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Gestão da Assistência Farmacêutica: 1


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos
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Farmacêutico, Professor.
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

FLÁVIO DONALWAN SÁ MAXIMINO

GESTÃO DA ASSISTÊNCIA
FARMACÊUTICA

Conceitos e Práticas para o


Uso Racional de Medicamentos

São Luís - MA
2017
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4 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Autoria e Revisão
Flávio Donalwan Sá Maximino
Farmacêutico Prefeitura Municipal de São Luís.
Professor Curso de Farmácia da Faculdade Pitágoras.
Mestre em Administração e Gestão da Assistência Farmacêutica, Universidade Federal Fluminense – UFF.
Especialista em Gestão da Assistência Farmacêutica, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Revisão e Colaboração
Tiago Campos Quevedo
Heliana Trindade Marinho Santana

Diagramação
Concita Elvas e Hugo José Saraiva Ribeiro

Projeto capa e artes visuais


Jader Soares

Impressão
Gráfica e Editora “Sete Cores”

Todos os direitos desta edição reservados ao autor. É proibida a duplicação


ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou
meios, sem a permissão expressa.

Maximino, Flávio Donalwan Sá.


Gestão da Assistência Farmacêutica: Conceitos e Práticas
para o Uso Racional de Medicamentos.
São Luís, 2017
147 fl.

1. Assistência Farmacêutica. 2. Política Nacional de Medi-


camentos. 3. Avaliação de Processos. 4. Sistema Único de Sa-
úde. 5. Brasil.
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

APRESENTAÇÃO

Certo dia, em um fim de tarde de setembro de 2012,


regressando para casa após outra viagem nos mares maranhen-
ses, tomei uma decisão: “Flávio, já está na hora de fazer um
mestrado”. A ideia de ingressar no mestrado sempre esteve
comigo desde os tempos da graduação e aumentou com a reali-
zação da Especialização em Gestão da Assistência Farmacêuti-
ca, onde pude ampliar meus conhecimentos e aprimorar meu
trabalho no município de Alcântara como farmacêutico hospi-
talar e comunitário.
Tive a oportunidade de conhecer diversas experiências
profissionais na Assistência Farmacêutica no Sistema Único de
Saúde, além de visitar a bela Florianópolis. Tempos depois,
pude contribuir neste curso, desta vez como orientador e pales-
trante.
Lembro de conversar em seguida com minha orienta-
dora sobre as opções acadêmicas e decidimos investir no mes-
trado na Universidade Federal Fluminense, em Niterói – RJ.
Confesso que pensei em desistir e procurar outra opção. O
principal desafio era sair da “zona de conforto”, abandonar dois
empregos e uma vida confortável em São Luís para retornar à
vida de estudante, desta vez no Rio de Janeiro.
Hora de escrever o projeto de pesquisa, procurar pas-
sagem, hotel, estudar, conversar com a família, fazer as contas e
aguardar o dia 14 de janeiro de 2013, data da primeira prova.
Me surpreendi com a quantidade e o nível dos candidatos, além
da beleza da “cidade maravilhosa”. Semanas depois, o resulta-
do: aprovado em sétimo lugar, chegava a hora de mudar de
vida.
Malas prontas, muitas lágrimas, saudade e uma ansie-
dade que não cabia em mim. Consegui um apartamento na Rua
Noronha Torrezão, no bairro de Santa Rosa, próximo à facul-
dade de Farmácia da UFF. Jamais esquecerei o primeiro dia no
mestrado, aula de Gestão da Assistência Farmacêutica, com a
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Farmacêutico, Professor.

Profa. Selma Castilho: “Boa noite, sou Flávio Maximino, vim de


longe, de São Luís do Maranhão”.
Impossível não notar a expressão de surpresa dos
meus companheiros de turma, percebi naquele instante que
seria muito bem recebido e faria amizades para o resto da mi-
nha vida. Os dias passam, chegam as aulas, provas, ligações,
projetos e e-mails. Mas nada superava a interação e a afinidade
entre meus novos amigos, de repente a terça-feira se tornou
meu dia favorito na semana.
Com o avanço da pesquisa, sob orientação do Prof.
Benedito Cordeiro, seguimos e avançamos com o projeto da
dissertação: “Avaliação da Estrutura da Assistência Farmacêuti-
ca no Maranhão”, um diagnóstico sobre a implementação desta
política e dos serviços farmacêuticos para a população deste
Estado, tão carente de informações e serviços, mas ao mesmo
tempo tão rico culturalmente.
Retorno para São Luís em 2014 e reinicio minha histó-
ria profissional, desta vez na Secretaria Municipal de Saúde,
onde tive a experiência de atuar diretamente na gestão da Assis-
tência Farmacêutica, como membro da coordenação. Com o
tempo, aceitei um novo desafio: assumir a gestão da farmácia
hospitalar na Unidade Mista do Coroadinho, uma das comuni-
dades mais carentes da capital maranhense, conhecida pelos
problemas sociais, violência e carência de serviços públicos.
Logo depois, inicio minha vida acadêmica como pro-
fessor do Curso de Farmácia das Faculdades Pitágoras e Maurí-
cio de Nassau, uma experiência que sempre quis realizar. Eis
que surge um novo desafio: ser preceptor de estágio. Não é fácil
transmitir experiência profissional e conhecimentos práticos
sobre a Assistência Farmacêutica no SUS.
Ao longo destes dias refleti sobre o processo de como
transmitir este conhecimento adquirido aos meus alunos e à
população. Este livro é o resultado natural deste trabalho, pelo
fato de ser maranhense, farmacêutico e professor. Percebi nes-
tes anos a complexidade de se compreender o processo de ges-
tão da Assistência Farmacêutica, principalmente na vida acadê-
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

mica, onde a prática por muitas vezes não se relaciona com a


teoria.
O objetivo desta obra é transmitir ao leitor a visão do
profissional farmacêutico como administrador da saúde e dos
serviços farmacêuticos, através dos processos de gestão da As-
sistência Farmacêutica. Inicialmente, iremos abordar os princí-
pios gerais sobre gestão e como estes podem ser aplicados no
contexto das Políticas de Saúde. Para este capítulo, convidamos
o Administrador e Professor Tiago Campos Quevedo, que trará
sua visão e experiência sobre os princípios fundamentais da
Administração e Gestão aplicados à logística dos medicamen-
tos.
Na sequência, abordar-se-á as atividades que com-
põem o Ciclo da Assistência Farmacêutica e as estratégias para a
promoção do uso racional de medicamentos para a população,
promovendo saúde e valorizando o profissional farmacêutico.
Agradeço à minha família, amigos, colaboradores, pro-
fessores e alunos, por toda a ajuda e por acreditarem na realiza-
ção desta obra. Dedico a vocês esta realização. Mais que um
trabalho de conclusão de curso, que se tornou um livro, este
projeto é a materialização de uma jornada, que nasceu anos
atrás nos mares maranhenses, em uma bela tarde de setembro.

Boa Leitura!
Flávio Donalwan Sá Maximino.
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Farmacêutico, Professor.

“O papel do Farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital.


O Farmacêutico representa o órgão de ligação entre a medi-
cina e a humanidade sofredora. É o atento guardião do arse-
nal de armas com que o Médico dá combate às doenças. É
quem atende às requisições a qualquer hora do dia ou da noi-
te. O lema do Farmacêutico é o mesmo do soldado: servir.”
“Um serve à pátria; outro serve à humanidade, sem nenhuma
discriminação de cor ou raça. O Farmacêutico é um verda-
deiro cidadão do mundo. Porque por maiores que sejam a
vaidade e o orgulho dos homens, a doença os abate - e é en-
tão que o Farmacêutico os vê. O orgulho humano pode en-
ganar todas as criaturas: não engana ao Farmacêutico.”
“O Farmacêutico sorri filosoficamente no fundo do seu labo-
ratório, ao aviar uma receita, porque diante das drogas que
manipula não há distinção nenhuma entre o fígado de um
Rothschild e o do pobre negro da roça que vem comprar 50
centavos de maná e sene.”

Monteiro Lobato (1882 – 1948)

“... e dela se serve para acalmar as dores e curá-las; o farma-


cêutico faz misturas agradáveis, compõe ungüentos úteis à
saúde e seu trabalho não terminará, até que a paz divina se
estenda sobre a face da terra....”

Bíblia Sagrada, Eclesiásticos 38:7


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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

SUMÁRIO

CAPÍTULO 01

1. CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO


APLICADOS EM ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA ..... 013
1.1 Análise dos Conceitos de Administração e Gestão ................ 015
1.1.1 Administração ou Gestão? .......................................................... 015
1.1.2 Função Planejamento .................................................................. 017
1.1.3 Função Organização .................................................................... 021
1.1.4 Função Direção ............................................................................ 023
1.1.5 Função Controle .......................................................................... 026
1.1.6 Sinergia na Gestão ....................................................................... 028
1.1.7 Conceitos sobre Avaliação .......................................................... 029
1.1.8 Ciclo PDCA .................................................................................. 032

CAPÍTULO 02

2. POLÍTICAS PÚBLICAS DE MEDICAMENTOS E O


CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA ................. 035
2.1 Políticas Públicas de Medicamentos no Brasil: Avanços e
Desafios da Assistência Farmacêutica no Serviço de Saúde 036
2.1.1 O Início das Políticas Públicas de Medicamentos nos
Anos 70 e 80 ................................................................................ 036
2.1.2 Reforma da Saúde: da Lei Orgânica da Saúde à Política
Nacional de Medicamentos ....................................................... 042
2.1.3 O Fortalecimento da Assistência Farmacêutica no Sistema
Único de Saúde (SUS) ................................................................ 045
2.2 Ciclo da Assistência Farmacêutica ........................................... 047
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CAPÍTULO 03

3. SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS .................................... 055


3.1 Padronização de Medicamentos Essenciais ........................... 056
3.2 Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) .......................... 060
3.3 Processos Práticos de Seleção para Promoção do Uso
Racional de Medicamentos ....................................................... 062

CAPÍTULO 04

4. LOGÍSTICA – PARTE 01: PROGRAMAÇÃO E AQUI-


SIÇÃO DE MEDICAMENTOS ............................................ 065
4.1. Conceitos Fundamentais de Logística e Gerenciamento .... 067
4.2. Programação de Medicamentos .............................................. 070
4.2.1. Método do Perfil Epidemiológico .......................................... 076
4.2.2. Método do Consumo Histórico ............................................. 077
4.2.3. Método da Oferta de Serviço ................................................. 079
4.2.4. Método do Consumo Ajustado .............................................. 079
4.3. Aquisição de Medicamentos ..................................................... 080
4.3.1. Lei de Licitações e Contratos e suas Aplicações na Aquisi-
ção de Medicamentos e Insumos ............................................. 082

CAPÍTULO 05

5. LOGÍSTICA – PARTE 02: ARMAZENAMENTO E


DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS .......................... 089
5.1. Armazenamento de Medicamentos e Insumos ..................... 090
5.1.1. Fases e Etapas do Armazenamento ........................................ 091
5.1.2. Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) ................... 093
5.1.3. Gestão e Controle do Estoque de Medicamentos e
Insumos Farmacêuticos ............................................................ 099
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

5.1.3.1. Indicadores para Gestão e Controle de Estoque de


Medicamentos e Insumos Farmacêuticos ........................... 102
5.1.3.2. Classificação dos Itens em Estoque – ABC e XYZ .......... 106
5.2. Distribuição de Medicamentos e Insumos ............................. 111

CAPÍTULO 06

6. DISPENSAÇÃO E A PROMOÇÃO DO USO RACIO-


NAL DE MEDICAMENTOS ................................................ 117
6.1. Dispensação de Medicamentos ................................................ 118
6.1.1. A Evolução dos Conceitos Sobre Dispensação ................... 118
6.1.2. Etapas do Processo de Dispensação ...................................... 124
6.2. Atribuições Clínicas e Serviços Farmacêuticos ...................... 132
6.2.1. Conceitos e Tipos de Serviços Farmacêuticos ...................... 134
6.3. Promoção do Uso Racional de Medicamentos ...................... 137

REFERÊNCIAS ................................................................................ 141


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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

1
CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO
APLICADOS EM ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

Tiago Campos Quevedo, professor Universidade Federal do Maranhão


(UFMA), especialista em Gestão Empresarial Fundação Getúlio Vargas
(FGV)
Flávio Donalwan Sá Maximino, professor Faculdade Pitágoras, mestre em
Administração e Gestão da Assistência Farmacêutica, Universidade Federal
Fluminense (UFF).

O País vive um momento de instabilidade econômica e so-


cial, que se reflete no aumento dos custos, retração de investimentos
e na mudança política que ocorreu em 2016. Os gastos públicos au-
mentam a cada ano, exigindo um novo modelo com mais eficiência
na gestão dos impostos e recursos para proporcionar qualidade nos
serviços ofertados à população.
A ineficiência no processo de gestão se propaga ao longo
da história recente, fato que pode ser observado na estrutura disponí-
vel para as mais diversas áreas do País e que são reivindicadas pela
população no atual momento: educação, mobilidade urbana, seguran-
ça, emprego, agricultura, habitação, saneamento básico e, principal-
mente, saúde.
Observamos que em todos estes setores não há disponibili-
dade qualitativa, quantitativa e estrutural que possa suprir a demanda
de serviços exigidos pelos habitantes de modo eficaz e com qualida-
de, comprometendo a execução dos serviços ofertados à população e
a credibilidade do Poder Público.
Quanto à gestão e execução da Assistência Farmacêutica,
observam-se as mesmas falhas estruturais e a insatisfação da popula-
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ção. As farmácias públicas, em sua maioria, estão em desacordo com


a legislação vigente, não possuem estoque suficiente para atender a
demanda de medicamentos e não oferecem serviços farmacêuticos
com qualidade.
Em diversas unidades de saúde, não se observa a presença
do profissional farmacêutico habilitado para desenvolver as atividades
da Assistência Farmacêutica, trazendo prejuízos à população e preju-
dicando o acesso e a promoção do uso racional de medicamentos.
Deste modo, sem um rigoroso controle de estoque, observa-se um
enorme desperdício em relação aos medicamentos e insumos no Sis-
tema Único de Saúde (SUS), abrangendo boa parte dos recursos des-
tinados à gestão da Assistência Farmacêutica.
Na rede privada, destaca-se o elevado custo dos medica-
mentos e a comercialização de produtos que não são necessários para
o tratamento de saúde da população. Esta prática afasta o farmacêuti-
co da sua atuação como profissional de saúde, reduzindo-o às ativi-
dades logísticas e comerciais, eliminando a dispensação dos medica-
mentos para a população, fato este que pode gerar a automedicação
sem orientação e aos eventuais prejuízos clínicos ao usuário do medi-
camento.
O Conselho Federal de Farmácia (CFF), em seu manual
sobre a Assistência Farmacêutica no SUS, estabelece as atividades
regulamentadas para a profissão farmacêutica nesta política, incluindo
a dispensação e a promoção do uso racional de medicamentos, além
da gestão logística da Assistência Farmacêutica.
Neste capítulo iremos abordar os principais conceitos refe-
rentes à Administração aplicados na Assistência Farmacêutica. Cabe
ressaltar que o profissional farmacêutico é o responsável pela logística
e dispensação dos medicamentos, otimizando os recursos disponíveis,
atuando como um dos administradores dos serviços de saúde.
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

1.1 ANÁLISE DOS CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO E


GESTÃO
1.1.1 Administração ou Gestão?

Toda pessoa é um administrador! Alguns administram em-


presas, outras administram suas casas, outras suas atividades no traba-
lho e por fim e não menos importante sua própria vida. A adminis-
tração evoluiu ao longo dos anos em diversas sociedades ao redor do
mundo. Os exércitos e a igreja contribuíram com diversos conceitos
como hierarquia, autoridade e comando.
No século XX através dos estudos de Frederick Taylor
(americano criador da teórica cientifica da administração e considera-
do por muitos como o “pai da administração”) e do francês Henry
Fayol (criador da teoria cientifica da administração), a Administração
evoluiu e passou a ter o status de ciência.
Podemos afirmar que a Administração é uma ciência for-
mada pela junção de outras diversas ciências como engenharia, psico-
logia, matemática, estatística, economia e contabilidade. A partir dessa
ciência os estudiosos procuram mecanismos para atingir as metas das
organizações de forma eficaz e eficiente. Existem diversos conceitos
que definem a Administração dos quais podemos citar:

“... refere-se à administração como sendo um processo ou ativida-


de dinâmica que consiste em tomar decisões sobre objetivos e
recursos” (MAXIMIANO, 2000).

“... o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de


recursos a fim de alcançar objetivos organizacionais de maneira
eficiente e eficaz” (CHIAVENATO, 1999).

Os conceitos de Administração, gerência e gestão variam de


acordo com os autores, o período temporal e o contexto socioeco-
nômico aplicado. Alguns autores consideram que são sinônimos, não
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havendo diferenças significativas na aplicação destes conceitos. Ou-


tros afirmam que a Administração se refere à ciência, como vimos
anteriormente, enquanto a gestão se aplica a uma cadeia de processos.
De acordo com Leite e Guimarães (2011), “gestão é um
processo técnico que exige capacidade analítica com base em conhe-
cimento científico”. Para que uma decisão venha a ser tomada é ne-
cessário utilizar informações referentes à situação de saúde e ao uso
de medicamentos de uma determinada população, de forma sistema-
tizada, atualizada e com base em métodos epidemiológicos e socioló-
gicos.
Para o seguimento desta obra, vamos utilizar o conceito de
gestão a partir dos estudos de Barreto e Guimarães:

“... gestão é um processo técnico, político e social capaz de produ-


zir resultados”. (BARRETO e GUIMARÃES, 2010).

Observa-se que a gestão é diretamente ligada aos resulta-


dos, utilizando-se dos processos técnicos, políticos e sociais da cadeia
logística. Quando nos referimos à gestão da Assistência Farmacêutica,
observamos que estão inerentes diversas atividades e processos, que
apresentam como resultados a dispensação, a promoção do uso raci-
onal de medicamentos e a melhoria da qualidade de vida do paciente.
Seguindo-se os estudos de Leite e Guimarães (2011), per-
cebe-se que a diferenciação entre os conceitos de “gestão”, “gerên-
cia” e “administração” não é tão clara e definida, não havendo, por-
tanto, uma padronização na literatura.
Diante dos estudos de Mendes (2013), seguindo o anteri-
ormente exposto por Mota (1995), conclui-se que a gestão é arte,
envolvendo habilidades, criatividade e também sensibilidade, exigindo
conhecimentos técnicos que precisam ser acessados para gerenciar e
administrar organizações, pessoas e estabelecimentos.
De acordo com Chiavenato (1999), o conceito de Adminis-
tração envolve as atividades de planejamento, organização, direção e
controle de uma organização. O que ficou conhecido como as fun-
ções da Administração. Através da perspectiva dessas quatro funções,
estabeleceremos os fundamentos e um paralelo de conceitos teóricos
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

básicos de gestão, além dos processos diários da gestão da Assistência


Farmacêutica.

1.1.2 Função Planejamento


Sempre que se pensar em planejamento deve-se pensar em
futuro. Devido à quantidade e complexidade de variáveis, o futuro
nunca pode ser previsto com exatidão, o que existe são possibilida-
des. Impressiona como muitos gestores e profissionais do ramo far-
macêutico simplesmente executam tarefas rotineiras dia após dia sem
nunca se preocupar com o futuro.
O planejamento é a primeira função da administração e
muitos estudiosos a consideram como a mais importante. Se o plane-
jamento de uma tarefa, projeto ou organização estiver equivocado,
todas as demais atividades e o resultado final estarão comprometidos.
Por isso, é importante que um gestor farmacêutico entenda conceitos
simples de planejamento para que possa aplicá-los no seu dia a dia.
Analisemos uma história fictícia para entendermos os pas-
sos básicos para um planejamento eficaz: Renato é um advogado de
55 anos, pesa 115 kg, trabalha no setor jurídico de uma empresa e, em
certa noite, começou a se queixar de tonturas e dores de cabeça, por
isso decidiu ir ao médico. Chegando ao consultório, qual a primeira
coisa que um médico deve fazer para que consiga futuramente curar
ou melhorar o quadro do paciente? Resposta: Diagnóstico!
Um bom diagnóstico é o primeiro passo para a elaboração
de qualquer planejamento. Não se pode receitar um medicamento
sem um diagnóstico prévio, assim como não se pode planejar sem
que se entenda primeiramente como se encontra a situação da organi-
zação, empresa, departamento, farmácia ou estabelecimento farma-
cêutico.
Todo administrador ao assumir um cargo de gestão dedica
um determinado período realizando um diagnóstico da organização
antes de tomar qualquer decisão. Um diagnóstico preciso é a premis-
sa para que todo planejamento e gestão eficiente possam ser realiza-
dos na organização ou em atividades diárias de um colaborador do
setor farmacêutico.
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Existem diversas abordagens e métodos de diagnóstico, vo-


cê pode utilizar pesquisas, entrevistas, questionários, analisar compa-
rativamente outras organizações similares ou contratar uma consulto-
ria especializada. Entre as ferramentas especificas de gestão para ela-
boração de diagnósticos a mais famosa e utilizada por gestores é a
análise de “SWOT”.
A Análise de SWOT é um acrónimo em inglês das Forças
(Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e
Ameaças (Threats) de uma organização, constituindo-se de uma fer-
ramenta prática de gestão, conforme a figura 01.

Figura 01: Análise de “SWOT”

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Observe que, para se realizar um diagnóstico adequado de


uma organização ou departamento não basta somente observar a
organização internamente (pontos fortes e fracos), mas também os
fatores externos, ou seja, as oportunidades e ameaças que o mercado
oferece. Pontos fortes devem ser mantidos e maximizados; pontos
fracos devem ser sanados; oportunidades devem ser aproveitadas da
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Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

melhor forma possível; e as ameaças devem ser mitigadas ou até evi-


tadas, através de um plano específico de contingência.
Voltamos ao exemplo do paciente, ele já recebeu o seu di-
agnóstico clínico: Renato possui um quadro inicial de hipertensão
arterial. Então, em sua consulta, o médico explica a Renato que o
mesmo precisa emagrecer 20 quilos e o aconselha a ter uma mudança
em seus hábitos alimentares e inserir a prática de exercícios físicos.
Caso contrário, terá que iniciar tratamento com medicamentos.
Qual o paralelo do caso clínico com as etapas de um plane-
jamento organizacional? Resposta: Após o diagnóstico você deve
implementar Metas e Estratégias!
Uma vez que a organização elaborou um diagnóstico claro
que aborda e compreende sua situação atual, ela estará preparada para
elaborar metas e estratégias para o futuro. Mas qual a diferença entre
metas e estratégias?
É muito comum no dia a dias as pessoas confundirem ou
usarem como sinônimos as palavras “objetivos”, “metas” e “estraté-
gias”. Todavia, elas possuem uma diferença significativa que impacta
no entendimento de gestão.
Primeiramente, entendemos como meta um objetivo devi-
damente especificado através de quantidade e prazos. Observe, se
uma pessoa diz: “Eu irei emagrecer”, isso é somente um objetivo, pois
não define quantos quilos e o prazo em que a pessoa irá emagrecer.
Entretanto, se a mesma pessoa afirmar: “Irei emagrecer 5 quilos em um
mês”, ela possui uma meta, pois especificou a quantidade de quilos e o
prazo.
Organizações devem trabalhar sempre com metas. Você
nunca ouviu um gestor experiente falar: “Eu tenho objetivos de vendas”,
ele sempre falará “Eu possuo metas de vendas”, pois ele sabe claramente
quantos produtos ou serviços deve vender em um determinado tem-
po, normalmente seis meses para curtos prazos, um ano para médio
prazo e mais de dois anos para planejamentos a longo prazo.
Um estabelecimento farmacêutico pode e deve trabalhar
como metas de atendimentos clínicos e serviços de dispensação reali-
zados de forma satisfatória, não somente ter como base as metas de
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venda e comercialização de medicamentos. Pode se estimular os co-


laboradores com bonificações para promover o uso racional de medi-
camentos, percentuais de satisfação dos clientes e serviços farmacêu-
ticos clínicos realizados no estabelecimento, estimulando assim a
fidelização do cliente e a imagem positiva do estabelecimento.
Uma vez que você possui um diagnóstico do momento atu-
al e metas claras que especifiquem qual lugar se quer chegar, em um
determinado tempo, é necessário que se implemente estratégias. En-
tende-se por estratégia o conjunto de procedimentos e atividades que
serão realizados visando alcançar uma ou mais metas.
Se Renato possui elevação da pressão arterial devido a obe-
sidade (diagnóstico) e precisa emagrecer 20 quilos em três meses
(meta), quais são as estratégias que Renato pode adotar? Talvez ele
possa realizar a prática de um esporte três vezes por semana; outra
estratégia seria substituir refrigerante por suco e, uma terceira estraté-
gia, fazer caminhadas na praia.
Os conceitos parecem simples, mas é notório como muitos
gestores farmacêuticos não utilizam um diagnóstico preciso, além das
metas e estratégias em suas profissões ou estabelecimentos. Comece
com esse conceito simples e verás como todos os trabalhos e resulta-
dos em sua profissão serão mais claros e produtivos.
Apresentamos abaixo algumas questões para reflexão e ava-
liação prévia que facilitam o planejamento da Gestão da Assistência
Farmacêutica:
1. A equipe de gestão farmacêutica realiza um diagnóstico anual de
seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças?
2. A equipe possui metas de curto, médio e longo prazo?
3. Quais as estratégias que serão realizadas para se alcançar as me-
tas estipuladas?
4. Existe um controle e supervisão da gestão em relação ao acom-
panhamento das metas estabelecidas?
5. As metas são claras, diretas e viáveis economicamente e estão
alinhadas com a melhoria dos produtos e serviços?
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 21


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

6. Existe alguma bonificação ou reconhecimento dos colaborado-


res mais empenhados em atingir as metas estipuladas?

1.1.3 Função Organização


A palavra organização possui dois significados: o primeiro
refere-se a organização no sentido de instituição. Por exemplo: “Eu
trabalho em uma grande organização!”. O segundo significado refere-se à
organização enquanto processo: “Eu preciso me organizar mais”. Nesse
tópico abordaremos o segundo caso; ou seja, a organização enquanto
função administrativa e sua importância na gestão farmacêutica.
De acordo com Chiavenato (1999), a função organização é
parte integrante do processo administrativo, ou seja, o ato de organi-
zar, definir, estruturar e integrar recursos e órgãos incumbindo de sua
administração e estabelecer relações entre eles e suas atribuições.
Um aspecto comum claramente observado em organiza-
ções que realizam uma gestão ineficiente é a bagunça! Isso mesmo, a
total falta de organização. Os colaboradores não sabem quais são suas
atribuições, os setores não possuem processos claros e definidos e a
organização como um todo possui uma estrutura engessada e lenta.
Além disso, e não menos grave, observa-se constantemente desperdí-
cio de recursos, tempo e retrabalho.
A organização precisa ser estruturada de modo que os re-
cursos mais importantes como pessoas, dinheiro e materiais sejam
maximizados. A compreensão da estrutura, porte e hierarquia em
uma organização deve ser facilmente compreendida pelo organo-
grama, documento de fundamental importância para a gestão e que
deve estar à disposição e consulta de todos os colaboradores.
Cada colaborador deve saber a quem se reportar em caso
de dúvida, cada setor deve trabalhar em harmonia com os demais na
busca pela realização das metas organizacionais. Muitas organizações
possuem estruturas e consequentemente organogramas defasados que
por apresentarem muitos níveis distintos e confusos, dificultam a
tomada de decisão e a produtividade.
Além disso, é necessário ao gestor observar se existe um
excesso de centralização na estrutura organizacional. Organizações
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22 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

centralizadas são aquelas onde a tomada de decisão e a autoridade


estão fortemente concentradas no nível estratégico (topo do organo-
grama), enquanto organizações descentralizadas são instituições que
procuram difundir a tomada de decisão e a autoridade em todos os
níveis do organograma.
Sabe-se que vivemos em um momento de descentralização
da gestão pública, pois o excesso de centralização prejudica a dinami-
cidade e produtividade. Para descentralizar processos e atribuições é
necessário que os gestores trabalhem o conceito de “empowerment”.
Na Administração chamamos de empowerment a ideia de que
os gestores devem delegar autoridade e responsabilidade aos colabo-
radores, orientando-os e permitindo que os mesmos participem do
processo decisório. Esse “empoderamento”, que transferido dos
gestores aos colaboradores, também funciona como um fator de
motivação e maior comprometimento em relação às metas da organi-
zação.
Uma vez que a organização desenhou uma estrutura efici-
ente; que atenda aos objetivos dos clientes e consumidores; estrutu-
rou os departamentos e definiu as atribuições e responsabilidades dos
colaboradores; caberá, por fim, no que se refere a função organiza-
ção, o desenvolvimento e implementação de processos e procedimen-
tos.
Observa-se que muitos gestores não atribuem um grande
esforço ao desenho e revisão dos processos e atividades organizacio-
nais. Processos bem formulados melhoram o desempenho, ajudam na
implementação da padronização e qualidade e facilitam à dinâmica e a
produtividade. Os procedimentos devem ser claros, seguros, simples
e detalhados passo a passo. O documento que demonstra um proces-
so organizacional detalhado chama-se fluxograma.
Nos estabelecimentos farmacêuticos existem diversos pro-
cedimentos e serviços que precisam ser documentados, atualizados e
padronizados por todos os colaboradores, através dos Procedimen-
tos Operacionais Padrão (POP). Estes documentos padronizam os
serviços e atividades realizados em uma empresa, facilitando a organi-
zação e minimizando a possibilidade de erros, devendo estar em local
acessível em todos os setores da empresa. Assim, caso um colabora-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 23


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

dor inicie no setor ou precise de treinamento, poderá ter acesso à


rotina específica dos procedimentos utilizados no estabelecimento.
Entendemos que a função organizacional determina a efici-
ência de uma organização e a maximização dos recursos utilizados. Se
você é gestor, um farmacêutico responsável técnico, ou gerente far-
macêutico, dedique um tempo para refletir sobre as questões abaixo e
tente gradualmente implementar melhorias relativas da função orga-
nização em sua farmácia ou estabelecimento. Você irá se surpreender
com os resultados obtidos.
1. Você conhece o organograma de sua organização? Ele é atual e
representa bem a necessidade de cargos e departamentos?
2. As atribuições de cada colaborador estão devidamente regis-
tradas?
3. Sua organização possui uma estrutura centralizada ou descen-
tralizada? Quais as vantagens e desvantagens de cada estrutura?
4. Existem fluxogramas claros que orientam as atividades dos
colaboradores?
5. Os colaboradores possuem liberdade de decisão e são estimu-
lados a sugerir melhorias na estrutura e processos da organiza-
ção?
6. Existem processos defasados que não atendem mais de forma
eficiente as necessidades dos clientes e da organização?
7. Existe retrabalho e desperdício em seu departamento? Em ca-
so afirmativo que estratégias podem minimizar ou eliminar es-
ses aspectos.
8. A Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) está devida-
mente limpa e organizada?

1.1.4 Função Direção


Não existe organização sem pessoas, os colaboradores são
os recursos mais importantes para que as instituições alcancem seus
objetivos. A função direção, ou liderança, aborda um conjunto de
políticas e práticas necessárias para maximizar a eficiência e satisfação
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24 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

dos colaboradores através de diversos processos relacionados a recru-


tamento, seleção, comunicação, treinamento, recompensas e avaliação
de desempenho. Alguns estudiosos se referem à função direção com
o termo gestão de pessoas, muito difundido na literatura atual.
Estabelecer um relacionamento “ganha-ganha” com cola-
boradores, clientes, fornecedores e demais partes envolvidas na orga-
nização é o verdadeiro desafio do gestor. Sempre será atual a premis-
sa do renomado escritor, professor e consultor de gestão Peter Druc-
ker de que organizações são feitas de pessoas para pessoas.
O primeiro passo para dirigir/liderar pessoas é saber esco-
lher um bom time de colaboradores; o processo de recrutamento e
seleção é de vital importância nas organizações. Não se pode manter
um sistema de gestão produtivo se os colaboradores não possuem
uma mínima aptidão e perfil para o cargo.
A seleção de colaboradores em organizações públicas é fei-
ta em grande parte por concurso público, envolvendo provas e análi-
ses de experiências profissionais. Em outras organizações, incluindo o
setor privado, a seleção passa por fases como análise de currículo,
dinâmicas de grupo e entrevistas, com o objetivo de escolher o me-
lhor perfil para a empresa, incluindo o candidato mais apto e qualifi-
cado.
Se os gestores não souberem qual perfil de profissional é
necessário para a empresa, a seleção não terá eficácia. O desenho de
cargos é uma atribuição dos gestores onde deve ser pensado que
comportamentos, conhecimentos, atitudes e habilidades devem ser os
esperados de cada vaga em aberto. Também deve se pensar na remu-
neração e em possíveis bonificações aos colaboradores por desempe-
nho, incluindo as metas estabelecidas e outras habilidades demons-
tradas pelo profissional.
Depois que um colaborador é admitido em uma organiza-
ção, é necessário que o mesmo receba o devido treinamento antes
que comece a realizar suas funções. Parece uma premissa simples,
mas você iria se surpreender com a quantidade de empresas que não
oferecem treinamento algum aos seus funcionários, em especial na
Administração Pública.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 25


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

A consequência deste fato é que os colaboradores apren-


dem suas funções de maneira lenta e desconexa no dia a dia de traba-
lho, além de não existir um padrão para o desenvolvimento dos servi-
ços e atividades. Soma-se a isso o desconhecimento da cultura orga-
nizacional, dos processos e das metas da organização, resultando em
ineficiência e desperdícios de recursos.
Suponha que o colaborador contratado possui o perfil de-
sejado ao cargo, foi devidamente aprovado no processo de seleção e
antes de desempenhar suas funções recebeu um treinamento adequa-
do, onde conheceu as normas, processos, pessoas e cultura da organi-
zação. Nesse momento o gestor precisa estipular metas e bonifica-
ções por produtividade aos colaboradores, motivando-os a buscar
capacitações, desenvolver suas funções com mais produtividade e
assim alcançar melhores resultados.
Vamos pensar que uma organização possua trinta vendedo-
res e que três vendedores possuem um índice de vendas cinco vezes
maior que os demais. O que aconteceria se esses três vendedores
recebessem a mesma remuneração final que os demais? Provavelmen-
te ocorreria uma desmotivação gradual desses três vendedores até o
ponto em que eles não tivessem a produtividade de antes.
Diversos gestores não entendem a importância de estabele-
cer metas e atrelar bonificações ao cumprimento das atividades. Se
não é possível oferecer remuneração adicional financeira, talvez seja
possível uma bonificação por reconhecimento, flexibilidade de horá-
rio ou outra demanda do colaborador merecedor do mesmo.
Ficou claro que a seleção, treinamento, estabelecimento de
metas e bonificações são premissas de um gestor ao liderar pessoas.
Outro fator não comentado seria a ligação desses processos por elo
forte, uma corrente que condiciona bons líderes e colaboradores en-
gajados que se chama comunicação.
Todos os livros sobre liderança e gestão de pessoas deman-
dam significativas páginas sobre a importância da comunicação clara,
direta e que atenda às objetivos dos líderes para com seus liderados.
Em complemento: Muitos dos problemas que existem nas empresas
nada mais são do que falhas de comunicação.
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26 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Faça essa reflexão e verás que é verdade. Se você não pos-


sui um interesse genuíno naquilo que sua equipe pensa sobre a orga-
nização, seus anseios e sugestões, então você não é um bom líder. As
pessoas tem a necessidade de se expressar, receber atenção e conside-
ração. Por isso, independente de seu cargo ou setor, sempre reserve
um tempo para estimular as pessoas que trabalham com você a fala-
rem com franqueza e ofereça um feedback atento e honesto com os
mesmos.
Uma comunicação, direta, franca e frequente gera cumpli-
cidade e respeito entre os colaboradores, melhora o clima organizaci-
onal e consequentemente o desempenho geral da equipe. A seguir,
algumas questões para reflexão sobre direção e liderança.
1. Quais os critérios de recrutamento e seleção da sua organiza-
ção eles estão de acordo com o perfil do cargo ou podem ser
atualizados?
2. Todos os colaboradores recebem treinamento antes de iniciar
suas funções? O treinamento pode ser otimizado?
3. Os colaboradores possuem metas claras de produtividade e
são bonificados quando atingem as mesmas?
4. A liderança possui um bom relacionamento com os colabo-
radores e solicita a participação e envolvimento de todos?
5. Os colaboradores se sentem confortáveis para se expressar e
sugerir melhorias e novas ideias?
6. Existe alguma avaliação de desempenho dos colaboradores?
Como ela é realizada?

1.1.5 Função Controle


O que não pode mensurado não pode ser administrado.
Sem controle, não existe gestão! A função controle tem como objeti-
vo analisar se as demais funções estão atingindo as metas propostas
pelo setor ou pela gestão. Além disso, a função controle adota as
medidas corretivas devidas sempre que um processo está fora de
padrão.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 27


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Existem algumas áreas de uma organização que necessitam


de um controle mais restrito e específico como, por exemplo, o con-
trole de caixa, de estoque, controle de contábil, controle de qualidade
dentre outros. O controle é a ultima, mas não menos importante
função da administração.
O processo de controle começa pelo estabelecimento de
diversos indicadores que devem representam os requisitos de quali-
dade que um produto ou serviço devem conter. É importante consi-
derar que muitas organizações tem uma preocupação com somente
uma área ou aspecto de controle. Um exemplo são gestores extre-
mamente preocupados com controles financeiros ou de estoque, mas
que não possuem método algum de mensuração de controle da quali-
dade do atendimento ou de sugestões e reclamações de clientes por
exemplo.
Considerando-se a Gestão da Assistência Farmacêutica,
destacamos o controle de qualidade e o controle de estoque, funda-
mentais para garantir a segurança e a eficácia dos medicamentos, que
serão abordados nos capítulos seguintes.
Atualmente os controles das organizações são feitos por
sistemas integrados “ERP” (Enterprise Resource Planning) e fornecem
relatórios e estatísticas precisas de controle que auxiliam os gestores
na tomada de decisão e eventuais medidas corretivas.
Relatórios mensais dos principais indicadores de uma orga-
nização ou de um departamento devem ser analisados pelos gestores
preferencialmente em conjunto com a equipe. Quando as métricas de
controle estiverem abaixo do desejado deve-se debater quais os moti-
vos, fatores e eventos que ocorreram para que as metas não fossem
alcançadas, além das medidas corretivas que serão necessárias para
reversão do quadro.
Por fim, sugestões de melhorias e correções devem ser
propostas e implementadas com velocidade para que o problema não
tome proporções maiores ou impacte outros setores da organização.
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28 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

1. Quais os critérios de qualidade do produto e serviço de cada


área de sua organização?
2. Quais os principais critérios, índices ou dados que demons-
tram que você e seu estabelecimento realizam um trabalho
eficiente?
3. Existe um plano com medidas corretivas em caso de falhas
ou problemas de qualidade?
4. Existe um sistema de gestão que forneça os dados necessá-
rios para o controle dos processos da organização?
5. É possível realizar melhorias continuas nos produtos e servi-
ços da organização?

1.1.6 Sinergia na Gestão


Vimos, de maneira breve e direta, através das quatro fun-
ções da administração (planejamento, organização, direção e controle)
diversos conceitos práticos que podem ser aplicados no dia a dia. É
importante frisar que todas as funções da administração existem em
conjunto; de nada adianta, por exemplo, uma empresa que realize um
excelente planejamento estratégico, mas que não possua um sistema
eficaz de controle ou organização eficiente de seus processos. Sendo
assim, a sinergia de todas as funções da administração e a harmonia
entre os departamentos deve ser o ideal buscado de todo gestor.
Se você é um administrador, estudante, empresário, farma-
cêutico ou gestor público, pense em como esses conceitos básicos
podem ajudar você em seu trabalho diário. Comece agora! Implemen-
te as ideias mais fáceis e aos poucos agregue mudanças mais radicais
na gestão.
Caso você seja líder de uma equipe, faça reuniões e debata
as questões para reflexão que estão ao final do capitulo de cada fun-
ção da administração; lembre-se também de continuar sempre pes-
quisando e se aperfeiçoando, pois o campo da administração é muito
competitivo e se encontra sempre em constante mudança. Apresen-
tamos no Quadro 01 um resumo das quatro funções administrativas e
as formas de relacioná-las para alcançar melhores resultados na gestão
da Assistência Farmacêutica.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 29


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Quadro 01: Resumo das Funções Administrativas


Determinar os objetivos e metas para a instituição,
estabelecendo as atividades necessárias para alcançá-
los.
PLANEJAR
Incluem as ações de médio, curto e longo prazo,
relacionando os recursos e responsabilidades de
cada setor.

Reunir e coordenar a estrutura, tarefas, pessoas,


ambiente e tecnologias utilizadas na instituição.
ORGANIZAR Estabelecer condições e metodologias para relacio-
nar as diversas atividades e pessoas na instituição, a
fim de atingir os objetivos e metas planejadas.

Estabelecer padrões de desempenho e indicadores


para avaliar o desenvolvimento das atividades e
processos realizados na instituição, de acordo com o
CONTROLAR planejado.
Promover ações de orçamento, sistemas de infor-
mações, redução de custos e ações para promoção
de gestão de pessoas.
Realizar ações de liderança e comunicação instituci-
onal, estimulando os profissionais para executar suas
respectivas atividades.
DIRIGIR
Estimular as pessoas a desenvolverem suas habilida-
des e competências para desempenhar ao máximo
suas atividades.
Fonte: Adaptado de Chiavenato (1999); Maximiano (2000) e Andrade
(2011).

1.1.7 Conceitos sobre Avaliação


Para que uma decisão venha a ser tomada e os resultados
possam ser observados, é necessário utilizar informações referentes à
situação de saúde e ao uso de medicamentos de uma determinada
população, de forma sistematizada, atualizada e com base em méto-
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30 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

dos epidemiológicos e sociológicos. Da mesma forma, a gestão da


saúde utiliza-se de tecnologias de planejamento, de suas técnicas e
métodos de execução, para análise da situação, a fim de se alcançar as
ações para definição da imagem-objetivo.
No Brasil, a Saúde se tornou um direito de todos os cida-
dãos a partir da Constituição de 1988, que iniciou o processo para a
implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), através da Lei Orgâ-
nica da Saúde. A descentralização dos serviços, transferindo para a
gestão municipal a Atenção Básica à Saúde, é uma das características
deste sistema, transferindo para a gestão municipal a responsabilidade
do planejamento e da execução dos serviços do primeiro nível de
atendimento à saúde.
Entretanto, a realidade de vários municípios brasileiros é
caracterizada pela baixa qualidade nos serviços disponibilizados e pela
insuficiência dos recursos, que promove dificuldades na estruturação
da Atenção Básica a saúde e da capacidade de gestão das redes hospi-
talar e básica, principalmente em regiões de menor Índice de Desen-
volvimento Humano (IDH). Tal fato se reflete na ineficiência dos
recursos aplicados, proporcionando insatisfação e prejuízos à saúde
da população.
O termo “avaliação” é bastante amplo e abriga diferentes
definições de acordo com o contexto em que é empregado, variando
em função do tempo e do autor. Em seu trabalho sobre a implanta-
ção do programa farmácia básica, Cosendey (2000) utiliza os concei-
tos de avaliação elaborado por Contandriopoulos (1997), que trata
desta temática em relação à avaliação e intervenção de programas.

“Avaliar consiste fundamentalmente em fazer um jul-


gamento de valor a respeito de uma intervenção ou sobre qualquer
um de seus componentes, com o objetivo de ajudar na tomada
de decisões. Os efeitos da intervenção poderão ser maiores, me-
nores ou diferentes dos objetivos que motivaram seu planejamen-
to ou implantação e dependerão da interação complexa de seus
elementos” (CONTANDRIOPOULOS et al. 1997).
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 31


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Avedis Donabedian (1984) desenvolveu um sistema para


avaliação geral da qualidade em saúde, conhecido como “SPO”, em
inglês, com base nos conceitos de estrutura (Structure), processo (Pro-
cess) e resultado (Outcome), através do uso de indicadores em todas as
etapas do sistema, permitindo melhor análise da gestão, conforme a
Figura 02.

Figura 02: Sistema SPO de Avaliação

Fonte: Adaptado de Donabedian (1984); OPAS (2005); Bernardi (2006);


Cosendey et al. (2000).

A estrutura está relacionada aos aspectos mais estáveis do


sistema de saúde, englobando a infraestrutura física, recursos finan-
ceiros, materiais e recursos humanos necessários para que se possa
proporcionar a atenção desejada. Abrange a disponibilidade quantita-
tiva e geográfica desses recursos, permitindo uma análise sobre a
organização destes serviços.
O processo refere-se ao rendimento de todas as atividades
do sistema de saúde, além da sua relação com os profissionais e a
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32 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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população, buscando ao máximo a otimização dos recursos disponí-


vel. Deste modo, a qualidade é conhecida através das características
do processo de atenção e o bem-estar dos indivíduos atendidos em
uma sociedade.
A diferença entre o estado atual e o futuro estado de saúde
de um usuário configura a abordagem sobre os resultados de um
sistema de saúde. Os indicadores de resultados demonstram o produ-
to final do sistema. Incorporam todas as mudanças no estado de saú-
de dos indivíduos e da população em função das atividades desenvol-
vidas dentro do sistema de saúde, permitindo medir os efeitos duran-
te o processo e em longo prazo.
Segundo Cosendey et al. (2000), as evidências e a garantia
da credibilidade de uma informação, dependem dos indicadores utili-
zados e das respectivas fontes de informação. Ou seja, os indicadores
fornecem uma base para a coleta de evidências e refletem aspectos
significativos para o monitoramento de atividades dentro de um pro-
grama ou objeto que está sendo avaliado. Os indicadores consideram
critérios que são utilizados para o julgamento de valor, fornecem uma
base para a coleta de evidências e informações que são válidas e con-
fiáveis para utilização durante a avaliação.

1.1.8 Ciclo PDCA


Em consonância com as quatro funções da administração
(planejar, organizar, dirigir e controlar), anteriormente abordadas,
observamos o que ficou conhecido como Ciclo PDCA, da tradução
em inglês. As letras da sigla significam as palavras Plan, Do, Check e
Act, que nada mais são do que planejar, executar, verificar e agir.
O ciclo PDCA foi desenvolvido na década de trinta pelo
engenheiro e estatístico americano Walter A. Shewhart. Todavia, foi
amplamente utilizado, aprimorado e popularizado por William
Edwards Deming um dos maiores estudiosos de qualidade de todos
os tempos, responsável pela melhoria da qualidade de produtos e
serviços em fábricas no EUA e no Japão nos anos cinquenta.
Originalmente voltado para as indústrias, hoje o ciclo
PDCA pode ser utilizado na melhoria de processos e resolução de
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 33


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

problemas nas mais diversas áreas e organizações. A Figura 03 ilustra


o Ciclo PDCA e as atividades inerentes ao planejamento e às funções
administrativas.

Figura 03: Ciclo PDCA

Fonte: Adaptado de Werkema (2013).

Analisando as etapas do Ciclo PDCA, observamos que a


primeira refere-se ao Planejamento (“Plan”). Como vimos anterior-
mente, esta é uma função de extrema importância na administração e
tem como objetivo estabelecer metas e estratégias para o curto, médio
e longo prazo, além de elaborar um diagnóstico da situação atual da
organização ou departamento.
Após a realização do planejamento o ciclo segue com a pa-
lavra “DO” que se refere à execução. Desse modo, esta etapa consiste
em executar a tarefa como foi prevista e de forma mais eficiente pos-
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34 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

sível, para que resultado seja um produto ou serviço com a qualidade


prevista.
Em sequência, observa-se a etapa de verificação (“Check”)
que objetiva comparar e analisar se o planejamento e a ação tiveram o
resultado esperado. Vale ressaltar que essa é uma etapa muito impor-
tante, pois várias organizações possuem problemas com checagem e
acabam entregando produtos e serviços aos clientes sem a devida
qualidade.
Por fim, o ciclo se encerra com as ações corretivas (“Ac-
tion”), que tem como finalidade corrigir desvios e adotar novas práti-
cas através de uma filosofia de melhoria contínua, fornecendo infor-
mações para o planejamento, reiniciando o ciclo.
A seguir, iremos abordar os princípios e atividades ineren-
tes à Gestão da Assistência Farmacêutica e de que forma podemos
utilizar estes parâmetros da Administração para a promoção do uso
racional de medicamentos. Iremos observar que as atividades relacio-
nadas à Assistência Farmacêutica também estão sequenciadas e po-
dem ser descritas de forma cíclica, permitindo aplicar os conceitos
abordados neste capítulo para maior eficiência e eficácia na dispensa-
ção e no uso racional dos medicamentos.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 35


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

2
POLÍTICAS PÚBLICAS DE MEDICAMENTOS E O
CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

Diversos estudos demonstram a importância que os medi-


camentos representam para o sistema de saúde. Vieira (2007) afirma
que “os medicamentos são considerados como a principal ferramenta
terapêutica para manutenção ou recuperação das condições de saúde
da população, tendo o farmacêutico como o principal profissional
habilitado para sua gestão, promovendo o uso racional”.
Entretanto, para que haja a promoção do uso racional de
medicamentos, é necessário garantir o acesso da população aos medi-
camentos essenciais através de atividades específicas, executadas por
um sistema de gestão eficaz.
Estas atividades são definidas pela Política Nacional de
Assistência Farmacêutica (PNAF), estabelecidas pelo Conselho
Nacional de Saúde como “um conjunto de ações voltadas à promo-
ção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletiva,
tendo o medicamento como insumo essencial e visando ao acesso e
ao seu uso racional” (Resolução CNS n° 338/2004).
A PNAF envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produ-
ção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programa-
ção, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos
produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização,
na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da
qualidade de vida da população.
As atividades para execução da Assistência Farmacêutica
ocorrem em uma sequência ordenada e cíclica, que percorrem desde a
seleção até a utilização dos medicamentos, permitindo o acesso e o
uso racional para a população. A execução imprópria de uma ativida-
de prejudica todas as outras, comprometendo seus objetivos e resul-
tados. Desta forma, os serviços não serão prestados adequadamente,
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36 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

acarretando em insatisfação dos usuários, demonstrando uma gestão


inadequada, que pode ser mensurada a partir da falta de medicamen-
tos e consequente prejuízo às políticas de saúde.
A reorientação da Assistência Farmacêutica, estabelecida na
Política Nacional de Medicamentos (PNM) em 1998, diz respeito
ao deslocamento do foco estritamente logístico para incluir a melhora
da gestão e a qualidade dos serviços, promovendo o acesso dos cida-
dãos aos medicamentos essenciais, com uso racional, tanto do ponto
de vista terapêutico quanto dos recursos públicos.
A qualidade da execução das atividades que compõem o
Ciclo da Assistência Farmacêutica pode ser avaliada com a utilização
de indicadores, que servem como referência e comparação dos servi-
ços prestados, permitindo avaliação da gestão e dos recursos aplica-
dos nas políticas públicas relacionadas ao uso dos medicamentos.
O ciclo da Assistência Farmacêutica evoluiu ao longo dos
anos, através das políticas públicas de medicamentos e da própria
evolução do sistema de saúde brasileiro, antes e depois da criação do
SUS. Abordaremos a seguir este contexto histórico, analisando o
papel do profissional farmacêutico na promoção do uso racional de
medicamentos.

2.1 POLÍTICAS PÚBLICAS DE MEDICAMENTOS NO


BRASIL: AVANÇOS E DESAFIOS DA ASSISTÊNCIA
FARMACÊUTICA NO SERVIÇO DE SAÚDE
2.1.1 O Início das Políticas Públicas de Medicamentos nos
Anos 70 e 80

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) iniciou-se o


processo de reformulação industrial em vários países. Os Estados
Unidos e a Europa começam a reconstruir suas estruturas e retomar
seu parque econômico. Neste contexto, há um aumento exponencial
da economia de produção em escala e os produtos sintéticos avançam
no mercado. A indústria farmacêutica também segue esta tendência e
impulsiona sua produção, aumentando a distribuição e o acesso de
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 37


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

medicamentos à população, em virtude da variedade de produtos


disponíveis e da demanda crescente.
No Brasil, este cenário toma forma na década de 60 nos
primeiros anos da Ditadura Militar. Em 1964, é promulgada através
do Decreto nº 53.612, de 26 de fevereiro de 1964, a primeira lista de
medicamentos essenciais do país: a “Relação Básica e Prioritária de
Produtos Biológicos e Materiais para Uso Farmacêutico Humano e
Veterinário”.
Nesta época, de acordo com Santos (2011), iniciava-se a
prestação da Assistência Farmacêutica pela previdência social, regu-
lamentada pelo Decreto nº 312 de 28 de fevereiro de 1967, através do
fornecimento direto de medicamentos ou ainda pelo financiamento
total ou parcial para aquisição de medicamentos.
Entretanto, as legislações farmacêuticas começam a compor
efetivamente as políticas públicas no Brasil a partir do início dos anos
70, quando o governo federal decide promover uma política de medi-
camentos com base no sistema de saúde vigente. Surge então a CE-
ME – Central de Medicamentos – a partir do Decreto nº 68.806 de
1971 – que, de acordo com Lima (2003), representou um marco na
gestão centralizada e participativa da saúde.
A CEME, inicialmente subordinada diretamente à Presi-
dência da República, tinha como objetivo promover o acesso de me-
dicamentos essenciais para a população de baixo poder aquisitivo,
bem como a regulação da produção e distribuição dos medicamentos
dos laboratórios estatais e dos programas estratégicos aos governos
estaduais, responsáveis pela distribuição ao nível local.
Além disso, este órgão possuía um modelo centralizado de
gestão e era responsável pela definição das diretrizes das políticas
farmacêuticas e as normas para execução, promoção, organização e
concentração da aquisição de medicamentos pelo governo, atuando
como um instrumento para incentivo ao desenvolvimento e à comer-
cialização.
Neste momento histórico, as indústrias farmacêuticas que
começavam a surgir no país ganham força em função do papel de
proteção exercido pela CEME, visto que este órgão assegurava a
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38 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

compra da produção de medicamentos e posterior repasse aos labora-


tórios oficiais.
Anos depois, a CEME elabora o primeiro Memento Tera-
pêutico em 1972 e vincula-se ao antigo Ministério da Previdência e
Assistência Social em 1975 através do Decreto n⁰ 75.985/75. Com o
tempo, este órgão vincula-se ao Ministério da Saúde em 1985 com a
publicação do Decreto n⁰ 91.439/85.
Diante do exposto, é correto afirmar que a CEME iniciou o
processo de organização e ampliação da Assistência Farmacêutica no
Brasil, pois tinha como objetivo máximo o abastecimento de medi-
camentos essenciais à população, mesmo não tendo um conceito
claramente definido e promulgado como política pública.
As principais atribuições e definições da profissão farma-
cêutica no país só viriam a ter uma definição mais clara através da
promulgação da Lei n⁰ 5.991/73, regulamentada pelo Decreto n⁰
74.170 de 1974, que “dispõe sobre o controle sanitário do comércio
de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá
outras providências”.
Esta lei revogou o Decreto n⁰ 20.337 de 1931, marco histó-
rico do início da profissão farmacêutica no Brasil, publicado ainda no
governo de Getúlio Vargas e que já não supria as necessidades vigen-
tes da população, inserindo a obrigatoriedade de um profissional
farmacêutico responsável técnico de toda farmácia e drogaria.
Porém, mesmo com todas as medidas adotadas pelo gover-
no e as atividades desenvolvidas pela CEME, a questão do desabaste-
cimento de medicamentos persistia na maior parte do país. Desta
forma, é promulgado em 1973, através do Decreto n⁰ 72.552/73, o
Plano Diretor de Medicamentos, que explicitava as diretrizes para o
controle da produção, distribuição e comercialização de produtos
farmacêuticos.
Outro ponto importante deste plano foi o marco legal para
o estabelecimento da primeira Relação Nacional de Medicamentos
(RENAME), que deveria ser “orientada em função dos problemas
sanitários de maior incidência e dos grupos sanitários mais vulnerá-
veis da população, considerando as diferenças regionais”.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 39


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Apesar de algumas alterações, a Lei n⁰ 5.591/73 continua


em vigor até os dias atuais e traz em seu artigo 4⁰ vários conceitos
sobre Assistência Farmacêutica, incluindo a diferenciação entre far-
mácia e drogaria:

“Farmácia: estabelecimento de manipulação de fórmu-


las magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos,
insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo o de dispen-
sação e o de atendimento privativo de unidade hospitalar ou de
qualquer outra equivalente de assistência médica”;
“Drogaria: estabelecimento de dispensação e comércio
de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em
suas embalagens originais”.

No intuito de padronizar os medicamentos a serem utiliza-


dos nos serviços de saúde, a CEME publica em 1975 a primeira ver-
são da Relação Nacional de Medicamentos (RENAME), através da
Portaria MPAS n⁰ 233/75. A RENAME surge antes mesmo das dire-
trizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre medicamentos
essenciais, publicadas em 1977. Em seu artigo sobre as políticas pú-
blicas de medicamentos, Portela (2010) afirma que, mais do que uma
mera lista de medicamentos, uma relação de medicamentos essenciais
tem o objetivo de elencar claramente as opções terapêuticas mais
adequadas, seguras e acessíveis para a população de menor poder
aquisitivo, além de servir como um guia para Estados e municípios.
Entretanto, a primeira versão da RENAME não passou por
atualizações periódicas, o que dificultou sua aceitação pelos profissio-
nais de saúde. Outro problema para a implementação desta relação
foi o fato dos medicamentos padronizados não atenderem às diferen-
ças regionais e todas as doenças daquele período.
A primeira atualização da RENAME só viria a acontecer
em 1989, sendo posteriormente revisada nos anos de 1993, 2000,
2002, 2006, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017, publicada no mês
de maio, sendo esta a versão mais recente. Os critérios para atualiza-
ção continuam a seguir as recomendações da OMS quanto à eficácia e
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40 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

segurança do medicamento, além de parâmetros epidemiológicos


preconizados pelo Ministério da Saúde.
Com o tempo, a participação dos laboratórios oficiais no
volume de produtos adquiridos pela CEME diminuiu progressiva-
mente, conforme relato do Ministério da Saúde:
“No seu início a CEME procura privilegiar os laboratórios
oficiais em suas aquisições, contribuindo para a criação desse parque
produtivo estatal. No entanto, ao longo do tempo a participação des-
tes laboratórios em suas compras cai de 70% entre 1972 e 1976, para
60% entre 1977 e 1985, e 50% a partir daí, sendo que entre 1990 e
1995 apresentando grandes variações nesse percentual” (BRASIL,
2002).
Segundo Portela (2010), a CEME realiza outra iniciativa
importante: o lançamento do Programa Farmácia Básica, a fim de
tentar suprir a quantidade de medicamentos. As palavras de Cosendey
et al. (2000b, p.22), no seu trabalho sobre a avaliação do programa
farmácia básica em cinco Estados, permitem maior elucidação sobre
o início e os objetivos deste programa:

“Em 1987, entrou em operacionalização a Farmácia Bá-


sica, que foi uma proposta governamental para racionalizar o for-
necimento de medicamentos para a atenção primária de saúde. Foi
idealizada como um módulo-padrão de suprimento de medica-
mentos selecionados da RENAME que permitiam o tratamento
das doenças mais comuns da população brasileira, especialmente
aquelas voltadas para o nível ambulatorial. A Farmácia Básica foi
elaborada utilizando-se dados de morbidade e esquemas de trata-
mento padronizados para as distintas regiões do país. Os módulos-
padrão foram planejados para atender as necessidades de três mil
pessoas por um período de seis meses, constando de 48 medica-
mentos. Posteriormente foram acrescentados à Farmácia Básica,
medicamentos de uso contínuo, totalizando 60 medicamentos
considerados de maior demanda na rede pública de saúde”.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 41


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Mesmo com esta iniciativa, a questão do desabastecimento


de medicamentos ainda era um flagelo no sistema de saúde pública. O
princípio de padronização utilizado não surtiu o efeito esperado, pois
cada região apresentava um perfil específico de morbimortalidades, o
que resultava na falta de alguns itens e excesso de outros.
Na tentativa de corrigir estes problemas, o Programa Far-
mácia Básica é reformulado, de acordo com Cosendey et al. (2000):
“Esse programa é retomado com alterações já na segunda metade da
década de 90, e apresenta alguns dos problemas decorrentes da con-
cepção centralizada da CEME. O conjunto de medicamentos adotado
não obedecia ao perfil epidemiológico regional, acarretando, conco-
mitantemente, desperdício e insuficiência de alguns medicamentos.
Deficiências no planejamento e distribuição ocasionavam entregas no
final do prazo de validade dos produtos, o que levou a perdas expres-
sivas”.
Apesar de várias tentativas, as críticas em relação ao papel e
à eficácia da CEME aumentavam. Um importante relato do Ministé-
rio da Saúde permite exemplificar este fato (BRASIL, 2002): “Em
documento de 1993, o Ministério da Saúde já identificava problemas
na atuação da CEME: denúncias de corrupção, descompromisso da
direção com as finalidades do órgão, desmantelamento da estrutura
técnico-organizacional, desarticulação com as estruturas estaduais e
municipais do sistema, perdas estimadas em 40% por deficiência da
rede de distribuição e demanda superestimada para compensar des-
continuidades no abastecimento”.
Por todos estes motivos, além de não cumprir eficazmente
o seu objetivo inicial, a CEME viria a ser desativada em 1997. Suas
competências e atribuições foram divididas entre Estados, Municípios
e órgãos do Ministério da Saúde. Surge então um novo processo de
discussão sobre as políticas de medicamentos no país, que culmina na
publicação da Política Nacional de Medicamentos em 1998, a criação
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a promulga-
ção da Lei de Medicamentos Genéricos (9.787/99).
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42 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

2.1.2 Reforma da Saúde: da Lei Orgânica da Saúde à Política


Nacional de Medicamentos
Com o fim da Ditadura Militar, na segunda metade da dé-
cada de 80, os movimentos sociais ganharam força e se espalharam
por todo o país. A população exigia reformas no sistema político
vigente e nos serviços prestados pelo governo. Neste contexto da
Reforma Sanitária que se iniciava, acontece em 1986 a VIII Confe-
rência Nacional de Saúde, que inseria a questão dos medicamentos
como um dos principais pontos dentro do relatório.
Segundo Araújo & Freitas (2006), é neste contexto históri-
co que o profissional farmacêutico começa a atuar de forma mais
efetiva na saúde pública, iniciando a construção de um espaço dife-
renciado para o medicamento no modelo assistencial vigente, permi-
tindo assim inserir as Políticas de Medicamentos nas Políticas de Saú-
de.
Uma consequência direta das discussões propostas pela Re-
forma Sanitária foi a realização do 1º Encontro Nacional de Assistên-
cia Farmacêutica e Políticas de Medicamentos (ENAFPM) em 1988,
que culminou na publicação da Carta de Brasília, propondo o rompi-
mento da condição de simples mercadoria que os medicamentos
assumiram no processo de acumulação de capital.
O ápice do Movimento da Reforma Sanitária é alcançado
durante as discussões da Assembleia Constituinte e posterior publica-
ção da Constituição Federal de 1988, reconhecendo no Art. 196 o
princípio do direito do acesso universal à saúde a toda população. A
partir deste momento, a saúde passa a ser um direito do cidadão e um
dever do Estado, que deve garantir assistência terapêutica integral,
inclusive farmacêutica, através da elaboração e implementação de
políticas públicas ao pleno acesso universal e equitativo às ações e
serviços de saúde, independente da sua condição social e econômica.
Anos depois, no início da década de 90, a democracia re-
cente buscava estabelecer os parâmetros para a organização do siste-
ma de saúde. Surge então a Lei Orgânica da Saúde 8.080/90, que
regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território
nacional. Esta lei é o marco da criação e operacionalização do SUS,
definindo as diretrizes quanto à direção e gestão, competências e
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 43


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

atribuições de cada esfera do governo, assegurando o provimento da


integralidade da assistência terapêutica, inclusive a farmacêutica.
Em 1996, é publicada a Norma Operacional Básica (NOB)
01/96 que define as orientações para organização da Assistência
Farmacêutica e o estabelecimento das linhas gerais de gestão em cada
esfera de governo: o gestor federal responde pela orientação e im-
plementação da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, en-
quanto que as esferas estaduais e municipais têm as funções de estru-
turar e organizar os serviços ofertados à população.
Com o andamento das discussões na área social e a instabi-
lidade da assistência farmacêutica a nível nacional, tem início o pro-
cesso para elaboração de uma nova Política Nacional de Medicamen-
tos, coordenada pela Secretaria de Políticas de Saúde (SPS) a partir
das orientações da OMS, princípios constitucionais e Lei Orgânica da
Saúde.
Deste modo, a Política Nacional de Medicamentos (PNM)
é regulamentada com a publicação da Portaria Técnica do Gabinete
do Ministério da Saúde nº 3.916 de outubro de 1998, sendo conside-
rada como o primeiro posicionamento formal do governo brasileiro
sobre a questão dos medicamentos neste novo contexto da Reforma
Sanitária que vigorava no país. Além disso, esta legislação traz o pri-
meiro conceito oficial sobre Assistência Farmacêutica publicado no
Brasil:

“Grupo de atividades relacionadas com o medicamento,


destinadas a apoiar as ações de saúde demandadas por uma comu-
nidade. Envolve o abastecimento de medicamentos em todas e em
cada uma de suas etapas constitutivas, a conservação e controle de
qualidade, a segurança e a qualidade, a segurança e a eficácia tera-
pêutica dos medicamentos, o acompanhamento e a avaliação da
utilização, a obtenção e a difusão de informação sobre medica-
mentos e a educação permanente dos profissionais de saúde, do
paciente e da comunidade para assegurar o uso racional de medi-
camentos (BRASIL, 1998)”.
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44 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Entretanto, a PNM não se restringe à questão da Assistên-


cia Farmacêutica. Esta política expressa também as principais diretri-
zes e objetivos para garantir a necessária segurança, eficácia e quali-
dade dos medicamentos, buscando a promoção do uso racional e o
acesso da população àqueles considerados essenciais. As diretrizes da
PNM são descritas no Quadro 01:

Quadro 01: Diretrizes da Política Nacional de


Medicamentos
Adoção de Relação de Medicamentos Essenciais
01
(RENAME);
02 Regulamentação Sanitária de Medicamentos;
03 Reorientação da Assistência Farmacêutica;
04 Promoção do Uso Racional de Medicamentos;
05 Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
06 Promoção da Produção de Medicamentos;
Garantia da Segurança, Eficácia e Qualidade dos Medi-
07
camentos;
08 Desenvolvimento e Capacitação de Recursos Humanos.
Fonte: Política Nacional de Medicamentos (BRASIL, 1998)

A partir destas diretrizes, elencamos as prioridades da Polí-


tica Nacional de Medicamentos: a) Revisão Permanente da RENA-
ME; b) Reorientação da Assistência Farmacêutica; c) Promoção do
Uso Racional de Medicamentos; d) Organização das Atividades Sani-
tárias de Medicamentos.
Neste momento, a Assistência Farmacêutica adquire um
novo panorama no contexto das políticas de saúde no Brasil. A Polí-
tica Nacional de Medicamentos elenca a sua Reorientação da Assis-
tência Farmacêutica como uma prioridade, enfatizando a descentrali-
zação da gestão e a definição de responsabilidades das três esferas de
governo no âmbito do SUS.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 45


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Com o avanço do impacto destas políticas na sociedade, a


questão do acesso dos medicamentos ganhou força ao final da década
de 90. Segundo Junqueira (2006) apud Bermudez (1999), o acesso
aos medicamentos pode ser definido como:
“[...] a relação entre a necessidade de medicamentos e a
oferta dos mesmos, no qual esta necessidade é satisfeita no momento
e no lugar requerido pelo paciente (consumidor) com garantia de
qualidade e a informação suficiente para o uso adequado”.
Algumas iniciativas foram tomadas para corrigir este pro-
blema e regularizar o abastecimento de medicamentos. A nível fede-
ral, cita-se a publicação do Incentivo à Assistência Farmacêutica na
Atenção Básica (IAFB), através da Portaria n⁰ 176 de 1999, onde se
estabeleceram os quesitos para Estados e municípios se habilitarem a
receber incentivo financeiro do governo federal para aquisição de
medicamentos.
Ainda no âmbito do acesso aos medicamentos, o governo
federal publica a Lei n⁰ 9.787 de 1999, conhecida como a “Lei dos
Genéricos”, na tentativa de reduzir os preços dos medicamentos nas
farmácias comerciais. A partir desta legislação, ficou estabelecido o
conceito de medicamento genérico, possibilitando o intercâmbio com
o medicamento de referência. Além disso, a partir do Decreto n⁰
3.181/99, que regulamenta a “Lei dos Genéricos”, ficou estabelecido
que toda e qualquer informação a respeito de medicamentos deverá
ser obrigatoriamente publicada na Denominação Comum Brasileira
(DCB) e na sua ausência, na Denominação Comum Internacional
(DCI), fortalecendo ainda mais a política de medicamentos genéricos.

2.1.3 O Fortalecimento da Assistência Farmacêutica no


Sistema Único de Saúde (SUS)
Ao longo dos anos, as políticas de saúde se fortaleceram no
país e proporcionaram um avanço nas atividades de Assistência Far-
macêutica prestadas à população. No início do Século XXI é criado o
Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF) a partir da Secre-
taria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), por
meio do Decreto n 4.726 de 2003, incorporando as atividades desti-
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Farmacêutico, Professor.

nadas à atenção básica que eram da extinta Secretaria de Políticas de


Saúde.
Este foi um passo muito importante para a consolidação da
Assistência Farmacêutica como atividade essencial no sistema de
saúde. O DAF apresentava estrutura própria e definida para fortale-
cer e implementar a Política Nacional de Medicamentos, priorizando
entre suas diretrizes a Reorientação da Assistência Farmacêutica.
De acordo com Santos (2011), a Assistência Farmacêutica
passa então a integrar as pautas de discussão nas três esferas de go-
verno, incorporando esta terminologia no vocabulário de gestores,
usuários, acadêmicos e profissionais de saúde, sendo tratada como
algo definido, mas não amplamente instituído e incorporado. Ainda
segundo esta autora, não havia uma uniformidade na aplicação desta
terminologia tanto no meio acadêmico quanto na gestão em saúde.
Assim o termo “Assistência Farmacêutica” era utilizado para se refe-
rir:
a. Prática farmacêutica em geral;
b. Prática farmacêutica específica, dirigida ao cuidado do paciente
(geralmente no sentido da orientação quanto ao uso de medi-
camentos);
c. Ao fornecimento de medicamentos enquanto benefício social;
d. Às atividades logísticas de medicamentos;
e. À forma pela qual a esfera de gestão se organiza para o forne-
cimento de medicamentos ou os serviços farmacêuticos;
f. As políticas para acesso aos medicamentos, etc.

O ponto alto da evolução das políticas em relação à Assis-


tência Farmacêutica no Brasil ocorre em 2004 com a publicação da
Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), a partir
da publicação da Resolução n⁰ 338/2004 do Conselho Nacional de
Saúde (PORTELA, 2010). Esta política é parte integrante da Política
Nacional de Saúde e traz em seu Art. 1⁰, Inciso III, o conceito mais
atual para Assistência Farmacêutica, que será utilizado durante o de-
senvolvimento deste trabalho:
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 47


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

“Assistência Farmacêutica trata de um conjunto


de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da
saúde, tanto individual como coletivo, tendo o medicamen-
to como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso
racional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvi-
mento e a produção de medicamentos e insumos, bem como
a sua seleção, programação, aquisição, distribuição,
dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços,
acompanhamento e avaliação de sua utilização, na pers-
pectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da
qualidade de vida da população” (Resolução CNS n°
338/2004).

Deste modo, observa-se que a questão do acesso da popu-


lação aos medicamentos essenciais passa a ser prioridade nas políticas
farmacêuticas do país. A PNM e a PNAF abordam essa questão de
forma clara e objetiva, além de determinar os conceitos e meios para
estimular a promoção do uso racional de medicamentos.

2.2 CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA


Muitos problemas pertinentes ao Sistema Único de Saúde
(SUS) passam pela estrutura disponível para a Assistência Farmacêu-
tica no Brasil, restringindo o acesso da população aos medicamentos
essenciais. Para que esta política venha a ser implementada em sua
totalidade é necessário ter como elemento norteador as atividades que
compõem o Ciclo da Assistência Farmacêutica: seleção, progra-
mação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação, coor-
denada por um suporte gerencial.
Estas atividades seguirão aos capítulos seguintes desta obra,
de acordo com o fluxo apresentado na Figura 01:
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48 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Figura 01: Ciclo da Assistência Farmacêutica

Fonte: Adaptado de Brasil (2001) e Marin et al. (2003).


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Gestão da Assistência Farmacêutica: 49


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

O ciclo da Assistência Farmacêutica representa o elo entre


as tecnologias de gestão e o uso de medicamentos pela população,
não sendo privativo ao profissional farmacêutico, visto que há ativi-
dades que podem ser realizadas em conjunto com outros profissio-
nais de forma sistêmica e articulada, trazendo benefícios aos usuários.
A SELEÇÃO é considerada por muitos autores como o
eixo da Assistência Farmacêutica, pois a partir desta etapa serão de-
senvolvidas as outras atividades. Corresponde ao processo de escolha
de medicamentos que serão disponibilizados aos usuários, com base
em critérios epidemiológicos, de segurança, eficácia e efetividade.
A etapa seguinte, a PROGRAMAÇÃO, consiste em esti-
mar e quantificar os medicamentos selecionados para o atendimento
dos usuários, de acordo com demanda dos serviços e por determina-
do período de tempo. Deve-se levar em consideração as necessidades
de cada serviço e os recursos disponíveis, visto que uma programação
inadequada reflete diretamente sobre o abastecimento e o acesso da
população aos medicamentos essenciais.
A partir da quantidade programada, segue-se para a AQUI-
SIÇÃO, etapa que consiste em um conjunto de procedimentos pelos
quais se efetiva o processo de compra dos medicamentos, a fim de
manter a regularidade do sistema de abastecimento, a partir das espe-
cificações técnicas dos produtos e da seleção dos fornecedores. A
aquisição de medicamentos na Administração Pública segue as nor-
mas da Lei n⁰ 8.666/93, que institui as normas para licitações e con-
tratos nas três esferas governamentais.
O ARMAZENAMENTO pode ser definido como um
conjunto de procedimentos técnicos e administrativos para assegurar
as condições adequadas de conservação dos produtos. Envolve desde
o recebimento, conferência, estocagem e controle de estoque. Vieira
(2010) afirma que a maior parte dos municípios apresentam graves
problemas quanto ao armazenamento e controle de estoque, sendo
este o principal entrave para o desenvolvimento da Assistência Far-
macêutica no país.
A atividade de DISTRIBUIÇÃO compreende o transpor-
te e abastecimento de medicamentos e insumos às unidades de saúde
em quantidade, qualidade e tempo oportuno. Deve seguir um crono-
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Farmacêutico, Professor.

grama previamente estabelecido, permitindo atender com eficiência as


situações de urgência e emergência. (BRASIL, 2006).
O Ciclo da Assistência Farmacêutica encerra-se com a
DISPENSAÇÃO, atividade privativa do profissional farmacêutico,
que consiste em proporcionar um ou mais medicamentos em respos-
ta à apresentação de uma prescrição elaborada por um profissional
autorizado. No ato da dispensação, o profissional farmacêutico deve
fornecer ao usuário todas as informações necessárias para a utilização
correta do medicamento, na dose certa e no tempo certo, contribuin-
do assim para o seu uso racional.
Ressalta-se que a dispensação é atribuição exclusiva do pro-
fissional farmacêutico e somente ele pode exercer suas atividades, não
sendo passível de delegação para outros profissionais. A atividade de
dispensação é o ponto chave para a realização das atividades clínicas
realizadas pelo profissional farmacêutico, com destaque para a Aten-
ção Farmacêutica, conceituada por Hepler & Strand (1990) como
“a provisão responsável do tratamento farmacológico com o propósi-
to de alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de vida
dos pacientes”.
Importante estabelecer as diferenças fundamentais entre
Assistência e Atenção Farmacêutica, a fim de evitar equívocos na
aplicação. A Assistência Farmacêutica, tema central desta obra, en-
volve um conjunto de atividades sequenciais que partem da seleção
até a dispensação dos medicamentos, garantidos através das ativida-
des logísticas para um grande número de pessoas. Outro ponto fun-
damental é o parâmetro multiprofissional e multidisciplinar do Ciclo
da Assistência Farmacêutica, que utilizam as atividades de outras
formações além da profissão farmacêutica, exceto na dispensação,
privativa deste profissional. Em relação à legislação, observa-se que a
Política Nacional de Assistência Farmacêutica foi aprovada pelo Con-
selho Nacional de Saúde, demonstrando a participação popular no
Sistema Único de Saúde.
Entretanto, observa-se que a Atenção Farmacêutica não é
uma política de saúde formalmente instituída, é uma prática exclusiva
do profissional farmacêutico realizada após a dispensação, para um
grupo específico de pessoas que necessitem de acompanhamento e
orientações quanto ao uso dos medicamentos. Desta forma, observa-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 51


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

se que a Atenção Farmacêutica não é uma atividade obrigatória, mas


que deve ser realizada apenas pelo profissional farmacêutico. Os te-
mas clínicos quanto ao uso dos medicamentos serão abordados no
capítulo sobre dispensação ao longo desta obra.
Para que a Assistência Farmacêutica venha a ser realizada
eficazmente, é necessário que todas as atividades inseridas nesse ciclo
sejam executadas com a máxima qualidade, exigindo profissionais
qualificados e estrutura física adequada. Entretanto, segundo Marin
(2003), Correia (2007) e Portela (2010), o cenário que se observa nes-
ta década de implantação da PNAF não é de um ciclo harmonioso, a
Assistência Farmacêutica está sendo reduzida a uma simples logística
de medicamentos (adquirir, armazenar e distribuir), não considerando
sua dimensão mais ampla e intersetorial, principalmente em relação
aos serviços farmacêuticos no SUS.
Ainda em 2004, o governo preocupava-se com a questão
do acesso aos medicamentos, que persistiam como um grande entra-
ve para o uso racional de medicamentos. Apesar dos avanços a partir
da Lei dos Genéricos, o preço médio dos medicamentos para a popu-
lação continuava elevado e a maioria dos usuários dos serviços de
saúde não conseguia iniciar ou concluir seu tratamento devido ao
custo. Além disso, o problema do abastecimento de medicamentos
essenciais nas unidades básicas de saúde continuava presente, afetan-
do a população mais carente.
Para minimizar este quadro e facilitar o acesso aos medica-
mentos essenciais, foi implantado o Programa Farmácia Popular,
através da publicação da Lei n⁰ 10.858 de 13 de abril de 2004, com o
objetivo de disponibilizar medicamentos essenciais com baixo custo
para a população. O programa é organizado e executado pela “Fun-
dação Oswaldo Cruz”, órgão do Ministério da Saúde que faz a aquisi-
ção dos medicamentos nos laboratórios farmacêuticos públicos e,
quando necessário, nos laboratórios privados, disponibilizando medi-
camentos à população de forma gratuita ou através do sistema de co-
pagamento, quando ocorre a dispensação do medicamento após o
desembolso direto de uma parte dos custos pelo usuário.
Na tentativa de reorganizar o financiamento da Assistência
Farmacêutica e assim reduzir os problemas com desabastecimento de
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medicamentos, o Ministério da Saúde publica a Portaria GM/MS n⁰


204/2007 que facilita a execução financeira para os gestores do SUS.
Segundo Vieira (2010), os recursos financeiros foram categorizados
em blocos de financiamento, dividindo-os em três componentes:

a) Componente Básico: destinado à aquisição de medicamentos e


insumos da atenção básica, ou a programas de saúde específicos
(saúde mental, hipertensão e diabetes etc), através de recursos
financeiros repassados diretamente para as secretarias de saúde
municipais e estaduais. Recentemente, este componente foi atua-
lizado através da Portaria n⁰ 1.555, de 30 de julho de 2013, com
valores repassados pelas três esferas de governo. A aplicação
destes recursos fica condicionada à aprovação e pactuação nas
Comissões Intergestores Bipartite (CIB).

b) Componente Estratégico: financiamento dos programas des-


tinados ao controle das doenças endêmicas de abrangência naci-
onal ou regional, como tuberculose, hanseníase, leishmaniose,
doença de Chagas. Este componente também se destina à aqui-
sição e distribuição dos medicamentos antirretrovirais do pro-
grama DST/AIDS e imunobiológicos pelo Ministério da Saúde.

c) Componente Especializado: anteriormente denominado


componente de dispensação excepcional, é caracterizado pela in-
tegralidade dos tratamentos ambulatoriais definidos nos “Proto-
colos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas”, publicados pelo Minis-
tério da Saúde. O acesso aos medicamentos é garantido pela pac-
tuação entre as três esferas de governo. Alguns medicamentos
são adquiridos e distribuídos pelo Ministério da Saúde, para ou-
tros há financiamento federal direto para as secretarias estaduais
de saúde e em outros a responsabilidade dos Estados e municí-
pios.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 53


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Ampliando as alternativas para o acesso aos medicamentos,


em 2010 promoveu-se a campanha “Saúde não tem Preço”, disponi-
bilizando de forma gratuita os medicamentos para tratamento de
hipertensão arterial, diabetes e asma, utilizando as farmácias privadas
vinculadas ao programa “Aqui tem Farmácia Popular”.
O Ministério da Saúde sinalizou mudanças nos valores pac-
tuados e nas formas de financiamento para a Assistência Farmacêuti-
ca, alterando o repasse e a flexibilização dos recursos para o segundo
semestre de 2017. Porém, até o momento da publicação desta obra,
as alterações não haviam sido efetivadas pelo governo federal.
Apesar de todas estas medidas para assegurar o acesso aos
medicamentos essenciais, era notória a baixa qualidade nos serviços
de Assistência Farmacêutica ofertados à população. Nesse sentido, o
governo lança em 2009 o Sistema Nacional de Gestão da Assis-
tência Farmacêutica – HÓRUS. Seu objetivo principal é promover
a integração entre as três esferas de governo para qualificar a gestão
da Assistência Farmacêutica e assim melhorar o acesso e o uso racio-
nal de medicamentos à população, através dos seus componentes:
básico, estratégico e especializado.
Além disso, este sistema busca aprimorar as ações relacio-
nadas ao planejamento, desenvolvimento, monitoramento e avaliação
através da emissão de relatórios, contendo informações gerenciais que
subsidiam o planejamento e desenvolvimento das ações de Assistên-
cia Farmacêutica ao nível de Atenção Básica.
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54 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Gestão da Assistência Farmacêutica: 55


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

3
SELEÇÃO DE MEDICAMENTOS

O Ciclo da Assistência Farmacêutica envolve um conjunto


de atividades sequenciais que se iniciam com a seleção dos medica-
mentos que serão utilizados por uma determinada população ou ser-
viço de saúde.
O objetivo principal da seleção é estabelecer uma padroni-
zação dos medicamentos para a população e os profissionais de saú-
de. Esta padronização apresenta diversas vantagens: facilita a prescri-
ção, desenvolve as outras atividades do ciclo da Assistência Farma-
cêutica, promove segurança e qualidade na utilização dos medicamen-
tos, otimiza o estoque e o armazenamento, além de permitir a redu-
ção dos custos totais na aquisição e distribuição.
Determina-se desta forma que a seleção dos medicamen-
tos é a etapa chave e principal no ciclo da Assistência Farma-
cêutica e para a promoção do uso racional de medicamentos,
pois uma relação de medicamentos mal elaborada pode provocar
prejuízos nas outras atividades, trazendo sérios riscos para a continui-
dade do tratamento da população.
A seleção pode ser associada a um filtro, onde um conjunto
de profissionais poderá escolher quais os medicamentos serão utiliza-
dos em seu respectivo local de abrangência entre todas as opções de
medicamentos disponíveis no mercado considerando-se a segurança,
eficácia e critérios epidemiológicos e socioeconômicos da população.
As principais vantagens da seleção dos medicamentos estão descritas
no Quadro 01:
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56 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Quadro 01: Vantagens da Seleção de Medicamentos

Redução do número de especialidades farmacêuticas;

Eficiência da gestão administrativa e financeira, facilitando o


processo de aquisição, armazenamento, avaliação e controle de
estoque;

Uniformizar condutas terapêuticas, melhorar a qualidade da


terapia farmacológica e facilitar o seu monitoramento;

Favorecer o processo de educação continuada e atualização dos


profissionais de saúde e a população;

Racionalização dos custos e dos recursos disponíveis;

Assegurar o acesso a medicamentos seguros, eficazes e custo-


efetivos, para os serviços de saúde e a população;

Promover o uso racional de medicamentos;

Fonte: Assistência Farmacêutica na Atenção Básica: Instruções Técnicas


para sua Organização (BRASIL, 2006)

3.1 PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS


ESSENCIAIS

A padronização dos medicamentos deve ser realizada de


forma multiprofissional, envolvendo aqueles que estão ligados dire-
tamente à utilização dos medicamentos, em especial farmacêuticos,
médicos e enfermeiros. Logo, a seleção não é uma atividade privativa
do profissional farmacêutico, devendo então ser construída da forma
mais abrangente e multiprofissional possível. Entretanto, ressalta-se
que é de responsabilidade do profissional farmacêutico a coordenação
e a execução da padronização de medicamentos e insumos.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 57


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Quanto à forma da padronização, observa-se a utilização


das listas de medicamentos padronizados, dependendo da abrangên-
cia da população assistida e da esfera administrativa, podendo ser
Federal, Estadual, Municipal, privada ou local, quando um estabele-
cimento realiza a própria padronização, a partir de uma relação previ-
amente existente, conforme a Figura 01.

Figura 01: Relação Hierárquica para Elaboração de Lista


de Medicamentos Padronizados

Fonte: Adaptado de Marin et al. (2003) e Oliveira et al. (2011).


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58 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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A nível Federal estabeleceu-se a Relação Nacional de


Medicamentos Essenciais (RENAME), instituída e revisada peri-
odicamente pela Comissão Técnica e Multidisciplinar de Atualização
da RENAME (COMARE).
A RENAME é uma lista de medicamentos deve atender às
necessidades básicas e prioritárias para saúde da população, conside-
rando-se os fatores socioeconômicos e epidemiológicos. Determina-
se, desta forma, o conceito da OMS para os medicamentos essen-
ciais:

“... aqueles que servem para satisfazer às necessidades de


atenção à saúde da maioria da população. São selecionados de
acordo com a sua relevância na saúde pública, evidência sobre a
eficácia e a segurança e os estudos comparativos de custo efetivi-
dade. Devem estar disponíveis em todo momento, nas quantida-
des adequadas, nas formas farmacêuticas requeridas e a preços que
os indivíduos e a comunidade possam pagar” (PEPE, WHO apud
OPAS/MS, 2005: 83).

Os principais medicamentos utilizados no Sistema Único de


Saúde (SUS) estão listados na RENAME e servem como referência
para os gestores federais, estaduais e municipais, que podem adequar
a lista de medicamentos de acordo com as especificações epidemioló-
gicas e territoriais de sua população.
Além destes aspectos, a RENAME também é utilizada para
elaboração do processo de aquisição de medicamentos no sistema
público, através do processo licitatório, que será abordado em outro
capítulo desta obra. Ressalta-se que junto a RENAME deverá ser
utilizado o Formulário Terapêutico Nacional (FTN), com o obje-
tivo de fornecer subsídios para a prescrição, dispensação e o uso dos
medicamentos essenciais, a partir dos Protocolos Clínicos e Dire-
trizes Terapêuticas, publicadas pelo Ministério da Saúde para o
tratamento das principais doenças observadas no país, de acordo com
os parâmetros epidemiológicos.
Alguns parâmetros devem ser considerados para se elaborar
uma lista de medicamentos padronizados, respeitando sempre as
características regionais, epidemiológicas e socioeconômicas. Uma
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 59


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

lista de medicamentos padronizados precisa conter o perfil da popu-


lação: idade, sexo, morbidade e mortalidade, bem como as doenças
mais prevalentes.
Quanto aos critérios técnicos dos medicamentos, deve-se
observar inicialmente os parâmetros de eficácia e segurança compro-
vados pela autoridade sanitária competente e respectiva documenta-
ção técnico-científica. Considera-se ainda os parâmetros referentes à
farmacologia e à fabricação do medicamento, como a comodidade
posológica, disponibilidade no mercado, custos, possibilidade de
adaptação e fracionamento da dose.
A organização e divulgação das listas de medicamentos pa-
dronizados também são de fundamental importância para esta etapa.
Deve-se priorizar a Denominação Comum Brasileira (DCB), a
partir do princípio ativo, evitando-se marcas e nomes comerciais. Na
ausência da DCB, pode-se utilizar a Denominação Comum Inter-
nacional (DCI), contendo o nome do princípio ativo que é utilizado
em outros países.
Facilita-se a consulta e a utilização das listas padronizados
ao se organizar os medicamentos por grupos farmacológicos e a indi-
cação clínica (anti-inflamatórios, antimicrobianos, benzodiazepínicos,
anti-hipertensivos etc). As instâncias públicas podem incluir nas listas
as relações das unidades de saúde e os respectivos medicamentos
disponíveis, melhorando o acesso da população aos serviços de saú-
de.
Estas ações facilitam a promoção do uso racional de medi-
camentos, evitam a utilização de medicamentos apenas por nome
comercial, estimulam comparações com listas de referências e auxili-
am a visualização de alternativas terapêuticas.
A ausência das listas de medicamentos padronizados tra-
zem prejuízos para as outras atividades do ciclo da Assistência Far-
macêutica. Pode-se programar um quantitativo superior ao necessário
para a demanda, provocando desperdícios quanto a validade dos
medicamentos. Em sentido oposto, uma seleção equivocada pode
levar a escassez de medicamentos essenciais para a população, dei-
xando doenças endêmicas descobertas para o respectivo tratamento.
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60 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Os Estados e Municípios podem elaborar suas próprias lis-


tas complementares de medicamentos padronizados, de acordo com
as particularidades de sua população e os serviços prestados (RESME
para Estados e REMUME para municípios). Não é obrigatória a ado-
ção apenas dos medicamentos que estão contidos na RENAME,
porém, não será possível utilizar recursos federais para aquisição des-
tes medicamentos, somente por recursos próprios.
Os medicamentos padronizados pelas esferas governamen-
tais deverão ser pactuados nas Comissões Intergestores Bipartite
(CIB), envolvendo um Estado e seus respectivos municípios e a
Comissão Intergestores Tripartite (CIT), reunindo os represen-
tantes da União, Estados e municípios. A CIT e as CIB’s padronizam
não apenas os medicamentos utilizados em uma determinada região,
mas também os diversos serviços de saúde e a distribuição geográfica
das unidades e profissionais.
Na prática, observa-se que estas esferas governamentais
padronizam os medicamentos presentes na RENAME evitando a
utilização de recursos próprios para a aquisição destes medicamentos
não-padronizados, o que iria onerar o custo total da gestão pública.
Assim, em termos gerais, a gestão Estadual padroniza os medicamen-
tos do Componente Especializado, enquanto a gestão Municipal pa-
droniza os medicamentos do Componente Básico.

3.2 COMISSÃO DE FARMÁCIA E TERAPÊUTICA (CFT)


Quando se trata de seleção de medicamentos e seu critério
multiprofissional para padronização dos medicamentos essenciais,
considera-se a adoção da Comissão de Farmácia e Terapêutica
(CFT), que tem por objetivo principal a promoção do uso racional
de medicamentos.
A CFT não possui caráter obrigatório na legislação brasilei-
ra, diferente de outras comissões instituídas pelo Ministério da Saúde,
principalmente em ambiente hospitalar. Este é um dos pontos princi-
pais para a má gestão dos recursos disponíveis para a seleção de me-
dicamentos essenciais no âmbito do SUS. Observa-se na maior parte
dos Estados e municípios brasileiros a ausência de CFT instituída
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 61


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

formalmente, o que prejudica a publicação das listas de medicamen-


tos padronizados no serviço público de saúde.
Sobre a composição da CFT, segue-se o relato de Oliveira
et al. (2011), demonstrando sua importância para a atividade de sele-
ção dos medicamentos:

“A composição das CFTs deve ser preferentemente


multiprofissional e multidisciplinar. A presença de profissio-
nais de diversas áreas deformação (farmácia, enfermagem, medici-
na, odontologia e outros) e que atuem em diferentes níveis do
serviço, como na gestão, unidades básicas de saúde, policlínicas,
unidades de urgência e emergência, garante a possibilidade de
discussão mais abrangente, qualificada e representativa das neces-
sidades identificadas no atendimento à população e nas demandas
das políticas públicas” (OLIVEIRA, et al. 2011).

Entretanto, por melhor que possa ser o perfil multiprofissi-


onal da CFT, ressalta-se que a coordenação ou presidência da
comissão deverá ser atribuída ao profissional farmacêutico, que
será responsável por disponibilizar e divulgar a lista de medicamentos
padronizados para os diversos setores e profissionais prescritores em
sua área de abrangência. Deve-se ainda avaliar o grau de adesão des-
tes profissionais à lista de medicamentos padronizados, para averiguar
a eventual necessidade de revisão para inclusão ou exclusão de de-
terminados medicamentos.
As CFT’s também colaboram para a promoção do uso ra-
cional de medicamentos, através da elaboração de documentos técni-
cos, parecer de inclusão e/ou exclusão de medicamentos, educação
continuada e sensibilização de prescritores para adesão à lista de pa-
dronização.
Observa-se que os hospitais são os estabelecimentos em
que as CFT’s estão mais instituídas formalmente. Este fato deve-se à
maior presença do farmacêutico nas atividades clínicas e assistenciais,
promovendo maior qualidade no atendimento, além de segurança e
eficácia na utilização dos medicamentos.
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Entretanto, em sentido oposto, observa-se que as Gestões


públicas de saúde, a nível Estadual e municipal, não possuem CFT’s
instituídas formalmente e muitas não possuem farmacêuticos em seus
quadros profissionais. Desta forma, os serviços farmacêuticos e as
atividades do ciclo da Assistência Farmacêutica ficam prejudicadas,
fato que se reflete na escassez de medicamentos essenciais nas unida-
des do SUS e no desperdício de recursos financeiros por aquisições
equivocadas, dificultando o acesso da população a estes medicamen-
tos.
Considerando-se todas as atividades executadas pela CFT,
observa-se a formatação e elaboração de vários documentos formais:
a) lista de medicamentos padronizados; b) formulário de medicamen-
tos de uso restrito; c) formulário de solicitação de medicamentos não-
padronizados; d) solicitação para inclusão e/ou revisão de medica-
mentos. Além destes, observa-se ainda o registro de atas das reuniões
periódicas e a respectiva documentação técnico-científica para avalia-
ção dos critérios de segurança e eficácia dos medicamentos, necessá-
rios para inclusão e/ou exclusão de um determinado medicamento.

3.3 PROCESSOS PRÁTICOS DE SELEÇÃO PARA


PROMOÇÃO DO USO RACIONAL DE
MEDICAMENTOS

Devido à sua importância para o desenvolvimento do Ciclo


da Assistência Farmacêutica, podemos destacar alguns procedimentos
práticos para a realização da seleção de medicamentos, com foco na
promoção do seu uso racional, de acordo com as diretrizes do Minis-
tério da Saúde para a Assistência Farmacêutica na Atenção Básica
(BRASIL, 2006). Estes processos são divididos em etapas sequenciais
para melhor fluidez e eficiência.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 63


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

- 1ª Etapa – Fase Política: sensibilização e apoio dos profis-


sionais de saúde e dos gestores. A seleção é a etapa mais im-
portante do Ciclo da Assistência Farmacêutica, sendo realizada
de forma multiprofissional. Desta forma, a sensibilização da fa-
se política é fundamental. Não haverá o desenvolvimento das
outras atividades do ciclo se a seleção de medicamentos não
for realizada de forma adequada. São necessárias reuniões, ofi-
cinas, palestras e outras estratégias para demonstrar a impor-
tância da padronização dos medicamentos para os profissionais
e gestores, facilitando a promoção do uso racional de medica-
mentos;

- 2ª Etapa – Fase Técnico-Normativa: criação e implanta-


ção da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), com res-
pectivos membros, documentos legais, deliberações e reuniões
periódicas. Nesta etapa implanta-se o núcleo básico para reali-
zação da seleção de medicamentos. A CFT será responsável
pela elaboração e divulgação da lista de medicamentos padro-
nizados, além dos protocolos clínicos para utilização embasa-
mento da prescrição e das condutas terapêuticas. Reforça-se
neste momento a importância do profissional farmacêutico em
coordenar esta etapa;

- 3ª Etapa – Efetivação da Seleção: elaboração do processo


de escolha dos medicamentos essenciais a serem padronizados
através de uma lista de medicamentos para uma determinada
unidade de saúde, município ou Estado, de acordo com a esfe-
ra de responsabilidade da CFT.

- 4ª Etapa – Fase de Divulgação e Implantação: após a


elaboração da lista de medicamentos padronizados é importan-
te criar mecanismos e estratégias para divulgar e implementar a
padronização. Esta etapa tem o objetivo de promover a adesão
aos medicamentos essenciais padronizados anteriormente, faci-
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litando a prescrição e o uso racional dos medicamentos por


profissionais de saúde e a população assistida;

- 5ª Etapa – Elaboração dos Protocolos Clínicos e do


Formulário Terapêutico: documentos oficiais para embasa-
mento da prescrição, estabelecendo quais medicamentos serão
utilizados de acordo com as condições clínicas, promovendo o
uso racional de medicamentos, qualidade de vida e redução de
custos.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 65


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

4
LOGÍSTICA – PARTE 01:

PROGRAMAÇÃO E AQUISIÇÃO DE
MEDICAMENTOS

Um dos maiores problemas em relação à gestão da Assis-


tência Farmacêutica é a falta de medicamentos nas farmácias e unida-
des públicas de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) con-
sidera o medicamento um insumo essencial para continuidade dos
tratamentos e manutenção do estado de saúde da população. Logo, a
falta de medicamentos expõe a fragilidade do processo de gestão da
Assistência Farmacêutica e acarreta prejuízos a saúde individual e
coletiva. Segundo dados da OMS, a falta de medicamentos provoca a
morte de aproximadamente seis milhões de pessoas no mundo anu-
almente.
Observando um estudo realizado pelo Ministério da Saúde
percebe-se que 44,6% dos medicamentos considerados essenciais não
estavam presentes nas unidades básicas das principais capitais brasi-
leiras, incluindo principalmente anti-inflamatórios e medicamentos
para doenças crônicas, como a hipertensão arterial. Ainda neste senti-
do, outros estudos demonstram que o profissional farmacêutico não
estava presente em 42,5% dos estabelecimentos em saúde, configu-
rando uma ilegalidade de acordo com a Lei 13.021/14, que dispões
sobre as atividades farmacêuticas, incluindo a obrigatoriedade do
profissional farmacêutico durante o horário de funcionamento do
estabelecimento.
Em sentido oposto e, da mesma forma preocupante, o ex-
cesso de medicamentos e insumos que são descartados diariamente
por compras erradas e que ultrapassam o prazo de validade, gerando
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um enorme desperdício de recursos financeiros e um prejuízo para a


saúde pública.
Estima-se, de acordo com o Conselho Regional de Farmá-
cia, que anualmente os governos federal, estadual e municipal desper-
dicem um bilhão de reais com medicamentos fora do prazo de vali-
dade. Isto representa que em média 20% dos medicamentos compra-
dos nas redes públicas e privadas são descartados por falhas na pro-
gramação, aquisição e armazenamento, demonstrando a falência total
do processo de gestão da Assistência Farmacêutica.
Desta forma, temos um contrassenso para reflexão: “como
a ausência do profissional farmacêutico se reflete na falta de
medicamentos essenciais e no desperdício de recursos com
medicamentos vencidos?”.
Quais as atribuições do profissional farmacêutico na gestão
da Assistência Farmacêutica? De que forma podemos contribuir para
garantir a disponibilidade, o acesso e a promoção do uso racional de
medicamentos essenciais para a população?
Em períodos de crise econômica e de insatisfação popular
com os serviços de saúde, é notório saber que a disponibilidade dos
medicamentos para a dispensação é o principal objetivo das ativida-
des logísticas do Ciclo da Assistência Farmacêutica, contribuindo para
o acesso e a promoção do uso racional de medicamentos.
Vimos anteriormente que a seleção de medicamentos é a
atividade chave e primordial do Ciclo da Assistência Farmacêutica,
pois fornece subsídios para as etapas subsequentes. Para que os me-
dicamentos essenciais estejam disponíveis no ato da dispensação, é
necessário um conjunto de atividades logísticas: programação, aqui-
sição, armazenamento e distribuição. Para melhor compreensão e
efeitos didáticos, vamos dividir estas atividades em dois capítulos,
iniciando com os conceitos de logística.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 67


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

4.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE LOGÍSTICA E


GERENCIAMENTO
Ao longo da história observou-se a necessidade humana de
produzir, armazenar e distribuir mercadorias e produtos, permitindo a
abertura de mercados, evolução de cidades e desenvolvimento de
populações. Com o tempo, a demanda de mercadorias, produtos
agrícolas e a redução de custos impulsionaram pactos comerciais,
explorações econômicas e sociais, além de criar novos métodos de
produção.
Na área da saúde este processo também aconteceu. Obser-
vamos o avanço dos tratamentos, métodos de diagnósticos e medi-
camentos. Penicilina, raio-x, anestésicos, menor tempo de internação
e outros avanços permitiram que a expectativa de vida avançasse em
todo o mundo. Resta agora um grande desafio: distribuir estes avan-
ços para todos.
A logística também está relacionada com a Assistência
Farmacêutica. Pesquisas demonstram que as farmácias, públicas ou
privadas, são as unidades de saúde mais distribuídas em um território,
podendo ser a primeira escolha para a maioria da população em busca
de uma queixa ou orientação em saúde.
Percebe-se desta forma que a presença e a participação do
profissional farmacêutico são fundamentais para o desenvolvimento
dos serviços de saúde, através da dispensação e da promoção do uso
racional de medicamentos. Entretanto, para que estes serviços pos-
sam ser realizados de forma eficaz, é necessário garantir a disponibili-
dade dos medicamentos, desde a produção da indústria até o armaze-
namento nos estabelecimentos farmacêuticos.
O Ciclo da Assistência Farmacêutica possui caráter multi-
profissional, pois apresenta um conjunto de atividades que não são
exclusivas do profissional farmacêutico, incluindo as atividades e
ações de logística, que pode ser definida de acordo com o contexto
empregado.
Com o tempo, inseriu-se a gestão do estoque nas atividades
logísticas, promovendo maior controle e otimização dos produtos
adquiridos. A partir da década de 60, surgiu a primeira associação dos
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profissionais desta área, a “National Council of Physical Distribution Ma-


nagement – NCPDM”, que padronizou o primeiro conceito acadêmico
de logística:

“Logística consiste das atividades associadas à movimen-


tação eficiente de produtos acabados, desde o final da linha de
produção até o consumidor, e, em alguns casos, inclui a movimen-
tação de matéria-prima da fonte de suprimentos até o início da
linha de produção. Estas atividades incluem o transporte, a arma-
zenagem, o manuseio dos materiais, o empacotamento, o controle
de estoques, a escolha da localização de plantas e armazéns, o
processamento de ordens, as previsões de ordens e os serviços aos
clientes.” (NCPDM, 1962).

Assim, podemos afirmar que as atividades logísticas se


aproximam da Assistência Farmacêutica, pois também se desenvol-
vem de forma cíclica e ordenada, com o objetivo de disponibilizar os
produtos aos clientes em menor tempo e ao menor custo possível.
Existem alguns tipos de logística que podem ser utilizadas
no mercado, de acordo com as características da empresa e do públi-
co-alvo. Um dos tipos principais e que vem sendo muito utilizada
atualmente é a logística integrada, que promove a integração de
todos os processos desde a origem a do produto até o consumidor
final. Este tipo logístico pode ser aplicado no Ciclo da Assistência
Farmacêutica, considerando o medicamento com sua origem na in-
dústria, até o ato da dispensação realizada pelo profissional farmacêu-
tico.
A logística integrada pode ser dividida em áreas para me-
lhor organização da cadeia de produção. A primeira se refere à admi-
nistração de materiais, relacionada ao fluxo de insumos e matérias-
primas na indústria, agilizando a produção. Em sequência, temos a
movimentação de materiais, responsável pela programação e abaste-
cimento da linha de produção de forma eficiente.
Por fim, temos a distribuição física, que finaliza a sequência
dos processos transportando o produto até o consumidor final, ga-
rantindo a segurança e qualidade dos produtos. No Ciclo da Assistên-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 69


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

cia Farmacêutica, estas etapas estão elencadas na Distribuição, que


será abordada no próximo capítulo.
Com o tempo, a redução dos custos e a preservação dos re-
cursos fez parte do processo logístico, inserindo a questão ecológica
na linha de produção. Neste sentido, surge no Brasil a Política Nacio-
nal de Recursos Sólidos (Lei n° 12.305/2010), que define a logística
reversa: “instrumento de desenvolvimento econômico e social carac-
terizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destina-
dos a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor
empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos
produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.
Desta forma, a logística reversa utiliza a recaptação e o re-
torno dos produtos para a empresa, reciclando e reaproveitando os
recursos disponíveis. No ciclo da Assistência Farmacêutica, podemos
utilizar a logística reversa para promover a destinação adequada aos
resíduos e aos medicamentos que serão descartados, evitando conta-
minação ambiental e promovendo publicidade e marketing ao con-
sumidor final.
Posteriormente, o mercado percebeu a importância de inse-
rir o cliente neste processo, demonstrando como as preferências do
público-alvo influenciam a cadeia de suprimentos, da produção até os
serviços clínicos. Assim, a logística evolui para Gerenciamento Lo-
gístico, que é definido como:

“parte da gestão da cadeia de suprimentos que planeja,


implementa e controla de maneira eficiente e efetiva os fluxos
diretos e reversos, a armazenagem de bens, os serviços e informa-
ções relacionadas entre o ponto de origem e o ponto de consumo
a fim de encontrar os requerimentos dos clientes”. (Council of Su-
pply Chain Management Professionals – CSCMP, 2000).

O Gerenciamento Logístico inicia com a definição dos


produtos e serviços a serem produzidos pela empresa, no Ciclo da
Assistência Farmacêutica esta etapa é definida pela seleção dos medi-
camentos.
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70 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Após definirmos a padronização dos medicamentos e in-


sumos, é necessário estabelecer o quantitativo de produtos a ser ad-
quirido para atendimento da população, bem como a forma como
estes produtos serão adquiridos. Estas etapas correspondem à Pro-
gramação e à Aquisição no Ciclo da Assistência Farmacêutica, que
serão abordadas na sequência deste capítulo.

4.2 PROGRAMAÇÃO DE MEDICAMENTOS


A atividade de programação tem como objetivo estimar o
quantitativo, de um determinado produto ou serviço, a ser adquirido
para suprir as necessidades de uma população. Considerando-se o
contexto do Ciclo da Assistência Farmacêutica, a programação é rea-
lizada após a seleção de medicamentos, com base nos critérios epi-
demiológicos. Blatt e colaboradores (2011) definem o conceito e os
objetivos da programação de medicamentos:

“Programar é definir os quantitativos dos medicamen-


tos, selecionados previamente, que devem ser adquiridos, de modo
a evitar a descontinuidade do abastecimento por um determinado
período de tempo. Nesse sentido, o objetivo principal da progra-
mação é manter o abastecimento de medicamentos das farmácias
das unidades de saúde, compatibilizando os recursos disponíveis
com as necessidades”.

Observa-se que a programação é uma atividade que tem


por referência o abastecimento de medicamentos e insumos, sendo
um processo dinâmico, pois utiliza a demanda dos serviços disponí-
veis e o perfil epidemiológico da população, evitando o desabasteci-
mento.
Sabem-se os prejuízos para a saúde quando a programação
de medicamentos não é realizada de forma adequada, podendo pro-
vocar desabastecimento ou desperdícios por compras excessivas. Esta
prática errônea permite que a população busque vias judiciais para
assegurar o direito constitucional da saúde, de acordo com o Artigo
nº 196, em um processo denominado judicialização, obrigando as
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 71


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

esferas públicas governamentais a disponibilizar os medicamentos


essenciais para o requerente.
Sob o ponto de vista da gestão e da logística, observa-se
que a programação é uma atividade associada ao planejamento, proje-
tando demandas futuras, doenças endêmicas, possíveis surtos e sazo-
nalidades temporais. Independente do método e do critério utilizado
na programação, deve-se considerar a necessidade da população e a
demanda dos medicamentos para uma determinada área ou região de
saúde.
Pereira (2016) afirma que “o planejamento é elemento es-
sencial ao gerenciamento do serviço de abastecimento visto que a
disponibilidade oportuna de medicamentos é um dos indicadores da
qualidade dos serviços de saúde”.
Considerando-se a necessidade da população, Blatt e cola-
boradores (2011) afirmam que esta surge a partir dos dados epide-
miológicos disponíveis na região: demanda de atendimentos em hos-
pitais; consultas realizadas; número total de habitantes; faixa etária e
expectativa de vida; entre outros.
Ressalta-se que a programação não deve ser igual ao con-
sumo de medicamentos, pois poderá haver desabastecimento por
subestimar a demanda efetiva e real da população. Quando o quanti-
tativo de medicamentos disponíveis nas unidades de saúde não é
suficiente para atender à população, denomina-se demanda repri-
mida, que deve ser considerada para a programação subsequente.
A demanda reprimida representa uma falha grave no acesso
aos medicamentos essenciais, evidenciando o desabastecimento e
prejuízos à população. Exemplificando, em um determinado posto de
saúde haviam 40 pacientes registrados para o tratamento da hiperten-
são arterial com comprimidos de captopril 25mg. Entretanto, em
virtude do desabastecimento, observam-se somente 1.000 comprimi-
dos disponíveis na farmácia básica do município. Se cada paciente
utilizar um comprimido de captopril por dia para tratamento, seriam
necessários 1.200 comprimidos em um período de trinta dias. Desta
forma, seriam necessários no mínimo mais 200 comprimidos para
continuidade do tratamento, representando assim a demanda repri-
mida.
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72 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Vários fatores podem influenciar na demanda reprimida:


programação errônea; surtos epidemiológicos; serviços de saúde;
falhas na distribuição; recursos escassos; atrasos na aquisição etc.
Observa-se que este é o cenário vigente na maioria dos serviços pú-
blicos de saúde: falta de medicamentos; desabastecimento de insu-
mos; descontinuidade dos tratamentos; custos excessivos para a po-
pulação; falhas no acesso e uso irracional de medicamentos. Para se
realizar uma programação adequada, deve-se analisar os seguintes
fatores:

- Perfil epidemiológico: é necessário avaliar os parâmetros socioe-


conômicos, geográficos e populacionais da unidade a ser atendida.
Fatores como mortalidade, morbidade, expectativa de vida, faixa
etária, sazonalidade, endemias etc. devem ser analisados ao se rea-
lizar a programação de medicamentos, evitando assim aquisições
errôneas e desperdícios de recursos;

- Organização dos serviços: base do processo de programação.


Deve-se delegar tarefas, analisar os responsáveis, identificar pro-
blemas, fluxos de trabalhos, otimizando os recursos, com agilidade
e segurança;

- Financiamento: é preciso avaliar que os recursos financeiros são


finitos e devem atender aos medicamentos essenciais, para abran-
ger a maioria da população. Ressalta-se ainda que o período de
compra também deve ser analisado, pois compras realizadas em
períodos mais longos, geram compras mais volumosas e redução
do custo individual dos produtos. Outro ponto sobre o financia-
mento é a ordenação financeira para os medicamentos incluídos
na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME),
evitando a aquisição de medicamentos não padronizados e que
apresentem maiores custos;
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 73


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

- Padronização de medicamentos: produto da atividade de sele-


ção, considerando-se a RENAME e as listas subsequentes para
territórios e unidades de saúde. Os medicamentos elencados na
RENAME possuem estimativa de preços pelo Ministério da Saú-
de e podem ser comparados para redução dos custos na aquisição;

- Gestão de estoques: para uma programação adequada é funda-


mental conhecer o estoque previamente existente, a demanda de
medicamentos e a logística disponível para armazenamento e pos-
terior distribuição às unidades de saúde. Esta etapa é fundamental
para a programação e, na prática, não é realizada de forma ade-
quada nos serviços públicos de saúde, por falta de recursos e por
uma gestão ineficiente;

- Infraestrutura de recursos humanos, físicos e materiais: re-


cursos fundamentais para a realização de qualquer atividade admi-
nistrativa e gerencial. Considerando-se que o Ciclo da Assistência
Farmacêutica é multiprofissional, deve-se utilizar o maior número
de profissionais envolvidos com as atividades de programação, in-
cluindo farmacêuticos, administradores, técnicos de informação,
profissionais de informática e outros que possam contribuir para
esta atividade;

Após a definição do perfil epidemiológico e dos outros fato-


res observados anteriormente, deve-se analisar os principais métodos
de programação, de acordo com a disponibilidade de cada serviço.
Estes métodos podem ser identificados conforme o Quadro 01:
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74 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Quadro 01: Métodos de Programação de Medicamentos

1. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO: Estimativa quantitativa dos medi-


camentos com base na população assistida, dados de incidência, preva-
lência e os principais problemas de saúde que acometem uma população.

APLICAÇÃO REQUER LIMITAÇÕES

inexistência de in- dificuldade ou inconsis-


dados demográficos e
formações sobre o tência dos dados demo-
sociais
consumo gráficos

situações emergenci- mortalidade e morbi- ausência de padronização


ais dade ou esquemas terapêuticos

fundamentar neces- esquemas terapêuti- custos elevados para aqui-


sidade de recursos cos e custos totais sição dos medicamentos

2. CONSUMO HISTÓRICO: Estimativa com base no consumo mé-


dio de medicamentos uma unidade ou região, de acordo com uma série
histórica no tempo.

APLIICAÇÃO REQUER LIMITAÇÕES

registros e análises
disponibilidade de
confiáveis de consu-
dados históricos dados de consumo não
mo, controle de esto-
confiáveis de con- confiáveis ou ausentes
que, demanda repri-
sumo
mida e inventário
tempo aplicado da possibilidade de propagar
estimativa média logística de armaze- erros de consumo e uso
para consumo futuro namento e distribui- irracional de medicamen-
ção tos
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 75


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

3. OFERTA DE SERVIÇOS: Estimativa com base nos serviços ofer-


tados à população em uma unidade de saúde ou região, é determinado
pelo percentual de cobertura, não sendo consideradas informações sobre
o consumo.

APLICAÇÃO REQUER LIMITAÇÕES

dados sobre serviços


dificuldade ou inconsis-
ausência dos dados ofertados à popula-
tência dos dados demo-
de consumo ção em uma unidade
gráficos
de saúde ou região
diagnósticos, esque-
falta de adesão aos proto-
avaliação de consu- mas terapêuticos e
colos clínicos e padroni-
mo histórico informações frequen-
zação de medicamentos
tes

4. CONSUMO AJUSTADO: Estimativa quantitativa com base na


exploração da demanda de consumo, a partir das informações de outras
regiões ou unidades de mesmo perfil.

APLIICAÇÃO REQUER LIMITAÇÕES

ausência de qualquer
dados demográficos e populações e perfis sociais
informação sobre os
sociais diferentes
outros métodos

comparação com
consumo de medica- morbidade e mortalidade
outros sistemas de
mentos per capita variáveis
abastecimento
Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Brasil (2006), Marin et al. (2003).

Importante ressaltar que estes métodos de programação


devem ser trabalhados em conjunto, pois todos apresentam vanta-
gens e desvantagens, aplicações e limitações. Assim, para uma pro-
gramação mais adequada e condizente com a realidade, deve-se com-
binar mais de um método, reduzindo a possibilidade de falhas e erros
devido à sazonalidade, aumento de demanda etc. As particularidades
e exemplos de cada método serão apresentadas a seguir.
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76 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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4.2.1. Método do Perfil Epidemiológico

A epidemiologia, os dados demográficos e as informações


socioeconômicas de uma determinada população devem ser analisa-
das no âmbito da programação de medicamentos. Vimos anterior-
mente que a seleção de medicamentos deve ser realizada com base no
perfil epidemiológico da região, considerando o perfil de saúde e as
principais doenças que acometem uma população.
O método do perfil epidemiológico também considera es-
tes aspectos e será diretamente complementar à atividade de seleção,
considerando uma projeção futura do quantitativo de medicamentos
necessários para o atendimento de uma população específica. Analisa-
se, principalmente, os dados de mortalidade, morbidade, prevalência e
incidência de doenças, além dos esquemas terapêuticos e elencos de
medicamentos padronizados.
Este método não necessita das informações anteriores so-
bre o consumo, constituindo assim a sua principal vantagem, pois se
referencia a partir das informações epidemiológicas existentes. Esta é,
portanto, a maior desvantagem deste método: a confiança nas infor-
mações e dados analisados, pois qualquer divergência ou erro na epi-
demiologia será multiplicado na programação dos medicamentos.
Utiliza-se, desta forma, os principais dados sobre doenças
infecciosas (viroses, diarreia etc); prevalência de doenças crônicas
(hipertensão arterial, diabetes mellitus etc); além de situações sazonais
previsíveis que possam modificar a demanda de atendimentos (seca,
períodos de frio, feriados prolongados etc).
Determinam-se, em seguida, quais os medicamentos neces-
sários para estas situações e calcula-se o quantitativo total de medi-
camentos para a população assistida, para o maior período de tempo
possível, geralmente um ano, dividindo a programação por mês.
Exemplo: você foi nomeado como farmacêutico respon-
sável pela programação de compras de medicamentos, em uma cidade
fictícia do interior do Estado, para o período de um ano. Não haviam
informações consistentes sobre o consumo anterior e você decide
utilizar o método epidemiológico. Segundo os dados do IBGE, a
hipotética cidade tem população estimada em aproximadamente
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 77


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

20.000 habitantes. Considerando-se apenas os casos de diabetes melli-


tus, observa-se que 2% da população utilizam o medicamento gliben-
clamida 5mg, um comprimido a cada 12 horas, de acordo com a po-
sologia.
Calcula-se inicialmente o quantitativo de pessoas a serem
atendidas (20.000 habitantes X 2% = 400 habitantes). Em seguida,
calcula-se a projeção quantitativa de comprimidos necessários para
um mês tratamento (400 habitantes X 02 comprimidos por dia X 30
dias = 24.000 comprimidos por mês). Por fim, obtemos a programa-
ção anual ao multiplicarmos o quantitativo para os doze meses do
ano (24.000 comprimidos por mês X 12 meses = 288.000 comprimi-
dos por ano).
Considerando-se apenas o perfil epidemiológico o total de
comprimidos seria elevado para o período de um ano (288.000 com-
primidos). Porém, ressalta-se que novas avaliações clínicas e eventuais
óbitos ou abandonos de tratamento podem modificar o número de
pessoas assistidas, alterando o quantitativo total de pessoas em trata-
mento e, por consequência, o total de medicamentos programados
para o período analisado. Sugere-se, desta forma, uma pequena varia-
ção na programação, proporcionando adaptações para eventuais alte-
rações na demanda e na população assistida no município.

4.2.2. Método do Consumo Histórico

Na prática, este é o método mais utilizado nos serviços pú-


blicos de saúde, devido a sua praticidade e disponibilidade de infor-
mações. Consiste, basicamente, em coletar os dados sobre a média do
consumo em um determinado período e programar o quantitativo de
medicamentos para suprir a demanda, de acordo com o estoque dis-
ponível.
A maior vantagem deste método é o fato de não requerer
dados epidemiológicos ou de morbidade, pois utiliza cálculos simples
e informações da média de consumo. Entretanto, se o controle de
estoque não for realizado de forma adequada, um erro de informação
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na média do consumo pode ser perpetuado, gerando um erro na pro-


gramação e consequentes prejuízos à população.
Desta forma, o controle de estoque realizado de forma
adequada é o maior parâmetro do método de consumo histórico. São
necessárias informações sobre entrada, saídas, doações e emprésti-
mos, além do inventário realizado de forma periódica, registrando
toda a movimentação do estoque de forma adequada.
No cálculo deste método, deve-se considerar os períodos
sem movimentação do estoque ou longos períodos de desabasteci-
mento. Estas informações devem ser excluídas do cálculo do Consu-
mo Médio Mensal (CMM), que pode interferir na demanda real de
medicamentos na unidade. Assim, o CMM só pode ser calculado com
as informações sobre consumo real a partir da dispensação. Variações
decorrentes de doações, empréstimos, períodos de desabastecimento
e perdas por vencimento devem ser excluídas, pois não representam a
necessidade da população assistida.
Exemplo: Seguindo a programação do método anterior,
você foi responsável para elaborar o quantitativo anual de medica-
mentos para um hospital do interior do Estado. Ao analisarmos o
consumo de frasco-ampolas de cefalotina 1g, percebemos que houve
dispensação em período de oito meses em um período de um ano:
200, 400, 100, 200, 300, 300, 100 e 200. Calculando-se o CMM, ob-
temos a média de 225 frascos por mês (1800 frascos/ 8 meses). Para
melhor ajuste, seriam necessárias informações sobre a demanda re-
primida para os quatro meses do período sem abastecimento.
Caso esta programação fictícia utilizasse o período de doze
meses, sem considerar o período de desabastecimento, teríamos uma
média de aproximadamente 157 frascos por mês, valor abaixo do
CMM observado anteriormente. Esta prática é utilizada erroneamente
na rotina profissional, pois não há controles de estoque e inventários
adequados, fato este que reduz a necessidade real de medicamentos
no hospital, prejudicando a programação e a promoção do uso racio-
nal para a população.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 79


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

4.2.3. Método da Oferta de Serviços

Este método se aproxima do raciocínio utilizado para o mé-


todo do perfil epidemiológico, pois não utiliza informações sobre o
consumo, mas sim de dados sobre a capacidade dos serviços disponi-
bilizados para a população. Pode ser utilizado para doenças crônicas,
que já possuem público fixo para demanda de medicamentos a cada
ano. Também pode ser utilizado para atendimentos de saúde progra-
mados previamente e que utilizem um quantitativo de medicamentos
e materiais constantes (pequenas cirurgias, atendimentos odontológi-
cos, colírios para procedimentos oftalmológicos etc).
Exemplo: a Secretaria Municipal de Saúde de uma capital
está realizando a programação de medicamentos e insumos para os
três mutirões oftalmológicos que serão realizados no ano. Sabendo-se
que cada evento atende aproximadamente 200 pessoas, qual seria a
quantidade do colírio sulfato de atropina 1%, frasco de 5ml, a ser
programada para o período de um ano? Deve-se analisar o total de
frascos por evento. Considerando-se este evento hipotético, um fras-
co de colírio atenderá em média 20 pessoas, em um total de 10 fras-
cos por evento. Assim, para o total de eventos, serão necessários 30
frascos de colírio em um ano.
Ressalta-se que este método atende as demandas de serviço
previamente existentes, sendo necessárias informações claras, fide-
dignas e confiáveis para sua utilização, o que pode ser uma desvanta-
gem na aplicação deste método. No exemplo acima, o total de frascos
se refere aos eventos programados, caso se utilize deste medicamento
no hospital ou outra unidade de saúde para dispensação, deverá ser
utilizado outro método de programação.

4.2.4. Método do Consumo Ajustado

Observamos até o momento a importância da coleta dos


dados sobre o consumo e do perfil epidemiológico para uma progra-
mação adequada. Entretanto, podem ocorrer situações em que os
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dados não estão disponíveis, seja por não existir a coleta de informa-
ções, ou por iniciar um serviço farmacêutico.
Nestas situações pode-se utilizar o método do consumo
ajustado, realizado a partir de informações orçamentárias, ou extrapo-
lação de dados utilizados em unidades com perfil semelhante. Este
método também é utilizado para unidades ou farmácias que irão
inaugurar os serviços, pois não existem informações sobre o consu-
mo e pode-se adaptar a aquisição para um orçamento pré-existente.
Exemplo: um município do interior do Estado irá iniciar
os serviços hospitalares em uma maternidade recém-inaugurada. Co-
mo fazer esta programação? Não existem informações sobre a even-
tual demanda de atendimentos e tampouco sobre o consumo dos
medicamentos. Pelo método de consumo ajustado, sugere-se buscar o
perfil de consumo de outra unidade do mesmo porte, em uma região
próxima, extrapolando-se a programação disponível.

4.3 AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS

Uma das grandes questões que influenciam a Gestão da As-


sistência Farmacêutica é o financiamento dos medicamentos e insu-
mos. O cenário político e socioeconômico atual não permite investi-
mentos elevados na gestão pública, vivemos um momento de cortes
de gastos, aumento nas despesas e insegurança política e administrati-
va.
Cabe ressaltar que os medicamentos constituem parcela
significativa do orçamento destinado à saúde. Várias políticas e ações
foram implementadas ao longo dos anos na tentativa de reduzir os
custos dos medicamentos, incluindo a Política de Medicamentos Ge-
néricos e o Programa Farmácia Popular, descritos anteriormente
nesta obra.
O processo de aquisição refere-se às várias etapas envolvi-
das para garantir a disponibilidade dos medicamentos e insumos nas
unidades de saúde, de acordo com a quantidade programada. Na
prática, medicamentos estão em falta na maior parte dos municípios e
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 81


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

configuram uma das principais queixas dos profissionais e usuários


do Sistema Único de Saúde (SUS).
Cabe ressaltar que o ciclo da Assistência farmacêutica é um
conjunto de atividades multiprofissionais. Na atividade de aquisição, é
de fundamental importância a participação de profissionais que exer-
çam atividades administrativas, logísticas e jurídicas, com a supervisão
e orientação do profissional farmacêutico, a fim de obter agilidade,
celeridade e eficiência para a efetivação das compras de medicamen-
tos e insumos.
O processo de aquisição pode ser realizado tanto na esfera
pública quanto privada e existe uma interação entre estas duas áreas
para promover o acesso aos medicamentos essenciais, incluindo a
demanda de atendimentos e a necessidade da população.
Em relação à iniciativa privada, o processo deve garantir o
fornecimento de medicamentos e insumos em quantidade suficiente
para atender a população, manter a estrutura financeira e a cadeia
logística.
Cada empresa, organização ou instituição deve possuir
normas e procedimentos próprios para gerenciamento, cadastro de
fornecedores, fluxo de pagamento e logística de recebimento dos
produtos adquiridos. Importante ressaltar que estes procedimentos
devem seguir as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) e as relações nacionais de comércio.
A aquisição também pode ser realizada através de consór-
cios, associação, convênios, bem como fundações com ou sem fim
lucrativo. Estas estruturas facilitam o andamento dos processos ad-
ministrativos, reduzem os custos totais por economia de escala e
aumento de demanda, gerando maior volume de compra.
Na gestão pública, o processo de aquisição segue as normas
e diretrizes da Lei n° 8.666 de 21 junho de 1993, conhecida atual-
mente como “Lei das Licitações e Contratos”, que surgiu na sequên-
cia dos movimentos políticos e sociais após a promulgação da Consti-
tuição Federal em 1988, em especial ao cumprimento do exposto no
artigo 37, inciso XXI.
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A Lei de Licitações tem como objetivo principal a regula-


mentação dos produtos, serviços e contratos a serem adquiridos e
executados pela Administração Pública, direta ou indireta, promo-
vendo a transparência e isonomia entre os participantes. Outro obje-
tivo indireto é a redução dos custos de aquisição para a Administra-
ção, pois estimula a concorrência e promove competitividade entre as
empresas.
Entretanto, duas décadas após a promulgação desta legisla-
ção, observa-se que muitas instâncias públicas não cumprem os pro-
cedimentos administrativos necessários para alcançar estes objetivos.
São inúmeros os casos de corrupção e desvios de recursos públicos
relacionados às licitações, incluindo a aquisição de medicamentos e
insumos.
Além destes fatos, soma-se ainda a ineficiência dos proces-
sos administrativos relacionados à Lei de Licitações. Relatórios de
fiscalização dos órgãos públicos indicam que as licitações são inefici-
entes e não atendem ao especificado na legislação, promovendo mo-
rosidade no andamento dos processos e prejuízos à população devido
ao desabastecimento.
Na sequência, vamos abordar os principais pontos e diretri-
zes especificadas na Lei de Licitações e as modalidades de aquisição
dos medicamentos e insumos.

4.3.1. Lei de Licitação e Contratos e suas Aplicações na Aquisi-


ção de Medicamentos e Insumos

A Lei de Licitações e Contratos permite desenvolver e exe-


cutar os processos para aquisição de produtos, mercadorias e serviços
em todas as esferas da Administração Pública, aplicando os princípios
e diretrizes da Constituição Federal.
Em relação à Gestão da Assistência Farmacêutica e a pro-
moção do uso racional de medicamentos, é importante frisar que a
quantidade e os tipos a serem adquiridos foram determinados nas
atividades anteriores, a seleção e a programação. Quaisquer proble-
mas, falhas ou atrasos nestas etapas irão refletir negativamente no
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 83


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

processo de aquisição, gerando atrasos e consequentemente desabas-


tecimento dos medicamentos e insumos.
A forma e a modalidade do processo licitatório implicam na
aquisição dos medicamentos e precisam ser analisados durante o
planejamento das atividades administrativas inerentes a esta etapa. De
modo geral, quanto maior o período de programação, maior será o
quantitativo de medicamentos a serem adquiridos, o que tende a re-
duzir os preços individuais destes produtos por economia de escala.
Este é um princípio aplicado ao mercado em varejo: quanto
maior a quantidade de produtos a serem adquiridos, menores os cus-
tos totais associados à logística, permitindo um menor preço de ven-
da ao consumidor final. Desta forma, observa-se uma tendência de
mercado para reduzir os custos e o tempo associado ao processo de
aquisição, otimizando a logística de abastecimento dos medicamen-
tos.
Uma estratégia simples disponível na Lei de Licitações é a
formação de consórcios intermunicipais, estaduais ou regionais para
aquisição de medicamentos, pois eleva a quantidade de medicamentos
e insumos a serem adquiridos em regiões mais distantes e com menor
população. No país o exemplo de consórcio que apresenta os melho-
res resultados está no Paraná, onde a maior parte dos municípios é
consorciada e terceiriza a logística de programação e aquisição de
medicamentos.
No Brasil, a forma de aquisição de produtos de acordo com
a Lei de Licitações ocorre através das modalidades, que variam se-
gundo a quantidade de produtos, o prazo, período de compras e o
valor financeiro aplicado. Anos depois da publicação da Lei de Licita-
ções foi regulamentada uma nova modalidade, o pregão, através da
Lei n° 10.520/2002, de forma presencial ou eletrônica.
Atualmente, o pregão é bastante utilizado nos municípios e
Estados mais desenvolvidos, o que amplia a concorrência entre for-
necedores, estimula a logística e a redução dos custos totais. Outras
modalidades também são descritas na Lei de Licitações, incluindo o
concurso e o leilão, mas não são aplicadas para aquisição de medica-
mentos. As principais modalidades de licitação e a aplicação no pro-
cesso de aquisição podem ser observadas no Quadro 02:
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84 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Quadro 02 - Modalidades de Licitação na Aquisição de


Medicamentos
LEI Nº
LEI Nº 8.666/93
10.520/02
PREGÃO -
TOMADA eletrônico
DISPENSA CONVITE CONCORRÊNCIA
DE PREÇO ou presen-
cial

Interessados Fornecedores Interessados


Quaisquer Quaisquer
cadastrados previamente previamente
interessados interessados
ou não cadastrados cadastrados

Valor (R$): Valor (R$):


Valor (R$): Valor (R$):
entre entre Valor (R$): acima de
menor que não há valor
8.000,00 e 80.000,00 e 650.000,00
8.000,00 específico
80.000,00 650.000,00
Não há
Prazo de Prazo de Prazo de
prazo para Prazo de trinta dias
cinco dias quinze dias oito dias
publicação corridos
úteis corridos úteis
do edital

Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Diehl et al. (2016) e Marin et al. (2003).

As várias modalidades de licitação são aplicadas de acordo


com o objetivo, prazos, valores e o tipo de medicamento a ser adqui-
rido. A dispensa de licitação é uma modalidade aplicada em situações
de emergência, compras em pequena quantidade, baixos valores ou
processos judiciais, que exigem agilidade e cumprimento dos prazos
estipulados. Apesar de apresentar vantagens, a dispensa de licitação
deve ser utilizada com cautela, pois pode configurar fraude perante as
prestações de conta, caracterizando infração financeira e fiscal.
Medicamentos e insumos que não possuem concorrência
ou fornecedor exclusivo no Brasil podem ser adquiridos através da
inexigibilidade da licitação, quando a Administração Pública pode
dispensar o processo licitatório para aquisição do produto. Este artifí-
cio legal só pode ser utilizado em situações específicas ou emergenci-
ais, ou quando um produto possui fornecedor exclusivo, pois a legis-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 85


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

lação obriga as esferas administrativas a realizar a licitação, seguindo


todos os trâmites legais específicos.
A modalidade convite é aplicada quando a Administração
necessita de produtos e serviços não contemplados na dispensa, com
valor de até R$ 80.000,00. Devem ser convidadas no mínimo três
instituições para participar do processo, com até 24 horas de antece-
dência, através do convite fixado em local pré-determinado. As em-
presas interessadas devem apresentar suas propostas e assim podem
participar do processo como nas outras modalidades.
A tomada de preço é bastante utilizada para compras de
produtos na área de saúde. As empresas interessadas devem se cadas-
trar previamente, atendendo aos requisitos prévios estabelecidos pela
legislação, além das exigências pré-determinadas no edital. Realiza-se
uma pesquisa de preços nas principais empresas do mercado, verifi-
cando se os valores oferecidos nas propostas estão compatíveis com
o mercado e o Banco de Registro de Preços do Ministério da Saúde,
Para grandes obras ou compras em grandes valores, acima
de R$650.000,00 utiliza-se a modalidade de concorrência, com requi-
sitos maiores do que as outras observadas anteriormente. Estas mo-
dalidades podem ser realizadas através do sistema de registro de pre-
ços, onde o objetivo maior da licitação não e á quantidade dos medi-
camentos, mas sim o seu preço unitário. Desta forma, programa-se
uma quantidade de medicamentos que possa atender uma determina-
da demanda, geralmente anual, dos medicamentos. Caso seja necessá-
rio aumentar ou diminuir essa quantidade, o preço unitário do produ-
to não será alterado, garantindo planejamento financeiro.
Independente da modalidade escolhida e aplicável no pro-
cesso licitatório deve-se seguir um conjunto de normas e procedimen-
tos administrativos, conhecidos como fases da administração, con-
forme a Figura 01.
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86 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Figura 01: Fases do Processo Licitatório

Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Diehl et al. (2016) e Marin et al. (2003).

As fases administrativas do processo licitatório devem


ser executadas de forma rápida e célere, com o objetivo de
promover agilidade no processo de compra dos medicamentos
e insumos. Um processo bem conduzido evita intercorrências
judiciais e administrativas que porventura possam atrapalhar o
andamento das atividades, incluindo a judicialização e os recur-
sos, que são direitos constitucionais de entidades físicas e jurídi-
cas.
Todo processo licitatório para aquisição de medica-
mentos e insumos tem início a partir da formalização e publica-
ção do edital, contendo todos os parâmetros necessários para
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 87


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

oficialização do contrato. No edital deverão estar presentes


todas as informações técnicas essenciais para o andamento do
processo licitatório, permitindo segurança jurídica para a Admi-
nistração Pública e as empresas concorrentes.
Na elaboração do edital é fundamental a participação
do profissional farmacêutico para fornecer as informações per-
tinentes à gestão e logística dos medicamentos. Formato de
entrega e apresentação da forma farmacêutica; prazo de valida-
de; volumes e acondicionamento das embalagens; cronograma
de distribuição; solicitação de amostras e visita técnica. Estes e
outros parâmetros precisam estar descritos no edital para que
tenham validade contratual e assim possam ser cumpridos pelas
empresas contratadas.
Estas exigências e requisitos técnicos são necessárias
para garantir a segurança e eficácia dos medicamentos, além de
facilitar a logística de armazenamento e distribuição, que serão
analisadas no próximo capítulo.
Importante frisar que a licitação não encerra com a
homologação e a assinatura do contrato. A Administração Pú-
blica e as empresas contratadas têm obrigações a cumprir du-
rante a vigência do período contratual, estabelecido previamen-
te no edital. Caso uma das partes não cumpra o estabelecido, o
contrato poderá ser rompido, ficando a cargo da Administração
a retomada do processo licitatório, ou convocação das outras
empresas caso o prazo da licitação vigente esteja em curso.
Nas situações em que a Administração Pública não
cumpre o estabelecido em contrato, como a ausência do paga-
mento por serviços ou produtos, as empresas contratadas po-
dem interromper sua parte no contrato e exigir o reestabeleci-
mento contratual judicialmente.
Em ambos os casos, a Administração Pública pode re-
alizar uma nova licitação para manutenção e abastecimento dos
medicamentos, utilizando o artifício dos serviços essenciais à
saúde inerentes à legislação. Entretanto, cabe ressaltar que nesta
situação o volume de medicamentos e insumos adquiridos será
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88 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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menor, não haverá ampla concorrência e o preço dos produtos


tende a ser mais elevado.
As modalidades que exigem menores prazos e requisi-
tos serão preferenciais, como o convite e a dispensa de licitação,
por exemplo. Este artifício da legislação é, infelizmente, utiliza-
do erroneamente por diversos gestores como forma de fraudar
o processo licitatório de medicamentos e insumos, trazendo
prejuízos à população e desabastecimento das farmácias públi-
cas.
Ressalta-se que os recursos financeiros para aquisição
de medicamentos no âmbito do SUS são definidos e organiza-
dos nos componentes da Assistência Farmacêutica, sustentados
em sua maior parte com os recursos federais. Desta forma, caso
venha ocorrer algum processo ou denúncia de desvio de recur-
sos que envolvam os componentes da Assistência Farmacêuti-
ca, haverá investigação e punições por parte dos órgãos de fis-
calização e controle do Governo Federal, incluindo a Controla-
doria-Geral da União (CGU).
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 89


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

5
LOGÍSTICA – PARTE 02:

ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO
DE MEDICAMENTOS

Observamos anteriormente que as atividades de programa-


ção e aquisição têm como objetivo principal a garantia da disponibili-
dade dos medicamentos e insumos nos estabelecimentos farmacêuti-
cos, promovendo o acesso e o uso racional de medicamentos.
O ciclo de atividades logísticas realizadas na gestão da As-
sistência Farmacêutica tem sequência com as atividades de armaze-
namento e distribuição, que visam garantir a qualidade e segurança
dos medicamentos e insumos para o usuário, mantendo as caracterís-
ticas e parâmetros de controle de qualidade atestados pela indústria e
pelos fornecedores.
A atividade do armazenamento agrupa diversos processos
logísticos referentes ao recebimento, estocagem e controle de estoque
dos produtos de responsabilidade do estabelecimento farmacêutico.
Estes processos, se realizados de forma adequada, fornecem seguran-
ça para a realização das outras atividades, incluindo a programação.
Após o recebimento e a estocagem adequada dos produtos
adquiridos, é necessário realizar a distribuição para outros estabele-
cimentos farmacêuticos, ou mesmo para diversos setores em um
mesmo estabelecimento. Esta atividade tem como objetivo disponibi-
lizar os medicamentos e insumos de forma rápida e eficiente para
realização da dispensação, que será abordada no próximo capítulo.
Apesar de se constituírem de atividades logísticas, aplicáveis
a quaisquer produtos, ressalta-se que os medicamentos e insumos
exigem características especiais próprias para armazenamento, distri-
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90 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

buição e transporte, específicas para produtos de saúde de acordo


com a ANVISA.

5.1 ARMAZENAMENTO DE MEDICAMENTOS E


INSUMOS
Após a realização do processo licitatório para aquisição dos
medicamentos e insumos, a empresa contratada deverá realizar o
fornecimento de acordo com as especificações do edital. A adminis-
tração Pública, em quaisquer das esferas governamentais, deverá se
responsabilizar pelo recebimento dos produtos, disponibilizando um
local adequado para estocagem que permita manter as características
originais do medicamento, atestadas pela indústria farmacêutica atra-
vés dos laudos técnicos de controle de qualidade.
Diversos fatores podem interferir e alterar as características
técnicas de um medicamento, incluindo: calor, umidade, ventilação,
roedores, luminosidade, empilhamento incorreto, transporte e prazo
de validade. Estes fatores deverão ser minimizados e controlados para
um armazenamento correto, permitindo garantia das características
físico-químicas, da qualidade e segurança dos medicamentos.
Para isso, são necessários investimentos em estrutura física,
equipamentos, manutenção e treinamentos específicos, com o objeti-
vo de manter a frequência das rotinas administrativas, incluindo a
logística de controle de estoque, etapa fundamental na atividade do
armazenamento. Entretanto, este cenário não é observado na maioria
dos municípios brasileiros, demonstrando uma realidade diferente do
exposto na legislação.
São inúmeros os relatos e estudos que comprovam a preca-
riedade dos estabelecimentos farmacêuticos quanto à estruturação
física e de equipamentos, principalmente nas instituições públicas. As
consequências da gestão precária e da falta de investimentos podem
ser mensuradas através da quantidade de medicamentos vencidos que
são desperdiçados anualmente, em contrassenso à falta de recursos
financeiros para a aquisição de medicamentos.
O conceito de armazenamento varia de acordo com o perí-
odo e com os produtos analisados. Na gestão da Assistência Farma-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 91


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

cêutica e na logística dos medicamentos, este conceito pode ser defi-


nido de acordo com a adaptação do relato de Pinto (2016):

“O armazenamento é a etapa do ciclo da assistência


farmacêutica que visa garantir a qualidade e a guarda segura dos
medicamentos nas organizações da área da saúde. Constitui-se
como um conjunto de procedimentos que envolvem o recebimen-
to, a estocagem/guarda, a segurança contra danos físicos, furtos
ou roubos, a conservação, o controle de estoque e a entrega”.
“O armazenamento propriamente dito deve levar em
consideração a similaridade dos itens, a rotatividade, o volume e o
peso dos produtos, bem como a ordem de entrada e saída” (PIN-
TO, 2016).

5.1.1. Fases e Etapas do Armazenamento

Este conjunto de atividades e processos técnicos adminis-


trativos precisa ser realizado de forma rápida, harmônica e eficiente,
facilitando a distribuição e a dispensação dos medicamentos. As prin-
cipais fases e etapas do armazenamento podem ser observadas na
figura 01 e nos parágrafos seguintes:
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92 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Figura 01: Fases e Etapas do Armazenamento

Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Diehl et al. (2016) e Marin et al. (2003).

1. Recebimento e Recepção: Ato de examinar e conferir os me-


dicamentos e insumos que são fornecidos pela empresa contra-
tada a partir do quantitativo especificado na programação. De-
vem ser analisadas as características de cada produto, seu estado
de conservação, bem como as condições de entrega. Esta fase é
composta pelas etapas da entrada dos medicamentos, conferên-
cia dos pedidos encaminhados pelo fornecedor e regularização,
através da verificação e arquivamento da nota fiscal para poste-
rior prestação de contas e controle do estoque;

2. Estocagem: Etapa clássica do armazenamento, responsável pela


guarda dos medicamentos em local com estrutura definida. Deve
ocorrer de modo a organizar o fluxo de materiais para o máximo
de eficiência e agilidade na distribuição dos medicamentos e in-
sumos, atendendo aos requisitos das Boas Práticas de Armaze-
namento. O local utilizado para armazenamento na maior parte
dos estabelecimentos é denominado “almoxarifado”, pois esto-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 93


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

cam todos os produtos em um mesmo espaço, incluindo medi-


camentos. Quando há uma separação específica para medica-
mentos e insumo, bem como a presença do profissional farma-
cêutico responsável, dá-se o nome de Central de Abastecimento
Farmacêutico (CAF), que será abordada neste capítulo. Para ve-
rificar a eficiência do sistema e do registro de controle de esto-
que, utiliza-se o inventário, realizado a partir da contagem manu-
al dos itens disponíveis;

3. Controle de Estoque: Conjunto de atividades e procedimentos


operacionais para registro e controle das movimentações de en-
trada e saída dos medicamentos e insumos. Esta etapa permite o
registro confiável dos itens disponíveis em estoque, com respec-
tivos prazos de validade e informações sobre o consumo. O
controle dos itens em estoque otimiza a logística, facilita a pro-
gramação e disponibiliza os medicamentos para a distribuição e a
dispensação. Procedimentos e métodos para realização do con-
trole de estoque serão abordados neste capítulo;

4. Expedição / saída dos produtos: Etapa de transição entre o


armazenamento e a distribuição dos medicamentos e insumos.
Registra-se a movimentação de saída dos produtos do estoque, a
partir de uma solicitação realizada por outro estabelecimento de
saúde ou setor específico. Esta solicitação deverá ser feita por
escrito, a fim de se efetivar o registro em um sistema de controle
de estoque ou ficha manual.

5.1.2. Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF)

Para que o armazenamento possa ser executado de forma


adequada, é necessário uma estrutura e um local que possam atender
as especificações técnicas referentes aos medicamentos e insumos. Na
maior parte dos estabelecimentos públicos não existe um local especí-
fico para acondicionamento e estocagem dos produtos farmacêuticos,
sendo então armazenados com outros produtos, incluindo materiais
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de limpeza, expediente, insumos alimentares, mobiliário etc. De for-


ma geral, este espaço de armazenamento comum a todos os produtos
é denominado como “almoxarifado” e apresenta falhas logísticas
descritas amplamente na bibliografia.
A estrutura do almoxarifado, apesar de ser mais simples e
exigir menos recursos para operacionalização, não atende aos requisi-
tos legais para conservação e acondicionamentos dos medicamentos,
trazendo prejuízos e perdas de recursos. Além desses fatos, a estrutu-
ra do almoxarifado não contempla os serviços do profissional farma-
cêutico, pois este não poderá exercer suas atividades com produtos
não-farmacêuticos, reduzindo-o ao papel de almoxarife.
Para evitar estes problemas e otimizar a gestão da Assistên-
cia Farmacêutica, sugere-se a aplicação de investimentos e recursos
para a implantação da Central de Abastecimento Farmacêutico
(CAF), em especial nas unidades centrais de distribuição e nas unida-
des com maior demanda e movimentação de medicamentos, como as
farmácias hospitalares.
A implantação da CAF apresenta inúmeras vantagens para
a gestão logística da Assistência Farmacêutica. Haverá maior seguran-
ça e eficácia no controle de estoque; será garantida a qualidade no
armazenamento dos medicamentos e insumos; as etapas de recebi-
mento e expedição serão realizadas com maior agilidade, facilitando a
distribuição; além de proporcionar uma referência aos serviços da
Assistência Farmacêutica no estabelecimento, valorizando a impor-
tância do profissional farmacêutico.
A legislação vigente preconiza uma série de exigências e re-
comendações técnicas para a realização das etapas referentes ao ar-
mazenamento de medicamentos. Seguir-se-á nos próximos parágrafos
com as descrições dos principais parâmetros utilizados para embasa-
mento, fiscalização e planejamento para o armazenamento, conforme
a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 39/13, que dispõe
sobre os procedimentos administrativos para concessão da Certifica-
ção de Boas Práticas de Fabricação e da Certificação de Boas Práticas
de Distribuição e/ou Armazenagem, bem como os estudos de Diehl
et al. (2016) e Pinto (2016).
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 95


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

1. Acesso: Para facilitar o deslocamento de caixas, embalagens e


veículos pequenos, a CAF deve ter acesso facilitado que possam
ser utilizados como área de manobra, utilizando vias de acesso
desobstruídas e isoladas da entrada de pacientes e usuários nos
estabelecimentos de saúde;

2. Localização e Identificação: A CAF deve estar em uma área


física de fácil acesso para o recebimento e a distribuição dos me-
dicamentos, preferencialmente isolada aos demais setores ambu-
latoriais, evitando a movimentação cruzada com pacientes e usu-
ários dos serviços. Recomenda-se também a devida identificação
interna e externa, facilitando a rápida sinalização e distribuição
dos medicamentos. A identificação interna corresponde ao ende-
reçamento de prateleiras e estantes, preferencialmente por or-
dem alfabética dos produtos; enquanto a identificação externa
corresponde à fixação de placas para sinalização do setor e das
rotas de fuga;

3. Higienização e Condições Ambientais: Os medicamentos e


insumos estocados podem acumular um grande volume de cai-
xas de papelão, estantes, frascos e freezers, reduzindo a circula-
ção de pessoas, além de propiciar o acúmulo de poeira. Deve-se
realizar uma rotina de limpeza periódica dos pisos, estantes e
prateleiras, registrando-se em uma ficha específica os locais higi-
enizados. Além desse aspecto, considera-se que a CAF é um lo-
cal propício para infestação por pragas e roedores, sendo neces-
sário um programa de controle, com a utilização de armadilhas e
recolhimento do material a ser descartado de acordo com o Pro-
grama de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde
(PGRSS), evitando contaminação ambiental;

4. Segurança: Em função da CAF armazenar um grande volume e


elevado quantitativo de medicamentos e insumos, agregando va-
lor financeiro de estoque, deve-se adotar medidas de segurança
para evitar furtos e desvios. Será necessário restringir o acesso
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aos colaboradores e prestadores de serviço do setor, bem como


o monitoramento através dos equipamentos de segurança. As
características dos produtos armazenados também exigem parâ-
metros de segurança, pois as embalagens podem conter materiais
inflamáveis, que exigem equipamentos específicos e liberação do
corpo de bombeiros. O empilhamento também exige procedi-
mentos de segurança, pois se for realizado de forma inadequada
poderá causar acidentes aos colaboradores;

5. Infraestrutura e Equipamentos: Por ser um local diferencia-


do, a CAF necessita de infraestrutura e de equipamentos especí-
ficos para otimização dos serviços. De forma geral, a CAF deve
apresentar os seguintes requisitos: ser um ambiente bem estrutu-
rado, com superfícies lisas, devidamente iluminadas e climatiza-
das, apresentando pintura clara e instalações elétricas seguras. O
controle da ventilação e umidade também é fundamental, pois
seu excesso poderá ocasionar alterações físico-químicas nos me-
dicamentos. Teto, portas e janelas deverão possuir mecanismos
de segurança e mecanismos para controle de insetos e roedores.
Atenta-se à importância dos aspectos sanitários, incluindo à ade-
quação dos lavatórios, sanitários de uso coletivo, bem como a
documentação dos órgãos de vigilância. Estantes e prateleiras
deverão ter espaço suficiente para evitar que os produtos encos-
tem nas paredes, absorvendo a umidade. Mesmo raciocínio pode
ser aplicado para produtos de grande volume, que exigem a utili-
zação de estrados para o empilhamento, afastando os produtos
do contato direto com o solo. Em relação aos equipamentos,
observa-se que a CAF tem um amplo investimento, em virtude
de sua importância e das atividades realizadas. São necessários
alguns instrumentos para registro e controle, incluindo: termô-
metro de ambiente, higrômetro, sistema de controle de estoque,
luzes de emergência, extintor de incêndio, escadas, carros para
movimentação de produtos e quaisquer outros que possam con-
tribuir para o desenvolvimento das atividades logísticas;
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 97


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

6. Organização Interna e Arranjo Físico (Layout): A organiza-


ção interna de uma CAF depende do tipo de serviço prestado
pelo estabelecimento farmacêutico e, consequentemente, dos
medicamentos e insumos utilizados. Uma farmácia de manipula-
ção não terá a mesma organização que uma farmácia hospitalar;
bem como uma Central de Armazenamento Farmacêutico mu-
nicipal não terá a mesma organização e demanda de uma farmá-
cia básica, situada em um posto de saúde da zona rural. O arran-
jo interno, ou layout, deverá atender as exigências e demandas do
estabelecimento e da população assistida, otimizando o espaço
físico disponível. De forma geral, a área destinada ao recebimen-
to deverá ser isolada da área de expedição, evitando cruzamento
de fluxo, minimizando o risco de acidentes. A área central da
CAF poderá ser utilizada para acondicionamento das estantes,
permitindo otimizar o espaço com medicamentos e insumos de
menor volume; soluções parenterais de grande volume (SPGV)
poderão ser acondicionadas em estrado, preenchendo as áreas
com menor movimentação ao fundo do ambiente. Ressalta-se a
importância de uma separação física para a área administrativa,
produtos termolábeis e de controle especial, que serão aborda-
dos a seguir.

Determinados produtos farmacêuticos, medicamentos es-


peciais e insumos, exigem estrutura diferenciada para armazenamento
e controle de estoque, apresentando legislação específica.
Alguns dos medicamentos e matérias-primas que exigem
esse tipo de especificação técnica são os abrangidos pela Portaria
nº344/98, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre aqueles sujeitos
a controle especial, incluindo psicotrópicos e antimicrobianos. De
acordo com essa legislação, estes medicamentos, bem como suas
matérias-primas, são considerados produtos de segurança máxima e
exigem armazenamento e controle de estoque diferenciado.
O armazenamento destes produtos exige uma área específi-
ca na CAF, com acesso restrito e controlado pelo profissional farma-
cêutico responsável técnico. Na farmácia, devem estar isolados em
armário fechado, sem contato visual direto dos pacientes e usuários,
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98 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

sob a responsabilidade do farmacêutico. O sistema de registro deve


ser realizado de forma independente dos outros produtos, através do
“Sistema Nacional de Gerenciamento dos Produtos Controlados
(SNGPC)”, ligado diretamente à Agência Nacional de Vigilância Sani-
tária (ANVISA).
Consideram-se ainda os medicamentos termolábeis que
também exigem condições específicas de armazenamento. A variação
de temperatura pode afetar a qualidade e a segurança dos medicamen-
tos, em especial aqueles que precisam de refrigeração, denominados
termolábeis. Estes devem seguir os requisitos do fabricante, manten-
do-os em geladeiras para os refrigerados (2º a 8ºC) ou freezers para
os congelados (-20 a -10ºC). A área de manuseio e os equipamentos
devem ser monitorados constantemente, através de termômetros e
fichas de registro, garantindo que a variação térmica não possa inter-
ferir na qualidade dos produtos.
Caso o estabelecimento de saúde ou a CAF utilizem produ-
tos potencialmente inflamáveis ou explosivos, deverá existir uma área
específica e isolada, com a devida sinalização e equipamentos exigidos
pelo Corpo de Bombeiros, incluindo extintores, ventilação e saídas de
emergência.
Como vimos, a estrutura adequada para armazenamento
dos medicamentos e insumos exige uma série de investimentos que
elevam os custos de implantação e manutenção. Muitos gestores não
percebem a importância desta aplicação e não promovem as mudan-
ças necessárias para estas adequações. Em consequência, temos o
cenário atual presente em diversas unidades públicas de saúde: des-
perdícios de recursos com medicamentos vencidos, condições inade-
quadas de infraestrutura física, poucos recursos tecnológicos, falhas
no controle de estoque e baixa valorização do profissional farmacêu-
tico.
Para reverter esse quadro e desenvolver a gestão da Assis-
tência Farmacêutica, é necessário um trabalho de sensibilização dos
gestores, a nível local e regional, para promover um trabalho de re-
forma, implantação e desenvolvimento das Centrais de Abastecimen-
to Farmacêutico, com planejamento e aplicação dos recursos disponí-
veis.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 99


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

As legislações de financiamento dos componentes da Assis-


tência Farmacêutica permitem a aplicação de um percentual dos re-
cursos públicos para reforma e adaptação dos estabelecimentos far-
macêuticos, incluindo as CAF’s. Existe ainda o “Programa Nacional
de Qualificação da Assistência Farmacêutica no SUS- QUALIFAR-
SUS”, que promove o desenvolvimento da gestão nas unidades públi-
cas de saúde, através de reformas e adaptações nos quatro eixos prin-
cipais (Estrutura, Educação, Cuidado e Informação), de acordo com a
legislação sanitária vigente.

5.1.3. Gestão e Controle de Estoque de Medicamentos e Insu-


mos Farmacêuticos

Os processos de armazenamento exigem um rigoroso ge-


renciamento e uma apurada logística dos medicamentos e insumos
estocados, permitindo embasamento e agilidade para as outras ativi-
dades do Ciclo da Assistência Farmacêutica. Uma gestão rápida e
eficaz no armazenamento proporciona informações para a programa-
ção e a aquisição de medicamentos, pois evita compras desnecessárias
e desperdícios de recursos. Estoque pode ser definido como as quan-
tidades dos produtos disponíveis para serem utilizados de acordo
com as necessidades (MARIN et al., 2003).
A atividade da distribuição, que iremos abordar neste capí-
tulo, exige que o armazenamento venha a ser realizado de forma a
disponibilizar os medicamentos em tempo hábil e ao menor custo
possível, facilitando a dispensação.
A Gestão eficaz da Assistência Farmacêutica, como vimos
nos capítulos anteriores, utiliza diversos processos técnicos-
administrativos para aumentar a eficiência, reduzir os custos e garan-
tir a disponibilidade dos medicamentos. A etapa do controle, no con-
texto das funções administrativas, permite avaliar as ações e proces-
sos desenvolvidos nas organizações e estabelecimentos farmacêuticos,
mensurando os custos e as produtividades envolvidas para a realiza-
ção das atividades.
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100 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Segundo Marin et al. (2003), o controle de estoque é uma


atividade administrativa que tem como objetivo manter informação
confiável sobre níveis e movimentação física e financeira de estoques
necessários ao atendimento da demanda, evitando-se a superposição
de estoques.
Além disso, seguindo-se o relato da autora acima, não se
pode afirmar que o controle de estoque está sendo realizado adequa-
damente quando não se dispõe de um sistema eficiente que permita
disponibilizar: as posições dos estoques; dados de consumo e deman-
da percentual de cobertura; valor financeiro de seu estoque e o quan-
titativo financeiro de perdas de medicamentos; número de itens de
medicamentos selecionados e/ou utilizados, além dos itens eventual-
mente em falta no estoque.
Desta forma, para realizar uma boa gestão e controle dos
medicamentos armazenados, é necessário um conjunto de atividades,
processos, instrumentos e ferramentas que permitem determinar com
exatidão o quantitativo dos produtos armazenados, otimizando a
logística de distribuição, bem como a programação e a aquisição. Por
se tratar de um produto de saúde diferenciado, os medicamentos
necessitam também de um controle de estoque específico, que pode
ser realizado de forma manual ou informatizada.
O registro informatizado para gestão de estoques é funda-
mental reduzir erros, minimizar custos, além de promover agilidade e
eficiência. Existem diversos modelos de softwares e sistemas para ges-
tão de estoque, que realizam os diversos serviços e atividades do es-
tabelecimento farmacêutico, a maior parte já são padronizados pelas
grandes redes e permitem conexão em rede nas unidades que com-
põem a estrutura da empresa. Desta forma, é possível otimizar a mo-
vimentação dos produtos nos vários estabelecimentos que compõem
a rede, permitindo trocas e análises para programações mais eficien-
tes.
Nas unidades públicas de saúde, é possível verificar alguns
sistemas informatizados para a mesma finalidade, facilitando a cadeia
logística do armazenamento e da distribuição. O governo federal, no
intuito de aumentar a eficiência e padronizar os processos logísticos,
lançou em 2009 o “Sistema Nacional de Gestão da Assistência
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 101


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Farmacêutica - HÓRUS”, com o objetivo de ampliar o acesso da


população aos medicamentos essenciais.
Este sistema se subdivide de acordo com os três compo-
nentes da Assistência Farmacêutica: Básico, Estratégico e Especiali-
zado, proporcionando acompanhamento e dispensação dos medica-
mentos, considerando suas particularidades. Além desta subdivisão,
existe também o subsistema Indígena, para aquelas unidades e estabe-
lecimentos farmacêuticos que atendem estas populações.
O Sistema HÓRUS apresenta inúmeras vantagens para sua
aplicação nos estabelecimentos farmacêuticos públicos, além do fato
de não apresentar custos de implantação para Estados e municípios.
Entretanto, para que se possa aplicar este sistema nos estabelecimen-
tos, é necessário um conjunto de requisitos e exigências técnico-
administrativas, incluindo assinatura do termo de adesão e adequa-
ções sanitárias. Após estes procedimentos, a coordenação nacional do
sistema realiza treinamento e capacitação com os colaboradores locais
e regionais que irão acessar, operar e controlar o HÓRUS nas unida-
de de saúde.
Porém, a realidade presente nas unidades públicas de saúde
é bem distinta do planejado. Dados do Ministério da Saúde demons-
tram que o Sistema HÓRUS não é utilizado na maior parte dos mu-
nicípios brasileiros, em virtude da baixa aplicação tecnológica das
unidades de saúde e dos estabelecimentos farmacêuticos públicos.
Desta forma, o cenário que observamos atualmente na
maioria dos estabelecimentos do SUS é composto por um controle de
estoque manual e com pouca estruturação tecnológica. Faltam equi-
pamentos e conexão de internet para otimização da gestão de estoque
com maior agilidade, confiança e eficiência. Assim, utilizam-se méto-
dos e instrumentos manuais para a realização dos procedimentos de
gestão e controle de estoque, principalmente por meio das fichas de
prateleira, que registram a movimentação de entrada e saída dos me-
dicamentos e insumos.
Sabe-se que, apesar de ser um instrumento simples e que
apresenta diversas vantagens, o registro manual possui falhas na sua
execução e acompanhamento, que refletem nas outras atividades do
Ciclo da Assistência Farmacêutica, incluindo a programação e aquisi-
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102 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

ção dos medicamentos. É necessário sensibilizar os gestores para


garantir a aplicação dos investimentos e recursos para estruturação
física e tecnológica das CAFS’s, permitindo otimizar a logística far-
macêutica no armazenamento e distribuição.
Independente da forma de execução do sistema de estoque,
o profissional farmacêutico deve considerar as particularidades de
cada estabelecimento para adaptar as necessidades da população.
Segundo o relato de Lira e colaboradores (2013), a gestão do estoque
se divide em quatro grupos, de acordo com as funções exercidas e a
população assistida: normalização, controle, aquisição e armazena-
mento. A normalização se refere às atividades de planejamento inicial,
selecionando, padronizando e classificando os medicamentos e insu-
mos a serem armazenados.
O controle propriamente dito se refere à gestão e à verifi-
cação do estoque existente, determinado o planejamento de compras
e distribuição. Os últimos grupos respondem pelos processos de
aquisição e recebimentos dos produtos adquiridos, através das fun-
ções de armazenamento, movimentação e transporte.
A gestão do controle proporciona a utilização de vários ins-
trumentos, ferramentas e cálculos para efetivar a movimentação e o
registro de entradas ou saídas dos produtos. A seguir, vamos abordar
os principais indicadores para avaliação da gestão de estoque, incluin-
do os indicadores, a Classificação XYZ e a Curva ABC.

5.1.3.1. Indicadores para Gestão e Controle de Estoque de Me-


dicamentos e Insumos Farmacêuticos

Os processos de armazenamento exigem um rigoroso ge-


renciamento dos produtos estocados e em movimentação. Para isso,
utilizam-se os indicadores logísticos que demonstram o estoque dis-
ponível, bem como o perfil de consumo de um estabelecimento far-
macêutico, CAF, região ou unidade de saúde.
Um destes indicadores é o Consumo Médio Mensal
(CMM), que pode ser definido como a média aritmética simples da
movimentação de cada produto em relação um período, geralmente
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 103


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

em meses ou ano. Este cálculo foi abordado no capítulo sobre pro-


gramação de medicamentos e também se aplica para a gestão do es-
toque.
Outra ferramenta utilizada no armazenamento é conhecida
como Estoque de Segurança (ES), caracterizada como o quantita-
tivo necessário para manter os serviços farmacêuticos entre a movi-
mentação do produto após o processo de aquisição e o recebimento
na CAF ou diretamente na farmácia. Em termos práticos, refere-se ao
quantitativo de medicamentos necessários para manter o abasteci-
mento no estabelecimento, prevendo eventuais falhas ou atrasos na
aquisição. Ressalta-se que o estoque de segurança varia de acordo
com a demanda de cada medicamento, bem como o tempo de abas-
tecimento pelo fornecedor, evitando ao máximo o desabastecimento
dos produtos em estoque, em especial às demandas que ultrapassam
o Consumo Médio Mensal.
Estas ferramentas e cálculos fornecem subsídios para de-
terminar o Estoque Mínimo (EMI), definido como o quantitativo
de medicamentos e insumos a serem estocados e distribuídos enquan-
to um processo de aquisição será realizado. Matematicamente, o EMI
envolve os valores do consumo médio e o estoque de segurança
(EMI = CMM + ES), garantindo o fornecimento e distribuição dos
medicamentos enquanto ocorre o processo de aquisição.
O inverso pode se aplicar ao Estoque Máximo (EMX),
que se define como o quantitativo máximo de medicamentos que
podem ser estocados, considerando-se o espaço disponível e a de-
manda de consumo, evitando assim o desperdício de recursos. A
fórmula para obtenção do EMX combina o consumo médio, o esto-
que de segurança, bem como os tempos de espera (TE) para recebi-
mento dos medicamentos e o ponto de ressuprimento (PR), definido
como o quantitativo médio dos produtos que geram um novo pedido
de aquisição, de acordo com a demanda. Desta forma, o EMX pode
ser calculado pela seguinte fórmula: EMX = ES + (CMM x TE) +
(CMM x PR).
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104 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Podemos analisar esta movimentação de estoques ao longo


do tempo, percebendo a variação do quantitativo dos medicamentos
estocados e os indicadores de gestão, conforme o gráfico disponível
na Figura 02.

Figura 02: Gráfico da Movimentação e Gestão do Controle


de Estoque de Medicamentos

Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Diehl et al. (2016) e Marin et al. (2003).

Percebe-se no gráfico que a movimentação dos produtos


estocados apresenta representação linear, variando o quantitativo de
medicamentos em função do tempo. Caso o prazo de abastecimento
não seja o estipulado em contrato, ou a quantidade de medicamentos
recebidos não atenda ao solicitado na programação, o limite do esto-
que mínimo será ultrapassado e trará prejuízos no abastecimento.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 105


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Para evitar o colapso da falta de medicamentos, pode-se


utilizar o estoque de segurança, para atendimentos emergenciais e a
manutenção dos serviços. Entretanto, se os medicamentos não forem
reabastecidos a tempo, ocorrerá desabastecimento e o medicamento
solicitado não estará disponível para a distribuição e dispensação.
Assim, é fundamental a importância do reabastecimento
dos medicamentos solicitados em tempo hábil para manter a conti-
nuidade dos serviços. Esta é a chave primordial para o equilíbrio e
eficiência da gestão logística dos medicamentos: realizar a programa-
ção em quantidade e tempo suficientes para manter o estoque de
medicamentos, evitando o desabastecimento.
Outra ferramenta de logística que facilita a gestão do esto-
que é a codificação de materiais, permitindo que não ocorram mo-
vimentações errôneas de produtos similares, ou eventuais erros de
cálculos por registro manual. Na codificação, cada item apresenta um
determinado código específico, que pode ser aplicado a um sistema
para registro das movimentações, como o código de barras universal,
por exemplo. Em unidades de saúde ou CAF com menor volume de
medicamentos e insumos, pode-se utilizar os principais sistemas de
codificação: alfabético e alfanumérico.
O sistema alfabético organiza os produtos por ordem alfa-
bética dos medicamentos estocados, tanto nos registros de estoque
quanto no armazenamento físico em prateleiras ou estantes. Porém,
um mesmo princípio ativo pode estar disposto em diferentes apresen-
tações e volumes (água destilada de 10, 20, 250 ou 500ml, por exem-
plo). Para evitar esse problema, associam-se os numerais às letras do
alfabeto, através do sistema alfanumérico (A1, A2, B1, B2 etc).
No ato da expedição, para evitar a retirada equivocada dos
produtos nos locais de armazenamento, utiliza-se ainda o endereça-
mento da área física de estocagem, aplicando-se uma identificação
específica para estantes e prateleiras (estante “A”, prateleira 03, por
exemplo). Esta ferramenta facilita a gestão e diminui os erros na en-
trada e saída dos medicamentos, facilitando a realização do inventário
e das verificações do sistema de controle de estoque.
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106 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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5.1.3.2. Classificação dos Itens em Estoque – ABC e XYZ

Observamos anteriormente que os medicamentos são pro-


dutos especializados na área da saúde e exigem condições especiais de
produção, armazenamento, transporte e dispensação. Desta forma, os
medicamentos podem ser classificados de acordo com sua movimen-
tação, valor financeiro, necessidade para utilização, facilidade de ob-
tenção e armazenamento.
Pode-se então combinar estes parâmetros para otimizar a
logística do armazenamento e distribuição, evitando desperdícios e
prejuízos ao serviço. Existem diversas classificações para os itens
estocados, de acordo com os parâmetros de logística para cada pro-
duto. Na gestão da Assistência Farmacêutica, utilizam-se principal-
mente as Classificações ABC e XYZ, combinando o valor unitário
e a importância do medicamento para o desenvolvimento das ativida-
des na distribuição e dispensação.
A Classificação ABC tem como objetivo avaliar os medi-
camentos e insumos de acordo com seu valor financeiro e sua movi-
mentação de estoque, permitindo desenvolver estratégias para reduzir
custos e facilitar a logística do armazenamento e distribuição. Esta
classificação divide os medicamentos e insumos a partir do seu valor
unitário e do quantitativo disponível em estoque, separando-os em
categorias “A”, “B” e “C”.
Graficamente, podemos visualizar a distribuição das catego-
rias a partir da Curva de Pareto, ou simplesmente Curva ABC, muita
utilizada na gestão logística das farmácias hospitalares. Para analisar-
mos a Curva ABC são necessários alguns procedimentos e atividades,
que serão descritas a seguir, de acordo com o descrito por Diehl e
colaboradores (2016):
A) Listar todos os itens disponíveis, preferencialmente por ordem
alfabética;
B) Identificar a forma farmacêutica e a apresentação (comprimido,
cápsula, fraco etc);
C) Relacionar o valor unitário de cada um dos itens listados com o
quantitativo disponível ou consumido do estoque;
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 107


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

D) Calcular o quantitativo total de medicamentos consumidos em


um determinado período, geralmente para 12 meses;
E) Calcular o valor total de consumo, multiplicando-se o valor uni-
tário pelo total consumido para o período;
(ex: AAS 100mg a R$0,10/comprimido X 150.000 comprimi-
dos/ano = R$15.000,00/ano);
F) Calcular o valor total consumido no período, somando-se todos
os itens disponíveis e que foram movimentados durante o ano;
G) Calcular o valor percentual de cada item, dividindo-se o valor
total de cada item pelo valor geral dos produtos consumidos no
período (Ex: AAS 100mg – R$15.000,00 anual / R$1.000.000,00
total do estoque = 0,015, em termos percentuais = 0,015+100 =
1,5% do total consumido no ano);
H) Organizar a lista em ordem decrescente do percentual financeiro
total, relacionando os medicamentos com maior percentual de
consumo no período analisado;
I) Identificar os itens de cada categoria, a partir do valor total acu-
mulado, de acordo com os pontos de corte;
- Categoria A: representam 10% a 20% dos medicamentos em
estoque e 75% a 80% dos recursos financeiros. São medicamen-
tos que possuem elevado valor unitário e não apresentaram mo-
vimentação elevada durante o período analisado;
- Categoria B: representam 10% a 20% dos medicamentos em
estoque e 15% a 20% dos recursos financeiros. São medicamen-
tos que apresentam menor valor unitário em relação à categoria
A, mas também não apresentam elevada movimentação do esto-
que no período;
- Categoria C: representam 60% a 80% dos medicamentos em
estoque e 5% a 10% dos recursos financeiros. São medicamen-
tos que apresentam baixo valor unitário, mas apresentam elevada
rotatividade e movimentação de estoque;
J) Realizar a plotagem do gráfico, conforme a Figura 03;
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108 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Figura 03: Representação Gráfica da Curva ABC

Fonte: Adaptado de Pereira (2016), Diehl et al. (2016) e Marin et al. (2003).

Após classificarmos os medicamentos em cada categoria da


curva ABC, podemos utilizar algumas estratégias para otimizar a ges-
tão do estoque e controle dos medicamentos.
A Categoria “A” é representada por produtos que possu-
em elevado valor agregado e um alto custo de armazenamento, ge-
ralmente representados por medicamentos com baixa movimentação
de estoque, mas que devem estar disponíveis, pois representam uma
boa margem de lucro quando comercializados. Sugere-se um maior
controle de estoque para estes itens, pois qualquer perda, desvio ou
erro no inventário irá gerar um prejuízo financeiro elevado. Adotam-
se então algumas medidas: solicitar um quantitativo menor na pro-
gramação dos medicamentos; protocolos para dispensação; estoques
menores, evitando perda por vencimento; inventário em períodos de
tempo mais curto; armazenamento em local separado dos outros
itens; acesso restrito a profissionais, entre outras.
Os itens intermediários estão classificados na Categoria
“B”, pois apresentam valor unitário menor que a Categoria “A”, mas
também possuem uma maior movimentação dos produtos em esto-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 109


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

que. Desta forma, os itens desta categoria exigem medidas intermedi-


árias para a gestão do controle de estoque: inventários em períodos
de tempo menor; estocagem próxima à área administrativa, facilitan-
do a visualização dos medicamentos; formulários para doações e
trocas, evitando perda por vencimento; estoques menores e mais
enxutos; além de registro em sistema de controle de estoque.
Ao final, observa-se a Categoria “C”, com produtos que
dispõe de baixo valor unitário, mas que apresentam alta rotatividade e
elevado volume de estocagem. Em outras palavras, os medicamentos
desta categoria são representados por produtos que possuem baixo
valor financeiro para o consumidor, mas possuem elevada movimen-
tação e distribuição do estoque. Eventuais perdas de medicamentos
desta categoria não trazem elevados prejuízos financeiros, porém
podem implicar em uma logística dificultada, devido ao elevado vo-
lume de estoque.
Os itens desta categoria não exigem cuidados específicos
para o armazenamento, além daqueles descritos neste capítulo. Deve-
se avaliar o quantitativo solicitado, pois os custos quanto ao transpor-
te e estocagem precisam constar no processo de aquisição. Como a
movimentação destes medicamentos é frequente, pode-se solicitar um
quantitativo maior na programação, reduzindo o valor unitário dos
medicamentos através da economia de escala.
Para otimizar e melhorar ainda mais a eficiência da classifi-
cação ABC, utiliza-se os parâmetros de criticidade, necessidade e
essencialidade dos medicamentos para o andamento dos serviços e a
promoção do uso racional de medicamentos. A Classificação XYZ
utiliza estes critérios para definir os produtos de acordo com sua
importância para o desenvolvimento dos serviços de saúde e qualida-
de de vida da população.
Em resumo, a Classificação XYZ avalia a criticidade dos
medicamentos nos serviços de saúde, considerando o impacto que a
falta deste medicamento irá trazer ao desenvolvimento dos serviços e
ao tratamento dos usuários de medicamentos. Observa-se que nesta
classificação não se considera o valor unitário dos medicamentos,
mas sim a sua importância para realização das atividades e a qualidade
de vida da população assistida.
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110 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Os medicamentos classificados como categoria “X” são al-


tamente críticos e imprescindíveis para a manutenção dos serviços.
Sua falta irá trazer enormes prejuízos para a população, pois este
medicamento não poderá ser substituído pelo fornecedor. Um exem-
plo deste medicamento são as soluções parenterais de grande volume
(SPGV), como a solução de soro fisiológico, fundamental para hidra-
tação dos pacientes, diluição de vários medicamentos e manutenção
dos serviços médico-hospitalares, apesar do baixo valor unitário.
Outros medicamentos também são considerados críticos
para a manutenção dos serviços, mas podem ser substituídos por
outros produtos ou medicamentos de classes diferentes, são classifi-
cados na categoria “Y”, podendo apresentar valor unitário variável.
Ao final, para aqueles que não são considerados críticos e que podem
ser facilmente substituídos, classificam-se na categoria “Z”, indepen-
dente do valor unitário ou movimentação do estoque.
Para maior eficiência da gestão do controle de estoque, re-
comenda-se utilizar as duas classificações, quando possível, associan-
do-se o valor unitário (ABC) e a criticidade (XYZ). Como exemplo,
podemos analisar um medicamento ou insumo essencialmente crítico
e fundamental para a manutenção dos serviços (Categoria “X”), mas
que não apresente elevado valor unitário (Categoria “C”). Apesar de
representar um baixo custo de aquisição e estocagem, este medica-
mento deverá estar disponível em quantidade suficiente para manu-
tenção dos serviços, exigindo uma logística específica e procedimen-
tos para a programação eficaz. Por outro lado, podemos ter em esto-
que um medicamento com alto valor em estoque (Categoria “A”),
mas que não represente um produto crítico e essencial no serviço,
podendo ser solicitado posteriormente, a fim de reduzir os custos
totais.
Em resumo, percebemos que os vários instrumentos utili-
zados para a gestão do controle de estoque fornecem informações
para melhorar a eficiência dos procedimentos de armazenamento,
garantindo a qualidade e segurança dos medicamentos recebidos e
estocados. Na sequência iremos analisar os conceitos e procedimen-
tos para a distribuição dos medicamentos e insumos.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 111


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

5.2 DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS E INSUMOS


Vimos anteriormente que o armazenamento tem como ob-
jetivo principal a garantia da disponibilidade dos medicamentos e
insumos para a utilização nos serviços e estabelecimentos de saúde.
Após esta etapa, seguindo-se os processos logísticos do Ciclo da As-
sistência Farmacêutica, temos a atividade de DISTRIBUIÇÃO, res-
ponsável por realizar os procedimentos de expedição e transporte dos
produtos disponíveis em estoque, ao menor custo e tempo possível.
Uma distribuição eficiente, correta e eficaz auxilia na pro-
moção do uso racional de medicamentos, pois evita a descontinuida-
de dos tratamentos em virtude do desabastecimento. Esta atividade é
fundamental no Ciclo da Assistência Farmacêutica, pois promove o
acesso rápido e eficaz dos medicamentos para a realização da dispen-
sação, que será amplamente abordada no próximo capítulo.
Quando realizada de forma errônea, as falhas na distribui-
ção resultam em grandes volumes de estoque nas centrais de abaste-
cimento e nas unidades de saúde. Este é um procedimento que não
deve ser estimulado, pois deixa os medicamentos sob a responsabili-
dade de outros profissionais que não são farmacêuticos, podendo
trazer prejuízos aos pacientes e usuários dos serviços de saúde.
Tal como os procedimentos de armazenamento, a distribui-
ção também utiliza indicadores (itens em falta, tempo para abasteci-
mento etc) que monitoram e controlam a eficiência dos processos,
permitindo avaliar se os custos e recursos aplicados estão de acordo
com o planejado.
A distribuição dos medicamentos pode ser dividida em até
três momentos: 1) transporte dos fornecedores até as centrais de
armazenamento; 2) transporte das centrais de abastecimento até as
unidades de saúde e estabelecimentos farmacêuticos e; 3) distribuição
entre os setores da unidade de saúde.
Estas subdivisões podem ser visualizadas em vários tipos
de estabelecimentos, principalmente nas farmácias hospitalares e
laboratórios de análises clínicas. Podemos visualizar e analisar os
fluxos de distribuição na Figura 04.
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112 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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Figura 04: Fluxos de Distribuição


de Medicamentos e Insumos

Fonte: Autoria própria (2017).

Observa-se que a movimentação dos medicamentos e in-


sumos pode ser bastante intensa e abranger diversas unidades e seto-
res diferentes. Entretanto, é importante ressaltar que a gestão da As-
sistência Farmacêutica deve garantir a qualidade e, segurança e eficá-
cia dos medicamentos e insumos em todos os locais onde o medica-
mento for expedido, distribuído e estocado.
Para garantir o abastecimento dos medicamentos e insumos
em tempo hábil e ao menor custo possível, se faz necessária a aplica-
ção de um cronograma de distribuição, que utiliza o planejamento
para avaliar as melhores rotas de transporte para as unidades de saúde
em uma região. Em geral, unidades hospitalares possuem uma maior
demanda destes produtos, em função da elevada demanda de serviços
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 113


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

e a variedade de medicamentos. Pode-se então adotar um cronogra-


ma semanal de distribuição para os hospitais, utilizando-se veículos
de menor porte e que tenham maior agilidade na entrega, reduzindo-
se então os custos com o armazenamento local.
Por outro lado, farmácias básicas, ou estabelecimentos que
possuam menor movimentação, podem programar um cronograma
mensal de distribuição, reduzindo os custos de transporte. Porém,
será necessário um maior espaço para o armazenamento, com uma
logística diferenciada, conforme observamos no início deste capítulo.
O transporte representa então o principal parâmetro relaci-
onado à distribuição na gestão da Assistência Farmacêutica, extre-
mamente ligada ao armazenamento. Durante a movimentação dos
produtos, de um local de distribuição para seu destino final, devemos
garantir os parâmetros técnicos dos medicamentos especificados pelo
fabricante, como refrigeração e empilhamento máximo, por exemplo.
Estas exigências estão descritas nas Boas Práticas de Arma-
zenamento e Distribuição de Medicamentos, devendo estar presentes
na elaboração dos editais de licitação, ou nas normas estabelecidas
pelas empresas privadas. Exige-se então cadastro de fornecedores e
centrais de distribuição estruturadas e adequadas para o transporte de
medicamentos e insumos.
Os veículos também deverão ser adaptados para a realiza-
ção deste transporte, incluindo produtos que exigem refrigeração e
controle especial, pois estão diretamente relacionados aos fornecedo-
res, que assumem a responsabilidade pelos aspectos técnicos dos
medicamentos até o momento da recepção na unidade recebedora.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, os funcionários e colaborado-
res das empresas distribuidoras deverão ter treinamento diferenciado
e especializado para o transporte de medicamentos e insumos, perce-
bendo a importância dos procedimentos adequados para os aspectos
técnicos destes produtos.
A responsabilidade pela conferência, estocagem e retirada
destes produtos nos estabelecimentos de saúde pertence ao profissio-
nal farmacêutico, devendo assim promover meios, estratégias e ins-
trumentos para registro e exigências legais cabíveis. Um exemplo
clássico refere-se à conferência dos carros de parada nas unidades
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114 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

hospitalares, que servem como apoio para os setores de internação,


urgência, emergência e centros cirúrgicos, que precisam de medica-
mentos e insumos imediatos para utilização.
Não haveria tempo hábil para solicitação destes produtos
para a farmácia central durante uma situação emergencial, o que traria
prejuízos ao paciente. Assim, a distribuição de uma pequena quanti-
dade de medicamentos se faz necessária nestes estabelecimentos e
setores. Entretanto, o profissional farmacêutico responsável pela
unidade deverá ter o controle sobre o quantitativo dos medicamentos
distribuídos, bem como o respectivo prazo de validade.
A farmácia hospitalar também utiliza um processo de dis-
tribuição diferenciado, de acordo com o quantitativo de recursos
disponíveis e o tipo de serviço prestado. Esta subdivisão na distribui-
ção facilita a logística e permite ter os medicamentos e insumos dis-
poníveis para a atividade de dispensação. Na logística hospitalar estes
processos são conhecidos como sistema de distribuição de medica-
mentos e serão descritos resumidamente a seguir:

1. Sistema de Distribuição Coletiva de Medicamentos: As


solicitações de medicamentos são realizadas através do quantita-
tivo estimado de medicamentos e insumos para um determinado
setor da unidade de saúde, não havendo liberação em nome de
um paciente ou cliente. Neste sistema, a farmácia libera a expe-
dição dos medicamentos em unidades gerais de armazenamento,
em caixas fechadas e em grandes quantidades, que são estocadas
nos postos de enfermagem ou onde possa ocorrer atendimento
imediato à população. As requisições são realizadas de acordo
com a transcrição das prescrições médicas, fato que pode gerar
erros. Não há participação direta do profissional farmacêutico
ou dos seus colaboradores, o que facilita o descontrole quanto
ao quantitativo utilizado e ao desperdício, pois poderá ocorrer
aumento do estoque nos setores, além de furtos e perdas por
vencimento. Este sistema é bastante utilizado em unidades de
menor porte da rede pública, onde não há a presença do profis-
sional farmacêutico, sobrecarregando os serviços de enfermagem
e administrativos;
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 115


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

2. Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose In-


dividualizada: Observa-se a presença do profissional farmacêu-
tico e dos seus colaboradores durante todo o horário de funcio-
namento da unidade hospitalar. As requisições são feitas medi-
ante a prescrição médica, individualizada para cada paciente, pa-
ra um período de 24 horas. Desta forma, a distribuição e a pos-
terior dispensação são realizadas de acordo com segunda via da
prescrição médica, que será aviada na farmácia hospitalar para
qualquer alteração ou registro de comprovação da distribuição.
Medicamentos, insumo e soluções parenterais de grande volume
são distribuídos em recipientes específicos para cada paciente,
evitando possíveis trocas ou erros na dispensação, bem como
facilita a administração dos medicamentos pelos profissionais de
enfermagem. Este sistema possui amplas vantagens, pois facilita
o controle de estoque e a dispensação, reduz o desperdício, re-
duz a possibilidade de erros na administração do medicamento e
promove o seu uso racional. Em contrapartida, são necessárias
adaptações físicas e estruturais para implantação dos serviços,
incluindo maior número de profissionais farmacêuticos e a esca-
la de plantão para todos os colaboradores;

3. Sistema de Distribuição de Medicamentos por Dose


Unitária: Segundo o conceito de Garrinson (1979), "É uma
quantidade ordenada de medicamentos com forma e dosagens
prontas para serem ministradas ao paciente de acordo com a
prescrição médica, num certo período de tempo". Alguns auto-
res consideram este sistema uma adaptação do sistema por dose
individualizada, pois otimiza a distribuição e a dispensação dos
medicamentos e insumos de acordo com a prescrição da equipe
médica e dos horários aprazados pela equipe de enfermagem. A
farmácia libera a solicitação em unidades prontas para serem
administradas nos pacientes, manipuladas e preparadas pelo pro-
fissional farmacêutico, contendo apenas a quantidade exata de
medicamento prescrito para cada horário. Este sistema promove
o máximo de integração entre os profissionais da farmácia, en-
fermagem e medicina, reduzindo possíveis erros de medicação e
problemas relacionados aos medicamentos, além da redução dos
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116 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

custos totais relativos aos medicamentos. Entretanto, exige o


máximo de estruturação física e de recursos humanos, pois são
necessários investimentos em grande escala para implantação das
atividades;

4. Sistema de Distribuição de Medicamentos Combinado


ou Misto: Alguns estabelecimentos promovem adaptações nos
três sistemas anteriores, de acordo com o tipo de serviço realiza-
do, utilizando alguns pontos e vantagens de cada tipo. Um
exemplo comum em unidades públicas de saúde seria a distri-
buição dos medicamentos por dose individualizada e das solu-
ções parenterais de grande volume de forma coletiva, disponibi-
lizando apenas estas soluções nos setores de enfermagem. Na
prática observam-se muito estas adaptações em função do alto
grau de adaptações e investimentos necessários para implantação
da distribuição. Cabe ao profissional farmacêutico promover es-
tas mudanças a fim de identificar possíveis falhas e vantagens
que possam ser utilizadas em cada estabelecimento.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 117


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

6
DISPENSAÇÃO E A PROMOÇÃO DO USO
RACIONAL DE MEDICAMENTOS

Nos capítulos anteriores observamos as políticas, princí-


pios, etapas e atividades necessárias para garantir o acesso da popula-
ção aos medicamentos essenciais, sistematizadas no Ciclo da Assis-
tência Farmacêutica que se encerra com a DISPENSAÇÃO.
Segundo a legislação, em especial a Lei nº 5.991/73, esta é
uma atividade privativa do profissional farmacêutico, que consiste em
proporcionar um ou mais medicamentos em resposta à apresentação
de uma prescrição elaborada por um profissional autorizado (BRA-
SIL, 1973; BRASIL, 2006a).
No ato da dispensação, o profissional farmacêutico deve
fornecer ao usuário todas as informações necessárias para a utilização
correta do medicamento, na dose certa e no tempo certo, contribuin-
do assim para o seu uso racional (MARIN et al., 2003; BRASIL,
2006a; FAUS DADER et al., 2008; BRUNS, 2013; SOARES et al.,
2016).
Desta forma, o profissional farmacêutico deve possuir
competências técnicas e habilidades de comunicação, além de ser
capaz de interagir com os prescritores e os usuários dos medicamen-
tos, proporcionando-lhe condições seguras e confiáveis para sua ade-
quada utilização, permitindo a eficácia no tratamento (GALATO et
al., 2008; BRASIL, 2012).
A dispensação também é uma prática que permite a pro-
moção do uso racional de medicamentos e a realização de atividades
clínicas, incluindo o acompanhamento da utilização dos medicamen-
tos, seguimento farmacoterapêutico e a Atenção Farmacêutica. Efeti-
va-se neste ponto um elo entre a logística de medicamentos e as atri-
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Farmacêutico, Professor.

buições clínicas que podem ser realizadas após a dispensação, inclu-


indo a farmácia clínica, Atenção Farmacêutica, farmacovigilância e o
seguimento farmacoterapêutico.
Observa-se que a dispensação é uma prática profissional
amplamente estudada por diversos autores e que está evoluindo ao
longo do tempo. Neste capítulo, vamos abordar sobre os conceitos
fundamentais sobre dispensação, promoção do uso racional de medi-
camentos e os serviços farmacêuticos clínicos, discutindo sobre as
principais atividades do profissional farmacêutico na gestão da Assis-
tência Farmacêutica.

6.1 DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS


6.1.1. A Evolução dos Conceitos Sobre Dispensação

Etimologicamente, a palavra “dispensação” pode apresen-


tar diversos significados. Segundo Angonesi (2008), deriva do latim
dispensatio-onis e os significados podem representar: 1) administração,
direção, superintendência; 2) distribuição, repartição. Pode ainda,
segundo os dicionários, indicar: 3) ato ou efeito de dispensar, dispen-
sa, liberar; 4) ato ou efeito de distribuir, repartir, dividir; 5) ato ou
efeito de conferir, conceder. Em todos os conceitos apresentados,
fica clara a associação com os elementos de administração e gestão
inerentes ao processo de dispensação, que abordaremos a seguir.
A profissão farmacêutica no Brasil, como observamos ante-
riormente, foi oficialmente regulamentada na década de 1930, inserida
no contexto das transformações trabalhistas deste período. Após
diversas discussões e exigências da população, promulgou-se em 1973
a Lei nº 5.991, sobre o “controle sanitário do comércio de drogas,
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos”, disseminando o
primeiro conceito sobre dispensação do país:
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 119


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

“ato de fornecimento ao consumidor de drogas, medi-


camentos, insumos farmacêuticos e correlatos, a título remunerado
ou não” (BRASIL, 1973, Art. 4º, inciso XV).

Este conceito demonstra-se incompleto, pois retrata apenas


o caráter mercantilista e comercial vivenciado na década de 70, auge
econômico do período militar, que fomentava indústrias e comércios,
em detrimento aos direitos civis e trabalhistas. Assim, os estabeleci-
mentos farmacêuticos começavam a adquirir um perfil comercial,
com poucos profissionais disponíveis para a realização de serviços
clínicos e de orientação à população, visando o lucro.
As indústrias farmacêuticas precisavam aumentar sua pro-
dução e o farmacêutico diminuiu sua presença no balcão da farmácia
e por consequência o contato com os pacientes. A dispensação, nesta
época, se resumiu ao simples ato de “entregar o medicamento ao
usuário”, com pouca orientação quanto a sua utilização, conforme
relato de Angonesi (2008). Importante ressaltar que não havia um
Sistema Único de Saúde e a as ações governamentais de Assistência
Farmacêutica se resumiam à Central de Medicamentos (CEME), dis-
cutida anteriormente nesta obra.
Décadas depois, em 1998, a Política Nacional de Medica-
mentos promoveu outro conceito para a dispensação de medicamen-
tos, com base na reorientação da Assistência Farmacêutica, que inici-
ava seu processo de reformulação:

“É o ato profissional farmacêutico de proporcionar um


ou mais medicamentos a um paciente, geralmente como resposta à
apresentação de uma receita elaborada por um profissional autori-
zado. Nesse ato, o farmacêutico informa e orienta o paciente so-
bre o uso adequado do medicamento. São elementos importantes
da orientação, entre outros, a ênfase no cumprimento da dosagem,
a influência dos alimentos, a interação com outros medicamentos,
o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições
de conservação dos produtos”. (BRASIL, 1998, p.26).
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Farmacêutico, Professor.

Observa-se a importância da informação e orientação para


a utilização dos medicamentos, iniciando-se o processo da promoção
do uso racional, que será abordado neste capítulo. Relaciona-se, a
partir desta política, que a dispensação somente poderá ser realizada
mediante a entrega dos medicamentos e insumos, com a devida ori-
entação do profissional farmacêutico para o usuário, reduzindo os
riscos na sua utilização.
Neste contexto, observamos diversos elementos do cenário
atual da profissão farmacêutica no Brasil. São diversos estabelecimen-
tos que não possuem a presença do profissional responsável técnico,
o caráter comercial ultrapassa as questões éticas, não há promoção do
uso racional de medicamentos e o acompanhamento dos pacientes
não pode ser realizado de forma eficaz.
A consequência deste cenário se resume à baixa valorização
profissional, ao crescimento das grandes redes de farmácia, distanci-
amento do farmacêutico das atividades clínicas e de orientação ao
paciente, além do comércio ilegal e irregular de medicamentos e in-
sumos.
Quanto à dispensação, a Lei nº 5.991 de 1973 também não
é clara quanto aso procedimentos necessários para sua realização,
estabelecendo apenas alguns parâmetros de referência. Segue abaixo
relato dos artigos nº 35 e 41, sobre os aspectos estruturais e técnicos
relacionados à dispensação, em especial ao aviamento da prescrição:

Art. 35 – Somente será aviada a receita:


a) que estiver escrita a tinta, em vernáculo, por extenso e
de modo legível, observados a nomenclatura e o sistema de pesos
e medidas oficiais;
b) que contiver o nome e o endereço residencial do pa-
ciente, expressamente, o modo de usar a medicação;
c) que contiver a data e a assinatura do profissional, en-
dereço do consultório ou residência, e o número de inscrição no
respectivo Conselho profissional.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 121


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

§ Parágrafo único: O receituário de medicamentos en-


torpecentes ou a estes equiparados e os demais sob regime de
controle, de acordo com a sua classificação, obedecerá às disposi-
ções da legislação federal específica. (BRASIL, 1973; ANGONE-
SI, 2008).
Art. 41 - Quando a dosagem do medicamento prescrito
ultrapassar os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar
incompatibilidades o responsável técnico pelo estabelecimento
solicitará confirmação expressa ao profissional que a prescreveu.
(BRASIL, 1973; ANGONESI, 2008).

Observamos nos relatos acima a importância do profissio-


nal farmacêutico avaliar os parâmetros técnicos para realizar a dispen-
sação dos medicamentos, incluindo a análise dos itens necessários da
prescrição. Em paralelo, as entidades farmacêuticas oficiais tentavam
reduzir os aspectos negativos da dispensação, incluindo a orientação
do profissional farmacêutico no ato de fornecer o medicamento ao
usuário.
Ao longo das últimas décadas são diversas legislações que
normatizam os serviços farmacêuticos, incluindo a dispensação de
medicamentos e insumos farmacêuticos. O Conselho Federal de
Farmácia (CFF) institui em 1997 a Resolução de Diretoria Colegiada
(RDC) nº 308, que dispõe sobre a Assistência Farmacêutica em far-
mácias e drogarias, estabelecendo as atribuições do profissional far-
macêutico no ato da dispensação:

Artigo 3º - Cabe ao farmacêutico no exercício de ativi-


dades relacionadas com o atendimento e processamento de recei-
tuário: observar a legalidade da receita e se está completa e avaliar
se a dose, a via de administração, a frequência de administração, a
duração do tratamento e dose cumulativa são apropriados e verifi-
car a compatibilidade física e química dos medicamentos prescri-
tos.
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Artigo 4º - Cabe ao farmacêutico, na dispensação de


medicamentos: entrevistar os pacientes, a fim de obter o seu perfil
medicamentoso; manter cadastro de fichas farmacoterapêuticas de
seus pacientes, possibilitando a monitorização de respostas tera-
pêuticas; informar de forma clara e compreensiva sobre o modo
correto de administração dos medicamentos e alertar para possí-
veis reações adversas; informar sobre as repercussões da alimenta-
ção e da utilização simultânea de medicamentos não prescritos;
orientar na utilização de medicamentos não prescritos (CFF,
1997).

Observa-se a recomendação do CFF quanto a orientação


do profissional farmacêutico para o paciente no ato da dispensação e
posterior utilização do medicamento. São necessárias as informações
referentes à posologia, possíveis reações adversas e alimentos. Estas
informações contribuem para melhor eficácia da farmacoterapia e
consequente qualidade de vida do paciente, iniciando assim os servi-
ços farmacêuticos clínicos.
Anos depois, em 1999, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) estabeleceu os parâmetros para regulamentar e
implementar as Boas Práticas de Dispensação em Farmácias e
Drogarias, através da Resolução nº 328, de 22 de julho de 1999. Esta
legislação institui os critérios e parâmetros técnicos relacionados à
estrutura, condições especiais e procedimentos que poderão ser reali-
zados no ato da dispensação. Ressaltam-se abaixo as condições espe-
cíficas para a dispensação, conforme esta resolução da ANVISA:

3. CONDIÇÕES ESPECÍFICAS:
3.1. A área ou local de armazenamento deve ter capacidade su-
ficiente para assegurar a estocagem ordenada das diversas catego-
rias de produtos.
3.2. Quando são exigidas condições especiais de armazenamen-
to quanto a temperatura tal condição deverá ser providenciada e
monitorada sistematicamente mantendo-se os devidos registros.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 123


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

3.3. Dispor de condições de segurança adequada para o arma-


zenamento de produtos inflamáveis segundo normas técnicas fede-
rais, estaduais, municipais e do Distrito Federal.
3.4. Dispor de armário resistente e/ou sala própria fechada com
chave para o armazenamento dos medicamentos sujeitos a regime
especial de controle.
3.5. Dispor de local ou sistema de segregação devidamente
identificado, fora da área de dispensação para a guarda dos produ-
tos que apresentam comprovadamente irregularidades ou com
prazo de validade vencido.
3.6. Todos os medicamentos sujeitos a controle especial somen-
te serão dispensados mediante prescrição médica segundo legisla-
ção vigente.
3.7. A prescrição deve ser conferida e escriturada pelo profissi-
onal farmacêutico.
3.8. O sistema de escrituração para produtos sujeitos a controle.
(ANVISA, 1999).

Esta resolução, bem como outras que se sucederam, de-


monstraram avanços em relação aos aspectos técnicos, estruturais e
ideológicos da dispensação. O farmacêutico ainda encontrava muitos
desafios para garantir a orientação ao usuário no ato da entrega do
medicamento, seja por falhas na prescrição, desabastecimento dos
estoques nos estabelecimentos públicos ou o caráter mercantilista nas
unidades privadas.
Uma década depois, em 2009, a ANVISA promulga a RDC
nº44, que dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o con-
trole sanitário do funcionamento, da dispensação e da comerci-
alização de produtos e da prestação de serviços farmacêuticos
em farmácias e drogarias, ampliando os critérios e exigências para a
realização da dispensação. Esta resolução também dispõe das condi-
ções gerais, documentações e recursos humanos necessários para a
dispensação de medicamentos, incluindo a presença, valorização e
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participação do profissional farmacêutico, conforme o descrito no


Capítulo II, Artigo 3º:

“As farmácias e as drogarias devem ter, obrigatoriamen-


te, a assistência de farmacêutico responsável técnico ou de seu
substituto, durante todo o horário de funcionamento do estabele-
cimento, nos termos da legislação vigente”. (ANVISA, 2009).

Atualmente, observa-se na legislação farmacêutica a Lei nº


13.021, de 08 de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício e a
fiscalização das atividades farmacêuticas. Esta lei impõe e ratifica
a obrigatoriedade da presença do profissional farmacêutico durante
todo o horário de funcionamento do estabelecimento farmacêutico,
permitindo que a dispensação possa ser realizada por um profissional
habilitado
Entretanto, não basta apenas a presença do profissional
farmacêutico no estabelecimento, é necessário qualidade na orienta-
ção prestada ao paciente, iniciando-se a promoção do uso racional de
medicamentos. Para isso, é dever do profissional farmacêutico prestar
o máximo de informações possíveis, esclarecendo as dúvidas que
possam surgir quanto ao tratamento.

6.1.2. Etapas do Processo de Dispensação

A dispensação pode ser realizada diretamente para o usuá-


rio do medicamento, ou indiretamente para os acompanhantes, fami-
liares ou profissionais de saúde que farão a administração do medi-
camento em uma pessoa. Neste caso, a dispensação deverá conter
mais elementos que possam garantir a utilização correta do medica-
mento, como cartilhas, folders e prescrições com informações claras e
adequadas para o usuário.
Angonesi (2008) cita as principais orientações e procedi-
mentos que devem ser adotados pelo profissional farmacêutico no
ato da dispensação:
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 125


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

- O farmacêutico deve fornecer toda a informação necessária para


o uso correto, seguro e eficaz dos medicamentos de acordo com
as necessidades individuais do usuário;
- Além da informação oral, as orientações prestadas pelo farma-
cêutico podem ser reforçadas por escrito ou com material de
apoio adequando;
- As contraindicações, interações e possíveis efeitos secundários
do medicamento devem ser explicados no momento da dispen-
sação;
- O farmacêutico deve procurar os meios adequados para ficar ci-
ente de que o paciente não tem dúvidas sobre o modo de ação
dos medicamentos, a forma de usar (como, quando e quanto), a
duração do tratamento, possíveis efeitos adversos e precauções
especiais;
- Além disso, recomenda-se que o farmacêutico estabeleça proce-
dimentos para acompanhamento da adesão e do efeito dos tra-
tamentos prescritos.

Até o momento, observamos que os processos de dispen-


sação exigem competências, habilidades e estrutura específica para
promover qualidade, segurança e eficácia na utilização dos medica-
mentos.
Marin et al. (2003) afirma que a dispensação é uma oportu-
nidade para o profissional farmacêutico realizar a promoção do uso
racional dos medicamentos, pois na interação direta com o paciente, é
possível avaliar a necessidade de utilização do medicamento, bem
como orientar sobre as condições específicas de saúde, reações adver-
sas e possíveis interações medicamentosas. Nesse ato, o profissional
farmacêutico atua como um agente promotor de saúde.
Desta forma, a dispensação deve ser compreendida como
parte integrante do processo de atenção ao paciente, realizada por
profissional habilitado, com o objetivo de promover saúde através da
utilização segura dos medicamentos. Para isso, é necessário que se
estabeleça um elo de confiança e respeito entre o usuário do serviço
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de saúde e o profissional farmacêutico, promovendo resultados efica-


zes na farmacoterapia e o uso racional de medicamentos.
Estas características são construídas a partir do acolhimen-
to do usuário no estabelecimento farmacêutico, iniciando-se o pro-
cesso de dispensação. A farmácia deve apresentar uma estrutura física
que permita o acolhimento do usuário, mantendo-se um ambiente
limpo, arejado e que transmita a sensação de conforto. Além disso,
deve dispor de um espaço reservado para atendimento privativo, em
situações específicas que exigem a preservação da privacidade do
paciente.
O profissional farmacêutico, bem como seus colaborado-
res, também deve apresentar competências e habilidades para melho-
rar o acolhimento ao paciente. A apresentação pessoal é fundamental
nesta etapa, pois transmite segurança, confiança e respeito para quem
está entrando no estabelecimento em busca de um auxílio ou orienta-
ção para sua saúde.
A forma de abordagem também contribui nesta etapa, de-
vendo-se utilizar um tom de voz adequado, transmitindo calma e
serenidade para o paciente. Na sequência, o profissional ouve aten-
tamente aos questionamentos e solicitações do usuário, decidindo
sobre as opções disponíveis e assim, se possível, realizar a dispensa-
ção dos medicamentos.
Segundo Faus Dader et al. (2008), a dispensação como pro-
cesso clínico e eficaz apresenta alguns objetivos que devem ser alcan-
çados pelo profissional farmacêutico, em conjunto com o usuário dos
medicamentos:

- Entregar o medicamento e/ou insumo em condições ótimas e de


acordo com a legislação vigente;
- Garantir que o paciente possua a informação necessária para uti-
lizar os medicamentos de forma segura e eficaz, otimizando a
farmacoterapia, estando assim disposto a segui-la;
- Informar o usuário das possíveis reações adversas, interações
medicamentosas e outras situações clínicas que possam surgir
quanto à utilização do medicamento.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 127


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

A Figura 01 demonstra um fluxo dos processos de dispen-


sação após o acolhimento e apresentação da prescrição para o profis-
sional farmacêutico.

Figura 01: Fluxo dos Processos de Dispensação

Fonte: Adaptado de Faus Dader et al. (2008); Galato et al. (2008).


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Farmacêutico, Professor.

Após o acolhimento, deve-se realizar a análise da prescri-


ção, ou eventual indicação de medicamento isento de prescrição. A
apresentação da prescrição, escrita em receituário adequado, demons-
tra que o usuário foi avaliado por um profissional de saúde habilitado
(em especial, médicos e dentistas) e que a utilização do medicamento
se faz necessária para o tratamento de saúde (CORRER, 2007).
Esta análise se faz necessária para direcionamento das ori-
entações quanto a utilização do medicamento, bem como para garan-
tir a promoção do uso racional. Deve-se avaliar de imediato se a pres-
crição apresentada é de fato da pessoa que se dirigiu ao estabeleci-
mento e que necessita da utilização do medicamento, pois facilita a
obtenção de informações sobre a prescrição, bem como as orienta-
ções subsequentes.
Nesta etapa é fundamental avaliar se a prescrição contém
os itens necessários para realizar a dispensação e o aviamento da se-
gunda via, de acordo com a legislação sanitária vigente. A RDC nº
44/09, que dispõe sobre as boas práticas farmacêuticas para o
controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da co-
mercialização de produtos e da prestação de serviços farmacêu-
ticos em farmácias e drogarias, elenca os principais itens obrigató-
rios em uma prescrição:

Art. 44. O farmacêutico deverá avaliar as receitas obser-


vando os seguintes itens:
I - legibilidade e ausência de rasuras e emendas;
II - identificação do usuário;
III - identificação do medicamento, concentração, dosagem, forma
farmacêutica e quantidade;
IV - modo de usar ou posologia;
V - duração do tratamento;
VI - local e data da emissão; e
VII - assinatura e identificação do prescritor com o número de
registro no respectivo conselho profissional.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 129


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Estas são orientações gerais para atendimento da maior


parte das prescrições e que devem ser adotadas pelo profissional far-
macêutico. Alguns medicamentos exigem outros procedimentos es-
pecíficos para a dispensação, incluindo medicamentos psicotrópicos,
de controle especial, além de outros de uso restritos a hospitais, ma-
nipulados e fitoterápicos.
Observa-se a importância da legibilidade da prescrição, bem
como a ausência de rasuras, emendas ou outros elementos que pos-
sam interferir na identificação dos medicamentos prescritos. Este
elemento é fundamental para a qualidade da dispensação e do trata-
mento, pois a prescrição ilegível aumenta os riscos da utilização erra-
da do medicamento.
O profissional farmacêutico assume a responsabilidade ao
dispensar medicamentos em prescrições que apresentem problemas
de legibilidade, correndo o risco de proporcionar reações adversas,
interações medicamentosas e intoxicações. Neste caso, quando o
profissional farmacêutico receber uma prescrição ilegível, ou que
apresente dúvidas quanto às informações prescritas, deverá encami-
nhar correção da prescrição ou esclarecimentos para o profissional
prescritor, preferencialmente por escrito. Assim, a dispensação não
deverá ser realizada, reduzindo os riscos quanto à utilização dos me-
dicamentos.
Caso a prescrição apresente todos os itens necessários e a
dispensação possa ser realizada, o farmacêutico deverá avaliar o grau
de entendimento e conhecimento do paciente quanto ao seu trata-
mento e a utilização do medicamento. Orientações sobre a posologia,
dose prescrita, conservação, indicações clínicas, interações medica-
mentos e possíveis reações adversas devem ser prestadas. Casos e
situações especiais também devem ser consideradas, como: gravidez,
lactação, utilização por idosos e crianças.
Faz-se uma observação em relação à primeira dispensação
do medicamento para um paciente. Quando o paciente irá utilizar um
determinado medicamento pela primeira vez, são necessárias maiores
informações e orientações em relação aos aspectos técnicos dos me-
dicamentos, bem como suas implicações clínicas. A primeira dispen-
sação é fundamental para a adesão ao tratamento, principalmente
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Farmacêutico, Professor.

para medicamentos de uso contínuo, pois transmite confiança, respei-


to e seriedade para o usuário.
Após a primeira dispensação, o usuário terá o comprome-
timento do seu tratamento de saúde, em conjunto com o profissional
prescritor e o farmacêutico, promovendo o uso racional dos medica-
mentos. Na sequência, seguir-se-á o processo de dispensação repeti-
da, avaliando e acompanhando a evolução do tratamento e eventuais
problemas quanto a utilização dos medicamentos.
Neste ponto, o medicamento não será um elemento novo
no tratamento de saúde do paciente e assim, novas informações e
orientações poderão ser ofertadas pelo profissional farmacêutico,
iniciando-se os serviços farmacêuticos clínicos: farmácia clínica, aten-
ção farmacêutica e seguimento farmacoterapêutico.
Quando a prescrição for apresentada por terceiros, ou seja,
alguma pessoa que represente o usuário do medicamento, a dispensa-
ção deverá ser realizada com maiores informações. Importante ressal-
tar a posologia, reações adversas e orientações adicionais, preferenci-
almente por escrito, proporcionando melhores condições para o uso
racional dos medicamentos e a manutenção do tratamento.
Outra estratégia é disponibilizar o contato telefônico ou
eletrônico, assim o paciente poderá entrar em contato diretamente
com o profissional farmacêutico, elucidando dúvidas pertinentes e
mantendo a relação de confiança para seguimento do tratamento de
saúde.
Para facilitar o entendimento e a compreensão do usuário,
poderão ser utilizados elementos gráficos e visuais para esclarecer
pontos importantes na dispensação. O farmacêutico poderá fornecer
calendário posológico e pictogramas com orientações gerais, além de
tabelas com cores diferentes e horários que facilitem a utilização dos
medicamentos, em especial aos pacientes com menor grau de instru-
ção ou problemas de visão.
Ao final do atendimento, o farmacêutico deverá avaliar se o
usuário do medicamento ou seu cuidador compreenderam as orienta-
ções prestadas e se a pessoa terá condições de utilizar os medicamen-
tos dispensados. Esta etapa é fundamental para reduzir os riscos as-
sociados aos itens prescritos, bem como possíveis reações adversas e
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 131


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

abandono do tratamento, promovendo assim o uso racional dos me-


dicamentos. Pode-se perguntar ao usuário se as informações foram
assimiladas, sugerindo-se que o mesmo repita as orientações para
assegurar que o tratamento será cumprido.
Neste momento, encerra-se o processo de dispensação e o
usuário deixa o estabelecimento. Será necessário efetivar o acompa-
nhamento dos pacientes que frequentam o estabelecimento, avaliando
sua frequência e os resultados obtidos com a utilização do medica-
mento, em especial aqueles com doenças crônicas ou polimedicados.
Para isso, é fundamental realizar um cadastro prévio dos
pacientes e usuários que frequentam o estabelecimento farmacêutico,
pois será possível acompanhá-los ao longo do tratamento, promo-
vendo qualidade ao serviço de dispensação, fidelização dos clientes e
fortalecimento da imagem associada à farmácia ou drogaria.
Um ponto chave no processo de dispensação é a comuni-
cação do profissional farmacêutico com seus colaboradores e usuá-
rios. Atenta-se para a forma de abordagem, tom de voz, nível de
compreensão e instrução do paciente, além de fornecer informações
claras e precisas, transmitindo confiança e respeito.
Deve-se também ouvir atentamente às dúvidas do usuário,
avaliando seu contexto social, sua história de vida e nível de entendi-
mento sobre os medicamentos. Cria-se então um elo de ligação entre
o farmacêutico e o usuário dos medicamentos, para promover saúde
e reduzir os riscos associados ao tratamento farmacológico. Será es-
tabelecida uma relação de confiança, respeito e responsabilidade com
benefícios para ambos os lados.
O profissional farmacêutico irá desenvolver e promover
serviços de saúde; terá sua valorização profissional a partir do aumen-
to no número de usuários satisfeitos, aumentando a frequência de
clientes em seu estabelecimento; além de fortalecer sua imagem pes-
soal, profissional e institucional.
Os usuários também serão beneficiados, pois terão o acesso
aos medicamentos garantido; uma dispensação de qualidade, com
orientações, segurança e eficácia no tratamento; bem como serviços
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132 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

farmacêuticos que irão auxiliar na adesão ao tratamento e na obten-


ção de resultados positivos na evolução da sua saúde.
Deste modo, a dispensação poderá ser realizada sempre que
o usuário solicitar um novo medicamento, ou quando uma determi-
nada quantidade de medicamento de uso contínuo for necessária para
manutenção do tratamento. Outras perguntas deverão ser feitas nesta
etapa para assegurar os resultados positivos quanto à utilização dos
medicamentos, incluindo a percepção do usuário sobre seu estado de
saúde e a percepção de novos problemas, sinais e sintomas não ob-
servados na primeira dispensação.
Os serviços farmacêuticos clínicos são fundamentais para
mensurar os resultados do tratamento medicamentoso, além de de-
tectar outros sinais e sintomas. Estes serviços serão descritos na se-
quência deste capítulo.

6.2 ATRIBUIÇÕES CLÍNICAS E SERVIÇOS


FARMACÊUTICOS
Como vimos anteriormente, os processos de dispensação
promovem uma relação de confiança, respeito e responsabilidade
entre os usuários dos serviços de saúde e os profissionais farmacêuti-
cos, com o objetivo de proporcionar acesso aos medicamentos, além
de qualidade, segurança e eficácia no tratamento.
A dispensação é uma atividade privativa do profissional
farmacêutico, sendo de sua responsabilidade proporcionar as melho-
res condições para sua realização. Quando esta atividade é bem reali-
zada, os benefícios para o tratamento de saúde são rápidos e significa-
tivos, tanto para o usuário do medicamento quanto para o profissio-
nal farmacêutico, permitindo a realização dos serviços clínicos.
Após a realização da dispensação, poderão ser ofertados
novos serviços para acompanhamento e avaliação dos tratamentos de
saúde dos usuários, medindo os efeitos da utilização dos medicamen-
tos.
No Brasil, a regulamentação das atribuições clínicas do pro-
fissional farmacêutico é recente, estabelecida pela Resolução de
Diretoria Colegiada (RDC) do Conselho Federal de Farmácia
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 133


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

(CFF) nº 585 de 2013, que determina os direitos e responsabilidades


nesta área de atuação.
Em seu preâmbulo, esta legislação diferencia os conceitos
de “atribuições”, “atividades” e “serviços”. As atividades correspon-
dem às ações inerentes aos processos de trabalho, realizadas rotinei-
ramente. O conjunto destas atividades é popularmente conceituado
como “serviços”, representando uma área de atuação, além de um
setor econômico e comercial.
A palavra atribuição pode ser definida como um dever ou
obrigação ligada diretamente a um ofício ou profissão, exigindo cum-
primento por parte dos seus profissionais, sob pena de responsabili-
dade em caso de infração ou omissão.
De acordo com a RDC nº585/13, as atribuições clínicas
possuem objetivos específicos ligados ao profissional farmacêutico,
conforme descrito a seguir:

Art. 2º - As atribuições clínicas do farmacêutico visam à


promoção, proteção e recuperação da saúde, além da prevenção de
doenças e de outros problemas de saúde.
Parágrafo único - As atribuições clínicas do farmacêutico
visam proporcionar cuidado ao paciente, família e comunidade, de
forma a promover o uso racional de medicamentos e otimizar a
farmacoterapia, com o propósito de alcançar resultados definidos
que melhorem a qualidade de vida do paciente.
Art. 3º - No âmbito de suas atribuições, o farmacêutico
presta cuidados à saúde, em todos os lugares e níveis de atenção,
em serviços públicos ou privados.

No total, segundo esta legislação (Artigo 7º), o profissional


farmacêutico tem direito a exercer 28 atribuições clínicas, incluindo
análise de prescrições, anamnese, consulta farmacêutica, planto de
cuidado, exames laboratoriais, intervenções farmacêuticas, entre ou-
tros. Abordaremos a seguir as principais atribuições clínicas e serviços
farmacêuticos que podem ser realizados em conjunto com a dispen-
sação, de acordo com a legislação vigente.
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134 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

6.2.1. Conceitos e Tipos de Serviços Farmacêuticos

Os serviços farmacêuticos estão inseridos no contexto dos


serviços de saúde, que podem ser definidos, de acordo com o Conse-
lho Federal de Farmácia (BRASIL, 2013), como “serviços que lidam
com o diagnóstico e o tratamento de doenças ou com a promoção,
manutenção e recuperação da saúde. Incluem os consultórios, clíni-
cas, hospitais, entre outros, públicos e privados”.
Neste contexto, o profissional farmacêutico deve assumir a
responsabilidade em atender as necessidades de saúde da população,
promovendo o acesso ao medicamento, prevenindo doenças e con-
trolando as condições de saúde.
Um dos principais serviços farmacêuticos corresponde à
Farmácia Clínica, definida pelo CFF como “área da farmácia volta-
da à ciência e à prática do uso racional de medicamentos, na qual os
farmacêuticos prestam cuidado ao paciente, de forma a otimizar a
farmacoterapia, promover saúde e bem-estar, e prevenir doenças”
(BRASIL, 2013).
Observa-se na literatura que a Farmácia Clínica surgiu nos
Estados Unidos a partir da década de 60, principalmente nos hospi-
tais, onde a presença do profissional farmacêutico era maior. Com o
tempo, este serviço evoluiu e pode ser realizada em instituições de
longa duração, domicílios, drogarias etc.
Atualmente, a Farmácia Clínica alcançou o porte de ciência,
contribuindo para o aprimoramento da profissão farmacêutica, em
virtude dos seus inúmeros efeitos benéficos para o tratamento de
saúde. Também orienta a prática profissional, inserindo os cuidados
farmacêuticos diretamente ligados ao paciente, à família e à comuni-
dade, promovendo redução de problemas e reações adversas, além do
uso racional de medicamentos.
Neste sentido, o profissional farmacêutico também poderá
exercer a revisão da farmacoterapia e a conciliação medicamen-
tosa, verificando a prescrição e os itens que podem causar riscos ao
paciente. Serão analisadas eventuais reações adversas, interações me-
dicamentosas ou quaisquer situações que podem trazer insegurança
na administração dos medicamentos. Estes serviços também auxiliam
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 135


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

os outros profissionais de saúde e os pacientes, através de um proces-


so de educação continuada.
Quando o usuário dos medicamentos realiza a automedica-
ção, buscando no estabelecimento farmacêutico alguma indicação
para um determinado sinal ou sintoma que o aflija, poderá estar dian-
te de um problema de saúde autolimitado, que pode ser definido
como:

“enfermidade aguda de baixa gravidade, de breve período


de latência, que desencadeia uma reação orgânica a qual tende a
cursar sem dano para o paciente e que pode ser tratada de forma
eficaz e segura com medicamentos e outros produtos com finali-
dade terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica,
incluindo medicamentos industrializados e preparações magistrais
- alopáticos ou dinamizados -, plantas medicinais, drogas vegetais
ou com medidas não farmacológicas” (BRASIL, 2013).

O farmacêutico, atuando como profissional de saúde, pode-


rá atender a estas demandas de menor impacto na saúde da popula-
ção, promovendo um serviço de manejo dos problemas de saúde
autolimitados. Medidas não farmacológicas, orientações gerais, enca-
minhamento para outros profissionais e dispensação de medicamen-
tos isentos de prescrição médica fazem parte deste processo.
A prescrição farmacêutica está inserida neste manejo de
problemas de saúde autolimitados, pois fornece condições para que o
paciente alcance melhores resultados terapêuticos. Os medicamen-
tos isentos de prescrição médica (MIP’s) causam enormes riscos à
saúde, principalmente com a prática da automedicação sem orienta-
ção farmacêutica.
Este serviço exige profissionalismo e capacitação do farma-
cêutico, devendo o mesmo dispor de competências, habilidades e
estrutura para sua realização. Estudos demonstram que a prescrição
farmacêutica e o manejo de problemas de saúde autolimitados redu-
zem os riscos associados aos medicamentos, proporcionam relação
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136 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

de confiança nos estabelecimentos farmacêuticos e melhoram o qua-


dro geral dos serviços de saúde no país.
Entretanto, o profissional farmacêutico deve ter a respon-
sabilidade de reconhecer sua área de atuação, encaminhando o paci-
ente para o serviço adequado quando detectar quaisquer alterações,
sinais ou sintomas que indiquem uma necessidade maior de acompa-
nhamento, ou um serviço de outro profissional de saúde.
Angonesi (2008) afirma que as atividades e serviços farma-
cêuticos orientados para o paciente, como a dispensação, a indicação
de medicamentos que não necessitam de receita médica, a educação
sanitária, a farmacovigilância e o seguimento farmacoterapêutico
foram incluídos no modelo de prática profissional denominado
Atenção Farmacêutica.
Esta prática profissional evoluiu a partir da aplicação e am-
pliação da Farmácia Clínica, principalmente na Espanha, seguindo as
definições do Consenso de Granada. De acordo com este consenso, a
dispensação é um ato profissional para fornecer suporte aos serviços
farmacêuticos clínicos.
Assim, a Atenção Farmacêutica faz parte de um processo
filosófico para proporcionar qualidade de vida; promoção do uso
racional dos medicamentos; detecção, prevenção e resolução de pro-
blemas relacionados aos medicamentos (PRM) e prevenção de rea-
ções adversas.
Neste sentido, a dispensação é uma etapa para se alcançar a
Atenção Farmacêutica e os serviços clínicos com maior eficácia, am-
pliando a participação do profissional farmacêutico para além da
entrega do medicamento na farmácia, promovendo qualidade de vida
e o uso racional dos medicamentos.
Considera-se neste contexto da dispensação, as característi-
cas próprias de cada paciente, incluindo fatores genéticos, socioeco-
nômicos e culturais, que podem influenciar na adesão ao tratamento e
na possibilidade de reações adversas ao medicamento (RAM).
Assim, observamos a evolução nos conceitos de farmaco-
vigilância, a partir da própria evolução dos serviços farmacêuticos. A
Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) a conceitua como “ciên-
cia relativa à detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efei-
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 137


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

tos adversos ou quaisquer problemas relacionados a medicamentos”.


Ampliando este conceito, podemos entender que esta ciência envolve
qualquer prática, evento ou resultado que possa ser associado quanto
à utilização dos medicamentos.
O profissional farmacêutico deverá então promover a práti-
ca da farmacovigilância nos estabelecimentos farmacêuticos, restritos
atualmente aos grandes hospitais de ensino e pesquisa. A detecção,
prevenção e resolução dos problemas relacionados aos medicamentos
e das reações adversas é fundamental para melhoria da qualidade de
vida e alcance dos resultados positivos no tratamento.
Em consequência, caso os serviços farmacêuticos sejam re-
alizados de forma adequada, incluindo a dispensação, poderemos
promover o uso racional dos medicamentos, que será abordado em
sequência. No encerramento desta obra.

6.3 PROMOÇÃO DO USO RACIONAL DE


MEDICAMENTOS

Ao longo desta obra, observamos as diversas etapas e ativi-


dades da Gestão da Assistência Farmacêutica para a promoção do
uso racional de medicamentos. Entendemos que, diante das inúmeras
atribuições da profissão farmacêutica, a dispensação é uma das mais
importantes.
Estudos comprovam as necessidades e anseios da popula-
ção quando se referem a serviços de saúde, autocuidado e utilização
dos medicamentos. O acesso e distribuição dos estabelecimentos
farmacêuticos avançaram muito no Brasil nas últimas décadas, assim
como o número de profissionais farmacêuticos e de instituições de
ensino.
A legislação também avançou em prol da profissão farma-
cêutica, reforçando e obrigando a presença do profissional durante o
horário de funcionamento do estabelecimento, além de outras práti-
cas e serviços que podem auxiliar a população quanto a utilização de
medicamentos.
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138 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

Entretanto, inúmeros são os desafios para a profissão far-


macêutica no contexto socioeconômico vigente. Apesar do aumento
da fiscalização, ainda existem farmácias irregulares no país, sem a
devida responsabilidade técnica do farmacêutico, principalmente nas
regiões mais distantes dos grandes centros urbanos, ou em áreas peri-
féricas.
O aumento do número de profissionais disponíveis no
mercado não promoveu uma distribuição proporcional nas regiões do
país. Há uma escassez de profissionais em áreas mais distantes e uma
forte concentração nos centros urbanos, em especial da região Sudes-
te. Observamos também um número reduzido de profissionais far-
macêuticos nas unidades básicas de saúde, afastando os serviços far-
macêuticos de grande parte da população.
Estes e outros fatores diminuem a presença do profissional
farmacêutico na sociedade e, por consequência, as ações e os serviços
que podem ser realizados nas farmácias, incluindo a promoção do
uso racional de medicamentos.
Muitos conceitos, teorias e práticas foram elaboradas e di-
fundidas no meio acadêmico para definir a promoção do uso racional
de medicamentos. Para esta obra, vamos utilizar o conceito da Orga-
nização Mundial de Saúde:

“administração de fármacos apropriados ao paciente con-


forme suas necessidades clínicas, em doses que satisfaçam suas
características individuais, por um período de tempo adequado,
com o menor custo para ele e para a comunidade.” (WHO, 2012).

Observa-se na literatura que a maior parte dos medicamen-


tos prescritos e dispensados no país são utilizados de forma errada,
gerando diversos problemas aos usuários de medicamentos, confor-
me discutido nesta obra. Inúmeros fatores contribuem para este cená-
rio, incluindo: falta de informação, prescrições incorretas, polimedi-
cação, uso abusivo de antimicrobianos, perfil mercantilista das farmá-
cias privadas, ausência do profissional farmacêutico e a automedica-
ção.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 139


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

Após esta análise, pergunta-se: Como o profissional far-


macêutico pode mudar este cenário e promover o uso racional
de medicamentos?
A princípio, as etapas e atividades inerentes ao Ciclo da As-
sistência Farmacêutica facilitam a realização desta prática nos estabe-
lecimentos farmacêuticos, pois reduzem os custos e permitem maior
qualidade na dispensação. Os serviços farmacêuticos clínicos também
facilitam esta prática, pois reduzem a utilização de medicamentos
desnecessários e promovem segurança, eficácia e qualidade de vida ao
paciente.
Ainda segundo a OMS, o investimento dos serviços farma-
cêuticos na Atenção Básica passa necessariamente pela união entre os
profissionais de saúde, educação do consumidor e garantia do acesso
aos medicamentos essenciais. Esta somatória de fatores proporciona
qualidade dos serviços de saúde no primeiro nível de atendimento,
garantindo a prevenção preconizada no SUS e, por consequência,
menor grau de hospitalização, redução de custos e qualidade nos
serviços ofertados à população.
Observa-se que as ações para a promoção do uso racional
de medicamentos precisam ser realizadas em conjunto, considerando-
se as políticas públicas existentes, incluindo a PNM e a PNAF, discu-
tidas nos capítulos anteriores, bem como a articulação das esferas
federal, estadual e municipal. Ressalta-se que a promoção do uso
racional de medicamentos compõe as premissas e diretrizes estabele-
cidos na PNM e na PNAF, fortalecendo a realização desta prática
para toda a população.
Na rede privada, observamos a bonificação financeira para
prescritores e dispensadores quando se comercializa um medicamen-
to disponível no mercado, beneficiando uma determinada empresa
farmacêutica. Esta prática influencia tanto na prescrição, quanto na
dispensação dos medicamentos, pois o usuário poderá utilizar um
medicamento que não necessita, ou que apresente um custo mais
elevado, gerando o uso irracional.
Pode-se reduzir esta prática com a bonificação por serviços
clínicos, incluindo aferição de pressão arterial, glicemia capilar, se-
guimento farmacoterapêutico etc. Assim o foco não será a comercia-
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140 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


Farmacêutico, Professor.

lização do produto no estabelecimento farmacêutico, mas sim a qua-


lidade dos serviços prestados pelo profissional farmacêutico. Sabe-se
que de imediato poderá haver uma redução no volume financeiro no
estabelecimento, mas a longo prazo os benefícios serão maiores, soli-
dificando a imagem institucional da farmácia e do profissional far-
macêutico.
Outra estratégia para a promoção do uso racional de medi-
camentos refere-se à educação continuada de usuários e profissionais
de saúde. No Brasil, existem regras determinadas pela ANVISA para
a publicidade dos medicamentos, incluindo horários específicos, tarjas
e informações obrigatórias em bulas, rótulos e embalagens. Entretan-
to, o desafio maior quanto a propaganda indevida de medicamentos
está na internet, pois não há um controle eficaz pelos órgãos oficiais
para restrição da publicidade e venda direta ao usuário.
Para os profissionais de saúde, o processo deve iniciar na
graduação, intensificando as atividades do Ciclo da Assistência Far-
macêutica, desde a seleção até a dispensação, incluindo estágios nas
unidades básicas de saúde. Com as outras áreas da saúde, deve-se
reforçar a parceria entre a farmácia, medicina e a enfermagem, para
que se alcance melhores resultados para os pacientes, reduzindo a
utilização de medicamentos, os custos do tratamento e o período de
internação.
Diante do exposto, observamos que a promoção do uso ra-
cional dos medicamentos é fundamental para a profissão farmacêuti-
ca e para a população. Reforçam-se seus princípios todos os anos no
dia 05 de maio, a partir da “Campanha pelo Uso Racional de Medi-
camentos”, uma ferramenta valiosa para conscientização da popula-
ção e valorização da profissão farmacêutica.
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Gestão da Assistência Farmacêutica: 141


Conceitos e Práticas para o Uso Racional de Medicamentos

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144 Flávio Donalwan Sá Maximino – E-book, versão digital 2018


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