu.
e) a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime constitui motivação idônea
para a imposição de regime mais severo do que o permitido segundo a pena aplicada.

Letra a.
Tema: dosimetria da pena.

Questão 47 (FCC/TJ-AP/JUIZ/2014) Desde o advento da Lei n. 8.072/1990, a vedação ab-


soluta de progressão de regime prisional, originalmente instituída para os crimes hediondos
ou assemelhados, comportou intenso debate acadêmico e jurisprudencial. Importantes vozes

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na doutrina desde logo repudiaram o regime integralmente fechado. Mas o Pleno do Supremo
Tribunal Federal, então, em dois julgados antológicos, afastou a pecha da inconstitucionali-
dade (HC 69.603/SP e HC 69.657/SP), posicionamento que se irradiou para as outras Cor-
tes e, desse modo, ditou a jurisprudência do país por mais de 13 anos. Somente em 2006 o
STF rediscutiu a matéria, agora para dizer inconstitucional aquela vedação (HC 82.959-7/SP).
A histórica reversão da jurisprudência, afinal, fez com que se reparasse o sistema normativo.
Editou-se a Lei n. 11.464/2007 que, pese admitindo a progressividade na execução corres-
pondente, todavia lhe estipulou lapsos diferenciados. Todo esse demorado debate mais dire-
tamente fundou-se especialmente em um dado postulado de direito penal que, portanto, hoje
mais que nunca estrutura o direito brasileiro no tópico respectivo. Precipuamente, trata-se do
postulado da
a) pessoalidade.
b) legalidade.
c) proporcionalidade.
d) individualização.
e) culpabilidade.

Letra d.
Conforme dito, o STF tem fez uso do princípio individualização da pena para declarar a in-
constitucionalidade no regime integralmente fechado em crimes hediondos (HC 82959 de
2006).

Questão 48 (FCC/DEFENSOR PÚBLICO-SP/2013) Sobre a relação entre o sistema penal bra-


sileiro contemporâneo e a Constituição Federal, é correto afirmar que:
a) o princípio constitucional da humanidade das penas encontra ampla efetividade no Brasil,
diante da adequação concreta das condições de aprisionamento aos tratados internacionais
de direitos humanos.
b) o princípio constitucional da legalidade restringe-se à tipificação de condutas como cri-
mes, não abarcando as faltas disciplinares em execução penal.

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c) o estereótipo do criminoso não contribui para o processo de criminalização, pois violaria o


princípio constitucional da não discriminação.
d) a seletividade do sistema penal brasileiro, por ser um problema conjuntural, poderia ser re-
solvida com a aplicação do princípio da igualdade nas ações policiais.
e) o princípio constitucional da intranscendência da pena não é capaz de impedir a estigmati-
zação e práticas violadoras de direitos humanos de familiares de pessoas presas.

Letra d.
Corresponde a um tema de criminologia e política criminal, não havendo reparo na opção, que
está, portanto, correta, uma vez que defendeu o princípio da igualdade.

12. Princípio da Limitação das Penas

Decorre de previsão expressa do texto constitucional, que delimita alguns tipos de penas,
que não poderão existir no Brasil, salvo a pena de morte no caso de guerra declarada. Segundo
o art. 5º XLVII da Constituição:

Não haverá penas:


a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84 XIX;
b) de caráter perpétuo
c) de trabalhos forçados
d) de banimento
e) cruéis

Acima de qualquer valor utilitário, o valor da pessoa humana impõe uma limitação funda-
mental em relação à qualidade e quantidade da pena. É este o valor sobre os quais se funda,
irredutivelmente, o rechaço da pena de morte, das penas corporais, das penas infames e, por
outro lado, da prisão perpétua e das penas privativas de liberdade excessivamente extensas.
Sobre a história das penas e suas teorias, o tema será tratado no capítulo sobre penas.
A pena de morte no Brasil é autorizada somente nos casos de guerra declarada, sendo
neste caso, executada por fuzilamento, conforme previsto no art. 56 do Código Penal militar.

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Em relação a pena de trabalhos forçados, a constituição quis proibir na verdade, aquele


trabalho que humilha o condenado pelas condições como é executado. Ressalta-se que, con-
forme a LEP (Lei n. 7.210), o trabalho é um direito e um dever do preso.
A pena máxima era de 30 anos. Agora, com a Lei Anticrime, n. 13.964/2019, o máximo
de cumprimento da pena passou a ser 40 anos, conforme nova redação do art. 75 do Código
Penal:

Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40
(quarenta) anos.
§ 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40
(quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.

Ressalte-se que o STF tem usado o limite de 30 anos para a medida de segurança (medida
de segurança como gênero da sanção penal), embora o Código Penal fale em prazo indetermi-
nado, no art. 97. O STJ faz uso, no caso de medida de segurança, do tempo máximo de pena
previsto no preceito secundário da conduta respectiva. Agora, diante da nova redação do Códi-
go Penal, o STF deve adaptar a sua jurisprudência.

13. Princípio da Humanidade das Penas


A deve respeitar o princípio da humanidade, ou seja, não deve atingir a constituição psi-
cológica do indivíduo, deve respeitar a sua saúde, não pode ser cruel, não pode haver tortura.
Ademais, o preso tem direito à alimentação, saúde e dignidade. Apenas a sua liberdade foi
restringida.
O princípio da humanidade das penas decorre do art. 5º III, XLVII, XLIX da CRFB. Possui ain-
da base normativa internacional: Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. V (“Ninguém
será submetido à tortura nem a tratamentos ou punições cruéis, desumanos ou degradantes”);
Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, art. 10.1 (“Toda pessoa privada de sua liber-
dade deverá ser tratada com humanidade e com respeito à dignidade inerente à pessoa huma-
na”), e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 5º, 2 (“Toda pessoa privada da
sua liberdade deve ser tratada com respeito devido à dignidade inerente ao ser humano”.

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Questão 49 (CESPE/TJ-CE/JUIZ/2018) A respeito dos princípios constitucionais penais e


das escolas penais, assinale a opção correta.
a) Legalidade ou reserva legal, anterioridade, retroatividade da lei penal benéfica, humanidade
e in dubio pro reo são espécies de princípios constitucionais penais explícitos.
b) O princípio da humanidade assegura o respeito à integridade física e moral do preso na
medida em que motiva a vedação constitucional de pena de morte e de prisão perpétua.
c) O princípio da responsabilidade pessoal impede que os familiares do condenado sofram os
efeitos da condenação de ressarcimento de dano causado pela prática do crime.
d) A posse de um único projétil de arma de fogo de uso permitido não configura crime se o
agente não possuir arma que possa ser municiada, de acordo com o princípio da ofensividade.
e) A Escola Clássica adotava a teoria mista, que entende a pena não apenas como retribuição
ao infrator pelo mal causado, mas também como medida com finalidade preventiva.


Letra b.
Corresponde ao inciso XLIX do ar t.5º da CRFB.

Questão 50 (FCC/DEFENSOR PÚBLICO-MA/2015) A proscrição de penas cruéis e infaman-


tes, a proibição de tortura e maus-tratos nos interrogatórios policiais e a obrigação imposta
ao Estado de dotar sua infraestrutura carcerária de meios e recursos que impeçam a degra-
dação e a dessocialização dos condenados são desdobramentos do princípio da
a) proporcionalidade.
b) intervenção mínima do Estado.
c) fragmentariedade do Direito Penal.
d) humanidade.
e) adequação social.

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Letra d.
Gabarito apontou c. Crítica: a resposta correta consiste no princípio da humanidade, confor-
me discorremos no decorrer do material e, ainda, conforme o próprio texto da Constituição,
ou seja, o princípio da humanidade veda a doação de penal que possam atingir a constituição
físico-psicológica do indivíduo. Ademais, com base nesse princípio, a CRFB, no início XLVII do
art. 5º veda determinados tipos de penas e, ainda, veda a tortura no inciso III e, ainda, garante
ao preso, no inciso XLIX, o respeito a sua integridade física e moral.

Questão 51 (CESPE/TJ-BA/JUIZ/2012) Assinale a opção correta a respeito dos princípios


aplicáveis ao direito penal.
a) Consoante Zaffaroni, o princípio da intranscendência da pena rechaça o estabelecimento
de cominações legais e a imposição de penas que careçam de relação valorativa com o fato
cometido considerado em seu significado global.
b) A fragmentariedade do direito penal é corolário dos princípios da proporcionalidade e da
culpabilidade, pois, como destacou Binding, o direito penal não constitui um sistema exaus-
tivo de proteção de bens jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que constituem o uni-
verso de bens do indivíduo, mas representa um sistema descontínuo de seleção de ilícitos
decorrentes da necessidade de criminalizá-los ante a indispensabilidade da proteção jurídi-
co-penal.
c) Segundo Jescheck, a responsabilização do delinquente pela violação da ordem jurídica não
pode ser conseguida sem dano e sem dor, especialmente com relação às penas privativas de
liberdade, a não ser que se pretenda subverter a hierarquia dos valores morais e utilizar a prática
delituosa como oportunidade para premiar, o que conduziria ao reino da utopia; assim, as rela-
ções humanas reguladas pelo direito penal devem ser presididas pelo princípio da humanidade.
d) De acordo com o princípio da ofensividade, também denominado princípio da exclusiva
proteção de bens jurídicos, não compete ao direito penal tutelar valores puramente morais,
éticos ou religiosos.
e) Segundo Nelson Hungria, aplica-se o princípio da subsidiariedade aos crimes de ação múl-
tipla ou de conteúdo variado, ou seja, aos crimes plurinucleares.

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Letra c.
Está correta a relação feita entre o princípio da humanidade e a necessidade de garantir ao
condenado à pena privativa de liberdade o respeito à integridade física e moral, nos termos do
art. 5º, XLIX da CRFB, sem prejuízo da compreensão de que pena privativa de liberdade, por
sua própria natureza, traz consequências dolorosas, em razão da segregação do indivíduo.
Isso não impede a sua compatibilidade com o ordenamento jurídico de um Estado Democrá-
tico de Direito.

14. Princípio da Responsabilidade Pessoal

Previsto no art. 5º XLV da CRFB. Fala-se em princípio da pessoalidade ou da intranscendên-


cia da pena, ou seja, somente o condenado é que terá que se submeter à sanção que lhe foi
aplicada pelo Estado. Quer este princípio constitucional dizer que, quando a responsabilidade
do condenado é penal, somente ele, e mais ninguém, poderá responder pela infração praticada.
“A pena é medida de caráter estritamente pessoal”.
A multa é de natureza penal, sendo assim, impede-se a sua cobrança após a morte do autor
da infração.

Já foi questão de prova de procurador federal, segunda fase.

A cobrança da pena de multa mesmo sendo considerada dívida de valor, somente pode
ser levada a efeito se não houver ocorrido a extinção da punibilidade. A multa como sanção
penal, não pode ultrapassar a pessoa do condenado, ela é intransferível.

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O STF, em 2018, decidiu que a execução da pena de multa é feita pelo Ministério Público e não
mais pela Procuradoria da Fazenda.

No que diz respeito à responsabilidade não penal gerada pela infração penal, como a obri-
gação de reparar o dano causado, nada impede que após a morte do autor, transfira-se para
os sucessores, que responderão até as forças da herança.

Questão 52 (DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL-AC/2017) O suicídio é um crime (assassínio)


[...]. Aniquilar o sujeito da moralidade na própria pessoa é erradicar a existência da moralida-
de mesma do mundo, o máximo possível, ainda que a moralidade seja um fim em si mesma.
Consequentemente, dispor de si mesmo como um mero meio para algum fim discricionário é
rebaixar a humanidade na própria pessoa (homo noumenon), à qual o ser humano (homo pha-
enomenon) foi, todavia, confiado para preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos Cos-
tumes). A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em diversos países.
Esclarece Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que o direito romano punia com confisco
de bens o ato de suicidar-se para fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma
pena foi aplicada em França. O confisco-segundo o autor-persistia na Inglaterra no início do
século XX, desde que o suicídio não fosse efeito de uma desordem mental provada. Tendo por
base o confisco de bens outrora pertencentes ao suicida – que tem herdeiros – como forma
de punição penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta de alguém
viola o princípio penal, denominado:
a) individualização judicial da pena.
b) taxatividade
c) intranscendência.
d) ofensividade.
e) inderrogabilidade.

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Letra c.
Cuida-se de princípio da intranscendência, uma vez que o texto menciona:

o confisco de bens outrora pertencentes ao suicida – que tem herdeiros – como forma de punição
penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta de alguém viola o princípio
penal.

Questão 53 (CESPE/DEFENSOR PÚBLICO-PE/2015) O Estado, para garantir a segurança dos


cidadãos, deve proibir ou restringir todas aquelas ações que se refiram, de maneira imediata,
só a quem as realize, das quais derive lesão aos direitos dos outros, isto é, que atinjam sua
liberdade e propriedade, sem o seu consentimento ou contra ele, ou das que haja de temê-las
provavelmente; probabilidade na qual haverá de considerar a dimensão do dano que se quer
causar e a importância da limitação da liberdade produzida por lei proibitiva. Wilhem Von
Humboldt. Los límites de la acción del estado. 1792, p. 122 (com adaptações). Com relação
ao fragmento de texto, aos princípios de direito penal e às teorias do bem jurídico, julgue o
item a seguir.
O fragmento em questão, seu autor, há já mais de duzentos anos, se referia ao que hoje se en-
tende como princípios jurídico-penais da intranscendência e da fragmentariedade.

Errado.
Verifica-se que ao dizer que ao dizer que o Estado deve punir ações, das quais derive lesão
aos direitos dos outros, o autor se refere ao princípio da lesividade/alteridade, o qual exige da
conduta do agente a lesão ou perigo de lesão a bem jurídico de terceiro.

Questão 54 (FCC/DEFENSOR PÚBLICO-PR/2014) “A terrível humilhação por que passam fa-


miliares de presos ao visitarem seus parentes encarcerados consiste na obrigação de ficarem
nus, de agacharem diante de espelhos e mostrarem seus órgãos genitais para agentes pú-

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blicos. A maioria que sofre esses procedimentos é de mães, esposas e filhos de presos. Até
mesmo idosos, crianças e bebês são submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que
a pena não ultrapasse a pessoa do condenado”.(DIAS, José Carlos. “O fim das revistas vexa-
tórias”. In: Folha de São Paulo. São Paulo: 25 de julho de 2014, 1º caderno, seção Tendências
e Debates, p. A-3)
Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do autor, recentemente
publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais diretamente também no postulado consti-
tucional da
a) individualização.
b) fragmentariedade.
c) pessoalidade.
d) presunção de inocência.
e) legalidade.

Letra c.
Responsabilidade pessoal ou pessoalidade ou intranscendência, uma vez que o texto, cabe-
çalho da questão, menciona: “É princípio de direito penal que a pena não ultrapasse a pessoa
do condenado”.

Questão 55 (CESPE/DELEGADO-TO/2008) Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena


passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executa-
das, até o limite do valor do patrimônio transferido. Referido dispositivo constitucional traduz
o princípio da intranscendência.

Certo.
Nos termos do inciso XLV do art. 5º da CRFB.

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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
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Dermeval Farias

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Dermeval Farias
Professor Dermeval Farias Gomes Filho. Promotor de Justiça do Júri/Criminal no Distrito Federal (MPDFT).
Doutorando em Direito Penal pela PUC-SP. Mestre em Direito Penal pelo UNICEUB. Pós-graduado em
processo civil pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ex Conselheiro Nacional do Ministério Público
(biênio 2017/2019). Professor de Direito Penal em diversos cursos de preparação para concursos da
Magistratura e do Ministério Público e pós-graduações desde o ano de 2006. Palestrante em Simpósios
e Congressos. Leciona em cursos de capacitação de direito penal do STF, STJ, TJDFT e MPDFT. Integra
o grupo de pesquisa em política criminal do UNICEUB/UNB. Autor de artigos e livros, com destaque para:
Dogmática Penal: Fundamento e limite à construção da jurisprudência penal no Supremo tribunal Federal.

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