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UNISUAM

ENGENHARIA ELÉTRICA

ELETRICIDADE BÁSICA

Prof. RAED

2017-1

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CAPÍTULO I – ELETRODINÂMICA

1 - Corrente elétrica
É o movimento ou o fluxo de elétrons. Para se produzir a corrente, os elétrons devem se deslocar
pelo efeito de uma diferença de potencial - ddp.

A corrente é representada pela letra I. No sistema internacional – SI a unidade de corrente é o


ampère, cujo símbolo é A.

O condutor metálico da figura 1, submetido a uma ddp entre os seus extremos, possui uma
quantidade de elétrons que atravessa a seção reta transversal do condutor desde o instante t até o
instante t + t. Cada elétron apresenta uma carga elétrica elementar e de valor igual a 1,6  10 19 C .

Em um intervalo de tempo t, passa pela seção transversal uma carga elétrica de valor absoluto
igual a:

q  n . e

Onde: q  é a quantidade de carga elétrica em movimento, em coulomb (C).


n  é o número de elétrons.
e  é a carga elétrica elementar de um elétron, que é igual a 1,6x10-19C.

Fig. 1 – No intervalo de tempo Δt, “n” elétrons passam pela seção reta transversal do condutor.

Define-se intensidade média de corrente elétrica i m no intervalo de tempo t:

q
im 
t

Denomina-se corrente contínua constante toda corrente de sentido e intensidade constantes com o
tempo. Neste caso, a intensidade média da corrente i m em qualquer intervalo de tempo t é a

mesma e, portanto, igual à intensidade i em qualquer instante t (im  i) .


1
A figura 2 mostra o gráfico dessa corrente em função do tempo. Esse é o caso mais simples de
corrente elétrica. A pilha mostrada ao lado do gráfico é um exemplo de fonte que fornece uma
corrente contínua constante.

Fig. 2 – A corrente contínua constante tem sentido e intensidade constantes com o tempo.

Quando a corrente varia com o tempo, define-se intensidade de corrente i em um instante t o limite
q
para o qual tende a intensidade média, quando o intervalo de tempo t tende a zero: i  lim
t o t

A figura 3 mostra um gráfico de uma corrente elétrica que muda, periodicamente, de intensidade e
sentido, esta é chamada de corrente alternada. Nos terminais das tomadas das residências,
escritórios, comércios e indústrias no Brasil há uma corrente alternada na frequência de 60 Hz, ou
seja, 60 ciclos/segundo.

Fig. 3 – A corrente alternada muda periodicamente no tempo.

Um ampère de corrente é definido como o deslocamento de um coulomb através de um ponto


qualquer de um condutor durante um intervalo de um segundo.
q 1 coulomb
I 1 ampère 
t 1 segundo

Onde: I  é a corrente elétrica, em ampères (A).


q  é a quantidade de carga elétrica em movimento, em coulomb (C).
t  é o intervalo de tempo, em segundos (s), que a carga elétrica está em movimento.

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2 - Densidade de corrente
É a relação entre a corrente elétrica em ampères e a área da seção transversal do condutor em m2.

J
I Onde: J  é a densidade de corrente elétrica, em ampères/metro quadrado (A/m2).
S
I  é a intensidade da corrente elétrica, em ampères (A).
S  é a área da seção transversal do condutor, em metros quadrados (m2).

3 - Tensão elétrica
A tensão elétrica entre dois pontos é também chamada de diferença de potencial (ddp). Se um total
de 1 joule (J) de energia é usado para mover a carga negativa de 1 coulomb (C) de um ponto para
outro, há uma diferença de 1 volt (V) entre os dois pontos.

A unidade no Sistema Internacional (SI) de tensão elétrica é o volt, cujo símbolo é V. O símbolo de
tensão elétrica é U.
W
U
q

Onde:
U  é a tensão elétrica, em volts (V).
W  é o trabalho, em joules (J).
q  é a carga elétrica, em coulombs (C).

4 - Resistores
O resistor é todo elemento cuja função em um circuito é oferecer uma resistência especificada.

A unidade no SI de resistência elétrica é o ohm, cujo símbolo é o . O símbolo de resistência


elétrica é R.

Para uma dada tensão elétrica, quanto maior a resistência menor será a corrente elétrica. Portanto, a
resistência é a oposição ao fluxo da corrente elétrica.

São exemplos de resistores: filamentos de tungstênio de lâmpadas incandescentes e fios de nicromo


enrolados em hélice em chuveiro elétrico.
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5 - Lei de Ohm
Considere o resistor da figura 4, mantido a uma temperatura constante, percorrido por uma corrente
elétrica i , quando entre seus terminais A e B for aplicada a ddp U.

Fig. 4 – A ddp é a causa da passagem da corrente “i”.

Mudando-se a ddp sucessivamente para U1, U2, U3, ..., o resistor passa a ser percorrido por corrente
de intensidade i1 , i2 , i3 , ...

Ohm verificou, experimentalmente, que mantida a temperatura constante, o quociente da ddp


aplicada pela respectiva intensidade de corrente era uma constante característica do resistor.

U U1 U 2 U 3
    ...  constante = R
i i1 i2 i3

A grandeza R assim introduzida foi denominada resistência elétrica do resistor. A resistência


elétrica não depende da ddp aplicada ao resistor, nem da corrente elétrica que o percorre; ela
depende do condutor e de sua temperatura. A expressão que simboliza a lei de Ohm é:

U
R
I

Onde, conforme já definido:


R  resistência elétrica, em ohms ().

U  tensão elétrica, em volts (V).


I  intensidade da corrente elétrica, em ampères (A).

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6 - Resistores Ôhmicos e Não-Ôhmicos
Na figura 5, o gráfico de U em função de i é uma reta que passa pela origem, constituindo, assim, a
curva característica de um resistor ôhmico. O coeficiente angular da reta (tg ) é numericamente
igual a resistência elétrica do resistor, que é igual a uma constante não nula.

U
tg   R
i

Fig. 5 – Curva característica de um resistor ôhmico.

Para condutores que não obedecem a Lei de Ohm, a curva característica passa pela origem, mas não
é uma reta, conforme mostra a figura 6. Esses condutores são denominados condutores não-lineares
ou não-ôhmicos. A resistência aparente (Rap) é definida em cada ponto da curva da seguinte
maneira:
U U'
Rap  R' ap 
i i'

Fig. 6 – Curva característica de um condutor não-ôhmico.

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7 - Efeito térmico ou efeito joule
Um resistor transforma exclusivamente em térmica a energia elétrica recebida de um circuito.
Portanto, é comum afirmar que um resistor dissipa energia elétrica que recebe do circuito.

Nos aquecedores elétricos em geral (chuveiros elétricos, torneiras elétricas, ferros elétricos,
secadores de cabelos), constituídos de resistores, ocorre a transformação de energia elétrica em
energia térmica.

O efeito da transformação de energia elétrica em térmica é denominado efeito térmico ou efeito


joule. Esse efeito pode ser entendido considerando o choque dos elétrons livres contra os átomos do
condutor.

A energia elétrica transformada em energia térmica ao fim de um intervalo de tempo t é dada por:
Eel  R I 2 t . Esta expressão é conhecida como a Lei de Joule, podendo assim ser enunciada: A

energia elétrica dissipada em um resistor, durante um dado intervalo de tempo t, é diretamente
proporcional ao quadrado da intensidade de corrente que o percorre.

8 - Resistividade
A resistência elétrica de um resistor depende do material que o constitui, de suas dimensões e de sua
temperatura. Portanto, a resistência elétrica R de um resistor em dada temperatura é:
 diretamente proporcional ao seu comprimento (  ), em metros (m);
 inversamente proporcional à sua área de seção transversal (S), em m2;
 dependente do material que o constitui (  ), em .m.

 .
R
S

Onde  (letra grega rô) é uma grandeza que depende do material que constitui o resistor e da
temperatura, sendo denominada resistividade do material. A resistividade de um material varia com
a temperatura. Para variações não excessivas (até cerca de 400ºC), pode-se admitir como linear a
variação da resistência com a temperatura. Nestas condições, a resistividade  a uma temperatura
T é dada por:
   0 [1  (T  t 0 )]

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Onde:   resistividade na temperatura final (T), em .m.
 0  resistividade na temperatura inicial (t0), em .m.
  coeficiente de temperatura do material, em ºC-1.
T  temperatura final, em ºC.
t0  temperatura inicial, emºC.

Tabela 1 - Resistividade de alguns materiais à temperatura ambiente (20ºC).

MATERIAL RESISTIVIDADE (.m)

Prata 1,47x10-8

Cobre 1,72x10-8

Ouro 2,44x10-8

Alumínio 2,75x10-8

Tungstênio 5,25x10-8

Ferro 9,68x10-8

Todos os condutores metálicos apresentam um aumento de resistência elétrica com a elevação de


temperatura. Se uma determinada corrente elétrica aquecer um condutor, haverá uma diminuição
desta corrente devido o aumento da resistência elétrica do condutor, provocado pelo aumento da
temperatura.

R  R0 [1  (T  t 0 )]

Onde: R  resistência na temperatura final (T), em .


R0  resistência na temperatura inicial (t0), em .

  coeficiente de temperatura do material, em ºC-1.


T  temperatura final, em ºC.
t0  temperatura inicial, em ºC.

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Tabela 2 - Coeficiente de temperatura (  ) de alguns materiais.

MATERIAL  (ºC-1)

Prata 0,0038

Cobre 0,00393

Alumínio 0,0039

Tungstênio 0,0045

Ferro 0,0050

9 - Condutividade
A condutividade de um material (  ) é o inverso da resistividade. A unidade no SI de condutividade
é o mho/metro (ʊ/m) ou siemens/metro (S/m).

1


10 - Potência Elétrica
A potência elétrica é a capacidade de produzir trabalho expressa em watts (W).

A potência elétrica (P) em um resistor é o produto da tensão elétrica aplicada (U) pela intensidade
da corrente elétrica resultante (I).

P  U .I

Pela Lei de Ohm, U  R I P  U I  R. I . I  R I 2

U
Sendo I 
R

U2
A potência elétrica dissipada pode, também, ser dada por: P
R

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11 - Energia elétrica
A energia elétrica ( E EL ) consumida por um aparelho, num intervalo de tempo t , é dada por:
t2

E EL   P . dt
t1

A unidade de energia elétrica usual na eletrotécnica é o Wh.


1Ws = 1 J
1kWh 1kW .1h  1000W . 3600s  3.600.000Ws  3.600.000 joules  3,6  106 J

12 - Múltiplos e submúltiplos
Os prefixos das unidades são utilizados para facilitar a escrita das mesmas quando elas estão
expressas ou em valores muito grandes ou muito pequenos. A Tabela 3 mostra os prefixos, seus
multiplicadores e seus símbolos.
Tabela 3 – Múltiplos e Submúltiplos.
PREFIXO SÍMBOLO POTÊNCIA MULTIPLICADOR
DECA da 10 10
HECTO h 10² 100
QUILO k 103 1.000
MEGA M 106 1.000.000
MÚLTIPLOS

9
GIGA G 10 1.000.000.000
12
TERA T 10 1.000.000.000.000
15
PETA P 10 1.000.000.000.000.000
18
EXA E 10 1.000.000.000.000.000.000
ZETA Z 1021 1.000.000.000.000.000.000.000
24
IOTA Y 10 1.000.000.000.000.000.000.000.000

PREFIXO SÍMBOLO POTÊNCIA MULTIPLICADOR


DECI d 10-1 0,1
CENTI c 10-2 0,01
MILI m 10-3 0,001
SUBMÚLTIPLOS

MICRO µ 10-6 0,000.001


-9
NANO n 10 0,000.000.001
PICO p 10-12 0,000.000.000.001
-15
FEMTO f 10 0,000.000.000.000.001
-18
ATO a 10 0,000.000.000.000.000.001
-21
ZEPTO z 10 0,000.000.000.000.000.000.001
-24
IOCTO y 10 0,000.000.000.000.000.000.000.001

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1. O gráfico abaixo representa a intensidade de corrente em um fio condutor, em função do tempo.
Calcule para o intervalo de tempo de 0 a 20 segundos:
(a) A quantidade de carga que passa por uma seção reta do condutor.
(b) O número de elétrons que atravessa a seção reta do condutor.

2. O gráfico a seguir representa a intensidade de corrente em um fio condutor, em função do


tempo. Calcule para o intervalo de 0 a 6s:
(a) A quantidade de carga que passa por uma seção reta do condutor.
(b) O número de elétrons que atravessa a seção reta do condutor.

3. Um condutor é percorrido por uma corrente elétrica de intensidade de 1A. Determine o número
de elétrons que passam por uma seção transversal do condutor em um segundo, sabendo que a carga
elétrica elementar de um elétron vale 1,6 x 10-19C.

4. Relacione quatro efeitos principais produzidos pela corrente elétrica.

5. Um resistor de 20 é percorrido por uma corrente elétrica de intensidade de 3A. Determine:
(a) A ddp nos terminais do resistor.
(b) A potência elétrica consumida pelo resistor.
(c) A energia elétrica consumida no intervalo de tempo de 20s, expressa em joules.

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6. Sabendo-se que 20 lâmpadas de 100 watts e 10 lâmpadas de 150 watts permanecem acesas 5
horas por dia, pergunta-se: Qual o consumo de energia elétrica, em kWh, no período de 30 dias?

7. Um chuveiro elétrico alimentado sob ddp de 127V, consome uma potência de 4,4kW. Calcule:
(a) A resistência elétrica do aparelho.
(b) A intensidade de corrente que percorre o aparelho.
(c) A energia elétrica consumida pelo chuveiro, em kWh, quando ligado durante 72 segundos.
(d) A energia elétrica consumida pelo chuveiro, em joules, quando ligado durante 72 segundos.
(e) O gasto de 30 dias, em reais, se o chuveiro é utilizado durante 90 minutos por dia. Suponha que
o preço do kWh seja de R$ 0,70999.

8. Um chuveiro alimentado sob ddp de 220V, consome uma potência de 4,4kW. Calcule para esta
condição:
(a) A resistência elétrica do aparelho.
(b) A energia elétrica consumida pelo chuveiro, quando ligado durante 24 minutos, expressa em
kWh.
(c) A energia elétrica consumida pelo chuveiro, quando ligado durante 5 minutos, expressa em
joules.

9. Um fio com 200m de comprimento e seção circular de 6mm2, produz uma queda de tensão de
6V, com uma intensidade de corrente elétrica de 10A. Calcule a resistividade do material que
constitui o fio, em .m.

10. Um ser humano pode ser eletrocutado se uma pequena corrente elétrica de 50mA passar perto
do seu coração. Um eletricista trabalhando com as mãos suadas faz bom contato com os dois
condutores que ele está segurando, um em cada mão. Se a sua resistência for de 2000, qual
poderia ser a tensão fatal?

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11. Um fio condutor possui 1,0mm de diâmetro, um comprimento de 2,0m e uma resistência de
50m. Qual a resistividade do material?

12. Um resistor é ôhmico até 100V, tendo resistência de 6. Aplica-se no mesmo uma ddp de
30V e, depois, de 60V. A variação ocorrida na resistência do resistor é: (Justifique).

13. O gráfico abaixo representa a tensão elétrica em função da intensidade de corrente elétrica em
um resistor. Se o resistor for submetido a uma tensão elétrica de 6V, qual será a sua potência
elétrica dissipada?

14. O gráfico abaixo representa a tensão elétrica em função da intensidade de corrente elétrica
em um resistor. Determine a potência elétrica dissipada no resistor, quando for percorrido por uma
corrente de 50mA.

15. Quando 115V são aplicados entre as extremidades de um fio que possui 10m de
comprimento e 0,30mm de raio, a densidade de corrente é igual a 1,4x104A/m2. Determine a
resistividade do fio.

16. Um fusível em um circuito elétrico é um fio que é projetado para derreter, e desse modo abrir
o circuito, se a corrente exceder um valor predeterminado. Suponha que o material a ser usado em
um fusível se funda quando a densidade de corrente atinge 440A/cm 2. Que diâmetro de fio
cilíndrico deveria ser usado para fazer um fusível que limitará a corrente a 0,50A?
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17. Um fio de tungstênio tem uma resistência de 10 a 20ºC. Determine a sua resistência a
120ºC. Dado:  = 0,0045/ºC.

18. Um fio de nicromo (uma liga de níquel-cromo-ferro normalmente usada em elementos de


aquecimento) possui 1,0m de comprimento e 1,0mm2 de área de seção transversal. Ele transporta
uma corrente de 4A quando uma diferença de potencial de 2V é aplicada entre as suas
extremidades. Calcule a condutividade  do nicromo.

19 - Um equipamento elétrico monofásico de 5kW é alimentado por uma fonte de 200 V através de
um circuito de fio de cobre de 4mm2. O comprimento máximo desse circuito, em metros, para que
nele a queda de tensão não ultrapasse 2 %, é de:
0,02  mm 2
Dado: A resistividade do fio de cobre é de
m

20 - Têm-se cinco fios condutores F1, F2, F3, F4 e F5, de mesmo material e à mesma temperatura. Os
fios apresentam comprimento e área de seção transversal conforme tabela abaixo. Sendo R a
resistência elétrica de F1, podemos afirmar que F2, F3, F4 e F5 têm resistências elétricas,
respectivamente:

Fio Área de seção


Comprimento
condutor transversal

F1 ℓ A

F2 2ℓ A

F3 ℓ 2A

F4 ℓ A/2

F5 2ℓ A/2

21 - Um fio cilíndrico de comprimento  e raio de seção reta r apresenta resistência R. Um outro


fio, cuja resistividade é o dobro da primeira, o comprimento é o triplo, e o raio r / 3 , terá resistência
igual a:

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Respostas:
(1) (a) 60C; (b) 3,75x1020elétrons; (2) (a) 27C; (b) 1,6875x1020elétrons; (3) 6,25x1018 elétrons;
(4) magnético, químico, fisiológico e térmico (ou joule); (5) (a) 60V; (b) 180W; (c) 3.600J;
(6) 525kWh; (7) (a) 3,6657; (b) 34,646A; (c) 0,088kWh; (d) 316.800 joules; (e) R$140,58;
(8) (a) 11; (b) 1,76kWh; (c) 1.320.000 joules; (9) 1,8x10-8.m; (10) 100V; (11) 1,9635x10-8.m;
(12) nula; (13) 18W; (14) 2W; (15) 8,2143x10-4.m; (16) 0,38037mm; (17) 14,5;
(18) 2.000.000 mhos/metro; (19) 16m; (20) 2R ; R/2 ; 2R ; 4R; (21) 54R

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CAPÍTULO II – CIRCUITOS ELÉTRICOS DE CORRENTE CONTÍNUA

II.1 – CIRCUITOS EM SÉRIE

1. Introdução
Atualmente, dois tipos de corrente elétrica são usados nos equipamentos elétricos e eletrônicos. Um
deles é a corrente contínua (CC), cujo fluxo de cargas (corrente) não varia o seu sentido com o
tempo. O outro é a corrente alternada (CA) senoidal, cujo fluxo de cargas varia de intensidade e
sentido com o tempo.

Uma bateria como a ilustrada na figura 1 tem, em função da diferença de potencial entre seus
terminais, a capacidade de promover (‘pressionar’) um fluxo de cargas através de um simples
circuito. O terminal positivo atrai os elétrons do fio com a mesma rapidez com que eles são
fornecidos pelo terminal negativo. Enquanto a bateria estiver ligada ao circuito e mantendo as suas
características elétricas, a corrente (CC) através do circuito não terá variações de intensidade nem
sentido.

Se considerar o fio como um condutor ideal (isto é, que não se opõe ao fluxo de elétrons), a
diferença de potencial V entre os terminais do resistor será igual à tensão aplicada pela bateria.

A corrente é limitada somente pelo resistor R. Quanto maior a resistência, menor a corrente, e vice-
versa, como determinado pela lei de Ohm.

Fig. 1 - Componentes básicos de um circuito elétrico.

Por convenção, o sentido do fluxo convencional da corrente ( I convencional ) como indicado na figura

1, é oposto ao do fluxo de elétrons ( I eletrônico ). Além disso, o fluxo uniforme de cargas leva a
concluir que a corrente contínua I é a mesma em qualquer ponto do circuito. Segundo o sentido do
fluxo convencional, observa-se que há aumento de potencial ao atravessar a bateria (de – para +) e
uma queda de potencial ao atravessar o resistor (de + para -). Em circuitos de corrente contínua com

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apenas uma fonte de tensão, a corrente convencional sempre passa de um potencial mais baixo para
um potencial mais alto ao atravessar uma fonte de tensão, como mostra a figura 2.

Fig. 2 - Sentido convencional da corrente para circuitos CC com uma fonte de tensão.

Entretanto, o fluxo convencional sempre passa de um potencial mais alto para um potencial mais
baixo ao atravessar um resistor, qualquer que seja o número de fontes de tensão no mesmo circuito,
como mostra a figura 3.

Fig. 3 - Polaridade resultante da passagem de uma corrente I no sentido convencional, através de


um elemento resistivo.

2. Circuitos em Série
Um circuito consiste de um número qualquer de elementos unidos por seus terminais,
estabelecendo pelo menos um caminho fechado através do qual a carga possa fluir. O circuito visto
na figura 4(a) possui três elementos, conectados em três pontos (a, b e c), de modo a constituir um
caminho fechado para a corrente I.

Fig. 4(a) - Circuito em série Fig. 4 (b) - R1 e R2 não estão em série.

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Dois elementos estão em série se:
 Possuem somente um terminal em comum (isto é, um terminal de um está conectado
somente a um terminal do outro).
 O ponto comum entre os dois elementos não está conectado a outro elemento percorrido por
corrente.

Na figura 4(a), os resistores R1 e R2 estão em série porque possuem apenas o ponto “b” em
comum. As outras extremidades dos resistores estão conectadas a outros pontos do circuito. Pela
mesma razão, a bateria U e o resistor R1 estão em série (terminal “a” em comum), e o resistor R2 e
a bateria U estão em série (terminal “c” em comum). Visto que todos os elementos estão em série, o
circuito é chamado circuito em série.

Se o circuito mostrado na figura 4(a) for modificado de modo que um resistor R3 percorrido por

corrente seja introduzido, conforme ilustra a figura 4(b), os resistores R1 e R2 não estarão mais em
série porque a segunda parte da definição de elementos em série não será verdadeira.

Uma característica do circuito em série é que a corrente elétrica é a mesma através de todos
os elementos ligados no circuito.

Um ramo do circuito é qualquer parte do circuito que possui um ou mais elementos em série. Na
figura 4(a), o resistor R1 constitui um ramo do circuito, o resistor R2 , outro, e a bateria U, um
terceiro.

A resistência total de um circuito em série é a soma das resistências do circuito.

Na figura 4(a), por exemplo, a resistência total ( RT ) é igual a R1 + R2 . Observa-se que a resistência
total é na realidade a resistência ‘vista’ pela bateria quando ela ‘observa’ a combinação de
elementos em série, conforme ilustra a figura 5.

Fig. 5 - Resistência ‘vista’ pela fonte.


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Em geral, para determinar a resistência total (ou equivalente) de “N” resistores em série, é aplicada
a seguinte equação.

RT  R1  R2  R3  ...  RN

Para determinar a resistência total de “n” resistores de mesmo valor em série, simplesmente
multiplica-se o valor de um dos resistores pelo número total de resistores em série, n, ou seja:

RT  n R

Uma vez conhecida a resistência total, o circuito visto na figura 4(a) pode ser redesenhado segundo
mostrado na figura 6, revelando claramente que a única resistência que a fonte ‘vê’ é a resistência
equivalente. Não importa como os elementos estão conectados para estabelecer RT . Desde que o
valor de RT seja conhecido, a corrente drenada da fonte pode ser determinada usando a lei de Ohm
da seguinte forma:

U
I
RT

Fig. 6 – Circuito equivalente.

Como a tensão “U” é fixa, a intensidade da corrente da fonte depende somente do valor de RT .
Uma resistência RT elevada resultará em um valor relativamente pequeno de I , enquanto valores
pequenos de RT resultarão em grandes valores de corrente I .

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O fato de a corrente ser a mesma em todos os elementos do circuito mostrado na figura 4(a) permite
calcular a tensão entre os terminais de cada resistor usando diretamente a lei de Ohm, ou seja:

U1  R1 I

U 2  R2 I

A potência fornecida a cada resistor pode então ser determinada utilizando qualquer uma das três
equações, conforme listado a seguir:

U 12
P1  U 1 I  R1 I 2

R1

U 22
P2  U 2 I  R2 I 2 
R2

U N2
PN  U N I  RN I 2 
RN

A potência fornecida pela fonte é:

Pfornecida  U I

A potência total fornecida a um circuito resistivo é igual a potência total dissipada pelos elementos
resistivos, ou seja:

Pfornecida  P1  P2  P3  ...  PN

19
Exemplo 1: No circuito abaixo, determine:
(a) A resistência total.
(b) A corrente fornecida pela fonte I .
(c) As tensões U1 , U 2 e U 3 .

(d) A potência dissipada por R1 , R2 e R3 .


(e) A potência fornecida pela fonte e a compare com a soma das potências calculadas em (d).

Solução:
(a) RT  R1  R2  R3  2  1  5  8

U 20
(b) I   2,5 A
RT 8

(c) U1  R1 I  (2)(2,5)  5V
U 2  R2 I  (1) (2,5)  2,5V

U 3  R3 I  (5)(2,5)  12,5V

(d) P1  U1 I  (5)(2,5)  12,5W

P1  R1 I 2  (2)(2,5) 2  12,5W

U 12 5 2
P1    12,5W
R1 2

20
P2  U 2 I  (2,5)(2,5)  6,25W

P2  R2 I 2  (1)(2,5) 2  6,25W

U 22 2,5 2
P2    6,25W
R2 1

P3  U 3 I  (12,5)(2,5)  31,25W

P3  R3 I 2  (5)(2,5) 2  31,25W

U 32 12,5 2
P3    31,25W
R3 5

(e) PT  U I  (20)(2,5)  50W

PT  P1  P2  P3  12,5  6,25  31,25  50W

Exemplo 2: Determine RT , I e U 2 para o circuito mostrado.

Solução:
Observe o sentido da corrente, estabelecido pela bateria e a polaridade da queda de tensão entre os
terminais de R2 determinada pelo sentido da corrente.

RT  R1  R2  R3  R4  7  4  7  7  25

21
Como R1  R3  R4  7 , o valor de RT pode ser calculado, também, da seguinte forma:

RT  nR1  R2  (3) (7)  4  25 

U 50
I   2A
RT 25

U 2 R2 I  (4)(2)  8V

Exemplo 3: A resistência total (RT) do circuito é igual a 1500kΩ. Determine:


(a) A tensão da fonte (U).
(b) A energia elétrica total (EEL), em joules, se o circuito ficar ligado durante 25h.
(c) A potência (P1), em µW (microwatt), dissipada em R1.

Solução:
RT  R1  R2  R3

R1  RT  R2  R3  (1500  800  200) k  500k

(a) U  RT . I  1500  103  6  10 6  9V

(b) EEL  PT . t  U .I . t  9  6  10 6  25  3600  4,86 J

(c) P1  R1 . I 2  500  103  (6  10 6 ) 2  18W

22
3. Fontes de Tensão em Série
As fontes de tensão podem ser conectadas em série, como mostra a figura 7, para aumentar ou
diminuir a tensão total aplicada a um sistema. A tensão resultante é determinada somando-se as
tensões das fontes de mesma polaridade e subtraindo-se as de polaridade oposta. A polaridade
resultante é aquela para a qual a soma é maior.

Fig. 7 - Reduzindo fontes de tensão CC em série a uma única fonte.

Na figura 7(a), por exemplo, as fontes estão todas ‘forçando’ a corrente para a direita, de modo que
a tensão total é dada por:

U  U1  U 2  U 3  10  6  2  18V

Entretanto, na figura 7(b) a maior ‘força’ é para esquerda, o que resulta em uma tensão total dada
por:

U  U 2  U 3  U1  9  3  4  8V

23
4. Lei de Kirchhoff para Tensões
A lei de Kirchhoff para tensões (LKT) afirma que a soma algébrica das elevações e quedas de
tensão em uma malha fechada é zero.

Uma malha fechada é qualquer caminho contínuo que, ao ser percorrido em um sentido a partir de
um ponto, retorna ao mesmo ponto vindo do sentido oposto, sem deixar o circuito. Seguindo a
corrente na figura 8, pode-se traçar um caminho contínuo que deixa o ponto “a” através de R1 e
retorna através de U sem deixar o circuito. Assim, abcda é uma malha fechada. Para poder aplicar a
lei de Kirchhoff para tensões, a soma das elevações e quedas de potencial precisa ser feita
percorrendo a malha num certo sentido.

Fig. 8 - Aplicando a lei de Kirchhoff para tensões em um circuito série.

Por convenção, o sentido horário será usado para todas as aplicações da lei de Kirchhoff para
tensões que se seguem. Entretanto, o mesmo resultado pode ser obtido se o sentido escolhido for o
anti-horário e a lei for aplicada corretamente.

Um sinal positivo indica uma elevação de potencial (de – para +), e um sinal negativo, uma queda
(de + para -). Se seguir a corrente no circuito mostrado na figura 8 a partir do ponto “a”, primeiro
encontra-se uma queda de potencial U 1 (de + para -) entre os terminais de R1 e outra queda U 2
entre os terminais de R2 . Ao passar pelo interior da fonte, tem-se um aumento de potencial U (de –
para +) antes de retornar ao ponto “a”.

U 0

24
No circuito da figura 8 usando o sentido horário, seguindo a corrente I e começando no ponto “d”,
tem-se:
 U  U1  U 2  0
U  U1  U 2

A tensão aplicada a um circuito em série é igual a soma das quedas de tensão nos elementos em
série.

A lei de Kirchhoff também pode ser baseada na seguinte fórmula:  U elevações   U quedas

A soma das elevações de potencial em uma malha fechada tem de ser igual à soma das quedas de
potencial.

Se o circuito fosse estudado no sentido anti-horário, começando no ponto “a”, o resultado seria o
seguinte:
U  0
 U  U 2  U1  0
U  U1  U 2

A aplicação da lei de Kirchhoff para tensões não precisa seguir um caminho que inclua elementos
percorridos por corrente. Por exemplo, na figura 9 há uma diferença de potencial entre os pontos
“a” e “b”, embora os dois pontos não estejam conectados por um elemento percorrido por corrente.
A aplicação da lei de Kirchhoff para tensões em torno da malha fechada irá resultar em uma
diferença de potencial de 4V entre os dois pontos. Usando o sentido horário:
12  Ux  8  0  Ux  4V

Fig. 9 - Demonstração de que pode existir tensão entre dois pontos não-conectados por um condutor
percorrido por corrente.

25
5. Regra do Divisor de Tensão
Nos circuitos em série a tensão entre os terminais dos elementos resistivos divide-se na mesma
proporção que os valores de resistência.

Por exemplo, as tensões entre os terminais dos elementos resistivos mostrados na figura 10 são
dadas. O maior resistor, de 6Ω, captura a maior parte da tensão aplicada, enquanto o menor resistor,
R3 , fica com a menor. Observa-se também que, como a resistência de R1 é 6 vezes maior que a de

R3 , a tensão entre os terminais de R1 é também 6 vezes maior que entre os terminais de R3 . O fato

de que a resistência de R2 é 3 vezes maior que a de R1 resulta em uma tensão 3 vezes maior entre

os terminais de R2 . Finalmente, como a resistência de R1 é o dobro da resistência de R2 , a tensão


entre os terminais de R1 é o dobro da de R2 . Portanto, em geral, a tensão entre os terminais de
resistores em série está na mesma razão que suas resistências.

Fig. 10 - Como a tensão se divide entre elementos resistivos em série.

Se a resistência de todos os resistores da figura 10 for aumentada na mesma proporção como


mostrado na figura 11, os valores de tensão permanecerão os mesmos. Em outras palavras, ainda
que as resistências sejam multiplicadas por um milhão, as tensões continuarão as mesmas. Assim,
fica claro que é a relação entre os valores dos resistores que conta para a divisão da tensão, e não o
valor absoluto dos resistores. O valor de corrente no circuito será profundamente afetado pela
mudança nos valores das resistências da figura 10 para a figura 11, mas os valores de tensão
permanecerão os mesmos.

26
Fig. 11 - A razão entre os valores das resistências determina a divisão da tensão em um circuito CC
em série.

O método denominado regra dos divisores de tensão, permite calcular às tensões sem determinar
primeiro a corrente. A regra pode ser deduzida analisando o circuito mostrado na figura 12.

Fig. 12 - Dedução da regra do divisor de tensão.

RT  R1  R2

U
I
RT

27
Aplicando a lei de Ohm:
U  R1 U
U 1  R1 I  R1   
 RT  RT

U  R2 U
U 2  R2 I  R2   
 RT  RT

Rx U
Regra geral: Ux 
RT

Onde U x é a tensão entre os terminais de Rx , U é a tensão aplicada aos elementos em série e RT é


a resistência total do circuito em série.

Exemplo 4: Determine a tensão U 1 para o circuito mostrado a seguir, utilizando a regra do divisor
de tensão.

Solução:

R1U R1U (20)(64) 1280


U1      16V
RT R1  R2 20  60 80

28
6. Fonte de Tensão e Terra
Exceto em alguns poucos casos especiais, os sistemas elétricos e eletrônicos são aterrados por
razões de segurança e para fins de referência. O símbolo que indica a conexão à terra aparece na
figura 13 com seu valor de potencial definido (zero volt).

Fig. 13 - Potencial do ponto de terra.

Se a figura 4(a) fosse redesenhada com a fonte aterrada, pode ter o aspecto mostrado na figura
14(a), 14(b) ou 14(c). Em qualquer caso, fica entendido que o terminal negativo da bateria e o
terminal inferior do resistor R2 estão conectados ao potencial do ponto de terra. Embora a figura
14(c) não mostre nenhuma conexão entre os dois símbolos de terra, supõe-se que tal ligação exista
para garantir o fluxo contínuo da carga. Se U = 12 V, então o ponto “a” está a um potencial
positivo de 12 V em relação ao potencial do ponto de terra (0 V) e existem 12 V entre os terminais
da combinação em série dos resistores R1 e R2 . Se, por exemplo, um voltímetro conectado entre o
ponto “b” e a terra medir 4 V, então a tensão entre os terminais de R2 é igual a 4 V, com o
potencial maior em b.

Fig. 14 - Três formas de mostrar o mesmo circuito CC em série.

O fato de a tensão ser uma grandeza que é estabelecida entre dois pontos resulta em uma notação de
duplo índice inferior que define o primeiro índice inferior como correspondente ao ponto de maior
potencial. Na figura 15(a), os dois pontos que definem a tensão entre os terminais do resistor R são
representados por “a” e “b”. Como “a” é o primeiro índice em U ab , o ponto de “a” deve estar a

um potencial maior que o ponto “b” para que U ab tenha um valor positivo. Se, na verdade, o ponto

29
“b” estiver a um potencial maior que o ponto “a”, U ab terá um valor negativo, conforme indicado
na figura 15(b).
A notação de duplo índice inferior U ab especifica o ponto “a” como o de maior potencial. Se este

não for o caso, um sinal negativo deve ser associado no valor de U ab . A tensão U ab é a tensão no
ponto “a” em relação ao ponto “b”.

Fig. 15 - Definindo o sinal para a notação de duplo índice inferior.

Se o ponto “b” da notação U ab for especificado como o potencial de terra (zero volt), então uma
notação de subscrito inferior único poderá ser usada para informar a tensão em um ponto em relação
ao ponto de terra.

Exemplo 5: Determine a tensão U ab .

Solução:
U ab  U a  U b  16  20   4V

Observe que o sinal negativo indica o fato de que o ponto “b” está a um potencial mais elevado que
o ponto “a”.

30
Exemplo 6: Determine a tensão U a .

Solução:
U ab  U a  U b

U a  U ab  U b  5  4  9V

Exemplo 7: Determine as tensões U b , U c e U ac .

Solução:
Começando no potencial da terra (zero volt), subindo até 10V para chegar ao ponto “a” e em
seguida passa-se por uma queda de potencial de 4V para chegar ao ponto “b”. O resultado é que o
medidor lerá:
U b  10  4  6V

Se continuar até o ponto “c”, haverá uma queda adicional de 20V, o que dará:
U c U b  20  6  20  14V

A tensão U ac pode ser obtida usando a equação abaixo.

U ac  U a  U c  10  (14 )  24V

31
7. Resistência Interna das Fontes de Tensão
Toda fonte de tensão, seja ela um gerador, uma bateria ou uma fonte de alimentação para
experiências de laboratório como a que é mostrada na figura 16, possui uma resistência interna. O
circuito equivalente de qualquer fonte de tensão é, portanto, parecido ao mostrado na figura 16(b).

Fig. 16 - (a) Fontes de tensão CC; (b) circuito equivalente.

A fonte de tensão ideal não possui resistência interna e sua tensão de saída é U volts com carga
máxima ou sem carga. Nas fontes reais, figura 17(b)(c), nas quais consideram-se os efeitos devido a
resistência interna, a tensão de saída será de U volts somente quando a fonte não estiver ligada a
nenhuma carga ( I L  0 ). Quando uma carga for conectada à fonte, figura 17(c), a tensão de saída
da fonte diminui devido à queda de tensão na resistência interna.

Fig. 17 - Fonte de tensão: (a) ideal Rint = 0; (b) determinação de V NL ; (c) determinação de Rint .

Aplicando a lei de Kirchhoff para tensões ao circuito fechado da figura 17(c), tem-se:
U  Rint I L  U L  0

U L  U  Rint I L

Se o valor de Rint não for conhecido, ele pode ser determinado da seguinte forma:

U UL
Rint 
IL

32
Exemplo 8: Antes que a carga seja conectada, a tensão de saída da fonte mostrada na figura (a) está
ajustada para 40 V. Quando uma carga de 500 Ω é conectada, com mostra a figura (b), a tensão de
saída cai para 36 V. O que aconteceu ao restante da tensão e qual a resistência interna da fonte?

Solução:
A diferença de 40V – 36V = 4V aparece entre os terminais da resistência interna da fonte. A
corrente na carga é:
36
IL   0,072 A
500

U  U L 40  36
Rint    55,55 
IL 0,072

8. Regulação de Tensão
Para qualquer fonte de tensão, o ideal é que a tensão da saída se mantenha constante, independente
do valor de corrente, dentro da faixa especificada para a corrente de carga ( I L ). Em outras palavras,
se uma fonte for ajustada para 12 V, é desejável que ela mantenha essa tensão entre os terminais de
saída, mesmo que a corrente de carga varia. Uma medida que indica o quanto uma fonte está
próxima das condições ideais é dada pela característica de regulação de tensão da fonte. Por
definição, a regulação de tensão de uma fonte entre as condições “sem carga” e em “plena carga” é
dada pela seguinte equação:

vazio  c arg a U U L
Re gulação de tensão (U R )%   100  x100
c arg a UL
33
Em condições ideais U  U L e (UR)% = 0. Portanto, quanto menor a regulação de tensão, melhor,
pois será menor a variação da tensão de saída de uma fonte quando a carga varia.

Pode ser mostrado, por meio de uma breve substituição que a regulação também pode ser expressa
na forma:
Rint
(U R ) %   100
RL

Em outras palavras, quanto menor for a resistência interna de uma fonte, menor será sua regulação e
mais ela se aproximará de uma fonte ideal.

Exemplo 9: Calcule a regulação de tensão de uma fonte com U  24V e Rint  0,1 , alimentando

uma carga RL  5 .

Solução:
Rint 0,1
(U R )%   100   100  2%
RL 5

Outra forma de resolução:


U 24
IL    4,7059 A
Rint  RL 0,1  5

U L  RL I L  (5) (4,7059)  23,529V

U U L 24  23,529 0,471
(U R )%   100   100  100  2%
UL 23,529 23,529

34
II.2 – CIRCUITOS EM PARALELO

1. Elementos em Paralelo
Dois elementos ou ramos ou circuitos estão conectados em paralelo quando possuem dois pontos
em comum.

Na figura 1, por exemplo, os elementos 1 e 2 têm terminais “a” e “b” em comum; portanto, eles
estão em paralelo.

Fig. 1 - Elementos em paralelo.

Na figura 2 todos os elementos estão em paralelo porque satisfazem o critério anteriormente citado.
Essas três configurações têm o objetivo de ilustrar como os circuitos em paralelo podem ser
desenhados.

Fig. 2 - Diferentes aparências para uma configuração com três elementos em paralelo.
35
Na figura 3, os elementos 1 e 2 estão em paralelo porque têm os terminais “a” e “b” em comum, e
esta combinação está em série com o elemento 3.

Fig.3 - O elemento 1 está em paralelo com o elemento 2. O elemento 3 está em série com a
combinação em paralelo de 1 e 2.

Na figura 4, os elementos 1 e 2 estão em série devido ao ponto comum “a”, e esta combinação em
série está em paralelo com o elemento 3, como evidenciam as conexões comuns aos pontos “b” e
“c”.

Fig. 4 - O elemento 1 está em série com o elemento 2. Esta associação de 1 com 2 está em paralelo
com o elemento 3.

Nas figuras 1 a 4, os retângulos numerados foram usados como símbolos genéricos representando
um resistor, ou uma bateria, ou mesmo circuitos complexos.

36
2. Circuitos em Paralelo
O circuito mostrado na figura 5 é o mais simples dos circuitos em paralelo. Os terminais “a” e “b”
são comuns a todos os elementos.

Fig. 5 - Circuito em Paralelo.

Como os terminais da bateria estão diretamente ligados aos terminais de R1 e R2 , é óbvio que as
tensões obtidas entre os terminais destes elementos em paralelo são iguais.

Fazendo uso deste fato, tem-se:

U1  U 2  U

U1 U
I1  
R1 R1

U2 U
I2  
R2 R2

Para circuitos em paralelo com apenas uma fonte, a corrente fornecida pela fonte ( I T ) é igual à
soma das correntes em cada um dos ramos do circuito. Logo, a corrente fornecida pela fonte é:
I T  I1  I 2

U U U
 
RT R1 R2

37
A potência dissipada pelos resistores e a potência fornecida pela fonte podem ser obtidas da
seguinte maneira:
U 12
P1  U 1 . I 1  R1 .I 
1
2

R1

U 22
P2  U 2 . I 2  R2 . I 22 
R2

U2
PT  U . I T  RT . I T2   P1  P2
RT

3. Resistência Equivalente

Fig. 6 - Determinação da resistência total (ou equivalente) para resistências em paralelo.

I T  I1  I 2  I 3  ...I N

U U1 U 2 U 3 U
    ...  N
RT R1 R2 R3 RN

U  U1  U 2  U 3  ...  U N

1 1 1 1 1
    ... 
RT R1 R2 R3 RN

Para dois resistores diferentes em paralelo:


1 1 1 R  R2 R1 . R2
   1 RT 
RT R1 R2 R1 . R2 R1  R2

38
Para “ n ” resistores iguais a “R” em paralelo:
R
RT 
n

A resistência total de um conjunto de resistores em paralelo é sempre menor que a do resistor de


menor resistência. Além disso, quanto maior for a diferença entre os valores das resistências de dois
resistores em paralelo, mais o valor da resistência equivalente será próximo do valor da menor
resistência. Por exemplo, a resistência total para um resistor de 3Ω em paralelo com um de 6Ω vale
2Ω. Entretanto, a resistência total de um resistor de 3Ω em paralelo com um de 60Ω é de 2,857Ω.

4. Condutância Equivalente
A condutância é o inverso da resistência. A unidade de condutância é o siemens (S) ou mho
(inverso de ohms).
1
G
R

No caso de elementos em paralelo, a condutância total é a soma das condutâncias individuais. Ou


seja, para o circuito em paralelo visto na figura 7, pode-se representar:

GT  G1  G2  G3  ...  GN

Fig. 7 - Determinação da condutância total para circuito em paralelo.

Quanto maior a condutância total, maior é a intensidade da corrente total no circuito (mantendo
constante a tensão aplicada). Quanto maior for o número de elementos em paralelo, maior será a
corrente de entrada do circuito. Em outras palavras, à medida que aumenta o número de resistores
em paralelo, a corrente na entrada do circuito também aumenta, para uma tensão de entrada
constante. Este efeito é oposto ao que acontece no caso dos resistores em série.

39
Exemplo 1: Determine a condutância e a resistência equivalente no circuito abaixo.

Solução:
1 1
GT  G1  G2    0,333  0,167  0,5 S
3 6

1 1 R1 . R2 3 6
RT    2 Ou, RT    2
GT 0,5 R1  R2 3  6

1 1 1 1 1 2 1 3 1
Ou,         RT  2 
RT R1 R2 3 6 6 6 2
2 1

Exemplo 2: Determine a condutância e a resistência totais do circuito mostrado no exemplo


anterior, se um resistor adicional de 10 Ω for colocado em paralelo com outros elementos.
Solução:
1 1 1
GT  0,5   0,5  0,1  0,6 S RT    1,667 
10 GT 0,6

Observa-se que a adição de mais resistores em paralelo, aumenta-se a condutância e diminui-se a


resistência.

Exemplo 3: Determine a resistência total para o circuito abaixo.

40
Solução:
1 1 1 1 1 1 1 10  5  4 19
       
RT R1 R2 R3 2 4 5 20 20
10 5 4

20
RT   1,0526
19

Exemplo 4: Determine a resistência equivalente de cada circuito.


(a)

Solução:
R 12
RT    4
n 3

(b)

Solução:
R1  R2  R3  R4  R

R 2
RT    0,5
n 4
41
Exemplo 5: Calcule a resistência total do circuito.

Solução:
O circuito foi redesenhado de modo mais conveniente:

R 6
RT'    2
n 3

R2 . R4 9  72 648
RT"     8
R2  R4 9  72 81

RT  RT' || RT"

RT' . RT" 2  8 16
RT     1,6
RT  RT 2  8 10
' "

42
Exemplo 6: Determine a resistência total para cada circuito:
(a)

Solução:
30
30 || 30  RT   15
2

(b) Qual o efeito no valor da resistência total do circuito do item (a) se acrescentarmos um resistor
de mesmo valor?

Solução:
30
30 || 30 || 30  RT   10
3

O valor de RT diminui em relação ao circuito do item (a).

43
(c) Qual o efeito no valor da resistência total do circuito do item (a) se acrescentarmos um resistor
de valor grande em paralelo, conforme mostra a figura abaixo?

Solução:
15  1000
30 || 30 || 1k  15 || 1k  RT   14,778
15  1000

Pequena diminuição no valor de RT , em comparação ao valor de RT do circuito do item (a).

(d) Qual o efeito sobre a resistência total do circuito do item (a) se acrescentarmos um resistor de
valor pequeno em paralelo, conforme figura abaixo?

Solução:
15  0,1
30 || 30 || 0,1  15 || 0,1  RT   0,099338
15  0,1
Diminuição considerável no valor de RT , em comparação ao valor de RT do circuito do item (a).

Conclusão: Em todos os casos, a resistência total de um circuito em paralelo diminui quando é


adicionado um resistor em paralelo, não importando o valor de sua resistência. Observa-se, também,
que a resistência total é menor que a resistência de menor valor do circuito.

44
Exemplo 7: Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente total I T .
(c) As correntes I 1 e I 2 .
(d) A potência dissipada em cada resistor.
(e) A potência fornecida pela fonte comparando o resultado com a potência dissipada pelos
resistores.

Solução:
R1 . R2 9  18 162
(a) RT     6
R1  R2 9  18 27

U 27
(b) IT    4,5 A
RT 6

U 1 U 27
(c) I1     3A
R1 R1 9

U2 U 27
I2     1,5 A
R2 R2 18

(d) P1  U1 . I1  U . I1  27  3  81W
P2  U 2 . I 2  U . I 2  27 1,5  40,5W

(e) PT  U . I T  27  4,5  121,5W


PT  P1  P2  81 40,5  121,5W
45
Exemplo 8: A resistência equivalente do circuito é igual a 4, determine:
(a) A resistência R3 .
(b) A tensão da fonte U.
(c) A corrente total I T .

(d) A corrente I 2 .
(e) A potência dissipada em R2.

Solução:
1 1 1 1 1 1 1 1
(a)       
RT R1 R2 R3 4 10 20 R3

1 1 1 1 5  2 1 2 20
      R3   10
R3 4 10 20 20 20 2
5 2 1

(b) U  U1  R1 . I1  10  4  40V

U 40
(c) IT    10 A
RT 4

U2 U 40
(d) I2     2A
R2 R2 20

(e) P2  R2 . I 22  20  (2) 2  80W

46
5. Lei de Kirchhoff para Corrente
A lei de Kirchhoff para a tensão dá uma relação muito importante entre os valores da tensão ao
longo de uma malha fechada de um circuito. A lei de Kirchhoff para corrente (LKC) fornece uma
relação igualmente importante entre as corrente que chegam a qualquer nó.

A lei de Kirchhoff para corrente (LKC) afirma que “a soma algébrica das correntes que entram e
saem de um nó é igual a zero”. Em outras palavras, a “soma das corrente que entram em um nó tem
de ser igual à soma das correntes que deixam este nó”.

Em forma de equação, tem-se:  I entram   I saem

Fig. 8 - Ilustração da lei de Kirchhoff para corrente.

Na figura 8, por exemplo, a área sombreada pode representar um sistema completo, um circuito
complicado ou simplesmente uma junção de dois ou mais ramos (um nó). Em qualquer dos casos, a
soma das correntes que entram é igual à soma das corrente que saem, conforme pode ser verificado
facilmente:
I1  I 4  I 2  I 3
4  8  2  10
12 A  12 A

47
A aplicação mais comum desta lei será em junções de dois ou mais caminhos (ramos) para a
corrente, conforme é mostrado na figura 9.

Fig. 9 - Demonstração da lei de Kirchhoff para corrente.

Aplicando a lei de Kirchhoff para corrente ao nó da figura 9:


 I entram   I saem
6 2  4
6A  6A

Exemplo 9: Determine as correntes I 3 e I 4 no circuito abaixo usando a lei de Kirchhoff para


corrente.

Solução:
Deve-se trabalhar primeiro com o nó “a”, pois neste caso a única incógnita é I 3 . Na junção “b”
existem duas correntes desconhecidas, I3 e I5, que não podem obviamente serem determinadas a
partir de uma única aplicação da lei.

48
Em “a”:
 I entram   I saem

I1  I 2  I 3

2  3  I3

I3  5 A

Em “b”:
 I entram   I saem

I3  I5  I 4

5  1 I 4
I4  6 A

Exemplo 10: Determine I1 , I 3 , I 4 e I 5 para o circuito abaixo.

Solução:
Em “a”:  I entram   I saem

I  I1  I 2
5  I1  4
I1  5  4  1A

Em “b”:  I entram   I saem

I1  I 3  1 A

49
Um resultado esperado, pois R1 e R3 estão em série, sendo que a corrente em elementos em série é
igual.

Em “d”:  I entram   I saem

I3  I 4  I5

1 4  I 5  5 A

Em “c”:
I2  I4  4 A

Considera-se o circuito como um todo. Observa-se que a corrente que entra é I = 5 A. A intensidade
da corrente que deixa o circuito, à direita, é I 5  5 A . Os dois valores têm de ser iguais, já que a
corrente que entra em qualquer sistema tem de ser igual à corrente que sai do sistema.

Exemplo 11: Determine as correntes I 3 e I 5 aplicando a lei de Kirchhoff para corrente.

Solução:

50
Visto que na junção “b” há duas quantidades desconhecidas e na junção “a” apenas uma, tem que
se aplicar a lei de Kirchhoff para corrente primeiro ao nó “a”. O resultado pode então ser aplicado
ao nó “b”:

Para o nó “a”:
I1  I 2  I 3

4  3  I3 I3  7 A

Para o nó “b”:
I3  I 4  I5

7  1  I5

I5  7 1  6 A

Exemplo 12: Encontre o valor e o sentido das correntes I 3 , I 4 , I 6 e I 7 no circuito mostrado.

Solução:
Embora os elementos não estejam em série nem em paralelo, pode-se aplicar a lei de Kirchhoff para
corrente para determinar todas as correntes desconhecidas.

51
Considerando o sistema em sua totalidade, sabe-se que a corrente que entra deve ser igual à corrente
que sai. Portanto: I 7  I1  10 A

Como estão chegando 10A à junção “a” e 12A estão deixando esta mesma junção, I 3 tem de estar
fornecendo corrente a este nó.

Aplicando a lei de Kirchhoff para corrente na junção “a”:


I1  I 3  I 2
10  I 3  12
I 3  12  10  2 A

No caso do nó “b”, como 12A estão entrando e 8A saindo, logo I 4 , também, deve sair deste ponto.
Portanto:
I2  I4  I5
12  I 4  8

I 4  12  8  4 A

Na junção “c”, tem-se I 3  2 A saindo e I 4 = 4A entrando; logo I 6 deve estar saindo. Aplicando a
lei de Kirchhoff para a corrente ao nó “c”:
I4  I3  I6
4  2  I6
I6  4  2  2A

Verifica-se a consistência dos resultados na junção “d”:


I5  I6  I7
8  2  10 A
10 A  10 A

52
6. Regra do Divisor de Corrente
Conforme o nome sugere, a regra do divisor de corrente mostra que uma corrente que entra em um
conjunto de elementos em paralelos se dividirá entre esses elementos.

No caso de dois elementos em paralelo com resistências iguais, a corrente se dividirá igualmente.

Se os elementos em paralelo tiverem resistências diferentes, o elemento de menor resistência será


percorrido pela maior fração da corrente.

A razão entre os valores das correntes nos dois ramos será inversamente proporcional a razão entre
as suas resistências.

Por exemplo, se a resistência de um dos resistores de uma combinação em paralelo for o dobro da
resistência do outro, então a corrente que o atravessa será a metade da corrente que percorre o
resistor de menor resistência.

Na figura 10, como I 1 vale 1 mA e o valor de R1 é seis vezes o de R3 , a corrente através de R3

tem de ser 6mA (não havendo necessidade de se efetuar quaisquer outros cálculos). No caso de R2

a corrente tem de ser 2mA, pois R1 é o dobro de R2 . A corrente total, I1  I 2  I 3 , é de 9mA.

Portanto, conhecendo somente a corrente que percorre R1 , é possível calcular todas as outras
correntes no circuito, sem ter conhecimento adicional sobre o circuito.

No caso de circuitos para os quais são conhecidos somente os valores dos resistores e a corrente de
entrada, deve-se utilizar a regra do divisor de corrente para calcular as correntes nos vários ramos.

Fig. 10 - Ilustração da forma como a corrente se divide entre resistências diferentes.

53
Fig. 11 - Dedução da regra do divisor de corrente.

A corrente de entrada ( I T ) é dada por U / RT , em que RT é a resistência total do circuito.

Substituindo esta expressão para U  Rx I x , em que I x é a corrente que atravessa o ramo de

resistência R x , a fórmula geral para a regra do divisor de corrente é obtida da seguinte forma:

U R I
IT   x x
RT RT

RT
Ix  IT
Rx

Descrevendo em palavras, a corrente que percorre qualquer dos ramos em paralelo é igual ao
produto da resistência total do circuito pela corrente de entrada, dividido pelo valor da resistência
no ramo em que se deseja determinar a corrente.

Para a corrente I 1 :

RT
I1  IT
R1

Para a corrente I 2 :
RT
I2  IT
R2

E assim por diante.


54
No caso particular de dois resistores em paralelo como mostra a figura 12:

Fig. 12 - Dedução de uma fórmula para a divisão da corrente entre dois resistores em paralelo.

R1 R2
RT 
R1  R2

R1 R2
IT
RT R1  R2
I1  IT 
R1 R1

R2 I T
I1 
R1  R2

Analogamente para I 2 :

R1 I T
I2 
R1  R2

Ou seja, no caso de dois ramos em paralelo, a corrente através de um deles é igual ao produto da
resistência no outro ramo pela corrente de entrada, dividido pela soma dos valores das duas
resistências em paralelo.

55
Exemplo 13: Determine a corrente I 2 usando a regra do divisor de corrente.

Solução:
R1 I T (4000)(6) (4000) (6) 6
I2      2A
R1  R2 4000  8000 12000 3

Exemplo 14: Determine o valor da corrente I 1 usando a regra do divisor de corrente.

Solução: Existem dois métodos para resolver este problema.


1º Método:
1 1 1 1 1 1 1 1 2  3 6 1
          RT  10
RT R1 R2 R3 60 30 20 60 60 10
1 2 3

RT 10
Logo: I1  I T   12  2 A
R1 60

2º Método:
R2 . R3 30  20 600 R23 . IT 12  12
30 // 20  R23     12  I1    2A
R2  R3 30  20 50 R1  R23 60  12

Os dois métodos forneceram, é claro, a mesma resposta. E tem-se agora uma opção para resolver
problemas que envolvam mais de dois resistores em paralelo.
56
A corrente sempre procura o caminho de menor resistência.
1) Para dois resistores em paralelo a maior corrente passará através do resistor de menor resistência.
2) Uma corrente que entra em uma configuração de vários resistores em paralelo se divide entre
estes resistores na razão inversa dos valores de suas resistências. Esse efeito é ilustrado a seguir.

Fig. 13 - Divisão da corrente entre ramos em paralelo.

57
II.3 – CIRCUITOS EM SÉRIE-PARALELO
Circuitos em série-paralelo, também chamados mistos, são os que contêm componentes ligados em
série e em paralelo.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1) Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente elétrica IT , I1 e I2.
(c) A queda de tensão em cada resistor.
(d) A potência dissipada em cada resistor.
(e) A energia elétrica total consumida pelo circuito, em kWh, se ficar ligado durante 10h.

2) Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente elétrica IT , I1 e I2, em mA.
(c) A queda de tensão em cada resistor.
(d) A potência dissipada em cada resistor, em mW.
(e) A energia elétrica total consumida pelo circuito, em quilojoules (kJ), se ficar ligado durante 2h.

58
3) Determine:
(a) A resistência equivalente, em MΩ.
(b) A corrente elétrica total (IT), em A.
(c) A queda de tensão em R1 (U1).
(d) A corrente elétrica em R2 (I2), em A.
(e) A queda de tensão em R5 (U5).
(f) A corrente elétrica em R4 (I4), em A.
(g) A potência total consumida, em mW.
(h) A energia elétrica total consumida, em joules, supondo que o circuito fique ligado 10h.

4) Determine:
(a) A resistência equivalente, em kΩ.
(b) A tensão da fonte (U).
(c) A corrente elétrica I4, em A.
(d) A queda de tensão (U2).

59
5) Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente elétrica total (IT).
(c) A queda de tensão em R1 (UR1).
(d) A queda de tensão em R3 (UR3).
(e) A ddp entre os pontos “a” e “b” (Uab).
(f) A energia elétrica total, em quilojoules (kJ), supondo que o circuito fique ligado 100s.

6) Determine:
(a) A queda de tensão em R1 (UR1).
(b) A queda de tensão em R2 (UR2).
(d) A queda de tensão em R3 (UR3).

60
7) Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente elétrica total (IT).
(c) A corrente elétrica I6.
(d) A queda de tensão em R6 (U6).
(e) A energia elétrica total, em kWh, supondo que o circuito fique ligado 2h.

8) Determine:
(a) A resistência equivalente.
(b) A corrente elétrica I T , I1 e I 2 .
(c) O potencial elétrico Ua.

61
Respostas:
(1) (a) RT = 16; (b) IT = 15A; I1 = 10A; I2 = 5A; (c) UR1 = 180V; UR2 = UR3 = 60V;
(d) PR1 = 2,7kW; PR2 = 600W; PR3 = 300W; (e) Eel = 36kWh; (2) (a) RT = 30k; (b) IT = 5mA;
I1 = 1mA; I2 = 4mA; (c) UR1 = 50V; UR2 = UR3 = 100V; (d) PR1 = 250mW; PR2 = 100mW;
PR3 = 400mW; (e) Eel = 5,4kJ; (3) (a) RT = 10M; (b) IT = 12A; (c) U1 = 24V; (d) I2 = 1,6A;
(e) U5 = 96V; (f) I4 = 6A; (g) PT = 1,44mW; (h) Eel = 51,84J; (4) (a) RT = 120k; (b) U = 12V;
(c) I4 = 60A; (d) U2 = 8V; (5) (a) RT = 4; (b) IT = 3A; (c) UR1 = 7,5V; (d) UR3 = 9V;
(e) Uab = 1,5V; (f) Eel = 3,6kJ; (6) (a) UR1 = 12V; (b) UR2 = 7V; (c) UR3 = 15V; (7) (a) RT = 8;
(b) IT = 30A; (c) I6 = 10A; (d) U6 = 20V; (e) Eel = 14,4kWh; (8) (a) RT = 4; (b) IT = 9A; I1 = 6A;
I2 = 3A; (c) Ua = 6V

62
II.4 – CURTO-CIRCUITO
Provoca-se um curto-circuito entre dois pontos de um circuito quando esses pontos são ligados por
um condutor de resistência desprezível.

O exemplo 1 apresenta resistores em curto-circuito nos itens (a) e (b). Porém, não há curto-circuito
no item (c), pois nesse caso os três resistores estão em paralelo.

Exemplo 1 – Determine a resistência equivalente entre os pontos A e B.


(a)

RAB = 22

(b)

RAB = 11

(c)

RAB = (11/3)

63
Exemplo 2 – Determine a resistência equivalente entre os pontos A e B.
(a)

RAB = 10

(b)

RAB = 32

(c)

RAB = 2
64
(d)

RAB = 2

(e)

RAB = 1

(f)

RAB = 8
65
(g)

RAB = 2,5

(h)

RAB = 2

(i)

RAB = 5

(j)

RAB = 6
66
II.5 – AS LEIS DE KIRCHHOFF
Considere um circuito elétrico constituído de três fontes de tensão (E1, r1), (E2, r2) e (E3, r3) e de
resistores elétricos R1, R2 e R3, conforme o exemplo abaixo.

Chama-se nó o ponto no qual a corrente elétrica se divide.

Os trechos de circuitos entre dois nós consecutivos são denominados ramos.

Qualquer conjunto de ramos formando um percurso fechado recebe o nome de malha.

No circuito elétrico apresentado acima, como exemplo, são:


Nós B e E.
Ramos: BAFE, BE e BCDE.
Malhas: ABEFA, BCDEB e ABCDEFA.

A cada ramo do circuito elétrico atribui-se um sentido de corrente. Esse sentido, embora arbitrário,
deve ser coerente com o elemento de circuito do ramo. Sendo uma fonte de tensão, a corrente
elétrica entra pelo terminal negativo e sai pelo terminal positivo. Sendo um resistor, a corrente entra
pelo terminal positivo e sai pelo negativo.

A primeira lei de Kirchhoff ou lei dos nós estabelece que “em um nó, a soma das intensidades de
corrente que chegam é igual a soma das intensidades de corrente que saem”.

I chegam   I saem

67
A lei dos nós aplicada no nó “B” fornece:
i1  i2  i3 (1)

Essa lei aplicada ao nó “E” leva à mesma equação anterior.

Conhecendo os valores de tensão das fontes e dos resistores, há três incógnitas ( i1 , i2 , i3 ), logo, são

necessárias três equações. Como já existe uma, i1  i2  i3 , ficam faltando duas equações. Para
solucionar, escolhem-se duas das três malhas existentes e adota-se um sentido, que nesse caso será
aplicado o horário ().

Malha ABEFA:
E1  r1 . i1  R1 . i1  r2 . i2  E2  R2 . i1  0 (2)
(r1  R1  R2 ) . i1  r2 . i2  E1  E2

Malha BCDEB:
E2  r2 . i2  R3 . i3  E3  r3 . i3  0 (3)

r2 . i2  ( R3  r3 ) . i3  E2  E3

i1  i2  i3

r2 . i2  ( R3  r3 ) . (i1  i2 )  E2  E3

r2 . i2  R3 . i1  r3 . i1  R3 . i2  r3 . i2  E2  E3

( R3  r3 ) . i1  (r2  r3  R3 ) . i2  E2  E3

Dessa forma, é obtido o sistema de duas equações com duas incógnitas:


(r1  R1  R2 ) . i1  r2 . i2  E1  E2

( R3  r3 ) . i1  (r2  r3  R3 ) . i2  E2  E3

68
Exemplo 1: Determine as intensidades e os sentidos das correntes em todos os ramos.

Solução:
Adotam-se os seguintes sentidos para as correntes i1 , i2 , i3 :

A corrente i1 no sentido horário na malha da esquerda.


A corrente i 2 no ramo central no sentido para cima.

A corrente i3 no sentido horário na malha da direita.

i1  i2  i3 (1)

10  2 i1  3 i2  13  0
 2 i1  3 i2  13  10
 2 i1  3 i2  3 (2)

13  3 i2  14  4 i3  3,5  i3  0

3 i2  5 i3  14  13  3,5

3 i2  5 i3  23,5

3 i2  5 (i1  i2 )  23,5
3 i2  5 i1  5 i2  23,5
5 i1  8 i2  23,5 (3)

 2 i1  3 i2  3  (10)
5 i1  8 i2  23,5  (4)

69
 20 i1  30 i2  30
( ) 20 i1  32 i2  94

62 i2  124

124
i2   2A
62

Uma equação deve ser escolhida, para encontrar a corrente i1 .


 2 i1  3 i2  3
 2 i1  3 (2)  3
 2 i1  3  6
 2 i1  3
i1  1,5 A

i3  i1  i2

i3  1,5  2  3,5 A

Exemplo 2: Determine as intensidades das correntes i1 , i2 , i3 .

Solução:
i1  i2  i3 (1)

 10  2 i2  8 i2  20 i1  40  0
20 i1  10 i2  50  (2)
10 i1  5 i2  25 (2)

70
40  20 i1  4 i3  i3  5  0

20 i1  5 i3  45

20 i1  5 (i1  i2 )  45
20 i1  5 i1  5 i2  45
25 i1  5 i2  45 (3)

10 i1  5 i2  25
() 25 i1  5 i2  45

35 i1  70

70
i1   2A
35

10 i1  5 i2  25
10 (2)  5 i2  25
5 i2  25  20
5 i2  5
5
i2   1A
5

i1  i2  i3

i3  i1  i2  2  1

i3  1A

71
Exemplo 3: Determine as intensidades das correntes I1 , I 2 e I 3 .

I1  I 2  I 3 (I)

75  4I1  5I 2  65  0
 4I1  5I 2  75  65
 4I1  5I 2  10
4I1  5I 2  10 (II)

65  5I 2  3  5I 3  16  I 3  0

 5I 2  6I 3  65  3  16

 5I 2  6I 3  52

5I 2  6I 3  52

5I 2  6I1  I 2   52
5I 2  6I1  6I 2  52
6I1  11I 2  52 (III)

6I1  11I 2  52  (4) 24I1  44I 2  208


4I1  5I 2  10  (6) () 24I1  30I 2  60

148
74I 2  148 I2   2A
74
4I1  5I 2  10
4I1  5 (2)  10
20
4I1  10  10  20 I1   5A
4
I 3  I1  I 2  5  2  7 A

72
Exemplo 4: A intensidade de corrente i1 vale 0,2A. Determine i2 ,i3 e R3 .

Solução:
i3  0,2  i2 (1)

3  5 i1  R3 i3  0

3  (5) (0,2)  R3 (0,2  i2 )  0

3  1  0,2 R3  R3 . i2  0

0,2 R3  R3 . i2  2 (2)

R3 . i3  5 i2  5  0

R3 (0,2  i2 )  5 i2  5  0

0,2 R3  R3 . i2  5 i2  5 (3)

0,2 R3  R3 . i2  5 i2  5

() 0,2 R3  R3 . i2 2

3
5 i2  3 i2   0,6 A
5

i3  0,2  i2  0,2  0,6  0,8 A

0,2 R3  R3 . i2  2

0,2 R3  R3 (0,6)  2

0,8 R3  2

2
R3   2,5 
0,8
73
Exemplo 5: Determine a diferença de potencial U A  U B .

Solução:
Adotam-se os seguintes sentidos para as correntes i1 , i2 , i3 :

A corrente i1 no sentido horário na malha da esquerda;

A corrente i 2 no ramo central no sentido para baixo;


A corrente i3 no sentido horário na malha da direita.

i1  i2  i3 (1)

 10 i1  20  8 i2  0
 10 i1  8 i2  20
10 i1  8 i2  20 (2)

8i2  6  10 i3  0

8 i2  6  10 (i1  i2 )  0
8i2  6  10 i1  10 i2  0
 10 i1  18 i2  6 (3)
74
10 i1  8 i2  20
 10 i1  18 i2  6

26 i2  26

26
i2  1A
26

10 i1  8 i2  20
10 i1  8 (1)  20
10 i1  20  8 (1)
10 i1  20  8
10 i1  12

12
i1   1,2 A
10

i3  i1  i2

i3  i1  i2

i3  1,2  1

i3  0,2 A

U A  U B  U AB
U AB  8i2
U AB  8 1
U AB  8V

75
Exemplo 6: Determine I1 , I 2 e I 3 .

I1  I 2  I 3

180  15I1  5I 2  130  5I1  0


 20I1  5I 2  50  0
20I1  5I 2  50 (I)

130  5I 2  12I 3  100  8I 3  0

230  5I 2  20I 3  0

5I 2  20I 3  230

5I 2  20 ( I1  I 2 )  230
5I 2  20I1  20I 2  230
20I1  25I 2  230 ()5
4I1  5I 2  46 (II)

20I1  5I 2  50
(+) 4I1  5I 2  46

96
24I1  96  I1   4A
24

4I1  5I 2  46  4 (4)  5I 2  46
5I 2  46  16  5I 2  30
30
I2   6A  I 3  I1  I 2  4  6  10 A
5

76
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1) Determine I1 , I 2 e I 3 .

2) Determine I1 , I 2 e I 3 .

3) Determine I1 , I 2 e I 3 .

Respostas:
(1) I1 = 3A; I2 = 2A; I3 = 5A; (2) I1 = 8A; I2 = 20A; I3 = 12A; (3) I1 = 4A; I2 = 10A; I3 = 6A
77
CAPÍTULO III – CAPACITOR

1. Introdução
O capacitor é bem diferente do resistor no que diz respeito à sua função, princípio de
funcionamento e estrutura interna. Ao contrário do resistor, o capacitor apenas exibe seu
comportamento característico quando ocorrem variações de tensão no circuito em que se encontra.
Além disso, se considerar a situação ideal, não dissipa energia, como o resistor, mas armazena e
pode devolvê-la mais tarde ao circuito.

2. Capacitor
O capacitor é um elemento constituído por dois condutores separados por um material isolante
(dielétrico). Estes dois elementos podem assumir diversas formas. Um exemplo simples é o
capacitor de placas paralelas, constituído por dois condutores planos separados por um dielétrico.

Na figura 1a, uma bateria U, uma chave S, um capacitor descarregado C e fios de interligação
formam um circuito elétrico. O mesmo circuito é mostrado no diagrama esquemático da figura 1b,
nos quais os símbolos para uma bateria, uma chave e um capacitor representam esses dispositivos.
A bateria mantém uma diferença de potencial V entre os seus terminais. O terminal de potencial
mais alto é indicado pelo sinal + e frequentemente é chamado de potencial positivo; o terminal de
potencial mais baixo é indicado pelo sinal – e frequentemente é chamado de terminal negativo.

Fig. 1
78
3. Capacitância
A capacitância é uma medida da quantidade de carga que o capacitor pode armazenar em suas
placas, em outras palavras, é a sua capacidade de armazenamento de carga elétrica.

O valor da capacitância depende apenas da geometria das placas e não da sua carga ou da diferença
de potencial.

Um capacitor possui uma capacitância de 1 farad se uma carga de 1 coulomb for depositada em
suas placas por uma diferença de potencia de 1 volt entre elas.

O farad recebeu este nome em homenagem a Michael Faraday, um químico e físico inglês do século
XIX. Na prática ele se mostra, entretanto, uma unidade de medida muito grande para a maioria das
aplicações; assim, é mais comum usar o microfarad (F), nanofarad (nF) ou o picofarad (pF).

q
C Onde:
U
C é a capacitância, em farads (F).
q é a carga elétrica, em coulombs (C).
U é a tensão elétrica entre os terminais do capacitor, em volts (V).

4. Cálculo da Capacitância
4.1 – Capacitor de Placas Paralelas
A capacitância de um capacitor depende da área das placas condutoras, da separação entre as placas
e do dielétrico. Para um capacitor com duas placas paralelas, conforme mostra a figura 2, a sua
capacitância é:

Fig. 2

79
A
C 
d

Onde: C  é a capacitância, em farad (F).


  permissividade ou constante dielétrica do material isolante, em farad/metro (F/m).
A  é a área da placa, em metros quadrados (m2).
d  é a distância entre as placas, em metros (m).

4.2 – Capacitor Cilíndrico


A figura 3 mostra, em corte transversal, um capacitor cilíndrico de comprimento L formado por
dois cilindros coaxias de raios a e b.

O cálculo da capacitância de um capacitor cilíndrico, assim como a de um capacitor de placas


paralelas, depende apenas de fatores geométricos, neste caso L, b e a. Considerando, L » b.

Fig. 3 – Vista superior de um capacitor cilíndrico.

L
C  2 
ln (b / a)

Onde: C  é a capacitância, em farad (F)


  permissividade ou constante dielétrica do material isolante, em farad/metro (F/m).
L  é o comprimento do capacitor, em metros (m).
a  é o raio do cilindro menor, em metros (m).
b  é o raio do cilindro maior, em metros (m).
80
4.3 – Capacitor Esférico
A figura 3 também serve para ilustrar um capacitor esférico em um corte transversal passando pelo
seu centro. O capacitor esférico é formado por duas cascas esféricas concêntricas, de raios a e b.

O cálculo da capacitância de um capacitor esférico é igual a:

ab
C  4 
ba

Onde:
C  é a capacitância, em farad (F)
  permissividade ou constante dielétrica do material isolante, em farad/metro (F/m).
a  é o raio da esfera menor, em metros (m).
b  é o raio da esfera maior, em metros (m).

4.4 – Uma Esfera Isolada


A capacitância atribuída a um único condutor esférico isolado de raio R supondo que “a placa que
está faltando” é uma esfera condutora de raio infinito. Para encontrar a capacitância do condutor
isolado, em primeiro reescreve-se a equação do cálculo do capacitor formado por duas cascas
esféricas.

ab
C  4 
ba

Se considerar b   e substituir “a” por R, encontra-se a equação para o cálculo da capacitância


da esfera isolada:

C  4  R

Onde: C  é a capacitância, em farad (F)


  permissividade ou constante dielétrica do material isolante, em farads/metro (F/m).
R  é o raio da esfera, em metros (m).

81
4.5 – Capacitor Eletrolítico
Um tipo especial de capacitor; adequado para altos valores de capacitância (da ordem de micro ou
milifarads), é o eletrolítico, representado pelos símbolos da figura 4.

Fig. 4

A diferença deste capacitor para os demais, além da alta capacitância que permite maior
armazenamento de cargas elétricas, é a polarização das placas, sendo uma positiva e outra negativa.
Ao contrário dos capacitores comuns que são conectados em qualquer posição (os terminais não
têm polaridade) e com qualquer tipo de tensão (CA ou CC) o eletrolítico só pode ser instalado em
tensão CC com o terminal positivo ligado ao pólo positivo e o terminal negativo ao pólo negativo,
conforme figura 5.

Fig. 5

Se um capacitor eletrolítico for ligado em tensão alternada ou com polarização invertida ele
"estoura". É preciso ter cuidado, pois esta situação costuma provocar acidentes perigosos.

5. Rigidez Dielétrica
Para cada dielétrico existe um valor de campo elétrico que, se aplicado ao dielétrico, quebrará
ligações moleculares internas, permitindo a passagem de corrente. A tensão por unidade de
comprimento (intensidade do campo elétrico) necessária para que haja uma condução em um
dielétrico é uma indicação de sua rigidez dielétrica e é denominada tensão de ruptura. Quando a
ruptura ocorre, o capacitor passa a ter características muito semelhantes às de um condutor. Um
exemplo típico de ruptura de dielétrico é o raio, que ocorre quando a diferença de potencial entre a
nuvem e a terra se torna tão grande que pode haver escoamento de carga de uma para outra pela
atmosfera, que se comporta como o dielétrico.
82
A permissividade é uma medida da facilidade com que o dielétrico “permite” o estabelecimento de
linhas de campo no seu interior. Quanto maior o valor da permissividade, maior a quantidade de
cargas depositadas nas placas.

Para o vácuo, o valor de  (representada 0) é de 8,85 x 10-12 F/m. A razão entre a permissividade de
qualquer dielétrico e a do vácuo é chamada de permissividade relativa (r).


r 
0

O valor de  para qualquer material é, assim, dado por:    r . 0

O valor de r é uma grandeza adimensional. A Tabela 2 mostra os valores da permissividade


relativa para vários materiais isolantes.

Tabela 2 – Permissividade relativa (r) de várias substâncias.

Dielétrico r

Vácuo 1,0

Ar 1,0006

Teflon 2,0

Papel parafinado 2,5

Borracha 3,0

Ascarel 4,0

Mica 5,0

Porcelana 6,0

Baquelite 7,0

Vidro 7,5

Água destilada 80,0

Cerâmica 7500,0

83
6. Corrente de Fuga
O caso ideal é quando o fluxo de elétrons ocorre em um dielétrico apenas quando a tensão de
ruptura é alcançada. Na realidade, existem elétrons livres em todos os dielétricos devido a
elementos de impureza do material.

Quando é aplicada uma tensão entre as placas de um capacitor, uma corrente de fuga, devido aos
elétrons livres, flui de uma placa para outra. Entretanto, normalmente esta corrente é tão pequena
que pode ser ignorada para a maioria das aplicações práticas. Este efeito é representado por um
resistor em paralelo com o capacitor, como mostra a figura 6(a), cujo valor é, tipicamente, maior
que 100 M. No entanto, alguns capacitores, como os do tipo eletrolítico, têm correntes de fuga
relativamente altas. Quando carregados e depois desconectados do circuito, esses capacitores
perdem a carga num tempo na ordem de segundos devido ao fluxo de cargas (corrente de fuga) de
uma placa para a outra, conforme figura 6(b).

Fig. 6 – Demonstração do efeito da corrente de fuga.

7. Simbologia dos Capacitores


Assim como os resistores, todos os capacitores podem ser classificados em duas categorias: fixos e
variáveis. A linha curva representa a placa que é normalmente conectada no ponto de potencial mais
baixo.

Capacitor Fixo Capacitor Variável

Fig. 7 – Simbologia de capacitores.

84
8. Capacitores em Série e em Paralelo
Tanto os capacitores, como os resistores, podem ser conectados em série e em paralelo. Um
aumento nos valores de capacitância pode ser conseguido conectando os capacitores em paralelo,
enquanto uma diminuição é obtida conectando-os em série. No caso de capacitores em série, a carga
é a mesma em todos os capacitores.

Figura 8 – Capacitores em série

QT  Q1  Q2  Q3  QN

Aplicando a lei de Kirchhoff para tensões ao longo da malha, tem-se:

U  U1  U 2  U 3  ...  U N

Q
U
C

QT Q1 Q2 Q3 Q
    ...  N
CT C1 C 2 C3 CN

1 1 1 1 1
    ... 
CT C1 C 2 C3 CN

A capacitância total CT  de dois capacitores em série é:


C1 . C 2
CT 
C1  C 2

A capacitância total CT  de “N” capacitores iguais a “C”em série é:


C
CT 
N
85
No caso de capacitores em paralelo, a tensão é a mesma entre os terminais de todos os capacitores e
a carga total é a soma das cargas dos capacitores.
QT  Q1  Q2  Q3  ...  QN
Q  C .U

Figura 9 – Capacitores em paralelo

CT .U  C1 .U1  C2 .U 2  C3 .U 3  ...  C N .U N

E  U1  U 2  U 3  ...  U N

CT  C1  C2  C3  ...  C N

Exemplos:
1 – Para o circuito abaixo, determine:
(a) A capacitância total.
(b) A carga elétrica em cada capacitor.
(c) A tensão entre os terminais de cada capacitor.

1 1 1 1 1 1 1 1  4  20 1
(a)        
CT C1 C 2 C3 200 50 10 200 8

CT  8F
86
(b) QT  CT .U  8 10 6  60  480  C

QT  Q1  Q2  Q3  480C

Q1 480  10 6
(c) U1    2,4 V
C1 200  10 6

Q2 480  10 6
U2    9,6 V
C2 50  10 6

Q3 480  10 6
U3    48 V
C3 10  10 6

2 - Para o circuito abaixo, determine:

(a) A capacitância total.


(b) A carga elétrica em cada capacitor.
(c) A carga total.

(a) CT  C1  C 2  C3  800  60  1200  2060  F

(b) Q1  C1 .U  800  10 6  48  38,4 m C

Q2  C2 .U  60  10 6  48  2,88 m C

Q3  C3 .U 1200  10 6  48  57,6 m C

(c) QT  CT .U  2060  10 6  48  98,88 mC

87
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. A capacitância C de um capacitor aumenta, diminui ou permanece a mesma quando (a) a carga


q sobre ele é dobrada e (b) a diferença de potencial V entre suas placas é triplicada?

2. Para capacitores carregados pela mesma bateria, a carga armazenada pelo capacitor aumenta,
diminui ou permanece a mesma em cada uma das seguintes situações?
(a) A separação entre as placas de um capacitor de placas paralelas é aumentada.
(b) O raio do cilindro interno de um capacitor cilíndrico é aumentado.
(c) O raio da casca esférica externa de um capacitor esférico é aumentado.

3. Uma bateria de potencial V armazena uma carga q sobre uma combinação de dois capacitores
idênticos. Qual a diferença de potencial entre as placas e a carga sobre qualquer um dos capacitores
se os capacitores estiverem (a) em paralelo e (b) em série?

4. O capacitor da figura abaixo possui uma capacitância de 25F e está inicialmente descarregado.
A bateria fornece uma diferença de potencial de 120V. Depois de a chave S ser fechada, quanta
carga passará por ela?

5. No circuito abaixo suponha que a tensão de entrada seja igual a 120V, C1 = 6F, C2 = 3F;
C3 = 4F. Determine:
(a) A capacitância equivalente da associação.
(b) A carga total armazenada.
(c) A tensão em cada capacitor.
(d) A carga em cada capacitor.

88
6. No circuito abaixo suponha que a tensão de entrada seja igual a 120V, C1 = 7F; C2 = 8F;
C3 = 10F. Determine:
(a) A capacitância equivalente da associação.
(b) A carga total armazenada.
(c) A tensão em cada capacitor.
(d) A carga em cada capacitor.

7. No circuito abaixo suponha que a tensão de entrada seja igual a 120V, C1 = 4F; C2 = 8F;
C3 = 6F. Determine:
(a) A capacitância equivalente da associação.
(b) A carga total armazenada.
(c) A tensão em cada capacitor.
(d) A carga em cada capacitor.

8. Na figura baixo, cada capacitor possui C = 4F e Uab = 28V. Calcule:


(a) A capacitância equivalente.
(b) A carga de cada capacitor.
(c) A diferença de potencial através de cada capacitor.
(d) A diferença de potencial entre os pontos a e d.

9. Um capacitor de placas paralelas possui placas circulares de 8,2cm de raio e 1,3mm de


separação.
(a) Calcule a capacitância. Dado: 0 = 8,85 x 10-12F / m
(b) Que carga aparecerá sobre as placas se for aplicada uma diferença de potencial de 120V?

10. Um capacitor esférico é constituído por duas cascas esféricas condutoras concêntricas
separadas pelo vácuo. A superfície esférica interna possui raio igual a 12,5cm e a superfície esférica
externa possui raio de 14,8cm. Uma diferença de potencial de 120V é aplicada ao capacitor.
Determine a capacitância do capacitor. Dado: 0 = 8,85 x 10-12F/m
89
11. Um capacitor cilíndrico possui um condutor interno com raio 1,5mm e um condutor externo
com raio igual a 3,5mm. Os dois condutores estão separados pelo vácuo e o comprimento total do
capacitor é de 2,8m. Determine a capacitância por unidade de comprimento.
Dado: 0 = 8,85 x 10-12F / m

12. Uma esfera isolada, cujo raio R é de 6,85cm, possui uma carga q = 1,25nC.
Dado: 0 = 8,85 x 10-12F/m. Determine:
(a) A capacitância da esfera isolada
(b) A tensão elétrica nos terminais do capacitor.

13. O capacitor 1, com C1 = 3,55F, é carregado para uma diferença de potencial U0 = 6,30V,
usando uma bateria de 6,30V. A bateria então é retirada e o capacitor é ligado, como na figura
abaixo, a um capacitor 2 descarregado, com C2 = 8,95F. Quando a chave S é fechada, a carga flui
entre os capacitores até que eles tenham a mesma diferença de potencial V. Determine V.

Respostas:
(1) (a) permanece a mesma; (b) permanece a mesma; (2) (a) diminui; (b) aumenta; (c) diminui;
(3) (a) V, q/2; (b) V/2, q; (4) 3mC; (5) (a) 6F; (b) 720C; (c) U1 = 40V; U2 = 80V; U3 = 120V;
(d) Q1 = Q2 = 240C; Q3 = 480C; (6) (a) 6F; (b) 720C; (c) U1 = U2 = 48V; U3 = 72V;
(d) Q1 = 336C; Q2 = 384C; Q3 = 720C; (7) (a) 4F; (b) 480C; (c) U1 = U2 = 40V; U3 = 80V;
(d) Q1 = 160C; Q2 = 320C; Q3 = 480C; (8) (a) 2,4F; (b) Q1 = Q2 = 22,4C, Q3 = 44,8C,
Q4 = 67,2C; (c) U1 = U2 =5,6V, U3 = 11,2V, U4 = 16,8V; (d) Uad = 11,2V; (9) (a) 143,81pF;
(b) 17,257nC; (10) 89,453pF; (11) 65,628pF/m; (12) (a) 7,6180pF; (b) 164,09V; (13) 1,7892V.

90
CAPÍTULO IV - REVISÃO DE NÚMEROS COMPLEXOS

Números Imaginários
A raiz quadrada de um número real negativo é chamada um número imaginário puro.

Ex: 1 , 2 , 3,  16 ,...

Se fizermos j   1

 2   1. 2  j 2

 3   1. 3  j 3

 4   1. 4  j 4  j 2

 5   1. 5  j 5

j  1

j ²  j . j  (  1)²  1
j³  j . j²   j
4
j  j² . j²  1

5 4
j  j . j  j  1

Linha dos números imaginários

91
Números Complexos
Z  x  jy ==========> Z é o número complexo.
x é a parte real.
jy é a parte imaginária.

Quando x  0 => Z é um número imaginário puro.


Quando y  0 => Z é um número real.

a  jb  c  jd => ac
bd

Exemplos:
Z1  6 Z 2  2  j3

Z3  j 4 Z 4  3  j 2

Z 5  4  j 4 Z 6  3  j3

92
Outras formas de números complexos

x  r . cos 
y  r . sen

Z  x  jy  r (cos   j sen )
y
r  x²  y ²   arc tg
x

Fórmula de Euler: e j  (cos   j sen )

Z  r (cos   j sen )  r e j  r 

Forma retangular => Z  x  jy

Forma polar => Z  r


Forma exponencial => Z  r e j
Forma trigonométrica => Z  r (cos   j sen )

Conjugado de um número complexo (Z*)


Z  x  jy

Z *  x  jy
Z  r

Z *  r  
Z  r (cos   j sen ) cos ( )  cos  
 
  sen ( )   sen 
Z *  r (cos   j sen )  
j

Z  r e
  j

Z *  r e

93
 Z1  3  j 4

 Z1 *  3  j 4

Z 2  5  143,13º
Z 2 *  5   143,13º

Soma e diferença de números complexos


Só podem ser efetuados, convenientemente, quando ambos estão na forma retangular.

Exemplo:
Z1  5  j 2 
 Z1  Z 2  (5  3)  j (8  2)  2  j10

Z 2  3  j8 Z 2  Z1  (3  5)  j (8  2)  8  j 6

Multiplicação de números complexos


Forma Exponencial
Z1  r1 e j1 
 Z1 . Z 2  r1 . r2 e j (1 2 )

Z 2  r2 e j2

Forma Polar
Z1  r1 1 
 Z1 . Z 2  r1 . r2 1   2

Z 2  r2  2

94
Forma Retangular
Z1  x1  jy1
Z 2  x2  jy 2 
 Z1 .Z 2  ( x1  jy1 ) ( x2  jy 2 ) 

Z1.Z 2  x1. x2  jx1. y2  jy1. x2  j ² y1 y2


Z1.Z 2  ( x1 x2  y1 y2 )  j ( x1 y2  x2 y1 )

Exemplos:
Z1  5 e j  3
 
 Z1.Z 2  10 e j 6

Z 2  2 e  j 6

Z1  2  30º
 
 Z1 .Z 2  10   15º
Z 2  5   45º

 Z1  2  j 3
 
 Z1.Z 2  7  j9
Z 2  1  j 3

Divisão de números complexos


Forma exponencial
Z1 r1 . e j1 r
 j 2
 1 e j (1  2 )
Z 2 r2 . e r2

Forma polar
Z1 r1  1 r1
   1   2
Z 2 r2   2 r2

Retangular
Z1  ( x1  j y1 )
Z 2  ( x2  j y 2 )

Z1 ( x1  j y1 ).(  2  j y 2 ) ( x1 .x2  y1 . y 2 )  j ( y1 x2  y 2 x1 )
 
Z 2 ( x2  j y 2 ).( x2  j y 2 ) x22  y 22

95
Exemplos

3

Z1 4 e j 

Z1  4 e    2e j
j 3 6


Z2 2 e j 6

Z2  2e j
6

Z1 8   30
Z1  8   30    4  30
Z2 2   60
Z 2  2   60

Z1 (4  j 5).(1  j 2)  6  j 13
Z1  4  j 5   
Z 2 (1  j 2).(1  j 2) 5
Z2  1 j 2

Exemplos
Forma polar para forma retangular
1) 50  53,13  50 (cos 53,13  j sen53,13)  50 (0,6  j 0,8)  30  j 40

2) 100   120  100 cos (120)  j sen (120)  100 (0,5  j 0,866)   50  j 86,6

Forma retangular para polar


3
1) 4  j 3  4 2  32  arctg  5  36,87
4

8,66
2) 5  j 8,66  5 2  8,66 2  arctg  10  60
5

8,66
3)  5  j 8,66  5 2  8,66 2  180  arctg  10  120
5

8,66
4)  5  j8,66  5 2  8,66 2  180  arctg  10  240
5

8,66
5) 5  j 8,66  5 2  8,66 2  360  arctg  10  300
5

96
Exercícios:
1 – Converta os seguintes números complexos da forma polar para a forma retangular.
(a) 6 30 Resp: 5,1962  j 3
(b) 40 80 Resp: 6,9459  j 39,392
(c) 7400 70 Resp: 2.530,9  j 6.953,7

(d) 4  10 4  8 Resp: 3,9611 10 4  j 0,55669  10 4


(e) 0,04  80 Resp: 0,0069459  j 0,039392
(f) 0,0093  23 Resp: 0,0085607  j 0,0036338
(g) 65  150 Resp:  56,292  j 32,5
(h) 1,2  135 Resp:  0,84853  j 0,84853
(i) 500  200 Resp:  469,85  j 171,01
(j) 6320   35 Resp: 5.177  j 3.625
(k) 7,52   125 Resp:  4,3133  j 6,1600
(l) 0,008  310 Resp: 0,0051423  j 0,0061284
(m) 12,3  30 Resp: 10,652  j 6,1500
(n) 53  160 Resp:  49,804  j 18,127
(o) 25   45 Resp: 17,678  j 17,678
(p) 86   115 Resp:  36,345  j 77,942
(q) 0,05   20 Resp: 0,046984  j 0,017101
(r) 13 5 Resp: 12,951  j 1,1330
(s) 160 87 Resp: 8,3738  j 159,78

(t) 7  10 6 2 Resp: 6,9957  10 6  j 0,24430  10 6


(u) 8,7 177 Resp: 8,6881  j 0,45532
(v) 76   4 Resp: 75,815  j 5,3015
(w) 396 265 Resp:  34,514  j 394,49

97
2 – Converta os seguintes números complexos da forma retangular para a forma polar.
(a) 4  j 3 Resp: 5  36,87
(b) 2  j 2 Resp: 2,8284  45
(c) 3,5  j 16 Resp: 16,378  77,66
(d) 100  j 800 Resp: 806,23  82,87
(e) 1000  j 400 Resp: 1077  21,80

(f) 0,001  j 0,0065 Resp: 6,5765  10 3  81,25


(g) 7,6  j 9 Resp: 11,780   49,82
(h)  8  j 4 Resp: 8,9443  153,43
(i)  15  j 60 Resp: 61,847  255,96
(j) 78  j 65 Resp: 101,53   39,81
(k)  2400  j 3600 Resp: 4.326,7  123,69

(l) 5  10 3  j 25  10 3 Resp: 25,495  10 3   78,69


(m)  12  j 16 Resp: 20  126,87°
(n) 2  j 4 Resp: 4,4721  - 63,43°
(o)  59  j 25 Resp: 64,078  202,96°
(p) 700  j 200 Resp: 728,01  15,95°
(q)  69,4  j 40 Resp: 80,102  209,96°
(r) 1  j 5 Resp: 5,0990  78,69
(s) 60  j 5 Resp: 60,208  4,76
(t) 0,01  j 0,3 Resp: 0,30017  88,09
(u) 100  j 2000 Resp: 2.002,5   87,14
(v)  5,6  j 86 Resp: 86,182  93,73
(w)  2,7  j 38,6 Resp: 38,694  266

98
3 – Determine a soma ou a diferença indicada.
(a) (10  53,13º )  (4  j 2) Resp:10  j 10
(b) (10  90)  (8  j 2) Resp: 8  j 8
(c) (4  j 6)  (2  j 4) Resp:  2  j 2
(d) (2,8284  45)  (2  j 8) Resp: j 10
(e) (5  j 5)  (7,071  135) Resp: 0

4 – Faça a operação indicada, dando as respostas na forma polar.


(a) (4,2  j 6,8)  (7,6  j 0,2) Resp: 13,720  30,68
(b) (142  j 7)  (9,8  j 42)  (0,1  j 0,9) Resp: 159,89  18,19

(c) (4  10 6  j 76)  (7,2  10 7  j 5) Resp: 71  90


(d) (9,8  j 6,2)  (4,6  j 4,6) Resp: 5,4406  17,10
(e) (167  j 243)  (42,3  j 68) Resp: 374,87  56,06
(f) (36,0  j 78)  (4  j 6)  (10.8  j 72) Resp: 24,361  150,49
(g) 6 20º  880º Resp: 12,166  54,71
(h) 42 45º  62 60º  70 120º Resp: 98,370  13,38

5 – Ache o produto na forma polar.


(a) (2  j 3) (6  j 8) Resp: 36,056  109,44
(b) (7,8  j 1) (4  j 2) (7  j 6) Resp: 324,23  74,48
(c) (0,002  j 0,006) (2  j 2) Resp: 0,017888  206,57
(d) (400  j 200) (0,01  j 0,5) (1  j 3) Resp: 707,25  350,71

(e) (2  60º ) (4  22º ) Resp: 8  82


(f) (6,9  8º ) (7,2   72) Resp: 49,68   64
(g) (0,002 120º ) (0,5 200º ) (40   60º ) Resp: 0,04  260
(h) (540   20º ) (5  180º ) (6,2  0º ) Resp: 16.740   20
(i) (2,5  j 10).(0,85  j 4,3) Resp: 45,182  177,14
(j) (3,8  j 1,5).(6  j 2,3) Resp: 26,251   42,51
(k) (72  j 72).(1,3  j 4,8) Resp: 506,34  29,85
(l) (3  20).(2   45) Resp: 6   25
(m) (2  j 6).(18  21) Resp: 113,84  92,57

99
6 – Faça as operações, dando as respostas na forma polar.
42  10º
(a) Resp: 6   50
7  60º

0,006  120º
(b) Resp: 2  10 4  240
30   120º

4.360   20º
(c) Resp: 109   230
40  210º

650   80º
(d) Resp: 76,471   80
8,5  360º

8 j8
(e) Resp: 4  0
2 j2

8  j 42
(f) Resp: 0,70905   16,49
 6  j 60

0,05  j 0,25
(g) Resp: 4,2119  10 3  161,10
8  j 60

(h) (4,5  j 6) (0,1  j 0,4) Resp: 3,0923  157,17

Z 1 .Z 2
7 – Calcular em cada caso:
Z1  Z 2

(a) Z1  10  j 5 Resp: 7,1740  27,80


Z 2  20  30

(b) Z1  5  45 Resp: 5,4969  15,12


Z 2  10   70
(c) Z1  6  j 2 Resp: 5,5308  23,84
Z2  1 j 8

100
(d) Z1  20 Resp: 17,889  26,57
Z 2  j 40

8 – Efetue as operações a seguir, dando as respostas na forma polar.


(4  j 3)  (6  j 8)
(a) Resp: 11,180   26,56
(3  j 3)  (2  j 3)

8 60º
(b) Resp: 56,007  10 3  15,57
(2 0º )  (100  j 100)

(6 20º ) (120   40º ) (3  j 4)


(c) Resp: 1.800  63,13
2   30º

(0,4 60º ) 2 (300 40º )


(d) Resp: 5,0597  88,43
3 j9

 
3
 1  2 1
(e)       Resp: 8,5359  119,81
 6 2  j 900 
 0,02 10º   j   

9 – Determine:
(a) “x” e “y” sabendo que: ( x  j 4)  (3x  jy )  j 7  16 0 Resp: x  4 ; y  3

(b) “x” sabendo que: (10 20º ) ( x   60º )  30,64  j 25,72 Resp: x  4

(c) “x” e “y” sabendo que: (5x  j 10) (2  jy )  90  j 70 Resp: x' 3 ; y' 6
Resp: x' '  6 ; y' '  3

80  0º
(d) “θ” sabendo que:  3,464  j 2 Resp:   30º
20  
101
CAPÍTULO V - CORRENTES E TENSÕES ALTERNADAS SENOIDAIS

1 - Introdução
Até agora só foram analisados os circuitos de corrente contínua (costuma-se, mesmo em português,
utilizar a expressão “circuitos dc”, usando as iniciais das palavras direct current, corrente contínua),
nos quais as tensões e correntes não variam, exceto durante os transientes. Agora a atenção será
para a análise de circuitos na qual a intensidade da fonte de tensão ou corrente contínua varia de
forma regular. É particularmente importante estudar a tensão fornecida pelas companhias geradoras
de energia elétrica. Esta tensão varia no tempo e é denominada tensão alternada (também é comum
em português o uso da expressão tensão ac, usando as iniciais da expressão inglesa alternating
current, que significa corrente alternada). Em termos mais rigorosos, a terminologia tensão ac ou
corrente ac não é o suficiente para descrever o tipo de sinal presente no circuito. As três funções
v (t ) cujos gráficos aparecem na figura 1 (costuma-se denominar estes gráficos formas de ondas,
embora não representem nenhum movimento ondulatório) podem ser produzidas por geradores de
sinais encontrados em oficinas e laboratório. O termo “alternada” indica apenas que o valor da
tensão ou da corrente alterna (oscila) regularmente entre dois níveis conforme os gráficos da figura
1.

Para ser preciso, devem-se usar os termos senoidal, quadrada e triangular quando se referir às
formas de onda ilustradas na figura 1. Na distribuição de energia elétrica, para uso domiciliar e
industrial, só é utilizada a tensão alternada senoidal; por isso, quando se fala em tensão alternada
ou corrente alternada sem nenhuma qualificação adicional, fica subentendido que a tensão e a
corrente variam senoidalmente no tempo. No caso dos outros tipos vistos na figura 1, o termo que
descreve a forma de onda é sempre usado, porém, a abreviação CA não é usada, resultando nas
expressões onda quadrada ou onda triangular.

Uma das principais razões para concentrar os estudos nas tensões alternadas senoidais é que este é o
tipo de tensão gerada nas usinas de energia elétrica em todo o mundo. Outras razões incluem seu
uso em um grande número de aparelhos elétricos e eletrônicos domiciliares, comercias e industriais.
Além disso, será estudado nos capítulos seguintes que esta forma de onda em particular possui
características que resultam em uma resposta especial quando é aplicada a elementos básicos dos
circuitos. Os teoremas e métodos introduzidos para circuitos de corrente contínua também serão
aplicados aos circuitos de corrente alternada senoidal. Embora a aplicação de sinais senoidais
aumente o nível de complexidade matemática para sua descrição, muitos dos conceitos introduzidos

102
nos capítulos sobre corrente contínua poderão ser aplicados a circuitos CA com um mínimo de
dificuldades adicionais.

Fig. 1 - Formas de ondas alternadas.

2 - Tensão Alternada Senoidal: Características e definições


2.1 - Geração
Existem várias técnicas para gerar tensões alternadas e senoidais. A mais comum é aquela que
produz eletricidade através das quedas-d’água, ou até mesmo a queima do gás, carvão ou óleo e a
fissão nuclear. Em todos os casos o componente mais importante é um gerador de corrente
alternada (também chamado de alternador), como o mostrado na figura 2(a).

A energia oriunda de uma das fontes citadas acima é utilizada para fazer girar um rotor (construído
com polos magnéticos alternados) envolvido pelos enrolamentos do estator (a parte estacionária do
gerador), induzindo assim uma tensão nos enrolamentos, como prevê a lei de Faraday:

d
eN
dt

Utilizando um gerador projetado apropriadamente, obtêm-se nos terminais de saída uma tensão
alternada senoidal que, com o auxílio de transformadores, pode ter sua amplitude
consideravelmente aumentada para ser distribuída através das linhas de transmissão, até chegar ao
consumidor. No caso de regiões isoladas que não são servidas por linhas de transmissão, podem ser
usados geradores portáteis, que funcionam com gasolina ou óleo diesel. Também neste caso a
unidade tem que incluir um gerador de corrente alternada figura 2(b).

Devido à necessidade de conservar os recursos e reduzir a poluição, a energia eólica e a energia


solar vêm despertando interesses crescentes nas partes do mundo onde o vento e/ou a luz solar são
abundantes, tornando estes processos viáveis. As pás da turbina que aparecem na figura. 2(c) estão
103
diretamente conectadas ao eixo de um gerador CA. Já as células fotoelétricas no painel ilustrado na
figura 2(d) geram, ao absorver os fótons da luz incidente, uma tensão contínua que pode ser
convertida em alternada com o auxílio de um dispositivo eletrônico chamado inversor. Esta fonte de
energia elétrica já é utilizada atualmente para movimentar pequenas embarcações e modelos
experimentais de automóveis.

O gerador de sinais, apresentado em um modelo na figura 2(e), gera tensões alternadas senoidais
cujas características podem ser controladas pelo usuário. Utilizando as várias chaves e botões que
existem no painel de controle, podem-se obter formas de onda com diferentes amplitudes e
frequências. O gerador de sinais é fundamental em qualquer estudo de circuitos de corrente
alternada e terá um papel importante nos próximos capítulos.

Fig. 2 - Fontes de corrente alternada: (a) usina geradora; (b) gerador portátil; (c) gerador eólico; (d)
painel solar; (e) gerador de sinais.

2.2 – Geração de uma Tensão Alternada Senoidal


Uma tensão CA é aquela cujo módulo varia continuamente e cuja polaridade é invertida
periodicamente (Fig. 3). O eixo zero é uma linha horizontal que passa pelo centro. As variações
verticais na onda de tensão mostram as variações do módulo. As tensões acima do eixo horizontal
têm polaridade positiva (+), enquanto as tensões abaixo do eixo horizontal têm polaridade negativa
(-).

Fig. 3 - Uma forma de onde de tensão CA.


104
Uma tensão CA pode ser produzida por um gerador, chamado de alternador (Fig. 4). No gerador
simplificado que aparece na figura 4, a espira condutora gira através do campo magnético e
interceptam as linhas de força para gerar uma tensão CA induzida através dos seus terminais. Uma
rotação completa da espira é chamada de ciclo. Analisando a posição da espira em cada volta
durante um ciclo completo (Fig. 5), na posição “A”, a espira gira paralelamente ao fluxo magnético
e, portanto, não intercepta nenhuma linha de força. A tensão produzida é igual à zero. Na posição
superior, “B”, a espira intercepta o campo num ângulo de 90º, produzindo uma tensão máxima.
Quando ela atinge “C”, o condutor está se deslocando novamente paralelamente ao campo e não
pode interceptar o fluxo. A onda CA de “A” a “C” constitui um meio ciclo de rotação, chamado de
alternação. Em “D”, a espira intercepta o fluxo novamente gerando uma tensão máxima, mas aqui
o fluxo é interceptado no sentido oposto (da esquerda para a direita) ao de “B” (da direita para a
esquerda). Assim, a polaridade em “D” é negativa. A espira completa um quarto de volta do ciclo
retornando à posição “A”, ponto de partida do ciclo. O ciclo de valores de tensão se repete nas
posições “ABCDA” à medida que a espira continua a girar (Fig. 5). Um ciclo inclui as variações
entre dois pontos sucessivos que apresentam o mesmo valor e variam no mesmo sentido. Por
exemplo, um ciclo pode ser evidenciado também entre “B” e “B’” (Fig. 5).

Fig. 4- Uma espira girando num campo magnético produz uma tensão CA.

105
Fig. 5 - Dois ciclos de tensão alternada pela rotação de uma espira.

Num gerador de dois polos (Fig. 4), a rotação da armadura ao longo de 360 graus geométricos (uma
rotação) gera sempre um ciclo (360º) de tensão CA. Mas num gerador de quatro polos, uma rotação
de armadura de somente 180 graus geométricos gera um ciclo CA ou 360 graus elétricos. Portanto, a
graduação que aparece ao longo do eixo horizontal de uma tensão CA ou de uma corrente CA se
refere aos graus elétricos e não aos graus geométricos.

2.3 - Definições
A forma de onda senoidal da figura 6 será agora utilizada como um modelo para a definição de
alguns termos básicos. Estes termos podem ser aplicados a qualquer forma de onda alternada. O
eixo vertical dos gráficos é usado para representar tensões e correntes, enquanto o eixo horizontal
pode representar o tempo.

Forma de onda: Gráfico de uma grandeza, como a tensão em função do tempo (conforme a figura
6), posição, temperatura ou outra variável qualquer.

Forma de onda periódica: Forma de onda que se repete após certo intervalo de tempo constante. A
função cujo gráfico é vista na figura 3 é periódica.

Período (T): Intervalo de tempo entre repetições sucessivas de uma forma de onda periódica,
T1  T2  T3 na figura 6.

106
Ciclo: parte de uma forma de onda contida em um intervalo de tempo igual a um período. Os ciclos
definidos por T1  T2  T3 na figura 6 podem parecer diferentes na figura 7, mas como estão todos
contidos em um período satisfazem à definição de ciclo.

Frequência (f): O número de ciclos contidos em 1s. A frequência da forma de onda da figura 8(a) é
2 ciclos por segundo, e a figura 8(b), 1 ciclo por segundo. No caso de uma forma de onda cujo
período é 0,4s, como na figura 8(c), a frequência é de 2,5 ciclos por segundo.

A unidade de frequência é o hertz (Hz) cuja definição é a seguinte: 1 hertz (Hz) = 1 ciclo por
segundo (c/s)

Fig. 6 - Parâmetros importantes de uma tensão senoidal.

Fig. 7 - Definição de ciclo e período de uma forma de onda senoidal.

Fig. 8 - Ilustração do efeito da mudança de frequência sobre o período de uma onda senoidal.
107
Exemplos:
1 - Calcule o período de uma forma de onda periódica cuja frequência é:
(a) 60 Hz

1 1
T   0,016667 s 16,667 ms
f 60

(b) 1.000 Hz

1 1
T   10 3 s  1 ms
f 1000

2 - Determine a frequência da forma de onda da figura abaixo.

1 1
f    50 Hz
T 20  10 3

3 - Osciloscópio
O osciloscópio é um instrumento que pode exibir em uma tela formas de onda como as que foram
apresentadas até agora. A figura 9 mostra como uma forma de onda senoidal aparece na tela de um
osciloscópio; as sensibilidades vertical e horizontal estão indicadas abaixo da ilustração.
Praticamente todas as telas de osciloscópios apresentam, superpostas à imagem, uma figura,
chamada retícula, composta por quadrados com 1 cm de lado, que repartem a tela em certo número
de divisões verticais e horizontais. A sensibilidade vertical é usada para definir a variação de tensão
associada a uma divisão vertical; a sensibilidade horizontal define o intervalo de tempo associado a
uma divisão horizontal.

108
Fig. 9 – Exemplo de uma onda senoidal mostrada na tela de um osciloscópio.

Exemplo: Com base nos dados da figura 9, determine o período, a frequência e o valor de pico da
forma de onda.
 50s 
T  4 div.   200 s
 div 

1 1
f    5 kHz
T 200  10 6

 0,1 V 
Vm  2 div.    0,2 V
 div 

4 - Definições de Polaridade e Sentido


Nas análises que se seguirão, há necessidade de definir uma polaridade para a tensão alternada
senoidal e um sentido para a corrente alternada senoidal. Serão tomados como positivos o sentido
da corrente e a polaridade da tensão correspondente ao semiciclo positivo das formas de onda
associadas. Esta convenção está indicada na figura 10, juntamente com os símbolos de fontes de
tensão e corrente senoidal. As duas grandezas são representadas por letras minúsculas para indicar
que variam com o tempo.

109
A necessidade de definir uma polaridade para a tensão e um sentido para a corrente se tornará óbvia
quando forem analisados circuitos de corrente alternada com mais de uma fonte. Na última frase a
ausência do termo senoidal após a expressão circuitos de corrente alternada, já pode ser observada.
Isso se tornará cada vez mais frequente nas páginas que se seguem; toda tensão ou corrente
alternada deve ser tomada como sendo senoidal, a menos que seja tipo explicitamente o contrário.

Fig. 10 – (a) Fonte de corrente alternada senoidal; (b) fonte de tensão alternada senoidal.

5 - A Senoide
Os termos definidos anteriormente podem ser aplicados a qualquer função periódica, seja ela
contínua ou descontínua. A forma de onda senoidal é, no entanto, particularmente importante, pois
facilita imensamente a análise matemática dos circuitos elétricos.

A senoide é a única forma de onda que não se altera quando é aplicada a um circuito contendo
resistores, indutores e capacitores. Também, se aplica à forma de onda cossenoidal, já que as
funções seno e cosseno só diferem entre si por uma fase de 90º, como se pode ver na figura 12. Isto
não aconteceria se o sinal aplicado tivesse, por exemplo, a forma de uma onda quadrada ou
triangular.

Fig. 11 - A senoide é a única forma de onda que não se altera quando é aplicada a um circuito
contendo resistores, indutores e capacitores.
110
A unidade escolhida para o eixo horizontal na figura 12 foi o grau. Outra unidade de medida para
ângulos muito utilizada é o radiano (rad). Ela é definida através de um arco como o da figura 13,
cujo comprimento é igual ao raio da circunferência.

Fig. 12 - Gráficos das funções seno e cosseno com o eixo horizontal em graus.

Se definir por x o número de intervalos de comprimento r (o raio) que podem ser acomodados em
toda a circunferência, tem-se:
C  2 r  x  r
x  2

Portanto, 2  rad correspondem a 360º, como se pode ver na figura 14.

1 rad  57,296º  57,3º

111
Muitas fórmulas usadas no estudo dos circuitos elétricos contêm o fator  . Como se tornará
evidente nas páginas que se seguirão, esta é uma das razões pelas quais quase sempre é preferível
expressar os ângulos em radianos em lugar de graus.

O número  tem sido calculado com um grande número de casas decimais como forma de testar
novos computadores. Uma pequena amostra do resultado desses cálculos aparece a seguir:
 = 3,14159 26535 89793 23846 26433...

Fig. 13 - Definição de radiano.

Fig. 14 - 360º equivalem a 2  radianos.

Embora a aproximação   3,14 seja frequentemente utilizada, nesta apostila será usado o valor de
 fornecido pelas calculadoras científicas.

A relação entre duas unidades no caso de ângulos de 180º e 360º é ilustrada na figura 14.

112
As conversões de graus para radianos e vice–versa podem ser feitas com o auxílio das seguintes
expressões:
  
radianos     ( graus)
 180 

 180 
Graus     (radianos)
  

Alguns casos particulares:


   
90º    (90) rad  rad
 180  2

   
30º    (30) rad  rad
 180  6

 180   
rad     60º
3  3

3 180  3 
rad     270º
2   2 

Quando o radiano é usado como unidade do eixo das abscissas, a senóide assume a forma que
aparece na figura 15.

Fig. 15 - Gráfico da função seno com o eixo horizontal em radianos.


113
A forma de onda senoidal pode ser obtida a partir das projeções de um vetor girando com
movimento circular uniforme em torno de um ponto fixo. Se começar na posição ilustrada na figura
16(a) e plotar a amplitude da projeção do vetor no eixo das abscissas em função do ângulo de
rotação, tem-se um ciclo completo da senóide para cada volta completa do vetor.

Fig. 16 - Geração de uma forma de onda senoidal utilizando as projeções de um vetor girante.

A velocidade de rotação do vetor, ou velocidade angular, é definida pela equação:

ângulo percorrido (graus ou radianos )


Velocidade angular 
tempo (segundos )

114
Usando os símbolos  ,  , t para representar, respectivamente, a velocidade angular, o ângulo e o
tempo, tem-se:

 
t

  t

Como  costuma ser especificada em radianos por segundo, o ângulo  obtido com o auxílio da
equação    t geralmente está expresso em radianos. Nesse caso, para obter o valor de  em

 180 
graus, basta usar a equação: graus     (radianos) .
  

O tempo necessário para o vetor efetuar uma volta completa na figura 16 é igual ao período (T) da
forma de onda senoidal da figura 16(i). O número de radianos que corresponde a este intervalo de
tempo é igual a 2 .
2
 
T

Portanto, quanto menor for o período da forma de onda senoidal, maior a velocidade angular do
vetor. Usando a definição de frequência, obtem-se:
1
f 
T

  2 f

Assim, quanto maior a frequência da forma de onda senoidal, maior a velocidade angular do vetor.

Fig. 17 - Ilustração da influência do valor de  sobre a frequência e o período.


115
Exemplos:
1 - Determine a velocidade angular associada a uma forma de onda senoidal cuja frequência é 60
Hz.

  2  f  (2 )(60)  377 rad / s

2 - Determine a frequência e o período da senóide da figura 17(b).

 500
f    79,577 Hz
2 2

2 2 2
T    12,566 ms
 500 500

3 - Sabendo que  = 200 rad/s, determine o intervalo de tempo necessário para que a forma de
onda senoidal passe pelo ponto cuja abscissa é 90º.

Como  é dada em rad/s, deve ser utilizado o valor de  em radianos, ou seja,  /2:
  / 2 rad
t   7,8540 ms
 200 rad / s

4 - Ache o valor em graus da abscissa de uma forma de onda senoidal cuja frequência é 60 Hz para
t  5ms .

  2  f t  (2 )  60  (5  10 3 )  1,885 rad

180º
(º)  (1,885 rad )  108º
 rad

116
6 – Expressão geral para tensões ou correntes senoidais
A expressão matemática geral para uma forma de onda senoidal é Am sen  .

Fig. 18 - Forma de onda senoidal.

Onde: Am é o valor de pico da onda e  é um ângulo em graus ou radianos.

A relação entre a senóide e o vetor girante combinada com    t permite deduzir que, para uma
velocidade angular fixa, quanto maior for o intervalo de tempo maior será o número de ciclos no
gráfico da forma de onda. Por outro lado, mantendo fixo o intervalo de tempo, quanto maior for 
maior será também o número de ciclos.
Am sen  t

No caso das grandezas utilizadas no estudo de circuitos elétricos como a tensão e a corrente, as
expressões gerais são:
i  I m sen  t  I m sen 

e  Em sen  t  Em sen 

Onde: as letras maiúsculas com o índice m representam amplitudes e as letras minúsculas “ i ” e “ e


” representam os valores da corrente e da tensão, respectivamente, em um instante “t” qualquer.
Esta forma é particularmente importante porque expressa uma tensão ou corrente senoidal em
função do tempo, que é a escala horizontal dos osciloscópios. Lembre-se de que a sensibilidade
horizontal deste instrumento é dada em segundos por divisão, e não em graus por centímetro.

Exemplo: Sabendo que e = 5 sen  , calcule “e” para  = 40º e  = 0,8  rad.
Para  = 40º  e  5 sen 40º  5 (0,64279)  3,2139V
Para  = 0,8  rad  e  5 sen (0,8 )  5 (0,58779)  2,9389V
117
No caso das calculadoras científicas não é necessário converter radianos em graus, pois elas
trabalham diretamente com radianos: basta apenas colocar a calculadora no modo RAD e entrar
com o valor do ângulo em radianos, pressionando em seguida a tecla da função trigonométrica
desejada (sen, cos, tan, etc ) .

O ângulo associado a um valor particular da tensão é obtido manipulando a equação:


e  Em sen 

e
sen  
Em

e
  sen 1
Em

Da mesma forma, para um dado valor de corrente.


i
  sen 1
Im

A função sen 1 pode ser encontrada em todas as calculadoras científicas.

Exemplo: Determine:
(a) O ângulo para o qual o valor da função v  10 sen 377 t  4V .
(b) O momento em que a função assume o valor dado no item (a).

Soluções:
v 4
(a)  1  sen 1  sen 1  sen 1 0,4  23,578º
Vm 10

118
A figura mostra, porém, que o valor de 4V (positivo) pode corresponder a dois ângulos entre 0º e
180º. O valor do segundo ângulo é denominado por:

 2  180º  23,578º  156,422º

Embora as equações anteriores tenham um número infinito de soluções, pois as senóides têm um
número infinito de ciclos, as calculadoras fornecem apenas a solução compreendida entre 0º e 90º.
As outras podem não ser importantes, ou não, dependendo do problema.


(b)  (rad )  (23,578º )  0,41151 rad
180º

 0,41151 rad
t1    1,0915 ms
 377 rad / s


 (rad )  (156,422º )  2,73 rad
180º

 2,73 rad
t2    7,2414 ms
 377 rad / s

Exemplo: Plote o gráfico de e (t) = 10 sen 314 t, tomando como unidade do eixo horizontal:
(a) o ângulo  em graus.
(b) o ângulo  em radianos.
(c) o tempo (t) em segundos.

Soluções:
(a)

119
(b)

(c)

 
Exemplo: Sabendo que i(t )  6  10 3 sen1000 t A , calcule a corrente i para t  2 ms .

Solução:
   t  1000 t  (1000 rad / s)(2 10 3 s)  2 rad
i  (6  10 3 )(sen 2 rad )  6  10 3  0,9093  5,4558 mA

180º
(º)  (2 rad )  114,59º
 rad

i  (6  10 3 )(sen 114,59º )  6  10 3  0,9093  5,4558 mA

120
7 – Relações de Fase
Até aqui só foram consideradas ondas senoidais com máximos e mínimos em  / 2 e 3 / 2 e zeros
em zero,  e 2, como na figura 18. Se a forma de onda for deslocada para a esquerda ou para a
direita da origem, a expressão geral se tornará Am sen ( t   ) .

Onde:  é o valor do deslocamento em graus ou radianos.

Se a curva intercepta o eixo horizontal à esquerda da origem com inclinação positiva (função
crescente), como mostrada na figura 19, a equação correta é Am sen ( t   ) .

Fig. 19 - Definição do deslocamento de fase de uma função senoidal que corta o eixo horizontal à
esquerda da origem com inclinação positiva.

Se a curva intercepta o eixo horizontal à direita da origem com inclinação positiva (função
crescente), como mostrada na figura 20, a equação correta é Am sen ( t   ) . Nesse caso, em

 t    0º o valor da função é Am sen ( ) , que de acordo com uma identidade trigonométrica,

é equivalente a ( Am sen  ) .

Fig. 20 - Definição do deslocamento de fase de uma função senoidal que corta o eixo horizontal à
direita da origem com inclinação positiva.

121
Se a forma de onda corta o eixo horizontal com inclinação positiva e adiantada de 90º ( / 2) , como
na figura 21, o gráfico coincide com o da função cosseno, ou seja,
 
sen( t  90º )  sen t    cos  t
 2

 
sen  t  cos( t  90º )  cos t  
 2

Fig. 21 - Relação de fase entre o seno e o cosseno.

Os termos atrasado e adiantado são utilizados para indicar diferenças de fase entre duas formas de
ondas senoidais de mesma frequência plotadas no mesmo gráfico. Na figura 21 diz-se que a curva
que representa o cosseno está adiantada de 90º em relação à curva do seno, e que o gráfico da
função seno está atrasado de 90º em relação ao do cosseno. Diz-se também que a diferença de fase
entre as duas formas de onda é de 90º ou que elas estão defasadas de 90º. Observa-se que a
diferença de fase entre duas curvas é sempre medida entre dois pontos do eixo horizontal nos quais
as duas curvas têm a mesma inclinação. Se duas formas de ondas interceptam o eixo horizontal no
mesmo ponto e com a mesma inclinação, elas estão em fase.

As relações geométricas entre várias formas das funções seno e cosseno podem ser deduzidas a
partir da figura 22. Começando, por exemplo, na posição sen  , observa-se que cos  corresponde
a uma rotação de 90º no sentido anti-horário (positivo). Assim, cos   sen (  90º ) . Para obter
(–sen  ) deve-se efetuar uma rotação de 180º no sentido horário ou anti-horário. Assim,
[sen   sen (  180º )] , e assim por diante, como pode ser vista nas expressões a seguir.

122
cos   sen (  90º )
sen   cos (  90º )
 sen   sen (  180º )  cos (  90º )
 cos   sen (  270º )  sen (  90º )  cos (  180º )

Fig. 22 - Método gráfico para encontrar relações entre o seno e o cosseno.

Além disso, não se deve esquecer que:


sen ()  sen 
cos ()  cos 

Se for encontrada uma expressão da forma e   Em sen  t , o sinal negativo deve ser associado à

função trigonométrica, e não à amplitude E m . Em outras palavras, a expressão deve ser reescrita na

seguinte forma: e  Em (sen  t )

Como:  sen t  sen ( t  180º ) . Pode-se, também, escrever da seguinte forma:

e  Em sen ( t  180º )

O que mostra que um sinal negativo pode ser substituído por uma variação (positiva ou negativa) de
180º no ângulo de fase, isto é: e  Em sen ( t  180º )  Em sen ( t  180º )  Em sen ( t  180º ) .
Um gráfico de cada uma dessas expressões mostrará claramente a sua equivalência. Assim, existem
duas representações matemáticas corretas para estas funções.

A relação de fase entre duas formas de onda indica qual delas está atrasada ou adiantada e de
quantos graus ou radianos.

123
Exemplo: Determine a relação de fase entre as formas de onda senoidais em cada um dos seguintes
pares.
(a) v  10 sen ( t  30º ) (d) i  sen ( t  30º )
i  5 sen ( t  70º ) v  2 sen ( t  10º )

(b) i  15 sen ( t  60º ) (e) i  2 cos ( t  60º )


v  10 sen ( t  20º ) v  3 sen ( t 150º )

(c) i  2 cos ( t  10º )


v  3 sen ( t  10º )

Soluções:
a) i está adiantada de 40º em relação à v ou v está atrasada de 40º em relação à i .

b) i está adiantada de 80º em relação à v ou v está atrasada de 80º em relação à i .

124
c) i  2 cos ( t  10º )  2 sen ( t  10º  90º )  2 sen ( t  100º )
i está adiantada de 110º em relação à v ou v está atrasada de 110º em relação à i .

d) i  sen ( t  30º )  sen ( t  30º  180º )  sen ( t  150º )  v  2 sen ( t  10º )


v está adiantada de 160º em relação à i ou i está atrasada de 160º em relação à v .

Ou, como
i  sen ( t  30º )  sen ( t  30º  180º )  sen ( t  210º )  v  2 sen ( t  10º )
i está adiantada de 200º em relação à v ou i está atrasada de 200º em relação à v .

e) i  2 cos ( t  60º )  2 cos ( t  60º  180º )  2 cos ( t  240º )

cos   sen (  90º )


i  2 cos ( t  240º )  2 sen ( t  240º  90º )  2 sen ( t  150º )  v  3 sen ( t 150º )
v e i estão em fase.

125
8 - Medidas de Fase
A diferença de fase entre duas funções senoidais pode ser determinada a partir da imagem que
aparece na tela do osciloscópio. Tomando como exemplo as duas funções senoidais da figura 23,
observa-se que as duas ondas senoidais têm a mesma frequência e, portanto, o mesmo período.
Neste caso, cada período compreende 5 divisões, com 0,2ms/div. A diferença de fase entre as ondas
é igual a duas divisões. Como um período completo corresponde a uma variação de fase de 360º,
pode-se escrever:
360º 

T (n.º de div.) deslocamento de fase (n.º de div.)

deslocamento de fase (n.º de div.)


  360º
T (n.º de div.)

Fig. 23 - Medida da diferença de fase entre duas ondas usando um osciloscópio de traço duplo.

Tem-se:
 2 div. 
     360º  144º
 5 div. 

Logo, a tensão “e” está adiantada de 144° em relação a corrente “i”.

126
9 - Valor Médio
Muito embora o conceito de valor médio seja importante em todos os ramos de conhecimento, seu
significado é frequentemente mal compreendido. Na figura 24(a), por exemplo, pode ser necessário
conhecer a altura média do monte de areia para determinar o volume de areia disponível. A altura
média do monte de areia é a altura que será obtida se mantivesse constante a distância entre as
extremidades do monte e espalhasse a areia até que a altura fique uniforme, como na figura 24(b). A
área da seção reta do monte na figura 24(a) será então igual à área do monte da seção retangular na
figura 24(b), que é dada por A = b x h. É claro que a profundidade do monte (na direção
perpendicular à página) deve ser a mesma nos dois casos para que as conclusões sejam verdadeiras.
Na figura 24, a distância entre as extremidades do monte de areia foi mantida constante.

(a) (b)
Fig. 24 – Definição de valor médio.

Na figura 25 tem uma situação diferente, que poderia ocorrer, por exemplo, no caso de um pedreiro
que desejasse estimar a altura média da areia se ela fosse espalhada para cobrir a distância indicada
na figura 25(a). O resultado deste aumento na distância é visto na figura 25(b). Comparada com a
situação da figura 24, a altura média diminui. É fácil perceber que quanto a maior distância, menor
será a altura média.

Fig. 25 - Influência da largura sobre o valor médio.

127
Se existe uma depressão no terreno, como na figura 26(a), quando a areia for espalhada, uma certa
quantidade será usada para preenchê-la; o resultado será um valor ainda mais baixo para a altura
média, como ilustra a figura 26(b). No caso de uma forma de onda senoidal, a depressão tem a
mesma forma que o monte de areia (em um ciclo completo), o que implica uma altura média nula
(ou zero volt para uma tensão senoidal quando se calcula a média para um período).

Fig. 26 - Influência de depressões (valores negativos) sobre o valor médio.

Alguns motoristas, depois de terem percorrido uma distância considerável, gostam de calcular a
velocidade média do veículo. Em geral isto é feito dividindo o número de quilômetros percorridos
pelo número de horas necessário para percorrer essa distância. Por exemplo: se uma pessoa viajou
180 km em 5 horas, a velocidade média foi de 36 km/h. Esta distância pode ter sido percorrida com
várias velocidades em diferentes intervalos de tempo, como mostrado na figura 27.

Fig. 27 - Gráfico de velocidade em função do tempo para uma viagem de automóvel.

Calculando a área total sob a curva v x t para 5 horas e dividindo o resultado pelo tempo total da
viagem, novamente, encontra-se 36 km/h, ou seja:

área sob a curva


velocidade média 
comprimento da curva

128
A1  A2 (40 km / h) (2 h)  (50 km / h) (2 h) 180
  km / h  36 km / h
5h 5h 5

A equação anterior, pode ser aplicada a qualquer variável, como por exemplo a corrente ou a
tensão. Se representar por G o valor médio, tem-se:

Gvalor médio  
soma a lg ébrica das áreas
comprimento da curva

Para o cálculo da soma algébrica das áreas, algumas podem estar acima ou abaixo do eixo
horizontal. As áreas acima do eixo são tomadas com sinal positivo, e as áreas abaixo do eixo, com
sinal negativo. O valor médio, naturalmente, poderá ser positivo ou negativo.

O valor médio de qualquer corrente ou tensão é o valor indicado por um medidor de corrente
contínua. Em outras palavras, o valor médio de uma forma de onda periódica é o valor de corrente
contínua equivalente. Em alguns circuitos elétricos poderão conter fontes de tensão contínua e
alternada no mesmo circuito. As tensões e correntes nesses circuitos têm uma componente contínua
(que corresponde ao valor médio da forma de onda) e uma componente alternada (cujo valor médio
é zero).

Exemplos:
1 - Determine o valor médio das formas de onda das figuras abaixo.

(a) (b)

a) Observa-se, por inspeção, que a área acima do eixo dos t é igual à área abaixo do mesmo eixo e,
portanto, o valor médio é zero. Chega-se ao mesmo resultado usando a equação:
(10 V ) (1 ms)  (10 V ) (1 ms) 0V
G  0V
2 ms 2

129
(14 V ) (1 ms)  (6 V ) (1 ms) 8V
b) G    4V
2 ms 2

Na realidade, a forma de onda da figura do item (b) é a onda quadrada da figura (a) somada a uma
tensão contínua de 4 V:
v2  v1  4 V

c)

 (3 V ) (4 ms)  (1 V ) (4 ms) 12 V  4 V
G  1V
8 ms 8

Fig. 28 - Resposta de um medidor cc à forma de onda do exemplo (c)

d)

(10 A) (2ms)  (4 A) (2ms)  (2 A) (2ms)  20 A  8 A  4 A  16 A


G    1,6 A
10ms 10 10

130
Fig. 29 - Resposta de um medidor cc à forma de onda do exemplo (d)

A área de um semiciclo positivo (ou negativo) de uma senóide é igual a 2 Am , que pode ser
constatada da seguinte forma:

Área   Am sen  d
0

Integrando a expressão acima, obtem-se:


Área  Am [ cos  ]0   Am (cos   cos 0º )   Am (1  1)   Am (2)  2 Am

Uma vez calculada a área do semiciclo da senóide, determina-se o valor médio.


2 Am
G  0,63662 Am  0,637 Am

O valor médio da metade do semiciclo de uma senóide é igual a um semiciclo completo.

(2 Am / 2) 2 Am
G   0,63662 Am  0,637 Am
 /2 

Fig. 30 - Determinação do valor médio da metade do semiciclo de uma senóide.

131
Exemplo: Determine o valor médio da forma de onda de cada figura abaixo.
a)

Solução:
O valor médio de qualquer função senoidal para um período completo é sempre zero.
O mesmo resultado pede ser obtido usando a equação do valor médio.
 2 Am  2 Am
G 0V
2

b)

Solução:
O valor pico a pico desta tensão é 16 mV + 2 mV = 18 mV. A amplitude desta onda é, portanto,
18mV/2 = 9 mV. Subtraindo 9 mV de 2 mV (ou somando 9 mV a -16 mV) obtem-se um valor
médio (ou nível dc) de – 7 mV, indicado pela linha tracejada da figura.

c)

Solução:
2 Am  0 2 (10 V )
G   3,1831 V
2 2

132
10 - Valor Eficaz
Nesta seção vai ser discutida a diferença entre correntes contínuas e alternadas no que diz respeito à
potência dissipada pela carga. Isto ajudará a determinar a amplitude de uma corrente alternada
senoidal necessária para fornecer a mesma potência que uma determinada corrente contínua. Uma
questão surge frequentemente: Como é possível que uma corrente alternada forneça potência ao
circuito, ao longo de um ciclo, se seu valor médio for zero? À primeira vista, poderia parecer que a
potência fornecida durante a parte positiva do ciclo seria absorvida durante a parte negativa do
ciclo; como as duas têm o mesmo valor absoluto, a potência total seria nula. É preciso lembrar,
porém, que a potência dissipada em um resistor é sempre positiva, independentemente do sentido da
corrente. É claro que essa potência depende do valor instantâneo da corrente, mas durante um ciclo
completo a potência total dissipada é a soma das potências dissipadas nos semiciclos positivo e
negativo, e não a diferença.

Utilizando o arranjo experimental ilustrado na figura 31, pode-se encontrar uma relação entre
correntes e tensões contínuas e alternadas. Um resistor em um recipiente com água é ligado por
chaves a duas fontes, uma de corrente contínua e outra de corrente alternada. Quando a chave 1 é
fechada, uma corrente contínua I CC , que depende da resistência R e da tensão E da bateria,
atravessa o resistor R. A temperatura atingida pela água é função da potência dissipada (convertida
em calor) pelo resistor.

Fig. 31 - Arranjo experimental para estabelecer uma relação entre correntes e tensões contínuas e
alternadas.

Quando a chave 2 é fechada e a chave 1 é deixada aberta, a corrente no resistor é uma corrente
alternada cuja amplitude de pico vai ser chamada de I m . A temperatura atingida pela água,

novamente é função da potência dissipada pelo resistor. Para determinar o valor de I m para o qual a

potência dissipada é a mesma que no caso contínuo, em que a corrente era de I CC , basta fazer variar

o valor da tensão alternada “ e ” até que a temperatura atingida pela água seja a mesma que no caso
anterior e medir a amplitude de pico da corrente nessas condições.

133
A potência instantânea fornecida pela fonte de corrente alternada é dada por:
PCA  R (iCA ) 2  R ( I m sen  t ) 2  R ( I m2 sen 2  t )

1
sen 2 t  (1  cos 2 t ) (identidade trigonométrica)
2

1  R Im
2
R I m2
PCA  R I  (1  cos 2  t ) 
2
m  cos 2  t
2  2 2

A potência média fornecida pela fonte alternada corresponde apenas ao primeiro termo, já que o
valor médio de um cosseno é zero, mesmo que a frequência da onda seja o dobro da frequência da
forma de onda da corrente de entrada. Igualando a potência média fornecida pela fonte de corrente
alternada à potência fornecida pela fonte de corrente contínua, tem-se:
PCA  PCC

R I m2
 R I CC
2

I m  I CC 2

Im
I CC   0,707 I m
2

Do ponto de vista da potência dissipada, uma corrente alternada equivale a uma corrente contínua
1
igual a 0,707  vezes a sua amplitude de pico.
2

O valor da corrente contínua equivalente, do ponto de vista de dissipação de potência, a uma


corrente alternada é chamado de valor eficaz. Para resumir:
I CC  I ef  0,707 I m

I m  I ef 2  1,414 I ef

VCC  Eef  0,707 Em

Em  Eef 2  1,414 Eef

134
Para dar um exemplo numérico simples, seria necessária uma corrente alternada de amplitude de
pico 1,414  10 = 14,14A para fornecer ao resistor da figura 31 a mesma potência que uma corrente
contínua de 10A. O valor eficaz de qualquer grandeza cuja variação com o tempo é conhecida pode
ser calculado a partir da seguinte equação, deduzida a partir do experimento que acabou de ser
descrito:

 T0 i 2 (t )dt
I ef 
T

área (i 2 (t ) )
I ef 
T

Assim, para calcular o valor eficaz, deve-se elevar i (t ) ao quadrado e então determinar a área sob a

função i 2 (t ) para um intervalo igual ao período T. Divide-se em seguida o resultado por T, obtendo

o valor médio de i 2 (t ) . Finalmente, é extraída a raiz quadrada do valor médio. O valor assim
obtido é o valor eficaz, também denominado valor médio quadrático ou valor rms (do inglês root-
mean-square).

Exemplo: Encontre os valores eficazes para as formas de ondas senoidais das figuras abaixo.

(a) (b) (c)

3
(a) I ef  0,707  12  10  8,4853mA

(b) I ef  8,4853mA (a mudança da frequência não alterou o valor eficaz).

(c) Vef  0,707  169,7  120V

135
Exemplo: A fonte de corrente contínua de 120 V da figura abaixo fornece 3,6W à carga. Determine
as amplitudes de pico da tensão ( E m ) e da corrente ( I m ) para que a fonte alternada forneça a
mesma potência a uma carga idêntica.

PCC  VCC I CC

Em  Eef 2  (120) 2  169,71 V

PCC 3,6
I CC    30 mA
VCC 120

I m  I CC 2  (30  10 3 ) 2  42,426 mA

Exemplo: Determine o valor eficaz da forma de onda de cada figura abaixo.


a)

Solução:

136
(3) 2 (4)  (1) 2 (4) 40
Vef    2,236 V
8 8

b)

Solução:

(10) 2 (2)  (4) 2 (2)  (2) 2 (2) 240


Vef    4,899 V
10 10

137
c)

Solução:

(40) 2 (10  10 3 )  (40) 2 (10  10 3 ) 32000  10 3


Vef   1600  40 V
20  10 3 20  10 3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1 - Para a forma de onda periódica da figura abaixo, determine:
(a) O período T.
(b) O número de ciclos que aparecem na figura.
(c) A frequência.

138
2 - Repita o exercício nº 1 para a forma de onda periódica da figura abaixo.

3 - Determine o período e a frequência da onda dente de serra da figura abaixo.

4 - Calcule o período de uma onda cuja frequência é:


(a) 25Hz (b) 35MHz (c) 55 kHz (d) 1Hz

5 - Calcule a frequência de uma onda cujo período é:


(a)1/60s (b) 0,01s (c) 34ms (d) 25μs

6 - Calcule o período de uma onda senoidal que completam 80 ciclos em 24 ms.

7 - Se a frequência de uma onda é de 20Hz, qual o tempo necessário, em segundos, para que
complete 5 ciclos?

8 - Qual a frequência de uma onda periódica, que completam 42 ciclos, em 6 segundos?

139
9 - Para a forma de onda representada na tela do osciloscópio abaixo, determine:
(a) A amplitude.
(b) O período.
(c) A frequência.

10 - Converta os valores dos seguintes ângulos de graus para radianos:


(a) 45°
(b) 60°
(c) 120°
(d) 270º
(e) 178º
(f) 221º

11 - Converta para graus os seguintes valores em radianos:


(a) π/4
(b) π/6
(c) π/10
(d) 7π/6
(e) 3π
(f) 0,55π

12 - Determine a velocidade angular associada a uma onda cujo período é:


(a) 2s
(b) 0,3ms
(c) 4μs
(d) (1/25)s
140
13 - Determine a velocidade angular associada a uma onda cuja frequência é:
(a) 50Hz
(b) 600Hz
(c) 2kHz
(d) 0,004MHz

14 - Encontre a frequência e o período de ondas senoidais associadas a uma velocidade angular de:
(a) 754rad/s
(b) 8,4rad/s
(c) 6.000rad/s
(d) (1/16)rad/s

15 - Determine o intervalo de tempo necessário para uma onda senoidal com f = 60Hz sofrer uma
variação de fase de 45°.

16 - Se uma onda senoidal sofre uma variação de fase de 30° em 5ms, determine a velocidade
angular associada à onda.

17 - Encontre a amplitude e a frequência das seguintes funções:


(a) 20sen377 t
(b) 5 sen 754 t

(c) 10 6 sen10000 t
(d) 0,001 sen942 t
(e)  7,6 sen 43,6 t
(f) 0,5 sen 6,283 t

18 – Se a tensão é igual a e  sen1,57 t , qual o tempo necessário, em segundos, para a onda


completar meio ciclo?
19 - Dada a corrente i  0,5 sen  , em ampères, calcule a corrente i para   72º .

20 - Dada a tensão v  20 sen  , em volts, calcule a tensão v para   1,2 rad .

21 - Dada a tensão v  30  10 3 sen  , em volts, determine os ângulos para os quais v  6mV .

141
22 - Determine a expressão matemática para uma tensão senoidal tal que v  40V para   30º e
t  1ms .

23 - Calcule a diferença de fase entre as formas de onda de cada par:


(a) v  4 sen ( t  50º )
i  6 sen ( t  40º )

(b) v  25 sen ( t  80º )

i  5  10 3 sen ( t 10º )

(c) v  0,2 sen ( t  60º )


i  0,1 sen ( t  20º )

(d) v  200 sen ( t  210º )


i  25 sen ( t  60º )

(e) v  2 cos ( t  30º )


i  5 sen ( t  60º )

(f) v   sen ( t  20º )


i  10 sen ( t  70º )

(g) v   4 cos ( t  90º )


i  2 sen ( t 10º )

142
24 - Escreva as expressões analíticas para cada forma de onda abaixo com o ângulo de fase em
graus.
(a)

(b)

(c)

143
(d)

25 - O gráfico da tensão senoidal v  200 sen (2  1000 t  60º ) aparece na figura abaixo. Determine

o tempo t1 .

26 - O gráfico da corrente senoidal i  4 sen (50000 t  40º ) aparece na figura. Determine o tempo

t1 .

27 - Determine a diferença de fase em milissegundos entre as seguintes formas de onda:


v  60 sen (1800t  20º )
i  1,2 sen (1800t  20º )

144
28 - Para a figura da tela de um osciloscópio representada abaixo, determine:
(a) Os períodos das duas ondas.
(b) As frequências das duas ondas.
(c) Os valores eficazes das duas ondas.
(d) A diferença de fase entre as duas ondas.

29 - Para a figura da tela de um osciloscópio representada abaixo, determine:


(a) O período
(b) A frequência.
(c) O valor médio.

30 - Calcule o valor médio de cada forma de onda periódica:


(a)

145
(b)

31 - Calcule o valor médio de cada forma de onda periódica.


(a)

(b)

146
32 - Para a figura da tela de um osciloscópio representada abaixo, determine:
(a) O período.
(b) A frequência.
(c) O valor médio.

33 - Ache os valores eficazes das seguintes formas de onda senoidais:


(a) v  20 sen (754 t )V
(b) v  7,0711 sen (377 t )V
(c) i  6 sen (400 t  20º ) mA
(d) i  16 sen (377 t 10º ) mA

34 - Escreva as expressões matemáticas para tensões senoidais com uma frequência de 60Hz, fase
zero e os seguintes valores eficazes:
(a) 1,4142 V
(b) 70,711 V
(c) 0,06 A
(d) 24 μA

35. Ache o valor eficaz da forma de onda periódica de cada figura:


(a)

147
(b)

36 - Quais são os valores médio e eficaz da forma de onda de cada figura.


(a)

(b)

(c)

148
37 - Determine o período, a frequência e o valor médio das formas de onda abaixo.

(a) (b)

38 - Faça o esboço do gráfico da função 5 sen 754 t usando como unidade do eixo das abscissas:
(a) o ângulo em graus. (b) o ângulo em radianos. (c) o tempo em segundos.

39 - Esboce o gráfico da função 10 6 sen10000 t usando como unidade do eixo das abscissas:
(a) o ângulo em graus. (b) o ângulo em radianos. (c) o tempo em segundos.

40 - Esboce o gráfico em função  7,6 sen 43,6 t , usando como unidade do eixo das abscissas:
(a) o ângulo em graus. (b) o ângulo em radianos. (c) o tempo em segundos.

41 - Esboce o gráfico de sen (377 t  60º ) usando como unidade do eixo das abscissas:
(a) o ângulo em graus. (b) o ângulo em radianos. (c) o tempo em segundos.

42 - Esboce os gráficos das seguintes formas de onda:


(a) 50 sen t
(b)  20 sen ( t  2º )
(c) 5 sen ( t  60º )
(d) 4 cos t
(e) 2 cos ( t 10º )
(f)  5 cos ( t  20º )

149
Respostas:
(1) (a) 10ms; (b) 2 ciclos; (c) 100Hz; (2) (a) 15µs; (b) 7/3 ciclos; (c) 66,667kHz; (3) T = 10ms;
f = 100Hz; (4) (a) 40ms; (b) 28,571ns; (c) 18,182µs; (d) 1s; (5) (a) 60Hz; (b) 100Hz; (c) 29,412Hz;
(d) 40kHz; (6) 0,3ms; (7) 250ms; (8) 7Hz; (9) (a) 150mV; (b) 40µs; (c) 25kHz; (10) (a) /4 rad;
(b) /3 rad; (c) 2/3 rad; (d) 3/2 rad; (e) 3,1067 rad; (f) 3,8572 rad; (11) (a) 45º; (b) 30º; (c) 18º;
(d) 210º; (e) 540º; (f) 99º; (12) (a)  rad/s; (b) 20.944 rad/s; (c) 1.570.796,3 rad/s; (d) 50 rad/s;
(13) (a) 314,16 rad/s; (b) 3.769,9 rad/s; (c) 12.566,4 rad/s; (d) 25.132,7 rad/s; (14) (a) 120Hz;
8,3331ms; (b) 1,3369Hz; 748ms; (c) 954,93Hz; 1,0472ms; (d) 9,9472x10-3Hz; 100,53s;
(15) 2,0833ms; (16) 104,72 rad/s; (17) (a) 20; 60Hz; (b) 5; 120Hz; (c) 106; 1.591,5Hz; (d) 0,001;
149,92Hz; (e) 7,6; 6,9392Hz; (f) 0,5; 1Hz; (18) 2,0010s; (19) 475,53mA; (20) -11,756V;
(21) 11,537º e 168,46º; (22) 40  80 sen (500 / 3) t ; (23) (a) a tensão“ v ” está adiantada de 10º em
relação a corrente “ i ”; (b) a corrente“ i ” está adiantada de 70º em relação à tensão “ v ”;
(c) a corrente“ i ” está adiantada de 40º em relação à tensão “ v ”; (d) a corrente“ i ” está adiantada de
150º em relação à tensão “ v ”; (e) a tensão “ v ” e a corrente “ i ” estão em fase; (f) a corrente“ i ”
está adiantada de 90º em relação à tensão “ v ”; (g) a tensão“ v ” está adiantada de 170º em relação a
corrente “ i ”; (24) (a) i  3 sen (2000 t  60º ) mA ; (b) v  25 sen (377 t  30º )V ;

(c) i  2 sen (20000 t  135º ) mA ; (d) v  0,01 sen (50 t  110º )V ; (25) t1  (1 / 3)ms ;

(26) t1  13,963s ; (27) 0,38785ms; (28) (a) 8ms; (b) 125Hz; (c) E1 = 919,24mV; E2 = 530,33mV;

(d) a onda e1 está adiantada de 157,5º em relação à onda e2 ; (29) (a) 0,4ms; (b) 2500Hz;
(c) -25mV; (30) (a) 3mA; (b) 2V; (31) (a) -4,7746mA; (b) 1,875V; (32) (a) 40s; (b) 25kHz;
(c) 17,2mV; (33) (a) 14,142V; (b) 5V; (c) 4,2426mA; (d) 11,314mA; (34) (a) 2 sen (377 t )V ;
(b) 100 sen (377 t )V ; (c) 84,853 sen (377 t ) mA; (d) 33,941 sen (377 t ) A ; (35) (a) 1,4289V;
(b) 2,1602V; (36) (a) G = 0V; Vef = 10V; (b) G = 0V; Vef = 8,1650V; (c) G = 10V; Vef = 11,547V;
(37) (a) T = 100s; f = 10kHz; G = -0,3V; (b) T = 40s; f = 25kHz; G = 20mV.

150
CAPÍTULO VI - OS ELEMENTOS BÁSICOS E OS FASORES

1 - Introdução
Neste capítulo será estudada a resposta dos elementos básicos: o resistor (R), o indutor (L) e o
capacitor (C), à aplicação de tensões e correntes senoidais, prestando especial atenção ao efeito da
frequência sobre as características de “oposição” de cada elemento. Após isto, será introduzida a
noção de fasor de modo a estabelecer um método de análise que possibilite uma correspondência
direta com vários dos métodos, teoremas e conceitos introduzidos nos capítulos em que foram
trabalhados com correntes contínuas.

2 - Resposta dos Elementos Básicos R, L e C a uma Tensão ou Corrente Senoidal


2.1 - Resistor
No caso das frequências utilizadas em linhas de transmissão e também para frequências até umas
poucas centenas de quilohertz, o efeito da frequência sobre o valor da resistência é praticamente
nulo. Nesta faixa de frequências, portanto, o resistor R da figura 1 pode ser considerado constante e
a definição de resistência pode ser aplicada como se segue. Para v  Vm sen t , tem-se:

v Vm sen  t Vm
i   sen  t  I m sen  t
R R R

Vm
Im 
R

Fig. 1 - Resposta de um elemento resistivo a uma corrente senoidal.

Para uma dada corrente “ i ”, tem-se:

v  R i  R ( I m sen  t )  R I m sen  t  Vm sen  t

Vm  R I m

151
O gráfico de v e i da figura 2 mostra que no caso de um elemento puramente resistivo, a tensão
entre seus terminais e a corrente que a atravessa estão em fase e a relação entre os valores de pico
das duas grandezas é dada pela equação anterior.

Fig. 2 - Em um elemento resistivo a tensão e a corrente estão em fase.

2.2 - Indutor
Para a configuração em série da figura 3, a tensão velemento do elemento no interior da caixa se opõe
à da fonte, reduzindo assim a corrente i. O valor da tensão entre os terminais deste elemento é
determinado por sua posição ao escoamento de carga, ou seja, à corrente i.

No caso de um elemento resistivo, observa-se que a oposição se deve à resistência e que velemento e i

estão relacionados por velemento  R . i .

A tensão entre os terminais de um indutor é diretamente proporcional à taxa de variação da corrente


que o atravessa. Assim, quanto mais alta for a frequência maior será a taxa de variação da corrente
que percorre o indutor e maior o valor da tensão induzida. A indutância afeta a taxa de variação do
fluxo magnético no indutor para uma dada variação da corrente. Quanto maior a indutância, maior a
taxa de variação do fluxo, e maior a tensão entre os terminais do indutor.

A tensão do indutor é, portanto, diretamente proporcional à frequência (ou, mais especificamente, à


frequência angular da corrente alternada senoidal que o atravessa) e à indutância do elemento. De
acordo com o que foi escrito acima, quando f e L da figura 4 aumentam, a tensão v L também
aumenta.

152
Comparando as figuras 3 e 4, observam-se que os valores maiores de v L correspondem maiores
valores de oposição na figura 3. Como v L aumenta com   2  f e com L, a oposição de um
elemento indutivo tem a forma definida na figura 4.

Fig. 3 - Ilustração de como um elemento se opõe à passagem de corrente.

Fig. 4 - Ilustração dos parâmetros que determinam á oposição de um indutor à passagem de corrente.

di L
vL  L
dt

di L d
 ( I m sen  t )   I m cos  t
dt dt

di L
vL  L  L( I m cos  t )   L I m cos  t
dt

v L  Vm sen ( t  90º )

Vm   L I m

Fig. 5 - Resposta de um elemento indutivo a uma corrente senoidal.

153
Fig. 6 - Para um indutor puro a tensão está adiantada de 90º em relação à corrente.

Observa-se que o valor de pico de v L é diretamente proporcional a   2  f e a L, como foi


mostrado anteriormente.

O gráfico de v L e i L na figura 6 mostra que para um indutor, v L está adiantada de 90º em relação à
iL .

Se incluir uma fase inicial na expressão de i L , fazendo, por exemplo:

iL  I m sen ( t   )

v L   L I m sen ( t    90º )

A oposição causada por um indutor em um circuito de corrente alternada senoidal pode agora ser
calculada a partir de:

causa
Efeito 
oposição

causa
Oposição 
efeito

Substituindo os valores, obtem-se:

154
Vm  L I m
Oposição    L
Im Im

A grandeza  L , denominada reatância indutiva, é simbolizada por X L e medida em ohms:

XL  L

Em termos de tensão e corrente, a reatância indutiva é dada por uma equação análoga à definição de
resistência:

Vm
XL 
Im

A reatância indutiva é uma oposição à corrente que resulta em uma troca de energia entre a fonte e
o campo magnético do indutor. Em outras palavras, a reatância indutiva, ao contrário da resistência
(que dissipa energia na forma de calor), não dissipa energia (ignorando os efeitos da resistência
parasita do indutor).

2.3 - Capacitor
Retornando à configuração em série da figura 3, usando agora o capacitor como objeto de estudo.
No caso do capacitor, no entanto, determina-se a corrente i para uma dada tensão entre seus
terminais. Quando for concluída a análise, a relação entre tensão e corrente será conhecida e a
tensão de oposição ( velemento ) poderá ser determinada para qualquer corrente senoidal i.

A tensão induzida em um indutor se opõe à variação instantânea da corrente no indutor. No caso de


circuitos capacitivos, a tensão entre os terminais do capacitor é limitada pela taxa com que a carga é
depositada ou retirada das placas do capacitor durante as fases de variação instantânea da tensão
entre os terminais de um capacitor sofre uma oposição devido ao fato de que é necessário um tempo
finito para alterar (depositar ou retirar) a carga em suas placas e V = Q/C.

Como a capacitância é uma medida da rapidez com que um capacitor armazena carga em suas
placas, para uma dada variação da tensão entre os terminais de um capacitor, quanto maior o valor
da capacitância, maior será a corrente capacitiva resultante. Além disso, a equação fundamental que

155
relaciona a tensão entre os terminais de um capacitor à corrente que atravessa [i  C (dv / dt )]
mostra que para uma dada capacitância, quanto maior a taxa de variação da tensão entre os
terminais de um capacitor, maior a corrente capacitiva.

É claro que um aumento da frequência corresponde a um aumento da taxa de variação da tensão


entre os terminais do capacitor e, portanto, há um aumento da corrente no capacitor.

A corrente em um capacitor é diretamente proporcional à frequência, ou, mais especificamente, à


frequência angular, e a capacitância do elemento. A corrente no capacitor aumentará se aumentar
qualquer das duas grandezas. Na figura 7, um aumento da corrente implica uma menor oposição e
iC é proporcional a  e C, a oposição exercida por um capacitor é inversamente proporcional à

velocidade angular,  , e a capacitância (C).

Fig. 7 - Ilustração dos parâmetros que determinam a oposição de um elemento capacitivo à passagem de
corrente.

Fig. 8 - Resposta de um elemento capacitivo a uma corrente senoidal.

dvC
iC  C
dt

dvC d
 (Vm sen  t )   Vm cos  t
dt dt

156
dvC
iC  C  C ( Vm cos  t )   C Vm cos  t
dt

iC  I m sen (t  90º )

I m   C Vm

O valor de pico de iC é diretamente proporcional a  e C, como apresentado anteriormente.

O gráfico de vC e iC na figura 9 mostra que para um capacitor, iC está adiantada de 90º em relação

à vC .

Fig. 9 - A corrente em um elemento puramente capacitivo está adiantada de 90º em relação à tensão.

Considerando: vC  Vm sen ( t   )

iC   C Vm sen ( t    90º )

causa
Oposição 
efeito

Substituindo os valores, tem-se:

Vm Vm 1
Oposição   
I m  C Vm  C

157
A grandeza 1 /  C , denominada reatância capacitiva, é simbolizada por X C e medida em ohms.

1
XC 
C

Em termos de tensão e corrente, a reatância capacitiva é dada por uma equação análoga à definição
de resistência:
Vm
XC 
Im

A reatância capacitiva é uma oposição à corrente que resulta em uma troca contínua de energia
entre a fonte e o campo elétrico no capacitor. Do mesmo modo que um indutor, um capacitor não
dissipa energia (se forem ignorados os efeitos da resistência de fuga).

É possível determinar se um circuito com um ou mais elementos é capacitivo, indutivo ou resistivo


observando a relação de fase entre a tensão e a corrente de entrada.

Se a corrente está adiantada em relação à tensão aplicada, o circuito é capacitivo; se a corrente está
atrasada em relação à tensão, o circuito é indutivo; se a corrente e a tensão estão em fase, o circuito
é resistivo.

Exemplo 1 - Para as tensões aplicadas a um resistor dadas nos itens (a) e (b) a seguir, encontre as
expressões para a corrente, sabendo que a resistência é 10  . Esboce os gráficos de v e i.
a) v  100 sen (377 t )V
b) v  25 sen (377 t  60º )V
Soluções:
v 100 sen 377 t
a) i    10 sen (377 t ) A
R 10

158
v 25 sen (377 t  60º )
b) i    2,5 sen (377 t  60º ) A
R 10

Exemplo 2 - A corrente em um resistor de 5  é dada por i = 40 sen (377t + 30º). Determine a


tensão entre os terminais do resistor.

Solução:
v  R i  (5) 40 sen (377 t  30º )  200 sen (377 t  30º )V

Exemplo 3 - A corrente em um indutor de 0,1H é dada nos itens (a) e (b) a seguir. Encontre em cada
caso a expressão para a tensão entre os terminais do indutor. Esboce as curvas de v e i.
a) i  10 sen (377 t ) A
b) i  7 sen (377 t  70º ) A

Soluções:
a) Vm  X L I m   L I m  377  0,110  377V

Sabendo-se que no caso de um indutor v está adiantada de 90º em relação à i . Logo:


v  377 sen (377t  90º )V

159
b) O valor de X L ainda é 37,7  ; assim,

Vm  X L I m  (37,7)(7)  263,9 V

E, como para um indutor v está adiantada em relação a i de 90º.

v  263,9 sen (377t  70º  90º )  263,9 sen (377 t  20º )V

Exemplo 4 – É dada a expressão para a tensão, v  100 sen 20 t , em volts, entre os terminais de
uma bobina de 0,5H. Qual é a expressão para a corrente na bobina?

Solução:

X L   L  (20)(0,5)  10 

Vm 100
Im    10 A
XL 10

Como i está atrasada de 90º em relação à v , tem-se: i  10 sen (20 t  90º ) A

160
Exemplo 5 – É dada a expressão para a tensão, v  30 sen 400 t , em volts, entre os terminais de um
capacitor de 1  F. Qual a expressão para a corrente? Faça um esboço das curvas de v e i.

Solução:
1 1 10 6
XC     2500 
 C (400(1  10 6 ) 400

Vm 30
Im    0,012 A  12 mA
X C 2500

Como nos capacitores i está adiantada de 90º em relação à v , tem-se: i  12 sen (400t  90º ) mA

Exemplo 6 – É dada a expressão para a corrente, i  40 sen (500 t  60º ) , em ampères, de um


capacitor de 100  F. Encontre a expressão para a tensão entre os terminais do capacitor.

Solução:

1 1 10 6 10 2
XC      20 
 C (500)(100  10 6 ) 5  10 4 5

Vm  X C I m  (20)(40)  800 V

Como nos capacitores v está atrasada de 90º em relação à i , tem-se:

v  800 sen (500 t  60º  90º )  800 sen (500 t  30º )V

161
Exemplo 7 - Dados os pares de expressões para as tensões e correntes a seguir, verifique se o
elemento envolvido é um capacitor, um indutor ou um resistor e determine os valores de C, L e R,
se houver dados suficientes para isso:
a) v  100 sen ( t  40º )
i  20 sen ( t  40º )

b) v  1000 sen (377 t  10º )


i  5 sen (377 t  80º )

c) v  500 sen (157t  30º )


i  1 sen (157t  120º )

d) v  50 cos ( t  20º )
i  5 sen ( t  110º )

Soluções:
a) Como v e i está em fase, o elemento é um resistor.
Vm 100
R  5
Im 20

b) Como v está adiantada de 90º em relação à i , o elemento é um indutor.


Vm 1000
XL    200 
Im 5

X L   L  200 

200 200
L   0,5305H
 377

162
c) Como i está adiantada de 90º em relação à v , o elemento é um capacitor.
Vm 500
XC    500 
Im 1

1
XC   500 
C

1 1
C   12,739 F
 X C (157)(500)

d) v  50 cos ( t  20º )  50 sen ( t  20º  90º )  50 sen ( t  110º )


Como v e i estão em fase, o elemento é um resistor.
Vm 50
R   10 
Im 5

3 - Potência Média e Fator de Potência


Para qualquer carga em um circuito de corrente alternada senoidal, a tensão entre os terminais da
carga e a corrente que a atravessa também variam senoidalmente com o tempo. Surgem então as
perguntas: como varia com o tempo a potência fornecida à carga, dada pelo produto ( v . i ) e qual o
valor constante que pode ser associado à potência, já que ela varia com o tempo?

Se tomar o caso geral ilustrado na figura 10 e usar para v e i as expressões a seguir:


v  Vm sen ( t   v )

i  I m sen ( t   i )

A potência será dada por:


p  v i Vm sen ( t   v ) I m sen ( t   i )  Vm I m sen ( t   v ) sen ( t   i )

Utilizando a identidade trigonométrica:

cos ( A  B)  cos ( A  B)
sen A sen B 
2
163
A função sen ( t   v ) sen ( t   i ) , torna-se

cos ( t   v )  ( t   i )  cos( t   v )  ( t   i )


sen ( t   ) sen ( t   ) 
2

cos ( v   i )  cos (2 t   v   i )


sen ( t   ) sen ( t   ) 
2

De forma que:

  valor fixo


       
var iandoo tempo ( funçãode i )

Vm I m  Vm I m 
p cos ( v   i )   cos (2 t   v   i )
 2   2 
   

Fig. 10 - Determinação da potência dissipada em um circuito de corrente alternada senoidal.

A figura 11 mostra os gráficos de v, i e p em função do tempo. Observe que o segundo termo na


equação anterior representa uma cossenoide de amplitude Vm I m 2 e frequência duas vezes maior
que a da tensão e corrente. O valor médio deste termo é zero e, portanto, ele não tem nenhuma
influência no processo de dissipação de energia.

O primeiro termo da equação, porém, é constante (não depende do tempo) e representa uma
transferência líquida de energia. Este termo é chamado de potência média ou potência real, como às
vezes é chamada. Esta potência é a fornecida à carga e dissipada por esta. Ela corresponde à
potência total dos circuitos de corrente alternada. O ângulo  = v  i  é o ângulo de fase entre v

e i.

164
Como cos     cos  :

O valor da potência média não depende do fato de a tensão estar atrasada ou adiantada em relação à
corrente. Se o ângulo for positivo, diz-se que o fator de potência está atrasado e se for negativo, diz-
se que o fator de potência está adiantado.

Vm I m
P cos  em watts (W)
2

Onde P é a potência média em watts. Esta equação pode ser escrita na forma:

 V  I 
P   m   m  cos 
 2  2 

Vm
Vef 
2

Im
I ef 
2

P  Vef I ef cos 

Fig.11 - Determinação da potência média de um circuito de corrente alternada senoidal.

165
3.1 – Circuito Puramente Resistivo
Em um circuito puramente resistivo, v e i estão em fase.

 v   i     0º , de modo que cos   1 .

Vm I m
P  Vef I ef (W)
2

Vef
I ef 
R

Vef2
P  R I ef2 (W)
R

3.2 – Circuito Puramente Indutivo


Em um circuito puramente indutivo, a corrente i está atrasada de 90º em relação à tensão v .

 v   i     90º , de modo que cos   0

Vm I m
P cos 90º  0W
2

A potência média ou potência dissipada por um indutor ideal (sem resistência associada) é zero.

3.3 – Circuito Puramente Capacitivo


Em um circuito puramente capacitivo, a corrente i está adiantada de 90º em relação à tensão v .

 v   i     90º , de modo que cos   0

Vm I m
P cos (90º )  0W
2

A potência média ou potência dissipada por um capacitor ideal (sem resistência associada) é zero.
166
Exemplo 1 - Calcule a potência média dissipada em um circuito no qual a corrente e a tensão de
entrada são dadas por:
i  5 sen ( t  40º )
v  10 sen ( t  40º )

Solução:
Como v e i estão em fase, o circuito é puramente resistivo.
Vm I m 10  5
P cos    25W
2 2

Exemplo 2 - Determine a potência média fornecida nos circuitos em que a corrente e a tensão de
entrada obedecem às seguintes expressões:
(a) v  100 sen ( t  40º )
i  20 sen ( t  70º )

(b) v  150 sen ( t  70º )


i  3 sen ( t  50º )

Soluções:
(a)   ( v  i )  40º  70º  30º

Vm I m 100  20
P cos   cos (30º )  866,03W
2 2

(b)   ( v  i )  70º  (50º )  20º

Vm I m 150  3
P cos   cos (20º )  211,43W
2 2

167
4 – Fator de Potência
Na expressão P  (Vm . Im / 2) cos  , o fator que tem uma influência significativa no valor da
potência fornecida é o cos  . Independentemente dos valores da tensão e da corrente, se cos   0 ,
a potência é nula; se cos   1 , a potência é máxima. Por ter tal influência, a expressão recebeu o
nome de fator de potência, ou seja:

Fator de Potência  FP  cos 

Para uma carga puramente resistiva como a ilustrada na figura 12, a diferença de fase entre v e i é
0°, logo o cos   cos 0º  1 . A potência fornecida é dada por
Vm I m 100  5
P cos   (1)  250W .
2 2

Fig. 12 - Carga puramente resistiva com cos   1 .

No caso de uma carga puramente reativa (indutiva ou capacitiva), como a que é vista na figura 13
(puramente indutiva), a diferença de fase entre v e i é de 90°. Nesse caso, o fator de potência é
nulo ( cos   cos 90º  0 ) e, a potência entregue à carga é nula, embora a corrente tenha o mesmo
valor de pico que no circuito da figura 12.

Fig. 13 - Carga puramente indutiva com cos   0 .

168
Nas situações em que a carga é uma combinação de elementos resistivos e reativos, o fator de
potência tem um valor entre 0 e 1. Quanto mais resistiva, mais próximo da unidade está o fator de
potência; quanto mais reativa, mais o fator de potência se aproxima de zero.

Em termos da potência média, a tensão e a corrente no circuito têm-se:

P
cos  
Vef I ef

Os termos adiantado e atrasado são frequentemente escritos juntamente com o fator de potência. O
termo a ser usado é definido em função da corrente na carga. Quando a corrente está adiantada em
relação à tensão aplicada, diz-se que a carga tem um fator de potência adiantado. Quando a corrente
está atrasada, diz-se que a carga tem um fator de potência atrasado. Em outras palavras, os circuitos
capacitivos têm um fator de potência adiantado, enquanto os circuitos indutivos têm um fator de
potência atrasado.

Exemplo 1 - Determine os fatores de potência das cargas em cada figura a seguir e verifique se eles
são atrasados ou adiantados:
(a)

cos   cos ( v  i )  cos (20º  40º )  cos (60º )  0,5 adiantado

(b)

cos   cos ( v  i )  cos (80º  30º )  cos 50º  0,64278 atrasado


169
(c)

P 100
cos    1
Vef I ef 20  5

A carga é resistiva e, portanto o fator de potência não é atrasado nem adiantado.

5 - Fasores
Na comparação de ângulos de fase ou simplesmente fases de correntes e tensões alternadas, são
mais convenientes à utilização de diagramas de fasores correspondentes às formas de onda da
corrente e da tensão. Um fasor é uma entidade com módulo e sentido. Os termos fasor e vetor são
usados para representar quantidades que possuem um sentido. Entretanto, o fasor varia com o
tempo, enquanto, o vetor tem sentido no espaço. O comprimento da seta que representa o fasor em
um diagrama indica o módulo da corrente ou da tensão alternada. O ângulo que a seta forma com o
eixo horizontal indica o ângulo de fase. Escolhe-se uma forma de onda senoidal como referência.
Então, a segunda forma de onda senoidal pode ser comparada com a de referência através do ângulo
entre as setas que representam os fasores.

Um método válido utilizado em análise de circuitos de corrente alternada, porém longo e tedioso,
para a adição de tensões e correntes senoidais, é traçar as duas funções senoidais no mesmo gráfico
e somar algebricamente as ordenadas em cada ponto, como pode ser vista na figura 14, para
c  a  b . Além dos aspectos negativos citados anteriormente, deve-se ressaltar que a precisão deste
método não é muito boa.

170
Fig. 14 - Adição gráfica de duas formas de onda senoidais.

Um método mais rápido é o que utiliza o vetor, de módulo (comprimento) constante e com um
ponto fixo na origem. O fasor estará, no instante t  0 , nas posições vistas na figura 15(a), para
cada uma das formas de onda na figura 15(b).

Observa-se, na figura 15(b) que v 2 corta o eixo horizontal em t  0 , tornando necessário que o raio
vetor na figura 15(a) coincida com o eixo horizontal neste instante para garantir que a projeção
vertical seja zero volt. O seu comprimento, visto na figura 15(a) é igual à amplitude da senóide. A
outra senóide é gerada por um fasor que em t  0 já descreveu um ângulo de 90° em relação ao
eixo horizontal, alcançando, portanto, a sua projeção vertical máxima, como mostra a figura 15(a).

171
Fig. 15 – (a) Representação fasorial de formas de onda senoidais. (b) Obtenção da soma de duas
tensões alternadas senoidais v1 e v 2 .

Como a projeção vertical é máxima, o valor do pico da senóide que o fasor gera também é
alcançado em t  0 , como ilustra a figura 15(b). Observa-se também que em t  0 , tem-se vT  v1 ,

pois v2  0 neste instante.

1 0º  2  90º  2,236  63,43º V

Em outras palavras, se converter v1 e v 2 para a forma de fasores: v  Vm sen ( t   )  Vm   

, e efetuar a adição com o auxílio da álgebra dos números complexos, pode-se obter vT , também,
em forma de fasor, com bastante facilidade. Pode-se então, converter vT para o domínio do tempo e
plotá-la no mesmo gráfico, como na figura 15(b). A figura 15(a), que mostra os módulos e posições
relativas dos fasores envolvidos, é denominada diagrama de fasores. Ela é na realidade um valor
instantâneo dos vetores girantes em t  0 .

Assim, daqui por diante, se desejar adicionar duas funções senoidais, deve-se primeiro convertê-las
para a forma fasorial e calcular a soma usando a álgebra dos complexos. O resultado pode ser então
transformado para obter uma função no domínio do tempo.
172
Na figura 16 ilustra o caso de duas funções senoidais cuja diferença de fase é distinta de 0° e 90°.
Novamente observa-se que as ordenadas das funções vistas na figura 16(b) t  0 são determinadas
pelas posições angulares dos fasores vistos na figura 16(a).

Fig. 16 – Adição de duas correntes senoidais cuja diferença de fase não é 90º.

Como são utilizados quase que exclusivamente os valores eficazes, e não os valores de pico, na
análise de circuitos de corrente alternada, o fasor agora será definido, por razões práticas e de
uniformidade, como tendo um módulo igual ao valor eficaz da função senoidal que representa. O
ângulo associado com o fasor continuará, conforme descrito anteriormente, como sendo o ângulo de
fase.

No caso geral, em todas as análises que se seguem, a forma fasorial de uma tensão ou de uma
corrente senoidal será:

 
V  V   e I  I  

Onde V e I são valores eficazes e  é o ângulo de fase. Deve-se ressaltar que na notação de
fasores as grandezas envolvidas sempre variam de forma senoidal e a frequência não é representada.

A álgebra de fasores só pode ser aplicada a formas de onda senoidais de mesma frequência.

173
Exemplo 1 - Converta as expressões a seguir do domínio do tempo para o domínio dos fasores.

(a) 2 (50) sen t 50 0º

(69,6)
(b) 69,6 sen ( t  72º )  72º  49,215  72º
2

(45)
(c) 45 cos t  0º  31,820  0º
2

Exemplo 2 - Escreva a expressão senoidal para os fasores a seguir. Considere a frequência igual a
60Hz.

(a) I  10 30º A i  2 (10) sen (2  60 t  30º )  14,142 sen (377 t  30º ) A


(b) V  115   70º V v  2 (115) sen (2  60 t  70º )  162,63 sen (377 t  70º )V

Exemplo 3 - Calcule a tensão de entrada no circuito abaixo.

f  60Hz

va  50 sen (377 t  30º )

vb  30 sen (377 t  60º )

Solução:
Aplicando a lei de Kirchhoff para tensões.
ein  va  vb

174
Passando do domínio do tempo para o domínio dos fasores.
 50
va  50 sen (377 t  30º )  Va   30º  35,355  30º
2
 30
vb  30 sen (377 t  60º )  Vb   60º  21,213  60º
2

Passando agora da forma polar para a retangular, para poder efetuar a adição.

V a  30,618  j 17,678

V b  10,607  j 18,371

Então:
  
E in  V a  V b  (30,618 10,607)  j (17,678 18,371)  41,225  j 36,049  54,763  41,17º V

Transformando para o domínio do tempo.

ein  2 (54,763) sen (377 t  41,17º )  77,447 sen (377 t  41,17º )V

175
Exemplo 4 - Determine a corrente i 2 do circuito.

Solução:
Aplicando a lei de Kirchhoff para correntes.
iT  i1  i2
i2  iT  i1


iT  120  10 3 sen ( t  60º ) A  I T  84,853  10 3  60º A  (42,427  j 73,485)  10 3 A

i1  80  10 3 (sen t ) A  I 1  56,569  10 3  0º A  56,569  10 3 A

  
I 2  I T  I 1  (42,427  56,569)  j 73,485  14,142  j 73,485  74,833 100,89º mA

i2  105,83 sen ( t 100,89º ) mA

As três formas de onda estão ilustradas abaixo.

176
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1 – As expressões a seguir representam a ddp, em volts, entre os terminais de um resistor de 5Ω.
Determine a expressão da corrente no domínio do tempo.
(a) 150 sen 377 t
(b) 30 sen (377 t  20)
(c) - 80 sen ( t  
(d) 40 cos ( t  

2 – As expressões a seguir representam a corrente, em ampères, em um resistor de 7kΩ. Determine


a expressão da tensão no domínio do tempo entre os terminais do resistor.
(a) 0,03 sen 754 t

(b) 2  10 -3 sen (400 t  120º )

(c) 6  10 -6 cos ( t  º 
(d) - 0,004 cos( t  º 

3 – Determine a reatância indutiva de um indutor de 2H:


(a) no caso de corrente contínua.
(b) Para as seguintes frequências em corrente alternada:
(b.1) 25 Hz
(b.2) 60 Hz
(b.3) 2000 Hz
(b.4) 100.000 Hz

4 – Determine a indutância de um indutor cuja reatância é


(a) 20  para f  2 Hz
(b) 1000  para f  60 Hz
(c) 52  para f  1000 Hz

5 – Determine a frequência para que um indutor de 10H tenha as seguintes reatâncias indutivas:
(a) 500  (b) 3770  (c) 15,7 k (d) 243 

177
6 – São dadas a seguir as expressões para a corrente, em ampères. Determine, em cada caso, a
expressão senoidal da tensão, sabendo que a reatância indutiva é igual a 20Ω.
(a) i  5 sen  t
(b) i  0,4 sen ( t  60º 
(c) i  3 cos( t 
(d) i  - 6 sen ( t  º 

7 – São dadas a seguir as expressões da corrente, em ampères, em uma bobina de 0,1H. Determine,
em cada caso, a expressão senoidal da tensão.
(a) 30 sen 30 t
(b) 0,006 sen 377 t
(c) - 4 cos (20 t - 70º )

(d) 5 x 10 -6 sen (400 t  20º )

8 – A tensão entre os terminais de uma indutância reativa de 50Ω é dada, em volts, pelas expressões
a seguir. Determine, em cada caso, a expressão da corrente no domínio do tempo.
(a) 50 sen  t
(b) 30 sen ( t  20º )
(c) 40 cos ( t  10º )
(d) - 80 sen (377 t  40º )

9 – As expressões a seguir se referem à tensão, em volts, em um indutor de 0,2H. Determine, em


cada caso, a expressão senoidal da corrente.
(a) 1,5 sen 60 t
(b) 0,016 sen (t  4º )
(c)  4,8 sen (0,05 t  50º )

(d) 9  10 3 cos (377 t  360º )

10 – Determine a reatância capacitiva de um capacitor de 5μF:


(a) em corrente contínua.
(b) Para as seguintes frequências em corrente alternada:
(b.1) 60 Hz (b.2) 120 Hz (b.3) 1800 Hz (b.4) 24000 Hz

178
11 – Determine a capacitância, em microfarads, de um capacitor cuja reatância e frequência, são:
(a) 250  em f  60 Hz
(b) 55  em f  312 Hz
(c) 10  em f  z

12 – Determine as frequências para as quais um capacitor de 50μF apresenta as seguintes reatâncias:


(a) 342 
(b) 684 
(c) 171 
(d) 2000 

13 – A ddp entre os terminais de uma reatância capacitiva de 2,5Ω é dada a seguir. Determine, em
cada caso, a expressão da corrente no domínio do tempo.
(a) 100 sen  t
(b) 0,4 sen ( t  20)
(c) 8 cos ( t  10)
(d)  70 sen ( t  40)

14 – A seguir são apresentadas as expressões para a tensão, em volts, aplicada a um capacitor de


1μF. Determine, em cada caso, a expressão senoidal da corrente.
(a) 30 sen 200 t
(b) 90 sen 377 t
(c)  120 sen (374 t  30)
(d) 70 cos (800 t  20)

15 – As expressões a seguir se referem à corrente, em ampères, em uma reatância capacitiva de


10Ω. Determine, em cada caso, a expressão senoidal da tensão.
(a) i  50 sen  t
(b) i  sen ( t  60)
(c) i   6 sen ( t  30)
(d) i  3 cos ( t  10)

179
16 – A corrente, em ampères, em um capacitor de 0,5μF é dada a seguir. Qual é, em cada caso, a
expressão senoidal da tensão entre os terminais do capacitor.
(a) 0,20 sen 300 t
(b) 0,007 sen 377 t
(c) 0,048 cos 754 t
(d) 0,08 sen (1600 t  80)

17 – Determine nos casos dos pares de expressões para tensão, em volts, e a corrente, em ampères,
dados a seguir, se o elemento envolvido é um resistor, indutor ou capacitor. Se os dados forem
suficientes, determine os valores de R, L e C.
(a) v  550 sen (377 t  40)
i  11 sen (377 t  50)

(b) v  36 sen (754 t  80)


i  4 sen (754 t  170)

(c) v  10,5 sen ( t  13)


i  1,5 sen ( t  13)

(d) v  2000 sen  t


i  5 cos  t

(e) v  80 sen (157 t  150)


i  2 sen (157 t  60)

(f) v  35 sen ( t  20)


i  7 cos ( t  110)

18 – Em que frequência a reatância de um capacitor de 1μF é igual à resistência de um resistor de


2kΩ?

19 – A reatância de um indutor é igual à resistência de um resistor de 10kΩ, quando a frequência é


5kHz. Determine a indutância do indutor.

180
20 – Determine a frequência na qual um capacitor de 1μF e um indutor de 10mH tem a mesma
reatância.

21 – Obtenha o valor da capacitância necessária para termos uma reatância capacitiva de mesmo
valor que a reatância de uma bobina de 2mH em 50kHz.

22 – Determine a dissipação de potência média, em watts, e o fator de potência, para os valores de


entrada da tensão e da corrente, relacionados abaixo.
(a) v  550 sen (377 t  40) (b) v  36 sen (754 t  80)
i  11 sen (377 t  50) i  4 sen (754 t  170)

(c) v  10,5 sen ( t  13) (d) v  2000 sen  t


i  1,5 sen ( t  13) i  5 cos  t

(e) v  80 sen (157 t  150) (f) v  35 sen ( t  20)


i  2 sen (157 t  60) i  7 cos ( t  110)

(g) v  60 sen ( t  30) (h) v   50 sen ( t  20)


i  15 sen ( t  60) i   2 sen ( t  40)

(i) v  50 sen ( t  80) (j) v  75 sen ( t  5)


i  3 sen ( t  20) i  0,08 sen ( t  35)

23 – Se a corrente em um elemento é dada por i  8 sen ( t  40º ) A e a tensão aplicada ao

elemento é v  48 sen ( t  40º )V , determine a potência utilizando as expressões R I 2 ,


Vm I m
cos  e V I cos  e compare os resultados.
2

24 – Determine o fator de potência em um circuito de 150V (tensão de entrada efetiva) e 2A


(corrente de entrada efetiva), para as seguintes dissipações de potências:
(a) 100W
(b) 0W
(c) 300W

181
25 – O fator de potência de um circuito é 0,5 atrasado e a potência dissipada é de 500W. Se a tensão
de entrada é dada por v  50 sen ( t 10º )V , determine a expressão senoidal da corrente de
entrada.

26 – No circuito abaixo, e  30 sen (377 t  20)V , determine:


(a) A expressão senoidal da corrente.
(b) A dissipação de potência no circuito.
(c) O tempo necessário, em segundos, para que a corrente complete seis ciclos.

27 – No circuito abaixo, e  100 sen (157 t  30)V , determine:


(a) A expressão senoidal da corrente.
(b) O valor da indutância L.
(c) A dissipação de potência média no indutor.

28 – No circuito abaixo, i  3 sen (377 t  20) A , determine:


(a) A expressão senoidal da tensão.
(b) O valor da capacitância, em microfarads.
(c) A dissipação média de potência no capacitor.

182
29 – No circuito abaixo, determine as expressões senoidais das seguintes correntes:
(a) i1 e i 2
(b) iT

30 – No circuito abaixo, determine a expressão senoidal:


(a) da tensão da fonte v .

(b) das correntes i1 e i 2 .

31 – Determine no domínio dos fasores.

(a) 2 (100) sen ( t  30º )

(b) 2 (0,25) sen (157 t  40º )


(c) 100 sen ( t  90º )
(d) 42 sen (377 t  10º )

(e) 6  10 6 cos  t

(f) 3,6  10 6 cos (754 t  20º )

183
32 – Determine no domínio do tempo, sabendo que a frequência é igual a 60Hz.
(a) I  40  20º A
(b) U  120  0º V

(c) I  8  10 3  120º A
(d) U  5  90º V
(e) I  1200   120º A
6000
(f) U    180º V
2

33 – Determine a tensão v a no domínio do tempo e dos fasores, sabendo que:

ein  60 sen (377 t  20º )V

vb  20 sen (377 t ) V

34 – Determine a corrente i1 no domínio do tempo e dos fasores, sabendo que:

iT  20  10 6 sen ( t  90º ) A

i2  6  10 6 sen ( t  60º ) A

184
35 – Determine a tensão da fonte no domínio do tempo e dos fasores, sabendo que:
va  60 sen ( t  30º ) V vb  30 sen ( t  30º ) V vc  40 sen ( t  120º ) V

36 – Determine a corrente total no domínio do tempo e dos fasores, sabendo que:


i1  6  10 3 sen (377 t  180º ) A i2  8  10 3 sen (377 t ) A i3  2 i2

Respostas:
(1) (a) i  30 sen (377 t ) A ; (b) i  6 sen (377 t  20º ) A ; (c) i  16 sen ( t  140º ) A ;
(d) i  8 cos ( t  10º ) A  8 sen ( t  100º ) A ; (2) (a) v  210 sen (754 t )V ;
(b) v  14 sen (400 t  120º )V ; (c) v  42 cos ( t  2º ) mV  42 sen ( t  88º ) mV ;

(d) v  28 sen ( t  180º )V  28 cos ( t  90º )V ; (3) (a) 0 ; (b.1) 314,16 ; (b.2) 753,98 ;
(b.3) 25,132k ; (b.4) 1.256.637 ; (4) (a) 1,5915 H ; (b) 2,6526 H ; (c) 8,2761mH ;
(5) (a) 7,9577Hz; (b) 60Hz; (c) 249,87Hz; (d) 3,8675Hz; (6) (a) v  100 sen ( t  90º )V ;
(b) v  8 sen ( t  150º )V ; (c) v  60 cos ( t  100º V  60 sen ( t  190º )V ;
(d) v  120 sen ( t  240º )V ; (7) (a) v  90 sen (30 t  90º )V ; (b) v  226,2 sen (377 t  90º ) mV ;
(c) v  8 sen (20 t  70º )V  8 cos (20 t  160º )V ; (d) v  0,2 sen (400 t  110º ) mV ;
(8) (a) i  sen ( t  90º ) A ; (b) i  0,6 sen ( t  70º ) A ;
(c) i  0,8 cos ( t  80º ) A  0,8 sen ( t  10º ) A ; (d) i  1,6 sen (377 t  130º ) A ;
185
(9) (a) i  125 sen (60 t  90º ) mA ; (b) i  80 sen (t  86º ) mA ; (c) i  480 sen (0,05 t  140º ) A ;
(d) i  119,36 cos (377t  90º ) A  119,36sen (377 t ) A ; (10) (a)  ; (b.1) 530,52 ;
(b.2) 265,26 ; (b.3) 17,684 ; (b.4) 1,3263 ; (11) (a) 10,610F ; (b) 9,2748F ; (c) 636,62F ;
(12) (a) 9,3073Hz ; (b) 4,6537 Hz ; (c) 18,615Hz ; (d) 1,5915Hz ; (13) (a) i  40 sen ( t  90º ) A ;
(b) i  0,16 sen ( t  110º ) A ; (c) i  3,2 cos ( t  100º ) A  3,2 sen ( t  190º ) A ;

(d) i  28 sen ( t  50º ) A ; (14) (a) i  6 sen (200 t  90º ) mA ; (b) i  33,93 sen (377 t  90º ) mA ;
(c) i  44,88 sen (374 t  60º ) mA ; (d) i  56 sen (800 t  160º ) mA ;

(15) (a) v = 500 sen (t – 90°) V; (b) v = 10 sen (t – 30°) V; (c) v  60 sen ( t  60º )V ;

(d) v  30 sen ( t  10º )V ; (16) (a) v  1.333,3 sen (300 t  90º )V ;


(b) v  37,135 sen (377 t  90º )V ; (c) v  127,32 sen (754 t ) V ; (d) v  100 sen (1600 t  170º )V ;

(17) (a) L  132,63mH ; (b) C  147,36F ; (c) R  7 ; (d) capacitor; (e) L  254,78mH ;

(f) R  5 ; (18) 79,577 Hz (19) 318,31mH ; (20) 1.591,5Hz ; (21) 5,0661nF ;


(22) (a) P  0W ; cos   0 ; (b) P  0W ; cos  0 ; (c) P  7,875W ; cos   1 ;
(d) P  0W ; cos   0 ; (e) P  0W ; cos   0 ; (f) P  122,5W ; cos   1 ;
(g) P  389,71W ; cos   0,86603 adiantado ; (h) P  25W ; cos   0,5 adiantado ;
(i) P  37,5W ; cos   0,5 atrasado ; (j) P  2,5981W ; cos   0,86603 atrasado ; (23) 192W ;
(24) (a) 0,33333 ; (b) 0 ; (c) 1 ; (25) i  40 sen ( t  50º ) A ; (26) (a) i  10 sen (377 t  20º ) A ;
(b) 150W ; (c) 0,1 s ; (27) (a) i  2 sen (157 t  60º ) A ; (b) 318,47mH ; (c) 0W ;
(28) (a) e  1200 sen (377 t  110º )V ; (b) 6,6313F ; (c) 0W ;

(29) (a) i1  2,8284 sen (10 4 t  150º ) A ; i2  11,314 sen (10 4 t  150º ) A ;

(b) iT  14,142 sen (10 4 t  150º ) A ; (30) (a) v  25,456 sen (1000 t  120º )V ;

(b) i1  6,3640 sen (1000 t  30º ) A ; i2  2,1213 sen (1000 t  30º ) A ; (31) (a) 100 30º ;

(b) 0,25   40º ; (c) 70,711  90º ; (d) 29,698 10º ; (e) 4,2426  10 6  0º ;

(f) 2,5456  10 6   20º ; (32) (a) i  56,569 sen (377 t  20º ) A ; (b) v  169,71 sen (377 t ) V ;
(c) i  11,314 sen (377 t  120º ) mA ; (d) v  7,0711 sen (377 t  90º ) V ;
(e) i  1.697,1 sen (377 t  120º ) A ; (f) v  6.000 sen (377 t  180º ) V ;

(33) va  41,769 sen (377 t  29,43º ) V ; Va  29,535  29,43º V ;

(34) i1  25,374 sen ( t  96,79º ) A ; I1  17,942  96,79º A ;

(35) ein  76,298 sen ( t  40,59º )V ; Ein  53,951 40,59º V ;

(36) iT  18 sen ( t ) mA ; I1  12,728  0º mA

186
CAPÍTULO VII - CIRCUITOS DE CA EM SÉRIE E EM PARALELO

1 - Introdução
A álgebra dos fasores será utilizada neste capítulo para desenvolver um método de solução rápido e
direto para problemas envolvendo circuitos CA em série e em paralelo. Depois de examinar alguns
exemplos simples, ficará clara a relação entre este método e os que são aplicados em circuitos de
corrente contínua. Várias das regras utilizadas para circuitos CC (regra dos divisores de tensão,
regra dos divisores de corrente, etc.) podem ser aplicadas a circuitos de corrente alternada.

2 - Circuitos de Corrente Alternada em Série


2.1 - Impedância e o Diagrama de Fasores
2.1.1 - Elementos Resistivos
Já foi estudado que, para o circuito puramente resistivo da figura 1, “ v ” e “i” estão em fase e suas
amplitudes são dadas por:

Vm
Im  ou Vm  R I m
R

v  Vm sen  t


Na forma fasorial:  V  V 0º

Vm
Onde: V 
2

Fig.1 - Circuito CA resistivo.

187
Aplicando a definição de resistência e utilizando a álgebra dos fasores, tem-se:


 V V  v V
I    V  I  V  I  i
R R R

Como “ v ” e “ i ” estão em fase, o ângulo associado a “ i ” deve também ser igual ao ângulo
associado a “ v ”, ou seja, V   i . De modo que, no domínio do tempo:

V 
i  2   sen  t
R

Para escrever uma expressão na forma polar com a relação de fase apropriada entre a tensão e a
corrente em um resistor, tem-se:

V  v
Z  R  0º  R
I  i

A grandeza Z que tem um módulo, uma fase e é denominada impedância. É medida em ohms e
indica quanto o elemento “impede” a passagem de corrente no circuito. O formato utilizado na
equação se mostrará uma “ferramenta” bastante útil quando forem analisados circuitos mais
complexos e as relações de fase não forem tão óbvias. É importante observar que Z não é um fasor,
muito embora a notação R 0º seja semelhante à notação fasorial utilizada para correntes e tensões
senoidais. O termo fasor é reservado para grandezas que variam no tempo; o elemento R e sua fase
associada, 0º, são grandezas fixas.

Exemplo 1 - Determine a corrente no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .

188
 100
v  100 sen  t  forma fasorial V   0º  70,711  0º V
2


 V V  v 70,711 0º
I    14,142 0º A
Z R 5

i  2 (14,142) sen  t  20 sen (  t ) A

Exemplo 2 - Determine a tensão no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .


i  4 sen ( t  30º ) A  forma fasorial  I  2,8284  30º A
 
V  Z I  R ( I  i )  (2) (2,8284  30º )  5,6568  30º V

v  2 (5,6568) sen ( t  30º )  8 sen ( t  30º )V

189
É sempre útil, ao fazer a análise de um circuito, traçar um diagrama de fasores, pois dá uma visão
imediata dos módulos e das relações de fase para as várias grandezas associadas ao circuito.
Exemplo 1:

Exemplo 2:

2.1.2 - Reatância Indutiva


No caso do indutor puro da figura 2, vimos que a corrente está atrasada de 90º em relação à tensão e
que a reatância do indutor X L é dada por L .


v  Vm sen  t  forma fasorial V  V 0º


 V V0º V
I   0º   L
Z X L  L X L

190
Como a corrente i deve estar atrasada de 90º em relação a tensão v , deve-se associar para a esta
corrente uma fase inicial de -90º. Para satisfazer esta condição  L  90º (positivo). Substituindo
este valor na expressão anterior, tem-se:


 V V  0º V V
I    0º  90º    90º
Z X L  90º X L XL

De modo que, no domínio do tempo,

 V 
i  I m sen ( t  90º )  2   sen ( t  90º )
 XL 

Para assegurar a relação de fase apropriada entre a tensão e a corrente em um indutor, deve-se
adotar:

Z  X L 90º

Fig. 2 - Circuito CA indutivo.

A grandeza Z , que tem um módulo e uma fase, é denominada impedância do indutor. A


impedância é medida em ohms e indica o quanto o indutor “impede” a passagem de corrente no
circuito. Não se pode esquecer que indutores puros só podem armazenar energia, e nunca dissipá-la
como acontece com os resistores. Do mesmo modo que no caso dos resistores, a notação acima será
uma “ferramenta” útil na análise de circuitos de “CA”. Novamente, é importante ressaltar que Z
não é um fasor, pelos mesmos motivos indicados no caso de um elemento resistivo.

191
Exemplo 3: Determine a corrente no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .

Solução:

v  24 sen  t  forma fasorial V  16,971 0º V


 V V 16,971  0º
I    5,6570   90º A
Z X L  90º 3  90º

i  2 (5,657) sen ( t  90º )  8 sen ( t  90º ) A

192
Exemplo 4: Determine a tensão no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .

Solução:

i  5 sen ( t  30º )  forma fasorial I  3,5355  30º A

A tensão no domínio dos fasores:


 
V  Z . I  ( X L  90º ) ( I  )  (4  90º ) (3,5355  30º )  14,142  120º V

A tensão no domínio do tempo:


v  2 (14,142) sen ( t  120º )  20 sen ( t  120º )V

Os diagramas de fasores para os circuitos dos dois exemplos precedentes são vistos na figura
abaixo. Ambos indicam claramente que a tensão está adiantada de 90º em relação à corrente.

193
2.1.3 - Reatância Capacitiva
No caso do capacitor puro da figura 3, a corrente está adiantada de 90º em relação à tensão e que a
reatância capacitiva X C é dada por 1 / C .


v  Vm sen  t  forma fasorial V  V  0º

Fig. 3 - Circuito CA capacitivo.


 V V  0º V
I    0º  C
Z X C  C X C

Como a corrente i está adiantada de 90º em relação a tensão v , a fase associada à corrente deve ser
de +90º. Para que esta condição seja satisfeita, é necessário que C = -90º. Substituindo este valor
na equação acima, tem-se:


 V V  0º V V
I    0º (90º )   90º
Z X C   90º X C XC

De modo que, no domínio do tempo:

 V 
i  I m sen ( t  90º )  2   sen ( t  90º )
 C
X

Deve-se agora utilizar o fato de que C = -90º, para introduzir a seguinte notação em forma polar,
que assegura a relação de fase apropriada entre a tensão e a corrente em um capacitor:

Z  X C   90º

194
A grandeza Z , que tem módulo e uma fase, é denominada impedância do capacitor. É medida em
ohms e indica quanto o capacitor “impede” a passagem de corrente no circuito (lembre-se de que o
capacitor, como o indutor, não dissipa energia). Do mesmo modo que no caso dos resistores e
indutores, a notação acima será uma “ferramenta” útil na análise de circuitos CA. Novamente é
importante ressaltar que Z não é um fasor, por motivos idênticos aos apresentados nos dois casos
anteriores.

Exemplo 5: Determine a corrente no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .

Solução:

v  15 sen  t  notação fasorial V  10,607  0º V


 V V  10,607 0º
I    5,3035  90º A
Z X C   90º 2   90º

i  2 (5,3035) sen ( t  90º )  7,5 sen ( t  90º ) A

195
Exemplo 6: Determine a tensão no domínio dos fasores e do tempo. Faça os gráficos de v e i .

Solução:

i  6 sen ( t  60º ) A  notação fasorial I  4,2426   60º A
 
V  Z . I  ( X C   90º ) ( I  )  (0,5   90º )(4,2426   60º )  2,1213   150º V

v  2 (2,1213) sen ( t  150º )  3 sen ( t  150º )V

196
2.2 - Diagrama de Impedâncias
Agora que foram associados ângulos de fase à resistência, à reatância indutiva e à reatância
capacitiva, essas três grandezas podem ser representadas no plano complexo, como é mostrada na
figura 4. Em qualquer circuito, a resistência sempre está no semi-eixo positivo do eixo dos reais, a
reatância indutiva no semi-eixo positivo do eixo dos imaginários e a capacitância no semi-eixo
negativo do eixo dos imaginários. Como resultado, tem-se um diagrama de impedâncias que pode
representar os valores individuais e o valor total da impedância de qualquer circuito de corrente
alternada.

Fig. 4 - Diagrama de impedâncias.

Dependendo das características de seus elementos, um circuito pode ter uma impedância total cujo
ângulo está entre +90º e -90º. Se este ângulo for igual a 0º, diz-se que o circuito é resistivo. Se o
ângulo for positivo, diz-se que o circuito é indutivo e se for negativo, o circuito é capacitivo.

No caso de circuitos com um único elemento, é claro que o ângulo associado à impedância é o
mesmo que o associado ao elemento resistivo ou reativo. É importante não esquecer que a
impedância, como a resistência e a reatância, não é uma grandeza fasorial que representa uma
função do tempo com um deslocamento de fase particular, mas simplesmente uma “ferramenta”
muito útil na determinação do módulo e da fase de grandezas associadas com circuitos alternados
senoidais.

Uma vez determinada a impedância total de um circuito, seu módulo pode ser usado para
determinar a intensidade da corrente (com auxílio da definição de resistência) e seu ângulo, para
determinar a fase de corrente.

Para qualquer configuração (série, paralelo ou série-paralelo), o ângulo associado à impedância total
é igual ao ângulo de fase da tensão aplicada em relação à corrente da fonte. Para circuitos indutivos,
 T é positivo, enquanto para circuitos capacitivos  T é negativo.
197
2.3 - Configuração em Série
As propriedades gerais dos circuitos em série na figura 5 são as mesmas que as dos circuitos de
corrente contínua. A impedância total, por exemplo, é a soma das impedâncias individuais:

Z T  Z1  Z 2  Z 3    Z N

Fig. 5 - Impedâncias em série.

Exemplo 7: Construa o diagrama de impedâncias para o circuito abaixo e calcule a impedância


total.

Solução:
A impedância da entrada pode ser obtida graficamente a partir do diagrama, escolhendo-se uma
escala apropriada para os eixos real e imaginário e medindo-se o comprimento do vetor Z T e

também do ângulo  T . Utilizando a álgebra vetorial, obtem-se

Z T  Z1  Z 2  R  0º  X L  90º  R  jX L  4  j8  8,9443  63,43º 

198
Exemplo 8: Calcule a impedância equivalente do circuito abaixo e desenhe o diagrama de
impedância.

Solução:
Z T  Z1  Z 2  Z 3  R  0º  X L  90º  X C   90º  R  jX L  jX C
Z T  R  j ( X L  X C )  6  j (10  12)  6  j 2  6,3246   18,43º 

No exemplo anterior existe uma reatância indutiva e uma reatância capacitiva em oposição direta.
Se no circuito do exercício anterior as reatâncias indutiva e capacitiva tivessem o mesmo módulo, a
impedância de entrada seria puramente resistiva, ou seja, o circuito estaria em ressonância.

No caso do circuito de corrente alternada em série da figura 6, que tem duas impedâncias, a corrente
é a mesma em todos os elementos (como acontece com os circuitos de corrente contínua em série),
sendo determinada através da definição de resistência.

199
Fig. 6 – Circuito CA em série,

Z T  Z1  Z 2


 V
I
ZT

Aplicando novamente a definição de resistência, obtem-se a tensão entre os terminais de cada


elemento do circuito.

 
V1  Z1 . I

 
V2  Z 2 . I

Pode-se então aplicar a lei de Kirchhoff para tensões do mesmo modo que para circuitos de corrente
de contínua. Porém, agora o circuito tem grandezas com um módulo e uma fase.

  
V V 1V 2  0

  
V V 1  V 2

200
A potência fornecida ao circuito será:

P  V I cos T

Onde  T é a diferença de fase entre V e I .

Agora que foi apresentada uma abordagem geral, será analisada com pormenores a mais simples
das configurações em série, para mostrar a semelhança com a análise de circuitos de corrente
contínua. Será usada com frequência, nos circuitos a serem estudados, os números complexos
3  j 4  5  55,13º e 4  j 3  5  36,87º para assegurar que a análise seja a mais clara possível e o
estudante não se perca em complexidades numéricas. Os problemas propostos no final do capítulo,
naturalmente, farão com que o estudante adquira farta experiência com quaisquer valores.

Exemplo 9: Determine:
(a) A impedância equivalente.
(b) A corrente complexa.
(c) O diagrama de impedâncias.
(d) A tensão complexa V R .

(e) A tensão complexa V L .


  
(f) Comprove que V  V R  V L
   
(g) O diagrama de fasores de I , V R , V L , V .
(h) A potência ativa total fornecida ao circuito.
(i) O fator de potência do circuito.

Solução:

v  141,42 sen  t  V  100  0º V

201
(a) Z T  Z1  Z 2  3  j 4  5  53,13º 


 V 100  0º
(b) I   20   53,13º A
Z T 5  53,13º

(c)

 
(d) VR  R . I  (3)(20   53,13º )  60   53,13º V

 
(e) VL  X L . I  (4  90º )(20   53,13º )  80  36,87º V


(f) V R  60   53,13º V  36  j 48

VL  80  36,87V  64  j 48
  
V  V R  V L  (36  j 48)  (64  j 48)  100  j 0  100  0º V

(g)

202
(h) PT  V I cos T  (100) (20) cos 53,13º  (20) (100) (0,6)  1200 W

PT  R I 2  (3) (20) 2  1200 W

PT  PR  PL  VR I cos  R  VL I cos  L  (60) (20 ) cos 0º  (80) (20) cos 90º

PT  1200  0  1200 W

Onde  R é a diferença de fase entre VR e I e  L é a diferença de fase entre VL e I .

(i) cos T  cos 53,13º  0,6 em atraso

P RI2 RI R R
cos T     
VI VI V V ZT
I

Observando o diagrama de impedâncias, verifica-se que  T é o ângulo associado à impedância que


aparece na equação anterior, o que mostra mais uma vez que, nos circuitos de corrente alternada em
série, a fase da impedância (  T ) é igual à diferença de fase entre a tensão e a corrente de entrada.
Para determinar o fator de potência, basta calcular a razão entre a resistência total e o módulo da
impedância de entrada.
R 3
cos T    0,6 em atraso
ZT 5

Exemplo 10: Determine:


(a) A impedância equivalente.
(b) O diagrama de impedâncias.
(c) A tensão complexa V R .

(d) A tensão complexa VC .


(e) A tensão complexa da fonte.
   
(f) O diagrama de fasores de I , V R , V C , V .
(g) A potência ativa total fornecida ao circuito.
(h) O fator de potência do circuito.
(i) As expressões de v , v R e vC no domínio do tempo.

203
(j) Os gráficos de v , v R e vC .

Solução:

i  7,0711 sen ( t  53,13º )  I  5  53,13º A

(a) Z T  Z1  Z 2  6  j 8  10   53,13º 

(b)

 
(c) VR  R . I  (6)(5 53,13º )  30  53,13º V
 
(d) VC  X C . I  (8   90º )(5  53,13º )  40   36,87º V

(e) V R  30  53,13º V  18  j 24

VC  40   36,87V  32  j 24
  
V  V R  V C  (18  j 24)  (32  j 24)  50  j 0  50  0º V
204
(f)

(g) PT  V I cos T  (50) (5) cos ( 53,13º )  (50) (5) (0,6)  150 W

PT  R I 2  (6) (5) 2  150 W

PT  PR  PC  VR I cos  R  VC I cos  C  (30) (5 ) cos 0º  (40) (5) cos (90º )  150  0  150W

Onde  R é a diferença de fase entre VR e I e  C é a diferença de fase entre VC e I .

(h) cos T  cos (53,13º )  0,6 adiantado


R 6
cos T    0,6 adiantado
Z T 10

(i) v  2 (50) sen ( t  70,711 sen ( t ) V

vR  2 (30) sen ( t  53,13º )  42,426 sen ( t  53,13º )V

vC  2 (40) sen ( t  36,87º )  56,569 sen ( t  36,87º )V

(j) A tensão v R e a corrente i estão em fase e a corrente i está adiantada de 90º em relação a
tensão vC .

205
Exemplo 11: Determine:
(a) A impedância equivalente.
(b) O diagrama de impedâncias.
(c) A corrente complexa.
(d) A tensão complexa V R .

(e) A tensão complexa V L .

(f) A tensão complexa VC .


    
(g) O diagrama de fasores de I , V R , V L , V C , V .
(h) A potência ativa total fornecida ao circuito.
(i) O fator de potência do circuito.
(j) As expressões de i , v , v R , v L e vC no domínio do tempo.

(k) Os gráficos de v , v R , v L e vC .

Solução:

v  70,711 sen t  V  50  0º V

(a) Z T  Z1  Z 2  Z 3  R  j X L  j X C  3  j 7  j3  3  j 4  5  53,13º 

206
(b)


 V 50 0º
(c) I   10   53,13º A
Z T 5  53,13º

 
(d) VR  R . I  (3)(10   53,13º )  30   53,13º V
 
(e) VL  X L . I  (7  90º )(10   53,13º )  70  36,87º V
 
(f) VC  X C . I  (3   90º )(10   53,13º )  30   143,13º V

(g)

(h) PT  V I cos T  (50) (10) cos 53,13º  (50) (10) (0,6)  300 W

PT  R I 2  (3) (10)²  300 W


PT  PR  PL  PC  VR I cos  R  VL I cos  L  VC I cos  C

PT  (30) (10) cos 0º (70) (10) cos 90º  (30) (10) cos (90º )  300  0  0  300W
207
(i) FP  cos T  cos 53,13º  0,6 atrasado

R 3
FP  cos T    0,6 atrasado
ZT 5

(j) i  2 (10) sen ( t  53,13º )  14,142 sen ( t  53,13º ) A

vR  2 (30) sen ( t  53,13º )  42,426 sen ( t  53,13º )V

vL  2 (70) sen ( t  36,87º )  98,995 sen ( t  36,87º )V

vC  2 (30) sen ( t  143,13º )  42,426 sen ( t  143,13º )V

(k)

208
2.4 - Regra dos Divisores de Tensão
A regra dos divisores de tensão para circuitos de corrente alternada é formalmente idêntica a usada
nos circuitos de corrente contínua.

 Z .V
VX  X
ZT


Onde V X é a tensão entre os terminais de um ou mais elementos em série com uma impedância

total Z X , V é a tensão total aplicada ao circuito em série e Z T é a impedância total do circuito em
série.
Exemplo 12: Usando a regra dos divisores de tensão, calcule a tensão entre os terminais de cada
elemento do circuito abaixo.

Solução:

 R .V (3) (100  0º ) 300  0º
VR     60  53,13º V
R  j XC 3 j4 5   53,13º


 X C .V (4   90º ) (100  0º ) 400   90º
VC     80   36,87º V
R  jX C 3 j4 5   53,13º

209
 
Exemplo 13: Utilizando a regra dos divisores de tensão, calcule as tensões desconhecidas V R , V L ,
 
VC e V1 no circuito abaixo.

Solução:

 R .V (6 ) (50  30º ) 300  30º 300  30º
VR      30  83,13º V
R  j XL  j XC 6  j 9  j 17 6  j8 10   53,13º


 X L .V (9  90º ) (50 30º ) 450  120º V
VL     45  173,13º V
R  j XL  j XC 10   53,13º 10   53,13º


 X C .V (17   90º ) (50  30º ) 850   60º
VC     85   6,87º V
R  j XL  j XC 10   53,13º 10   53,13º


 ( jX L  j X C ) .V ( j 9  j 17) (50  30º ) ( j 8) . (50  30º ) (8   90º ) (50 30º )
V1    
R  j XL  j XC 10   53,13º 10   53,13º 10   53,13º

 400   60º
V1   40   6,87º V
10   53,13º

210
Exemplo 14: Determine:
(a) A impedância equivalente.
(b) A corrente complexa.

(c) A tensão complexa V R .

(d) A tensão complexa V L .

(e) A tensão complexa VC .
(f) O fator de potência do circuito.
(g) A potência ativa total fornecida ao circuito.
    
(h) O diagrama de fasores de I , V R , V L , V C , V .
   
(i) Obtenha a soma fasorial de V R , V L e VC . Mostre que a soma é igual a tensão de entrada V .
 
(j) A tensão complexa V R e VC utilizando a regra dos divisores de tensão.

Solução:
(a) Combinando os elementos comuns e calculando as reatâncias do indutor e a do capacitor,
encontra-se:
RT  6  4  10 

LT  0,05  0,05  0,1 H

X L   LT  (377) (0,1)  37,7 


200F
CT   100F
2

1 1 10 6
XC     26,525 
 CT (377 ) (100  10 6 ) 37.700

211
Redesenhando o circuito e utilizando a notação fasorial:

(a) Z T  RT  j X L  j X C  10  j 37,70  j 26,525  10  j 11,175  14,996 48,18º 

V 20 0º
(b) I   1,3337   48,18º A
Z T 14,99648,18º

 
(c) VR  R . I  (10) (1,3337   48,18º )  13,337   48,18º V
 
(d) VL  X L . I  (37,70  90º ) (1,3337   48,18º )  50,28  41,82º V
 
(e) VC  X C . I  (26,525   90º ) (1,3337   48,18º )  35,376   138,18º V

(f) FP  cos T  cos 48,18º  0,66679 atrasado


R 10
FP  cos T    0,6668 atrasado
Z T 14,996

(g) PT  V I cos T  (20) (1,3337) (0,66679)  17,786 W


(h)


(i) V  VR  VL  VC  13,337   48,18º  50,28 41,82º  35,376   138,18º

V  13,337   48,18º  14,906 41,82º
212
.
V  (13,337) 2  (14,906) 2  20V


V  20  0V

. 
 R V 10 (20  0) 200  0
(j) VR  T    13,336   48,18V
ZT 14,996  48,18 14,996  48,18


 X V (26,525   90) (20  0) 530,5   90
VC  C    35,376   138,18V
ZT 14,996  48,18 14,996  48,18

3 – Circuitos CA em Paralelo
3.1 - Admitância e Susceptância
A discussão dos circuitos de corrente alternada em paralelo será muito semelhante a dos circuitos de
corrente contínua. Para este últimos, a condutância (G) foi definida como sendo igual a 1/R. A
condutância total de um circuito em paralelo foi, então, obtida somando as condutâncias de cada
ramo. A resistência total RT é simplesmente 1/ GT .

Em circuitos CA, definimos a admitância (Y) como sendo igual a 1/Z. A unidade de admitância no
sistema SI é o siemens, cujo símbolo é S. A admitância é uma medida de quanto um circuito CA
admite, ou permite, a passagem de corrente. Assim, quanto maior o seu valor, maior será a corrente
para a mesma tensão aplicada. Podemos também obter a admitância total de um circuito somando as
admitâncias em paralelo. A impedância total Z T do circuito será então 1/ YT . Para o circuito da
figura 7, temos:

YT  Y1  Y2  Y3    YN

Fig. 7 - Circuito CA em paralelo.

213
Ou, como Z = 1/Y

1 1 1 1 1
   
Z T Z1 Z 2 Z 3 ZN

Para duas impedâncias em paralelo:

1 1 1
 
Z T Z1 Z 2

Usando as mesmas manipulações matemáticas empregadas anteriormente para determinar a


resistência equivalente de dois resistores em paralelo, temos:
Z1 Z 2
ZT 
Z1  Z 2

Para três impedâncias em paralelo:


Z1 Z 2 Z 3
ZT 
Z1 Z 2  Z 2 Z 3  Z1 Z 3

Como ressaltamos no começo dessa seção, a condutância é o inverso da resistência e


1 1
YR    G 0º
Z R R 0º

O inverso da reatância (1/X) é denominada susceptância, e dá uma ideia de quanto uma componente
é suscetível à passagem de corrente. A susceptância também é medida em siemens e representada
pela letra maiúscula B.

No caso dos indutores:


1 1 1
YL      90º
Z L X L 90º X

1
Definindo BL  BL em siemens, (S)
XL

Temos YL  BL   90º
214
Observe que no caso dos indutores um aumento da frequência, ou da indutância resultará em uma
diminuição da susceptância.

Para os capacitores:
1 1 1
YC    90º
Z C X C   90º X C

1
Definindo BC  BC em siemens, (S)
XC

Temos YC  BC 90º

Assim, no caso dos capacitores, se a frequência ou capacitância aumentar, teremos um aumento da


susceptância.

Utilizamos, no caso de circuitos CA em paralelo, o diagrama de admitâncias, com as três


admitâncias representadas como na figura 8.

Observe na figura 8 que a condutância (como a resistência) está no semi-eixo positivo do eixo real,
enquanto as susceptâncias indutiva e capacitiva estão no eixo imaginário, em sentidos opostos.

Fig. 8 - Diagrama de admitâncias.

Qualquer que seja a configuração (série, paralelo, série-paralelo, etc.), o ângulo de fase associado à
.
admitância total coincide entre a corrente e a tensão. Nos circuitos indutivos  T é negativo,
.
enquanto nos circuitos capacitivos  T é positivo.

215
Exemplo 15: Para o circuito a seguir:
(a) Calcule as admitâncias dos dois ramos.
(b) Obtenha a admitância de entrada.
(c) Encontre a impedância de entrada.
(d) Construa o diagrama de admitâncias.

Solução:
1 1
(a) YR  G 0º  0º  0º  0,05 0º S  0,05 S  j 0
R 20 

1 1
YL  BL   90º    90º    90º  0,1  90º S  (0  j 0,1) S
XL 10

(b) YT  YR  YL  (0,05 S  j 0)  (0  j 0,1 S )  0,05 S  j 0,1 S  G  jBL


1 1 1
(c) ZT     8,93 63,43º 
YT 0,05 S  j 0,1 S 0,112 S   63,43º

ZRZL (20 0º ) (10 90º ) 200 90º 


ou, ZT     8,93 63,43º 
ZR  ZL 20   j10  22,36 26,57º

(d) O diagrama de admitâncias.

216
Exemplo 16: Repita o exemplo 15 para o circuito em paralelo abaixo.

Solução:
1 1
(a) YR  G 0º  0º  0º  0,2 0º S  0,2 S  j 0
R 5

1 1
YL  BL   90º    90º    90º  0,125   90º S  (0  j 0,125) S
XL 8

1 1
YC  BC 90º  90º  90º  0,050   90º S  0  j 0,050 S
XC 20 

YT  YR  YL  YC  (0,2 S  j 0)  (0  j 0,125 S )  (0  j 0,050 S )


(b)
 0,2 S  j 0,075 S  0,2136   20,56 S

1
(c) Z T   4,68 20,56º 
0,2136   20,56º S

Ou
Z R Z L ZC
ZT 
Z R Z L  Z L ZC  Z R ZC
(5 0º ) (8 90º ) (20   90º )

(5 0º ) (8 90º )  (8 90º ) (20   90º )  (5 0º ) (20   90º )
800 0º  800  800 
  
40 90º 160 0º 100   90º 160  j 40  j100 160  j 60
800 
  4,68 20,56º 
170,88   20,56º

217
d) O diagrama de admitâncias.

As relações inversas YT  1 / Z T e Z T  1 / YT tornarão necessário, em várias ocasiões, dividir 1 por


um número complexo com parte real e imaginária. Se esta divisão não for realizada na forma polar,
será preciso multiplicar o numerador e o denominador pelo complexo conjugado do denominador,
como no exemplo a seguir:

1 1  1   4   j6   4  j6
YT      
Z T 4   j 6   4   j 6    4   j 6   4²  6²

4 6
Logo YT  S j S
52 52

Para evitar a repetição deste método trabalhoso cada vez que quisermos calcular o inverso de um
número complexo na forma retangular, vamos deduzir uma fórmula simbólica geral para o inverso
de um número complexo que representa uma impedância ou uma admitância no primeiro ou no
quarto quadrante:

1  1   a1  j b1  a b
      2 1 1 2
a1  j b1  a1  j b1   a1  b1  a1  j b1

1 a b
Logo  2 1 2 j 2 1 2
a1  j b1 a1  j b1 a1  b1

Observe que o denominador é simplesmente a soma dos quadrados das partes real e imaginária.
Note também a inversão do sinal da parte imaginária. Alguns exemplos ajudarão a se familiarizar
com o uso desta equação.
218
Exemplo 17: Calcule as admitâncias dos circuitos em série abaixo.
(a)

Solução:
a) Z  R  j X C  6   j 8 

1 6 8 6 8
Y  j  S j S
6   j 8  (6)²  (8)² (6)²  (8)² 100 100

(b)

Solução:
Z  10   j 4   ( j 0,1)  10   j 3,9 

1 1 10 3,9 10 3,9
Y   j  j  0,087 S  j 0,034 S
Z 10   j 3,9  (10)²  (3,9)² (10)²  (3,9)² 115,21 115,21

No caso do circuito CA em paralelo típico ilustrado na figura 9, obtemos a impedância ou


admitância total utilizando o método descrito anteriormente, enquanto a corrente da fonte é
calculada usando a definição de resistência (generalizada para impedância):

219
Fig. 9 - Circuito CA em paralelo.
E
I  EYT
ZT

Como a ddp é a mesma entre os terminais de elementos em paralelo, a corrente em cada ramo pode
ser obtida usando novamente a definição de resistência:
E
I1   EY1
Z1

E
I2   EY2
Z2

Podemos agora utilizar a lei de Kirchhoff para correntes, como nos circuitos de corrente contínua.
Lembre-se, no entanto, de que agora estamos lidando com grandezas que possuem módulo e fase
(fasores).

I  I1  I 2  0

Ou I  I1  I 2

A potência fornecida ao circuito é dada por

P  E I cos T

Onde  T é a diferença de fase entre E e I.

Vamos analisar agora alguns exemplos com mais detalhes, já que se trata de um primeiro contato
com este tipo de problema.

220
3.2 - Circuito RL
Exemplo 18:

Fig. 10 - Circuito RL em paralelo.

Notação fasorial: Ilustrada na figura 11.

Fig. 11 - Aplicação da notação de fasores ao circuito da figura 10.

1 1
YT  YR  YL  G 0º  BL   90º  0º    90º  0,3 S 0º 0,4 S   90º
3,33  2,5 
 0,3 S  j 0,4 S  0,5   53,13º S

1 1
ZT    2 53,13º 
YT 0,5   53,13º S

Diagrama de admitâncias:

Fig. 12 - Diagrama de admitâncias para o circuito RL em paralelo da figura 10.

221
E
I  EYT  (20 53,13V ) (0,5   53,13º S )  10 0º A
ZT

E 
IR   ( E  ) (G 0º )  (20 53,13º V ) (0,3 0º S )  6 53,13º A
R 0º

E 
IL   ( E  ) ( BL   90º )  (20 53,13º V ) (0,4   90º S )  8   36,87º A
X L 90º

I  IR  IL
10 0º A  6 53,13º A  8   36,87º A
10 0º A  (3,60 A  j 4,80 A)  (6,40 A  j 4,80 A)  10 A  j 0

Logo, 10 A  j 0  10 0º A

Diagrama de fasores: O diagrama de fasores mostra que a tensão aplicada E está em fase com a
corrente I R e adiantada de 90º em relação à corrente I L .

Fig. 13 - Diagrama de fasores para o circuito RL em paralelo da figura 10.

A potência total fornecida ao circuito é

P  E I cos T  20  10 cos 53,13  120W

VR2
Ou PT  I 2 R   VR2 G  (20V ) 2 (0,3 S )  120W
R
222
Ou ainda, finalmente:

PT  PR  PL  EI R cos  R  EI cos  L  (20V ) (6 A) cos 0º(20V ) (8 A) cos 90º  120W  0  120W

O fator de potência deste circuito é

FP  cos T  cos 53,13  0,6 atrasado

Ou, utilizando um método semelhante ao que usamos para os circuitos CA em série,

P E2 / R EG G G
FP  cos T     
EI EI I I / E YT

G
FP  cos T 
YT

Onde G e YT são os módulos da condutância e da admitância totais do circuito em paralelo. Neste


caso:

G 0,3
FP  cos T    0,6 atrasado
YT 0,5

Podemos também obter a corrente I calculando primeiro a impedância total do circuito:

ZRZL (3,33 0º ) (2,5 90º ) 8,325 90º


ZT     2 53,13 
ZR  ZL 3,33 0º   2,5 90º  4,164 36,87º

Utilizando agora a definição de resistência (generalizada), obtemos

E 20 53,13º V
I   10 0º A
ZT 2 53,13º V

223
3.3 - Circuito RC
Exemplo 19:

Fig. 14 - Circuito RC em paralelo.

Notação fasorial: Ilustrada na figura 15.

Fig. 15 - Aplicação da notação de fasores ao circuito da figura 14.

1 1
YT  YR  YC  G 0º  BC 90º  0º  90º  0,6 0º S  0,8 90º S  0,6 S  j 0,8 S
1,67  1,25 
 1,0 53,13º S
1 1
ZT    1  53,13º 
YT 1,0 53,13º S

Diagrama de admitâncias:

Fig. 16 - Diagrama de admitâncias para o circuito RC em paralelo da figura 14.


224
I 10 0º A
E  IZ T    10   53,13º V
YT 153,13 S

I R  ( E  ) (G 0º )  (10   53,13º V ) (0,6 0º S )  6   53,13º V

I C  ( E  ) ( BC 90º )  (10   53,13º V ) (0,8 90º S )  8 36,87º A

I  I R  IC

Um resultado que também pode ser obtido (como no caso do circuito RL) através do uso da álgebra
vetorial.

Diagrama de fasores: No diagrama de fasores da figura 17, vemos que E está em fase com a
corrente I R no resistor e adiantada de 90º em relação a corrente no capacitor I C .

Fig. 17 - Diagrama de fasores para o circuito RC em paralelo da figura 14.

Domínio do tempo:
e  2 (10) sen (t  53,13º )  14,14 sen (t  53,13º ) V

iR  2 (6) sen (t  53,13º )  8,48 sen (t  53,13º ) A

iC  2 (8) sen (t  36,87º )  11,31 sen (t  36,87º ) A

Na figura 18, vemos o gráfico de todas as correntes e da tensão em função do tempo. Observe que e
e iR estão em fase e que e está atrasada de 90º em relação a iC .

225
Fig. 18 - Formas de onda para o circuito RC em paralelo da figura 14.

P  E I cos T  10  10 cos 53,13  60W

Ou PT  E ²G  (10V )² (0,6 S )  60W

Ou ainda, finalmente,
PT  PR  PC  EI R cos  R  EI C cos  C  (10V ) (6 A) cos 0º (10V ) (8 A) cos 90º  60W

O fator de potência deste circuito é


FP  cos T  cos 53,13  0,6 adiantado

Ou,
G 0,6
FP  cos T    0,6 adiantado
YT 10

Podemos também obter a tensão E calculando primeiro a impedância total do circuito:


R ZC 1,67  (1,25   90) 2,09  90
ZT     1  53,19 
R  ZC 1,67  j 1,25 2,09   36,81

Aplicando a definição de resistência:


E  IZT  (10 0º A)(1  53,19º )  10   53,19º V

226
3.4 - Circuito RLC
Exemplo 20:

Fig. 19 - Circuito RLC de CA em paralelo.

Notação fasorial: Ilustrada na figura 20.

Fig. 20 - Aplicação da notação de fasores ao circuito da figura 19.

1 1 1
YT  YR  YL  YC  G 0º  BL   90º  BC 90º  0º    90º  90º
3,33  1,43  3,33 

YT  0,3 0º S  0,7   90º S  0,3 90º S  0,3 S  j 0,7 S  j 0,3 S  0,3 S  j 0,4 S  0,5   53,13º S

1 1
ZT    253,13º 
YT 0,5  53,13º S

227
Diagrama de admitâncias:

Fig. 21 - Diagrama de admitâncias para o circuito em paralelo RLC da figura 19.

Fig. 22 - Diagrama de fasores para o circuito em paralelo RLC da figura 19.

E
I  EYT  (100 53,13º V ) (0,5   53,13º S )  50 0º A
ZT

I R  ( E  ) (G 0º )  (100 53,13º V ) (0,3 0º S )  30 53,13º A

I L  ( E  ) ( BL   90º )  (100 53,13º V ) (0,7   90º S )  70   36,87 A

I C  ( E  ) ( BC 90º )  (100 53,13º V ) (0,3 90º S )  30 143,13º A

I  I R  I L  IC

228
No diagrama ilustrado na figura 22 vemos que a tensão aplicada E está em fase com a corrente no
resistor I R , adiantada de 90º em relação à corrente I L no indutor e atrasada de 90º em relação à

corrente no capacitor, I C .

Domínio do tempo:
i  2 (50) sen t  70,70 sen t A

iR  2 (30) sen (t  53,13º )  42,42 sen (t  53,13º ) A

il  2 (70) sen (t  36,87º )  98,98 sen (t  36,87º )

iC  2 (30) sen (t  143,13º )  42,42 sen (t  143,13º ) A

Na figura 23, vemos a representação gráfica de todas as correntes e da tensão aplicada, em função
do tempo.

A potência total fornecida ao circuito é:

P  E I cos T  100  50 cos 53,13  3000W

Ou, PT  E ²G  (100V ) (0,3 S )  3000W

Ou ainda
PT  PR  PL  PC  EI R cos  R  EI L cos  L  EI C cos  C
 (100V )(30 A) cos 0º  (100V )(70 A) cos 90º  (100V ) (30 A) cos 90º  3000W

O fator de potência do circuito é:

FP  cos T  cos 53,13  0,6 atrasado

229
Fig. 23 - Formas de onda para o circuito em paralelo RLC da figura 19.

Também podemos determinar a corrente I calculando primeiro a impedância total:


Z R Z L ZC
ZT   2 53,13º 
Z R Z L  Z L ZC  Z R ZC

E em seguida aplicando a definição generalizada de resistência:


E 100 53,13º V
I   50 0º A
ZT 2 53,13º 

3.5 - Regra dos Divisores de Corrente


A regra dos divisores de corrente para circuitos CA é formalmente idêntica àquela utilizada em
circuitos CC. Assim, para dois ramos em paralelo de impedâncias Z1 e Z 2 , como na figura 24,

Fig. 24 - Aplicação da regra dos divisores de corrente.

230
Exemplo 21: Utilizando a regra dos divisores de corrente, calcule as correntes nas duas impedâncias
do circuito abaixo.

Solução:
Z L IT (4 90º ) (20 0º A) 80 90º A
IR     16 36,87º A
ZR  ZL 3 0º   4 90º  5 53,13º

Z R IT (3 0º ) (20 0º A) 60 0º A


IL     12   53,13º A
ZR  ZL 5 53,13  5 53,13º

Exemplo 22: Obtenha, com o auxílio da regra dos divisores de corrente, as correntes nos dois ramos
do circuito abaixo.

Solução:
ZC IT (2   90º )(5 30º A) 10   60º A 10   60º A
I RL    ¨  1,644   140,54º A
Z C  Z RL  j 2   1  j 8  1 j 6,083 80,54º

Z RL I T (1  j 8 )(5 30º A) (8,06 82,87º )(5 30º A) 40,30 112,87 A
IC    
Z RL  Z C 6,08 80,54º  6,08 80,54º 6,083 80,54º
 6,625 32,33º A

231
Exemplo 23: Para o circuito:

(a) Obtenha YT
(b) Construa o diagrama de admitâncias.
(c) Calcule E e I L .
(d) Calcule o fator de potência e a potência fornecida ao circuito.
(e) Determine o circuito em série equivalente.
(f) Calcule E utilizando o circuito equivalente obtido no item (e) e compre com o resultado do item
(c).
(g) Calcule a potência fornecida ao circuito equivalente e compare com o resultado do item (d)
(h) Obtenha o circuito paralelo equivalente a partir do circuito em série obtido no item (e) e calcule
a admitância total YT . Compare com o resultado do item (a).

Solução:
a) Combinando os componentes de mesma espécie e calculando as reatâncias do indutor e do
capacitor equivalente, temos:
RT  10  || 40   8 

LT  6 mH ||12 mH  4 mH

CT  80 F  20 F  100 F

X L  L  (100 rad / s)(4 mH )  4 


1 1
XC    10 
C (1000 rad / s)(100 F )

232
O circuito aparece redesenhado a seguir, utilizando notação fasorial. A admitância total é dada por:

1 1 1
YT  YR  YL  YC  G 0º  BL   90º  BC 90º  0º    90º  90º
8 4 10 
 0,125 0º S  0,25   90º S  0,190º S  0,125 S  j 0,25 S  j 0,1 S  0,125 S  j 0,15 S
 0,195   50,194º S

1 1
ZT    5,128  50,194  3,283  j 3,939  R  j X L
YT 0,195   50,194

(b)

I 12  0º
(c) E  I Z T    61,538  50,194V
YT 0,195   50,194

VL E 61,538  50,194º
IL     15,385   39,81 A
ZL ZL 4  90

G 0,125
(d) FP  cos T    0,641 atrasado
YT 0,195
P  E I cos T  61,538 12  cos 50,194  472,75W

233
(e) X L  3,939   L

XL 3,939
L   3,939 mH
 1000

O circuito em série equivalente é:

(f) E  IZT  (12 0º A)(5,128 50,194º )  61,536 50,194º V

(g) P  I ² R  (12 A)²(3,283 )  427,75 W

Rs2  X s2 (3,283 )²  (3,939 )²


(h) R p    8
Rs 3,283 

Rs2  X s2 (3,283 )²  (3,939 )²


Xp    6,675 
Xs 3,939 

O circuito em paralelo equivalente é:

1 1
YT  G 0º  BL   90º  0º    90º  1,25 0º S  0,15   90º S  1,25 S  j 0,15 S
8 6,675 
 0,195   50,194º S

234
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1 - Utilizando a álgebra dos números complexos, obtenha a tensão v(t) entre os terminais dos
componentes dos circuitos abaixo e plote as formas de onda de  e i no mesmo gráfico.

2 - Calcule a impedância total dos circuitos abaixo. Expresse a resposta nas formas retangular e
polar e construa o diagrama de impedâncias.

3. Calcule a impedância total dos circuitos abaixo. Expresse a resposta nas formas retangular e polar
e construa o diagrama de impedâncias.

4 - Descubra o tipo e a impedância em ohms dos componentes dos circuitos em série que devem
estar no interior das caixas nos circuitos abaixo para que as tensões e as correntes sejam as
indicadas (encontre o circuito em série mais simples que satisfaça ás condições indicadas).

235
5 - Para o circuito abaixo:

(a) Encontre a impedância total Z T na forma polar.


(b) Construa o diagrama de impedâncias.
(c) Encontre a corrente I e as tensões V R e V L em forma fasorial.

(d) Construa o diagrama de fasores para as tensões E, V R , V L e para a corrente I.


(e) verifique a validade da lei de Kirchhoff para tensões ao longo da malha fechada.
(f) Calcule a potência média fornecida ao circuito.
(g) Obtenha o fator de potência do circuito, indicando se ele é atrasado ou adiantado.
(h) Se a frequência é 60 Hz, encontre expressões senoidais para as tensões e correntes.
(i) Plote as formas de ondas das tensões e da corrente no mesmo gráfico.

6. Repita o exercício anterior para o circuito abaixo, substituindo V L por VC nos itens (c) e (d).

7. Dado o circuito abaixo:

(a) Determine Z T .
(b) Obtenha I.
(c) Calcule V L e V R .
(d) Encontre P e FP.
236
8 - Para o circuito abaixo:

(a) Encontre a impedância total Z T na forma polar.


(b) Construa o diagrama de impedâncias.
(c) Obtenha o valor de X em microfarads e o de L em henries.
(d) Encontre a corrente I e as tensões V L , V R e VC na forma fasorial.

(e) Construa o diagrama de fasores para a corrente I e as tensões E, V L , V R e VC .


(f) Confirme a validade da lei de Kirchhoff para tensões ao longo da malha fechada.
(g) Calcule a potência média fornecida ao circuito.
(h) Obtenha o fator de potência do circuito e diga se ele é atrasado ou adiantado.
(i) Encontre expressões senoidais para as tensões e a corrente.
(j) Plote as formas de onda das tensões e da corrente no mesmo gráfico.

9 - Repita o exercício anterior para o circuito abaixo.

10 - Utilizando as leituras de osciloscópio do circuito abaixo, obtenha o valor da resistência R.

237
11 - Utilizando a leitura de corrente feita por um amperímetro e a medida feita com osciloscópio
indicada no circuito abaixo, determine:
(a) A indutância L.
(b) A resistência R.

12 - Utilizando a leitura do osciloscópio no circuito abaixo, determine a capacitância C.

13 - Calcule as tensões V1 e V2 para os circuitos abaixo, em forma fasorial, usando a regra dos
divisores de tensão.

(a)

(b)

238
14 - Calcule as tensões V1 e V2 para os circuitos abaixo, em forma fasorial usando a regra dos
divisores de tensão.

(a)

(b)

15 - Para o circuito abaixo:


(a) Determine I, V R e VC na forma fasorial.
(b) Calcule o fator de potência total, indicando se é atrasado ou adiantado.
(c) Obtenha a potência média fornecida ao circuito.
(d) Construa o diagrama de impedâncias.
(e) Construa o diagrama de fasores para as tensões E, V R e VC e a corrente I.

(f) Obtenha as tensões V R e VC usando a regra dos divisores de tensão e compare com os resultados
do item (a).
(g) Desenhe o circuito em série equivalente.

239
16 - Repita o exercício anterior com o valor da capacitância alterado para 1000 µF.

17 - O fator de potência da carga em um circuito elétrico é 0,8. A carga dissipa 8 kW quando a


tensão é 200 V. Sabendo que o fator de potência é atrasado, calcule a impedância da carga em
coordenadas retangulares.

18 - Encontre o componente ou os componentes em série que devem estar no interior da caixa do


circuito abaixo, de modo a satisfazer às seguintes condições:
(a) Potência média fornecida ao circuito: 300 W.
(b) O circuito tem um fator de potência atrasado.

19 - Obtenha a admitância e a susceptância total para os circuitos a seguir. Identifique os valores da


condutância e da susceptância e construa o diagrama de admitâncias.

20 - Obtenha a admitância e a impedância total para os circuitos abaixo. Identifique os valores da


condutância e da susceptância e construa o diagrama de admitâncias.

240
21 - Para o circuito abaixo:
(a) Encontre a admitância total Y p na forma polar.

(b) Construa o diagrama de admitâncias.


(c) Obtenha a tensão E e as correntes I R e I L na forma fasorial.

(d) Construa o diagrama de fasores para as correntes I F , I R , I L e a tensão E.


(e) Confirma a validade da lei de Kirchhoff para correntes em um dos nós.
(f) Calcule a potência média fornecida ao circuito.
(g) Obtenha o fator de potência do circuito e indique se ele é atrasado ou adiantado.
(h) Se a frequência é 60 Hz, encontre expressões senoidais para as correntes e para a tensão.
(i) Plote as tensões e correntes no mesmo gráfico.

22 - Repita o exercício 21 para o circuito abaixo, substituindo I L por I C nos itens (c) e (d).

23 - Repita o exercício 21 para o circuito abaixo, substituindo E por I F no item (c).

241
24 - Para o circuito abaixo:
(a) Obtenha a admitância total YT na forma polar.
(b) Construa o diagrama de admitâncias.
(c) Encontre o valor de C em microfarads e o de L em henries.
(d) Obtenha a tensão E e as correntes I C , I R , I L na forma fasorial.

(e) Construa o diagrama de fasores para as correntes I F , I R , I L , I C e a tensão E.


(f) Confirme a lei de Kichhoff para correntes em um dos nós.
(g) Obtenha a potência média fornecida ao circuito
(h) Calcule o fator de potência e indique se ele é atrasado ou adiantado.
(i) Encontre expressões senoidais para as correntes e a tensão.
(j) Plote as formas de onda da tensão e das correntes no mesmo gráfico.

25 - Repita o exercício 24 para o circuito abaixo.

26 - Repita o exercício 24 para o circuito abaixo, substituindo e por I F no item (d).

242
27 - Calcule as correntes I 1 e I 2 nos circuitos abaixo, na forma fasorial, utilizando a regra dos
divisores de corrente.

(a)

(b)
28 – Determine:

(a) Encontre a impedância total Z T na forma polar.


(b) Construa o diagrama de impedâncias.
(c) Obtenha o valor de L em henries.
(d) Encontre a corrente I e as tensões V R e V L na forma fasorial.

(e) Construa o diagrama de fasores para a corrente I e as tensões V, V R e V L .


(f) Obtenha o fator de potência do circuito.
(g) Calcule a potência média fornecida ao circuito.
(h) Encontre expressões senoidais para as tensões e a corrente.
(i) Plote as formas de onda das tensões e da corrente no mesmo gráfico.

243