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AUTORIDADE

O senso de autoridade é um dos mais difíceis de se adquirir, entender e praticar. Falaremos apenas para
seres humanos. Não pretendemos abordar autoridade no reino dos animais que não incluem o ser humano.
Axiomas:
Até Deus se submete à autoridade representada pela Sua palavra, pelas Suas profecias e promessas, pois
como O respeitaríamos, não fosse o Seu próprio exemplo ?
Todo indivíduo deve ter sobre si uma autoridade.
Não somos o que pensamos que somos, mas sim o que fazemos. Nossos atos falam mais alto do que nossas
palavras.

Fatos:

As oficinas, centros de atendimento ao consumidor, fábricas, construtoras inventaram a ORDEM DE


SERVIÇO para que tenham a obrigação de fazer determinada coisa. Até o nome ORDEM já é revelador do
poder do documento. O complemento SERVIÇO especifica que ela passará de ORDEM (expressão virtual e
etérea) para ATO (concretização da ORDEM). É uma tentativa do próprio dono, senhor absoluto de seu
negócio, de criar uma autoridade para si.

A autoridade é como um músculo a mais no corpo humano, para dar a força motivadora ao mesmo.

Uma promessa é uma ORDEM de SERVIÇO, uma autoridade criada, uma profecia. Por isto Deus chama
tanta atenção para o valor do VOTO. Se você fizer um VOTO, cumpra-o. Se achar que não tem possibilidade
de cumprí-lo, não o faça. Se eu prometo ao meu filho um brinquedo, eu estabeleço sobre mim a autoridade
da minha promessa. Isto significa que eu prezo tanto a minha pessoa (é preciso ter então o amor-próprio, a
auto-estima), que eu sou capaz de prometer algo, com a firme convicção de que vou fazer este algo. A
promessa não implica a possibilidade no presente de fazer uma coisa, pois se houvesse a possibilidade
presente, eu realizaria o ATO no presente, e a promessa não precisaria mais ser feita, pois promessa é para
futuro. E para os tementes a DEUS isto mostra mais uma dimensão, o da colaboração de Deus para que a
promessa se cumpra.

Portanto, a autoridade, em sua esteira, traz a compreensão da idéia de FUTURO, e da noção de TEMPO.
Para a criança que anseia o brinquedo, explicamos que ela vai ter que esperar alguns dias para ter tal
brinquedo, e portanto desenvolver a PACIÊNCIA, que é uma forma de pré-ciência de que algo vai se realizar.
O pai, ao prometer, lavrou a Ordem de Serviço, que o obriga a cumprir a promessa, senão sua própria
Autoridade ficará abalada.

O império Romano não possuía os melhores guerreiros, e muitas vezes lutou contra inimigos que vinham em
maior número (as vezes em número 3 vezes maior), mas os vencia, devido à hierarquia do exército e à
obediência as ordens. O mesmo aconteceu na Guerra Civil americana, onde a União organizada derrotou a
turba dos desorganizados Confederados.

A nossa sociedade, neste início de século XXI, preza a individualidade, e prega os empregos próprios, numa
clara aversão à autoridade e organização. A terceirização e a pulverização da mão de obra em pequenas
firmas do tipo “eu-me-basto”, faz com que surjam vários patrões de si mesmo, que acham que mandam em
seus próprios negócios, que pegam serviços e não os concluem, pois não tem palavra. Prometem para dois
dias e não executam o serviço nem em um mês. Propagam-se expressões e palavras de ordem do tipo “seja
seu próprio patrão”, “pare de trabalhar para os outros” e “carteira-sem-nada (carteira assinada)”.

Discussão:

Não nascemos com auto-controle. Tudo é ego, o mundo parece que depende de nós para funcionar, e só
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mais ou menos aos sete anos é que tomamos suficiente consciência de que o mundo funciona sem a nossa
intervenção, de que não somos a principal coisa que existe.

É então que a educação de nossos pais e dos chegados começa a surtir efeito, e começamos a nos portar de
forma digna e pensada. Só estou falando aqui dos educados. Do auto-controle e da relação de amor ou medo
partirá a obediência, e se concretizará o laço saudável da Autoridade, pois mesmo através do medo a
Autoridade necessária será saudável. O mundo é mundo, e não uma casa de bonecas, portanto se em um
momento a Autoridade tiver como móvel o medo, que seja.

O auto-controle só se desenvolve a contento se a auto-estima for desenvolvida satisfatoriamente, se for


compreendida, se for formada, e se a escolha do ser humano for a de que esta auto-estima se estabeleça. E
o auto-controle é a autoridade sobre si mesmo. A cadeia começou. Mandamos em nosso íntimo, para que ele
se controle, senão, para o bem da sociedade, ele próprio ordena o nosso fim. Isto é confundido com o tal
institnto de auto-destruição. Mas este último é benéfico para sociedade, pelo menos, pois se não existisse, os
menos aptos psiquicamente não seriam eliminados, pois nos lembremos de que foi colocada em nós a
semente do auto-controle.

Submetido o íntimo, o ego, ou o que quer que seja, estamos prontos para obedecer ao próximo nível de
autoridade, fora de nós. Isto significa que estaremos inexoravelmente presos à necessidade de
relacionamentos, com colegas, vizinhos, irmãos, marido, esposa, filhos, e com o incômodo chefe, patrão,
comandante. E lá ao fim da cadeia de autoridade, teremos o amoroso Deus, o melhor de todos, o mais sábio,
e que inventou isto tudo.

Não temos noção de quantos tem autoridade sobre nós. Nós os ignoramos, ou fugimos deles. Muitos estão
abrindo os próprios negócios, para fugir da autoridade do patrão.
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Autoridade e seus terrenos abstratos

O poder de que se reveste a autoridade através de uma lei (a autoridade é a lei, e não o seu representante)
e que é materializada em um cargo/encargo ou determinação estabelece uma potestade, ou seja, um
terreno no nível abstrato/espiritual, que provoca acontecimentos na sociedade, na família, e
consequentemente no indivíduo, formando o seu ego. Sem acontecimentos (o acontecer), o ego não se
forma, e o ser exibe comportamento de sobrevivência tão somente.

Não existe indivíduo auto-gerido, a não ser os párias da sociedade, pois todo o indivíduo sob o ponto de vista
espiritual deve estar debaixo de uma autoridade.

A predominância da Autoridade

Indivíduos/egos atravessam o tempo. Os indivíduos nos cargos sucedem uns aos outros, bem como os
indivíduos da sociedade (cidadãos). Os cargos, a lei e o princípio da autoridade permanecem, podendo ou
não mudar a sua localização geográfica, mas os indivíduos/egos envelhecem e passam, por causa do tempo.
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Autoridade e tempo esclarecidos

O poder e a autoridade são atemporais. Sempre em um lugar onde existam dois indivíduos existirá
autoridade, pois a toda hora existirá um indivíduo debaixo da autoridade de outrem. Um exemplo disto é o
dizer na Bíblia que onde estiverem dois reunidos em nome de Deus, Ele estará no meio deles.

Potestades e principados tem atravessado o tempo. O próprio homem levantou em sua sociedade reis,
príncipes, ministros, deputados, presidentes, senadores e outros. Estas entidades estão dentro de uma
espécie genérica conhecida como cargo.

As lideranças são temporais, pois o líder, condutor ou guia é um indivíduo com domínio temporal restrito no
tempo.

Os acontecimentos, reuniões, estabelecimentos, cursos, viagens são temporais.

Uma decisão, determinação se projeta no tempo estabelecendo futuro. Apesar de poderem ser modificadas
são eternizadas na história através das narrativas.

Os conceitos são atemporais, mesmo que ultrapassados, pois são eternizados na história através das
narrativas.

Um exemplo de conceito é o comunismo. É mais fácil definí-lo do que enumerar os seus idealizadores,
seguidores, críticos e vítimas. As narrativas acerca dos acontecimentos em torno dele o definem e contam
suas características, causas e consequências.

Os abstratos são mais eternos que os concretos

Os conceitos, a autoridade e o poder são exemplos de fundamentos sobre os quais repousa a sociedade, o
mundo. Eles são entidades absolutamente abstratas e atemporais, ou seja, são eternos e existem desde que
o mundo passou a ser constatado. O indivíduo passa, mas o poder e a autoridade permanecem. São os
conceitos que permanecem.

Ciclo do raciocínio humano

Este ciclo fica claro na sequência de despertamento para a necessidade de se arranjar um trabalho, para
prover a pessoa do seu alimento, e concretizar a sua sobrevivência.

Despertar, decidir, determinar, procurar, [início acontecer] lutar, acabar (concluir), [fim acontecer],
prosperar (transpor a conclusão) , Descanso.

E no final de vários destes ciclos, a única Certeza : a morte.

Na sociedade diz-se muito que as coisas só acontecem quando começamos a lutar. Acontecer é também
referido como fato. É a coisa mais concreta no decorrer do tempo. A coleção dos acontecimentos compõe a
narrativa.
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A metáfora posicional da Autoridade:


O senso de localização/direção/sentido

Muito se fala que “a autoridade é que dá a direção a seguir”, tanto que aqueles que representam a autoridade
nas instituições são chamados de dirigentes ( que dirigem – dirigir é percorrer o espaço geográfico segundo a
direção dos caminhos ), diretores (que dão a direção), e os objetivos a serem atingidos são denominados
diretrizes, direções, direção na qual a empresa deve e vai caminhar. Caminhar é se mover no espaço.

Fala-se também que as pessoas e empresas devem ter um Norte, ou seja, o sentido com uma direção na
qual vão caminhar. A autoridade é o nosso Norte, o sentido para onde aponta o nosso correto proceder
(geograficamente/posicionalmente falando). Quando somos crianças, vamos obedecendo nossos pais, e
desta forma vamos nos capacitando para substituir as autoridades no futuro.

No entanto, se desobedecemos, isto expressa o “desviar-se” para a direita ou para a esquerda, fenômeno
contra o qual nos advertiu a Bíblia. E como se não bastasse, ainda nos foi dito para não olhar para trás:

2 Samuel 14:19 Disse o rei: Não é certo que a mão de Joabe anda contigo em tudo isto? Respondeu ela: Tão certo
como vive a tua alma, ó rei, meu senhor, ninguém se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo
quanto o rei, meu senhor, tem dito; porque Joabe, teu servo, é quem me deu ordem e foi ele quem ditou à tua serva
todas estas palavras.

Não estamos citando a Bíblia como pregação, mas como forma de mostrar como a idéia de autoridade (afinal
se trata de um rei) já se expressa sob a forma de desvio em suas formas mais básicas: direita ou esquerda
(você encontra outras mais básicas em termos de localização ?), na mente do homem que viveu a milhares
de anos atrás. E maior expressão tem esta metáfora quando se constata que saiu da boca de um profeta, que
pelo menos o coloca no status de um filósosfo antenado com valores espirituais e não somente com valores
filosóficos oriundos de elocubrações da vaidade.

Então, o que no senso de localização (conceito básico) é o Norte, na metáfora social/moral de nossa razão
é a autoridade, pois ela é que dá o sentido à nossa vida, até que nos tornemos, nós mesmos, autoridades. E
na ausência de uma figura que represente a autoridade, ela ainda se faz presente através das leis e
mandamentos, do aprender. A obediência às leis e mandamentos dá o subsídio para que nossas escolhas
sejam as corretas de metas e objetivos, pois estes são o Norte de nossas vidas.

A metáfora de cobertura da Autoridade


Nos primeiros anos de vida é fácil constatar que o pai e a mãe, primeiras autoridades, dão a “cobertura”
(agasalho) à criança. Envolvem-na com lençóis, cobertor e com sua proteção. Nem a mãe e nem o pai são a
cobertura. A sua responsabilidade sobre a criança, sua influência, sua presença nas proximidades dão a
cobertura necessária para a criança crescer.

A metáfora de limite da Autoridade


A expressão “colocar limites” para que a criança não se torne um problema para os pais e para a sociedade
encontra-se representada pela primitiva da diferença/separação. As regras, os combinados (contratos), os
limites e fronteiras vão construindo na mente um lugar, uma moradia ética na cabeça da criança, base do
Eu que ela irá desenvolver dentro de si. Desta forma, ela irá desenvolver o conceito e oposição entre interior
e exterior, tão necessários para a classificação dos valores que a cercam.
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Se o Eu é uma morada em nosso interior, como morada só existe se existirem paredes, e estas são os
limites tão falados. Jesus bem disse que o corpo é o templo do Espírito, e citamos isto para mostrar não uma
convicção religiosa, mas para mostrar (1) a antiguidade do conceito e (2) a expressão de Alguém que
excedeu a filosofia grega, a mais expressiva de sua época. Em sua afirmação está o conceito de moradia, e
mais do que isto, pois é dito “templo”, coisa sagrada, especial e superior.
Desenvolvendo o nosso Eu, o nosso interior, estamos erigindo, construindo uma casa absolutamente
particular para nós mesmos, casa esta impenetrável, pois se localiza na mente, e não em uma unidade
habitacional que pode ser invadida por arrombamento. Nela estão os nossos pensamentos mais íntimos.
Suas paredes, mesmo não sendo físicas, não podem ser derrubadas nem pelo mais potente explosivo.
E estas paredes indestrutíveis construímos com a ajuda de nossos preceptores (pai, mãe, parentes,
professores), e, em princípio, só com esta ajuda, pois é a única confiável e com a qual a criança tem laços
afetivos.
As autoridades são, portanto, os mestres de obra e nós somos os pedreiros desta moradia. Os mestres de
obra delimitam os locais para elevação das paredes, e cabe ao Eu levantá-las. Se levantar nos lugares
prescritos, terá uma casa bem feita e distribuída. Se desobedecer, for rebelde, e levantar onde bem entender,
terá para si uma casa mal feita, com o risco de não ter banheiro (será sujo), ou não ter cozinha (passará
fome), ou não ter sala (ser anti-social), ou até não ter porta para a rua (ficará preso dentro de si (louco,
autista, egoísta).

Autoridade = Norte = Sentido = Cobertura = Escudo = Proteção = Mestre de Obra


Separações = Limites = Morada do Eu
AUTORIDADE

Glossário:
AMOR PRÓPRIO – Consciência do eu que lhe diz que tem Autoridade, pelo menos sobre si mesmo suficiente
para se submeter à Autoridade imediatamente superior (mãe, pai, patrão, marido, esposa).
ATO – Expressão da vontade que provoca o movimento do ser em busca da construção e do cumprimento da
Vocação do homem.
DESOBEDIÊNCIA – Rompimento do compromisso estabelecido pela Ordem (Desordem), não cumprimento
da Promessa.Ausência de coerência entre as entidades e o espaço.
FUTURO – Tempo no qual a Promessa se cumprirá.
ORDEM – Entidade executiva que provoca a Promessa de fazer. Percebe-se claramente a Ordem na música.
PACIÊNCIA – Comportamento durante a caminhada entre a Promessa e o Ato, entre a Ordem e o Serviço.
PODER – Delegação, mandado passado por alguém para outrem, de Autoridade. Deus é o único detentor de
Poder que não foi delegado por ninguém.
PROMESSA – Palavra que prepara um acontecimento para o Futuro.
SENSO DE LOCALIZAÇÃO – Convicção do lugar onde se está.
SERVIÇO – Conjunto de Atos que provocará o cumprimento da ordem e a concretização da Promessa.
TEMPO – Distância entre Promessa e Ato, entre Ordem e Serviço.
VOTO – Promessa feita.