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CAPA

Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli

Saber Viver

Lições de uma longa vida

2a edição

Centro Redentor
Rio de Janeiro
2003
© Centro Redentor, 2003

Cantarelli, Pompeu Lustosa de Aquino

Saber viver. – 2a ed. – Rio de Janeiro: Centro


Redentor, 2003

Espiritualismo: Filosofia

ISBN

CDD – 133.9
CDU – 141.35

Endereço para correspondência

Centro Redentor
Rua Jorge Rudge, 119 – Vila Isabel
Rio de Janeiro – RJ - Brasil
CEP 20550-220

Internet

www.racionalismo-cristao.org.br
Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli
SUMÁRIO

Apresentação .............................................................................................................................7
Prefácio......................................................................................................................................8
Transmigração do espírito.......................................................................................................11
Discorrendo sobre nutrição .....................................................................................................14
Afinidade e evolução dos seres ...............................................................................................16
Preconceitos ............................................................................................................................18
Exemplos do passado ..............................................................................................................19
Um povo forçado à guerra.......................................................................................................23
A personalidade de Antonio Cottas.........................................................................................24
Rio de Janeiro..........................................................................................................................25
Palestra na Associação Antialcoólica de São Paulo................................................................26
Degradação moral ...................................................................................................................29
Ser racionalista cristão ............................................................................................................31
Ainda sobre alimentação .........................................................................................................32
Tabagismo, suicídio lento .......................................................................................................35
Intolerância, atavismo tribal....................................................................................................37
Companheiros inseparáveis.....................................................................................................39
Medo, flagelo da humanidade .................................................................................................41
No torvelinho das paixões .......................................................................................................44
Concepções de vida.................................................................................................................45
Importância do estímulo..........................................................................................................48
Educação racional ...................................................................................................................49
Juventude nova-era..................................................................................................................50
Mais técnicos, menos doutores ...............................................................................................52
Combate à pornografia ............................................................................................................54
Um homem que viu a morte de perto ......................................................................................56
Glorificando a beleza e a eternidade da vida ..........................................................................58
Poluição mental .......................................................................................................................60
Saber querer é poder................................................................................................................62
As quatro fases da vida............................................................................................................63
Parcimônia...............................................................................................................................64
Pela verdade ............................................................................................................................66
Racionalismo Cristão ..............................................................................................................68
Carta a um amigo ....................................................................................................................70
Juiz de Direito mais velho do Brasil .......................................................................................72
Despedidas ao CORPM...........................................................................................................74
Carta a um velho amigo (1).....................................................................................................75
Carta ao mano Pompílio..........................................................................................................77
Carta a um velho amigo (2).....................................................................................................78
Os dez itens da minha vida......................................................................................................81
Carta ao poeta e escritos Urbano Lopes da Silva....................................................................82
Reminiscências........................................................................................................................88
Sinfonia do Universo...............................................................................................................90
Renascer, moralmente .............................................................................................................92
Racionalização do trabalho .....................................................................................................96
Alvorada no sertão ..................................................................................................................97
Defendamos a Natureza ..........................................................................................................98
O planeta dos homens .............................................................................................................99
Churchill, cidadão do mundo ................................................................................................103
Campos Salles, estadista notável...........................................................................................105
O valor do pensamento..........................................................................................................109
Descartes e Luiz de Mattos ...................................................................................................110
APRESENTAÇÃO
“Assim como o tempo avançou no calendário e o flamboaiã floriu e refloriu nas
primaveras do Sítio Santa Maria, em Parnamirim, Estado de Pernambuco”, nos idos da sua
meninice, os anos passam e nos mostram o autor de Saber viver, Pompeu Cantarelli, no pleno
vigor físico e com a lucidez daqueles que primam por uma conduta irrepreensível.
Às vésperas do centenário do seu nascimento, que, emocionados, comemoraremos em
2004, devemos refletir sobre a lição de vida que Pompeu Cantarelli nos oferece em seus
textos, porque neles estão delineados os caminhos apontados pela Doutrina Racionalista
Cristã para saber viver — disciplina, trabalho e vontade — e, assim, prolongar a vida física,
aproveitando ao máximo a encarnação, como o autor nos ensina.
Sigamos o seu exemplo de homem digno, leal, amigo e desprendido das coisas
materiais, qualidades que sempre acompanham espíritos que já acumulam sabedoria adquirida
em várias existências, como Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli.

O Editor
PREFÁCIO
O autor deste livro, nosso estimado Pompeu Lustosa de Aquino Cantarelli, foi alvo de
merecida homenagem prestada pelos companheiros da Filial do Racionalismo Cristão de São
Paulo em comemoração ao seu aniversário, transcorrido em 31 de agosto de 1994, quando
completou noventa anos!

Linda e admirável idade! Façamos por seguir as pegadas dessa existência.

Essas palavras, entre aspas, são de Antonio Cottas, referindo-se a um grande amigo de
Pompeu Cantarelli, Dr. Joaquim Crispiniano Coelho Brandão, quando este completou, em 30
de agosto de 1975, cem anos de idade! O elogio de Antonio Cottas ao então centenário Dr.
Coelho Brandão cabe agora, com inteira justiça, ao nosso querido nonagenário Pompeu
Cantarelli. Estimulado pelas palavras de Antonio Cottas, que sempre foi seu maior amigo e
incentivador, nosso venerando companheiro há de prolongar por muito tempo ainda sua
existência física, para alegria de seus familiares, de seus amigos, dos militantes da Casa
Racionalista Cristã de São Paulo e dos racionalistas cristãos em geral. Disso temos certeza, tal
a disposição física e a fortaleza de ânimo desse jovem aos noventa anos, sempre ativo, lúcido
e disposto no exercício de suas funções de Diretor-Secretário da Filial de São Paulo.
Este prefácio, focalizando a personalidade de Pompeu Cantarelli, foi concebido, diga-se,
a bem da verdade, à revelia do autor do livro, por conhecermos sua índole avessa, por natural
modéstia, a homenagens e elogios. Sentimo-nos, porém, no dever de fazê-lo, levando em
conta que os exemplos edificantes precisam ser registrados e assinalados, para que sirvam de
modelo e de estímulo à geração presente e aos vindouros, seus e nossos continuadores, e
estes, seguindo as pegadas dessa existência dedicada à família, aos bons costumes e à Causa
racionalista cristã, aprendam, mais que uma lição, uma filosofia de vida.

* * *

Às vinte e três horas do dia 31 de agosto de 1904, no sítio Santa Maria, que dista apenas
um quilômetro da cidade de Parnamirim, na época denominada Leopoldina, Estado de
Pernambuco, nascia uma criança a quem deram o nome de Pompeu, em homenagem ao avô
paterno, que se chamava Pompeu Cantarelli, sendo os pais do menino Antônio Lustosa
Cantarelli e Ascendina Aquino. Desde garoto encarava a vida com seriedade e sensatez,
motivo por que era chamado de menino-homem. Ainda bem jovem tornou-se livre-pensador,
amigo da verdade, da justiça e da razão.1
Eis aí, em rápidas palavras, um retrato significativo da meninice e da juventude de
Pompeu Cantarelli.
Em 1920, transferiu-se para a vizinha cidade de Cabrobó e, em 1924, com vinte anos de
idade, estava residindo no Recife. Aí viveu quatro anos trabalhando na Drogaria e Farmácia
Conceição e, depois, na Farmácia dos Pobres. À noite, estudava, após o expediente de
trabalho, que se estendia até as vinte horas.
Em sua estada na capital pernambucana, freqüentava a casa do ex-governador do Estado,
Dr. Manuel Pereira Borba, e a do então deputado federal Dr. Agamenom Magalhães, que

1
Extraído do folheto impresso por ocasião da homenagem prestada no aniversário do autor.
posteriormente viria a ser também governador. Nesse período, travou conhecimento, ainda,
com vários chefes políticos do sertão.
Desejando conhecer as plagas mais ao sul do país, chegou, em janeiro de 1929, a São
Paulo. Dois meses depois, ingressava na Farmácia do Hospital Militar da Força Pública do
Estado (hoje Polícia Militar), como civil contratado. Em janeiro de 1930, tirou o título de
oficial de farmácia, mediante exames de habilitação, sendo, dois anos depois, militarizado
com a graduação de sargento-ajudante. Tendo servido essa instituição durante vinte e cinco
anos, passou, em 1954, para a reserva, no posto de capitão.
Já em 1929, ano de sua chegada a São Paulo, Pompeu Cantarelli passou a freqüentar a
teosofia, tornando-se também vegetariano, por indução dessa sociedade espiritualista e
filosófica.
Casou-se em 1934 com dona Alzira de Vecchia. Desse consórcio nasceram três filhas:
Guiomar, Ascendina (ambas falecidas) e Amália, casada com o Dr. Lecy Ribas Camargo.
Em 1937, conheceu o Racionalismo Cristão, desligando-se, conseqüentemente, da
Sociedade Teosófica e passando a freqüentar as sessões públicas de limpeza psíquica da Casa
Racionalista Cristã de São Paulo, que na época funcionava na Rua Francisca Júlia, Alto de
Santana. Em 1954, aposentado na Polícia Militar, pôde inscrever-se como militante da
Doutrina, na Filial de São Paulo.
O ano de 1955 também marcou a vida do autor. Foi quando conheceu o Presidente
Perpétuo do Racionalismo Cristão, Antonio do Nascimento Cottas, de quem se tornou amigo
e pessoa de sua confiança.
Conhecedor do Racionalismo Cristão há quase sessenta anos e militante há mais de
quarenta, Pompeu Cantarelli integrou-se de corpo e alma nessa Doutrina. Uma vez inscrito na
militância do Racionalismo Cristão, distinguiu-se sempre pela constância e pela assiduidade,
comparecendo às sessões públicas de limpeza psíquica e às sessões particulares.
A partir de l962 passou a ocupar o cargo de Diretor-Tesoureiro da Filial de São Paulo,
por indicação de Antonio Cottas e de acordo com os saudosos amigos Antônio de Ornellas
Flor e Humberto Romanelli, então Presidente e Diretor-Secretário, respectivamente.
Caracterizou-se, no desempenho desse cargo, por sua austeridade e rigor na administração das
finanças e do patrimônio do Racionalismo Cristão.
Com a desencarnação imprevista do inesquecível amigo Humberto Romanelli, em 1982,
assumiu as funções de Diretor-Secretário, também por indicação de Antonio Cottas. Quando
ainda Diretor-Tesoureiro, chegou a acumular as atividades de Diretor-Procurador e
Encarregado de Salão, nas sessões públicas de limpeza psíquica. Acrescente-se que, desde a
época em que conheceu Antonio Cottas, este passou a convidar Pompeu Cantarelli para
auxiliá-lo nas inaugurações de Casas Racionalistas Cristãs em várias partes do Brasil,
nomeando-o também repórter e representante do jornal A Razão nessas solenidades
inaugurativas.
Como jornalista, tornou-se assíduo colaborador desse órgão de comunicação da
Doutrina, constituindo muitas das colaborações boa parte do conteúdo deste livro.
Pompeu Cantarelli e Humberto Romanelli foram dois dos diretores da Filial de São
Paulo de mais destacada atuação com que pôde contar o Presidente Antônio Flor,
principalmente na construção da monumental sede própria do Racionalismo Cristão em São
Paulo. Foi, como se sabe, uma etapa de grandes lutas e sofrimento. Mas que, afinal, valeram a
pena, pois culminaram com o pleno sucesso do empreendimento, concretizado na
inesquecível festa da inauguração do edifício, em 25 de novembro de 1973, presidida por
Antonio Cottas.
Em sua vida relacionada com a Doutrina, uma das maiores alegrias de Pompeu
Cantarelli, segundo ele, foi ter merecido a inteira confiança e a amizade de Antonio Cottas, e
disso o Presidente Perpétuo deu provas cabais durante a construção do novo edifício-sede do
Racionalismo Cristão no bairro de Santana da capital paulista. O autor lembra com saudade as
inaugurações de Casas Racionalistas Cristãs. Antonio Cottas lhe escrevia, então, dizendo:
Você está convocado, em nome da Casa Chefe, para ir a tal lugar, a fim de fazer a
reportagem para o jornal A Razão e organizar a cerimônia inaugurativa.
Tenho em meu arquivo inúmeras cartas que me enviou o Presidente Cottas, e as guardo
como num relicário do grande homem que consolidou o Racionalismo Cristão, confidencia
Pompeu Cantarelli.
É também com saudade que o autor evoca as figuras de Antônio Flor e Humberto
Romanelli, pela grande amizade e o ótimo relacionamento que sempre houve entre eles.
Antônio Flor costumava dizer que Humberto e Pompeu eram os seus braços na Filial de São
Paulo. Mas nunca falava quem era o braço direito...
Na qualidade de amigos de Pompeu Cantarelli, os companheiros das Filiais de Santana e
do Butantã, na capital paulista, tomaram a iniciativa de reunir neste livro sua produção
literária esparsa em artigos no jornal A Razão e, mais recentemente, na revista A Razão, de
Portugal. Sua produção não se limita apenas ao jornalismo. Há diversos trabalhos do autor
fazendo parte de livros editados pelo Racionalismo Cristão. Além do mais, Pompeu
Cantarelli, como é do conhecimento de muitos, é também poeta de generosa inspiração.
Tendo em conta a excelência dos seus escritos, versando variados assuntos, de cunho
moral, educativo e cultural, achamos que deveríamos dar a esses trabalhos uma difusão mais
ampla, com a publicação da presente obra, consignando nesta iniciativa a homenagem afetiva
e sincera dos seus amigos e admiradores.
Homem de cultura e brilhantes dotes de inteligência, teve o nosso Pompeu Cantarelli a
ventura de privar da amizade do “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, Guilherme de Almeida,
conhecido e amado por paulistas e tantos brasileiros mais, pela simpatia irradiante de sua
personalidade e pelo incomparável lirismo que sua alma de artista deixou extravasar em sua
obra poética.
Foi no convívio com esse imortal da Academia Brasileira de Letras que Pompeu
Cantarelli recebeu valiosas lições na arte de versejar, em que, aliás, se tornou exímio, como se
verifica pela leitura de suas castigadas e fluentes estrofes.
Há quase trinta anos, o escriba que está alinhavando este prefácio teve seu primeiro
contato com a poesia do mestre Cantarelli, antes de ter o prazer de conhecê-lo pessoalmente.
Esse primeiro contato deu-se em 1970, em Campinas, interior do Estado de São Paulo, num
modesto barracão nos fundos da residência do Dr. Augusto Gomes, de saudosa memória.
Funcionava ali o Filiado local do Racionalismo Cristão, presidido pelo Dr. Augusto. Foi ele
quem me proporcionou a oportunidade de ler um poema de Pompeu Cantarelli que definia,
em linhas gerais, a Doutrina Racionalista Cristã e sua nobre finalidade. Naquele ano estava
iniciando-me nessa Doutrina, sob a orientação amiga do Dr. Augusto. Assim, esse poema faz
parte das gratas recordações que guardo daqueles dias particularmente felizes da minha vida.

José Alves Martins, Jornalista, São Paulo/1975


TRANSMIGRAÇÃO DO ESPÍRITO
Não é razoável e lógico pensarmos que o planeta Terra seja o único no Universo
habitado por seres inteligentes, porque se o fosse os seus habitantes seriam mais perfeitos, e
existiriam, aqui, mais sabedoria e justiça, maior esclarecimento do porquê das coisas, mais
harmonia e melhor compreensão da vida psíquica. Entretanto, pelo que observamos e
sentimos, a nossa pequenina e humilde Terra é apenas um mundo-escola ou planeta
acrisolador, para onde se dirigem as almas necessitadas dos conhecimentos indispensáveis à
conquista de esferas mais elevadas. É pela sucessão de vidas que elas passam a estagiar ou
viver em outros planos mais evoluídos do que o mundo em que vêm estagiando e, assim,
podem trabalhar com mais onisciência e integração no progresso universal, do qual todas são
artífices na maravilhosa e inacabável obra da Criação.

ESCOLA

Os habitantes dos inumeráveis mundos das incontáveis galáxias, que se movimentam no


infinito, terão, naturalmente, corpos apropriados à atmosfera e aos estado evolutivo de cada
planeta.
O mundo Terra não é o alfa nem o ômega da nossa existência real; ele nos serve apenas
de escola, para que, pelo saber, pelos sofrimentos morais, pelas dores físicas e pelo esforço
próprio, possamos voltar à vida extraterrena com o cabedal que conquistamos com grandes
lutas.
A pluralidade das existências é uma lei incontestável, de acordo com a história e a
própria ciência, que nos vem mostrando experimentalmente essa realidade.
Platão denominou-a de metensomatose, e outros filósofos espiritualistas, de
metempsicose, palingenesia, transmigração ou simplesmente de reencarnação dos espíritos. A
reencarnação é apenas um desdobramento da nossa vida psíquica aqui na Terra, em
sucessivas mudanças de corpos carnais, que são simples veículos das nossas almas na
trajetória evolutiva que encetamos para resgatar faltas. Assim, adquirimos condições de
ascender a outros planos mais elevados e diáfanos na escala da espiritualidade universal.
Porque ninguém o conseguirá sem primeiro lutar, sofrer, sentir a vida na sua complexidade e
lapidar as suas imperfeições.

IMPARCIALIDADE E JUSTIÇA

A doutrina reencarnacionista nos demonstra racionalmente como se processa com


equanimidade e justiça o evolver do espírito.
As reencarnações enrijecem nossa personalidade e nos dão ensejo, pelo livre-arbítrio,
de agirmos com plena liberdade na tessitura dos nossos atos e na efetivação dos nossos
desejos. Com efeito, é pelos renascimentos que corrigimos as nossas faltas presentes e
passadas e aperfeiçoamos nossa maneira de pensar e agir, dissipando do nosso eu a
materialidade que o obscurece.
A reencarnação é a lei da justiça e do amor, porque proporciona a todos os seres, sem
discriminação, as mesmas oportunidades, as mesmas vantagens e o mesmo roteiro na senda
da evolução. Perante essa lei não há privilegiados, não há protegidos nem predestinados;
todos enfrentam lutas, sofrimentos, experiências, aprendizagens e alcançam o discernimento
do que sentimos, vemos e observamos na escala da vida terrenal, cujos ensinamentos
adquiridos e postos em ação nos elevam a categorias superiores na escala evolutiva. Assim,
de encarnação em encarnação, de mundo em mundo, de esfera em esfera, vamos ascendendo
para o Grande Foco, nossa fonte de origem.
A teoria da criação da alma para uma só existência humana demonstraria não haver
justiça e bondade por parte do Criador, tendo em vista existirem criaturas dotadas de grande
inteligência, de vivacidade, de alegria, que gozam relativo bem-estar, ao passo que outras são
infelizes, imponderadas, impertinentes, materialistas e revoltadas com a própria vida.
Ora, como o planeta Terra é um mundo depurador, vemos nos renascimentos o cadinho
que purifica e dá igualdade a todas as almas, dentro dos fatores tempo, oportunidade e esforço
próprio.
Não encontramos razões, segundo as quais a Inteligência Universal criaria almas para
acionarem seus corpos carnais por alguns instantes, e outras para terem uma vida de atrozes
sofrimentos, numa só encarnação, o que revelaria injustiça e parcialidade na distribuição dos
bens universais.
As leis da Criação não protegem nem perseguem ninguém; foram, sim, estabelecidas para
equilíbrio do Todo e, conseqüentemente, para benefício da Coletividade Universal.

DESDE REMOTAS ERAS

Diz a insigne doutora Ana Besant:


A reencarnação restitui a justiça ao Criador e o poder ao homem. Cada espírito
humano inicia a série de suas vidas como mero germe, falto de conhecimentos, de
discernimento e de consciência. Pelas experiências de prazer e de dor, reúne os materiais
com que vai construindo as suas faculdades intelectuais e morais. O selvagem de hoje é o
santo de amanhã; todos seguem um caminho idêntico e todos alcançarão o termo da
evolução humana.
Desde as mais remotas eras, os cultores da sabedoria espiritualista difundiam o conceito
da reencarnação, e isso é confirmado nos estudos históricos de Confúcio. Além de Confúcio,
Cristo, Buda, Krishna, Platão, Pitágoras, Sócrates, Hermes, Orfeu e muitos outros filósofos e
doutrinadores espiritualistas trataram da transmigração dos espíritos.
O conceito da reencarnação nos vem também da velha e lendária Índia, por intermédio
dos brâmanes, o qual se transportou para a China e o Japão.
Os egípcios, os gregos, os persas, os romanos e outros povos da Antiguidade já
admitiam a palingenesia.
No século dezesseis, Giordano Bruno difundiu essa idéia, que foi aceita por Leibniz e
outros. Em 1857, Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec, divulgou
amplamente o assunto.

LUIZ DE MATTOS

Daí em diante, a doutrina reencarnacionista se alastrou por vários países. No Brasil, foi
difundida pelo espiritismo, pela teosofia, pela Comunhão de Pensamentos, pelo grande
doutrinador espiritualista Luiz de Mattos (Codificador do Racionalismo Cristão), desde 1910,
pelos médicos Antônio Pinheiro Guedes, Alberto Seabra, Visconde de Sabóia e outros
estudiosos do espiritualismo.
O Capitão-Aviador Felino Alves de Jesus, de saudosa memória, escreveu o interessante
livro Trajetória evolutiva, que trata científica e inteligentemente da questão reencarnacionista.

REMINISCÊNCIAS

A história da humanidade registra numerosos casos de reminiscências de vidas


passadas, ocorridos com grandes homens como Lamartine, Méry e muitos outros.
Sentimos, às vezes, grande simpatia por um país, por uma cidade, por um povo ou por
determinadas pessoas. Isso é uma demonstração de que em outras existências vivemos
naquele lugar, entre criaturas que agora nos causam afeição, certamente por laços de
afinidade.
Pessoas há que se sentem alegres e comovidas ao chegarem pela primeira vez a uma
localidade, onde tudo lhes parece íntimo e familiar, sem nunca terem conhecido esse lugar,
nem mesmo terem ouvido ou lido qualquer descrição a respeito de dito lugar, que agora lhes
desperta tão agradável simpatia, parecendo sentir, ali, evocações de algo que de algum modo
reconhecem.
Houve, em tais circunstâncias, o despertar da memória espiritual. Nela todos os
acontecimentos passados em outras existências foram registrados, e alguns deles afloram
como pálidas reminiscências.

PRECONCEITO E GÊNIO

A precocidade é o despertar antecipado das faculdades latentes, acumuladas em


existências passadas; o gênio é o cultivo e o aprimoramento contínuo de certas qualidades
intelectuais e morais, que não se interrompem com a chamada morte. O espírito é o
depositário de tais faculdades e não o cérebro humano, que, por si mesmo, não pensa, não
raciocina e não decide, porque é apenas transmissor e receptor das vibrações psíquicas.

PROVAS CIENTÍFICAS

Há, portanto, incontestáveis provas, observações experimentais e testemunhos verídicos


que mostram racional e cientificamente a reencarnação da alma, o que a miopia materialista
de muita gente condena e repele, sem um estudo criterioso, sem conhecimento de causa.
Como seres pensantes que somos, dotados de raciocínio, inteligência e livre-arbítrio,
devemos investigar, analisar e deduzir com discernimento e ponderação sobre o porquê das
coisas.
Se, em nossas investigações metafísicas, encontrarmos a Verdade, não devemos ocultá-
la ou alterá-la, sob a influência de preconceitos, quaisquer que sejam, porque, fazendo-o,
demonstraremos incoerência e falta de sinceridade em nossas convicções.
A Doutrina Racionalista Cristã explana de forma admirável e objetiva conhecimentos
sobre a vida psíquica, editando um livro intitulado A vida fora da matéria, com gravuras
policromáticas, que ilustram o que é asseverado nessa magnífica obra pioneira, senão única
no mundo. A obra Racionalismo Cristão traz um manancial de ensinamentos sobre a
reencarnação e os deveres, os atributos e a evolução da alma, nos planos físico e espiritual.
DISCORRENDO SOBRE NUTRIÇÃO
Os corpos dos seres vivos, ou seja, as plantas e os animais, são formados por um
agregado de elementos pequeníssimos denominados células.
Há seres monocelulares, constituídos de uma única célula, chamada protofita, se do
reino vegetal, e protozoária, quando do reino animal.
Os seres compostos de muitas células são chamados metafitas, se pertencem ao reino
vegetal, e metazoários, se do reino animal.
O homem, como metazoário que é, tem o corpo formado por aproximadamente cem
quatrilhões de células, as quais se reduzem a quatro propriedades biológicas: nutrição,
reprodução, sensibilidade e movimento.
É pela nutrição que as células retiram do meio exterior os alimentos, como oxigênio,
água, substâncias minerais, proteínas, substâncias orgânicas, vitaminas, etc.
Introduzidos os alimentos no seu meio, as células os transformam em protoplasma, a
fim de que lhes seja possível não só reparar as próprias perdas como ainda crescer ou
reproduzir-se e, por outro lado, pelo trabalho das células, surgem no seu interior, por
decomposição do protoplasma, substâncias nocivas que devem ser eliminadas, para a
conservação da vida orgânica.
Há, pois, na nutrição ou no metabolismo celular dois períodos: um construtivo ou
anabólico, em que célula absorve e assimila os alimentos, e outro, destrutivo ou catabólico,
em que no seu meio se formam produtos diferentes de desassimilação.

SELEÇÃO DE ALIMENTOS

As células nascem sempre uma da outra; sua reprodução se dá por vários processos
biodinâmicos.
Os cem quatrilhões de células que se calcula existirem no organismo humano formam
certos grupos em que os elementos, além de semelhantes entre si, se congregam para o
desempenho de funções específicas.
Por aí se vê a importância das células na formação do nosso corpo, razão por que
devemos alimentá-lo de maneira que o metabolismo, que é fenômeno que conduz a
assimilação e a desassimilação das substâncias de que necessitamos para viver, se processe
normalmente, sem o acúmulo excessivo das substâncias tóxicas que venham perturbar o
trabalho metabólico do organismo na sua luta constante contra os vírus patogênicos e contra
as toxinas, para a sua natural sobrevivência. E para evitarmos a formação de acúmulo de
segregações nocivas e a criação de bactérias venenosas é que se torna indispensável a seleção
de alimentos sadios, puros, naturais, para fornecerem às nossas células os elementos mais
adequados para manter-nos fortes, saudáveis, em boa forma física e até mesmo psíquica.
Médicos, cientistas e nutricionistas pesquisam sobre a ciência da nutrição, por ser a que
nos leva à longevidade e a um viver saudável e alegre. A nutrição é hoje uma ciência que se
preocupa com a saúde pública, havendo cursos de nutricionista e dietista, de nível superior,
para a adoção de dietas e cardápios que proporcionem aos escolares, enfermos e trabalhadores
uma alimentação capaz de produzir as calorias de que cada indivíduo necessita para levar uma
vida normalmente capacitada, a fim de vencer os seus grandes embates.
HIPÓCRATES

Já os antigos gregos se preocupavam com a dieta como fator eficiente e preponderante


na terapêutica da boa saúde. Hipócrates, considerado o pai da Medicina, aprendeu com seu
mestre, Heródico, a confiar mais na alimentação racional, nos exercícios físicos e na higiene
corporal e mental que nas drogas.
Dizem alguns cientistas que o envelhecimento precoce depende do estado das nossas
glândulas; afirma, porém, o grande bacteriologista Metchnikov que o nosso corpo envelhece
prematuramente em virtude da ação tóxica de bacilos provenientes da decomposição dos
alimentos nos intestinos e acha que o melhor tratamento seria combater os bacilos tóxicos do
cólon ou intestino grosso com bacilos benéficos contidos no leite acidificado, na coalhada ou
no iogurte, como assepsia e conservação da flora intestinal. Seja através dos hormônios
segregados pelas nossas glândulas ou pela intoxicação através dos intestinos, o fato é que esse
desequilíbrio endocrínico ou putrefação intestinal depende da alimentação que ingerimos,
salvo casos de anomalias congênitas.

VIVER SADIO

A nossa alimentação deve conter substâncias minerais, tais como o sódio, o potássio, o
cloro, o fósforo, o ferro e outros. Aliás, os alimentos usuais os contêm em quantidade
suficiente, salvo o cloreto de sódio, ou sal de cozinha, que costumamos juntar artificialmente
à comida, quase sempre com excesso. Os alimentos devem agradar ao paladar, para facilitar a
digestão. Devemos sentar-nos à mesa para tomar as refeições sem cansaço, sem nervosismo e
livres de preocupações, porque, se fixarmos o pensamento em algo que nos inquieta,
naturalmente isso vai perturbar a digestão, ocasionando malefícios a nossa saúde pela
alteração dos fenômenos químicos e mecânicos que promovem essa digestão.
Para um viver sadio e natural, além do trabalho metodizado, necessitamos de ar puro,
sono, exercícios físicos, asseio corporal e repouso, bem como de controle dos nossos
pensamentos e das nossas ações.
As moléstias que afligem a humanidade não são mais do que efeitos do seu erro de
viver em desacordo com o que a natureza estabelece para a harmonia do Todo e da beleza
universal.
AFINIDADE E EVOLUÇÃO DOS SERES
Ó homem, por que roubas, desnecessariamente, a vida dos seres, teus irmãos em
essência espiritual? Por que maltratas os irracionais com instinto de perversidade? Não sabes
que eles vivem sem noção de personalidade e sem consciência de sua existência como Força e
Matéria? És apenas mais evoluído do que eles, porque já passaste no crisol que purifica a vida
vegetativa, instintiva e animalizada, mas surgiste da mesma essência que dá vida a todos os
seres: a Inteligência Universal ou Grande Foco.
Muitas coisas já aprendeste na escola evolutiva da vida, muito há, porém, que aprender
ainda, visto que o curso dessa escola é difícil e grandioso, e somente com o perpassar dos
séculos e dos milênios, depois que adquirires as experiências indispensáveis ao progresso do
espírito, mediante estudo esclarecedor, trabalho árduo, lutas e sofrimentos vários, é que
poderás terminá-lo neste planeta, continuando, porém, a alma na sua marcha progressiva e
sempre ascendente nos mundos de luz, até terminar o ciclo da sua evolução para juntar-se ao
Todo Universal, sem perder a sua individualidade.

VIA-CRÚCIS

A evolução do espírito começa nas formas mais rudimentares da natureza, pois a


partícula da Força Criadora começa a sua via-crúcis no reino mineral, passando ao vegetal, ao
animal e deste ao reino hominal propriamente dito.
O reino hominal faz parte integrante do animal, e apenas assim é classificado para
melhor concepção da pluralidade das existências.
Ó homem orgulhoso, ignorante e ainda cruel, vê que dentro da Criação todos os seres
são irmãos, porque fazem parte da mesma Essência e percorrem a mesma senda,
corporificando as mesmas formas da matéria, e a diferença que há entre ti e o animal que não
raciocina é simplesmente porque enveredaste primeiro no caminho da evolução, tornando-te
humano; porém, tu e ele, e tudo que tem vida provêm da mesma Força Universal, e voltam
para ela cheios de Luz e progresso.

ÁRVORE GENEALÓGICA

Revela-nos um mestre espiritualista:


A luta não tem mais razão de ser, porque aí os seres, principiando como simples
afinidades minerais, como forças vitais nos vegetais e depois como instinto e propulsão no
animal, subindo pelos degraus da encarnação, na mônada, na ostra, nos crustáceos, nos
insetos, nas mixionóides, nos ciclóstomos, anfíbios, répteis, sáurios, pássaros, mamíferos,
roedores, carnívoros, erbívoros e, enfim, nos símios, atingem aquele que hoje predomina no
planeta Terra como mestre e senhor, réprobo e condenado: o homem”
Afirma ainda o mesmo sábio:
Eis, ó humanidade fascinante dos gloriosos avós fidalgos da Idade Média e das
Cruzadas, descendentes desses senhores feudais, sem freio nem pejo, eis o tronco de vossos
antepassados, eis a vossa árvore genealógica: o símio ignorante e bruto saltitando nas
formidáveis florestas da época quaternária.
Tu te envaideces e te orgulhas, ó homem, do teu fragilíssimo saber, da tua ciência
oficializada e das grandezas materiais deste mundo, mas o que há na Terra de grandioso e
belo é apenas um pálido reflexo do que há no Além-Superior...
(São Paulo, janeiro/1942)
PRECONCEITOS
Quando buscamos fatos na história antiga da humanidade, verificamos quão intolerantes
e preconceituosos eram os homens.
Ao folhearmos a história dos nossos dias, verificamos, também, que os preconceitos de
raça, crença e nacionalidade ainda existem, aliás em estado bem arraigado, mesmo entre
povos que se dizem civilizados.
Um observador espiritualista, ao descortinar a marcha evolutiva da coletividade
humana, vê que algo progredimos e que muito teremos ainda de progredir no caminho da
evolução.
Muitos dos nossos costumes antigos e modernos, que julgamos bons e virtuosos,
poderão ser considerados obscuros e irracionais pelas gerações futuras.
A ignorância é a privação da verdade e da razão das coisas. Enquanto formos ignorantes
do nosso papel no teatro da vida universal, não poderemos discernir o falso do verdadeiro.
Muitos se julgam sabedores dos assuntos transcendentais da vida, mas poucos são os
que realmente chegaram a entendê-los.
(São Paulo, fevereiro/1940)
EXEMPLOS DO PASSADO
Para o nosso aprimoramento moral, intelectual e espiritual devemos buscar no passado
somente os bons exemplos e os feitos meritórios dos grandes homens que enriqueceram a
história da civilização com a sua sabedoria, com o seu valor, com a sua coragem e com o seu
trabalho construtivo e útil, através de grandes lutas, da análise e da pesquisa dos fatos, da
observação e do estudo racional e científico das coisas.

ESPIRITUALISTAS E FILÓSOFOS

Inspiremo-nos na clarividência de Krishna, no ocultismo de Hermes, na sapiência de


Confúcio, no nirvana de Buda, na “kabala” de Moisés e nos belos ensinamentos de Jesus.
Inspiremo-nos, também, na ponderação matemática de Pitágoras, na sabedoria de Sócrates, no
idealismo sublimado de Platão, no ecletismo de Aristóteles, no gênio político de Péricles,
Augusto, Lincoln e no histórico e famoso trio de guerra: Roosevelt-Stalin-Churchill, que,
graças à feliz coordenação dos seus esforços, salvaram a humanidade do cruel fanatismo de
Hitler.
Estudemos as máximas de Ptahhotep e as do Marquês de Maricá, bem como o
atomismo de Demócrito e o estoicismo/epicurismo de Horácio.
Não nos esqueçamos da oratória eloqüente e filosófica de Cícero e Demóstenes, do
cinismo de Diógenes, da ética de Descartes, Kant e Espinosa, da ciência experimental de
Roger Bacon e do método indutivo e filosófico de Francis Bacon.

Cientistas
Que nos sirvam de exemplos a matemática de Euclides, Arquimedes, Newton e Gauss, a
astronomia de Ptolomeu, Copérnico, Galileu, Kepler e Flamarion, a química de Lavoisier e a
medicina de Hipócrates, Paracelso, Osvaldo Cruz, Miguel Couto, a ciência humanitária de
Pasteur, Koch, Jenner, casal Curie e muitos outros pioneiros do bem e do progresso.
Bendigamos os grandes inventores: Guttemberg, Edson, Marconi, Morse, Watt, Bell,
Franklin, Faraday, Bessemer, Fulton e outros; as descobertas de Colombo, Corte Real, Vasco
da Gama, Bartolomeu Dias, Cabral, Magalhães e os heróicos colonizadores do nosso Brasil.
Miremo-nos nas idéias humanísticas de Erasmo, Petrarca, Pestalozzi e nas investigações
espiritualistas dos grandes médicos brasileiros Antônio Pinheiro Guedes, Visconde de Sabóia,
Alberto Seabra, e dos cientistas de além-mar Lombroso, Delanne, Crookes, Gibier e outros.

GÊNIOS DAS ARTES

Extasiemo-nos ante as belas artes de Leonardo da Vinci, Rafael, Miguel Ângelo,


Rubens, Murillo, Ticiano e outros; na música de Carlos Gomes, Vila Lobos, Beethoven,
Bach, Mozart, Chopin, Wagner, Mendelssohn, na lírica de Verdi, Gounod, Puccini, nas
melodias de Schubert, Strauss e dos nossos trovadores e seresteiros; na poesia clássica de
Camões, Homero, Virgílio, Ovídio e Dante Alighieri, nos versos vibrantes de Castro Alves,
Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Bilac, Fagundes Varela, nos grandes vates
portugueses João de Deus, Junqueiro, Antero de Quental.
Leiamos Rousseau, Balzac, Victor Hugo, Eça de Queiroz, a literatura universalista de
Goethe, a indigenista de José de Alencar e Gonçalves Dias, as grandes obras de Machado de
Assis, Camilo, Herculano, Dumas, Zola, Humberto de Campos, Monteiro Lobato, Sílvio
Romero, Coelho Neto, João Ribeiro, Graça Aranha e muitos outros escritores brasileiros e
estrangeiros, sem olvidar o gênio intelectual e hermenêutico do nosso grande Rui Barbosa, a
“Águia de Haia” e glória do Brasil.

FEITOS ÉPICOS

1Que nos sirvam de exemplo os feitos épicos de Alexandre, Júlio César, Pompeu,
Aníbal, Bonaparte, Nuno Álvares Pereira, Bolívar, San Martin, Juarez, Washington, bem
como o militarismo pacifista de Caxias, o Patrono do nosso Exército, e o heroísmo de Osório,
Malet, Tibúrcio, dos Mena Barreto, Andrade Neves, Câmara, Sampaio, Viligran Cabrita,
Antônio João, o guia Lopes, Camisão, Tamandaré, Marcílio Dias, e tantos outros bravos e
heróis que defenderam a nossa pátria, como o fizeram os nossos pracinhas nos campos de
batalha da Europa, em que as armas do Brasil foram empunhadas para desafronta dos nossos
brios e pelo nosso amor à justiça, à liberdade e ao direito dos povos.
Que também nos sirvam de exemplo as lutas épicas dos bandeirantes paulistas para
alargarem as fronteiras da pátria e as dos heróis pernambucanos que expulsaram o invasor
holandês, simbolizados nos brancos Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira e Barreto de
Menezes, nos índios de Camarão e nos negros de Henrique Dias, cujas raças formam a nossa
nacionalidade.
Que os povos agradeçam o espantoso progresso da aeronáutica ao nosso patrício
Alberto Santos Dumont, o verdadeiro pai da aviação, sem esquecermos, porém, um dos seus
precursores, Bartolomeu de Gusmão, também brasileiro.

DEFESA DAS BOAS CAUSAS

Pensemos na grande celebridade do padre Antônio Vieira, considerado o maior orador


do seu tempo, cujo verbo iluminado estava sempre na defesa das boas causas, na coragem de
Feijó e na abnegação dos padres Nóbrega e Anchieta, assistindo e protegendo os nossos
silvícolas.
Na diplomacia e na jurisprudência temos os salutares exemplos de Joaquim Nabuco,
Barão do Rio Branco, Oliveira Lima, Pedro Lessa, Tobias Barreto e Clóvis Bevilacqua, por
exemplo.
Vemos no civismo de José do Patrocínio, Luiz Gama, Quintino Bocaiúva e de seus
vários companheiros de abolicionismo uma luta gloriosa que acabou com a escravatura no
Brasil, que era, desgraçadamente, um ultrage à espécie humana e aos nossos foros de gente
civilizada e cristã. Vemos também na magnitude de D. Pedro II e de sua dileta filha Princesa
Isabel, cognominada a Redentora, o seu grande amor à pátria e à humanidade, libertando os
nossos irmãos de raça negra.
Façamos justiça ao arrebatamento patriótico de D. Pedro I, que, aconselhado pela sua
própria esposa D. Leopoldina, nossa primeira Imperatriz, e pelo grande patriarca José
Bonifácio, apressou a nossa independência política, com o seu famoso grito “Independência
ou Morte”. E não nos esqueçamos dos bons serviços prestados ao Brasil por D. João VI, que
nos deu a emancipação econômica com a abertura dos portos ao comércio internacional.
EXEMPLOS PARA NOSSOS GOVERNANTES

Louvemos o idealismo republicano de Benjamim Constant, Quintino Bocaiúva,


Prudente de Morais e dos seus companheiros de ideal, levando o respeitável Marechal
Deodoro da Fonseca a proclamar a República.
Que sirva de exemplo aos nossos governantes de hoje a probidade e a austeridade
administrativa de Campos Sales, Floriano Peixoto, João Pessoa, Manuel Borba e outros que
governaram com honestidade, saindo do governo mais pobres do que eram antes, em virtude
de colocarem acima dos seus interesses particulares os negócios públicos e a guarda do
patrimônio da nação ou do Estado.
É indispensável que cada brasileiro leia Os sertões, de Euclides da Cunha, e a Retirada
da Laguna, do Visconde de Taunay, para inteirar-se melhor do estado social de nossa gente.
Lembremo-nos, enternecidos, das grandes personalidades que subiram ao patíbulo ou
foram martirizadas pelo crime de lutarem pela Verdade e pela liberdade de suas pátrias, tais
como Giordano Bruno, a iluminada Joana D’Arc, os nossos inesquecíveis e grandes patrícios
Tiradentes, Frei Caneca e outros.
Atualmente, quando a palavra empenhada pouco vale, convém evocarmos os exemplos
de um Egas Muniz ou de um Estoquio de Saint-Pirre, oferecendo a própria vida para honrar
os compromissos assumidos.

GRANDES MULHERES

Não nos esqueçamos de salientar, aqui, o heroísmo e a grandeza da alma da mulher


brasileira simbolizados em Anita Garibaldi, Maria Quitéria, Ana Néri, entre outras, cujos
feitos muito enobrecem a nossa história.
Há uma individualidade feminina que merece ser citada como exemplo de renúncia e
estoicismo: Maria de Magdala ou Maria Madalena, que, pelo seu arrependimento sincero,
pela sua coragem invulgar e pela sua abnegação para com Jesus, se tornou, entre os que o
seguiam, a maior personalidade, visto que, enquanto os discípulos do grande Mestre o
abandonaram no momento da sua crucificação, Madalena permaneceu ao seu lado até os
últimos instantes de sua vida física.
Essa grande e valorosa mulher abandonou o luxo, a riqueza e a glória efêmera de uma
sociedade hipócrita e corrupta para seguir Jesus, que apenas tinha para lhe dar o exemplo do
seu grande amor à Verdade.
Realizou-se, infelizmente, a previsão da grande Madalena, de que em nome de Jesus, o
homem que se sacrificou pela Verdade, seriam cometidos muitos crimes, que seus sábios
ensinamentos seriam completamente desvirtuados, no correr dos séculos, pela malícia de uns
e ignorância de outros.

JESUS E O RACIONALISMO CRISTÃO

Para que fossem restaurados os primitivos e verdadeiros ensinamentos de Jesus, surgiu


o Racionalismo Cristão, em 1910, na cidade de Santos, Estado de São Paulo, que foi
codificado e explanado por Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz, cujos princípios sintetizam
a moral de todas as ciências psíquicas e filosóficas — a Verdade — como doutrina
reformadora dos nossos costumes e esclarecedora da vida espiritual e do porquê das coisas.
O Racionalismo Cristão está incumbido pelas Forças Astrais Superiores a prosseguir,
vitoriosamente, a reforma dos hábitos e costumes humanos iniciada por Jesus, esclarecendo as
criaturas sobre seu verdadeiro papel como Força e Matéria, no âmbito da vida universal.

SOLIDARIEDADE E INTEGRAÇÃO

Cooperemos no trabalho construtivo e útil do operário, do trabalhador rural, do artífice,


do dirigente, do comerciante, do intelectual, porque o serviço de uns completa a tarefa de
outros, visto que o homem, isoladamente, nada pode fazer e para viver precisa do
entrosamento das idéias, da cooperação e dos conhecimentos dos seus semelhantes, pois tudo
lhe vem de fora pela intuição, assimilação e permuta.
Até mesmo biologicamente não podemos viver em estado de isolamento, porque há
constantes trocas dos elementos que constituem o corpo físico, para a conservação da vida.
O ar que respiramos agora já foi muitas vezes respirado por outros seres viventes; a
alimentação que ingerimos se compõe dos corpos simples da natureza, que vão alimentar as
nossas células orgânicas; a água com que nos deleitamos é um composto binário de
hidrogênio e oxigênio, os quais antes de se combinarem já haviam beneficiado outros seres...
Só a realidade espiritual nos pertence, individualmente, aqui na Terra, visto que o espírito está
fora das leis da física e da química, que combinam, transformam ou isolam os elementos
simples da natureza.
A alma é Força, Luz, Inteligência. Nosso corpo físico se desagrega, voltando cada
elemento que o compõe à sua fonte de origem — a Matéria. O espírito ascende ao Criador, de
onde partiu para acionar o seu progresso e o dos inumeráveis mundos em evolução. Após
sucessivas reencarnações e através das diversas categorias evolutivas, que vai galgando por
meio da luta, do sofrimento, do trabalho e do saber, alcança a perfeição, confundindo-se com
o Todo, sem perder a sua individualidade, no trabalho eterno e maravilhoso do Universo.
(São Paulo, maio/1954)
UM POVO FORÇADO À GUERRA
Segundo a história pátria, a Batalha de Tuiuti, travada em 24 de maio de l866, foi a
maior da Guerra do Paraguai. Nessa memorável batalha, o glorioso Exército do Brasil foi
comandado pelo intimorato General Osório, saindo os brasileiros vitoriosos.
Durante essa fase da guerra contra os paraguaios, os brasileiros eram comandados por
Osório, os argentinos por Mitre e os uruguaios pelo General Flores. Somente em 1866
começou a ofensiva dos aliados da Tríplice Aliança; partindo de Corrientes, os aliados
atravessaram o rio Paraná, ganharam a batalha do Estero Bellaco e em sangrenta luta
desenrolou-se a célebre Batalha do Tuiuti, destacando-se os brasileiros pelo seu heroísmo e
denodo, razão por que comemoramos a maior batalha travada na América do Sul com orgulho
e reverência aos feitos épicos dos nossos patrícios, como gratidão da pátria aos que por ela
lutaram e morreram.
As Forças Armadas do Brasil, nas guerras em que foram forçadas a combater, sempre se
portaram com heroísmo e humanidade.
As batalhas travadas com os paraguaios e outros povos atestam a coragem e a grandeza
dos nossos soldados, que, vencedores, trataram os inimigos com urbanidade e respeito,
demonstrando, assim, alto espírito de solidariedade humana.
Com isso o Brasil conquistou a admiração de todos os povos e de todas as nações,
porque, vencendo, não humilha, não odeia, e não despoja os vencidos; pelo contrário, perdoa
e até ajuda a quem injustamente o atacou.
Criança, ama com fervor esta terra brasileira, cujo povo é patriótico e valente quando
ferido nos seus brios, na sua soberania, na sua liberdade, e quando vê o solo pátrio
desrespeitado.
Não conquistamos, pela força, terra de outros povos, porém preservamos nosso
território nacional.
Por ocasião do centenário da Batalha de Tuiuti, evoquemos, enternecidamente, a
memória daqueles heróis que lutaram e morreram em defesa do Brasil.
(São Paulo, maio/1966)
A PERSONALIDADE DE ANTONIO COTTAS
Antonio do Nascimento Cottas foi um cidadão universal, foi um sábio, filósofo, foi uma
criatura que dedicou a sua vida ao bem comum da humanidade, e o fez de forma que projetou
a sua personalidade no cenário do Racionalismo Cristão e fora dessa Doutrina como estrela de
primeira grandeza.
O Racionalismo Cristão muito deve a Antonio Cottas, que o consolidou sem aluir os
princípios basilares codificados por Luiz de Mattos, com o integral apoio de seu grande amigo
Luiz Alves Thomaz.
As modificações que foram introduzidas na Doutrina partiram do Astral Superior, por
meio da Casa Chefe, que é o único órgão competente para introduzir quaisquer alterações nos
trabalhos disciplinares.
Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz fundaram o Racionalismo Cristão em 1910, na
cidade de Santos, ficando Luiz de Mattos na direção da Doutrina durante dezesseis anos; após
a sua desencarnação, assumiu a Presidência Astral do Racionalismo Cristão, ficando Luiz
Thomaz como Presidente material do Filiado de Santos; este, após o seu falecimento, assumiu
a Presidência Astral desse Filiado.
Antonio Cottas ficou na Presidência material do Racionalismo Cristão durante
cinqüenta e sete anos e, após sua desencarnação, assumiu a Presidência Astral da Doutrina,
com a ascensão de Luiz de Mattos a outras esferas mais evoluídas. Como vemos, Antonio
Cottas foi o substituto do grande Mestre Luiz de Mattos, tanto no plano físico como no
espiritual. Ninguém, em sã consciência, pode criticar Antonio Cottas, em virtude dos seus
altos méritos e da sabedoria com que agiu, sempre dentro do bom senso e da ponderação, com
lucidez mental e com superioridade.
Eis uma pequena súmula da vida grandiosa de Antonio do Nascimento Cottas. Fizemos
este breve relato, porque alguns companheiros novos não conhecem bem a vida do atual
Presidente Astral do Racionalismo Cristão.
RIO DE JANEIRO
Formosa metrópole, és, segundo dizem os turistas, dentre as cidades do mundo, a mais
bela e encantadora.
Ó linda ex-capital do Brasil, és uma das mais belas maravilhas da Terra e uma das obras
mais perfeitas da natureza.
Da tua baía, de extraordinária beleza, e dos píncaros verdejantes dos teus morros
descortina-se um panorama que extasia e arrebata o visitante.
Ítalo Balbo, general-aviador italiano, referindo-se ao teu céu e ao teu sol, disse:
Cielo d’oro... È la parola. Il sole, il più bel sole del mondo.
Rio, ver-te e saber admirar a tua beleza incomparável é ficar-se pensando que no teu
solo existiu o imaginário paraíso bíblico...
Também possuis belezas artificiais, que se confundem com as naturais, pois os teus
habitantes procuraram dignificar a grande obra do Criador, tornando-te cada vez mais linda.
Espiritualmente, também possuis indescritíveis belezas, porque as Forças Astrais
Superiores, atraídas pelas correntes mentais organizadas aí, na sede mundial do Racionalismo
Cristão, espargem aurifulgentes, cambiantes e policrômicas luzes na tua atmosfera, para
torná-la diáfana, em benefício dos habitantes do planeta Terra.
(São Paulo, maio/1961)
PALESTRA NA ASSOCIAÇÃO ANTIALCOÓLICA DE SÃO PAULO
Honrados com um convite para assistirmos às solenidades comemorativas do décimo
segundo aniversário de fundação desta humanitária e patriótica Associação, aqui estamos para
trazer os nossos aplausos por tudo que esta benemérita sociedade tem feito nos seus doze anos
de existência para combater um dos maiores inimigos da humanidade — o álcool.

OBRA DE PURO CRISTIANISMO

É, realmente, obra de puro cristianismo e de sã moral a recuperação de uma criatura que


se desviou do cumprimento dos seus deveres para consigo mesma, para com a família, a
sociedade e a pátria, vencida pelo alcoolismo. E é finalidade precípua da Associação
Antialcoólica recuperar o alcoólatra e torná-lo um cidadão normal e útil a si e à coletividade.
Vivemos numa época em que os vícios se propagam de uma forma alarmante e
avassaladora, o que está causando grandes preocupações às pessoas ponderadas e de bom
senso. Assim, muito nos alegra ver homens que já sofreram as conseqüências maléficas do
etilismo alçarem, hoje, uma bandeira de combate e de esclarecimento contra o alcoolismo,
cujos resultados têm restabelecido muitos lares e trazido inúmeras criaturas ao seio da família
e ao trabalho.
Os componentes da Associação Antialcoólica, que já sentiram no próprio organismo os
efeitos danosos do alcoolismo, estão, portanto, bem credenciados para dizer aos que ainda se
embriagam o que lhes reserva o futuro, se não se libertarem do álcool quanto antes.

NUNCA É TARDE

Nunca é tarde para o homem aprender as boas lições da vida, corrigir os seus defeitos e
dominar os seus vícios. Mui feliz aquele que consegue fazê-lo, mesmo que já esteja em idade
bem avançada, porque assim não terá a grande tristeza de terminar os seus dias como um
vencido, inútil e algoz de si próprio.
Senhores da Associação Antialcoólica, a pátria e a sociedade vos serão agradecidas pela
vossa nobilitante campanha de soerguimento daqueles que ainda têm a infelicidade de ser
escravizados pelo vício do álcool.
Cada alcoólatra recuperado é mais um brasileiro que se levanta para lutar pela grandeza
da nação. Cada alcoólatra que se reabilita é mais uma criatura que volta feliz ao aconchego da
família. Cada alcoólatra que se regenera é mais um ser humano que deixa de ser um
indesejável ou um parasita do Estado para tornar-se um obreiro do bem, da ordem e do
progresso.

CEIFANDO VIDAS

Médicos, cientistas e pessoas de bom senso apregoam, desde há muitos séculos, que o
vício do álcool é, inegavelmente, uma desgraça que flagela os povos.
É triste vermos ainda em pleno século vinte o álcool continuar ceifando vidas,
povoando penitenciárias, enchendo hospitais e causando verdadeira calamidade social.
Não obstante o quadro tétrico e desolador que observamos todos os dias, há,
infelizmente, aliás em grande número, os defensores das bebidas alcoólicas, que procuram
com artimanhas encobrir os malefícios causados pelo alcoolismo.
Tempo virá, quando a maioria da humanidade tiver uma educação racional, científica e
mais espiritualizada, em que o vício do álcool será combatido oficialmente, como acontece na
época presente com o das substâncias entorpecentes.
Quem vive numa grande metrópole e acompanha diariamente a crônica policial fica
estarrecido com os inúmeros crimes e suicídios praticados sob a ação do álcool. São criaturas
que se matam! São irmãos que se trucidam! São lares que desmoronam! São crianças que
ficam na orfandade e no abandono! São mulheres que entram para a viuvez e para a miséria!
São cadeias e hospitais que se enchem de homens, que deixam de trabalhar para a manutenção
da família e para o progresso do país, tornando-se, assim, parasitas da sociedade.

DEGENERAÇÃO

Existe ainda essa chaga moral, porque a própria sociedade não procura, pela educação,
coibir o fabrico e o uso de tão maléfica substância.
O álcool atrofia as células orgânicas, embrutece a inteligência, obceca o espírito e
transmite às gerações o estigma da degenerescência física e moral.
O grande médico brasileiro Miguel Couto assim se expressou:
“O álcool é o maior agente de degeneração do indivíduo e da raça; a todos os tecidos
ele ataca e a todos degenera; mas, se a um deles se tivesse de designar como preferido para
as suas devastações, seria o sistema nervoso — desde o delírio agudo até o delirium tremens
e a demência alcoólica.
Aí temos, meus amigos, o sábio veredicto do grande e saudoso Miguel Couto.
Infelizmente, o vício do álcool está contaminando o belo sexo, tirando-lhe a
feminilidade que lhe é característica, porque a mulher que se diz chic e partidária de
modernismos quer ter excessiva liberdade, procurando imitar o homem até mesmo nos seus
erros e desatinos.
Vemos parte da mocidade de hoje transviada das boas normas familiares pelo fato de
seus pais lhe darem maus exemplos e não manterem aquela disciplina austera e carinhosa e o
respeito, que são o sustentáculo da família.

QUATRO INIMIGOS

Há, no Brasil, quatro inimigos acérrimos do seu povo: o álcool, o fumo, o jogo e a falta
de instrução; portanto, é obra de moralidade e de elevado patriotismo combatê-los
racionalmente, se quisermos uma raça forte e varonil e uma nação próspera, culta e
verdadeiramente cristã.
Para o bom desempenho dos nossos deveres neste mundo, temos que controlar o
pensamento, a vontade e o livre-arbítrio; essas faculdades formam a linha mestra de nossas
ações, para o bem ou para o mal.
A vontade é a concentração do pensamento num determinado objetivo, com o firme
propósito de realizá-lo, e quanto mais forte for a vontade, maiores possibilidades teremos de
êxito. Disse alguém:
A vontade é potência biomagnética inteligenciada, é energia em ação, é o dínamo
psíquico.
O viciado deve, pois, reagir, procurando ter vontade forte contra o desejo de beber,
visto que, como espírito que é, partícula do Criador, não deve escravizar-se a esse degradante
vício, e o segredo está justamente no pensamento e na vontade. Saber querer é poder, e quem
domina as suas imoderações é poderoso e feliz.

AOS PAIS E PROFESSORES

Aos pais, às mães e aos professores dirigimos veemente apelo, que fazemos com a alma
entristecida, no sentido de que orientem, disciplinem e procurem livrar os seus entes queridos
e a juventude escolar dos vícios do álcool, do fumo, das substâncias entorpecentes e do jogo,
que, a cada instante, infelicitam muitas criaturas que poderiam ser úteis a si mesmas, à família
e à coletividade.
Homens e mulheres de nossa pátria, evitai e combatei os vícios, os maus hábitos, as
crendices, a intolerância, o fanatismo e todos os preconceitos, que amanhã poderão tornar os
vossos filhos doentes, imprestáveis, maus ou criminosos. Lembrai-vos de que tendes grande
responsabilidade, de ordem moral e espiritual, na educação dos vossos filhos, que serão mais
tarde os dirigentes do país e cooperadores do progresso e da confraternização dos povos.
Somos seres universais em conquista, aqui na Terra, da nossa evolução, a qual se
processa pela luta, pelo trabalho, pela experiência, pela aprendizagem e pelo aprimoramento
das nossas faculdades morais e espirituais.

CONDECORADOS

E, terminando, queremos apresentar aos novos condecorados as nossas efusivas


congratulações pela grande vitória que alcançaram contra o alcoolismo, graças aos seus
esforços e à sua vontade, para se libertarem de tão terrível vício.
Podemos dizer que os novos condecorados renascem agora para a família, a sociedade e
a pátria, e oxalá seu nobilitante e humanitário exemplo sirva aos que ainda são dominados
pelo álcool.
A todos, os nossos sinceros parabéns e votos de felicidade.
(São Paulo, março/1962)
DEGRADAÇÃO MORAL
Em boa hora está sendo intensificada pelas autoridades e pelos meios de divulgação
uma campanha educativa e esclarecedora contra o uso indiscriminado das substâncias
entorpecentes em nosso país, para livrar a nossa juventude da degenerescência física e da
degradação moral; portanto, tão humanitária e patriótica campanha contra o uso e o tráfico de
drogas deve merecer o apoio irrestrito de todas as pessoas sensatas.
Há poucos dias, um delegado de polícia, em palestra para professores e alunos, disse, na
Universidade de Brasília, que cinqüenta por cento dos jovens do mundo inteiro estão usando
drogas e que já existem até livros de culinária que ensinam a fazer a comida em que um dos
condimentos é a droga. E afirmou ainda o delegado de Brasília que estão sendo usados os
mais capciosos métodos para o tráfico de drogas entorpecentes, até mesmo por via postal:
“Uma jovem de Brasília recebeu um cartão de uma amiga dos Estados Unidos impregnado de
LSD; a destinatária dissolveu uma mancha do cartão e fez um ”chazinho” para tomá-lo”.

MULHER

Segundo esse delegado, as mulheres são as mais prejudicadas com o vício das drogas.
Essas declarações são realmente tristes e estarrecedoras, porque o uso de tóxicos, além dos
seus grandes malefícios à saúde e à moral, está, também, relacionado com o sexualismo tão
difundido hoje, sem nenhum respeito à decência e aos bons costumes, propiciando, em
conseqüência, a prostituição em escala alarmante.
Um escrivão de polícia, em Campinas, Estado de São Paulo, proferiu palestras contra a
delinqüência infanto-juvenil e, com mais de cinqüenta conferências pronunciadas nas escolas,
o índice de consumo de tóxicos naquela progressista cidade paulista caiu trinta por cento.
Como se vê, campanhas educativas e esclarecedoras contra os tóxicos devem ser feitas
nos lares e nas escolas de todos os níveis, e os resultados serão bem positivos, como no caso
de Campinas.
A atual lei penal incrimina quem vende, quem conduz e quem consome substâncias
entorpecentes, pelo fato de que sem viciado não haveria tráfico; entretanto, parece-nos
racional que, além da pena prevista em nosso Código Penal, procure-se curar o viciado, a fim
de que ele volte à sociedade completamente restabelecido das alterações físicas e psíquicas
que naturalmente sofreu.

DESCASO

O que está ocorrendo com a mocidade de todo o mundo é uma conseqüência do descaso
com que ela é tratada no lar e na escola, com excesso de liberalismo, falta de autoridade e de
bons exemplos daqueles que não sabem ter força moral para orientar bem os seus filhos ou os
seus alunos contra os vícios e a indisciplina.
A sã moral e a boa educação da juventude dependem da conjugação de esforços e de
autoridade dos pais e dos professores, visto que, sem o entrosamento do lar e da escola para a
formação moral e intelectual do jovem, os esforços isolados serão insuficientes e, quando
antagônicos, perigosos.
Em nome do modernismo, da arte e da cultura se cometem, hoje, os maiores atentados
contra o pudor e o bom senso, cujos preceitos levam a criatura a um viver dignificante e
harmonioso entre os seus semelhantes.
É preciso, pois, haver uma reação educativa e esclarecedora contra esse lamentável
estado de coisas; do contrário, cairemos no caos da imoralidade e da degenerescência e,
assim, não poderemos salvaguardar a família, que, em vez de célula agregadora da
coletividade humana, tornou-se núcleo dessa psicose que avassala o mundo.
(São Paulo, dezembro/1970)
SER RACIONALISTA CRISTÃO
Ser racionalista cristão é compreender a vida dentro da sua realidade, sem fantasias e
sem devaneios.
Ser racionalista cristão é desprender-se das amarras do materialismo, dos maus hábitos
e dos vícios.
Ser racionalista cristão é ter disciplina, é ser ordeiro e dedicado à Causa, que
espontaneamente abraçou como um meio de ativar a sua evolução.
Ser racionalista cristão é ser tolerante e agir dentro da razão e do bom senso; é ser
verdadeiro em pensamento e ações.
Ser racionalista cristão é assumir a responsabilidade de cumprir fielmente os princípios
e a disciplina do Racionalismo Cristão, não faltando às suas reuniões sem um motivo
justificável, inclusive às do segundo sábado de cada mês.
Ser racionalista cristão é cumprir o que determinam o livro Prática do Racionalismo
Cristão, as decisões da Presidência e da Diretoria, e tratar com respeito os companheiros.
Ser racionalista cristão é ter amor à Verdade, sem sentimentalismo e sem preconceitos,
que inferiorizam a vida neste mundo-escola, de aprendizagem, que é o planeta Terra, porque
todos nós aqui estamos em missão de resgate de nossos erros e de nossas imperfeições, desta
e de encarnações passadas.
(São Paulo, setembro/1988)
AINDA SOBRE ALIMENTAÇÃO
Todos os animais têm, por natureza e instinto, o seu próprio alimento. O homem tem
nos cereais, nas verduras e nos frutos amadurecidos naturalmente pelo calor do Sol o alimento
tal como lhe convém e lhe é destinado; mas o ser humano não se contentou com isso e numa
injustificável e criminosa gulodice passou a fritar, assar, beneficiando e refinando as
substâncias nutrientes, as quais, submetidas a tais processos, se tornam impróprias à
alimentação, por terem sofrido modificações na sua estrutura e na sua integridade — por
exemplo, o açúcar refinado, o arroz beneficiado, a farinha de trigo alvejada e outros cereais
submetidos a processos destinados a melhorar a aparência dos produtos, como se lhe fosse
permitido alterar pela gula ou interesse as leis da natureza, sem sofrer as conseqüências por
esses desatinos, pois toda ação provoca uma reação.

DIVERGÊNCIAS

A civilização contemporânea alterou a vida natural segundo a qual o homem deve viver,
tornando-se difícil seguir rigorosamente as normas da sobriedade e da morigeração indicadas
pela própria natureza.
Qual é, portanto, a alimentação mais conveniente ao ser humano? Há muita divergência
a esse respeito. Na natureza, os animais estão divididos em três grupos em relação à forma de
alimentar-se: o primeiro grupo denomina-se zoófago, que se alimenta de outros animais; o
segundo grupo chama-se fitófago, que se alimenta de vegetais; e o terceiro grupo é o dos
onívoros, que se alimentam de animais e vegetais, como o homem.
No regime onívoro, que é o mais adotado, deve-se alimentar sóbria e moderadamente,
em conformidade com a nossa constituição física, com as nossas atividades, para que não haja
um desequilíbrio por falta de calorias ou por acúmulo de energia, que se transforma em
gorduras.
Segundo Caldas Aulete, os macróbios eram um povo fabuloso que os antigos
imaginavam existir no Egito, na Índia ou na África Ocidental. Esses indivíduos viviam até mil
anos, devido a seu regime alimentar.
Foi adotada nos Estados Unidos uma dieta denominada “regime dos astronautas”, em
que se reduz ao mínimo possível a ingestão de substâncias ricas em hidratos de carbono,
responsáveis pela obesidade. As substâncias ricas em hidratos de carbono são os amidos ou
amiláceos e os açúcares. O amido é fécula ou pó de cereais, como a farinha de trigo, que nos
fornece o pão, o macarrão e outras comidas saborosas.
Os hidratos de carbono, compostos de hidrogênio, oxigênio e carbono, facilmente se
transformam em energia calorífica, que é o combustível do corpo humano. Como qualquer
máquina, o homem necessita de uma determinada dose de energia para poder movimentar-se.
Se for pessoa calma e de vida sedentária, precisará de menos energia do que a pessoa que se
movimenta muito, andando, correndo, fazendo exercícios e tendo, enfim, uma vida de
esforços e trabalhosa.
Ora, se essas duas espécies de pessoas ingerem a mesma quantidade de hidrato de
carbono, uma estará consumindo energia de forma desproporcional e, neste caso, estará
armazenando energias sob forma de hidrato de carbono, que se acumula nos tecidos
conjuntivos, nos líquidos intersticiais e no sangue, transformando-se em gordura, como
podemos ver em certas pessoas, que, se não fizerem uma dieta apropriada, marcharão para a
obesidade.
OPÇÃO PELA CARNE

A criatura humana de hoje é carnívora por costume e não por necessidade fisiológica.
Ao contrário dos seus ancestrais, o homem moderno dispõe de meios mecânicos, técnicos e
científicos para lavrar a terra e dela tirar todos os alimentos para a sua subsistência, sem
sacrificar a vida de animais, porque a constituição do corpo humano não é apropriada para
receber alimento carnívoro.
Já na velha e lendária Índia, alguns séculos antes de Cristo, o iluminado e grande Buda
se preocupava com a alimentação humana e dizia:
Feliz seria a Terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só
se alimentassem de alimentos puros, sem derramamentos inúteis de sangue. Os dourados
grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas, que nascem para todos, bastariam para
alimentar e dar fartura ao mundo.
A alimentação carnívora, rica em gorduras e proteínas facilmente deterioráveis, intoxica
o nosso organismo, aumentando o colesterol em nossas artérias a ponto de obstruí-las,
causando a morte. A carne também produz muita acidez e excitação no organismo humano e
se putrefaz quatro vezes mais do que os vegetais; por aí se vê a sua nocividade.
A FAU, organismo da ONU, se ocupa do problema da alimentação mundial e preconiza
um sistema de alimentação equilibrada, na qual proteínas, hidratos de carbono, açúcares e
gorduras estejam nas proporções necessárias. Quando se mata o animal, interrompe-se o
processo de eliminação e neutralização das toxinas, que iam ser eliminadas pelo aparelho
urinário e por outras vias excretoras e ficam retidas nos tecidos da carne, impregnando-a de
substâncias nocivas à nossa saúde, como a uréia, o ácido úrico e outros. Diz um provérbio
popular que a criatura humana morre pela boca, isto é, quando ingere substâncias nocivas e
tóxicas como a carne.
TABAGISMO, SUICÍDIO LENTO
É lamentável e inconcebível que em pleno declinar do século vinte, chamado das luzes,
a criatura humana ainda pratique, embora lentamente, o suicídio pelo fumo, conscientizada de
que está concorrendo para diminuir os seus dias de vida, e o faz por falta de domínio próprio
para evitar tão maléfico e desagradável vício, que avassala todas as camadas sociais.
Das investigações feitas por médicos e centros de pesquisas altamente categorizados de
todo o mundo, chegou-se à triste conclusão de que o vício do fumo é por demais nocivo à
saúde.
Campanha de caráter público contra o tabagismo teve início na Inglaterra, em 1962,
pelo tradicional Colégio de Médicos, fundado há mais de quatrocentos e cinqüenta anos. O
relatório destinado aos médicos e leigos diz que “fumar cigarros é uma das causas do cancro
do pulmão e da bronquite, contribuindo provavelmente para a evolução de doenças cardíacas
das coronárias e de várias doenças incomuns”.
O grito de alarme lançado pelo prestigioso Colégio de Médicos da Grã-Bretanha
repercutiu na América do Norte, de maneira que o Departamento de Saúde dos Estados
Unidos, depois de grande batalha publicitária entre as autoridades sanitárias e os industriais
do fumo, conseguiu a criação de uma lei que adverte o fumador, no próprio maço de cigarros,
de que o hábito de fumar pode matar ou encurtar a vida.

VEZ DO BRASIL

Agora chegou a vez do Brasil na campanha contra o cigarro. O lançamento dessa


humanitária campanha de cunho universitário foi iniciada na PUC, por meio do seu Centro de
Ciências Médicas e Biológicas.
A PUC é talvez a primeira universidade do Brasil a atender às recomendações da
Organização Mundial da Saúde, lançando uma campanha de esclarecimento sobre os perigos
do uso do cigarro.
Segundo o ilustre professor José Rosemberg, da PUC, as fábricas de cigarro e os trustes
do tabaco “elegeram o terceiro mundo como mercado potencial a ser explorado,
principalmente a América Latina, resultando daí os altos investimentos em publicidade para
conquistar a juventude, levando-a ao vício de fumar”. Isso, possivelmente, por nos julgarem
subdesenvolvidos e sem a devida maturidade para discernir...
Afirma ainda o professor Rosemberg que ”mais de mil e duzentas substâncias isoladas
do fumo são tóxicas para os aparelhos respiratório e circulatório, enquanto outras isoladas do
alcatrão do cigarro têm elevado potencial cancerígeno. Os que começam a fumar aos vinte e
cinco anos de idade, consumindo até um maço de cigarros por dia, têm a vida encurtada em
4,6 anos, chegando a 8,3 anos para os que fumam mais de dois maços diários”.
“Também está suficientemente demonstrado”, diz ainda o professor Rosemberg, “que a
inalação do fumo durante a gravidez causa inúmeras deficiências aos recém-nascidos, bem
como aumenta significativamente a incidência de aborto, prematuridade, natimortalidade e
mortalidade neonatal, sobretudo quando as mães fumam depois do quarto mês de gestação.
As crianças podem sofrer os efeitos passivos do fumo de cigarro, sobretudo no primeiro ano
de vida, quando são particularmente sensíveis e ficam expostas a maior incidência de
bronquite, broncopneumonia e outras manifestações respiratórias, verificando-se que, em
ambiente onde se fuma, a incidência dessas doenças é de duzentos por cento em relação a
ambientes onde não se fuma”.
Eis, aí, um alerta para as senhoras mães.
Oxalá a campanha ora iniciada pela PUC de São Paulo contra o tabagismo seja seguida
pelas demais universidades brasileiras e por outras instituições educativas, para esclarecer a
mocidade escolar sobre o perigo letal do cigarro, e que o governo federal proíba a propaganda
ostensiva e atraente do uso do cigarro, mormente pela televisão, para melhor salvaguardar a
saúde do nosso povo.
O vício do fumo, além de prejudicar a saúde, é anti-higiênico, porque o fumador exala,
sem sentir, um cheiro bem desagradável para os que não fumam, minando e poluindo o
ambiente com a fumaça impregnada de sarro, nicotina e gases venenosos e irritantes.
É um verdadeiro crime contra a saúde, o bem-estar da família e da coletividade e
também um atentado contra a economia popular o vício do fumo, visto que o fumador queima
dinheiro inutilmente, deixando, às vezes, de comprar o indispensável para alimentar os filhos.
O fumador é um suicida e virtualmente contribui para o genocídio da nossa gente,
embora sem nenhum desejo de atentar contra a sua própria vida e a dos seus semelhantes,
porque ele se tornou escravo desse vício perigoso, sem raciocinar bem e medir as
conseqüências do uso que faz de tão maléfica substância, que é o fumo.
Fazendo mau uso do seu livre-arbítrio, a pessoa pode, imprudentemente, praticar a sua
autodestruição, porém não tem o direito de intoxicar o organismo de outrem com o fumo do
seu cigarro.
É preciso mais respeito e amor à vida humana.
O leitor fumante talvez indague como poderia deixar o vício do fumo, e, desde já, lhe
respondemos que, emitindo pensamentos positivos contra o cigarro e fortificando bem a
vontade, haverá de vencer esse vício maligno, porque saber querer é poder.
INTOLERÂNCIA, ATAVISMO TRIBAL
É lamentável que ainda em nossos dias exista intolerância política, social e religiosa
entre o povo de um mesmo país, como acontece na Irlanda do Norte, Chipre e outros.
Numa nação civilizada não deve existir antagonismo entre os povos que deram origem à
sua nacionalidade. Os habitantes de um país precisam entrelaçar os seus costumes, como
também falar bem o mesmo idioma pátrio, a fim de que haja mais concórdia e melhor
compreensão, evitando a formação de quistos raciais.
Formamos aqui no planeta Terra uma grande família humana, em que cada um de nós
pertence, eventualmente, a um país, a uma raça, a uma determinada cultura, mas, em essência
e origem, somos todos irmãos, escolares de um mesmo mundo e habitantes de um só
Universo.
Por bom senso e necessidade, cumpre a quem adotar uma nova pátria assimilar os seus
costumes e a sua língua nacional, mormente quando na sua nova terra imperam a liberdade de
pensamento e de ação e o respeito à dignidade humana, o que demonstra noção de justiça,
bondade e espiritualidade desse povo.

UNIFICAÇÃO DE RAÇAS

Os portugueses não foram apenas grandes descobridores de terras, mas também grandes
unificadores de raças, como o fizeram no Brasil, plasmando uma nova raça entre índios,
negros e brancos, e dessa estirpe varonil têm saído grandes homens, como Gonçalves Dias,
Machado de Assis, Luís Gama, André Rebouças e inúmeros outros, que engrandeceram a
política, a ciência, a literatura e as artes brasileiras.
Os povos que se isolam e se conservam em grupos étnicos, ideológicos, lingüísticos ou
sectários não perceberam ainda, no plano histórico e evolutivo, a sua missão como integrantes
da humanidade, aqui na Terra.

XENOFOBIA

Tais povos ainda se deixam dominar pelo instinto atávico ou tribal, ou pela mística de
uma ideologia e de um nacionalismo extremado na intolerância, no jacobinismo e nos
preconceitos que os inibem de viver em completa confraternização com outros povos.
A xenofobia é um estado de ignorância e de primitivismo em que a pessoa vê nos
estrangeiros ou nos indivíduos de outras origens desafetos ou inimigos.
Nenhuma nação cresceu e prosperou sem o estímulo e a ajuda de outras nações, porque
é pelo intercâmbio comercial, pelos investimentos de capitais, pelo turismo, pela
transplantação da ciência, da cultura e da tecnologia que os países se aproximam e melhor se
entendem por interesses recíprocos.
Os portugueses, ancestrais dos brasileiros, deram provas de humanismo e de
fraternidade unindo pelo sangue as raças de três continentes, que formaram este nosso imenso
e querido Brasil, que é uma escola de alta espiritualidade e logo mais será, também, o oásis do
mundo.
Devemos agradecer sempre aos lusitanos e aos seus descendentes, que formam a
maioria da população brasileira, o fato de não terem implantado em nosso país idéias de
segregação racial e de intolerância de credos, tão nocivas ao bem-estar e à integridade de uma
nação, onde todos devem ser iguais perante as leis, como cidadãos que lutam e trabalham pelo
seu progresso, pela sua independência, pela sua grandeza.
COMPANHEIROS INSEPARÁVEIS
O álcool é veneno lento que deforma e mata. O fumo e o álcool são dois inimigos do
homem, são dois vermes que lhe vão corroendo as células até arruiná-las completamente.
(Maria Cottas)
Médicos, cientistas, espiritualistas e pessoas de bom senso apregoam, desde há muito,
que os vícios do fumo e do álcool são, inegavelmente, duas desgraças que flagelam os povos.
É triste, e revoltante mesmo, em pleno século vinte, o álcool continuar degenerando
grande parte da humanidade, obsedando-lhe o espírito.
Há, infelizmente, os defensores, aliás em grande número, das bebidas alcoólicas, que
procuram com artimanhas encobrir os grandes malefícios causados pelo alcoolismo, dizendo
que uma “pinguinha” com limão não faz mal a ninguém e que apenas serve para esfriar ou
esquentar a temperatura do corpo... Com essa e outras desculpas ilógicas vão ingerindo esse
líquido corrosivo e embriagador como se fosse uma substância nutritiva e alimentar.
Vemos pessoas, que se dizem civilizadas e possuidoras de bom senso, preparar
coquetéis ou aperitivos alcoólicos para ingerir às refeições; entretanto, essas criaturas sabem,
têm certeza, que o álcool, quando tomado de forma imoderada ou constante, é causador de
uma infinidade de misérias físicas e morais.
O álcool e o fumo atrofiam as células orgânicas, embrutecem a inteligência, obcecam a
alma e transmitem às gerações o estigma da degenerescência.

CÂNCER

A ciência médica afirma que o câncer, uma das mais terríveis doenças que acometem o
gênero humano, se desenvolve mais freqüentemente entre os fumantes, pela irritação
produzida pelo fumo nos lábios, na língua, na mucosa bucal, no estômago, nos pulmões, etc.
Evite, meu caro fumante, que o câncer o atinja, deixe imediatamente de fumar e não
pense jamais em contrair tão impiedosa doença.
Lembre-se de que, todos os dias, muitas vidas são roubadas, prematuramente, pelo
terrível carcinoma.
Não seja, pois, o assassino de si mesmo, evite quanto antes os vícios do álcool e do
fumo, e sentindo qualquer alteração ou anormalidade no seu organismo procure logo um
médico de sua confiança para examiná-lo, porque o câncer no seu início é curável.
Afirma um cientista e médico francês que o fumo é tão prejudicial à saúde quanto o
álcool, e conclui o sábio gaulês que, segundo experiências que fez com o alcalóide do tabaco
— a nicotina —, essa substância venenosa é, realmente, responsável por inúmeras
enfermidades, porque vai lentamente intoxicando o organismo do fumante, sem que este o
perceba.

DUPLA PERNICIOSA

O álcool e o fumo, companheiros quase sempre inseparáveis, formam a dupla mais


perniciosa à espécie humana.
A higiene condena o álcool e o fumo, porque esses venenos alteram a saúde; a moral
também os condena, visto que os viciados não têm vontade própria, não se dominam e,
portanto, não podem fazer bom uso do seu livre-arbítrio.
Viciado amigo: quando sentir desejo de fumar ou beber reaja, dizendo: não fumarei ou
não beberei, porque, como espírito que sou, partícula do Todo, não devo escravizar-me a tão
humilhantes vícios.
Meu caro fumante ou alcoólatra: esses vícios provêm do mau hábito, da falta de vontade
e de uma educação nada racional, e as sensações sentidas nas suas células orgânicas são
alimentadas pelos seus desejos incontrolados e pelos seus pensamentos desarmoniosos.
Portanto, depende somente de você deixar esses vícios, aliás impróprios para um ser
humano que se honra da sua individualidade como centelha mais evoluída da Inteligência
Universal, visto que uma criatura embriagada perde a noção dos seus deveres, a sua reputação
e o respeito dos seus semelhantes.
O bêbado é, enfim, um trapo humano, cujo caráter desmoronou e cuja alma vive nas
trevas...
(São Paulo, outubro/1954)
MEDO, FLAGELO DA HUMANIDADE
O medo é realmente um flagelo da humanidade pelo terror que causa às criaturas e aos
governos de serem atacados e, como medida preventiva, se armam para defender-se ou para
atacar.
A falta de confiança em si gera na criatura o medo, gera a timidez, gera a suspeita em
seus vizinhos ou nos seus rivais ou ainda em seus concorrentes comerciais.
Como seria bom o mundo Terra se não houvesse aqui o medo, como seria agradável se
todas as pessoas vivessem fraternalmente e confiantes na justiça, na razão, no direito, e no
bom senso. Então, a vida terrena tornar-se-ia de plena compreensão e de respeito mútuo entre
as criaturas, para a felicidade de todos.
O medo deprime, acovarda e leva a criatura a cometer os mais hediondos crimes, para
não se defrontar com a realidade. Por medo, o indivíduo comete, às vezes, as maiores
estripulias, porque não tem a coragem necessária para agir com ponderação e espírito de
justiça, não tem a calma precisa para dialogar e resolver as suas divergências ou a sua maneira
de interpretar os fatos, razão por que lança mão da violência como meio de intimidar os seus
contendores.

CAUSAS

O medo é o reverso da coragem. A coragem é um atributo que nos leva a agir com
moderação e prudência, porém com firmeza e valor diante da ameaça de perigo.
Sendo um flagelo da humanidade, o medo tem por causas predisponentes a falta de
cultura e de uma educação esclarecedora e racionalizada. Envolto no negativismo, o medroso
não pode raciocinar com a devida clareza nem procura valorizar a sua vida, tem pensamentos
descontrolados e impuros, faz mau uso do livre-arbítrio, é egoísta, preconceituoso.
O medo é a causa das guerras, da pobreza e da ignorância; das guerras porque leva os
governos das nações a se armarem, gastando quantias fabulosas; da pobreza e ignorância visto
subtraírem dos povos, por meio de pesados impostos, taxas, monopólios e barreiras
alfandegárias, o dinheiro de que necessitam para um viver condigno e humano.

ARSENAIS

Os trilhões de dólares gastos pelas grandes potências com a fabricação e manutenção


dos arsenais nucleares e com armamentos convencionais dariam para tirar a humanidade das
garras da ignorância e da pobreza.
Vivendo sob o jugo do medo, da incultura, do egoísmo e da vaidade, a humanidade
ainda levará séculos para o desarmamento material e moral. Quando pudermos viver em paz e
harmonia no planeta Terra, estaremos esteados na Verdade, na razão e no bem comum, pois,
enquanto houver exploradores, não nos compreenderemos como Força e Matéria.
O amor é um sentimento afetivo e puro que precisa ser cultuado para aproximar os seres
humanos e as nações numa verdadeira confraternização e numa só família planetária, ainda
tão dividida e incompreendida pela diversidade de línguas e de seitas religiosas que há no
mundo, cada um querendo monopolizar a Verdade, que desconhece.
NOVO ANO

A história da humanidade nos mostra que somente sob a égide da paz, da justiça, da
liberdade, do trabalho construtivo, da concórdia e da colaboração mútua os povos têm
conseguido sobreviver, acionando o progresso para o seu próprio bem-estar.
Quão bom seria se os homens procurassem viver sempre dentro da harmonia e da
Verdade, confraternizando-se não apenas no primeiro dia de cada ano, mas em todos os dias
de todos os anos!
No 1° de janeiro, em que a maioria dos povos comemora alegremente o dia da
confraternização universal, compartilhamos também desse anseio geral de congraçamento
familiar, que se expande por toda parte com augúrios de felicidade para todos.
Pelo evento do Novo Ano almejamos dias mais bonançosos para a nossa querida pátria,
tranqüilidade e trabalho para o nosso povo e maior bem-estar para toda a humanidade, porque
somente o bem pode aproximar os homens para a grande luta de combate ao mal, que se
oculta na discórdia, no egoísmo, na indisciplina, no ódio, no orgulho, na corrupção, na
intolerância, no fanatismo e em todos os sentimentos inferiores.
No dia de Ano Bom, como em todos os dias, elevemos ao Alto as irradiações dos
nossos pensamentos de paz e o enlevo das nossas almas numa vibração uníssona pela
grandeza e prosperidade do Brasil e pelo bem comum de todos os povos deste mundo, ainda
conturbado pela falta de certos conhecimentos.
Por ocasião do Novo Ano as pessoas amigas e os próprios governantes das nações
trocam mensagens com votos de paz e felicidade. Isso é uma demonstração de que já
despertamos para uma nova era de mais espiritualidade e de mais compreensão, porque a
Verdade pode tardar, mas não falha...
Já é tempo de as nações banirem as suas discórdias e empreenderem uma ação
conjugada para acabar definitivamente com o espectro sombrio e horrendo da fome e da
guerra.

POPULAÇÃO

A população mundial cresce muito e a produção de gêneros alimentícios aumenta


pouco; por conseguinte, os governos de todos os países precisam encarar o futuro com mais
realismo, objetividade e decisão, para que as gerações futuras não maldigam a nossa
imprevidência e o nosso egoísmo, legando-lhes um mundo de pobreza e de misérias.
Segundo as estatísticas, o mundo conta atualmente com mais de três bilhões de
habitantes; só o Brasil dobra a sua população a cada vinte e três anos. Assim, teremos uma
população de cento e sessenta milhões em 1987.
Será um crime de lesa-humanidade se não lutarmos corajosamente, desde já, para
melhorar as condições materiais e morais do nosso viver aqui na Terra, visando sempre
transmitir aos vindouros ensinamentos verdadeiros e cristãos que os elevem e os orientem
racionalmente, na trajetória de suas vidas, porque um povo, não obstante ter o seu próprio
livre-arbítrio, tem a tendência de procurar seguir, talvez por atavismo, as pegadas dos seus
antepassados.
LUIZ DE MATTOS

Além de registrarmos, aqui, a efeméride do Novo Ano, queremos, também, assinalar


uma data magna — o dia 3 de janeiro —, que é bem cara aos que amam o Bem e a Verdade.
Nessa data comemoramos, com respeito e gratidão, o aniversário natalício do saudoso e
insigne Mestre Luiz de Mattos, fundador do jornal A Razão e um dos maiores benfeitores da
humanidade, pois foi incansável lutador pelo esclarecimento e pela confraternização dos
povos.
A sua obra grandiosa de espiritualidade — o Racionalismo Cristão — já está sendo
difundida por toda parte, como um farol a iluminar as trevas do obscurantismo humano.
(São Paulo, dezembro/1964)
NO TORVELINHO DAS PAIXÕES
No entrevero das paixões, as criaturas justas, boas, sensatas e cônscias dos seus deveres
para consigo próprias e para com a coletividade humana são como rochedos inabaláveis que
não cedem à impetuosidade de ondas revoltas que, bramindo e espumejando, se atiram ao seu
encontro.
A incompreensão da maioria dos povos é apavorante, e o espírito de justiça e bom senso
que preside as suas ações ainda deixa muito a desejar, ficando as criaturas à mercê de
circunstâncias ocasionais, porque elas pensam e agem dominadas pela egolatria, pelo instinto
atávico e pelo materialismo, e não se pejam de ferir a sensibilidade, a honra e o direito dos
semelhantes, levadas meramente por interesses pessoais ou de grupos ou por simples desejo
de mando, por inveja e perversidade.
Atravessamos uma época de inquietação, com os acontecimentos que se desenrolam em
diversos países, pondo em perigo a paz internacional.

ANTAGONISMO

Dir-se-ia que os homens marcham para a destruição de si mesmos nesse embate de


ideologias antagônicas e de interesses contrariados, a família humana dividida por costumes,
preconceitos e idiomas diferentes. Isso acontece por falta de espiritualidade, gerando o desejo
de o mais forte dominar o mais fraco ou imprevidente, como vem acontecendo neste sofrido
mundo.
A vida, sem liberdade de pensamento e de ação, sem o cultivo da Verdade, da honradez
e da confraternização entre os povos, é indigna para o ser racional que já se compreende como
Força e Matéria.
A guerra, a violência e o crime não compensam. Por isso já é tempo de governantes e
governados de todos os países perceberem essa grande verdade e aplicarem os seus recursos e
esforços em fins pacíficos e úteis, para tirar os dois terços da humanidade da miséria e da
fome em que se encontram.
Se as nações reduzissem em apenas cinqüenta por cento os seus gastos bélicos, em
pouco tempo acabariam com o subdesenvolvimento econômico e cultural em todas as partes
do globo.

TOLERÂNCIA

Para que exista na Terra uma paz verdadeira e duradoura, baseada no respeito mútuo e
na solidariedade humana, é mister haver mais tolerância e compreensão, para o encontro de
um denominador comum de coexistência pacífica entre os regimes políticos que,
infelizmente, dividem os povos.
Tais regimes precisam tornar-se mais justos, condescendentes e mais democráticos,
onde imperem a justiça, a ordem, a liberdade e o progresso, a fim de que todos possam
trabalhar e produzir com tranqüilidade.
Quanto ao Brasil, precisamos todos lutar, pacífica e corajosamente, para vencer essa
crise que nos assoberba, ajudando os poderes públicos a conter a inflação, a acabar com o
analfabetismo e a acelerar o desenvolvimento de todas as regiões do nosso país.
(São Paulo, maio/1980)
CONCEPÇÕES DE VIDA
Antes de falarmos, procuremos selecionar as nossas idéias pelo computador do nosso
raciocínio, a fim de não cometermos injustiça, malquerença e maledicência.
Sejamos prudentes e tolerantes, para que a nossa maneira de pensar e agir também seja
tolerada, desculpando, quando possível, os que erram por ignorância, porque igualmente já
erramos no passado ou até mesmo no presente.
Jamais condenemos alguém por simples suspeita ou por denúncia não comprovada por
pessoas sensatas, para não sermos injustos e levianos, com rancor e ódio.

JUSTIÇA VERSUS BONDADE

Quando não pudermos ser justos e bons ao mesmo tempo, devemos optar pela justiça,
porque, às vezes, praticando um ato de aparente bondade, cometemos uma ação injusta,
preterindo direitos de terceiros.
Somente com uma vivência mais íntima é que passamos a conhecer melhor o caráter de
uma pessoa, visto que a sua vida real diverge, muitas vezes, do seu viver aparente.
Procuremos no íntimo do nosso ego a alegria natural que afugenta as sombras da
tristeza, causada pelas vicissitudes próprias desta vida ou por nossos desatinos.
A vaidade, o orgulho, a malevolência e o desperdício são desvirtudes que obscurecem a
nossa espiritualização na trajetória evolutiva.

SENTIMENTALISMO

Não alimentemos, levados por sentimentalismo, vícios ou indolência dos nossos


semelhantes; auxiliemos, porém, na medida das nossas possibilidades, aqueles que realmente
necessitem da nossa ajuda desinteressada.

COURAÇA

Uma vontade forte para o bem e um pensamento racionalmente positivo para a


realização de um ideal nobre e altruísta são a melhor couraça contra o pessimismo e as más
intuições espirituais.

ESPELHO

Lembremo-nos de que não são as palavras que espelham fielmente o grau da nossa
espiritualidade e, sim, as nossas ações em todos os lugares e em quaisquer circunstâncias.

INTRIGAS

Se formos obrigados a ouvir intrigas, não as endossemos e não as transmitamos a


ninguém, procurando logo esquecê-las para que não fiquem gravadas na nossa mente.
ALEGRIAS

Procuremos, no íntimo do nosso espírito, a alegria de viver, tão necessária para


afugentar a tristeza que nos abate, irradiando bons e elevados pensamentos de positividade,
para manter o perfeito equilíbrio do nosso eu.

RAZÃO

Pensemos com moderação, raciocinemos com clareza e procuremos agir dentro do bom
senso e da razão, para nos tornarmos criaturas sensatas e cumpridoras dos deveres.

JULGAMENTOS

Para uns, temos uma moral impoluta, e, para outros, um caráter duvidoso, porque as
pessoas, quando levadas pela paixão, por ódio ou por um sentimentalismo enfermiço, não
julgam baseadas na verdade.

COMPREENSÃO DA VIDA

Não obstante as agruras próprias deste mundo de lutas, sofrimentos e aprendizagem, a


vida é relativamente boa e agradável, quando a compreendemos dentro da sua complexidade,
em harmonia conosco mesmos e com os nossos semelhantes.

DESPERDÍCIO

Quem desperdiça os seus haveres, o seu tempo e o alheio não coopera para o seu bem-
estar e o da coletividade em geral.

ECONOMIA

A economia quando bem dirigida e racionalizada, é fator de progresso para uma pessoa
ou uma nação, visto que, sem uma planificação prévia, não se pode chegar a uma conclusão
certa e correta.

VÍCIOS

Evitemos, por todos os meios possíveis, os vícios, porque obscurecem a moral, obcecam
o espírito e prejudicam a saúde.

ESCOLA

A vida terrena é uma escola de aprendizagem, e perde o seu precioso tempo quem não
aprende com as experiências as sábias lições que ela nos enseja.
Cedo ou tarde o ser humano reconhecerá o mal que tenha feito aos seus semelhantes,
despertado pela própria consciência, que o acusa.
Quando não pudermos fazer o bem, evitemos praticar o mal, para não aumentarmos as
nossas dívidas espirituais, contraídas nesta e em outras vivências.
O malefício que fizermos aos outros projetar-se-á sobre nós como a sombra que
acompanha o nosso corpo físico, de acordo com a lei do retorno ou de causa e feito.
IMPORTÂNCIA DO ESTÍMULO
Sentimo-nos felizes quando alguém procura estimular-nos a vencer os obstáculos que
encontramos no caminho do nosso viver, pois o estímulo desperta nossas forças mentais
adormecidas ou mal-empregadas.
Estímulo não é bajulação, não é elogio nem provocação de vaidade — é o despertar de
energias latentes. Estimular é fazer vencer, induzir, contribuir para a vitória de uma criatura
ou de uma causa.
Assim como o nosso organismo, quando depauperado, necessita de um estimulante
energético, o nosso espírito, quando atribulado, também precisa de um estimulante moral.

DR. SALK

A humanidade não teria contado com o concurso eficiente de ilustres homens, que
engrandeceram as ciências, as letras, as artes, a tecnologia e a política, não fora o estímulo da
família, de amigos, associações ou governos.
Dentre os inúmeros casos que a história registra, podemos citar o Dr. Jonas Salk. Moço
pobre, filho de um trabalhador da indústria de calçados, em Nova Iorque, com o estímulo e a
união da família, estudou Medicina. Para auxiliar o pagamento de seus estudos, ele
trabalhava, quando de férias, num acampamento de meninos e, nas horas de folga, como
técnico de laboratório.
O Dr. Salk diplomou-se em Medicina e, após alguns anos de intenso trabalho, descobriu
a vacina contra a poliomielite, ou seja, a paralisia infantil. Com essa grande e humanitária
descoberta mais de noventa por cento das crianças de todo o mundo, que são vacinadas
preventivamente, estão livres da incapacidade física ou da morte pela pólio.
O estímulo, a solidariedade e a dedicação da família colocaram o Dr. Jonas Salk no
pedestal dos grandes benfeitores da humanidade.

ALAVANCA

O estímulo é, pois, alavanca do progresso para o bem-estar da coletividade,


transformando, às vezes, um fraco num forte e um ignorante num homem culto.
Estimular é incentivar uma criatura, a fim de que a sua vontade se torne forte, para a
realização de um ideal ou de uma obra meritória.
O estímulo não deve ser dado com ironia, que desalenta, desencoraja e fere. Estimular é
ensinar o ser humano a ter pensamentos positivos, de valor, de altruísmo e de realização,
porque a causa da nossa vitória ou da nossa derrota está no pensamento, que é uma vibração
do espírito.
EDUCAÇÃO RACIONAL
Podemos considerar o problema educativo como número um do mundo, porque dele
promanam o nosso progresso, a nossa cultura e, conseqüentemente, o nosso bem-estar.
Da eficiência da educação dos povos emergem os demais problemas que atrofiam o
desenvolvimento econômico e cultural. É pelo aprimoramento da educação que um povo
progride e evolui social e economicamente.
A educação a que nos referimos não se constitui apenas de instrução pedagógica ou da
simples alfabetização dos povos, ainda tão aferrados a preconceitos, a crendices e a tradições
ilógicas.
A educação, como fator normativo de elevação moral e de bons costumes na família e
na sociedade, deve ser completada pelo amor à família, ao trabalho, pelo bom aproveitamento
da ciência e da tecnologia, pelo discernimento da Verdade e da justiça e pelo combate aos
vícios, à desonestidade, à mentira simples ou convencionada, à imoderação, à ociosidade e à
discórdia que inimiza os homens e as nações.

MAIS ESPIRITUALIDADE

Como complemento da educação social e intelectual, é mister termos o controle dos


pensamentos para que as ações sejam pautadas por linhas retas, de equilíbrio, de bom senso e
de critério, para podermos ajuizar as coisas com clareza, justiça e equanimidade.
Vemos a juventude de hoje agitada, desiludida e até transviada, porque os responsáveis
pelos destinos dos povos vivem dominados pelo medo, pela mentira e pelo egoísmo, a ponto
de desinteressar-se pelos moços, que ficam à mercê de criaturas inconscientes que os levam
para os vícios, para a licenciosidade e a degradação.
Não obstante o grande progresso da técnica e da ciência, a civilização atual ainda não
alcançou o padrão moral e espiritual preconizado por Platão, Jesus, Luiz de Mattos e outros
pensadores e filósofos. É preciso que os homens encontrem um denominador comum para
dirimir as suas pendências e incompreensões, e é justamente por meio de uma educação mais
racional e humana, que lhes faça sentir o primado do espírito sobre a matéria, que todos
encontrarão o modus vivendi que almejam aqui na Terra, confraternizando os seres humanos,
livres dos maus hábitos e dos vícios, por meio de uma educação racional.
JUVENTUDE NOVA-ERA
Se a mocidade de todas as nações fosse mais bem esclarecida por uma educação
racional e espiritualizada e despertada para o verdadeiro conhecimento de si mesma, a
humanidade apressaria o progresso, o bem-estar social neste mundo e a sua própria evolução
espiritual.
Temos progredido de maneira satisfatória no campo das ciências físicas e naturais;
entretanto ainda não compreendemos bem a nossa composição como Força e Matéria, únicos
elementos de que se compõem os seres e o Universo.
O século vinte, chamado das luzes, deveria denominar-se século do alvorecer do
conhecimento humano, porque o das luzes será de fato o vinte e um, pois, na presente centúria
apenas começamos a vislumbrar o início de uma nova era de grandes conquistas científicas e
da compreensão da vida fora da matéria.
O homem já está penetrando nos arcanos das leis comuns e naturais. Assim, no século
vinte e um teremos coisas maravilhosas tanto na esfera da tecnologia, da mecânica, da
eletrônica, da Medicina como na da espiritologia, ressaltando o sentido telepático como
veículo de comunicação mental e uma noção mais evidente da importância do pensamento em
nosso viver.
Os chamados fenômenos mediúnicos serão de forma esclarecida e cientificamente
estudados, havendo, assim, intercomunicação entre os “vivos” e os “mortos”, de uma forma
mais racional, lógica e compreensiva, sem os males que nos causa a ignorância dos que
atraem forças invisíveis em estado de perturbação.

GRANDIOSAS PERSPECTIVAS

No começo do século vinte, jamais se poderiam prever as maravilhas da televisão, do


rádio, da desintegração do átomo, da conquista do espaço além da atmosfera da Terra e outras
descobertas úteis e proveitosas; portanto, não devemos descrer de novas conquistas científicas
que a nossa atual percepção ainda não pode prever.
Dentro das leis naturais, o homem tem um campo infinito para estudar, investigar e
descobrir os seus aparentes segredos.
Diante de tão grandiosas perspectivas, para uma vida mais confortável e com menos
sofrimento na Terra, precisamos, porém, orientar bem a nossa juventude, a fim de que não se
desvie do seu altruístico e nobre desiderato, evitando os vícios, os preconceitos, a
intolerância, a maledicência e os sentimentos inferiores que materializam e perturbam as
criaturas, desviando-as dos seus deveres morais e espirituais para consigo mesmas e para com
a coletividade humana.

MODERNISMO

O modernismo ou educação bossa-nova, incentivada por excesso de liberalismo dos


pais, educadores e governos, está levando a nossa mocidade para os vícios, para a frivolidade
e até mesmo para a devassidão; por isso tais desregramentos devem ser combatidos pelas
pessoas ponderadas e de bom senso, porque os moços de hoje serão pais, professores e
governantes amanhã, e sem uma boa formação moral não poderão conduzir bem a família, a
sociedade e a nação.
NOVO MUNDO

Devemos criar bases sólidas para a formação de um novo mundo, em que a ciência
caminhe paralela com o aprimoramento dos costumes, da cultura e da compreensão da vida,
na sua simplicidade e pureza. A vida na sua concepção genérica é simples e boa, quando
entendida como finalidade evolutiva, pelo trabalho, pela luta e pelo sofrimento; nós é que a
complicamos com preconceitos ilógicos e com vícios impróprios a seres pensantes e dotados
de inteligência, de livre-arbítrio e de faculdade volitiva que nos distinguem dos irracionais,
que se regem apenas pelo instinto, mas que não transgridem as leis naturais.
À medida que a ciência avança e os homens se libertam das crendices e dos maus
hábitos, os velhos tabus sociais e religiosos vão, felizmente, sendo substituídos por novos
conceitos que nos levam à realidade das coisas.
Os tempos são chegados para que a mentira e a ignorância dêem lugar ao imperativo da
Verdade e os seres humanos vivam em paz, em completa confraternização neste pequenino
mundo que os abriga, temporariamente, enquanto necessitam aprender as lições do seu
currículo terrestre.
MAIS TÉCNICOS, MENOS DOUTORES
O Brasil precisa formar mais técnicos de graus médio e superior para vencer o
subdesenvolvimento econômico-científico, como também precisa de mais professores para
acabar com o analfabetismo, que, em grande parte, é o responsável pela situação em que nos
encontramos, porque um povo instruído e educado tem mais capacidade e discernimento para
fomentar o progresso e escolher os seus governantes.

VOCAÇÃO

Há moços que se formam por mera vaidade e não exercem a profissão em que se
diplomaram, porque, sem possuir nenhuma inclinação vocacional, apenas obtêm um
pergaminho para destacá-los no seu meio social. Com isso ocasionam prejuízo aos cofres
públicos, que mantêm dispendiosas escolas superiores, onde tomam lugares de outros que
poderiam cursar tais escolas por vocação e amor aos estudos.
Governos e instituições particulares devem criar mais escolas vocacionais para a
formação de técnicos e artífices competentes, a fim de que a produção brasileira melhore em
qualidade e em quantidade, para que possamos ficar em condições de concorrer nos mercados
mundiais.
Quem exerce uma atividade por vocação espontânea tem prazer no trabalho, procurando
fazê-lo com mais perfeição e produtividade.
O trabalho racionalizado e criterioso, sem desperdício, diminui o custo da produção,
pelo bom aproveitamento das matérias-primas, do tempo de cada trabalhador e dos esforços
conjugados da equipe de uma empresa.
Os técnicos geralmente se formam para exercer a sua especialidade por um impulso de
vocação.

CARÊNCIA

Existe, em São Paulo, e em outros centros industriais do Brasil, carência de técnicos


formados, mormente de grau médio, porque são eles os homens-chave da indústria, como
assessores dos engenheiros e intermediários entre patrões e operários.
Os ramos mais carentes de técnicos são: mecânica e eletrônica. O ensino profissional
deve ser gratuito, a fim de que não se torne um privilégio para poucos em prejuízo de muitos
que desejam especializar-se por vocação e amor ao trabalho.

PLANEJAMENTO

O nosso empirismo caboclo precisa dar lugar ao planejamento técnico-científico, tanto


na lavoura como na indústria.
Muitos países se tornaram desenvolvidos pela técnica e pelo planejamento científico
executado com eficiência e honestidade.
O Brasil necessita de mais técnicos em agricultura, indústria e educação, para tirar a
maioria da nossa gente do pauperismo e da ignorância em que se encontra, não só no interior
do país mas também nas pequenas e grandes cidades.
Além do problema desolador do analfabetismo no Brasil, existem para complicá-lo os
vícios do álcool, do fumo e do jogo, aliados aos preconceitos sociais e às crendices e
superstições religiosas.
Povo bem educado sabe alimentar-se e cuidar melhor da sua saúde e dos seus interesses.
Povo culto e esclarecido sabe lutar para vencer as vicissitudes de ordem ambiental ou natural.

TÉCNICOS PARA O PROGRESSO

O escritor francês David Rousset afirmou, numa conferência em Buenos Aires:


O Brasil sofre o mesmo problema da Argentina e de outros países da América do Sul
em matéria de desenvolvimento científico, já que se não deu lugar aos químicos, biologistas e
físicos, bem assim a todas aquelas orientações técnicas e científicas para incrementar seus
conhecimentos por meio de centros adequados de estudo e do necessário apoio dos governos.
Os técnicos e pesquisadores científicos determinarão o progresso do mundo e irão resolver
os problemas que causam o baixo nível de vida e a miséria. Era preferível que houvesse, na
América Latina, menos advogados e muito mais físicos, biologistas e pesquisadores.

(São Paulo, julho/1965)


COMBATE À PORNOGRAFIA
Achamos justa, razoável e oportuna a atitude do Governo Federal contra a publicidade
pornográfica, que conta com o apoio da opinião pública brasileira, pois o IBOPE revelou que
sessenta e quatro por cento das pessoas ouvidas são a favor, vinte e quatro por cento são
contra e doze por cento estão indecisas.
Na época atual, em que o homem já pisou na Lua, a ciência e a tecnologia avançam de
maneira auspiciosa para a conquista de novas descobertas e de novos inventos, grande parte
da humanidade marcha para o afrouxamento dos costumes, da fraternidade e da honradez, que
elevam a criatura na escala social e na senda da evolução.

PRESERVAR A MOCIDADE

Os moços de hoje são ativos e inteligentes; porém, por estarem sendo mal orientados
pelos seus mentores, tanto no lar como na sociedade, muitos enveredam pelo caminho
tortuoso dos vícios e das idéias exóticas, que não condizem com a boa formação moral da
gente brasileira.
Numa sociedade que luta pelo aprimoramento da educação, não é admissível que a
pornografia se transforme em preceito de moralidade, para o prazer depravado ou interesses
escusos dos que a praticam ou tentam justificá-la.
Precisamos preservar a mocidade brasileira da obscenidade e da libidinagem que
livremente estão contaminando os moços dos países que aboliram ou abrandaram a vigilância
à pornografia e aos atos que ferem a sã moral.

NÃO CONFUNDIR

Não devemos confundir a verdadeira arte, na sua pureza, estética e beleza, com a arte
caricata e imoral que pode inspirar sentimentos inferiores contra o decoro, que é atributo do
homem morigerado e valoroso.
A arte, quando inspirada no belo e na harmonia, nos extasia e causa sentimentos nobres,
puros e elevados, ao passo que a pornografia inferioriza pelos pensamentos negativos que
proporciona, contagiando o caráter dos que não se dominam e vivem mergulhados no
materialismo.
Também não devemos confundir a pseudo-educação sexual ou libertinagem com a
verdadeira educação sexual, que orienta e ensina como a criatura deve conduzir-se perante o
sexo.
Hippies, nudistas e pornográficos fazem congressos na Europa para propagar a sua
obsessora maneira de pensar e viver, a fim de que possam atrair os fracos, sexualistas e
incautos.

NÃO REGREDIR

Não podemos regredir à ignorância do nosso instinto atávico, para não perdermos o que
conquistamos durante milênios, com grandes lutas e muitos sofrimentos, na busca do
aperfeiçoamento moral e espiritual, por meio de esclarecidas normas educativas e de ingentes
esforços, que nos fazem sentir e compreender a vida dentro da sua verdadeira realidade e do
que somos como Força e Matéria perante a Comunidade Universal.
Cabe, pois, aos poderes públicos da nação coibir os abusos ou excessos daqueles que
querem transformar a vida pacata e laboriosa do povo brasileiro numa orgia ou num
pandemônio, à guisa do que se passa alhures.

(São Paulo, julho/1970)


UM HOMEM QUE VIU A MORTE DE PERTO
Ao grande poeta e meu venerando amigo
Dr. Joaquim Crispiniano Coelho Brandão, de
Belém do São Francisco, Estado de Pernambuco

Quero, nesta ligeira narrativa, contar a história de um homem que se aproximou da


morte.
Leopoldino Santana, que conheço como ninguém mais, adoeceu, no começo deste ano,
de um distúrbio renal, acompanhado de pertinaz hematúria. Ele pensou, no início da
enfermidade, que se tratasse de simples cistite, mas, como a hemorragia não cedesse,
procurou um urologista para tratá-lo.
Após o resultado das primeiras radiografias, o médico o aconselhou a internar-se num
hospital para ser submetido a tratamento especializado.
Por ter o facultativo conjeturado, embora veladamente, ser o paciente portador de uma
doença letal, o pobre Santana sentiu-se um tanto angustiado e logo procurou colocar os seus
negócios em ordem, escreveu cartas a parentes e amigos, para serem entregues depois de sua
morte, fez recomendações à família e atualizou seu testamento espiritual.
Antes, porém, de partir para o nosocômio, Santana revê o seu velho arquivo, lendo cartas e
poesias de parentes e amigos e as cópias de suas próprias missivas enviadas, sob pseudônimo,
a pessoas que se achavam desenganadas de viver; nessas cartas ele procurava, com palavras
alentadoras e cheias de espiritualidade, levantar-lhes o moral, a fim de que elas vivessem os
seus últimos dias com coragem e resignação cristã.

SAUDADE

Santana, que a muitos consolara, via-se no terrível dilema de consolar-se a si mesmo,


para ser coerente com as suas convicções metafísicas e filosóficas; portanto, era mister
enfrentar corajosa e resignadamente o fenômeno da morte, que, não obstante ser apenas um
desdobramento natural da vida, a todos amedronta...
No momento de deixar o lar, para ser internado, Santana fixa o seu olhar merencório
nas coisas que lhe são mais caras, detendo-o na fotografia de sua falecida filha, para melhor
gravar na memória o aspecto de tudo que nesses instantes lhe extasia a alma, e, mentalmente,
dá o seu último adeus à morada em que habita há muitos anos entre o amor das filhas queridas
e o desvelo da esposa amada.
Sobre as suas faces macilentas rolam algumas lágrimas ao afastar-se do lar que tanto
ama, como se fora um condenado seguindo para o patíbulo, e no percurso para o hospital ele
vai observando atentamente, como nunca o fizera, os transeuntes, as ruas, as chaminés
fumegantes das fábricas e os arranha-céus do centro da grandiosa e hospitaleira cidade de São
Paulo, orgulho do nosso extremado Brasil, pensando que não veria mais, com os olhos da
matéria, esse quadro belo e empolgante.
No hospital, nas noites insones, o enfermo relembra a sua terra distante, os seus
parentes e amigos, recordando-se das passagens mais importantes da sua existência, vividas
no torrão natal, e nesse estado de sentimentalismo julga que não mais verá as cidades, as
estradas, os rios e todos os acidentes geográficos dos seus longínquos pagos.
DEVERES...

Santana bem sabe que “a morte do corpo é a vida da alma”, que é eterna; entretanto,
sente-se triste e acabrunhado por deixar a família ainda necessitando do seu amparo e da sua
ajuda, com a agravante de não haver cumprido integralmente os deveres para consigo próprio,
para com os familiares e para com a humanidade.
Para um espiritualista como Santana a morte não existe, mas lhe dói a consciência partir
deste mundo-escola sem que antes tenha terminado o curso que preestabeleceu fazer aqui na
Terra, porque quem não o termina terá a infelicidade de ver nos Mundos Superiores (esferas,
planos, pouco importa a denominação terrena) que a sua passagem por este planeta foi quase
inútil e sem proveito para si, para a pátria e para a coletividade, e, em conseqüência, terá
grande tristeza de verificar que não aproveitou melhor a oportunidade que lhe foi dada para
aprimorar a sua evolução e trabalhar pelo progresso universal.

PODER DA SOLIDARIEDADE MENTAL

A certa altura do tratamento hospitalar, de quase dois meses, o urologista chegou à


conclusão de que a enfermidade não parecia tão grave como no início, visto haver sustado a
hematúria e o estado geral do doente continuar melhorando.
Felizmente, Leopoldino Santana já se encontra em sua casa, convalescendo dessa
enfermidade, que apenas o assustou, fê-lo sofrer algumas dores e causou consternação à sua
família, aos parentes e amigos.
E, mui agradecido a todos que lhe proporcionaram conforto moral e algo fizeram para
minorar-lhe os sofrimentos e restabelecer-lhe a saúde, faz suas as palavras do general Carlos
Rômulo, embaixador das Filipinas nos EUA:
Que o mundo seja capaz de forjar tal cadeia de bondade, que transcende os
preconceitos, a política e o interesse pessoal, para ajudar um homem em sua hora mais
difícil, é uma coisa que eu jamais desejo esquecer.1
(São Paulo, maio/1959)

1
* Leopoldino Santana, nome fictício do personagem da crônica acima, não é outro senão o
próprio autor, Pompeu Cantarelli (Nota do Editor)
GLORIFICANDO A BELEZA E A ETERNIDADE DA VIDA
Quão bela é a vida quando a sentimos dentro da sua realidade!
Como é preciosa e útil a existência quando compreendida na sua verdadeira finalidade,
que é a evolução dos seres!
Que satisfação para a criatura humana ter as galas magnificentes e gratuitas da natureza,
em todos os seus reinos, para alegria e devaneio de sua alma!...
A Inteligência Universal criou a natureza de encantos mil não só para que possamos
viver neste mundo prazerosamente, durante a nossa rápida passagem pela Terra, mas também
para que ela nos proporcione, além do lazer, uma ocupação dignificante pelo trabalho, o
estudo, o sofrimento e a luta cotidiana, objetivando sempre o nosso aperfeiçoamento e a
confraternização da humanidade.

FORÇA E MATÉRIA

O que somos aqui na Terra? Materialmente falando, somos apenas um agregado de


células compostas de elementos simples que formam o nosso corpo, que, aliás, é uma
máquina maravilhosa pelas suas funções genéticas e fisiológicas; espiritualmente, somos
fagulhas da Força Criadora; portanto, o ser humano é formado de Força e Matéria, à
semelhança do Universo. Assim, somos um mundo em miniatura ligado, pela origem, ao
Todo Universal.
O bem-estar, no plano físico, é sentido e gozado de acordo com o nosso estado mental,
emocional ou psíquico. Podemos alegrar-nos com as coisas mais simples da vida, procurando
ver apenas o lado bom e positivo de tudo que há para o nosso próprio bem, e para alcançá-lo é
só fazermos bom uso do pensamento, que é uma vibração do espírito.
Procuremos sempre repelir a tristeza, a maldade, a intolerância e todos os sentimentos
inferiores ou enfermiços que possam atingir-nos, e esforcemo-nos por integrar-nos nas
correntes vibratórias e harmônicas do Bem e do Belo, em sintonia com a Luz imaterial que
ilumina e ocupa o espaço infinito.

ASTRONAUTAS

Somos autênticos astronautas a rodopiar pela nossa rota planetária, comodamente


instalados nesta nave espacial, que é a Terra, levando-nos, sem nenhum perigo, nos seus
movimentos de rotação e translação.
E esta natural nave terráquea, para deleite nosso, leva consigo mares, rios, florestas,
montanhas, sua atmosfera protetora e tudo o que há na sua superfície e no seu bojo, para que
nada nos falte nesse ininterrupto e sinérgico passeio sideral em torno do Sol, que, por sua vez,
também gira com a sua galáxia entre miríades de agrupamentos estelares pela vastidão
imensurável do Universo.
Bendigamos o Sol, a água, o fogo, o ar, a vegetação com a sua fotossíntese e tudo o
mais que nos permite viver no mundo Terra com relativa felicidade, obtida quando temos a
consciência tranqüila de que estamos cumprindo, fielmente, os nossos deveres de ordem
material, moral e espiritual.
PAZ E UNIÃO

Repudiemos a guerra, a violência, a corrupção, a maledicência, a desordem e todos os


atos que obscureçam ou brutalizem a criatura humana.
Desejamos no novo ano de 1990 que os homens de todos os quadrantes do nosso globo
se confraternizem e procurem resolver pacificamente as suas contendas, originadas pelo
egoísmo, pelo orgulho e pela vaidade incontrolada e, por amor à Verdade, busquem
compreender que este mundo não lhes pertence eternamente, porque todos são apenas seus
hóspedes ou presidiários durante a existência corpórea, que, ante a imortalidade do espírito,
significa um mero instante. Assim, num verdadeiro anseio de paz e de solidariedade humana,
se unam glorificando a beleza e a eternidade da vida.
(São Paulo, dezembro/1989)
POLUIÇÃO MENTAL
É de esperar-se que, após os percalços que os povos enfrentam atualmente, com guerras,
revoluções, terrorismo, corrupção, libertinagem e angústia, havendo certo países com excesso
de liberdade de expressão e de comportamento atentatórios aos bons costumes, e outros com
seus habitantes impedidos de manifestar-se livremente para criticar os erros ou a prepotência
dos que os dirigem, a civilização hodierna se encaminhe, possivelmente, para um novo ciclo,
pelo encadeamento dos fatos que estão ocorrendo em nosso velho orbe terráqueo. E oxalá
esse novo ciclo traga paz e melhores dias para a humanidade.
O que ocorre, agora neste mundo, são efeitos de causas predisponentes da falta de
previdência, de ponderação e de esclarecimento espiritual verdadeiro, assim como do nosso
egoísmo incontrolado para sorver na hora presente todos os benefícios que a vida nos possa
proporcionar. Dir-se-ia que marchamos acelerados para o delírio de uma psicose coletiva,
arrastados pela insensatez, pela volúpia, pelo desvario e pela incongruência de uma minoria
da humanidade que quer transformar a moral que rege os bons hábitos, dentro da família e da
sociedade, ao sabor da sua maneira extravagante de encarar as coisas, sem pensar nas
conseqüências maléficas que poderão advir no futuro, para si própria e para a coletividade.

CIÊNCIA E BEM-ESTAR

A ciência e a tecnologia jamais deveriam trazer mal-estar ao seu humano; entretanto,


delas lançamos mão para fins escusos e egoísticos, razão por que se faz mister revermos a
forma de vivência atual, com a convicção de que somos apenas meros administradores dos
bens materiais da Terra, não tendo, por isso, o direito de desperdiçá-los ou depredá-los em
proveito próprio e em prejuízo da natureza, que, como mãe zelosa, reage sempre que
atentamos contra o equilíbrio do meio ambiente.
A técnica e a ciência devem proporcionar meios de bem-estar e jamais serem fator de
desequilíbrio e mal-estar como vem acontecendo agora com a poluição química, física e
mental, pois já vivemos num ambiente impróprio, impuro e deletério.
O eminente médico paulista Antônio Carlos Pacheco e Silva, a respeito da poluição
mental, diz:
A propalação de boatos alarmantes, de notícias suscetíveis de provocar impactos
emocionais deve ser impedida por quem de direito. Divulgar de forma escandalosa fatos
escabrosos, perversões sexuais, crimes horripilantes, emprestando-lhes acentuado cunho
sensacionalista, não deixa de ser profundamente prejudicial à saúde mental, concorrendo
para a corrupção dos costumes, para ofender a moral pública e desagregar a sociedade. A
notícia de acontecimentos que concorram para incentivar a indisciplina, o desrespeito à
ordem civil, a desobediência às boas normas da educação, feita em linguagem grosseira,
desrespeitosa e impudica, não deveria ser permitida. A utilização de linguagem desabrida e
insolente contra as autoridades, a incitação à revolta e à luta de classes, que possam
comprometer a unidade familiar e social e a segurança nacional, não se justificam, dado que
atentam contra a saúde e a paz pública.
A orientação dos povos muito depende, agora, dos meios de comunicação; por isso eles
devem primar pela maior seriedade.
A RAZÃO

Felizmente, o jornal A Razão, fundado pelo jornalista Luiz de Mattos, vem seguindo
uma orientação sadia e verdadeira, que muito enaltece a ética do jornalismo brasileiro, não
publicando notícias que possam poluir a mente dos seus leitores.
Esse jornal, independente, liberal e apolítico, procura transmitir aos seus leitores
somente o que possa ser útil e bom para a coletividade.
Não somos favoráveis à censura política, que possa coartar a plena liberdade
democrática, como também não o é o ilustre médico Pacheco e Silva; somos, porém, contra a
imoralidade, a delinqüência, a mentira e o sensacionalismo escabroso que venham poluir a
mente de nossa gente, que tem a nobre missão de tornar o Brasil um grande centro irradiativo
de progresso, de cultura e de espiritualidade para todo o mundo.
(São Paulo, outubro/1974)
SABER QUERER É PODER
De nada vale a nossa angústia por acontecimentos passados ou a nossa preocupação por
coisas eventuais e futuras, pois o que mais nos importa agora é vivermos o presente,
enfrentando com coragem e decisão as ocorrências próprias da vida, com otimismo no futuro.
Quando algo nos atormenta, devemos fazer uma análise retrospectiva da causa
geradora, tirando-a da nossa mente em seguida, como tiramos um incômodo acarino que se
agarrou ao nosso corpo.

PSICANÁLISE

Pela psicanálise, podemos controlar os nossos sentimentos de frustração ou de


conquista, escoimando o errado do certo. O segredo do êxito ou do fracasso depende da nossa
maneira de pensar, agir e sentir a vida em todos os seus aspectos positivos e negativos.
A psicanálise, ciência difundida por Freud e Milane, mostra-nos os complexos, os
traumas morais e certos desajustamentos que têm por causa predisponente a orientação ou a
vivência que tivemos nas primeiras quadras do nosso viver e alguns acontecimentos que se
gravaram indeléveis no nosso subconsciente, cuja afloração vai ocorrendo no decurso da
nossa existência, sem que a percebamos, o que, muitas vezes, nos desvia do gozo da relativa
felicidade a que fazemos jus no planeta Terra. Isso pode acontecer por desequilíbrio
emocional no nosso eu.
Para combatermos a apatia mental, é mister uma forte reação psíquica, a fim de que nos
revistamos de mais confiança em nós mesmos, na certeza de que podemos equacionar os
problemas que nos preocupam, integrando-nos num otimismo sadio que nos possa dar alento.

FELICIDADE

A felicidade é um sentimento de euforia ou de satisfação íntima que sentimos pela nossa


maneira de compreender a vida em todos os seus aspectos e complexidade. Portanto, não se
baseia no luxo, na riqueza e nos prazeres meramente materiais, visto que, sendo um estado
mental reflexivo, depende da conjuntura emocional do espírito.
Sendo o pensamento uma vibração do espírito ou a sua maneira de extreriorizar-se, é
lógico que está em nós mesmos a decisão que nos leva a proceder bem ou mal, acertando ou
errando.
A vida real, sem os atavios da fantasia e da ilusão, é simples e boa, porém difícil de ser
seguida pelas criaturas ainda muito apegadas às convenções sociais, imbuídas de preconceitos
que ferem a sensibilidade de uma pessoa sensata. Entramos num período da civilização
humana em que o excesso de liberdade está a fazer aluir os bons costumes, tendo como
agravante os vícios, que tanto prejudicam o corpo e o espírito.
AS QUATRO FASES DA VIDA
Todos nós passamos pelas quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno.
Na primavera, que é a encantadora quadra das flores, vemos extasiados o desabrochar
da natureza; aí temos o período da infância, com a sua inocência, graça e beleza.
No verão a temperatura é quente e suave, para que as criaturas sintam o calor e a alegria
de viver; nessa fase temos a mocidade exuberante, explodindo de entusiasmo pela vida.
No outono, época das colheitas, o ser humano entra na plenitude da sua maturidade,
quando busca a experiência e a sabedoria, com equilíbrio e bom senso.
O inverno, tempo da neve e do frio, podemos compará-lo à velhice, derradeira quadra
da existência humana, ocaso da vida a sucumbir nas fímbrias do horizonte...
É na velhice que a criatura, após ter passado pelos outros quartéis da vida, vai perdendo
o vigor físico, entrando na senilidade, até o instante da sua desencarnação, quando o espírito
se liberta das peias da matéria e, se esclarecido, parte imediatamente para o seu mundo de luz.

PÁSSARO

Como um pássaro engaiolado que se liberta e parte gorjeando para o bosque, assim é o
nosso espírito, após a morte do físico, seguindo contente para o seu mundo de estágio, a que
faz jus pela evolução conquistada em cada encarnação.
Nascer, viver e morrer são a nossa odisséia neste mundo; por isso, não nos angustiamos
com a nossa próxima desencarnação e a receberemos com estoicismo e até com alegria, certos
de que a morte não interrompe a vida real. Teremos, é claro, saudades dos familiares, dos
amigos e companheiros na nossa grande caminhada em busca da eternidade.

UM LUGARZINHO NO ÔNIBUS

Não obstante entrarmos naturalmente para o período degenerativo do nosso organismo,


a velhice tem as suas compensações, pela maneira afetiva com que somos tratados pelos
familiares, pelos amigos e até mesmo, às vezes, por estranhos, que nos chamam de vovô e nos
cedem um lugarzinho no ônibus e no metrô.
Quando a criatura é metódica, disciplinada e sem vícios pode alcançar a longevidade
com boa disposição, principalmente quando adota o regime ovilactovegetariano, rico em
proteínas, sais minerais, acompanhado de um equilíbrio mental que controle as emoções, o
raciocínio e os pensamentos.

NORMAL

A velhice é um estado normal da vida humana, mormente quando bem cuidada. Na


alimentação, o importante é a escolha de produtos puros e naturais, sem conservantes
químicos, sem aditivos e livres de contaminação por bactérias patogênicas.
A maioria das pessoas, quando moças, é extravagante e não pensa no que lhe reserva a
velhice, com as implicações próprias dessa idade; todavia, podemos amenizar essas
implicações com um viver simples, racional, prolongando a vida, com saúde e alegria.
PARCIMÔNIA
Precisamos ser mais parcimoniosos, combatendo o desperdício e a displicência, que
constituem crime de lesa-coletividade. O que é economicamente aproveitável não se deve
esbanjar, destruir, omitir ou negligenciar, por interesse pessoal.
A sabedoria popular diz que a economia é a base da prosperidade. Realmente, sem uma
economia planejada ou racionalizada, um indivíduo, uma instituição ou um governo não
podem estabilizar as suas finanças para ter uma prosperidade sólida e duradoura.

EQUILÍBRIO

A economia a que nos referimos não é a avareza, a mesquinhez ou a sovinice; a


economia aqui preconizada faz-se evitando os vícios, o luxo, o supérfluo e o inútil, para
podermos ter sempre o necessário ao nosso bem-estar.
É uma temeridade, de conseqüências imprevisíveis, um indivíduo de poucos recursos
financeiros querer ostentar o luxo e as estroinices de um rico perdulário.
Em sã consciência, não podemos gastar mais do que ganhamos ou possuímos, para não
rompermos o equilíbrio das nossas finanças e não faltarmos aos compromissos assumidos,
individual ou coletivamente.
A poupança é uma medida certa, justa e preventiva contra as eventualidades; o que
desperdiçamos hoje poderá fazer-nos falta amanhã, justamente quando mais precisarmos. Os
imprevidentes não poupam os seus ganhos e estão sempre em dificuldades para solver
encargos.
Na administração de uma empresa, o mais importante e vital é uma eficiente direção
financeira, para contrabalançar qualquer erro da produção, das vendas e das compras,
evitando que o negócio vá à falência por falta de recursos previstos e acumulados.

PREVISÃO

A previsão, em qualquer ramo das atividades humanas, é hoje uma necessidade


imperiosa para orientar, prever com mais acerto e decidir com técnica e maior conhecimento
de causa, sem que se fique à mercê de circunstâncias ocasionais.
Os governos austeros e honestos não saem fora das previsões orçamentárias, salvo por
motivo de força maior, para não acarretar maiores dificuldades ao povo. O mesmo deve
acontecer na vida privada de cada um de nós.
Não devemos, pois, gastar acima das nossas disponibilidades econômicas, para não
cairmos na penúria, arruinando a família e empobrecendo a pátria.
A grandeza de um país está na economia do seu povo. Para maior lucro de uma empresa
ou instituição, é mister o trabalho racionalizado de equipe, para coordenar esforços,
economizando tempo e dinheiro.
O homem precavido não é pessimista; pelo contrário, é mais otimista, porque na sua
precaução organiza planos exeqüíveis, dentro de uma estrutura econômico-financeira ao seu
alcance, sem o sacrifício de outrem.
O otimismo excessivo é tão prejudicial como o pessimismo doentio, porque ambos
estão fora da razão, da lógica e do bom senso.
“NÃO”

Achamos oportuno transcrever aqui a mensagem ao homem do povo e aos homens que
dirigem os povos, do imortal Abraão Lincoln:
Não criarás prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos por
esqueceres os fortes. Não ajudarás o assalariado se arruinares aquele que o paga. Não
estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres
se eliminares os ricos. Não poderás criar estabilidade permanente baseado em dinheiro
emprestado. Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas. Não fortalecerás a
dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade. Não poderás ajudar
os outros homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem
fazer por si mesmos.
PELA VERDADE
A grande maioria da humanidade é ainda desconhecedora do verdadeiro papel que deve
desempenhar no cenário da vida terrena.
Não obstante o grandioso progresso material, neste século das grandes descobertas, das
invenções e do aperfeiçoamento da técnica e das ciências, os homens seguem uma orientação
moral baseada apenas em preconceitos que a tradição nos legou, sob o pálio das crendices e
das lendas populares e também dos interesses religiosos, faltando-lhes, portanto, uma
educação racional, condizente com as realidades da vida.
Censura-se um cidadão pelo simples fato de o mesmo querer seguir um caminho certo,
que tem por meta a Verdade! Mesmo na sua grande dor pela desencarnação de uma filha
queridíssima, aparecem pessoas para martirizá-lo justamente quando seus pensamentos
vibram e se elevam aos mundos superiores para auxiliá-la no seu regresso àqueles páramos de
onde veio para enriquecer o seu modesto e pobre lar e cumprir deveres aqui na Terra. Sei que
há contra mim grande ressentimento, por parte de alguns parentes e amigos, porque eu não
quis que se realizassem cerimônias místicas e religiosas por ocasião do passamento de minha
dileta e inesquecível filha. Fi-lo pelo grande amor que dedico a essa alma boa e já esclarecida,
e por respeito à Verdade.

TÁBUA DE PERDIÇÃO

Muita gente se agarra à mentira, como tábua de salvação, e discricionariamente


despreza a Verdade, visto desconhecer a sublimidade de sua missão como Força e Matéria —
os dois únicos elementos de que se compõe o Universo — e não querer dar-se ao trabalho de
investigar as coisas sérias da vida. É bem mais fácil viver na ilusão da mentira do que no
realismo da Verdade.
Poucos são os que raciocinam com independência e tiram uma dedução certa de si
mesmos e da realidade das coisas; outros seguem, sem nenhuma lógica, os ditames dos
preconceitos da sociedade em que vivem, e, por medo, vaidade ou ignorância, jamais tentam
contrariá-la. Prefiro, contudo, formar ao lado dos que, discordando da grande maioria,
procuram livrar-se da ignorância religiosa e social, e plasmar os seus atos na realidade da
vida, sem as fantasias místicas e entorpecedoras.
Somos governados por leis comuns e naturais e nunca podemos alterá-las com oblações
e com idolatria, pois aqui viemos em cumprimento de deveres instituídos por essas leis, sendo
tais deveres trabalhar, sofrer e lutar pelo nosso aprimoramento moral, o esclarecimento
espiritual e o progresso do Planeta.

REGRESSO À CASA PATERNA

Assim, de encarnação em encarnação, progride o espírito, que é Força, Luz, partícula do


Grande Foco, até que o seu estado mental esteja em condições de evoluir no Astral Superior,
tornando-se obreiro do Bem e do Belo, para retornar ao Todo, de onde partiu.
De que nos servem a glória efêmera, o luxo, a vaidade, o orgulho e os sentimentos
inferiores que urdimos, egolatricamente, com os fios da nossa ignorância no tear da vida?
Servem apenas para aumentar os nossos sofrimentos e perturbar a alma, tornando a vida mais
difícil e complicada. (São Paulo, agosto/1953)
RACIONALISMO CRISTÃO
À distinta Dona Kalime

O Racionalismo Cristão não é o racionalismo de Descartes, Kant e outros filósofos. A


Doutrina Racionalista Cristã, codificada por Luiz de Mattos, não é um culto prestado a uma
divindade; podemos, porém, classificá-la como doutrina que religa a criatura ao Criador,
ensinando o ser a usar o livre-arbítrio para o bem e a pensar com elevação.
O Racionalismo Cristão é uma doutrina que analisa com equanimidade a razão das
coisas e a lógica dos fatos, sem crendices e sem intolerância, porque é raciocinando livre,
ponderada e esclarecidamente que se chega à realidade.
Como a Força Espiritual, que é Luz e Inteligência, é o agente que dá vida, aciona e
transforma a matéria, o Racionalismo Cristão investiga esse elemento primordial da nossa
existência.
Dessas investigações, conclui a Doutrina Racionalista Cristã que apenas dois elementos
essenciais existem no Universo: Força e Matéria. Sendo a Matéria inerte por si mesma, temos
que estudar e analisar a Força que a incita e movimenta, motivo por que o Racionalismo
Cristão procura ajustar-se à espiritualidade do Poder Criador e à evolução que se processa na
vida de todos os seres.
O Racionalismo Cristão não manda a criatura crer e ter fé; aconselha-a, sim, a investigar
a Verdade e ter confiança em si mesma, fazendo bom uso do seu livre-arbítrio e do poder da
vontade, para vencer os obstáculos e livrar-se da mentira convencionada.

JESUS, RACIONALISTA

O Racionalismo tem a denominação de Cristão porque Jesus agia e doutrinava


racionalmente, como propagador da Verdade. Espiritualista convicto e sincero, conhecia
profundamente a vida fora da matéria e a ignorância humana.
A vida de Jesus foi de lutas, de sofrimentos, renúncia, abnegação, honradez, coragem e
sabedoria. Portanto, é digno de ser admirado, com estima e respeito, pelos que amam a
Verdade e o Bem.
O Racionalismo Cristão, doutrina esclarecedora dos porquês das coisas, difunde um
espiritualismo sadio, despido de crendices, de embustes e misticismo, e orienta os seres
humanos na sua luta, quer no plano físico quer no psíquico, sem o obscurantismo da
superstição, dos mitos e do sectarismo.
A sua disciplina é racional e benéfica; os seus princípios normativos são seguros,
ponderados e esclarecedores. Assim, quem os estuda tem melhor percepção da vida e
conhecimento de si próprio; é também uma doutrina moralizadora, porque combate os vícios,
os preconceitos, a intolerância e os maus hábitos, mostrando-nos que é pela consciência e
correção dos nossos erros e pelo cumprimento dos nossos deveres que alcançamos o
aperfeiçoamento intelectual, moral e espiritual.

PRINCIPAL OBJETIVO

O Racionalismo Cristão, além de ser um centro irradiativo de espiritualidade, é também


uma escola superior de aperfeiçoamento. Ensina a maneira pela qual devemos combater os
nossos desatinos e as nossas imperfeições, para tornarmo-nos mais úteis a nós mesmos, à
família, à pátria e à humanidade, pela compreensão da vida e pela eficiência no trabalho,
visando o bem comum. Procura levantar o moral das criaturas enfraquecidas, mostrando-lhes
a causa dos seus males e os meios de que dispõem para evitá-los ou amenizá-los. Todavia,
respeita o livre-arbítrio de cada pessoa, porque a tolerância é um dos seus princípios. Seu
principal objetivo é a Verdade; o aprimoramento e o bem-estar das criaturas, as metas a fim
de que o nosso planeta se transforme, o mais breve possível, num mundo de bonança, de
fraternidade e justiça, sem o materialismo, a maldade e a ignorância que confundem os povos.

FILOSOFIA

Como vemos, o Racionalismo Cristão não é um credo religioso; é uma doutrina


filosófica, da mais pura espiritualidade, sem nenhum dogmatismo, porque a razão, que
esclarece, deve suplantar a fé em estado de misticismo ou de paixão incontrolada. O fanático
não raciocina, não pondera, não deduz, crê cegamente em qualquer tabu, ao passo que o
racionalista cristão pensa, estuda, analisa e reflete bem para encontrar a verdade das coisas
que observa e julga.
A força mental, que se irradia pelo pensamento, quando vibrada com otimismo,
confiança e alegria, é a alavanca que ergue a criatura pessimista, desanimada e triste.
Eis aí uma pequena síntese do Racionalismo Cristão.
CARTA A UM AMIGO
Agora que andas angustiado por dissabores que te abatem a alma e debilitam o físico,
recebe a minha palavra amiga de alento e conforto moral.
A nossa vida terrena é como uma estrada longa e tortuosa, ao longo de cujo percurso
encontramos as mais diversas situações: ora andamos por planícies verdejantes e orladas de
flores, ora pisamos e vemos solo áspero, seco, íngreme, espinhoso. Nesse constante viajar,
nessa luta porfiada, temos de seguir em frente, até chegarmos ao fim da grande jornada, que é
o regresso aos páramos universais em busca do nirvana.
A maldade e a incompreensão humanas pouco devem importar quando visam molestar-
nos: o que importa é a nossa reflexão inabalável para cumprirmos, com calma, discernimento
e ponderação, os nossos deveres. Importa que sigamos o nosso caminho, sem medo.
Quando estivermos fatigados pelas agruras dessa cansativa viagem, elevemos os nossos
pensamentos à Inteligência Universal e logo veremos recuperada a energia anímica ou ódica,
e a alegria voltará.

SILÊNCIO OPORTUNO

Quando virmos alguém deprimido ou perturbado, derramemos sobre essa criatura, nossa
irmã em essência, os eflúvios benéficos da nossa alma, por meio de pensamentos de
harmonia, pureza e bondade. Não apontemos, inoportunamente, as faltas ou os defeitos de
quem sofre para não perturbar ainda mais o seu estado psíquico; é mais lógico e racional que
lhe estimulemos as boas qualidades, despertas ou latentes no seu espírito. Nenhuma pessoa é
perfeita. Temos, por isso, de ser benévolos e tolerantes com os nossos semelhantes, mormente
com os que sofrem traumas morais e se sentem incompreendidos. Se não pudermos fazer o
bem, evitemos praticar o mal em ações ou pensamentos.
Se a nossa palavra aumentar o sofrimento alheio, devemos calar: uma opinião dada no
momento oportuno pode esclarecer e alentar; emitida na hora imprópria, pode causar
aborrecimentos.
Não zombemos do nosso próximo e não fujamos do cumprimento dos nossos deveres.
Devemos, com os nossos exemplos de coragem, honradez e decisão, atrair os fracos e
indecisos para o Bem e para a Verdade. Temos de entender que na fealdade e no sofrimento
também existe algo de belo e proveitoso, já que neste mundo tudo tem a sua razão de ser, de
acordo com as leis naturais e imutáveis que nos regem. No plano individual, os psicólogos
consideram que “a racionalidade do ser humano não é um fatalismo genético; é uma aspiração
que depende de grande esforço”.
Falando simbolicamente: se nos fosse dado folhear as páginas do imenso livro das
nossas existências pretéritas, ficaríamos atônitos com os nossos desatinos e satisfeitos, por
outro lado, ao ver os nossos progressos na senda da evolução.
Jamais nos devemos regozijar com os infortúnios dos outros: se atirarmos uma pedra
para o alto, ela poderá cair sobre a nossa própria cabeça, pela lei da atração.
PLANTA

Uma planta, quando colocada em lugar escuro, procura por si mesma alcançar a luz
solar, para vicejar e viver. Assim, também nós somos impelidos a procurar a luz da
espiritualidade eterna, para que se processe a nossa integração psíquica na Força Universal,
por meio da dor, da luta, do estudo, da experiência, do poder da vontade, do controle do nosso
livre-arbítrio e do aprimoramento de todas as nossas faculdades diretivas, tendo em vista a
Verdade.
Para um viver feliz, aqui, na Terra, a natureza prodigalizou-nos maravilhas, a que às
vezes não damos o devido valor: trocamos o salutar otimismo pelo doentio pessimismo, a
alegria reconfortante pela tristeza acabrunhante, e o amor, que redime, pelo ódio que
entorpece, entregando-nos a um materialismo ilógico ou a uma subjetividade sem sentido.
Tu, um homem com certa cultura, inteligente e conhecedor da metafísica, hás de
compreender as vicissitudes da vida e enfrentá-las com o heroísmo do soldado que defende o
solo pátrio. Se erraste, procura corrigir-te, dominando o teu eu. Reconhecendo o erro,
mostrarás ter bom senso e o desejo de te conduzires com acerto nas relações humanas e na tua
vida íntima.
Reage, portanto, contra esse sentimento doentio que te angustia. Procura esquecer o
passado e viver com alegria os dias bonançosos do presente, confiando no futuro. Sê cordato,
justo e verdadeiro. Respeita as idéias alheias para que as tuas sejam respeitadas.
O prazer e a aflição são sentimentos da alma. Só a nossa vontade os pode modificar.
Pondo as tuas forças volitivas em ação, tudo poderá transformar-se em tua vida: saber querer
é poder.
Sê, enfim, feliz. É o que mais te deseja este teu velho amigo de infância, que ora te
abraça com grande afeição.
JUIZ DE DIREITO MAIS VELHO DO BRASIL
A linda e hospitaleira cidade de Belém do São Francisco, no Estado de Pernambuco,
esteve em festa durante dois dias para homenagear o Dr. Joaquim Crispiniano Coelho
Brandão, Juiz de Direito aposentado, que, no dia 30 de agosto do ano em curso, completou
cem anos de vida, gozando plena lucidez mental.
O decano da magistratura pernambucana não usa óculos para ler e escrever. Ele ainda
anda com relativa agilidade e escreve todas as noites até as duas horas.
O venerando magistrado não fuma, não toma bebidas alcoólicas e tem uma alimentação
sóbria e racional, não dispensando, diariamente, frutas e coalhada, e isso é talvez um dos
motivos da sua longevidade, aliado à sua serenidade e bom humor.

CIDADÃO EXTRAORDINÁRIO

É, realmente, um cidadão extraordinário: culto, afável e mui ponderado; pelo seu


espírito de justiça e bondade só conquistou amigos na trajetória da sua longa existência, razão
por que é estimado e respeitado pelos colegas de magistratura e pelo povo em geral.
A Associação Pernambucana dos Magistrados homenageou-o com uma placa de bronze,
na qual foi inscrito um pensamento de Schopenhauer: “Os antigos jamais envelhecem”.
O Governador de Pernambuco se fez representar, nas homenagens tributadas ao
venerando Juiz, pelo seu Secretário de Justiça.
Desembargadores, juizes e diversos membros do Ministério Público estadual e federal
foram até a cidade de Belém do São Francisco, que dista mais de quinhentos quilômetros do
Recife, para saudar o Juiz Coelho Brandão pelo seu centenário de nascimento. Também
compareceram centenas de pessoas da capital pernambucana, do Rio de Janeiro, de muitas
localidades de Pernambuco e da Bahia.
Todas as classes sociais de Belém do São Francisco desfilaram em sua homenagem,
numa demonstração de grande apreço, respeito e gratidão.
Aos inúmeros oradores que o saudaram, ele respondeu de improviso, pronunciando uma
bela e imperturbável peça oratória.
Uma equipe da Empresa de Turismo de Pernambuco e do Governo do Estado gravou
uma entrevista com o Dr. Coelho Brandão para ser arquivada no Museu da Imagem e do Som.
Também foram filmados os aspectos principais da cidade e das solenidades.
Pelo seu centenário de vida, a Associação Pernambucana dos Magistrados concedeu-lhe
o título de sócio honorário, recebendo ainda um voto de regozijo da Ordem dos Advogados
do Brasil. O Instituto Geográfico e Histórico de São Paulo, por indicação do seu associado
Coronel Dr. Arrisson de Sousa Ferraz, fez constar da ata dos trabalhos um voto de louvor e
congratulação.
Magistrado de alto saber jurídico, foi incumbido, em 1919, pelo então Governador do
Estado, de elaborar um anteprojeto de reforma da Organização Judiciária de Pernambuco.
Preconizou a reforma da Constituição de 1891 e apresentou também sugestões para a nossa
Carta Magna atual.
Como juiz íntegro, como poeta lírico e escritor emérito, Dr. Coelho Brandão procura ser
simples, verdadeiro e ponderado. Ao completar cem anos ao lado da esposa, Dona Olindina
Lustosa, e de sua numerosa descendência, entre filhos, netos e bisnetos, recebeu mui
merecidamente as homenagens dos familiares, das autoridades, dos colegas, dos amigos e
admiradores, porque quem pratica o bem colhe, naturalmente, os louros dos seus próprios
méritos.1
(São Paulo, setembro/1975)

1
O Dr. Joaquim Crispiniano Coelho Brandão faleceu em 1982, com 107 anos de idade (Nota do autor)
DESPEDIDAS AO CORPM
Permitam-me que eu lhes fale, neste instante, pela última vez no plenário deste Colendo
Conselho Deliberativo do nosso CORPM (Clube dos Oficiais da Reserva da Polícia Militar),
para despedir-me dos meus nobres pares e, ao mesmo tempo, agradecer-lhes penhorado a
consideração que dispensaram a este modesto e velho conselheiro.
Este é o meu sexto mandato de membro dos órgãos diretivos do nosso Clube; por isso o
deixo com a consciência tranqüila de que também colaborei, embora obscuramente, para a sua
manutenção, como sócio-contribuinte e dirigente.
Nesta oportunidade, renovo os meus sinceros agradecimentos aos senhores oficiais que
abrilhantaram este douto Conselho com as luzes do seu saber e a proficuidade da sua
experiência acumulada através de longos anos de vivência policial-militar e ainda como
dirigentes desta entidade associativa.

EXCLUSIVIDADE

Por término de mandato, deixo este egrégio Conselho, para dedicar-me com
exclusividade ao esclarecimento espiritual e moral dos seres humanos, como já venho fazendo
há muitos anos. Atualmente exerço o cargo de Diretor-Secretário do Racionalismo Cristão
nesta capital, cargo este muito laborioso e de grande responsabilidade. Essa Doutrina tem
filiais em muitas cidades do Brasil e do exterior, sendo a de São Paulo a maior de todas, com
uma média de oitocentas pessoas por sessão pública de limpeza psíquica, realizada três vezes
por semana, além das sessões particulares, destinadas aos seus militantes, e com uma
correspondência numerosa procedente deste e de outros Estados e até mesmo do estrangeiro.
Como Tesoureiro do Racionalismo Cristão em São Paulo, durante mais de vinte anos,
fui um dos que construíram o majestoso edifício-sede do filiado paulista, cuja arquitetura é
uma das mais lindas desta cidade, igual à da Casa-Matriz, no Rio de Janeiro, com a sua frente
de mármore e portas de ferro.
Continuo também como representante do jornal A Razão, do Rio de Janeiro, como
encarregado do cerimonial das inaugurações de todas as Casas Racionalistas Cristãs no Brasil
e como assessor, nessas solenidades, do Presidente Internacional do Racionalismo Cristão.

EXEMPLO PARA O MUNDO

Como minhas despedidas, apresento afetivos votos de perene felicidade, neste Ano
Novo de 1983, aos senhores Conselheiros, extensivos às suas digníssimas famílias.
Estamos no início de 1983 e oxalá nunca medre em nosso querido Brasil a erva daninha
da intolerância política, racial ou religiosa, para que a liberdade, disciplinada pela ordem, pela
justiça, pela razão e pelo bom senso, seja o nosso fanal e a nossa meta para maior
humanização da vida neste planeta-escola, de aprendizagem e recuperação, a fim de que o
nosso exemplo de fraternidade cristã se reflita em todo o mundo, e os homens pensem e
reflitam melhor sobre o sábio preceito de Jesus — o amor ao próximo.
(São Paulo, janeiro/1983)
CARTA A UM VELHO AMIGO (1)
De posse de sua erudita missiva, de 24 de dezembro, apresso-me a respondê-la, para
dizer-lhe que o seu conteúdo veio entristecer-me pela desagradável notícia que me deu do seu
estado de saúde.
Oxalá nada exista de grave no seu organismo que possa perturbar-lhe a saúde e a
“verve”, a fim de que o Dr. Coelho continue ainda por muitos anos prestando o seu desvelado
amparo à família, alegrando os amigos com sua amizade sincera e dando o seu valioso
concurso à coletividade e à pátria. O amigo tem procurado sempre dignificar a vida com a
justeza dos seus atos e com o altruísmo dos seus pensamentos, cujo caminho tem percorrido
esteado nos sábios conselhos de Cícero: Ponderação, Moderação, Justiça e Valor, que são as
características do homem honrado e cumpridor dos seus deveres.

POESIA

Seu soneto Doente revela a grandeza da sua alma enrijecida nos embates deste mundo,
já liberta do medo da morte, do temor de enfrentar o além-túmulo.
Neste estóico soneto, o senhor retrata a sua personalidade socratiana, que vê a realidade
da vida na essência do espírito e não na transitoriedade da matéria, visto que esta é mutável,
se transforma e desagrega sob a ação do tempo.
A alma, partícula da Inteligência Universal, busca, pela evolução, a sua fonte de origem
— a Força Criadora.
O saudoso poeta maranhense J. Nogueira Rego diz, no seu espiritualizado poema
Gênese:
“Num tempo bem distante, há milênios, talvez,
Da Força Universal, eterna, onipotente,
Partícula de luz, um dia, certa vez,
Desci para viver e voltar novamente.”
Estou de pleno acordo com a verdade contida nessa lapidar estrofe, visto que descemos
à Terra para viver e voltar novamente ao nosso mundo superior (mundos, zonas, esferas,
planos ou céus, pouco importa a denominação terrena), quando se romperem os elos que nos
prendem ao corpo físico.
Já dizia Pitágoras: “O corpo é o carro da alma”; por conseguinte, quando o nosso carro
está danificado e completamente imprestável para conserto, somos forçados a abandoná-lo no
início, no meio ou no fim da jornada, não obstante o nosso amor à família e o nosso apego ao
ambiente em que vivemos, porque o ômega da vida é uma lei natural a que todos os viventes
estão sujeitos. Leibniz afirmou: “O tempo é a ordem sucessiva de todas as coisas”.
Ninguém melhor do que o poeta sabe conceber a imortalidade da alma, pelo fato de sua
mente vibrar dentro da sensibilidade espiritual da vida, criando imagens líricas para a glória
eterna das musas e para suavizar as tristezas próprias deste mundo.
Agradeço-lhe os lindos sonetos que me mandou agora, os quais vieram juntar-se às suas
poesias e cartas catalogadas no meu arquivo, velho relicário de saudades, como jóias de
grande valor literário, artístico e sentimental.
LONGEVIDADE

Em vista da sua fortaleza psíquica, do seu ânimo inquebrantável, da sobriedade do seu


viver e do seu otimismo, estou certo de que o amigo e tia Olindina celebrarão, em 1960, as
suas bodas de ouro, entre o carinho dos seus entes queridos e a afeição dos seus amigos. O
seu organismo ainda resiste bem às enfermidades e às intempéries, porque o senhor sempre o
tratou com o devido cuidado, dando-lhe uma alimentação sadia e nutriente, a par de uma
higiene mental bem equilibrada, que é o segredo da sua longevidade.
Com um tratamento médico especializado, aliado a uma terapêutica dietética
apropriada, o senhor se restabelecerá do mau funcionamento dos rins e da albuminúria e,
procurando esquecer a sua idade, para enganar o tempo, o prezado amigo chegará à casa dos
noventa com saúde e alegria, porque é da estirpe e da virilidade de um Marechal Rondon, que
há poucos dias partiu desta vida aos noventa e dois anos.
Pela concepção racional que o senhor sempre teve da vida, evitando os vícios e os
excessos, está agora colhendo os frutos de uma longevidade rejuvenescida.
O álcool, o fumo, as extravagâncias, a alimentação deficiente ou irracional e o estado
psíquico descontrolado são fatores predisponentes às enfermidades do corpo e da alma.

(São Paulo, janeiro/1958)


CARTA AO MANO POMPÍLIO
Recebi a estimada carta em que comunicaste que a situação econômico-financeira dessa
terra é assaz melindrosa, em vista do estio que devastou a plantação.
É lamentável esse fenômeno climatológico que se expande por todo o Nordeste
brasileiro, ora pelo quadro desolador das secas prolongadas, ora pelo excesso das chuvas
periódicas...
Que podem fazer os bravos nordestinos?
Ter muita coragem e resignação com as condições naturais dessa terra, porque tudo que
nos acontece, voluntária ou involuntariamente, tem o seu fundamento e a sua razão de ser,
nada nos acontece por acaso.

DÍVIDA

Suponho que o Nordeste esteja resgatando uma dívida antiga; por isso a região talvez
esteja colhendo o fruto que semeou no passado. Assim, o futuro lhe reservará melhores
condições.
O tempo é ilimitado para o resgate das nossas dívidas espirituais; para muitos essa idéia
parece absurda, mas, para mim, acho viável, porque, do contrário, a justiça do Criador seria
igual à dos homens falíveis.
O que fizemos no passado condiciona o presente e o que fazemos na atualidade terá
conseqüência no futuro.
Com esclarecimento e coragem podemos minorar as reações de causa e efeito, isto é,
cumprindo com valor e altruísmo os nossos deveres.
Os meus conterrâneos não devem esmorecer nessa luta titânica, pois é com sacrifício
que se consegue o seu desiderato. Enquanto possuírem energias não devem acovardar-se ante
os empecilhos e é seu dever enfrentá-los, por todos os meios ao seu alcance, porque, lutando,
há probabilidade de vencer.
Não obstante as grandes dificuldades que se lhe apresentam, o homem não deve
esmorecer nem perder seu tempo inutilmente. O tempo perdido jamais se recupera.

IRRIGAR É PRECISO

Embora seja difícil viver aí, por falta de chuvas e de trabalho, todos devem procurar,
com afinco, amenizar a situação em que se encontram.
Além do flagelo das secas, faltam iniciativa e estímulo ao povo sertanejo. Esse
município tem probabilidade de melhorar economicamente, visto ficar à margem do São
Francisco e possuir muitas ilhas que poderão ser futuramente irrigadas e cultivadas.
Enquanto, porém, o governo não as irrigar, os seus arrendatários devem cultivá-las, na
medida do possível, aguando a plantação. Esse processo de regar é trabalhoso, porém, não o
fazendo, o povo sofrerá mais.
(São Paulo, maio/1934)
CARTA A UM VELHO AMIGO (2)
Li e reli sua agradabilíssima carta, que encerra, para mim, uma mensagem de
reafirmação de uma velha amizade que tem subsistido através do tempo e do espaço.
Sua carta muito me agradou, não pelas referências elogiosas que faz à minha obscura
pessoa, mas pela judiciosa opinião que o seu autor emite sobre poesia, música e filosofia de
vida.
Refutando o que me disse a respeito do conceito que fiz e faço de sua simpática
personalidade, digo-lhe que não foi por mero formalismo social ou por bizantinismo que me
congratulei com o amigo, mas pelo dom da poesia e da palavra que emana profusamente do
seu peregrino intelecto e pelos atributos morais que o adornam.
Quando elogio os meus raros amigos, revisto-me da integridade de um juiz que se
coloca acima de qualquer sentimentalismo que venha ferir o inviolável culto da justiça e da
Verdade.
Na sua vida retilínea de magistrado, o amigo soube sempre se conduzir dentro da justiça
e da bondade, fazendo do Direito um bem jurídico-social, e não um estratagema da política,
como sói acontecer no nosso querido Brasil.

OQUE É POESIA

Herder, ensinando Goethe a procurar nos seus carmes as vozes dos povos, através da
natureza e da fonte eternamente jovem da poesia popular, dizia:
A poesia é a língua-mãe do gênero humano em cujo Panteon concordam em harmonia
as vozes de todos os povos.
Por falar no autor do Fausto, lembrei-me de que transcorre este ano o bicentenário do
nascimento de Goethe, o genial poeta-filósofo, citado em sua carta como um dos protótipos da
poesia universal.
Na poesia, o senhor descreve, em versos ataviados de um sentimentalismo nobre e puro,
o amor que consagra aos filhos, à esposa, às coisas da vida, e enaltece a amizade que dedica
aos parentes e amigos.
No seu belíssimo soneto “Esperança”, que o amigo me enviou, há uma suave
comunhão entre o homem e o Criador, mostrando-nos quão bela é a vida, quando guiada pela
esperança.
De fato a esperança deve alentar-nos a existência “em toda e qualquer lida”, para que
possamos alcançar a ventura da realização de um dever, qual seja, o de rever sempre o lar
paterno, os parentes, os amigos e o torrão natal.
Não perdi ainda a esperança de rever, em corpo físico, essa gente boa e essa terra
querida do meu sertão; todavia, se as circunstâncias não o permitirem, fique certo, meu caro
Dr. Coelho, de que o meu espírito, com grande enternecimento, as reverá, recordando cheio
de saudade os momentos fagueiros de minha vida sertaneja, passados entre o desvelo dos
parentes e amigos e a aspereza “suave” da natureza nordestina, cujo quadro está sempre
retratado na minha mente.
VELHA AMIZADE

Tempo virá em que, provavelmente, nos encontraremos nas Esferas Superiores, atraídos
pela velha amizade que há séculos nos religa, e ali, libertos das injunções próprias da vida
material, comentaremos fatos do nosso viver no planeta Terra, lamentando, talvez, os
preconceitos sociais e religiosos que desviam os seres humanos da realidade.
Que isso aconteça para alegria das nossas almas!

APRENDIZADO

Não tenho nenhuma erudição acadêmica e desconheço o esoterismo escolástico. Os


conhecimentos rudimentares que tenho da vida e das coisas aprendi através da luta, da
experiência e da observação, procurando nos ensinamentos anônimos da natureza e dos
homens cultores do Bem e da Verdade algo que me orientasse na minha caminhada por este
mundo depurador. Não gosto de falar de mim mesmo, a não ser para apontar e corrigir os
meus próprios defeitos, que, aliás, são numerosos.
Algumas pessoas amigas, como o Dr. Coelho, levadas por um sentimento de bondade,
fazem um julgamento de excessivo otimismo do meu valor pessoal.
É verdade que procuro cumprir os meus deveres, em todos os aspectos da vida, dentro
das minhas possibilidades, contudo muito luto para corrigir hábitos, educar a vontade e
controlar o livre-arbítrio.
Estou muito aquém da perfeição e ainda carrego sobre os ombros a cruz pesada deste
calvário da existência, em busca da Verdade e da evolução.
Disse Jesus: “Só a Verdade livrará a humanidade das garras da ignorância”.
É justamente a Verdade que nos ilumina na compreensão de nós mesmos e de tudo que
nos cerca; por isso devemos projetá-la em cada ação da nossa vida.
Julgo-me, pois, imperfeito como o mais vulgar dos homens, diferenciando-se deste
apenas na interpretação intrínseca das minhas faltas e suas conseqüências, porque, quando
erro e recebo o que é devido, não culpo o Criador pelo que me acontece, visto que cada um de
nós tem o que merece e recebe pelo que dá.
Lembra Pitigrilli o que já dizia o sábio e vetusto Homero: “O homem se obstina em
atribuir a culpa aos deuses, e à sua estupidez chama de destino”.
Sei que o meu destino foi e será forjado pelas minhas ações e pela irradiação dos meus
pensamentos, em consonância com as leis comuns e naturais que regem o Universo. Sou,
portanto, o artífice do meu destino, preparado no passado, modificado no presente ou
reformado no futuro.
É a marcha da evolução transformando e aprimorando para a perfeição, a fim de que
possamos regressar à Inteligência Universal, nossa fonte de origem.
No estado psicológico em que me encontro atualmente, falta-me, para o
desenvolvimento da cultura intelectual, o temperamentum ad pondus de Hipócrates, ou seja, o
perfeito equilíbrio do organismo. Também não possuo os homúsculos de Paracelso nem tive
ainda o estalo do venerando Padre Antônio Vieira para iluminar-me no culto das letras e das
ciências...
Sinto que minha mente não tem o condão para difundir, com eloqüência, o que leio e
ouço dos mestres, e isso é, talvez, o efeito de uma causa metafísica, que os teosofistas
chamam de lei do “karma”, ou seja, de acordo com os princípios racionalistas cristãos, o
choque de retorno de uma ação passada refletida no presente.

REALIDADES ETERNAS

Pedindo-lhe vênia, faço meu o sentencioso comentário de Humberto de Campos:


A sepultura não é a porta do céu, nem a passagem para o inferno. É o bangalô
subterrâneo das células cansadas — silencioso depósito do vestuário apodrecido. O homem
não encontrará na morte mais do que vida, e no misterioso umbral a grande surpresa é o
encontro de si mesmo. Falar, pois, de homens e de espíritos como se fossem expoentes de
duas raças antagônicas vale por falsa concepção das realidades eternas.
As criaturas terrenas são, igualmente, espíritos, revestidos de expressões peculiares ao
Planeta. Eis a verdade que o cristianismo restaurado difundirá nos círculos da cultura
religiosa.
Quanta gente aguarda a grande transição para regenerar costumes e renovar
pensamentos? Entretanto, adiar a realização do bem é menosprezar patrimônios espirituais,
agravando dificuldades futuras.
A alegria da imortalidade embriagou a muitos estudiosos imprevidentes. Dorme-se ao
longo de trabalhos valiosos e urgentes, à espera de mundos celestiais, como se o orbe
terrestre não integrasse a paisagem do infinito. O Sol ilumina o mundo, a chuva fecunda a
terra, a árvore frutifica, as águas adoçam a aridez do deserto; mas o homem deve caminhar
por si mesmo. As maravilhas e dádivas da Natureza Superior não eximem a criatura da
obrigação de seguir com Cristo para Deus. A Terra é também a grande universidade.
Ninguém despreze a luta, o sofrimento, a dificuldade, o testemunho próprio.
A Luz e o Bem, a Sabedoria e o Amor, a compreensão e a fraternidade, o cérebro
esclarecido e as mãos generosas dependem do esforço pessoal, antes de tudo.

CAMINHO CERTO

Basta, meu caro Dr. Coelho, de tantos comentários, e elevemos os nossos pensamentos
à Inteligência Universal, fazendo irradiantes votos para que os homens se esclareçam mais e
compreendam melhor o poder dinâmico da vida, que é eterna, harmonizando os seus efêmeros
interesses materiais, a fim de que esta humanidade, que ainda não encontrou a verdadeira paz,
entre no caminho que a conduzirá à Verdade, à justiça e à razão, ou seja, a reintegração na
vida simples, natural e cristã, a que todas as criaturas fazem jus, como partículas do Grande
Foco.
Agora que os nossos políticos se preparam para a campanha da sucessão presidencial,
oxalá seja encontrado para dirigir a República um cidadão capaz de resolver, definitivamente,
alguns dos muitos problemas fundamentais ao progresso da nação e ao bem-estar do povo
brasileiro.
Pedindo-lhe desculpas pela prolixidade desta carta, prometo ao bondoso amigo que a
próxima será breve, espartanamente lacônica...
(São Paulo, julho/1949)
OS DEZ ITENS DA MINHA VIDA
1° — Quero controlar os meus desejos e pensamentos, purificando-os no Bem e no Belo.

2° — Quero dominar as minhas paixões e todos os ímpetos inferiores do meu instinto, para
que a minha inteligência me ilumine no cumprimento dos meus deveres.

3°— Quero encarar a vida dentro da sua evidência real.

4° — Quero que todas as células do meu corpo funcionem com normalidade e que meu
espírito seja de fato senhor do meu eu.

5° — Quero que sejam banidas de minha mente as idéias de vaidade, ódio, orgulho, ciúme e
de tristeza, sendo substituídas por pensamentos de valor e altruísmo.

6° — Quero viver alegre e com saúde, porque “o corpo é o templo onde habita o espírito”.

7° — Quero ser sincero, justo e coerente para com meus semelhantes e para comigo mesmo.

8° — Quero que os meus atos e as minhas palavras sejam sempre pautados pela linha reta da
Verdade e da justiça.

9° — Quero ter sempre em mente que o saber, o amor, a justiça, a verdade e a razão
conduzem o homem ao caminho da Realidade da vida.

10° — Quero amar a tudo e a todos, porque da natureza e do Todo eu faço parte, dentro da
comunidade universal.
(São Paulo, julho/1933)
CARTA AO POETA E ESCRITOS URBANO LOPES DA SILVA
Temos em agradáveis palestras falado sobre espiritualidade e, em particular, sobre a
reencarnação da alma.
Embora estejamos de pleno acordo quanto à filosofia espiritualista, há, todavia, entre
nós divergências a respeito da interpretação de causa e efeito.
Congratulo-me com o amigo por ter enveredado pela ciência das ciências, que é o
espiritualismo; não de um modo religioso, apaixonado, ilógico, irracional e fanático, mas
esteado na razão, na justiça e na ciência, que nos conduzem ao discernimento da Verdade.

ESTUDOS ESPÍRITAS

Faço minha a valorosa opinião do ilustre médico brasileiro Antônio Pinheiro Guedes, na
obra de sua autoria Ciência espírita:
Como resultado dos estudos espíritas, a imortalidade da alma é estatuída em princípios
perfeitamente determinados em provas irrefutáveis.
A sucessão das existências ou multiplicidade de vidas corpóreas de uma
individualidade consciente — o espírito humano — denominada reencarnação, constitui a lei
a que estão sujeitos todos os espíritos; é condição essencial ao seu progresso.
O corpo é para a alma o que a roupa é para o corpo, um agasalho, um abrigo contra as
intempéries, um véu sobre a nudez.
Sabe-se hoje que o espírito assiste, preside à formação do seu corpo, transfundindo-se,
consubstanciando-se nele pelo perispírito, corpo anímico, molécula a molécula, órgão por
órgão, durante a gestação, até completar a evolução fetal; dele toma posse inteira, absoluta,
à natalidade, assenhoreando-se então totalmente do barco que aparelhou para navegar no
mar tempestuoso da vida material.
O espiritismo é um poderoso foco de luz, cujos raios atingem as fronteiras da esfera
intelectual e iluminam todo o ciclo da vida. Ele esclarece e justifica as chamadas ciências
ocultas, explicando racionalmente suas deduções e os porquês da vida astral e física.

FORÇA E MATÉRIA

Em conformidade com os sábios ensinamentos do Racionalismo Cristão:


A matéria não progride, já se acha nos diversos estados ou categorias em que é preciso
para organizar todos os corpos, de acordo com a Força que os deve organizar, incitar e
movimentar, inclusive os corpos sólidos.
É preciso não confundir a evolução da Força com a desagregação da Matéria.
A Força em si não é a energia a que se referem os eruditos oficiais. Explicando-se o
que seja a Força em si e a Matéria em si, facilmente se compreenderá como tudo nos vem de
fora e vive fora do nosso corpo, inclusive o pensamento que atraímos ou repelimos, conforme
a nossa vontade. O espírito começa evoluindo no reino mineral e vai subindo de degrau em
degrau, de arbusto em arbusto, de animal a animal, pois tudo quanto se oferece aos olhos
materiais, mesmo parecendo inanimado, contém uma partícula da Força, igual em essência
ao espírito do homem; e nessa evolução ininterrupta vai o espírito tomando nova forma e
adquirindo novos conhecimentos. A vida, considerada em síntese, é a evolução essencial, ou
seja, do espírito.
Em tudo e a cada momento, como galgando todas as esferas para chegar ao ponto de
onde partiu — à vida superior (espírito) — se evolui, se modifica; tudo é eterno nesta
eternidade de progresso que é a modificação de todas as coisas e de todos os seres.
Desde o grandioso vegetal ao microscópico grão de areia, nada existe sobre a Terra
que não tenha vida superior, também denominada espírito; vida intermédia, denominada vida
anímica ou fluido nervoso, e vida inferior, de diferentes categorias, que se denomina
matéria...

REENCARNAÇÃO

O espírito, depois que desencarna, depois da inércia do seu corpo físico, cessada a
natural perturbação que o acompanha na passagem da vida corporal à espiritual, por si só,
quando esclarecido, ou auxiliado por espíritos superiores, deixa a atmosfera da Terra e passa
para o espaço de luz, isto é, para o mundo que lhe é próprio e, ali chegando, torna-se
consciente de tudo que fez quando encarnado e, com espanto, muitas vezes, verifica que não
soube conduzir-se bem quando aqui esteve com a nobre missão de evoluir por meio da luta,
do sofrimento e das experiências que o mundo Terra, que é uma escola e também uma
penitenciária, oferece aos que desejam progredir no caminho da perfeição, do conhecimento
da Verdade. Assim, o espírito se vê obrigado, por si mesmo, a reencarnar para fazer o que não
fez nas últimas encarnações.
A sucessão de vindas ao presídio da matéria é feita até que a alma se torne forte,
esclarecida e cumpra realmente os seus deveres, seguindo com coragem e honradez o
caminho do bem e do progresso. Após passar por todas as categorias evolutivas nos seus
respectivos mundos, planos ou esferas, ela ascende ao Todo.

“VÓS SOIS DEUSES”

O espírito não é apenas uma simples emanação do pensamento do Grande Foco, que o
vulgo conhece por Deus; ele é precisamente uma partícula desse Grande Foco, que se parcela
para acionar o progresso dos mundos. Quando termina o ciclo desse trabalho maravilhoso,
através de corpos, de mundos por ele tornados diáfanos, o espírito volta à Inteligência
Universal ou Grande Foco, de onde partiu como sua partícula, porque, sendo o Grande Foco o
Arquiteto do Universo, precisa naturalmente parcelar por todas as partes e por todas as coisas
a sua própria Força, para que haja vida e evolução nos incontáveis mundos que se espalham
pelo infinito, cuja grandeza e incomensurabilidade a nossa inteligência, ligada à matéria, é
incapaz de avaliar e compreender.
Baseado na identidade essencial que há entre nós e o Criador, disse Jesus: “Vós sois
deuses”.

VIAJORES ERRANTES

Tratando desse assunto, assim se expressou o Dr. George S. Arundale:


O problema da morte é um dos maiores problemas da vida; assim, se desejais saber o
que sucede após a morte e o que acontece antes do nascimento, então é preciso pôr de lado
todas as asserções de negação, buscar ardentemente por vós mesmos e agarrar-vos a
qualquer coisa que vos pareça auxiliar e, assim fazendo, usai vossa inteligência, vossa
vontade, vosso impetuoso desejo de saber, custe o que custar. Subimos através de uma
tremenda linha de evolução, crescendo, crescendo e crescendo de um estágio de consciência
para outro. Crescemos do som da vida para o sonho da vida, do sonho da vida para o
despertar da vida, do despertar da vida para o verdadeiro conhecimento da própria vida, que
é o propósito do reino humano, ao qual todos nós pertencemos.
Somos viajores errantes, à semelhança de Porusa, o iluminado viajor que há
aproximadamente vinte mil anos assistiu ao desaparecimento da velha e lendária Atlântida,
onde hoje ondula o grande oceano Atlântico.
E até quando seremos viajores errantes? Até que percorramos a senda da vida, ou
melhor, até concluirmos a nossa evolução individual, neste e em outros mundos, voltando
então ao Todo, limpos de imperfeições e oniscientes do que há no Além-Superior.

RELIGIÕES

Há, infelizmente, no mundo cerca de oito mil religiões e seitas religiosas, cada uma
pregando uma doutrina diferente e antagônica.
No dizer de Krishnamurti, as religiões são verdadeiras gaiolas que nos aprisionam no
seu sectarismo organizado, à mercê das paixões e das conveniências dos seus mentores,
baseado em lendas e fatos apócrifos da História.
Os grandes homens que iluminaram a Terra com a sua sabedoria, tais como Jesus, Buda,
Confúcio, Pitágoras, Sócrates, Platão, Moisés, Hermes, Orfeu, Luiz de Mattos e muitos
outros, não fundaram religiões, apenas pregaram e difundiram doutrinas filosóficas de grande
elevação moral, pela reforma dos costumes; todos combateram a ignorância, a mentira e os
preconceitos sociais e religiosos.
Jesus disse: “Só a Verdade poderá libertar a humanidade das garras da ignorância e
assim prepará-la para o cumprimento do seu dever na Terra”.
Platão também dizia: “O maior mal é a ignorância da Verdade”.
De acordo com o hermetismo, “a moralidade dos antigos sábios não se apoiava em
preconceitos de ordem sobrenatural, nem em princípios irracionais, mas era essencialmente
prática. Sua base era o bem comum, e ela podia ser contida inteiramente nestas palavras: não
façais aos outros o que não quereis que vos façam. Fazei-vos amar pelo exemplo da vossa
vida”.
As religiões, que deveriam ensinar e praticar a espiritualidade da vida e da morte de um
modo prático, científico e racional, e a fraternidade entre todos os seres, pregam a discórdia, a
desarmonia e até a guerra, como se as criaturas não fossem irmãs em essência, almas que
vieram de diversos mundos habitar, temporariamente, o planeta Terra, pelos motivos já aqui
expostos.
Cada religião quer ter o monopólio das verdades espirituais, como se estas pudessem ser
monopolizadas por interesses velados...
A História aí está a nos mostrar o mal que as religiões têm causado à humanidade,
atrasando-lhe o progresso espiritual, em sua marcha ascendente para a Verdade.
A intolerância e os preconceitos são as características das religiões que se baseiam no
tradicionalismo ilógico dos costumes e das crenças. Agora vemos a velha Índia
ensangüentada pela intolerância religiosa. Nem mesmo o apóstolo da paz e da benemerência,
o “mahatma” Gandhi, escapou do fanatismo religioso e político. Gandhi, essa grande alma,
disse:
Para atingir a pureza perfeita, o homem deve elevar-se acima das correntes opostas do
amor e do ódio.
Vemos também, com tristeza, a terra que serviu de berço ao grande e iluminado Jesus
em guerra, porque duas mentalidades religiosas — judia e muçulmana — se chocam ao fragor
de um ódio irreconciliável, a ponto de a Organização das Nações Unidas opinar pela divisão
territorial da Palestina entre os contendores.

ESPIRITISMO

Para aumentar ainda mais o número das religiões, os praticantes do espiritismo popular
e evangélico e da magia negra querem, infelizmente, catalogar esse espiritismo como religião,
dando à sua prática mística e de inferior espiritualidade um sentido religioso, pelo
conhecimento precário que esses praticantes têm da ciência espírita.
O espiritismo puro e verdadeiro, como é praticado no Racionalismo Cristão, é a ciência
das ciências, doutrina filosófica baseada na Verdade e na razão, cuja moral e cuja disciplina,
revestidas da maior espiritualidade, levam-nos ao conhecimento do porquê das coisas e à
descoberta de nós mesmos como Força e Matéria, os dois elementos básicos do Universo.

PENSAMENTO / VONTADE / LIVRE-ARBÍTRIO

O pensamento é uma emanação da Força, ou seja, do espírito, e se irradia através do


éter, de maneira que as irradiações dos nossos pensamentos repelem os contrários ou se
confundem com os similares, que vibram no espaço.
Assim como o éter está cheio da propagação ondulatória do som, está também de
irradiações emanadas dos nossos pensamentos. O pensamento, portanto, não é a própria força
espiritual, é um meio de comunicação e é por intermédio dele que atraímos ou repelimos os
espíritos, inclusive os que perambulam na atmosfera terrestre, sem o devido esclarecimento,
ainda em completa ignorância do seu estado de desencarnados e do dever de partirem para os
seus mundos, a fim de se prepararem para novos trabalhos.
Sendo o pensamento de tanta importância no nosso viver coletivo, torna-se
indispensável o controle desse meio abstrato de comunicação, do livre-arbítrio e da vontade.
Ensina-nos a ciência de Hermes:
Sem a ação o pensamento é um aborto; pensar bem e agir com energia, eis o lema a
seguir para alcançar o triunfo. A vontade é a maior força a serviço do homem. A vontade é
certamente a faculdade humana cujo estudo é o mais delicado e, como é faculdade ativa e
realizadora por excelência, é, ao mesmo tempo, aquela cujo estudo é mais importante, para o
perfeito desenvolvimento do ser humano.
Descartes, considerado o fundador da filosofia moderna, disse:
Distinguir o falso do verdadeiro é o único meio de ver claras as ações e de caminhar
com segurança nesta vida. Um perfeito conhecimento de todas as coisas que o homem pode
ter é tão necessário para regular os nossos costumes como o uso dos nossos olhos para guiar
os nossos passos. Trabalhar para bem pensar: eis o princípio da moral.

A MORAL

A moral humana é uma norma de vida baseada no bom senso e na moderação dos
costumes; é uma meta que orienta o homem no cumprimento dos seus deveres, dentro da
sociedade ou do seu meio ambiente, buscando a Verdade para melhor distribuição da justiça e
do bem comum.
A moral não pode ser um simples aglomerado de preconceitos mantidos pelo homem à
mercê de uma tradição ilógica; ela é a bússola do nosso viver, e a oscilação da agulha
magnética nos indica o rumo que temos a seguir nos meridianos da vida; a ação magnética
variável é produzida não por uma corrente elétrica, e sim pela polarização dos nossos
pensamentos imantados pela vontade e controlados pelo livre-arbítrio.
Quanto à moral, dizia o grande Krishna:
Os males com que atormentamos o nosso próximo nos perseguem como a nossa sombra
o nosso corpo. As obras cujo móvel é o amor ao próximo devem ser ambicionadas pelo justo,
porque são as que mais pesarão na balança celestial (espiritual).
O homem virtuoso é parecido com a árvore de nossas florestas, cuja sombra dá às
plantas que a rodeiam a frescura da vida.

GUERRA / MISÉRIA

A guerra e a miséria política e social, que se observa em todas as partes da Terra, são
efeitos da nossa crassa ignorância, de não querermos resolver pacificamente, de modo justo e
racional, todos os nossos problemas de interesse coletivo.
A guerra, com o seu cortejo de miséria e de dores, não é um castigo imposto pelo
Criador a esta humanidade ainda atrabiliária; ela é gerada pelo mau uso do nosso livre-
arbítrio, desnorteado pelo orgulho, pela vaidade, pelo medo, pela prepotência e pela ganância.
O nosso egoísmo é demasiado, o nosso orgulho é cruel, e o materialismo, que entorpece o
nosso espírito, impede que nos olhemos frente a frente, como irmãos que somos em essência.
Para que a guerra seja proscrita deste planeta é indispensável que a humanidade seja
esclarecida sobre os porquês das coisas e sobre a sua composição como Força e Matéria, e
seja educada em princípios de justiça, de equanimidade e de sã moral, de verdadeiro amor ao
próximo e ao trabalho racionalizado, para o bem comum de todos os povos e nações.
Como se vê, a civilização, apesar de tão antiga, não chegou ao limiar da perfeição,
ainda fazendo guerra de conquista de territórios ou de comércio, e fabricando bombas e
instrumentos para destruição de povos e cidades.

USE A IMAGINAÇÃO

As explanações contidas nesta carta não são apenas produto de minha imaginação; são
resultado do trabalho, da observação imparcial e dos estudos científicos e filosóficos dos
grandes homens que se dedicaram, abnegadamente, às investigações das coisas sérias da vida.
Além dos grandes vultos do passado remoto, que se dedicaram ao psiquismo, ou
problemas da alma, tivemos mais recentemente pessoas de real saber, de grande valor, tais
como: H. Durvile, Paul Gibier, Wallace, Margon, Warbei, Zöllner, Du Prel, Aksokof,
Broferio, William Crookes, Albert e Coste, Gabriel Delanne, Giustanini, Lombroso, Max
Nob, e, no Brasil, o grande Luiz de Mattos, fundador do Racionalismo Cristão, Dr. Antônio
Pinheiro Guedes, Dr. Alberto Seabra, Visconde de Sabóia e outros.
Não deixei, porém, de expandir nesta carta um pouco da minha imaginação. Conta o
teósofo Arundale que Einstein, criador da famosa teoria da relatividade, declarou que a
primeira noção que teve da sua teoria veio-lhe não pelo estudo, não pelo intelecto, mas
através de um tremendo vôo de sua imaginação (digo eu: intuído naturalmente por Forças
Astrais Superiores). E aconselha o mestre Arundale: “Usai a vossa imaginação! Que dádiva
espiritual é a imaginação; por que não a usar? Pode, certamente, haver abuso, porém pode
também ser usada inteligentemente”.
Ao término desta longa palestra por escrito, desejo prestar uma homenagem aos poetas
espiritualistas Urbano Lopes da Silva e Manuel Barbosa do Nascimento, evocando alguns dos
“versos áureos” de Pitágoras:
“Sê bom filho e bom pai, terno esposo e irmão justo.
Escolhe para amigo o amigo da virtude;
Os conselhos lhe atende, e jamais o desprezes
Por nugas — se estiver em ti poder fazê-lo
Porque existe uma lei que jungiu, implacável,
O dom da Liberdade às garras do Destino.
.................................................................................
A fim de que, no pleno e eterno azul suspenso,
Também sejas um deus por entre os imortais.”

(São Paulo, julho/1948)


REMINISCÊNCIAS
Quem nasceu no sertão de Pernambuco e vive ausente da terra natal há de sentir
saudades das primeiras chuvas que caem no fim da primavera ou no início do verão.
Antes, porém, da preparação para o começo do inverno (que nos sertões nordestinos é a
estação das chuvas), temos trovoadas, relâmpagos, céu nublado e a alegria alvoroçada da
criação como prenúncio das primeiras águas.
Os sertanejos, ansiosos, espreitam o tempo e fazem conjeturas; uns procuram interpretar
as previsões do lunário, outros observam os fenômenos meteorológicos, e alguns, os mais
perscrutadores, já habituais com as constantes secas, fazem deduções para predizer se haverá
ou não inverno no sertão...

FARTURA E EUFORIA

Caem chuvas gerais; correm os riachos e os córregos; enchem-se os açudes e as lagoas,


e os sapos coaxam numa verdadeira aleluia saudando o inverno que chega.
Logo após as primeiras chuvas, o solo se reveste de babugem, e se as precipitações
atmosféricas continuam caindo com regularidade a relva cresce, a caatinga enverdece,
transformando o aspecto triste dos campos, dantes ressequidos, numa magia estupefaciente da
natureza!
O povo do sertão se torna alegre e eufórico e lança as sementes à terra; as plantas
brotam, crescem e vicejam.
É pleno inverno e há contentamento geral na zona sertaneja, porque o criatório engorda
e as plantações estão seguras; há leite, coalhada, umbuzada, queijo fresco, milho, pamonha,
canjica, e nesse ambiente de alegria e fartura, a gente do sertão esquece a seca que passou...
Eis a vida nos sertões do Nordeste; quando há inverno a fartura aflui; quando vem a
seca, a miséria surge.
Seca e inverno são dois extremos que preocupam todos os anos o povo sertanejo, visto
que o seu bem-estar depende da regularidade das chuvas para manter a agricultura e a criação,
que são os seus meios de subsistência.

ZABUMBA VERSUS FILARMÔNICA

Reportando-me ao folclore do meu sertão, lembro-me ainda dos costumes do tempo de


criança, quando minha vida era de venturas e despreocupações, pois Leopoldina, hoje
Parnamirim, constituía para mim o melhor lugar do mundo, e o sítio “Santa Maria”, onde
nasci, era o enlevo das minhas aspirações infantis.
Pensava eu, naqueles saudosos tempos de quatro bananas por um vintém, que não
haveria no Brasil orquestra melhor do que a da zabumba, que os meninos acompanhavam nas
suas andanças pelas ruas da cidade.
Eu não trocaria um dueto de pífanos por um de flautas e também não trocaria a nossa
típica zabumba pela filarmônica do Recife. Regionalismo e discernimento de criança...
Os anos e as décadas passaram na voragem do tempo e hoje, longe do torrão natal, só
me restam reminiscências desse passado longínquo e cheio de evocações de tudo que vi e
senti nas primeiras quadras da minha vida.
* * *

Naqueles saudosos tempos, quando o câmbio estava ao par e a nossa moeda era forte e
não se aviltava perante o dólar ou a libra esterlina, como não acontece agora com o cruzeiro
tão desvalorizado, por ser emitido sem lastro e às toneladas, aumentando a inflação, era
Presidente da República um varão impoluto, ponderado e valoroso, que ainda vive, para a
nossa alegria — o Dr. Venceslau Brás, que já está na casa dos noventa e sete anos de idade.
A esse venerando e estimado cidadão de Itajubá, rendemos as nossas homenagens, num
preito de gratidão pelo muito que fez pelo Brasil, justamente num período difícil para a nossa
pátria, que foi envolvida na Primeira Guerra Mundial.
Oxalá os seus exemplos de governante probo, justo e íntegro sirvam de roteiro aos que
administram esta nossa querida nação, que atravessa atualmente uma calamitosa crise
político-social-econômica.
Por intermédio de A Razão, fazemos ardentes votos para que o Dr Venceslau Brás
festeje, com saúde e alegria, o centenário do seu nascimento, para júbilo de sua família, dos
seus amigos e de todos os brasileiros.
Essas reminiscências são dedicadas a meu eminente e querido amigo Dr. Joaquim
Crispiniano Coelho Brandão, poeta de grande sensibilidade e juiz de direito aposentado,
residente em Belém do São Francisco. O Dr. Coelho é um dos homens mais íntegros e
cônscios dos seus deveres da magistratura de Pernambuco. Com oitenta e oito anos de idade,
ainda trabalha, escreve lindos poemas e está sempre bem-humorado.
Para ele, a velhice somente começa depois do cem anos.
(São Paulo, março/1964)
SINFONIA DO UNIVERSO
O Universo é regido por leis imutáveis, num verdadeiro sincronismo, em que tudo gira,
matematicamente, dentro da sua órbita ou de seu raio de ação.
Nosso planeta, que é um dos mais humildes mundos que pontilham o cosmo, está
integrado na Sinfonia do Universo e na Harmonia das Esferas, referida por Pitágoras, onde
tudo vibra imanizado pela Força Criadora, que equilibra as galáxias com as suas incontáveis
estrelas e aciona os corpos, dando vida aos seres.
Os fenômenos atmosféricos e as estratificações geodinâmicas surgem para a própria
estabilidade da Terra e continuação da vida, porque a natureza é, como disse alguém, um
poema harmonioso, belo, rítmico e cadenciado pela movimentação cósmica.
A morte é apenas o prenúncio de uma nova vida, ou seja, a continuação da própria vida,
após a desencarnação da alma. O término da noite traz o despontar da aurora com as suas
cambiantes irisadas e deslumbrantes, para um novo dia cheio de luz e de esperança; assim
também é a existência dos seres na sua caminhada para a evolução.
A perfeição é a finalidade do espírito.
Dum terreno encharcado ou lodoso, podem surgir os mais saborosos frutos e as mais
perfumadas flores; por isso pouco importam as aparências do mundo; o que vale é a realidade
das coisas.
Só damos o devido valor à saúde quando nos sentimos deprimidos ou enfermos, porque
a dor é o sinal de alarme, que nos põe de atalaia e nos faz refletir, para retroceder do caminho
incerto que perlustramos.
FORA DA QUÍMICA

Assim como o pensamento é uma vibração do espírito, e este, uma partícula da


Inteligência Universal, o nosso físico é um encadeamento de células vivas, compostas dos
mesmos elementos simples que se combinam e formam os corpos orgânicos e inorgânicos.
Dos elementos simples já conhecidos e estudados, tudo o que de material existe neste
planeta deles promana; tanto o nosso corpo como a pedra ou a areia, tanto o ar como a água,
assim como a argila, a flor e tudo que nos cerca, pois a matéria se desagrega, se transforma e
não se perde.
Somente o espírito está fora da química, que combina esses elementos essenciais, para a
formação dos compostos, porque as leis que o regem são imateriais, cuja mecânica não tem
por base o átomo, que constitui a matéria.
Como vemos, o ser humano é parte integrante da Força e da Matéria, ocupando o seu
devido lugar na Sinfonia do Universo.

INFINITO

A grandiosidade universal é ilimitada, e sentimo-la por diversos meios de indagação e


pesquisa, como no espectro eletromagnético, nas ondas hertzianas, na radioastronomia e
outros.
Para termos uma idéia aproximada da incomensurabilidade do infinito, basta sabermos
que os corpos celestes denominados quasars, ultimamente descobertos, irradiam uma
quantidade tão grande de energia que a sua luz equivale a dez mil bilhões de sóis. Entre a Via-
Láctea, que observamos no firmamento, e a sua vizinha mais próxima, há uma separação de
seiscentos e oitenta mil anos luz, e essa astronômica distância pode ser calculada sabendo-se
que a luz percorre trezentos mil quilômetros por segundo.
No Universo há bilhões e bilhões de imensas nebulosas estelares, cada uma com
milhões de sóis e cada sol com seu sistema planetário. Por aí se vê como a Terra é minúscula
perante o cosmo, e como somos ainda pouco evoluídos ante a Força Criadora, que a tudo
movimenta na mais perfeita simetria.
Por meio de fotografias tiradas do Observatório de Monte Wilson, a grande nebulosa de
Cygnus é observada com os seus cinco milhões de galáxias, cada uma das quais é um sistema
celeste com milhões de estrelas iluminantes e iluminadas. Cada sol que existe no Universo é
uma imensa fornalha que ilumina e dá calor aos astros sem luz própria.
A Lua, nosso único satélite, tão cantada pelos poetas, está a apenas trezentos e oitenta e
cinco mil quilômetros da Terra, e foi Tales de Mileto, alguns séculos antes de Cristo, quem
descobriu que é o Sol que a ilumina.
De quando em vez, observamos chuvas de estrelas produzidas por encontros de
corpúsculos nas vastas amplidões etéreas.
É interessante verificarmos que as leis que governam os elétrons e os prótons, dentro
dos átomos, e estes, dentro das moléculas, são as mesmas que regulam o metabolismo solar e
equilibram as nebulosas e as constelações que aparecem na tela do firmamento.
Tudo que existe no cosmo é relativo, desde a pequenez do átomo à grandiosidade das
galáxias, porque só a Força Criadora é absoluta, por ser infinita, onipresente e incriada.

EXTRATERRESTRES

Se a Terra, que é tão pequenina em relação ao Universo, é habitada por seres racionais,
por que outros mundos bem maiores do que o nosso planeta não poderão ser habitados por
criaturas inteligentes? Possivelmente, os seres de mundos mais diáfanos e superiores em
relação à Terra já atingiram evolução bem maior do que a nossa, e é de supor que os seus
corpos sejam até de natureza fluídica ou tenham um tipo biológico diferente do nosso;
entretanto, em essência espiritual somos todos iguais, havendo apenas diferenciação de
categorias evolutivas, porque os espíritos de todas as esferas ascendem para o Todo, sua fonte
de origem, depois de percorrerem a senda da evolução, através de bilênios e por meio de
grandes lutas, para a conquista de mais espiritualidade.

TRÍADE

Os seres viventes se compõem de uma tríade vital: espírito, perispírito e corpo carnal.
O perispírito, corpo astral, também chamado matéria fluídica, vida anímica ou ódica,
serve de elo entre o espírito e o corpo físico. Nem a matéria fluídica nem a corporificada
possuem atributos próprios de inteligência e de vida, porque somente a Força Psíquica os tem.
Como vimos, são três os corpos: mental, astral e carnal, que se entrelaçam para a formação da
individualidade humana.
O que observamos aqui e no além constitui verdadeira maravilha, que forma uma
imensa sinfonia, onde cada ser é um músico e cada astro um instrumento na orquestração do
Universo, cujo regente é o Grande Foco, ou Deus.
(São Paulo, julho/1968)
RENASCER, MORALMENTE
(Palestra na Associação Antialcoólica de São Paulo)

Distinguido com um convite especial da digna diretoria da Associação Antialcoólica de


São Paulo, aqui estamos para falar aos que se debatem e aos que já se debateram para livrar-
se do alcoolismo.
De início queremos dizer-lhes que não estamos aqui para censurá-los, admoestá-los ou
humilhá-los com palavras causticantes; estamos, sim, para dar-lhes estímulo e encorajá-los na
sua luta contra o vício do álcool.
Estamos aqui para felicitar os que já se libertaram do alcoolismo e renasceram,
moralmente, deixando de beber, a fim de se integrarem novamente no seio da família e da
sociedade.
Como espiritualista ou racionalista cristão que somos, vemos nos senhores almas
encarnadas, que são pela sua essência espiritual nossas irmãs, razão por que nos interessamos
pelo bem-estar dos que sofrem, pelo mau uso do livre-arbítrio.
Somos um dos diretores do Racionalismo Cristão, em São Paulo, doutrina
eminentemente contra os vícios do álcool, do fumo e do jogo, que procura esclarecer a
humanidade sobre a sua composição como Força e Matéria, os seus deveres e o porquê das
coisas em que somos envolvidos aqui no planeta Terra.
Sentimo-nos, pois, felizes quando vemos os nossos semelhantes no bom caminho, e nos
entristecemos quando os vemos na estrada do mal, dominados pelos vícios.
Portanto, meus amigos, o nosso espírito se rejubila por ver homens e mulheres lutando
para libertar-se do maior inimigo dos povos: o álcool.
Felizes são os que ainda em tempo deixam de beber e voltam ao aconchego da família e
ao trabalho.
Sim, meus amigos, quem deixa de beber renasce para uma vida cheia de esperança, para
tornar-se uma criatura útil, valorosa e na plenitude de todas as suas faculdades diretivas.

QUERER É PODER

Alguns dirão que não é fácil deixar de beber; realmente não é, mas, reforçando a
vontade e tendo pensamentos contrários ao vício, todos poderão libertar-se do álcool.
Saber querer é poder, e quem age com todas as forças do seu eu pode resolver qualquer
problema que o aflija, porque se coloca na corrente positiva do bem.
O ser humano é dotado de atributos que o destacam dos seres irracionais, como sejam: a
força de vontade, a consciência de si mesmo, a capacidade de percepção, a inteligência, o
poder de raciocínio, a faculdade de concepção, o equilíbrio mental, a lógica, o domínio
próprio, a sensibilidade e a firmeza de caráter, e, não obstante todas essas qualidades, os
homens, às vezes, não respeitam as leis naturais. Entretanto, os irracionais respeitam-nas: não
comem e não bebem o que lhes possa causar mal, levados tão-somente pelo instinto de
conservação da vida.
O homem — senhor absoluto do mundo — deveria ver o exemplo dos seus irmãos
inferiores — os animais — e convencer-se, com as luzes da sua inteligência, de que tomar
bebidas alcoólicas é antinatural, é ilógico e contra as leis da espiritualidade.
Quem viola as leis imutáveis da natureza sofre as conseqüências desses desatinos.
Como os homens são seres gregários, que não podem viver isoladamente, se agrupam
em sociedade, instituindo a família e elegendo um governo para que possam cumprir a sua
missão aqui na Terra, porque é pela luta e pelo sofrimento que acionam o progresso do mundo
e a sua própria evolução.
A sociedade atual, embora tenha o conforto e os benefícios da tecnologia e da ciência,
ainda vive entorpecida pelos preconceitos e pelos vícios, porque a educação familiar é falha e
a oficial é retrógrada para a era atômica e espacial, em que velhos tabus dão lugar a novas
concepções racionais e científicas. O homem já flutua além da atmosfera da Terra, numa
demonstração de que o espírito é Força, é Luz, e como tal pode conquistar até as regiões
siderais.
Ora, se o homem já se prepara para ir à Lua, por que não pode libertar-se do álcool?
Pode, é só querer e pôr a sua vontade em ação, evitando os maus amigos e os maus
pensamentos, visto que estes atraem as forças astrais inferiores, que se quedam na atmosfera
da Terra e nos danificam com os seus fluidos maléficos.

FORÇAS INFERIORES

Essas forças inferiores a que aludimos são as almas daqueles que se entregavam,
quando encarnados, ao vício do álcool, aos desvarios e ao fanatismo. Portanto, meus amigos,
os sofrimentos dos alcoólatras acompanham seus espíritos perturbados após a morte pela
ansiedade do vício, até que, após grandes sofrimentos e perturbações, se esclareçam e sigam
para os seus respectivos mundos, onde serão réus e juízes de si mesmos no julgamento dos
seus próprios atos.
Dizemos “seus mundos” porque este em que habitamos não é nosso, é apenas uma
escola de aprendizagem, um hospital, uma penitenciária, um lugar de recuperação para as
nossas almas ainda carentes de evolução e de mais espiritualidade, razão por que não há
perfeição aqui no mundo Terra.
Infeliz daquele que não sabe aproveitar essa feliz oportunidade de encarnar neste
planeta para depurar-se de suas faltas e ascender a um plano mais evoluído na escala da
evolução universal. A pessoa que desencarna em estado de embriaguez perde a encarnação e
atrasa sua evolução, cometendo, assim, um crime contra si mesma.
Queremos, pois, concitar aos que estão empenhados nessa benemérita luta de combate
ao alcoolismo para que não esmoreçam, tenham força de vontade, pensamentos de altruísmo e
procurem por todos os meios reconquistar o domínio próprio, que eleva a criatura à dignidade
de ser pensante, racional e consciente, como partícula mais evoluída da Força Criadora.

TRINTA ANOS A MENOS

É bem mais importante o homem deixar o vício do álcool do que ganhar fortuna, ou,
ainda, em estado permanente de embriaguez, ter todas as riquezas da Terra, porque o
alcoolismo o degenera, encurta-lhe a vida, perturba-lhe a alma e atrasa-lhe a evolução.
Analisando os efeitos danosos do álcool, verificamos que esse terrível vício tanto
prejudica o físico como a alma.
São os biologistas que nos dizem que os vícios e a ignorância das leis higiênicas da
saúde reduzem a vida humana em aproximadamente trinta anos.
Como vemos, de todos os vícios o do álcool é o mais maléfico e prejudicial à saúde, por
intoxicar o corpo e obcecar o espírito.
Do ponto de vista moral, o alcoolismo atrofia o caráter, porque o viciado vai perdendo o
domínio próprio, ficando à mercê das circunstâncias ocasionais; e do ponto de vista social o
alcoólatra torna-se um peso morto para a sociedade, porque deixa de trabalhar e produzir.
O alcoolismo é mais danoso do que o câncer e a guerra; no entanto, os poderes públicos
e a sociedade fingem ignorá-lo.
Se houvesse uma estatística verdadeira das pessoas que morrem em conseqüência do
álcool e das que são afastadas da sociedade e vão para as penitenciárias e para os manicômios,
ficaríamos estarrecidos e envergonhados de haver no mundo tantas vítimas desse vício
terrível.
Não fomos, não somos alcoólatras e nunca nos embriagamos uma só vez durante os
nossos sessenta e um anos de vida, porque aos dez nos de idade declaramos guerra ao álcool,
levados pela revolta e pela tristeza de vermos pessoas da nossa família caírem nas garras de
tão monstruoso vício, cujas conseqüências muito nos fizeram sofrer. Por isso, crescemos
odiando o álcool e haveremos de combatê-lo por toda a nossa vida como o maior inimigo do
gênero humano.
Ninguém melhor do que os dirigentes desta Associação de utilidade pública pode alertar
e persuadir os que ainda bebem, visto que todos eles já sentiram no próprio organismo os
efeitos danosos do álcool, mas, num impulso de coragem e decisão, se libertaram do vício, e
agora, fortes e saudáveis, se dispõem a lutar contra esse inimigo traiçoeiro que lhes causou
tantas infelicidades e fez verter muitas lágrimas de suas esposas, dos seus filhos e dos seus
pais.
Há quem diga que o nosso corpo necessita de álcool para estimular o apetite e dar
alegria. Essa absurda afirmativa está em completo desacordo com as leis biológicas e
espirituais.

DOM ÁLCOOL

O insigne educador C. Wagner disse esta verdade:


Recordai-vos de que todo aquele que disser viva a minha pátria será hipócrita se não
disser abaixo o álcool.
E para terminarmos esta simples palestra, permitam-nos que façamos nossas as palavras
de Catule Mendès:
Conhecei-me? Eu sou o príncipe que aparece nas alegrias, o companheiro de todos os
gozos modernos, o companheiro da morte, o príncipe que governa o mundo.
Estou presente a todas as reuniões e nenhuma se efetua sem minha presença.
Fabrico crimes, faço nascer nas mentes os pensamentos maus, mancho os lares, sou pai
dos filhos anônimos, enveneno a razão, trago a desonra, a depravação, os suicídios, a
loucura, o crime em todas as suas formas.
Extingo as famílias, persigo os netos, os avós, faço perder a vergonha, a dignidade, a
honra, a educação.
Ponho um véu sobre os olhos e faço aparecer o crime como vingança; a abjeção como
dignidade; a imoralidade como conquista galante.
Hei ganho mais conquistas que Alexandre, jungido mais povos ao meu carro que Roma,
dominado mais povos que Átila.
Faço com que os maridos se riam da infelicidade das esposas alheias. Por minha causa
velhos e moços se divertem, fazendo epigramas contra a moral.
Faço deputados obtendo votos para que se façam leis que aumentem o meu reino, que é
toda a Terra.
Aspiro a converter o mundo num hospital, num manicômio, em circo, onde estejam
encerrados tigres, asnos, porcos, abutres, hienas; quero sangue, dissolução, ruína, desespero
e blasfêmia.
Estou em todas as partes, conheço as frias regiões da Lapônia e da Sibéria, as ardentes
regiões do Egito e da Líbia, da América do Sul e da África.
Tenho origem no trigo, no arroz, na uva, na cana-de-açúcar e no leite.
Minha pátria é a Terra, meus escravos, os homens, que me enviaram o princípio do
mal.
Sei que me conheceis, porém não quero declarar meu nome, porque, todavia, ainda vos
resta o pudor dos homens, já que haveis perdido o dos fatos.
Eu sou vosso rei. Eu sou Dom Álcool.
(São Paulo, junho/1965)
RACIONALIZAÇÃO DO TRABALHO
O trabalho, para ter maior rendimento, deve ser racionalizado, e isso quer dizer
planejado com discernimento, técnica e ponderação, para que o seu aproveitamento alcance a
meta desejada.
Racionalizar o trabalho significa que antes da sua execução deve-se aferi-lo com o
raciocínio lúcido, analisando-lhe os prós e os contras.
Método, ordem, disciplina e técnica são fatores que elevam o trabalho a um padrão
superior.
Sem método, sem disciplina e sem planejamento não podemos obter bons resultados em
nosso labor, porque, assim, haverá dispersão de esforços e falta de planos preestabelecidos
para a sua concretização.
odos os grandes empreendimentos são antecipadamente planejados nos seus mínimos
detalhes, visto que a improvisação é sempre imperfeita e imprevidente.

ORIGEM NA MENTE

Todo e qualquer trabalho tem o seu início em nossa mente, que o arquiteta e delineia, e
por meio do poder da vontade é que o executamos; portanto, o raciocínio equilibrado e bem
coordenado é a bússola que orienta as técnicas do trabalho.
A planificação do trabalho deve ser mais objetiva do que subjetiva, para que o resultado
seja bem positivo.
Na época atual, a tecnologia está amenizando a luta física do homem, que já não
encontra as grandes dificuldades dos seus ancestrais, pois a ciência está proporcionando
meios para humanizar cada vez mais os nossos misteres.
A racionalização do trabalho conjuga esforços organizados, aumenta a produtividade e
ocasiona economia, porque tudo é previamente concebido e concatenado, dentro de normas
justas, inteligíveis e realizáveis. O trabalho realizado fora dos domínios da lógica, da razão e
da técnica é antieconômico e pouco produtivo pela desassociação de idéias, pelo desperdício
de energias, pelo empirismo e pela imprevisão.

PRAZER ESPIRITUAL

Racionalizar o trabalho ou dinamizá-lo é concentrar o pensamento num desejo


profundo, com o firme propósito de realizá-lo, unificando todas as atividades empregadas
numa força de equilíbrio e coesão.
O trabalho desordenado ou desconexo é mais fatigante e menos rendoso, ao passo que o
racionalizado é pouco cansativo, mais produtivo e muito mais compensador, em virtude de ter
a inteligência, o bom senso e a decisão a dirigi-lo.
O nosso labor cotidiano é um derivativo, é um deleite necessário ao nosso espírito e um
exercício indispensável ao físico; por conseguinte, deve ser bem orientado, com racionalidade
e inteligência, a fim de não extenuar as nossas forças físicas e mentais, e não desperdiçar o
nosso tempo, que é irrecuperável.
ALVORADA NO SERTÃO
Aos primeiros alvores da manhã, quando no nascente surgem de forma irisada os raios
luminosos do Sol, através de tênues camadas atmosféricas, que se acumulam na orla do
horizonte, prenunciando um novo dia, tudo se alegra e a natureza, como adormecida pela
obscuridade da noite, desperta e vibra, sem os ruídos estridentes e os gases poluidores das
grandes cidades. A Terra, que, pelo seu movimento de rotação, se apresenta entorpecida
durante a noite, por falta de luz solar, ressurge cheia de vida e esplendor ao despontar da
aurora, envolta em aurifulgentes clarões.
E, nesse cântico de contentamento espontâneo, adornado de um maravilhoso rosicler
que se irradia em cambiantes jorros de luz, os pássaros em lindos e polifônicos gorjeios
saúdam o alvorecer do dia.
Diante dessa apoteótica majestade da natureza, o homem deve sentir-se no seu
verdadeiro lugar de partícula da Inteligência Universal e, meditando, analisando e deduzindo
racionalmente, ver quão grande é a sua pequenez perante a Força Criadora. Entretanto, o
orgulhoso, o imbecil e o pseudo-sábio não procuram compreender e sentir essa verdade
insofismável de que o ser humano é fisicamente Matéria e espiritualmente Força, porque
Força e Matéria são os únicos elementos básicos de que se compõe o Universo.
Ao recordar-me dos dias fagueiros da minha infância, lembrei-me de uma alvorada no
sertão e, como Casimiro de Abreu, também tenho “saudades da aurora da minha vida, da
minha infância querida, que os anos não trazem mais”. Não obstante as oito décadas que me
distanciam da primeira quadra da minha vida, ainda me lembro de cenas bucólicas do sertão
em que nasci, quando o viver, para mim, era de alegria e de integração no meio ambiente em
que eu vivia despreocupadamente.

VISLUMBRANDO A ETERNA AURORA

Em certas noites límpidas, eu me detinha a observar o firmamento, e extasiava-me com


o tremular longínquo das estrelas, pensando eu, nos meus devaneios de menino sonhador, se
poderia um dia ver de perto a luz desses astros que iluminam o infinito.
Hoje, no último quartel da vida e vivendo bem longe da terra natal, só me restam
reminiscências desse distante passado que se foi para sempre na voragem do tempo...
Cabe-me agora vislumbrar o que me aguarda na vida espiritual, para encetar novas
lutas, porque a alma é imortal e sem inércia na sua longa caminhada para a evolução integral.
(São Paulo, 1984)
DEFENDAMOS A NATUREZA
Quando criança eu brincava alegremente sob a ramagem escarlate de um flamboaiã.
Ainda hoje me lembro das suas flores de “pétalas de sangue e de pétalas de chama”.
Bem disse o poeta Da Costa e Silva: “O flamboaiã é uma árvore senhoril, de flores de
ouro e fogo, aberta em flores mil”.
O flamboaiã, que adornava a frente da casa onde nasci, revestia-se de majestade e
esplendor em plena aridez do sertão. Nessa árvore de “ouro e fogo” os passarinhos
orquestravam os mais lindos e variados gorjeios, e uma criança contemplativa os ouvia
enternecidamente...
O tempo avançou no calendário; passaram-se os anos; o flamboaiã floriu e refloriu nas
primaveras, e a criança-adolescente partiu para longínquas terras, levando na memória aquele
quadro indelével de uma árvore que lhe proporcionou tantas alegrias.
Hoje, quando vejo um flamboaiã, sinto saudades da minha infância e relembro aqueles
cenários bucólicos que me extasiavam.
Sou amigo das árvores e, quando as vejo tombar sob o gume cruel de um machado ou
dos dentes penetrantes de uma serra, ou devoradas pelo fogo das queimadas, fico triste a
lamentar a ingratidão e a perversidade do homem para com a natureza.

MENTALIDADE REFLORESTADORA

A devastação florestal no Brasil é um acontecimento lamentável e criminoso que deve


ser combatido com rigor e eficiência pelos governos e pelo próprio povo, porque o
desaparecimento das matas e dos cerrados reduz os mananciais que dão curso aos rios, torna
as chuvas irregulares e, com isso, há transformação no clima pela rarefação do oxigênio do ar
que respiramos, surgindo, também, a erosão do solo, que é um dos flagelos da nossa
agricultura.
O que vem ocorrendo na Amazônia com a criminosa devastação da sua luxuriante e
imensa floresta tropical deixa-nos seriamente preocupados, visto que, para desenvolver essa
vasta região brasileira, o homem destrói um grande acervo selvático da natureza, onde se
localizam a maior bacia fluvial do mundo e o mais volumoso rio da Terra, o Amazonas.
É justo e racional que se faça o desenvolvimento econômico e social dessa grande
região setentrional do Brasil, preservando, porém, a floresta e os rios. Precisamos cuidar logo
da silvicultura, educando o povo dentro de uma mentalidade reflorestadora, plantando árvores
em substituição às que forem derrubadas ou queimadas. Do contrário, estaremos a formar
desertos, que nada produzem, e a vida tornar-se-á insuportável, como um protesto da natureza
contra essa imprevidência do gênero humano de destruir as matas sem substituí-las,
ocasionando a poluição dos rios e do meio ambiente.
Até mesmo os mares e oceanos, que cobrem quase dois terços da superfície da Terra,
vêm sendo, de longa data, poluídos pelo homem, o mesmo acontecendo com a camada
atmosférica que protege o nosso planeta das radiações solares. O que será da Terra no terceiro
milênio?
O PLANETA DOS HOMENS
A Terra, esta obscura bolinha suspensa na imensidade do Universo, é e será ainda por
muitos séculos um verdadeiro presídio, para onde os espíritos necessitados de luz e progresso
são encaminhados, a fim de cumprir as sentenças que eles mesmos proferiram antes de partir
dos seus mundos, conforme os crimes ou erros praticados quando encarnados, ou
desencarnados na atmosfera terrestre, dando maléficas intuições aos seres humanos,
causando-lhes enfermidades, desatinos e as misérias morais que observamos por este mundo
afora...
Os espíritos perturbados e ignorantes da sua verdadeira vida psíquica (denominados
forças astrais inferiores), que se quedam em torno dos encarnados, avassalando-os,
obsedando-os e enfermando-os, são sempre atraídos pelos maus, desordenados e negligentes
pensamentos ou pelas ações imponderadas, indignas e imorais dos humanos.

FORÇAS SUPERIORES

Quando irradiamos bons e altruísticos pensamentos e praticamos boas obras, isto é,


cumprimos os nossos deveres, nos religamos ao Astral Superior ou Forças Astrais Superiores
(almas esclarecidas que já vivem fora da aura da Terra, em seus respectivos mundos de luz,
cientes e conscientes da sua vida real), e essa atração nos proporciona grande bem-estar,
porque somos envolvidos por seus eflúvios benéficos.
O período de uma existência, neste presídio planetário, é de uma fração de segundo ante
a vida real, que é eterna e imperecível; portanto, devemos empregá-lo racionalmente em
coisas que elevem a moral e esclareçam o espírito, para que a nossa evolução se processe
dentro do ritmo normal e ascendente.
A felicidade, aqui na Terra, é assaz relativa; contudo, podemos gozá-la com maior
proveito quando cumprimos fiel e espontaneamente os nossos deveres e encaramos as coisas
dentro da sua verdadeira concepção, sem as fantasias e os preconceitos que nos obscurecem a
razão.
Para quem morre, isto é, para quem se liberta do corpo carnal, a vida real surge mais
diáfana, porque o espírito volta ao mundo que lhe é próprio tão logo fique livre das injunções
da matéria, do meio ambiente em que vivia, e tenha consciência do seu novo estado de
desencarnado, como partícula em evolução do Grande Foco.
Nesse plano transcendente, a alma analisará tudo que fez na Terra e verificará, se não
cumpriu os deveres preestabelecidos, a necessidade premente e inalienável de voltar, para
acionar novamente um corpo carnal, a fim de cumprir o que deixou de fazer. Assim,
esclarecendo-se mais, educando a vontade e controlando o livre-arbítrio, resgata as suas
imperfeições.

NÃO MORREMOS

Quem morre renasce com o espírito mais encorajado e esclarecido para cumprir as suas
obrigações, pelo fato de regressar ao plano mental com mais visão, perceptibilidade e
discernimento da vida e das coisas, em virtude das experiências que colheu na clausura da
matéria, que é uma grande escola em que, pela luta, pelo sofrimento, pelo estudo e pelo
trabalho, aprendemos as lições indispensáveis à nossa evolução. Há, entretanto, espíritos que
estacionam o seu progresso quando encarnados, porque se escravizam ao medo, à indolência,
à vaidade, ao orgulho e principalmente aos preconceitos sociais e religiosos que embrutecem
os seres fracos.
Em verdade, não morremos; apenas deixamos o corpo físico, que é o veículo do espírito
para este locomover-se na Terra. Morto, o corpo passa a ser apenas um composto de matéria,
mas a alma volta ao Espaço Superior. Isto é confirmado pelo sábio preceito racionalista
cristão de que no Universo existem apenas dois elementos fundamentais: Força e Matéria, de
onde tudo deriva.
A Matéria, que por si só é inerte, se desagrega e se transforma; o espírito, que é Força
parcelada, evolui através das diversas categorias da espiritualidade até elevar-se ao Todo.
Por conseguinte, sendo o planeta Terra um pequeno mundo depurador de almas e uma
escola-oficina de aprendizagem, devemos aproveitar bem esta encarnação, a fim de evitarmos
novos encarceramentos na matéria grosseira deste planeta. Ninguém ascende a uma zona
superior à sua sem que esteja em condições de pureza e de posse dos conhecimentos
indispensáveis aqui adquiridos.
Que não se confundam os materialistas, os religiosos fanáticos e os pseudo-sábios por
afirmarmos que a Terra não nos pertence especificamente, não é condomínio nosso e que
também não é a nossa habitação definitiva, pois, como um cadinho acrisolador de almas, ela é
apenas um ínfimo planeta hospedeiro, de um modesto sistema solar, pertencente a uma
humilde galáxia, que se perde no espaço infinito, entre miríades de outras galáxias, com os
seus inumeráveis sóis e mundos!...

GRÃO DE AREIA

A pequenina Terra, em que nos ligamos temporariamente ao corpo carnal, é um grão de


areia perdido na incomensurabilidade sideral, em relação à estrutura do Universo, na qual não
há trevas, porque a Luz Astral (que o vulgo conhece com o nome de Deus) a tudo dá vida,
acionando o cosmo, sob leis comuns e naturais.
Se não fosse a luz do Sol não existiria vida orgânica sobre a face da Terra, visto ser ele
o mantenedor material da natureza terrestre. Nosso planeta é um repositório da energia solar.
Sem o calor do Sol o nosso globo se transformaria numa inóspita geleira, sem vida
própria e sem a beleza que caracteriza a sua superfície.
Todavia, a Terra, os mundos, os sóis, as galáxias e demais corpos que rolam no
firmamento foram criados, são mantidos e acionados pela Força, que é o Grande Foco, a Luz
Astral ou Inteligência Universal, de que somos fagulhas.

CAIM

Ainda somos fratricidas e belicosos na Terra, porque desconhecemos a nossa origem, a


Força, e nos governamos por uma educação obscurantista e materializada na mentira e nas
convenções sociais e religiosas. Apegamo-nos, demasiadamente, às coisas terrenas, como se
nos pertencessem para sempre e, como ave de rapina, não respeitamos o direito dos nossos
semelhantes, querendo para eles o que não desejamos para nós, e assim violamos as leis da
justiça, da razão e do amor.
Visando com muito egoísmo o nosso bem-estar e depois o dos nossos compatriotas,
semeamos a discórdia, o ódio, o orgulho e a insinceridade entre as nações. Em conseqüência,
nos empenhamos em cruentas guerras para impor aos mais fracos, desorganizados e
imprevidentes a nossa vontade prepotente, a nossa ideologia política, o nosso credo religioso
ou o nosso poder econômico-financeiro.
Somos guerreiros, escravocratas, destruidores e atrabiliários, por costume e má
educação, pois nutrimos em nossas mentes pensamentos inferiores e indignos de seres
pensantes e civilizados.
Só o congraçamento, a verdadeira paz, baseada na Verdade e na justiça, e a colaboração
mútua entre os homens poderão conjugar esforços capazes de harmonizar a humanidade, que
forma uma grande família, cujos membros vivem desunidos pela incompreensão do que seja a
vida aqui e no Além-Superior.
Que dirão de nós os habitantes de outros mundos? Que somos néscios, ainda
incivilizados, que vivemos sob o impulso animalizado do instinto inferior.
Só mesmo num mundo de ignorantes das leis da Verdade, da justiça e da razão é que
poderá haver guerra de extermínio de povos e cidades. Entretanto, se os habitantes da Terra
fossem realmente educados e conhecedores das coisas certas da vida, viveriam em harmonia e
em comunhão de esforços e de pensamentos. E as bonanças, as alegrias e as riquezas terrenas
seriam melhor distribuídas e aproveitadas por todos, como o será futuramente, quando os
homens se espiritualizarem racional e cientificamente e souberem fazer bom uso do seu livre-
arbítrio, que é a faculdade que libera o espírito para agir por si mesmo, visto ser pelo seu
próprio esforço ou desígnio que ele consegue alcançar a perfeição.
Há, infelizmente, grande desconfiança, insinceridade e falta de colaboração entre os
seres encarnados. Isso gera o temor, o medo e a psicose da guerra. Cada nação procura armar-
se, o mais possível, para defender a sua integridade territorial e política e os seus interesses
econômicos, os seus costumes sociais e religiosos, ou para amedrontar os seus vizinhos com o
seu poderio bélico e industrial, a fim de conseguir efêmeras vantagens comerciais, muitas
vezes sob o império dos trustes e monopólios, e, conseqüentemente, o atrofiamento das
riquezas da nação visada, sem levar em conta o velho aforismo cristão: “Quem faz bem aos
outros para si o está fazendo”.

O PREÇO DA GUERRA

Para manter esse estado de prevenção guerreira, os governos mobilizam as suas forças
armadas, com as quais gastam importâncias fabulosas que, se empregadas para fins pacíficos
e utilitários, proporcionariam conforto e bem-estar aos povos, e todos os países se
desenvolveriam cultural, técnica e economicamente para um viver mais próspero e feliz.
Com o dinheiro que as nações gastaram na última guerra e que ainda continuam
gastando preventivamente, poder-se-ia elevar o nível de vida humana, de maneira que cada
país seria cortado de estradas de ferro, de rodagem e aerovias e dotado de escolas-modelo e
hospitais científicos; e cada família teria a sua casa própria, o seu automóvel, o seu rádio, o
seu televisor, a sua geladeira e a terra necessária para a produção agrícola, com todos os
requisitos da ciência moderna. Entretanto, esses gastos astronômicos de guerra poucos
benefícios trouxeram à humanidade, a não ser o extermínio do louco totalitarismo de Hitler,
pois aqueles que se uniram na grande luta de 1939, para dar ao mundo um regime político
mais democrático, liberal e humano, já se preparam para deflagrar outra guerra, que será pior
que todas as que ensangüentaram o solo terrestre, visto que os engenhos destruidores estão
agora mais aperfeiçoados e mortíferos, a ponto de modificarem até a estrutura do próprio
Planeta com a desagregação da energia atômica...
Felizmente, enquanto os homens belicosos trabalham para a guerra, o Astral Superior,
esteado nas pessoas esclarecidas, disciplinadas e conscientes dos seus deveres, luta
infatigavelmente para evitar a grande hecatombe, ora capturando as falanges inferiores da
atmosfera da Terra, insufladoras dos dissídios humanos, ora intuindo os governantes com
idéias de paz, harmonia e trabalho construtivo entre as nações.
Só mesmo dentro do Racionalismo Cristão é que a humanidade encontrará a fórmula
capaz de acabar com as guerras e revoluções, confraternizando os homens de todos os
quadrantes da Terra, sob a bandeira universalista da Verdade, da justiça, da razão e do
verdadeiro amor ao próximo.
(São Paulo, novembro/1954)
CHURCHILL, CIDADÃO DO MUNDO
A humanidade acaba de perder a colaboração física de uma das maiores figuras deste
século — Sir Winston Churchill, o herói das Grandes Guerras de 1914 e 1939.
Ao gênio dinâmico, à coragem indômita e à inteligência esclarecida de Churchill
devemos a vitória da democracia no mundo ocidental contra os aguerridos exércitos de Hitler.
Não cabe apenas à Inglaterra prestar grandes homenagens à memória desse seu ilustre
filho, que faleceu na idade já bem avançada de noventa anos, depois de ter lutado
impavidamente pela liberdade deste mundo tão atribulado pelas dissensões políticas e sociais.
Churchill foi também o “salvador do mundo ocidental”, com a sua decisão extrema de
lutar não só na Grã-Bretanha, mas onde se tornasse indispensável combater as tropas do
führer.

HOMEM DE ALTA INTUIÇÃO

Por ocasião da Primeira Grande Guerra, Churchill deu mostras do seu gênio político
firme e seguro e, se os Aliados tivessem seguido os seus conselhos, a situação atual do mundo
seria outra.
Churchill teve a antevisão do que ocorreria depois dessas conflagrações mundiais;
entretanto, os estadistas da sua e de outras nações vitoriosas discordaram de alguns dos seus
vaticínios políticos.
Admiramos em Churchill o seu ecletismo, o seu gênio multiforme: orador fluente,
estadista de renome, historiador profundo, chefe político preeminente, líder perspicaz, era,
enfim, um cidadão interessado por tudo que se passava com todos os povos, sempre pronto a
defender as liberdades humanas.
Roosevelt, Stalin e agora Churchill já não pertencem ao plano dos encarnados, restando
apenas dos chamados quatro grandes o generalíssimo Chiang-Kai-shek, até hoje isolado da
China, na Ilha de Formosa, à espera de um momento para regressar à parte continental da sua
pátria.

SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS

Churchill foi um homem ponderado, sincero, valoroso e de coragem invulgar, e não um


demagogo à moda totalitária, pois, em plena guerra, quando sua pátria sofria os horrores dos
bombardeios aéreos, ele disse aos seus concidadãos ao assumir o posto de primeiro-ministro:
“Nada tenho a oferecer senão sangue, suor e lágrimas”.
E foi com sangue, trabalho, suor e lágrimas que a sua heróica Inglaterra, sob o seu
comando supremo, sobreviveu à loucura de um paranóico que, por infelicidade, governou o
grande povo alemão.
Não só a Inglaterra e a “Commonwealth” choram o desaparecimento do “Leão
Britânico”, mas também todas as nações ocidentais, porque foi Churchill o herói que as
salvou da tirania nazista.
Como escritor, Churchill foi clássico e fecundo, deixando mais de quarenta obras
publicadas sobre os mais variados assuntos.
O mundo tributa a esse campeão da paz e da liberdade um sentimento profundo de pesar
pelo seu falecimento, ocorrido na idade em que já se pode deixar o corpo material, em virtude
da sua decadência orgânica.
Tombou o físico do grande homem, mas o seu espírito continuará lutando pelo bem da
humanidade.
(São Paulo, março/1965)
CAMPOS SALLES, ESTADISTA NOTÁVEL
Dentre os grandes vultos da nossa história nacional, muito se destacou, pela grande luta
política, pelo trabalho eficientíssimo, pela energia dinâmica e pela honestidade, comprovada
nos diversos cargos que ocupou na administração pública do país, o Dr. Manuel Ferraz de
Campos Sales.
Sua longa e proveitosa existência foi quase toda dedicada ao serviço da pátria e do
povo.
Nasceu o grande republicano em 13 de fevereiro de 1841, na cidade de Campinas,
Estado de São Paulo, e desencarnou em 28 de junho de 1913, aos setenta e dois anos de idade,
sob grande pesar e respeito dos seus concidadãos.
Ainda bem moço, quando cursava a célebre Faculdade de Direito de São Paulo, Campos
Sales iniciou a sua cruzada redentora pelo aprimoramento dos nossos costumes políticos,
desfraldando a bandeira dos princípios da nova escola liberal pelas colunas de Razão, jornal
dirigido por ele, Jorge Miranda, Quirino dos Santos, Belfort Duarte e Querino do Nascimento.

CONFORME CÍCERO

Campos Sales foi, realmente, um varão que soube viver dentro dos princípios
ciceronianos, que qualificam o homem honrado e valoroso pelo apego à justiça e à Verdade,
pela disciplina moral, pela honestidade, pela ponderação dos seus atos e pela simplicidade de
sua vida. Homem dotado de grande inteligência e de muita cultura, de uma vontade
fortemente educada para o bem, cumpriu deveres para consigo mesmo, para com a pátria e a
humanidade.
Ao deixar os bancos acadêmicos, foi eleito deputado provincial e, mais tarde, vereador
de sua terra natal.
Jornalista brilhante e orador eloqüente, conseguiu logo conquistar a admiração do povo.
Na Gazeta de Campinas o jovem advogado Campos Sales publicou artigos difundindo
idéias novas para a democratização do Brasil.
Desgostoso com o seu partido — o Liberal —, filiou-se ao Radical, que depois se
transformou no célebre Partido Republicano, com o manifesto à nação, de 3 de dezembro de
1870, publicado no jornal República, do Rio de Janeiro, dirigido por Quintino Bocaiúva,
Salvador de Mendonça e Saldanha Marinho, tornando-se então um dos apóstolos do regime
republicano. E assim foi eleito primeiro vereador do novo partido, em Campinas, no ano de
1872, lutando contra os grandes partidos monárquicos, o Conservador e o Liberal.
Quando deputado provincial, em 1866, apresentou projetos instituindo o ensino livre e a
aprendizagem obrigatória, não conseguindo, porém, vê-los aprovados, pela forte oposição dos
seus pares que viviam com o espírito obscurecido pelos preconceitos sociais e religiosos.

REPÚBLICA

Campos Sales foi também o primeiro deputado geral eleito pelo Partido Republicano,
razão pela qual foi recebido no Rio de Janeiro com grandes manifestações populares, em sinal
de regozijo pela vitória das idéias republicanas, que já se expandiam por todo o país.
O grande político e prestigioso estadista, que foi um dos mais lídimos e corajosos
propagandistas do ideal republicano, viu a sua obra coroada de pleno êxito com a implantação
da República, em 1889.
Com a proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca, o novo governo
viu-se diante de grandes problemas a exigir soluções urgentes, e a pessoa escolhida para tão
árdua missão, no Ministério da Justiça e Negócios Interiores, foi Campos Sales. Dirigindo
essa pasta, coube-lhe a glória da instituição do casamento civil, a promulgação de um código
penal reformado, um código de comércio completado e a transformação das condições legais
do trabalho, entre outras realizações importantes.

PRESIDENTE

Campos Sales também foi constituinte, e nas eleições de 1896 foi eleito Presidente do
Estado de São Paulo. Após um governo fecundo e dinâmico, foi eleito sucessor de seu
coestaduano Prudente de Morais na Presidência da República.
Querendo estudar in loco os mercados financeiros da Europa, Campos Sales, antes de
ser empossado na suprema magistratura da nação, excursionou por aquele continente, a fim de
tornar-se conhecedor profundo da situação econômico-financeira dos capitais, para debelar a
crise que então assoberbava o Brasil. Na Europa, ele negociou o célebre funding loan, ou seja,
empréstimo de liquidação, e obteve mora dos credores do nosso país.
Ao assumir a Presidência da República, auxiliado pelo grande financista Joaquim
Murtinho, reduziu o papel-moeda circulante, fez grandes cortes nas despesas públicas e
reduziu a uma taxa razoável o ágio-ouro, que subira em 1889 a duzentos e setenta e sete por
cento. Graças a essas medidas saneadoras, conseguiu restabelecer o crédito do Brasil no
estrangeiro e, ao findar seu governo, deixou em reserva no Tesouro Nacional a apreciável
quantia de oitenta mil contos de réis.
Homem austero, disciplinado, simples e bom, e de uma honestidade absoluta, Campos
Sales passou para a nossa história como um vulto de primeira grandeza, saindo dos governos
de São Paulo e da República mais pobre que era antes de exercer esses cargos.
Para completar sua grande obra em todos os setores da vida nacional, Campos Sales foi
nomeado embaixador da cordialidade do Brasil na Argentina, para estreitar mais os laços de
amizade entre os dois povos irmãos, já que, às vezes, a incompreensão política e diplomática
os trazia em desentendimento.

SEM CAMARILHA

Um periódico argentino, La Revista Patriótica, publicou, em 1900, interessantes


aspectos da vida de Campos Sales, que transcrevemos a seguir:
Os seus hábitos são de uma igualdade só comparável ao seu temperamento, de uma
simplicidade só comparável ao seu caráter.
Basta vê-lo para conhecer-se que se trata de um afetivo e de um exuberante. Tem a
jovialidade franca e aberta dos leais, incapaz de ocultar um pensamento, mas igualmente
incapaz de perdoar dissimulações. O principal elemento gerador de afeições de espírito desta
ordem é a robustez física, é a saúde do corpo, e estas tem-nas Campos Sales no mais alto
grau, aperfeiçoando, os que de natural têm essas preciosas qualidades, com uma higiene
pessoal a mais cuidada. É um madrugador: os primeiros albores do dia marcam-lhe o início
das atividades cotidianas.
A esse hábito, que lhe vem da sadia vida da agricultura, não fizeram interrupção os
seus trabalhos de advogado, de político, de estadista. Também se recolhe habitualmente cedo
e, salvas exceções a que o obrigam a alta posição que ocupa, ninguém o procura depois das
oito horas da noite. Às primeira horas da manhã, entre a leitura dos jornais e o trabalho de
correspondência, o Sr. Campos Sales faz um pequeno exercício nas avenidas do parque, a pé,
de bicicleta, ou a cavalo.
A equitação é-lhe particularmente agradável; é um cavaleiro consumado, tendo
verdadeiro prazer em domar a vigorosa resistência dos animais de raça.
Uma ocasião, dirigindo-se para os lados de Copacabana, e ignorando que não podia
atravessar o túnel, enveredou por ele. O guarda não o conheceu e chamou-o familiarmente:
”Ó homem, por aqui não se passa a cavalo”. E o Presidente deu volta às rédeas, pedindo
desculpas da transgressão. É um pequeno traço característico do seu respeito pela
autoridade, respeito que tantos confundem com estímulos de natureza pessoal em quem não
defende senão a investidura de que é depositário.
Em regra — isto deve causar surpresa extraordinária — o próprio Presidente é quem
faz toda a sua correspondência política, escrevendo-a de próprio punho. Quer durante a
conferência com deputados e senadores, quer durante o despacho com os ministros, quer
durante as audiências que dá quase diariamente, se o Presidente recebe qualquer carta, pede
licença e faz a leitura imediata; o povo brasileiro pode estar certo de que o chefe de Estado
não deixa de ler uma só carta que lhe é dirigida; “o meio de eu não deixar de lê-las —
explicou o Presidente ao amigo que o interrogava — é tomar o hábito de abri-las no
momento em que as recebo”. Uma das coisas mais curiosas da intimidade do Sr. Campos
Sales é o fato de ter grande número de amigos dedicadíssimos, com ausência absoluta do que
se chama camarilha. Aqueles amigos são encontrados em todas as nuances da política
nacional e, fora da política, em todas as classes sociais.
A natureza excepcionalmente afetiva do Sr. Campos Sales retribui amplamente essas
amizades, mas a austeridade do seu caráter limita bem na consciência de cada um a linha
divisória dos favores de natureza pessoal e dos que afetam o serviço público. Aqui termina a
citação da revista argentina.

GRATIDÃO TARDIA

Quando, em 1941, foi oficialmente comemorado o centenário de nascimento de Campos


Sales, o Brasil inteiro, num preito de saudade e gratidão ao seu ilustre e grande filho,
reverenciou os seus feitos cívicos e beneméritos e a sua grande luta pela ordem e pelo
progresso da pátria. Campos Sales foi, inegavelmente, um notável estadista, não só pelos
conhecimentos e experiência no trato da coisa pública, mas, igualmente, por sua proverbial
honestidade e respeito à justiça e ao direito dos seus concidadãos. O seu governo foi um dos
mais fecundos da República. Com efeito, Campos Sales, com a sua energia e o seu dinamismo
e com a colaboração do grande financista Joaquim Murtinho, no Ministério da Fazenda,
conseguiu restaurar as precariíssimas finanças do País, que se debatia numa enorme crise
econômica, oriunda da transformação do regime político, das lutas intestinas e ainda da
libertação dos escravos. Assim, legou ao seu sucessor os meios necessários para a realização
de muitas obras públicas.
Suas medidas de austeridade lhe trouxeram impopularidade. Era preciso salvar o Brasil
da bancarrota, mesmo descontentando uma parte do povo que não compreendia o alcance
patriótico e moral dessas medidas saneadoras do governo.
Foi Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, que consolidou, nos seus primórdios, o
regime republicano, porém foi o governo Campos Sales que o estabilizou econômica e
financeiramente, reestruturando o nosso sistema fiduciário, até então periclitante, em
conseqüência das lutas políticas e partidárias que agitavam a nação desde o tempo da
monarquia.

ESTÍMULO À MOCIDADE

Nos dias que correm, em que os nossos governantes fazem política de conchavos
partidários e não administram a nação dentro de normas rígidas e racionais, os exemplos de
Campos Sales bem poderão servir de roteiro aos políticos que colocam os seus interesses
pessoais e os do seu grupo acima dos deveres inalienáveis que assumiram perante a
Constituição da República de só lutarem pelo bem comum da pátria e do povo.
Rememorando a vida de Campos Sales, encontramos nela exemplos de grande valor
cívico e moral, que devem ser difundidos, para servirem de estímulo à mocidade ávida de luz
e progresso, justamente nesta época em que a maioria dos nossos homens públicos somente
dá expansão ao instinto materialista, pois, para manter o luxo, os vícios e a vaidade, deslustra
a consciência no mau uso das funções político-administrativas.
Campos Sales foi um grande lutador quando em vida física e ainda continua lutando, do
Astral Superior, para esclarecer e melhorar a humanidade.
Eis aí, num simples e pequeno esboço, algo da vida notável de Manuel Ferraz de
Campos Sales, cujos exemplos recomendo aos meus descendentes e à posteridade.

(São Paulo, maio/1955)


O VALOR DO PENSAMENTO
Sendo o pensamento uma vibração do espírito, que se irradia através de ondas
vibratórias, é, também, uma força introspectiva, uma emanação da nossa inteligência que se
transforma no poder decisório das nossas ações, desde que esteado na vontade, que
potencializa o querer da criatura humana.
A vontade alimenta e estrutura o pensamento para o bem e para o mal, ou seja, para o
lado positivo e para o negativo da nossa existência. É o pensamento que dá origem às ações
humanas, concretizadas pela vontade em consonância com o livre-arbítrio, um dos atributos
do nosso eu, controlado pela força volitiva que norteia os nossos atos.
O pensamento, dando forma à idéia e à imaginação, é uma arma preciosa quando
empregada para o bem e muito perigosa quando usada para o mal. Ele penetra no recôndito da
matéria e envolve o indivíduo, em conformidade com a lei que atrai os similares e repele os
contrários, razão por que só devemos ter pensamentos bons, justos, harmoniosos e
altruísticos, para não nos religarmos às forças inferiores, tanto no plano psíquico como no
material.
A nossa atitude mental negativa ou apática é um empecilho à conquista do que
desejamos de bom, útil e positivo, porque o fazemos com pensamentos de fraqueza e
indecisão, sem o impulsionamento da força de vontade removedora dos obstáculos.
Uma norma de proceder positivamente otimista, sem egolatria, sem automatismo e com
o autodomínio da emotividade, nos conduz a um viver alegre, tranqüilo e realizador, porque
nos religamos à corrente do bem e da prosperidade pelos bons e justos pensamentos, emitidos
com aquele valor que nos eleva e dignifica como seres pensantes, como partículas da
Inteligência Universal.
A imaginação, que é a faculdade de criar imagens mentais, inventar e conjecturar, é uma
criatividade do pensamento, em forma abstrata. Assim, temos que imaginar sem nos atermos
desnecessariamente ao mundo da fantasia, a fim de que a representação mental de uma coisa
imaginada possa transformar-se em realidade.
Imaginar, apenas, sem concatenar as idéias vislumbradas na tela do nosso intelecto, é
desperdiçar força anímica com devaneios irrealizáveis.
Quem pensa, raciocinando bem, coordena as ações dentro da razão e do bom senso.
Portanto, o segredo de todo o êxito está no pensamento e na vontade.
A nossa língua nunca deve ser mais ágil do que o nosso pensamento.
O pensamento leva-nos para o bem ou para o mal, de acordo com a nossa maneira de
pensar e agir.
Disse um célebre escritor:
Quando estivermos persuadidos de que, repelindo os pensamentos pessimistas,
amargos e irritados, repelimos a doença e a desgraça, e que, procurando um estado de
espírito suave e calmo, procuramos ao mesmo tempo o êxito e a saúde, encontraremos um
novo impulso para dominar as nossas forças.
DESCARTES E LUIZ DE MATTOS
O racionalismo de Descartes (ou Cartésio) tem como ponto de partida a dúvida de que a
vida subsista pela polarização da Força Criadora, que aciona a Matéria, enquanto o
Racionalismo Cristão, de Luiz de Mattos, tem como verdade básica essa vida inteligenciada
que tudo cria e anima. Por isso ele se fundamenta como doutrina esclarecedora e objetiva,
bem ao alcance analítico de quem raciocina com o desejo de conhecer e buscar a Verdade,
porque os seus princípios normativos se baseiam na reformulação do indivíduo pelo
conhecimento que ele vai obtendo dos porquês das coisas e da vida extraterrena, numa
conscientização simples, dedutiva e racional, sem subjetividade e jargões filosóficos, que
confundem.
Para o racionalismo cartesiano a essência da alma está no pensamento; para Luiz de
Mattos o pensamento é uma vibração do espírito, uma manifestação da inteligência, um poder
espiritual.
Embora Descartes, fundador do método racionalista do seu tempo, achasse que o início
do conhecimento se baseia na intuição, ele o faz de maneira abstrata, para distinguir a análise
da síntese no encontro da realidade, levado por um ideal filosófico de pesquisa.

NOVOS HORIZONTES

Reconhecemos que Descartes, com o seu racionalismo, colaborou para libertar o mundo
do escolasticismo e abriu novos horizontes para Kant, que, com as suas novas idéias para o
entendimento da metafísica, muito fez de útil, pois no empirismo o conhecimento é reduzido
aos sentidos e não à razão, como preceituam o racionalismo cartesiano e o iluminismo,
seguido pelo criticismo kantiano, que é o centro da filosofia moderna, objetivando mais as
idéias e os limites das faculdades cognoscitivas.
Se Descartes e Kant abriram novas clareiras no campo da filosofia, Luiz de Mattos, com
o Racionalismo Cristão, desvendou o “mistério do sobrenatural”, baseado nas leis comuns,
naturais e imutáveis, e fez o ser humano conhecer-se a si mesmo como Força e Matéria,
únicos elementos de que se compõe o Universo, para ter a noção dos atributos que lhe são
inatos, a fim de orientá-lo na trajetória evolutiva do seu espírito, partícula da Inteligência
Universal, cujo conhecimento é obtido pelo estudo com base no raciocínio, na razão, sem
estear-se no obscurantismo da fé, dos preconceitos e das crendices.
Como se vê, o racionalismo de Descartes e Kant se implanta no campo da teoria das
idéias, e o de Luiz de Mattos, na essência da espiritualidade, objetivando demonstrar o
conhecimento da vida real, para que possamos conduzir-nos com mais acerto neste mundo-
escola.
Em homenagem ao saber de Descartes, o Racionalismo Cristão inseriu em sua obra
básica trecho de uma das suas excelentes lições filosóficas sobre a Verdade, de que
destacamos: “Trabalhar para bem pensar, eis o princípio da moral”.

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