Você está na página 1de 9

EXMO. SR.

JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE,


MG.

Autos nº. 9035128.86.2018.813.0024

DOUGLAS CARVALHO MACEDO, brasileiro, solteiro, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob
o número 115.642.728-54, residente e domiciliado na Rua Domingos Moutinho Teixeira, 73,
Apartamento 201, Palmares, Belo Horizonte/MG, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa.,
por intermédio de seu procurador abaixo assinado, apresentar

CONTESTAÇÃO

à Ação de Cobrança que lhe move NELMA ANDRADE FIGUEIREDO, pelas razões de fato e de
direito a seguir expostas.
1. DA SÍNTESE DA LIDE E DO CONTRATO CELEBRADO ENTRE AS PARTES
Atendo-se aos presentes autos, verifica-se que as partes celebraram entre si
“Contrato de Compra e Venda de Estabelecimento Comercial”, em 08 de fevereiro de 2018,
oportunidade na qual a parte autor, juntamente com a Sra. Rejane de Andrade Silva venderam
para o ora Demandado bens destinados ao funcionamento do “Boteco Jarabeer”, conforme se
verifica mediante análise da documentação anexa.

Nesta oportunidade, tem-se que as partes avençaram a venda do


Estabelecimento Comercial, o qual se encontrava composto por diversos bens, tais como
aparelhos Micro-ondas, câmara frigorífica de alto valor, refrigerador, entre outros,
oportunidade na qual as alienantes se comprometeram a transferir a propriedade de tais bens
em perfeito funcionamento, senão veja-se:

Cláusula 8ª. [...] Parágrafo primeiro. Caso seja constatada e


comprovada a improcedência do inventário, poderá ocorrer a
rescisão do presente instrumento, obrigando-se o VENDADOR ao
pagamento da multa estipulada na Cláusula 9ª deste contrato.

Com efeito, o ora Demandado se comprometeu a pagar a quantia de R$


50.000,00 (cinquenta mil reais), sendo R$ 33.500,00 (trinta e três mil e quinhentos reais),
referentes à motocicleta “Honda CB 1000R”, bem como o valor remanescente em parcelas
mensais de R$ 1.5000,00 (mil e quinhentos reais).

Nesta esteira, restou avençado que a locação do respetivo imóvel deveria


objeto de acordo entre o ora contestante o proprietário de aludido local, o que acabou por ser
intermediado pela Evilásio Imóveis Ltda (Doc. 08).

Entretanto, não obstante à boa-fé observada pelo ora Demandado no curso da


execução do contrato em questão, inclusive, com a entrega da motocicleta acima noticiada,
denota-se que as Alienantes do Estabelecimento Comercial em questão incorreram em
intermináveis condutas em desacordo com as disposições contratuais constantes no
instrumento anexado pela autora, razão pela qual o ora Demandante fez cessar os
pagamentos das parcelas anteriormente mencionadas.

Em razão disso, tem-se que o ora Contestante houve por bem requerer a
denúncia do contrato em questão, com a consequente retirada dos bens alienados,
oportunidade na qual houve por bem promover a notificação das Alienantes do
Estabelecimento Comercial objeto da lide (doc.02).

Em razão do acima noticiado, não há que se falar no direito de cobrança da


parte autora, ao passo que, inclusive, o desacordo comercial ora mencionado poderá ensejar a
rescisão do contrato de compra e venda anteriormente mencionado, consoante restará
sobejamente demonstrado a seguir.

2. DO MÉRITO

2.1. DAS INVERDADES FIRMADAS PELA PARTE CONTRÁRIA


Conforme se verifica mediante leitura da petição inicial, denota-se que a parte
adversa alega ter alienado uma relação de bebidas que seriam de sua propriedade.

Entretanto, muito embora a parte adversa não tenha comprovado, em


momento algum, que teria deixado tais bebidas, tampouco a sua quantificação, no
estabalecimento em questão, tem-se que este acabou por retirar diversas garrafas de bebidas
da Loja do Réu, inclusive, sem sua permissão, conforme documentação anexa (Doc. 10).

Ademais, há que mencionar que a parte adversa alega que os acessórios da


motocicleta em questão não haveriam sido entregues, bem como que esta teria tido seu valor
depreciado, diante de supostas marcas de quedas, à respeito das quais a parte adversa não
traz qualquer tipo de comprovação.

No entanto, cumpre salientar que, em momento algum, houve avença acerca


dos acessórios da motocicleta em questão, os quais sequer foram espeficado pela parte
adversa. Igualmente, convém verificar que o instrumento contratual originário em momento
algum trouxe qualquer tipo de previsão acerca de tais “acessórios”.

Destarte, não há que se falar em quaisquer valores devidos em razão das


alegações da parte adversa, a qual, repita-se, em momento algum produziu qualquer tipo de
prova com relação às alegações contidas na inicial, optando, ainda, por firmar flagrantes
inverdades.

2.2. DO DESCUMPRIMENTO DAS DISPOSIÇÕES CONSTANTES NO CONTRATO


CELEBRADO ENTRE AS PARTES – DA EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO
Consoante restou introduzido alhures, tem-se que a parte adversa alega que o
ora Demandado deixou de adimplir integralmente os valores pertinentes ao contrato de
Compra e Venda celebrado, oportunidade na qual promoveu a cobrança dos valores residuais
supostamente devidos, em face da cessação dos pagamentos por parte do Contestante.

Entretanto, não obstante ao que restou noticiado na respectiva petição inicial,


cumpre salientar que a interrupção dos pagamentos em questão decorreu da própria conduta
das Alienantes, uma vez que foram detectados inúmeros descumprimentos contratuais, a
saber:
a) Entrega do imóvel em péssimo estado de conservação, apesar de existir
disposição contratual em sentido diverso, inclusive, com existência de
infestação de insetos;
b) Composição de inventário de bens que se mostraram defeituosos, em um
período curto de utilização;
c) Entrega de estabelecimento com diversos alugueis e contas e energia
elétrica vencidos, obrigando o Requerido a arcar com tais valores, para fins
de desocupação do imóvel alugado perante a Evilásio Imóveis Ltda.;
d) Composição de inventário de bens que sequer pertenciam às alienantes,
denotando inequívoca má-fé das alienantes.

Com efeito, é cediço que o Código Civil Brasileiro estabelece o instituto da


Exceção de Contrato Não Cumprido, como modo de resguardar o contratante que se não
tenha percebido as contraprestações que lhe seriam devidas em razão de determinado vínculo
contratual. Veja-se: “Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de
cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro”.

Nesta esteira, tem-se que o Contestante houve por bem interromper o


pagamento das obrigações pecuniárias devidas, em razão do contrato objeto da lide, tendo em
vista a interminável lista de eventos que caracterizaram o descumprimento da avença, os
quais, inclusive, ensejaram a inviabilidade da continuidade das atividades comerciais que
passaram a ali serem desenvolvidas, conforme restará demonstrado a seguir.

a) Do péssimo estado de conservação do imóvel no momento da entrega


das chaves – Existência de infestação de insetos
Conforme restou introduzido, tem-se que as Alienantes do Estabelecimento
Comercial haviam se obrigado contratualmente a entregar as chaves do imóvel aonde
ocorriam as atividades do “Boteco Jarabeer”, o qual deveria se encontrar em perfeito estado
de início das mesmas

Entretanto, em que pesem as disposições contratuais acima transcritas,


denota-se que o local em questão se mostrava totalmente incompatível com as exigências
sanitárias mínimas para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao setor alimentício,
notadamente porquanto ali se instalou uma infestação de insetos, conforme se encontra
atestado pelas imagens que serão oportunamente juntadas aos autos.

Analisando as imagens em questão, torna-se razoável concluir que tal


infestação se deu em razão do armazenamento de utensílios de cozinha de forma totalmente
inadequada, ocasionando a acumulação de sujeira em todo o referido local.
Ademais, tem-se que o Contestante se curou, inclusive, em captar filmagens
do péssimo estado de conservação do local em questão, as quais serão oportunamente
juntadas aos autos, em face da sua respectiva incompatibilidade com o sistema PROJUDI.

Desta forma, resta evidente que a desídia das Alienantes contribuiu


sobremaneira para o atraso do início das atividades a serem ali desenvolvidas, até mesmo
porque o local teve de ser objeto de dedetização por parte do Contestante, consoante restará
demonstrado em fase instrutória a ser designada por este D. Juízo.

b) Composição de inventário de bens que se mostraram defeituosos, em um


período curto de utilização.
Não obstante ao acima epigrafado, cumpre salientar que alguns dos bens
objeto do inventário acostado ao Contrato de Compra e Venda objeto da lide se mostraram
defeituosos, ocasionando uma dificuldade de desenvolvimento das atividades do bar que
passou a ser administrado pelo Contestante.

Com efeito, é possível constatar os vícios em questão por intermédio dos


laudos fornecidos pela assistência técnica para a qual os aparelhos foram encaminhados
poucos dias após a celebração do contrato em discussão, restando evidente que tratar-se de
defeito pré-existente ao mesmo. Igualmente, se faz salutar a transcrição do trecho do laudo
em questão (sic) (doc. 03):

Freezer cervejeiro sem funcionamento. Necessário a Troca do micro


motor queimado e reprogramação do equipamento. Equipamento na
está funcionando devida a este motivo.

Freezer cervejeiro necessidade de revisão, reprogramação e correção


de avaria elétrica. Parte elétrica em curto.

Geladeira duplex Electrolux DC4. Realizado análise no equipamento


foi constatado vazamento interno, gabinete comprometido.
Equipamento não tem conserto.

Desta forma, resta evidente que a entrega de tais bens caracteriza patente
desacordo comercial por parte da Demandante, razão pela qual não há que se falar em
qualquer tipo de cobrança nos presente autos.

c) Entrega de estabelecimento com diversos alugueis e contas de água e luz


vencidos
Analisando o contrato celebrado entre as partes, tem-se que as Alienantes se
obrigaram a entregar o Estabelecimento livre e desembaraçado de quaisquer tipos de ônus ou
débitos, senão veja-se:
Cláusula 3ª. Obriga-se o VENDEDOR a liquidar todas as dívidas, sejam
essas fiscais, trabalhistas, ou débitos perante terceiros, entregando
assim ao COMPRADOR, o estabelecimento objeto do presente
contrato livre e desembaraçado se quaisquer ônus.

A despeito do acima transcrito, denota-se que o ora Contestante foi


surpreendido com diversas cobranças de alugueis atrasados, os quais dificultaram, inclusive, a
entrega do imóvel aonde se encontrava localizado o Estabelecimento Comercial sub examine.
Com efeito, após negociação perante a Evilásio Imóveis Ltda, tem-se que o ora Contestante
conseguiu alcançar rescisão amigável do referido contrato de locação (Doc. 04), oportunidade
na qual foi fornecida a declaração de débito dos alugueis devidos pelas Alienantes(Doc. 05).

Não bastasse o acima salientado, denota-se que as Alienantes deixaram de


efetuar o pagamento de faturas referentes à contas de energia elétrica referente ao período
compreendido entre 11 de janeiro de 2018 e 09 de fevereiro de 2018, momento no qual o
Estabelecimento Comercial ainda se encontrava em poder das referidas Vendedoras (Doc. 06).

Com efeito, resta evidente nova violação ao que restou indicado no contrato
celebrado entre as partes.

d) Composição de inventário de bens que sequer pertenciam às


alienantes
Não bastasse todo o acima externado, denota-se que as Alienantes optaram
por incluir no Inventário constantes no instrumento de compra e venda bens que não faziam
sequer parte do acervo patrimonial das mesmas, oportunidade na qual restou evidente o
intuito de ludibriar o ora Contestante.

Nesta esteira, é cediço que as partes devem guardar entre si boa-fé contratual
nas avenças que venham a ser celebradas, conforme restou salientado alhures: “Art. 422. Os
contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé”.

Com efeito, após encaminhar as notificações anexas (doc. Xxx), tem-se que ora
Contestante foi surpreendido com a informação de que a Câmara Frigorífica listada no
Inventário em questão pertence ao proprietário do imóvel em questão, domínio este que pode
ser comprovado mediante leitura da documentação parcialmente disponibilizada pela Elvilásio
Imóveis Ltda, por questões de sigilo comercial. Nesta oportunidade, fica claro que o
equipamento de alto valor em questão foi listado como pré-existente, ainda no momento
em que as Alienantes optaram por funda o “Boteco Jarabeer”, ou seja, em 10 de novembro
de 2016.
Destarte, fica evidente que as Alienantes optaram por listar bens que não
lhes pertencia, uma vez que estas declararam em Contrato de Locação de Imóvel que
estavam recebendo unicamente a posse de tais bens, quando da ratificação de Laudo de
Vistoria acostado à referida avença (Doc. 07).

Por fim, não pairam dúvidas acerca da patente má-fé das Alienantes, quando
da venda de bens que sequer lhe pertenciam.

3. DO PEDIDO CONTRAPOSTO
Tendo em vista todo o cenário acima descrito, resta evidente a impossibilidade
de reconhecimento da procedência do pedido inicial, haja vista que deverão vigorar os ditames
da exceção de contrato não cumprido na hipótese sub judice.

Entretanto, há que se salientar que a reiterada conduta da ora requerente em


violar as disposições contratuais configura causa passível de ensejar o pedido de rescisão da
aludida avença.
Ademais, resta evidente, ainda, que o ora Contestante acabou por terque
dispender importâncias a fim de colocar em funcionamento o seu negócio, sendo certo que
caberá à parte adversa ressarcir tais quantias, além dos valores pagos pela própria aquisição
do Estabelecimento Comercial quando do confessado recebimento da uma motocicleta no a
título de pagamento parcial. Veja-se a discriminação dos aludidos valores:

Item Valor
Motocicleta R$ 33.500,00
Notificações R$ 181,54
Assistência técnica R$ 435,00
Carreto de aparelhos R$ 2.500,00
Total R$ 36.616,00

Destarte, ante a todo o conjunto de fatores fartamente evidenciados ao longo


da presente peça de resistência, se faz imprescindível a declaração da rescisão do Contrato
celebrado entre as partes, bem como a condenação da parte adversa a pagar a quantia acima
epigrafada.

4. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS


Ex positis, o Réu requer seja o pedido autoral julgado improcedente pelas
razões de mérito aventadas, condenando-se a parte adversa nas custas e honorários
sucumbenciais.
Ademais, requer seja julgado procedente o pedido contraposto apresentado
pelo ora contestante, a fim de que seja declarada a rescisão do contrato deconpra e venda
objeto da lide, bem como seja a Autora este seja condenada a pagar a quantia de R$ 36.616,00
(trinta e seis mil seiscentos e dezesseis reais).

Requer seja expedido ofício ao proprietário do imóvel proprietário, para para


que haja confirmação acerca dos alugueis atrasados, havidos em razão de seu contrato com a
Autora. Requer, ainda, expedição de ofício para o mesmo, bem como para a imobiliária
Evilásio, para que seja exibida a integralidade do documento anexo (doc.07).

Ademais, requer seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuira,


tendo em vista que sua conjuntura financeira atual o impede de arcar com as custas do
presente processo.

Finalmente, requer que todas as publicações sejam feitas em nome de LUCAS


DIAS COSTA DRUMMOND, sob pena de nulidade.

Pede deferimento.
Belo Horizonte, 16 de julho de 2018.

LUCAS DIAS COSTA DRUMMOND


OAB/MG: 135.492

DOCUMENTOS QUE INSTRUEM ESTA CONTESTAÇÃO

DOC.01 – PROCURAÇÃO
DOC. 02 – NOTIFICAÇÕES
DOC.03 - LAUDOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA
DOC.04 – TERMO DE RESCISÃOAMIGÁVEL DO CONTRATODE LOCAÇÃO
DOC. 05 - DECLARAÇÃO DE DÉBITO DOS ALUGUEIS DEVIDOS PELAS ALIENANTES
DOC. 06 - FATURA EM ATRASO
DOC. 07 – TRECHO DO CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL CELEBRADO PELAS ALIENANTES
DOC. 08 - CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL CELEBRADO PELO CONTESTANTE
DOC. 09 – RECIBOS DE ASSISTÊNCIAS TÉCNICAS, TRANSPORTADORAS E CARTÓRIOS DE NOTAS
DOC. 10 – COMPROVANTE DE RETIRADADE BEBIDAS PELO SR. VANE FIGUEIREDO (CÔNJUGE
DA AUTORA)

Você também pode gostar