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LUIZ, Eduardo Silva; SAPIO, Gabriele.

Métodos alternativos de resolução de conflitos e a


problemática de acesso a justiça diante da cultura do litígio. Revista: Interfaces Científica.
Aracaju, 2017.

O artigo produzido pelos autores tem como objetivo discutir o processo de


concretização do direito de acesso a justiça, apontando o uso de métodos alternativos a
resolução judicial para os conflitos existentes, destacando a mediação, conciliação e
arbitragem como elementos necessários ao efetivo acesso a justiça. O raciocínio adotado
aponta que dificuldades existentes no processo de julgamento realizado pelo judiciário
poderiam ser minimizado se os demandantes modificassem a “cultura do litígio” aceitando
essas ferramentas como capazes de solucionar conflitos.
O desenvolvimento da temática inicia com a retrospectiva histórica do processo de
resolução de conflitos. Inicialmente a solução dos conflitos baseava-se na autotutela, onde
prevalecia o direito arbitrário de uma parte sobre a vontade de outrem. Depois surge a
autocomposição, materializada por três modos: a negociação, mediação e conciliação, neste
cenário, surge a necessidade de uma ou ambas as partes demonstrarem vontade de escolha
deste meio de resolução. Após isto o Estado ganha força e o juiz estatal passa a realizar as
funções inerentes ao julgamento dos conflitos, assumindo em certos casos a função de
conciliador ou mediador do conflito. Por fim, com o advento do código de processo civil de
2015 a mediação, conciliação e arbitragem retomaram papel facilitador na resolução dos
conflitos, desde que as partes demonstrem interesse no uso destas ferramentas.
No desenrolar do texto os autores apresentam o conceito de cultura do litígio, segundo
eles, pode ser conceituado como a predileção dos brasileiros pelo uso do julgamento estatal
para dirimir conflitos, o que prejudica o desempenho do judiciário. O texto não explora as
imperfeições existentes na atuação do judiciário, mas deixa claro que este é um dos fatores
que prejudica a celeridade dos julgamentos. Seguindo sua argumentação com o incentivo ao
uso dos meios auxiliares de resolução dos conflitos, mas especificamente a mediação,
conciliação e a arbitragem.
Em dado momento são apresentados os conceitos de mediação, conciliação e
arbitragem, informações obrigatórias para o correto entendimento do leitor sobre o tema,
conforme apresentado abaixo.
A mediação é definida no artigo como sendo o método pacífico de resolução do
conflito, por meio do qual uma terceira pessoa que deve ser imparcial, ira conduzir encontros
em conjunto ou separadamente com as partes conflitantes, com a intenção de pelo diálogo
resolver a questão, sem impor qualquer decisão e definindo apenas as regras para uma
comunicação sadia entre as partes.
Já a conciliação é tida como o processo onde as partes são mais atuantes e buscam, com
o auxílio do conciliador, um compromisso que coloque fim ao conflito. A conciliação busca a
rápida e imediata solução do conflito, por vezes os conflitos são solucionados na primeira
sessão conciliatória.
Enfim, fala o texto sobre a arbitragem, uma ferramenta de resolução de conflitos
envolvendo questões patrimoniais. O método consiste na escolha de um especialista da área
de interessa das partes que é aceito por elas para arbitrar o conflito, ao fim do processo, o
arbitro emitirá uma decisão que vinculará as partes ao seu cumprimento, resolvendo assim o
conflito.
Um ponto salta aos olhos do leitor é a forma como os autores apresentam a questão do
acesso a justiça constante no inciso XXXV do art. 5 da CF/88. O texto aborda que não é
apenas com o direito de ingressar com uma ação judicial que o cidadão tem o acesso a justiça
garantido, é preciso que as decisões sobre o conflito sejam céleres e não deixem a sensação de
impunidade. Uma das soluções apresentadas por eles é o uso das ferramentas auxiliares
(mediação, conciliação e arbitragem) para que os conflitos não tenham sua mitigação
delongada.

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