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Aula 06

Criminologia p/ PC-PR (Delegado) -


Pós-Edital

Autores:
Paulo Bilynskyj, Beatriz V. P.
Pestilli
Aula 06
14 de Abril de 2020

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Paulo Bilynskyj, Beatriz V. P. Pestilli
Aula 06

Sumário
1 - Noções introdutórias .................................................................................................................................... 5

2 – A criminologia no estado democrático de direito........................................................................................ 7

3 – Modelos de justiça contemporâneos ........................................................................................................... 7

3.1 – Justiça Restaurativa ..............................................................................................................................


1503383 8

O tema em provas da Defensoria Pública ...................................................................................................................... 12

3.2 – Justiça Terapêutica .............................................................................................................................. 13

3.3 – Justiça Instantânea.............................................................................................................................. 17

4 – Prisão .......................................................................................................................................................... 18

4.1 – A prisão como pena hegemônica a alternativas à prisão. .................................................................. 18

4.2 – A situação Carcerária brasileira e problemas decorrentes ................................................................. 20

4.2.1 – O Sistema Penitenciário Brasileiro...................................................................................................................... 20

4.2.2 – Penitenciária no Brasil ........................................................................................................................................ 21

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 21

4.2.3 – O encarceramento no Brasil: dados e perspectivas ........................................................................................... 22

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 24

4.2.4 – Situação Carcerária Feminina no Brasil .............................................................................................................. 25

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 25

4.2.5– Panorama Geral brasileiro ................................................................................................................................... 27

Sistema Carcerário Brasileiro e o Estado de Coisas Inconstitucional ............................................................................. 28

4.3 – A prisão e as críticas na sociedade Moderna ...................................................................................... 33

4.3.1 – Baratta: Processo Negativo de Ressocialização no sistema prisional................................................................. 33

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Desculturação ................................................................................................................................................................. 34

Aculturação ou Prisionalização ....................................................................................................................................... 34

Educação para ser criminoso .......................................................................................................................................... 34

Educação para ser um bom preso .................................................................................................................................. 35

4.3.1 – Foucault: o Fracasso da Prisão ............................................................................................................................ 35

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 36

5 – Técnicas contemporâneas.......................................................................................................................... 37

5.1 – Técnicas de investigação ..................................................................................................................... 38

5.2 – Técnicas de Investigação sociológica .................................................................................................. 39

5.2.1 – Investigação extensiva ou quantitativa .............................................................................................................. 39

5.2.2 – Investigação intensiva ou qualitativa ................................................................................................................. 40

5.2.3 – Investigação-Ação ............................................................................................................................................... 40

Recognição visuográfica de local de crime ..................................................................................................................... 41

Perfilamento Criminal..................................................................................................................................................... 41

6 – Testes Criminológicos Contemporâneos.................................................................................................... 43

6.1 – Teste de Personalidade Projetivos....................................................................................................... 44

6.1.1 – Técnica de Rorschach: ........................................................................................................................................ 44

6.1.2 – Teste PMK – Psicodiagnóstico Miocinético de Periculosidade Delinquencial: ................................................... 45

6.1.3 – Teste do Desenho ou HTP – House Tree, Person................................................................................................ 45

6.1.4 – Tat ou Teste de apercepção temática ................................................................................................................ 45

6.2 – Testes de Personalidade Prospectivos ................................................................................................. 46

6.3 – Testes de Inteligência .......................................................................................................................... 46

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Tabela de QI .................................................................................................................................................................... 48

6.3.1 – Teste de raciocínio aritmético ............................................................................................................................ 49

6.3.2 – Teste de memórias para números ...................................................................................................................... 50

6.3.3 – Teste de semelhança .......................................................................................................................................... 50

6.3.4 – Teste de arranjo de figuras ................................................................................................................................. 50

6.3.5 – Teste complementar figuras ............................................................................................................................... 50

6.3.6 – Teste do desenho de cubos ................................................................................................................................ 51

6.3.7 – Teste de números e símbolos ............................................................................................................................. 51

6.3.8 - Teste de arranjo de objetos................................................................................................................................. 51

6.3.9 – Teste do Vocabulário .......................................................................................................................................... 52

7 – Fatores Sociais da Criminalidade................................................................................................................ 52

8 – Modelos de Criminologia Contemporânea ................................................................................................ 54

8.1 – Criminologia no Estado Democrático de Direito ................................................................................. 54

8.2 – Criminologia Ambiental ....................................................................................................................... 55

8.2.1 – Classificação das teorias ambientais................................................................................................................... 56

8.2.2 – Teorias teoria das atividades rotineiras.............................................................................................................. 56

8.2.3 – Teoria da escolha racional .................................................................................................................................. 56

8.2.4 - teoria do padrão racional .................................................................................................................................... 57

8.2.5 – Teoria da oportunidade ...................................................................................................................................... 57

8.3 – Criminologia Cultural........................................................................................................................... 58

8.4 – Criminologia Feminista........................................................................................................................ 58

8.5 – Criminologia Queer ............................................................................................................................. 59

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8.6 – Criminologia e o Crime Organizado .................................................................................................... 60

9 – Outros Temas Contemporâneos ................................................................................................................ 63

9.1 – Bullying ................................................................................................................................................ 63

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 64

9.1.1 – Legislação de combate à intimidação sistemática - Bullying .............................................................................. 65

9.1.2 – Classificação da Intimidação sistemática - Bullying ............................................................................................ 65

9.1.3 - Cyberbullying ....................................................................................................................................................... 66

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 66

9.2 – Assédio Moral ...................................................................................................................................... 67

9.2.1 – Mobbing.............................................................................................................................................................. 67

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 67

9.3 – Stalking ................................................................................................................................................ 68

O tema em provas .......................................................................................................................................................... 69

Resumo............................................................................................................................................................. 70

Destaques à Legislação e Jurisprudência ......................................................................................................... 91

Considerações finais....................................................................................................................................... 100

Questões comentadas.................................................................................................................................... 100

Lista de exercícios .......................................................................................................................................... 107

Gabarito ..................................................................................................................................................... 117

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CRIMINOLOGIA CONTEMPORÂNEA
1 - NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Guerreiros,

Como vimos no decorrer do nosso curso, a Criminologia amadureceu. Como ciência, passou a ter
autonomia, objetos próprios de investigação e também adquiriu, ao longo dos anos, uma metodologia
própria.

Com isso, o estudo do crime esbarrou-se na figura do criminoso que, durante certo tempo ganhou espaço,
teorias e experimentos a fim de justificar as razões pelas quais o homem era e é capaz de cometer crimes.
Nesse sentido, as escolas Criminológicas foram surgindo, teorias foram lançadas e, como bem se sabe, a
Criminologia não é uma ciência exata. Sendo assim, pode-se dizer que algumas teorias que subsidiam a
conduta criminosa ganharam força, outras não.

Com o passar dos anos, o estudo “crime-criminoso, criminoso-crime”, se expandiu, ao passo que a
Criminologia voltou seus olhos à uma terceira figura: a vítima. Na oportunidade, descobriu-se que a vítima
merecia ser estudada, seja porque o Estado devia preocupar-se com ela, seja porque a figura da vítima tem
o poder de influenciar na conduta criminosa ou porque é dever do Estado colaborar no reparo à vítima ou
garantir que isso seja feito. Pois bem, a vítima passou a ser parte do objeto de estudo da Criminologia e
ganhou importante espaço em nosso estudo.

Evidentemente, como ciência, não paramos por ali. Avançamos!

De modo geral, pode-se dizer que como ciência, a Criminologia está em constante evolução. Desse modo,
teorias que outrora eram esclarecedoras podem, hoje, não fazer tanto sentido. Outras demandam de um
complemento, digamos, “mais moderno”.

Veremos ao longo deste capítulo que, ao nos referirmos à Criminologia Contemporânea, estaremos
amadurecendo, esticando e evoluindo todas as teorias, modelos, teses, metodologias e ideologias
estudadas até aqui.

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Como o próprio nome sugere, “Contemporânea” quer dizer: Que ou quem é do tempo atual1.

Isso quer dizer que estudaremos, a partir desta aula, a Criminologia atual e como (de que forma, com quais
métodos), é possível empregá-la em nosso Estado Democrático de Direito.

Veremos que, predominantemente, um Estado Democrático de Direito tem como plano de fundo, uma
orientação prevencionista. Isso significa que, seu interesse é concentrando em evitar o delito, e não puni-
lo, como anteriormente demostravam inúmeras teorias. Veremos inclusive, na próxima aula, que em
reforço à esta ideia prevencionista, há programas dirigidos à prevenção primária, secundária e terciária.

Nesse sentido e, para garantir esta orientação prevencionista, medidas indiretas atuam sobre o delito. É
dizer que, em uma sociedade democrática, preliminarmente, o delito não é alcançado diretamente e sim,
as causas das quais ele é o efeito. Ou seja, as medidas a serem adotadas devem ter como alvo o indivíduo
e o meio em que ele vive.

Nesse sentido, no que tange ao indivíduo, deve-se observar: a personalidade, o caráter e o


temperamento, com a finalidade de verificar o que motiva sua conduta. Por outro lado, em relação ao
meio em que ele vive, ou ao meio social, a doutrina ressalta a importância de que seu estudo seja feito no
maior raio de alcance possível, com vistas a conjugar medidas: sociais, políticas e econômicas que
proporcionam uma melhoraria na qualidade de vida das pessoas.

Portanto, pode-se dizer que isto é Criminologia Contemporânea. É a adoção de todos estes fatores, que
somados, passam a ter uma medida de cunho prevencionista. A fim de garanti-la, passaremos agora ao
estudo do atual cenário democrático, do sistema carcerário, dos modelos de justiça disponíveis, a forma de
atuação da política criminal, os testes contemporâneos e demais instrumentos utilizados a fim de se
garantir este modelo prevencionista.

Portanto, boa leitura.

1
"contemporâneo", in Dicionario Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-
2013, https://dicionario.priberam.org/contempor%C3%A2neo [consultado em 07-11-2019].

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2 – A CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO


Sabe-se que o saber criminológico, num Estado Democrático de Direito, tem orientação de cunho
prevencionista, portanto, a melhor ideia é prevenir o crime.

Prevenir o crime envolve inúmeras questões, sobretudo, aquelas que demandam um acompanhamento
pormenorizado sobre a matéria criminológica de acordo com a realidade e atualidade de cada espaço
geográfico. Só assim, é possível chegar às soluções viáveis cujo impacto influencie nos índices
criminológicos atuais, de forma positiva é claro.

Por isso, é relevante saber que, atualmente, a Criminologia desenvolve-se sob um viés moderno. A ciência
empírica que outrora fora relevante ao estudo criminológico, se limitada aos ensinamentos daquela época,
não traz soluções para o hoje. É que os tempos mudaram. O criminoso que atuava de forma discreta ou
limitada não atua mais ou atua pouco. Hoje, a ousadia é a maior característica da criminalidade. Foi preciso
amadurecer.

Na Criminologia Contemporânea essa é a pauta de estudo. É possível notar que ela se volta, o tempo todo,
às questões modernas, amadurecendo técnicas e testes que auxiliam as pesquisas sobre o tema e
fornecem à política criminal informações mais madurais sobre o crime.

3 – MODELOS DE JUSTIÇA CONTEMPORÂNEOS


Na Criminologia Contemporânea, 03 (três) modelos de justiça se destacam, são eles:

1. Justiça Restaurativa
2. Justiça Terapêutica
3. Justiça Instantânea

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Vamos à cada uma delas.

3.1 – JUSTIÇA RESTAURATIVA


Ao contrário do que propõe o modelo de justiça retribucionista – aquele que trabalha a pena como forma
de retribuir o mal injusto -, o modelo de Justiça Restaurativa associa-se à ideia de reação social
restauradora ou integradora (sinônimo).

É dizer que o foco, no modelo de Justiça Restaurativa, está direcionado à reparação do dano, pautando-se,
portanto, na ideia de Direito Penal Mínimo. Aqui, vale um parêntese para lembrá-los de alguns conceitos
importantes.

É que, desde os primórdios, fala-se em Direito Penal Mínimo e Direito Penal Máximo.

 Direito Penal Mínimo – Também é chamado de Minimalismo Penal, propõe como tese a
proposição de um Direito Penal de "mínima intervenção, com máximas garantias".

 Direito Penal Máximo – ao contrário do Direito Penal Mínimo tem se a ideia de que o
Direito Penal é a solução para tudo e todos os problemas da sociedade. Ou seja, o
Direito Penal é o meio de controle social mais eficaz porque ele restringe a liberdade do
ser humano, por isso, ele DEVE SER APLICADO EM PRIMEIRO LUGAR.

Nesse contexto, foram várias as legislações que surgiram a partir de Teorias como estas. No Brasil, por
exemplo, podemos citar a Lei de Crimes Hediondos, Lei nº 8072 criada em 90 pelo legislador que
influenciado pela ideia de Direito Penal Máximo, Movimento Lei e Ordem e Teorias
das Janelas Quebradas, implantou um sistema de política criminal SEVERA, a fim de
tentar diminuir a criminalidade. Isso fez com que novos tipos penais fossem criados,
proporcionando um aumento de penas e endurecesse o regime de cumprimento
de pena em alguns casos. (Para ser mais preciso em nosso exemplo, podemos
demostrar a rigidez na forma de progressão dos crimes hediondos que não
acompanham o regime simples de progressão da LEP, art. 102, que prevê a possibilidade de progressão
com 1/6 de cumprimento da pena. Ao contrário do que se tem, a Lei de Crimes Hediondos endurece o
benefício da progressão, prevendo tal possibilidade a partir de 2/5 de cumprimento da pena para primários
e 3/5 para reincidentes).

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Contudo, embora tenhamos exemplos práticos de influência da Teoria do Direito Penal Máximo em nosso
país, não se pode dizer que ela é predominante. Como já fora dito, num Estado Democrático de Direito, as
medidas são indiretas e a orientação é preventiva. Isso significa que, a regra, é a adoção de uma justiça que
restaura. Portanto, pauta-se em um Direito Penal Mínimo, priorizando:

 Penas alternativas à privativa de liberdade


 Reparação;
 Restituição;
 Serviços comunitários;
 Resolução de conflitos, contemplando, inclusive, a participação da vítima.
 São processos que contam com um mediador judicial;

Note que, neste modelo, a figura da vítima é novamente valorada. Aliás, as partes, devem, num modelo
restaurativo, participar de forma colaborativa visando à resolução do conflito, de forma mais amigável
possível, ensejando ainda, redução do dano no mínimo. A propósito, essa é a função do
mediador/facilitador, trazer, mediante a colaboração do poder público e da sociedade, instrumentos que
viabilizam o diálogo.

Veja o que dispõe o art. 60, da Lei 9.099:

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a
conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as
regras de conexão e continência.

Note que é um modelo mais “zen”.

A pena é substituída pela conscientização, já que a decisão do juiz pode e deve ser mais flexível, uma vez
que a preocupação é o “pós-processo”, é o retorno das partes à sociedade. Você já deve estar se
perguntando, ou, pode ser que já tenha conseguido visualizar nosso exemplo de justiça restaurativa. É isso
mesmo, no Brasil, a título de exemplo, podemos citar a Lei 9099/98.

Sabemos que no âmbito penal, a Lei 9099/98 gravita em negociações e, a títulos de exemplos, podemos
citar:

 Transação Penal (Art. 60, Lei 9.099/95);


Art. 60 (...)

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Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da
aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da
composição dos danos civis.

 Composição civil de danos (Art. 72, Lei 9.099/95)


Art. 72. Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério Público, o autor do fato e a vítima e,
se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da
composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade.

 Suspensão Condicional do Processo (Art. 89, Lei 9.099/95);


Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por
esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a
quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena.

Fora do JECRIM, também encontramos legislações pautadas em medidas restaurativas, como por
exemplo:

 Delação Premiada (Parágrafo único do art. 16, Lei 8137/90);


Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nesta lei,
fornecendo-lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os
elementos de convicção.
Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co-autoria, o co-autor ou partícipe
que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a
sua pena reduzida de um a dois terços.

 Delação Premiada (Parágrafo único do art. 8, Lei 8.072/90);


Art. 8º Será de três a seis anos de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se tratar de
crimes hediondos, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo.

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Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando
seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços.

 Delação Premiada (Art. 14, Lei 9.807/999)


Art. 14. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo
criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime, na localização da vítima com vida e na
recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um a dois
terços.

 Lei de Drogas - usuário – (Art. 28, Lei 11.343/2006)


Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

 Composição dos danos por parte do infrator, como forma de benefício – (Art. 27, Lei 9.605/98)
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena
restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá
ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da
mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade.

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É oportuno ressaltar que, acerca do tema Justiça Restaurativa, a ONU já elaborou recomendações aos
estados membros, para que a matéria seja implantada e desenvolvida em seus territórios. É o que
podemos encontrar nas Resolução abaixo:

 Resolução nº 1999/26 - ONU; Desenvolvimento e Implementação de Medidas de Mediação e


Justiça Restaurativa na Justiça Criminal.
 Resolução nº 2000/14 - ONU; Princípios Básicos para utilização de Programas Restaurativos em
Matérias Criminais.
 Resolução nº 2002/12 – ONU; Princípios básicos para utilização de programas de justiça
restaurativa em matéria criminal. (Cujo inteiro teor está disponível no tópico “Destaque a
Legislação e Jurisprudências”.

Outro tema que merece destaque é a implementação da Justiça Restaurativa no âmbito policial. No Brasil,
a Polícia de São Paulo foi pioneira ao incluir em sua estrutura os NECRIM’s, conhecidos como NÚCLEOS
ESPECIAIS CRIMINAIS, responsáveis pela mediação de conflitos de Menor Potencial Ofensivo. Na prática,
as sessões são presididas por um delta. O objetivo é, dentro deste padrão restaurativo, resolver o litígio e,
em caso de êxito, o acordo é encaminhado ao Judiciário para homologação.

Vejam como este tema foi explorado em provas de concurso da Defensoria Pública:

O tema em provas da Defensoria Pública

FGV/ANALISTA EM PSICOLOGIA DPE RO – 2015

Alunos rebeldes, que jogam bombas no recreio, usam drogas ou cometem violência contra o
professor são expulsos da escola. Depois, expulsos novamente de outra instituição, acabam
desistindo de estudar. Continuam cometendo delitos até que, por fim, são recolhidos à
Fundação Casa. A trajetória é muito conhecida por juízes da Vara da Infância, que sabem que
o resgate desses menores para a sociedade vai se tornando cada vez mais difícil. No entanto,
a aplicação da Justiça Restaurativa nas escolas do Estado de São Paulo tem rompido esse ciclo
de violência e recuperado adolescentes para o convívio social e escolar sem a necessidade de
aplicação de medidas de caráter meramente punitivo". (Portal CNJ em 06/01/2015).

Em relação à Justiça Restaurativa, analise as características a seguir:

I - o processo decisório compartilhado com as pessoas envolvidas;

II - a estrita observância do contencioso e do contraditório;

III - a participação voluntária e o procedimento criativo e voltado para o futuro.

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Trata-se de característica(s) da Justiça Restaurativa:

A. somente I;

B. somente II;

C. somente I e III;

D. somente II e III;

E. I, II e III.

Gabarito: Letra C

Tecidas as considerações sobre a Justiça Restaurativa, estudaremos agora um outro modelo, também
presente na Criminologia Contemporânea, o chamado Modelo de Justiça Terapêutico.

Go!

3.2 – JUSTIÇA TERAPÊUTICA


A Justiça Terapêutica, resume-se em um conjunto de medidas que tem como objetivo elevar a
possibilidade de o delinquente, usuário ou dependente de drogas, por exemplo, entrar e permanecer em
tratamento de forma a modificar seu proceder desviante. (Lima, Júnior. 2017, p. 161)

No Brasil, o modelo de Justiça Terapêutica foi iniciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul e
voltou-se ao atendimento, especificamente, do usuário de drogas infrator. Além disso, a doutrina aponta
que a Justiça Terapêutica tem origem no Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8069/90,
especificamente no art. 98, III, veja:

Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos
nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;

II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;

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III - em razão de sua conduta.

Nesse sentido, a justiça terapêutica é vista como um modelo de proteção, uma vez que a criança ou
adolescente em situação de risco, por sua própria conduta, deve ser protegida, sujeitando-se às medidas
protetivas do art. 101 do mesmo diploma legal. Veja:

Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar,
dentre outras, as seguintes medidas:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e
toxicômanos;
VII - acolhimento institucional;
VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
IX - colocação em família substituta
§ 1 o O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis
como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família
substituta, não implicando privação de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2 o Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de violência ou abuso sexual
e das providências a que alude o art. 130 desta Lei, o afastamento da criança ou adolescente do convívio
familiar é de competência exclusiva da autoridade judiciária e importará na deflagração, a pedido do
Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se
garanta aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa. (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
§ 3 o Crianças e adolescentes somente poderão ser encaminhados às instituições que executam programas de
acolhimento institucional, governamentais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela
autoridade judiciária, na qual obrigatoriamente constará, dentre outros: (Incluído pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
I - sua identificação e a qualificação completa de seus pais ou de seu responsável, se conhecidos; (Incluído pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

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II - o endereço de residência dos pais ou do responsável, com pontos de referência; (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
III - os nomes de parentes ou de terceiros interessados em tê-los sob sua guarda; (Incluído pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
IV - os motivos da retirada ou da não reintegração ao convívio familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 4 o Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade responsável pelo programa
de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano individual de atendimento, visando à
reintegração familiar, ressalvada a existência de ordem escrita e fundamentada em contrário de autoridade
judiciária competente, caso em que também deverá contemplar sua colocação em família substituta,
observadas as regras e princípios desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 5 o O plano individual será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de
atendimento e levará em consideração a opinião da criança ou do adolescente e a oitiva dos pais ou do
responsável. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 6 o Constarão do plano individual, dentre outros: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
I - os resultados da avaliação interdisciplinar; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
II - os compromissos assumidos pelos pais ou responsável; e (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
III - a previsão das atividades a serem desenvolvidas com a criança ou com o adolescente acolhido e seus pais
ou responsável, com vista na reintegração familiar ou, caso seja esta vedada por expressa e fundamentada
determinação judicial, as providências a serem tomadas para sua colocação em família substituta, sob direta
supervisão da autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 7 o O acolhimento familiar ou institucional ocorrerá no local mais próximo à residência dos pais ou do
responsável e, como parte do processo de reintegração familiar, sempre que identificada a necessidade, a
família de origem será incluída em programas oficiais de orientação, de apoio e de promoção social, sendo
facilitado e estimulado o contato com a criança ou com o adolescente acolhido. (Incluído pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
§ 8 o Verificada a possibilidade de reintegração familiar, o responsável pelo programa de acolhimento familiar
ou institucional fará imediata comunicação à autoridade judiciária, que dará vista ao Ministério Público, pelo
prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 9 o Em sendo constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família de
origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de orientação, apoio e promoção
social, será enviado relatório fundamentado ao Ministério Público, no qual conste a descrição pormenorizada
das providências tomadas e a expressa recomendação, subscrita pelos técnicos da entidade ou responsáveis

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pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar, para a destituição do poder
familiar, ou destituição de tutela ou guarda. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 10. Recebido o relatório, o Ministério Público terá o prazo de 15 (quinze) dias para o ingresso com a ação de
destituição do poder familiar, salvo se entender necessária a realização de estudos complementares ou de
outras providências indispensáveis ao ajuizamento da demanda. (Redação dada pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 11. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um cadastro contendo informações
atualizadas sobre as crianças e adolescentes em regime de acolhimento familiar e institucional sob sua
responsabilidade, com informações pormenorizadas sobre a situação jurídica de cada um, bem como as
providências tomadas para sua reintegração familiar ou colocação em família substituta, em qualquer das
modalidades previstas no art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 12. Terão acesso ao cadastro o Ministério Público, o Conselho Tutelar, o órgão gestor da Assistência Social e
os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Assistência Social, aos quais incumbe
deliberar sobre a implementação de políticas públicas que permitam reduzir o número de crianças e
adolescentes afastados do convívio familiar e abreviar o período de permanência em programa de
acolhimento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

Ainda no âmbito da legislação penal, são exemplos de normas com aplicabilidade terapêutica a:

 Lei nº 11.343/2006 – que prevê justiça terapêutica aos usuários de drogas (Art. 28); e ainda tipifica
a conduta como MPO – menor potencial ofensivo;
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às
seguintes penas:
(...) III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Outro destaque que merece ser lembrado é o fato de que a Lei de Drogas reafirma a ideia de Justiça
Restaurativa nas normas brasileiras, mas não só pelo exemplo acima. Ao contrário, a Lei nº 11.343/2006
excluiu a possibilidade de aplicação de PPL – Pena Privativa de Liberdade ao usuário de drogas, e vale
lembrar, que a redação anterior trazia tal previsibilidade no art. 16 da Lei nº 6.368/76.

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Portanto, Guerreiro, diante de tudo que fora exposto neste tópico, é possível reforçar a ideia

inicial de nossa aula, isso porque, conforme se nota, a Justiça Terapêutica colabora
integralmente com o caráter prevencionista do nosso Estado Democrático de Direito, reafirmando assim,
uma Criminologia Contemporânea, frisando, portanto, em evitar o delito, e não puni-lo, como
anteriormente demostravam inúmeras teorias.

3.3 – JUSTIÇA INSTANTÂNEA


Guerreiro,

Outro modelo de justiça muito presente atualmente e que reforça a ideia prevencionista, é a Justiça
Instantânea.

Conforme explica Natacha Alves (2018, p. 277), a Justiça Instantânea incide em processos que versem
sobre o envolvimento de adolescentes em atos infracionais, o modelo encontra previsão no art. 88, v, da
Lei nº 8.069/90.

Art. 88. São diretrizes da política de atendimento:


I - Municipalização do atendimento;
II - Criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente, órgãos
deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária por
meio de organizações representativas, segundo leis federal, estaduais e municipais;
III - criação e manutenção de programas específicos, observada a descentralização político-administrativa;
IV - Manutenção de fundos nacional, estaduais e municipais vinculados aos respectivos conselhos dos direitos
da criança e do adolescente;
V - Integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e
Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a
adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional;

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Perceba que a celeridade processual é estabelecida como diretriz de atendimento em casos de


adolescentes que enfrentam problemas com a lei e, para isso, é necessário que haja uma integração entre
os modelos de controle social formal, ou seja, Ministério Público, Defensoria Pública e sistema de
segurança pública.

No Brasil, o primeiro estado a adotar o modelo de Justiça Instantânea também foi o Rio Grande do Sul.

4 – PRISÃO
Guerreiro,

Evidentemente que a Criminologia Contemporânea traz inúmeras saídas e seus estudos colaboram de
forma excepcional à política criminal.

Por outro lado, é possível chocar-se com os problemas modernos no Brasil, a exemplo, temos o sistema
penitenciário como grande representante dessa categoria de problemas contemporâneos e, por isso,
excelente tema a ser explorado em provas.

Veremos neste tópico, em especial, a prisão como pena hegemônica à alternativa de prisão, a
consequência das medidas privativas de liberdade e como refletem no Sistema Penitenciário brasileiro.
Lembrando que nosso objetivo é destacar o tema “Prisão” na contemporaneidade, pontuando as críticas e
considerações de importantes estudiosos como Baratta, Foucault, entre outros.

Vamos lá!

4.1 – A PRISÃO COMO PENA HEGEMÔNICA A ALTERNATIVAS À


PRISÃO.

Ainda sobre prisão, outro tema que muito se discute atualmente é a prisão como pena hegemônica à
alternativas de prisão.

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O elevado índice de encarceramento é, naturalmente, consequência de penas privativas de liberdade,


sendo que, neste caso, apresentam-se como solução:

 As penas não privativas de liberdade; e


 As medidas cautelares diversas à prisão;

Estas são de irrefutável importância para redução do alto índice carcerário. Neste sentido, contribuem com
a ideia prevencionista, aproximando, oportunamente, o autor da vítima e o réu, evita os efeitos da
prisionalização e ainda reduz o que podemos chamar de estigma criminoso, fazendo, inclusive, com que a
reincidência, seja evitada.

Também temos as penas restritivas de direitos (Art. 43 a 48 do CP), no entanto, a doutrina destaca que são
penas que encontram resistência devido a cultura conservadora fazendo com que tais medidas fiquem em
segundo plano.

Consequência disto, como já fora dito, é o grande número de encarceramento de pessoas, trazendo,
sofrimento as pessoas encarceradas, efeito de estigma criminoso, pois, o preso passa a ter uma nova
cultura dentro dos presídios sendo que, ao sair dali, dificilmente estará preparado para uma ressocialização
e daí, passa a cometer novos crimes, tornando-se um verdadeiro reincidente.

Note que as penas restritivas de direito, permanecessem em segundo plano, quedando-se a pena de prisão
como hegemônica. Daí porque, parcela da doutrina garantista reage tecendo críticas no sentido de que, a
despeito de salutar a implementação de medidas que minimizem o sofrimento das pessoas encarceradas
– política de redução de danos -, não se deve admitir que as medidas substitutivas à prisão consistam em
um regime adicional ao sistema penalógico tradicional e importem na relegitimização do sistema
punitivo. (Natacha Alves, 2018. p.292)

Fernandes Vieira, por exemplo, complementa a necessidade da alteração legislativa como medida que se
impõe. Afinal, conforme destaca o doutrinador, a alteração tem como finalidade reduzir o índice de
encarceramento já que a finalidade da pena não é imprimir modelos restritivos de liberdades às hipóteses
que outrora figurava como liberdade, isso, para o autor, é ampliar o modelo punitivista do qual não
fazemos parte (como estrutura democrática de direito).

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4.2 – A SITUAÇÃO CARCERÁRIA BRASILEIRA E PROBLEMAS


DECORRENTES

4.2.1 – O Sistema Penitenciário Brasileiro

Guerreiros,

Que o sistema penitenciário brasileiro, nos dias de hoje, está falido, é notório.

Caracterizado pela superlotação nos presídios, pelas condições insalubres e desumanas dentro das celas,
entendemos ser contestável a inidoneidade das penas privativas de liberdade para cumprimento da função
ressocializadora.

Aqui vale um parêntese.

Nossa afirmação pode ser subsidiada pelas constantes rebeliões nos presídios brasileiros, a exemplo,
citamos os casos das rebeliões tenebrosas que ocorreram nos mais variados presídios brasileiros em 2018
e em 2017 por problemas de superlotação e por ausência de preocupação do Poder Público com as
condições mínimas de cumprimento de pena.

É evidente que se almejou pura e simplesmente encarcerar o criminoso, mas se esqueceu de que ele é um
ser humano e possui vontades que podem resultar em atos animalescos e vingativos. O que se pugna é a
solução social dos problemas, muito se valendo da prevenção primária (que será vista em item próprio)
como a correta forma de desenvolver uma nação2.

2
GONZAGA, Christiano. Manual de Criminologia. 1ª. Edição. 2018. São Paulo: Editora Saraiva.
2018. p. 39.

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Por esta e outras, que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos
Estados Americanos (OEA) condenou os atos de violência e instou o Estado a apurar os fatos. Ressalte-se
que o contexto sistemático de reiteração de atos de violência nas unidades prisionais do Estado brasileiro
já levara o órgão a pronunciar advertências em outras oportunidades, clamando pela adoção de medidas
urgentes para o enfrentamento da problemática, como redução da superpopulação carcerária e controle
efetivo para reprimir o ingresso de armas e objetos ilícitos nos presídios, prevenir a ação de “organizações
criminosas” nas unidades prisionais, investigar e punir atos de violência e corrupção. (Natacha Alves, 2018,
p. 280)

Falaremos mais sobre os dados nas penitenciárias a partir de agora.

4.2.2 – Penitenciária no Brasil

Guerreiros,

Como dissemos há pouco, o cenário brasileiro é caótico e, além das situações visíveis e
nítidas, o caos também pode ser evidenciado pelos dados quantitativos constantes do levantamento
Nacional de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça, o INFOPEN, que hoje possui dados e
relatórios de 2014 a 2016.

Vamos a eles, mas antes, veja como o tema foi explorado.

O tema em provas

(MPE/SC Promotor de Justiça – 2016) O Conselho Nacional de Justiça, através de seu


Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, publicou no ano de
2014 diagnóstico de pessoas presas no Brasil, posicionando-nos em terceiro lugar no ranking
dos dez países com maior população prisional do mundo, com cômputo das pessoas que se
encontram em prisão domiciliar no Brasil. Outras constatações relevantes e retratadas no
referido diagnóstico foram o considerável déficit de vagas prisionais e o elevado número de
mandados de prisão em aberto.

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a. Certo

b. Errado

Gabarito: Certo

Vale destacar que a questão foi elaborada tendo por base os dados divulgados no ano de 2014. Entretanto,
deve-se atentar que o enunciado se refere expressamente ao cômputo da população carcerária abarcando
o número de pessoas em regime de prisão domiciliar: o que, desde aquele ano, alçava o Brasil ao terceiro
lugar no Ranking mundial.

4.2.3 – O encarceramento no Brasil: dados e perspectivas

O INFOPEN em dezembro de 2014, registrava uma população penitenciária composta de 622.202 pessoas,
situando o Brasil em quarto lugar no ranking mundial de maior população carcerária, atrás apenas dos
Estados Unidos 2.217,00, China com 1.657.812 e Rússia com 644.237. Visualmente falando, temos o
seguinte cenário:

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EUA
2.217,00
China
1.657.812
Rússia
644.237
BRASIL
622.202

Figura 1: Situação carcerária Brasil 2014. Fonte: INFOPEN

Já em junho de 2017, o Ministério da Justiça divulgou os dados referentes ao ano de 2016, onde consta o
crescimento carcerário que de 622.202 pessoas passou a ser de 726.712 pessoas, fazendo com que o brasil
ultrapassasse a Rússia, alcançando a terceira posição. Com isso, temos:

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EUA
2.217,00
China
1.657.812
BRASIL
726.712
Rússia

Figura 2: Situação carcerária Brasil 2016. Fonte: INFOPEN

Veja como o tema foi explorado em provas.

O tema em provas

(FCC/ DPE ES Defensor Público – 2016) Considerando a atual conjuntura de política criminal
brasileira, é correto afirmar que:

A eficiência do trabalho policial pode ser verificada pelo baixo índice de letalidade e o alto
índice de prisões efetuadas.

O processo de encarceramento em massa no Brasil alavancou-se no período de vigência da


Constituição Federal de 1988, apesar desta ter como seus fundamentos a cidadania e a
dignidade da pessoa humana.

A construção de presídios tem sido uma política eficaz de redução do encarceramento em


massa.

O crescimento da população prisional é isonômico no aspecto de gênero.

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A proteção de direitos humanos tem sido o principal resultado da política criminal brasileira,
uma vez que o aumento da população prisional demonstra que os bens jurídicos estão sendo
cada vez mais protegidos por meio do direito penal.

Gabarito: B

4.2.4 – Situação Carcerária Feminina no Brasil

No tocante à situação carcerária feminina, verificou-se, segundo dados divulgados pelo DEPEN, que o
número de mulheres presas passou de 5.601 em 2000, para 44.721 em 2016, registrando-se um aumento
de 698%, o que, segundo a quarta edição do World Female Imprisionment List divulgada em 2017, situa o
Brasil em quatro lugar no ranking mundial dos países de maior índice de aprisionamento de mulheres,
atrás dos Estados Unidos – cerca de 211. 870, China 107.131 e Rússia 48.4783.

O tema em provas

(MPE/SC Promotor de Justiça – 2005) Julgue os itens a seguir:

I) A Criminologia tradicional formou-se, com base em duas vertentes, respectivamente, nos


séculos XVIII e XIX: uma, clássica ou liberal, que, concebendo o crime como um ente jurídico,
buscava a limitação do poder punitivo estatal e a garantia do indivíduo frente ao uso arbitrário
desse poder; e outra, positivista ou etiológica, que, focada no indivíduo, buscava explicar o

3
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm,2018.
Pg. 281.

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fenômeno criminal a partir das suas causas biopsíquicas e sociais e propugnava pelo combate à
criminalidade.

II) Em meados do século XX, surge a Criminologia Crítica, que, orientada pelo paradigma da
reação social (labelling approach), passou a estudar o fenômeno da criminalização primária e
secundária promovida pelo sistema penal, descobrindo a sua atuação seletiva e estigmatizante.

III) A política criminal prevista na legislação brasileira é preponderantemente penal, uma vez
que apresenta a pena como o principal instrumento de combate à criminalidade, à qual são
atribuídas as funções retributiva e preventiva.

IV) A prisão é a principal modalidade de pena utilizada pelo Direito Penal brasileiro, cuja função
declarada ou manifesta, a teor do art. 1º da Lei de Execução Penal, é a prevenção especial
positiva, embora as pesquisas científicas revelem que essa modalidade de sanção exerce as
funções invertidas, latentes ou reais de estigmatização e exclusão social.

V) As estatísticas criminais do Estado de Santa Catarina, relativas ao ano de 2004, revelam que,
diferentemente dos demais estados da federação, a população carcerária estadual não superou
o número de vagas existente.

Estão corretos:

a) Apenas II e V

b) Apenas II, IV e V estão corretos.

c) Apenas I e III estão corretos.

d) Apenas I, III e V estão corretos.

Comentários

A- Errada. O enunciado I está correto, pois definiu de forma perfeita os marcos teóricos lá
tratados (Escola Clássica e Escola Positivista). A Escola Clássica preocupou-se com a limitação
legal ao poder punitivo, enquanto a Escola Positivista abordou o caráter etiológico do crime e
buscou investigar as suas causas. O enunciado V está incorreto, porque inexiste no país sistema

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carcerário que esteja trabalhando com o limite legal de presos e sem que haja superpopulação
carcerária.

B - Errada. O enunciado II está correto, pois a Criminologia Crítica foi orientada pela
Criminologia Interacionista, sendo esta anterior àquela. A base de estudo da Criminologia
Crítica era o efeito estigmatizante do sistema penal e também dos controles sociais informais, o
que denotava o caráter seletivo do Direito Penal. As criminalizações primária e secundária
referem-se a esse tipo de escolha punitiva em relação aos crimes de colarinho-azul, ou seja, os
cometidos por pessoas de baixa renda. O enunciado IV está correto, uma vez que a Lei de
Execução Penal prega a ideia de ressocialização do criminoso, conferindo-se o caráter de
prevenção especial positiva para a pena, de forma que a preocupação do sistema é com a
reinserção social do agente.

C - Errada. O enunciado I está correto, como já se demonstrou acima. O enunciado III também
está correto, uma vez que a Política Criminal tem por finalidade, no Brasil, impor as duas
finalidades da pena, quais seja, retribuição e prevenção, como bem destaca o art. 59, caput,
parte final, CP. Essa não foi a alternativa correta porque além dos enunciados citados outros
também estão corretos.

D - Errada. O enunciado III está correto como já se explicitou acima. Pelas mesmas razões, já se
demonstrou acima que o enunciado V também está incorreto.

E - Certa. Essa é a alternativa correta, conforme já se explicitou acima que os enunciados estão
corretos, sendo que esta alternativa é a que possui o maior número de enunciados corretos.

Gabarito: Letra E

4.2.5– Panorama Geral brasileiro

Merece destaque que, em comparação ao total registrando na década de 90, apurou-se um crescimento da
população carcerária da ordem de 707%.

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Atualmente e, com os dados da população carcerária feminina, o crescimento da população


carcerária alcançou a média de 7,3 % ao ano, no período compreendido entre os anos de 2000 e 2016,
tem-se o quadro de superlotação dos estabelecimentos penitenciários, tendo se apurado, a partir do
INFOPEN de junho de 2016, o déficit de 359.058 vagas nas unidades prisionais estaduais. 4

Vale dizer que o quadro de superlotação dos nossos presídios apresenta natureza estrutural e endêmica, o
que resulta no mau funcionamento crônico do sistema penitenciário e espraiando-se por todos os estados
da federação.

Nesse contexto, é importante ressaltar que a Corte Europeia, assentou entendimento de Direitos Humanos
de que casos graves de superlotação, por si só, implicam em, outros aspectos da condição detentiva hão de
ser levados em consideração a fim de se verificar a dignidade da execução penal, como associarem-se à
exiguidade de espaço, a falta de ventilação, o acesso limitado ao passeio, a audiência de intimidade na cela
etc. (Rodrigo Roig, 2017, p. 575)

Nesse sentido e, diante das falhas estruturais do sistema carcerário, vale lembrar da recente decisão do STF
sobre o Sistema Carcerário Brasileiro e o Estado de Coisas Inconstitucional:

Sistema Carcerário Brasileiro e o Estado de Coisas Inconstitucional

Entenda o caso5:

4
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm,2018.
Pg. 281.

5
Fonte: https://www.dizerodireito.com.br/2015/09/entenda-decisao-do-stf-sobre-o-sistema.html

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Em que consiste o chamado "Estado de Coisas Inconstitucional"?


O Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando....
- Verifica-se a existência de um quadro de violação generalizada e sistêmica de direitos
fundamentais,

- Causado pela inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades


públicas em modificar a conjuntura,

- De modo que apenas transformações estruturais da atuação do Poder Público e a atuação de


uma pluralidade de autoridades podem alterar a situação inconstitucional.

Obs.: conceito baseado nas lições de Carlos Alexandre de Azevedo Campos (O Estado de Coisas
Inconstitucional e o litígio estrutural. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2015-set-
01/carlos-campos-estado-coisas-inconstitucional-litigio-estrutural), artigo cuja leitura se
recomenda.

Exemplo: no sistema prisional brasileiro existe um verdadeiro "Estado de Coisas


Inconstitucional".

Origem
A ideia de que pode existir um Estado de Coisas Inconstitucional e que a Suprema Corte do país
pode atuar para corrigir essa situação surgiu na Corte Constitucional da Colômbia, em 1997,
com a chamada "Sentencia de Unificación (SU)". Foi aí que primeiro se utilizou essa expressão.
Depois disso, a técnica já teria sido empregada em mais nove oportunidades naquela Corte.
Existe também notícia de utilização da expressão pela Corte Constitucional do Peru.

Pressupostos:
Segundo aponta Carlos Alexandre de Azevedo Campos, citado na petição da ADPF 347, para
reconhecer o Estado de Coisas inconstitucional, exige-se que estejam presentes as seguintes
condições:
a) Vulneração massiva e generalizada de direitos fundamentais de um número significativo de
pessoas;
b) Prolongada omissão das autoridades no cumprimento de suas obrigações para garantia e
promoção dos direitos;
c) A superação das violações de direitos pressupõe a adoção de medidas complexas por uma
pluralidade de órgãos, envolvendo mudanças estruturais, que podem depender da alocação de

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recursos públicos, correção das políticas públicas existentes ou formulação de novas políticas,
dentre outras medidas; e

d) Potencialidade de congestionamento da justiça, se todos os que tiverem os seus direitos


violados acorrerem individualmente ao Poder Judiciário.
O que a Corte Constitucional do país faz após constatar a existência de um ECI?
O ECI gera um “litígio estrutural”, ou seja, existe um número amplo de pessoas que são
atingidas pelas violações de direitos. Diante disso, para enfrentar litígio dessa espécie, a Corte
terá que fixar “remédios estruturais” voltados à formulação e execução de políticas públicas, o
que não seria possível por meio de decisões mais tradicionais.

A Corte adota, portanto, uma postura de ativismo judicial estrutural diante da omissão dos
Poderes Executivo e Legislativo, que não tomam medidas concretas para resolver o problema,
normalmente por falta de vontade política.
Situações excepcionais

O reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional é uma técnica que não está


expressamente prevista na Constituição ou em qualquer outro instrumento normativo e,
considerando que "confere ao Tribunal uma ampla latitude de poderes, tem-se entendido que
a técnica só deve ser manejada em hipóteses excepcionais, em que, além da séria e
generalizada afronta aos direitos humanos, haja também a constatação de que a intervenção
da Corte é essencial para a solução do gravíssimo quadro enfrentado. São casos em que se
identifica um “bloqueio institucional” para a garantia dos direitos, o que leva a Corte a assumir
um papel atípico, sob a perspectiva do princípio da separação de poderes, que envolve uma
intervenção mais ampla sobre o campo das políticas públicas." (Trecho da petição inicial da
ADPF 347).

ADPF e sistema penitenciário brasileiro em maio de 2015, o Partido Socialista e Liberdade


(PSOL) ajuizou ADPF pedindo que o STF declare que a situação atual do sistema penitenciário
brasileiro viola preceitos fundamentais da Constituição Federal e, em especial, direitos
fundamentais dos presos. Em razão disso, requer que a Corte determine à União e aos Estados
que tomem uma série de providências com o objetivo de sanar as lesões aos direitos dos
presos.

Na petição inicial, que foi subscrita pelo grande constitucionalista Daniel Sarmento, defende-se
que o sistema penitenciário brasileiro vive um "Estado de Coisas Inconstitucional".
São apontados os pressupostos que caracterizam esse ECI:
a) Violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais;
b) Inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a
conjuntura;

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c) Situação que exige a atuação não apenas de um órgão, mas sim de uma pluralidade de
autoridades para resolver o problema.
A ação foi proposta contra a União e todos os Estados-membros.

Medidas requeridas na ação


Na ação, pede-se que o STF reconheça a existência do "Estado de Coisas Inconstitucional" e que
ele expeça as seguintes ordens para tentar resolver a situação:

O STF deveria obrigar que os juízes e tribunais do país:

a) Quando forem decretar ou manter prisões provisórias, fundamentem essa decisão dizendo
expressamente o motivo pelo qual estão aplicando a prisão e não uma das medidas
cautelares alternativas previstas no art. 319 do CPP;

b) Implementem, no prazo máximo de 90 dias, as audiências de custódia (sobre as audiências


de custódia, leia o Info 795 STF);

c) Quando forem impor cautelares penais, aplicar pena ou decidir algo na execução penal,
levem em consideração, de forma expressa e fundamentada, o quadro dramático do sistema
penitenciário brasileiro;
d) Estabeleçam, quando possível, penas alternativas à prisão;
e) Abrandar os requisitos temporais necessários para que o preso goze de benefícios e direitos,
como a progressão de regime, o livramento condicional e a suspensão condicional da pena,
quando ficar demonstrado que as condições de cumprimento da pena estão, na prática, mais
severas do que as previstas na lei em virtude do quadro do sistema carcerário; e
f) Abatam o tempo de prisão, se constatado que as condições de efetivo cumprimento são, na
prática, mais severas do que as previstas na lei. Isso seria uma forma de "compensar" o fato de
o Poder Público estar cometendo um ilícito estatal.

O STF deveria obrigar que o CNJ

g) Coordene um mutirão carcerário a fim de revisar todos os processos de execução penal em


curso no País que envolvam a aplicação de pena privativa de liberdade, visando a adequá-los às
medidas pleiteadas nas alíneas “e” e “f” acima expostas.

O STF deveria obrigar que a União:


h) Libere, sem qualquer tipo de limitação, o saldo acumulado do Fundo Penitenciário Nacional
(FUNPEN) para utilização na finalidade para a qual foi criado, proibindo a realização de novos
contingenciamentos.

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O STF ainda não julgou definitivamente o mérito da ADPF, mas já apreciou o pedido de liminar.
O que a Corte decidiu?
O STF decidiu conceder, parcialmente, a medida liminar e deferiu apenas os pedidos "b"
(audiência de custódia) e "h" (liberação das verbas do FUNPEN).

O Plenário reconheceu que no sistema prisional brasileiro realmente há uma violação


generalizada de direitos fundamentais dos presos. As penas privativas de liberdade aplicadas
nos presídios acabam sendo penas cruéis e desumanas.

Diante disso, o STF declarou que diversos dispositivos constitucionais, documentos


internacionais (o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, a Convenção contra a Tortura
e outros Tratamentos e Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes e a Convenção Americana de
Direitos Humanos) e normas infraconstitucionais estão sendo desrespeitadas.

Os cárceres brasileiros, além de não servirem à ressocialização dos presos, fomentam o


aumento da criminalidade, pois transformam pequenos delinquentes em “monstros do crime”.
A prova da ineficiência do sistema como política de segurança pública está nas altas taxas de
reincidência. E o reincidente passa a cometer crimes ainda mais graves.

Vale ressaltar que a responsabilidade por essa situação deve ser atribuída aos três Poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário), tanto da União como dos Estados-Membros e do Distrito
Federal.

A ausência de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias eficazes representa uma


verdadeira "falha estrutural" que gera ofensa aos direitos dos presos, além da perpetuação e
do agravamento da situação.
Assim, cabe ao STF o papel de retirar os demais poderes da inércia, coordenar ações visando a
resolver o problema e monitorar os resultados alcançados.

A intervenção judicial é necessária diante da incapacidade demonstrada pelas instituições


legislativas e administrativas.

No entanto, o Plenário entendeu que o STF não pode substituir o papel do Legislativo e do
Executivo na consecução de suas tarefas próprias. Em outras palavras, o Judiciário deverá
superar bloqueios políticos e institucionais sem afastar, porém, esses poderes dos processos de
formulação e implementação das soluções necessárias. Nesse sentido, não lhe incumbe definir
o conteúdo próprio dessas políticas, os detalhes dos meios a serem empregados. Com base
nessas considerações, foram indeferidos os pedidos "e" e "f".

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Quanto aos pedidos “a”, “c” e “d”, o STF entendeu que seria desnecessário ordenar aos juízes e
Tribunais que fizessem isso porque já são deveres impostos a todos os magistrados pela CF/88
e pelas leis. Logo, não havia sentido em o STF declará-los obrigatórios, o que seria apenas um
reforço.

STF. Plenário. ADPF 347 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/9/2015 (Info 798).

Note que, a permanência e tolerância da atual conjuntura carcerária, além da flagrante violação ao sistema
internacional de proteção de direitos humanos implica em tornar letra morta as regras constitucionais nas
quais se contêm o imperativo categórico de que, “ninguém será submetido a tratamento cruel, degradante
ou desumano” na forma do art. 5º, inciso III da CR, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
(...)
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Seja como for, análises críticas são tecidas ao modelo carcerário das sociedades capitalistas
contemporâneas, é o que veremos a partir de agora.

4.3 – A PRISÃO E AS CRÍTICAS NA SOCIEDADE MODERNA

4.3.1 – Baratta: Processo Negativo de Ressocialização no sistema prisional

Em uma análise crítica ao cenário moderno prisional, Alessandro Baratta teceu inúmeras críticas (2014, p.
184-186) ressaltando o processo negativo da ressocialização a que é submetido o preso. A crítica é tecida
a partir de dupla perspectiva, a saber:

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Educação para
Desculturação ser criminoso
e e
Aculturação Educação para
ser um bom
preso

Desculturação

Trata-se do processo de desadaptação às condições necessárias à vida em liberdade, como a diminuição da


força de vontade, a perda do senso de autorresponsabilidade econômico-social, a redução do senso de
realidade e criança de uma imagem ilusória do mundo externo progressivo afastando valores e modelos
comportamentais da sociedade. (Natacha Alves, 2018, p. 282)

Aculturação ou Prisionalização

É a assunção de valores e modelos comportamentais típicos da subcultura carcerária.

Educação para ser criminoso

Representa a consequência de efeito negativo da prisionalização.

Neste caso, uma minoria de criminosos, com forte orientação antissocial, domina a hierarquia e
organização informal da comunidade e, pelo poder e prestígio de que goza, serve de modelo para os
demais. (Natacha Alves, 2018, p. 282)

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Educação para ser um bom preso

Também representa a consequência de efeito negativo da prisionalização.

Está relacionado a assunção de um certo grau de ordem, a partir da interiorização de modelos


comportamentais, é considerada um dos fins reconhecidos da comunidade carcerária, da qual os chefes
dos detidos, em troca de privilégios, fazem-se garantes frente à administração penitenciária.
Contrariamente educativa acaba por ser relegada a um segundo plano, favorecendo a prática de atitudes
conformistas e oportunistas. (Natacha Alves, 2018, p. 282)

4.3.1 – Foucault: o Fracasso da Prisão

Outro grande teórico que fomentou as ideias abolicionistas, apesar de não poder ser
considerado um deles, foi Michel Foucault, ao discorrer no seu famoso livro Vigiar e punir acerca do
sistema carcerário e das estruturas de poder. Ao analisar a forma com que se aplicavam as sanções
criminais, Foucault ofereceu vasto material crítico para que outros pensadores pudessem desenvolver uma
política alternativa a essa espécie de restrição da liberdade, uma vez que os presídios eram vistos apenas
como estruturas voltadas para encarcerar e sem nenhum viés ressocializador. A forma precisa e cruel com
que Foucault expôs as entranhas do sistema carcerário fez com que houvesse uma revisitação das ideias
punitivas e novas concepções foram pensadas, dando ensejo até mesmo para ideias mais liberais, que
podem ser chamadas de abolicionistas6.

6
GONZAGA, Christiano. Manual de Criminologia. 1ª. Edição. 2018. São Paulo: Editora Saraiva.
2018. p. 39.

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Na esteira dos pensadores que estudaram o sistema carcerário e que inclusive.

Nessa senda, Foucault afirma que a prisão fracassa na tarefa de reduzir a prática de crimes e,
contrariamente, apresenta-se como meio hábil à produção da delinquência, que seria uma
forma política ou economicamente menos perigosa de ilegalidade. Assim, produz-se o
delinquente como sujeito patologizado, aparentemente marginalizado, mas centralmente
controlado. Desta feita, a prisão objetiva a delinquência por trás da infração, consolidando a
delinquência no movimento das ilegalidades.

O tema em provas

(FCC / DPE SP Defensor Público – 2015) “ O atestado de que a prisão fracassa em reduzir os
crimes deve talvez ser substituído pela hipótese de que a prisão conseguiu muito bem
produzir a delinquência, tipo especificado, forma política ou economicamente menos
perigosa − talvez até utilizável − de ilegalidade; produzir delinquentes, meio aparentemente
marginalizado mas centralmente controlado; produzir o delinquente como sujeito
patologizado.

O trecho acima, extraído de “Vigiar e punir”, sintetiza uma importante conclusão de Michel
Foucault decorrente de suas análises sobre a prisão como uma instituição disciplinar
moderna. Para o autor, a prisão permite

Reduzir a delinquência através do controle e controlar a delinquência por meio da repressão.

Combater a delinquência por meio da punição e erradicar a delinquência do meio social.

Controlar a delinquência por meio da repressão e diferenciar a delinquência da


periculosidade.

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Objetivar a delinquência por trás da infração e consolidar a delinquência no movimento das


ilegalidades.

Classificar a delinquência em suas categorias e erradicar a delinquência do meio social.

Gabarito: A

Guerreiros, finalizada a nossa análise sobre os modelos de justiça contemporânea e os reflexos dos
superencarceramento prisional, a situação dos presídios no Brasil, agora passaremos ao estudo das
técnicas contemporâneas, os testes criminológicos bem como os modelos de Criminologia contemporâneo.

Start!

5 – TÉCNICAS CONTEMPORÂNEAS
Guerreiros, a Criminologia moderna insere em seu contexto técnicas e testes criminológicos. De forma
resumida, temos o seguinte quadro:

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Método
Investigação empírico-
indutivo

Investigação
Técnicas
extensiva

Investigação Investigação
Sociológica Intensiva

Investigação-
Ação

Vamos ao estudo de cada um deles.

5.1 – TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO


A partir do advento da Criminologia científica com a Escola Positiva, passou-se a adotar o método
empírico-indutivo, pelo qual o estudo da Criminologia se desenvolve a partir da observação da realidade
fática.7

7
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 207.

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5.2 – TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO SOCIOLÓGICA


A pesquisa da Criminologia implica no uso de procedimentos teórico-metodológicos de observação do real
por meio de estratégias de investigação8.

Assim, podemos dizer que as técnicas de observação dependem do objeto da pesquisa.

Nesse sentido, alguns objetos de investigação levam à utilização de métodos e técnicas de caráter mais
quantitativo e empírico, enquanto outros permitem uma análise mais intensiva.9

As estratégias de investigação sociológica podem ser de diferentes espécies. Destacamos as decorrentes


dos manuais doutrinários, a saber: investigação extensiva, investigação intensiva e investigação – ação.

Vamos à sinopse de cada uma delas.

5.2.1 – Investigação extensiva ou quantitativa

Na investigação extensiva o destaque é o uso de técnicas quantitativas cuja vantagem é possibilitar o


conhecimento em extensão do fenômeno criminal.

Nas palavras de Natacha Alves (p. 208, 2018):

Vale-se do emprego preponderante das técnicas quantitativas, permitindo o conhecimento em extensão do


fenômeno criminal.

8
PENTEADO, FILHO Nestor Sampaio. Manual esquemático de criminologia. São Paulo: Saraiva,
2012. P. 35

9
FONTES, Eduardo & HOFFAMANN Henrique. Criminologia. 1ª. Edição. 2ª. tir.:ago/2018. Salvador:
Editora JusPodivm, 2018. p. 255.

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5.2.2 – Investigação intensiva ou qualitativa

Vale-se do emprego preponderante das técnicas qualitativas, permitindo o conhecimento em


profundidade do fenômeno criminal, por meio de uma visão multilateral do objeto de estudo. Privilegia a
abordagem direta das pessoas em seus próprios contextos de interação10.

Ou ainda, como conceituado por Eduardo Fontes e Henrique Hoffmann (p. 256, 2018) in verbis:

Distingue-se pela análise em profundidade das características e opiniões de uma população determinada, sob
diferentes ângulos e pontos de vista. Privilegia-se a abordagem direta das pessoas em seus próprios contextos
de interação.

5.2.3 – Investigação-Ação

Dá-se por meio da intervenção direta dos cientistas (criminólogos, delegados de polícia, promotores de
justiça, juízes etc.), com o objetivo de aplicação direta do conhecimento produzido11.

Dentro desta técnica, Penteado Filho vai destacar a técnica de investigação criminal chamada de
recognição visuográfica de local de crime.

10
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 207.

11
Op. Cit.

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Recognição visuográfica de local de crime

Criador: A recognição visuográfica de local de crime foi criada por Marco Antônio Desgualdo,
em São Paulo no ano de 1994.
Objetivo: Reconstrução da cena do crime por meio da reconstituição de seus fragmentos e
vestígios, levando o pesquisador experiente (delegado de polícia) a coletar informações que
possam construir um perfil criminológico do autor do delito. A técnica, inicialmente aplicada
aos crimes contra a vida de autoria ignorada, pretende reunir a maior gama de informações
para a investigação do delito, tais como data, hora, local, condições climáticas, informes de
testemunhas e de pessoas que tiveram a ciência do fato criminoso, dados sobre a vítima
(identidade, hábitos, comportamentos etc.) e croqui descritivo. Em síntese, pretende promover
uma “radiografia panorâmica do delito”, permitindo a construção de um perfil psicológico-
criminal de seu autor12.

Outro tema de grande relevância e, ainda trabalhado por alguns doutrinadores, dentro do capítulo de
investigação-ação é o Perfilamento Criminal.

Perfilamento Criminal

Também chamado de Criminal Profiling, dirige-se à sincronia entre personalidade e comportamento


criminal. Reflete a aplicação de conhecimentos múltiplos, ou seja, tem poder de unir a Psicologia,
Criminologia, Antropologia etc.

Vale dizer que:

12
Op. Cit., p. 208.

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O perfilamento criminal usa como um de seus instrumentos a recognição visuográfica de local


de crime. Ao registrar e analisar um conjunto de dados, utiliza-se o método indutivo para
concluir sobre os traços comuns da personalidade13.

Merece atenção a lei 12.654/2012. Com seu advento, o perfil genético do criminoso PODE ser OBTIDO a
partir da coleta não invasiva de material genético do suspeito ou condenado, basicamente em duas
hipóteses:

1. Lei de identificação criminal: Art. 5º, Lei 12.037/2009

Art. 5o-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados de
perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços
somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as normas
constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos. (Incluído pela Lei
nº 12.654, de 2012)
§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil,
penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos
nesta Lei ou em decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

13
FONTES, Eduardo & HOFFAMANN Henrique. Criminologia. 1ª. Edição. 2ª. tir.:ago/2018. Salvador:
Editora JusPodivm, 2018. p. 256.

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§ 3o As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo
pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

2. Lei de execuções Penais: Art. 9º da Lei 7.2010/84


Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética
profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá:
I - Entrevistar pessoas;
II - Requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado;
III - realizar outras diligências e exames necessários.
Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa,
ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos,
obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico,
por técnica adequada e indolor.
§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a
ser expedido pelo Poder Executivo.
§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito
instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.

6 – TESTES CRIMINOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS


No tocante aos testes criminológicos, destacamos na Criminologia contemporânea o seguinte panorama:

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Projetivos
De
Personalidade
Testes

Prospectivos
De Inteligência

Vamos às definições.

6.1 – TESTE DE PERSONALIDADE PROJETIVOS


(Farias Júnior, 2015, p. 146). Os testes de personalidade projetivos são aqueles que avaliam a
personalidade do examinado a partir da interpretação das reações oriundas dos estímulos
preestabelecidos, delineando seu perfil psicológico.

A título de exemplo, elencamos os principais:

Técnica de Rorschach:
Teste PMK – Psicodiagnóstico Miocinético de Periculosidade Delinquencial:
Teste do Desenho ou HTP – House Tree, Person
Tat ou Teste de apercepção temática

6.1.1 – Técnica de Rorschach:

Conhecido como teste de borrão de tinta.

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Consiste em uma técnica de avaliação psicológica desenvolvida por um psiquiatra e psicanalista suíço,
Hermann Rorschach em 1884 – 1922, pela qual há apresentação ao examinado de pranchas contendo
manchas de tintas abstratas e simétricas, para que, responda com o que tais manchas se parecem14.

6.1.2 – Teste PMK – Psicodiagnóstico Miocinético de Periculosidade Delinquencial:

Trata-se de técnica criada pelo médico e psicólogo Emilio Mira (1896 – 1864, baseada na teoria da
consciência, pela qual há um correlato muscular ao fenômeno psíquico consciente. Estuda a personalidade
do examinado a partir da análise de traços e desenhos feitos a lápis, visando avaliar aspectos como
depressão e elação, tônus vitais, impulsividade, explosão, ansiedade, emotividade15.

6.1.3 – Teste do Desenho ou HTP – House Tree, Person

Foi concebido em 1948. Por Jhon N. Buck (1906-1983, com a finalidade de traçar a personalidade do
indivíduo através da interpretação do desenho de uma árvore, de uma casa e de uma pessoa16.

6.1.4 – Tat ou Teste de apercepção temática

Trata-se de teste formulado por Henry Murray (1893 – 1988), no qual são apresentadas 20 lâminas
contendo quadros artísticos, com exceção de uma que permanece em branco, as quais servirão de ponto
de partida para que o indivíduo construa histórias17.

14
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 216.

15
Op. Cit., p. 217.

16
Op. Cit.

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Visa explorar a zona afetiva caracterológica da personalidade e as atitudes de reação às problemáticas da


vida.

6.2 – TESTES DE PERSONALIDADE PROSPECTIVOS


==16f097==

Os testes de personalidade prospectivos compreendem o emprego de técnicas voltadas a explicar


minuciosamente as intenções presentes e futuras.

Os testes de personalidade prospectivos, mais profundo que os projetivos, visam traçar personalidade do
examinado em caráter sigiloso, explorando suas intenções presentes e futuras, a fim de extrair suas
crenças, suas potencialidades lesivas ou não, sua (in)sensibilidade moral, seu (des)temor à justiça e à pena,
a razão da vida criminosa, o motivo pelo qual causa mal às vítimas etc. Dependem, assim, da habilidade do
responsável e da sinceridade do examinando. (FARIAS JÚNIOR, 2015, p. 149)

Além disso, extraem ou, ao menos, tentam extrair, crenças e potencialidades lesivas, freios de contenções
de boas condutas, temos ou não, os porquês da vida criminal e causação de sofrimento as vítimas.

6.3 – TESTES DE INTELIGÊNCIA


A inteligência revela um conjunto de funções psíquicas complexas, sendo impossível estabelecer um
conceito determinado e universalmente aceito. Embora saibamos que de forma ampla, compreende-se por
inteligência a capacidade de entendimento, raciocínio, memorização e ação, em síntese, o conjunto de
funções mentais que facilita o entendimento das coisas.

Em reforço, Alfredo Binet e Theodore Simon (1905) conceituaram a idade mental, a fim de se determinar
diferentes níveis de inteligência.

17
Op. Cit.

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De forma resumida, pode-se afirmar que, tanto na Psicologia como na Criminologia ambas procuram medir
a inteligência por meio do quociente de inteligência (QI), e é a partir dele que podemos chegar a idade
mental, que não acompanha obrigatoriamente a idade cronológica.

Assim, o QI é resultado da divisão da idade mental pela cronológica multiplicada por cem, ou seja:

Idade Mental

QI = ______________________ x 100

Idade Cronológica

Ocorre que, para se chegar a idade mental sai utilizados diversos testes. A seguir, destacamos os principais
explorados na doutrina.

 Testes de raciocínio aritmético;


 Teste de memórias para números;
 Teste de semelhança
 Teste de arranjo de figuras;
 Teste complementar figuras;
 Testes do desenho de cubos;
 Teste de números e símbolos;
 Teste de arranjo de objetos;
 Teste do vocabulário.

É por meio deles que o resultado do teste de QI, conforme a pontuação alcançada, o indivíduo pode ser
classificado de acordo com seu estado mental, ou seja, do mais inteligente para o menos inteligente, em:
hiperfrênico, normal ou hipofrênico.

Hiperfrênico: compreende aqueles de QI genial e QI Super.

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Normal ou hipofrênico: onde se incluem o débil mental, o imbecil e o idiota.

 O teste considera como pessoas normais aquelas com QI cujo resultado corresponda a 90 e 120.

 Abaixo de 90, teremos a hipofrênicos ou oligofrênicos, chamados de idiotas.


 Idiota = QI < 20;
 Imbecil = 20 < QI < 50;
 Débil mental = 50 < Qi < 90

 Acima de 120 a hiperfrênicos ou superdotados


 Super. = 120 < QI < 140;
 Genial = QI > 140

Para Farias Júnior, (2015, p. 153-154). Os superdotados assim como os idiotas, têm dificuldade de
socialização, podendo praticar condutas de interesse criminal. Tal afirmação pode ser conferida através da
sintetização e classificação, apresentada na tabela de QI. Vejamos:

Tabela de QI

Estado Mental QI Evolução Mental Evolução Social


Idiota Abaixo de 20 Abaixo de 2 anos Incapacidade de
cuidar de si, não
bastando a si próprio.
Imbecil Entre 20 e 50 Entre 3 e 7 anos Incapacidade de

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promover sua
subsistência em
condições normais.
Débil Mental Entre 50 e 90 Entre 7 e 12 anos Incapacidade de lutar
pela vida em
igualdade de
condições com
pessoas normais.
Normal Entre 90 e 120 Entre 12 e 18 anos Capacidade de prover
a vida e manter
relacionamento
normal.
QI Super Entre 120 e 140 Entre 17 e 22 anos Excepcional
capacidade de
assimilação,
impaciência e
irritabilidade.
QI Genial Acima de 140 Acima de 22 anos Assimilação muito
rápida, o que o torna
um desajustado ou
inadaptado.

6.3.1 – Teste de raciocínio aritmético

Formulam-se questões para avaliar o nível de habilidade de raciocínio do examinado, que variará conforme
o grau e natureza da sua instrução18.

18
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 219.

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6.3.2 – Teste de memórias para números

Visa aferir o nível de controle mental, atenção e habilidade para o exercício de certas tarefas 19.

6.3.3 – Teste de semelhança

Apresentam-se palavras ao examinado, pedindo que aponte sua semelhança ou relação. Ex. banana e
laranja se relacionam/assemelham por ambas serem alimentos ou, mais especificamente, frutas. Neste
caso o examinador pode conferir maior valor à segunda resposta20.

6.3.4 – Teste de arranjo de figuras

Apresenta-se ao examinado, de forma desordenada, uma série de gravuras que compõe uma história,
pedindo que as ordene. Ex. policial em perseguição a criminoso.21

6.3.5 – Teste complementar figuras

Pede-se ao examinado que complete uma figura selecionando a opção que completa seu sentido. Ex. figura
em que uma parte é mutilada22.

19
Op. Cit.

20
Op. Cit.

21
Op. Cit.

22
Op. Cit.

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6.3.6 – Teste do desenho de cubos

Pede-se para o examinando indicar a sequência de partes desenhadas para a recomposição da figura de
um cubo. Permite identificar lesões no lobo central, impulsividade e outros traços comportamentais e
distúrbios mentais23.

6.3.7 – Teste de números e símbolos

Pede-se ao examinado para associar determinados símbolos, a fim de aferir sua habilidade intelectual. Para
melhor resultado no teste importam a acuidade visual, coordenação e velocidade motora. As pessoas mais
velhas, neuróticos ou instáveis tendem a apresentar pior desempenho24.

6.3.8 - Teste de arranjo de objetos

Pede-se ao examinado que recomponha um objeto, decomposto em três - um boneco, um perfil e uma
mão - ou quatro peças - um boneco, um perfil, uma mão e um elefante25.

23
Op. Cit.

24
Op. Cit.

25
Op. Cit.

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6.3.9 – Teste do Vocabulário

Pede-se ao examinado que defina coisas, animais, homens etc. de forma a aferir sua habilidade de
raciocínio, definição e vocabulário26.

7 – FATORES SOCIAIS DA CRIMINALIDADE


Sabemos que muitos são os fatores sociais que interferem e projetam a criminalidade e que o estudo ou
listagem de todos esses fatores é impossível. Porém, isso não significa que podemos dispensar o estudo
sobre o tema, ao contrário, a abordagem sociológica atinge altos níveis de influência na gênese delitiva,
sendo imprescindível o estudo ao menos dos principais fatores mesológicos que repercutem na
criminalidade, dentre eles, destacamos:

 A pobreza;
 Os meios de comunicação;
 Habitação;
 Migração;

 Crescimento populacional;
 Preconceito;
 Educação;
 Mal vivência.

26
Op. Cit.

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Nas palavras de Eduardo Fontes e Henrique Hoffmann27, podemos oferecer os seguintes conceitos:

 A POBREZA: Estatísticas criminais evidenciam que existe uma relação de proximidade entre pobreza
e criminalidade. Evidentemente, não se trata de fator determinista ou condicionante extremo, caso
contrário não existiria crimes do colarinho branco. Mas não se pode negar que em certas categorias
delitivas, a exemplo dos crimes contra o patrimônio, a imensa maioria dos delinquentes é pobre e
com formação deficiente. Nesse sentido, a má distribuição de renda atua como fator
potencializador da delinquência.

 OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO: Em massa, sobretudo a TV, acabam por banalizar a violência e


ignorar função pedagógica que deveria exercer no sentido de reforçar os preceitos éticos.

 HABITAÇÃO: Condições desfavoráveis de moradia, com proliferação de favelas, em nada


contribuem para o controle da criminalidade.

 MIGRAÇÃO: O movimento interno populacional pode ocasionar dificuldades de adaptação em face


da diferença de costumes, usos, hábitos, valores etc.

 CRESCIMENTO POPULACIONAL: O Aumento desordenado da população não deve ser ignorado,


pois o aumento das taxas criminais por áreas geográficas é proporcional ao crescimento da
respectiva densidade demográfica.

 PRECONCEITO: O Estereótipo negativo em ideia equivocada preconcebida sobre raça, cor, etnia,
religião e outros aspectos, acaba por fomentar animosidade e a desarmonia, culminando na prática
de crimes.

 EDUCAÇÃO: Educação e ensino são fatores inibitórios da criminalidade, de maneira que assumem
relevância especial tanto a educação formal quanto a educação informal.

27
FONTES, Eduardo & HOFFAMANN Henrique. Criminologia. 1ª. Edição. 2ª. tir.:ago/2018. Salvador:
Editora JusPodivm, 2018. p. 259.

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 MAL VIVÊNCIA: O estabelecimento de um grupo polimorfo de indivíduos à margem da sociedade,


em situação de parasitismo sem aptidão para o trabalho, representa um perigo social e um fator a
ser considerado pela Criminologia.

8 – MODELOS DE CRIMINOLOGIA CONTEMPORÂNEA

8.1 – CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO


Guerreiro,

Como visto, num Estado Democrático de Direito, o saber criminológico tem como norte a orientação
prevencionista (prevenção) do delito, uma vez que o interesse é evitar e não punir. Daí porque, vale
destacar as palavras de Eduardo Viana “enfrentar os fatores criminógenos de risco com medidas de cunho
não ´penal28” para o controle da criminalidade.

Reparar o dano, ressocializar o delinquente e reprimir o crime são focos centrais do conteúdo científico
da Criminologia no cenário atual.

No estado democrático de direito, duas são as medidas a fim de prevenir o crime, são elas:

1. Medidas indiretas: aquelas que atuam de maneira mediata sobre o crime, ao incidir em relação às
causas do delito. Ex. melhoria nas condições e na vida da população
2. Medidas diretas: aquelas que de forma imediata incidem sobre o próprio delito. Ex. pena e regime
prisional.

28
VIANA, Eduardo. Criminologia. 5ª. Edição. Revista atualizada e ampliada. Salvador: Editora
JusPodivm,2018. Pg. 338.

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8.2 – CRIMINOLOGIA AMBIENTAL

A Criminologia Ambiental explora o modo como as oportunidades para práticas criminosas


são geradas, dada a natureza das configurações espaciais existentes.

Nas palavras de Wortley e Townsley29:

A criminologia ambiental é uma família de teorias que compartilham um interesse comum nos eventos
delitivos e nas circunstancias imediatas em que eles ocorrem. Enquanto a criminologia tradicional aborda as
ocorrências criminosas como um fenômeno aleatório, como expressão da conduta desviante do indivíduo, a
criminologia ambiental compreende o crime como um fenômeno seletivo, que envolve as leis, o criminoso e a
vítima, em determinado tempo e lugar, sob condições específicas.

O objetivo é identificar modos de gerenciar os atributos do espaço onde o crime costumeiramente é


praticado e criar técnicas para impedir que ele se alastre. Por esse viés, percebe-se que o crime possui
quatro condicionantes bem destacadas e que serão exploradas de forma teórica, quais sejam, o direito
(vontade ou não de cumprir o estatuído em lei), os transgressores, os alvos e os lugares. As localizações, as
características dos lugares (becos sem saída e “favelas”) e os caminhos com bifurcações (esquinas de ruas
escuras e desvigiadas) que permitem o encontro de vítimas e criminosos estão nos estudos da Criminologia
Ambiental. No ponto em tela, os padrões de interação e as atividades da vida cotidiana não são aleatórios.
Pelo contrário, eles denotam que a rotina diária merece a criação de teorias que auxiliem no combate e na
prevenção do surgimento do delito. Tendo em vista que a organização das atividades cotidianas é previsível
por pertencer ao tempo e ao espaço, as explicações dos padrões criminosos podem ser identificadas,

29
WORTLEY, Richard; MAZEROLLE; TOWNSLEY, Michael, eds. Environmental Criminology and
Crime Analysis. 2 ed. New York: Toutledge, 2016. p. 2.

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criando-se adequadamente os meios de impedir a vitimização de pessoas nos mais variados espaços
urbanos. Pelo que se descreveu acima, a Criminologia Ambiental é uma espécie de mapeamento do crime,
com vistas a auxiliar os órgãos de segurança pública no enfrentamento da criminalidade 30.

8.2.1 – Classificação das teorias ambientais

Dentro do campo dos fatores condicionantes da criminalidade, surgem quatro teorias que sistematizam a
chamada Criminologia Ambiental, a saber: teoria das atividades rotineiras, teoria da escolha racional,
teoria do padrão racional e teoria da oportunidade.

8.2.2 – Teorias teoria das atividades rotineiras

Na teoria das atividades rotineiras, para que ocorra um crime, deve haver a existência de um dos três
elementos presentes em qualquer espaço urbano, consubstanciados no provável agressor, alvo adequado
e ausência de guardião. No que se refere ao primeiro (agressor), ele pode ser um potencial delinquente
quando possui uma das seguintes características: patologia individual, maximização do lucro, subproduto
de um sistema social perverso ou deficiente, desorganização social e oportunidade31.

8.2.3 – Teoria da escolha racional

Por meio dela o criminoso sempre vai escolher cometer ou não o delito com base em aspectos racionais,
não tendo a emoção nenhuma influência na sua escolha. O criminoso analisa a possibilidade ou não de
beneficiar-se da prática criminosa, havendo uma perspectiva meramente utilitarista. O delinquente é

30
GONZAGA, Christiano. Manual de Criminologia. 1ª. Edição. 2018. São Paulo: Editora Saraiva.
2018. p. 59.

31
Op. Cit.

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guiado pela relação risco/recompensa, como se fosse um empresário do crime. Se o risco é elevado, com
absoluta certeza a recompensa também será, podendo ser citado como exemplo o assalto a um carro-
forte, em que a escolha para esse tipo de criminalidade está relacionada única e exclusivamente ao
elemento valor a ser subtraído, pois o risco é elevadíssimo. Caso os autores optem por fazer tal delito é
porque avaliaram que o risco vale a pena pelo montante total a ser subtraído. Pelo que se percebe,
diferentemente da teoria das atividades rotineiras, o criminoso escolhe fazer determinado delito numa
simples análise racional entre valor a ser obtido e possibilidade de ser pego, relegando-se a segundo plano
elementos como vítima adequada e existência de guardião. Na teoria da escolha racional, o guardião existe
e inclusive é robusto (empresas de segurança privada e até mesmo policiamento ostensivo), mas não é
levado em consideração como ponto relevante, pois o que se está analisando é apenas a relação
custo/benefício e a forma de driblar momentaneamente o citado guardião 32.

8.2.4 - teoria do padrão racional

Por meio dessa abordagem, toma-se como base o padrão da criminalidade, levando-se em consideração
fatores como infratores, vítimas e lugares, havendo uma certa repetição (padronização) entre eles.
Importante ressaltar que também é analisado o tipo penal praticado de forma reiterada, com o escopo de
entender o porquê da escolha de aludida infração penal. Como exemplo, cita-se o tráfico de drogas, que é
reinante nas comunidades carentes, motivado pela ausência de força estatal para o seu combate, bem
como pela inexistência de implementação de políticas públicas, o que estimula os moradores de tais
localidades a escolher o caminho do tráfico para conseguir ter o mínimo existencial33.

8.2.5 – Teoria da oportunidade

Por meio dela, investiga-se apenas o aspecto da interação do indivíduo com o ambiente social. O criminoso
irá observar o melhor momento para a realização do delito, valendo-se da oportunidade existente num

32
Op. Cit., p. 61.

33
Op. Cit.

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dado local ou horário para obter o ganho almejado. Deve ser ressaltado que o elemento oportunidade
pode ser diferente para cada tipo penal, como exemplo num crime de furto de veículo automotor, em o
que se visualiza é a inexistência de algum guardião e se o local é de difícil acesso e pouco iluminado. Já para
o crime de estupro, o autor escolhe a vítima pela sua fragilidade corporal e também pela local ermo onde
será executado o delito, como terrenos baldios ou imóveis abandonados.34

8.3 – CRIMINOLOGIA CULTURAL


Abordada por Jeff Farrel e Clinton Sanders.

Parte da premissa que a noção da cultura é fluída, e que a todo momento passa por transformações.
Propõe que o crime a sua repressão são processos culturais, com significados e consequências
inevitavelmente construídos a partir de uma interpretação coletiva35.

8.4 – CRIMINOLOGIA FEMINISTA


O feminismo pode ser compreendido como uma visão de mundo e também um fenômeno como um
movimento social. Abarca conjeturas e crenças sobre as origens e consequências a organização social
pautada no gênero, bem como fomenta ações e traça estratégias para a mudança social. Desse modo,
pode-se dizer que o feminismo é, ao mesmo tempo, empírico e analítico Inicialmente, tinha por foco

34
Op. Cit., p. 63

35
FONTES, Eduardo & HOFFAMANN Henrique. Criminologia. 1ª. Edição. 2ª. tir.:ago/2018. Salvador:
Editora JusPodivm, 2018. p. 27.

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unicamente a condição das mulheres. Contudo, com o seu amadurecimento, o feminismo tornou-se mais
inclusivo, e passou a levar em consideração outros aspectos da cultura dos relacionamentos humanos 36.

8.5 – CRIMINOLOGIA QUEER


A expressão de origem inglesa queer chama a atenção por vários aspectos, entre eles, o de significar algo
perverso, anormal ou diferente. Contudo, a expressão também representa uma busca pela releitura do
fenômeno queer como algo diferente e que precisa de mais proteção, até pelo fato de ser diferente e
representar a minoria nos meios sociais37.

Nas palavras de Christiano Gonzaga:

A atual sociedade é, por natureza, heterossexista e pautada na hegemonia do comportamento tido como o
tradicionalmente correto, restando totalmente discriminado aquele que pensa de forma desviante do comum
e que não aceita os dogmas impostos pela maioria. Relacionar-se com uma pessoa do mesmo sexo é visto
como algo até mesmo doentio por certos segmentos sociais (Igreja etc.), o que enaltece ainda mais a
necessidade de se entender o atual estágio do queer e, por consequência, a criminologia queer. O que se busca
por meio da ideia queer é a oxigenação de novos pensamentos em prol da desconstrução de vetustos dogmas
do establishment, chamando a atenção da sociedade e daqueles que operam as leis (Poder Judiciário e Poder
Legislativo) para a existência de pessoas que pensam diferente e precisam de proteção. Hoje, já existem vários
movimentos que representam esse tipo de pensamento, buscando-se implementar a proteção de direitos
(dentro da expressão “direitos humanos”) por meio dos legisladores (eleitos também por essas pessoas),
julgadores e demais entidades civis. Podem ser citados os movimentos de gays, lésbicas, bissexuais e
transexuais. Tais movimentos devem ter voz ativa na sociedade moderna, não podendo mais a população
fingir que eles não existem e são pessoas “estranhas”. Essa é a expressão errada de queer que não se deve

36
FONTES, Eduardo & HOFFAMANN Henrique. Criminologia. 1ª. Edição. 2ª. tir.:ago/2018. Salvador:
Editora JusPodivm, 2018. p. 273.

37
GONZAGA, Christiano. Manual de Criminologia. 1ª. Edição. 2018. São Paulo: Editora Saraiva.
2018. p. 59.

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defender, mas sim a real ideia de que precisam de proteção, de voz e de implementação por meio das leis das
suas formas de pensar.

Assim, o pensamento criminológico deve sempre ser o mais aberto possível e atento a todas as
diversidades, não podendo centrar-se nos estudos estáticos de uma sociedade tida como hegemônica e
heterossexista, que gera a violenta forma de reação homofóbica, devendo esse fenômeno ser evitado,
sendo, inclusive, a Criminologia útil nesse sentido. O ser queer é estar disposto a pensar na ambiguidade,
nas diferenças, na fluidez das questões sexuais, estimulando-se, outrossim, novas formas de cultura,
afastando-se de preconceitos equivocados de uma sociedade perfeita e pura38.

8.6 – CRIMINOLOGIA E O CRIME ORGANIZADO


O surgimento da criminalidade organizada não só pode, como deve ser devidamente estudado no contexto
da Criminologia, pois se trata de uma associação diferencial.

Sabemos que no Brasil, a regulamentação legal para o combate das organizações criminosas foi feita pela
Lei nª 12.850/2013, exigindo-se a reunião de 4 (quatro) ou mais pessoas com o fim de praticar infrações
penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou sejam de caráter transnacional,
conforme disposição do art. 1º da citada lei, vejamos:

Art. 1o Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de
obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado.
§ 1o - Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente,

38
Op. Cit.

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com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a


prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que
sejam de caráter transnacional.

Como se trata de uma criminalidade organizada e voltada para a prática de infrações penais com o escopo
de lucro, o seu método profissional de intimidação difusa é de extrema gravidade e coloca em xeque a
segurança pública, decorrendo disso a necessidade de combater eficazmente esse tipo de associação.
Atualmente, pode-se dizer que é o tipo de criminalidade mais difícil de combater, pois está
estruturalmente voltada para a consecução de benefícios para os seus integrantes, a qualquer custo. Em se
tratando de criminalidade organizada, importante ressaltar a classificação que existe entre dois grupos
distintos, a depender da forma como praticam as suas condutas delituosas e da sua interação social39.

Em reforço, Nestor Sampaio Penteado Filho40:

“Criminalidade organizada do tipo mafiosa (Cosa Nostra, Camorra, Ndrangheta e Stida, na Itália; Yakuza, no
Japão; Tríade, na China; e Cartel de Cali, na Colômbia), cuja atividade delituosa se baseia no uso da violência e
da intimidação, com estrutura hierarquizada, distribuição de tarefas e planejamento de lucros, contando com
clientela e impondo a lei do silêncio. Seus integrantes vão desde agentes do Estado até os executores dos
delitos; as vítimas são difusas, e o controle social encontra sério óbice na corrupção governamental; A
criminalidade organizada do tipo empresarial não possui apadrinhados nem rituais de iniciação; tem uma
estrutura empresarial que visa apenas o lucro econômico de seus sócios. Trata-se de uma empresa voltada
para a atividade delitiva. Busca o anonimato e não lança mão da intimidação ou violência. Seus criminosos são
empresários, comerciantes, políticos, hackers etc. As vítimas também são difusas, mas, quando
individualizadas, muitas vezes nem sequer sabem que sofreram os efeitos de um crime.”

Ao chamarmos para a realidade brasileira essas duas classificações, podemos dizer que ambas são
contempladas com exemplos práticos: Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital e Família do
Norte consideradas de criminalidade organizada do tipo mafiosa, em que seus integrantes usam da

39
GONZAGA, Christiano. Manual de Criminologia. 1ª. Edição. 2018. São Paulo: Editora Saraiva.
2018. p. 47.

40
PENTEADO FILHO, Nestor Sampaio. Manual esquemático de Criminologia. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2012. p. 127.

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violência e da grave ameaça para conseguirem o seu fim, havendo internamente uma hierarquia de poder
que segue à risca as ordens e vale-se da lei do silêncio para tudo que ocorre no bojo dessa estrutura, não
havendo espaço para eventuais delações premiadas, pois se essas forem feitas o destino do delator é a
morte.

Noutro giro, a modalidade chamada de criminalidade organizada do tipo empresarial, ao menos no Brasil
dos dias de hoje, também pode ser facilmente identificável, como por exemplo:

 Nas associações de empreiteiros ou


 Empresários que se reuniram para saquear os cofres públicos, por meio de corrupção ativa, fraude
em licitações, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, tudo isso identificado por
meio da famosa operação “Lava-Jato”.

Conforme nos explica o Professor Christiano Gonzaga41:

Pelo que se constatou na aludida operação, houve uma reunião orquestrada de dois grupos (político e
econômico) com o escopo único de fazer uma promiscuidade sem precedentes entre os setores público e
privado, minando-se todos os anseios sociais de melhorias na educação, saúde etc. De outro lado, o
superfaturamento de obras públicas ensejou o aumento tributário para bancar esse tipo de orgia entre os
poderosos, levando a economia a uma recessão sem precedentes, com inflação, aumento de preços de
combustíveis e empobrecendo da população cada vez mais. O que houve foi uma verdadeira ironia, pois obras
públicas que deveriam beneficiar o público foram utilizadas com o viés de enriquecer única e exclusivamente o
privado, ressaltando-se a importância de entender, atualmente, no que consiste o conceito dessa
criminalidade organizada do tipo empresarial.

Em resumo, a melhor forma de frear esses dois tipos de criminalidade é por meio de políticas públicas
estatais, em que o Estado terá de prover as necessidades básicas de todo ser humano, porque com isso
estará dificultando sobremaneira que referidas organizações criminosas façam a cooptação de pessoas
querendo o ganho fácil que o crime permite e que não estão sendo devidamente amparadas pelo corpo
estatal42.

41
Op. Cit.

42 42
Op. Cit.

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9 – OUTROS TEMAS CONTEMPORÂNEOS

9.1 – BULLYING
Bullying é uma palavra de origem inglesa, e tem sido comumente utilizada para descrever comportamentos
agressivos de meninas e meninos no âmbito escolar. As agressões físicas, assédios, ofensas verbais
praticadas com frequência contra colegas sem motivação específica, apenas no intuito de humilhar,
intimidar, e maltratar caracterizam essa espécie de violência que produz incomensuráveis sofrimentos as
suas vítimas e pode deixar sequelas gravíssimas por toda a existência.43

Vale destacar que o Bullying não se limita a menores em escolas ou estabelecimento de ensino, ao
contrário, encontra-se em toda parte.

A palavra Bullying corresponde a valentão, tirano, brigão, mandão, enquanto Bullying, representa o
conjunto de ações violentas praticadas contra uma vítima ou várias delas impossibilitadas de se defender.

Os desdobramentos dessa prática criminosa variam de acordo com a vítima. Dentre eles, destacamos:

43
LIMA JÚNIOR, José César Naves Manual de Criminologia. 5ª. Edição. Revista atualizada e
ampliada. Salvador: Editora JusPodivm,2018. Pg. 157.

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 Algumas pessoas apresentam sintomas psicossomáticos, como dores de cabeças, ânsias


de vômito, boca seca etc.
 Transtorno do pânico também pode cometer tais vítimas.
 Transtorno de ansiedade;
 Depressão
 Bulimia;
 Transtorno Obsessivo compulsivo;
 Mania de limpeza

O tema em provas

(MPE/MG Promotor de Justiça – 2008) Marque a alternativa incorreta:

A prática do bullying configura-se em uma atividade saudável ao desenvolvimento da


sociedade, pois que investe no bom relacionamento entre as pessoas.

As principais áreas do estudo do criminólogo são: o delito, o delinquente, a vítima e o


controle social.

A teoria do etiquetamento diz respeito aos processos de criação dos desvios.

A criminologia da reação social procura expor de forma clara e precisa que o sistema penal
existente nada mais é do que uma maneira de dominação social.

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A cifra negra pode ser concebida, resumidamente, no fato de que nem todos os crimes
praticados chegam ao conhecimento oficial do Estado.

Gabarito: A

9.1.1 – Legislação de combate à intimidação sistemática - Bullying

Em 2005 foi implementada a Lei nº 13.185/2005. Instituindo o programa de Combate a intimidação


sistemática – Bullying -:

Art. 1o Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território
nacional.

A lei definiu o Termo em inglês em intimidação sistemática, conceituando-o como: todo ato de violência
física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorra sem motivação evidente, praticado por
indivíduo ou grupo, conta uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor
angústia em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas:

Art. 1o Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território
nacional.
§ 1o No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência
física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou
grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à
vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

9.1.2 – Classificação da Intimidação sistemática - Bullying

Na forma do art. 3º, a intimidação do Bullying pode ser classificada, conforme as ações praticadas em:

 Verbal: insultar, xingar e apelidar pejorativamente;


 Moral: difamar, caluniar, disseminar rumores;
 Sexual: assediar, induzir e/ou abusar;
 Social: ignorar, isolar e excluir;

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 Psicológica: perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e


infernizar;
 Físico: socar, chutar, bater;
 Material: furtar, roubar, destruir pertences de outrem;
 Virtual ou Ciberbullying: depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar
fotos e dados pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de
constrangimento psicológico e social.

9.1.3 - Cyberbullying

Com advento da sociedade globalizada e o surgimento de novas formas de comunicação, através dos meios
eletrônicos, a pratica do bullying passou também a ocorrer no âmbito virtual, com a transmissão ou
publicação de mensagens de cunho intimidatório e vexatório por e-mails, redes sociais, sites e blogs, ao
que se denomina de Cyberbullying.

O tema em provas

(MPE/SP Promotor de Justiça Substituto – 2013 Adaptada) Julgue o item a seguir:

“Não está descrito no Código Penal o Bullying como conduta específica.”

Gabarito: Certo

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9.2 – ASSÉDIO MORAL


O Assédio moral, também conhecido como manipulação perversa ou terrorismo psicológico, consiste no
comportamento abusivo, reiterado e sistematizado, externalizado por palavras, gestos, ações comissivas
ou omissivas, que pode acarretar debilidade física ou psíquica da vítima. (SUMARIVA, 2017, p. 195)

Evidentemente, essa prática pode ocorrer em vários ambientes, como por exemplo, familiar, escolar, de
trabalho (mobbing) etc.

9.2.1 – Mobbing

No âmbito das relações trabalhistas, tem-se o termo denominado mobbing, de origem


alemã, que designa o comportamento de continua e ostensiva perseguição perpetrado por empregadores,
gerentes, administradores, superiores hierárquicos ou companheiro de trabalho, que possa lesionar a
integridade física, psíquica e moral da vítima44.

O tema em provas

(PCSP Delegado de Polícia – 2012) O comportamento abusivo, praticado com gestos, palavras
e atos que, praticados de forma reiterada, levam á debilidade física ou psíquica de uma
pessoa:

44
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm,2018.
Pg. 312.

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a. Define reação ao crime.

b. Define assédio moral.

c. é um mecanismo intimidatóno, mas não criminoso.

d. é a despersonalização do eu, que aflige grande número de detentos.

e. define efetividade do impacto dissuasório.

Gabarito: B

9.3 – STALKING

O termo stalking, também é conhecido como perseguição persistente, teve origem


nos Estados Unidos e designa uma forma de violência na qual há a invasão reiterada da esfera de
privacidade da vítima, mediante emprego de táticas de perseguição e meios diversos, tais como ligações
telefônicas, envio de mensagens, publicação de fatos, boatos em seus meios sociais ou em sites internet
(cyberstalking), envio de presentes, espera de sua passagem nos lugares que frequenta etc. resultando em
danos à integridade psicológica e emocional, restrição à sua liberdade de locomoção ou lesão a sua
reputação. Dessa forma, é considerado uma modalidade de assédio moral.

Vale lembrar que na legislação tais condutas são consideradas ilícitas, configurando contravenção penal e
perturbação da tranquilidade. Veja o que diz o art. 65 do Decreto Lei nº 3688/41:

Art. 65. Molestar alguém ou perturbar lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável:
Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.

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Em tempo, também é válido destacar que a Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/2006 prevê expressamente a
perseguição contumaz como uma espécie de violência psicológica. Nesse sentido:

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
(...)
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da
autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade,
ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à
saúde psicológica e à autodeterminação;

O tema em provas

(MPE GO / Promotor de Justiça Substituto – 2014) O Procurador de Justiça Rogério Greco


preconiza que “no que diz respeito às ciências criminais propriamente ditas, serve a
criminologia como mais um instrumento de análise do comportamento delitivo, das suas
origens, dos motivos pelos quais se delinque, quem determina o que se punir, quando punir,
como punir, bem como se pretende, com ela, buscar soluções que evitem ou mesmo
diminuam o cometimento das infrações penais”. No contexto da seara criminológica, aponte
a alternativa incorreta:

a. Stalking é um termo que designa a forma de violência na qual o sujeito ativo invade
repetidamente a esfera de privacidade da vítima, empregando táticas de perseguição e meios
diversos de atuação, resultando dano à sua integridade psicológica e emocional, restrição à
sua liberdade de locomoção ou lesão à sua reputação, configurando, deste modo, uma
modalidade de assédio moral.

b. A teoria de anomia, a teoria da associação diferencial e a escola de Chicago são consideras


teorias de consenso.

c. A figura criminológica conhecida como “síndrome da mulher de potifar” pode ser utilizada
como técnica de aferição da credibilidade da palavra da vítima nos crimes de conotação
sexual.

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d. A “síndrome de Londres” se evidencia quando a vítima, como instinto defensivo, passa a


apresentar um comportamento excessivamente lamurioso, demasiadamente submisso e com
pedido contínuo de misericórdia.

Gabarito: A

RESUMO
Estatística Criminal e Cifras Criminais

o Século XIX
 Implementamos um tratamento científico de estatística criminal
 passamos a relacionar os ilícitos cometidos a fatores de criminalidade e, a partir desse cruzamento,
norteamos nossa política criminal:

Subsídio à
Fatores de
Ilícitos política
criminalidade
criminal

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o Estatísticas criminal

 Criminalidade real

 Criminalidade revelada

 Aparente ou registrada

 Cifras ocultas / Cifras negras.

Criminalidade real: Refere-se ao número efetivo de


crimes ocorridos em determinado local dentro de um
espaço delimitado.

Criminalidade revelada, aparente ou registrada: Trata-se


do número de crimes que chegam ao conhecimento do
Estado.

Cifras ocultas ou cifras negras: Corresponde ao percentual


de crimes que não chega ao conhecimento do Estado.
Tem-se, assim, que a cifra oculta corresponde,
matematicamente, ao resultado da diferença entre a
criminalidade real e a criminalidade revelada.

o Cifra Negra / cifra oculta ou zona escura, dark number ou ciffre noir

 Conceito

 Nas chamadas cifras negras ou ocultas estão os crimes de colarinho-branco que não são descobertos e
ficam fora das estatísticas sociais. Como os seus autores gozam do chamado “cinturão da impunidade”, os
seus delitos ficam encobertos, ocorrendo o que se chama de cifra oculta ou negra da criminalidade

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o Cifra Dourada / White-collar crimes, ou cifras de ouro

 É espécie do gênero cifra oculta.

 Conceito

 A cifra oculta da criminalidade corresponderia, pois, à lacuna existente entre a totalidade dos
eventos criminalizados ocorridos em determinados tempo e local (criminalidade real) e as condutas que
efetivamente são tratadas como delito pelos aparelhos de persecução criminal (criminalidade registrada). E
os fatores explicativos da taxa de ineficiência do sistema penal são inúmeros e dos mais distintos, incluindo
desde sua incapacidade operativa ao desinteresse das pessoas em comunicar os crimes dos quais foram
vítimas ou testemunhas. Como variável obtém-se o diagnóstico da baixa capacidade de o sistema penal
oferecer resposta adequada aos conflitos que pretende solucionar, visto que sua atuação é subsidiária,
localizada e, não esporadicamente, filtrada de forma arbitrária e seletiva pelas agências policiais
(repressivas, preventivas ou investigativas).”

o Fatores de natureza social

 Contrariamente ao que se dá nas infrações típicas de classes sociais menos favorecidas, os autores dos
denominados crimes do colarinho branco ostentam prestigio social, inexistindo um estereotípico que
oriente as agencias oficias na perseguição das infrações penais e sendo escasso o efeito estigmatizam-te
das sanções aplicadas.

o Fatores de natureza jurídico-formas

 Refere-se à competência de comissões especiais e dos órgãos ordinários, para certos tipos de infrações,
em dadas sociedades. Registre-se que as manobras criminosas nos delitos econômicos se valem de
complexas estruturas societárias e de intrincados procedimentos financeiros, dificultando a
individualização da conduta dos autores do fato e demandando a necessidade de minuciosa perícia técnica.

o Fatores de natureza econômica

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A capacidade econômica do autor do fato permite a contramão de advogados de renomado prestígio e,


até mesmo, o exercício de pressões sobre os denunciantes.

o Cifra Cinza

 Conceito

 trata do número de crimes registrados na Delegacia de Polícia e que são solucionados em sede policial,
sem que haja instauração de processo na esfera criminal para que o fato criminoso seja levado a
julgamento.

o Cifra Amarela

Conceito

 cifra amarela trata das ocorrências em que há abuso e violência policial contra indivíduo, que deixam de
ser levadas ao conhecimento dos órgãos públicos, como por exemplo, delegacias de polícia, ouvidoria,
ministério público, corregedoria, etc., por termos de sofrer represálias45.

o Cifra Verde

 Conceito

45
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 204.

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 Consiste nas ocorrências referentes aos crimes contra o meio ambiente que não chegam ao
conhecimento dos órgãos policiais. Por exemplo, o crime de maus tratos a animais previstos no art. 32, da
Lei nº 9.605/99 ou ainda o crime de pichação urbana, também com previsão no mesmo diploma legal 46.

o Técnicas contemporâneas

 Espécies

 Investigação

 Investigação sociológica

 Extensiva

 Intensiva

 Investigação ação

46
Op. Cit.

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Método
Investigação empírico-
indutivo

Investigação
Técnicas
extensiva

Investigação Investigação
Sociológica Intensiva

Investigação-
Ação

o Técnicas de investigação

 Conceito

 A partir do advento da criminologia científica com a Escola Positiva, passou-se a adotar o método
empírico-indutivo, pelo qual o estudo da criminologia se desenvolve a partir da observação da realidade
fática.47

o Técnicas de Investigação sociológica

47
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 207.

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 Conceito

 A pesquisa da criminologia implica no uso de procedimentos teórico-metodológicos de


observação do real por meio de estratégias de investigação.

 Estratégias de investigação sociológica podem ser de diferentes espécies

 investigação extensiva

 investigação intensiva

 investigação – ação.

o Investigação extensiva ou quantitativa

 Conceito

 Na investigação extensiva o destaque é o uso de técnicas quantitativas cuja vantagem é possibilitar o


conhecimento em extensão do fenômeno criminal.

o Investigação intensiva ou qualitativa

 Conceito

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 Vale-se do emprego preponderante das técnicas qualitativas, permitindo o conhecimento em


profundidade do fenômeno criminal, por meio de uma visão multilateral do objeto de estudo. Privilegia a
abordagem direta das pessoas em seus próprios contextos de interação48.

o Investigação-Ação

 Conceito

 Dá-se por meio da intervenção direta dos cientistas (criminólogos, delegados de polícia, promotores de
justiça, juízes etc.), com o objetivo de aplicação direta do conhecimento produzido.

o Perfilamento Criminal / Criminal Profiling,

 Conceito

 Dirige-se à sincronia entre personalidade e comportamento criminal. Refrete a aplicação de


conhecimentos múltiplos, ou seja, tem poder de unir a psicologia, criminologia, antropologia etc

o Testes Criminológicos Contemporâneos

 Testes de personalidade

Projetivos

48
OLIVEIRA, Natacha Alves de Oliveira. Manual de Criminologia. Salvador: Editora JusPodivm, 2018.
Pg. 207.

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 Prospectivos

 Testes de inteligência

Projetivos
De
Personalidade
Testes

Prospectivos
De Inteligência

o Teste de Personalidade Projetivos

 são aqueles que avaliam a personalidade do examinado a partir da interpretação das reações oriundas
dos estímulos preestabelecidos, delineando seu perfil psicológico.

 Técnica de Rorschach:

 Teste PMK – Psicodiagnóstico Miocinético de Periculosidade Delinquencial:

 Teste do Desenho ou HTP – House Tree, Person

 Tat ou Teste de apercepção temática

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o Técnica de Rorschach / teste de borrão de tinta.

 Conceito

Consiste em uma técnica de avaliação psicológica desenvolvida por um psiquiatra e psicanalista suíço,
Hermann Rorschach em 1884 – 1922, pela qual há apresentação ao examinado de pranchas contendo
manchas de tintas abstratas e simétricas, para que, responsa com o que tais manchas se parecem.

o Teste PMK – Psicodiagnóstico Miocinético de Periculosidade Delinquencial

 Conceito

 Trata-se de técnica criada pelo médico e psicólogo Emilio Mira (1896 – 1864, baseada na teoria
da consciência, pela qual há um correlato muscular ao fenômeno psíquico consciente. Estuda a
personalidade do examinado a partir da análise de traços e desenhos feitos a lápis, visando avaliar aspectos
como depressão e elação, tônus vitais, impulsividade, explosão, ansiedade, emotividade.

o Teste do Desenho ou HTP – House Tree, Person

 Conceito

 Foi concebido em 1948. Por Jhon N. Buck (1906-1983, com a finalidade de traçar a personalidade do
indivíduo através da interpretação do desenho de uma árvore, de uma casa e de uma pessoa.

o Teste de apercepção temática

 Conceito

Trata-se de teste formulado por Henry Murray (1893 – 1988), no qual são apresentadas 20
lâminas contendo quadros artísticos, com exceção de uma que permanece em branco, as quais servirão de
ponto de partida para que o indivíduo construa histórias.

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o Testes de Personalidade Prospectivos

 Conceito

 Os testes de personalidade prospectivos compreendem o emprego de técnicas voltadas a explicar


minuciosamente as intenções presentes e futuras.

o Testes de Inteligência

 Conceito

 A inteligência revela um conjunto de funções psíquicas complexas, sendo impossível estabelecer


um conceito determinado e universalmente aceito. Embora saibamos que de forma ampla, compreende-se
por inteligência a capacidade de entendimento, raciocínio, memorização e ação, em síntese, o conjunto de
funções mentais que facilita o entendimento das coisas.

 Fórmula:

Idade Mental
QI = ______________________ x 100
Idade Cronológica

 Testes explorados

Testes de raciocínio aritmético;

Teste de memorias para números;

Teste de semelhança

Teste de arranjo de figuras;

Teste complementar figuras;

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Testes do desenho de cubos;

 Teste de números e símbolos;

 Teste de arranjo de objetos;

 Teste do vocabulário.

o Tabela de QI

Estado Mental QI Evolução Mental Evolução Social


Idiota Abaixo de 20 Abaixo de 2 anos Incapacidade de cuidar
de si, não bastando a si
próprio.
Imbecil Entre 20 e 50 Entre 3 e 7 anos Incapacidade de
promover sua
subsistência em
condições normais.
Débil Mental Entre 50 e 90 Entre 7 e 12 anos Incapacidade de
lutarpela vida em
igualdade de condições
com pessoas normais.
Normal Entre 90 e 120 Entre 12 e 18 anos Capacidade de prover a
vida e manter
relacionamento normal.

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QI Super Entre 120 e 140 Entre 17 e 22 anos Excepcional capacidade


de assimilação,
impaciência e
irritabilidade.
QI Genial Acima de 140 Acima de 22 anos Assimilação muito
rápida, o que o torna
um desajustado ou
inadaptado.

o Teste de raciocínio aritmético

 Conceito

 Formulam-se questões para avaliar o nível de habilidade de raciocínio do examinado, que variará
conforme o grau e natureza da sua instrução.

o Teste de memorias para números

 Conceito

 Visa aferir o nível de controle mental, atenção e habilidade para o exercício de certas tarefas

o Teste de semelhança

 Conceito

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 Apresentam-se palavras ao examinado, pedindo que aponte sua semelhança ou relação. Ex.
banca e laranja se relacionam/assemelham por ambas serem alimentos ou, mais especificamente, frutas.
Neste caso examinador pode conferir maior valor à segunda resposta.

o Teste de arranjo de figuras

 Conceito

 Apresenta-se ao examinado, de forma desordenada, uma série de gravuras que compõe uma
história, pedindo que as ordene. Ex. policial em perseguição a criminoso.

o Teste complementar figuras

 Conceito

 Pede-se ao examinado que complete uma figura selecionando a opção que completa seu
sentido. Ex. figura em que uma parte é mutilada.

o Teste do desenho de cubos

 Conceito

 Pede-se para o examinando indicar a sequência de partes desenhadas para a recomposição da figura de
um cubo. Permite identificar lesões no lobo central, impulsividade e outros traços comportamentais e
distúrbios mentais.

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o Teste de números e símbolos

 Conceito

 Pede-se ao examinado para associar determinados símbolos, a fim de aferir sua


habilidade intelectual. Para melhor resultado no teste importam a acuidade visual, coordenação e
velocidade motora. As pessoas mais velhas, neuróticos ou instáveis tendem a apresentar pior desempenho.

o Teste de arranjo de objetos

 Conceito

 Pede-se ao examinado que recomponha um objeto, decomposto em três - um boneco,


um perfil e uma mão - ou quatro peças - um boneco, um perfil, uma mão e um elefante.

o Teste do Vocabulário

 Conceito

 Pede-se ao examinado que defina coisas, animais, homens etc. de forma a aferir sua habilidade de
raciocínio, definição e vocabulário.

Fatores Sociais da Criminalidade

 A pobreza;

 Os meios de comunicação;

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 Habitação;

 Migração;

Crescimento populacional;

 Preconceito;

Educação;

 Mal vivência.

Criminologia Contemporânea

o Criminologia no Estado Democrático de Direito

 Conceito

 Num Estado Democrático de Direito, o saber criminológico tem como norte a orientação prevencionista
(prevenção) do delito, uma vez que o interesse é evitar e não punir. Daí porque, vale destacar as palavras
de Eduardo Viana “enfrentar os fatores criminógenos de risco com medidas de cunho não ´penal 49” para o
controle da criminalidade.

 medidas a fim de prevenir o crime:

 Medidas indiretas: aquelas que atuam de maneira mediata sobre o crime, ao incidir em relação às
causas do delito. Ex. melhoria nas condições e na vida da população

49
VIANA, Eduardo. Criminologia. 5ª. Edição. Revista atualizada e ampliada. Salvador: Editora
JusPodivm,2018. Pg. 338.

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 Medidas diretas: aquelas que de forma imediata incidem sobre o próprio delito. Ex. pena e regime
prisional.

o Criminologia Ambiental

 Conceito

 A criminologia ambiental explora o modo como as oportunidades para práticas criminosas são
geradas, dada a natureza das configurações espaciais existentes.

o Classificação das teorias ambientais

 Conceito

 Dentro do campo dos fatores condicionantes da criminalidade, surgem quatro teorias que sistematizam
a chamada criminologia ambiental, a saber: teoria das atividades rotineiras, teoria da escolha racional,
teoria do padrão racional e teoria da oportunidade.

o Teorias teoria das atividades rotineiras

 Conceito

 Na teoria das atividades rotineiras, para que ocorra um crime, deve haver a existência de um dos três
elementos presentes em qualquer espaço urbano, consubstanciados no provável agressor, alvo adequado
e ausência de guardião. No que se refere ao primeiro (agressor), ele pode ser um potencial delinquente
quando possui uma das seguintes características: patologia individual, maximização do lucro, subproduto
de um sistema social perverso ou deficiente, desorganização social e oportunidade50.

50
Op. Cit.

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o Teoria da escolha racional

 Por meio dela o criminoso sempre vai escolher cometer ou não o delito com base em aspectos racionais,
não tendo a emoção nenhuma influência na sua escolha.

o Teoria do padrão racional

 Conceito

 Por meio dessa abordagem, toma-se como base o padrão da criminalidade, levando-se em consideração
fatores como infratores, vítimas e lugares, havendo uma certa repetição (padronização) entre eles.
Importante ressaltar que também é analisado o tipo penal praticado de forma reiterada, com o escopo de
entender o porquê da escolha de aludida infração penal. Como exemplo, cita-se o tráfico de drogas, que é
reinante nas comunidades carentes, motivado pela ausência de força estatal para o seu combate, bem
como pela inexistência de implementação de políticas públicas, o que estimula os moradores de tais
localidades a escolher o caminho do tráfico para conseguir ter o mínimo existencial.

o Teoria da oportunidade

 Conceito

 Por meio dela, investiga-se apenas o aspecto da interação do indivíduo com o ambiente social. O
criminoso irá observar o melhor momento para a realização do delito, valendo-se da oportunidade
existente num dado local ou horário para obter o ganho almejado. Deve ser ressaltado que o elemento
oportunidade pode ser diferente para cada tipo penal, como exemplo num crime de furto de veículo
automotor, em o que se visualiza é a inexistência de algum guardião e se o local é de difícil acesso e pouco

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iluminado. Já para o crime de estupro, o autor escolhe a vítima pela sua fragilidade corporal e também pela
local ermo onde será executado o delito, como terrenos baldios ou imóveis abandonados.51

o Criminologia Cultural

 Conceito

 Parte da premissa que a noção da cultura é fluída, e que a todo momento passa por transformações.
Propõe que o crime a sua repressão são processos culturais, com significados e consequências
inevitavelmente construídos a partir de uma interpretação coletiv a.

 Abordada por Jeff Farrel e Clinton Sanders.

o Criminologia Feminista

 Conceito

 O feminismo pode ser compreendido como uma visão de mundo e também um fenômeno como um
movimento social. Abarca conjeturas e crenças sobre as origens e consequências a organização social
pautada no gênero, bem como fomenta ações e traça estratégias para a mudança social. Desse modo,
pode-se dizer que o feminismo é, ao mesmo tempo, empírico e analítico Inicialmente, tinha por foco
unicamente a condição das mulheres. Contudo, com o seu amadurecimento, o feminismo tornou-se mais
inclusivo, e passou a levar em consideração outros aspectos da cultura dos relacionamentos humanos.

o Criminologia Queer

 Conceito

51
Op. Cit., p. 63

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 A expressão de origem inglesa queer chama a atenção por vários aspectos, entre eles, o de
significar algo perverso, anormal ou diferente. Contudo, a expressão também representa uma busca pela
releitura do fenômeno queer como algo diferente e que precisa de mais proteção, até pelo fato de ser
diferente e representar a minoria nos meios sociais.

o Criminologia e o Crime Organizado

 Conceito

 O surgimento da criminalidade organizada não só pode como dever ser devidamente estudado
no contexto da Criminologia, pois se trata de uma associação diferencial.

Outros Temas Contemporâneos

o Bullying

 Conceito

 Bullying é uma palavra de origem inglesa, e tem sido comumente utilizada para descrever
comportamentos agressivos de meninas e meninos no âmbito escolar. As agressões físicas, assédios,
ofensas verbais praticadas com frequência contra colegas sem motivação específica, apenas no intuito de
humilhar, intimidar, e maltratar caracterizam essa espécie de violência que produz incomensuráveis
sofrimentos as suas vítimas e pode deixar sequelas gravíssimas por toda a existência.

 Desdobramentos da prática criminosa:

 sintomas psicossomáticos

 Transtorno do pânico também pode cometer tais vítimas

 Transtorno de ansiedade;

 Depressão

 Bulimia;

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 Transtorno Obsessivo compulsivo;

Mania de limpeza

o Cyberbullying

 Conceito

 Com advento da sociedade globalizada e o surgimento de novas formas de comunicação, através dos
meios eletrônicos, a pratica do bullying passou também a ocorrer no âmbito virtual, com a transmissão ou
publicação de mensagens de cunho intimidatório e vexatório por e-mails, redes sociais, sites e blogs, ao
que se denomina de Cyberbullying.

o Assédio Moral

 Conceito

 O Assédio moral, também conhecido como manipulação perversa ou terrorismo psicológico, consiste
no comportamento abusivo, reiterado e sistematizado, externalizado por palavras, gestos, ações
comissivas ou omissivas, que pode acarretar debilidade física ou psíquica da vítima.

o Mobbing

 Conceito

 No âmbito das relações trabalhistas, tem-se o termo denominado mobbing, de origem alemã, que
designa o comportamento de continua e ostensiva perseguição perpetrado por empregadores, gerentes,
administradores, superiores hierárquicos ou companheiro de trabalho, que possa lesionar a integridade
física, psíquica e moral da vítima.

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o Stalking

 Conceito

 O termo stalking, também é conhecido como perseguição persistente, teve origem nos Estados Unidos
e designa uma forma de violência na qual há a invasão reiterada da esfera de privacidade da vítima,
mediante emprego de táticas de perseguição e meios diversos, tais como ligações telefônicas, envio de
mensagens, publicação de fatos, boatos em seus meios sociais ou em sites internet (cyberstalking), envio
de presentes, espera de sua passagem nos lugares que frequenta etc. resultando em danos a integridade
psicológica e emocional, restrição à sua liberdade de locomoção ou lesão a sua reputação. Dessa forma, é
considerado uma modalidade de assédio moral.

DESTAQUES À LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA


Ação Penal pública e IP

Art. 5o, CPP: Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

I - de ofício;

II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido


ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1o O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção


de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de
Polícia.

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§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação
pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser
iniciado.

§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Art. 24, CPP: Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou
de quem tiver qualidade para representá-lo.

Art. 30- CPP. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada.

LEI Nº 12.037, DE 1º DE OUTUBRO DE 2009.

Dispõe sobre a identificação criminal do civilmente identificado, regulamentando o art. 5º, inciso LVIII, da
Constituição Federal.

O VICE – PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber


que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nos casos previstos
nesta Lei.

Art. 2º A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes documentos:

I – carteira de identidade;

II – carteira de trabalho;

III – carteira profissional;

IV – passaporte;

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V – carteira de identificação funcional;

VI – outro documento público que permita a identificação do indiciado.

Parágrafo único. Para as finalidades desta Lei, equiparam-se aos documentos de identificação civis os
documentos de identificação militares.

Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:

I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;

II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;

III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;

IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade


judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do
Ministério Público ou da defesa;

V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;

VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento


apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou
outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.

Art. 4º Quando houver necessidade de identificação criminal, a autoridade encarregada tomará as


providências necessárias para evitar o constrangimento do identificado.

Art. 5º A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico e o fotográfico, que serão juntados aos
autos da comunicação da prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de investigação.

Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3 o, a identificação criminal poderá incluir a coleta de
material biológico para a obtenção do perfil genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

Art. 5o-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados
de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. (Incluído pela Lei nº 12.654, de
2012)

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§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar
traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as
normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados
genéticos. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil,
penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos
previstos nesta Lei ou em decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 3o As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo
pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

Art. 6º É vedado mencionar a identificação criminal do indiciado em atestados de antecedentes ou em


informações não destinadas ao juízo criminal, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.

Art. 7º No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado
ou ao réu, após o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado da sentença, requerer a
retirada da identificação fotográfica do inquérito ou processo, desde que apresente provas de sua
identificação civil.

Art. 7o-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá no término do prazo estabelecido
em lei para a prescrição do delito. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

Art. 7o-B. A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme
regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 9º Revoga-se a Lei nº 10.054, de 7 de dezembro de 2000.

Lei nº 12.654/2012 - Altera as Leis nos 12.037, de 1o de outubro de 2009, e 7.210, de 11 de julho de 1984
- Lei de Execução Penal, para prever a coleta de perfil genético como forma de identificação criminal, e
dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O art. 5o da Lei no 12.037, de 1o de outubro de 2009, passa a vigorar acrescido do seguinte
parágrafo único:

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“Art. 5º.(...)

Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a identificação criminal poderá incluir a coleta de
material biológico para a obtenção do perfil genético

Art. 2o A Lei no 12.037, de 1o de outubro de 2009, passa a vigorar acrescida dos seguintes artigos:

“Art. 5o-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados
de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal.

§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar
traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as
normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos.

§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo
civil, penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos
previstos nesta Lei ou em decisão judicial.

§ 3o As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo
pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado.”

“Art. 7o-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá no término do prazo
estabelecido em lei para a prescrição do delito.”

“Art. 7o-B. A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme
regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.”

Art. 3o A Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984 - Lei de Execução Penal, passa a vigorar acrescida do
seguinte art. 9o-A:

“Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra
pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão
submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido
desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.

§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme


regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.

§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito
instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.”

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Art. 4o Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de sua publicação.

Brasília, 28 de maio de 2012; 191o da Independência e 124o da República.

Perfil Genético

Lei nº 12.037/2009

Art. 5o-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados
de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. (Incluído pela Lei nº 12.654, de
2012)

§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar
traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as
normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados
genéticos. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil,
penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos
previstos nesta Lei ou em decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 3o As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo
pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

Lei de execuções Penais: Art. 9º da Lei 7.2010/84

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética
profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá:

I - Entrevistar pessoas;

II - Requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado;

III - realizar outras diligências e exames necessários.

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Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra
pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão
submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido
desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.

§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme


regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.

§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito
instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.

LEI Nº 12.850, DE 2 DE AGOSTO DE 2013 – Define Associação criminosa

Art. 1o Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção
da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado.

§ 1o - Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente


ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta
ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

LEI Nº 13.185, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2015 - Legislação de combate à intimidação sistemática - Bullying

Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying).

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território
nacional.

§ 1o No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de
violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por
indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor
e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

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§ 2o O Programa instituído no caput poderá fundamentar as ações do Ministério da Educação e das


Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como de outros órgãos, aos quais a matéria diz
respeito.

Art. 2o Caracteriza-se a intimidação sistemática (bullying) quando há violência física ou psicológica em atos
de intimidação, humilhação ou discriminação e, ainda:

I - ataques físicos;

II - insultos pessoais;

III - comentários sistemáticos e apelidos pejorativos;

IV - ameaças por quaisquer meios;

V - grafites depreciativos;

VI - expressões preconceituosas;

VII - isolamento social consciente e premeditado;

VIII - pilhérias.

Parágrafo único. Há intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se


usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados
pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.

Art. 3o A intimidação sistemática (bullying) pode ser classificada, conforme as ações praticadas, como:

I - verbal: insultar, xingar e apelidar pejorativamente;

II - moral: difamar, caluniar, disseminar rumores;

III - sexual: assediar, induzir e/ou abusar;

IV - social: ignorar, isolar e excluir;

V - psicológica: perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e infernizar;

VI - físico: socar, chutar, bater;

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VII - material: furtar, roubar, destruir pertences de outrem;

VIII - virtual: depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados
pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e
social.

Art. 4o Constituem objetivos do Programa referido no caput do art. 1o:

I - prevenir e combater a prática da intimidação sistemática (bullying) em toda a sociedade;

II - capacitar docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção,
orientação e solução do problema;

III - implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação;

IV - instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de


vítimas e agressores;

V - dar assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores;

VI - integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação
e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo;

VII - promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de
paz e tolerância mútua;

VIII - evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e instrumentos
alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil;

IX - promover medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência, com ênfase
nas práticas recorrentes de intimidação sistemática (bullying), ou constrangimento físico e psicológico,
cometidas por alunos, professores e outros profissionais integrantes de escola e de comunidade escolar.

Art. 5o É dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremiações recreativas assegurar medidas
de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática (bullying).

Art. 6o Serão produzidos e publicados relatórios bimestrais das ocorrências de intimidação sistemática
(bullying) nos Estados e Municípios para planejamento das ações.

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Art. 7o Os entes federados poderão firmar convênios e estabelecer parcerias para a implementação e a
correta execução dos objetivos e diretrizes do Programa instituído por esta Lei.

Art. 8o Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias da data de sua publicação oficial.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Guerreiros,

Chegamos ao fim da aula de hoje. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco.
Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Instagram.

Aguardo vocês na próxima aula. Até lá!

Paulo Bilynskyj

E-mail: pbilynskyj@gmail.com
Instagram: @paulobilynskyj
Youtube: Projeto Policial
Facebook: Paulo Bilynskyj

QUESTÕES COMENTADAS
1. (FUNDEP/ MP MG-PROMOTOR DE JUSTIÇA-2013) É característica da chamada “nova
criminologia”:
a. A concepção de que a reação penal se aplica de igual maneira a todos os autores de delitos.
b. A busca da explicação dos comportamentos criminalizados partindo da criminalidade como um
dado ontológico pré-constituído à reação social.
c. O estudo do comportamento criminoso com o emprego do método etiológico das determinações
causais de objetos naturais.

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d. O deslocamento do interesse cognoscitivo das causas do desvio criminal para os mecanismos sociais
e institucionais através dos quais é construída a “realidade social” do desvio.

Comentário52

a. Errado. A chamada “nova criminologia”, também conhecida como “criminologia crítica”, busca
separar a sociedade em dois grandes grupos. O primeiro dos ricos e o segundo dos pobres, sendo o
Direito Penal um instrumento de dominação social. Na mesma linha, demonstra que os crimes
punidos são apenas os de colarinho-azul, enquanto os de colarinho-branco gozam do chamado
“cinturão da impunidade”.
b. Errada. A “nova criminologia” trabalha os dados sociais na formatação do crime e do criminoso,
sendo dispensável a ideia prévia de condutas positivadas. Os chamados dados pré-constituídos são
inerentes à Escola Clássica, em que o crime e o criminoso são criados a partir da perspectiva da
própria lei penal, não sendo relevante o aspecto social.
c. Errada. O chamado paradigma etiológico (estudo sobre a origem do crime e do criminoso) é
visualizado pela Escola Crítica ou “nova criminologia” no aspecto social, em que há uma dicotomia
clara entre os criminosos de alta renda (elite) e os de baixa renda (camada mais pobre),
ocasionando uma pirâmide social. As causas naturais não possuem influência nenhuma no
surgimento do crime e do criminoso.
d. Certa. A área de análise (cognoscitivo) da citada escola é puramente social, em que se vislumbra o
surgimento do crime e do criminoso no aspecto relativo à interação social. Nessa linha de
raciocínio, pugna-se pela análise dos mecanismos de controles sociais como parâmetros para
dominar a classe mais desfavorecida. O Direito Penal seria um mecanismo de controle que está nas
mãos da elite para subjugar os criminosos de colarinho-azul, de forma a criminalizar apenas as
condutas praticadas por esse último grupo de pessoas.

Gabarito: D

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2. (MPSC Promotor de Justiça – 2008) Julgue os itens a seguir:

I – O Código de Hamurabi, concebido na Babilônia entre 2067 e 2925 a.C. e na atualidade pertencente ao
acervo do Museu do Louvre em Paris, não continha disposições penais em sua composição.

II – Segundo a “Lei Térmica de Criminalidade” de Quetelet, fatores físicos, climáticos e geográficos podem
influenciar no comportamento criminoso.

III – Entende-se por “Cifra Negra” da criminalidade o conjunto de crimes cuja violência produz elevada
repercussão social.

IV – Seguidor da Antropologia Criminal, Lombroso entendia que havia um tipo humano irresistivelmente
levado ao crime por sua própria constituição, de um verdadeiro criminoso nato.

V – Em sua obra Dos delitos e das penas, escrita por volta de 1765, Cesare Bonesana, o Marquês de
Beccaria, defendeu uma legislação penal rigorosa, aprovando a prática da tortura e da pena de morte.

a. Apenas I, III e V estão corretos.


b. Apenas II e IV estão corretos.
c. Apenas IV e V estão corretos.
d. Apenas II e III estão corretos.
e. Apenas III, IV e V estão corretos.

Comentários53

a. Errada. O enunciado I está incorreto, uma vez que o Código de Hamurabi, também chamado de Lei
de Talião, continha disposições penais e pregava a aplicação da máxima “dente por dente, olho por
olho”, dando nítido caráter penalista ao diploma. O enunciado III está errado, uma vez que cifra
negra se refere aos crimes que não ingressam nas estatísticas oficiais. O enunciado V está errado
porque Beccaria pregava o oposto do que está descrito, e seus estudos apontaram para a

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necessidade de penas certas, mas que não fossem desumanas, muito em virtude da influência do
período do Iluminismo.
b. Certa. O enunciado II está correto, pois são de Quetelet os estudos envolvendo as leis térmicas e
que influenciam sobremaneira no comportamento criminoso. O enunciado IV também está correto,
uma vez que Lombroso foi quem cunhou a expressão criminoso nato com base nos estudos da
antropologia criminal.
c. Errada. Pelo que já se expôs acima, o enunciado V está errado, pois Beccaria pregou foi o contrário
e buscava a humanização das punições.
d. Errada. Já foi explicitado acima que o enunciado III está equivocado.
e. Errada. Já se explicou acima que os enunciados III e V estão equivocados.

Gabarito: B

3. (MPE/PROMOTOR DE JUSTIÇA SC – 2015) Julgue os itens a seguir:


I. Sustentando que a prisão poderia se constituir num instrumento de transformação dos indivíduos a
ela submetidos, Michel Foucalt (Vigiar e punir, 1975) a considerou um “mal necessário”.
II. Podemos identificar Enrico Ferri (1856-1929) como o principal expoente da “sociologia criminal”,
tendo através da sua escola definido o trinômio causal do delito (fatores antropológico, social e
físico).
III. Segundo a posição de Garófalo (Criminologia, 1885) o delito é fenômeno natural, e não um ente
jurídico, devendo ser estudado precipuamente pela antropologia e pela sociologia criminal.
IV. Lombroso (O homem delinquente, 1876), como estudioso de formação médica, promoveu análises
craniométricas em criminosos, com o objetivo de comprovar uma das bases de sua teoria, qual seja,
a “regressão atávica” do delinquente (retrocesso ao homem primitivo). Seus estudos, despidos da
necessária abordagem científica, tiveram como mérito incontestável o questionamento ao “livre-
arbítrio” na apuração da responsabilidade penal (marco teórico da escola clássica do direito penal).
V. Considerando o modelo tradicional da arquitetura prisional, destaca-se em Santa Catarina, fugindo
do convencional, a técnica denominada “cela prisional móvel”, consistente no reaproveitamento de
“conteiners” adaptados para uso na condição unidades celulares

Estão corretas:
a. Apenas II e IV estão CORRETAs.
b. Apenas III e V estão CORRETAs.

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c. Apenas I, II e III estão CORRETAs.


d. Apenas III e IV estão CORRETAs.
e. Todos estão CORRETAs.

Comentários

ITEM I: CORRETO. De fato, este é o pensamento de Michel Foucault, para ele, a prisão é o único meio
capaz de impedir que o criminoso de ficar livre na sociedade, voltando a cometer novos delitos. Inclusive,
em sua obra Vigiar e punir, Foucault cita várias formas de prisões que deram certo ao longo da História,
em especial para aquelas que se utilizaram do chamado “panóptico” de Bentham, que consiste numa torre
de vigi colocada no meio do presídio para que fosse possível ver tudo o que os detentos estivessem
fazendo.

ITEM II: CORRETO. Enrico Ferri, embora pertença à Escola Positivista, foi o primeiro autor que acrescentou
os estudos da sociologia na análise do fenômeno criminógeno, mantendo-se os fatores físico e
antropológico trabalhados por Lombroso.

ITEM III: CORRETO. De fato, Garófalo tratou do crime enquanto fenômeno natural regido pela antropologia
e pela sociologia.

ITEM IV: CORRETO. Realmente, o modelo tradicional da arquitetura prisional, destaca-se em Santa
Catarina, fugindo do convencional, a técnica denominada “cela prisional móvel”, consistente no
reaproveitamento de “conteiners” adaptados para uso na condição unidades celulares.

ITEM V: CORRETO. V também está correto, pois tal modelo de fato fora utilizado no estado de Santa
Catarina como alternativa aos presídios fixos, valendo-se de unidades móveis e mais fáceis de serem
utilizadas.

Gabarito: E

4. (MPDFT/PROMOTOR DE JUSTIÇA DF – 2004) É INCORRETO afirmar, no tocante ao Direito Penal, à


Criminologia e à Política Criminal:
a. A Ciência do Direito Penal e a moderna Criminologia diferenciam-se porque aquela se ocupa
dogmaticamente do Direito Positivo, enquanto esta é ciência empírica de caráter interdisciplinar
que se interessa, dentre outros temas, pelo delinquente, pelo crime e pela resposta social ao
comportamento desviante.

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b. A Política Criminal orienta a evolução da legislação penal e a sua aplicação conforme as


finalidades materiais do Direito Penal.
c. A evolução da Criminologia caracterizou-se pela ampliação de seu campo de estudo,
compreendendo, ao lado do delinquente, do delito e suas causas, também a vítima, as formas de
reação social e de controle da criminalidade.
d. Há despenalização, em sentido estrito, quando a lei penal promove a abolitio criminis,
substituindo a pena por sanção de outro ramo do Direito.
e. A função simbólica do Direito Penal é marcada pela reiterada edição de normas penais,
normalmente mais rigorosas, cuja eficácia real é duvidosa, mas que atuam proporcionando à
coletividade uma tranquilizadora sensação de segurança jurídica.

Comentários

Letra A: CERTA. Realmente essas são as diferenças básicas entre o Direito Penal que é ciência
dogmática cujo interesse é por normas positivadas e a Criminologia, ciência empírica cujo método é
interdisciplinar.

Letra B: CERTA. Com toda certeza a política criminal orienta a evolução legislativa. Ademais, é
utilizada como filtro na escolha de soluções estudadas na ciência da criminologia a fim de criar as Leis
Penais, ou seja, o direito positivado.

Letra C: CERTA. São objetos de estudo da criminologia o delito, delinquente, a vítima e controle
social.

Letra D: ERRADA. Os institutos não se confundem. A despenalização não está ligada à abolitio
criminis, aliás, são institutos completamente diferentes. Se de um lado na despenalização eu tenho a
substituição de uma pena privativa de liberdade por outra pena mais branda, a título de exemplo,
podemos utilizar o art. 28 da Lei de Drogas, de outro, na abolitio criminis o tipo penal é
descriminalizado, a conduta deixa de ser crime e põe-se um fim também nas penas.

Letra E: CERTA. É isso mesmo, o Direito Penal simbólico é aquele cuja finalidade é tipificar condutas
para atender ao clamor social momentâneo, sendo, na prática, leis com efeitos reais mínimos ou
quase inexistentes. É lei para cego ver, leis sensacionalistas com finalidade, geralmente política.

Gabarito: D

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5. (CESPE/DELEGADO DE POLÍCIA PE – 2016) A criminologia moderna


a. É uma ciência normativa, essencialmente profilática, que visa oferecer estratégias para minimizar os
fatores estimulantes da criminalidade e que se preocupa com a repressão social contra o delito por
meio de regras coibitivas, cuja transgressão implica sanções.
b. Ocupa-se com a pesquisa científica do fenômeno criminal — suas causas, características, sua
prevenção e o controle de sua incidência —, sendo uma ciência causal-explicativa do delito como
fenômeno social e individual.
c. Ocupa-se, como ciência causal-explicativa-normativa, em estudar o homem delinquente em seu
aspecto antropológico, estabelece comandos legais de repressão à criminalidade e despreza, na
análise empírica, o meio social como fatores criminógenos.
d. É uma ciência empírica e normativa que fundamenta a investigação de um delito, de um
delinquente, de uma vítima e do controle social a partir de fatos abstratos apreendidos mediante o
método indutivo de observação.
e. Possui como objeto de estudo a diversidade patológica e a disfuncionalidade do comportamento
criminal do indivíduo delinquente e produz fundamentos epistemológicos e ideológicos como forma
segura de definição jurídico-formal do crime e da pena.

Comentários

Letra A: ERRADA. A criminologia não é ciência normativa, tampouco se preocupa com a repressão
social contra o delito por meio de regras coibitivas, cuja transgressão implica sanções. Ao contrário, a
criminologia é ciência autônoma, empírica e interdisciplinar, importante fonte de informação para
estratégias de prevenção criminal conferindo subsídios à políticas públicas.

LETRA B: CORRETA. Realmente a criminologia se ocupa com a pesquisa científica do fenômeno


criminal — suas causas, características, sua prevenção e o controle de sua incidência —, sendo uma
ciência causal-explicativa do delito como fenômeno social e individual.

LETRA C: ERRADA. Erradíssimo, quase toda absurda a assertiva. Primeiro que a não é objetivo da
criminologia a criação ou estabelecimento de comandos legais de repressão à criminalidade e
despreza. Segundo que ela não se ocupa em estudar o homem apenas em seu aspecto antropológico,
essa é apenas uma das teorias vista no decorrer do estudo, é a teoria de Lombroso. Finalmente. A
criminologia considera sim o meio social como fatores criminógenos. Assertiva erradíssima, para ficar
mais errada que isso faltou dizer que a finalidade da criminologia como ciência é buscar a
ressocialização ou a eliminação do crime.

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LETRA D: ERRADA. Embora estese sejam os objetos de estudo da criminologia, não são tidos a partir
de fatos abstratos. Ao contrário, a criminologia parte do concreto para a formulação de teorias
abstratas.

LETRA E: ERRADA. Está errada a segunda parte da assertiva, pois, embora a criminologia tenha como
objeto de estudo a diversidade patológica e a disfuncionalidade do comportamento criminal do
indivíduo delinquente ela não produz fundamentos seguros, de nenhuma ordem, para definições
jurídico-formal do crime e da pena.

Gabarito: B

LISTA DE EXERCÍCIOS
1. (CESPE/MA DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2018) A criminologia considera que o papel da vítima
varia de acordo com o modelo de reação da sociedade ao crime. No modelo:
a. clássico, a vítima é a responsável direta pela punição do criminoso, sendo figura protagonista no
processo penal.
b. ressocializador, busca-se o resgate da vítima, de modo a reintegrá-la na sociedade.
c. retribucionista, o objetivo restringe-se ao ressarcimento do dano pelo criminoso à vítima.
d. da justiça integradora, a vítima é tida como julgadora do criminoso.
e. restaurativo, o foco é a participação dos envolvidos no conflito em atividades de reconciliação, nas
quais a vítima tem um papel central.

2. (CESPE/MA DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2018) Dados publicados em dezembro de 2017 pelo
Ministério da Justiça mostram que o Brasil tem uma taxa de superlotação nos estabelecimentos
prisionais na ordem de 197,4%.

Agência de Notícias, Empresa Brasil de Comunicação.

Sob o enfoque da prevenção da infração penal no Estado democrático de direito, a superlotação carcerária
aludida no fragmento de texto anterior é um problema que prejudica a

I prevenção primária.

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II prevenção secundária.

III prevenção terciária.

Assinale a opção correta.

a. Apenas o item II está certo.


b. Apenas o item III está certo.
c. Apenas os itens I e II estão certos.
d. Apenas os itens I e III estão certos.
e. Todos os itens estão certos.

3. (FAURGS/TJ-RS PSICÓLOGO JUDICIÁRIO – 2016) Para a aplicação do processo de Justiça


Restaurativa, é imprescindível que:
a. o delito tenha consequências exclusivamente patrimoniais.
b. o infrator e a vítima tenham vínculos afetivos.
c. o infrator admita sua culpa.
d. a vítima tenha menos de 16 anos.
e. a vítima reconheça sua responsabilização parcial sobre o delito.

4. (CESPE/PE DELEGADO DE POLÍCIA – 2016) No que se refere aos métodos de combate à


criminalidade, a criminologia analisa os controles formais e informais do fenômeno delitivo e busca
descrever e apresentar os meios necessários e eficientes contra o mal causado pelo crime. A esse
respeito, assinale a opção correta.
a. A criminologia distingue os paradigmas de respostas conforme a finalidade pretendida,
apresentando, entre os modelos de reação ao delito, o modelo dissuasório, o ressocializador e o
integrador como formas de enfrentamento à criminalidade. Em determinado nível, admitem-se
como conciliáveis esses modelos de enfrentamento ao crime.

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b. Como modelo de enfrentamento do crime, a justiça restaurativa é altamente repudiada pela


criminologia por ser método benevolente ao infrator, sem cunho ressocializador e pedagógico.
c. O modelo dissuasório de reação ao delito, no qual o infrator é objeto central da análise científica,
busca mecanismos e instrumentos necessários à rápida e rigorosa efetivação do castigo ao
criminoso, sendo desnecessário o aparelhamento estatal para esse fim.
d. O modelo ressocializador de enfrentamento do crime propõe legitimar a vítima, a comunidade e o
infrator na busca de soluções pacíficas, sem que haja a necessidade de lidar com a ira e a
humilhação do infrator ou de utilizar o ius puniendi estatal.
e. A doutrina admite pacificamente o modelo integrador na solução de conflitos havidos em razão do
crime, independentemente da gravidade ou natureza, uma vez que o controle formal das instâncias
não se abdica do poder punitivo estatal.

5. (FGV/TJ-RO PSICÓLOGO – 2015) A Justiça Restaurativa:


a. propõe o crime como ato que viola a norma estatal, considerando a pena como reação correta à
conduta delitiva;
b. centraliza no Estado o papel definidor do tipo penal, cabendo a ele a atribuição da sanção segundo
a norma instituída;
c. pensa o crime pelo viés comutativo na atribuição de pena proporcional ao mal praticado,
considerando o processo intimidatório como primordial no controle da conduta do infrator;
d. considera a infração pela lógica distributiva, destinando serviços e benefícios a cada infrator de
forma desigual, visando recuperar o infrator e reintegrá-lo à sociedade;
e. concebe o crime como violação à pessoa e às relações interpessoais, valorizando a reparação dos
danos causados à vítima, à sociedade, ao ofensor e às relações interpessoais.

6. (FGV/DPE-RO ANALISTA DE DEFENSORIA PÚBLICA – 2015) “Alunos rebeldes, que jogam bombas
no recreio, usam drogas ou cometem violência contra o professor são expulsos da escola. Depois,
expulsos novamente de outra instituição, acabam desistindo de estudar. Continuam cometendo
delitos até que, por fim, são recolhidos à Fundação Casa. A trajetória é muito conhecida por juízes da
Vara da Infância, que sabem que o resgate desses menores para a sociedade vai se tornando cada vez
mais difícil. No entanto, a aplicação da Justiça Restaurativa nas escolas do Estado de São Paulo tem
rompido esse ciclo de violência e recuperado adolescentes para o convívio social e escolar sem a
necessidade de aplicação de medidas de caráter meramente punitivo". (Portal CNJ em 06/01/2015).
Em relação à Justiça Restaurativa, analise as características a seguir:

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I - o processo decisório compartilhado com as pessoas envolvidas;

II - a estrita observância do contencioso e do contraditório;

III - a participação voluntária e o procedimento criativo e voltado para o futuro.

Trata-se de característica(s) da Justiça Restaurativa:

a. somente I;
b. somente II;
c. somente I e III;
d. somente II e III;
e. I, II e III.

7. (CESPE/DEPEN AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL – 2015) Em relação aos preceitos da criminologia


contemporânea e a aspectos relevantes sobre a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social,
julgue o item que se segue.
Entre outros, a reparação do dano é um dos objetivos da criminologia contemporânea.
a. Certo
b. Errado

8. (CESPE/DEPEN AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL – 2015) Em relação aos preceitos da criminologia


contemporânea e a aspectos relevantes sobre a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social,
julgue o item que se segue.
Na criminologia contemporânea, não se consideram os protagonistas do crime — vítima, infrator e
comunidade — nem o desenvolvimento de técnicas de intervenção e controle, pois essas matérias
devem ser objeto de políticas públicas de segurança pública e não da ciência criminológica.
a. Certo
b. Errado

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9. (VUNESP/SP ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL – 2014) O modelo restaurador de reação ao


delito, também conhecido por modelo integrador ou de justiça restaurativa, tem por objetivo(s):
a. aplicar pena ao condenado, buscando desestimulá-lo à prática de novos delitos.
b. buscar a recuperação do delinquente, proporcionar assistência à vítima e restabelecer o controle
social abalado pela prática do delito.
c. punir o delinquente, como meio de castigá-lo e retribuir-lhe o mal pelo delito praticado.
d. proteger os bens jurídicos violados pela prática delitiva.
e. reinserir o condenado à sociedade por meio da religião e da laborterapia.

10. (VUNESP/SP MÉDICO LEGISTA – 2014) A Reforma Penal de 1984, que alterou integralmente a
Parte Geral do Código Penal e editou a Lei de Execução Penal, especialmente em dispositivos como o
cumprimento progressivo da pena privativa de liberdade, bem como a Lei n.º 9.714/98, que
reformulou o sistema de penas alternativas, são exemplos concretos da aplicação da teoria
sociológica da criminalidade conhecida como:
a. justiça restaurativa.
b. gradient tendency.
c. labbelling approach.
d. teoria da anomia.
e. terceira escola.

11. (VUNESP/SP AGENTE DE POLÍCIA – 2013) É correto afirmar que a Criminologia contemporânea
tem por objetos:
a. o delito, o delinquente, a vítima e o controle social.
b. a tipificação do delito e a cominação da pena.
c. apenas o delito, o delinquente e o controle social.
d. apenas o delito e o delinquente.
e. apenas a vítima e o controle social.

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12. (FUMARC/MG DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO – 2018) “A criminologia contemporânea, dos


anos 30 em diante, se caracteriza pela tendência a superar as teorias patológicas da criminalidade, ou
seja, as teorias baseadas sobre as características biológicas e psicológicas que diferenciariam os
sujeitos ‘criminosos’ dos indivíduos ‘normais’, e sobre a negação do livre arbítrio, mediante um rígido
determinismo. Essas teorias eram próprias da criminologia positivista que, inspirada na filosofia e na
psicologia do positivismo naturalista, predominou entre o final do século passado e princípios deste.”
BARATTA, Alessandro. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal. Introdução à sociologia do
Direito Penal. 3. ed. Rio de Janeiro: Revan: Instituto Carioca de Criminologia. p. 29. (Coleção
Pensamento Criminológico)

Numere as seguintes assertivas de acordo com a ideia de criminologia que representam, utilizando (1) para
a criminologia positivista e (2) para a escola liberal clássica do direito penal.

( ) Assumia uma concepção patológica da criminalidade.

( ) Considerava a criminalidade como um dado pré-constituído às definições legais de certos


comportamentos e certos sujeitos.

( ) Não considerava o delinquente como um ser humano diferente dos outros.

( ) Objetivava uma política criminal baseada em princípios como os da humanidade, legalidade e utilidade.

( ) Pretendia modificar o delinquente.

A sequência que expressa a associação CORRETA, de cima para baixo, é:

a. 1, 1, 2, 2, 1.
b. 1, 2, 1, 2, 2.
c. 2, 2, 1, 1, 1.
d. 2, 1, 2, 2, 2.

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13. (FCC/DPE-AM DEFENSOR PÚBLICO – 2018) A teoria da prevenção:


a. geral positiva remonta aos ideais da criminologia crítica de resistência ao poder punitivo estatal.
b. especial negativa tem como exemplo concreto as saídas temporárias na execução penal.
c. geral negativa é utilizada como discurso legitimador de novas incriminações, a despeito de
dificuldades empíricas de sua comprovação na realidade brasileira.
d. da pena em suas múltiplas correntes possui efetividade real na sociedade brasileira diante da
previsão legal e das estatísticas oficiais.
e. geral negativa foi criada pelo pensamento funcionalista contemporâneo e tem previsão expressa na
legislação brasileira.

14. (UEG/GO DELEGADO DE POLÍCIA – 2018) Em Vigiar e Punir, Michel Foucault (1926-1984) aborda a
transformação dos métodos punitivos a partir de uma tecnologia do corpo, dentre cujos aspectos
fundamentais destaca-se:
a. a coexistência entre diversas economias políticas do castigo, mas, fundamentalmente, a mudança
qualitativa que representou substituição do carcerário pelo patibular.
b. o pensamento criminológico centrado na figura do homem delinquente, o que constitui a força
motriz para o surgimento e consolidação da prisão como mecanismo de controle.
c. o cumprimento dos fins declarados da pena de prisão na medida em que separa os espaços sociais
livres de castigo e os que devem ser objeto da repressão estatal.
d. o abandono completo do suplício corporal como tecnologia encarceradora que passa ser utilizada a
partir do século XIX.
e. o cárcere como dispositivo preponderante sobre o qual se ergue a sociedade disciplinar.

15. (VUNESP/SP AGENTE DE TELECOMUNICAÇÕES POLICIAL – 2018) É correto afirmar que as medidas
voltadas à população carcerária, com caráter punitivo e com desiderato na recuperação do recluso
para evitar, por meio da ressocialização, sua reincidência,
a. integram a prevenção primária, atacando a raiz do conflito e visando à recuperação do criminoso,
diminuindo-se os indicadores criminais.

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b. são relevantes para a criminologia, impactando na diminuição dos indicadores criminais, entretanto
não podem ser consideradas como medidas de prevenção.
c. são relevantes para a criminologia e integram a prevenção terciária, visando à recuperação do
criminoso.
d. são relevantes para a criminologia, atacando a raiz do conflito e visando à recuperação do
criminoso, entretanto não podem ser consideradas como medidas de prevenção.
e. são relevantes para a vitimologia, atacando a raiz do conflito e visando à recuperação do criminoso,
entretanto não podem ser consideradas como medidas de prevenção.

16. (CESPE/GO DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO – 2017) Considerando que, para a criminologia, o
delito é um grave problema social, que deve ser enfrentado por meio de medidas preventivas,
assinale a opção correta acerca da prevenção do delito sob o aspecto criminológico.
a. A transferência da administração das escolas públicas para organizações sociais sem fins lucrativos,
com a finalidade de melhorar o ensino público do Estado, é uma das formas de prevenção terciária
do delito.
b. O aumento do desemprego no Brasil incrementa o risco das atividades delitivas, uma vez que o
trabalho, como prevenção secundária do crime, é um elemento dissuasório, que opera no processo
motivacional do infrator.
c. A prevenção primária do delito é a menos eficaz no combate à criminalidade, uma vez que opera,
etiologicamente, sobre pessoas determinadas por meio de medidas dissuasórias e a curto prazo,
dispensando prestações sociais.
d. Em caso de a Força Nacional de Segurança Pública apoiar e supervisionar as atividades policiais de
investigação de determinado estado, devido ao grande número de homicídios não solucionados na
capital do referido estado, essa iniciativa consistirá diretamente na prevenção terciária do delito.
e. A prevenção terciária do crime consiste no conjunto de ações reabilitadoras e dissuasórias atuantes
sobre o apenado encarcerado, na tentativa de se evitar a reincidência.

17. (CESPE/PE DELEGADO DE POLÍCIA – 2016) A criminologia reconhece que não basta reprimir o
crime, deve-se atuar de forma imperiosa na prevenção dos fatores criminais. Considerando essa
informação, assinale a opção correta acerca de prevenção de infração penal.

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a. Para a moderna criminologia, a alteração do cenário do crime não previne o delito: a falta das
estruturas físicas sociais não obstaculiza a execução do plano criminal do delinquente.
b. A prevenção terciária do crime implica na implementação efetiva de medidas que evitam o delito,
com a instalação, por exemplo, de programas de policiamento ostensivo em locais de maior
concentração de criminalidade.
c. No estado democrático de direito, a prevenção secundária do delito atua diretamente na
sociedade, de maneira difusa, a fim de implementar a qualidade dos direitos sociais, que são
considerados pela criminologia fatores de desenvolvimento sadio da sociedade que mitiga a
criminalidade.
d. Trabalho, saúde, lazer, educação, saneamento básico e iluminação pública, quando oferecidos à
sociedade de maneira satisfatória, são considerados forma de prevenção primária do delito, capaz
de abrandar os fenômenos criminais.
e. A doutrina da criminologia moderna reconhece a eficiência da prevenção primária do delito, uma
vez que ela atua diretamente na pessoa do recluso, buscando evitar a reincidência penal e
promover meios de ressocialização do apenado.

18. (VUNESP/SP FOTÓGRAFO TÉCNICO PERICIAL – 2014) A prevenção criminal_______________


destina-se a atuar na educação, emprego, moradia e segurança, onde o Estado deve garantir o
exercício dos direitos sociais a todos.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
a. secundária
b. terciária
c. primária
d. quaternária
e. especial

19. (VUNESP/SP PERITO CRIMINAL – 2013) As melhoras da educação, do processo de socialização, da


habitação, do trabalho, do bem-estar social e da qualidade de vida das pessoas de uma determinada
comunidade são os elementos essenciais de um programa de prevenção:

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a. terciária.
b. quinária.
c. secundária.
d. primária.
e. quaternária.

20. (INSTITUTO ACESSO/ES DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – 2019) No Estado Democrático de Direito a
prevenção criminal é integrante da agenda federativa passando por vários setores do Poder Público,
não se restringindo à Segurança Pública e ao Judiciário. Com relação à prevenção criminal, assinale a
afirmativa correta:
a. A prevenção primária se orienta aos grupos que ostentam maior risco de protagonizar o problema
criminal, se relacionando com a política legislativa penal e com a ação policial.
b. A prevenção secundária corresponde a estratégias de política cultural, econômica e social, atuando,
por exemplo, na garantia da educação, saúde, trabalho e bem-estar social.
c. A prevenção terciária se orienta aos grupos que ostentam maior risco de protagonizar o problema
criminal, se relacionando com a política legislativa penal e com a ação policial.
d. A prevenção secundária tem como destinatário o condenado, se orientando a evitar a reincidência
da população presa por meio de programas reabilitadores e ressocializadores.
e. A prevenção primária corresponde a estratégias de política cultural, econômica e social, atuando,
por exemplo, na garantia da educação, saúde, trabalho e bem-estar social.

21. (VUNESP/SP PERITO CRIMINAL – 2013) A moderna Criminologia:


a. tem por seus protagonistas o delinquente, a vítima e a comunidade.
b. vislumbra o delito como enfrentamento formal, simbólico e direto entre dois rivais – o Estado e o
infrator – que se enfrentam, isolados da sociedade, à semelhança da luta entre o bem e o mal.
c. não considera como seu objeto de debate os aspectos político-criminais das técnicas de intervenção
social e de seu controle.
d. tem o castigo do infrator por exaurimento das expectativas que o fato delitivo desencadeia.
e. tem por seus principais objetivos a reparação do dano causado ao Estado, a ressocialização do
delinquente e a repressão do crime.

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GABARITO
1. E
2. B
3. C
4. A
5. E
6. C
7. A
8. B
9. B
10. C
11. A
12. A
13. C
14. B
15. C
16. E
17. D
18. C
19. D
20. E
21. A

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