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Hacia un pluri-versalismo

transmoderno decolonial
Ramon Grosfoguel - Universidade da California. 2008
1. Apresentação
• Resumo: Em linhas gerais, o artigo realiza uma
investigação histórica do conceitos de Universal com o
objetivo de refletir sobre as possibilidades decoloniais de
pensar o Universal como Pluri-versal apoiado nas
experiências intelectuais de Aimé Cesáire, e Enrique
Dussel e na experiência dos Zapatistas

• Conceitos chave:
1. Apresentação
• 1º bloco: Análise histórica da formação e
desenvolvimento do conceito de Universal partindo de
Descartes, Kant, Hegel e Marx.

• 2º bloco: Reflexão sobre o i) Universal a partir da


produção decolonial de Aimé; ii) debate sobre o Universal
imbricada com o conceito de transmodernidade; iii) e
análise da experiênca política Zapatista a partir das
diferenças entre suas características pruri-versais e
transmodernas e a pós-modernidade
2. Bloco 1: Universal
Descartes:
• Universal como sinônimo do conhecimento eterno além
do tempo do Espaço.

• Substituição de Deus cristão e seus atributos para “eu”


ou “sujeito”.

• Dualismo responde à necessidade de desvinculação do


sujeito de seu corpo e território, fora, portanto do tempo
e espaço.
2. Bloco 1: Universal
Descartes:
• "Se trata, portanto, de uma filosofia na qual o sujeito
epistêmico não tem sexualidade, gênero, etnicidade,
raça, classe espiritualidade, língua nem localização
epistêmico em nenhuma relação de poder e produz a
verdade a partir de um monólogo interior consigo mesmo
sem relação com ninguém além de si.” (p.202)
2. Bloco 1: Universal
Dois sentidos de abstrato no universalismo
em Descartes:
• 1. Sentido dos Enunciados – conhecimento que se abstrai
das determinações espaço temporais na busca por
eternizar-se

• 2. Sentido epistêmico – ao esvaziar o sujeito de enunciação


é de seu corpo, conteúdo e localização propõe um sujeito
que, produzindo conhecimento, produz também o sentido
de verdade sob a ótica de um desenho global e universal
para todos. É justamente esse sentido que se enraizou no
pensamento ocidental permeando inclusive seus críticos
2. Bloco 1: Universal
Kant:
• Reformando e continuando a tradição cartesiana, Kant
coloca o problema de espaço e tempo à luz d ideia das
categorias a priori do conhecimento. O conhecimento
universal e verdadeiro está fundamentado na noção de
categorias inatas nas "mentes dos homens"
compartilhadas por esse sujeito transcendental.

• Kant é responsável por explicitar o eurocentrismo antes


apenas implícito em Descartes. A razão transcendental
Kantiana é explicitamente a do homem branco,
heterossexual e europeu. Exlcluindo os não europeus, os
subeuropeus e as mulheres europeias.
2. Bloco 1: Universal
Kant:
• Ao atualizar e reformar o dualismo corpo-mente e o
solipsismo cartesiano, Kant questiona o primeiro
universalismo abstrato cartesiano (dos enunciados) por
um lado mas matem e amplia o segundo tipo
(epistemológico) explicitando que sujeito de fato tem
acesso à produção deste conhecimento verdadeiro.

• O suposto cosmpomoplistismo de Kant é portanto um


desenho global / imperial / universal que serve de
"camuflagem" para o provincialismo europeu.
2. Bloco 1: Universal
Hegel:
• questionamento o solipsismo, situando o sujeito em um
contexto histórico-universal. Ou seja, propõe uma
substituição das categorias a priori de Kant pela
historicização das categorias filosóficas. e pela
superação do dualismo ao sustentar a ideia de sujeito e
objeto.

• e pela superação do dualismo ao sustentar a ideia de


sujeito e objeto. Ou seja, substitui o dualismo pelo
próprio processo de movimento dialético da produção de
conhecimento como como central captar o concreto
2. Bloco 1: Universal
Hegel:
• "O método dialético Hegeliano é uma maquinaria
epistêmico que vai transformar toda alteridade e
diferença em parte do mesmo até chegar ao saber
absoluto (…). (…) Hegel termina traindo sua inovação a
(…) quando em lugar de continuar com sua historicização
das categorias e enunciados, o saber absoluto seria um
novo tipo de universalismo cartesiano verdadeiro para
toda humanidade e para todo tempo e espaço.
2. Bloco 1: Universal
Hegel:
• Existe uma clara continuidade do racismo epistemológico
cartesiano e kantiano, na qual o Ocidente está atrelado a
uma ideia de desenvolvimento do Espirito Universal em
oposição às ideias de atraso e primitivismo para o Oriente
e outros territórios fora da Europa.
2. Bloco 1: Universal
Marx:
• As categorias de economia politica passam a determinar
uma papel central na vida social sendo capazes de
superar as determinações conceituais, ou seja, a
economia politica faz parte do movimento hegeliano, do
abstrato ao concreto, para além das categorias
filosóficas.

• A virada materialista de Marx consiste em que “o


movimento do pensamento vá, primeiro, do concreto ao
abstrato para produzir categorias simples e abstratas e,
depois, faca o retorno do abstrato ao concreto para
produzir categorias complexas” (p.206)
2. Bloco 1: Universal
Marx:
• “(…) Para Marx, o pensamento não surge da cabeça das
pessoas (…) mas surge de determinada situação
histórico-social concreta do desenvolvimento da
economia política. Assim, Marx situa epistemicamente a
produção do conhecimento, não como resultado do
desenvolvimento do Espitito de uma época mas do
desenvolvimento material das relações de produção. (…)
O ponto de vista do proletariado (…) será o ponto de vista
epistemológico para uma critica sobre o que caracteriza
como economia politica burguesa.”
2. Bloco 1: Universal
Marx:
• Há em Marx a reprodução do racismo epistêmico, de
forma similar a Hegel, em que os povos não europeus
são necessariamente compreendidos como atrasados e
primitivos, situados no passado da Europa. O legado
filosófico da história mundial permanece como
exclusividade do homem europeu.
2. Bloco 1: Universal
Resumo:
• “1. Qualquer cosmopolitismo ou proposta global que se
construa a partir do universalismo abstrato de (…) tipo
(…) epistemológico (…), não escapará de ser um desenho
global / imperial. (…) 2. O universalismo abstrato
epistêmico na tradição da filosofia ocidental moderna
forma parte intrínseca do racismo epistemológico.” (p.
208)
3. Problema/questão central
• “Então, se não existe pensamento fora de alguma
localização particular no mundo, a pergunta é: como sair
do dilema entre particularismos de províncias isolados
versus universalismo abstrato camuflados de
“cosmopolitas" mas igualmente particulares e provinciais?
Como descolonizar o universalismo ocidentaliza?"
4. Perspectivas Decoloniais
Aimé Césaire:
• “Não me encerro em um particularismo estreito. Mas
tampouco quero limitar a um universalismo severo. Há
duas maneiras de perder-se: por uma segregação
murada pelo particular ou por dissolução do 'universal’.
Minha concepção do universal é (…) coexistência de
todos os particulares”(Césaire, 2006:84)

• A descolonização para Cesaire passa pela confluência de


um universalismo concreto em que se depositam todos
os particulares e é resultado de um pluri-verso fruto de
horizontal e equânime.
4. Perspectivas Decoloniais
Questões a partir de Aimé Césaire:
• “Que seria hoje em dia um projeto de descolonização
universalista concreto cesariano?”

• "Quais as implicações politicas deus projeto?"

• "Como concretizar estas intuiciones filosóficas de desaire


en un proyecto de transformación radical de patrón de
poder colonial de este “sistema-mundo europeu / euro-
norteamericano capitalista / patriarcal moderno /
colonial?"
4. Perspectivas Decoloniais
Enrique Dussel:
• Dussel (1994), com o objeto de superar a visão eurocentrica
da modernidade, cunha o conceito de transmodernidade
baseada num projeto utópicos a partir da perspectiva
mestiça da America Latina.

• Transmodernidade, especie de concrertizacao politica do


universalismo concreto cesariano, é a alternativa à
modernidade eurocentrica imposta como projeto global e se
caracteriza pela “multiplicidade de propostas criticas
descolonizados contra a modernidadeeurocentrada e além
das ocalizacoes culturais e epistemicas diversas dos povos
colonizados do mundo”
4. Perspectivas Decoloniais
Enrique Dussel - sistema-mundo europeu /
euro-americano moderno / colonial capitalista /
patriarcal vs transmodernidade:
• “cristianiza-te ou te mato” - sec. XVI

• “Civiliza-te ou te mato” - sec. XVIII e XIX

• “desenvolve-te ou te mato” - Sec XX

• “democratiza-se ou te mato” - Sec. XXI

• A transmodernidade é alternativa para a necessária


reconceitualização da democracia de modo a libertá-la de
sua forma liberal ocidental.
4. Perspectivas Decoloniais
Enrique Dussel:
• "É a partir da geoplitica e corpo-politica do conhecimento
dessa exterioridade (Levinas, apud Dussel) ou
marginalidade relativa que emerge o pensamento critico
fronteiriço como uma critica da modernidade no sentido
de um mundo descolonizado trnasmoderno pluriversal de
múltiplos e diversos projetos ético-políticos nos quais
uma real comunicação e dialogo horizontal com
igualdade possa existir entre os povos do mundo para
alem das lógicas e praticas de domincao e exploração do
sistema-mundo.”
4. Perspectivas Decoloniais
Posmodernidade x pluri-versalidade / Laclau vs
Zapatistas:

• Nesta perspectiva, o pós-modernismo é uma critica


eurocêntrica ao eurocentrismo, ou seja, parte da reprodução
dos problemas da modernidade e sua lógica colonial.

• Em Laclau e Mouffe, o conceito de hegemonia é refem das


perspectivas universalistas abstratas eurocentradas nas
quais se estabelece uma imposição de um particular sobre
os demais baseada na negação de todos os particulares.

• "A alteridades epistêmico dos povos não europeus não é


reconhecida ? (213)
4. Perspectivas Decoloniais
Zapatistas:
• Se basear na noção tojolabales do “andar perguntando”.
Esta noção apresenta uma outra forma de atuação
politica distinta da tradição do pensamento universalista
abstrato e sua lógica da hegemonia do conhecimento.

• Conceito tojolabal de democracia é descrito como


“mandar obedecendo”. Ou seja, obedecer e mandar são
parte de um mesmo movimento.

• Marxismo tojolabaleño se usa da ideia de


“retaguardismo" que pergunta e escuta em em oposição
ao “vanguardismo" que opera na lógica da imposição.
4. Perspectivas Decoloniais
Zapatistas:
• "Ellos parten del «andar preguntado» en el que el
programa de lucha es un universal concreto construido
como resultado, nunca como punto de partida, de un
diálogo crítico transmoderno que incluye dentro de sí la
diversalidad epistémica y las demandas particulares de
todos los oprimidos de México. (…). La descolonización
de la noción de universalidad occidental eurocentrada es
una tarea central para hacer posible el lema Zapatista de
construir «un mundo donde quepan otros mundos” (p.
213)


4. Perspectivas Decoloniais
Vanguarda x retaguarda:
• "El «andar preguntando» lleva a lo que los Zapatistas llaman
«movimiento de retaguardia» frente al «andar predicando» del
leninismo que lleva al «partido de vanguardia. El partido de
vanguardia parte de un programa a priori enlatado que como es
caracterizado de «científico» se autodefine como «verdadero».

• "De esta premisa se deriva una política misionera de predicar para


convencer y reclutar a las masas a la verdad del programa del
partido de vanguardia. Muy distinta es la política pos- mesiánica
Zapatista que parte de «preguntar y escuchar» donde el
movimiento de «retaguardia» se convierte en un vehículo de un
diálogo crítico transmoderno, epistémicamente diverso, y por
consiguiente, decolonial. “