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Estilo de Vida Financeira no Reino de Deus

Mike Bickle
Mike Bickle é diretor da International House of Prayer – IHOP (Casa de Oração
Internacional), em Kansas City, EUA, uma missão que enfatiza oração com adoração
24/7 (vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana) vinculada a iniciativas
evangelísticas e ações de justiça social.
A seguir, alguns trechos extraídos de uma palestra dada em 2009 sobre um dos sete
compromissos que um forerunner (precursor da Segunda Vinda de Cristo) deve
assumir. (Os outros seis são: orar diariamente, jejuar semanalmente, participar de
ações de justiça social, viver em santidade, ministrar a outros com diligência e
testemunhar com ousadia.)
A série completa de palestras e as transcrições das mesmas (em inglês) pode ser
encontrada no site: www.mikebickle.org.
No início da minha jornada espiritual, como resultado de ler a biografia de Hudson
Taylor, fiz um compromisso com Deus. Resolvi adotar um estilo de vida simples para o
resto da minha vida. “Vou gastar menos para que eu possa doar mais.”
Depois que me casei com Diane, fizemos o mesmo compromisso juntos. “Vamos
começar dando um dízimo dobrado”, propus a ela. “Depois, podemos aumentar
progressivamente, de 20% para 30% e assim por diante, sempre aumentando e nunca
retrocedendo. Jamais diminuiremos a nossa porcentagem. Se tivermos um aperto,
vamos abaixar nosso nível de vida, procurar uma casa menor, mas nunca abaixaremos
o nível de doação para o Reino.”
Não é uma questão de pobreza. Ao longo dos anos, muitas pessoas já me
perguntaram: “Como se sente depois de ter feito um voto de pobreza?”
“Nada disso”, eu respondo. “Não escolhi uma vida de pobreza. Pobreza é uma
maldição. Assumi um compromisso de generosidade, não de pobreza. Escolhi uma vida
de doação. Pego menos para mim mesmo a fim de poder doar mais.”
A maioria das pessoas, à medida que sua renda aumenta, diminui a porcentagem de
suasofertas. A tendência de pegar mais para si mesmo e doar menos para Deus é
muito forte. É algo sutil, porque você pode até ofertar valores maiores, mas a
porcentagem talvez diminua. Sempre queremos melhorar nossa própria vida: mais
conforto, mais espaço, mais prazer.
“Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”  (1 Tm 6.8). Esse texto
tornou-se o lema da nossa vida financeira como casal.
Mudança radical do cristianismo
Alguns anos atrás, quando estive no Cairo, no Egito, recebi uma palavra muito forte do
Senhor. Ele me disse que a compreensão e a expressão do cristianismo no mundo
inteiro seriam radicalmente transformadas dentro de uma geração.
“Vou lhe dar as riquezas nas nações”, ele me disse, “mas você não poderá tomá-las
para si mesmo ou para sua vida pessoal.”
Além disso, ele me deu o texto de 2 Coríntios 8.13,14: “No tempo presente, a
necessidade de outros está sendo suprida pelo que excedeu de vós, para que também
aquilo que deles exceder venha a suprir a vossa necessidade, e assim haja
igualdade” (A21 – Almeida Século 21).
Os discípulos de Jesus nos países desenvolvidos e naqueles que possuem fartura não
deveriam gastar tudo o que têm com eles mesmos. Se não tomássemos esse dinheiro
para nós, se lembrássemos de nossos irmãos que estão pregando o Evangelho e
discipulando as nações, as necessidades deles e de seus filhos seriam amplamente
supridas. Se vivêssemos em simplicidade e dividíssemos o restante para que houvesse
mais igualdade, poderíamos suprir a falta daqueles que estão batalhando nas linhas de
frente do Reino de Deus.
Em Ageu 2.7,8, Deus prometeu abalar todas as nações, juntamente com o ouro e a
prata que elas possuem. Todo o ouro pertence a Deus, mas existe, em cada nação, um
pequeno grupo de indivíduos egoístas que pensa que é deles. Quando o Senhor abalar
as nações, o ouro e a prata serão transferidos para pessoas que executem a vontade
dele na Terra. Elas edificarão a casa de Deus, não as casas particulares. Ficarão
contentes com um estilo de vida simples e com o sustento necessário para se
alimentarem e se vestirem. Não estou falando sobre um espírito de pobreza, nem de
mendigo, mas de fé para receber prosperidade sobrenatural, abraçando um espírito de
generosidade e uma visão para levar o Evangelho às nações.
“Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o
rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua
salvação”, orou o salmista (Sl 67.1,2).
Não é: “Senhor, abençoa-me para que meu nível de conforto seja maior”, mas:
“Abençoa-nos para que teu nome seja conhecido em toda a Terra”. Não queremos
mais possessões; queremos mais obreiros na intercessão, na adoração, pregando e
ensinando a Palavra e fazendo obras de justiça social. Queremos mais pessoas
trabalhando na colheita.
Disponha seu coração diante do Senhor. Deus está trazendo uma mudança de
paradigma: quando aparece a possibilidade de ganhar mais dinheiro ou quando recebe
um aumento de salário, você não vê viagens de férias, um novo aparelho eletrônico ou
um carro novo; você visualiza vidas transformadas, intercessores liberados em tempo
integral, o Reino expandindo e obras de justiça sendo praticadas.
  Pão ou semente?
“Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e
aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-
vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam
tributadas graças a Deus”  (2 Co 9.10,11).
Paulo mencionou aqui duas categorias de dinheiro: semente para o semeador
e pão para alimento. Toda a renda que temos, seja proveniente de salários, seja de
rendimentos de negócios ou ofertas, ou é semente ou é pão. É uma coisa ou outra. O
pão representa sua necessidade pessoal, aquilo que você e sua família usam para
viver. A semente é o que você doa, semeando para ser multiplicado. Aquilo que você
come ou consome em necessidades pessoais não será multiplicado. Cada vez que você
recebe um valor ou um aumento de salário, você deve perguntar a Deus: quanto deve
ser usado como semente, e quanto como pão?
Muitas pessoas usam toda a sua receita em pão. Por isso, nunca veem multiplicação. O
que é guardado no bolso, no banco ou em alguma forma de investimento pessoal não
será multiplicado no Reino. A semente precisa ser semeada, não guardada.
Não é errado guardar ou investir dinheiro. Você precisa conversar com Deus e ver
quanto deve ser considerado pão para consumo pessoal e quanto deve ser semeado
no Reino. É uma história pessoal, entre você e Deus.
Semear no Reino leva você para uma jornada emocionante, cheia de alegrias e,
também, de suspense. Haverá momentos de aperto e de ansiedade, mas no final Deus
sempre aparecerá na hora certa!
“E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com
fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto
no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com
alegria” (2 Co 9.6,7).
Você pode perguntar a Deus quanto deve ser semeado, mas uma parte dessa resposta
depende de você mesmo. Nós temos liberdade para usar nossa renda como pão ou
como semente. Que tipo de colheita queremos? Se semearmos muito, colheremos
muito. Se usarmos a semente para nosso alimento ou se a guardarmos para nos
sentirmos mais seguros, a colheita será pequena.
“Daí, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente
vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”  (Lc
6.38).
Dar com extravagância não tem a ver com a quantidade; é a porcentagem daquilo que
temos. Jesus enfatizou essa verdade quando falou da oferta da viúva pobre. As duas
moedas dela valiam mais do que as altas quantias depositadas pelos ricos. O que eles
estavam dando não afetava em nada seu estilo de vida. Não lhes fazia falta alguma.
Doaram de sua abundância, enquanto a viúva deu daquilo que precisava para se
sustentar.
Queremos dar de tal forma que mexa com as cordas e as emoções do nosso coração.
Quando doamos, precisamos sentir que nos custou, que foi uma decisão profunda, que
só pôde ser tomada lá no íntimo do coração. Isso tem a ver com nossa paixão por
Jesus e sua causa. Quando doamos, nos desapegamos do amor próprio. Nosso interior
é transformado, e o coração é liberado para amar a Jesus.
É ele que nos convida: “Quero levá-lo numa jornada fantástica, e você está se
excluindo dela por guardar a semente no seu bolso. Doe aquela semente, entre no
carro e participe dessa viagem emocionante e cheia de aventura comigo; no meio do
inesperado e imprevisível, você experimentará encontros dinâmicos de poder e
intimidade como nunca imaginou!”

Desenvolvimento Sustentável do Espírito

Por: Harold Walker


Enquanto a humanidade, de forma global, começa a cumprir a profecia de Jesus ( “Os
homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao
mundo…” -Lc 21.26), e cenas apocalípticas surgem na área financeira ( “Ai! Ai da
grande cidade…[Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Hong Kong, São Paulo
etc.] porque numa só hora foram assoladas tantas riquezas  [Trilhões de dólares
evaporaram das Bolsas em todo o mundo em poucas horas!]” – Ap 18.16,17), que tipo
de atitude devemos ter diante do início de um novo ano, o ano de 2009?
Deus prometeu abalar tudo o que pudesse ser abalado (Hb 12.26-29). Portanto não
devemos dar ouvidos às vozes que querem nos consolar dizendo que a situação não
vai se agravar. Tempestades negras estão se avolumando no horizonte, e somente
aqueles que tiverem firmes alicerces na Rocha eterna conseguirão permanecer firmes,
inabaláveis.
“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”  (Mt 24.35). “Ora, o
mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus
permanece para sempre”  (1 Jo 2.17). Assim como Abraão, que tomava uma
providência prioritária em todo lugar onde acampava – edificava um altar ao Senhor
para não perder a comunicação com o quartel-general –, nós também precisamos ter a
prioridade máxima de estabelecer vias de comunicação com Deus. Somente aqueles
que ouvem e obedecem à voz de Deus suportarão, firmes, as provações que virão
sobre o mundo.
Dê atenção ao seu espírito
Recentemente, durante um período de comunhão, um irmão comentou que
precisamos conhecer melhor nosso espírito. Conhecemos muito bem as necessidades,
as dores e os desejos do corpo e convivemos constantemente com os sentimentos, as
motivações e as reflexões da alma – mas quantos conhecem a voz do próprio espírito?
Por ser algo mais invisível e intangível, muitas vezes o espírito também passa a ser
inaudível. Na conferência a três, as vozes estridentes do corpo e da alma fazem calar o
sussurro do espírito. Até mesmo na criação dos filhos, tomamos o máximo de cuidado
com o corpo, correndo para o hospital ao menor sinal de problema, e com o
desenvolvimento intelectual e emocional da alma, colocando-os nas melhores escolas e
cursos, enquanto a nutrição e o crescimento do espírito costumam ser deixados em
último plano.
Nestes dias de crescente e justificável preocupação ecológica, tem-se popularizado
muito o uso do termo “desenvolvimento sustentável”. Para aqueles que não estão tão
antenados com a preservação do planeta, é uma expressão que descreve a estratégia
que visa conciliar a produtividade econômica com a conservação do meio ambiente.
Por exemplo, em vez de desmatar indiscriminadamente a floresta para plantar soja ou
milho, a sugestão é desenvolver culturas que produzam alimento no meio das árvores.
Dessa forma, haveria sustento para as populações necessitadas, e o meio ambiente
também seria respeitado.
Quando meu amigo falou sobre a necessidade de cultivarmos melhor a vida espiritual,
essa expressão ecológica logo me veio à mente. Muitas pessoas pensam que é
impossível desenvolver uma vida espiritual em meio à correria e às pressões do dia-a-
dia de uma grande cidade em pleno século 21. Elas acham que, se alguém deseja
realmente tornar-se “espiritual”, é necessário retirar-se das grandes cidades para um
lugar bem quieto no interior, parar de estudar e trabalhar secularmente e dedicar-se
por completo ao estudo da Bíblia e à oração e ao jejum. Seria a mesma atitude de um
ativista ecológico radical que prefere preservar o mico-leão-dourado a matar a fome de
centenas de seres humanos. Já os capitalistas selvagens querem destruir o planeta
para produzir mais riquezas. No nível espiritual, correspondem aos cristãos
contemporâneos, para os quais basta freqüentar as reuniões das igrejas aos domingos
a fim de garantir a salvação – enquanto continuam na mesma correria desenfreada
dos não-cristãos atrás de dinheiro e diversão ao longo da semana.
Penso que, assim como o “desenvolvimento sustentável” procura uma terceira via
entre os dois extremos na esfera ambiental, o “desenvolvimento sustentável do
espírito” apresenta um terceiro caminho para trilharmos na vida espiritual. Não
precisamos ser reclusos superespirituais, mas também não precisamos ser cristãos
materialistas. Como diz Henri Nouwen no livro Espaço para Deus (um livro que, mais
do que qualquer outro, tem exercido grande impacto sobre a minha vida):
Jesus não reage ao nosso estilo de vida cheio de preocupação dizendo que não
deveríamos estar tão ocupados com afazeres terrenos… Nem sugere que nos
afastemos de nossos envolvimentos para viver vidas calmas, tranqüilas e retiradas das
lutas do mundo… Jesus não quer de forma alguma que deixemos nosso mundo de
muitas facetas. Antes, quer que vivamos nele, mas firmemente arraigados no centro
de todas as coisas. Jesus não fala sobre uma mudança de atividades, uma mudança de
contatos, ou até uma mudança de ritmo. Ele fala sobre uma mudança de coração (cap.
2, págs. 16 e 17).
Essa mudança de centro começa com a conversão, mas continua com a manutenção
de um espaço e de um tempo exclusivos para Deus na rotina diária. Assim como
reservamos certo tempo para higiene e alimentação e gastamos horas voltadas ao
intelecto e ao lazer, também precisamos dedicar tempo para desenvolver o espírito a
fim de afinar os ouvidos e ouvir a voz de Deus. Aliás, essa deveria ser a atividade mais
importante de nossa vida. Somente depois de cuidar disso é que se deve dar atenção
às outras necessidades. Desenvolvimento sustentável do espírito significa poder ouvir
e obedecer à voz de Deus sem abandonar as outras atividades naturais.  No meio da
floresta de atividades seculares, é possível desenvolver uma plantação produtiva de
paz, alegria, amor e tantos outros frutos do Espírito.
O segredo da espiritualidade
Ficamos muito admirados com as grandes vitórias e testemunhos dos heróis da fé.
Contudo, se olharmos atentamente para a fonte de seus sucessos, sempre
encontraremos a prática do devocional, que consiste no tempo passado na presença
do Senhor em oração e meditação na Palavra. Podemos pensar em Daniel, fortemente
pressionado pelas necessidades do dia-a-dia administrativo de um grande império.
Qual era o segredo de sua força? Diariamente, mesmo longe de sua terra e sem
templo ou altar, ele entrava “em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam
abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha
de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus”  (Dn 6.10).
E quanto a Jesus, o Filho de Deus, a Palavra encarnada? Certamente, ele não tinha
necessidade dessa disciplina de oração diária! Será que não tinha uma “linha direta”
com o céu que o liberasse de uma disciplina tão “humana”? Entretanto, não é o que se
vê, muitas vezes, nos evangelhos: “De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se,
saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1.35).
Não é possível viver a vida cristã sem contato diário com Deus. Assim como um
destacamento do exército não precisa só de armas e munição mas, em primeiro lugar,
de radiocomunicação com o quartel-general para não correr o perigo de atacar os
próprios companheiros por engano ou se distanciar demais dos outros destacamentos,
nós também não podemos saber como agir em meio ao tiroteio do dia-a-dia sem as
orientações precisas do nosso Comandante Supremo. O único motivo por que
geralmente não temos tal hábito e não encontramos tempo ou força de vontade para
manter essa disciplina é a maldita autoconfiança. Pensamos que podemos nos virar
bem com a própria experiência, sabedoria e estratégias. Por isso, apenas quando as
coisas começam a sair do controle, e entramos em pânico, achamos o tempo e o
desespero para orar e clamar por socorro. Confiamos nos recursos da alma e
perdemos a chance de viver no Espírito.
Para enfrentar os dias escuros que virão, precisaremos de muito mais do que os
recursos da alma. Não teremos condições de discernir o espírito de engano que vem
sobre a Terra se o nosso espírito não estiver bem afinado com o Espírito Santo, o
Espírito da verdade. Não conseguiremos resistir às tentações sem a graça diária
proveniente da leitura da Palavra e da oração. Não saberemos como trabalhar, onde
morar, que decisões tomar sem as sábias orientações do Consolador. A melhor
estratégia que você pode adotar para o ano de 2009 é levantar um altar diário de
comunhão com Deus. Muitas vezes, você não ouvirá a voz de Deus, mas o fato de
erguer o altar e oferecer um sacrifício diário tornará seu espírito disponível para Deus,
manterá as vias de comunicação abertas e permitirá que seus pés fiquem firmes sobre
a rocha mesmo em meio à tempestade.
A pergunta-chave da entrevista final
Nesse contexto, quero destacar uma dica indispensável. Qualquer pessoa séria que
deseja desenvolver um hábito saudável ou desvencilhar-se de um vício ou hábito
nocivo sabe que precisa de um grupo de apoio. Para isso, existem os Vigilantes do
Peso, os Alcoólatras Anônimos etc. Nesse caso também, é de suma importância que tal
pessoa procure outros irmãos e amigos que sintam a mesma dificuldade e, assim,
possam ajudá-la a manter-se firme na disciplina. Essa deveria ser a função primordial
da igreja! Infelizmente, a maioria das igrejas não exerce tal função hoje. Geralmente,
nutrem a mentalidade de que basta ser fiel nas reuniões. Porém, quando chegarmos à
presença de Deus, ele não nos perguntará em quantas reuniões estivemos ou quantas
vezes oramos e lemos a Bíblia. Ele estará interessado em uma única coisa: se nos
conhece, e se nós o conhecemos.
Nas parábolas de Jesus sobre os momentos dramáticos da entrevista final que decidirá
nosso destino eterno, quando ele despacha alguém, sempre diz: “Nunca vos conheci;
apartai-vos de mim…” (Mt 7.21-23; Mt 25.12; Jo 17.3). Deus só se interessa em que
as pessoas o conheçam e andem com ele. No fim, nosso “eletrocardiograma” dirá se
passamos os dias ouvindo a voz de Deus e lhe obedecendo ou se seguimos os próprios
desejos. Portanto, a igreja deveria ser o grupo de apoio que ajuda, incentiva, exorta e
repreende até que todos comecem a encontrar-se com Deus individualmente e
realmente conhecê-lo.
Deus não receberá manadas no último dia. Ele desejará ver-nos face a face,
pessoalmente. E a questão fundamental, o divisor de águas, será se ele nos conhece
ou não, se andamos com ele ou não, se nossa vida foi compartilhada com ele ou não.
Portanto, diante do exposto, o que você me diz? Quais são os planos para 2009? Quais
são seus temores e medos? Quais são seus sonhos e anseios? Quais são suas
expectativas? Você está no centro da vontade de Deus para sua vida? Está ouvindo a
voz de Deus com instruções personalizadas? Está obedecendo às ordens de Deus?
Você tem-se encontrado com Deus? Sente alegria, ânimo, paz e graça da parte de
Deus energizando seu dia-a-dia? Você tem irmãos e amigos com quem compartilha
derrotas e vitórias e que lhe desafiam a andar mais perto de Jesus? Se suas respostas
não lhe trazem satisfação, preste atenção aos seguintes versículos:
“Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;
pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á”  (Lc
11.9,10).
“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão
acrescentadas” (Mt 6.33).
“Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,
usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais
insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor”  (Ef 5.15-17).
Vida Devocional

Entendamos, por “vida devocional”, o tempo que intencionalmente separamos para ler


e estudar as Escrituras ou meditar nelas; uma resposta ao chamado pessoal para a
oração. Significa dedicar tempo para crescer na amizade íntima e pessoal com Deus
que tem início quando compreendemos que conhecê-lo e ser conhecido por ele é
nossa prioridade absoluta.
Conhecer Deus envolve tanto a qualidade de nossa vida devocional quanto de nossa
vida comunitária. Ambas são igualmente importantes e interdependentes. Uma não
substitui a outra, e não prescinde da outra, mas se enriquecem mutuamente. A
devoção pessoal resulta em encontro e comunhão na igreja, e a vida comunitária
desperta o desejo de criar um espaço interior e pessoal diante de Deus.
Dom ou Disciplina?
Devoção é dom e graça, porque não há nada que possamos fazer para que Deus se
relacione conosco. É unicamente fruto de seu amor que o leva a buscar o homem (1 Jo
4.19). Por outro lado, é disciplina, porque requer de nós disponibilidade para o
encontro, prática exterior que o possibilite e prontidão para o aprendizado.
A graça é essencialmente “vida” que cresce e se movimenta, dando à alma capacidade
de reagir dinamicamente aos dons de Deus, de mover-se em direção a ele, de amá-lo
e conhecê-lo. É uma “potência” que opera na natureza humana, conquistando as zonas
mais interiores do homem, dominando as tendências egoístas até que pertençamos a
Deus por inteiro. Se essa graça, que é “potência viva”, deixar de mover-se e expandir-
se, tomaremos o caminho inverso da atrofia e da morte.
Se nos relacionamos pouco com o Senhor, se oramos, lemos e meditamos pouco,
nosso interior torna-se endurecido, e a alma, ressequida como terra sem chuva. Por
isso, muitos de nós, mesmo tendo nascido de novo e recebido o Espírito Santo,
permanecem estagnados na caminhada rumo à vida mais excelente, com um vago
sentimento de insatisfação, um desejo indefinido por “coisas espirituais” e um estado
de resignação e nostalgia que nos impede de andar mais rápida e prontamente no
caminho do Espírito.
Contrário a isso, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais queremos nos
aproximar. Quanto mais oramos, mais queremos orar. Quanto mais experimentamos
as graças e as delícias indeléveis do Espírito, mais queremos experimentar. Segundo o
pensamento de Agostinho, “O homem é uma seta disparada para um universo (DEUS)
cujo centro de gravidade exerce uma atração irresistível, e quanto mais se aproxima
do centro, maior velocidade adquire”.  Portanto, a atração por Deus tem proporção
direta com a proximidade a ele.
Como propõe Inácio de Loyola, existe a lei do treinamento para tudo na vida –
profissão, esportes, artes. Talvez, tenhamos capacidades atléticas adormecidas que,
com treino, possam ser despertadas. Você conseguiria caminhar 30 km hoje? E com
treino diário, isso seria possível? Assim também Deus colocou, no homem, uma
capacidade de relacionamento com ele – porque nos fez à sua imagem e semelhança –
e uma aspiração profunda e filial que nos faz suspirar pelo Pai (Rm 8.15; Gl 4.6).
Devoção é, portanto, uma graça recebida e uma disciplina a ser desenvolvida. Mesmo
sendo graça e disciplina, é um processo lento e evolutivo como todas as experiências
espirituais em nossa vida. É um aprendizado que dura a vida inteira. Não cabe num
molde, mas é uma experiência pessoal, espontânea e transformadora.
Empecilhos à Devoção
A vida devocional não é antes, após ou além da vida cotidiana, mas só pode ser real se
vivida no meio das dores e alegrias do aqui e agora.
Em nossa experiência, os dias são cheios de afazeres. Mesmo atarefados e ocupados,
porém, sempre estamos atrasados ou em falta com algo que não fizemos, telefonemas
que não demos, pessoas que não visitamos, tempo que não dispensamos para família
e amigos. Apesar de atarefados, temos o sentimento persistente de que não
cumprimos com todas as nossas obrigações.
Mais escravizantes que as ocupações são as preocupações. Uma inquietação
constante, um sofrer antes, um ocupar nosso tempo antes. Grande parte do
sofrimento tem ligação com essas preocupações.
As ocupações e preocupações enchem nossa vida interna e externamente, dificultando
ou mesmo impedindo um espaço para Deus na vida diária. O sistema precisa que
estejamos assim, pois são as ocupações e preocupações que o mantêm como é. A
mídia, o consumo, a moda, as indústrias, tudo está relacionado a essa demanda criada
e que, muitas vezes, é resultado de necessidades e expectativas falsas ou artificiais.
E, no fim de tudo, por mais que façamos ou nos preocupemos, somos inundados por
um sentimento de não-realização. Jesus oferece uma solução para isso:  “Portanto não
vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
Porque os gentios é que procuram todas essas coisas; pois vosso Pai celeste sabe
que necessitais de todas elas. Buscai, pois, em primeiro lugar,  o seu reino e a sua
justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”  (Mt 6.31-33).
Jesus propõe uma integralização do nosso eu. Não é uma questão, inicialmente, de
mudar nosso ritmo, nossa atividade ou nossos contatos, mas de mudar o coração, as
prioridades. Buscar o reino em primeiro lugar é também buscar uma vida no Espírito, e
ter uma vida espiritual requer uma mudança de coração, que pode ocorrer por meio de
um longo, suave, ou às vezes doloroso processo de transformação.
Muitas coisas concorrem para isso. Uma delas é a vida devocional. E um dos fatores
que impedem a vida devocional é exatamente esse estado constante de ocupação e
preocupação no qual nos encontramos, buscando, em primeiro lugar, todas estas
coisase deixando o reino de Deus em segundo plano.
Disciplinas
Já que vida devocional também é disciplina, devemos examinar algumas que são
importantes ou necessárias para ajudar-nos nesse caminho de dedicar um tempo para
Deus e conhecê-lo na intimidade. Foster ensina que, algumas vezes, consideramos as
disciplinas escravizadoras, esforço próprio desnecessário, quando podem ser
libertadoras, pois nos livram de hábitos ruins que adquirimos ao longo da vida. O
perigo seria transformá-las em lei ou supor que, por conseguirmos cumpri-las,
mereçamos mais bênçãos de Deus. Sabemos que tudo é graça, e que o maior esforço
que fazemos não pode produzir nada de vida em nós. Enfatizamos que a disciplina na
vida devocional é tão-somente uma resposta de gratidão e amor ao nosso Deus, que já
providenciou tudo para nós e quer que desfrutemos disso.
1. Solidão – um Tempo e um Lugar
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai,
que está em secreto, e ele, que está em secreto, te recompensará”  (Mt 6.6).
Sem solidão, é impossível ter uma vida espiritual. Ela começa com um lugar e um
tempo destinados apenas a Deus. É uma das disciplinas mais necessárias e também
das mais difíceis. Muitas vezes, usamos os barulhos exteriores para nos proteger de
barulhos interiores. Por isso, temos dificuldade de ficar sozinhos, pois, quando nos
afastamos das distrações exteriores, as interiores se manifestam com toda a sua força.
A solidão, ou solitude, deve ser nossa resposta à vida ocupada e preocupada.
Portanto, devemos planejar cuidadosamente nosso tempo de solidão. A duração vai
depender de vários fatores como idade, comportamento, trabalho, estilo de vida e
maturidade, mas não estaremos levando a vida espiritual a sério se não reservarmos
algum tempo para estar a sós com Deus e ouvi-lo.
Talvez, tenhamos de escrever na agenda, colocar um despertador e aprender a dizer
para amigos, família, clientes, pacientes, alunos, fregueses, esposas, namorados,
filhos, passeios, filmes, novelas, noticiários: “Desculpe, mas, já tenho um compromisso
inadiável nesse horário”.
Alguns têm certa relutância em marcar horários, pois acham que representa falta de
espontaneidade, mas é certo que, se não estabelecermos como prioridade passar um
tempo sozinhos com o Senhor, a maioria de nós não o fará. Se duas pessoas querem
ser mais do que simples conhecidos, é preciso que concordem sobre a hora e o lugar
em que possam se encontrar. Há bastante espaço para a espontaneidade em um
relacionamento de compromisso e com horário marcado para estarem juntos. Pode
haver horários extras juntos sem planejamento e pode haver espontaneidade nos
horários regulares, mas, se não houver uma base de horário regular, comprometido,
não haverá relacionamento.
A disciplina da solidão é uma das mais poderosas para se desenvolver uma vida de
oração. No início, o tempo de solidão poderá ser um tempo em que seremos
bombardeados por milhares de pensamentos e sentimentos que emergirão dos cantos
mais escondidos de nossa mente, e nos parecerá que estamos perdendo
tempo.  Porém, aos poucos, se houver fidelidade, perceberemos que divagamos
menos, e que nossa mente se deixa dominar mais facilmente pelo espírito.
2. Orar Não é Fácil
Se é difícil separar um tempo e um lugar para estar com Deus, essa é apenas metade
da batalha. A outra metade é saber como passar um tempo aproveitável e estar
realmente na presença de Deus.
Muitos esperam que a intimidade, a oração e a adoração venham naturalmente, mas a
maioria das pessoas, mesmo que tenha uma vida renovada pelo Espírito, enfrenta
dificuldades na vida devocional e não está satisfeita com seu progresso.
Dizer que orar é tão fácil quanto conversar com papai e mamãe pode prejudicar e
desorientar aqueles que querem estabelecer um relacionamento mais profundo com
Deus, desanimando-os quando percebem que, para eles, não é tão fácil assim. O
progresso, às vezes, pode ser de uma lentidão enervante e frustrante, levando-os ao
abandono de tal prática.
A todos, foi dada a capacidade, mas não da mesma maneira nem na mesma medida. A
graça oferece um leque ilimitado de possibilidades desde o zero até o infinito. Não
existe uma receita universal, mas um aprendizado de uma vida inteira. Uma relação
pessoal de amizade com Deus não cabe num molde a ser reproduzido, e cada um
encontrará o próprio ritmo, intensidade e modelo.
3. Paciência e Perseverança
O principal inimigo da vida devocional é a inconstância. Estamos acostumados com
rapidez e eficiência, pagar e receber, trabalho e salário, esforço e recompensa.
Entretanto, a relação com Deus está em outro nível, em outra órbita. É gratuidade
pura. Não podemos traçar rotas alternativas.
Precisamos de paciência para aceitar que não existe necessariamente proporção entre
esforço e resultado. Muitas vezes, “a conduta e as reações” do Senhor são
desorientadoras, sem lógica humana. Pode acontecer de você separar uma tarde
inteira num lugar bonito, agradável, cheio de paz e solidão, e esta se tornar uma tarde
de aridez, dispersão e dificuldade de concentração. Ao contrário, você poderá estar,
um dia, num ônibus abarrotado de gente barulhenta, e Deus visitá-lo, inundando-o
com sua presença de modo que experimente um consolo, um poder e uma revelação
do seu amor de forma inigualável. Quem pode questionar Deus e sua forma de agir?
Por isso, é preciso ter paciência. E paciência gera perseverança, que nos faz
permanecer nessa busca por comunhão e intimidade mesmo quando parece que tudo
está escuro e nada se vê.
Conclusão
Neste mundo de ocupações, preocupações e frustrações, Jesus nos oferece solução,
nova vida, vida abundante, vida no Espírito, vida num outro reino onde os valores são
diferentes e as riquezas, eternas. Para viver essa nova vida que nos é oferecida
gratuitamente, é necessário um esforço que não vai além da nossa força. Requer que,
em alguns momentos do dia, na presença do Senhor, ouçamos sua voz em meio aos
nossos muitos interesses. Requer passos planejados de disciplina e maneiras práticas e
nada românticas de buscar as coisas do reino em primeiro lugar. Se formos fiéis nesses
passos, teremos cada vez mais fome e cada vez seremos levados a novas
profundidades do reino e, enfim, descobriremos como e onde seremos cidadãos
realizados.
Sugestões Práticas Para o Tempo Devocional

Por: Rosane Faria


Uma relação pessoal de amizade com Deus não cabe num molde a ser reproduzido, e
cada indivíduo precisa encontrar o próprio ritmo, intensidade e modelo. O que
oferecemos a seguir, portanto, não é uma fórmula ou receita universal, mas uma série
de sugestões e indicações sobre os aspectos práticos do tempo devocional do cristão.
Abandono e silêncio interior
Quem entra na intimidade com o Senhor começa a perceber que várias interferências –
agora não externas, mas internas – passam a surgir. Embora já tenha conseguido
“entrar e fechar a porta” fisicamente, falta o mais difícil: entrar no “aposento” interior e
fechar as portas para a turbulência dos pensamentos, das lembranças, distrações e
inquietudes.
Por isso, é necessário que se dedique um tempo para esse abandono e entrega. É
preciso que se apaguem as chamas, silenciem-se as guerras, curem-se as feridas,
perdoem-se as ofensas das pessoas, peça-se perdão, aceite-se a si mesmo e aos
outros, assumam-se histórias. É preciso abandonar-se nas mãos do Pai e aceitar toda a
sua realidade para que se rompam as águas agitadas e turbulentas da superfície e se
alcancem águas mais profundas e calmas.
Muitas práticas podem ajudar-nos: colocar uma música ou mesmo cantar alguma. Ler
um salmo, ler em voz alta poesias ou crônicas que falam sobre abandono e entrega,
fazer orações espontâneas, procurar uma posição confortável, relaxar a musculatura,
controlar a respiração, ou seja, tudo o que nos leve a acalmar o interior. Nesse
caminhar, muitas vezes precisamos de muletas para ajudar-nos a vencer as
dificuldades, e devemos lançar mão delas enquanto estivermos inseguros. À medida
que crescermos na intimidade com Deus, perceberemos que não precisamos mais
delas e já andamos, e até corremos, sem impedimentos.
Leitura espiritual ou leitura orante
Há um testemunho unânime de cristãos de todos os tempos de que a oração pessoal
deve ser sustentada pela leitura freqüente das Escrituras. Faz parte de uma prática
utilizada pelos pais da Igreja que foi denominada de Lectio Divina, uma subida ao
encontro do Pai cujos primeiros degraus são a leitura (lectio), a meditação (meditatio)
e a oração (oratio).
A meditação enriquece a alma e é preciosa em preparar a mente para a revelação do
Espírito. Como as faculdades humanas podem sofrer interferências e distrações, a
leitura torna-se imprescindível para muitos de nós. A própria Teresa de Ávila,
conhecida pela vida contemplativa e seus muitos ensinamentos sobre ela, dizia:
“Durante 14 anos, não consegui meditar a não ser por meio da leitura”.
Não se trata da leitura sistemática ou do estudo bíblico visando ao conhecimento. Deve
ser uma leitura que nos tome e conduza-nos afetivamente para os braços do Pai.
Inácio de Loyola nos propõe, em seus exercícios espirituais, que, lendo e meditando,
usemos a imaginação para colocar-nos na cena. Sinta-se sentado no barco quando
Jesus aplaca os ventos. Presencie a multiplicação dos pães e sente-se em algum dos
grupos para comer o pedaço oferecido. Assim, lentamente, vá lendo, meditando,
lendo, orando, e, quando sentir a visitação do Senhor, pare. Ele pode ter uma
revelação, uma inspiração, um convencimento. Talvez, direcione-o ao louvor, à
intercessão ou a uma contemplação e adoração silenciosas. Simplesmente, deixe-se
levar. É como iniciar uma navegação em um barco com a força de braços e remos,
mas, quando o vento bater, parar de remar e deixar o barco ser levado para onde o
vento soprar.
Mas atenção! Muitos, com dificuldade para orar e meditar, poderão ocupar todo o
“tempo de oração” com leitura e não terão, obviamente, feito um “tempo de oração”.
Podem usar a leitura para “escapar”. Por isso, devemos dividir o tempo entre oração e
leitura, um dia lendo mais, outro menos, mas atentando a isso.
Leitura sistemática
Ler é um hábito – um hábito que o brasileiro não cultiva. Lemos pouco em geral.
Preferimos assistir a um filme a ler um livro; assistir ao noticiário a ler o jornal. A
leitura toma tempo e nos faz pensar, e disso a maioria de nós não gosta. Esse mau
hábito estende-se para a vida cristã: pergunte a um cristão convertido há dez anos
quantas vezes ele leu a Bíblia toda, e a resposta será constrangedora. E quantos livros
edificantes de testemunhos, biografias, ensino doutrinário e vida cristã ele leu? A
maioria dos cristãos conhece a Bíblia de “orelhada”, de pregações aqui e ali, de leitura
de pequenos e preferidos trechos das Escrituras.
Separar um pequeno tempo diário para a leitura das Escrituras e livros afins, por
menor que seja, é fundamental para o entendimento sobre os propósitos de Deus, sua
história, sua vontade. Aproveitar tantos autores com conteúdos riquíssimos e que se
dedicaram a estudar e escrever para nossa edificação é alimento para a fé. Muitos
cristãos não sabem responder à razão da sua fé por não conhecer a Palavra de Deus.
A leitura sistemática nos ajuda também no momento da leitura orante, pois teremos
conhecimento prévio do contexto em que aquele trecho está contido. Isso só pode
enriquecer nossa intimidade com Deus. Trata-se de uma leitura visando ao
conhecimento, e, por isso, devemos programá-la e cumprir o planejamento com
disciplina.
Estudo bíblico
O estudo difere da leitura, pois ocupa mais tempo e não precisa ser diário, mas é bom
que tenha uma periodicidade. Pode e deve ser amparado por dicionários, manuais,
apostilas, livros, ou seja, instrumentos didáticos que auxiliem na compreensão do que
se pretende estudar. Podem-se estudar um livro da Bíblia, um tema bíblico,
personagens bíblicos etc. Enquanto, na leitura sistemática, nós entendemos o todo, o
estudo leva-nos a nos aprofundar nas partes. Enquanto a leitura orante nos faz
saborear a Palavra, o estudo nos faz entendê-la.
E, ao final, toda essa prática e proximidade com a Palavra nos levará a adquirir os
conceitos de Deus e ter a mente transformada pelo pensamento de Deus (Rm 12.2).
Conclusão
Então, o que diremos? Precisamos de tempo de oração a sós com Deus, tempo para
ler a Bíblia e outros livros, tempo para estudar. Como faremos tudo isso? Como já foi
citado, o ritmo, a intensidade e o tempo cada um deverá estabelecer dentro da própria
realidade, mas cabe a cada um também responder se o que pretende é crescimento
espiritual ou permanecer naquele estado de estagnação e insatisfação do cristão que
não tem vida devocional. Mais uma vez, cabe a cada um responder.

Levantando Cedo

Por: Watchman Nee


“Desperta, ó minha alma! Despertai, lira e harpa! Quero acordar a alva”  (Sl 57.8,9;
108.2,3)
“Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos
alegremos todos os nossos dias”  (Sl 90.14).
Por que devemos levantar cedo?
Por que devemos levantar cedo? Porque cedinho pela manhã é a melhor ocasião para
encontrar o Senhor. Com exceção de uma minoria que sofre de males físicos, todos
devem ser estimulados a levantar cedo. A maioria de nós não tem doenças físicas –
padecemos por nos amar demais!
Deixe-me citar as palavras da Srta. Groves, uma co-obreira da Srta. M. E. Barber, que
nos tem ajudado grandemente . Ela afirmou que a primeira escolha que evidencia o
amor de alguém pelo Senhor é a escolha entre a cama e o Senhor. Se alguém escolher
amar a cama, dormirá mais; mas se escolher amar mais o Senhor, levantará um pouco
mais cedo. Ela me disse isso em 1921, mas, ainda hoje, sinto o frescor de suas
palavras. Sim, o homem tem de escolher entre a cama e o Senhor. Se você ama mais
a cama, continue a dormir mais; mas se ama mais o Senhor, você deve levantar-se
mais cedo.
Por muitas décadas, a Srta. Groves sempre se levantava antes das 5 horas, e a Srta.
Barber, entre às 4 e 5 horas. Elas me disseram que não ousavam dormir aquecidas
demais temendo não poder levantar cedo pela manhã.
Na Bíblia, vemos que, no deserto, o alimento sobrenatural, o maná, tinha de ser
colhido antes que o Sol nascesse (Êx 16.21). Quem quisesse comer o alimento que
Deus havia prometido deveria levantar cedo. Quando o Sol aquecia, o maná derretia,
desaparecendo. Todo jovem crente precisa saber que, para receber alimento diante de
Deus, obter comida espiritual, progredir espiritualmente e desfrutar de comunhão, tem
de levantar um pouco mais cedo. Se levantar tarde demais, perderá seu alimento. A
vida cristã doente que prevalece no meio dos filhos de Deus hoje deve-se mais ao
levantar tarde do que a algum problema espiritual sério. Portanto, não menospreze
esse assunto.
É como se, de manhã cedinho, no momento em que o dia começa a amanhecer, Deus
repartisse a provisão de alimento espiritual e comunhão aos seus filhos. Quem levanta
tarde demais, fica sem ela. Muitos filhos de Deus não têm qualquer deficiência quanto
à consagração, ao zelo ou ao amor, mas falham em ser bons cristãos por levantar
tarde demais. O levantar cedo influencia grandemente a vida espiritual. Nunca
encontrei um guerreiro de oração ou alguém que tivesse intimidade com o Senhor que
levantasse tarde.
Qualquer um que propuser a Deus levantar cedo experimentará muito proveito
espiritual. A oração, em outras horas do dia, não pode ser comparada com a realizada
de manhã cedinho. O estudo bíblico em outras horas não pode igualar-se ao da
manhã, e a comunhão com o Senhor nunca é tão doce em outros momentos quanto
no amanhecer. Lembre que de manhã cedinho é a melhor hora do dia. Devemos
oferecer nosso melhor tempo a Deus e não aos homens ou aos negócios do mundo.
Quem gasta o dia inteiro no mundo e depois, à noite, quando está morto de cansaço,
ajoelha-se para orar e ler a Bíblia antes de ir para a cama, é um tolo. Não é de se
surpreender que a oração de tal pessoa, o estudo bíblico e a comunhão com o Senhor
sejam deficientes. A origem do problema é levantar tarde.
Exemplos bíblicos
Os melhores servos de Deus tanto do Antigo quanto do Novo Testamento eram todos
madrugadores (ver quadro). Tinham o hábito de comungar com Deus e trabalhar para
ele de manhã. Embora não encontremos na Bíblia nenhuma ordem direta de Deus para
levantar cedo, temos, não obstante, exemplos suficientes de servos fiéis que eram
madrugadores.
Por conseguinte, aqueles que desejam seguir o Senhor não devem perguntar
desdenhosamente que diferença fará se o horário for mais cedo ou mais tarde. Temos
bastante experiência para convencer-nos de que levantar uma hora mais tarde
prejudicará nosso estudo bíblico, e levantar duas horas mais tarde porá fim à nossa
oração.
Durante os primeiros três anos de minha vida cristã, alguém me perguntou, pelo
menos 50 vezes, a que horas eu levantava. Por ser uma bênção muito grande, eles
não queriam que eu a perdesse. O mundo pode não ver diferença em levantar duas
horas mais cedo ou duas horas mais tarde; isso pode não influenciar as questões do
mundo. Porém, deixe-me lhe dizer: nas questões espirituais, faz uma grande diferença.
Não somente muitos servos de Deus foram madrugadores, mas até mesmo o Senhor
Jesus levantava cedo. Antes do amanhecer, já estava orando. Ele chamava os doze
discípulos no começo do dia. Se não nos levantarmos suficientemente cedo, sem
dúvida nos tornaremos muitíssimo pobres espiritualmente.
O que fazer depois de levantar cedo
Nosso propósito não é simplesmente tirar as pessoas da cama de manhã cedinho.
Estamos buscando valores espirituais. Por isso, há algumas coisas que as pessoas
devem fazer depois de levantar.
1-     Tenha comunhão com Deus
“Levantemo-nos de manhã… ali te darei meu amor” (Ct 7.12). Sendo a melhor hora do
dia, deve ser gasta em comunhão com Deus, esperando em quietude e meditando na
presença de Deus, tendo o espírito aberto para receber orientações e impressões de
Deus e permitindo que ele fale.
Quando o espírito está aberto a Deus, o mesmo ocorre com a mente, o que permite
que Deus conceda luz, supra uma palavra, cause uma impressão e nos toque de forma
viva. Além disso, cria a oportunidade de a alma também aprender a tocar em Deus,
meditar, contemplar e aproximar-se de Deus com o coração. Resumindo, isso é
comunhão com Deus.
2.      Cantar e louvar
Cedo pela manhã é a melhor hora para cantar louvores ao Senhor. Podemos proferir
os mais altos louvores no período da manhã.
3. Buscar alimento diante de Deus
Essa é a hora de colhermos o nosso maná. O que é maná? Embora indique, em última
análise, o próprio Cristo, a ênfase aqui é mostrar seu cumprimento na Palavra de
Deus, da qual desfrutamos diariamente e pela qual recebemos forças para andar no
deserto. O maná é o alimento no deserto que precisa ser colhido cedo pela manhã.
Como alguém pode satisfazer-se e alimentar-se se gasta a primeira parte da manhã
voltada a outras tarefas?
Todas as pessoas deveriam ter duas bíblias: uma para ser lida devagar, num horário
específico, e na qual muitas observações podem ser escritas, e outra para ser usada de
manhã e na qual nada deve ser escrito, pois serve puramente para colher o maná. Não
é o momento de ler trechos longos; de preferência, abra uma passagem curta da Bíblia
diante de Deus e misture oração com a Palavra, cântico com leitura e comunhão com a
Bíblia.
Como dissemos, levantar cedo visa à comunhão. Isso não significa que a comunhão
seja o primeiro passo, louvor o segundo, leitura da Bíblia o terceiro, e oração o quarto.
Na verdade, trata-se da combinação de todos esses atos, associando-os diante de
Deus. Você pode comparecer à presença de Deus com a Palavra aberta ou combinar
oração com leitura da Bíblia. Pode confessar seus pecados após ler a Palavra ou
agradecer a Deus por uma graça específica que tenha recebido. Você pode fazer um
pedido especial de acordo com a palavra que leu ou simplesmente dizer ao Senhor que
o que acabou de ler na Escritura é o que lhe falta.
Como resposta a muitas palavras, você pode dizer: “Senhor, eu creio”; a muitas
promessas, você pode responder: “Senhor, eu recebo”. Algumas vezes, sentirá o
desejo de agradecer ao Senhor, porque sua promessa é muito grandiosa; outras vezes,
será compelido a orar pelos irmãos e por si mesmo ao descobrir que a condição deles
e a sua não condizem com o que a Bíblia ensina. Não, você não estará criticando ou
acusando ninguém diante de Deus, mas apenas lhe pedindo que cumpra sua Palavra
na vida desses irmãos e em você mesmo. Estará, portanto, confessando os próprios
pecados e os pecados da igreja.
Realmente, cedo pela manhã é a melhor hora para colher o maná. Aprenda a misturar
oração, louvor e comunhão com a Palavra de Deus. Em um instante, você está na
terra; no seguinte, no céu; em um segundo, você está sozinho e, no seguinte,
encontra-se na presença de Deus. Utilizando assim seu tempo cada manhã diante de
Deus, você se sentirá satisfeito diariamente. Terá sido alimentado com a Palavra de
Cristo, porque Cristo é o Verbo de Deus. Terá permitido que a Palavra de Deus habite
em você ricamente. Essa maneira de ler a Palavra, alimentando-se do maná, é
indispensável.
Após termos comungado com Deus e nos alimentado do maná, somos fortalecidos a
ponto de colocar tudo diante dele. Sem força, não há como orar; os fracos não podem
fazê-lo. Com a força renovada pela comunhão e pelo suprimento do maná, temos
condições de orar por nós, pela igreja e pelo mundo todo.
Mesmo uma pessoa da estatura de George Muller confessou que a condição espiritual
que vivia durante o dia era determinada pela forma como havia-se alimentado diante
de Deus pela manhã. O período inicial da manhã determinava como seria o resto do
dia. Muitos cristãos encontram dificuldades no decorrer do dia simplesmente porque
não o iniciaram adequadamente.
Um famoso pianista observou certa vez: “Se eu não praticar um dia, noto algo errado;
se eu não estudar dois dias, minha esposa nota algo errado; e se eu não praticar três
dias, todo mundo nota algo errado”. Não esqueçamos que, se não conseguirmos ter
uma boa manhã com o Senhor, não apenas nós e os cônjuges, mas o mundo todo
saberá disso. Por quê? Porque falhamos em alcançar a fonte de nossa vida espiritual.
Algumas considerações sobre levantar cedo
Finalmente, eu gostaria de mencionar algumas questões relacionadas com a prática de
levantar cedo:
a)     para levantar cedo, é preciso dormir cedo.
Todos os que levantam cedo têm o hábito de ir para a cama cedo. É tolice ir deitar
tarde da noite e levantar cedo. Seria como queimar a vela de ambos os lados;
b)     não estabeleça um padrão muito alto para levantar cedo. 
Alguns decidem levantar às 3 horas. Tentam alguns dias e desistem. Tentar levantar
cedo demais terminará em fracasso. Ao contrário, tomemos uma decisão moderada:
digamos, por volta das 5 ou 6 horas, logo antes do amanhecer do dia. Se o horário
estabelecido for cedo demais, será difícil mantê-lo. Estabelecer um padrão alto demais
produzirá peso na consciência, e precisamos manter a consciência sem culpa. Por isso,
não defendamos os extremos. Que cada um considere o assunto cuidadosamente
perante Deus, levando em consideração condições físicas e circunstâncias particulares,
e, depois, estabeleça um padrão para si mesmo quanto à hora apropriada de levantar;
c)     cultive o hábito de levantar cedo. 
É inevitável que encontre alguma dificuldade nos primeiros dias. Você perceberá o
quanto ama sua cama e como é difícil levantar. É preciso algum tempo para formar um
hábito. No início, a pessoa tem de se obrigar a levantar, mas, depois de algum tempo,
consegue levantar sem esforço.
Os nervos humanos são como a árvore no cume da montanha que se inclina na
direção do vento. Se ele sopra sempre numa direção, ela desenvolve o hábito de
inclinar-se naquela direção. Suponha que você tenha o hábito de levantar tarde, é
como ter os nervos inclinados para o sul. Mas, depois de levantar cedo muitas vezes,
seus nervos começarão a inclinar-se para o norte.
Então, ao invés de ser difícil levantar cedo, você achará difícil levantar tarde, porque
não conseguirá mais dormir além do horário habitual! Até que o hábito seja formado,
peça a Deus que lhe dê graça para que o bom hábito de levantar cedo seja
desenvolvido. Tente muitas vezes. Aprenda diariamente a sair da cama até que tenha
formado o hábito de levantar cedo para desfrutar da graça e da comunhão com Deus
de manhã.
Ajude os crentes jovens
Espero que os mais adiantados no Senhor e aqueles que sentem algum encargo diante
dele tomem a responsabilidade de manter a prática da vigília matinal na igreja. Tanto
devem levantar cedo quanto ajudar os jovens a exercerem essa prática abençoada.
Sempre que houver uma oportunidade, devem perguntar ao jovem ou recém-
convertido: “Irmão, a que horas você se levanta?”
Lembre-se: levantar cedo é o primeiro hábito que um cristão deve formar. Reunir-se
no dia do Senhor também é um hábito. Os jovens devem formar esses hábitos, mas a
responsabilidade de ajudá-los é dos crentes mais experientes. Quantos nunca
desfrutaram da bênção de levantar cedo!
Se a igreja progredir nesse exercício, se muitos irmãos aprenderem a levantar cedo, se
cada um se achegar ao Senhor e receber um pouco mais de luz cada dia, quão rica e
cheia de luz a igreja toda se tornará. A razão pela qual a igreja é pobre é porque
pouquíssimos estão recebendo algo do Cabeça. Se aprendermos a receber do Cabeça,
mesmo que cada um de nós receba apenas um pouco, o resultado será uma igreja
muitíssima rica.
Exemplos Bíblicos de Levantar Cedo
1. Abraão
Tendo-se levantado Abraão de madrugada, foi para o lugar onde estivera na presença
do Senhor. Gn 19.27
Levantou-se, pois, Abraão de madrugada… Gn 21.14
2. Jacó
Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada… Gn 28.18
3. Moisés
Disse o Senhor a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, e apresenta-te a Faraó… Êx
8.20
Moisés escreveu todas as palavras do Senhor e, tendo-se levantado pela manhã de
madrugada… Êx 24.4
4. Josué
Levantou-se, pois Josué de madrugada… Js 3.1
Então Josué se levantou de madrugada… Js 7.16
5. Gideão
E assim sucedeu; porque ao outro dia se levantou de madrugada… Jz 6.38
6. Ana
Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor… 1 Sm 1.19
7. Samuel
Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã… 1 Sm 15.12
8. Davi
Davi, pois, no dia seguinte, se levantou de madrugada… 1 Sm 17.20
9. Jó
Chamava Jó a seus filhos e os santificava: levantava-se de madrugada, e oferecia
holocaustos… Jó 1.15
10. Os apóstolos
Logo ao romper do dia, entraram no templo… At 5.21
11. Maria Madalena
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo
ainda escuro… Jo 20.1
12. O Senhor Jesus
Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava…. Mc
1.35
 
Extraído e condensado de Um Sacrifício Vivo, de Watchman Nee, Edições Tesouro
Aberto.

John Wesley: Homem de Devoção

Por: Steve Harper


É de conhecimento comum que John Wesley foi um dos grandes exemplos históricos
de vida devocional. Um estudo mais detalhado, porém, revela que ele não era nenhum
super-herói capaz de manter comunhão ininterrupta com Deus. Assim como nós, tinha
altos e baixos. Cometeu vários erros e precisou fazer ajustes ao longo da jornada – o
que nos oferece esperança!
A seguir, alguns aspectos importantes de suas práticas.
Disciplina
O fato de ter cometido erros não impediu Wesley de prosseguir. Ele estava convicto de
ter achado o elemento essencial da vida cristã e estava determinado a conquistá-lo. Os
registros regulares que constam em seu diário indicam que, por mais de 60 anos, ele
observou fielmente as disciplinas espirituais. Convém mencionar que ele modificava, de
vez em quando, a estrutura e o conteúdo. Estava disposto a fazer novos experimentos
às vezes. Contudo, sua intenção básica de relacionar-se pessoalmente com Deus nunca
vacilou.
Assim como nós, ele também teve momentos áridos. Um símbolo no diário, que
indicava o fervor de suas orações, revela que muitas vezes suas orações haviam sido
“frias” ou “indiferentes”. Contudo, ele persistia na certeza de que novos períodos de
ardor e regozijo viriam.
Tenho ouvido mais de uma pessoa dizer: “Eu realmente não estou conseguindo muito
resultado com minhas devoções nesse momento e, por isso, vou suspendê-las por
algum tempo até que o fervor retorne”. Embora eu simpatize com tais pessoas,
cheguei à conclusão de que tal atitude pode ser espiritualmente devastadora. Afinal, é
nos períodos áridos que precisamos permanecer disciplinados e fiéis. Mesmo na
ausência de emoções, devemos manter-nos confiantes de que Deus continua sua obra.
Na realidade, a verdadeira oração nasce do sentido da ausência de Deus e do quanto
precisamos dele. Se desistirmos nos momentos de secura e fraqueza, não
experimentaremos o gozo de encontrar o Deus que vem em nosso auxílio quando
estamos em necessidade. E não conseguiremos determinar a causa da aridez. Isso nos
leva a repetir os mesmos erros.
A disciplina torna-se, assim, o método pelo qual a vida espiritual é mantida nos bons e
maus momentos.
Padrão objetivo
Para John Wesley, o padrão objetivo de espiritualidade genuína era a Bíblia. Apesar de
ter lido centenas de livros sobre vários assuntos, ele continuamente referia-se a si
mesmo como um homo unis libri (homem de um único livro). Durante 65 anos,
utilizou-a como companheira diária em sua vida devocional.
Em primeiro lugar, ele lia a Bíblia em atitude de adoração. Isso significa que não o
fazia com pressa, mas de modo reverente. Para garantir que seus momentos de
estudo bíblico não fossem apressados, ele escolhia as primeiras horas da manhã e os
momentos calmos da noite. Seu alvo principal era a qualidade e não a quantidade.
Embora normalmente lesse um capítulo de cada vez, por vezes lia apenas alguns
versos. Seu desejo era encontrar Deus e, quando o fazia, a quantidade de leitura não
tinha grande importância.
Segundo, Wesley lia a Bíblia sistematicamente. Sua prática baseava-se em seguir um
quadro de leituras diárias no Livro de Orações Comuns. Esse método permitia-lhe ler o
Antigo Testamento uma vez por ano e o Novo Testamento várias vezes. Permitia-lhe,
também, ler contextualmente e não casualmente. Wesley acreditava que o cristão
deveria conhecer “todo o conselho de Deus”.
Seria errado, portanto, supor que Wesley estava apenas à procura de experiência
mediante a leitura devocional da Bíblia. Ele também queria conhecer a Palavra de Deus
e não via qualquer dicotomia entre o estudo puramente científico da Bíblia e a leitura
voltada ao enriquecimento espiritual. Toda nova informação ou descoberta alcançada
constituía mais uma inspiração de Deus, e Wesley encarava-a como tal.
Amplitude
Wesley não limitava a leitura devocional à Bíblia, mas buscava inspiração significativa
em uma vasta gama de materiais devocionais. Versado nos clássicos, desfrutava de
fontes anglicanas, puritanas, moravianas e católico-romanas. Conseqüentemente, sua
vida devocional possuía uma profundidade e variedade que uma única fonte seria
incapaz de oferecer.
Assim, podemos inferir mais um princípio importante. Não podemos contentar-nos com
uma só perspectiva nem com a “espiritualidade popular”, que segue apenas o que está
em voga no momento. Há necessidade de se descobrir a riqueza dos materiais
devocionais provenientes de muitos séculos de história cristã. Somos sustentados por
gigantes espirituais. Wesley nos desafia a libertarmo-nos de uma noção por demais
limitada da vida devocional e a prestarmos atenção aos santos do passado,
examinando tudo pelo padrão das Escrituras.
Oração
Para Wesley, o principal meio institucional da graça era a oração. Não é exagero dizer
que ele vivia para orar e orava para viver. Wesley entendia a fé cristã como uma vida
de relacionamento com Deus por intermédio de Jesus Cristo, e a oração era o dom de
Deus para facilitar e enriquecer tal relacionamento. Para ele, a ausência de oração era
a causa mais comum de aridez espiritual.
Como era a prática de Wesley nessa área tão vital?
Primeiramente, Wesley começava o dia em oração. Muito tem sido dito sobre seu
hábito de levantar-se cedo, normalmente às 4h30 ou 5 horas. Embora seja verdade
que ele tenha feito isso por mais de 50 anos, também é necessário lembrar que
Wesley geralmente se deitava antes das 22 horas. O princípio não está tanto no
horário específico em que se levantava, mas no fato de que dirigia seus primeiros
pensamentos a Deus. Ao fixar a mente em Deus logo de manhã, ele sabia que estaria
adquirindo a consciência da presença divina durante todo o dia.
Como é de se esperar, Wesley era por demais metódico para não estabelecer alguma
ordem para as orações. Ele escolheu a prática comum de fixar um padrão semanal,
segundo o qual cada dia era dedicado a um tópico em particular.
As orações escritas formavam a base de suas orações, mas, no seio destas, Wesley
deixava espaço para as orações de improviso. As orações escritas forneciam o foco, e
as orações extemporâneas possibilitavam a espontaneidade.
Muitos podem achar que orações escritas são muito formais, uma maneira estranha de
comunicar-se com Deus. Porém, ao dar aconselhamento, tenho descoberto que os
pensamentos soltos são um problema quase universal na oração. Muitas pessoas têm-
se expressado assim: “Quando oro, minha mente vaga em todas as direções. O que
posso fazer para manter a concentração?”.
Como resposta, creio que seja útil o uso da combinação de oração escrita e oração
espontânea. Quanto melhor for o foco na oração, menos problemas teremos com a
mente desatenta. Mergulhando no espírito da oração escrita, refletindo sobre as
palavras, podemos absorvê-las e depois elevá-las a Deus como expressão de nosso
coração.
Wesley acreditava que, ao fazermos uso das orações escritas, enriqueceríamos nossa
compreensão e a expressão da verdadeira oração. Descobrimos áreas da oração que
não recebem a devida atenção. Somos auxiliados a orar num espírito de comunidade
com a igreja universal.
Em segundo lugar, Wesley orava durante todo o dia. Seu diário mostra que ele treinara
a mente para orar a cada hora. Essas orações geralmente eram breves, curtas frases
de louvor. Constituíam o meio de apresentar os eventos de sua vida a Deus.
Se você já está achando que esse exemplo não é prático para quem se encontra em
meio ao acelerado ritmo da vida moderna, lembre que Wesley também não era um
recluso. Ele não vivia uma vida monástica ou isolada. Pelo contrário, mantinha horários
de trabalho, escrita, pregação e viagem impressionantes até mesmo pelos padrões
modernos. Evidentemente, ele não se retirava a cada hora para os exercícios
devocionais, mas cultivava esse hábito internamente. Ele aprendeu a estar
perfeitamente engajado nos assuntos da vida e, ao mesmo tempo, envolvido na
oração a Deus.
Esse é o verdadeiro significado do conselho de Paulo sobre orar sem cessar. Wesley
chamou a oração de “fôlego da vida espiritual” e sugeriu que, do mesmo modo como
um indivíduo não pode parar de respirar, também não pode parar de orar.
Para alguns, a oração incessante desenvolve-se por lembretes. Eu conheço pessoas
que colam um lembrete de oração ao telefone. Cada vez que toca, elas oram pela
pessoa do outro lado da linha. Executivos agendam um encontro com Deus no meio do
dia, trazendo, assim, a fé para bem dentro do trabalho. Outros colocam lembretes de
oração por toda a casa. Ao encontrá-los, eles oram. Algumas pessoas fazem soar o
alarme do relógio digital a cada hora e usam-no como uma chamada à oração. Cada
uma dessas pessoas exemplifica a preocupação de Wesley em orar durante o dia.
Wesley também orava ao final do dia para fazer uma revisão das atividades e
confessar os pecados cometidos. Ele tomava resoluções de mudanças e entregava-se
ao cuidado e à proteção de Deus ao deitar-se. Wesley afirmava que, ao fazê-lo,
conseguia dormir em paz quase todos os dias.
Precisamos aprender a arte de dormir corretamente. Com freqüência, percebo que
estou trabalhando até a hora de ir para a cama. Por conseguinte, minha mente ainda
está fervilhando quando me deito. No subconsciente, continuo trabalhando ao invés de
descansar. No dia seguinte, acordo com uma sensação de fadiga ao invés de
revigoramento. Descobri que não sou um caso único. Wesley nos lembra de que
precisamos de tempo para nos acalmar e entregar o dia e a nossa pessoa a Deus. A
oração em particular no final do dia é um meio de desanuviarmos a mente e
dormirmos sem o peso dos problemas.
Extraído e adaptado de A Vida Devocional na Tradição Wesleyana, de Steve Harper,
Imprensa Metodista. O livro completo pode ser baixado gratuitamente pelo site:
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/ebooks2.asp

Grandes Exemplos do Passado

MARTINHO LUTERO
Nos cultos domésticos, a família (Lutero, a esposa e os filhos) rodeava um harmônio
com o qual louvavam a Deus juntos. O reformador lia o Livro que traduzira para o
povo, e, depois, todos louvavam a Deus e oravam até sentir a presença divina entre
eles.
Ao meditar sobre as Escrituras, muitas vezes esquecia-se das refeições. Quando estava
escrevendo o comentário sobre o Salmo 23, passou três dias no quarto comendo
somente pão e sal. A esposa precisou chamar um serralheiro, e quebrar a fechadura, e
acharam-no escrevendo, mergulhado em pensamentos e esquecido de tudo o que o
rodeava.
Lutero também tinha o costume de orar durante horas a fio. Dizia que, se não
passasse duas horas orando de manhã, receava que Satanás ganhasse a vitória sobre
ele durante o dia. Certo biógrafo escreveu a seu respeito: “O tempo que ele passa em
oração produz o tempo para tudo o que faz. O tempo que passa com a Palavra
vivificante enche-lhe o coração até transbordar em sermões, correspondência e
ensinamentos”.
De todos os livros que escreveu, o favorito de Lutero era o Catecismo menor,  de 1529,
que, com perguntas e respostas simples, explicava os Dez Mandamentos, o Credo dos
Apóstolos e a Oração do Senhor, além de alguns princípios para a vida cristã à luz do
seu entendimento do evangelho. No prefácio ao Catecismo maior,  ele escreveu:
Faço como criança a quem se ensina o Catecismo: de manhã, e quando quer que
tenha tempo, leio e profiro, palavra por palavra, o Pai-Nosso, os  Dez
Mandamentos,  o Credo,alguns  salmos  etc.  Tenho de  continuar diariamente a ler e
estudar, e, ainda assim, não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno
do Catecismo. Também me fico prazerosamente assim. [...] Existe multiforme proveito
e fruto em ler e exercitá-lo todos os dias em pensamento e recitação. E o Espírito
Santo está presente com esse ler, recitar e meditar, e concede luz e devoção sempre
nova e mais abundante, de tal forma que a coisa de dia em dia melhora em saber e
é  recebida com apreço cada vez maior.
Fonte: Heróis da Fé, Orlando Boyer, CPAD; Gigantes da Fé, Franklin Ferreira, Editora
Vida.
JONATHAN EDWARDS
Em seu momento devocional diário, Edwards ia para um bosque a cavalo e caminhava
sozinho, meditando. Anotava suas idéias em pedaços de papel e, para não perdê-los,
pendurava-os no casaco. Ao voltar para casa, o casaco parecia mais um tabuleiro de
xadrez, e Sarah, a esposa dele, ajudava-o a tirar as anotações.
Durante toda a vida, Edwards anotou extensamente em cadernos, papéis soltos e
folhas inseridas em livros. Em uma de suas bíblias, costurou uma folha em branco
entre todas as páginas, a fim de poder registrar notas e comentários sobre a leitura
bíblica.
Alguém deu o seguinte testemunho a respeito dele: “Sua constante e solene
comunhão com Deus, em secreto, fazia com que o rosto brilhasse, e sua aparência,
seu semblante e comportamento eram acompanhados de seriedade, gravidade e
solenidade”.
Fontes: Christian History (revista do grupo Christianity Today) e Heróis da Fé, Orlando
Boyer, CPAD.
C. S. LEWIS
Lewis era muito modesto com relação à vida devocional. Ele gostava de dizer: “Não
sou como os místicos, aqueles que sobem a montanha para orar. Sou alguém que está
no sopé da montanha. Eu não estou muito alto nem lá embaixo. Vivo no meio da
montanha, como um cristão normal”.
Lewis achava que a submissão à vontade de Deus era mais importante do que fazer
grandes façanhas na oração. Ele aconselhava: “Não seja dramático em sua vida de
oração”. Ele meditava e orava ao redor do parque depois de dar aulas na universidade.
Também delineou a força de atração do que chamava de “doce desejo e alegria”, a
saber, o sabor da presença de Deus na vida diária, que atinge o coração como se fosse
um golpe, quando a pessoa experimenta e desfruta das coisas, revelando-se, em
última análise, com um anelo não-satisfeito por quaisquer realidades ou
relacionamentos criados, mas amenizado somente na entrega de si mesmo, no amor
do Criador, em Cristo.
Conforme Lewis sabia, diferentes estímulos disparam esse desejo em diferentes
pessoas. Quanto a si mesmo, ele falava sobre “o cheiro de uma fogueira, o sonido de
patos selvagens que passam voando baixo, o ruído das ondas na praia”. Ao lado de
diversos escritores do passado, que tinham um discernimento muito mais profundo
sobre essas questões do que as pessoas de hoje, Lewis via o amor a Deus elevando-
nos até ele, enquanto o contemplamos e o desejamos, em lugar de arrastar Deus para
baixo, ao nosso nível, como muitos tendem a fazer hoje em dia.
Fonte: Gigantes da Fé, Franklin Ferreira, Editora Vida

RICHARD FOSTER
“A carência de densidade espiritual verdadeira conduziu-me, quase instintivamente,
aos mestres devocionais da fé cristã – Agostinho de Hipona, Francisco de Assis, Juliana
de Norwich e muitos outros. Por algum motivo, eu tinha a sensação de que esses
antigos autores viviam e respiravam a substância espiritual que os novos amigos de
nossa pequena comunidade buscavam tão desesperadamente.
“Obviamente, eu já tivera contato com as obras desses autores no ambiente
acadêmico, mas havia sido uma leitura distanciada, cerebral. Lia-os agora com olhos
diferentes, pois lidava no dia-a-dia com necessidades humanas dolorosas que
dilaceram a alma e rasgam as entranhas. Esses “santos”, como às vezes os chamamos,
conheciam Deus de um jeito que eu evidentemente não conhecia. Cristo fazia parte da
experiência deles como uma realidade capaz de definir os rumos da própria vida.
Possuíam uma visão ardorosa de Deus que os cegava para todos os
comprometimentos concorrentes. Eles experimentavam a vida edificada sobre a Rocha.
“Não importava o que eu estivesse lendo na época – A Prática da Presença de Deus,
do Irmão Lourenço; Castelo Interior, de Teresa de Ávila, Journal (Diário), de John
Woolman,The Knowledge of the Holy (O Conhecimento do Santo), de A. W. Tozer: eles
conheciam Deus de maneiras que excediam em muito qualquer coisa que eu houvesse
experimentado – ou desejasse experimentar. Contudo, à medida que me deixava
embeber com as histórias desses homens e mulheres em cuja vida ardia o fogo do
amor divino, comecei a desejar esse tipo de vida para mim. E esse desejo levou à
busca, que levou à descoberta. E o que encontrei me apaziguou, levou-me a regiões
mais profundas e solidificou minha fé…”
“A maneira pela qual Bill (pastor luterano) me ensinou a respeito de oração foi orando
– oração vivida: honesta, sincera, que sonda a alma de intenso contentamento.
Fazíamos isso e, com o tempo, começamos a experimentar o “doce abandonar-se na
Divindade”, para usar as palavras de Madame Guyon. Para ser honesto, havia nisso
bastante da sensação e do aroma que emanavam das experiências dos mestres
devocionais que eu estava lendo.”
Fonte: Celebração da Disciplina, Richard Foster, Editora Vida.

GEORGE MULLER
“Já faz pelo menos dez anos que eu tenho um hábito: todos os dias, assim que me
visto de manhã, passo algum tempo em oração. No entanto, percebi que o mais
importante é voltar-me para a leitura da Palavra de Deus, acompanhada de
meditação,  para que meu coração seja consolado, encorajado, advertido, reprovado,
instruído.
“A primeira coisa que faço,  depois de pedir, em poucas palavras, a bênção de Deus, é
começar a meditar na Palavra de Deus,  procurando-a em cada versículo. Meu objetivo
não é extrair dela a bênção, nem beneficiar o ministério público da Palavra, nem
pregar sobre o que meditei, mas buscar alimento para minha própria alma.
“Descobri que o resultado, quase sempre, é que, após alguns minutos, minha alma é
levada à confissão, ao agradecimento, à intercessão ou à súplica, de modo que,
embora não esteja orando, no sentido estrito do termo, e, sim, meditando, acabo,
quase de imediato, voltando-me à oração.
“Quando, dessa maneira, permaneço por algum tempo em confissão, intercessão,
súplica ou agradecimento, prossigo lendo o versículo. Transformo tudo, enquanto
avanço, em orações por mim ou pelos outros, conforme a Palavra me guia, mas
continuando a manter diante de mim o objetivo de que minha meditação é obter
alimento para minha própria alma. O resultado é que meu homem interior é, quase
sempre, adequadamente alimentado e fortalecido.”
Primavera de 1841, Bristol, Inglaterra
Fonte: Meditações para a Vida, Ken Gire, Textus.
HUDSON TAYLOR
O grande missionário Hudson Taylor tinha o costume de passar uma hora com Deus
antes de clarear o dia. Fosse qual fosse o lugar, ou as circunstâncias em que se
encontrasse, mesmo em plena pobreza na longínqua China, aproveitava essa hora
para ler a Bíblia. Ao chegar aos 71 anos de idade, podia dizer que, nos últimos 40
anos, havia lido a Bíblia 40 vezes. Na ocasião, confessou: “A coisa mais difícil na vida
de um missionário é perseverar em estudar a Bíblia com regularidade e oração.
Satanás sempre apresenta outra coisa a fazer justamente quando devemos fazer
aquilo”.
Fonte: Toda a Família, Orlando Boyer, CPAD.

O Devocional – Você o Conhece?

A julgar pela quantidade de títulos disponíveis nas diversas editoras religiosas, o


devocional é um companheiro até bem-conhecido e popular entre os cristãos hoje.
Porém, se fizéssemos uma pesquisa para descobrir quantos realmente o utilizam
regularmente – ou, o que é mais importante, quantos praticam uma vida devocional
constante – a impressão certamente seria muito diferente. 
Por devocional, entendemos um livro que contém leituras curtas, muitas vezes uma
para cada dia no ano, com meditações baseadas nas Escrituras que podem servir para
direcionar os pensamentos na hora silenciosa com Deus, preparar o caminho para
comunhão, despertar o coração, deixar uma semente a germinar durante o dia ou
alimentar o espírito. 
É absolutamente necessário o cristão usar um instrumento como esse nas suas
devoções diárias? Evidentemente, não. Essencial é a meditação nas Escrituras, o único
devocional totalmente inspirado por Deus. Entretanto, inúmeros homens e mulheres
têm encontrado inspiração e estímulo nas anotações que outros servos de Deus
produziram durante o tempo que eles passaram em comunhão com o Senhor. 
Se você ainda não aprendeu a usar essa ferramenta, faça uma experiência agora em
2009. Ainda dá para começar. Existem devocionais para todas as idades, para pais,
crianças, adolescentes, casais, profissionais; para quem é novo na fé, para quem é
mais maduro – e assim por diante. 
A seguir, uma pequena amostra dos devocionais disponíveis, com um texto de cada,
para estimular o seu apetite.

MEDITAÇÕES COM HENRY NOUWEN


Compilado por Evelyn Bence
Editora : Habacuc
Valor: 32,00
112 Reflexões, uma seleção compacta dos melhores textos que Nouwen produziu. A
obra apresenta os temas marcantes na vida do autor: oração, solitude, comunidade e
o amor ilimitado de Deus.
Oração Revolucionária
Ao orar, você se abre para a influência do Poder que se revelou como Amor. O Poder
confere a você liberdade e independência. Uma vez tocado por esse Poder, você não é
mais levado de um lado para outro pelas inúmeras opiniões, idéias e sentimentos.
Você encontrou um centro para sua vida que lhe dá uma distância criativa, então tudo
que você vê, ouve e sente pode ser testado. Cristo é o homem que, da maneira mais
reveladora, deixou claro que a oração significa compartilhar do poder de Deus. A
oração possibilitou a Jesus transformar completamente seu mundo. E deu a ele a
capacidade de atração para arrancar incontáveis pessoas de uma existência miserável,
mas também incitou a agressão que o levou à morte. Cristo, que é chamado de Filho
do Homem, e também de Filho de Deus, revelou o significado da oração. Nele, o
próprio Deus tornou-se visível para queda e ascensão de muitos.
A oração é uma questão revolucionária, pois, uma vez que você começa a orar, toda a
sua vida entra num equilíbrio dinâmico. Se você realmente orar, ou seja, entrar de fato
na realidade do invisível, reconheça que está tendo a ousadia de expressar um juízo
crítico fundamental, um criticismo esperado por muitos, mas extremamente pesado
para outros.
MULHERES QUE AMARAM A DEUS 
365 DIAS COM AS MULHERES DA BÍBLIA
Autora: Elizabeth George
Editora: United Press / Hagnos
Valor: 37,00
Você terá a oportunidade de conhecer, dia a dia, a história de uma mulher e sua
maravilhosa caminhada com Deus, de meditar sobre um texto bíblico e aprender novas
maneiras de aplicar as verdades espirituais à sua vida
Sob as Asas de Deus – Rute
“…sob cujas asas vieste buscar refúgio” (Rt 2.12).
O pequeno livro de Rute apresenta dois hinos maravilhosos cantados por duas pessoas
que buscaram refúgio sob as asas de Deus.
0 hino de Rute: Fazia pouco tempo que Rute, uma mulher que amava a Deus, havia
depositado sua confiança no Senhor de Israel. Apesar de ter sido criada nas terras
pagãs de Moabe, Rute entregou seu coração e foi obediente ao Deus de Israel, o único
e verdadeiro Deus. Em sua proclamação de fé a Noemi, sua desolada sogra, Rute
proferiu palavras de devoção que ecoaram como um hino:
…aonde quer que fores, irei eu, 
e onde quer que pousares, ali pousarei eu;
o teu povo é o meu povo,
o teu Deus é o meu Deus.
Onde quer que morreres, morrerei eu,
e aí serei sepultada (Rute 1.16,17).
0 hino de Boaz: Boaz foi um homem que amou a Deus. Ele era proprietário de terras e
parente distante de Rute por parte do pai de seu falecido marido. Ao conhecer Rute,
Boaz a abençoou e incentivou por ela ter passado a crer em Deus e disse-lhe palavras
que também soaram como um hino:
O Senhor retribua o teu feito,
e seja cumprida a tua recompensa
do Senhor, Deus de Israel,
sob cujas asas vieste buscar refúgio  (Rute 2.12).
Que palavras maravilhosas! Talvez Boaz considerasse Rute – a corajosa mulher que,
andando a esmo por suas terras, trabalhava nas plantações de cevada com tanto
esforço, sob o calor forte, colhendo o suficiente para alimentar por um dia a si mesma
e a sua sogra viúva – uma jovem frágil e delicada. As palavras de Boaz deixam claro
que aquela mulher, que amava a Deus, buscara refúgio sob suas asas – asas de
proteção e segurança, asas carinhosas, fortes e cálidas. Na Bíblia Sagrada, Deus é
comparado a uma ave que abriga seus filhotes sob suas asas (Salmo 36.7). Boaz usou
essa mesma metáfora para abençoar a mulher que, confiando em Deus, buscou
refúgio sob suas asas.
Você confia em Deus e só nele? Depende totalmente daquele que a protege e cuida de
você, filha dele? Está repousando sob as asas amorosas de Deus? Deus, nosso Pai
celestial, tem a responsabilidade de protegê-la. Sua responsabilidade é confiar nele e
descansar sob a sombra de suas asas.
REFEIÇÕES DIÁRIAS COM OS PROFETAS MENORES
Autor: Elben M. Lenz César
Editora: Ultimato
Valor: 37,50
Páginas: 323
Você vai ler os Profetas Menores com intenso prazer e tirar lições maravilhosas desses
doze livros da Bíblia! São 313 devocionais que não estão presos ao calendário, mas
podem ser lidos ao longo do ano.
“Você é nosso convidado para tomar uma refeição conosco todos os dias. Sente-se à
nossa mesa. Queremos que você nos conheça.” Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
ORAÇÃO CLAMANTE
Do ventre da morte gritei por socorro, e ouviste o meu clamor  (Jonas 2.2).
Existe oração silenciosa. É aquela que se faz no coração, sem emitir som algum,
movendo ou não os lábios. É como a oração de Ana, no santuário de Siló.
Do lado contrário ao da oração silenciosa está a oração clamante. É aquela que se faz
geralmente em voz alta. Em situações de intenso perigo e de perigo iminente, é
comum a oração clamorosa.
Todas as orações do livro de Jonas são clamantes. Em meio à violenta tempestade, os
marinheiros clamaram primeiro aos seus deuses e depois ao Senhor (Jn 1.5,14). Em
meio às algas marinhas que se enrolavam em sua cabeça, Jonas clamou ao Senhor.
Em meio à catástrofe anunciada, os ninivitas clamaram ao Senhor (Jn 3.8).
Tudo era iminente: o naufrágio do navio nas águas do mar, a morte do profeta no
ventre do grande peixe e o juízo de Deus no espaço da grande cidade de Nínive. Era
impossível orar silenciosamente. As circunstâncias exigiam orações de clamor.
UMA MESA NO DESERTO
Ouse encontrar-se com Deus todos os dias
Autor: Watchman Nee
Editora dos Clássicos
Valor: 42,00
Este é um clássico dos devocionais. As mensagens foram colhidas do rico ministério de
Watchman Nee. Ele conheceu profundamente seu Senhor e, por meio das profundas
experiências de sofrimento, alcançou maturidade para apresentá-lo como o verdadeiro
sentido da vida aos que andam no deserto deste mundo.
“São os que foram remidos dentre os homens. Primícias para Deus e para o Cordeiro”
(Ap 14.4).
Minha província natal de Fukien é famosa por suas laranjas. Eu diria (ainda que, sem
dúvida, seja preconceituoso) que não existe nada como suas laranjas em qualquer
parte do mundo. Ao contemplar as colinas no início da época de laranjas, todos os
pomares estão verdes. Contudo, se observar com maior cuidado, você verá,
espalhadas aqui e ali nas árvores, laranjas amarelas já começando a aparecer. È
maravilhoso ver aquelas manchas douradas despontando entre as árvores verdes. Mais
tarde, toda a colheita estará madura e os pomares ficarão amarelos, mas, no
momento, são estes primeiros frutos que são colhidos. Eles são cuidadosamente
colhidos com as mãos, e chegam aos maiores preços no mercado, quase sempre
custando três vezes o preço da colheita.
Estamos convencidos de que todos os cristãos chegarão à maturidade de algum modo.
Entretanto, o Cordeiro busca os primeiros frutos para sua hora de maior necessidade.
TUDO PARA ELE 
Autor: Oswald Chambers
Editora Betânia
Valor: 40,00
Páginas: 287
Tudo que tenho, tudo que sou e tudo que espero ser… Uma entrega total e irrevogável
ao Senhor, para o engrandecimento do seu nome.
Primeiro publicado em 1927, dez anos após a morte precoce de Oswald Chambers, a
partir de anotações de suas pregações feitas por sua esposa, este livro é o devocional
mais lido de todos os tempos. Continua entre os 10 títulos religiosos mais vendidos na
língua inglesa.
Não Fujamos do Ponto Crucial
Tudo Para Ele. “Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada
serei envergonhado…” (Fp 1.20). Todos nós nos sentiremos muito envergonhados se
não nos rendermos a Jesus justamente naquilo em que ele pediu que o fizéssemos.
Paulo diz: “Minha determinação é a de dar Tudo para ele.” Fazê-lo é uma questão de
vontade, não de discussão ou de racionalização, mas de uma rendição da vontade,
uma rendição absoluta e irrevogável daquilo que ele nos pede. Uma excessiva
consideração por nós mesmos é que nos impede de tomarmos essa decisão, embora a
rotulemos de consideração pelos outros. Quando levamos em conta o que a nossa
obediência ao apelo de Jesus custará a outros, na verdade estamos dizendo a Deus
que ele não sabe o que ela significará. Não fujamos do ponto crucial; ele o sabe sim.
Descartemos todas as outras considerações e mantenhamo-nos diante de Deus com
apenas este propósito: “Tudo Para Ele”. Estou decidido a viver absoluta e inteiramente
para ele.
Minha ousadia pela sua santidade. Quer isso implicasse em vida ou morte, não
importava! (v. 21). Paulo decidira que nada o impediria de fazer exatamente o que
Deus queria. A ordem de Deus tem que produzir uma crise em nossa vida, porque não
a atenderemos se vier de maneira mais suave. Ele nos conduz ao ponto em que nos
pede para darmos o máximo de nós por ele, e nós começamos a argumentar. Então
ele lança mão de uma crise providencial em que somos forçados a tomar uma decisão
– a favor ou contra; nesse ponto deparamo-nos com a grande encruzilhada.
Se você está enfrentando uma crise em qualquer aspecto da vida, renda sua vontade a
ele de forma absoluta e irrevogável.
MEDITAÇÃO PARA A VIDA 
Autor: Ken Gire
Editora: Mundo Cristão
Valor: 29,00
Páginas: 227
Cada meditação é dividida em três partes: Lendo a Palavra, Meditando na Palavra e
Respondendo à Palavra.
Meditação Oitenta e Oito – Lendo a Palavra 
“Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os
homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério,
escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente” (2 Co 3.2-3).
Meditando na Palavra
Esse Espírito é universal, penetra em todos os corações e fala a cada um
individualmente. Fala através de Isaías, Jeremias e Ezequiel. Mesmo sem saber, todos
somos seus instrumentos para levar a mensagem ao mundo, sempre com vigor
renovado. E, se as almas soubessem juntar-se a esse propósito, a vida delas seria uma
sucessão de Escrituras divinas, prosseguindo até o fim dos tempos, escritas não com
tinta sobre papel, mas no coração humano. Isso é o Livro da Vida. Diferente das
Escrituras Sagradas, o Livro da Vida será o registro da história da ação do Espírito
Santo desde a criação do mundo até o dia do julgamento. Lá estará escrito cada
pensamento, palavra, ação e sofrimento de todas as almas. Então, esse escrito será o
registro completo da ação divina.
E assim, a continuação do Novo Testamento está sendo escrita agora, através de
ações e de sofrimento. Os santos sucederam os profetas e os apóstolos, não
escrevendo livros canônicos, mas continuando a história do propósito divino em sua
vida, tantos momentos, expressos vividamente através de sílabas e sentenças. Os
livros que o Espírito Santo está escrevendo são vivos, cada alma um volume no qual o
autor divino faz uma revelação verdadeira de sua palavra, explicando-a a cada
coração, desdobrando-a a cada momento.
Jean-Pierre De Caussade, The Sacrament of the Present Moment (O Sacramento do
Momento Presente).
Respondendo à Palavra
Algumas mulheres refugiadas aprenderam a ler durante um curso especial sobre a
Bíblia, que durou quatro meses. Quando chegou o dia de voltar para casa, na última
reunião antes da partida, uma delas orou:
“Estamos indo para casa, onde muitos não sabem ler. Assim, Senhor, transforma-nos
em Bíblias, para que os que não sabem ler o Livro possam ler tua palavra em nós.”
The World at One in Prayer (O Mundo Unido em Oração), editado por Daniel J. Fleming
FONTES NO VALE
Devocional diário com data
Autora: Lettie Cowman
Editora: Betânia
Valor:  41,00
Páginas:  319
Esta obra dá continuidade ao livro Mananciais no Deserto, um dos títulos mais
conhecidos e apreciados da Editora Betânia, publicado desde 1975. São textos curtos,
mas profundamente espirituais, baseados na inesgotável fonte que é a Palavra de
Deus, cheios da graça, da misericórdia e das consolações do nosso Pai celeste.
2 DE JANEIRO 
“O próprio Jesus se aproximou e ia com eles” (Lc 24.15).
Era uma noite de primavera. Dois homens seguiam pela estrada de Emaús. Iam
encurvados ao peso de um fardo, entristecidos pela morte de seu amado Senhor. De
repente, outra Pessoa os alcança no caminho. Um Desconhecido se põe a caminhar
lado a lado com eles. Iniciam uma animada conversa. Falam exatamente daquilo que
lhes vai no coração, sentindo-se como que envoltos num clarão espiritual que toca sua
alma. Quando chegam a Emaús, nem querem deixá-lo ir embora e o convidam a entrar
e partilhar de sua mesa humilde. E no momento em que ele parte o pão, os homens o
reconhecem. Percebem que aquele era o Senhor!
Ah, que o Senhor nos alcance, também a nós, na jornada da vida. Que sua intensa luz
ilumine nossa vereda de tristezas. Ah, que ele venha aquecer nosso coração e aliviar
nosso pesado fardo. Que caminhe conosco, como andou na estrada de Emaús.
Meu irmão, pegue a estrada, esse caminho solitário, mas pegue-a cheio de coragem,
sem medo algum. Vá preparado para a jornada, para o instante final do crepúsculo.
Será que aí Deus, esse Deus cujo amor é onipresente, vai nos desamparar? Será que
ele se esquecerá da aliança que fez com os homens? — Patience Strong
Jesus nunca envia ninguém sozinho. Ele próprio abre caminho em meio aos
emaranhados da mata e depois, brandamente, nos chama: “Segue-me. Vamos andar
juntos, eu e você”. E ele já esteve em todos os lugares aonde nos manda ir. Seus pés
já “bateram” esse chão, abrindo uma trilha em todas as experiências por que
passamos. Ele conhece, e muito bem, cada palmo do caminho. Conhece a estrada do
vale da desilusão, com suas densas sombras. Sabe como é o íngreme declive da
tentação, ladeado por precipícios pedregosos e barrancos escorregadios. Conhece o
trilho estreito da dor, cercado de espinhos pontiagudos, que espetam e ferem. Já
sentiu as vertigens da elevada estrada do sucesso e andou pelo velho e batido
caminho da rotina diária. Ele pisou — e glorificou — todas as vias, de todos os dias, e
se dispõe a trilhá-las com cada um de nós. A única forma segura de viajarmos na
jornada desta vida é seguir ao lado dele, deixando-o no controle de tudo. — S. D.
Gordon
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A Imitação de Cristo – Primeiro Devocional?
A Imitação de Cristo, depois da Bíblia, de imediata inspiração divina, é considerado o
mais difundido, mais inspirador, mais balsâmico de todos os livros que, em todos os
tempos, vieram à luz neste mundo.
É também, ainda excluindo-se a Bíblia, o mais velho dos livros de leitura permanente
(foi publicado no início do século 15). Tem quase seis séculos de vida e ação nas
consciências, nos corações e nas almas. Durante todo esse tempo, seus textos simples
mas profundos consolam, aconselham, nutrem o espírito e lapidam os sentimentos da
humanidade.
O tempo não lhe amorteceu a pertinência, nem saturou a expectativa dos homens pelo
próprio aperfeiçoamento espiritual.
O autor foi uma pessoa de intensa força interior e um profundo e privilegiado
conhecedor da mente e do coração humano.
O livro foi escrito por um monge e para monges, na densa atmosfera de um convento,
em plena civilização medieval, envolta em seu obscurantismo.
E nisso há outro mistério. É como se o autor se libertasse das paredes de pedra e das
barreiras de uma civilização precária e discriminadora, se projetasse para os tempos
futuros e considerasse a alma humana em sua perenidade, sempre sujeita às mesmas
angústias, tristezas e alegrias, paixões e incertezas.
Atinge todas as gerações ávidas de um profundo conhecimento de nosso Deus, saindo
de um tempo obscuro com frescor, como de uma planta nova que acabou de ser
regada à sombra.
Um devocional que nos leva para mais perto de nosso Senhor pelas palavras e idéias
de quem nos parece estava muito próximo dele.
De certa forma, nem é uma obra muito original. Deve sua estrutura básica aos escritos
dos místicos medievais, e suas idéias e frases são um mosaico de fragmentos da Bíblia
e dos pais da igreja primitiva. Esses elementos, contudo, foram entrelaçados com
tamanha perícia e com uma sensibilidade espiritual ao mesmo tempo apaixonada e
equilibrada que, sem dúvida, o livro continuará a ser um supremo chamado e guia à
vida mais perto de Deus.
Existem novas versões, mas quanto mais antiga a edição mais perto do autor ficamos
o que nos leva a alguns momentos a pensar que até o conhecemos há muito tempo,
um velho e sábio amigo.
Um devocional de peso, livro de cabeceira de João Wesley, citado por grandes nomes
da Igreja Católica e reformadores protestantes, escrito há tanto tempo e, ao mesmo
tempo, extremamente atual ao lidar com nossas emoções.
O autor foi o frei Tomás de Kempis, nascido no ano de 1380, na Alemanha no povoado
de Kempen, nas proximidades de Colônia, foi monge agostiniano no Mosteiro de Santa
Ana, onde permaneceu a vida inteira desde 1412, exercendo a função de mestre de
noviços; morreu em 1471, em Zwolle, distrito de Utreque.
Contribuição – Antônio José Barbosa, Botucatu, SP
Mudança das Regras sobre Vocação Ministerial

Por: Harold Walker


De onde vieram os pastores, pregadores e missionários que exercem seus ministérios
hoje? Como foi que escolheram essa vocação ao invés de serem médicos, advogados,
engenheiros ou professores? Não acredito que tenha sido segundo o critério que ouvi
de um pregador a respeito de um pai que tinha vários filhos: “O meu filho mais velho
vai ser médico, o segundo vai ser engenheiro, o terceiro, advogado e o quarto… Já
que não consegue mais nada, será pastor!”
Talvez, a grande maioria dos ministros atuais possa traçar o início de sua vocação a
partir de um momento especial na juventude durante uma reunião em que a palavra
foi ungida, o Espírito tocou seu coração profundamente num apelo apaixonado e
houve uma decisão de dedicar sua vida totalmente a Deus. Após esse tsunami
espiritual e emocional, quando tudo se aquietou, e eles começaram a pensar sobre
como transformar esse desejo em prática, decidiram ingressar num seminário teológico
e, após alguns anos, tornaram-se ministros com dedicação de tempo integral.
Quando me refiro a esse tipo de ministro atual, estou falando sobre os mais velhos, de
mais de 50 anos de idade. Não acredito que os ministros mais novos tenham
encontrado seu chamado dessa forma. Não conheço estatísticas sobre esse assunto,
mas penso que muitos dos pastores mais novos não passaram por um seminário
teológico de vários anos. Gostaria de pensar que também escolheram sua vocação por
causa de um forte chamado do Espírito, mas, infelizmente, acho que muitos
ingressaram num curso de obreiros, sentiram ter potencial, gostaram da sensação de
estar à frente de um povo e de receber elogios e fama, e estão no ministério mais por
causa dessas motivações do que por um chamado genuíno do Senhor.
De qualquer forma, as qualidades exigidas de um pastor, em muitas igrejas de sucesso
atuais, giram muito mais em torno de carisma, habilidades interpessoais, eloquência no
púlpito, capacidade de administrar e arrecadar ofertas do que de profundidade
teológica ou experiência real com Deus. Mas não é sobre isso que falaremos aqui.
Dois aspectos de mudança de regras na vocação ministerial
Nosso assunto agora é a mudança de regras na escolha da vocação ministerial. Uma
coisa é certa: o Espírito continua chamando jovens e adolescentes para se entregarem
totalmente a ele. Nisso, não há mudança e, se houver, será no sentido de chamar
maiores números de pessoas e com mais urgência por causa da grande colheita que
virá antes da volta do nosso Senhor Jesus.
Creio que as mudanças maiores estejam em duas áreas principais: na questão da
formação teológica e na questão da dedicação integral ao ministério. Ou seja, quando
o jovem se entrega de corpo e alma ao Senhor, ele não precisa necessariamente
estudar por quatro anos num seminário, nem tampouco se tornar um pastor de tempo
integral ou um missionário transcultural. Existem, hoje, muito mais opções para se
preparar e exercer uma vocação dedicada ao Senhor e à sua obra.
Cada vez mais, as pessoas estão entendendo que todos são sacerdotes, e que os
ministros não são mediadores entre os cristãos e Deus. O modelo de um pastor
profissional que é pago para administrar o salão de reuniões, visitar os membros,
presidir as cerimônias religiosas e oficiar casamentos e velórios está ficando cada vez
mais restrito às instituições mais históricas. Apesar de o sacerdócio de todos os
cristãos ser uma das verdades centrais da Reforma Protestante, para muitos, tem
demorado mais de 500 anos para cair a ficha sobre as implicações disso na vida
cotidiana da igreja. Milhões de cristãos hoje acreditam na visão bíblica de que os
presbíteros ou pastores da igreja não fazem parte de uma casta especial, o clero, e sim
são apenas irmãos mais velhos chamados para nutrir e cuidar dos irmãos mais novos.
Dentro desse conceito, os pastores não precisam exercer o ministério de tempo
integral. Podem e, muitas vezes devem, trabalhar em uma profissão secular. Fazendo
assim, eles têm muito mais condições para entender os problemas dos irmãos e
aconselhá-los. E, no final das contas, para o cristão neotestamentário, nada é secular –
tudo é sagrado.“Tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do
Senhor Jesus…” (Cl 3.17).
Se o ministério for entendido dessa maneira, o jovem que é chamado para pastorear o
rebanho, muito mais do que ir para um seminário, precisa ser discipulado em seu
caráter por alguém mais maduro. Precisa achar uma profissão que, além de não o
impedir de exercer seu ministério, contribua com ele. Precisa achar uma esposa que
entenda sua vocação e o ajude a desempenhá-la. E precisa aprofundar-se na
compreensão da Palavra por meio de cursos intensivos e dedicação diária à leitura,
meditação e prática de oração intensiva, tanto individual quanto coletiva.
Por outro lado, se ele é chamado para ser um missionário transcultural, além das
necessidades descritas acima, precisa fazer viagens missionárias de curta duração,
ligar-se a ministérios mais maduros que tenham experiência nessa área, fazer cursos
voltados a missões e aprender uma profissão que seja útil no país ou na região onde
pretende trabalhar.
Resumindo, então, o que dissemos até agora: ao ouvir o chamado do Senhor para
tornar-se um ministro do evangelho, o jovem hoje não precisa fazer quatro anos de
seminário teológico, nem precisa ser sustentado pela igreja para dedicar-se de tempo
integral ao ministério espiritual. As regras estão mudando! Precisamos atentar para
isso!
O equilíbrio em relação ao ministério espiritual de tempo integral
É muito bom entender tudo isso, mas não podemos terminar o artigo aqui! Em épocas
de mudança de regras, existe grande perigo de ir a extremos, de jogar fora coisas
provadas pelo tempo e investir tudo em novos modelos que não são equilibrados nem
seguros.
Uma das grandes vantagens do novo cenário ministerial que se descortina diante de
nossos olhos é que todos os ministros terão profissões e não dependerão da igreja
para seu sustento. Isso acabará com o fantasma de pastores amargurados que se
sentem presos às suas instituições. O Espírito quer levá-los a uma direção, mas a
instituição que os sustenta não concorda; como não têm outro meio para sustentar a
família, sentem-se impedidos de realizar a vontade de Deus.
Por outro lado, se todos estão envolvidos com suas profissões materiais, a obra de
Deus sofrerá grandes perdas, e o ministério da Palavra e da oração se tornará
superficial e vazio. O ministério espiritual ficará apenas com as sobras do tempo e da
energia das pessoas, e isso o prejudicará seriamente.
Portanto, nosso desafio é achar o equilíbrio nesse assunto tão vital para a igreja e a
obra do Senhor em nossos dias. Apesar da mudança de regras e de ambiente, existem
alguns princípios que nunca poderão mudar e, para achá-los, precisamos nos voltar
para a Palavra escrita.
Citaremos aqui apenas alguns exemplos do equilíbrio tão perfeito que a Bíblia nos
apresenta sobre esse assunto:
Jesus, Deus encarnado, passou 30 anos sem se dedicar a um ministério “espiritual”.
Ele praticava a profissão de carpinteiro que aprendera com seu pai terreno, José
(ponto para os que defendem a necessidade de todos trabalharem “secularmente”).
Porém, após seu batismo na água e no Espírito e do período de tentação no deserto,
quando começou seu ministério de pregar, ensinar, curar, expulsar demônios, discutir
com fariseus e escribas e discipular outros homens para fazer o mesmo, Jesus nunca
mais trabalhou “secularmente”. De fato, ele mal tinha tempo para comer ou dormir
(ponto para os que defendem a necessidade de dedicação integral às atividades
“espirituais”)!
Muitos pastores e ministérios de tempo integral hoje quase não se dedicam à Palavra
ou à oração. Seu tempo é tomado com afazeres ministeriais materiais – deveres de
adminstração, pagamento de contas, problemas burocráticos, planejamento de
projetos etc. Quando os doze apóstolos perceberam que, por causa do tempo ocupado
com a tarefa de cuidar das necessidades das viúvas, corriam o perigo de ficar vazios
espiritualmente, rapidamente se recusaram a fazer isso e escolheram sete homens
para tal serviço (At 6.1-6).
(É verdade que dois dos sete, Estêvão e Filipe, estavam tão cheios do Espírito que
também não ficaram no exercício desse serviço, mas saíram curando, pregando e
expulsando demônios e até, no caso de Estêvão, sendo morto por amor a Cristo! Oxalá
que isso acontecesse novamente em nossos dias! Que tivéssemos tantas pessoas tão
cheias do Espírito, orando, pregando, ensinando e curando que quase não achássemos
quem cuidasse das coisas administrativas!)
Paulo é um exemplo perfeito do equilíbrio entre trabalhar em uma profissão “secular”
para o próprio sustento e dedicar-se integralmente ao ministério “espiritual”. Sempre
que possível, ele trabalhava, fabricando tendas, a ponto de algumas vezes rejeitar
ofertas das igrejas para o seu sustento e o de sua equipe (At 20.33-35; 1 Co 9.12,15-
18). Outras vezes, quando o ministério “espiritual” exigia, ele se dedicava
integralmente ao ministério da Palavra (At 18.2-5). Como é importante não ir para um
extremo ou outro! Quando possível, devemos trabalhar para nos manter e ajudar
outras pessoas, mas, quando o ministério exige, devemos ter sensibilidade e
humildade e aceitar o sustento oferecido por outros para nos dedicar exclusivamente à
Palavra e à oração.
Essa não era apenas a prática de Paulo, mas também o seu ensino. Em todas as
igrejas que ele fundava, logo promovia o reconhecimento de presbíteros, pessoas um
pouco mais maduras do que as outras, que tinham caráter aprovado, famílias
exemplares e trabalhavam para o seu próprio sustento. Porém, ele exortou a Timóteo
para que fossem bem remunerados os “presbíteros que governam bem…
especialmente os que labutam na pregação e no ensino”  (1 Tm 5.17,18).
Algumas observações finais:
1 – Apesar de todas as mudanças de regras, o ministério de dedicação integral à
Palavra e à oração ainda é válido, necessário, vital.
2 – Na maioria dos casos, porém, o ministro deve ter uma profissão e ser capaz de se
manter quando necessário.
3 – Os ministérios de pastor e de missionário geralmente devem ser acompanhados
por uma atividade profissional, pois isso, além de não impedir o exercício do ministério,
muitas vezes aumenta a sua eficácia. (Isso não significa que o pastor ou missionário
não deva ser sustentado integralmente, e sim que ele pode exercer outras funções
além das “espirituais”, como, por exemplo, administrar creches, escolas vocacionais,
orfanatos, escolas bíblicas, projetos comunitários etc.)
4 – Em todos os casos, o mentoreamento dos vocacionados é de suma importância,
pois a formação do caráter é tão importante quanto o aprimoramento dos talentos e
dons ministeriais. Em especial, a atitude da pessoa em relação ao dinheiro pode
construir ou destruir o seu ministério. Quer trabalhando “secularmente”, quer sendo
sustentado integralmente, o obreiro precisa dar bom testemunho nessa área, de que
não desperdiça nem dinheiro nem tempo e que não se entrega ao luxo ou à ambição.
5 – O aprofundamento na compreensão da Palavra e o estudo da teologia “viva”
continuam sendo imprescindíveis para um ministério eficaz. Apesar de não ser mais
necessário cursar quatro anos de um seminário teológico, é indispensável fazer cursos
e seminários mais curtos. Acima de tudo, o obreiro nunca deve cessar de “cavar” na
Palavra por meio de estudo intensivo para achar novos tesouros e aprender de outros
mestres, atuais e do passado (pelos livros), para manter um bom estoque de riquezas
em seu “armazém espiritual”.
6 – Em contraste com o passado, quando apenas os pastores eram sustentados pelas
igrejas, existem várias outras atividades e ministérios que deveriam ser sustentados.
Por exemplo, biblicamente, o sustento necessário para liberar a pessoa do trabalho
secular é mais ligado às atividades de estudar e pregar a Palavra e à dedicação à
oração. Precisamos ver muitas pessoas comissionadas por Deus para se tornarem
“missionários de oração”, para levantarem e apoiarem casas de oração 24 horas por
dia, sete dias por semana, pelo mundo afora. Precisamos deixar para trás a ideia
egoísta de que a igreja só sustenta ministérios que ministrem a si mesma. A igreja não
existe para si mesma, mas para o Senhor. Pode e deve sustentar ministérios pastorais,
mas, muito mais do que isso, deve sustentar missionários que fazem a obra de Deus
em outros lugares, e pessoas que exercem o ministério ao Senhor!
11 CONSELHOS AOS PASTORES INICIANTES - Por Joel Beeke

1. ORE, ORE, ORE.

Jamais tome sobre si mesmo nenhuma responsabilidade da igreja sem temperá-la com
oração. Lembre-se do conselho de John Bunyan: “Você pode fazer mais do que orar
depois de ter orado, mas você não pode fazer nada mais do que orar até ter orado”.

2. ESTUDE, ESTUDE, ESTUDE.

Mantenha-se nos pastos verdejantes da verdade em seus estudos. Conserve o seu


hebraico e o seu grego. Prepare os seus sermões com muito cuidado. Escreva alguns
artigos ou alguns livros para aprimoramento pessoal. Participe de algumas das
conferências e seminários de que vale a pena participar, tão comuns em vários locais
hoje. Volte ao seminário para estudar um pouco mais. Faça questão de trabalhar de
forma que sua mente seja expandida.

3. PREGUE, PREGUE, PREGUE.

Empregue o melhor da sua energia e vida, como Paulo, pregando Jesus Cristo (1 Co
2.2). Pregue com frequência. E quando o fizer, pregue de forma bíblica, doutrinária,
experimental e prática. Pregue com paixão, apresentando a Palavra da vida “como um
moribundo falando com outros moribundos”.

4. SEJA UM MODELO, SEJA UM MODELO, SEJA UM MODELO.

Seja um modelo da verdade bíblica para com sua esposa, sua família, para com os que
trabalham com você na igreja, sua congregação, e para com seus vizinhos. Decida-se,
como Thomas Boston, a espalhar o perfume de Cristo onde quer que você vá. Como
Robert Murray M’Cheyne, ore que o Espírito Santo possa torná-lo tão santo na terra
quanto é possível que um pecador perdoado seja santo. Ore para que sua vida seja
uma “carta viva”, seus sermões sejam escritos em sua vida prática.

5. DELEGUE, DELEGUE, DELEGUE.

Não dê aulas a todas as classes na sua igreja. Não seja o responsável pelo boletim
dominical. Não tente regular e supervisionar todas as atividades dos seus colegas de
trabalho. Delegue tudo o que for possível, de forma que você possa concentrar-se na
oração, na pregação, no ensino, e no cuidado espiritual do rebanho.

6. TREINE, TREINE, TREINE.

Treine o seu povo para as funções de liderança nos diversos ministérios da igreja.
Gaste tempo extra com os jovens que podem servir como futuros presbíteros e
diáconos, ou como líderes de diferentes atividades. Pela graça do Espírito,
“desenvolva” futuros líderes. À medida que você os treina, dê-lhes liberdade para usar
os dons e oriente a visão deles tanto quanto possível. Todo o tempo empregado nisso
será muito bem gasto.

7. VISITE, VISITE, VISITE.

Visite o seu rebanho fielmente – no hospital, em casa, e em toda hora de necessidade.


Esteja presente quando precisarem de você. Sempre leia a Palavra e fale algumas
poucas palavras edificantes sobre o texto, e ore em cada visita. Se você falhar nesse
assunto, falhará em tudo mais.

8. AME, AME, AME.

Muitos ministros falham porque negligenciam o amor às ovelhas. Ame e continue


amando o seu povo por aquilo que são, e não pelo que você pensa que deveriam ser.
Aceite-os como são e onde estão, e trabalhe com eles a partir desse ponto, sempre
com paciência, lembrando que, se você não pode associar-se de forma amorosa com
as pessoas onde elas estão, com o passar do tempo elas o rejeitarão. Considere-se
como o tutor espiritual e o cuidador de uma grande família. Seja bondoso com cada
um deles. Leve-os a sentir a sua preocupação por eles e por suas famílias. Faça
perguntas que mostram o seu cuidado por eles. Regue-os com compaixão, quando
estiverem em necessidade. À medida que o seu relacionamento cresce, sempre que for
apropriado, não se acanhe de dizer-lhes que você os ama. E se você tiver inimigos na
igreja, faça de tudo para amá-los também, como Jesus ordenou.

9. DESFRUTE, DESFRUTE, DESFRUTE.

Considere como inacreditável honra e alegria o fato de ser embaixador de Deus.


Edward Payson (1783-1827) disse que com frequência batia palmas de alegria durante
seu estudo particular porque Deus o tinha chamado para o ministério sagrado da Sua
Palavra. A obra do ministério é uma tarefa pesada, mas também é cheia de alegria.
Aprenda a considerar como sua força a alegria do Senhor, em Cristo (Ne 8.10).

10. RENOVE, RENOVE, RENOVE.

Preste atenção à sua saúde. Viva em intimidade com Deus, alimente-se de Cristo, beba
intensamente do Espírito. Tire tempo para descansar, para deixar de lado todos os
fardos, e para abrir-se à luz da Palavra e à direção do Espírito Santo. Lembre-se de
que você é um mero receptáculo ou vaso, e não a fonte das águas vivas. Você não
consegue dar aos outros aquilo que não apanhou primeiro para si mesmo.

11. PERSEVERE, PERSEVERE, PERSEVERE.

Quando chegarem as tribulações e os inimigos perseguirem, não seja um mercenário


que abandona as ovelhas. Persevere no cuidado por elas. Fique firme. Confie em
Eclesiastes 11.1: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o
acharás”.

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