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TEORIAS SOCIOLÓGICAS E FRACASSO ESCOLAR

HELFAS SAMUEL-Licenciado em Ensino Básico com Habilitações em Supervisão e Inspecção


Escolar-Universidade Pedagógica-Gaza
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/FREELANCER DE CONTEUDO/

Conceitos básicos.

Teoria é um sistema de princípios expressos em função de certos conceitos em que princípios


são considerados verdadeiros quanto ao tema desse mesmo sistema (Mateus et all).
Teoria sociológica é um sistema imperativo dos factos sociais, GYDDANS, (2008: 640).
Fracasso escolar pode ser compreendido como algo vinculado a auto-estima no processo de
aprendizagem, algo que inviabiliza a capacidade de um ou mais indivíduos de aprender, de
acreditar e sentir-se digno de que pode apropriar-se do conhecimento, GURGEL, (2010).
Aspectos Psicossociais
A questão do fracasso escolar é um dos problemas que mais atingem a educação. Tal problema,
apesar dos esforços dos profissionais empenhados na mudança educacional, persiste através dos
tempos. A partir dessa temática, iniciou-se uma busca das razões que justificassem essa
problemática escolar. Desta forma, a importância desse estudo vem de encontro com uma
reflexão sobre os discursos do fracasso escolar e as questões implícitas em tais discursos.

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Apesar de não suficientemente aprofundadas, as explicações sobre as raízes do fracasso escolar
são reflexos de acontecimentos históricos anteriores.
No entanto, a partir de 30, constituiu-se um movimento de intelectuais que almejavam reformas
educacionais mais concretas. Estes intelectuais receberam espaço político diante das
transformações que ocorriam nessa época. No âmbito do surto liberal e da movimentação política
reformista que ocorria nos países; a questão do fracasso escolar foi muito estudado e os
pressupostos desta nova pedagogia encontraram terrenos propício a sua divulgação. (PATTO,
1990). As causas do fracasso escolar até então centradas em características bio-psico-sociais do
aluno vão direccionando-se para um novo enfoque, o da carência cultural escolar.
O que entende por carência cultural escolar?
Teorias racistas.
Ao final do século XVIII, após o triunfo burguês na revolução francesa, começam a ser
formuladas as teorias do determinismo racial. A questão do fundo da ideologia liberal da época
era a questão da igualdade. Contudo, a construção de uma sociedade igualitária, na realidade,
tratava-se mais de justificar as desigualdades existentes, inerentes ao modo de produção
capitalista, as então desigualdades sociais, que agrediam a concepção de igualdade de
oportunidades, traduzem-se em desigualdades raciais, pessoais e culturais.
Este panorama é relevante para a compreensão de como surgem, no Brasil, as considerações a
respeito das diferenças nos rendimentos escolares. Visto que, segundo Maria Helena Souza
Patto, estas se dão num momento em que o país vivia mergulhado num colonialismo cultural que
fazia de nossa cultura, segundo expressão usada por Cunha (1981), uma cultura reflexa,
sobretudo sob a influência da filosofia e da ciência francesas. (A produção do fracasso escolar,
p.30).
Isto mostra que as desigualdades existentes no campo laboral, vindos do capitalismo se
degeneraram a nível cultural-racial, onde a classe alta pensava que as outras (inferiores ou com
poucas posses não eram importantes muito menos a sua cultura), isto repercutiram ao nível do
sector educacional, em que a maioria, neste caso, as classes baixas eram marginalizadas.
Entre 1850 e a década de 1930, se deu o ápice de divulgação das ideias racistas. Do meio
científico emanavam se teses que buscavam atestar as diferenças das raças com base na herança
de carácteres adquiridos. Cientistas afirmavam baseados em explicações fisiológicas carregadas
de preconceitos a superioridade da raça branca, supondo a estes um maior nível de inteligência.
Portanto, considerava-se um equívoco querer colocar negros e brancos em condições de
igualdade de educação, tendo em vista o suposto intelecto superior destes últimos. Aqui,
encontramos o fundamento da nossa tese de marginalização da classe baixa e negra, esta não era
capaz de aprender muito menos de se desenvolver cientificamente devido ao seu suposto baixo
coeficiente de inteligência, alegado pelos brancos, sem fundamento científico nenhum,
simplesmente assentado em bases de racismo e preconceito. Esta mentalidade influenciou muito
negativamente aos negros que em algum momento chegaram a acreditar que não eram capazes
de ir longe com a escolaridade.
Partindo desta teoria, no nosso país tivemos situações de negação a educação, em que o colono
dizia que moçambicano só podia aprender, a ler, a escrever e a contar, limitando se assim, o
negro ao descobrimento do mundo cientifico. Prova disto eram as escolas para os filhos dos
brancos e para os indígenas. O racismo, que por vezes foi utilizado como justificativa para
conquista de outros povos pelas sociedades industriais capitalistas, teve o mesmo significado nas
lutas de classes. Nas mãos das minorias de elite, funcionavam como armas na tentativa de
justificar as diferenças entre classes, obviamente pela superioridade da raça ariana,
principalmente nos países cuja linha divisória das classes sociais coincidia com a linha divisória
das raças.
Durante muito tempo alguns cientistas mantiveram a postura de estar dando embaçamento
científico para ideias racistas já disseminadas no seio das sociedades. E, mesmo aqueles que não
possuíam este objectivo acabaram-no fazendo, evidentemente de maneira indirecta, a exemplo da
teoria evolucionista de Darwin. Que acabou sendo alvo de uma leitura racista que deu origem ao
darwinismo social. Que supunha, inspirado na teoria darwinista da selecção natural, a existência
também de uma selecção dos mais aptos à nível do universo social.
As ciências que se oficializam a partir desta época, tais como a Sociologia a Antropologia e a
Psicologia, em sua maneira de conceber a vida social, emergiam das camadas dominantes, a
quais, era vantajoso a manutenção das sociedades de classes, e acabaram actuando como
legitimadoras das desigualdades sociais. O que pode ser evidenciado pela influência do
etnocentrismo europeu nas ciências que surgem no final do século XIX e primeiras décadas do
século XX.
 Em que consiste a teoria racista?
 Que impacto teve esta teoria no âmbito educacional?
Contribuições da Psicologia Diferencial na provação da inteligência hereditária.
Apesar de o marco do surgimento da psicologia científica ter sido a fundação do laboratório
experimental de Wundt, é o nome de Sir Francis Galton que aparece nos manuais de psicologia
diferencial. Seu objectivo principal era medir a capacidade intelectual e comprovar sua
determinação hereditária, o que serviu muito bem aos propósitos desta ciência que se propunha
investigar quantitativa e objectivamente as diferenças existentes entre indivíduos e grupos.
Adepto da teoria de Darwin, Galton transpôs os princípios evolucionistas da variação, selecção e
adaptação para o estudo das capacidades humanas. Propunha-se a demonstrar que as aptidões
naturais humanas são herdadas, da mesma forma que os aspectos físico-orgânicos. Com o intuito
de estimar o nível intelectual dos indivíduos, se propôs a mensurar os processos sensoriais e
motores, e acabou se tornando o precursor dos testes psicológicos.
Uma das crenças que permeavam o século XIX era a de que a classe média estaria livremente
aberta a todos. Portanto, aqueles que não conseguiam alcançar uma ascensão social eram tidos
como incapazes, reflexo de sua falta de inteligência, de força moral ou de energia, justificadas
por uma herança racial. Pois, no âmbito da ideologia de uma suposta igualdade de oportunidades
(característica das sociedades de classes), fazia-se necessária uma comprovação científica. Para
tal, era de crucial importância a preocupação com a identificação das diferenças, tais como:
 As individuais;
 As normais e anormais:
 Os aptos e inaptos.
Galton foi também o fundador da Eugenia, ciência que se propunha gerenciar a evolução da
espécie humana, aperfeiçoando-a através do cruzamento de indivíduos supostamente ideais,
seleccionados para este fim. Contudo, Galton manteve-se cauteloso quanto a prescrição de
medidas eugênicas, pois reconhecia o estado ainda precário dos conhecimentos relativos à
hereditariedade.
Como opinião do grupo, com este trecho concluímos que a classe capitalista contribui muito para
a perpetuação do fracasso escolar, visto que a tese de que os negros tinham baixa inteligência foi
descartada com os estudos de Galton, o que queria dizer que os negros estimulados podiam ser
capazes de aprender ao mesmo nível que os brancos e que podiam sobressair na vida. E esta
motivação devia ter levado muitos indivíduos a estudar e a esforçarem ainda mais o que iria dar
como saldo um número elevado de pessoas com formação.
 Quais as principais contribuições da Psicologia diferencial para a educação.
 Será que é verdade que os negros tinham baixa inteligência?
Teoria da Carência Cultural
A teoria da carência cultural surgiu e desenvolveu-se nos Estados Unidos, durante a década de
sessenta. Em seguida, expandiu-se para os países da Europa e da América Latina, sendo Brasil
um dos países que teve uma forte repercussão desta teoria conforme fala Maria Helena Patto.
Quanto ao fracasso escolar, constatou-se que estava directamente ligado a privação cultural do
qual sofria o educando, tendo sido propagado com maior intensidade no Brasil na década de
sessenta.
Os estudos e pesquisas voltam-se, então, para a explicação de que os factores sócio-culturais
seriam fortes influências nas características físicas, perceptivo-motoras, cognitivas e emocionais
de cada indivíduo, segundo (Patto 1990).
Essa teoria também procura encontrar soluções para remediar os males educacionais. O enfoque
de tais programas era centrado na recuperação do ambiente não favorecido á criança na primeira
infância. Daí o ensino infantil ser o alvo principal da educação compensatória. No entanto, as
taxas de repelência e evasão continuavam efectivas dentro do quadro do ensino brasileiro,
chegando a 56% na passagem da 1ª para a 2ª série em 1977, segundo os dados do Ministério
Educação e Cultura.
A partir dessa realidade, nota-se que os programas de educação compensatória não estavam por
dar conta do fracasso escolar, mas agravavam mais a situação. Portanto, a teoria da Carência
Cultural, apesar de ter enfatizado as causas do fracasso escolar provindas do educando, acabou
por negar-se a si mesma. Uma vez que suas experiências depararam-se com resultados
insuficientes. Ao nosso ponto de vista esta teoria errou o alvo, ao evocar as questões culturais das
crianças como as causas do fracasso escolar, porque biologicamente os indivíduos tem as
mesmas características e pressupostos (tanto brancos e negros).
 Qual o foco desta teoria?
Teorias Crítico-Reprodutivistas.
As teorias críticas reprodutivistas inseriram-se no meio educacional brasileiro através das ideias
de vários autores, tais como Althusser (1974), Bernstein (1977), Bourdieu e Passeron (1975) e
outros. As ideias propaladas por esses autores possuem como preocupação central a problemática
das escolas serem nada mais, do que o meio onde se reproduzem as relações de poder vigentes na
sociedade. Assim, a escola, apresenta-se como reflexo da sociedade capitalista. Um espaço
cultural, onde os alunos são seleccionados e treinados para um desempenho adequado no
trabalho. Desta forma, as causas do fracasso escolar, que antes eram procuradas fora do sistema
escolar, agora se voltam para um enfoque onde os factores intra-escolares prevalecem como
causadores desse mesmo insucesso.
No entanto, apesar de sua importância, a teoria crítico reprodutivista, não contemplava, em sua
totalidade, alguns aspectos fundamentais. Desta forma, o discurso de que dificilmente as crianças
pobres poderiam apropriar-se dos conhecimentos, ainda permanecia implícito nas pesquisas. A
abordagem de Patto (1990), visa demonstrar que o ser humano não está totalmente a mercê de
um destino pré determinado, como colocaram as teorias reprodutivistas. O autor demonstra sua
tendência a crença de que, no espaço escolar, ainda é possível acontecer revoluções, dizendo :
Mas onde quer que existam relações de poder, existe a possibilidade de questioná-las e trabalhá-
las.
Portanto, o que se encontra nas pesquisas mais recentes sobre o fracasso escolar visto pela
óptica da psicologia, é o encontro necessário desse campo de pesquisa com a sociologia. Assim
sendo, a esperança de que existam instrumentos dentro do âmbito escolar que possibilitarão a
superação do fracasso, torna viável uma nova teoria, que certamente, trilhará caminhos ainda
desconhecidos. Tomemos como ponto de partida a época Medieval. Quando, de início, a
educação era reservada apenas para um pequeno número de clérigos. Com o tempo, passa a ser
ministrada para o povo, em locais públicos, como nas igrejas ou em suas portas, nas ruas ou nas
praças. Não existia uma preocupação com o ambiente escolar e as turmas eram mistas, pois
julgava-se que o que era realmente relevante seria a matéria dada e não as características dos
alunos. Até mesmo porque, não existia a distinção do que seria um adulto, o indivíduo passava
directamente da infância para a fase adulta sem que houvesse uma etapa de transição. Portanto,
podia-se encontrar, em uma mesma turma, crianças de 6 anos muito mais avançadas no processo
de aprendizagem, e, jovens de 20 anos, ou mais, ainda aprendendo o Donat (gramática
rudimentar) características de uma sociedade com grande liberdade de costumes.
Na sociedade antiga, a criança ao ingressar na escola ingressa, também, no mundo dos adultos
pensamento que irá resistir até o final da Idade Média. Ao contrário da modernidade, quando
haverá na educação uma grande preocupação de separar as crianças, no período de formação
moral (ou intelectual), da sociedade dos adultos. Contudo, ainda na época medieval, é importante
ressaltarmos a existência dos contratos de aprendizagem, que estipulavam, pelos pais, o grau de
aprendizagem que seria oferecido a seus filhos. Estes seriam confiados aos clérigos, que lhes
dariam abrigo, única forma de internato conhecida na época. Os outros estudantes viviam como
podiam, muitos em espécies de pensões, misturados meninos e velhos, todos em um mesmo
quarto.
Fracasso escolar.
O fracasso escolar pode ser compreendido, num primeiro momento, como algo vinculado a auto-
estima no processo de aprendizagem, algo que inviabiliza a capacidade de um ou mais
indivíduos de aprender, de acreditar e sentir-se digno de que pode apropriar-se do conhecimento.
Ao falar de fracasso escolar, é importante observar quando as dificuldades de aprendizagem vêm
encobrir a fragilidade da escola, centrando no aluno todo insucesso de sua não aprendizagem. A
falta de conhecimento didáctico do corpo docente está na raiz do fracasso escolar.
As principais causas do fracasso escolar são oriundas, em sua maior parte, dos sistemas de
ensino que não conseguem atender às diversidades de necessidades presentes nas escolas,
deixando de identificar onde se localizam as inadaptações à aprendizagem, e levar o aluno a
descobrir sua própria modalidade de aprendizagem, considerando como ponto crucial seu modo
particular de se relacionar com o conhecimento, ou seja, a aprendizagem escolar. O fracasso
escolar também pode ocorrer dependendo do contexto familiar, cultural, social e político que o
indivíduo possa estar inserido.
Se um aluno mora numa família tumultuada, está claro que a sua progressão escolar vai ser
deficitária. Uma criança inserida num meio que não favorece para aprendizagem, é obvio que
tem mais chances de fracassar. O ambiente político tenso como pode ser o caso do país em
guerra pode contribuir para o fracasso escolar, bem como os próprios pressupostos biológicos
que devem estar lá para que o indivíduo tenha sucesso, juntando a isto tudo o seu próprio esforço
e das pessoas ao seu redor. Em suma, são vários factores que contribuem para o insucesso
escolar, e que para a inversão da situação devem ser observados com toda a atenção necessária
para que o ambiente educacional seja favorável para o sucesso dos educandos.
 Quais as principais causas do fracasso escolar aqui patentes?
Referência bibliográfica.

 GURGEL, Thaís. A origem do sucesso (e do fracasso) escolar. Disponível em


http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-inicial/origem-sucesso-fracasso-
escolar-419845.shtml, 2010.
 PATTO, M.H.S. A produção do fracasso escolar : histórias de submissão e rebeldia. São
Paulo: T.A Queiroz, 1990.
 .INTERNET"http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fracasso_escolar&oldid=275737
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 LAKATOS. E, Maria, MARCONI. M, de Andrade, Sociologia Geral, Editora AT, 7ª ed,
SP, 2006.

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