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Suno Call #352

10/07/2019

TEMA DO DIA

Conservador ou Agressivo: Qual é o seu estilo


de investimento?
Investidores iniciantes frequentemente acreditam que podem vencer o mercado
simplesmente por saberem comprar e vender ações. Geralmente eles estão
errados. Este pensamento equivale a um cabo do exército que acabou de
aprender a atirar e acredita que pode vencer uma guerra.

Investimentos, assim como as guerras, são complexos e demandam estratégia,


planejamento, disciplina e uma série de outras habilidades que são desenvolvidas
com experiência e estudo.

Investidores que estão iniciando agora sua jornada no mercado nanceiro, muitas
vezes, são atraídos por empresas com nomes conhecidos, cujas teses “infalíveis”
os fascinam em torno do pensamento de enriquecer.

Conforme o investidor amadurece, ele passa a reconhecer os erros e acertos,


moldando sua estratégia de maneira a produzir resultados consistentes no longo
prazo. Com muito estudo e dedicação, eles começam a perceber a importância de
cada decisão na construção de um portfólio coeso para enfrentar os mais
adversos cenários econômicos.

O investidor atinge a maturidade quando aprende a reconhecer e lidar com os


erros e acertos de maneira saudável, sem que as perdas e ganhos afetem sua
racionalidade na tomada de decisão futura. Deste modo, um tema de extrema
relevância no universo dos investimentos são os erros que serão cometidos por
todos os investidores.

Acerca desse tema, recentemente li um livro interessante que mostra, em um de


seus capítulos, como a aversão a determinado tipo de erro pode evidenciar seu
estilo de investimento.

O livro, intitulado Book of Value: The Fine Art of Investing Wisely, de Anurag
Sharma, traz a seguinte gura em seu nono capítulo (a gura foi adaptada para o
português).

Segundo o autor, quando analisamos uma ação surgem duas possibilidades.


Podemos construir a tese de que aquela ação se con gura como um bom
investimento ou que aquela ação será um investimento ruim.

Além da tese, em se tratando de investimentos, devemos analisar os resultados.


Os resultados podem mostrar que os investimentos foram bons ou ruins.
Cruzando as teses e os resultados chegamos na gura que apresenta quatro
situações.
Os quadrantes 1 e 4 são aqueles onde suas expectativas eram consistentes com
o que de fato ocorreu. Ou você realizou um investimento bem-sucedido ou não
realizou o investimento e evitou perdas. O investidor deve buscar uma análise
coerente para se encontrar, na maior parte das vezes, nestes dois cenários.

As outras duas situações não são satisfatórias. No segundo quadrante, sua


análise te levou a pensar que a ação era uma boa ideia, mas ela se mostrou
errada. Você cometeu um erro conhecido como falso positivo, ou erro do Tipo 1.
Esta situação te leva à perda de capital, o que causa um desconforto inevitável
com que o investidor deve aprender a lidar para atingir a maturidade.

Por outro lado, sua análise pode te levar a acreditar que uma ação não é um bom
investimento e o tempo pode te mostrar o contrário, o que te coloca no terceiro
quadrante. Neste caso, você cometeu um erro do Tipo 2, ou um falso negativo.
Aqui, o fato da ação performar bem te traz a sensação de arrependimento por não
ter realizado o aporte.

Um problema para os investidores é que os erros são diametralmente opostos.


Reduzir a chance de cometer o erro Tipo 1 aumenta as chances de cometer o erro
Tipo 2 e vice-versa. Certamente, você consegue reduzir a chance de cometer os
dois erros ao melhorar sua capacidade analítica, mas isso só é possível até certo
ponto. Inevitavelmente, você terá de decidir qual dos dois erros é mais aceitável
para você e isso de nirá seu estilo de investimento.

Um investidor que não quer perder oportunidades e, portanto, deseja evitar os


erros do Tipo 2, terá uma análise menos criteriosa e investirá em mais ações, o
que o fará cometer mais erros do Tipo 1. Este será um investidor mais agressivo.

De maneira oposta, um investidor que preza pela preservação de seu capital e,


portanto, deseja evitar os erros do Tipo 1, terá de realizar análises meticulosas
com o objetivo de escolher os investimentos que não acarretarão perda de
patrimônio, o que o fará perder algumas oportunidades (erro Tipo 2). O investidor
que age desta maneira tende a ser mais conservador.
Como disse Warren Buffett, erros serão cometidos ao longo do caminho. Cabe ao
investidor buscar o autoconhecimento de modo a compreender qual tipo de erro
ele possui mais facilidade em lidar e qual tipo de erro ele deseja evitar, o que lhe
permitirá a construção de uma estratégia coerente para atingir seus objetivos de
longo prazo.

Envie seu feedback sobre essa edição para sunocall@sunoresearch.com.br

Petrobras (PETR4) divulga teaser para venda de


campos terrestres na Bahia e assina Termo de
Compromisso com o CADE para o mercado de
gás natural
A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras informou, na última segunda-feira (08), que
iniciou a etapa de divulgação da oportunidade referente à venda da totalidade de
suas participações em quatro campos terrestres localizados na Bahia.

Além disso, essa venda inclui as instalações compartilhadas de escoamento e


tratamento de produção, denominadas conjuntamente Polo Tucano Sul.

A Petrobras é operadora com 100% de participação em todos os contratos de


concessão, que compreendem os seguintes campos: Conceição, Fazenda Matinha,
Fazenda Santa Rosa e Quererá. A estatal informou que em 2018 a produção média
desses campos foi de cerca de 29 mil metros cúbicos por dia de gás, não havendo
produção de óleo.

 
O objetivo deste processo é a cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento
e produção de gás natural desse grupo de campos terrestres, com instalações
integradas, visando fornecer aos potenciais compradores plenas condições de
operação.

O modelo de negócio proposto em cluster otimiza o compartilhamento de


instalações de escoamento e tratamento da produção, o que justi ca sua
conformação em um único polo de produção.
A transação também poderá contemplar a celebração de eventual contrato de
compra e venda de gás, caso o comprador do Polo queira vender sua produção
para a Petrobras.

Ao m de seu comunicado, a companhia rea rmou o alinhamento destas


operações de desinvestimentos com a sua estratégia de otimização do portfólio,
buscando alocar melhor seu capital de modo a gerar valor para seus acionistas.

Além deste desinvestimento, a Petrobras informou também, no dia 08 de julho,


que assinou, com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), um
Termo de Compromisso de Cessação que consolida o entendimento entre a
Petrobras e o CADE com respeito à promoção de concorrência no setor de gás
natural no Brasil. Isso inclui a venda de participações em empresas do setor.

O objetivo do termo é, portanto, preservar e proteger as condições de


concorrência, buscando abrir o mercado brasileiro de gás natural por meio do
incentivo à entrada de novos agentes neste mercado. Além disso, o termo
suspende procedimentos administrativos instaurados pelo CADE para investigar a
atuação da Petrobras no setor de gás natural.

Assim, com a celebração do termo, a estatal se comprometeu a vender as


participações:

Nova Transportadora do Sudeste S.A. (NTS) – 10%;


Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG) – 10%;
Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A. (TBG) – 51%; e
Participação indireta em companhias distribuidoras de gás, seja vendendo sua
participação de 51% na Gaspetro, seja vendendo suas participações indiretas nas
companhias distribuidoras.

O comunicado também informa que, enquanto as vendas não forem realizadas a


Petrobras terá um prazo de até seis meses, a partir da assinatura do termo, para
indicar Conselheiros de Administração independentes nessas empresas de
transporte e na Gaspetro.
Essa necessidade de indicação dos Conselheiros independentes está alinhada
com as regras do Novo Mercado, com o objetivo de assegurar a desverticalização
funcional das empresas.

Entendemos que a assinatura do termo auxilia na estratégia de melhorar a


alocação do capital da companhia, além de reduzir a alavancagem e o risco
regulatório. Além disso, o aumento da competitividade pode contribuir para o
desenvolvimento do setor, com consequente desenvolvimento do país.

No mais, acreditamos que o cenário da Petrobras não é atraente para um


investimento no papel, uma vez que existem diversas incertezas quanto aos
desinvestimentos que vêm sendo feitos, além de ser uma empresa controlada
pelo Estado. Este fator é de extrema relevância para nós, pois consideramos que
podem existir divergências nos interesses do controlador e do investidor
minoritário, de modo que este sai prejudicado no longo prazo.

Petro Rio (PRIO3) informa dados operacionais


de junho de 2019
A Petro Rio S.A. informou, na última segunda-feira (08), seus dados operacionais
preliminares e não auditados referentes ao mês de junho. Para melhor visualização,
os dados constam nas tabelas abaixo:

 
Vale ressaltar que o dado correspondente ao campo de Frade, referente a março
de 2019, considera a média diária nos seis dias em que a PetroRio operou o ativo.
Atualmente, os resultados já estão incorporados e seguem trazendo um volume
signi cativo à produção da empresa.

O campo de Frade era, anteriormente, operado pela Chevron. Trata-se de um


campo maduro, condizente com o modelo de negócios da PetroRio, com início da
produção em 2009. Foi neste campo que, em 2011, ocorreu um vazamento de
petróleo, pelo qual a Chevron foi inteiramente responsabilizada. Após o ocorrido, o
campo cou mais de um ano parado. A participação de 51,74% da Chevron no
ativo foi adquirida pela PetroRio recentemente.

Já a redução da produção no Campo de Manati aconteceu devido à diminuição da


demanda da Petrobras, que é a única compradora do gás produzido neste Campo.

Os papéis de PRIO3 fecharam os últimos dias em forte alta, bem como vários
ativos na bolsa brasileira, provavelmente devido ao otimismo com relação a
aprovação das reformas:

Enxergamos como positivos os resultados mostrados pela PetroRio, mantendo a


consistência de seu crescimento.
No mais, acreditamos que o modelo de negócios da PetroRio é muito bem
sustentado, atualmente, pela sua operação enxuta e e ciente. Entendemos,
portanto, que há bom potencial de geração de valor por parte da companhia.

Agência S&P Global coloca ratings da Tecnisa


(TCSA3) em CreditWatch positivo
A agência de ratings S&P Global colocou os ratings da Tecnisa S.A em CreditWatch
positivo. Isso se deve ao anúncio da companhia, em 5 de julho de 2019, sobre sua
intenção de realizar uma oferta pública de distribuição primária de ações que
poderia atingir cerca de R$ 400 milhões.

A S&P colocou, portanto, os ratings de emissor ‘brA’ e de emissão ‘brA+’ da Tecnisa


na listagem CreditWatch com implicações positivas.

A colocação do rating da companhia em CreditWatch, segundo a S&P, re ete a sua


visão de que o aumento, se bem-sucedido, provavelmente levaria a uma melhora da
qualidade de crédito da Tecnisa, uma vez que proporcionaria a possibilidade de
expandir seus negócios, desenvolvendo novos projetos.

Ou seja, com recursos adicionais em caixa, a empresa poderia acelerar seus


lançamentos e expandir seu banco de terrenos. Com isso, é possível enxergar
uma melhora na e ciência operacional da Tecnisa, que sofreu, nos últimos anos,
com elevado nível de distratos e volume reduzido de vendas.

Além disso, a agência acredita que parte dos recursos seriam usados para pré-
pagamento de dívidas com custo elevado, o que levaria a uma redução do
endividamento e melhora da estrutura de capital e liquidez da empresa.
A S&P pretende solucionar o CreditWatch após a conclusão do aumento de
capital, que deveria ocorrer em menos de um mês. Com base no montante total
de recursos levantados e expectativa de uso destes, a agência reavaliaria a
qualidade de crédito da empresa, incluindo o impacto sobre sua posição
competitiva, nível de endividamento e liquidez.

Nos últimos anos, a companhia vivenciou um cenário complicado, no qual


praticamente não fez lançamentos, focando na estratégia de venda de ativos,
comercializando seus estoques. Excluindo o último lançamento da companhia,
anunciado no início de maio, ela não apresentava novos projetos desde o nal de
2016.

No entanto, com a geração de caixa desacelerando e com os vencimentos de


dívidas se aproximando, a empresa precisa continuar reduzindo sua alavancagem,
além de ter caixa para realizar lançamentos, por isso, a oferta é capaz de dar à
companhia o fôlego que ela precisaria para retomar suas atividades.

Com o anúncio da oferta, as ações da Tecnisa apresentaram uma alta de cerca de


30% em um único dia:
No mais, acreditamos que a Tecnisa passa por um cenário complexo e, diante da
valorização excessiva do papel, após o anúncio da oferta, preferimos nos manter
de fora, investindo em oportunidades melhores e mais seguras neste segmento.

Klabin (KLBN11/KLBN4) anuncia emissão de


US$ 250 milhões em notes
A Klabin S.A. comunicou ao mercado, no dia 08 de julho, que sua subsidiária
integral Klabin Austria GmbH, na mesma data, preci cou títulos representativos de
dívida (Senior Unsecured Notes) garantidos pela companhia, no valor total de US$
250 milhões.

Estes notes possuem yield de 4,90% ao ano, com vencimento em 03 de abril de


2029. Além disso, serão distribuídos em operações isentas de registro nos Estados
Unidos para investidores institucionais quali cados, conforme de nidos na Rule
144ª do Securities Act e, para cidadãos não americanos ou domiciliados nos
Estados Unidos, conforme a Regulation S do Securities Act.

A empresa ressaltou que os recursos captados por meio da emissão das Notes
servirão para o pagamento antecipado ou re nanciamento de dívidas, bem como
para reforço de caixa. O restante, caso haja, será destinado para nanciamento de
suas atividades, bem como de suas subsidiárias, sempre dentro do curso normal de
seus negócios e atendendo aos respectivos objetos sociais.

Segundo a Klabin, essa transação representa mais uma etapa do seu trabalho de
liability management conduzido pelos últimos meses, aproveitando-se do acesso
a custo e prazo atrativos na emissão de notes para otimizar sua estrutura de
capital.
Por m, a companhia destacou que os notes não podem ser ofertados ou
vendidos nos Estados Unidos ou Brasil. Qualquer oferta pública de notes a ser
feita nos Estados Unidos será feita por meio de um prospecto que possa ser
obtido junto à empresa e que conterá informações detalhadas sobre a Companhia
e sua administração, bem como suas demonstrações nanceiras.

Cabe notar que, na nossa economia, diante de uma Selic a 6,50%, a aquisição de
um note com um yield de 4,90% não seria nada interessante. Porém, na
conjuntura da Zona do Euro, na qual se situa a Áustria (local da subsidiária),
temos uma taxa básica de juros da economia em 0%. Portanto, para estes
patamares, um yield de 4,90% pode ser interessante.

No mais, a Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, fundada


há 120 anos. Dentre seus produtos principais estão papéis e cartões para
embalagens, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais, além de
madeira em toras.

A companhia possui 18 unidades industriais, sendo uma na Argentina e as demais


no Brasil. Além disso, conta com escritórios comerciais no Brasil, nos Estados
Unidos e na Áustria.

Por m, seguimos con antes com relação ao case de Klabin, lembrando aos
nossos assinantes do respeito ao preço-teto e à alocação sugerida para
maximizar a margem de segurança associada ao investimento.

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