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Lênin e a Frente Única

Por Vladimir Ilitch Lênin, via Marxists.org, traduzido por Gabriel Landi Fazzio

De extrema atualidade, os debates da Internacional Comunista sobre a tática da Frente Única dos
Trabalhadores perpassaram seu Terceiro (junho de 1921) e Quarto Congressos (novembro de 1922).
Abaixo, apresentamos as traduções inéditas dos comentários existentes de Lênin a respeito de tal
política de unidade proletária defensiva entre revolucionários e reformistas.

Projeto de Decisão do Politburo do Comitê Central do PCR(b) sobre a Tática da Frente


Única

1 de dezembro de 1921.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publishers, 1971, Moscou, v. 42, p. 367b.

a) Que a linha de ação conjunta com os trabalhadores da Segunda Internacional, proposta por
vários Partidos Comunistas da Internacional Comunista e introduzida por Zinoviev, Radek e
Bukharin, seja aprovada. Que este último seja orientado a, dentro de dois dias, estabelecer
claramente esta linha em um esboço de resolução a ser distribuído entre os membros do
Politburo.

b) Que o camarada Bukharin seja instruído a escrever e mostrar ao Politburo um artigo


resumindo a experiência do Partido Comunista Russo na luta dos bolcheviques contra os
mencheviques e os blocos entre eles. [1]
Observações sobre as Teses da Frente Única

6 de dezembro de 1921.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publishers, 1971, Moscou, v. 42, p. 368.2.

Camarada Zinoviev,

Li o projeto das teses e não tenho objeções.

O parágrafo sobre a história do bolchevismo deveria ser ampliado e parcialmente


modificado. É incorreto dizer que houve uma cisão apenas em 1910. Deve-se afirmar que as
divisões formais com os mencheviques na primavera em 1905 e em janeiro de 1912
alternaram-se com a semi-unidade e a unidade de 1906 e 1907, seguida pela de 1910, não
apenas por causa das vicissitudes da luta, mas também sob a pressão das bases, que exigiram
“testes de checagem” por meio de sua própria experiência.

Eu acho que isso deve ser declarado da forma mais explícita e concreta em uma página.

Carta para N. I. Bukharin e G. Y. Zinoviev

1 de fevereiro de 1922, ditado pelo telefone.

Em: “Lenin Collected Works”, Editora Progresso, 1971, Moscou, v. 42, p. 393b-394a.

Aos camaradas Bukharin e Zinoviev

Devemos considerar de antemão quais pessoas, de preferência aquelas com uma língua
afiada, irão representar o Comintern na conferência com as Internacionais II e II 1/2. Devemos
também considerar de antemão as questões básicas de tática e estratégia a serem empregadas
nesta reunião.

A lista de questões a serem tratadas na reunião deve ser considerada de antemão e elaborada
de acordo com cada um dos partidos presentes à reunião. De nossa parte, devemos incluir
nesta lista apenas questões que tenham uma influência direta sobre a ação conjunta prática
das massas trabalhadoras e abordar questões que são reconhecidas como incontestáveis na
declaração de imprensa oficial de cada um dos três participantes. Devemos explicar
detalhadamente as razões pelas quais nos limitamos a tais questões, no interesse de uma
Frente Única. No caso da fraternidade amarela levantar questões políticas controvertidas,
como a nossa atitude em relação aos mencheviques, a questão da Geórgia, etc., devemos
adotar essas táticas: 1) declarar que a lista de questões pode ser elaborada apenas por uma
decisão unânime dos três participantes; 2) declarar que, ao elaborar nossa lista de questões,
fomos guiados exclusivamente pelo desejo de unidade de ação das massas trabalhadoras,
cuja união poderia ser alcançada imediatamente, mesmo sob as diferenças políticas existentes
e profundamente arraigadas; 3) declarar que concordamos plenamente com questões como a
nossa atitude em relação aos mencheviques, a questão da Geórgia e quaisquer outras
questões levantadas pelas Internacionais II e II 1/2, desde que concordem com as seguintes
questões: 1) a atitude renegada das Internacionais II e II 1/2 frente ao Manifesto de Basileia; 2)
a cumplicidade destes mesmos partidos no assassinato do Luxemburgo, Liebknecht e outros
comunistas da Alemanha através dos governos burgueses que esses partidos apoiam; 3) uma
atitude semelhante destes partidos frente ao assassinato de revolucionários nas colônias pelos
partidos burgueses que as Internacionais II e II 1/2 apoiam, etc., etc. Nós devemos preparar
uma lista destas e outras questões similares de antemão, e prepare também teses e
palestrantes de antemão sobre várias questões importantes dessa natureza.

Temos de encontrar ocasião para declarar oficialmente que consideramos as Internacionais II


e II / 2 apenas como participantes inconsistentes e vacilantes de um bloco com a burguesia
mundial contrarrevolucionária, e que concordamos em participar de um encontro sobre a
Frente Única em nome de alcançar a possível unidade prática de ação direta por parte das
massas e expor o erro político de todas as posições das Internacionais II e II 1/2, assim como
estas concordaram participar de uma reunião conosco para conseguir a união prática da ação
direta das massas e expor o erro político de nossa posição.

Lenin

Carta aos Membros do Politburo do CC do PCR(b) com observações ao Projeto de


Resolução para a Primeira Plenária Ampliada da Executiva do Comintern sobre a
participação em uma Conferências das Três Internacionais

23 de fevereiro de 1922, ditado pelo telefone.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publishers, 1971, Moscou, v. 42, p. 400-401a.

Ao Camarada Molotov (para os membros do Politburo).

Encaminho as seguintes emendas ao projeto de resolução enviado por Zinoviev sobre a


participação do Comintern na conferência planejada de todos os partidos operários do
mundo [2]. Depois das palavras: “unidade de ação entre as massas da classe trabalhadora,
que poderia ser alcançada imediatamente, apesar das diferenças políticas fundamentais”, as
frases seguintes devem ser excluídas até as palavras: “que as massas da classe trabalhadora
exigem unidade de ação”. A frase que começa com estas últimas palavras deve ser
reformulada como segue: “os trabalhadores com consciência de classe, que estão
perfeitamente cientes destas diferenças políticas, no entanto, juntamente com a vasta maioria
dos trabalhadores, desejam e exigem unidade de ação nas questões práticas de maior
urgência e mais próximas aos interesses dos trabalhadores. Não pode haver dúvida sobre
isso agora na mente de qualquer pessoa conscienciosa ”e assim por diante.

Minha segunda emenda é que a frase que começa com as palavras: “que todas as questões
controversas sejam evitadas e questões que não estão abertas a debate sejam enfocadas” deve
ser alterada como segue: “e, enquanto adiamos por algum tempo as questões mais
controversas e colocamos em foco as menos controversas, ambos os lados, ou melhor, todas
as três organizações internacionais que participam da conferência [3], contarão naturalmente
com a vitória final de seus pontos de vista”.

A minha principal emenda visa eliminar a passagem que chama os líderes da II e da II 1/2
Internacionais de cúmplices da burguesia mundial. Sempre é possível chamar um homem de
“idiota”. É absolutamente irracional arriscar demolir uma relação de tremenda importância
prática, apenas em nome de dar a si mesmo o prazer extra de repreender os canalhas, a quem
deveremos repreender mil vezes em outro lugar e tempo. Se ainda há pessoas na reunião
ampliada da Executivo que não compreenderam o fato de que a tática da Frente Única nos
ajudará a derrubar os líderes das Internacionais II e II 1/2 Internacionais, essas pessoas devem
receber uma quantidade extra de materiais de leitura e palestras populares. Pode ser
necessário ter um panfleto especialmente popular, escrito para eles, e publicado em francês,
digamos, se os franceses ainda não compreenderam as táticas marxistas. Finalmente, seria
melhor adotar esta resolução, não por unanimidade, mas por maioria (aqueles que votaram
contra nós faríamos, depois, passar por um curso especial, completo e popular de
esclarecimento), do que correr o risco de estragar um caso prático por causa de alguns jovens
políticos que, amanhã, serão curados de sua doença infantil.

Carta aos Membros do Politburo do CC do PCR(b) com propostas sobre o Projeto de


Diretivas da Executiva do Comintern para a Delegação do Comintern na Conferência das
Três Internacionais

14 ou 15 de março de 1922.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publisher, 1971, v. 42, p.406b-407a.

A Zinoviev, Stalin, Kamenev e aos outros membros do Politburo: [4]

Eu proponho.

p. 11 (2a parte) (re. mudança de atitude em relação aos mencheviques) deve ser descartada.

Agora, não podemos falar disso nem mesmo provisoriamente agora.

Na minha opinião, as diretivas devem ser emendadas desta forma:

1.AA) Se for desejado levantar as questões mais controversas, isto é, aquelas que evocam a
maior hostilidade da III Internacional em relação às Internacionais II e II 1/2, concordamos
com a condição de que:

1. (a) a lista de questões seja combinada conosco;

2. (b) … e com as mais detalhadas regras de procedimento na discussão dos direitos da III
Internacional; esses direitos devem ser salvaguardados sob maior detalhamento, etc., etc.

2. BB) Nós, de nossa parte, propomos levantar apenas as questões menos controversas, com o
objetivo de tentar uma ação parcial, mas conjunta, pelas bases da classe trabalhadora.

Se eles aceitarem AA, nós inseriremos: uma avaliação geral, por nós, das Internacionais II e II
1/2, a soma de nossas acusações contra eles, etc., etc.

Além disso: no dia 25 de março, isto é, na reunião preliminar, nossos delegados devem ser
extremamente discretos, enquanto ainda houver esperança de alcançar nosso objetivo, isto é,
atrair as 3 Internacionais (a II e a II 1/2) para uma conferência geral.

Não devemos romper abruptamente por causa de sua composição e, em todo caso, não
devemos romper sem entrar em contato com Moscou, a menos que seja por algo
gritantemente desprezível, absolutamente intolerável.
Proposta de Projeto de Resolução acerca do Relatório da Delegação do PCR(b) no
Comintern (11º Congresso do PCR(b))

Entre 29 de março e 2 de abril de 1922.

Em: “Lenin Collected Works”, Editora Progresso, 1971, Moscou, v. 42, p. 411-413a.

O propósito e o sentido da tática da Frente Única consiste em atrair mais e mais massas de
trabalhadores para a luta contra o capital, mesmo que isso signifique fazer repetidas apelos
aos líderes das Internacionais II e II 1/2 para que travem essa luta conjuntamente. Quando a
maioria dos trabalhadores já estabeleceu sua representação de classe, isto é, sua
representação soviética, e não uma “nacional geral” (isto é, em comum com a burguesia), e
derrubou a dominação política da burguesia, então, a tática da Frente Única, é claro, não
pode exigir a cooperação com partidos como o dos Mencheviques (o “POSDR”) e os SRs (o
“Partido dos Socialistas-Revolucionários”), que se revelaram adversários do poder soviético.
A influência sobre as massas da classe trabalhadora sob o domínio soviético tem que ser
estendida não pela busca de cooperação com os mencheviques e os SR, mas da maneira
mencionada acima.

Observações e Propostas ao Projeto de Decisão para o Comitê Executivo do Comintern


após a Conferências das Três Internacionais

11 de abril de 1922, ditado pelo telefone.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publishers, 1971, Moscou, v. 42, p. 415-416.

Cartas a G. Y. Zinoviev

No ponto 1, proponho o adendo: debruçarmos-nos com mais profundidade 1) sobre os


vínculos reais entre os nossos mencheviques e SRs e a frente comum dos latifundiários e da
burguesia contra o governo soviético, dando especial atenção, neste propósito, ao panfleto de
Savinkov “Combatendo os bolcheviques” (Varsóvia, 1920) e o panfleto de S. Ivanovich, “O
Crepúsculo da social-democracia russa”, já que esses livretos revelam claramente o que se
sabe, evidentemente, a partir de vários outros documentos – a saber, que mencheviques de
direita e SRs se refugiam atrás do nome de um partido comum, por uma questão de forma,
enquanto na verdade eles agem com bastante independência; 2) prestar especial atenção à
exposição da identidade de nossos mencheviques e SRs com os líderes das Internacionais II e
II 1/2, a natureza altamente perniciosa do recente panfleto de O o Bauer, que virtualmente
propõe e prega a retirada, em pânico, em face do capitalismo. Tal pregação consideramos
equivalente a pregar o desespero no front, durante a guerra.

Ponto 2, eu aceito.

Re. Ponto 3:

Tenho minhas dúvidas sobre este, pois acredito que um regramento redigido com precisão,
clamando por unanimidade, poderá nos salves de cometer erros, enquanto apelos gerais em
assuntos esclarecendo os pontos edossados na Conferência de Berlim (defesa da Rússia
Soviética, etc) serão extremamente úteis para nós, uma vez que deveremos fazer uso repetido
deles no futuro a fim de expor o atoleiro em que os nossos oponentes se meteram.
Re. Ponto 4 – Eu definitivamente apoio isto.

Re. Ponto 5 – Não tenho qualquer objeção.

Re. Ponto 6:

O sentido deste ponto não está claro para mim. Acredito que o acordo de Berlim deve ser
ratificado imediatamente após o recebimento do texto oficial das decisões adotadas, ou,
talvez melhor ainda, que seja imediatamente ratificado, com a ressalva de que o texto que
está sendo ratificado foi o publicado no Pravda em 9 de abril.

Solicito-lhe particularmente que providencie que o texto integral da ata da Conferência de


Berlim seja enviado o mais rapidamente possível, por meio de correio especial, e verifique se
estas atas foram assinadas pelos representantes oficiais de cada uma das três Internacionais.

Camarada Zinoviev,

O seguinte deve ser adicionado aos pontos da decisão do Executivo do Comintern sobre os
quais trocamos notas esta manhã:

A crítica da política da II e da II 1/2 Internacional deve assumir agora um caráter um pouco


diferente, a saber, esta crítica (especialmente em reuniões com a participação de
trabalhadores que apoiam a II e a II 1/2 Internacional, e em folhetos e artigos especiais
escritos para estes) deve tender a ser de natureza esclarecedora, feita com particular paciência
e meticulosidade, de modo a não espantar estes trabalhadores com palavras duras, e trazer
para eles as contradições irreconciliáveis entre as palavras de ordem que os seus
representantes adotaram em Berlim (por exemplo, a luta contra o capital, a jornada diária de
oito horas, a defesa da Rússia soviética, o auxílio aos famintos) e toda a política reformista.

Talvez, antes de publicar isto, deveríamos verificar se as decisões de Berlim foram ratificadas
pelas Internacionais II e II 1/2.

Notas sobre a História do PCR – Nota para N. I. Bukharin

Dezembro de 1921.

Em: “Lenin Collected Works”, Progress Publishers, 1971, Moscou, v. 36, p. 552-54.

Camarada Bukharin,

Eu incluo minhas anotações em conexão com o tema atribuído a você pelo Comitê Central
hoje. Eu estive pensando sobre este tema e planejei:

(a) expor os temas de disputa, diferença e cisão;

(β) alternância de períodos de divisão e períodos de unidade;

(γ) alternância de períodos de maioria para os mencheviques e para os bolcheviques (talvez


pudesse ser representado em um diagrama?).

Me mande uma mensagem sobre sua opinião.


Lenin

1 de Dezembro

Isso não deveria ser tomado como uma tela para o seu artigo? Ou algo desse tipo?

LISTA (CRONOLÓGICA) DE TEMAS DE DISPUTA

1903. Out. A questão da organização: §1 das Regras.

1904. “A campanha do Zemstvo.”

1905. Mai. Atitude frente a revolução, a luta grevista, a insurreição armada.

1905. Ago. Boicote da Duma ou participação?

1905. Out.

1905. Dez. Insurreição.

1906. Jan.-Mar. Boicote da Duma ou participação?

1906. Abril-Maio. Atitude frente à Primeira Duma.

1906. Julho. Atitude frente o levante armado.

Setembro. A luta clandestina.

1907. Jan.-Fev. Eleições para a Segunda Duma: Bloco de Esquerda ou com os Cadetes?

1907. Abril. Segunda Duma.

1909-10. Liquidacionismo.

1911. Pleno do Comitê Central.

Unidade ou cisão?

1912. A cisão (liquidacionismo).

1913. “Febre grevista”, etc.

1913. Atitude frente a Terceira Duma. [5]

1914. Atitude face à guerra imperialista.

1917. Fev-Mar. Atitude frente à revolução de fevereiro.

1917. Maio. O Ministério da Coalizão.

1917. Julho. O Primeiro Congresso dos Sovietes. [6]

1917. Set. A revolta de Kornilov e a Conferência Democrática.

1917. Out.

Poder soviético;
terror;

Tratado de Paz de Brest;

Conspirações e guerra civil.

1918. Guerra civil. Atitude dos mencheviques.

1918. ”” ”” ””

1919.

1920.

1921.

LUTA ENTRE BOLCHEVIQUES E MENCHEVIQUES (ALTERNAÇÃO DE RELAÇÕES


NUMÉRICAS)

1903. O [II] Congresso: 20/24 de 44 votos. (um partido). [7]

1905. Dois congressos. Za [Zirka = aproximadamente] (dois partidos). [8]

1906. Congresso de Estocolmo. Exatamente (número de votos). Um partido.

1907. Congresso de Londres. Exatamente (número de votos). Um partido. [9]

(Grupos na Dumas)

1911-12. Cotizações pelos trabalhadores (da miscelânea sobre o liquidacionismo) [10] (um e
dois partidos). [621]

1917. Junho. Primeiro Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia.

1917. Nov. 1.5 (?) milhões. Eleições para a Assembleia Constituinte. [11]

1,5 milhões / 9 milhões

NOTAS:

[1] Este projeto foi escrito em conexão com a discussão do Politburo, em 1º de dezembro de
1921, sobre a questão da tática de uma Frente Única dos Trabalhadores. As propostas de
Lenin foram aprovadas. Elas formaram a base das teses do Comitê Executivo da
Internacional Comunista (IC ou Comintern) “Sobre a Frente Única dos Trabalhadores e a
Atitude para com os Trabalhadores Pertencentes às II, II / 2 e Internacional de Amsterdã, bem
como os Trabalhadores que Apóiam as Organizações Anarcossindicalistas”. As observações
de Lenin sobre as teses [texto seguinte] também foram levadas em consideração.

As “Notas sobre a História do PCR” de Lenin [texto final] foram feitas em conexão com a
proposta de que Bukharin deveria escrever um artigo resumindo a experiência do PCR(b).
[2] A primeira reunião plenária extendida do Comitê Executivo da IC foi realizada em
Moscou, de 21 de fevereiro a 4 de março de 1922. Participaram 105 delegados de 36 países. O
destaque do encontro foi a questão da tática da Frente Única. A reunião adotou as teses sobre
a luta contra a guerra e a ameaça de guerra, as teses sobre a Nova Política Econômica, uma
decisão sobre a tática da Frente Única, uma resolução sobre a participação da IC na
Conferência das Três Internacionais e vários outros documentos.

Lênin não participou da reunião devido a problemas de saúde, mas participou ativamente da
preparação da reunião e elaborou as táticas para a delegação da IC na Conferência das Três
Internacionais [texto seguinte].

As propostas de emenda de Lênin ao projeto de resolução sobre a participação na


Conferência das Três Internacionais foram adotadas pelo Politburo do C.C. bolchevique em
23 de fevereiro de 1922. Uma resolução sobre este ponto foi adotada pela primeira plenária
do Executivo do Comintern em 4 de março de 1922.

[3] A Conferência das Três Internacionais ocorreu em Berlim, de 2 a 5 de abril de 1922.

Uma intensa luta se desenvolveu na Conferência entre os representantes das Internacionais II


e II 1/2, de um lado, e da Internacional Comunista, de outro. A delegação do Comintern
apresentou a proposta da convocação de um congresso mundial, no qual participariam os
sindicatos e outras organizações dos trabalhadores, para discutir questões relativas à luta
contra o avanço do capital, contra a reação e contra os preparativos para uma nova guerra
imperialista, medidas relativas à ajuda para a reabilitação da Rússia Soviética, contra o
Tratado de Versalhes e pela reabilitação das áreas devastadas. Os representantes da II
Internacional, apoiados pela delegação da Internacional II 1/2, tentaram impor termos
inaceitáveis à delegação do Comintern, a saber: a separação da Geórgia do Estado soviético, a
renúncia às células comunistas nas organizações de massas dos trabalhadores e a liberação de
criminosos políticos. A delegação do Comintern (Bukharin, Radek e C. Zetkin), apesar de
rejeitar estes termos, concordou com a condição de que as autoridades soviéticas não
aplicassem a pena de morte no caso dos Socialistas-Revolucionários de direita e permitisse
aos representantes das Internacionais II e II 1/2 a participação nos julgamentos. Em seu artigo
“We Paid Too Much”, Lenin criticou severamente essas concessões por parte da delegação do
Comintern na Conferência de Berlim, que ele considerou errôneas.

Uma declaração geral foi adotada na Conferência, reconhecendo a possibilidade de realizar


reuniões conjuntas e emitir declarações conjuntas sobre questões concretas. A declaração
pedia a todos os trabalhadores que fizessem manifestações em massa durante a Conferência
de Gênova, erguendo palavras de ordem da luta pela jornada de oito horas, contra o
desemprego e contra o avanço do capital sobre a classe trabalhadora, em defesa da revolução
russa, pela assistência às áreas atingidas pela fome da Rússia, pela retomada das relações
políticas e econômicas de todos os estados com a Rússia soviética, pelo estabelecimento de
uma Frente Única Proletária em todos os países, em escala nacional e internacional. A
Conferência pronunciou-se pela rápida convocação de um congresso mundial e montou um
comitê diretivo de nove membros (três de cada Internacional) para preparar futuras
conferências e um congresso.

No entanto, as lideranças reformistas das Internacionais II e II ½, que aceitaram este acordo


sob a pressão das grandes massas de trabalhadores, torpedearam e sabotaram a luta unida da
classe trabalhadora. Em 21 de maio de 1922, vários partidos destas Internacionais aprovaram
a decisão de convocar um congresso mundial em Haia sem os comunistas. Por esse meio, os
líderes reformistas bloquearam os esforços para criar uma Frente Única dos Trabalhadores.
Em vista disso, a delegação do Comintern na reunião do comitê de direção em 23 de maio de
1922, em Berlim, anunciou sua retirada do Comitê dos Nove.

As observações e propostas de Lenine foram feitas ao seguinte projeto de decisão para o


Presidium do Executivo Comunista em conexão com a Conferência de Berlim das Três
Internacionais: “1) Intensificar a campanha contra os mencheviques e socialistas-
revolucionários em toda a imprensa comunista internacional. 2) Começar a fazer uso
sistemático do material da Conferência de Berlim para atacar todos os pontos fracos do
adversário. 3) Os apelos gerais dos Nove não devem ser emitidos por enquanto. 4) Agitação
durante a demonstração no dia 20 de abril, para a livre crítica a nossos oponentes. 5) As
várias seções devem agir de acordo com as condições concretas. 6) Quaisquer novos passos
da delegação serão adiados até que a questão da ratificação dos resultados de Berlim seja
tratada” (Arquivos Centrais do Partido, Instituto de Marxismo-Leninismo da C.C., C.P.S.U.).

Zinoviev enviou este rascunho a Lênin com um pedido para que ele desse sua opinião no
mesmo dia, antes da reunião do Presidium do Executivo do Comintern.

[4] Esta carta foi escrita em conexão com a elaboração, pelo Comitê Executivo da IC, de
diretrizes para a delegação do Comintern para a Conferência das Três Internacionais. É um
comentário sobre as diretrizes que G. Y. Zinoviev elaborou e enviou a Lênin em 14 de março
de 1922, com um pedido para expressar sua opinião sobre as mesmas antes que o projeto
fosse submetido ao Comitê Executivo. Essas diretrizes, emendadas de acordo com as
observações e propostas de Lenine, foram aprovadas pelo Politburo e aprovadas por
unanimidade pelo CEIC em 17 de março.

[5] A referência é evidentemente à Quarta Duma.

[6] O primeiro Congresso de Sovietes de Deputados Operários e Soldados de Toda a Rússia


foi realizado de 3 a 24 de junho (16 de junho a 7 de julho), 1917.

[7] A proporção numérica dos votos dos bolcheviques e dos mencheviques no segundo
congresso do POSDR, onde 20 delegados bolcheviques tinham 24 votos, e os mencheviques –
após a retirada de dois delegados da Rabóquiaye Dyelo e cinco do Bund, que os apoiaram –
20 votos, um total de 44.

[8] Referência ao Terceiro Congresso Bolchevique do POSDR, realizado em Londres em abril


e maio de 1905, e a conferência paralela dos mencheviques, em Genebra.

[9] Referência à distribuição de votos no IV Congresso (Estocolmo, “Congresso da Unidade”)


e no Quinto Congresso do Partido (Londres), isto é, no período em que os bolcheviques e os
mencheviques eram formalmente membros do mesmo partido, com um único Comitê
Central e conferências regulares, etc.

Dos 112 delegados com voto no Quarto Congresso, os bolcheviques tinham 46; os
mencheviques, 62; e o resto pertencia a social-democratas não-faccionistas. Os mencheviques
tinham uma pequena vantagem e, por isso, o Congresso aprovou resoluções mencheviques
sobre algumas questões. Em seu ‘Apelo ao Partido sobre a questão deste Congresso’, Lenine
escreveu:

“Devemos e iremos lutar ideologicamente contra as decisões do Congresso que consideramos


erradas. Mas, ao mesmo tempo, declaramos a todo o Partido que somos contra uma divisão
de qualquer tipo. Nós defendemos as decisões do Congresso. Apelamos a todos os nossos
colegas-pensadores para aceitar tal submissão e tal luta ideológica” (Collected Works, Vol.
10, p. 314).

No entanto, a decisão do Congresso sobre a unidade do Partido permaneceu no papel, pois


os bolcheviques e os mencheviques mantiveram seus respectivos pontos de vista e
mantiveram suas organizações separadas.

Dos 336 delegados com voto no Quinto Congresso, os bolcheviques tinham 105; os
mencheviques, 97; os Bundistas, 57; os social-democratas poloneses, 44; os social-democratas
letões, 29; e os delegados “não-partidários” eram 4. Os bolcheviques tinham ao seu lado os
poloneses e os letões e, assim, dirigiram uma maioria estável. Em todas as questões de
princípio o Congresso aprovou resoluções bolcheviques. O Congresso elegeu um Comitê
Central composto por cinco bolcheviques, quatro mencheviques, dois polacos e um social-
democrata letão. Os membros candidatos incluíam 10 bolcheviques, 7 mencheviques, 3
poloneses e 2 letões.

O Congresso marcou uma grande vitória do bolchevismo sobre a ala oportunista do partido.
Para detalhes sobre o Quinto Congresso, vide o artigo de Lenine “A Atitude para com os
Partidos Burgueses”, em “Collected Works”, vol. 12, págs. 489-509. p. 553

[10] A miscelânea “Marxismo e Liquidacionismo”, publicado em 1914, forneceu dados sobre


as cotizações dos trabalhadores para diversos fins, pelos partidários dos bolcheviques e dos
liquidacionistas. Esses números provaram que a maioria dos trabalhadores se reuniu em
torno dos bolcheviques. As cotização para a ajuda de grevistas em várias fábricas, para
pessoas vitimadas e para várias outras necessidades do movimento da classe operária,
realizadas através dos grupos de bolcheviques e liquidacionista na Duma, alcançaram os
seguintes números para o período de outubro de 1913 a 6 de junho de 1914 (segundo relatos
em jornais bolcheviques e liquidacionistas): através do grupo bolchevique, 12.891,24 rublos
(número de grupos de trabalhadores: 1.295); através do grupo dos liquidacionistas, 6.114,87
rublos (número de grupos de trabalhadores, 215). Os bolcheviques recebiam apenas 6% disso
através de não-trabalhadores; já os liquidacionistas, 46%. O número de cotizações por
trabalhadores para a imprensa operária se distribuía da seguinte forma (em maio de 1914):
para os jornais bolcheviques (Pravda e Rabochy Put), cerca de 6.000 rublos; para o jornal dos
liquidacionista (Luch), um total de 1.500 rublos.

[11] Referência à proporção de votos recebidos pelos mencheviques e bolcheviques durante a


eleição para a Assembleia Constituinte, em novembro de 1917. Para mais detalhes, ver o
artigo de Lênin “As Eleições da Assembleia Constituinte e a Ditadura do Proletariado”
(Collected Works, Vol. 30, p. 254).

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26 de agosto de 2019
Crítica

Frente Única, Hegemonia, Lenin, Luta de classes, Tática

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